Netflix - Medieval (Jan Žižka)

11/12/2022 01:52:00 AM |

Costumo dizer que o estilo de filme que mostra a época das Cruzadas, os conflitos de disputa de reinos, da influência da Igreja nas guerras e tudo mais é algo que sempre impacta bastante, e que quando bem feito chama muita atenção, e o longa tcheco da Netflix, "Medieval", trabalhou muito bem para mostrar um pouco da história de um dos maiores comandantes que já existiu e que segundo a lenda nunca perdeu uma batalha, Jan Žižka, conseguindo criar algo forte, cheio de boas nuances, e que acaba chamando atenção tanto pela violência gráfica (desmembramento de partes corporais, além de muito sangue e impacto nas lutas), quanto pela grandiosa produção com muitos ambientes da época, batalhas em florestas, figurinos imponentes e tudo mais. Ou seja, é um tremendo filmão que quem gosta do estilo irá se empolgar bastante, só diria que poderiam ter trabalhado um pouco mais as demais batalhas do comandante, que viveu diversas, ao invés de ficar tanto na condução de uma jovem como moeda de troca na disputa de reis, que acabou sendo mais confusa do que interessante, mas que ainda assim o resultado funciona bem.

O longa nos mostra que após a morte de seu Imperador, o Sacro Império Romano está mergulhando no caos, enquanto os irmãos rivais Rei Venceslau da Boêmia e Rei Sigismundo da Hungria lutavam pelo controle do trono vazio. O ousado e justo líder mercenário Jan Zizka é contratado por Lorde Boresh para sequestrar a poderosa noiva de Lorde Rosenberg, Lady Katherine, com o intuito de impedir a ascensão de Rosenberg ao poder ao lado do corrupto Rei Sigismundo. Jan acredita que os reis são a mão direita de Deus e devem ser respeitados e obedecidos, não importando o que aconteça. Enquanto Katherine se envolve em um perigoso jogo político entre os monarcas, Jan se apaixona por seu espírito forte e sua dedicação para salvar o povo. Em uma corajosa tentativa de libertá-la, ele luta com um exército rebelde para combater a corrupção, a ganância e a traição desenfreada entre aqueles que lutam pelo poder. Jan agora percebe que o destino do Império será decidido por seu amor por Lady Katherine e que seu destino não está nas mãos dos reis, mas nas mãos de seu próprio povo.

É até bem interessante a forma que o diretor e roteirista Petr Jákl quis trabalhar o seu longa, pois facilmente nas mãos de qualquer produtor americano/inglês o longa teria 80% das cenas cortadas para diminuir o nível de violência da trama, mas como é um longa tcheco nem amenizaram nada e tudo é tão realista que chega a assustar alguns golpes de maças, espadas e porretes, pois chega a ter deformações e muitos elementos que certamente a equipe de maquiagem precisou trabalhar aos montes, mas que mostra que a Idade Média não era para amadores, contando com muita desenvoltura representativa para mostrar os exércitos que o protagonista montou, suas táticas de guerra bem imponentes (a cena da armadilha é incrível de ver todo o processo!), e com isso o filme tem uma liberdade estética muito interessante de acompanhar, mas que como disse no começo, valeria ter trabalhado mais anos do personagem principal, afinal a História já disse o tanto de batalhas que viveu, e não focar apenas em uma bem complexa, pois aí o filme se desenvolveria melhor.

Sobre as atuações, é muito engraçado como Ben Foster muda completamente de acordo com o personagem que pega, sendo realmente um ator de múltiplas facetas expressivas, e aqui seu Jan é perfeito de ares brutos, de olhares diretos e que consegue se desenvolver de tamanha maneira que nem pensamos sequer em outro ator para o papel, fazendo o filme dele, e criando tudo o que se possa colocar em cena para seus atos, ou seja, perfeito. Michael Caine entregou também bons atos com seu Lorde Boresh, sendo intrigante em alguns atos, destemido em outros, mas muito mais como um interlocutor do que como um personagem marcante realmente na trama, o que é ruim de ver, afinal ele também é um tremendo ator e valeria ter trabalhado mais seus atos. Til Schweiger deu nuances fortes para seu Rosenberg, fazendo olhares intensos e bons trejeitos, mas aparece pouco, mandando mais seus homens do que indo realmente para o campo, e isso não deu grandes chances de um desenvolvimento maior para ele. Já pelo contrário Sophie Lowe é tão protagonista quanto Ben Foster com sua Katherine, de modo que o filme poderia até se chamar "A Viagem de Katherine" ou "O Sequestro de Katherine Passando Pelos Campos de uma Guerra", afinal o filme foca demais nessa batalha que a personagem virou moeda de disputa entre reis, entre sequestradores e tudo mais, e a atriz até faz olhares destemidos, alguns surpresos com o que vê fora do castelo, suas descobertas e astúcias, mas chega a cansar de ver ela no meio de tudo, pois em qualquer guerra já teria levado uma flechada com seus passeios. Tivemos muitos outros bons personagens e atores, mas sem dúvida o destaque ficou para o bruto Roland Møller com seu Torak, que encara tudo e todos em busca dos protagonistas, matando e atacando quem aparecer em sua frente, com força expressiva e de corpo, agradando bastante como um bom vilão deve fazer.

Visualmente a trama é incrivelmente bem produzida, com muitas armas, muitas batalhas, tocaias, enforcamentos, castelos, casebres de vilas, símbolos nos elementos como anéis e dentes, florestas cinzentas bem marcadas, muito sangue e pedaços de corpos voando, e muito mais que um bom filme do estilo deve ter, ao ponto que tudo se encaixa bem na época, retrata com impacto cada elemento, e o resultado acaba chamando muita atenção seja pelo que a equipe de arte conseguiu retratar, quanto pela equipe de maquiagem e efeitos pelas cenas de mutilações, e claro pela fotografia cinzenta bem densa e marcante, ou seja, trabalho completo.

Enfim, é um ótimo filme de época, muito impactante com toda a essência entregue, mas que volto a frisar que poderiam ter ido muito mais além na vida completa do personagem principal, que daria muito mais vida para a trama, chamaria muito mais atenção, e não cansaria tanto, mas são opções que os diretores costumam travar, e assim o resultado vale mais para quem gosta de uma batalha bem densa do que para quem quiser conhecer um pouco mais da história de Jan, que acabei lendo mais na internet e foi bem intensa. E é isso pessoal, ainda assim recomendo o longa, e fico por aqui hoje, então abraços e até logo mais.


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Seca (Siccità) (Dry)

11/11/2022 12:12:00 AM |

É até engraçado que já vi diversos filmes com personagens e histórias entrelaçadas, mas geralmente que recaem sobre datas comemorativas, mas que em sua maioria são comédias ou romances, e hoje eis que o Festival de Cinema Italiano me entregou um drama com uma temática bem tensa que entrega envolvimentos bem marcados em cima de algo que possivelmente viveremos algum dia com a forma maluca que anda o clima e o consumo humano, e contando com boas atuações e interações, acabamos nos envolvendo com tudo, sentindo o drama de cada personagem, e até mesmo tentando entender suas ânsias e estruturas, ao ponto que no final tudo funciona e vemos a necessidade e a felicidade que algo simples hoje pode causar quando a pessoa não tem, e assim o nome do filme funciona não apenas para a falta de água, mas sim para a seca de sentimentos, de vida, e de tudo mais. Ou seja, é um filme que parecia inicialmente meio bobo, sem muita conexão e envolvimento, mas que depois tudo vai fluindo e o resultado impressiona até que bastante, valendo a reflexão e tudo o que é mostrado talvez dê novos sentidos para quem enxergar a mensagem por completo.

A sinopse nos conta que não chove em Roma há três anos e a falta de água distorce as regras e os hábitos. Na cidade que morre de sede e proibições, move-se um coro de personagens, jovens e velhos, marginalizados e bem-sucedidos, vítimas e aproveitadores. Suas vidas estão ligadas em um único desenho zombeteiro e trágico, enquanto cada um busca sua própria redenção.

Diria que o diretor Paolo Virzi foi muito sagaz na dinâmica completa da trama escrita por diversos roteiristas (acredito que cada um desenvolvendo a síntese de uma das várias histórias paralelas que acontecem no filme), pois ele não ficou amarrado para focar só em uma ou outra história, ou precisar logo de cara colocar todas as devidas conexões, mas sim foi fluindo com cada uma, entregando as diversas dinâmicas e desesperos das pessoas, os roubos, os protestos e tudo mais que acaba rolando durante cada ato, mas também foi trabalhando os envolvimentos sem explosões e dando as devidas nuances para que tudo se encaixasse bem, tudo tivesse um bom simbolismo com a palavra seca, e mais do que isso ele foi coerente em não correr com sua trama para precisar criar histórias grandes, ao ponto que o filme tem pouco mais de duas horas, mas flui com naturalidade, causa a comoção e a reflexão, e assim funciona com todas bem contadas, desenvolvidas e fechadas praticamente juntas. Ou seja, ele conseguiu algo que poucos diretores que se arriscam com multi-histórias conseguem fazer, que é de não soar falso com nenhuma das tramas, pois o simbolismo e o envolvimento funcional acabam entregues e o resultado não desanda.

