Morando Com o Crush

5/14/2024 11:24:00 PM |

Sei que vai parecer coisa de velho, mas na minha juventude parecia que víamos mais filmes, séries e tramas feitas para os jovens realmente, uma febre teen que fazia as revistas das bancas pipocarem quando seus ídolos apareciam por lá e tudo mais que hoje não existe tanto já com a nova febre que é a internet e as dancinhas dos aplicativos, ou seja, naquela época era fácil para um diretor que quisesse fazer um filme para pegar esse nicho de público saber aonde escolher o elenco e explodir, já hoje nem temos muito como ficar no meio do caminho, pois ou fica algo bobinho demais para crianças mesmo, ou já recai para algo mais elaborado e adulto, o que é uma grande dificuldade de se olhar. E aonde eu quero chegar com esse começo para falar do lançamento da semana que vem (23/05), "Morando Com o Crush" é bem simples, pois o filme tem uma pegada leve e gostosinha de curtir, mas não consigo me enxergar vendo ele na minha época de adolescente, e nem consigo ver os adolescentes atuais querendo ver algo do estilo, pois ele tem uma certa doçura que hoje não vemos nos jovens (a grande maioria já carrega uma malícia gigantesca com pouquíssima idade) e ao tentar fazer essa quebra o diretor acaba se perdendo exatamente aonde ele não deveria, pois em alguns atos ficamos perdidos sem saber para onde ele quer realmente chegar colocando uma cidade isolada do mundo, uma cultura de comida fit, grupinhos aonde todos os alunos da cidade estão sempre juntos como se tivessem todos a mesma idade, concurso de férias aonde todos estão lá. E assim acaba parecendo uma junção de tudo ao mesmo tempo, aonde a faceta mesmo acaba saindo meio que de lado, o que é uma pena, pois dava para aproveitar mais, mas para isso acredito que o projeto precisaria escolher melhor o público-alvo, o que é o ponto mais difícil num roteiro e numa direção.

A sinopse nos conta que Luana compartilha com seu pai uma curiosa semelhança familiar: eles não têm sorte no amor. Desde que sua esposa faleceu, Fábio (Marcos Pasquim) nunca mais conseguiu namorar sério, e Luana só tem coragem de observar o seu crush, Hugo, de longe. A sorte dos dois muda quando Fábio se apaixona perdidamente por uma colega de trabalho e planeja morar com ela. Ao mesmo tempo, Luana é convidada para um date com Hugo. Mas a nova namorada de Fábio na verdade é... a mãe de Hugo! Agora, Luana e Hugo terão que dividir o mesmo teto enquanto lidam com o crush que têm um no outro.

Não sei se já falei isso sobre o diretor Hsu Chien Hsin, mas ele exagera demais na quantidade de produções que faz, de tudo quanto é tipo, forma, estilo e construção, de tal maneira que não vemos uma identidade dele em nenhum filme seu, e detalhe se não houver mudanças nas programações, semana que vem estreará dois filmes seus, ou seja, vai estar bastante ocupado nos próximos dias, mostrando que sabe fazer cinema, mas que ainda anda num ritmo quase de uma empresa de propaganda que topa qualquer parada sem pensar em criar realmente. Claro que aqui ele saiu completamente do eixo cômico forçado que mais costuma entregar, e diria que mostrou muito mais serviço ao não recair para um lado novelesco, porém ainda dava para adoçar mais o longa, dava para ter algumas quebras mais emocionais, e até o romance ter uma pegada maior sem precisar forçar na garota invejosa que fica na janela o dia todo, mas aí talvez não funcionaria. Ou seja, dei a bronca no diretor, mas confesso que ele se esforçou em fazer uma trama que cativasse e mostrasse algo sem pré-conceitos, pois dava para ir para vários rumos, agora é ver como a juventude atual vai se enxergar para curtir ou não a trama, pois os adultos não diria que vai pegar tanto.

Quanto das atuações, precisam parar de querer dar voice-over (a famosa voz do pensamento) para todo personagem que Giulia Benite faz, pois já está virando uma marca sua, e depois vai ser difícil de tirar dela, e aqui sua Luana até teve alguns gracejos bem colocados, ficando bem encaixada na idade que a personagem entrega, conseguindo puxar um pouco de carisma para si, mas sem grandes cenas marcantes. Da mesma forma Vitor Figueiredo foi bem encaixado dentro do que seu Hugo precisava fazer, tendo um ar de galã já em seu primeiro trabalho no cinema, só não colocaria 15 anos para ele, mas soube também ser gracioso e convenceu sem precisar forçar. Quanto dos adultos, diria que tanto Marcos Pasquim quanto Carina Sacchelli ficaram meio que perdidos quanto deveriam entregar personalidade para seus Fábio e Antônia, mas foram cômicos sem forçar ao menos, e isso já faz valer na tela.

Visualmente a base do longa é a casa da família numa fictícia cidade de nome difícil que já nem lembro como escreve, mas que foi gravado em Porto Alegre e Nova Petrópolis, então são paisagens já bem conhecidas, mostrando algo meio afastado do mundo tradicional dos jovens, com os famosos vizinhos se metendo na vida alheia, de forma que a equipe de arte brincou com o lance das estrelas e de ve observar usando luneta e telescópio, mostrou um pouco de algumas rixas de skate, trabalhou bem pouco o ar escolar já que o filme se passa nas férias dos jovens, mas brincou com o mundo da gastronomia fit versus açúcares, e até colocou um concurso de talentos simples, mas bem feitinho.

Enfim, é um filme que como disse no começo não sei se vai pegar tanto a garotada, talvez dê um leve movimento com os fãs da Giulia que são muitos, mas a faixa de jovens mesmo de 13-17 que aparentemente era a escolha da produção não tem muito o chamariz, já para o público mais velho talvez se veja um pouco na sua juventude na tela, mas sem também ir muito além, ou seja, faltou um foco maior, principalmente sabendo que essa idade hoje é mais tecnológica e não tem mais tanta pegada romântica para querer se espelhar. Então fica a dica para quem curte esse estilo conferir o longa nos cinemas à partir do dia 23/05, e eu fico por aqui agradecendo o pessoal da Paris Filmes e da Palavra! que disponibilizou a cabine para conferir ele, então abraços e até logo mais.


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Netflix - O Entregador (El Correo) (The Courier)

5/14/2024 01:18:00 AM |

Sempre é muito bom você bater o olho em um filme e falar: "esse tem uma cara de que eu vou gostar", mas melhor ainda é no final você falar: "tinha certeza que ia curtir esse filme desde a primeira olhada"! E é engraçado que muitas vezes eu erro também nas minhas escolhas, mas alguns filmes mesmo sem dar o play, sem ler a sinopse ou até mesmo sem ver o trailer, depois de anos fazendo isso, já costumo ter alguns bons palpites antes de me arriscar, tanto que minha lista de filmes nas plataformas de streaming é gigantesca, e sei que muitos nunca darei play, afinal sempre chegam novos, e aí o que poderia ser ruim vai ficando por lá. Dito isso, alguns dias atrás enquanto esperava para dar o play em um longa da Netflix, vi na tela o próximo lançamento do longa espanhol "O Entregador", e coloquei para que a plataforma me lembrasse no lançamento, pois mesmo sem ler nada, tinha a certeza que ia ser bem bacana, e hoje ao ver que era baseado em uma história real, já me empolguei mais ainda, e a cada insanidade do vício do protagonista em ganhar mais e mais dinheiro, entrando cada vez mais num nível mais complicado e maluco mostra o quanto dinheiro vicia, tanto que a cena que abre e também fecha o longa é o cara já aceitando viajar dentro de um container por sabe-se lá quantos dias junto de muito dinheiro ilegal, podendo cair no mar e tudo mais. Ou seja, o longa vai mostrando o quanto a ganância é o maior mal que acaba pegando esse pessoal que rouba e faz trambiques com dinheiro público, pois eles se perdem completamente e quando veem a "droga" (no caso o dinheiro) acaba destruindo ele. Diria que é um dos filmes mais malucos e incríveis que vi do estilo, pois sabemos bem como isso tudo acaba virando um caos tanto para nós pobres que acabamos pagando o pato desses roubos, quanto para aqueles menorzinhos que se acham grandões e acabam sendo presos enquanto os tubarões continuam nadando com a grana.

A trama mostra a vida de Iván Márquez, um jovem do bairro de Vallecas, em Madrid, cuja vida é drasticamente afetada pelas mudanças econômicas e políticas que varrem a Espanha após a introdução do euro. O filme se passa nos anos 90, durante os Jogos Olímpicos e a Expo em Barcelona, até os primeiros anos do século XXI. Conforme Iván observa sua família enfrentar dificuldades financeiras, ele se vê cada vez mais envolvido em esquemas de lavagem de dinheiro e corrupção. Inicialmente seria apenas uma "mula" transportando dinheiro sujo para o exterior, mas Iván logo se vê navegando entre políticos corruptos, empresários inescrupulosos e mafiosos na ensolarada Costa del Sol. O filme captura não apenas a ascensão de Iván ao topo da hierarquia criminosa, mas também a atmosfera turbulenta e a sensação de desilusão que permearam a sociedade espanhola da época.

