Medo Profundo (47 Meters Down)

3/12/2018 01:06:00 AM |

Um dos braços do terror/suspense que mais gostam de trabalhar é o da falta de ar embaixo d'água, e se unem a isso animais monstruosos marinhos como tubarões, o resultado quase sempre costuma ser de tirar o fôlego do público. Claro que para funcionar sempre é necessário um roteiro mais intenso desenvolvido e que os atores consigam transmitir as sensações que a trama pede, mas aí já é uma outra conversa que daí estaríamos tendo para falar de algo perfeito, o que não é o caso de "Medo Profundo" que até trabalha bem o suspense e as situações dentro da água, mas as personagens não convencem em momento algum e tudo acaba soando superficial demais para um filme que está tão nas profundezas do oceano, ou seja, até vai conseguir segurar a ideia, tirar o fôlego em algumas cenas, mas nada que minutos depois de conferir você esqueça ele.

A sinopse nos conta que de férias no México, duas irmãs estão prestes a passar pelos momentos de maior tensão em sua vida: presas em uma gaiola de tubarões a 47 metros de profundidade no oceano, eles terão que lutar contra o tempo para permanecerem vivas. Mas com apenas uma hora de oxigênio e com tubarões brancos rondando o local, as chances se tornam cada vez menores.

É bem interessante a proposta do longa, porém já vimos esse estilo de formas tão melhores que cada um que for conferir a trama irá sugerir uma ideia diferente para cada momento, e claro que assim foi como o diretor e roteirista Johannes Roberts (que por incrível que pareça já está produzindo a continuação desse filme), que trabalhou bem o que achava condizente, criando cada ato e até explicando para os leigos em mergulho (como me coloco também!) o que acontece com trocas de galões de oxigênio dentro das profundezas(algo bem novo para mim), que não pode subir rapidamente (essa já havia ouvido outras vezes), entre outras ideologias, porém esse não foi o grande problema da trama, mas sim a futilidade dos personagens e a forma que vão para a jaula, pois poderiam ter criado outras sintonias, alguns vértices mais palpáveis e por aí vai para que tudo ocorresse, que agradaria bem mais, mas como não podemos alterar, o que nos resta é reclamar assim como outros críticos tem colocado pela forma rasa de tratar o resultado, ou seja, poderiam inovar em tantas coisas boas que certamente a tensão criada, e a sacada de fechamento seria muito melhor empregada do que o que acabou acontecendo, e assim sendo muitos reclamariam bem menos do final aberto com o que ocorre, veremos se ele será mais conciso na ideia da continuação, e aí sim resolver tudo de uma forma melhor.

Posso dizer facilmente que embora o problema do roteiro não ser muito inspirador com as situações, o grande problema da trama fica a cargo da falta de força nas expressões das atrizes até as cenas ficarem realmente tensas, pois chega a dar desânimo suas cenas fora da água, e alguns diálogos beiraram o ridículo entre elas mesmo lá no fundo, ou seja, poderiam ter melhorado para que tudo fosse mais incrível. E sendo assim, não digo que seja grande culpa das atrizes, mas poderiam ter chamado mais a responsabilidade para elas e feito algo muito melhor. Sendo assim, só vou dizer que o melhor momento ficou a cargo da expressão final de Mandy Moore com sua Lisa, mas vou evitar falar mais para não termos spoilers.

Dentro do conceito visual, foram espertos em filmar dentro de tanques para que o realismo ficasse mais condizente, e com isso, as imagens foram bem intensas e não tão computadorizadas como aconteceria se usassem outro estilo. Claro que por estarmos num mar não temos tantos elementos cênicos, e com isso o mínimo teve de ser bem feito, e foram utilizadas muitas imagens com tubarões e peixes reais para não precisar criar nada em computador, o que nos deixa bem feliz por não termos coisas estranhas como geralmente acontece em filmes desse estilo, porém volto na polêmica da falta de atitude antes de ir para o mar, e aí o filme se perde com festas simples no México aonde parece só existir meia dúzia de pessoas, num barquinho miserável que nenhum maluco entraria para ver tubarões, e na falta de mais contexto para tudo o que vemos na tela, ou seja, a equipe de arte também não quis gastar muito, e com isso o filme ficou singelo demais fora da água. No contexto fotográfico foram bem espertos em usar quase nada de luz (afinal 47 metros abaixo da superfície a luz nem chega direito) e somente com alguns refletores e lanternas não precisaram trabalhar muitas coisas no fundo do tanque, e sendo assim, tudo ficou bem interessante para sermos surpreendidos com as aparições do nada dos tubarões.

Enfim, é um filme que poderia ser bem melhor, mas que funciona dentro da proposta a que se propôs, só poderia ter uma dinâmica melhor entre as protagonistas, diálogos mais condizentes e aí sim teríamos um longa incrível, que até mesmo o final diferenciado surpreenderia e agradaria a todos, veremos o que vão nos propor no segundo filme que se passará no Recife, ou seja, tubarões brasileiros atacando geral! Bem é isso pessoal, fico por aqui encerrando essa semana cinematográfica bem curta, mas volto na próxima quinta com mais estreias, então abraços e até breve.

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O Passageiro (The Commuter)

3/10/2018 02:47:00 AM |

Sempre acho divertido quando um ator acaba se tornando a marca de um estilo, e se queremos um filme que vai ter muita ação, cenas de lutas em espaços minúsculos, muita adrenalina e investigação ao mesmo tempo, sabemos que temos de ver um longa com Liam Neeson. Digo isso, pois já virou febre esse estilo dele, e quando faz algo diferente acabamos até reclamando, ou seja, queremos sempre mais ação, e principalmente que mexam com sua família, pois aí ele fica possuído para acabar com quem estiver em sua frente. Dito isso, é fato que "O Passageiro" está longe de ser um filme perfeito, mas é tão energético, cheio de boas situações (algumas bem falsas, que sabemos que são falsas, mas gostamos de ver!) e muita ação na proposta que o trailer infelizmente entrega muitas das cenas que poderiam ser misteriosas e nos pegar desprevenidos, mas que ainda assim consegue entregar algumas boas surpresas, ou seja, acaba sendo o filme que queríamos ver dele.

O longa nos conta que durante o seu trajeto usual de volta para casa, um vendedor de seguros é forçado por uma estranha misteriosa a descobrir a identidade de um dos passageiros do trem em que se encontra antes da última parada. Com a rotina quebrada, o homem se encontra no meio de uma conspiração criminosa.

O caso de amor de Liam Neeson com o diretor Jaume Collet-Serra já está consolidado, pois com a presença do ator de ação em três dos seus oito filmes já podemos dizer que Neeson nem precisa mais perguntar o que o diretor espera dele em cada cena, só necessitando falar o ação que que já sai fazendo tudo sozinho, e felizmente, todos foram bem trabalhados, com situações bem colocadas para empolgar o público, e claro, também deixar todos nervosos conforme vai chegando próximo do final. Claro que sempre são colocados nos seus longas situações absurdas de acontecer realmente, mas isso cria um certo afinco para que possamos incorporar mais os momentos, e claro, também dar mais ação para o momento, afinal todos somos capazes de soltar um trem entrando por baixo dele apenas com nossas mãos, ou seja, já vamos assistir a trama sempre preparados para ver algo que nunca uma pessoa normal faria (mas estamos falando de Liam Neeson, e ele consegue com seus quase 70 anos!). E sendo assim, nem temos que reclamar disso, pois já vamos sabendo que terá sempre essas coisas absurdas, mas a reclamação aqui fica pelo exagero da dinâmica acelerada, que já logo nas primeiras cenas vemos a abertura acelerada e repetitiva para exemplificar a rotina do protagonista, mas depois essa rotina acaba não sendo tão necessária, ou seja, poderiam ter trabalhado mais o filme e apenas dizer que ele faz sempre esse caminho, que já estaria valendo, mas optaram por fazer algo acelerado, e ainda por cima manter esse clima dinâmico demais, o que faz com que quando o longa esfrie um pouco pensássemos na possibilidade de já ter acabado tudo, mas ainda tem bons momentos para fechar bem. Outro detalhe, é que muita coisa já é revelada no trailer, e portanto, uma recomendação é que fuja de ver antes de conferir o longa, pois a chance de ser surpreendido acaba logo nas primeiras cenas do trailer. Portanto de modo geral, o acerto por parte da direção e do roteiro até que é bem satisfatório, mas certamente poderiam ainda melhorar mais ele, visto que os últimos filmes do diretor foram de tirar o fôlego do espectador.

Sobre as interpretações, se você já viu um filme de Liam Neeson, já viu todos, pois ele sempre faz as mesmas expressões de aflição, de raiva, de loucura e tudo mais, de modo que seu Michael é até bem colocado, mas em diversos momentos ficamos pensando se ele não vai agir assim, e logo na sequência lá está ele fazendo exatamente o que esperávamos ver, ou seja, não digo que é ruim, muito pelo contrário, ele possui muitas facetas, mas sempre usa as mesmas facetas para chamar a atenção, e isso acaba funcionando, ou seja, como muitos já disseram por aí: "não mexa com a família de Liam Neeson, que você irá se dar bem mal". Vera Farmiga aparece duas vezes no longa com sua Joanna, e consegue chamar toda a atenção para si, agradando por seu ar sublime, em que convence bastante, além claro de muitas chamadas telefônicas que consegue prender nossa respiração e focar no que deseja, porém poderia ter sido até mais incisiva nas suas intenções, pois valeria a pena algo mais forte realmente. Patrick Wilson também conseguiu nas suas duas cenas chamar o longa para si, e funcionar bem com seu Murphy, sendo pontual e didático para que não falhasse em nada do que faz, mas poderia se colocar mais forte para um policial que é na trama. Dentre os demais personagens, temos muitos que dariam para falar, mas assim como Farmiga diz em sua primeira cena, a análise completa de todas as personalidades dentro de um trem daria um estudo imenso, então vou apenas dizer que tivemos grandes esforços, mas muitos falharam por fazer caras e bocas demais, e outros soaram exagerados, porém agradaram para o que o personagem pedia.