Sobre as atuações costumo dizer que nesses filmes o foco é muito difícil de ser dado, ao ponto que cada um fez seus atos bem separados e praticamente ninguém teve grandes chamarizes, valendo dar um pouco mais de destaque para o motorista vivido por Valerio Mastrandela que está tendo alucinações conversando com pessoas mortas dentro do seu carro e praticamente dormindo dirigindo, aonde vemos bons olhares e desenvolturas, tivemos também Silvio Orlando como um presidiário que não queria sair mais da prisão e quando sai por engano passa a procurar seus parentes pela cidade, fazendo atos meio vagos e perdidos, mas bem divertidos de ver por ainda achar que tudo está como vários anos atrás, tivemos alguns bons ensejos de Claudia Pandolfi com sua médica Sara que descobre mais sobre a doença, mas tem uma vida que não é muito conectada com a família, e consegue passar muito sentimento em seus atos, entre outros, e até mesmo Monica Bellucci faz uma participação leve bem encaixada que tem um simbolismo interessante para a trama, mas nada que impressione muito.

Visualmente a trama foi bem conduzida, mostrando uma cidade árida, com os rios secos aparecendo coisas jogadas que nem imaginavam existir, vemos hotéis para ricos se aproveitando da água que tem dando conforto e luxo para seus hóspedes, os hospitais abarrotados de pessoas com uma doença misteriosa, as casas com baratas saindo de tudo quanto é canto, o delírio coletivo com pessoas dançando e protestando ao mesmo tempo, limites de água para comprar nos mercados e para usar em casa com pessoas sendo presas por ultrapassar o gasto, lavar carros, aguar plantas, jornais fantasiosos querendo usar pessoas para aparecer e ter ideias, e até mesmo uma orquestra tocando em prol de fundos para pessoas sem água, ou seja, um filme com tantas ideias e vértices que poderiam dar muito errado, mas que funcionam demais, mostrando um trabalho cênico perfeito muito bem elaborado que chama atenção do começo ao fim.

Enfim, é um filme muito bem feito, cheio de nuances, cheio de ideias, com vários personagens e histórias interessantes, e que brilhantemente se conectam bem em algo que foge completamente do ar novelesco que esse estilo costuma entregar, ou seja, beirou a perfeição para esse que vos escreve, pois acertar nesse estilo é algo dificílimo, mas que foi tão bem desenvolvido que envolve mais do que erra, mesmo tendo algumas histórias forçadas demais, mas isso seria impossível de acontecer, então recomendo bastante, e aproveitem para conferir, afinal está gratuito no Festival de Cinema Italiano até o dia 04/12, e eu volto em breve com mais textos dos demais filmes de lá, então abraços e até logo mais.


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Pantera Negra - Wakanda Para Sempre em Imax 3D (Black Panther - Wakanda Forever)

11/10/2022 01:20:00 AM |

Um dos filmes mais esperados de 2022 era sem dúvida "Pantera Negra - Wakanda Para Sempre", pois desde a morte de Chadwick Boseman, todo mundo desejava saber como fariam a continuação, quem e como assumiria o manto do herói, e claro todas as desenvolturas possíveis no último filme da 4ª fase do Universo Cinematográfico Marvel que foi muito mais experimental por trabalhar personagens novos, atitudes mais fechadas, e bem poucas conexões entre si e personagens do passado, e assim a maioria está indo para a sessão com expectativas no máximo para ver o que poderia ocorrer aqui. E hoje após conferir vi um filme bem honesto, fechadinho dentro de si, sem necessitar conhecer muitas coisas dos quadrinhos, afinal temos personagens novos, mas todos bem apresentados dentro da tela, tivemos muitas batalhas bem imponentes e claro um envolvimento emocional bem marcante com vários atos de homenagens para o antigo protagonista, ou seja, é mais um filme feito para os fãs, com bons efeitos e interações, mostrando cenografias e personagens bem intimistas e determinados, e que podem gerar um futuro interessante na companhia para a fase cinco, afinal tem muita coisa nova para surgir ainda.

No filme vemos a Rainha Ramonda, Shuri, M'Baku, Okoye e as Dora Milage lutando para proteger a nação fragilizada de outros países após a morte de T'Challa. Enquanto o povo de Wakanda se esforça para continuar em frente neste novo capítulo, a família e amigos do falecido rei precisam se unir com a ajuda de Nakia, integrante dos Cães de Guerra, e Everett Ross. Em meio a isso tudo, Wakanda ainda terá que aprender a conviver com uma nação debaixo d'água, e seu rei Namor.

Se no primeiro filme o diretor Ryan Coogler deu todo o chamariz para o empoderamento negro, agora ele deu vez às mulheres, com uma pegada bem maior em cima das protagonistas, dando muita voz à todas, mas sem ficar forçando a barra, colocando suas nuances em evidência e fazendo um filme bem amarrado em todo o processo da perda, da revolta, do ar de vingança, e claro da sucessão em um reino monárquico, com as devidas passagens e tudo mais. E com isso a maior sacada que ele pode ousar foi fazer novamente um filme praticamente fechado, aonde quase nem temos cenas no mundo normal, mostrando uma Wakanda muito organizada, toda a interação em cima de suas terras ricas em vibranium, e agora aparecendo mais um lugar lotado desse elemento, que é Telocan ou a Atlântida Asteca como também pode ser chamada, com uma pegada bem desenvolvida, com toda a apresentação de personagens e como foram morar embaixo do mar, como foram desenvolvidos e tudo sem jogar nada solto na tela, ou seja, é um filme literalmente de apresentação aonde conhecemos ele, também conhecemos uma jovem cientista brilhante Riri Williams, com boas sacadas e interações, e assim o filme mesmo tendo boas batalhas, se encaixa mais no conhecimento, que é bem o vértice dessa quarta fase da Marvel, afinal agora que conhecemos muitos personagens novos, chegará a hora de irem tacando um pouco de cada nos demais filmes, e a fluidez vai rolando.

E já que falei de novos personagens, tenho que pontuar claro das atuações, e mesmo não sendo fã de Letitia Wright com seu jeitão meio largado de atuar, ela desenvolveu bem os atos de sua Shuri, puxou a responsabilidade para si nas cenas mais intensas e conseguiu criar bem trejeitos para que seus momentos fossem convincentes, ou seja, dominou o ambiente como um todo e acabou agradando bastante. Danai Gurira já tinha se dado muito bem com sua Okoye no primeiro filme, e aqui foi muito além, entregando atos marcantes, chorando bem em cena, e tendo também bons atos cômicos para aliviar a tensão da trama, de forma que envolve e agrada bastante. Lupita Nyong'o faz uma volta alucinante com sua Nakia, aliás com muita personalidade em cena, tendo todas as devidas facetas que sabe dominar colocadas em plenas cenas, e se saindo muito bem nas responsabilidades que toma, e valeria até mais importância nela, por ser uma atriz incrível do que em Letitia, mas teriam de mudar muito do filme para isso. Tivemos a introdução de Tenoch Huerta como Namor, um vilão incrível, cheio de trejeitos fortes, com um ar impactante e muitas desenvolturas, sendo mais um tremendo vilão da companhia que acabamos gostando do que faz (cadê dona Marvel fazer um filme só de vilões hein, no estilão de "Esquadrão Suicida" só com os tops??), e certamente acabará sendo usado muito mais em outros filmes da companhia, pois não é um ator tão inexperiente, e assim já veio preparado para ir além. Outra que foi muito bem apresentada foi Dominique Thorne com sua Riri Williams/Coração de Ferro, que veio cheio de boas sacadas, com uma inteligência bem encaixada e contando com boas dinâmicas acabou entrando de vez na vaga que lhe é de direito na companhia, agora é ver como irá se desenvolver mais para a frente. Quanto aos demais, tivemos bons atos de Angela Basset com sua Rainha Ramonda bem imponente e expressiva, Winston Duke com um M'Baku cheio de nuances e intensidades, e até sobrando espaço para Martin Freeman brincar um pouco com seu Ross, mas nada que fosse realmente impactante para a trama.

Visualmente a trama tem ambientes incríveis com uma Wakanda toda tecnológica sendo atacada, com seus prédios sendo levados de um lugar para o outro, vemos Telocan também cheia de detalhes, com personagens bem interessantes em ambos os mundos, com figurinos marcantes, toda uma explicação para a forma de respirarem, vários animais marinhos acompanhando, navios imponentes, muitas cenas com água para todos os lados com explosões fortes e interessantes de ver, boas batalhas, e claro efeitos muito bem colocados, com cores fortes e dinâmicas bem marcadas, principalmente nos rituais de velório/enterro. Sobre o 3D, o filme até tem algumas boas perspectivas de profundidade, mas nada que não seja visto numa sessão comum, com raríssimas cenas com alguma coisa parecendo sair da tela, ou seja, só valeu ver na Imax pelo tamanho da tela e pelo som, pois de resto, completamente desnecessário.

Um ponto muito bom de ser falado é da ótima trilha sonora que envolve em muitos momentos contando com boas canções e claro ótimas desenvolturas apenas orquestradas para dar ritmo e desenvolvimento para a trama, então é claro que compartilho aqui o link para todos ouvirem. 

Enfim, é um tremendo filmaço, bem longo contando com 161 minutos, mas que não chegam a incomodar com arrastamentos, pois tudo se encaixa bem e tem bom uso dentro da história, valendo claro a conferida sendo fã ou não dos personagens, e assim recomendo para todos. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, nessa única estreia nos cinemas do interior, mas volto em breve com mais textos dos streamings e claro do Festival Italiano que está rolando online, então abraços e até logo mais.


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Sessão Filme Bem Feito (Nada Apaga Essa Paixão / A Guerra do Césio / Maria B. Ecos do Passado)

11/09/2022 01:55:00 AM |

Não costumo publicar muito sobre os curtas que costumo assistir, mas hoje a sessão nos cinemas foi especial por ver três produções, um pouco dos making off e até algumas homenagens a amigos que se foram, todos muito bem feitos pelo amigo Milton Martins, que formamos juntos lá em 2009 em Produção Audiovisual, e ele seguiu fazendo suas produções enquanto eu fui para o lado da crítica, e cá que hoje mostrou dois curtas que eu já havia visto na internet ("Nada Apaga Essa Paixão" e "A Guerra do Césio") e agora seu novo lançamento ("Maria B. Ecos do Passado"), então resolvi deixar algumas palavrinhas aqui no site sobre tudo o que foi exibido para convidados na sessão de cinema, e que já pode ser conferido na plataforma TakePlayBrasil, com muito material extra por lá.