Pessoalmente gosto muito do cinema espanhol, pois eles sabem brincar com temas sérios de uma forma bem próxima da nossa, ironizando e tentando fazer graça com ação, já que chorar seria o mais óbvio, e o diretor Daniel Calparsoro é daqueles que tem muito dessa pegada, e já ousou bastante em todos os seus longas (ao menos nos que vi), sabendo como extrair loucuras de seus protagonistas suficientes para juntar com partes documentais reais e entregar algo chamativo como o que fez aqui com a história escrita por Patxi Amezcua e Alejo Flah, mostrando que esse jeitinho que chamamos de brasileiro é algo que se tem mundo afora, com jovens "empreendedores" espertos que sabem aonde achar uma mina de dinheiro dando sopa para pegar. Ou seja, com uma sacada rápida e bem trabalhada, o longa que tem a duração ideal de 101 minutos (já falei outras vezes que um filme redondo sem erros se faz entre 100 e 120) e funciona parecendo ter até menos, trabalhando a personalidade do protagonista, e conectando ele com todo o restante sem precisar virar uma novela, e isso é brilhar na tela.

Quanto das atuações, não lembrava do jovem Arón Piper em algumas tramas que trabalhou, mas aqui entregou um Iván tão solto e fluido que parece já ter uns 20 anos de carreira pelo menos, segurando as intensidades dramáticas, trabalhando elos bem encaixados com todos os demais personagens sem ficar oculto (e olha que disputou diálogos com grandes nomes do cinema espanhol), e conseguiu ter um carisma suficiente para que mesmo sendo alguém que está roubando em jogadas o público se conectasse pelo fator melhoria de vida, e assim conseguiu ser marcante do começo ao fim, mesmo tendo atos seus narrando o que estava fazendo que por vezes acaba sendo cansativo, o que não ocorreu aqui. Laura Sepul entregou uma Anne Marie cheia de imposições, sensual e cheia de intensidade no traquejo com tudo, de tal forma que cada momento seu na tela acaba sendo bem chamativo, e junto com o protagonista passou olhares e tudo mais, ou seja, foi bem demais em cena. Falar de Luis Tosar é repetir a palavra excelência sempre, pois pode ser protagonista ou coadjuvante sempre vai chamar a atenção, e aqui seu Escámez aparece até que pouco, mas brilha para que olhássemos para o que faz em cena, deixando claro toda a conexão María Pedraza como sua filha e claro envolvimento do protagonista. Ainda tivemos muitos outros personagens marcantes, mas é claro o destaque para Nourdin Batan com seu Yannick e Luis Zahera como Comissário Roig, pois ambos tiveram atos imponentes e marcantes, com o primeiro sabendo aparecer tanto nos atos mais fechados quanto na tela principal.

Visualmente o longa foi bem trabalhado com muito luxo, carrões, apartamentos cheios de requinte, muitas festas abarrotadas de bebidas caras e muitas drogas, e claro muita negociação de bastidores, com fazendas, praias e tudo mais em segundo plano para as operações da polícia, mas tudo muito recheado de imagens reais dos casos acontecendo, dando uma boa base para a ficção usando o pano de fundo da realidade, o que acabou chamando muita atenção para a pesquisa da equipe de arte, que usou e abusou de locações em Madri, Málaga, Bruxelas, Genebra e até Hong Kong, ou seja, um trabalho pesado e bem demonstrado na tela.

Enfim, é um filme que se olharmos a fundo é bem simples, mas que consegue ter dinâmica e envolver tão bem que conseguiu mostrar tanto o lado real da coisa em si, como brincar com as facetas que foi esse mar de dinheiro roubado dos mais pobres, sendo marcante e também engraçado de ver, e assim sendo valendo muito a recomendação para todos. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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A Estrela Cadente (L'étoile Filante) (The Falling Star)

5/12/2024 11:13:00 PM |

Costumo dizer que gosto de comédias inteligentes, que trabalhem bem a proposta e divirtam em suma de todo o restante, que por vezes se faz rir realmente nem ligo de forçarem a barra um pouco, porém tem um estilo dentro da comédia que não consegue me fazer feliz, e é o tal da comédia do absurdo, aonde você vê situações estranhas, personagens estranhos, e tudo ocorrendo de uma maneira tão bizarra que ao final você fica se perguntando o que realmente assistiu? Claro que isso é uma opinião bem parcial do estilo de comédia que eu não gosto, mas sei de muitos que adoram a comédia do absurdo, que se divertem e até dão muitas risadas de tudo o que acontece, mas tenho de pontuar o que sinto, então infelizmente o longa "A Estrela Cadente", que entra em cartaz nos cinemas do país na próxima quinta 16/05, tem até uma pegada interessante de "brincar" com a ideia de trocar uma pessoa por outra quando uma se vê em apuros, mas o estilo abstrato demais fez com que o filme não tivesse uma fluidez gostosa, o que é uma pena, pois o longa anterior dos diretores "Perdidos em Paris" foi uma das comédias que mais ri sem dúvida alguma em 2017, mas acredito que ficaram muito tempo sem produzir e acabaram perdendo um pouco a mão, pois com a mesma ideia o longa poderia ser muito mais impactante e divertido.

A sinopse nos conta que Boris, ex-ativista, vive no subsolo como barman no A Estrela Cadente. Seu passado culpado ressurge quando uma vítima o encontra e quer vingança. O surgimento de um duplo, um sujeito chamado Dom, que vive deprimido e solitário, fornece um plano de fuga perfeito a Boris, sua engenhosa esposa Kayoko e seu fiel amigo Tim. Mas eles não contavam com o surgimento da ex-mulher de Dom, uma detetive desconfiada que vai em busca do paradeiro de Dom.

Diria que os diretores e roteiristas Fiona Gordon e Dominique Abel poderiam ter ficado somente atrás das câmeras e colocado talvez alguns atores mais expressivos para que os papeis principais deslanchassem melhor, pois eles são bons e mostram pegada aqui nessa trama, de forma a ter um teor meio que de suspense, mas com uma jogada mais cômica, porém os atos de encaixe da trama são tão subjetivos que se a pessoa não tiver lido a sinopse talvez nem pegue a ideia de cara, e isso já é algo que acaba sendo bem errado de acontecer, mas vamos aos pontos positivos, que a trama consegue sem precisar de muitos diálogos criar situações cômicas, que até deu um certo charme para o que desejavam proporcionar, porém faltou usar disso para que o filme ficasse realmente engraçado e/ou com um certo suspense mais tenso, o que acaba não acontecendo, e resultando num final simples demais para algo que pedia mais.

Se no longa anterior elogiei a forma solta que Fiona e Dominique entregaram para seus personagens, aqui ela ficou tão em segundo plano que quase não tem importância o que faz em suas cenas, e isso pesou bastante já que sua detetive parece mais cansada do que ativa na procura pelo marido, enquanto ele fazendo dois papeis como Dom e Boris até trabalhou bem alguns trejeitos, conseguiu soar diferente de personificação, mas não chamou para si a responsabilidade da trama, e isso acabou pesando também no resultado final. Já Kaori Ito se entregou bem para sua Kayoko, brincando quase que de forma coreografada com danças, tendo personalidade e intensidade de movimentos, e fluindo bem com o que sua personagem precisava fazer. Da mesma forma Philippe Martz trabalhou seu Tim com um tom mais fechado, mas bem coerente nas situações que precisava se jogar, caindo bem no que a ideia era colocada. Ainda tivemos Bruno Romy com um Georges meio forçado apenas atirando e correndo de um lado pro outro com seu braço mecânico girando para ângulos meio que irreais, mas ao menos fez o que o papel precisava.

Visualmente o longa tem um ar charmoso e bem colocado que remete bem alguns filmes mais antigos, tendo o bar simples aonde os protagonistas moram no andar superior, tendo também um porão sem muitos detalhes, um cemitério, muitas cenas dentro do carro, e um escritório da detetive, tudo sem muitos elementos cênicos marcantes, mas com nuances claras para serem representativas dentro da ideia, da sacada das manifestações na rua, e também da mudança de personagem entre os protagonistas, tudo com muita cor e charme, mas sem que funcionasse como algo mais cômico como o filme precisaria ser.

