Narciso

3/17/2026 01:36:00 AM |

Acho bem interessante como alguns diretores sabem trabalhar a crítica social com formatos tão fáceis quanto entregar algo simples na tela, pois são tramas que exigem que o público entenda a proposta para se envolver, não sendo apenas algo para colocar lá e deixar fluir, e um desses diretores que faz isso muito bem é Jeferson De. Dito isso quando vi o pôster e a proposta de "Narciso" fiquei bem curioso com o que iria ver no novo longa do diretor, pois sabemos bem de seu cunho e de como muitos jovens veem o mundo da adoção de uma forma complexa, principalmente no quesito de cor da pele, e hoje ao conferir vi um filme com uma pegada até um pouco lúdica demais por ser algo dele, pois talvez uma imposição mais forte funcionaria melhor, e também acredito que ele deu um ar meio que abstrato demais que toda criança rica é deixada de lado pelos pais, não tendo felicidade de um modo geral, mas o resultado funciona bem na tela, e isso é o que importa, pois sempre haverá muitos modos de representar as escolhas, principalmente com um gênio como esse.

O longa nos conta que Narciso é um menino negro e órfão que vive num lar temporário com os irmãos Carmem e Joaquim. Às vésperas do seu aniversário, ele é devolvido por um casal que desistiram de adotá-lo. Durante esse momento devastador, um amigo chamado Alexandre o presenteia com uma bola de basquete mágica: se Narciso acerta três cestas consecutivas, um gênio aparece para conceder o seu maior desejo. O pedido de Narciso? Ter uma família rica. Seu desejo é concedido, mas com uma condição fatal: Narciso nunca mais poderá ver seu reflexo, caso contrário o encanto se quebrará. Na mesma noite, o jovem é transportado para sua nova vida, numa mansão com uma nova família. Um incômodo, porém, o deixa angustiado: a saudade dos amigos e da casa de Carmem. Logo, o menino precisará refletir se o caminho para a felicidade era esse mesmo que sempre quis.

Diria que o estilo do diretor e roteirista Jeferson De poderia ser mais impositivo na trama, pois o longa ficou muito simbólico e calmo, com um conflito não tão marcante na tela, pois abstraiu qualquer possibilidade que o longa tivesse de mostrar escolhas e afincos, pois volto a frisar que nem toda família rica abandona os filhos trancados como foi o caso mostrado na tela, mas a sensibilidade de mostrar isso com cores foi algo muito bacana de ver na tela, e que de uma forma representativa conseguiu mostrar a velha síntese de que dinheiro não traz felicidade. Ou seja, no longa vemos algo até que bem trabalhado nesse sentido, mas que poderia ter sido vertido de outras maneiras, com algumas imposições mais bem mostradas, que aí sim daria para ser forte como as demais tramas do diretor.

Quanto das atuações, o jovem Arthur Ferreira foi um pouco fechado demais com seu Narciso, parecendo ser até tímido demais para um papel de protagonista, mas teve bons momentos na tela e soube segurar suas expressões quando precisou, não sendo algo perfeito, mas ao menos bem feito. Ju Colombo entregou uma Carmen com tanta perfeição que com toda certeza muitas pessoas irão ver e conseguir identificar muitas mães de coração de jovens no país, sendo dura quando precisou, mas sentimental e bem chamativa em alguns atos também. Gosto do ator Bukassa Kabengele, porém aqui seu personagem Joaquim foi trabalhado com uma importância maior do que deveria, pois o papel não precisava ser tão chamativo, claro que isso não é um problema do ator, e assim sendo ele fez bem seus atos na tela. Claro que ainda vale dar um leve destaque para Seu Jorge como um gênio meio estranho e também Diego Francisco com um Naldo que valeria ter trabalhado um pouco mais, mesmo sabendo o que quiseram simbolizar, mas de um modo geral todos tiveram rápidas participações na tela, mesmo os com um pouco mais de fala.

Visualmente a trama mostrou bem a casa simples aonde o personagem vive com outros jovens abandonados, a região com uma pequena venda e um ex-irmão que provavelmente vive do crime, brinquedos reparados e pouca comida, mas com muito amor, e depois tivemos em preto e branco uma mansão, com o rapaz vestindo um pijama com sua inicial, piscina, barquinhos, bicicleta e tudo mais que sempre sonhou, mas sem a felicidade que gostaria de ter, sendo algo bem representativo e simbólico, que a equipe de arte soube trabalhar bem na tela.

Enfim, não chega a ser uma das obras brilhantes do diretor, mas ainda assim teve um ar interessante e bem representativo com os devidos simbolismos, que certamente poderia ter ido muito mais além na tela, mas que segue valendo a recomendação para conferir a partir de quinta dia 19/03. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Elo Studios e da Atômica Lab Assessoria pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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