Todas as histórias são bem bacanas e diferenciadas, cada uma da sua maneira, com "Nada Apaga Essa Paixão" recaindo para o lado musical, brincando com o sonho de pessoas da lida do corte de cana em virarem músicos e dançarinos famosos em concursos, sendo bem simples visualmente, mas com duas canções que impregnam na cabeça e que funciona dentro da produção. Já "A Guerra do Césio" trabalha mais com o lado ficcional em cima de um futuro distópico misturando uma inteligência robótica com zumbis, aonde tem todo um bom trabalho de pesquisa sobre os acidentes com materiais radioativos e que envolve de uma maneira mais alegórica e cheia de nuances. E por fim o grande lançamento de hoje, "Maria B. Ecos do Passado" que mistura o passado de matadores da região com o presente, num suspense romântico bem colocado para dar um sonho em uma conexão com uma médica no meio da pandemia envolvendo com figurinos, história e toda uma produção bem trabalhada e com boas dinâmicas para chamar atenção e agradar. 

Ou seja, são três bons filmes que o diretor/produtor Milton Martins nos entrega, e que certamente irá aparecer em diversos festivais, afinal conhecendo bem ele irá disparar Brasil afora para que vejam seus trabalhos, então fica a dica para quem gostar da produção nacional autoral, que sem muitos recursos consegue soar diferenciada e chamar atenção. Novamente dou meus parabéns para o amigo Milton tanto pelo trabalho, quanto pela sessão lotada de convidados, e fico por aqui hoje, então abraços e até logo mais.

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Aldeotas

11/09/2022 12:55:00 AM |

O longa "Aldeotas" é baseado na peça de mesmo nome do diretor Gero Camilo, e é quase como vermos a peça sendo exibida na tela com muito mais elementos cênicos em vários palcos, com poesia aflorando de vários lados, com um desenvolvimento incrível de parceria entre os protagonistas, tudo de uma forma sintética tão emocional bem feita que acabamos entrando no clima do começo ao fim, e acabamos viajando para a cidadezinha do filme, vendo eles convivendo e fazendo suas situações, e o resultado é um só, um filme brilhante que quem gosta do estilo simples e bem feito acabará saindo muito feliz com o resultado todo, pois é daquelas tramas que encaixa com perfeição e não desaponta de forma alguma em momento nenhum, mesmo que alguns atos sejam mais puxados.

O longa conta a história de dois amigos que se separam aos 17 anos em meio aos conflitos da adolescência turbulenta na pequena e conservadora Coti das Fuças, interior do Brasil. Levi, poeta, cansado de sofrer abusos, cumpre o plano de fugirem pra uma cidade grande mais liberal. Enquanto Elias, oprimido pela violência do seu pai, desiste de partir. Aos 50 anos, Levi volta para reencontrar o amigo no dia de seu funeral onde as memórias dos dois são revividas antes do último adeus.

É engraçado que muitas vezes quando conferimos um filme baseado em uma peça, acabo com muita vontade de ver a peça para ver se é melhor, e muitas vezes também acabamos vendo a falta de um palco para tudo ser exibido, mas Gero Camilo em seu primeiro longa levou sua peça para algo maior e muito melhorado, pois acredito que toda a história num palco deve ser dificílima do público entrar no clima, e aqui ele conseguiu, mesmo que simbolicamente, criar os ambientes completos, representando tudo, e o resultado acabou ficando lindo de ver. E claro com um texto alegórico e gostoso, cheio de desenvolturas, e principalmente com muito envolvimento por conta dos protagonistas, de forma que mesmo que os dois não fossem realmente amigos, a entrega deles no filme é desenvolvida com tanto gosto que acabamos querendo viver naquela amizade, conhecer eles pessoalmente, e tudo é tão bem montado junto dos ambientes que acabamos conectados do começo ao fim.

Sobre as atuações, assim como assistir uma peça a cada "quadro" acabado a vontade é de aplaudir ambos os atores, pois não sei por quantos anos eles seguiram em cartaz com a peça, mas é como se os personagens fossem realmente deles, com o poeta Gero Camilo se jogando completamente em seu Levi, se declarando, se envolvendo, se desenvolvendo por completo durante todos os atos cênicos, com algo tão marcante que não conseguimos tirar os olhos dele, ou seja, perfeito, e como costumo dizer, acertar a atuação dirigindo é ainda mais difícil. E da mesma forma Marat Descartes brinca completamente com seu Elias, trazendo toda a síntese do rapaz oprimido pelo pai, do aprendendo a viver, do se desenvolver em cena, e tudo o que ele faz é tão bem encaixado com suas atitudes que acabamos sentindo ele pronto para cada cena, ou seja, incrível também.

Visualmente como já disse o filme ficou muito mais representativo do que a peça, pois vemos praticamente vários ambientes cênicos gigantes e pequenos ao mesmo tempo bem representados, muitos elementos cênicos simbólicos, muitas alegorias encaixadas e chamativas, e tudo muito bem mostrado para o público se envolver com o que entregam, ou seja, a equipe de arte trabalhou junto com a de fotografia dando tons, iluminações, sombras, e tudo ficou singelo e amplo de ver, ou seja, uma brincadeira imensa em cada cena, com tudo se contrapondo e chamando atenção.

Enfim, pode não ser um filme que muitos vão se encaixar e desejar ver, primeiro por ir para um rumo mais alegórico que muitas vezes o público não costuma se envolver, mas quem entrar de cabeça na trama, e gostar de poesia muito bem encenada vai sair da sessão extremamente feliz com tudo, só não digo que foi 100% perfeito por ter as quebras explicitadas para meio que explicar o que é cada quadro e cada idade dos personagens, pois se conseguissem passar isso sem precisar desse detalhamento seria incrível de estourar todos os fogos possíveis, mas ainda assim é daqueles filmes para se aplaudir de pé, e assim sendo recomendo ele demais quando estrear nos cinemas dia 17 de novembro, ou nas plataformas de locação em breve, mas vejam mesmo. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos.


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Gelo (Ghiaccio)

11/08/2022 01:12:00 AM |

Já havia dado a dica que essa semana começaria o Festival Italiano totalmente gratuito com vários filmes inéditos e também vários clássicos para quem gosta conferir, e hoje dei o play no primeiro que me chamou atenção pela capa sem ler a história nem nada, pois como muitos sabem gosto bastante de longas esportivos, então resolvi começar por "Gelo", e a entrega é bem interessante, com toda a síntese bem tradicional de longas envolvendo lutas, aonde vemos jovens endividados por drogas e/ou por gastos antigos da família, também devido à drogas, e que vai tentar ir além com muito treinamento e claro todos os desafios quando se está envolvido com gangues, porém mesmo sendo bem semelhante à vários outros, tem um desfecho bem interessante e diferenciado, que chama a atenção e acaba emocionando. Ou seja, é uma trama simples, mas bem feita, com boas desenvolturas e encaixes, com uma luta interessante, e toda a amarração tradicional, que talvez até pudesse ter ido mais além com alguns detalhes, mas a síntese completa está na frase do início que o boxe é mais do que uma luta, e sim um estilo de vida, e aí toda a simbologia da trama se completa bem.

O longa nos situa em Roma, 1999. Giorgio, é um jovem boxeador que espera o jogo que pode mudar sua vida. O pai, assassinado anos antes, deixou para ele e sua mãe uma dívida com o submundo que não lhe permite ser um homem livre. Para treiná-lo está Massimo, que vê nele a realização de um sonho que desistiu para constituir família. Giorgio finalmente tem a chance de se redimir entrando no mundo do boxe profissional. Mas o submundo suburbano nunca deixa uma chance para aqueles que não se submetem às suas regras.

Diria que os diretores e roteiristas Alessio de Leonardis e Fabrizio Moro foram até que bem em seu primeiro longa-metragem, com uma boa desenvoltura cênica e cenas bem intensas, porém foram simples demais e não ousaram tanto (tirando claro o final que me chocou um pouco) trabalhando com clichês bem tradicionais de filmes de luta envolvendo uma pessoa endividada e um ex-lutador desejando treinar e passar seus conhecimentos para o pupilo. E assim sendo o filme é quase algo que já vimos tantas outras vezes, que não erra em nada, mas também não vai além. Ou seja, não posso dizer que seja errado não ousar, principalmente no primeiro filme para que não ocorra gafes, mas poderiam ter comovido mais ao desenvolver um pouco mais o protagonista, desenvolver um pouco mais a relação dele com o cobrador, e assim criar mais desenvolturas, pois alguns elos pareceram meio que falsos nesse sentido, mas fluíram, e assim não vamos acusar ninguém.

Sobre as atuações, a base toda é em cima de Giacomo Ferrara com seu Giorgio com semblantes sérios e sem grandes nuances mais animadoras, e mesmo em seu treinamento ou até nas cenas namorando o jovem não esboça um sorrisinho sequer, e assim parece até desanimado com a entrega, mas fez atos fortes e bem colocados com atitudes bem trabalhadas, então faltou apenas trabalhar um ar menos depressivo para agradar mais. Já Vinicio Marchioni deu ares bem comoventes para seu Massimo, botou banca nas cenas que precisava dar um ar mais sério, mas se mostrou um pai e marido amoroso, se doou bem nos treinamentos do garoto, e passou um carisma interessante na maioria das cenas, sendo um ator marcante em um personagem até que desenvolvido demais, que acaba sobrepondo o protagonista em vários atos. Quanto aos demais, diria que o filme economizou com os atores, pois a maioria trabalha trejeitos tão jogados e estranhos que nem dá para se empolgar com nada, ou seja, é melhor nem tentar falar muito sobre mais ninguém senão vou desanimar quem estiver afim de ver o filme.

