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Planeta dos Macacos: O Reinado em Imax (Kingdom of the Planet of the Apes)

5/10/2024 02:09:00 AM |

Olha não sei se o James Cameron emprestou os cenários de seus filmes para o Wes Ball, mas o primor técnico visual que vemos em "Planeta dos Macacos: O Reinado" é algo para tirar o fôlego de quem gosta de ver belas paisagens sendo bem utilizadas na telona gigante dos cinemas, que acabam lembrando um pouco os dois "Avatar" de Cameron. Dito isso, confesso que estava bem curioso de como entregariam essa nova trama, pois ela inicia dando continuidade ao último filme com Cesar, mas passando várias gerações de macacos, ou seja, chegando bem próximo da época da franquia original, a qual não sou fã embora tenha sido um marco para as categorias efeitos e maquiagem na época, mas sem precisar ainda ligar tudo, afinal como já anunciado antes essa será uma nova trilogia, então é apenas o começo de algo nesse meio do caminho, que felizmente acertou bastante, e que mesmo sendo alongado (dava para ser uns 110 minutos ao invés de 145) não chega a cansar por principalmente o diretor ser especialista em longas de ação fantasiosos e já ter trabalhado muito antes como responsável de efeitos visuais de grandiosos filmes. Ou seja, todo meu receio de não conseguirem entregar algo marcante, ou de romancear demais a relação do macaco com a humana, caiu por água, e o resultado é algo de cair o queixo e esperar ver o que irão fazer mais para frente, pois ainda não tem data para a continuação, e detalhe, se quisessem nem precisaria fazer uma trilogia, pois aqui o longa tem começo, meio e fim como uma boa trama deve fazer sem precisar ficar dependendo de nada de antes, nem nada para depois, então vá conferir tranquilamente.

A sinopse nos conta que muitas sociedades de macacos cresceram desde quando César levou seu povo a um oásis, enquanto os humanos foram reduzidos a sobreviver e se esconder nas sombras. Apesar de ser responsável pela segurança da nova geração de primatas evoluídos, muitos não conhecem os feitos de César. E é neste novo cenário que um líder macaco começa a escravizar outros grupos para encontrar tecnologia humana, enquanto um jovem macaco, que viu seu clã ser capturado, embarca em uma viagem para encontrar a liberdade, sendo uma jovem humana a chave para todos.

Quem me segue a muito tempo sabe que sou fã da franquia "Maze Runner" do diretor Wes Ball, e mesmo dizendo no começo que tinha receio de como ficaria a nova trilogia dos macacos, tinha uma pontinha de certeza que o diretor não iria se queimar, ainda mais tendo duas grandes trilogias para se basear e não jogar fora, e ele realmente não decepcionou, entregando atos emocionais mistos com atos empolgantes de ação e luta, cenários gigantescos (que sabemos que muito foi computação, já que os atores usaram 99% de captura de movimentos para serem transformados em macacos e não iriam ficar pulando numa floresta ou na água) mostrando que não tinha medo de errar no processo tecnológico, e mais do que isso, pegando uma história que convence de resgate familiar, de sucessão, de reinado e desejo por poder (aliás o macaco Proximus deseja conhecimento e saber além de poderio militar, pois sabe que pode dominar com isso), que acaba fluindo fácil e com impacto na tela. Ou seja, é mais um acerto do diretor, e espero que mantenham ele para fazer os próximos, pois aí sim ele vai mostrar que sabe como ligar todos os pontos.

É meio difícil falar sobre as atuações em um filme aonde não vemos os rostos verdadeiros dos atores, mas como todos fizeram seus atos através de capturas faciais encenando os atos, posso dizer que é algo tão expressivo o que Owen Teague entrega para seu Noa, que chega a ser interessante demais ver na tela sua evolução pessoal, afinal é um jovem macaco, mas que precisou ter responsabilidades de adulto logo após as primeiras cenas, ou seja, se entregou demais e conseguiu segurar o longa como protagonista que foi. A jovem Freya Alan já precisou se entregar mais para sua Mae, afinal é uma das poucas sem maquiagem digital, e embora não tivesse atos explosivos chama a atenção na tela e convence para o que precisava. Peter Makon trabalhou um emotivo Raka bem colocado, sabendo dominar o ambiente e criar a conexão entre o ressentido protagonista e a garotinha necessitada, e mostrou um bom preparo para agradar também com trejeitos fortes. Mas falando de trejeitos fortes é claro que temos de falar de Kevin Duran com seu Proximus Cesar imponente, cheio de traquejos e dinâmicas, e principalmente sendo um vilão forte sem precisar ter atos de vilania propriamente ditos, deixando que fizessem por ele. Ainda tivemos outros bons personagens como Lydia Peckham com sua Soona, Travis Jeffery com seu Anaya, Neil Sandilands com seu Koro e Sara Wiseman como a mãe do jovem macaco Dar, mas acredito que poderiam ter dado muito mais voz e interpretação para William H. Macy com seu Trevathan, pois o ator é incrível no que faz sempre, e aqui acabou ficando tão secundário nas suas três cenas que não empolga.

