Perfeita é a Mãe 2 (A Bad Moms Christmas)

12/09/2017 02:35:00 AM |

Costumo dizer que se uma comédia faz rir ela já cumpriu com pelo menos 50% do seu objetivo, e se você gosta de piadas ácidas sobre relacionamentos entre mães e filhas, certamente vai se divertir bastante com o estilo de "Perfeita é a Mãe 2" mesmo que para isso a equipe tenha necessitado apelar do começo ao fim, dando uma leve pausa no segundo ato para dramatizar/polemizar a situação e ter uma quebra de ritmo para poder finalizar a trama, porém ainda assim soa divertido e consegue encerrar bem. Não digo que seja a melhor comédia do ano, pois também costumo dizer que forçar a barra para que o público dê risada é o argumento de ator que não é humorista, e sendo assim, poderiam ter sido mais originais em alguns momentos sem apelação que ainda assim conseguiriam divertir o público. Ou seja, é um filme bem tosco, que acaba ficando engraçado em boas cenas, mas que acabou usando da mesma fórmula do primeiro filme, porém apelando um pouco mais, e com isso até divertindo mais.

O longa nos conta que sobrecarregadas pelas exigências natalinas, Amy, Kiki e Carla são surpreendidas por inesperadas visitas de suas respectivas mães dias antes do 25 de dezembro. Cada qual à sua maneira, Ruth, Sandy e Isis abalam emocionalmente as herdeiras e deixam a naturalmente estressante época ainda mais difícil, induzindo novos atos de rebeldia por parte das imperfeitas mamães.

Após fazerem um bom dinheiro com o primeiro filme era bem certeiro que os diretores e roteiristas Jon Lucas e Scott Moore iriam fazer uma continuação, pois gastar 20 milhões e arrecadar 179 milhões é investimento que praticamente todo filme deseja ter, porém se no primeiro filme a ideologia da perfeição era algo que funcionava dentro do conceito (escola -> amigas -> professores -> coordenadores), com o lance familiar acabaram trabalhando um pouco forçado, pois se mostrar para aqueles que não lhe conhecem realmente é fácil, mas as relações (mães -> filhas) são bem mais difíceis de criar comparações de perfeição, e com isso precisaram abusar da boa vontade do público para rir com situações corriqueiras que até vemos acontecer de certa maneira, mas poderiam ter ido mais leve. Não digo que o roteiro foi errôneo, apenas digo que o conceito ficou deslocado demais, e com isso temos alguns moldes prontos para rir que sequer pensaríamos em ver num longa, como várias minutos de cena num parque de trampolins, uma conversa altíssima numa missa sem ninguém mandar ao menos um shiuuuu, entre outros exageros, mas como falei no começo, o resultado de divertir o público foi atingido, então como sempre faço ao menos metade da nota já foi garantida aí, pois digo que ri muito em muitas partes, e acredito que quem gosta de um bom besteirol irá rir mais ainda.

No conceito interpretativo, todas foram bem expressivas, mas como não temos nenhuma humorista realmente na trama, as atrizes se esforçaram para forçar a barra com situações cômicas para divertir, e isso é notável de cara. Mila Kunis já foi muito melhor, inclusive no primeiro filme, pois aqui sua Amy parece mais perdida em cena do que disposta a criar o atrito com sua mãe, sempre com frases bem curtas e pouca dinâmica, o que acaba soando simples demais, mas como anda pegando tão poucos papeis, ou melhora logo para voltar a ser forte como era, ou logo esquecem dela. Christine Baranski veio para ser a perfeição completa na trama com sua Ruth, e chega a ser tão absurdo todos os seus momentos, com presentes caros, esbanjando dinheiro para festas incríveis, e tudo mais, que ficamos pensando "que raios essa velha faz", mas seus carões junto de ótimas interpretações de seus textos ficaram incríveis. Assim como no primeiro filme, Kristen Bell é a mais boba e a que mais diverte dentro das situações que sua Kiki se envolve com sua mãe ou com qualquer outra coisa, e essa ingenuidade é o que mais faz rir, pois assim como ela, sua mãe Sandy vivida por Cheryl Hines é mais absurda ainda que ela nas bizarrices. Kathryn Hahn continuou bem desbocada e até consegue chamar muita atenção com isso, mas seus momentos mais calmos acabaram divertindo bastante também, só achei um pouco estranho sugerir Susan Sarandon como sua mãe, uma aventureira completamente louca que não combinou nem um pouco, embora soe divertida. Dos homens na trama praticamente nenhum tentou se destacar, nem Peter Gallagher com seu marido capacho de Ruth, nem Jay Hernandez como o namorado perfeito de Amy, tendo somente para alivio da mulherada Justin Hartle como um Papai Noel Stripper, ou seja, sem muita expressão apenas para se mostrar.

A equipe de arte certamente gastou bem mais aqui do que no primeiro filme, afinal fizeram diversas decorações monstruosas, foram para shoppings, bares, parques de trampolins, e com isso o filme ficou mais dinâmico e bem colocado, criando diversas situações e encaixando tudo na medida certa para a diversão. A fotografia foi singela, com uma paleta de cores até bem trabalhada com cores vivas, nuances em neon, mas sem muitas sombras e trabalhando o foco sempre nas protagonistas, o resultado acabou linear demais.

Enfim, é um filme que vai fazer você rir, seja por ver muitas semelhanças com familiares, ou apenas pelas tosquices que acabam ocorrendo, de modo que acaba divertindo, mas certamente poderia ter seguido melhor como foi o primeiro longa sem precisar apelar exageradamente. Mas como sei que muitos gostam de filmes cômicos apelativos, recomendo esse com certeza, pois volto a frisar que ri muito, e como muitos sabem, esse não é meu estilo de comédia. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Extraordinário (Wonder)

12/08/2017 02:22:00 AM |

Sempre que assistimos filmes com motes trabalhados em mensagens bonitas, a tendência é que algumas nos atinjam e outras passem despercebidas, e com toda certeza o filme "Extraordinário" irá tocar muitos pela beleza singela que possui na sua essência, trabalhando diferenças, valores de amizade, família e muito mais, mas também irá fugir um pouco pelas beiradas trabalhando na doçura da ótima expressividade de Jacob Tremblay de modo que muitos esquecerão de diversos pontos que o filme acaba falhando, e saindo mais emocionados com tudo do que precisamente com o que poderia realmente tocar fundo. Em momento algum vou falar que não gostei do que vi, que o longa não me tocou (principalmente na última cena, que chega a dar uma leve engasgada), mas confesso que fui esperando me emocionar muito mais, e que por ser muito linear (sem nenhum ápice forte para quebrar a trama realmente) acabamos apenas acompanhando alguns dias do garotinho sem muito para refletir realmente, além de ter começado com uma estrutura narrativa muito literária para mostrar os diversos pensamentos/vida dos diversos personagens, o que acabou cansando um pouco. Ou seja, é um belo filme, que vai transmitir boas mensagens, mas que se tivesse pequenas (mas bem pequenas mesmo) mudanças, iria fazer com que o pessoal da limpeza do cinema precisasse de rodos para enxugar as salas com o tanto que iriam chorar na trama.

A sinopse nos conta que Auggie Pullman é um garoto que nasceu com uma deformação facial, o que fez com que passasse por 27 cirurgias plásticas. Aos 10 anos, ele pela primeira vez frequentará uma escola regular, como qualquer outra criança. Lá, precisa lidar com a sensação constante de ser sempre observado e avaliado por todos à sua volta.

Se tem um diretor que vem seguindo uma linha bem própria de estilo é Stephen Chbosky, pois desde que escreveu o livro e dirigiu "As Vantagens de Ser Invisível", já vimos que trabalharia personagens, linhas morais e principalmente deixaria de forma leve sempre temas polêmicos, com seu último trabalho como roteirista não inovou muito, mas entregou bem "A Bela e A Fera" para que o formato fosse revitalizado e ainda conseguiu ser leve, porém aqui ele tinha algo em mãos completamente diferente, pois um livro de sucesso com uma pegada dramática, mas mais pelo público teorizar a face do protagonista, e certamente alguns questionamentos no livro foram mais intrínsecos ao ponto de torcer o coração dos leitores, o que aqui acabou faltando para que a doçura expressiva do pequenino (mas excelente) ator dominasse, e cativasse o público. Ou seja, ao invés de um filme mais dramático e problematizado, tivemos uma história mais bonita e cativante sobre conceitos morais de família, amizade e beleza interior, deixando bem de lado aquela pontada para que o público realmente lavasse as salas de cinema. Não vou dizer que não tenhamos momentos em que chegamos a engolir seco, pois há algumas, mas certamente dois ou três momentos da trama necessitavam ser mais fortes, e que aí sim teríamos um drama emocionante e com uma boa pegada. Ou seja, o diretor fantasiou demais o problema do garotinho, usou uma linguagem literária demais no começo do filme, mostrando cada personagem, suas histórias, pensamentos, e até como viam o protagonista, empacando um pouco o desenrolar da trama, e necessitando cortar muita coisa para esse efeito, e com isso o resultado mesmo bem bonito de acompanhar acaba ficando faltando muito para ser perfeito.