Visualmente o longa tem momentos interessantes, mostrando o apartamento simples do jovem em um aglomerado de prédios comunitários, da mesma forma o apartamento um pouco mais arrumado do treinador, uma academia simples também, alguns atos em restaurantes e boates, e claro a luta em um ginásio com um público até que bem trabalhado, sem grandes nuances ou envolvimentos, nem símbolos ou locações que ficassem marcantes, mas que não erra por exagerar, deixando o filme simples, mas bem feito.

Enfim, é um filme simples, bem feitinho, mas que segue a mesma base tradicional de todos os filmes do estilo de luta, então se você já viu um, já viu todos, claro que cada um tem sua síntese, esse tem um final diferenciado comovente, e até envolve bem, mas poderiam ter ido muito além para chamar mais atenção, e sendo assim digo que recomendo ele com ressalvas, mas esse foi apenas o primeiro do Festival Italiano, e fico por aqui hoje, voltando em breve com mais textos.


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Amazon Prime Video - Meu Policial (My Policeman)

11/06/2022 07:32:00 PM |

Sabemos que hoje o mundo ainda não é as mil maravilhas para o público homossexual, mas nos anos 50/60 bastava uma denúncia simples, e lá iam para cadeia pelo simples fato de sua opção ser pervertida, e o drama da Amazon Prime Video, "Meu Policial", trabalha não só esse fato, como a amizade de um trio na época, suas desventuras em lugares artísticos, e claro o caso entre os dois homens que causou ciúmes na namorada do outro, levando ela a denunciar o caso, e depois viver com remorso até sua velhice quando traz de volta o amigo para o seu lar. Ou seja, é um filme denso, mas também bem bonito pela forma expressiva, pelo capricho das cenas transmitindo emoção por todos os lados, e que chega até nos envolver com ela lendo toda a história do caso deles já bem velhos, com o amigo já bem debilitado pelos anos na cadeia. Diria que é daqueles filmes mais artísticos que muitos nem gostam de ver, mas que sabiamente foi bem dirigido para não soar cansativo e ainda representar bem tanto o lado da amizade, como o lado da sedução, e até mesmo como o ciúmes pode quebrar alguns laços, e assim a trama funciona bem e resulta em algo que quem gostar do estilo vai se emocionar bastante.

A sinopse nos conta que Marion e Tom Burgess se encontram na costa de Brighton nos anos 1950 e se apaixonam. Todavia, surge em suas vidas Patrick Hazelwood, um curador do Brighton Museum, que acaba desenvolvendo sentimentos pelo policial Tom. Os homens iniciam um caso apaixonado – apesar da homossexualidade ser ilegal naquele período. Por um tempo, o trio abraça uma dinâmica em comum, até que o ciúme destrói o acordo. Muitos anos depois, Patrick retorna à vida dos agora casados Marion e Tom, desenterrando sentimentos e questões mal resolvidas deixadas de lado - mas que ainda possuem o poder de assombrar a vida dos três. 

O filme é uma adaptação do romance de 2012 de Bethan Roberts, que o diretor Michael Grandage soube desenvolver com um ar emocional interessante, aonde vemos o envolvimento funcionar de maneira bem simples e afetiva, com cenas marcantes tanto pelo ar artístico, como pela criatividade cênica bem colocada, aonde tudo é bem desenvolvido e tem pegada. Claro que por ser um drama não tão tradicional, e com uma história que já vimos ser desenvolvida de várias maneiras nos cinemas, alguns podem não se conectar tanto, mas o ar emocional que o diretor conseguiu pontuar, com um elenco bem trabalhado, e principalmente com uma montagem bem simbólica e funcional, o resultado passa a ser cativante e bem marcado. Ou seja, é um filme bonito, emocional e envolvente com um elenco bem coeso, mas que já vimos tantos filmes com histórias parecidas, que ficou sendo apenas mais um do estilo, e talvez pudessem ter incrementado algo a mais para soar diferente, não sendo um filme ruim, mas que não foi muito além.

Sobre as atuações, posso dizer que tanto os personagens jovens, quanto os sêniores mandaram muito bem em cena, cada um passando um estilo de expressividade, mas o mais bacana é que ambos fizeram movimentos muito semelhantes, o que acaba chamando muita atenção e agrada bastante ver o estudo de todos. Dito isso muitos vão ver o filme pelo cantor Harry Styles, e ele tem melhorado bastante seu modo de atuar, ao ponto que seu Tom tem um ar bem carismático, faz as cenas com muita intensidade, e desenvolve bem a personalidade entre o desejar e o fazer, agradando com cenas que poderiam até impactar mais, mas faz o básico bem feito, e isso é um bom acerto, já sua versão velha, interpretada por Linus Roache foi bem colocada, mas ficou muito em segundo plano, tendo alguns atos emocionais bem trabalhados, mas mais evitou que foi além. David Dawson foi muito marcante com o ar charmoso que deu para o seu Patrick, trabalhou bem o diálogo e a expressividade, foi eloquente e cheio de nuances, conseguindo chamar muita atenção para seus atos, e sua versão velha ficou forte por ver tudo o que acabou acontecendo com ele nos atos mais duros na prisão, trazendo um Ruppert Everett intenso e bem doente na cama, com um olhar duro e cheio de problemas, que chega a dar dó. Já Emma Corrin trabalhou bem sua Marion, fazendo uma moça tradicionalista bem bobinha, com anseios e desenvolturas meio que jogadas, mas bem colocada e expressiva, ao ponto que acaba agradando sem ir muito além, e sua versão mais velha caiu perfeita com uma Gina McKee perfeita de expressividades, revendo sua vida completa durante os poucos dias que vai lendo os diários de Patrick, ou seja, um elenco de peso muito bem encaixado que agrada demais.

Visualmente o longa tem boas cenas em museus, em um apartamento refinado e muito bem decorado para mostrar o bom gosto do curador de arte, temos a casa simples dos protagonistas, e vários passeios bem marcantes no passado, com tons de cores quentes bem elaboradas e cheias de desenvolturas, enquanto do outro lado vemos o ar cinza da família na casa depois de velhos, em uma praia chuvosa e com um mar revolto, tudo que parece não ter alegria após anos juntos, ou seja, a equipe de fotografia trabalhou muito bem em conjunto com a de arte para ser simbólica e fazer tudo chamar muita atenção.

Enfim, é um filme bonito, mas seguro do que desejavam passar, sem grandes chamarizes ou momentos que saiam da base, e que dessa forma ficou sendo mais um sobre o tema, porém temos atuações de um elenco tão bem afiado com a proposta, que o resultado acaba mais agradando do que errando, e assim acaba sendo um bom filme para conferir, valendo a recomendação. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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AppleTV+ - Passagem (Causeway)

11/06/2022 12:44:00 AM |

Costumo dizer que recomeçar uma vida é algo que a maioria das pessoas não conseguem, e um trauma costuma piorar toda essa situação, pois passamos a ir contra várias coisas comuns. Ou seja, o longa da AppleTV+, "Passagem", é mais do que apenas algo comum de se entregar e vivenciar toda a conexão (ou a falta dela), mas sim se entregar novamente à coisas simples, refazer amigos, entender tudo e claro que não é algo fácil, mas que as vezes pode acontecer, e o longa tenta brincar com isso, entrega reflexões e dinâmicas fortes com expressividades leves e com isso o brilhantismo da trama recai toda para as atuações dos protagonistas, seus gestos e com isso muitos podem também não se conectar com o longa, e assim diria que o risco de um filme assim é bem alto, pois até gosto de filmes introspectivos e reflexivos, mas aqui ficou parecendo faltar um algo a mais para impactar realmente, o que acaba sendo amplo demais.

A sinopse nos conta que Lynsey é uma militar que luta para se ajustar na volta para casa, em Nova Orleans, após uma lesão traumática, e quando ela conhece o mecânico local, James, a dupla começa a estabelecer um vínculo inesperado.

Diria que é bem fácil enxergar que a diretora Lila Neeugebauer tentou florear demais o sentimentalismo da trama e acabou se perdendo em seu primeiro longa-metragem, pois facilmente a trama toda seria para um média-metragem, já que o drama ali é o se reencontrar e fazer as pazes consigo mesmo da protagonista, de ver que melhorou, mas nunca mais será a mesma, e de saber se controlar na forma de falar com as pessoas, de se doar parte e tudo mais, e aqui isso se vê tanto por ela com sua lesão, quanto com o mecânico que também teve seu trauma, e ao dimensionar a nova vida de ambos o filme até flui, até cria a reflexão, mas não vai muito além. Ou seja, se você não entrar na mesma síntese que a diretora queria passar, o filme passa e você nem vê, mas se refletir junto e pensar nas situações, o resultado até acaba sendo bonito e interessante.

Sobre as atuações, Jennifer Lawrence entregou uma carga dramática bem encaixada para sua Lynsey, de modo que vemos a tensão no olhar, a vontade de querer se recuperar, mas também os efeitos de ficar sem os remédios, ao ponto que ela até chega a criar um vínculo expressivo com o público e com seu parceiro de cena, mas ao mesmo tempo que está ligada, também some e fica pensativa, e esse papel traz pra ela algo muito denso que talvez precisasse de mais amplitude cênica, mas que como uma boa atriz conseguiu dominar e acaba agradando no que faz. Da mesma forma Brian Tyree Henry também entregou boas desenvolturas com seu James, demonstrando muita simpatia e carisma para com sua parceira das cenas, teve atos e expressões fortes para contar sobre o seu acidente, e foram bem marcantes suas cenas com a prótese, ao ponto que sua entrega chama atenção, e mesmo parecendo meio desleixado em alguns atos sob efeito da bebida e do cigarro, ele soube dosar a emoção e chamar muita atenção. Quanto aos demais, cada um passou sua forma de entrega, não tendo grandes atos com a mãe vivida por Linda Emond, nem com a cuidadora nas cenas do começo vivida por Jayne Houdyshell, e assim o foco ficou somente nos dois mesmos.

