Cinco Tipos de Medos

4/05/2026 06:43:00 PM |

Um filme que estava bem curioso para conferir nesse ano era o ganhador do Festival de Gramado, "Cinco Tipos de Medo", pois tinha uma pegada no trailer que me interessou e como alguns amigos que foram conferir na época do lançamento no Festival disseram ser bem marcante a essência, só me aguçaram mais para esperar a estreia comercial dele, que ocorre agora na próxima quinta 09/04, e felizmente a trama tem uma pegada bem funcional para agradar o público fora do circuito de festivais, já que entregar uma trama bem amarrada entre todos os personagens, que até tem um estilo meio novelesco de dependência, mas que tendo uma dinâmica bem coerente consegue empolgar e fazer com que não percamos a vontade de conferir do início ao fim. Ou seja, é um estilo que até já vimos passar por aqui outras vezes, que alguns chamam de cinema favela ou de crimes espaçados, mas que tendo uma boa essência de ligações acaba empolgando e agradando pelo conteúdo completo.

A sinopse nos conta que depois de quase perder a vida em uma UTI, um jovem músico chamado Murilo se apaixona e se envolve com sua antiga enfermeira Marlene, que está presa em um relacionamento abusivo com Sapinho, um traficante do bairro. Um dia, Sapinho é preso pela policial movida por vingança Luciana e passa a contar com a ajuda do advogado com intenções secretas Ivan. Enquanto Marlene teme as consequências ao se entregar à paixão pelo antigo paciente, Sapinho é considerado o verdadeiro protetor e responsável pela segurança da comunidade local, apesar de controlar o movimento criminoso do bairro. Essas cinco vidas se entrelaçam num caminho sem volta.

Sendo apenas seu segundo longa-metragem, o diretor e roteirista Bruno Bini foi muito sagaz no estilo escolhido para trabalhar sua trama, pois dava facilmente para ser um filme menos quebrado, mas não impactaria da mesma forma conforme tudo vai acontecendo e se conectando, de forma que a entrega dos personagens até é marcante, mas o simbolismo de cada momento, junto da essência que ele representa quando apresentado faz toda a diferença na tela. Ou seja, é um trabalho tão bem conectado dentro da ideia toda, que o diretor soube montar algo que vai muito além da tela, mas sim a conexão entre personagens de tipos diferentes durante sua passada na tela, não deixando que o filme ficasse simples demais, mas também que não ficasse forçado para algo casual que recai para o lado novelesco, pois ao não optar por desenvolver os personagens de maneira solta, a entrega casa bem, impacta de modo certeiro, e o principal, funciona para todo tipo de público, sem cansar, tanto que o diretor levou pra casa os prêmios de edição e de roteiro, que é o que supre mais na tela.

Quanto das atuações, é até engraçado ver o quanto cada personagem funciona bem solto e dentro do conjunto da trama, tendo atos importantes para dar a conexão do longa e também chamar a devida responsabilidade cênica de cada momento, valendo claro dar o destaque inicial para João Vitor Silva com seu Murilo passando expressões marcantes em cada dinâmica sua, oscilando bem entre o apaixonado, o medroso e o corajoso de acordo com o que precisava fazer, sendo um grande acerto da produção. Tivemos também Xamã, que inclusive levou o prêmio de melhor ator coadjuvante para casa com seu Sapinho, bem imponente e cheio de atitude, trabalhando claro como todo fora da lei pensa, em se dar bem com o que precisar ser feito, e assim seu resultado acabou funcionando na tela. Outra que entregou atos bem marcantes e expressões fortes foi Bárbara Colen, que já está virando de praxe uma policial, pois já são tantas produções fazendo papeis do estilo que logo nem vai precisar prestar concurso para entrar para a corporação, brincadeiras a parte, mas ela sabe se impor bem nas suas personagens, e aqui sua Luciana é forte e intensa de estilo, o que deu um certo charme para o papel. E por fim vale ainda os destaques para Bella Campos com sua Marlene ousada e cheia de estilo, e também Rui Ricardo Diaz com seu Ivan misterioso, mas que depois de conectar tudo fica bem chamativo, ou seja, um elenco bem cheio das nuances que funciona bem na tela.

Visualmente a trama teve entregas bem diretas de cada locação, desde as UTIs da Covid-19 que ninguém gosta de lembrar, passando por bairros residenciais, comunidades e também um prisão, tendo os destaques pela simplicidade de cada momento até mesmo nos tiroteios para que tudo funcionasse com uma coesão interessante bem colocada na tela, de modo que não temos tantos elementos cênicos chamativos, mas o resultado geral acaba agradando bastante quando tudo se conecta.

Enfim, é um filme que mostra o potencial da mudança no cinema nacional, pois já vimos outros filmes com essa pegada, mas aqui o diretor soube usar de recursos e estilos tão bem alocados, principalmente com uma edição forte e chamativa, que ao final o resultado se fez ainda maior do que realmente é, parecendo até mais com uma produção estrangeira do que o comum que nosso cinema faz, e assim acredito que possa fazer um bom percurso lá fora também. E é isso meus amigos, fico por aqui agora agradecendo o pessoal da Primeiro Plano Assessoria e da Downtown Filmes pela cabine de imprensa, e volto em breve com mais dicas, então abraços e até logo mais. 


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