Sobre as atuações, já andei apostando muitas fichas em pequenos talentos, alguns estão cada dia melhores, e com toda certeza se não entrar no mundo das drogas quando mais velho, Jacob Tremblay certamente será daqueles que vamos grudar os olhos na tela pedindo mais e mais filmes com ele, pois o jovem ator já mostrou carisma, personalidade e um afinco interpretativo tão grande nos filmes que fez de diversos estilos, praticamente foi perfeito em todos, e aqui mesmo debaixo de muita maquiagem (sim galera, ele não é feio, muito pelo contrário, já com 11 anos tem um ar de galã imenso), seu Auggie foi tão bem dominado, com doçura e determinação que praticamente queremos ser seu amigo no filme, ajudando ele, ou seja, deu show novamente. Julia Roberts teve grandes momentos expressivos com sua Isabel, trabalhou forte dominando suas cenas, mas certamente já vimos muitos outros trabalhos com mais afinco dela, de modo que poderia ainda ser mais enfática em suas cenas, não que tenha falhado em nada. Owen Wilson teve duas ou três boas cenas com seu Nate, mas praticamente some de cena demais, ficando quase apagado para com o filme. Outra que fez ótimas cenas, e entregou a personagem com mais drama na trama foi Izabela Vidovic com sua Via, pois de certa forma sentimos sua dor de ficar bem em segundo plano na família, ter perdido sua única amiga verdadeira que era a avó (uma bela participação da brasileira Sonia Braga), e que com muita baixa-estima a personagem acabou ficando bem singela nos bons momentos seus. Tivemos muitos bons momentos dos demais garotos/garotas do colégio, cada um entregando algo bom no seu determinado momento, mas claro que temos de dar destaque para Noah Jupe com seu Jack Will cheio de olhares expressivos, e que claramente também terá muito sucesso pelo estilo mostrado, alguns leves pontos de doçura também com Millie Davies e sua Summer, e até o estilo mais duro de Bryce Gheisar como Julian conseguiu nos chamar a atenção, mostrando que o elenco infantil foi escolhido a dedo. Dentre os demais adultos, é claro que temos de destacar Mandy Patinkin como Sr. Buzanfa como um diretor determinado a mudar vidas, e claro Daveed Diggs como o professor Browne que chamou bem com seus ditados em cada aula.

Dentro do conceito visual, a equipe de arte digamos que foi precisa para caracterizar cada momento do livro, agradando muito com diversos elementos de Star Wars (ótima data para escolha de lançamento!!), uma escola comum, mas bem cheia de apetrechos cênicos, e claro uma casa bem colocada para retratar a vida mais reclusa do personagem, claro que unindo isso tivemos uma boa equipe de maquiagem para fazer a prótese facial do garoto (que inicialmente ficou realmente parecendo como uma máscara, mas no decorrer da trama nos acostumamos tanto que já parece real mesmo, tanto que muitos estão achando que Jacob é daquela forma!), muitos figurinos próprios tanto para as cenas de Halloween, como para os personagens conhecidos, e até mesmo para que o filme ficasse real como uma escola deve ser, ou seja, um trabalho minucioso, bem feito, mas que não necessitou abusar da boa vontade. Agora a fotografia poderia ter auxiliado mais na tensão dramática da trama, pois tudo está sempre num tom calmo, e isso não é algo comum de ser visto em longas com problemas a serem tratados, e sendo assim, o vértice quase recai para uma comédia, ou seja, ficou alegre demais.

Enfim, volto a frisar que é um filme bem bonito, mas que poderia ter dois rumos completamente distintos do que foi entregue, ou dramatizar mais e tudo ficar bem duro ao ponto de chorarmos muito com o que seria mostrado, ou ser até bem mais feliz, mostrando mais positividade na vida do garoto e sua busca por ser "comum", mas que acabou ficando em cima do muro, agradando sim visualmente e com boas doses homeopáticas de lições morais, mas que não atinge nenhum ápice. Ainda assim recomendo ele, pois como costumo dizer, filmes com boas lições valem a conferida, mas vá com menos expectativas, que a chance de gostar dele é maior. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas esse foi apenas o começo dessa semana que terá muitos posts, então abraços e até breve.

PS: Talvez um 7,5 seria a melhor nota para o filme, mas como não tenho notas pela metade, vamos para baixo por achar que faltou algo mais duro e/ou um ápice mais forte.

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Terra Selvagem (Wind River)

12/05/2017 02:07:00 AM |

Muitos vão falar que sou aficionado por neve, mas se um bom filme trabalha bem a essência do frio com todas as simbologias que pode se passar, desde o sangue frio de um caçador de predadores, o clima denso de não saber o que pode acontecer a cada nova cena, e a temperatura baixa para que os sentimentos aflorem na medida certa é o charme que um bom suspense deve ter, e aqui em "Terra Selvagem" conseguiram trabalhar tão bem todos esses elementos que se posso reclamar de algo talvez seria apenas da cena de enfrentamento ser forte, mas falhar em alguns pontos, pois de resto tudo é mais do que perfeito, e com toda certeza é um dos melhores filmes para se recomendar no momento.

O longa nos situa no Wyoming, região remota chamada Native American, aonde Cory, agente americano de Pesca e Vida Selvagem, encarregado de caçar coiotes e predadores, traumatizado pela morte da filha adolescente, encontra o corpo congelado de uma mulher na imensidão da Reserva Indígena de Wind River. Para ajudá-lo na investigação, o FBI envia uma agente novata, que desconhece a região, especialmente quanto as áreas de reserva dos índios.

Em sua primeira grande direção, o roteirista aclamado por "Sicario: Terra De Ninguém" e "A Qualquer Custo", Taylor Sheridan vem nos entregar algo, que como citei no começo do texto, brilha sozinho seja pela cenografia quase vazia, diálogos abertos entre os protagonistas, e principalmente pela essência que a trama consegue ir tomando com a ambientação completa, desenvolvendo nuances poucas vezes vistas (algumas nos longas que roteirizou), e que vão entregando aos poucos cada ato sem precisar ter pressa, o que de modo algum gera um longa lento, muito pelo contrário com dinâmicas viscerais e impositivas que fazem com que o público entre ao mesmo tempo no desespero da novata que só quer seguir as regras, mas não sabe como, junto com o homem forte da cidade que só deseja vingança para com suas resoluções, nem que para isso necessite realmente caçar os "predadores" que vem destroçando a sociedade aonde vivem com muita frieza na alma, e um sentido de encontrar tudo o que deseja como um grande caçador que realmente é. Ou seja, um filme limpo, cheio de força e que vai sendo trabalhado com muita emoção e finalizado da melhor forma possível, mesmo que muitos desejassem nem ver a cena de como realmente a moça sofreu, o resultado acaba sendo perfeito e bem colocado, de modo que certamente o diretor vai ganhar muitos outros bons projetos (alguns de textos seus com toda certeza!) para dirigir muito em breve.

Se tem um ator que oscila muito na forma de entregar seus papeis é Jeremy Renner, e aqui seu Cory felizmente é um dos melhores que já fez, pois colocou personalidade, determinação e muito impacto na forma que pegou o personagem e desenvolveu as características claras de justiceiros das terras mais vazias dos EUA, aonde predominam animais, neve, índios, e claro, pessoas ruins, afinal isso está presente em todos os cantos do mundo, com isso a forma de caçador que o ator caracterizou, juntamente com diálogos precisos cheio de trejeitos bem pautados deram um ar para o personagem que poucas vezes vimos na telona, sendo perfeito e digno de ser até lembrado em premiações, mas isso veremos mais para frente. Elizabeth Olsen tem evoluído demais em suas performances, e aqui sua Jane é a característica marcante de agentes despreparados que são jogados em casos que a polícia (no caso lá o FBI) não tem muito interesse em gastar seus bons agentes, ou seja, a jovem chega perdida, enfrenta adversidades, mas com muita dinâmica expressiva consegue ir se impondo e mostrando garra para que a personagem funcione, ou seja, a atriz deu show também. Junto dos dois, tivemos uma grande sagacidade por parte do grande ator indígena Graham Greene, que aqui como um policial da reserva indígena demonstrou aptidão para o caso, e com bons olhares, diálogos curtos e bem colocados, conseguiu incorporar o personagem e agradou na medida certa. Dentre os demais, tivemos mais bons atores indígenas com papeis curtos, mas precisos, e dentre os "vilões", a cena de resolução foi rápida demais, mas todos foram bem expressivos, e o resultado ficou incrível na finalização no topo da montanha.

Como já disse no começo, sou um apaixonado por longas que envolvem muito branco, pois a neve e o ambiente quase sem nada, apenas os personagens, a neve caindo, árvores ao fundo, armas e casas abandonadas acabam criando um ar tão preciso de suspense, que a equipe de arte nem precisaria ter enfeitado as casas com tantos elementos visuais para mostrar a vida destroçada do protagonista, deixando que somente seu ar rude dominasse, mas foi uma solução bem colocada e que agrada bastante para mostrar o trabalho da equipe cênica, que com muita certeza sofreu um frio imenso no meio do nada aonde foi gravado o longa. A fotografia também sofreu muito, pois quanto mais branco na tela, mais difícil de criar a atmosfera de iluminação, mas o resultado acabou ficando lindo visualmente, e todas as nuances beiraram a perfeição.

Enfim, é um filme muito bom de suspense, que tem ritmo e segura o espectador do começo ao fim, e mesmo que seja uma linha fácil de interpretação (o que muitos não gostam de ver), tudo como foi entregue acaba sendo desenvolvido na medida certa para irmos entrando no clima, e ficando com raiva dos culpados, o que deve sempre acontecer em longas desse estilo. E sendo assim, é claro que recomendo demais essa grande obra para todos, e que venha mais suspenses desse estilo para o cinema, pois a situação toda consegue causar tensão, emoção e tudo mais no público. Bem é isso pessoal, encerro aqui essa semana, já me preparando para a próxima que deve vir bem recheada de estreias para o interior, então abraços e até breve.

PS: Não dei nota máxima pelo simples fato do fechamento com os culpados ser algo rápido e sem muita determinação, claro que não poderia ser de forma diferente, mas poderiam ter trabalhado mais a cena.