Enfim, é um filme simples que tinha uma proposta de entregar algo divertido, mas que não foi muito além, entregando alguns atos mais forçados e absurdos do que situações charmosas como o estilo pedia, de forma que alguns até vão rir de alguns atos, mas de forma geral não vai muito além, o que é uma pena. Ou seja, recomendo ele mais para quem curte comédias com uma pegada mais séria (o que pode até parecer estranho falar) que aí talvez entrem mais no clima completo do longa. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Planeta dos Macacos: O Reinado em Imax (Kingdom of the Planet of the Apes)

5/10/2024 02:09:00 AM |

Olha não sei se o James Cameron emprestou os cenários de seus filmes para o Wes Ball, mas o primor técnico visual que vemos em "Planeta dos Macacos: O Reinado" é algo para tirar o fôlego de quem gosta de ver belas paisagens sendo bem utilizadas na telona gigante dos cinemas, que acabam lembrando um pouco os dois "Avatar" de Cameron. Dito isso, confesso que estava bem curioso de como entregariam essa nova trama, pois ela inicia dando continuidade ao último filme com Cesar, mas passando várias gerações de macacos, ou seja, chegando bem próximo da época da franquia original, a qual não sou fã embora tenha sido um marco para as categorias efeitos e maquiagem na época, mas sem precisar ainda ligar tudo, afinal como já anunciado antes essa será uma nova trilogia, então é apenas o começo de algo nesse meio do caminho, que felizmente acertou bastante, e que mesmo sendo alongado (dava para ser uns 110 minutos ao invés de 145) não chega a cansar por principalmente o diretor ser especialista em longas de ação fantasiosos e já ter trabalhado muito antes como responsável de efeitos visuais de grandiosos filmes. Ou seja, todo meu receio de não conseguirem entregar algo marcante, ou de romancear demais a relação do macaco com a humana, caiu por água, e o resultado é algo de cair o queixo e esperar ver o que irão fazer mais para frente, pois ainda não tem data para a continuação, e detalhe, se quisessem nem precisaria fazer uma trilogia, pois aqui o longa tem começo, meio e fim como uma boa trama deve fazer sem precisar ficar dependendo de nada de antes, nem nada para depois, então vá conferir tranquilamente.

A sinopse nos conta que muitas sociedades de macacos cresceram desde quando César levou seu povo a um oásis, enquanto os humanos foram reduzidos a sobreviver e se esconder nas sombras. Apesar de ser responsável pela segurança da nova geração de primatas evoluídos, muitos não conhecem os feitos de César. E é neste novo cenário que um líder macaco começa a escravizar outros grupos para encontrar tecnologia humana, enquanto um jovem macaco, que viu seu clã ser capturado, embarca em uma viagem para encontrar a liberdade, sendo uma jovem humana a chave para todos.

Quem me segue a muito tempo sabe que sou fã da franquia "Maze Runner" do diretor Wes Ball, e mesmo dizendo no começo que tinha receio de como ficaria a nova trilogia dos macacos, tinha uma pontinha de certeza que o diretor não iria se queimar, ainda mais tendo duas grandes trilogias para se basear e não jogar fora, e ele realmente não decepcionou, entregando atos emocionais mistos com atos empolgantes de ação e luta, cenários gigantescos (que sabemos que muito foi computação, já que os atores usaram 99% de captura de movimentos para serem transformados em macacos e não iriam ficar pulando numa floresta ou na água) mostrando que não tinha medo de errar no processo tecnológico, e mais do que isso, pegando uma história que convence de resgate familiar, de sucessão, de reinado e desejo por poder (aliás o macaco Proximus deseja conhecimento e saber além de poderio militar, pois sabe que pode dominar com isso), que acaba fluindo fácil e com impacto na tela. Ou seja, é mais um acerto do diretor, e espero que mantenham ele para fazer os próximos, pois aí sim ele vai mostrar que sabe como ligar todos os pontos.

É meio difícil falar sobre as atuações em um filme aonde não vemos os rostos verdadeiros dos atores, mas como todos fizeram seus atos através de capturas faciais encenando os atos, posso dizer que é algo tão expressivo o que Owen Teague entrega para seu Noa, que chega a ser interessante demais ver na tela sua evolução pessoal, afinal é um jovem macaco, mas que precisou ter responsabilidades de adulto logo após as primeiras cenas, ou seja, se entregou demais e conseguiu segurar o longa como protagonista que foi. A jovem Freya Alan já precisou se entregar mais para sua Mae, afinal é uma das poucas sem maquiagem digital, e embora não tivesse atos explosivos chama a atenção na tela e convence para o que precisava. Peter Makon trabalhou um emotivo Raka bem colocado, sabendo dominar o ambiente e criar a conexão entre o ressentido protagonista e a garotinha necessitada, e mostrou um bom preparo para agradar também com trejeitos fortes. Mas falando de trejeitos fortes é claro que temos de falar de Kevin Duran com seu Proximus Cesar imponente, cheio de traquejos e dinâmicas, e principalmente sendo um vilão forte sem precisar ter atos de vilania propriamente ditos, deixando que fizessem por ele. Ainda tivemos outros bons personagens como Lydia Peckham com sua Soona, Travis Jeffery com seu Anaya, Neil Sandilands com seu Koro e Sara Wiseman como a mãe do jovem macaco Dar, mas acredito que poderiam ter dado muito mais voz e interpretação para William H. Macy com seu Trevathan, pois o ator é incrível no que faz sempre, e aqui acabou ficando tão secundário nas suas três cenas que não empolga.

Visualmente, como iniciei o texto, o longa é um deslumbre cênico, praticamente filmado em sua totalidade com câmeras Imax em diversos atos para que a conversão gráfica ficasse ainda mais imponente, e tivemos desde uma floresta incrível com ninhos marcantes para as águias, cenas com cachoeiras, com incêndios e muita simbologia nos elementos cênicos (daqueles que vai ter analista de filmes com mais de milhão de teorias), até chegarmos no reino de Proximus na beira de uma praia devastada, com navios caindo os pedaços, muitos diques, e claro um cofre humano bem imponente que quando invadem vemos muitos elementos cênicos que valeriam a pena ter um desenvolvimento maior. Ou seja, a equipe de arte conseguiu agradar na medida certa.

Enfim, é um filme que convence, que tem empolgação do começo ao fim, e que se tenho de pontuar algo seria apenas do alongamento da trama em atos que não precisariam tanto, e a correria nos atos dentro do cofre que valeriam trabalhar um pouco mais, mas não é nada que incomode, então recomendo com toda certeza o longa para todos, e iremos aguardar o que virá a acontecer no próximo filme, afinal vão precisar ousar muito com os humanos para não ficarem jogados como aconteceu aqui. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, nessa semana de uma única estreia nos cinemas, mas terei algumas cabines e claro filmes do streaming para conferir, então abraços e até logo mais.


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Vermelho Monet

5/09/2024 01:03:00 AM |

Confesso que para estar escrevendo aqui já olhei umas três ou quatro vezes a ficha do filme, pois não consigo acreditar ainda que "Vermelho Monet" tenha sido escrito e dirigido por Halder Gomes, que para quem não sabe quem é basta lembrar do primeiro filme falado em cearensês chamado "Cine Holliúdy", que não estou falando mal, pois amei o longa na época que vi, apenas são duas propostas completamente opostas, do tipo que para uma comparação xucra eu estivesse aqui falando do primeiro romance de James Wan, ou seja, foi um choque, porém um excelente choque, já que o filme tem uma pegada tão densa, trabalhando a arte, o ato criminoso da falsificação, a musa de um artista e tudo mais nesse mundo da pintura que é algo tão complexo que é até difícil de se situar, e o resultado mesmo sendo um filme gigantesco não chega a cansar, conseguindo trabalhar cada personagem, cada envolvimento, e que embora tenha um leve ar novelesco, não se desenrola para isso, ficando exatamente dentro da formatação cinematográfica. Ou seja, é daqueles filmes que comecei assistindo intrigado e esperando vir alguma comicidade ou alguma coisa que saísse completamente do eixo dramático, e ao final já estava esperando para ver que rumos iam me surpreender, pois tudo poderia acontecer, sendo algo poético ou até mesmo impressionista, e assim sendo é algo que vale recomendar para conferirem.

A sinopse nos conta que Johannes Van Almeida é um pintor de mulheres sem aceitação no mercado; obsoleto. Com a visão deteriorada e à beira de um colapso nervoso, encontra em Florence Lizz (Samantha Müller) - uma famosa atriz em crise e insegura na preparação para o seu filme mais desafiador - a inspiração para realizar sua obra prima. Antoinette Lefèvre (Maria Fernanda Cândido) é uma influente marchand/connoisseur de arte que fareja o valor de obras de arte quando histórias de inspiração viram obsessão entre pintores e modelos.

Um detalhe apenas, eu assisti apenas o primeiro Cine Holliúdy, então tenho em mente que o diretor e roteirista Halder Gomes é muito bom, já os demais longas dele acabaram não saindo nos cinemas do interior, alguns entraram em plataformas difíceis de dar o play, então fiquei na mente só com seu potencial de fazer um humor bem feito, então meu medo dele mudar completamente de gênero era algo muito forte na minha cabeça, mas ele provou que é bom em dramas também, ou seja, como ele gostaria de ouvir é um "cabra arretado de bão" em qualquer coisa que faça, e certamente irei esperar o que mais ele vai aprontar, pois aqui ele conseguiu não apenas fazer um filme sobre a comercialização da arte de uma pessoa, mas também brincar com crises nos mais variados tipos de profissões desse meio artístico, desde um pintor já quase cego, uma atriz entrando em um papel difícil até uma comercializadora de quadros que vende algo para seu principal cliente achando ser único que não é. Ou seja, o diretor abre um leque tão grande de possibilidades para brincar com arte, que ao final tudo se afunila em algo brilhante bem encaixado que funciona demais.

