Netflix - Criaturas Extraordinariamente Brilhantes (Remarkably Bright Creatures)

5/11/2026 12:33:00 AM |

Acho interessante que a Netflix comprou e/ou produziu diversos filmes emocionais nos últimos meses, aonde procuram trabalhar os sentidos do público com situações fortes como mortes, amizades e conexões sentimentais entre os personagens mais diversos, de modo que acabamos tendo mais do que apenas um passatempo para o domingão, mas também algo para se refletir e envolver dentro da essência da trama completa. E hoje dei o play no longa "Criaturas Extraordinariamente Brilhantes", que sendo baseado num dos livros mais vendidos atualmente, consegue permear toda a dinâmica entre uma senhora, um jovem e um polvo, contando com suas frustrações, seus passados sofridos e também possibilidades e decisões para o futuro, sendo bacana de entrar no clima, e até puxando para o lado de escorrer algumas lágrimas, mesmo que sendo do estilo "passatempo de final de semana" aonde você descobre tudo com menos de 10 minutos de exibição, o resultado flua funcionando e agradando bastante até no final.

O longa conta a história de Tova, uma viúva que forma uma amizade improvável com o rabugento Marcellus, um polvo gigante do Pacífico que vive no aquário onde ela trabalha. Sem que Tova saiba, Marcellus está em uma missão para resolver um mistério que curará o coração da viúva e a levará a uma descoberta que mudará sua vida.

Diria que a diretora e roteirista Olivia Newman soube pegar a obra de Shelby Van Pelt e abrilhantar isso com a formatação escolhida, pois facilmente dava para ser um longa bem mais dramático, com uma pegada densa e forte sem ares cômicos e/ou pequenas e sutis dinâmicas, mas acabou transformando seu filme em algo tão leve e bem desenhado que sínteses de luto e etarismo acabam sendo apenas simbolizados na tela sem precisar explodir e pautar muita coisa. Ou seja, ela pegou um livro que tem uma densidade bem colocada e transformou em um grandioso filme da Sessão da Tarde aonde podemos nos emocionar sem precisar ficar lavando efetivamente a sala de casa, sendo bonito pela essência e interessante por toda a dinâmica funcional de criar elos sem que necessariamente estivessem ali simbolizados.

Quanto das atuações, nem precisava falar sobre Sally Field, afinal a atriz sempre pega personagens e os traz para si com uma facilidade, que praticamente o carisma de Tova vira algo tão marcante, tão cheio de nuances, que poderia ser daquelas rabugentas e que incomodasse com tanto fervor, mas não, a atriz deu sentimento, deu vivência para o papel, e seus cabelos também tiveram vida própria sendo até engraçado ver alguns atos bagunçados tanto e outros mais arrumadinho, de modo que ela fez o papel e não vice-versa, sendo tão bacana que não duvidaria se lembrassem da personagem nas premiações. Na outra ponta tivemos Lewis Pullman tão bem colocado com seu Cameron que se deixou levar fácil pelas situações, não se prendendo tanto nas dinâmicas, mas se entregando para que seu papel fosse mais solto, e isso acabou rendendo uma amizade diferente e ousada dentro da proposta, o que acabou sendo bacana de acompanhar o personagem, e até torcer para ele em determinados momentos. Agora quem deu um show sem aparecer foi Alfred Molina como a voz de Marcellus, sendo bem entonada, direta e forte, conduzindo os devidos momentos para que o polvo parecesse realmente o ser mais inteligente e brilhante da face da Terra, e também gracioso para não deixar nenhum elogio para traz, ou seja, agradou muito e foi muito bem em cena. Tivemos ainda outros bons atores, mas a maioria apenas com pequenas aparições, valendo um leve destaque para Colm Meaney com seu Ethan e Sofia Black-D'Elia com sua Avery, mas nada que fosse muito além para não roubar os momentos dos protagonistas.

Visualmente o longa arrumou um aquário bem bonito, com espécies realmente bem brilhantes para dar todo o contexto visual do ambiente, o polvo tenho quase que 100% de certeza que foi digital pelo tanto que passeia pelo lado de fora de seu tanque, mas souberam dar movimentos e texturas bem marcantes para ele, tivemos a casa da protagonista quase um perigo mundial para idosos com milhões de escadas e degraus para todos os lados possíveis, ainda de madeiras que podem se soltar, mas tudo foi muito bem simbolizado e com seu devido charme funcionou bastante na tela, tivemos um karaokê interessante, a casa dos outros protagonistas e a pequena vila aonde o longa se passa, sendo tudo muito bem charmoso e com um ambiente propício para o estilo que o filme pedia.

Enfim, é daqueles filmes que funcionam muito bem pela proposta e pela entrega dos artistas, mas que sendo bem desenvolvido na tela pela diretora conseguiu criar algo que foi além do livro, não ficando muito preso como algo literário, e o resultado fluindo mais naturalmente, ou seja, é daqueles que certamente nos lembraremos quando virmos novamente pela essência funcional gostosa que acaba entregando, e assim emocionando na medida certa, e claro valendo a recomendação. E é isso meus amigos, fico por hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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