Visualmente a trama não tem grandes chamarizes, talvez trabalhando um pouco mais na reflexão da limpeza das piscinas, pois como o dono da empresa fala: se conhece muito das pessoas pelo dreno da piscina, então vemos algo meio como uma purificação da alma ali com ela limpando e depois entrando na água para se refrescar, tendo piscinas de todos os tipos e formas, vemos também vários passeios, todo o lance com os carros antigos e suas reformas interiores, e por aí vai, mostrando que a equipe de arte precisou filosofar também para que tudo fosse bem mostrado, e conseguiram.

Enfim, é um filme com uma pegada que muitos talvez nem entre no clima, mas que mostra boas atuações, uma química introspectiva interessante, e que até faz refletir, e que assim sendo até talvez caia no gosto das premiações para que o longa consiga algumas indicações (ganhar eu duvido!), mas que tem muita coisa boa nesse ano, então veremos o que acontece, e fica a dica para quem gosta do estilo dar o play. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais filmes, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Enola Holmes 2

11/05/2022 05:40:00 PM |

São bem poucos os filmes que geram continuações e conseguem manter a mesma boa essência e desenvoltura do original, pois acabam caindo em exageros e se perdem facilmente com a entrega, mas quando usam as coisas boas do primeiro e ainda brincam com tudo o que conhecemos, o resultado acaba gigante. Claro que fui conferir o longa da Netflix, "Enola Holmes 2", com expectativas grandes demais, e assim demorei um pouco para entrar no clima da produção esperando algo mais acelerado como foi o primeiro, mas nesse a investigação foi mais densa, com coisas menos explosivas, e claro, dando novas nuances para os personagens principais serem melhores trabalhados (o que é muito bom), e assim sendo quando tudo começa a se explodir (literalmente após a fuga da protagonista da prisão), o filme se desenrola bastante e acaba agradando demais com muitas cenas envolventes, as soluções do caso, e claro o aparecimento no final de vários personagens famosos que conhecemos. Ou seja, é um tremendo filmaço que fez jus de querermos ver, afinal o primeiro foi ótimo e esse foi tão bom quanto, e assim sendo acredito que vão fazer pelo menos mais um dos seis livros, afinal dois já foram!

A sinopse nos conta que depois dos eventos do primeiro filme, aqui acompanhamos Enola em um caso "de verdade!". Agora uma detetive de aluguel igual ao seu irmão, Sherlock, a detetive assume seu primeiro caso oficial. Enola é requisitada para achar uma garota desaparecida, mas à medida que sua investigação continua, ela descobre que há muito mais em jogo do que apenas um desaparecimento. As faíscas de uma perigosa conspiração acendem um mistério que requer a ajuda de amigos – incluindo a do seu irmão – para desvendar.

Diria que o diretor Harry Bradbeer voltou muito sagaz para a continuação, pois seu primeiro filme depois de muitas séries foi genial, então todos esperavam muito do que ele conseguiria fazer num segundo filme, e foi fácil, ele pegou tudo o que deu muito certo no primeiro longa, conseguiu adaptar bem a nova trama do segundo livro, e deu mais foco aos personagens principais, que por incrível que pareça, nos engana fácil afinal temos uma tonelada de personagens passantes em segundo plano, sempre querendo aparecer demais, e não notamos nas sublinhas, como deve acontecer em um filme de investigações. Ou seja, se no primeiro filme ele precisou de muitas apresentações, aqui elas já estavam ditas e colocadas, então apenas brincou com o mesmo estilo de recorte rápido, várias interações e conversas da protagonista quebrando a quarta parede com o público, e desenvolver uma trama mais ampla com uma pitada de realismo (afinal o longa tem a base de uma história real da primeira revolução industrial feminina), e assim conseguiu algo raro, mas que agrada demais, da segunda história ser tão boa quanto a primeira, e atiçar ainda mais o público para continuações (algo que a dona Netflix nem gosta de fazer, e já deve estar com o cheque até assinado na porta da casa dele!).

Sobre as atuações, posso dizer fácil que Millie Bobby Brown está virando um monstro da Netflix, afinal já dominou por completo os fãs de "Stranger Things", e cada dia mais nos apaixonamos por sua Enola, pois é graciosa mesmo não querendo ser, tem estilo, mas também tem força, e sabe farejar bem os fatos como todo fã de filmes investigativos gosta, ao ponto que a atriz se entrega por completo nas desenvolturas, faz olhares certeiros para cada momento, e brinca demais com todas as nuances que a personagem precisa, de forma que tudo acaba virando acerto em cena, e isso é algo que poucas atrizes dominam, ou seja, logo logo vai ficar caríssima para qualquer produção, e quem quiser vai valer a pena pagar. Se no primeiro filme Henry Cavill foi apenas o nome por trás de Sherlock, sem grandes aparições, aqui ele já botou tudo pra jogo e fez o clássico personagem funcionar demais, com grandes olhares enigmáticos, muita sagacidade nas investigações, e encaixando tudo muito bem sem apagar o protagonismo de Millie, funcionando exatamente como o papel deve ser na saga, e nisso o ator deu show. David Thewlis fez atos bem fortes e marcantes com seu Grail, cheio de estilo e com ares duros, mas que poderia ter trabalhado desde o começo algo mais imponente, e não deixado apenas para as cenas finais. Ainda tivemos bons momentos com a volta de Louis Partridge com seu Tewkesbury cheio de nuances finas e já virando o par romântico completo da protagonista, com cenas bem divertidas e bem colocadas, também voltou para atos mais rápidos Helena Bonham Carter como a mãe da protagonista e Susan Wokoma como Edith, a treinadora de lutas, e até mesmo Adeel Akhtar voltou bem com seu Lestrade, mas ainda sem grandes explosões, ou seja, tivemos muitos personagens secundários na trama, alguns aparecendo mais, outros menos, valendo então destacar Hannah Dodd com sua personagem dupla Sarah/Cicely e Sharon Duncan-Brewster com sua Mira, que provavelmente voltará para outros filmes, então é aguardar o que virá.

Novamente com um conceito artístico belíssimo a equipe de arte conseguiu brilhar, entregando muito do processo fabril cheio de mulheres fazendo os famosos palitos de fósforo, tivemos vários ambientes cheios de pistas e símbolos para brincarem bem desde um teatro até a "casa" da garotinha, e claro vemos apaixonados assim como Lestrade, tudo o que tem na casa do famoso investigador, aonde vemos seu cachimbo, seu violino, todas as amarrações de investigações, e muito mais, ainda tivemos um presídio mostrado bem rapidamente para uma cena de perseguição em carruagens, e claro um belíssimo baile de gala com todo o requinte e normas de etiquetas presentes para serem representativos dentro da investigação completa da trama. Ou seja, é certamente um bom nome para brigar nas premiações pelo design de época e que faz os olhos brilharem ao acompanhar cada detalhe.

Enfim, é um tremendo filmaço, cheio de interações e desenvolvimentos, que agrada bastante do começo ao fim, com personagens bem imponentes e muita atitude dos protagonistas, boas cenas, uma investigação na medida certa e uma edição perfeita para funcionar e fazer o público desejar mais. Disse que o longa supre até mesmo o primeiro filme, pois gostei muito do final e da cena no meio dos créditos (não desligue a TV, pois ela é muito boa e importante!), mas como o ritmo inicial demora um pouco para engrenar e assisti ele com expectativas demais, daria um 9,5 para ele, o que não supre a nota do primeiro filme, e como não tenho notas quebradas, esse sera um 9 mesmo, mas altamente indicado para todos, e vamos esperar o que virá pela frente, pois acredito com toda convicção que a Netflix fará os 6 livros. E é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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A Mãe

11/04/2022 11:57:00 PM |

O ato de perder um filho e nem saber seu paradeiro para poder enterrar com toda certeza deve ser uma, senão a maior dor de uma mãe, e isso é algo que costumeiramente ocorre nas comunidades mais pobres brasileiras desde muito tempo, e que muitos as vezes acham que isso já mudou depois do fim da ditadura, mas não, continuam aos montes, e o longa "A Mãe" vem trazer essa ode de uma mulher trabalhadora que volta para casa e o filho não aparece por um dia, não aparece pelo segundo dia, e ela sai em busca de informações e conforme vai perdendo suas forças, vai descobrindo aos poucos que provavelmente ele foi morto, já que também não se pode dar muitas informações nesses lugares. Ou seja, é um filme que mostra mais um trabalho expressivo de busca, de desenvolturas da personagem, do que realmente uma trama misteriosa com cenas fáceis de se entregar, que agrada bastante pela essência em si, pela atuação e até mesmo pela coragem do diretor de se embrenhar nesse meio, mas que poderia ser ainda mais impactante com um desenvolvimento mais realista ao invés de simbólico, com algo ficcional talvez mais de entrega e personificação, aonde o impacto chamaria a atenção, mas que de certa forma entrega muito com o pouco exibido, e isso faz da trama algo diferenciado e bem marcante também.