Visualmente, como iniciei o texto, o longa é um deslumbre cênico, praticamente filmado em sua totalidade com câmeras Imax em diversos atos para que a conversão gráfica ficasse ainda mais imponente, e tivemos desde uma floresta incrível com ninhos marcantes para as águias, cenas com cachoeiras, com incêndios e muita simbologia nos elementos cênicos (daqueles que vai ter analista de filmes com mais de milhão de teorias), até chegarmos no reino de Proximus na beira de uma praia devastada, com navios caindo os pedaços, muitos diques, e claro um cofre humano bem imponente que quando invadem vemos muitos elementos cênicos que valeriam a pena ter um desenvolvimento maior. Ou seja, a equipe de arte conseguiu agradar na medida certa.

Enfim, é um filme que convence, que tem empolgação do começo ao fim, e que se tenho de pontuar algo seria apenas do alongamento da trama em atos que não precisariam tanto, e a correria nos atos dentro do cofre que valeriam trabalhar um pouco mais, mas não é nada que incomode, então recomendo com toda certeza o longa para todos, e iremos aguardar o que virá a acontecer no próximo filme, afinal vão precisar ousar muito com os humanos para não ficarem jogados como aconteceu aqui. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, nessa semana de uma única estreia nos cinemas, mas terei algumas cabines e claro filmes do streaming para conferir, então abraços e até logo mais.


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Maze Runner - A Cura Mortal em Imax 3D (Maze Runner: The Death Cure)

1/26/2018 02:25:00 AM |

Como o próprio pôster já nos diz, todo labirinto tem seu fim, e todo filme deve saber a forma certa de encerrar sua trama, pois alguns que quebraram seus livros finais em dois não tiveram grande feitio errando em determinados pontos, alongando em outros e o resultado todos conhecemos, e aqui embora tivéssemos um segundo filme bem enrolado, cheio de personagens sendo apresentados sem muita utilidade, e a tradicional enrolação de filme-do-meio, "Maze Runner - A Cura Mortal" veio com uma duração bem longa (142 minutos), mas que foram bem utilizados cada momento para mostrar tudo o que se necessitava saber, com muita adrenalina em diversas cenas, e principalmente, um grande desfecho para que a história não necessitasse nem mais nem menos para ficar interessante. Confesso que até esperava um pouco mais, pois saí eufórico do primeiro longa, querendo logo a continuação, daí veio o segundo filme e brochou um pouco, mas ao menos deixou a ânsia para que o último viesse com tudo. Claro que recomendo muito se você não lembra de detalhes dos anteriores que assista novamente, pois não temos tempo para explicações, flashbacks e tudo mais, entregando sequência atrás de sequência e revelações acontecendo sem parar, mas dá para dosar tudo e sair feliz com o que verá na telona. Um dos maiores defeitos, que para isso aplaudo séries que gravam todos os filmes de uma vez, é que aqui os protagonistas cresceram e envelheceram demais, parecendo que se passaram anos, e não meses de preparação para o ataque, ficando notável principalmente as cenas que foram gravadas antes e depois do acidente no set, afinal os garotos agora já são homens com caronas, mas isso é detalhe técnico, então só quem botar grande reparo vai reclamar, pois quanto da história, o resultado é bem válido. Outro detalhe que vou falar mais para baixo é do 3D, pois se no segundo filme já foi enfeite que tinha até muita coisa para sair da tela, nesse é algo quase que nulo, valendo ver numa tela imensa apenas pela qualidade da imagem e das grandes cenas de ação. Portanto, é um filmão, literalmente que vai agradar aos fãs, e quem gosta de uma boa ação nas telonas do cinema, tendo principalmente um grandioso final para a trilogia.