Quanto das atuações, Chico Diaz ficou perfeito como um pintor, de forma que seu Johannes tem toda a densidade dramática, tem o olhar de ver uma musa e enxergar nela tudo o que deseja passar para sua tela, fora a dramaticidade de estar quase cego vendo tudo em preto e branco que é a maior tristeza para um artista apaixonado pelo vermelho e azul, então o ator pegou o papel e esmiuçou ele ao máximo agradando demais em tudo o que fez. Maria Fernanda Cândido é daquelas atrizes que raramente erra em qualquer papel que pegue para fazer, e aqui sua Antoinette tem pegada, sabe aonde entrar e sair para conseguir seus contatos, e ainda por cima joga toda a sensualidade e inteligência para cima da jovem atriz, o que não tinha como resistir, ou seja, foi bem demais. Diria que Samantha Müller fez uma boa estreia com sua Florence, mas aparentou estar um pouco insegura do papel, o que pode ser também reflexo de como a personagem deveria agir no meio conflitivo que se encontra, ou então por estar no meio de monstros do cinema/TV que certamente lhe deram um bom caminho e ela não errou. Ainda tivemos muitos outros personagens secundários, tendo destaques Gracinda Nave como a esposa do pintor Adele, sua musa do passado, mas com um bom lado poético em seus atos na cadeira de rodas, e Matamba Joaquim fazendo um bilionário interessado nos jogos da protagonista e dando boas nuances na tela.

Visualmente o longa é um luxo completo com cenas filmadas em Lisboa, tendo todo um atelier bagunçado do protagonista velho, mas cheio de detalhes de sua técnica, de seus trabalhos e tudo mais, numa pesquisa de arte que com muita certeza a equipe fez para ter detalhes, vemos um museu junto com uma curadoria num evento de quadros e leilões, ainda tivemos um palco para ensaios do filme que a jovem está estrelando, além de uma festa bem imponente de lançamento para apresentações, e claro a casa da dona da galeria com um gosto bem refinado e muitos quadros expostos, ou seja, o diretor pode brincar bastante com todo o trabalho da equipe de arte, e a fotografia foi incrível na mistura de tons, conseguindo sobressair o vermelho no preto e branco do pintor, e dando nuances técnicas bem encaixadas para que o filme brilhasse.

Enfim, minha única reclamação mesmo é com a duração do longa que se estendeu demais e por bem pouco não entrou num desenvolvimento novelesco com sub-tramas, mas como é um incômodo mais técnico do que como entrega de um filme mesmo, posso dizer que recomendo demais ele para quem gosta de tramas dramáticas bem amarradas e intensas, então fica a dica para conferida na sua cidade, pois já estreia nessa quinta dia 09/05. E é isso pessoal, eu fico por aqui agradecendo o pessoal da Pandora Filmes pela cabine de imprensa, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - O Resgate de Ruby (Rescued by Ruby)

5/06/2024 11:25:00 PM |

Tem dias que precisamos desligar completamente e ver um filme que não vai fazer você pensar em nada, apenas curtir algo bonitinho, que você saiba exatamente como vai acontecer cada coisa, de forma que algumas pessoas preferem ver algum longa repetido, mas como não curto rever praticamente nada, e hoje eu precisava de algo assim, resolvi pegar algum que fosse desse estilo na minha imensa lista de filmes que coloco e quase nunca sobra tempo para ver por diversos motivos. E o nome da vez foi "O Resgate de Ruby", que traz a história de uma cachorrinha bem sapeca para adoção que ninguém conseguia ficar mais que um dia com ela por ser bagunceira, e de um policial hiperativo que desejava entrar para o K9, que é a guarda com animais, mas não tinha dinheiro para bancar um pastor alemão, ou seja, a junção de dois problemáticos que acabou dando certo. O longa é baseado em uma história real, sendo mostrada no final os verdadeiros Daniel O'Neil e Ruby, e claro Bear que não era uma cãozinha treinada, que estava para adoção e conseguiu entrar pro cinema depois de seu treinamento. Ou seja, alguns vão chorar com o longa, mas ele é simples e gostoso de ver, ainda mais depois de ver os créditos que a cachorrinha era ligada no 220V mesmo, e agiu muito bem aos comandos e atuou bem demais, valendo a conferida sem esperar muito do longa.

A sinopse nos conta que Ruby era muita agitada. Seu dono original a entregou à Rhode Island Society for the Prevention of Cruelty to Animals por causa de sua personalidade geralmente "incontrolável". O filhote fofo foi rapidamente adotado e depois devolvido - cinco vezes. As coisas pareciam bastante sombrias para a mistura de border collie e pastor australiano. Horas para ser sacrificada, o policial Daniel O'Neil ficou apaixonado pela filhote de 8 meses. Ele achou que ela tinha potencial e decidiu perseguir seu sonho de ser um oficial canino. Este poderia ser o seu novo parceiro? Esta é a verdadeira história de como esses dois azarões encontraram seu sonho juntos.

O mais engraçado é que a diretora Katt Shea tem como base de estilo muitos filmes de terror, ou seja, ela gosta de causar o caos nas cabeças das pessoas, mas pelas cenas dos créditos foi a cachorra Bear que causou o terror na cabeça dela tentando fazer com que ficasse na posição de filmagem, ou seja, ao dar uma passeada também por um gênero mais leve, contando uma história real bonita, conseguiu ser simples e objetiva, não querendo enfeitar nada, mostrando a adoção, o treinamento, o teste e o resgate final, tudo como deveria ser funcional, que quem já viu muitos filmes do estilo vai assistir tranquilo sabendo exatamente aonde vai acontecer cada coisa, tendo alguns se emocionando mais, outros menos, mas mostrando principalmente que a diretora sabe brincar sem ser com sangue e mortes.

Quanto das atuações, a maioria conhece o ator Grant Gustin pela série "Flash", e já estou quase tendo a certeza que ele é realmente agitado, pois fez assim o personagem por lá e aqui seu Daniel O'Neil é quase um poço de ansiedade, passando bem a personalidade que o verdadeiro Daniel passou para ele na história, ou seja, o jovem foi gentil com o cão, soube dosar olhares e comandos, e acabou agradando com o que fez. A cachorra Bear entregou muita personalidade também para sua Ruby, sendo faceira e brincalhona, mas também sabendo conduzir bem seus atos chamativos. Ainda tivemos bons atos com Scott Wolf como Matt Zarella, capitão da unidade K9, Kaylah Zander bem emocional como a esposa grávida do protagonista, mas sem dúvida todo o carinho na tela entre os secundários recaiu para Camille Sullivan com sua Pat Inman, que não serve para trabalhar em um lugar desse tipo por se apegar demais aos animais, e querer todos para si.

Visualmente a trama trabalhou bem a casa do protagonista, bagunçada por ter um bebê, mas ainda mais zoneada com a chegada do cão sapeca cheio de energia, vemos um pouco da unidade K9 com seus aparatos de treinamento, vemos um pouco do abrigo de animais, e praticamente todo o restante do longa são atos na floresta, que a diretora meio que abusou um pouco querendo nos dar a visão do animal com menos cores andando pra lá e pra cá quase deixando algo nauseante, mas que funcionou para sua proposta.

Enfim, como falei no começo é um filme simples e objetivo, que entrega na tela o que promete que é o gracejo do cachorro e sua esperteza sendo mostrada com afinco para entrar no agrupamento, sendo uma trama real que então já se era esperado tudo o que iria acontecer. Como não é um filme muito novo na plataforma acredito que muitos já tenham conferido, principalmente os amantes de animais, mas quem não deu o play e quiser algo leve e gostoso de conferir, vale a recomendação. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Meu Nome é Loh Kiwan (로기완) (Ro Gi Wan) (My Name Is Loh Kiwan)

5/05/2024 08:38:00 PM |

Outro dia comentei que os filmes sul-coreanos ainda vão explodir mais que os indianos, pois eles gostam de trabalhar os mais diversos tipos de histórias e brincar com elas usando diversos gêneros, então se você tá vendo um romance com drama de repente já está no meio de um suspense policial encabeçado, e tudo flui bem, claro que por vezes colocam um pouco do estilão novelesco no meio, mas como isso é quase um clichê do gênero romântico, então já até estamos acostumados. E diria que o longa da Netflix, "Meu Nome é Loh Kiwan" entrega com muita personalidade um jovem refugiado que tenta a vida na Bélgica quando cruza com uma garota também coreana que vive no meio do crime e das drogas, e acabam se conectando de uma forma interessante bem trabalhada nas nuances. Claro que não é daqueles filmes memoráveis que você irá lavar a sala assistindo, mas que até consegue passar uma certa mensagem positiva de querer ser feliz, independente dos perrengues que acabe passando, e assim sendo mesmo a trama sendo um pouco longa o resultado acaba sendo funcional e bem colocado dentro de toda a essência.

O longa fala sobre um desertor norte-coreano, Loh Kiwan, que resolve realizar o último desejo de sua mãe: viver em um lugar onde ele possa ser ele mesmo, usar seu nome e sobrenome sem medo. Loh, então, decide ir para Bélgica se refugiar, mas ele acaba desamparado, sem meios de ganhar a vida e sem casa. Marie, uma ex-atleta de tiro, vive com seus próprios conflitos interiores até encontrar Kiwan e roubar sua carteira. Os dois acabam em uma inimizade gigantesca até um entender a história de vida do outro e ali nascer uma atração.