O longa segue a jornada de Maria, migrante nordestina e vendedora ambulante em busca de seu filho Valdo, supostamente assassinado por policiais militares durante uma ação na vila onde mora. Em busca de descobrir o paradeiro do filho, Maria enfrenta diversas adversidades. Ela não tem nenhuma notícia que a ajude a encontrá-lo. Essa tragédia deixa uma ferida profunda na personalidade de Maria, que passa a viver sob a marca da insegurança e da impunidade.

O diretor e roteirista Cristiano Burlan adora se embrenhar na periferia, e contar histórias dramáticas que se desenvolvem ali, tanto que muitos de seus filmes trabalham bem essa estética, e até já documentou como seu irmão foi morto no documentário "Mataram Meu Irmão", e aqui ele trabalha um lado ficcional, mas que pode ser analisado a frio como um vértice das execuções no meio das comunidades, aonde por um simples desacato ou algum pormenor um filho ou um pai não volta mais para sua casa, seja pelas mãos do tráfico ou até mesmo da polícia, e em ambos os casos dificilmente se investiga a fundo, ninguém quer se meter no meio dos dois grupos para tentar dar algum conforto para os parentes, e o que você tem de fazer é apenas seguir com sua vida. Ou seja, a dinâmica é algo que poderia ser bem documentada em algo realista, mas o diretor quis ousar e trabalhar toda a dramaticidade da perda, do não conseguir ajuda, de se fechar no desespero, e com isso ele contou muito com a expressividade da protagonista, que se doou, trabalhou trejeitos, vozes, entonações, e consegue comover com sua busca, que talvez numa montagem diferente impactasse até mais, mas que passa bem a mensagem, funciona e chama a atenção seja em festivais ou comercialmente pela boa desenvoltura.

Sobre as atuações, a base toda é em cima de Marcelia Cartaxo, que se doa por completo para sua Maria, traça sínteses de olhares e envolvimentos duros sem soar falsos, e principalmente consegue dominar o ambiente, pois até temos alguns outros personagens bem encaixados, mas o filme é dela, é a sua busca, é o seu filho, é a sua entonação, e com isso chama a responsabilidade mesmo e entrega tudo o que o diretor precisava para que o filme fluísse e envolvesse, agradando demais. Tivemos também bons atos de Dunstin Farias com seu Valdo, tanto pelo ar marrento, quanto pelas boas canções de hip hop que entona dando a dinâmica para seu personagem, criando um leve vínculo com o espectador para demonstrar sua vida tradicional, ou seja, teve atos bem marcados e foi coerente para com o personagem, não indo tão além pela escolha do filme focar mais na mãe, mas fez bem suas cenas. Dentre os demais, tivemos alguns atos bem estranhos com a mãe do amigo vivida por Mawusi Tulani, tivemos algumas dinâmicas com o amigo bem colocadas em que Rubinho Ferreira mostra ser muito conectado com o jovem, e claro tivemos alguns atos explosivos do traficante vivido por Henrique Zanoni, mas nenhum roubando felizmente o brilho da protagonista.

Visualmente a trama se fecha na casa da protagonista na periferia, várias andanças de ônibus, ida ao IML, idas à polícia, à escola do garoto, alguns atos em bares, mercadinhos e na casa da mãe do amigo, mostrando bem a simplicidade por ali, e claro o dia a dia da mulher sendo completamente mudado de vendas para buscas e desesperos, ou seja, tudo muito singelo, mas que sem grandes abstrações reflete a vida dela, e num outro olhar a vida do garoto sendo quebrada pela polícia.

Ou seja, é um filme denso, interessante, com uma proposta marcante, que passa bem a mensagem, envolve o público e mostra as facetas que infelizmente ocorrem nas comunidades mais populares, aonde nada é investigado, ninguém quer aparecer ou falar sobre o assunto, e vida que deva ser seguida. Como disse, o diretor poderia ter impactado mais com um ar mais ficcional, afinal a trama permitia e pedia isso, mas como ele é um diretor mais de documentários, optou por ser mais realista, e assim o filme flui bem também sem grandes saltos. E claro que recomendo ele, afinal é uma trama premiada, que tem estilo, e chama a atenção, então fica a dica para o lançamento dele nos cinemas de várias cidades em 10 de novembro. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Roubando Mussolini (Rapiniamo il Duce) (Robbing Mussolini)

11/04/2022 01:18:00 AM |

Costumo dizer que hoje a maioria dos roteiros são cópias de outros, pois vão incorporando ideias, e desenvolvendo elas com base em alguns acontecimentos, e como é dito logo no começo do filme italiano da Netflix, "Roubando Mussolini", o fato aconteceu realmente, já a história toda não, e usando a base de um grupo que roubou o tesouro roubado pelo ditador fascista, colocaram ideias em quadrinhos no meio da trama, brincaram com as ideias dos outros filmes da companhia "Alerta Vermelho" e "Army of the Dead", e entregaram uma trama divertida, bem ágil e interessante de propostas, ao ponto que tudo soa bem maluco em determinados momentos, mas os personagens são bem colocados, e o resultado nos convence, principalmente se esquecermos da ideia real que aconteceu. Ou seja, é um filme com bons "heróis", vilões marcantes e boas desenvolturas, que acabam chamando bastante atenção de quem entrar no clima de um roubo bem tramado, mas que forçaram um pouco em algumas cenas usando o tradicional apontamento de arma para nada, então basta relevar e curtir.

A sinopse é bem simples e nos diz que ao final da 2ª Guerra, combatentes da resistência planejam um roubo impossível: o tesouro de Mussolini que está no quartel-general dos fascistas em Milão.

Diria que o diretor e roteirista Renato de Maria foi bem criativo nas situações, brincou com ideias bem colocadas, jogou alguns momentos de HQ no miolo para brincar com o plano, deu boas cenas de ações para um filme que tem a base misteriosa, e com isso acabou criando algo completo de sentidos, aonde aparentemente os atores se divertiram bem com seus momentos, não ficando um longa seco sobre um roubo, mas sim uma desenvoltura completa cheia de nuances aonde cada ato já vem bem colocado em cima do caso completo, e com isso já meio até que sabemos aonde tudo vai dar, e o resultado flui bem pelo menos. Ou seja, mesmo não tendo reviravoltas costumeiras de entregas, toda a interação é bem fluída, e com isso entramos bem no clima e somos bem agraciados com o resultado completo, não sendo uma direção memorável, mas que contando com uma produção honesta bem colocada resulta em um filme que não cansa e que diverte, sendo o famoso pacote gostoso de conferir.

Quanto das atuações, posso dizer que Pietro Castellitto entregou um bom líder da equipe com seu Isola, ao ponto que não foi muito bem apresentado aos espectadores, mas conseguiu construir um carisma bem colocado durante todo o desenvolvimento, ao ponto que fez bons trejeitos, trabalhou ares meio de pessoa dupla, e com isso conseguiu chamar bastante atenção. Matilda De Angelis trabalhou bem sua Yvone, fez ares sensuais e trejeitos bem cheios de nuances, além de cantar algumas canções do filme, ou seja, foi bem em duas funções e acabou agradando bastante com suas desenvolturas. Ainda tivemos momentos bem fofos com os dois mais jovens do grupo, contando com Luigi Fedele como um bom Amedeo tecnológico e cheio de perspicácia, e Rebecca Coco Edogamhe com sua Hessa quase como uma ninja do crime. Tivemos os mais velhos bem cheios de ares rabugentos, mas cheios de marra e pontaria, prontos para todas as cenas mais dinâmicas com Tommaso Ragno com seu Marcello e Alberto Astorri com seu Molotov, e ainda foi bem colocado o piloto de corridas Giovanni vivido pelo divertido Maccio Capatonda. E do outro lado ainda tivemos o vilão bem vivido por Filippo Timi com seu Borsalini imponente e bem desenvolvido. E boas participações com nuances bem encaixadas no final de Isabella Ferrari com sua Nora, Lorenzo de Moor com seu Achab, e até ares e olhares fortes em cima de Giorgio Antonini com seu Leonida.

Visualmente a trama tem locações interessantes, com esconderijos e até quarteis bem rústicos e bagunçados, afinal estamos no final da guerra com muita coisa destruída, temos um belo tesouro guardado com uma surpresinha no final, temos uma boate/clube bem trabalhada nos detalhes, e claro muitas armas, explosivos e todo um desenvolvimento da equipe de arte para ser bem simbólico da área de isolamento, com muitas cercas e contando em todos os atos com muitos elementos cênicos para servirem dentro da história como pistas ou elementos gráficos, e falando em gráficos tivemos todo o plano muito bem elaborado em HQ, ou seja, entregaram tudo.

Enfim, é um filme bem interessante, que de cara não parecia chamar tanta atenção, mas tem um ritmo envolvente e boas desenvolturas que acabam agradando bastante e divertindo na medida certa. Ou seja, é daqueles que quem curti ação vai gostar, quem gosta de histórias bem desenvolvidas vai se envolver, e o resultado final é satisfatório até para uma continuação, se quiserem ir além, mas foi bem fechado, e vale a recomendação. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Paloma

11/03/2022 12:51:00 AM |

Costumo dizer que o sonho de uma pessoa deve ser realizado sempre que possível, independente de suas origens e forças, mas sabemos bem o mundo maluco que estamos, e que muitas das vezes algo que está bom não deve ser mudado, e mais ainda entra a famosa frase que não conte suas felicidades para quem não conhece, pois a inveja pode fazer sua felicidade ruir. Comecei o texto do longa "Paloma" dessa forma, pois é muito bonito e bem encaixado o relacionamento de Paloma, Zé e sua filha, vemos seu trabalho, suas relações, seus amigos, mas também sabemos bem o preconceito que existe em cima das pessoas trans, ainda mais em cidades pequenas , mas um sonho é um sonho, e se você vê ele como possível de ser realizado, você vai querer realizar, então diria que a história em que o filme se baseou certamente foi algo triste pelo desenrolar, mas que será algo ao menos marcado na mente da mulher, pois ela conseguiu se casar de véu e grinalda, mesmo que precisasse acordar depois com um tremendo tombo, e isso as vezes acontece quando abrimos nossos sonhos para os outros. Ou seja, é um drama bem trabalhado sobre casamentos, relacionamentos, preconceitos e tudo mais na vida de uma pessoa diferente do comum, e que muito bem interpretado consegue passar facilmente uma essência bonita bem encaixada, que pode agradar a muitos, como foi o caso do Festival do Rio de Janeiro aonde levou vários prêmios, como pode ser que outros virem a cara, mas é inegável a qualidade e o envolvimento passado, que funciona e agrada, mesmo tendo um miolo meio novelesco demais.