No conceito cênico temos de ser concisos em falar sobre a dinâmica inteira ser realizada num espaço pequeno de trem, o que acabou chamando muito a atenção por utilizarem câmeras bem dinâmicas com muitos movimentos de ida e vinda, o que acabou deixando a equipe de arte mais livre para criar, sem exagerar em detalhes, e com isso eles foram certeiros em trabalhar diversos elementos cênicos espalhados, mas que foram efetivos para funcionar dentro da proposta do longa. Agora se tem alguém que pecou pelo exagero, foi a equipe de efeitos especiais na cena que já é mostrada no trailer da explosão, pois ficou algo muito forte e talvez desnecessário, e que ali achamos que já haviam nos entregado o final do longa, mas pasmem que ainda conseguiram deixar ela maior e mais exagerada de efeitos computacionais estranhos. Agora quem também poderia ter feito muito mais foi a equipe de fotografia que segurou o tom da iluminação quase sempre no modo automático, e pecou em não usar cenas mais escuras para que criassem ainda mais tensão na trama, ou seja, o longa ficou movimentado, mas sem muito suspense como era esperado.

Enfim, é um filme que vai agradar por tudo o que é entregue, e principalmente pelo que já vamos esperando ver dele, mas que certamente poderia ser ainda mais forte do que outros que Liam já fez. Confesso que até sai surpreso com o que foi feito aqui, mas queria muito mais, e com isso, muita coisa acaba sendo de fácil descoberta no longa, claro que isso não atrapalhou em nada, e sendo assim, recomendo ele para todos que gostem de muita ação e adrenalina, com boas cenas de pancadaria, mas que poderia até ter um pouco mais de história, pois acabam deixando a história secundária quase de lado o tempo inteiro. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda falta uma estreia dessa semana para conferir, então abraços e até logo mais.

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Os Farofeiros

3/09/2018 01:57:00 AM |

Outro dia conversando com alguns amigos, chegamos à conclusão que o Brasil possui um estilo único de comédia no mundo, pois vemos alguns países possuem uma pegada estilosa, outros procuram trabalhar mais as escatologias e besteiróis, outros procuram criar um drama cômico, a maioria gosta de trabalhar o romantismo adicionado, mas o Brasil não, esse gosta de sacanear o estilo de vida nosso, nossa política bagunçada, o tradicional jeitinho brasileiro e por aí vai, de modo que na maioria das vezes acaba sendo necessário forçar a barra para se divertir com isso, e em outros acabamos nos identificando tanto que a piada flui sozinha, ou seja, geralmente acaba atraindo muito mais atenção da massa e fazendo muito mais bilheteria do que agradando por ser um cinema diferenciado. Iniciei o texto do filme "Os Farofeiros" dizendo isso, pois a ideia em geral da trama é algo que certamente muita gente já vivenciou, de ir para alguma casa alugada por amigos ou família aonde tudo é uma fria, aonde tem aquelas pessoas que você não vai com a cara, com crianças pentelhando e tudo mais, aonde cada sacada bem colocada do roteiro acaba fluindo e divertindo, porém tentaram incrementar a ideia colocando um problema de empresas que talvez até fluísse de outra maneira, mas no embolo geral acabou ficando exagerado e até mesmo perdendo a graça no miolo completo. Enfim, vai ter muitas cenas que o cinema todo irá rir, muitas aonde vai ficar mudo, mas sem dúvidas poderiam ter usado muitas excelentes que deixaram para os créditos, pois ali sim todas ficaram bem divertidas, ou seja, um filme que quem esperar ver algo elaborado vai odiar, mas quem for disposto a se divertir vai rir em boa parte da trama, mesmo que tenha exageros para todos os lados.

A sinopse nos conta que quatro colegas de trabalho se programam para curtir o feriado prolongado em uma casa de praia e, chegando lá, descobrem que se meteram em uma tremenda roubada. Para começar o destino não é Búzios, mas Maringuaba; a residência alugada é encontrada caindo aos pedaços, bem diferente do prometido; a praia está sempre cheia; e as confusões são inúmeras.

Esse estilo caricato do cinema nacional já tem praticamente um nome, e se chama Roberto Santucci, o diretor que mais leva público para o cinema do país, que lança dois a três filmes por ano (ainda estou assustado que 2017 não lançou nenhum!!) e que geralmente acerta a mão na fórmula de fazer rir, não diria que aqui foi seu melhor trabalho, mas também está bem longe do pior. E claro que junto com ele, vem junto o roteirista Paulo Cursino que também tem mais acertado do que errado nas composições de história e aqui trabalhou bem as situações, e facilmente poderia ter deixado a história mais dinâmica somente fechando tudo nas confusões dentro da casa de praia, brincando com os personagens, e deixando de lado o lance do emprego, embora a sacada de usar a tradicional redação de férias das crianças tenha sido perfeita tanto para contar a história como para seu desfecho. Enfim, na matemática de roteiro + direção, o resultado diria que foi na média para passar de ano, mas que por bem pouco não ficou de recuperação, pois dos 99 minutos de projeção, diria que a sala riu mesmo nos 5 de crédito e mais uns 10 espalhados pelo longa, ou seja, faltou fazer o público ficar com falta de ar de tanto rir como já fizeram em outras produções.

Embora a trama tenha ido bem no conceito desenvolvimento, outro ponto que matou demais a trama foi a falta de atores cômicos realmente para que tudo puxasse para o teor de conflito que desejavam, de modo que ao mesmo tempo que Cacau Protásio e Maurício Manfrini tentavam soar divertidos, e agradavam na maioria das cenas com seus Jussara e Lima, os demais faziam rir por meio de forçar expressões, cair em situações bobas e por aí vai, ou seja, poderiam ter colocado um elenco forte de comédia que mesmo fazendo alguns personagens sérios acabariam desenvolvendo as situações fluindo sem parar e fazendo rir sem parar, ou seja, a escolha até tentou imitar outros longas estrangeiros, mas não deu certo. Já disse isso em outros filmes, e volto a afirmar que Danielle Winits não é atriz de comédia, de tal maneira que sabe até fazer alguns trejeitos, mas sempre vai soar forçada e necessitando sempre cair em barracos para chamar a atenção, ou seja, sua Renata acaba sendo dura de engolir. Volto a frisar que o erro da promoção/demissão ser inserida na trama até auxiliou nos deboches de puxa-saquismo e tudo mais, mas Antônio Fragoso ficou falho demais para com seu Alexandre, ou a personalidade do personagem era de alguém inseguro demais em tudo, e aí sim isso deveria ser mais desenvolvido no longa como deboche de pessoas que sobem na carreira sem nem saber o motivo. Charles Paraventi e Nilton Bicudo fazem muitas comédias, mas sempre com personagens geralmente mais escrachados, e aqui seus Rocha e Diguinho só faziam bobagens, um como o puxa-saco clássico de empresas, que na praia não serviu para praticamente nada, e o outro como um solteirão que só chora por não estar mais com a família, ou seja, até poderia ter trabalhado mais seu romance com a gostosa e as bagunças que isso daria, mas aí o filme teria outro vértice. E falando na beleza em forma de mulherão, Aline Riscado é bonita, é fotogênica, mas não é atriz, de tal maneira que suas cenas que precisou dialogar foram desesperadoras. Dentre as crianças, vale poucos destaques, mas vale pontuar Théo Medon como a personalidade do roteirista Paulo Cursino incorporada para nos contar a história, incrementando detalhes para que umas férias malucas virassem um filme.

No conceito cênico, escolheram muito bem a locação para que tivesse uma casa caindo aos pedaços, uma piscina que fez uma ótima referência à vários filmes de terror (principalmente na saída da madame cheia de gosma dela), a distância desértica da casa até a praia, os diversos perrengues e tudo mais que deu a composição dos elementos, mas tudo ia bem até entrar alguns mosquitos digitais, que aí sim bateu o desespero (poderiam filmar uma nuvem de mosquitos em qualquer beira de lago que ficaria bem mais bonito, mas não, aí a falha foi bem grande, porém ao menos na cena seguinte com os mosquitinhos discutindo sua noitada foi algo bacana e divertido de ver). Ousaram fazer uma brincadeira cênica de misturar cinema dentro de cinema dentro de outro cinema que ficou bem bolada, mas falha pelo alongamento da cena, mas valeu ao menos a intenção como parte da cenografia do longa. Quanto da fotografia trabalharam muito com tons sujos para dar o ar de poeira e tudo mais, com detalhes fortes sempre aparecendo, e já disse isso outras vezes que comédias os tons precisam ser sempre mais vivos para divertir o público, e talvez isso melhorasse um pouco mais o longa.

Enfim, se me perguntassem se é um filme ruim, diria que não, está bem longe disso, mas também está bem longe de ser um bom filme, divertindo em certos pontos e falhando muito em outros, ou seja, é daqueles medianos que agradam, mas que facilmente arrumado leves detalhes seria outro filme e agradaria demais, veremos se terá fôlego para uma continuação, afinal deram a entender isso na cena final, e aí quem sabe foquem somente na bagunça de entrar numa fria de local e não em outros detalhes desnecessários. Portanto recomendo ele somente para quem gosta mesmo desse estilo de humor, pois quem for esperando uma comédia perfeita para rir muito irá se decepcionar. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto de outra estreia, então abraços e até breve.

