A Noiva! (The Bride!)

3/06/2026 01:52:00 AM |

Lembro vagamente do original dos anos 30, "A Noiva do Frankenstein", e por incrível que pareça nem tinha visto muitas vezes o trailer do longa "A Noiva!" que estreou hoje nos cinemas, de modo que fiquei sabendo dele apenas por um amigo, ou seja, sabia nada também da nova produção, mas posso dizer que a trama me arrepiou em alguns momentos e que a essência em juntar a força feminina, junto de traquejos diferençados para dar voz a escritora de Frankenstein, Mary Shelley, com imponência de expressividade, com o submundo do crime dominando as ruas e a polícia, fez com que fosse um filme tão fora dos padrões que não tem como não se apaixonar por ele. Claro que não é um filme que muitos vão aceitar de cara, pois tem pegada, tem situações que o pessoal não aceita, ainda mais na época em que o longa se passa, mas brincar com tudo isso, com o cinema dominando a raiva e a mente do protagonista, é de um primor que mostra que a diretora sabe bem aonde deseja chegar, e não vai parar tão cedo.

O longa se passa em Chicago na década de 1930 e acompanha a história de origem da Noiva, uma jovem assassinada que ganha vida novamente. Sua trágica morte é encomendada pelo monstro do cientista Frankenstein que, solitário, pede por uma companhia para a Dra. Euphronius. Os dois, então, trazem de volta à vida uma jovem e, assim, nasce uma nova criatura: a Noiva. Logo, a jovem descobre um mundo marcado por obsessões e violência, além de se envolver num romance selvagem e explosivo.

Diria que a ousadia de Maggie Gyllenhaal vai acabar virando sua marca como diretora e roteirista, pois dava tranquilamente para ela fazer uma refilmagem tranquila do clássico, com tudo redondinho, num drama bem pegado que funcionaria, todos aplaudiriam e pronto, mas não, em seu segundo trabalho nas funções principais acabou colocando uma revolução completa na tela, uma nova história com nuances envolvendo máfia, polícia corrupta, e claro dando voz a escritora como uma entidade na cabeça da protagonista que mostra as facetas de um vocabulário grandioso, forte e que foi minado na época pelo machismo. Ou seja, ela soube brincar com a ideia, dando claro um vértice forte que muitos vão jogar como mimimi, feminista e tudo mais, mas com uma entrega sem ser jogada, tendo critérios e imposições funcionais, aonde a trama acaba não cansando e funcionando bem, mostrando que vamos poder sempre esperar algo a mais dela nas suas futuras obras.

Quanto das atuações, Jessie Buckley entregou muito na tela tanto como A Noiva, quanto inicialmente com sua Ida e ainda em momentos solos como Mary Shelley, ou seja, se jogou por completo em três papeis diferenciados com intensidades diferentes e dinâmicas tão próprias que você nem irá lembrar que é a mesma mulher de outros filmes que já vimos (aliás só fui descobrir que era ela depois de ver os nomes nos créditos), de tal forma que cria cadência e impõe muita presença em todos seus atos, sendo perfeita nos mínimos detalhes. Já tinha dito no outro longa do personagem monstro de Frankenstein que tinham arrumado um filme definitivo para o personagem, mas com a entrega de Christian Bale aqui para seu monstrengo posso dizer que o ator deu seu nome para o papel, com trejeitos, danças e dinâmicas tão bem presentes (talvez para um papel mais maduro do personagem) que chega a impressionar do começo ao fim. Ainda tivemos outros bons personagens na tela além dos dois protagonistas, valendo o destaque para Penélope Cruz como a detetive Myrna, Peter Sarsgaard como o parceiro dela Jake, Jake Gyllenhaal com seu Ronie Reed e claro Annette Bening como a Dra. Euphronius completamente maluca em cena, mas com muita serenidade nos traquejos para ser marcante.

Visualmente a trama teve atos em preto e branco, muita violência nas caracterizações, perseguições, restaurantes com festas imponentes, além claro do laboratório simples, porém cheio das facetas da Dra., carros da época bem colocados, e claro a magia dos cinemas com suas poltronas e telas dando representações dos filmes pelo personagem principal, ou seja, tudo bem amplo, com colorido na medida para não ficar chamativo demais, figurinos densos, shows e tudo mais.

Enfim, não fui conferir esperando muita coisa, pois como disse no começo nem sabia direito o que iria ver, mas posso dizer que impressiona pela grandiosa produção, pela história que funciona muito bem, e claro pela boa direção e atuação, sendo até engraçado ver alguns comentários pela internet que esse seria o que muitos esperavam ver em "Coringa Delírio à Dois", e posso dizer que a pegada funcionaria bem, então fica a dica para irem ver numa tela que valha a pena. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.

PS: um ponto crítico é que o miolo dá uma leve desacelerada e cansa um pouco, mas nada que atrapalhe o resultado completo.


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