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Assassinato No Expresso do Oriente (Murder On The Orient Express)

12/03/2017 11:30:00 PM |

Existem alguns estilos de filmes que não cansamos de assistir, e suspenses investigativos é o melhor para curtir em qualquer momento, para podermos apontar suspeitos, criar ligações e tentar investigar junto com os protagonistas, quem matou, quem era a pessoa morta, e por aí vai. E claro que se existe uma autora de livros com tantos sucessos desse estilo para adaptar é Agatha Christie, que já viu seu livro "Assassinato No Expresso Oriente" nas telonas diversas vezes (tendo o mais famoso caso em 1974), e que aqui procuraram seguir uma linha mais clássica de apresentação do famoso detetive, e claro preparar para sequências com outros livros da escritora. Não digo ser o melhor filme do gênero, por cansar um pouco no miolo, mas o resultado final (ao menos para quem não leu o livro - afinal não sei se acaba da mesma forma lá também!) é tão surpreendente, e contado com uma desenvoltura tão bem feita pelo protagonista/diretor, que acabamos saindo do cinema bem felizes com tudo, o que é raro de ver em tramas desse estilo. Ou seja, um filme com ar clássico, mas também moderno pelo estilo de filmagens que optaram por trabalhar.

A sinopse nos conta que o detetive Hercule Poirot embarca de última hora no trem Expresso do Oriente, graças à amizade que possui com Bouc, que coordena a viagem. Já a bordo, ele conhece os demais passageiros e resiste à insistente aproximação de Edward Ratchett, que deseja contratá-lo para ser seu segurança particular. Na noite seguinte, Ratchett é morto em seu vagão. Com a viagem momentaneamente interrompida devido a uma nevasca que fez com que o trem descarrilhasse, Bouc convence Poirot para que use suas habilidades dedutivas de forma a desvendar o crime cometido.

A montagem do longa foi bem organizada contando com diversos planos-sequências, e muitas dinâmicas de flashback, o que deu um ar um pouco rebuscado para o estilo do diretor Kenneth Branagh, mas claro que ao trabalhar num espaço tão pequeno como é um trem de poucos vagões, o resultado que ele escolheu com ângulos mistos foi satisfatória e ajudou bastante para contar a história completa. Não vou fazer comparações com o livro, pois nunca li, e o filme de 74 não lembro se assisti, portanto vou me ater somente ao que foi mostrado nesse, e posso dizer que assim como bem sabemos que são os livros da Agatha Christie, o resultado do roteiro de Michael Green ficou cheio de reviravoltas, acusações para todos os lados e muito diálogo para ninguém reclamar de atores mudos, mas se posso dizer que faltou algo primordial para uma boa investigação foi o fato de trabalharem com poucos elementos cênicos, ou melhor chamando nesse estilo de filme, provas do crime, pois tudo aparece tão rapidamente, e depois é usado tão pouco que fica parecendo que o personagem principal apenas tem mediunidade e não algo mais funcional. Ou seja, é um bom filme, causa a tensão perfeita, mas poderia ser imensamente melhor trabalhado nos detalhes.

Sobre as interpretações, é até difícil falar sobre cada um na trama, pois teríamos quase um livro com tantos nomes famosos e boas qualidades de cada um no longa, mas vou procurar focar nos destaques, e para começar temos de falar novamente de Kenneth Branagh, que foi o 14º ator a interpretar o detetive Hercule Poirot, e que com falas bem determinadas e uma postura bem elegante conseguiu incorporar a essência de um bom investigador, mas claro que como sempre digo, ou você dirige, ou você atua, pois quando se faz as duas coisas, nenhuma fica perfeita, e certamente um ator bem colocado, fazendo somente a atuação conseguiria algo a mais para o personagem. Johnny Depp deu um ar interessante para seu Ratchett, trabalhando uma personalidade forte e bem criminosa como ele sabe bem fazer, deixando de lado trejeitos bobos e ousando mais na simpatia inversa do que nos exageros, e com isso acabou agradando bem nos seus poucos momentos antes de morrer. Michelle Pfeiffer também deu seu show tradicional de interpretação para sua personagem Caroline Hubbard, usando vértices expressivos bem colocados em todas suas cenas. A rainha Judd Dench, aqui fazendo a princesa Natalia Dragon também mesmo aparecendo pouco fez seus momentos serem únicos e bem trabalhados. Daisy Ridley fez cenas fortes e expressivas com sua Mary Debenham, e até Penélope Cruz fez rápidas, mas boas cenas com sua Pilar, mas como disse, temos tantos amigos do diretor trabalhando no longa que chega a ser difícil falar um pouco de cada sem que o texto fique imenso.

No conceito visual, a trama desde o começo prezou por detalhes riquíssimos em cena, desde as cenas no Muro das Lamentações com um ar clássico e bem arrojado, passando para as cenas na estação, até entrarmos dentro de um trem de luxo com apenas alguns ocupantes (mas que estava lotado segundo as conversas antes de entrarem no trem!!), aonde temos um bar bem chique, uma cozinha em pleno funcionamento que desaparece nas horas das investigações, e cabines confortáveis com muito bom gosto cênico (tirando o fato da máscara de bigode para dormir esquisitíssima!), e aliado a isso colocaram locações bem interessantes no meio de uma ponte com neve pra todo lado (aparentando muita computação gráfica, mas que ficou bonito de se ver), aonde o filme todo praticamente foi mostrado. Ou seja, um trabalho simples, mas bem feito, com figurinos de classe (ainda me pergunto, será que se tivessem viagens longas de trens hoje, o povo se vestiria tão bem assim? Acho que nem no Titanic o povo se produzia tanto!!) e um requinte sem tamanho para mostrar o serviço da equipe. A fotografia não quis ousar muito, afinal com um espaço bem restrito não deu para brincarem com sombras, estilos e iluminações, entregando o básico em ângulos bem preparados para colocar a ideia central, e principalmente funcionando bem nos momentos de movimentação de câmera em planos-sequência.

Enfim, é um filme bem feito, que cria a tensão e que principalmente por ser uma adaptação literária consegue transmitir a sensação de leitura de páginas e mais páginas de diálogos numa estrutura bem visual e interessante, e sendo assim, vale conferir e quem sabe até ler o livro depois para saber o que foi usado, o que foi removido e o que foi criado em cima das páginas do suspense. Claro que como disse acima, poderia ser melhor se corrigido pouquíssimos momentos mais lentos que acabam cansando um pouco, mas no geral é algo que agrada bastante e vale a recomendação. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a última estreia da semana no interior, então abraços e até logo mais.

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Jogos Mortais: Jigsaw (Jigsaw)

12/02/2017 02:47:00 AM |

Muitos não sabem, mas a minha franquia predileta de filmes é "Jogos Mortais" (me julguem a vontade!), e mesmo que muitos apontem diversas falhas na maioria dos filmes, sempre acho algo positivo em todos, além claro da perfeição que é o primeiro longa da franquia lá de 2005!! E quando saiu a notícia de que estavam fazendo um novo filme (contrariando o título nacional do último filme - "O Final") vibrei demais criando a cada novo trailer e nova notícia sobre a trama de "Jigsaw" uma expectativa imensa, ou seja, fazendo exatamente o que recomendo que todos não façam com seus filmes favoritos. Mas convenhamos, esperamos muito por uma continuação decente para mostrar que o último filme não foi o último realmente. Dito isso, vamos falar somente desse novo longa, que como sempre digo, com muita expectativa, sempre será difícil fazer com que nos apaixonemos por melhor que seja o resultado, ou seja, o filme é bem interessante, consegue manter a essência tradicional da franquia, tem uma montagem precisa para confundir quem não conhece o estilo, mas peca em ter um miolo que roda demais sem chegar a lugar algum, o que sempre acabou acontecendo nas diversas continuações. Porém mesmo com falhas, o resultado final acaba sendo empolgante por principalmente ter conseguido funcionar como algo novo que usa das referências do passado, não necessitando ficar lembrando o público de tudo o que rolou nos demais filmes.

A sinopse nos conta que depois de uma série de assassinatos, todas as pistas estão sendo levadas a John Kramer, o assassino mais conhecido como Jigsaw. À medida que a investigação avança, os policiais se encontram perseguindo o fantasma de um homem morto há mais de uma década.

Sabemos que os nomes por trás do original de 2005 (Leigh Whannell e James Wan) só ficam agora na produção, deixando que outras mentes criativas escrevam a história e dirijam, mas aqui souberam ser certeiros na contratação, pois a dupla Michael e Peter Spierig já vem há alguns anos acertando a mão em produções de suspense sem precisar exagerar em sustos e sangue voando para todo lado, de modo que aqui fizeram uma produção mais contida no "torture terror" tradicional de outros filmes, criando uma vértice mais cuidadosa e investigativa, mas sempre mantendo a essência do original de que os envolvidos no jogo necessitam pagar por seus erros confessando tudo o que fizeram. Ou seja, a densidade dramática foi mantida, mas não precisou forçar para que o público se conectasse com o que desejavam mostrar, acertando na medida nas filmagens, sem gastar muito dinheiro na produção, e principalmente deixando que a edição fizesse o trabalho explicativo para todas as dúvidas dos espectadores, mas claro, não falando na cara do que se trata tudo (o que é o melhor da franquia!). Sendo assim, o resultado dos diretores foi bem acertado, mas certamente poderiam ter feito algo a mais, para que o miolo fosse mais desesperador, ao invés de ameno como acabou acontecendo.