No final épico da saga Maze Runner, Thomas lidera seu grupo de Clareanos em fuga em sua missão final e mais perigosa até então. Para salvar seus amigos, eles devem invadir a lendária Última Cidade, um labirinto controlado pela CRUEL que pode vir a ser o labirinto mais mortal de todos. Qualquer um que o complete vivo, receberá respostas às perguntas que os Clareanos têm feito desde que chegaram ao labirinto.

Não lembro se já disse isso alguma vez, mas um diretor estreante ter o culhão de se manter à frente do cargo durante toda a trilogia é algo que poucos fizeram, e Wes Ball não só se manteve, como o filme de 2014 foi sua estreia a frente de um projeto de longa metragem, ou seja, o diretor cresceu construindo toda a concepção dos livros que o roteirista T.S. Nowlin também fez em sua estreia e se manteve até o último episódio, ou seja, um real trabalho de equipe que levou muitos tiros de fãs reclamando de detalhes, de críticos reclamando de excessos, mas que não teve dúvidas e que durante esses 4 anos (quase dois parados por conta do acidente) conseguiram entregar 386 minutos de pura ação, com boa história envolvente, muitos personagens bem (alguns mal encaixados, outros perfeitos), com grandes revelações e principalmente algo que não fizesse o público se cansar, criando dinâmicas prontas tanto para os fãs dos livros, quanto para quem goste de uma trama de aventura com bastante ação, ou seja, uma saga completa. Claro que por ser sua estreia e não ter feito outros trabalhos como diretor, Ball cometeu diversos deslizes comuns nessa sua saga completa, como por exemplo dar muita ênfase em determinado personagem desnecessário, ou trabalhar a ação espaçada demais de timings mais lentos, e principalmente não ousar com grandiosas mudanças que poderiam ser feitas para que tudo se encaixasse realmente melhor como um filme, mas são detalhes mais técnicos do que algo que realmente atrapalhasse a desenvoltura da trama, e sendo assim, o que vimos hoje no fechamento dessa bela trama foi algo que vamos lembrar por um bom tempo, e quem sabe vamos até querer ver os três seguidos algum dia, para que todos os detalhes sejam bem conectados e o resultado fique ainda melhor, ou seja, foi uma boa estreia realmente e iremos aguardar o que lhe será dado agora com o fim da série.

Sobre as interpretações, podemos dizer que todos evoluíram muito em trejeitos durante toda a série, crescendo tanto na forma de atuar quanto na amizade e química entre os protagonistas, de modo que realmente vemos a busca de cada um em ajudar cenicamente não apenas no contexto do roteiro, mas também em ajudar nos ganchos de diálogos de cada um, ou seja, formaram um grande time. Destaque claro para o protagonista da saga, que beirou morrer num grave acidente nas filmagens, Dylan O'Brien que trabalhou seu Thomas com muita velocidade, criando cada cena de ação como se dependesse realmente daquilo para ganhar seu cachê (claro que nos próximos filmes irá repensar 3x antes de fazer cenas perigosas ao invés de colocar um dublê!), mas seu crescimento foi o mais evidente tanto físico (é notável as cenas gravadas antes e depois do acidente!) quanto nos trejeitos e forma de entregar seu personagem, tanto que não vemos mais um fedelho como era chamado no primeiro filme e sim alguém que está brigando por algo, com boas dinâmicas nas falas e olhares, encaixando tudo da melhor forma possível. Thomas Brodie-Sangster também entregou um Newt mais coeso, preparado para chamar a responsabilidade nas cenas que precisou e encaixando grandes olhares de amizade para com o protagonista, criando um vínculo tão bem encaixado que vemos sua vontade de estar fazendo a cena, ou seja, algo que embora interprete um garoto (com seus 28 anos não aparentes), teve compostura de gente grande. A trama focou muito em Ki Hong Lee com seu Minho, e se teve um dos atores que envelheceu bem, estando com uma cara de até ser outro ator (praqueles que falam que todos orientais possuem a mesma cara!), mas a trama mostra o cansaço de seu Minho e o ator soube entregar bem o papel também. Não podemos dizer que Kaya Scodelario mesmo sendo a mais "famosa" dentre os atores, com grandes produções nesse meio do caminho saiu satisfeita com sua Teresa, pois embora aparecesse bastante na trama, parecia sempre estar aérea em pensamentos e com dinâmicas sempre abertas e não conclusivas, o que é um pouco ruim de se ver, mas de modo geral seu final foi bem interessante. Dentre os mais velhos, tivemos grandes momentos tanto de Aidan Gillen com seu Janson todo malvado e desesperado nas cenas finais, se mostrando um vilão do melhor calibre, quanto Patricia Clarkson com sua Ava, que embora esteja menos participativa que no longa anterior, ainda teve seus momentos chamativos. Outro grande destaque nem tanto pela atuação, mas sim pelos detalhes da maquiagem, ficou a cargo de Walton Goggins com seu Lawrence, mas sua aparição nem foi tão surpreendente quanto outro ator que vem no mesmo cenário, mas isso é melhor ser surpresa para quem for ver.

