Netflix - O Jogo do Predador (Apex)

4/26/2026 10:57:00 PM |

Costumo dizer que todo mundo pode fazer ou entregar vários estilos de filmes, porém quando uma trama busca uma fidelidade na tela, também exigimos que seja passado uma fidelidade mais real de personagens e situações, e com o lançamento da Netflix, "O Jogo do Predador", vemos algo até que interessante de proposta, com uma pegada densa bem marcada, porém com bons atores que não nos convencem do que estão entregando, por exemplo ao ficar nítido que 90% do filme foi feito com a dublê de Charlize Theron, que com um bracinho finíssimo não faria metade das cenas escalando os paredões, e Taron Egerton pode até entregar bons personagens em outros filmes, mas aqui seu estilo "maldoso" não impõe uma loucura como precisaria para ficar realmente marcante. Ou seja, é daqueles filmes que vemos as cenas acontecerem com boas dinâmicas, mas que não nos convencem do que estão entregando, e isso acaba não prendendo o espectador, que até acaba curtindo a ideia como um passatempo, porém dava para impactar bem mais com talvez outros atores mais próximos das personalidades que os papeis exigiam.

O longa nos mostra que uma mulher viciada em adrenalina coloca seus limites à prova ao embarcar numa aventura pela natureza selvagem australiana. A alpinista se encontra no meio de uma caçada quando os predadores naturais não são os únicos atrás de sangue. Agora, a jovem precisa lutar para sobreviver e vencer os obstáculos do caçador.

O mais interessante é que o diretor Baltasar Kormákur tem muita experiência nesse estilo de filme, sabendo criar dinâmicas tensas e um envolvimento tão amplo quanto cada momento do longa pedia, e se olharmos ao redor do longa entregue, a maioria das cenas tem essa precisão técnica, então o que podemos afirmar é que depois de tanto falarmos nas premiações em direção de elenco, aqui faltou exatamente isso para que o longa brilhasse na tela, faltou alguém que chegasse nele logo no começo do projeto e falasse que as escolhas ali estavam ruins para que o filme chamasse mais atenção, ou seja, erro de escolha que refletiu em algo bacana, que poderia ser impactante por completo. Volto a frisar que não vemos um filme ruim, mas sim algo que não convence de entrega, e esse perigo se não tivesse um diretor tão bom do estilo poderia facilmente ter virado uma bomba na tela.

Quanto das atuações, já vi algumas "vendas" de Charlize Theron mostrando que não gosta de usar dublês e até escalando um outdoor em formato de paredão para que sua Sasha parecesse mais real, porém ainda assim defendo que deveriam ter colocado uma mulher mais "forte" visualmente no papel, pois sabemos o tanto de esforço que é escalar paredões íngremes, ainda mais sem o uso de cordas, sendo o "puxador" dos demais como é o caso da personagem, mas tirando esse detalhe, a atriz soube segurar bem os momentos na tela, fazendo trejeitos marcantes para os atos mais fechados, e com isso até chega a convencer, mas como disse soou muito falso ver alguém do porte dela se impondo tanto num paredão aonde muitos precisariam de mais força física. Já com Taron Egerton o problema é outro, pois acho que acostumamos com ele fazendo lordes e pessoas boazinhas, que o seu Ben acaba não nos convencendo de sua maldade mesmo lançando flechas e torturando a protagonista, faltando para ele trejeitos mais surtados, pois até mesmo quando mostra seu trejeito monstruoso com os dentes, ficou um pouco artificial demais, porém o ator se jogou para parecer forte e até chama atenção em alguns atos, mas nada demais. Quanto aos demais, só vale comentar mesmo a participação inicial de Eric Bana com seu Tommy, pois deu um bom tom de parceiro de escaladas e marido bem colocado nas situações, mas nem aproveitou muito já que o papel é eliminado rapidamente, então apenas participou mesmo.

Visualmente a equipe escolheu locações bem interessantes para desenvolver a trama, com paredões imponentes, acampamento nas alturas, escaladas, corredeiras, muita floresta e até cavernas assustadoras, aonde os personagens se desenvolveram bem com poucos elementos, mas ainda assim marcaram presença, tendo claro a cena mais "produzida" dentro da caverna com os demais corpos pendurados prontos para virar "alimento", ou seja, souberam criar bem as alegorias dentro do contexto, com digamos até pouco sangue pelos momentos mais intensos, mas que não desaponta de um modo geral.

Enfim, é o famoso filme que você acaba até curtindo pela essência passada e pela ideia em si, mas que no final acaba não passando literalmente de um passatempo bem trabalhado, aonde dava para ir muito mais além com algumas mudanças, o que acabou não acontecendo. Ainda assim, dá para recomendar sem muitas pretensões, pois as dinâmicas ao menos entretêm. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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