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Motorrad

3/06/2018 02:04:00 AM |

Fico tão feliz quando vejo um longa nacional diferente do usual, pois mostra que alguns diretores e produtores estão investindo em motes diferenciados para tentar alcançar públicos diferentes também, e incrivelmente o gênero de terror anda sendo produzido aos montes por aqui, sendo lançado lá fora, e muitas vezes ficando apenas por lá, sem estrear por aqui pela pouca procura, e/ou estranhamento do que costumam fazer. Dito isso, a felicidade logo passa ao conferir "Motorrad" com um olhar bem crítico, pois o filme é uma das produções de ação mais impactantes que já vi em nosso cinema, com muita adrenalina nas corridas de moto, cenários incríveis, uma fotografia de primeiríssima linha, mas esqueceram de um detalhe imenso: a história, ou melhor o que o longa queria nos mostrar que estava na mente do roteirista, o que ele passou para o diretor que não souberam nos mostrar claramente na tela, e isso fez com que todos brochassem ao final da sessão, saindo pensando se foi coisas alienígenas, se foi coisa de gangue, se havia algo místico, e por aí vai, mas que nada além de uma marca deixou claro para nós isso, e assim sendo a trama falha e muito ficando apenas como algo dinâmico que corre, corre, e termina, ou seja, seria como se pegássemos um livro interessantíssimo, fôssemos lendo ele inteiro, e ao chegar no último capítulo descobríssemos que roubaram as últimas páginas e aquele livro não possui em nenhum lugar mais para comprarmos, ou seja, vamos ficar com a ideia apenas que tivemos de tudo, mas sem saber a opinião real que queriam que tivéssemos. Sendo assim, a trama vai causar um estranhamento de muitos que forem conferir, mas também irá agradar quem gosta de muita ação e violência desmedida, mesmo que ao final você saia apenas com sua opinião.

A sinopse nos conta que um dos grandes desejos de Hugo (Guilherme Prates) é conseguir fazer parte do grupo de motocross do seu irmão mais velho. Decidido, ele rouba algumas peças para que possa montar sua motocicleta. Quando consegue o feito, ele encontra com a turma do irmão em uma cachoeira remota, onde fazem uma trilha e se deparam com um antigo muro. Hugo sugere que eles desmontem o muro e sigam a aventura, mas acabam encontrando a dona do ferro-velho de onde Hugo roubou as peças. Ela os convida para um caminho ainda mais radical, só que a diversão vira uma corrida pela sobrevivência quando eles passam a ser perseguidos por motoqueiros sádicos e sobrenaturais.

Após fazer minha suposição da trama, posso dizer que o diretor Vicente Amorim até tentou passar essa mensagem bem subliminar, incorporando algo que facilmente ele poderia ter trabalhado alguns detalhes e o resultado seria incrível, por exemplo no corte de algumas cabeças, ou em alguns barulhos diferenciados, e por aí vai, mas ao deixar que o público crie sua ideologia, o resultado acabou ficando um pouco apático e falhando com um final que deu um tom bonito e clássico, mas que não atingiu o ápice que certamente ele desejava. Já vi muitos filmes dirigidos por ele, e diversos escritos por L.G. Bayão, e a maioria não cai nesse desnível, e certamente esperava ver algo a mais do que apenas cenas de corrida de motos por trilhas, e olha que todas foram muito bem filmadas criando muita dinâmica cênica para algo que poucas vezes vimos por aqui, ou seja, mostrou que a equipe de produção estava muito bem alinhada para criar o melhor possível para a trama, e por bem pouco alguns detalhes acabariam resultando em um longa que olharíamos e falaríamos: "que filme!", mas o que acabou saindo foi: "que filme?".

No conceito das atuações, tivemos alguns leves momentos que pudemos falar que os atores estavam bem preparados sabendo o que estavam fazendo em cena, mas na maioria das vezes todos pareciam mais perdidos que cego em tiroteio, apenas montando em suas motos e correndo, de modo que assim que o primeiro é morto, já fiz minha listinha de quais desejava que morresse o mais rápido possível, e embora os que sobrem sejam os principais, torcia por melhor interpretação que fossem outros. Dito isso, vou apenas pontuar que Carla Salle poderia ser mais expressiva com sua Paula, e fizesse mais uns carões menos forçados, pois se a minha ideia do que ela é estava certa, sua característica necessitaria de mais emoção e vivência, e não apenas estou ali por estar, ou seja, falhou um pouco demais. O mesmo podemos dizer de Guilherme Prates, que até demonstrou uma força sobrenatural para correr a pé atrás das motos, e pular alto na sequência, mas quando precisou demonstrar susto, espanto, entre outras características ficou morno demais. Juliana Lohmann foi uma das que torci para que morresse logo da pior forma possível, pois seu papel era bobo demais, seu ato final foi algo que nem um ator de primeiro ano de teatro faria tais movimentos, e seus gritos nunca convenceram ninguém, ou seja, muito ruim no filme (pode até ter ido bem em outros filmes, mas aqui decepcionou). E para finalizar a listinha, o ator mais conhecido e que é do momento, sabemos bem do potencial que Emilio Dantas tem, e aqui seu Ricardo poderia ser muito mais impactante, chamar a responsabilidade para si, mas mais correu e gritou do que atuou realmente, ou seja, falhou também.

Agora se tem algo que a trama entregou com muita perfeição foi a escolha cênica, pois gravado na Serra da Canastra, arrumaram lugares tão bonitos e cheio de falhas que deram um tom meio rústico para o longa, mas com muito charme, cheio de motos e figurinos fortes o longa nos remete à vários outros filmes do gênero com muita subjetividade impregnada, mostrando um ótimo trabalho da equipe de arte e da produção em si, claro que poderiam ter reforçado mais detalhes para revelar melhor a história, mas essa não era a ideia do diretor, então fizeram o que puderam. A fotografia trabalhou tons amarelados, puxando sempre a luz para um tom acima para que o brilho ficasse sujo também o que acabou chamando muita atenção, além de ajudar nos efeitos especiais das mortes para que tudo chamasse o espectador para a cena, ou seja, um trabalho de primeira linha de Gustavo Hadba.

Enfim, é um longa que não é de todo ruim, mas passou muito longe de ser algo bom, principalmente pela falta de entregar mais o que desejava passar, e com isso o resultado para o grande público vai ser algo que vai falhar demais, e terá reclamações demais, ou seja, poderiam ter feito um longa perfeito com pouquíssimos ajustes, mas optaram por algo mais cult, e aí a falha foi altíssima. Portanto recomendo o longa mais para quem gosta de filmes bem abertos para que possa florear ideias e talvez sair com uma até diferente da minha, e assim gostar mais do que está sendo mostrado, mas de resto, se você não se enquadra nesse tipo de pessoa, fuja, pois vai sair da sala sem entender nada, apenas vendo motoqueiros malvados correndo atrás de outros motoqueiros para matar. Bem é isso pessoal, encerro aqui essa semana cinematográfica que foi bem longa, já me preparando para a próxima que virá, então abraços e até logo mais.

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Duda e os Gnomos (Gnome Alone)

3/05/2018 02:09:00 AM |

Já disse isso algumas vezes, mas vale a pena falar novamente, se algum dia você for fazer um longa de animação, procure desenvolver o para quem você está fazendo, pois é o grande detalhe que faz totalmente a diferença. Digo isso, pois "Duda e os Gnomos" é um filme até que muito bem feito, mas não atinge nem as crianças, nem os adultos, ficando bem no miolo para tentar atingir os adolescentes, colocando o tema em si, a história, as cores, as músicas e tudo mais que chamariam a atenção deles, mas esqueceram de um grande detalhe, esse grupo raramente frequenta os cinemas, ainda mais para ver uma animação, ou seja, os pequenos que foram ver começaram a chorar e conversar, os pais se dispersaram, e a sala virou quase uma bagunça imensa. Portanto a dica é, só leve para o cinema as crianças maiorzinhas para conferir esse longa, pois do contrário a chance de não agradar é bem alta.

A sinopse nos conta que Duda e sua mãe, Catherine, estão de mudança novamente. Desta vez elas irão morar em uma imensa casa, com fama de mal-assombrada, que possui vários gnomos de jardim. Após encontrar uma sala secreta e de lá retirar um cristal inusitado, Duda é surpreendida com o fato de que os gnomos têm vida e precisam sempre combater os trogs, seres de outra dimensão que devoram tudo o que vêem pela frente.

O trabalho visual que o diretor canadense Peter Lepeniotis criou aqui foi algo completamente diferente do seu longa anterior ("O Que Será de Nozes?") no conceito de história, pois se lá agradava bem as crianças com algo até infantil demais, aqui ele deixou isso de lado e focou que as crianças cresceram e agora vivem de tecnologia, porém o resultado ficou bem aquém disso. Mas assim como fez lá, aqui ele usou e abusou de cores fortes, com muito roxo, verde fosforescente, aonde tudo com certeza mesmo não vendo em 3D, sei que deve dar uma dor de cabeça imensa, mesmo sem muitos elementos aparentes que voassem para fora da tela.

Outro grande problema do longa é a falta de carisma dos personagens, de modo que o celular da garota é mais divertido do que todo o restante, talvez mais tempo para o gnomo perdido seria de grande agrado pelas suas loucuras, mas ficaram presos demais na ideologia de buscar amizades com a garota e as meninas descoladas que o resultado ficou bobo demais, e o ator masculino nem fez muita questão de ser destacado, ou seja, tudo foi bem modelado, mas não consegue chamar atenção para agradar, além de que faltou aquele elo que tanto gostamos em "Gnomeu e Julieta", que são os ruídos de gesso dos gnomos de jardim, e aqui esses caem, levam marteladas e tudo mais sem nem dar um trinco, ou seja, faltou criatividade.

Enfim, poderia falar mais dos defeitos da trama, mas vou encerrar por aqui dizendo que é um longa que errou na dinâmica e na escolha do público alvo, pois até é engraçadinho e possui alguns momentos bem trabalhados, mas não chama a atenção que poderia, e faz com que os pequenos destoem, e como costumo dizer, sei que uma animação para crianças é boa quando todos ficam grudados em suas poltronas quietos, e aqui a bagunça tomou conta com muitos chorando, outros passeando pra lá e para cá, ou seja, não é filme feito para eles. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a última estreia dessa semana, então abraços e até breve.

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Operação Red Sparrow (Red Sparrow)

3/04/2018 03:10:00 AM |

Filmes de espionagem costumam deixar o público extasiado e eufórico durante toda a projeção, mas infelizmente não é o que acontece em "Operação Red Sparrow", que até tem um desfecho bem interessante não esperado, mas o miolo é mais um trash movie cheio de torturas e situações falhas do que algo que você prenda a respiração e procure desesperadamente saber o que vai acontecer, qual a missão, e tudo mais. Ou seja, é um filme que tinha potencial para se encaixar no seleto hall de grandes filmes de espionagem, com uma atriz dinâmica, bons personagens, mas que foi feito jogado demais, de tal maneira que espero que o livro em que foi baseado não seja assim, senão é daqueles casos que você não termina de ler por cansar na metade. O longa até prende com situações que vão agradar bastante aos homens que forem ao cinema, mas foi mais usado isso como pretexto para vender o longa do que como algo necessário para a trama, ou seja, precisaram de forçar a barra para não perder mais público ainda.