O diretor Kim Hee Jin entregou até que um drama bem colocado em sua estreia nas funções de roteiro e direção, de forma que conseguiu convencer trabalhando dinâmicas entre os protagonistas e todo o envolvimento das várias subdivisões, de modo que em alguns momentos até parece que é uma novelona por ambientar muitas situações, algumas que até saem do eixo da trama no miolo, mas como não criou mais personagens para dividir, focando apenas nos protagonistas mesmo diria que acabou acertando no estilo, apenas alongando com eixos que não seriam tão necessários, mas que acabaram funcionando sem grandes derrapagens. Ou seja, ele manteve o foco total em Loh Kiwan com seus vários serviços enquanto tentava conseguir uma cidadania como refugiado querendo cada vez mais viver, e também focou bem em Marie tentando sobreviver ao crime e as drogas, de modo que cada quebra que deu, abriu também o vértice para conexões, e assim o resultado acabou bem preso e resultando em algo interessante para o estilo.

Quanto das atuações, o jovem Song Joong-ki melhorou consideravelmente em relação ao seu último filme que apareceu por aqui "Nova Ordem Espacial", de forma que se lá ele oscilava muito de humor, aqui ele segura o drama e a emoção no olhar do começo ao fim, passando bem seus sentimentos, e principalmente segurando o protagonismo sem precisar de levantamentos por parte dos demais que atuaram junto com ele, ou seja, foi bem em cena. Choi Sung-eun também fez uma boa entrega com sua Marie, mostrando personalidade para os atos mais dramáticos, mas também sendo bem emocional e direta nos momentos que precisou, representando bem na tensão das drogas e de uma disputa de tiros. Ainda tivemos outros personagens bem encaixados, mas como a base foca bem nos dois nem vale dar grandes destaques, e isso mostra uma segurança do jovem diretor em não fazer com que seu filme saísse da base.

Visualmente a trama mostra bem a vida de rua de refugiados, tentando sobreviver das maneiras mais impossíveis no frio, vendendo garrafas, apanhando de jovens, vivendo em banheiros, comendo o que achar, todos os julgamentos para conseguir uma cidadania, mostraram um pouco dos cassinos de apostas envolvida por máfias com um buraco praticamente para tiros com muita computação envolvida, e um pouco da casa e dos rituais de luto dos personagens, além de uma fábrica de carnes aonde muitos acabam trabalhando ilegalmente.

Enfim, é um filme que funciona bem dentro da proposta, que facilmente poderia ter ido mais além, mas que dentro do que o diretor cadenciou acabou entregando resultado e agradando de certa forma. Claro que poderia ser mais curto eliminando alguns atos duplos desnecessários, mas para que o filme tivesse a intensidade escolhida de um jovem diretor até que foi bem no que fez, valendo a indicação. E é isso pessoal, eu até ia tentar ver mais um longa hoje, mas um só já está bom, então volto amanhã com mais dicas, fiquem com meus abraços e um bom restinho de final de semana. 


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A Teia (Sleeping Dogs)

5/05/2024 02:27:00 AM |

Gosto muito de ver um bom suspense na telona, principalmente quando me entregam boas reviravoltas e/ou um certo grau de dificuldade para descobrir quem é o assassino ou as motivações para tudo que acontece na tela, porém ultimamente as tramas andam sendo meio que fáceis demais aonde acabo descobrindo boa parte antes da metade, e assim o queixo não cai, e fico apenas esperando a motivação ser ao menos interessante para ficar bacana. E com a ideia do longa "A Teia" meio que já fui esperando o que iria acontecer, tendo a boa sacada das conexões neurais, o lance do Alzheimer, e toda a pesquisa dos psicólogos da trama de fazer um elo do passado sumir da mente da pessoa, de tal forma que a amarração é intrigante, o formato meio que capitular usando os nomes dos envolvidos também não foi cansativo por não repetir os elos, mas ficou faltando um pouco mais de dinâmica para que tudo explodisse realmente. Ou seja, não digo que tenha sido um filme ruim, porém dava para ter dificultado mais na tela, e quem sabe o resultado final ser um pouco mais impactante para que chamasse mais atenção.

A sinopse nos conta que o ex-detetive de homicídios Roy Freeman passa por um tratamento revolucionário para Alzheimer quando é chamado para reexaminar um brutal caso de seu passado. Intrigado e lutando para recuperar sua memória, Roy pede a ajuda de seu ex-parceiro para retomar a investigação envolvendo um condenado no corredor da morte, que ele prendeu dez anos atrás e que alega inocência. À medida que novos elementos surgem, uma complexa teia de mentiras se revela, forçando Roy a enfrentar uma terrível realidade que muda o seu mundo para sempre.

O diretor Adam Cooper tem muitos bons longas que assinou como roteirista, porém na cadeira principal é sua estreia, então fica claro o motivo de não ter dificultado mais para o público a descoberta final, pois acredito que o livro de E. O. Chirovici tenha dinâmicas mais fechadas e intensas para que o público fique amarrado na poltrona apostando suas fichas em quem matou realmente o professor, pois toda a essência vemos que está na tela, mas a desenvoltura acaba sendo entregue rapidamente enquanto os atos se prendem sozinhos, o que facilmente não deve acontecer em uma trama de suspense. Ou seja, talvez o mesmo roteiro nas mãos de um especialista em direção do estilo daria um rumo para o filme daqueles que você ficaria tenso e preso na poltrona esperando cada desenvolvimento de tudo, o que aqui em alguns atos até chega a ocorrer, mas quando vemos o diretor já deixou explícito com o rumo que escolhe passar na tela, o que é uma pena.

Quanto das atuações, sempre digo que Russell Crowe é daqueles atores que entregam em seus filmes todo o esforço de conseguir passar a ideia cênica para o público, não deixando nada em segundo plano para reclamarmos de suas expressões e trejeitos, de tal forma que aqui seu Roy passa bem a ideia de não lembrar nem aonde colocou um controle remoto na noite anterior, quanto mais saber o que fez anos atrás, e brinca bem com olhares tristes e dimensões reflexivas bem colocadas para que cada ato nos convença de tudo o que está conseguindo ligar em sua investigação. Tommy Flanagan trabalhou seu Jimmy Remis com um ar canastrão mesmo depois de velho, e isso ficou até que divertido de ver na tela, mas talvez pudessem ter trabalhado melhor a personalidade dele em alguns atos para que o filme ficasse mais intenso. Karen Gillan trouxe para sua Laura/Elizabeth um estilão denso, que chega a chamar atenção e consegue marcar bem o envolvimento com os vários homens da trama, de forma que a atriz praticamente se reinventa na tela com caras e bocas bem colocadas. Ainda tivemos bons atos de Marton Csokas como Joseph Wieder cheio de nuances, Thomas M. Wright com seu Wayne Devereaux sempre aparecendo nos cantos, entregando algo meio que perigoso para desviarmos os olhares, e Harry Greenwood bem encaixado nos atos meio que malucos de seu Richard Finn, mas sem ir muito além na tela.

Visualmente o longa tem um ar sujo meio que noir que todo bom suspense pede, um apartamento bagunçado, mas recheado de coisas de um crime para que o protagonista pudesse investigar mesmo depois de aposentado, uma faculdade clássica de filmes com crimes, gravações incriminadoras, um matadouro estranho, muitos bares e tudo com detalhes e histórias meio que duplas, mostrando que a equipe de arte até que brincou bem com o quebra-cabeça jogado para que fôssemos montando, mas o diretor acabou acelerado demais e se perdeu um pouco.

Enfim, é um filme que tinha toda a ambientação para ir bem mais além, porém faltou pegada por parte da direção para ir mais além e convencer o público das demais pistas, e assim sendo acaba sendo um passatempo fácil para quem gosta do estilo, o que não é ruim de ver, mas esperava mais dele com o trailer tenso que foi entregue antes. Então fica a dica, e eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - A Batalha do Biscoito Pop-Tart (Unfrosted)

5/04/2024 08:05:00 PM |

Ainda vou tentar entender a baixa criatividade que os roteiristas andam no mundo inteiro, querendo contar histórias de coisas que basicamente ninguém estava querendo saber, que assim como falei quando saiu o longa das pelúcias está virando os anos dos produtos no cinema, tivemos já filme de tênis, de salgadinho picante, de pelúcias filhotinhas, e agora eis que entra a briga das empresas de cereais pelo domínio do paladar açucarado no café da manhã! Claro que diferente dos demais que foram histórias baseadas em fatos reais com uma síntese bem mais séria e cheias de nuances, no longa da Netflix, "A Batalha do Biscoito Pop-Tart", a mente criativa de Jerry Seinfeld brinca com a disputa entre as empresas de cereais, todo o domínio da Kelloggs contra sua rival Post nos anos 60, a ideia de algo novo para o café da manhã, os conflitos com os leiteiros, uma guerra entre os americanos e os russos influenciando quem vai ficar com todo o açúcar cubano, e por aí vai, que nem dá para considerar como uma biografia, mas tendo alguma base real bem lá no fundinho, a trama acabou sendo quase um episódio especial do Saturday Night Live, afinal colocaram praticamente todos os humoristas do país na trama para brincar com as loucuras, e assim sendo é uma comédia formatada que até diverte, mas que entrega um humor tradicional que só os americanos gostam e entendem, não sendo algo que você vai rir aos montes de toda a loucura.

