Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra (Good Luck, Have Fun, Don't Die)

4/25/2026 01:09:00 AM |

Olha, tem gente que reclama quando o filme é completamente maluco, e eu sou um deles, não nego, mas o que reclamo é quando uma trama tenta ser realista e acaba floreando tanto com as situações, criando bizarrices e quer que você ache aquilo real, mas quando a maluquice é tanta, mas tanta mesmo que passamos a achar que aquilo poderia ser real algum dia pelo nível completamente insano, aí meus amigos, eu embarco junto e viajo nas possibilidades. E o último que tinha me feito sentir tão feliz com tanta loucura foi "Tudo Em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo", em junho de 2022, e agora quase 4 anos depois eis que outra obra será colocada no mesmo patamar de minha opinião, e se chama "Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra", aonde vemos a mistura de viagens temporais com inteligências artificiais e juntamente o problema do vício em tecnologia, ou seja, algo bem atual, moderno, mas que de uma forma tão louca acaba nos levando para rumos insanos na telona, mas pense em insanos com todas as letras maiúsculas, que ao final eu e mais alguns poucos espectadores na sessão nos vimos aplaudindo uma bizarrice total, mas que quem sabe algum dia vira real. Só sei de uma coisa, eu recomendo e muito, e olha que estou apenas no primeiro parágrafo.

O longa nos conta que numa noite em Los Angeles, um homem do futuro surge no meio de um jantar e precisa recrutar um grupo disposto a ajudá-lo a salvar o planeta de uma inteligência artificial ameaçadora.

Sempre soube que o diretor Gore Verbinski era meio maluco das ideias, mas de forma alguma imaginei que veria um filme dele tão fora da casinha que ficasse genial ao mesmo tempo, e hoje posso dizer que o roteiro Matthew Robinson caiu nas mãos certas, pois qualquer outro diretor não entenderia a profundidade de tudo o que é discutido e trabalhado aqui, ao ponto que vemos cenas tão bizarras, mas tão sérias que acabamos pensando e rindo ao mesmo tempo, e isso é um fator inexistente dentro do cinema, sendo dois sentimentos que se contrapõem, mas que aqui funcionaram juntos, ou seja, já começa com uma loucura total de não precisar fazer e mostrar as centenas de viagens temporais que o protagonista diz já ter feito, pois com o diálogo bem trabalhado conseguiu fazer isso se encaixar bem na tela, e o resultado acaba fluindo muito bem pelo convencimento, depois foi não se levar a sério, colocando zumbis modernos, festival de gatinhos de formas estranhas, ratos, pugs, fios como cobras, e tudo mais que se imaginar de forma fiel e interessante. Sendo assim, diria que o roteiro ficou brilhante por ser denso o suficiente para agradar sem cansar, e a direção e edição soube aproveitar isso para que o filme ficasse simples e efetivo na tela, ou seja, a parceria ideal.

Quanto das atuações, vou falar mais pelos personagens, pois dona Paris Filmes mandou somente cópias dubladas para o interior, mas mesmo sem falar dos dubladores em particular, posso dizer que abrasileiraram muito bem as coisas, dando um sentido bem bacana na tela em diversos momentos, sem perder a essência geral, agradando bastante. Dito isso, não sei se levantaria a mão me voluntariando para o personagem de Sam Rockwell, pois alguém tão maluco é algo que mesmo soando convincente ficaria meio com o pé atrás, mas o ator teve cenas bem intensas e botou banca no que fez para soar marcante ao menos. A personagem Ingrid foi ao mesmo tempo misteriosa e estranha, de modo que Haley Lu Richardson acabou trabalhando olhares e dinâmicas mais fechadas, e claro sendo bem importante na tela, afinal alguém vestida de princesa não seria meramente jogada na tela, e a garota foi muito bem em todos os momentos que tiveram suas devidas conexões. O casal de professores vividos por Michael Peña e Zazie Beetz até entregam alguns atos interessantes, mas soaram meio cansativos talvez pela voz da dublagem, mas diria que faltou um tom mais apavorado para eles do que o entregue na tela. E por fim June Temple fez uma Susan meio estranha demais, com um ar quase de psicopata, mas tendo suas dinâmicas bem encaixadas dentro do texto completo, e assim funcionou também.

Visualmente o longa é tão cheio de facetas, mostrando uma escola de ensino médico com vários jovens andando igual zumbis atrás dos professores com seus celulares conectados a algo, tivemos cenas intensas dentro de uma lanchonete, uma loja de clones reais após tiroteios com direito a com ou sem propagandas, uma fuga dentro de prédios e quintais, toda a preparação de uma casa literalmente para a guerra, animais estranhos em formatos ainda mais malucos, e claro uma briga contra a IA de um garotinho num amontoado de fios e robôs com uma pegada bem intensa e marcante, mostrando que a equipe de arte trabalhou muito, mas a computação gráfica fez o trabalho árduo ficar ainda mais bem chamativo, ou seja, tudo insano como deveria ser desde a ideia original.

Enfim, um tremendo filmaço que valeu demais cada minuto conferindo, que mesmo dublado não acabou me incomodando tanto, mas como acredito que tenha perdido algumas sacadas das interpretações originais, irei retirar um ponto da nota, e quem sabe algum dia revendo ele como foi realmente concebido aumente a nota, pois é um dos poucos filmes que gostaria de rever. Porém recomendo demais que todos vejam, pois é muito bom mesmo, sendo sem dúvida aquele que valerá citar no fechamento do ano entre os melhores, então fica a dica e tentem conferir ele nos cinemas. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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