Fizeram boas escolhas no elenco, procurando sempre colocar artistas mais desconhecidos para que não ficasse marcado de cara quem é quem, e esse acerto foi pontual aqui, mas ainda assim poderiam ter trabalhado mais com os protagonistas, pois alguns pareceram bem perdidos em cena. Das pessoas que estão participando do jogo dentro da fazenda, temos de dar bons destaques para a disposição de Laura Vandervoort com sua Anna, para o desespero de Paul Braunstein com seu Ryan no momento em que é pego pela armadilha, e alguns momentos poucos momentos de Mandela Van Peebles com seu Mitch, que por mais deslocado que tenha ficado, sua cena final é a mais forte do longa, e acabou ficando bem interessante. Já pelo lado policial/médico talvez o maior erro da trama tenha sido que os atores não acreditaram tanto nos seus roteiros, ficando levemente deslocados durante praticamente toda a trama, tendo sim o seu grande momento, mas poderiam certamente ter usado mais eles no fechamento, aparentando que o trio até voltará para uma continuação (será???), e sendo assim, já aviso que não é nenhum spoiler tudo o que falarei aqui, temos a mente doentia e aficionada por Jigsaw de Hannah Emily Anderson com sua El, temos o investigador mais rude que aparenta e sempre deixa o público em dúvida Callum Keith Rennie com seu Halloran, temos o policial descolado que já trabalhou na guerra, mas que aqui fica sempre dois passos atrás Clé Bennett com seu Keith, e temos o médico legista Logan que vivido aqui por Matt Pasmore deu um tom bem forte de personalidade, mas que poderia ser mais ávido em muitas cenas, ou seja, foi bem, mas não como poderia. E claro, temos de falar dele, presente ao menos em poucas cenas, mas em todos os oito filmes da série, o grande Tobin Bell com seu John Kramer, ou melhor, Jigsaw em carne e osso, que na hora que aparece já ficamos pedindo para nosso cérebro trabalhar a mil ou pelo menos que seja explicado como ele está em cena, mas sempre com um ar digno de grandiosidade e fazendo muito bem seu maior papel, tudo é bem montado e agrada demais o que faz, valendo prestar muita atenção em tudo o que dizem em todas as cenas.

Dentro do conceito visual, a trama trabalhou novas armadilhas, um cenário simples e efetivo quase todo se passando dentro de um celeiro, de um necrotério e de algumas casas dos protagonistas, mas nada que tivesse um luxo esplendoroso, mas a acertividade da trama ficou a cargo de brincarem junto da equipe de fotografia com os tons e iluminações (assim como ocorre em toda a franquia) para que cada momento criasse a tensão correta e não necessitasse assustar o espectador, mas sim fosse criado um suspense nítido, e claro que as mortes fossem convincentes (e até fortes de certo modo). Ou seja, um trabalho simples e efetivo da equipe de arte e fotografia.

Usando claro a trilha sonora original (principalmente nas cenas finais), deram novos acordes para alguns bons momentos, e conseguiram criar um ritmo bem cadenciado na maior parte do tempo, falhando um pouco no ritmo do miolo como já citei, mas nada que atrapalhasse o resultado final.

Enfim, é um bom filme, que para quem for fã da série, irá curtir demais cada momento, e irá colocar ele entre o top 4 da franquia, mas quem esperava ver algo a mais, ou algo diferente do tradicional das continuações, talvez fique um pouco decepcionado, pois segue exatamente da mesma fórmula e dos mesmos momentos de tensão, ou seja, poderiam ter sido mais criativos. Mas friso, que ainda assim vai empolgar demais quem gosta do estilo, e com certeza sempre irei recomendar a trama, até estar bem velhinho. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: Sei que muitos vão reclamar da nota, mas não consigo dar menos.

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Com Amor, Van Gogh (Loving Vincent)

12/01/2017 01:35:00 AM |

Sempre digo o quão interessante uma história simples pode se tornar se desejarem inovar em algum conceito dentro da produção, seja por um detalhe pequeno numa mudança de vértice no roteiro que quebra o eixo e surpreende o espectador, ou até mesmo quando resolvem inovar completamente no estilo, e fazer uma "animação" completamente pintada a mão com tinta à óleo por mais de 100 artistas, fazendo praticamente 70 mil quadros que viraram um único filme utilizando com uma magnitude perfeita a técnica de rotoscopia (em que primeiro se filmou o longa com atores, depois todas as filmagens foram pintadas pelos artistas à mão - vou frisar muito isso, pois geralmente se faz em computação gráfica e aqui voltaram às origens para fazer algo lindo demais, no melhor estilo do pintor holandês). Ou seja, algo que ficou visualmente incrível, parecendo estar passeando pelas histórias dos quadros do pintor, contando suas diversas cartas escritas para a família, investigando se ele realmente se matou ou se foi assassinado, criando um clima de suspense bem tenso, mas ao mesmo tempo tenro pelas camadas que vão nos entregando, não saindo simples de um primeiro modo, mas trabalhando muito para que a trama envolvesse o espectador. Claro que essa tensão unida com pinturas pode cansar um pouco, mas o resultado vale a pena, mesmo para quem não é tão fã do estilo.

A trama nos situa em 1891, um ano após o suicídio de Vincent Van Gogh, quando Armand Roulin encontra uma carta por ele enviada ao irmão Theo, que jamais chegou ao seu destino. Após conversar com o pai, carteiro que era amigo pessoal de Van Gogh, Armand é incentivado a entregar ele mesmo a correspondência. Desta forma, ele parte para a cidade francesa de Arles na esperança de encontrar algum contato com a família do pintor falecido. Lá, inicia uma investigação junto às pessoas que conheceram Van Gogh, no intuito de decifrar se ele realmente se matou.

Muitos podem dizer que ao trabalhar cartas originais no roteiro, e com uma montagem quase interrogatória, os diretores Dorota Kobiela e Hugh Welchman criaram um ar quase documental em cima da história, mas o vértice investigativo criado com os diversos personagens num mote determinado acabou transformando a história de maneira ficcional intrigante e bem feita, o que é algo raro em um longa mais artístico. Claro que a escolha de trabalhar pintura na tela foi ousada e o resultado ficou incrível, o longa conseguiu um ótimo financiamento coletivo, mas confesso que por ser algo investigativo poderiam ter trabalhado mais o ritmo da trama para que o resultado não fosse cansando tanto, criando mais vértices para pensarmos no que desejavam mostrar, porém tudo é tão bonito de ver que acabamos esquecendo desse detalhe e ficamos determinados a instigar o longa inteiro junto com o protagonista. Outro grande lance foi trabalhar os dois estilos de pintura do artista, com os tons mais coloridos na trama acontecendo, e o preto e branco nos momentos contados, o que resultou em algo até maior do que esperávamos ver.

Não diria que é um longa que vemos destaques interpretativos por parte dos atores, pois expressivamente muito foi perdido na pintura sobre seus rostos, mas no conceito do tom das vozes tivemos grandes momentos de todos, e claro que a junção completa acabou fazendo um filme muito incrível com um resultado perfeito de personagens criativos. Acredito que talvez se a escolha do protagonista fosse diferente, o resultado seria bem melhor, pois Douglas Booth foi tão sem sal com seu Roulin que ficamos na dúvida se ele é realmente um investigador ou alguém curioso demais que está perdido ali sem saber o que deve fazer e como aparecer, e com isso ele também foi o responsável pelos momentos mais monótonos da trama, ou seja, não digo que o personagem tenha ficado ruim, só que o ator não ajudou a trazer algo mais perfeito para a trama. Já a contraponto tivemos uns três a quatro momentos com Saoirse Ronan dando um show com sua Marguerite Gachet, trabalhando vertentes, criando nuances e mostrando o motivo da personagem ser a musa do pintor. Outro que teve bons momentos, mas mais para o final foi Jerome Flynn como Dr. Gachet que embora não tenha empolgado, conseguiu encaixar bons trejeitos para que o personagem soasse bem dúbio, o que funciona muito em filmes de investigação. Todos os demais tiveram leves participações para chamar atenção, mas nada que fluísse e merecesse chamar a atenção, tendo leves destaques para Aidan Turner como o barqueiro com seu ar embriagante, e Eleanor Tomlinson como Adeline e seu ar dócil gostoso de ouvir.

Falar do visual é algo batido, afinal temos vários quadros em movimento na telona, e isso é algo quase como ir a um museu vivo somente com a obra de Van Gogh, e confesso que estava com muito medo ao ler a sinopse, pois pensava que veria histórias chatas sobre os quadros, e fui pego de surpresa com algo incrível, que teve um visual tão bem trabalhado com cores, movimentos e detalhes tão precisos de pintura que o resultado é algo além de um quadro, mas sim quase 70 mil quadros. A fotografia no estilo rotoscopia fica sempre um pouco prejudicada, pois os tons acabam ficando um pouco abaixo do estilo que se espera em um filme mais investigativo, porém aqui como brincaram com o colorido e o preto e branco, o resultado acabou chamando muita atenção.

Enfim, um filme diferenciado que merece muito ser visto, mas que alerto que quem não está acostumado com algo lento talvez canse demais com algumas cenas, porém friso que vale demais conferir para ver o resultado de pinturas se movimentando na tela grande. Portanto fica a dica para quem quiser conferir algo diferente, mas muito bem feito. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais uma das estreias da semana, então abraços e até logo mais.

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A Estrela de Belém (The Star)

11/26/2017 11:59:00 PM |

É engraçado que gostam de fazer reboot de tudo o que possa ser feito, mas o que fazer quando uma das histórias bíblicas mais conhecidas já não tem mais como ser contada de outra forma? Vamos olhar pelos olhos dos animais que estiveram envolvidos, simples! E assim, eis que "A Estrela de Belém" vem apresentar o nascimento de Jesus e o primeiro Natal de uma maneira bem singela, gostosa e divertida, com animais bem colocados, que sem abusar da inocência, nem da inteligência das pessoas consegue trabalhar agradando tanto os pequeninos (que acabam torcendo para alguns bichos inusitados!!) quanto os mais velhos que vão até se emocionar com alguns momentos. Ou seja, um filme que é datado, sendo sempre exibido nessa época do ano, mas que certamente muitos assistirão a trama muitas vezes com as crianças, pois ficou muito gracioso e inteligente, com uma alegria fora do comum para uma animação "bíblica".

A sinopse nos conta que um pequeno, porém bravo, asno chamado Bo, anseia por uma vida melhor. Um dia ele encontra a coragem de se libertar, e junto de seus novos amigos começa uma jornada. Agora eles seguem uma estrela e acabam se tornando heróis acidentais na maior história já contada, o primeiro Natal.

