A sinopse nos mostra que em 1991, na China rural, enquanto os moradores migram para as cidades em busca de melhores oportunidades, Chuang, de 10 anos, permanece em sua cidade natal. O terceiro filho de sua família enfrenta os desafios da vida em um período de profundas transformações nacionais.
É interessante que esse é apenas o segundo longa do diretor e roteirista Meng Huo, e ele já foi trabalhar com uma situação tão marcante, conseguindo dimensionar uma época tão bem colocada, todo o ambiente rural complexo com pouca distribuição de renda, e muitos pontos marcantes para um país que mudou tanto, de tal forma que tendo vários personagens, várias interações, a trama até poderia ter sido mais aberta, mas seu foco foi marcante e conseguiu representar bem na tela. Diria que o que mais faltou para ele foi ter uma história central mais impactante para desenvolver tudo ao seu redor, pois a trama do garotinho é fraca demais para segurar todo o processo da mudança, mas ainda assim ele soube fazer com que sua câmera tivesse tanta presença que acabou ganhando a premiação de um dos maiores festivais do mundo.
Quanto das atuações, a trama em si não desenvolveu tantos os personagens, parecendo que até foram em alguma vila e filmaram as pessoas dali, mas sabemos que não foi bem dessa forma, então a grande base ficou em cima do garotinho Wang Shang com seu Chuang interagindo com todos, tendo muitas cenas em diferentes ambientes, e conseguindo chamar atenção ao menos. Outra que teve muita presença cênica foi Zhang Yanrong como a Bisavó, trabalhando bem os relacionamentos ali, e dando toda a tradição nos olhares e dinâmicas. E um ponto que quase teve um desenvolvimento maior foi em cima de Zhang Chuwen com sua Xiuying sendo usada como moeda em um relacionamento familiar, sendo algo que já vimos em muitos países no passado, mas que ainda em alguns lugares segue a tradição.
Visualmente a trama teve uma boa pegada para a equipe de arte se desenvolver, mostrando as casas simples, as colheitas variadas com plantações belíssimas, o clima mudando durante todo o ano, o tratamento do trigo como moeda, uma escola bem rudimentar, e toda a essência dos mais pobres desejando as novidades, tendo ainda as tradições de casamentos, funerais e negociações, com boas movimentações cênicas e tudo bem simples, porém bonito de se ver.
Enfim, é um longa que funciona bem dentro da proposta da mudança, que como disse tem uma cara até de algo quase documental por não recorrer tanto aos artifícios da ficção tradicional de clímax e quebras cênicas com histórias maiores, mas ainda assim agrada pela simplicidade bem trabalhada e com um resultado que não cansa, valendo a indicação pela representatividade. E é isso meus amigos, o longa estreia nos cinemas nacionais no dia 05/02, e eu fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Autoral Filmes pela cabine de imprensa, então abraços e até logo mais.







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