Um Dia de Sorte em Nova York (Lucky Lu)

5/16/2026 03:15:00 AM |

Costumo dizer que muitas vezes o cinema nos permite viajar e conhecer pessoas, de tal forma que já vivenciamos tantos longas nos lugares mais bonitos de Nova York, ambientes clássicos e turísticos, e até mesmo uma Chinatown cheia de facetas e ambientações, e sabemos o quanto alguns trabalhadores usam perfis falsos para sobreviver dentro dos aplicativos de entregas, já tendo vários longas também com essa essência sendo mostrada, então vivenciar 48 horas de um imigrante chinês no longa "Um Dia de Sorte em Nova York", que estreou na plataforma da Filmelier+, é quase como sentir a vida de um trabalhador desesperado que sua família está vindo da China para os EUA, e precisando de dinheiro e tendo muitos percalços no meio do caminho busca alternativas com amigos, golpistas e tudo mais, mas mais do que isso, vemos o sentimento de busca pela identidade e pelo calor familiar, conhecendo lugares menos conhecidos, e pessoas também não tão comuns, mas que na tela tentam sorrir para esconder os problemas, e assim a essência funciona bem na tela, mesmo sendo algo linear demais, pois poderia ter conflitos de impacto para causar e ir além, mas não quiseram ser tão duros também com o personagem principal.

O longa nos mostra um imigrante chinês chamado Lu trabalha como entregador na cidade de Nova York. Há cinco anos nos EUA, Lu sobrevive como pode enquanto se sustenta na esperança e no sonho de gerenciar seu próprio restaurante. Parece ser o começo de uma nova vida agora que, finalmente, Lu conseguiu seu primeiro apartamento na cidade, um pequeno quarto e sala, logo a tempo da chegada de sua esposa e sua filha da China. O recomeço de Lu, porém, vai se provar bem difícil de se concretizar, já que, logo no dia em que pega as chaves da nova casa, sua bicicleta é roubada, privando-o de seu único e principal instrumento de trabalho e fonte de renda. Prestes a receber a família que não vê há anos, Lu corre por Nova York pedindo favores, buscando empréstimos e penhorando os poucos bens que possui. Lu irá lutar contra as dificuldades e os obstáculos criados por um sistema indiferente às suas dores.

Diria que o diretor e roteirista Lloyd Lee Choi foi bem representativo das situações, porém não efetivo quanto ao poder de emoção, pois seu filme acabou sendo flat/linear como costumamos dizer, tudo acontecendo e sendo determinante nas situações, o famoso desespero em busca de soluções que não vê nem deixa acontecer um algo a mais, sendo algo bonito pela síntese em si, mas dava para nos emocionarmos mais com as conexões do rapaz com a garotinha, seus surtos serem mais demonstrados na tela, e até mesmo alguns atos de quebra serem intensos (por exemplo do atropelamento, ali tinha tudo para o filme impactar monstruosamente, mas levanta e anda já dizia a música pop, e nada vai além). Ou seja, é uma boa tentativa de entrega do diretor na tela, mas talvez com um pouco mais de experiência, ele ficando apenas com o roteiro, o longa seria daqueles para sairmos da sessão impactados e emocionados.

Quanto das atuações, Chang Chen entregou de uma forma tão bem dominada seu Lu como um imigrante entregador de comidas, magro com suas economias em comer, e disposto a tudo para manter a chegada da família como planejado, que em alguns atos até nos conectamos totalmente a ele, mas o roteiro em si não o fez ir além, pois ele iria, e chamaria ainda mais atenção. Agora quem soube entregar mesmo com trejeitos fechados um carisma próprio foi Carabelle Manna Wei com sua Yaya, sendo sutil de presença, mas com palavras e entregas bem marcantes, que acabaram agradando bastante em todas suas cenas. Ainda tivemos outros momentos de conexões fortes com o dono do prédio, o amigo que some com o dinheiro, os outros chineses que trabalharam juntos no restaurante e agora tem a loja de unhas, e por aí vai, mas sem grandes momentos de impacto para dar destaque nas expressividades, e até mesmo a esposa foi menos útil na produção em si.

O conceito visual do longa foi muito bacana principalmente pelo diretor mostrar uma Nova York que só mesmo moradores (e olha lá) conhecem, bem longe dos pontos turísticos tradicionais, tendo a base mesmo na rua quase como um road-movie pelos restaurantes, apartamentos, tendo as bicicletas elétricas dominando tudo na tela, e sendo roubadas tão facilmente, vemos também os lugares de compras de objetos e bicicletas (muitas vezes roubados), tivemos o apartamento do protagonista bem simplesinho, mostrando seu alojamento anterior, e também alguns lugares menos chamativos como o apartamento do amigo, o cassino clandestino, e até mesmo a lojinha de unhas e o restaurante, tudo sem ser chamativo demais, mas que funciona bem dentro da essência completa da trama.

Enfim, é um bom filme, que mostra algo diferente do usual em tramas do estilo, que poderia ter ido muito mais além com poucas mudanças mais emocionais, e assim o resultado acabou sendo sem grandes impactos na tela, o que não é muito legal de acontecer, porém ainda assim vale como um passatempo reflexivo sobre o quanto muitos imigrantes trabalham muito e esquecem de si mesmos e de viver com a família, e assim acaba sendo a dica. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, agradecendo o pessoal da AtomicaLab Assessoria e também da Filmelier+ pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve meus amigos.


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