O longa nos mostra que Dominika Egorova é selecionada contra sua vontade para se tornar uma "pardal"- uma mulher sedutora treinada no serviço de segurança russo. Dominika aprende a usar seu corpo como uma arma, mas luta para manter o senso de si mesma durante o processo de treinamento desumanizante. Descobrindo suas habilidades em um sistema injusto, ela surge como um dos elementos mais fortes do programa. Seu primeiro alvo é Nate Nash, um oficial da CIA que administra a infiltração mais delicada da agência de inteligência russa. Os dois jovens entram em uma espiral de atração e decepção, que ameaça suas carreiras, lealdades e a segurança de ambos os países.

O diretor Francis Lawrence começou como diretor de clipes musicais na saudosa época que clipes eram praticamente filmes cheios de grandiosas produções, daí para cair no gosto por fazer longas de impacto foi um pulo, até se consagrar com a saga "Jogos Vorazes", aonde conheceu Jenifer Lawrence e a adotou como musa, porém o estilo dele é algo mais marcado por brigas e batalhas, algo que aqui até poderia ter, mas como é um longa baseado em um livro, optaram por deixar ele mais psicológico, e aí é que entra o grande problema, pois o diretor não soube dosar torturas/brigas/ação com mistério/espionagem/tensão, e com isso o longa parece em diversos momentos não saber para qual rumo vai, o que soa bem estranho. Outro ponto que nem é falha do diretor, e que já deveria aceitar, mas estamos falando de um longa na Rússia e em Budapeste, que sim, possui agentes americanos, mas todos falam inglês no longa quase inteiro, alguns até puxam um sotaque, mas no modo geral vemos quase que um filme americano que se passa na embaixada russa no máximo, ou seja, uma falha imensa que poderiam ter solucionado de modo muito fácil contratando mais atores russos. Porém tirando esses dois grandes detalhes, o resultado da ideia em si, que provém de um livro de um autor que foi espião e trabalhou muito nesse estilo, foi bem bacana de ser vista e trabalhou bem as cenas de torturas, construiu diversos arquétipos, e principalmente soube fechar de maneira icônica, apenas poderiam ter trabalhado mais o mistério e ter colocado uma atriz mais de impacto para que não soasse tão falso diversas cenas, mas como o filme é de uma bailarina que vira espiã, então o porte até que foi acertado.

No conceito das atuações, volto a frisar que Jennifer Lawrence aparentemente não se esforçou muito, fazendo caras perdidas na produção, e embora tenha aparecido nua, sofrido em várias cenas, sempre manteve um olhar apático demais para sua Dominika, fazendo com que a personagem soasse falsa, e mesmo que isso fizesse parte da personagem, poderia muito bem ter sido alguém mais fria de olhares certeiros, ou seja, faltou com o dever de casa. Joel Edgerton até ousou algumas cenas como espião infiltrado, fez algumas cenas dinâmicas, mas soou singelo demais nas cenas que precisava agir, ou seja, embora seja falha da direção, ele poderia ter chamado a responsabilidade para si e agradado bem mais. Matthias Schoenaerts trabalhou bem seu Vanya, de modo que vemos realmente os homens russos de negócios obscuros no país, claro que foi delicado demais em algumas cenas, mas de modo geral conseguiu transpassar a famosa máfia dentro do governo russo. Jeremy Irons aparece pouco com seu coronel, mas sempre bem efetivo em todas as cenas, até chegarmos nas cenas finais, aonde ele conseguiu desenvolver um pouco mais. Uma que surpreendeu foi Charlotte Rampling como a treinadora do programa, desenvolvendo um ar bem rústico e cheio de marra se o filme ficasse mais no treinamento certamente seria algo incrível de ver ela brigando com a protagonista.

Quanto ao visual da trama, tivemos boas cenas em ambientes luxuosos como o Teatro Bolshoi (no palco claro, pois ao mostrar um bastidor feio ficou meio estranho), muitas cenas em gabinetes governamentais (todos bem simples), algumas cenas de rua para mostrar o frio intenso aonde os figurinos chamaram atenção, mas o que ficará na mente será o ambiente de treinamento dos Sparrows, que ali sim valeria mais tempo para se desenvolver melhor a história e o ambiente hostil, mas não era essa a intenção, então podemos dizer que a equipe de arte fez o seu serviço, mas o diretor não soube utilizar como poderia. No conceito fotográfico, trabalharam bem as sombras para criar um ambiente misterioso, e cores fortes para chamar a atenção aonde deveria focar, mas não foram hábeis o suficiente para salvar a tensão que o filme necessitava.

Enfim, é um filme bem mediano que tinha um potencial imenso para surpreender se focasse corretamente aonde deveria, e principalmente fosse melhor dirigido para que a história se desenvolvesse melhor, mas como o que foi entregue foi isso, temos de dizer que vale a pena apenas para passar um tempo e ver algumas cenas de tortura bem feitas, do resto dá para passar em branco sem conferir. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas amanhã tenho mais uma estreia para conferir, então abraços e até breve.

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A Maldição da Casa Winchester (Winchester)

3/03/2018 09:27:00 PM |

Sempre digo que se tem um estilo que gera muitas críticas por cada um gostar de um jeito de filme é o tal do terror, pois já falei em outro post e este gênero possui tantas subdivisões que sempre vai ter quem goste de um e odeie o outro. Digo isso pois vi tantas opiniões negativas de "A Maldição da Casa Winchester" que estava com medo de ser uma bomba imensa, mas acabei vendo um longa com uma história tensa e bem interessante que se desenvolve com meados de espiritismo e também em cima da violência por causa das tradicionais armas Winchester. Claro que a trama possui muitos furos, mas de certa forma o resultado da ideia, juntamente com a execução que não se preocupou em exagerar nos sustos, acabou entregando uma trama coerente que vai fazer com que muitos pensem diversas situações durante a exibição, e claro reclamar também de alguns momentos, porém no geral quem gostar de longas com histórias bem montadas vai sair satisfeito com o que verá.

O longa nos conta que a herdeira de uma empresa de armas de fogo, Sarah Winchester está convicta de que é assombrada pelas almas mortas através do rifle da família Winchester. Após as repentinas mortes do marido e do filho, ela decide construir uma mansão para afastar os espíritos e ao avaliá-la o psiquiatra Eric Price percebe que talvez sua obsessão não seja tão insana quanto parece.

Tem sido bem interessante a carreira dos irmãos Spierig (Peter e Michael) que ultimamente andam trabalhando seus filmes com muito suspense e sempre causando alguma reviravolta diferenciada do que o público espera ver, foi assim com "O Predestinado", com "Jogos Mortais: Jigsaw", e aqui foram cautelosos em não abusar muito de sustos repentinos, embora tenha algumas cenas, mas criando a ambientação em cima da história "real" de que as almas mortas pelo rifle criado pela família assombram a casa, e com isso vamos nos conectando com os protagonistas e fluindo com a história. Confesso que poderiam ter trabalhado mais o labirinto que é a casa, outros espíritos envolvidos e não só o super mal do final, e assim criar um contexto maior, porém acredito que deva dar uma certa bilheteria e já deixaram uma pontinha de continuação, ou seja, pode ser que a franquia tenha frutos, pois já tivemos outros longas mostrando a casa assombrada, mas que eu lembre nenhum envolvendo essa temática. E sendo assim, o resultado tanto da direção quanto do roteiro foi bem coerente, mas nada que impressione demais.

Agora tenho de pontuar algo de meio negativo, pois esperava bem mais de Helen Mirren e Jason Clarke, aliás, confesso que prefiro em longas de terror que coloquem atores desconhecidos, pois esses se engajam mais nos personagens procurando chamar atenção, e o acerto costuma ser bem mais favorável. Dito isso, o que posso falar é que Helen Mirren até teve alguns momentos interessantes com sua Sarah, mas para alguém que conversa com espíritos, a atriz precisaria ter colocado mais ênfase em suas lamúrias, trejeitos nas ações de susto e desespero, e ela fez quase a sua tradicional interpretação de rainha, o que não era nem um pouco conveniente para a personagem, ou seja, falhou demais. Jason Clarke até fez boas cenas como um psiquiatra bem cético, mas vai desabrochando tão facilmente com os sustos, e sua história acaba entrando tão jogada na trama, que ficamos levemente desapontados com seu Eric, embora tente muitas vezes mudar a situação para melhor, e engataria um bom par com a sobrinha da protagonista. Sarah Snook iniciou bem sua participação como Marion, mas acabou fazendo mais cara de assustada do que chamando a atenção realmente, e como disse acima, um par "romântico" com o protagonista cairia bem. Além desses temos de pontuar bem rapidamente, a incorporação do espírito no jovem Finn Scicluna-O'Prey, mas somente isso dele, pois fez o tradicional de crianças vagando a ermo pela casa, e isso é batido demais, e também temos de falar dos espíritos que foram bem fortes e interessantes de ver, se destacando claro o mais forte interpretado por Eamon Farren.

A equipe de arte teve um trabalho bem árduo para colocar tantos elementos cênicos, fora que se o cenário não foi digital, foram bem malucos para criar uma casa com tantos cômodos (embora não apareçam todos, muitos foram colocados em cena e preparados para aparecer, ou seja, um caminho bem complicado para pouco uso. A fotografia foi sensata em não escurecer tanto, o que é incomum em filmes do gênero, mas com isso o ganho de suspense foi bem melhor e mais instigante.

Enfim, é um filme que foi melhor do que a encomenda, que sim, possui muitos furos, absurdos e interpretações ruins de atores excelentes, mas que no geral mais agrada do que incomoda, ou seja, quem for esperando ver um terror com história irá gostar, quem for querendo levar alguns sustos irá levar também, mas quem for esperando um novo clássico do gênero vai se decepcionar por demais. Portanto fica a minha dica para que confiram como algo bem trabalhado que a chance de gostar é maior. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, pois já vou conferir outro longa hoje, então abraços e até breve.