Depois de ter seu curta-metragem animado em stop-motion indicado ao Oscar, o diretor Timothy Reckart encarou um desafio e tanto com esse novo longa, pois além de mudar de estilo, ele agora encarou algo que muitos filmes já mostraram e o ar de novidade principalmente em animações é algo que conta muito. Porém felizmente o acerto em trabalhar com animais foi muito bem incorporado, e principalmente fez com que a trama funcionasse de uma maneira simples e bem feita, que não mostrou nem muita ousadia e texturas, mas também não pecou com traços falhos, e assim sendo o resultado que o diretor acabou entregando foi algo que a história em si se conta sozinha, e que acaba virando mais uma aventura dos personagens do que uma tensão bíblica como poderia ser contada, e isso já mostra um acerto de não forçar a barra para que o longa ficasse correto, mas também não debochasse de algo já tão conhecido. Ou seja, ele fez um filme animado que funcionasse para toda a família e agradasse diversas gerações sem deixar de ser sincero com a crença na história original.

Sobre os personagens é difícil não se conectar com cada um, desde burrinho carismático (quase um cachorro de tão fofo) Bo, passando pelo pombo Davi com suas loucuras, a ovelha Ruth e sua dinâmica agitada e os camelos Deborah, Ciro e Felix cada um com um trejeito e estilo diferenciado, e até mesmo os "vilões" da trama, os cachorros conseguem ser bem colocados, divertindo de uma maneira icônica. Quanto os personagens humanos, todos foram bem trabalhados com estilo próprio e tiveram características simples, para que a história se mantivesse fiel, colocando muita humanidade e destreza na forma de condução para com Maria e José, além de todos outros personagens que já ouvimos tanto falar. Quanto ao desenho deles, tivemos texturas mais retas, mas ainda assim conseguiram agradar visualmente, e claro que a dublagem ficou bem bacana, senão esse Coelho aqui já estaria reclamando muito, funcionando tanto as piadas, quanto a simbologia do ato natalino em si.

Como já falei das texturas, o que posso dizer do conteúdo visual é que a trama trabalhou bem as cores de cada personagem para que cada um pudesse ter o destaque em camadas, e assim o público mais jovem pudesse se conectar com eles, funcionando bem de forma agradável e sem muitos exageros cênicos, ou seja, simples e eficaz.

Uma coisa que talvez mudaria, foi a forma musical da trama, que mesmo contando com muitas músicas novas e bem colocadas, as quais você pode ouvir aqui, acaba entrando em momentos espaçados, quase que forçando o público a ouvir elas, e não se integrando a trama, mas isso é algo particular que talvez na versão original tenha funcionado com legendas, mas só saberemos o dia que vermos legendado, o que não deve ocorrer tão cedo. Não digo que tenha ficado algo ruim, só não ficou perfeito como poderia.

Enfim, é uma animação muito gostosa e bonita que recomendo para todos. Felizmente não inventaram de trazer ela em 3D, pois aparentemente não temos nada que pudesse ser destacado de tela, e com isso seria apenas gasto de dinheiro em vão para o público, mas o que vale aqui é a essência e a bela mensagem que a trama conseguiu passar dentro da história completa, além da mensagem tradicional do Natal. Portanto fica a dica para levar os pequeninos, e também para os adultos curtirem uma nova versão do nascimento de Jesus. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje já meio que adiantado, afinal esse foi apenas pré-estreia da próxima semana, mas na quinta volto com mais filmes, então abraços e até lá.

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Não Devore Meu Coração

11/26/2017 03:23:00 AM |

Sempre vou acreditar que podemos ter um cinema brasileiro estiloso e diferenciado, sem a necessidade de fugir do comercial, mas ultimamente ou vemos algo completamente artístico, ou algo que vai atingir a grande massa! Dito isso, tenho de falar que facilmente "Não Devore Meu Coração" embora seja uma produção linda no conceito estético, possua excelentes atuações (inclusive com Cauã Reymond surpreendendo! - o que é raro!) e contenha uma história bem elaborada, não irá conseguir segurar o público normal de cinema, tanto que o casal que estava mais para trás na sessão ameaçou ir embora umas três vezes, desistindo e resolvendo ver até o fim para ver que rumo tomaria a história, e com um ritmo bem desenvolvido e cadenciado, por pouco a trama de 106 minutos não vira uma novela imensa de muitas horas, claro que felizmente com um formato bem longe do novelesco, que agrada demais quem for procurando uma boa obra artística para conferir. Ou seja, como costumo dizer é um filme para poucos, e que vai funcionar muito para esses poucos, pois contém tudo o que devemos ver num bom longa de classe e ainda envolver com uma história criativa (embora tenha essência de vários clássicos da literatura!) e bem trabalhada.

A história nos mostra que Joca, um jovem de treze anos, descobre o amor quando conhece Basano, uma menina paraguaia. No entanto, para conquistá-la, Joca passará por grandes dificuldades relativas a problemas na fronteira entre o Brasil e o Paraguai e seu irmão Fernando, que pertence a uma perigosa gangue de motociclistas.

Sei que é mais fácil fazer um longa capitular, pois ao mesmo tempo que você "explica" para o espectador o que deseja que ele veja naqueles momentos, você acaba trabalhando todo o conceito do ato fechado, quase que deixando a história de forma independente, porém esse é um modo muito fraco se você não souber trabalhar bem a trama ao redor, além de cansar com uma forma não linear, ou então, mais criativa de apresentar cada momento, transformando a trama em um livro que possa ser foleado e que quem desejar pular algo fique a vontade. Ou seja, a grande sacada que o diretor e roteirista Felipe Bragança acabou usando em demasia não tornou seu filme um ato emblemático como já vimos em outros longas capitulares (apenas para citar, quem faz isso maravilhosamente bem é Tarantino), mas sim acabou criando um livro visual que podemos não gostar de algo e esquecer aquele momento desconexo, quase podendo pular uns dois ou três capítulos funcionando o resultado final como foi entregue. Não digo de forma alguma que ele tenha falho no conceito que quis passar, mas poderia facilmente entregar a história todinha sem precisar quebrar a todo momento, apenas criando encaixes melhores. Sendo assim, uma dica para quem for conferir, tente evitar ler os títulos dos capítulos, que talvez a explicação criativa seja melhor do que a escrita.

Dentro do conceito das atuações temos de ser sinceros ao dizer que escolheram bem Cauã Reymond para dar vida ao personagem Fernando, pois ao mesmo tempo que trabalha o ar bad boy que ele costumeiramente faz, ele conseguiu expressar fortes traços serenos de quase um pai nas conversas com o jovem Joca, mas como destaque temos de citar suas cenas junto de Telecath, e principalmente na cena com a mãe aonde mostrou ser impactante sem destoar da cena. O estreante Eduardo Macedo foi determinante nas cenas de seu Joca, criando tanto uma boa dinâmica, quanto um carisma gigante para que conectássemos ao seu personagem mesmo que por diversas vezes seu amor platônico pela garota seja algo difícil de encarar, mas como bem sabemos o primeiro amor é algo que marca, e aqui o jovem fez isso muito bem. E se teve alguém que conseguiu um destaque expressivo foi a também estreante Adeli Benitez que fez com sua Basano, sem perder a compostura artística em momento algum, tendo um ar interpretativo que poucas vezes conseguimos ver alguém tão nova fazendo, e assim sendo teremos de observar sua carreira, pois pode despontar forte em outros longas. Dentre os demais que saem um pouco do trio principal temos Marco Lori tentando chamar a atenção com um expressivo Telecath, mas também soando como alguém de presságios e características místicas que chamam bem a atenção, e pelo outro lado mais negativo tivemos uma participação meio que jogada do pai dos garotos interpretado por Leopoldo Pacheco. Temos algumas rápidas participações de Ney Matogrosso como um Mago, que deram uma pegada mais mística para a trama, mas nada que mostrasse uma grande expressividade do cantor.

Se vai fazer um filme artístico, o mínimo que se espera é um conceito visual de primeira linha, aonde a estética fale por si e agrade demais nesse conceito, e aqui o longa fez tudo isso com muito louvou, ao escolher ótimas locações que criaram símbolos com muita cenografia de precisão e que junto de ótimas escolhas de ângulos, acabou transformando uma trama singela em algo bem mais ousado e trabalhado. Além disso, aparentemente usaram vaga-lumes reais para compor uma cena (criando algo lindo de se ver), colocaram muitas motos para realçar as cenas das gangues, e principalmente casas simples jogadas no meio do nada para mostrar o clima de guerra na fronteira sem forçar a barra, nem deixar abstrato demais. Com uma fotografia mais densa, a trama conseguiu ousar em determinados pontos para auxiliar na tensão, no romantismo poético, e até mesmo criar uma ambientação misteriosa e mística, mas o principal ponto foi o design perfeito que optaram por seguir para que tudo ficasse simbólico e incrível.

Enfim, é um filme poético e bem trabalhado, cheio de nuances, mas que falhou principalmente no modelo capitular demasiado explicativo e em alguns momentos enrolados demais que acabaram alongando demais a trama, mas nada que atrapalhasse o resultado final. Claro que é um filme que o público comercial não irá curtir, pois sai do elo tradicional e do ritmo agradável para se acompanhar uma trama, mas quem gostar de longas de festivais, artísticos e mais cheios de mensagens, certamente irá gostar bastante do que verá. Portanto fica a recomendação de mais um longa nacional de boa qualidade, que vai surpreender pelo lirismo entregue. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Mark Felt - O Homem Que Derrubou A Casa Branca (Mark Felt: The Man Who Brought Down The White House)

11/18/2017 09:16:00 PM |

O escândalo de Watergate já teve tantos filmes contando os bastidores que fica até difícil um conseguir superar o outro, e com isso sempre procuram trabalhar algum vértice não mostrado ou melhorar alguma questão de diálogo, trabalhando algum personagem diferente da história, de modo que acho difícil não sabermos exatamente o que vai ocorrer, ou ter alguma surpresa com cada filme novo. Sei que muitos também nunca viram nenhum filme, e nem sabem o que ocorreu no ano de 1972 em um dos maiores episódios de corrupção dos EUA, então pra esses recomendo ver o filme "Mark Felt - O Homem Que Derrubou a Casa Branca", mas com muita força de vontade, pois aqui a trama é tão dialogada, tão lenta, tão cansativa que até ficamos envolvidos pela história, mas a falta de dinâmica acaba cansando mais do que deveria, e mesmo sabendo que esse estilo é assim, o resultado acaba falhando mais do que agradando. Não digo que a história em si seja mal-contada, apenas falharam no ritmo da trama para que tivesse algo empolgante como um suspense policial bem colocado que agradaria bem mais.