No conceito cênico, acho que será difícil outra saga trabalhar bem os elementos que essa nos entregou, que mesmo com alguns bichos e alegorias bem digitais e estranhas saindo do conceito comum, o resultado geral como grande produção ficou bem incrível de ser vista nos três filmes, e aqui o ápice é de um nível que jamais imaginaríamos com perseguição em cima de trem, cidades imensas sendo destruídas, laboratórios bem construídos, uma guerra iminente no meio da rua, projeções com carros e naves nas alturas, e muito mais, tendo quase nenhuma cena fixa em um único ambiente, criando movimentações sem parar e com muita certeza dando um trabalho imenso para a equipe de arte, que não só entregou uma trama complexa, como criou vértices para serem trabalhados em outros longas, já que em cinema tudo é bem aproveitado. A fotografia ousou e muito, pois como a maior parte do filme se passa a noite, temos iluminações coerentes sem ficar falso, tons distintos para cada momento de ação, sem falhar nas sombras e nos elementos gráficos, muito fogo, fumaça e luzes piscando para criar tensão, e claro ângulos velozes sem ter perda de imagem, ou seja, um trabalho minucioso. Como já disse no começo, infelizmente o 3D está bem fraquinho, que convertido na pós-produção acabou sendo quase inútil, e olha que temos muitas explosões, tiros e cenas com muita ambientação para que fosse trabalhado o efeito, mas como tudo acabou atrasando muito devido ao acidente, é capaz que não sobrou tempo para a equipe mexer nesses detalhes, mas não fez falta.

Enfim, volto a frisar que houve detalhes técnicos que possam pesar a mão, mas foi um grandioso fechamento de saga, com todo o direito que puderam fazer, criando algo bem maior do que era o projeto no começo, ou seja, fazendo uma franquia de ação que era algo simples e curioso apenas virar algo dinâmico, cheio de efeitos e claro como vimos desde o primeiro filme, muita correria! Recomendo ele mais para os fãs dos livros e da série, mas também quem gosta de uma boa ação vai acabar se entretendo com o resultado final aqui, e como disse no começo, recomendo ver todos os anteriores antes de ir para a sessão, pois é bem contínuo os acontecimentos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, afinal essa semana veio bem recheada, então abraços e até logo mais.

PS: Assim como dei uma nota maior do que deveria no segundo filme, aqui vou me ater aos problemas, e dar a mesma nota para a série toda, pois o contexto completo que importa, então diria que foi um 8+7+9=8 de média.

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Maze Runner: Correr ou Morrer

9/20/2014 01:51:00 AM |

A primeira vez que vi o trailer de "Maze Runner: Correr ou Morrer", foi num dia que cheguei atrasado na sessão e vendo apenas alguns pedaços, achei bem interessante, ao chegar em casa e procurar saber data de estreia e tudo mais, vi que eram vários livros, e acabei brochando totalmente, afinal conhecendo os vorazes produtores americanos que qualquer trilogia de livros vira ao menos 4 filmes, imagina esse que já tem 4 livros prontos. Então já induzi que o primeiro seria algo correto, mais usado para uma apresentação, mas que não entregaria tudo para que houvessem os demais filmes. Pois bem, hoje ao conferir numa sessão totalmente teen, já que havia quase uma escola inteira de adolescentes matando aula na única sessão legendada do cinema, o resultado do filme foi algo bem satisfatório ao meu ver, pois conseguiu manter a tensão dos personagens, apresentou bem praticamente tudo, o enredo agrada bastante ao público chave da trama que são os adolescentes, e teve seu "final" totalmente explicativo, já que pra quem assim como eu que não leu o livro devia estar achando que era mais algo baseado na série "Lost" e depois viu que nada tinha a ver com o que foi contado. Claro que esse "final" funciona para fechar o filme de uma boa maneira, mas já armou todo o circo para o segundo filme "Prova de Fogo", que ainda não foi anunciado nenhuma data apenas que a Fox comprou os direitos do livro, aguardando os resultados das estreias mundiais que ocorreram nesta quinta 19/09, mas com toda certeza devem falar logo mais quando virá ele, e suas demais sequências "A Cura Mortal" e "Ordem de Extermínio".