O longa se passa em 1963, uma época em que o leite e o cereal dominavam os cafés da manhã. Os Kellogg's e Post são rivais empresarias que competem para criar um bolo que poderia mudar o café da manhã para sempre, mostrando a batalha por trás da criação de um docinho revolucionário.

Se passaram 17 anos desde que Jerry Seinfeld criou o roteiro de "Bee Movie" e desde então não tinha voltado a fazer roteiros de filmes, mas eis que agora não só criou o roteiro como também se aventurou na direção, e claro no protagonismo, aonde ele conseguiu mostrar a criação de um biscoito só que de uma maneira maluca demais, que talvez num estilo mais fantasioso como "Wonka" faria mais sentido, mas ainda assim o resultado da trama tem uma certa intensidade cômica que agrada, porém com tudo tão forçado o resultado acaba não fluindo como deveria em um filme. Claro que não é ruim, afinal o elenco de peso sabe ser engraçado e tirar onda com tudo na tela, mas certamente dava para ter ido um pouco mais além, talvez nas mãos de um diretor com mais pegada e estilo.

Quanto das atuações, fazia anos que não via Jerry Seinfeld, e pelo que vi ele mesmo não se entregou muito depois de seu seriado, e aqui seu Bob tem boas ideias, mas parece maluco demais ao ponto de não conseguir entregar toda sua criatividade, bem como fazia lá nos anos 80/90 quando jogava suas sátiras, e o resultado aqui dependeu mais da química dele com os demais do que dele próprio, mas ainda tem tino para criar rapidamente e chamar atenção na tela. E falando em química, a parceria do diretor com Melissa McCarthy é algo que facilmente numa apresentação de premiações daria muito certo, pois aqui sua Donna Stankowski tem uma mente brilhante, faz parecer a loucura toda com muita vez, e encaixa essa síntese na pegada da trama. Embora tenha aparecido pouco, Peter Dinklage entregou a cena que mais me fez rir como presidente dos leiteiros, fazendo o protagonista passar por um "corredor polonês" que nem em sonho muitos gostariam, além de trabalhar com seu famoso olhar denso e imponente. Ainda tivemos toda a briga entre os donos das marcas bem encaixados com Amy Schumer fazendo uma Marjorie Post bem imponente e direta, e do outro lado Jim Gaffigan trabalhando um excêntrico Edsel Kellogg III, mas quem conseguiu ter um destaque mais chamativo foi Hugh Grant com seu Thurl, ator que dominou a roupa do tigre famoso e ainda organizou todo um grupo de mascotes contra a ideia de fazer algo sem um mascote. 

Visualmente a trama é bem colorida, mostrando desde crianças revirando lixeiras atrás de comida até protótipos de espaçonaves da NASA, brincando com o fato dos leiteiros, com a produção dos cereais, e até mesmo a junção de vários gênios de áreas nada correlacionadas a comidas para criação de algo inovador para a companhia, brincando bem com tudo com sacadas até mesmo para uma massa mutante, ou seja, o famoso apelo cômico que as vezes funciona, outrora fica estranho demais até mesmo para quem gosta.

Enfim, é um filme que serve como um passatempo interessante para quem curte comédias bagunçadas, mas para quem for conferir esperando algo que trabalhasse uma história realmente de como foi criado os biscoitos irá se decepcionar um pouco com o resultado meio audacioso do diretor e sua turma, então fica a recomendação com ressalvas. E é isso meus amigos, eu fico por aqui agora, mas hoje ainda vou conferir mais um longa, então abraços e até logo mais.


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Love Lies Bleeding - O Amor Sangra

5/04/2024 02:26:00 AM |

Costumo dizer que dentro de uma ficção você pode inventar o que quiser, afinal tudo é permissivo desde que você não tente levar para o lado mais realista, pois aí você pode usar todas as figuras de linguagem possíveis, mas sem sair de uma base sólida, e infelizmente ao meu ver (pois sei que muitos irão por outro caminho) essa foi a maior falha de "Love Lies Bleeding - O Amor Sangra", que estava indo numa lógica de filme policial interessante, com os famosos e conflitivos romances, as reviravoltas de defender o seu amor enfrentando tudo e todos, crises de ciúmes e tudo mais, e dava para ir para rumos finais intensos e bem colocados, porém a diretora resolveu sair de sua cadeira e inventar moda numa alegoria fantasiosa tão fora de si, que a sala inteira do cinema se descambou a rir que o longa que era um drama/policial virou uma comédia do absurdo de nível gigantesco com a escolha das cenas finais. Claro tem simbologia, dá para interpretar de diversas maneiras, mas é o tipo de coisa que você não faz em um filme que está com uma proposta séria, ou então você faz e coloca seu longa apenas em festivais alternativos, pois comercialmente garanto que a maioria irá rir, alguns vão desistir de ver o restante querendo ir embora do cinema (mesmo sendo uma das últimas cenas), e confesso que mesmo eu que costumo ver muita coisa estranha em festivais não esperava de forma alguma acontecer o que aconteceu, de tal maneira que só me vi balançando a cabeça sem acreditar no que estava aparecendo na tela. Ou seja, diria que é um filme 90% excelente e interessante, que numa analogia de comida o preparo estava delicioso, e com a mesa pronta e todos sentados para degustar, alguém vai lá e joga gasolina no fogão.

O longa é um romance ambientado na década de 1980 que acompanha a vida da reclusa gerente de academia Lou, que acaba se apaixonando por Jackie, uma ambiciosa fisiculturista que viaja da cidade até Las Vegas em busca de seu sonho. Mas essa história de amor fulminante entre elas desencadeia a violência, puxando-as profundamente para a teia da família criminosa de Lou, resultando em um romance cheio de ego, desejos, sangue e vingança.

Volto a frisar que é totalmente possível de entender a analogia que a diretora e roteirista Rose Glass quis passar com a mulher gigantesca no melhor estilo Hulk possível no ato final, delas se sentirem grandiosas em conseguirem seus objetivos e salvar uma a outra e tudo mais, porém isso dava para ser feito sem precisar transformar seu longa em uma comédia, porém são escolhas, e facilmente o longa dela tem uma aura mais de Festival, tem uma pegada de longa mais antigo mesmo, que até sai do padrão normativo que muitos andam seguindo, porém se desde a primeira cena ela tivesse entregue tudo como uma grandiosa fantasia, sem tentar recair para algo mais sério, aí eu sairia aplaudindo, rindo e vibrando com tudo. Ou seja, a diretora tinha duas possibilidades, a de fazer um filme irreverente sobre o mundo incorreto das drogas, apelando para algo escrachado que ainda assim poderia ser forte, ou então trabalhar tudo como um drama policial sério e fechar seu filme de uma forma séria (talvez algo meio "Thelma & Louise"), mas juntar dois estilos opostos ao meu olhar é errar e me fez pensar o quão fora da casinha ela estaria para criar esse final.

Quanto das atuações, já vi Kristen Stewart fazendo alguns papeis bem melhores do que o que entrega aqui para sua Lou, pois a jovem personagem até tem um ar meio depressivo funcional da época, mas a atriz não tentou explodir ela para algo que chamasse atenção realmente, sendo uma boa ocultadora de provas, mas faltou atitude para empolgar realmente. Já Katy M. O'Brian trabalhou bem sua Jackie como uma boa fisiculturista, talvez um pouco viciada demais nas drogas, mas por já ter sido do esporte antes de virar atriz, conseguiu personificar bastante seus momentos e chamar atenção (diria até demais no último ato!). De cara já dava para saber os atos da personagem Daisy que Anna Baryshnikov fez, e chega a ser irritante sua personificação ao ponto de querermos que suma logo de cena, e como já disse isso em outros textos, isso não é algo ruim, muito pelo contrário, mostra que determinado ator/atriz conseguiu mudar seu personagem para rumos que incomodam e funcionam, ou seja, mesmo aparecendo pouco foi muito bem em cena. Quanto dos demais, diria que Dave Franco apareceu pouco com seu JJ, mas deu motivos para tudo o que ocorre com ele, Jena Malone fez de sua Beth a tradicional mulher que quase morre de apanhar, mas ainda assim fica triste com a morte do agressor, mas sem dúvida todos os olhares se focam no cabelo de Ed Harris como o pai de Lou, sendo um personagem bizarro, estranho e tudo mais, mas que entrega muito em seus atos.

Visualmente a trama trabalhou bem o clima oitentista, brincou com nuances em tons diferentes para quebras de clima, e mostrou um pouco desse mundo esportivo competitivo, misturando com drogas, excesso de academia e mais drogas, armas, violência e tudo mais, não recaindo tanto para o lado do fisiculturismo, mas tendo elementos para criar o ambiente criminoso da família e tudo mais, mostrando que a equipe de arte teve o cuidado em preservar bem a essência da época.

