Rio de Sangue

4/18/2026 01:23:00 AM |

Quem me conhece pessoalmente sabe o quanto sou contra séries, afinal é a novela moderna aonde roteiristas e diretores sem poder de concisão acabam desenvolvendo algo alongado que precisa de muitos capítulos para se desenvolver, e que algumas vezes até fica bacana, mas aí vendem mais uma, duas, dez temporadas e não há Cristo que salve, porém uma coisa que defendo dentro de um bom pode de concisão para filmes é o diretor/roteirista saber aonde cortar, sem perder claro o desenvolvimento, tanto que muitas vezes acabo falando que tal filme daria uma ótima série ao invés de um filme mediano. E um exemplar claro de um bom filme diferente de estilo que lançou nessa semana e que daria uma série incrível é "Rio de Sangue", pois a premissa em si é bacana, o desenvolvimento de algumas dinâmicas são bem colocadas na tela, porém outras acontecem de forma tão jogada que se perdem dentro do conteúdo todo, afinal sabemos bem o conflito entre garimpeiros e indígenas, e sabemos ainda mais o quão políticas acabam conflitando ainda mais quando colocadas no meio de tudo, e jogar ainda com família, medicina e tudo mais, acabou dando um tom para o longa exageradamente cheio, mas ao mesmo tempo faltando para aquele algo a mais que poderia impactar.

O longa nos apresenta Patrícia Trindade, uma policial afastada da corporação após uma operação desastrosa. Jurada de morte pelo narcotráfico, Patrícia foge de São Paulo para o Pará, buscando não apenas segurança, mas também a chance de reaproximar-se de sua filha, Luiza. Luiza, uma médica dedicada a ações humanitárias, trabalha com uma ONG que leva assistência médica a populações indígenas no Alto Tapajós. A trama se intensifica quando Luiza é sequestrada por garimpeiros durante uma expedição, colocando sua vida em grave perigo. Diante dessa situação desesperadora, Patrícia se vê forçada a retomar seu papel de policial e enfrentar as perigosas forças que dominam a região. A jornada de Patrícia para resgatar a filha transforma-se em uma corrida contra o tempo, onde a coragem, a determinação e o amor de mãe são levados ao limite.

Bom saber que conferi todos os longas do diretor Gustavo Bonafé, então posso dizer que conheço bem o seu estilo, que é não ter um estilo, pois já passou por comédia escrachada, foi para drama musical, ação de HQ e agora chegou num drama regional, ou seja, é daqueles que gosta de ousar e mostrar serviço, e aqui como falei no começo, ele pegou um texto com muita coisa para contar e desenvolver, e mesmo sendo alguém que entende muito de cortes, fez muitas séries após seu último filme e com isso acabou falhando em trazer todos esses temas para a tela sem eliminar já antes no próprio roteiro, para que ao filmar nem ficasse com vontade de colocar determinados momentos. Ou seja, ele ainda mostrou muita técnica, foi imponente e ousado nas dinâmicas mostradas, mas precisava ser mais contido para que o longa não virasse uma "série recortada" que foi o que acabou parecendo no resultado final. 

Quanto das atuações, é até engraçado ver que Giovanna Antonelli encontrou uma personalidade imponente para sua Patrícia Trindade, mostrando não desistir por nada em seus ideais, e jogando tudo pra cima dela botou banca e agradou, mas faltou desenvolver um pouco mais suas situações, e com isso, alguns momentos seus acabaram apagados e surgindo do nada em outros pareceu quase uma "ninja", ou seja, foi bem, mas dava para ir mais além. Já Alice Wegmann até tentou ter algumas cenas mais dramáticas e expressivas com sua Luiza, porém faltou explosão por parte da garota, sendo muito facilmente intimidada na tela, de modo que acabou acuada e sem grandes momentos. Do lado dos vilões, fazia tempo que não via Antonio Calloni na tela sem ser pelas novelas antigas que minha mãe assiste e as vezes passo pela sala e vejo, e emagreceu tanto que por vários momentos fiquei pensando se era o mesmo ator ali fazendo seu Polaco, que talvez poderia ter sido ainda mais imponente, mas ao menos segurou a bronca, agora quem deu seu nome foi Felipe Simas com seu Baleado, totalmente imponente, com postura de garimpeiro vilão, e se tivesse mais tempo ainda na perseguição surtaria ainda mais, ou seja, foi muito bem com o que fez em todos seus atos. Ainda tivemos atos bem de guerra com o indígena que Fidelis Baniwa entregou, mas o excesso narrativo dele falando no filme todo acabou me cansando um pouco.

Visualmente o longa até teve alguns bons momentos no meio da floresta, com perseguições de carro, muitos atos mostrando o garimpo e suas conexões, e até um começo tradicional de operação contra o tráfico em SP, sendo um longa cheio de ambientações amplas, mas tudo com muito significado para cada momento da trama, mostrando que o elenco vivenciou bem tudo e sofreu com calor e tudo mais no ambiente da tela.

Enfim, é um bom filme que tem falhas no percurso, principalmente pelos cortes bruscos das dinâmicas e na falta de um desenvolvimento maior dos personagens, mas ainda assim é um longa que funciona dentro da proposta e acaba valendo a conferida na tela. Sendo assim fica a dica para quem gosta de algo diferenciado dentro do cinema nacional, e eu fico por aqui hoje voltando amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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