A sinopse nos conta que Paloma é uma mulher trans que está decidida a realizar seu maior sonho: um casamento tradicional, na igreja, com o seu namorado Zé. Ela trabalha duro como agricultora numa plantação de mamão, e está economizando para pagar a festa. A recusa do padre em aceitar seu pedido obrigará Paloma a enfrentar a sociedade rural. Ela sofre violência, traição, preconceito e injustiça, mas nada abala sua fé.

Diria que o diretor e roteirista Marcelo Gomes soube ser direto de uma maneira bem sutil e envolvente, trabalhando a história real de um modo bem colocado e dosando com ares singelos em cima de tudo, de forma que nos conectamos nas vontades da protagonista, vemos seus anseios e com isso não vemos a raiz do sentimento do namorado, que provavelmente esconde tudo dos amigos, da família e tudo mais, de forma que o longa amplia tanto a discussão do preconceito, da violência, e até mesmo dos amores irreais, que num sonho tudo pode ser bonito, mas na vida real não, ao ponto que o diretor da mesma forma que dá empoderamento para a protagonista, também lhe deixa frágil ao ser vidraça, e assim o filme tem força e chama muita atenção pelos desejos, mas facilmente mostra que o recomeço está ali, e só querer. Ou seja, é um filme bem trabalhado, diferente de estruturas, que muitos talvez nem verão pelo tema em si, mas que vale a conferida pela essência completa, pois é algo que muitas vezes nem passará em nossa vida, mas como já disse outras vezes, pra que vamos nos meter na vida dos outros, deixem que sejam felizes com seus sonhos.

Sobre as atuações, Kika Sena entrega tudo e mais um pouco com sua Paloma, de forma que é notável seus sentimentos, seus olhares e sua desenvoltura em cima da personagem, trabalhando bem do começo ao fim, sabendo fazer bom uso da responsabilidade de tudo o que passava, e assim o resultado é perfeito de ver. Ainda tivemos bons atos com Ridson Reis com seu Zé bem cheio de nuances e entregas, demonstrando inicialmente um afeto bem grande com a protagonista, mas depois mudando muito com tudo o que vai acontecendo, também tivemos atos bem emocionais com Wescla Vasconcelos e a entrega para sua Rikelly, e até mesmo a garotinha Samya de Lavor conseguiu ser chamativa nos atos trabalhados. Ou seja, é um elenco simples, mas que soube passar a mensagem, e principalmente não deixar o longa artificial.

Visualmente o longa também é bem simples mostrando uma cidade interiorana, a casa bem modesta do casal, a fazenda de mamões aonde ela trabalha, um bar de vida noturna na cidade, e um bar mais violento, tendo uma igreja diferente no meio do nada, e um casamento bem simples e efetivo. Ou seja, a equipe de arte não tentou fazer milagre e conseguiu ser bem representativo, o que chama atenção e até agrada.

Enfim, é um filme que não é perfeito, mas que tem a proposta bem colocada e representada na tela, que envolve pela simplicidade e passa bem o sonho, a exposição e a quebra dele, que vai agradar e emocionar alguns que vão se sentir bem representados, e assim sendo fica a recomendação para quando lançar no próximo dia 10 em alguns cinemas. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Lilo, Lilo, Crocodilo (Lyle, Lyle, Crocodile)

11/02/2022 07:51:00 PM |

Confesso que quando vi o teaser de "Lilo, Lilo, Crocodilo" já fiquei bem curioso com a música original sendo dublada que ficou muito boa, tanto que geralmente torço para vir filmes legendados e esse fui conferir hoje na pré dublada mesmo, e olha, dublaram não apenas a principal, mas todas as canções do crocodilo, afinal ele não fala, apenas canta, e canta muito bem na voz de Marcus Eni, que emprestou sua voz na versão dublada, que no original é de Shawn Mendes. Ou seja, vocês não estão malucos, e esse Coelho que vos digita todos os dias está recomendando um filme infantil dublado, pois mesmo conhecendo as vozes de Javier Bardem e Constance Wu, toda a dinâmica funcionou muito bem na versão dublada, e a história é graciosa, tem boas interações, muitas canções e um personagem muito bem trabalhado digitalmente que não incomoda de forma alguma, sendo algo que vale para todas as famílias e tem um belo desenvolvimento interessante e bem feito.

A trama acompanha um simpático crocodilo vivendo em uma casa na East 88th Street, em Nova York. Apesar de Lilo ajudar a família Primm nas tarefas diárias e brincar com as crianças da vizinhança, um vizinho mal-humorado insiste que ele deve ser enviado a um zoológico. Para mudar a opinião de Mr. Grumps e sua gata, Loretta, que detestam crocodilos, Lilo terá que provar que não é tão ruim quanto os outros podem pensar, mas tudo o que ele faz para conquistá-los parece dar errado.

Claro que quem for conferir esperando qualquer coisa diferente do que um filme infantil irá se desapontar, mas o musical construído pelos diretores Josh Gordon e Will Speck em cima do livro de Bernard Waber foi algo muito bem trabalhado, cheio de interações, de boas desenvolturas, e principalmente tendo muito estilo por parte dos protagonistas, afinal temos cenas bem bobinhas, pulos em latas de lixo para pegar comida recentemente descartada, algumas mágicas e boas danças, de forma que mesmo não sendo algo que dá para convencer de ter um crocodilo cantor, o que vemos acontecer na tela é algo muito singelo e bem feito. Ou seja, diria que seja um filme simples, que não se pode esperar grandes criações, mas que emociona por ser bonitinho, por torcermos pelo crocodilo e até ficarmos bravos com algumas desenvolturas da trama, e mais do que isso, fazendo a minha famosa análise de filmes infantis, a criançada (sala hoje tava bem lotada) ficou quieta o filme inteiro, então prendeu a atenção do público alvo, e o acerto foi grande.

Não vou falar tanto sobre as atuações, afinal como vi o longa dublado não posso dizer sobre entonações e trejeitos, mas diria que os personagens foram bem trabalhados, principalmente o garotinho Winslow Fegley que brincou bastante em cena com o crocodilo, trabalhou ares emocionais interessantes e se jogou na aventura por completo, mas também temos de ver Javier Barden completamente solto para dançar e requebrar com o personagem digital e até soar um pouco bobo demais. Já Constance Wu e Scott McNairy foram bem encaixados como os pais da família, com Wu dançando também na música da cozinha e agradando bastante com sua felicidade. Agora quem ficou meio estranho demais foi Brett Gelman como um vizinho rabugento que só reclama, pois forçou um pouco os trejeitos, e o dublador nacional Bruno Linhares não ousou muito, ao ponto que acabou não fluindo bem. E já que falei de dubladores, tenho de tirar completamente o chapéu para Marcus Eni que dublou Lilo todas as canções em versões maravilhosas, agradando bastante mesmo, o garotinho ficou bem simpático na voz de Enzo Dannemann, Flávia Saddy se doou de forma graciosa para Sra. Primm, Duda Espinosa deu um tom marcante para o Sr. Primm e Guilherme Lopes fez bem também os atos de Hector (Barden).

Visualmente o longa foi muito bem desenvolvido, com uma casa interessante, um sótão bem bagunçado (afinal com um crocodilo morando por meses não era de se esperar muito), o personagem ficou muito bem desenhado tridimensionalmente, com boas sombras e movimentos, tivemos o gato também digital meio estranho, mas interessante de ver, tivemos o show de talentos simples, mas efetivo, e o zoológico com outros crocodilos bem mais mal-encarados, ou seja, tudo foi bem feito e bem pensado para funcionar na interação com o personagem, resultando em algo bacana de ver. 

Não localizei a trilha sonora nacional para poder divulgar aqui, se alguém arrumar só chamar nos comentários que incluo aqui, mas quem quiser ouvir a original já está no spotify e é só dar play aqui, que está bem legal também.

Enfim, volto a frisar que é um musical infantil, então não crie muitas expectativas e se divirta com o que é entregue, pois vai valer a conferida, e claro leve a criançada, afinal animais cantantes sempre agradam a todos, e já disse que a sala bem cheia ficou bem envolvida durante o longa inteiro, então é um bom sinal que gostaram do que viram. E é isso pessoal, eu fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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A Luz do Demônio (Prey For The Devil)

11/02/2022 01:59:00 AM |

Exorcismos são quase que a base de todo bom terror, e saber usar bem as possessões é algo que não pode falhar de forma alguma nesse estilo, pois já vimos muitos filmes que foram bons demais e também alguns que não tem como aceitar nada na tela. E como inovar no estilo? Pois bem, resolveram colocar uma escola de exorcismos com uma freira que já teve a mãe possuída, querendo estudar no meio dessa profissão exclusivamente masculina em "A Luz do Demônio", e até que funcionou bem, pois tem intensidade, tem cenas tensas bem trabalhadas e até alguns sustos gratuitos bem colocados, mas faltou trabalhar um pouco mais das aulas em si, que agradaria mais do que dois alunos que já saem fazendo sem estarem aprovados alguns trabalhos, mas que com uma história de fundo interessante acabamos envolvidos e curtindo tudo, só faltando um pouco mais de força, pois o filme acaba sendo meio leve no estilo, o que não desaponta, mas o trailer entregou bem mais impacto do que o filme por inteiro.