A sinopse nos mostra que sendo o segundo homem mais poderoso do FBI, Mark Felt crê que irá assumir a organização após a morte de J. Edgar Hoover, mas tem seu tapete puxado pela Casa Branca. Incomodado com a intromissão da presidência em sua área, ele desobedece ordens engajando-se na investigação do escândalo de Watergate e se torna o principal informante da imprensa, o Garganta Profunda.

Realmente o diretor e roteirista Peter Landesman gosta de política como tema central de seus longas, pois depois de "JFK, A História Não Contada" e "Um Homem Entre Gigantes"(que tem um leve cunho politizado, mesmo envolvendo mais o futebol americano), agora ele volta ao tema forte de corrupção em seu terceiro filme, brincando com a bagunça que foi feita nos anos 70 com governo tentando atrapalhar FBI e vice versa num dos escândalos mais fortes do governo americano. Sendo seu terceiro filme como diretor, fica bem claro que seu estilo é lento, portanto já sabemos que quando lançar algo novo iremos ver algo calmo sem quase nenhuma dinâmica, mas o grande problema aqui nesse filme foi mesmo o filme sendo baseado em algo real, usando inclusive como base o livro do próprio Mark Felt, ter deixado que as situações ficassem maiores do que os personagens, pois talvez se os personagens chamassem a responsabilidade, e tivéssemos um filme de espionagem com suspense em cima da execução policial, mesmo que a ficção fosse trabalhada além da história real, teríamos um filme muito mais envolvente e certamente menos chato. Ou seja, faltou para o diretor sair do roteiro e entregar uma trama realmente, não apenas uma história contada. Como costumo dizer é um filme expressivo, com uma trama que é interessante, mas que faltou atitude para virar algo memorável e bom de se assistir.

A carreira de Liam Neeson é estranha, pois consegue entregar tanto filmes de ação sem limite que torcemos muito para ele, como também costuma colocar expressividade em dramas fortes de modo que ficamos pensando se ele está curtindo realmente o que está fazendo, por exemplo aqui seu Mark Felt foi muito bem caracterizado, teve bons momentos expressivos, mas ao final aparentava estar cansado com a produção em si, não que o personagem estivesse exausto dos 30 anos de carreira, mas sim o ator com o que teve de fazer, ou seja, aparentava estar ali pelo dinheiro somente, e isso não é legal de ver. Chega até ser difícil falar de qualquer outro ator no filme, pois temos até muitos grandes nomes no elenco, mas a maioria somente aparece e dá alguma grande cartada com o protagonista e em seguida quase desaparece de cena, o que soa bem estranho para um filme envolvendo políticos e com muito diálogo envolvido, de modo que todos poderiam se destacar ou até aparecer mais, tendo nesse caso um leve destaque para Marton Csokas como L. Patrick Gray e Michael C. Hall como John Dean. Também temos o lado família de Felt, e embora seja algo completamente desnecessário na trama (apenas para mostrar que o grande nome do FBI também usou seus dados para algo particular), Diane Lane fez duas boas cenas como Audrey Felt, mas nada que seja surpreendente.

No conceito visual, se falarem que o filme custou muito temos de ir atrás do dinheiro, pois basicamente o longa inteiro foi feito dentro de salas de escritório, sem quase nada ocorrendo para impressionar, tendo mesas, documentos e figurinos apenas para compor a cenografia, mas nada impressionante também, ou seja, um filme de época que não necessitou muito para ser trabalhado, já que não se necessitou muitos elementos cênicos para desenvolver a trama. A fotografia trabalhou de forma criativa escurecendo quase todo o ambiente, dando foco para os personagens principais nos momentos corretos para que o filme ficasse tenso, mas esse escuro demais chegou a ajudar no cansaço que o ritmo fraco da trama acabou entregando.

Enfim, é um filme cansativo que tem uma história muito interessante, mas que não foi desenvolvido como poderia, ficando bem em cima do muro quanto dos fatos e não chegando a quase lugar algum. Ou seja, se você não gosta de tramas cansativas, fuja, pois, a chance de dormir em grande parte da trama é alta, mas se você suporta esse estilo, pode ser que goste do que verá, pois conhecerá um pouco mais da história americana. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje encerrando essa semana cinematográfica bem curta, mas volto na próxima quinta, numa semana que promete ter ainda menos estreias. Então abraços e até logo mais.

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Uma Razão Para Viver (Breathe)

11/17/2017 02:12:00 AM |

Descobrir uma história interessante faz parte da vida de um produtor, mas como fazer quando a grandiosa história está dentro de sua casa e você precisa arrumar alguém muito bom para contar, interpretar e conduzir ela de modo que fique grandiosa, bem feita e ainda traga todo o simbolismo necessário para que não seja algo em vão? Certamente, essa foi a grande questão na cabeça do produtor Jonathan Cavendish ("O Diário de Bridget Jones") para contar a vida real de seu pai nos cinemas, e embora "Uma Razão Para Viver" tenha sido um filme muito bonito, com ótimas interpretações (que talvez até receba menções para premiações!), o maior erro foi dar a direção completa para um "iniciante" nessa cadeira, afinal Andy Serkis já dirigiu muitos atores em performances expressivas para captura de movimentos, e aqui fez algo incrível com os atores também, mas a trama toda faltou aquela pegada forte que um diretor de peso traria para complementar o roteiro (que é bem interessante por se tratar de algo que mudou o mundo para os deficientes respiratórios!) e que acabaria consagrando a trama como algo muito além do que acabamos vendo nas telonas. Como disse, está bem longe de ser ruim, mas poderia ser imensamente melhor!

O filme nos conta que no ano de 1958, Robin Cavendish, carismático e aventureiro comerciante britânico, sê vê de repente paralisado por poliomielite contraída em viagem de trabalho ao Quênia. Grávida do primeiro filho, sua esposa Diana Cavendish escuta dos médicos que ele jamais sairá da cama e não deverá viver muito mais tempo. Deprimido por não mover nada abaixo da cabeça, Robin inicialmente deseja morrer, mas o inabalável amor de Diana o faz olhar de outra maneira para a situação e desafiar os limites impostos. Baseado em fatos reais.

Volto a frisar que para um primeiro trabalho, o que Andy Serkis entregou como diretor foi o que ele mais sabe fazer: direção de atores num nível incrível, pois possivelmente consiga angariar a segunda indicação de Andrew Garfield para o Oscar, mas como sempre costumamos dizer, no cinema não basta ser um bom diretor de atores, se necessita saber orquestrar todo o resto e ainda reverter um roteiro simples e funcional em algo brilhante, o que Andy não conseguiu aqui, entregando cada cena como algo comum, que até envolve usando do tradicional clichê musical, mas não derruba o público com a comovente história de um amor para se viver. Claro que entregar um argumento para um roteirista e querer que ele retrate a vida de sua família com muito esmero e criatividade é algo que Jonathan não esperava que do grandioso dramaturgo William Nicholson ("Os Miseráveis", "Everest", "Mandela", "Gladiador", entre outros), mas talvez ele poderia ao menos ter entregue um filme mais dinâmico e/ou visceral para que o diretor de primeira viagem apenas captasse as cenas e nada mais, ou que Andy apenas ficasse como diretor de atores, e alguém mais impositivo extraísse tudo o que foi a vida de Robin e Diana, sem ser pelo olhar sereno do filho. Volto a dizer com muita força, o filme é lindo, possui bons momentos, mas faltou a estrela para brilhar, e não foi por quesitos interpretativos.

Já até falei demais das atuações, pois é inegável o trabalho interpretativo que Andrew Garfield conseguiu reproduzir aqui somente com olhares, movimentos de boca, trejeitos faciais e principalmente dicção para que seu Robin ficasse incrível durante praticamente todo o filme, pois inicialmente seu estilo aventureiro e competitivo soou um pouco falso, mas assim que a doença assola a vida do personagem, temos praticamente um novo ator em cena que comoveu e entregou algo que certamente nem mesmo o produtor/filho do personagem esperava ver na tela, incorporando com serenidade e agradando demais em tudo. Claire Foy até possui um bom estilo, uma classe tamanha de interpretação, mas deixou-se ficar muito em segundo plano com sua Diana, pois certamente uma mulher que era teoricamente uma patricinha/madame da época se deixar levar por tudo o que ocorre na trama, é ter muito amor pelo parceiro, e com isso em mente, é difícil vermos sempre apagada e sem muita atitude, sendo apenas alguém amorosa e compreensiva com as maluquices do marido, talvez um pouco mais de primeiro plano para ela, e alguns atos desesperados como fez em duas cenas, deixaria ela mais perfeita para o papel. Dentre os demais, tivemos participações bem espaçadas, tendo cada um, leves destaques cênicos, mas que não chegaram a impressionar tanto pela expressividade/interpretação dos atores, mas sim pelos papéis que desenvolveram, como Hugh Bonneville que entregou o grandioso Teddy Hall criador da cadeira de rodas com respirador, entre outros que foram menores, mas não menos importantes na concepção total, fazendo o principal, deixando que o protagonista se destacasse.