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Lady Bird - A Hora De Voar (Lady Bird)

3/03/2018 02:40:00 AM |

É interessante ver filmes que conseguem mostrar em sua essência tantas situações que parecemos estar vendo diversos filmes em um, mas isso também soa como o conhecido ato novelesco, então por vezes o que é necessário destacar acaba nem agradando tanto como poderia. Digo isso, pois "Lady Bird - A Hora De Voar" é sim um bom filme, aonde vemos os diversos problemas que as meninas sofrem em suas passagens, que é funcional pelas boas atuações e pelo desenvolvimento do roteiro, mas que infelizmente é um filme bem esquecível para quem não se identificar com ele, soando leve e simples demais para chamar atenção, e que somente está sendo bastante indicado pela atual moda de vamos mostrar muitos filmes de mulheres feito por mulheres para mulheres (quase um comercial de loja nacional), ou seja, não digo que é um filme ruim, apenas é singelo demais dentro da proposta que desejava alcançar, e com isso acabamos vendo ele hoje, e se duvidar amanhã nem irei mais lembrar que vi ele se algum dia me perguntarem apenas falando da história, pois ela pode se enquadrar em diversos outros longas conhecidos.

A trama nos conta que Christine McPherson está no último ano do ensino médio e o que mais deseja é ir fazer faculdade longe de Sacramento, Califórnia, ideia firmemente rejeitada por sua mãe. Lady Bird, como a garota de forte personalidade exige ser chamada, não se dá por vencida e leva o plano de ir embora adiante mesmo assim. Enquanto sua hora não chega, no entanto, ela se divide entre as obrigações estudantis no colégio católico, o primeiro namoro, típicos rituais de passagem para a vida adulta e inúmeros desentendimentos com a progenitora.

Diria que o primeiro trabalho de direção da atriz e roteirista Greta Gerwig mostrou a base sólida de seus roteiros que são bem desenvolvidos, possuem uma estrutura colocada para que cada ato mostre algo e não seja apenas jogado, mas o excesso de necessidades criativas para que sempre tudo fosse explicadinho e entregue acaba virando uma novelona, o que não é ruim, pois é uma novela boa, dinâmica e sem muitos alongamentos, o que resulta em algo bem feito que vemos suas passagens e que não necessitou colocar muitos personagens secundários para que tudo fluísse, ou seja, ela entrega algo que muitos até tentam fazer e acabam errando, mas poderia ter optado por alguma das situações e feito algo brilhante, como realmente a fuga da cidade e suas desenvolturas, mas aí não seria algo tão marcante na vida de quem se identificar com a trama. Ou seja, é um excelente primeiro trabalho, mas que poderia ser muito mais do que isso, e ser um filme que marcaria uma época.

Dentro do conceito das atuações, Saoirse Ronan é daquelas atrizes que possui um trunfo imenso na manga, seu corpo e rosto aparentam muito mais juventude do que ela tem, pois aos 24 anos passa fácil como adolescente e deve fazer ainda muitos filmes com essa personalidade, e aqui sua Christine "Lady Bird" é daquelas que quer fazer de tudo na trama, entregando todos os pontos possíveis e imaginários para sua personagem, ou seja, agrada demais com olhares, e encaixa bem os diálogos no seu tom correto (lembrando bem a diretora em vários filmes seus, ou seja, foi muito bem dirigida!). E realmente estamos no ano aonde as mães estão dando shows nos filmes, de modo que Laurie Metcalf se mostra como a tradicional mãe que se desdobra para conseguir dar o máximo de boa vida para os filhos, amando eles, mas também impondo limites e criando com isso responsabilidades, de tal maneira que bem incorporado conseguiu chamar muita atenção no que fez, ou seja, uma forma ímpar de sinceridade nos olhares e gestuais, de modo que tudo acaba soando condizente. O elenco de apoio é muito amplo, afinal como disse são várias subtramas que a protagonista se envolve e com isso ela tem junto dela diversos outros personagens, tendo destaque para claro o pai da garota que é interpretado por Tracy Letts, o primeiro amor não correspondido que é feito pelo ótimo Lucas Hedges, Timothée Chalamet aparecendo em mais um filme do Oscar como o rebelde Kyle, e sem dúvidas uma ótima amizade com Beanie Feldstein, que soou tão leve para a personagem de Julie que agrada demais.

A direção de arte foi bem rígida para mostrar o colégio católico com muito detalhismo na forma de cultura adotada, os musicais/teatros escolares bem desenvolvidos, mas principalmente foi imponente para realçar a cidade sem muitas opções de diversão para os jovens, e isso ajudando a jovem a querer sumir da cidade o quanto antes, ou seja, cada detalhe mínimo para que a cenografia incorporasse na trama e dissesse sozinha o que a jovem pretendia demonstrar. Com tons bem quentes para realçar a rebeldia da garota, oscilando com sombras para dar o ar dramático, o resultado da fotografia ficou coerente, mas nada de muito impressionante.

Enfim, é um filme bacana, mas pretensioso demais para se enquadrar como um dos melhores e estar aparecendo em tantas premiações, diria que é mais modismo do atual momento feminista do cinema do que algo que valha ser lembrado/visto. Volto a frisar que está longe de ser algo ruim, pois diverte, passa sua mensagem e tudo mais, mas é tão leve que chega a desaparecer em muitos momentos. Bem é isso pessoal, fico por aqui com o último longa dos indicados a melhor filme do Oscar, mas volto amanhã com mais longas que estrearam por aqui, então abraços e até logo mais.

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Eu, Tonya

3/02/2018 11:12:00 PM |

Quando analisamos filmes esportivos baseados na vida de alguém, sempre esperamos ver dificuldades para atingir o ápice, superações e tudo mais, mas logo de cara em "Eu, Tonya" vemos o quão inconsequentes são os personagens, e mesmo que não tivéssemos lido qualquer sinopse saberíamos que não tinha como dar certo a loucura de uma moça simples de família problemática casada com um caipira agressivo que tem amigos malucos, em se tornar campeã em algo, ou seja, o filme acaba sendo genial por proporcionar que vivenciássemos essa maluquice, seus conflitos de uma maneira icônica: criando praticamente um documentário ficcional com os personagens contando suas versões dos fatos, e ao final vermos os reais dando depoimento é claro o trabalho da equipe que fez tudo ficar perfeito, ou seja, é daqueles filmes de suar as mãos e entrar no ringue de patinação junto da protagonista até torcendo pra ela se dar bem, mas mais por sentirmos pena de onde ela se meteu, pois não tinha como dar certo. Sendo assim, a realidade da trama ficou tão incrível, que mesmo tudo sendo bem maluco, vamos acreditar que essa tenha sido a versão real, e assim o resultado com uma câmera mais maluca ainda acaba agradando demais!

Desde muito pequena exibindo talento para patinação artística no gelo, Tonya Harding cresce se destacando no esporte e aguentando maus-tratos e humilhações por parte da agressiva mãe. Entre altos e baixos na carreira e idas e vindas num relacionamento abusivo com Jeff Gillooly, a atleta acaba envolvida num plano bizarro durante a preparação para os Jogos Olímpicos de Inverno de 1994. Baseado em fatos reais.

O grande erro da direção de Craig Gillespie foi dar muita ênfase nas loucuras dos homens da trama, pois se o filme focasse somente nas mulheres teríamos o filme do ano, afinal está na moda isso, pois seu filme é incrivelmente bem dirigido, com muita velocidade, misturando cenas comuns com documentais inventadas, efeitos de gravações antigas e muita personalidade para que o resultado final tivesse um ar diferenciado que quem conferiu os Jogos Olímpicos de Inverno vibrasse mais ainda com as grandes tomadas de câmera acompanhando a patinadora em todos os seus movimentos, ou seja, ele pegou um roteiro muito bem trabalhado de Steven Rogers, em cima dos diversos e contraditórios depoimentos do caso, e recriou o ambiente de uma forma icônica, pois conseguiu criar algo documental dentro da ficção, ou seja, um filme dentro de outro, trabalhando quase como uma reconstrução criminal do caso, usando alguns diversos pontos de vista, e ainda ousando no desenvolvimento completo disso, fazendo com que seu longa tivesse vida em muito movimento, o que é raro de ver em longas esportivos hoje em dia. Claro que a perfeição beirou muitos momentos da trama, mas é algo tão absurdo que a todo momento não conseguimos acreditar que tudo aquilo pudesse ter acontecido realmente, mas com isso em mente, a trama acaba tendo um gostinho particularmente interessante de se aprofundar, sendo um grande acerto técnico.

Já disse outras vezes que confio demais no potencial de Margot Robbie, e a cada filme seu ela mostra que não é apenas uma mulher linda, mas sim também uma atriz incrível que consegue pegar cada papel e desenvolver ele para que ela fique irreconhecível e víssemos na tela somente a personagem e nada mais, de tal modo que ao vermos seus movimentos em cena, realmente achamos que ela patinou muito, fez todas as coreografias e tudo mais igualzinho é mostrado no final as imagens reais de Tonya em seus campeonatos, ou seja, foi muito bem coreografado e a atriz se entregou para ficar perfeito, e além disso, cada ato expressivo seu era marcado por ênfases nos diálogos, na caracterização e tudo mais, ou seja, perfeita. Quando vi o trailer não consegui me afeiçoar ao papel da mãe da personagem, mas ao ver o que Allison Janney fez com o papel, temos de falar para entregarem logo todos os prêmios para ela, pois mais do que mereceu, ela fez uma mãe agressiva e chocante em cada ato, em cada trejeito, nas minúcias fortes tão impactantes que acabamos ficando com muita dó da real Tonya por ter tido uma família dessa, ou seja, também mais que perfeita e incrível. Como disse que o erro da trama foi focar demais nos homens, também temos de ser relevantes que as escolhas foram perfeitas para os papeis, de tal maneira que Sebastian Stan com o agressivo e maluco Jeff, e Paul Walter Hauser como o psicopata amigo gordo Shawn, foram colocados a cada cena numa imensa bola de neve, que se o filme não fosse de patinação, mas de esqui, veríamos uma avalanche sendo formada a cada minuto do filme, ou seja, espere de tudo provindo deles, e o resultado acaba sendo algo incrivelmente icônico com suas atuações. Outro erro desnecessário foi colocar outros personagens na trama sem ser as patinadoras adversárias, e as treinadoras da garota, pois não serviram para quase nada e ainda ficaram estranhos, por exemplo Bobby Cannavale como um repórter da época que está dando sua entrevista em diversos momentos de forma bem jogada, ou seja, sobrou e devia ter sido cortado.