O filme nos mostra que sem lembrar de absolutamente nada, Thomas acorda em um enorme labirinto. Mas ele não está sozinho. Há um grupo de garotos que, assim como ele, não fazem a mínima ideia do porquê de estarem naquele lugar. Todos desconhecem os mistérios que os muros do labirinto escondem. Mas, rapidamente, Thomas descobre que seu dever é liderar o grupo para a liberdade.

Se existe uma coisa engraçada no cinema é que nunca conseguirão agradar todo mundo, pois roteiros baseados em livros, ou o pessoal reclama que faltou coisa demais que continha no livro ou reclamam demais por colocar todos os códigos malucos que um escritor coloca na trama para dentro do filme e que só quem leu entenderá tudo. Aqui o diretor estreante Wes Ball optou em levar o escritor da saga James Dashner para dentro do set para que o longa ficasse o mais fiel possível ao livro, e mesmo não tendo lido uma página sequer é notável esse trabalho pela quantidade de elementos que precisariam ser explicados nas entrelinhas, e isso com certeza ocorre no livro, mas que estão enquadrados tão rapidamente no filme que somente depois de acostumar bem com tudo, entramos no ritmo exato para saber que cruel que aparece legendado várias vezes é na verdade C.R.U.E.L. ou W.C.K.D. originalmente, uma sigla que vai ser explicada tão rapidamente na cena final e que será bem usada mais pra frente. Como o diretor anteriormente trabalhou mais nas funções de arte, aqui ele priorizou bem a cenografia, utilizando ela para contar a história, e o labirinto acaba mais forte até mesmo que a trama em si, assim o filme fica muito bom visualmente, mas superficial demais.

Com um elenco jovem, mas não inexperiente, a trama se desenvolve quase que solta nas mãos dos garotos, e isso é bom, pois vemos que a maioria ali já tem expressão formada com tão pouca idade, e pode despontar facilmente mais pra frente, seja nas continuações do longa ou até mesmo em outros filmes. O protagonista Dylan O'Brien já é bem famoso pela série que protagoniza, e aqui encarou a trama como um líder mesmo, chamando a câmera para si nos momentos mais precisos e encaixando expressão até onde não precisaria de forma a ficar convincente com a trama. Will Poulter já era chatinho há 4 anos quando se achava demais no filme das "Crônicas de Nárnia" e agora que já está com seus 21 anos, faz tantas caretas que mesmo tendo bons diálogos acaba irritando com o que faz em cena com o seu Gally. Thomas Brodie-Sangster faz de seu Newt um personagem bem pacificador, só que não chega a decolar nesse primeiro filme, acredito que será mais importante pra frente. Aml Ameen faz do personagem Alby algo com um carisma tão grande quanto sua força e isso motiva seguirmos seus passos na trama, poderia apenas não ter feito tantas caras e bocas depois de picado, mas isso é algo que cada ator escolhe como fazer, então fica difícil. Ki Hong Lee tem carisma e faz bem suas cenas sem forçar muito as expressões e isso é bom, pois como um corredor ficaria até chato demais ele conversando muito. E Kaya Scodelario quase não chama atenção no meio de tantos homens, de forma que faltou chamar pra si a câmera, e com isso acabou sendo apenas uma menina no meio dos meninos, também acredito que vá aparecer mais nos próximos, mas aqui foi bem falha. Dos demais garotos, a maioria acaba sendo meio que desprezada dentro da trama, nem chamando muita atenção, nem interagindo demais com os protagonistas, valendo destacar apenas a simpatia do jovem gordinho Blake Cooper que soube nos seus momentos chave junto do protagonista agradar.