Enfim, como já repeti muitas vezes, eu gostei do filme, da ideia em si, mas achei a pior finalização do mundo, de tal forma que achei algo imperdoável, pois eu esperava qualquer coisa da trama, sei que a A24 gosta de filmes diferentes, com uma proposta mais cult e artística, mas saíram demais da casinha. Ou seja, não é um filme que posso dizer que recomendo, pois muitos que não forem para esse estilo mais de festival irão querer me xingar depois, então digo apenas que vejam um bom filme, se preparando para o pior final que já viram na vida, que aí talvez o longa fique mais atrativo. E é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Férias Trocadas

5/03/2024 01:23:00 AM |

Quem olhou a programação dos cinemas que soltei ontem tinha a total certeza de que esse não seria o primeiro filme que veria na semana, claro depois das pré-estreias de ontem e terça, mas os astros  cinematográficos alinharam os horários para que eu fosse conferir "Férias Trocadas" com um medo imenso de ser "mais uma" das comédias sem graça que o cinema nacional costuma entregar, pois no meio de umas 30 que são lançadas por ano dá para salvar umas 8 a 10 no máximo que fazem rir sem precisar virar uma novela das sete forçada, e por incrível que pareça, posso incluir esse longa de hoje nesse seleto grupo que se salva, pois é divertida, bem produzida, e mesmo que apele para tentar o riso, não chega nem perto do formato novelesco, e isso já é algo que ganha muitos pontos na minha avaliação, fora que a sacada foi bem colocada, afinal o que mais temos no país é pessoas com nomes semelhantes, quiçá iguais, só pontuaria um erro que ficou falho que em qualquer hotel que seja do mundo, a primeira coisa que o atendente pede é um documento e/ou o cartão de crédito para cruzar as informações de reserva, mas vou relevar isso, senão não aconteceria o filme. Então ver um pobre se sentindo rico por uns dias, enfartando vendo os preços das coisas só tacando na "tarjeta" que não é sua, e ver o rico tendo que se virar no meio da natureza com sabugo e sem ar condicionado, acabou sendo gostoso e divertido de ver, mesmo que tendo alguns momentos exagerados, mas que não incomodam.

A sinopse nos conta que José Eduardo, o Zé, é dono de uma escolinha de futebol e ganha numa rifa uma viagem com a mulher e a filha blogueira para Cartagena. Já José Eduardo, o Edu, é um empresário bem-sucedido que vai sair de férias com a esposa e o filho tiktoker. A confusão começa quando, por engano, Zé se hospeda no hotel de luxo de Edu, que, por sua vez, acaba na pousada simples de Zé. Essa troca proporciona experiências que as duas famílias não estavam acostumadas, mas que acaba as unindo ainda mais.

O mais engraçado de olhar para a filmografia do diretor Bruno Barreto é que você vai olhar desde "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1976 - uma das maiores bilheterias do cinema brasileiro), passando por "O Que É Isso Companheiro" (1997 - outra obra que fervilhou os cinemas), até "Flores Raras" (2013 - completamente injustiçado de não poder ser nossa indicação certeira ao Oscar por ter mais do que o percentual falado em inglês) e no meio do caminho ainda ver um "Crô - O Filme" (que foi uma das maiores bombas novelescas do nosso cinema), entre muitos outros, ou seja, é um diretor que está no mercado há muito tempo e que não hesita de pegar desde grandes obras até filmes bomba, e aqui diria que ele conseguiu pegar um roteiro simples, porém cheio de nuances que davam para ser desenvolvidas e conseguiu brincar com ele, entregando atos tradicionais que facilmente aconteceriam com pessoas de duas classes bem opostas entrando em lugares que teoricamente não pertencem a eles, e ir além com essa pegada. Ou seja, ele fez de um limão uma limonada sem precisar encher de açúcar ou enfeites, e o principal, foi para Cartagena na Colômbia gravar, ficando com o elenco por um mês em um resort, não inventando de gravar no Brasil parecendo estar em outro lugar, e com isso acabou criando um bom timing com os artistas e o resultado da química entre todos fica claro nas cenas.

Quanto das atuações, gostei que Edmilson Filho foi explorado mais do que apenas seus personagens casuais, pois ao precisar fazer dois papeis completamente diferentes em Zé ele jogou o tradicional personagem mais escrachado, porém bem sacado e que sempre faz bem, enquanto com Edu ele já se verteu para uma pessoa mais fechada, com tiques e intensidades diferenciadas, mas que caiu bem para o que o personagem pedia, e que mesmo forçando um pouco com ambas as personalidades conseguiu agradar e criar uma boa química com os demais personagens em cena. E falando dos demais personagens, tivemos de um lado Aline Campos como uma cabelereira bem simples com sua Suellen, mas que se deslumbra ao máximo com tudo no hotel chique, e se joga bastante nas coisas boas que o luxo entrega, e do outro lado tivemos Carol Castro com sua Renata, uma arquiteta cansada das coisas metódicas do marido e que se deslumbra com o simples e rústico da pousada ecológica, brincando bem com todas as facetas para reatar o amor ao marido no meio do matagal, e ambas entregaram muita conexão com as personalidades do protagonista. Dos jovens, tanto Klara Castanho com sua Rô quanto Matheus Costa com seu João entregaram a base do momento de influencers, tiktokers e afins que tentam documentar ao máximo suas vidas, mas que para a base do filme acabaram apenas bem encaixados nas nuances familiares, não indo muito além na tela. E quanto aos empregados dos hotéis, tivemos de um lado Gustavo Mendes forçando um maître multilíngue, mas que diverte, enquanto do outro lado tivemos Flávia Garrafa como a dona da pousada zen demais da conta, então sobrou para Luciana Paes apelar para uma massagista tântrica maluca que valeria ter trabalhado um pouco mais para outras cenas, pois ela daria história.

Visualmente o ambiente tem alguns meros minutos num aeroporto, depois uma animação mostrando alguns perrengues do voo, para já chegar em Cartagena e acontecer a troca de hotéis, e consequentemente de carros, tendo um lado uma van luxuosa, um resort paradisíaco e quartos e restaurantes que é o sonho de qualquer viajante com muito dinheiro, enquanto do outro lado temos uma pousada no meio do nada, redes, sem conexão com nada sem ser a natureza, sabugos no banheiro, e claro muitos perrengues, ficando no meio uma pequena vila com um bar e um concurso de dança. Ou seja, a equipe de arte brincou bastante em todos os ambientes e conseguiu passar muita verdade com a produção em um todo.

Enfim, como disse no começo estava com muito medo de ser uma das muitas comédias forçadas que chegam nos cinemas durante o ano, mas acabou sendo algo ao menos divertido de curtir, com uma sacada que funcionou (não lembro de algum filme exatamente com essa proposta, mas sei de alguns que já tiveram essa pegada de trocas), e que quem gosta do estilo certamente sairá bem feliz da sessão, então diria que recomendo o filme. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Garfield: Fora de Casa em 3D (The Garfield Movie)

5/01/2024 08:31:00 PM |

Confesso que logo que vi o primeiro trailer de "Garfield: Fora de Casa" fiquei bem curioso para conferir por gostar bastante do personagem, porém estava com muito receio de ser algo bobinho demais, com história quase nula, mas felizmente fui surpreendido com sucesso, afinal a trama entrega uma aventura mesmo do gato preguiçoso em uma missão junto de seu pai, tendo muitas desenvolturas, objetivos e sacadas que fazem o público curtir cada momento do começo ao fim, mostrando desde quando era apenas um filhotinho que adotou o humano Jon após ser "abandonado" pelo pai Vic, passando pelas suas comilanças e claro por todo o conflitivo sequestro que passou para embarcar numa aventura completa, com andanças de trem, toda uma espionagem dentro de uma fábrica de laticínios e muito mais. Ou seja, entregaram algo tão completo que não tem como não se divertir, sendo bacana tanto para os pequenos curtirem o gatinho irônico quanto para os adultos que já gostam das suas historinhas entrar numa nova e interessante trama, não sendo nem básico demais para cansar, nem imponente para virar uma obra prima, mas que funciona demais.

A sinopse nos conta que após um reencontro inesperado de Garfield com o pai há muito perdido, o maltrapilho gato de rua Vic, ele e o amigo canino Odie são forçados a sair de suas vidas perfeitamente mimadas para se juntarem a Vic em um arriscado assalto.

Ao pesquisar sobre o diretor Mark Dindal vi que ficou cheio de projetos não concluídos desde que saiu da Disney em 2006 logo após dirigir "O Galinho Chicken Little", entrando em alguns projetos apenas para ajudar, começando outros sem acabar, até chegarmos agora com esse novo filme, ou seja, segurou toda sua criatividade por quase 20 anos (que alguém da Disney deve ter jogado alguma praga nele!) e agora mostrou tudo o que sabe fazer, com personagens com boas texturas sem ficar realista demais (ainda mantendo o estilo de animação) e claro brincando com um personagem amado que também não daria para inventar tanto, de tal forma que acabou brilhando sob a supervisão de Jim Davis, criador dos quadrinhos, para que tudo fosse o mais próximo do que realmente imaginaria para seu gato preguiçoso e comilão. E o que posso dizer é que ele acertou em cheio, pois muitos diretores acabariam inventando moda, distorcendo tudo o que gostamos do personagem, mas ainda assim colocou sua técnica e personificação para algo que tivesse uma aventura bacana, pois facilmente outros acabariam também segurando demais o personagem, e não era isso o que deveria acontecer. Ou seja, diria que foi uma volta triunfal para um bom diretor de animações, e agora espero que não demore mais 20 anos para fazer outros filmes, afinal ele sabe trabalhar muito bem para ficar na geladeira dos diretores.

