O Riso e a Faca (I Only Rest in the Storm)

5/03/2026 01:13:00 AM |

O diretor do longa colaborativo entre França, Portugal, Brasil e Romênia, "O Riso e a Faca" até pode querer classificar a trama como uma ficção de corpos das relações entre África e Europa e tudo mais, mas só consegui enxergar ele como um documentário dramático aonde temos alguns personagens fictícios para mostrar o conflito entre os povos e como uma estrada influenciaria as diversas tribos e comunidades da Guiné-Bissau. Dito isso o longa gigante de 211 minutos tem muitas situações e dinâmicas que ao mesmo tempo que se conectam pelo protagonista, se desconectam dentro da essência completa do longa, não sendo algo propriamente que você enxerga como um filme realmente, mas que felizmente não cansa nem é alongado, sendo bem trabalhado e desenvolvido dentro dos diversos pequenos motes quebrados, que por vezes até somem alguns personagens secundários que dão voz maior aos personagens reais do país, mas ainda assim contando bem cada momento e vivência, parecendo que foi daquelas produções longuíssimas para serem filmadas, e assim o resultado acaba soando bonito na tela, mas para bem poucos que gostam do estilo.

O longa nos mostra que Sérgio viaja para uma metrópole da África Ocidental. Vai trabalhar como engenheiro ambiental para uma ONG, na construção de uma estrada entre o deserto e a selva. Ali, envolve-se numa relação íntima, mas desequilibrada com dois habitantes da cidade, Diára e Gui. À medida que adentra nas dinâmicas neocoloniais da comunidade de expatriados, esse laço frágil torna-se o seu último refúgio perante a solidão ou a barbárie.

Tenho um mandamento na minha cabeça que qualquer filme acima de 90 minutos tem possibilidade de cortes, e o ponto forte de um diretor é saber cortar seu material para que ele fique sucinto para ser vendido da melhor forma possível para as exibidoras, senão acabando virando tramas extremamente artísticas que só são exibidas dentro de festivais e/ou exibições fechadas, pois os cinemas querem bilheteria e colocar um filme de três horas e trinta e um minutos que não tem o chamariz de grandes nomes, infelizmente é declinado. E porque digo isso, pois o diretor e roteirista Pedro Pinho forçou um pouco com a sua entrega na tela, de tal forma que tudo o que vemos é sim importante para a concepção completa de seu filme, mas dava para cortar fácil pelo menos uns 40 a 50 minutos, que transformariam a obra inteira em algo mais denso e melhor construído, pois volto a frisar que não vemos na tela alongamentos e cenas jogadas, mas se ele insistia em algo "ficcional" como falou em algumas entrevistas, a tesoura precisava estar afiada melhor para dar uma vida mais intensa para os personagens e não um protagonista tão calmo como o Sérgio.

E já que comecei a falar da calma de Sérgio Coragem, vamos seguir que o ator soube entregar muito, mas muito mesmo, pois faz de tudo o que você pensar no longa, e isso lhe dá o mérito de uma entrega gigantesca, mas com uma calma que chega a dar nervoso em alguns momentos, mas acredito que o ator também cansou, afinal para gerar o tempo do longa certamente gravou mais de meses para ter todo o material, e seus atos ao menos convencem de sua entrega, e isso já se faz valer. Quanto a Cleo Diára, posso dizer que teve alguns atos marcantes bem intensos que chamaram muita atenção, e isso talvez tenha feito o júri de Cannes a gostar dela para lhe premiar, porém não chega a ser algo impactante dentro do conceito inteiro de um filme, e assim sendo acredito que o prêmio poderia ser de outra atriz, mas analisando dentro do filme, ela fez bem o que tinha de fazer. Ainda tivemos bons momentos com Jonathan Guilherme, que foi mais contido em alguns atos, mas fez por aparecer e agradou com sinceridade nas suas dinâmicas.

Visualmente foi bacana conhecer mais da Guiné-Bissau, misturada entre o deserto e a floresta, com espaços amplos e outros tão conjuntos, várias comunidades bem isoladas com seus dialetos diferentes, suas culturas, seus estilos de vida, mostrando desde famílias riquíssimas até pessoas que viviam de sua própria produção, passando por trabalhadores chineses em obras, casas de famílias sendo desalojadas, e até almoços familiares bem amplos no meio da rua, tendo vacas no mar, e pântanos gigantescos para o arroz, ou seja, vários contrastes que a produção soube mostrar bem e agradar na tela.

Enfim, é um longa bacana que vale ver quando estiver disponível para todos, pois estreou na última quinta em cinemas selecionados, afinal como disse acima é bem difícil as exibidoras criarem coragem para exibir algo desse estilo, que vale mais pela viagem cultural em si, e pelas dinâmicas interessantes, que muitos talvez, assim como eu, não enxergue a trama como uma ficção, mas o diretor afirma de forma diferente, então é do gosto de cada um, pois o resultado em si é bem bacana de conferir. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, afinal foi um filmão bem longo para conferir, agradecendo claro o pessoal da Vitrine Filmes e da Sinny Assessoria pelo screener, já que o longa não chegou aqui no interior, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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