O longa nos mostra um imigrante chinês chamado Lu trabalha como entregador na cidade de Nova York. Há cinco anos nos EUA, Lu sobrevive como pode enquanto se sustenta na esperança e no sonho de gerenciar seu próprio restaurante. Parece ser o começo de uma nova vida agora que, finalmente, Lu conseguiu seu primeiro apartamento na cidade, um pequeno quarto e sala, logo a tempo da chegada de sua esposa e sua filha da China. O recomeço de Lu, porém, vai se provar bem difícil de se concretizar, já que, logo no dia em que pega as chaves da nova casa, sua bicicleta é roubada, privando-o de seu único e principal instrumento de trabalho e fonte de renda. Prestes a receber a família que não vê há anos, Lu corre por Nova York pedindo favores, buscando empréstimos e penhorando os poucos bens que possui. Lu irá lutar contra as dificuldades e os obstáculos criados por um sistema indiferente às suas dores.
Diria que o diretor e roteirista Lloyd Lee Choi foi bem representativo das situações, porém não efetivo quanto ao poder de emoção, pois seu filme acabou sendo flat/linear como costumamos dizer, tudo acontecendo e sendo determinante nas situações, o famoso desespero em busca de soluções que não vê nem deixa acontecer um algo a mais, sendo algo bonito pela síntese em si, mas dava para nos emocionarmos mais com as conexões do rapaz com a garotinha, seus surtos serem mais demonstrados na tela, e até mesmo alguns atos de quebra serem intensos (por exemplo do atropelamento, ali tinha tudo para o filme impactar monstruosamente, mas levanta e anda já dizia a música pop, e nada vai além). Ou seja, é uma boa tentativa de entrega do diretor na tela, mas talvez com um pouco mais de experiência, ele ficando apenas com o roteiro, o longa seria daqueles para sairmos da sessão impactados e emocionados.
Quanto das atuações, Chang Chen entregou de uma forma tão bem dominada seu Lu como um imigrante entregador de comidas, magro com suas economias em comer, e disposto a tudo para manter a chegada da família como planejado, que em alguns atos até nos conectamos totalmente a ele, mas o roteiro em si não o fez ir além, pois ele iria, e chamaria ainda mais atenção. Agora quem soube entregar mesmo com trejeitos fechados um carisma próprio foi Carabelle Manna Wei com sua Yaya, sendo sutil de presença, mas com palavras e entregas bem marcantes, que acabaram agradando bastante em todas suas cenas. Ainda tivemos outros momentos de conexões fortes com o dono do prédio, o amigo que some com o dinheiro, os outros chineses que trabalharam juntos no restaurante e agora tem a loja de unhas, e por aí vai, mas sem grandes momentos de impacto para dar destaque nas expressividades, e até mesmo a esposa foi menos útil na produção em si.
O conceito visual do longa foi muito bacana principalmente pelo diretor mostrar uma Nova York que só mesmo moradores (e olha lá) conhecem, bem longe dos pontos turísticos tradicionais, tendo a base mesmo na rua quase como um road-movie pelos restaurantes, apartamentos, tendo as bicicletas elétricas dominando tudo na tela, e sendo roubadas tão facilmente, vemos também os lugares de compras de objetos e bicicletas (muitas vezes roubados), tivemos o apartamento do protagonista bem simplesinho, mostrando seu alojamento anterior, e também alguns lugares menos chamativos como o apartamento do amigo, o cassino clandestino, e até mesmo a lojinha de unhas e o restaurante, tudo sem ser chamativo demais, mas que funciona bem dentro da essência completa da trama.
Enfim, é um bom filme, que mostra algo diferente do usual em tramas do estilo, que poderia ter ido muito mais além com poucas mudanças mais emocionais, e assim o resultado acabou sendo sem grandes impactos na tela, o que não é muito legal de acontecer, porém ainda assim vale como um passatempo reflexivo sobre o quanto muitos imigrantes trabalham muito e esquecem de si mesmos e de viver com a família, e assim acaba sendo a dica. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, agradecendo o pessoal da AtomicaLab Assessoria e também da Filmelier+ pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve meus amigos.







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