Por ser um filme de época, se passando entre 1958 e 1981, a equipe de arte foi coesa em criar hospitais singelos sem praticamente nenhuma tecnologia (e que chega a assustar como não morriam mais pessoas com as coisas bizarras que eram usadas!), e com locações bem trabalhadas para colocar objetos cênicos representativos para que o filme fluísse bem, de maneira que vemos tudo ali e ficamos pensando em cada detalhe, o que é incrível de ver, mostrando um trabalho minucioso de pesquisa e que claro pelo produtor ter vivido 21 anos junto do pai, viu muito do que ocorreu ali podendo referenciar completamente. Detalhe de como falei da pouca tecnologia, aonde a família vivia, mas ao mostrar um hospital alemão cheio de aparatos estranhos e tecnológicos, o filme deu um choque realmente, principalmente pela frase dita de que hospitais para deficientes eram vistos como prisões, e infelizmente isso não mudou muito até hoje!! Ou seja, um trabalho preciso e bem feito que junto da equipe de fotografia, procurou os melhores ângulos e horários, para que sempre o céu ficasse perfeito, com o sol num tom maravilhoso e muita ambientação de sombras para que os tons encaixassem e ficassem incríveis de ver.

Outro defeito chato do longa é a trilha sonora clichê demais para tentar fazer o público chorar, de modo que no começo chega a fazer chorar de chata e melódica demais, dá uma leve melhorada no miolo, mas volta a forçar a barra no final, ou seja, poderiam ter trabalhado melhor ela para não cansar tanto e ficar monótona demais.

Enfim, é um filme bonito e muito bem interpretado, que teve alguns problemas no percurso para se tornar algo perfeito, mas que vale a pena a conferida tanto para quem gosta de dramas românticos bem feitos, quanto para quem gosta de histórias reais contundentes, ou seja, um grande público, e mesmo com esses defeitos que citei no texto, o resultado final vai agradar e comover quem gostou tanto de "Intocáveis" quanto de "Como Eu Era Antes De Você", pois em diversos momentos a trama lembra ambos os filmes. Ou seja, vá conferir, e curta a sessão, pois vai passar ao menos algumas mensagens bonitas para todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a última estreia da semana, então abraços e até breve.

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Liga da Justiça em Imax 3D (Justice League)

11/16/2017 01:54:00 AM |

Se tem um estilo de filmes que anda lotando as salas de cinema são os longas de heróis, e mesmo que o molde esteja bem batido, cada novo longa anda conseguindo superar em algum detalhe para que se encaixe bem dentro do estilo, agrade os fãs das HQs, e principalmente agrade quem gosta de cinema também. Pois bem, como sempre digo, ir sem expectativas é a melhor forma de gostar de algum filme e sem dúvida alguma hoje isso foi algo perfeito com "Liga da Justiça", pois além de termos um filme bem montado (que incrivelmente funcionou sem precisar apresentar todos os personagens, e de modo bem inteligente para que todos entendessem tudo o que estava sendo mostrado!) com doses cômicas colocadas na medida certa (sem ser apelativa, e claramente como parte das refilmagens de Joss Whedon, que acertou a mão e o tom que certamente deveria estar mais tenso), cenas de luta trabalhadas com impacto e determinação, mas principalmente colocando boas mensagens que super-heróis devem trabalhar realmente com união, esperança, justiça, e que claramente vai encaixar nos termos que querem para o Universo Estendido DC que tanto se fala, e que agora sim veremos os rumos que vai acabar tomando. Ou seja, um filmaço com bom tom e que agrada bastante do começo ao fim, tendo alguns pequenos deslizes, mas que não atrapalham em nada a alegria que é ver essa formação de grupo de heróis, que iremos torcer muito para que todos os demais filmes funcionem, já começando bem pela "Mulher Maravilha", agora esse, e com certeza "Aquaman" não irá decepcionar, afinal como costumo dizem #InWanWeTrust.

A sinopse nos conta que impulsionado pela restauração de sua fé na humanidade e inspirado pelo ato altruísta do Superman, Bruce Wayne convoca sua nova aliada Diana Prince para o combate contra um inimigo ainda maior, recém-despertado. Juntos, Batman e Mulher-Maravilha buscam e recrutam com agilidade um time de meta-humanos, mas mesmo com a formação da liga de heróis sem precedentes - Batman, Mulher-Maraviha, Aquaman, Cyborg e Flash -, poderá ser tarde demais para salvar o planeta de um catastrófico ataque.

É até interessante falar sobre as direções (no plural mesmo), pois é fácil demais notar as cenas que Joss Whedon dirigiu após a saída de Zack Snyder (por luto em sua família), basta ver diversas cenas mais tensas, com clima mais sombrio no estilo Snyder de fazer filmes, e as cheias de comicidade, com brincadeiras e jogadas mais icônicas tradicionais de Whedon na trama. E por mais incrível que possa parecer, e para alívio dos fãs, Whedon não estragou o resultado, criando bons vértices, e colocando no eixo uma liga realmente que faltava para esse Universo que tanto se fala da DC, pois sempre com filmes desconexos, ao juntar todos os heróis, com suas rápidas cenas de apresentação, mostrando de onde vieram e para onde vão, o resultado acabou sendo bem encaixado, e principalmente, funcional, o que vai agradar tanto quem for ver um longa despretensioso, quanto aqueles que estavam desesperados por esse dia, por serem fãs das HQs desde muito tempo atrás. Claro que há defeitos, afinal, temos praticamente a apresentação de três novos heróis, a introdução de um vilão que ao que é mostrado já esteve em outras brigas, e que voltará mais para frente em outros filmes, e com tudo isso ainda entregaram um longa de apenas 120 minutos (com duas cenas pós-crédito - a primeira meio que uma brincadeira que já ocorre em diversas HQs, e a segunda com algo muitíssimo importante para os próximos longas que virão, que até mesmo quem nunca leu uma HQ sequer vai compreender e falar noooossa!!), ou seja, precisaram fazer algo acelerado, que empolga sim, mas que poderia ter facilmente colocado mais 30 minutos que ninguém iria reclamar. Com isso em mente, a trama desenhou novos ares, colocou um bom vilão, e conseguiu fazer detalhes de uma equipe tão boa, que saímos da sessão torcendo para que venha logo mais filmes individuais de todos, mas principalmente do grupo todo lutando junto com suas devidas qualidades.

Se tinha algo que realmente me preocupava com o filme era a forma que iriam apresentar os novos personagens desse universo, e como os atores se sairiam, e posso dizer sem sombra de dúvida alguma que todos encontraram formas perfeitas para desenvolver cada ato seu, e a forma expressada na tela foi incrível de ver. Para começar, já dissemos algumas vezes que Ben Affleck pode não ser o melhor Batman que já vimos, mas vem sempre entregando algo tão impactante, com personalidade e imposição que ficamos até com medo de excessos persuasivos, o que é um estilo para se pensar quando fizerem seu longa solo, pois pode ser que não empolgue e nem emplaque como ocorreu com todas as demais versões, porém aqui é justamente o que precisava para que a Liga tivesse dinheiro e alguém mais realista, ou seja, foi bem. Gal Gadot empolgou com muita classe, mostrando tudo o que já vimos de bom em seu longa solo, e incrementando ainda mais a personalidade de conciliadora de sua Mulher-Maravilha, de modo que vamos colocando ela como não só como um elo feminino chamativo na Liga, mas sim uma força impactante para chamar a atenção e encaixar não apenas com beleza, mas sim com força e impacto. Ezra Miller caiu como uma luva para o estilo que Flash pedia, pois com uma personalidade bem jovial, despretensiosa e dando um ar cômico cheio de tiradas bem encaixadas e que chega a ser até estranho que seu filme solo possa ser o mais denso do mundo da DC. Outro grandioso acerto (e que muitos até duvidaram por ser bem diferente dos quadrinhos) foi a escolha de Jason Momoa como Aquaman, e com toda certeza ele não decepcionou quem o escolheu, encaixando força, brutalidade e estilo para um rei dos mares, de modo que seu filme solo será algo que certamente vai impressionar já com o pouco mostrado aqui, e mesmo que tenha caído em certas piadas, a personalidade que o ator deu para o personagem ficou incrível. Não é nem spoiler, mas todos sabiam que para a Liga ficar completa, o Superman voltaria, e isso já havia aparecido nos trailers, só não sabíamos de que forma, e Henry Cavill mostrou que é um tremendo de um ator que só precisava de um bom roteiro para chamar a responsabilidade e agradar muito, ou seja, perfeita introdução na história, e perfeita atuação. Embora seja o que mais precisasse de uma introdução melhor, Ray Fisher conseguiu trabalhar bem o estilo de seu Cyborg, colocando muita interpretação dúbia para que ficássemos pensando se ele não mudaria de lado, mas o encaixe foi bem trabalhado, e certamente para se fazer a parte 2 da Liga, vão precisar colocar um longa solo seu para melhores explicações de seu estilo. O vilão Lobo da Estepe ficou muito interessante, e brigou como poucos vilões que já vimos no cinema, e claro que mesmo sendo praticamente todo feito em computação gráfica, suas expressões foram captadas com muita interpretação de Ciarán Hinds, entregando algo bem impactante e interessante, tanto no contexto histórico quanto nos momentos presentes do filme. Dentre os demais, tivemos muitos bons personagens que já apareceram em outros filmes e ajudaram muito na composição completa da trama, entre eles temos de dar destaque para Amy Adams com sua Louis Lane sempre dócil e bem encaixada, J.K.Simmons como Comissário Gordon, Jeremy Irons como Alfred, e até mesmo as leves aparições bem colocadas de Amber Heard como Mera e Jesse Eisenberg como Lex Luthor, que certamente vamos ver muito ainda nos próximos filmes.