A cenografia totalmente futurista, mas com nuances bem rústicas é algo que nos chama a atenção na trama, e mesmo tendo muita coisa digital, a equipe de arte sofreu bastante para reproduzir o que é notável como sendo real, e cercado de muitos elementos cênicos, os protagonistas conseguem demonstrar temor pelo que aparece frente a seus olhos, principalmente com os bichões digitais que devem ter sido mostrados para eles assustarem tanto, já que eles eram bem feios mesmo. E falando nos bichões e até mesmo no labirinto em si, a forma digital foi muito bem empregada para disfarçar falhas e ficou tão bem colocado que se não soubéssemos que o longa teve um orçamento razoavelmente baixo poderíamos falar que gastaram horrores fazendo pós-produção, mas não, muita coisa preferiram na raça mesmo. E para que esse efeito funcionasse bem, utilizaram a técnica mais primitiva das produções de baixo orçamento, apagar a luz, temos uma fotografia onde o preto e o vermelho escuro dominam sem precedentes, de forma que mesmo vendo na melhor projeção da cidade é capaz que muitas cenas você não veja quase detalhe algum da maioria das cenas, e isso é proposital, e funciona muito bem.

Enfim, é um filme bacana de acompanhar que tem uma expressão bem forte que deseja mostrar, mas que ainda não decolou nesse primeiro filme. Com certeza terá seus fãs, mas não posso garantir que será uma sensação nos cinemas, pois muitos já sabem que não será um único filme que irá contar toda a história, além de que o exército de adolescentes que irão dominar as salas acaba assustando muitos adultos. A história consegue nos prender e vale a pena ser conferida, e como disse, talvez os próximos engrene mais. Recomendo ver ele sem preconceitos e muito menos tentar comparar com alguma das sagas de sucesso que estão na metade ou fim, pois essa saga tem suas características próprias e aqui foi apenas a apresentação para essa nova vertente, veremos se irá decolar realmente nos demais. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas ainda faltam duas estreias para conferir, então volto logo mais com novos posts. Então abraços e até breve.


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Maze Runner: Prova de Fogo em 3D (Maze Runner: Scorch Trials)

9/18/2015 02:20:00 AM |

Se em Setembro do ano passado, a certeza de que "Maze Runner: Correr ou Morrer" era tão grande que nem terminaram o lançamento para começar a gravar o segundo filme, esse ano com "Prova de Fogo" foram mais cautelosos, afinal ainda faltam 2 livros para a história acabar e embora muito mais produzido, o segundo filme não é tão fácil quanto o primeiro, que tinha todo o mistério e a ação em si não dominava a história, enquanto agora temos muita história para tentar ser desenvolvida, e ainda assim a correria desenfreada é no nível máximo. Ou seja, vá ao cinema bem calmo, pois a chance do aceleramento dos fatos, misturado com a aparição de um novo personagem "importante" a cada virada de câmera, e inúmeras histórias que servem para dar todo um sentido no que virá pela frente, pode certamente fazer com que o público se assuste e não empolgue tanto como o que acabou acontecendo com o primeiro filme, além claro de que como são quatro livros (alguns dizem ser uma trilogia, pois o quarto livro teoricamente é antes do primeiro, então pode ser que misturem as explicações nos três ou quatro ou cinco filmes que fizerem), ao final desse é que chegamos ao clímax da história, portanto, até agora foi quase que uma apresentação completa em dois capítulos, e que felizmente mantiveram a mesma equipe para que os rumos não se perdessem e agradasse bastante. O jeito agora é esperar 2017 para ficar ainda com mais raiva de esperar outro que nem data ainda tem, para que finalmente tudo se complete. Mas repito, esse novo está bem mais produzido e interessante de ver, mesmo que não tão fácil como o primeiro filme.

A campanha do longa nos mostra que o Labirinto foi só o começo... o pior está por vir. Depois de superar muitos desafios, Thomas e seus amigos pensam que estão a salvo em uma nova realidade. Mas eles são surpreendidos pelos Cranks, criaturas que querem devorá-los vivos. Agora, para sobreviver nesse mundo hostil, os amigos terão de fazer uma travessia repleta de provas cruéis e desafiadoras em um mundo devastado, sem água, comida ou abrigo.

