Papagaios

4/24/2026 12:28:00 AM |

O mais interessante do longa "Papagaios" é ser completamente diferente do usual, pois a história em si tinha tudo para ser mais um tradicional filme novelesco, porém a pegada dos personagens e a dinâmica rápida sem passar por cima de nada acaba fluindo fácil e ficando chamativo. Claro que por não ser tão comum, muitos vão acabar olhando torto para ele, porém ele consegue convencer e cativar com tanta facilidade que ao final acabou sendo o ganhador do júri popular do Festival de Gramado 2025, ou seja, muitos se enxergaram na personalidade dos protagonistas, de querer aparecer um pouco, ou muito se possível para ficar marcado, e assim nascem os papagaios de pirata ou subcelebridades como muitos costumam falar por aí. Ou seja, é o famoso filme simples e funcional, que não entrega muita coisa, nem se propõe a isso, sendo o básico bem feito sem recair para lados jogados, e assim agradará quem for conferir.

No longa conhecemos Tunico, o mais famoso “papagaio de pirata” do Rio de Janeiro, um grande representante da classe e que sempre está perseguindo repórteres para aparecer na TV, seja em tragédias, velórios de famosos ou nos noticiários. Depois de uma matéria sobre um grave acidente em um parque de diversões na cidade, ele conhece Beto, um jovem misterioso que se torna seu aprendiz. Esse encontro revelará a face oculta da busca pela fama a qualquer custo, em um Brasil com mais de 70 milhões de televisores ligados todos os dias.

Não conhecia os trabalhos do diretor Douglas Soares, mas posso afirmar que se ele seguir dessa forma, fazendo o simples direto sem ficar enfeitando o doce e sem alongamentos de tramas, certamente muito em breve será daqueles diretores que vamos aplaudir sem parar, pois sempre falo aqui que o básico bem feito funciona muito mais que ficar tentando contar histórias, botar chamarizes aonde não precisava, e principalmente deixar também que o espectador busque pistas em suspenses, pois tudo de mão beijada acaba sendo fácil demais, e aqui ele fez isso tão bem que quando você vê o filme já terminou, e o melhor, funcionando perfeitamente, sem precisar desenvolver personagens extras, sem criar muito na tela, e claro dominando o ambiente como um todo. Ou seja, o simples e direto que agrada. Claro que dava para ter algumas pegadas mais ousadas em alguns momentos, mas sairia do eixo do básico, então ponto final na discussão, pois fez o certo em não enfeitar o pavão.

Quanto das atuações, gosto muito do estilo de atuação de Gero Camilo, mas ao mesmo tempo me irrita um pouco seu jeito aparentemente calmo demais, o que é um contraponto marcante que sempre costuma colocar na tela, pois seu Tunico em alguns momentos parece até uma estátua pronta apenas para figurar ali para as câmeras, mas essa essência é justamente o que o longa pedia, de modo que ele passa essa serenidade ao mesmo tempo que quer aparecer, ou seja, é o famoso falso tímido que agrada nos olhares, agrada nas dinâmicas e segura completamente o filme como a trama pedia. Por outro lado, o jeito do personagem Beto que Ruan Aguiar acabou entregando, já de cara entregava suas reais intenções, de tal forma que seu olhar meio de maníaco já provava do veneno e da vontade de realmente aparecer, de querer ser o maior passando por cima do atual maior, e a pegada em suas dinâmicas foi bem colocada e marcante, mostrando uma boa estreia em longas. Quanto aos demais personagens, Leo Jaime fez algumas participações como ele mesmo, sem entregar muitas facetas, Angela Paz fez uma repórter bem tradicional que merecia ter sido melhor desenvolvida com o final escolhido, sobrando um pouco mais para Ernesto Piccolo com seu Clau para dar alguns tons a mais na produção, mas sem ir muito além também.

Visualmente o longa tem um estilo meio rústico na tela, dando uma pegada meio que mais antiga sem necessariamente datar a trama, tendo algumas cenas interessantes nas ruas, tendo um parque de diversões para começar a entrega, um programa de auditório, mas a maioria das cenas se passando na casa do protagonista bem simples com seu papagaio, muitos recortes de jornais presos na parede com suas aparições, e algumas dinâmicas numa quadra de samba, além claro de um cemitério, sendo tudo bem simples, mas funcionando para a proposta geral do longa.

Enfim, é um longa bem simples, porém diferente e irreverente dentro da proposta, que muitos talvez estranhem a pegada num primeiro momento, mas depois que tudo se encaixa bem o resultado acaba sendo bem interessante e bacana de ver. Então fica a dica para a conferida nas cidades aonde estreou hoje nos cinemas, e eu fico por aqui agradecendo o pessoal da Olhar Filmes e da Tip Performance de Midia pelo screener para poder conferir o longa. Volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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