Dentro do contexto visual sabemos que o filme todo foi feito com muita computação gráfica, mas ainda assim escolheram boas locações para inserir o enredo e botar toda a tecnologia em cima para criar as texturas, e com isso tivemos um longa com muitos objetos cênicos importantes, figurinos precisos para compor cenicamente cada personagem da melhor forma que conhecemos, e principalmente muitos efeitos para criar o ambiente de guerra, com tudo funcionando e claramente ficando como um dos melhores longas de super-heróis feitos até hoje (no conceito técnico, de história ainda temos outros). Aliado a uma boa conceituada arte, trabalharam muito bem sombras e iluminações para que o filme ficasse denso e cheio de tons, criando camadas dramáticas, ares cômicos e até cenas de espiritualidade bem colocada, para que toda a tensão fosse diluída e o filme funcionasse bem de forma rápida e bem interessante visualmente para todos. É claro que ainda não é o 3D que desejávamos ver em um longa de muita ação, pois como bem sabemos filmar com as câmeras 3D é algo muito caro e grande, que os estúdios acabam fugindo, deixando para que a conversão funcione depois, e felizmente tivemos muitas cenas em perspectiva que aproveitaram bem para jogar elementos para fora da tela, o que é sempre válido (e que as pessoas que pagam por 3D querem ver), e assim sendo, mesmo o longa todo não tendo a tecnologia, o resultado das cenas que tiveram ficaram incríveis e valem por fazer o resultado.

Outro ponto que temos de abranger foi a escolha musical para desenvolver todo o filme, ajudando tanto na concepção da história para dar um tom de resposta, quanto para envolver realmente e criar o ritmo necessário, de modo que temos de ouvir mais uma vez, e não deixaria de colocar o link aqui para todos.

Enfim, é um filme que empolga muito e com toda certeza, como a maioria dos filmes de ação temos muitas falhas também, mas que felizmente acabaram não estragando o que desejávamos ver e assim sendo acabamos saindo da sessão felizes e sorridentes após as duas cenas pós-crédito esperando por muito mais dos próximos filmes. Ou seja, é algo que vai compensar conferir até mais vezes, para achar indicações de outros filmes, fagulhas de easter-eggs, e que vai agradar tanto os fãs mais sedentos quanto quem gosta de longas de aventura e heróis, mas deixo claro que se você não se encaixa em nenhum desses dois estilos, fuja das sessões, pois assim como andamos vendo críticas negativas de muitos filmes desse gênero, a maioria é de pessoas que preferem mais filmes com histórias, dramaticidades e por aí vai, e esse certamente não é um longa desse estilo. Portanto, fica a dica e a recomendação, e aguardo a opinião dos amigos nos comentários abaixo, pois por enquanto eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto das demais estreias que apareceram pelo interior. Então abraços e até logo mais.


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Pai Em Dose Dupla 2 (Daddy's Home Two)

11/12/2017 03:06:00 AM |

O estilo comédia familiar é algo que muitos gostam de conferir, pois mesmo que não faça você se mijar de rir, acaba sempre soando divertido e passando algumas boas lições de moral, e claro que se tiver uma boa dose de comicidade, o resultado acaba indo melhor ainda, pois acaba entretendo com boas situações também. É fácil falar que "Pai Em Dose Dupla 2" supera e muito o longa de 2016, pois quem quiser ler o texto, na época de apenas 3 coelhinhos para ele, e recomendei ver somente se passasse numa sessão da tarde de tão fraco que foi, mas felizmente além de superar, aqui a história soou mais convincente e bacana de ver, pois como bem conhecemos, muitos pais e filhos acabam fazendo coisas e mais coisas para aparecer e com isso o relacionamento acaba se desenvolvendo de forma estranha, e aqui ao trabalhar todo esse mote familiar, sem ficar jogado como foi no primeiro filme, acabamos tendo um resultado bacana e até gostoso de acompanhar. Claro que tivemos também muitos absurdos jogados de forma inútil na tela, e a maioria já até apareceu no trailer (será que acham que isso chamaria público? Pela quantidade de gente na pré-estreia paga hoje, acredito que sim!), mas diferente do que ocorreu no primeiro filme aonde isso só incomodava sem dar sentido à história, aqui ao menos funcionou para o rumo que desejavam tomar. Ou seja, com um ar leve e gostoso, bem no clima natalino que já sentimos ao chegar no shopping todo decorado para as vendas de fim de ano, a trama não vai ser um desastre completo e até vai divertir quem for esperando ver isso, e sendo assim, faz valer a sessão.

A sinopse nos conta que Brad e Dusty alcançaram o status impossível - amizade e co-parentabilidade. Tudo está indo bem até a chegada de Kurt, o pai machista de Dusty, e Don, o pai ultra-sensível de Brad, que chegam a tempo para o Natal. Oposto ao seu estilo progressivo de parentabilidade, Kurt promete tocar fogo na rotina desta família. À medida que as diferenças começam a aparecer, Brad e Dusty precisam trabalhar juntos para sobreviver ao Natal da família e provar que o estilo de pais modernos funciona.

É interessante ver quando um diretor evolui, pois se analisarmos suas obras anteriores, vamos vendo que ele pegou uma filme que fez grande sucesso e acabou estragando ("Quero Matar Meu Chefe 2"), depois fez o fraquíssimo primeiro "Pai Em Dose Dupla", e agora conseguiu enfim colocar situações boas que já havia colocado em outros roteiros seus (por exemplo, "A Ressaca", "Os Pinguins do Papai" e até mesmo em "Família do Bagulho"), e usando um pouco da boa essência de cada um desses filmes que citei, ele acabou criando algo simples, bem familiar sem apelos exagerados, e que consegue trabalhar as situações, não deixando apenas gags cômicas soltas para rirmos, irmos para outro lugar, e ficar algo perdido. Ou seja, ainda está anos luz de ser um diretor/roteirista que vamos desejar ver um filme seu, que vamos recomendar para todos irem rolar de tanto rir, mas que já conseguiu criar uma trama divertida ao menos, e soube dosar as aberrações para que seu filme não estragasse.

Sei que muitos vão discordar, mas não consigo ver muita graça nos protagonistas, pois mesmo Will Ferrell sendo comediante, parece que suas piadas são sempre as mesmas, e seu rosto fica esperando a piada, mas aqui esse seu estilo casa muito bem com a personalidade de Brad, e as situações bobas e bizarras que acaba se envolvendo resultam sempre em algo que já vamos esperando ocorrer, ou seja, um acerto considerável. Agora se no primeiro filme Mark Wahlberg mesmo se fazendo de machão ficou mais bem colocado com seu Dusty, aqui seu personagem aparenta ter entrado num clima bem abaixo do que esperamos ver ele fazendo, o que acaba ficando estranho, pois sabemos do seu potencial e ele vai colocando tanta serenidade no personagem que não condiz com o que é entregue, ou seja, algo bizarro de ver. Agora com certeza o alívio bem tramado, embora aparente não estar no mesmo filme, ficou a cargo de Mel Gibson como Kurt, que mesmo sendo um galanteador fica sempre rindo demais, parecendo estar abobado com algo, o que soa divertido, mas também um pouco perdido, talvez faltando determinar mais sua ação, pois a conexão histórica foi muito bem explicada, e sem dúvida alguma é a parte mais divertida da trama, ou seja, foi um bom acerto de inclusão, mas poderia ser ainda melhor. O mesmo podemos falar de John Lithgow, que incorporou bem seu personagem totalmente bobo Don, e conseguiu ir colocando a comicidade sempre em suas cenas, quase sendo um stand up de vida ambulante, o que para alguns vai ser bacana, mas para a maioria enjoa na terceira cena que faz a mesma situação, ou seja, também falha mais do que acerta. Quanto dos demais, temos boas cenas com a criançada, que dá mais boas lições do que os adultos, mostrando bebedeira infantil, primeiro amor, bullying e por aí vai, mas também temos de dar destaque para agora participando do filme inteiro, a modelo brasileira Alessandra Ambrosio, que no primeiro filme apenas surgiu na última cena, e aqui fez de sua Karen alguém fútil, mas interessante de se observar. Temos também um leve destaque para a participação de John Cena como Roger, e o fechamento com um personagem real marcante nos EUA, mas que aqui soou mais como piada pronta.

Dentro do conceito visual, a trama foi bem certeira em não ficar nas duas casas, indo para um resort de neve, com uma cabana tão incrementada que nem que quisessem arrumar um lugar mais chique não caberia tão bem na trama, tendo tudo para poder desenvolver bem a trama só no casarão, mas ainda tiveram rápidas passagens por um presépio vivo, uma montanha de esqui, uma pista de boliche (as melhores cenas cômicas do filme ocorrem aqui!!) e claro para complementar um cinema aonde temos várias lições bem colocadas, que agradam demais, aonde ocorrem as cenas dramáticas de fechamento bem colocadas, ou seja, a equipe de arte trabalhou bastante para que o filme ficasse bem condizente, e acabou acertando mais do que errando. A fotografia brincou bastante com o branco da neve, e deixou tons pasteis demais na concepção total da trama, o que diminuiu bem a comicidade que o longa poderia atingir, mas nada que fosse impressionante ao ponto de destruir tudo.

Enfim, é um filme bem feito e divertido, que não posso dizer ser a melhor coisa que já vi na vida, mas também foi algo bem mais satisfatório para curtir no fim de semana. Claro que não vou falar para todos saírem desesperados para conferir a trama, pois é algo bem de gosto que alguns vão gostar e outros odiar, pois acaba sendo algo mais singelo e familiar do que um filme de comédia realmente. Portanto se você gosta desse estilo mais leve, vá nas pré-estreias ou aguarde até o dia 23 quando o longa estreia realmente, e esse Coelho que vos digita fica por aqui até a próxima quarta quando estreia mais um grande blockbuster do ano, então abraços e até lá.

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