Acabamos conhecendo o diretor Wes Ball no primeiro filme da série, e se sua ideia no primeiro filme foi amarrar o escritor dos livros James Dashner dentro do set para que a história ficasse o mais próxima do livro, aqui novamente é aparente essa técnica, afinal pelo tanto de histórias colocadas na trama, mesmo que de forma pincelada, pareceu que o diretor quis mostrar tudo o que o livro conta de forma resumida, afinal são 131 minutos contra 368 páginas e isso é algo completamente impossível de caber em detalhes. Porém esse desafio de tentar colocar o máximo de detalhes, acabou transformando o longa em algo que somente quem for muito conectado com o livro, ou talvez assistir mais que uma vez o filme, consiga relacionar tudo o que desejavam, e isso, ao menos na ideologia desse que vos escreve, é um grandioso erro, pois acaba que o filme não fica completo, e muitos personagens parecem aparecer apenas por aparecer, não tendo uma conexão mais plausível ou bem feita para com a trama que está sendo desenvolvida, mas se eliminassem alguns personagens, também os fãs do livro iriam reclamar deles não terem aparecido, ou seja, voltamos na velha discussão do que vale ou não em uma adaptação literária, e poderíamos prolongar o texto infinitamente, o que não vai acontecer hoje, afinal já está bem tarde. Dito isso, posso falar de uma maneira bem simples, que o roteirista T.S.Nowlin até trabalhou bem resumindo o que dava para incluir personagens e que mesmo sendo apenas fagulhas no meio de uma fogueira inteiriça, o resultado de quem prestar muita atenção em tudo, acabará agradando a gregos e troianos. E claro que o diretor já mostrou logo de cara que quanto mais dinheiro colocarem no seu filme, mais efeitos entrarão e o resultado será mais incrível ainda, ou seja, a expectativa dos próximos (que aparentemente já está em pré-produção e o diretor já está quase garantido) é que teremos algo bem impactante, quiçá ainda mais bem produzido e quem sabe com uma história mais centrada por não precisar apresentar mais ninguém, somente conectar os pontinhos e desenvolver tudo.

Quanto das atuações, vou me conter ao máximo para não criar um texto de 100 páginas para falar de cada um, pois repito, surgiram muitos novos personagens na trama, mas antes vamos falar dos principais. Dylan O' Brien está começando a ficar "velho" no quesito de sua fisionomia, e diferente de Harry Potter que cada ano era um novo ano escolar, aqui teoricamente o longa se passa em dias, no máximo meses, então vão precisar correr para que seu Thomas não fique estranho como um adolescente de quase 30 anos no último filme, pois ele é um bom ator, mas somente fazendo a série "Teen Wolf" e aqui nos longas de "Maze Runner", está ficando marcado demais e com expressões de menos para desenvolver, e isso vai pesar mais para frente certamente para o ator. Kaya Scodelario também trabalha bem, e sua Teresa continua bem intrigante, embora falhe no estilo mistério logo que sai do galpão dos cientistas, e isso é algo de errado não por sua culpa, mas falha do ângulo que o diretor escolheu para trabalhar, pois certamente daria para manter o tom misterioso até bem mais para frente, e a atriz ainda sairia bem na fita, mas ainda assim fez boas expressões e agrada de certa forma. Os demais antigos tiveram bem menos importância nesse novo longa, e embora sempre estejam juntos nas correrias e fazendo boas caras Thomas Brodie-Sangster com seu Newt, Dexter Darden com seu Caçarola, Alexander Flores com seu Wiston e Ki Hong Lee ainda dando seu máximo para com seu Minho, ficam sempre em segundo plano frente os demais, e isso acaba não sendo legal, afinal como no primeiro todos tiveram uma boa quantia de importância, esperávamos mais deles nos outros longas, quem sabe no próximo deem mais a cara para bater. Dos novos, temos de dar destaque para Aidan Gillen que trouxe uma seriedade bem assombrosa para o seu Jansen e que quase conseguiu se tornar um vilão que ficaríamos com certa raiva, mas por aparecer bem pouco acaba ficando sutil. Também temos de falar das duas cenas de Patricia Clarkson que ao trabalhar uma nuance séria e rancorosa junto de sua Ava Paige, vai fazer com que muitos queiram exatamente o mesmo que o protagonista declara, afinal o mulher ruim que sua personagem conseguiu passar. E temos de dar uma certa relevância para Giancarlo Esposito, afinal seu Jorge tem bons trejeitos, chama a atenção e deve agradar ainda mais nos próximos filmes, além de ter conseguido uma boa química para com a Brenda de Rosa Salazar, que chama a atenção pela feição mais dura e sofrida, que certamente no livro condiz mais ao detalhar tudo o que passou. Destaques negativos não para a atriz Lili Taylor, mas sim para a rapidez das cenas de sua Mary, não tendo tempo nem para um desenvolvimento mais interessante, e isso é algo ruim de ver. Quanto à Jacob Lofland e seu Aris, ainda prefiro ficar junto de Minho, e não confiar muito no rapaz, pois nem o ator se esforçou para expressar mais carisma, nem o personagem chamou atenção, então veremos o que aguarda. E finalizando essa parte Barry Pepper foi chamativo com seu Vince, mas também foi rápido demais suas cenas, e vai acabar sendo mais importante no próximo filme, ou seja, mais um que foi apenas apresentado aqui, mas que só falou quase 10 palavras.