Chega a ser brilhante a recriação de época que a equipe de arte fez, colocando figurinos bem trabalhados, colocando os ringues de patinação no melhor estilo que vemos em competições internacionais, e ainda ousando no estilo misto de documentário com ficção, ou seja, um design diferenciado que acabou chamando muita atenção. Além disso temos de pontuar a ótima maquiagem, cabelo e figurino da trama, pois conseguiram deixar muito real os personagens além de "enfeiar" a linda Margot Robbie. Aliado à isso, tivemos uma fotografia cheia de efeitos para criar a ambientação de época, além de tentar dar um tom dramático à um longa que quase vira uma comédia absurda pelas situações que os personagens fazem na trama.

Outro ponto muito bom que temos de falar foram as escolhas musicais para cada momento do filme, nos colocando completamente nos anos 90, e ainda dando o ritmo para que o longa ficasse bem dinâmico, e claro que deixo o link para todos ouvirem as ótimas canções.

Enfim, é um longa incrível que agrada demais, diverte em muitos momentos, nos faz ficar com dó da verdadeira Tonya, mas também com uma pulga na cabeça se ela teve ou não envolvimento no caso (afinal estamos vendo a sua versão na telona), e que só não teve mais destaque nas premiações pelo que disse de darem muito foco à personagens desnecessários, mas tirando esse detalhe foi um filme incrível que vale muito a pena ser conferido. Bem é isso pessoal, paro por aqui agora, mas já vou escrever do outro longa que conferi hoje, então abraços e até daqui a pouco.


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Trama Fantasma (Phantom Thread)

3/02/2018 02:30:00 AM |

Diria que o maior problema de "Trama Fantasma" é o que mais cabe dentro do seu contexto: o ritmo, pois embora saibamos que o desenvolvimento artístico da mente de um estilista depende do silêncio para que sua criatividade flua, o excesso de silêncio criando uma dramaticidade tensa, juntamente com a falta de um mistério mais enfático para que o longa se desenvolva melhor, o faz ficar belo, porém extremamente cansativo, de modo que seus 131 minutos parecem ter no mínimo 10 horas, ou seja, tudo tem está bem colocado dentro do contexto visual e cênico que acaba trabalhando bem o desenrolar do renomado artista, porém falta algo a mais para que o longa saísse do conceito artístico e também virasse algo com um cerne mais aflorado para que o público cativasse e entendesse realmente as necessidades do personagem, seus atos e claro sua forma de lidar com suas musas. E sendo assim, o resultado oscila demais, parecendo por horas aparentar que vai melhorar, mas também em diversos momentos aparenta que não vai acabar bem, ou ainda mais, aparenta que nem final terá, ou seja, como muitas vezes costumamos dizer, um embrulho bonito não traz um bom presente, e aqui o que vemos é isso, algo singelo e cheio de floreios que entrega algo que até podemos refletir mais e chegar a algo diferenciado, mas que vamos enrolar o doce e continuar não gostando do sabor entregue.

O longa nos situa em Londres, nos anos 1950, aonde o estilista Reynolds Woodcock é famoso por assinar peças que vão parar no corpo de atrizes e também da realeza britânica. Ele conhece a garçonete Alma e a transforma em sua musa, modelo e amante. No entanto, esse relacionamento afeta a impecabilidade do trabalho de Woodcock.

É raro vermos isso, mas quando temos um diretor e roteirista maluco que assume também a direção de fotografia, sabemos que cada essência luminosa irá importar mais até que a própria história, e aqui Paul Thomas Anderson sabia muito bem o que desejava transpor para a tela, e somente ele teria isso em mente para que seu filme floreasse e criasse um encontro para o estilo que a trama necessitava, e sendo assim, ele foi lá e fez. Digo que essa essência cênica é mais importante que o roteiro, pois sentimos o tom sendo trabalhado a cada ato, mas ficamos com a falta de um drama/mistério mais coeso para que o filme saísse da área cômoda de mostrar toda a arte de um estilista arrogante e encaixasse algo a mais para suas obras famosas, mas como disse, o diretor não desejava essa casualidade, e optou por trabalhar mais a personalidade do protagonista e a forma que ele enxergava suas musas, quase como um objeto realmente e não uma pessoa em si. Ou seja, ele faz seu filme da forma usual que costumamos ver em suas direções, mas aqui ele ousou mais em dualidades do que em algo que fincasse o público realmente, criando vértices para todos os lados, mas nenhum que mostrasse sua opinião realmente, e junto com isso, temos diversos momentos de clímax aonde nenhum vai ser a grande importância de reflexão, que acaba retomando tudo, e fomentando o resultado de a musa necessitar também ser uma mulher e querer de volta todo o apreço que lhe é merecido ao invés de ser apenas um objeto.

Dentro das atuações é fato que Daniel Day-Lewis é um dos melhores atores que já existiu, sempre trabalhou para que seus personagens fossem o mais diferenciado possível, com altas técnicas de interpretação, aonde sua criatividade para trejeitos surpreendia em demasia, porém aqui em seu "último" papel (afinal diz ele que irá se aposentar, mas se aparecer algum papel grandioso é certeza que volta!), ele acabou mascarando demais os trejeitos, sempre olhando para baixo ou para o lado, de modo que até vemos bem sua dinâmica, mas acaba soando mais falso e falho do que algo que chame a atenção realmente, ou seja, espero que ele volte com algum grande projeto para aí sim lembrarmos que seu último papel foi algo memorável, e não algo apenas bom. Já vi outros filmes que Vicky Krieps fez, mas não consigo me recordar dela nos papeis, de modo que aparentava ser mais desconhecida do que o normal, e sendo assim sua Alma acaba até surpreendendo pela coragem cênica de trabalhar expressões, mesmo sendo objetificada a todo momento, e esse é o charme da trama, que acaba jogando ela muitas vezes até mais como protagonista do que Lewis, e assim sendo, a atriz mostrou uma personalidade bem forte e inteligente para ser diferenciada. Outra que teve um bom destaque e chamou a responsabilidade para si em diversos momentos foi Lesley Manville com sua Cyril, de modo que inicialmente aparentou ser algo problemático e que acabaria sendo quase uma vilã, mas com o desenrolar da trama, a atriz entrega a personalidade e vai cadenciando cada ato para mostrar serviço, e isso acaba sendo bem agradável no resultado final.

Como falei no começo, o longa é muito artístico, e a direção de arte não ousou tanto nas locações e cenografias, mas sim por estarmos falando de um estilista, brincou com tecidos e figurinos para que cada ato fosse marcado quase como um desfile luxuoso de estilos e texturas, que unindo a fotografia proposta como parte da trama pelo diretor, o resultado acaba desenrolando em algo bem floreado e chamativo, ou seja, são raros os filmes que o figurino fala mais do que todo o restante na direção de arte, e aqui ele é dominante.

A trilha sonora de Jonny Greenwood é marcada por grandes acordes de piano que deram quebras para cada ato, e para os pontos de virada, e com isso o filme se desenvolve bem, porém ele poderia ter feito algo mais ritmado para que o longa fluísse mais e soasse mais dinâmico, o que é uma pena, pois é uma delícia ouvir cada entonação, mas ajuda a cansar também.

Enfim, é o filme mais artístico do Oscar, e por isso certamente acabou entrando na lista dos indicados em várias categorias, mas certamente temos outros bem melhores para apostar nossas fichas. Diria que ele vale mais ser visto pelo cerne diferenciado de podermos ver o relacionamento artista versus musa, mas que certamente poucos irão conseguir se apaixonar por tudo o que é mostrado na tela, e sendo assim, só recomendo ele para um público mais crítico com a ideia do que para todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais vários textos nessa semana que veio bem recheada de estreias, então abraços e até breve.

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A Grande Jogada (Molly's Game)

2/24/2018 01:37:00 PM |

Acho bem interessante quando aprendemos algo sobre as leis americanas nos filmes, por exemplo dizer qual parte é ilegal numa jogatina, a qual você não pode ter lucro sobre os jogos, mas pode organizar (e claro receber gorjetas dos jogadores), mas bem mais do que isso a grande cartada do filme "A Grande Jogada" é a de desenvolver uma trama cheia de artimanhas, aonde ao mostrar as diversas jogatinas que a protagonista desenvolveu, misturando sua argumentação para seu julgamento junto de seu advogado, colocando sua desenvoltura familiar e esportiva quando mais nova, num mix tão desordenado de acontecimentos, que se não fosse por uma atriz tão competente o roteiro e a direção do premiadíssimo Aaron Sorkin acabaria desgovernada e fadada ao esquecimento. Não digo que seja um filme ruim, muito pelo contrário, mas a bagunça é tamanha na edição que o filme acaba desconexo em certos momentos e termina de uma forma digamos boba para tudo o que foi apresentado. Claro que pela dinâmica desenfreada apresentada, o longa que possui grandes pitadas dramáticas acaba virando uma ação cheia de adrenalina, e com isso nos divertimos muito com as grandes jogadas de pôquer contadas e mostradas, num ritmo bem forte e também acabamos nos preocupando com a protagonista que acaba nos cativando, mas a falta de uma linearidade mais plana, e um final mais convincente acabou transformando algo que poderia ser inesquecível em mais um longa baseado em fatos reais, que de tão absurdo acaba agradando naquele momento em que estamos assistindo e só, como já tivemos tantos outros.