Quanto dos personagens e suas dublagens, já ouvimos tantas vozes diferentes para o gato laranja, mas algumas foram mais marcantes com um tom mais forte, e aqui nessa Raphael Rossato que é o dublador oficial de Chris Pratt no país, emprestou também sua voz para o gato, afinal no original é Chris quem faz o tom dele, e é meio impossível falar de Garfield com sua entrega, afinal já conhecemos o bichano há muitos anos, e embora saibamos que é muito preguiçoso, entregou boas dinâmicas nas cenas mais ágeis, e claro com sua ironia divertiu bastante na tela. Vic foi dublado no original por Samuel L. Jackson, e aqui quem ficou a cargo da voz foi Ricardo Rossato que trouxe ainda mais personalidade para o gato gigante faceiro e cheio de traquejos, que se mete em muitas roubadas, mas que entrega também um ar paternal bacana nos atos que precisou disso. Ainda tivemos o cachorro Odie, que aparentemente parecia mais bobão nos quadrinhos, mas aqui demonstrou uma inteligência e perspicácia que chega a impressionar com tudo o que faz, e embora só lata e faça alguns barulhos, foi dublado por Marcus Eni que sempre brilha também no que faz. Quanto dos vilões, tivemos cenas mais cômicas com os cachorros Roland e Nolan, mas quem impressiona mesmo nas maldades e loucuras foram a gata Jinx que aqui foi dublada por Taryn Szpilman e a segurança Marge bem imponente que Angélica Borges deu a voz. Ainda tivemos bons momentos com o touro Otto divertidíssimo com seus planos e pausas dramáticas e claro com Jon desesperado tentando falar no telefone. 

Visualmente a trama tem uma pegada colorida bem encaixada, mostrando claro muita comida na casa de Jon e na pizzaria, um shopping meio abandonado como esconderijo de Jinx, uma fábrica de laticínios bem tecnológica, e muitas aventuras em um trem, aliás fazendo muitas referências aos filmes de Tom Cruise em dois atos no trem. Ou seja, tudo muito bem desenhado dando o formato, texturas e sombras interessantes para os personagens, mas sem sair da base tradicional que gostamos de ver nele. Quanto ao 3D, infelizmente não usaram praticamente nada da tecnologia para brincar com o pessoal, servindo bem pouco para dar uma profundidade de campo de visão, mas nada que impressionasse.

Enfim, é daquelas animações gostosas de curtir, que quem for não irá se decepcionar com a entrega, e confesso que me surpreendi dela ter prendido bem a atenção dos pequenos, pois tendo mais histórias e dinâmicas achei que a molecada iria desistir fácil da tela, o que não aconteceu, então pode pegar a família toda e ir conferir que vale o resultado, e eu recomendo. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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O Dublê em Imax (The Fall Guy)

5/01/2024 02:50:00 AM |

Confesso que quando vi pela primeira vez o trailer do longa "O Dublê" pensei que seria algo tão idiota que iria mais reclamar do que gostar do que veria, e quando começou a trama e dá a passada temporal de 18 meses, indo para a gravação de um filme de romance com ficção científica entre um cowboy e uma alienígena pensei sinceramente aonde isso vai me levar, mas tudo acaba se desenvolvendo de uma forma tão divertida, tão cheia de nuances, e principalmente tão bem produzida com cenas de ação gigantescas, que acabei entrando tanto no clima que acabei adorando tudo do começo ao fim (inclusive com uma cena pós-créditos e várias durante os créditos mostrando os verdadeiros dublês em ação!). Ou seja, é o famoso blockbuster escondido que ninguém imaginaria ficar tão bom que mesmo contendo um romance no meio não fica açucarado, mas sim gostoso de curtir pelas ideias colocadas, canções e tudo mais que funciona no meio da completa loucura que é tudo na tela.

A história acompanha Colt Seavers, um dublê de Hollywood que precisou abandonar a vida de acrobacias perigosas após sofrer um acidente. Porém, um tempo depois, ele é chamado de volta para trabalhar em um filme dirigido por sua ex, Jody Moreno, realizando as cenas mais intensas de ação de Tom Ryder, protagonista do longa. Mas o convite envolve um grande mistério: Tom está desaparecido e, enquanto grava suas sequências, Colt descobre que pode ter se envolvido em algo muito maior do que um simples trabalho como dublê.

O mais engraçado é que esse filme poderia facilmente ser colocado como uma auto-biografia do diretor David Leich, afinal antes de estourar como um famoso diretor em 2017, antes era apenas diretor de dublês e trabalhou muito pulando de prédios, motos, se tacando fogo e tudo mais que fosse preciso desde 1995, ou seja, conhece como uma luva cada cantinho por onde passa um dublê, sabe o quanto é divertido e perigoso a profissão, e claro também já deve ter dado alguns pegas com algumas diretoras  de fotografia (ou nem tanto já que anteriormente o cinema era bem mais machista e não tinham tantas mulheres assim como é hoje), e aqui ele que gosta de fazer filmes com muitas cenas pegadas de ação, com desenvolturas imponentes e tudo mais, pode brincar com a ideia tanto em segundo plano como em primeiríssimo, já que a trama brinca com o fazer um filme de ação romântico, e essa duplicidade do roteiro junto com todo o envolvimento que ele soube colocar, fez com que seu filme tivesse aquele algo a mais que tanto gostamos de ver na telona, pois é explosão, é risada, é romance, é ficção científica, é policial, tudo misturado e que funciona agradando quem gosta de todos esses estilos, juntos!

Quanto das atuações, Ryan Gosling e seus quatro dublês (Logan Holladay, Justin Eaton, Ben Jenkin e Troy Lindsay Brown) se desafiaram bastante, brincaram com as cenas mais perigosas e claro que o ator sem se arriscar fez todas as boas sacadas que sabe entregar, sendo um Colt astuto e bem encaixado, e que principalmente soube segurar a trama para si, não fazendo com que o filme perdesse o foco nele, agradando bastante e mostrando que sabe escolher bem as produções para se destacar, pois depois de um Ken, ele se jogou para chamar muita atenção e não ficar marcado. Emily Blunt também se divertiu bastante com sua Jody, não recaindo para uma personagem melosa, e principalmente sabendo dar o espaço para que o protagonista brilhasse, sendo claro uma diretora em ação, criando atos envolventes, mas deixando o longa fluir. Aaron Taylor Johnson tem estilo, mas seu Tom Ryder merecia um desenvolvimento melhor, pois ficou apenas como um astro metido e com o ego inflamado demais, que poderia ter ido além, afinal o diretor gosta dele em seus filmes, mas ficou bem em segundo plano. E quem talvez ficasse em segundo plano na trama seria o Dan que Winston Duke entrega na tela, mas como um coordenador de dublês soube entrar em cena exatamente aonde precisariam dele, e acabou agradando bastante. Por fim ainda tivemos cenas demais de Hannah Waddingham com sua Gail, de modo que como uma produtora talvez seria melhor ficar mais em segundo plano na trama, mas como está envolvida na confusão, acabaram usando ela demais, e não convenceu como deveria. Ainda tivemos atos espalhados com Stephanie Hsu, Teresa Palmer, Ben Knight e até uma homenagem ao final com os dois atores da série na qual o longa é baseado, que é "Duro na Queda" de 1981, com Lee Majors e Heather Thomas fazendo uma pontinha no final.

Visualmente o longa tem boas cenas de perseguição na rua, boas lutas dentro de um apartamento bem cheio de detalhes de filmes, um set de gravação beira-mar com muita areia (lembrando até um pouco "Duna" até mesmo na trilha-sonora), aliens estranhos, porém bem colocados em cena, muitos atos com carros capotando, voando, trombando e tudo mais, e claro muitas explosões e pirotecnia no melhor estilo possível que um bom filme de ação deve ter, claro que contando com muitos detalhes cênicos como armas de munição cenográfica, espadas falsas, capacetes, além das armas estranhas do filme que está sendo gravado com boas referências para brincarem com esse mundo.

O filme conta com uma trilha sonora incrível, com canções bem encaixadas nos diversos momentos, mas sem dúvida os destaques ficam para "All Too Well" da Taylor Swift e "Against The Odds" de Phil Collins usadas no ponto máximo que um romance deveria ser usado. Não achei o link oficial, mas esse tem boa parte das canções usadas para curtirem depois. 

Enfim, é um filme que beira a perfeição por conseguir encaixar vários estilos em uma trama só, e isso é algo bem raro de acontecer e dar certo, mas que poderia ser um pouco mais curto, afinal no miolo acabaram enrolando demais em situações desnecessárias, porém é algo que não atrapalha já que o filme tem ritmo. Então com toda certeza recomendo ele para todos, talvez funcione melhor vendo no cinema mesmo pelas muitas cenas de ação (ou seja, em casa alguns não vão ficar tão contentes com o resultado), e eu fico por aqui hoje, então abraços e até logo mais.


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