O longa nos conta que as ocorrências de possessão demoníaca aumentaram nesses últimos anos, de acordo com o Vaticano. Para ajudar a combater o crescente números de casos, a Igreja decidiu abrir uma escola voltada a treinar padres aptos para praticar exorcismos. A Irmã Ann está entre os alunos da escola, e, apesar dela ser uma das únicas mulheres na escola, ela acredita que seu destino é realizar exorcismos. Quando um professor sente seu dom especial, permite que ela seja a primeira freira a estudar e dominar o ritual. Sua própria alma estará em perigo, pois as forças demoníacas que ela luta contra, revelam uma conexão misteriosa com seu passado traumático.

Diria que o diretor Daniel Stamm gosta do tema exorcismo, pois já usou em seu filme "O Último Exorcismo" (que não foi o último, pois teve parte 2 com outro diretor!), e sabe trabalhar bem sem criar filmes de apavoro, daqueles que os personagens ficam com mais medo do que os expectadores, ao ponto que seu filme aqui tinha tudo para ser incrível, afinal não lembro de cabeça nenhum filme que tivesse uma escola de exorcistas, e daria muito mais uso trabalhar as aulas teóricas com alguns casos intensos, mas só deu a fachada para alguns momentos e logo na sequência trabalhar bem mais a história da protagonista, seu envolvimento com a garotinha e também a essência do padre latino (que aliás o demônio devia curtir ele, pois matou os outros 3 padres no ambiente e poupou ele da morte imediata), e assim seu filme até funciona, envolve e cria bons momentos, mas ficou algo simples e sem tanta tensão, sendo bacana de ver, porém sem grandes atos fortes que causassem um algo a mais no público. Ou seja, não é um filme ruim, mas se perdeu um pouco ficando mais do mesmo, que logo na conversa da garota com o padre já montamos todo o final, e assim falta aquele algo a mais para impactar.

Sobre as atuações posso falar que Jacqueline Byers foi bem interessante com sua Ann, desenvolveu trejeitos interessantes e bem trabalhados e causou impacto nos momentos mais tensos, mas faltou chamar a responsabilidade realmente para si, ficando sempre apoiada nas situações, sendo que o filme se verteu mais a ela do que a escola como já disse, então poderia ter ido mais além. A garotinha Posy Taylor estreou bem, fez trejeitos fortes em sua possessão, e criou dinâmicas bem marcantes em todos seus atos, tendo nuances bem expressivas e que chegam a dar alguns arrepios, ou seja, já vai ser chamada para muitos filmes de terror com certeza. Christian Navarro acabou caindo de uma forma interessante com seu Padre Dante, tendo algumas desenvolturas bem tradicionais do estilo, mas sem muitas expressões chamativas nos atos tensos, ao ponto que ficou parecendo que atuou muito com tela verde e não sabia o que realmente devia fazer em cena, ou seja, ficou um pouco falso. Ainda tivemos outros bons personagens, mas a maioria apenas fazendo conexões, valendo um pouco mais para o estilo imponente de Colin Salmon como Padre Quinn, mas nada que fosse chamativo demais.

Visualmente a escola/hospital foi bem interessantemente construído com celas tecnológicas bem fechadas para que os pacientes não saíssem atazanando as almas dos padres e freiras, tivemos alguns quartos simples, porém bem mais trabalhados do que um convento realmente, e bons elementos cênicos tradicionais de filmes de exorcismos, além das cenas fortes na casa da irmã do padre com um ventilador caótico com pedaços voando, e algumas catacumbas bem trabalhadas no fundo da escola, ou seja, a equipe de arte trabalhou bastante.

Enfim, é um bom filme do gênero, que agrada pelo estilo, que causa alguns sustos gratuitos, mas que não vai muito além, e que claro deixa uma pontinha no final para uma continuação agora no Vaticano, porém volto a frisar que gostaria de ter visto mais momentos de "aula" mesmo, que aí a intensidade da trama mudaria, e sendo assim recomendo ele com algumas ressalvas. E é isso meus amigos, eu fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Super Quem? Heróis Por Acidente (Super-héros Malgré Lui)

11/01/2022 01:07:00 AM |

Diria que não sou nem um pouco amante dos besteiróis que existem no mundo cinematográfico, e que na maioria das vezes mais reclamo do que elogio, e costumeiramente os franceses arriscam demais nesse gênero, geralmente recaindo para o pastelão ainda por cima, ou seja, apelação sem grandes frutos que não dá para aguentar nem 30 minutos de exibição, quanto mais um longa completo. Porém, eis que hoje fui muito surpreendido positivamente com "Super Quem? Heróis Por Acidente", pois mesmo apelando em alguns atos e fazendo sátiras com os vários filmes de super-heróis que conhecemos bem, o resultado acaba sendo divertidíssimo do começo ao fim, cheio de referências e situações completamente bizarras de nível máximo, mas que funcionam muito bem dentro da proposta da trama, ou seja, faz valer demais o ingresso, e pasmem, mesmo vendo o longa dublado (afinal aqui no interior resolveram passar só dessa forma) não senti tanta bagunça no lipsync e o resultado agradou bastante com as piadas abrasileiradas. Ou seja, se você curte o politicamente incorreto nos heróis vá conferir e se divirta bastante, mas se esperar qualquer coisa séria, aí a chance de odiar é grande.

A sinopse nos conta que um ator só tem azar quando a questão é trabalho. E quando, por obra do destino, consegue o protagonismo em um filme de super-herói chamado BadMan, ele sofre um acidente e começa a viver como se fosse o personagem da história. Imerso em alucinações de sua nova vida, ele e seus amigos se veem no meio de uma grande confusão com bandidos reais e um caso para solucionar.

O mais engraçado de tudo é que o diretor e roteirista também é o protagonista, ou seja, o conjunto completo que mais costuma dar errado, e felizmente Philippe Lacheau soube brincar com tudo sem se perder, o que é raro, pois entregou de cara que iria fazer uma sátira, e trabalhou todas as possibilidades de bagunçar com cada elemento, com cada filme que o público gosta, e mesmo que apelando em alguns momentos, ele soube dosar para que não ficasse fora de eixo, ou como costumo dizer, separado por esquetes, afinal o filme inteiro é funcional, não tendo quebras, não tendo momentos soltos de comicidade, mas sim como um todo bem arquitetado e divertido, que até tem erros (muitos por sinal), mas que não atrapalham ao serem colocados na íntegra do filme, o que se difere quando temos esquetes soltas que no conjunto não entregam uma história. Ou seja, é um roteiro simples, com uma produção até que bem grande, aonde ele se divertiu e entregou diversão, algo que muitas comédias do estilo pastelão e satíricas não conseguem, então só por isso já merece os parabéns, mas foi melhor ainda, fez rir por completo, e isso é acerto para fazer até um segundo filme.

Sobre as atuações, não vou falar tanto das expressividades, afinal o filme só veio dublado para cá, e o que posso dizer apenas é que colocara boas piadas, algumas bem conhecidas dos brasileiros, e o lipsync funcionou bem, então diria que o próprio diretor Philippe Lacheau entregou muita personalidade para seu Cédric/Badman e brincou completamente em cena, não sendo um personagem imponente, mas se jogando para cenas de ação, fazendo trejeitos marcantes quando precisou, e passando bem o ar de uma dupla personalidade após um trauma, e sua bagunça funciona, o que acaba agradando sem soar falso demais no que faz. Já da sua turma não posso dizer o mesmo, pois mesmo soando engraçado em alguns momentos, Julien Arruti com seu Seb, Élodie Fontan com sua Éléonore e Tarek Boudali com seu Adam forçaram a barra com situações bem bobas, com Arruti completamente dominado por um remédio experimental, Élodie com a força e Tarek com atos bobos de amigo/namorado da mãe que soaram estranhos, mas que divertem no meio de tanta bagunça, ou seja, é o famoso forçadores de riso, que não ajudam muito, mas não atrapalham. Ainda tivemos outros muitos personagens bem colocados como a produtora maluca, o ator famoso e sua esposa riquíssimos que só estão na produção por emprestarem seu castelo, e até o pai policial que não se contenta com o fracasso do filho, mas sem dúvida o destaque desses fica para a jornalista Laure, vivida por Alice Dufour que no final ainda entrega uma boa surpresa na trama, mas que no miolo sofreu com a bagunça do protagonista.

Visualmente a trama é muito bem produzida com carrões, armas, brinquedos, perseguições, todo um aparato bem simples mas marcante para funcionar as sacadas comparativas com outros filmes de heróis, e assim sendo o resultado completo acaba chamando bastante atenção, pois se desenvolve a cada novo ato, e com trapalhadas acaba ficando tudo muito pior, ou seja, é aquela famosa equipe de arte que faz parecer tudo dar errado para que no contexto geral chame os holofotes para si, e assim sendo agrada bastante.

Enfim, é um filme que quem deseja rir e se divertir sem ligar para apelações pode ir tranquilamente para os cinemas, ou esperar ele aparecer legendado em alguma plataforma de locação, mas se eu que reclamo sempre de dublagens curti o que ouvi, posso dizer que dá para recomendar a ida mesmo com as piadas brazucas. Sendo assim, mesmo forçando a barra, o resultado agrada, diferente de muitos outros casos que já vimos a apelação ser sem graça, e assim fica a dica para todos. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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