A sinopse nos mostra que após perder a chance de participar dos Jogos Olímpicos devido a uma fatalidade que resultou em um grave acidente, a esquiadora Molly Bloom decide tirar um ano de folga dos estudos e ir trabalhar como garçonete em Los Angeles. Lá conhece Dean Keith, um produtor de cinema que decide contratá-la como assistente. Logo Molly passa a coordenar jogos de cartas clandestinos, organizados por Dean, que conta com clientes muito ricos e famosos. Fascinada com o ambiente e a possibilidade de enriquecer facilmente, Molly começa a prestar atenção a todos os detalhes para que ela própria possa organizar jogos do tipo.

Como bem sabemos Aaron Sorkin é famoso pelos ótimos roteiros que escreve (tanto que esse também está indicado à melhor Roteiro Adaptado ao Oscar) e um dos seus grandes roteiros é "A Rede Social", aonde levou diversos prêmios, e aqui em sua primeira direção ele pediu ajuda para claro o diretor de que lhe fez ganhar o prêmio, David Fincher, o que fez com que esse filme ficasse a versão pôquer do longa sobre o Facebook, com muita dinâmica, mas que poderia ser melhor desenvolvido se caísse realmente nas mãos de um diretor de renome, e não num marinheiro de primeira viagem. Não digo que o trabalho que Sorkin fez foi algo ruim, mas ele exagerou em idas e vindas para mostrar a infância problemática da protagonista com o pai (que na penúltima cena é até melhor detalhado numa versão rápida de um divã), e também por ser baseado no livro da protagonista, toda hora ela narrando/contando algo acabou soando chato demais, porém felizmente não ficou cansativo. Dito isso, temos de pontuar que as ótimas cenas de jogo, e principalmente os bons momentos da infância que mostraram sua competitividade no esqui, embora a família fosse bem complicada para ela, ou seja, um filme dramático com um arco bem forte.

Agora sem dúvida alguma o grande nome do filme é Jéssica Chastain que trabalhou olhares, colocou dinâmicas expressivas e criou algo tão forte para a personalidade de Molly que não só foi uma ótima escolha, como foi um acerto, pois pelo que é falado nos bastidos a verdadeira Molly Bloom que pediu que fosse ela a protagonista, e certamente com outra atriz o resultado seria bem diferente, ou seja, uma escolha que mudou completamente a trama, e isso só poucas atrizes conseguem. Idris Elba é um ator bem forte em suas interpretações, e ultimamente que andamos conhecendo mais seu lado dramático ao invés de performático, ele tem agradado bastante chamando a responsabilidade e fazendo caras e bocas que impactam logo de cara e convencem do que ele está fazendo, e sendo assim o advogado Charlie acaba sendo uma grata colocação na trama. Sabemos que Kevin Costner não é mais aquele ator impactante de antigamente, mas aqui seu Larry Bloom foi um pai digamos bem colocado, que por ser psicólogo trabalhou bem o espírito e criou cenas dialogadas bem fortes, claro que ele aparece sempre em momentos mais dramatizados, mas seus atos justificaram bem os impactos da trama, mesmo que sua cena final com uma sessão de três anos em três minutos tenha sido exagerada demais. Dentre os demais, a maioria se sobressai pelos diálogos de jogo, filosofias de bêbado e situações junto da protagonista, incorporando uma grandiosidade para a persona dela fosse mais valorizada, mas temos de dar destaque para alguns nomes como Michael Cera como Jogador X por trabalhar o ego de jogadores sem limites juntamente com a arrogância tradicional de homens desse calibre.

A direção de arte também foi bem efetiva no trabalho de composição das cenas, criando os ambientes de jogos tão bem colocados, que feitos em ambientes pequenos deram uma amplitude mais fácil de criação, mas que certamente deu trabalho para todos da equipe, fazendo com que minúcias ficassem bem colocadas e cada detalhe tivesse seu valor bem ponderado, ou seja algo incrível de ver, além disso tivemos as boas cenas da infância/juventude nas competições que como estamos vendo na TV muito as Olimpíadas de Inverno foi bem bacana de observar cada detalhe de um esporte que não somos tão acostumados a ver. A fotografia brincou bastante com sombras e detalhes para realçar os trejeitos da protagonista, e trabalhou sempre com cores escuras mas bem fortes para aumentar a dramaticidade nas cenas de impacto, mas poderia ser bem melhor certamente.

Enfim, é um filme bem interessante, que possui muitos defeitos como resoluções jogadas na tela, muitas explicações perdidas e dinâmicas exageradas demais, mas o resultado é algo com muita adrenalina e dramatizações bem colocadas que acabam mais agradando e fazendo com que o público converse sobre o filme, do que algo desapontador que faça o inverso, ou seja, é um filme que vale recomendar para conhecermos mais desse meio que é o pôquer jogado em casas ao invés de cassinos, e que vai agradar quem for conferir. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje já encerrando essa semana cinematográfica que foi bem rápida, mas volto na próxima quinta que promete ser bem movimentada, então fiquem com meus abraços e até logo mais.

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Pequena Grande Vida (Downsizing)

2/22/2018 02:36:00 AM |

Já falei outras vezes sobre expectativa aqui no site, e confesso que muitos trailers acabam vendendo uma imagem que acabamos comprando de forma errônea sobre o que o longa deseja passar. Digo isso pois certamente ao ver o trailer de "Pequena Grande Vida", e ao ler um pouco sobre a sinopse, o espectador mais comum irá ao cinema esperando se divertir horrores com a trama, sair mega feliz com uma proposta inovadora de transformar seus míseros 152 mil em 12,5 milhões ficando pequenininho, mas já jogo aqui a real, pois o longa é classificado como comédia dramática, e lhes digo que é justamente o contrário, sendo um drama cômico, e essa posição faz uma tremenda diferença, já que o diretor ousou trabalhar uma ideologia de vida, de proposta introspectiva de vida do protagonista em desejar ter uma missão na Terra, em talvez encontrar seu chacra espiritual, ou algo a mais, tendo uma primeira metade até bem desenhada, com uma proposta bacana e bem colocada, mas aí passa a primeira meia hora (e pensamos: que legal!), passa a segunda meia hora (dizemos: que filme interessante!), entramos na terceira meia hora (já indagamos: o que isso está virando?), chegamos na quarta (o desespero mental bate: será que terá fim esse filme?), e aí entramos nos 15 minutos finais e o diretor resolve encerrar não indo para lugar nenhum, afinal como diz um dos melhores personagens do filme: "ele não consegue nada do que quer", e a trama entrega para o espectador exatamente isso: não vamos lhe entregar nada do que você queria ver, e fim. Ou seja, é o típico filme que ou você vai amar, por ter um caráter ambiental de proposta que vai filosofar sobre a ideologia da trama, suas possibilidades reais dentro da ficção e tudo mais, ou você que for esperando apenas passar bons momentos curtindo um longa e f***-se todo o resto, sairá revoltado com o filme mais lento e cansativo que já viu na vida. Portanto fica a dica para se enquadrar bem antes de ir conferir a trama, pois não haverá meio do caminho, embora a nota que vou dar ficará bem no meio do caminho pelas questões técnicas do longa.

A trama imagina o que acontece, como uma solução para a superpopulação, quando os cientistas noruegueses descobrem como encolher os humanos para 13 cm de altura e propõem uma transição global ao longo de 200 anos do grande para o pequeno. As pessoas logo percebem o quanto o dinheiro dura mais em um mundo miniaturizado e, com a promessa de uma vida melhor, o homem comum Paul Safranek e sua esposa Audrey decidem abandonar suas vidas estressadas em Omaha, Estados Unidos, para se tornarem pequenos e se mudarem para uma nova comunidade em miniatura – uma escolha que dá início a aventuras que mudam suas vidas.

O cinema do diretor Alexandre Payne é cheio de oscilações, e ele é um dos poucos que vamos ao cinema já sabendo o que esperar, pois um filme que aparentemente tem contextos cômicos pode virar um drama imenso casualmente, e é exatamente o que acabou acontecendo aqui, o que de certo modo foi trabalhado em "Os Descendentes", mas que fluiu ao contrário em "Nebraska", que já continha um tom completamente mais pesado, e acabou soando delicado e gostoso de ver, ou seja, nunca compre um livro pela capa se estiver assinado pelo diretor. Digo isso não por desapontamento, pois o longa em si é bem trabalhado dentro da proposta autêntica se lermos a sinopse exata do filme e que é colocada logo de cara na primeira cena, com a postura de querer mostrar algo que recaia sobre o fator ecológico de preservação da espécie, mas assim como o personagem de Cristoph Waltz (que julgo hoje ser um dos melhores atores do mercado, e que sempre agrada quando quer fazer bem um papel) diz em certa cena, ninguém está preocupado com isso, e sim com os ganhos que a vida minúscula vai recair sobre mim, o luxo que terei e tudo mais, e o público que for ao cinema irá comprar bem essa ideia, e cairá como um patinho quando chegar na parte final e o foco for somente o conteúdo do que você pode fazer para fazer o bem para alguém, e com isso, a decepção juntamente de um ritmo extremamente lento da trama vai bater, e o resultado ficará bem aquém do esperado. Volto a frisar que a trama possui boa técnica, uma boa proposta e até um roteiro bem arquitetado, mas poderia ter sido trabalhado logo de cara para o drama com uma pegada mais forte ou então recair logo para a comédia e agitar o ritmo para que o filme mostrasse sim sua causa, mas com algo mais frenético e bem pontuado.