Se no primeiro filme tínhamos apenas uma cenografia simples, afinal era uma clareira e um labirinto com detalhes e bichões estranhos, agora temos diversos cenários, personagens funcionando como elementos cênicos, e com um trabalho bem minucioso da direção de arte, cada cena nova foi pensada para detalhar ao máximo cada ponto do livro. Portanto é notável a preocupação do diretor em dar closes em objetos junto das cercas, fios, armas, espelhinhos com fotos, cenários destruídos e quando ele explora a abertura máxima da lente, vemos paisagens muito bem trabalhadas para retratar toda a destruição que ocorreu, claro que muito computacional, afinal não conseguiriam construir tudo aquilo para o filme de forma alguma, além de ficar caro demais dentro do orçamento, e dito isso, voltamos no velho ponto de fazer com que atores corram em fundos verdes e se desenvolvam com coisas que não estão presentes junto deles, pois na cena em que Thomas e Brenda estão subindo em uma torre destruída fugindo de um Crank, a câmera se mexe tanto para não aparecer os erros digitais, que acaba incomodando um pouco, mas o resultado final é bem interessante de ver com a profundidade que o 3D convertido funcionou somente nessa cena. Quanto do figurino e maquiagem, posso dizer que os Cranks ficaram medonhos e bem interessantes de ver, certamente "Walking Dead" deu boas inspirações para os artistas e agradaram bastante mesmo nas cenas mais proximais com detalhes fortes. Na questão fotográfica foram bem trabalhados os tons amarelados, que em filmes de ação costumam dar uma certa vertigem, e como a correria é grande, foram bem espertos para que o filme tivesse belas paisagens de fundo para que o olhar não ficasse tão impactado e ainda assim agradasse bastante, além disso o grande trunfo do longa está nas cenas noturnas ou em lugares fechados, com as lanternas dando um show de visual e revelando os lugares somente como se fossem a única fonte de luz em cena, o que agrada bastante. Como falei acima, o 3D foi convertido, e isso já faz do longa algo errado, já que as cenas não foram pensadas para ter uma profundidade interessante ou elementos saindo da tela, então ficou bem falso e são pouquíssimas cenas que funcionam como deveria, ou seja, quem não quiser pagar mais caro, pode ir ver normal que não vai perder nada.

Enfim, tivemos apresentações demais para dois filmes e mesmo que a ação não pare um segundo dos 131 minutos de duração da trama, poderiam ter economizado alguns personagens e desenvolvido mais outros que agradaria bem mais. O resultado em geral é interessante, mas ficamos com a sensação de não saber se gostamos do que vimos, ou vamos precisar de outro para realmente confirmar se vamos vibrar com o fechamento, e isso é algo que de certa maneira me incomoda demais, mas como gosto de longas de ação, o filme me divertiu, e com certeza recomendo ele para quem gosta do estilo, mas deixando a ressalva de que quem se incomoda com longas que precisam de complementos se prepare para reclamar, afinal ainda teremos no mínimo mais um para que tudo desenrole e agrade com algo mais próximo do que já deveriam ter feito nesse filme. Bem, é isso pessoal, fico por aqui hoje, começando e já encerrando essa semana cinematográfica curtíssima, mas felizmente terei uma pré-estreia para conferir, então volto na terça com mais um texto para vocês. Por enquanto deixo meus abraços e venho sempre conferir os comentários, então aguardo suas opiniões também.

PS: Embora merecesse uma nota menor que a do primeiro filme, por cometer esse erro de muitos personagens novos sem desenvolvimento apropriado, a produção e direção de arte compensaram demais, então vou repetir a nota que dei para o primeiro longa.

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