Caso 137 (Dossier 137) (Case 137)

4/06/2026 01:10:00 AM |

Uma coisa que sempre me deixou confuso no mundo todo é policiais, exército, juízes e tudo mais serem julgados ou investigados pelos seus próprios pares, de modo que podem até tentar serem imparciais, mas sempre vai existir aquela pulguinha que vai ficar pensando se não teria algum tipo de influência por trás dos bastidores para não culpar completamente algum delito de abuso de poder ou força. De modo que o longa "Caso 137", que estreia dia 16/04 nos cinemas, traz uma pegada densa de uma investigadora analisando o conflito entre a polícia francesa e os coletes amarelos no dia 08/12/2018 quando foi considerado um dos piores atritos com vários casos de abusos. Diria que o longa tem uma boa dose dramática por mostrar bem essa situação, afinal só o fato de estar intimando ex-colegas de profissão à depor já é algo complexo, mas analisar toda a situação, ir atrás de provas e até mesmo ter conflitos dentro da situação em si acaba sendo algo que o filme mostra difícil e cheio de opinião, podendo até correr riscos externos, mas que ao menos foi bem chamativo e bem trabalhado para impactar e funcionar dentro do que propunha, sendo um bom exemplar dessa categoria difícil de trabalhar.

O longa acompanha uma investigação a cargo da detetive Stéphanie, uma investigadora do departamento de assuntos internos da polícia nacional francesa, isto é, a polícia da polícia. O caso envolve um incidente com um jovem rapaz severamente machucado durante um protesto em Paris que, inesperadamente, toma um rumo muito pessoal para Stéphanie. Esse elemento surpresa perturba a agente e transforma o caso 137 em algo mais importante do que se previa.

O diretor e roteirista Dominik Moll gosta de trabalhar temas policiais, e seu filme anterior "A Noite do Dia 12" foi simplesmente incrível, e recomendo demais, e se lá ele deu mais voz para a polícia em si, aqui ele já foi mais crítico, mostrando duas coisas principais, que dentro de uma corporação sempre vão defender os seus, e como num passe de mágica ninguém irá lembrar o que fez em tal dia, e que no meio de um conflito gigantesco aonde ninguém sabia exatamente o que fazer, apenas que todos de coletes eram "do mal", os linhas soltas que querem descontar algo vão fazer o pior, isso seja na França ou em qualquer país do A ao Z, ou seja, o diretor foi muito preciso nesse sentido, colocando muita sinceridade tanto na sua opinião, quanto na sua pesquisa para que o filme ficasse o mais preciso possível. Ou seja, o diretor soube que seu longa poderia ser bem conflitivo e levantar muitas situações, principalmente ao trabalhar um tema complexo como é a polícia da polícia, e ao não se limitar com determinados anseios foi sincero com o que tinha levantado e não foi totalmente "chapa branca" como costumamos dizer, funcionando para ambos os lados na tela.

Quanto das atuações, Léa Drucker é daquelas atrizes que gostam de pegar papeis que deem para se desenvolver melhor em trejeitos e dinâmicas, e quando isso é puxado para algo mais retraído, aí é que explodem por completo na tela, de modo que a sua Stéphanie tem uma pegada séria e densa, cheia de nuances expressivas, mas sempre próxima de uma explosão, embora nunca puxem o gatilho, e essa sacada de trejeitos seus é muito bom de ser visto, tanto que acabou levando os dois principais prêmios franceses desse ano (o Cesar e o Lumière), ou seja, foi presente e marcou presença nos principais momentos, fazendo com que o filme fosse dela. O mais interessante de tudo é que o filme sendo de Léa, mais ninguém conseguiu se destacar na tela, ao ponto que todos os personagens viraram praticamente figurantes em cena, claro tendo alguns com mais intensidade e outros com menos, mas infelizmente não vale destacar ninguém na telona.

Visualmente o longa foi interessante, porém seco demais, tendo muitos atos dentro da delegacia com os protagonistas analisando imagens, tivemos algumas boas reproduções do acontecido na época, e também algumas cenas da protagonista passando por centrais sindicais nas viagens, além de alguns atos na casa dos pais da protagonista e seu apartamento, não tendo muito para onde sair, mas ficando interessante por conseguirem segurar a dramaticidade dentro de muitos interrogatórios monossilábicos.

Enfim é um filme bem funcional dentro da proposta, porém dava com poucos ajustes para ser ainda mais intenso, aonde a pegada causaria mais dinâmica e o resultado impactaria com uma representação maior na tela, mas ainda assim é bem bacana de vermos que não é só por aqui que muita coisa não vai para frente nas investigações, então fica a dica para conferir ele nos cinemas a partir do dia 16/04. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo a Autoral Filmes através de sua assessoria pela cabine, e fico por aqui hoje, então abraços e até amanhã com mais dicas.


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