Sobre as interpretações tivemos um mix bem interessante para analisar, e vou ir completamente pelo contrário, pois primeiro temos de elogiar as ótimas facetas expressivas de Christoph Waltz com seu Dusan, que mesmo sendo um coadjuvante mais dedicado no miolo da trama, o resultado de todas (sem exceção) as cenas que esteve envolvido são de um luxo tão bom que confesso se ele fosse o protagonista da trama o resultado seria outro, mas o personagem fala por si e ele novamente arrasa. Logo na sequência temos de falar da indicação do filme ao Globo de Ouro, Hong Chau, que trabalhou tão forte, com uma personalidade coesa (sendo até bem chata em muitas cenas) de sua Ngoc Lan Tran, que somente com olhares consegue nos conquistar, ou seja, foi expressiva na medida certa. E claro chegamos ao protagonista Matt Damon que sobreviveu sozinho em Marte, mas entrou em depressão pelo abandono da mulher ao ser diminuído, mas o grande fato que temos de falar da expressão de seu Paul é que ele oscilou demais, variando entre facetas que parecia alegre, mas estava triste e vice-versa, ou seja, mais confundiu do que fez bem seu papel, ou seja, falhou em conduzir a trama para o rumo melhor que poderia. Dentre os demais temos de pontuar boas cenas de Udo Kier como Konrad, Rolf Lassgård como Dr. Jorgen Asbjørnsen, e principalmente a participação bem coesa no primeiro ato de Kristen Wiig, que por ser uma comediante conhecida fez caras e bocas tão tristes que nem parecia estar feliz com sua Audrey.

Agora sem dúvida o melhor da trama ficou a cargo da direção de arte, que brincou muito com os cenários e os ângulos, para que as casas, carros e tudo mais ficassem pequenos em relação ao referencial, mas mais do que isso tiveram um capricho para que os símbolos fossem encarados com maestria para cada momento, ou seja, cada detalhe que certamente foi trabalhado num tamanho bem grande acaba agradando e chamando a responsabilidade para si, ou seja, a cenografia foi mais importante do que a história em si, e talvez se tivessem deixado somente dessa forma, sem cair para o lado do final, o resultado chamaria mais atenção, porém como já frisei, a consciência ambiental também recaiu bastante no encerramento, e assim a direção de arte também necessitou brincar com essa situação para o encaixe funcionar. Destaque cenográfico também para o lado incrível mais pobre que chega a ter tantos objetos importantes quanto na ala rica do longa. Como falei da cenografia, a direção de fotografia também teve uma participação imensa, pois escolher os ângulos e sombras para que cada tom funcionasse no tamanho correto, certamente foi algo digno de muito trabalho, e o resultado nesse contexto surpreende e agrada bastante, tanto que os tons mais densos fizeram a trama cair para o drama mais forte do que para a comédia que esperava ver pelo trailer.

Enfim, é um filme que classificaria como mediano por não atingir nenhum dos lados, ficando homogêneo demais, mas que muitos vão enxergar pelo lado que mais lhe agradar como disse no começo e talvez vá se apaixonar pela introspecção que o diretor levará muitos a pensar e assim dizer que foi um filmaço, e outros irão recair pelo arrastar longo e cansativo da trama e achará ele intragável, ou seja, não posso jamais recomendar ele para todos, pois é um filme para bem poucos gostarem do que irão ver. Sendo assim, fico por aqui hoje claro agradecendo o pessoal da Difusora FM 91,3Mhz pela ótima pré-estreia, e vamos torcer para que a próxima seja uma mais animada para cair no gosto do público. Abraços e até breve pessoal.

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Três Anúncios Para Um Crime (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri)

2/17/2018 03:27:00 AM |

Quando vemos um filme polêmico ficamos sempre com aquela sensação de querer um pouco mais, que aconteça algo contundente, ou também ficamos torcendo para que acabe em determinado momento para que a polêmica fique no ar e deixe o respiro para o público, pois se a trama fica bem encaixadinha acabamos mais reclamando do que felizes com o resultado completo, ou seja, somos chatos! Digo isso com base no que vi em "Três Anúncios Para Um Crime" por simplesmente ser um filme incrível, com uma pegada forte, cheio de generalizações em cima de preconceitos, mas que na briga por premiações é completamente compreensível suas classificações, pois é o mais fechado, conciso na onde desejavam apontar, com dinâmicas coerentes e funcionalidades apontadas, aonde claro o elenco se sobressai e acaba ganhando destaque, ou seja, um filme que surpreende pela essência, que choca em diversos momentos, mas que você tem uma quebra de expectativa completa mesmo não indo esperando nada, sendo daqueles filmes que você até vai gostar, mas em seguida não sabe se gostou, e talvez até desgoste se ver novamente, porém possui cenas incríveis e muito boas principalmente pelo elenco incrível que chama para si todos os trejeitos possíveis e imaginários de um interior sem limites.

O longa nos mostra que inconformada com a ineficácia da polícia em encontrar o culpado pelo brutal assassinato de sua filha, Mildred Hayes decide chamar atenção para o caso não solucionado alugando três outdoors em uma estrada raramente usada. A inesperada atitude repercute em toda a cidade e suas consequências afetam várias pessoas, especialmente a própria Mildred e o Delegado Willoughby, responsável pela investigação.

A filmografia do diretor Martin McDonagh é composta de longas que geralmente soam controversos, e que ou a pessoa acaba amando o filme ou detestando, e aqui ele acabou entregando um filme com uma postura bem sólida, que mesmo ousando e pontuando sua ideia ele consegue deixar o público sempre com uma pulga atrás da orelha tentando descobrir quem matou sua filha, ou até onde ou que atitudes a protagonista e/ou os policiais poderiam fazer para fechar a trama, e conforme vamos vendo o andar da trama, vamos esperando mais algo, pois os personagens nos instigam, ou seja, temos um roteiro muito bem criado e moldado, que trabalha toda a situação, porém sua finalização acaba sendo simples e aceitável para o tanto que causou no miolo, e assim sendo o resultado frustra um pouco. Não digo que isso seja um problema monstruoso para a trama, pois o filme em si funciona muito bem e o que é formatado tem um vértice que as premiações gostam muito por ser um misto de realidade com ficção, pontuando problemas atuais, e claro entregando algo que vemos muito por aí: a famosa generalização das coisas (por exemplo que está tanto na moda, todo homem é um possível abusador), ou seja, o diretor ousa e brinca com cada ato, colocando atos explosivos determinantes e fazendo a trama desenrolar com naturalidade, o que facilmente poderia dar muito errado, mas que acabou dando certo dentro de uma complexidade não muito forçada, mas como já disse, faltou um fechamento mais digno para que saíssemos do cinema explodindo de felicidade pelo longa.

Agora, sem dúvida alguma o grande feitio do longa está no elenco que não apenas interpretou os personagens, mas praticamente incorporaram trejeitos interioranos e trabalharam com uma minúcia que se não conhecêssemos eles, falaríamos que eram caipiras rudes realmente, ou seja, algo que foi muito além do esperado, transformando a trama em um filme aonde os atores sobressaíram à trama e o resultado ficou completamente nas mãos e trejeitos que encontraram para cada momento. Dito isso, Frances McDormand já fez história por ser a primeira atriz a levar dois SAGs (prêmio do sindicato dos atores) como protagonista de uma história, e merecidamente teve cenas explosivas bem colocadas, cenas dramáticas com muita expressividade, e até mesmo cenas simples feitas com minúcias tão bonitas de serem vistas que acabamos nos conectando à sua Mildred, tendo como destaque dos atos simples bem encaixados sua cena conversando com as pantufas, e sendo assim, só não veremos ela levar seu segundo Oscar se resolverem atender seu pedido de premiar as mais jovens. Agora se tem alguém que não tem como perder qualquer premiação é Sam Rockwell com seu Dixon mais que perfeito, ficando com uma personalidade tão insana, trejeitos fortes marcando toda sua expressão, um diálogo duro e instigante, que mesmo fazendo tudo errado ainda acabamos nos apaixonando pelo que faz em cada cena, e torcemos muito para ele, ou seja, algo que chega a ser difícil ver um coadjuvante fazer em um longa, e merece ser muito aplaudido. Outro coadjuvante que aparece um pouco menos, mas ainda assim entrega algo perfeito é Woody Harrelson com seu Willoughby, que acabou trabalhando cada momento com uma forma mais crua do personagem, mas que em suas cartas virou a história e pontuou os momentos mais engraçados do longa, ou seja, a personalidade falou mais que o ator, e o resultado acaba agradando bastante também. Dentre os demais tivemos bons personagens e alguns destaques para pontuar, e claro que não poderia esquecer de forma alguma a mãe de Dixon que Sandy Martin acabou fazendo de uma forma tão crua que nem a criança mais calma do mundo ficaria normal com uma mãe daquelas, ou seja, um show de horror, também temos de pontuar os bons momentos de Caleb Landry Jones com seu Red Welby cheio de ironia, mas que assustou muito na cena em que apanha, pois foi muito bem feita, entre outros.

No conceito visual, não sei se existe realmente a cidadezinha de Ebbing no Missouri, mas conseguiram criar algo tão interiorano que quem já viveu em cidadelas irá se ver na telona, com policiais bêbados que acham que podem fazer o que quiser, pequenas lojas, bares aonde cada um ouve a conversa do outro, e claro que a mídia local disposta a mostrar cada detalhe bombástico na Tv, e a equipe de arte foi minuciosa para que cada momento ficasse bem expressivo na tela e o resultado agradasse bastante, trabalhando cada detalhe mínimo com precisão, e claro, fazendo os outdoors com cores vibrantes e bem espaçados para funcionar como deveriam. A fotografia trabalhou tons bem escuros para pesar na dramaticidade, e impondo cada momento com iluminações de contraluz para realçar o personagem destaque de cada ato, ficando até bonito de ver cenas que costumeiramente seriam mais simples, ou seja, um bom acerto técnico também.

Enfim, é um longa muito bem feito e que cria muita discussão em cima dos atos apresentados, mas que falhou em criar uma expectativa muito alta com tudo o que é apresentado para um final simples, e assim não agradar o tanto que poderia. Como disse, provavelmente leve melhor filme no Oscar por ser o mais fechado de conceitos, e pelos demais concorrentes terem detalhes que a Academia costuma não gostar de premiar, mas isso só saberemos em Março, e até lá ainda preciso ver mais alguns que ainda não apareceram por aqui. Recomendo a trama para quem gosta de bons filmes diferenciados e que gostem de ver atores dominando o longa, pois aqui isso fica bem em primeiro plano. Bem é isso pessoal, fico por aqui nessa semana cinematográfica curta, mas volto na próxima quinta com mais estreias, então abraços e até lá.

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