A Última Ressaca Do Ano (Office Christmas Party)

12/13/2016 12:54:00 AM |

Ainda estou procurando a ideologia que a distribuidora chegou para transformar "A Festa de Natal da Empresa"(Office Christmas Party) em "A Última Ressaca do Ano", pois ao criar um novo "Projeto X" com uma temática natalina, adicionando a estrutura de filmes empresariais, o resultado foi uma bela bagunça, mas que de tão zoneada acaba sendo divertida, e claro que sem perder o ritmo, os roteiristas acabaram colocando piadas com tudo o que fosse possível, desenvolvendo a história de tal maneira que o propósito completo fosse um pouco esquecido, mas ainda finalizando de uma forma bem colocada (com algo proposto bem no comecinho e que talvez até fosse esquecido) que acaba agradando quem for disposto a se divertir. Porém se for esperando um filme com efe maiúsculo é capaz de sair decepcionado, e essa sem dúvida não era a proposta da trama, pois nessa época natalina, o que não podemos perder é o espírito de diversão.

A sinopse do longa nos conta que com a morte recente do pai, os irmãos Clay e Carol Vanston disputam o controle da empresa de tecnologia por ele criada. Presidente da companhia, ele é ameaçado por ela, CEO, que planeja inclusive demitir todos os funcionários. Visando impressionar um novo cliente que pode representar sua garantia no poder, Clay pede que seu braço direito, Josh, organize uma espetacular festa de Natal.

Não temos como dizer que o trabalho de Josh Gordon e Will Speck foi algo memorável no cinema cômico, mas seus filmes sempre prezam pela diversão mesmo que flua por caminhos tortuosos, e sendo assim, acabam entregando longas que primam por uma grande energia que geralmente começa mostrando algo palpável, e com o andar da trama acaba se perdendo, voltando ou não para o que desejavam mostrar logo de cara, mas sempre frisando, que vão te fazer rir com a bagunça. Talvez se o foco tivesse sido mantido de conseguir a conta usando alguns meios, e não misturando tanto a bagunça com diversos outros coadjuvantes, o longa fosse até mais interessante, mas como o longa não desandou tanto, o resultado do filme foi mantido, e os diretores souberam dosar o resultado repassando as boas qualidades de cada um sem ficar focado demais no recheio. Acredito que o maior problema do filme esteja no roteiro, que escrito por seis roteiristas, cada um desejou mostrar um pouco demais do personagem que tinha em mãos para desenvolver, e os diretores por não querer magoar ninguém acabou jogando tudo junto na panela final.

Felizmente a graça do filme passou longe de Jason Bateman, que insiste em fazer comédias mesmo não sendo uma pessoa divertida, e com boas nuances de seu Josh, ele acabou ficando bem no meio do caminho como um protagonista secundário que diverte menos do que poderia, mas mais do que caberia para seu personagem, e sendo assim é possível ligar ele como um bom elo, afinal os diretores já trabalharam com ele, e sabiam até onde podiam explorar. E da mesma forma Jenifer Aniston entrou na parada com sua Carol, porém com um tom de humor mais agressivo ela acabou conseguindo fazer rir, pois quem fica sério demais e impõe demais acaba soando forçado, e isso sem dúvida era o que desejavam. Agora quando a maluquice imposta por T.J.Miller para com seu Clay entra em ação não tem como não se divertir, pois usando bem a argumentação de que tudo é possível para fazer rir, o ator acaba se empolgando cantando, fazendo besteiras e até entrando numa boa dinâmica com os textos relacionados à outros filmes, e assim acaba caindo como uma luva na proposta. Dentre os demais personagens, acabamos nos divertindo bastante com Kate McKinnon mais pela ideologia de pessoas do RH que costumam ser extremamente chatas, e que sua personagem Mary incorporou tão bem, mas claro que para isso foi a personagem que mais apelou para exageros, o que poderiam ter economizado um pouco. Olivia Munn fez bem seu papel de Tracey, mas mais como a bela garota da informática que o chefe tem uma queda, e claro que vai ajudar bem no final, mas seu papel quase desaparece no meio do caminho.

Sobre o visual da trama, nesse estilo de filme tenho certeza absoluta que a equipe de arte fala para todos, levem o máximo de coisas malucas possíveis para o set, e vamos usar tudo, pois inicialmente até temos um escritório certinho, com salas tradicionais (claro que com personagens malucos que praticamente não trabalham nada), mas ao começar a festa, literalmente aparece de tudo (inclusive renas), e ao final a destruição é tão grande que nem se tivesse passado um tornado pelo set a bagunça teria sido tão grande, ou seja, um trabalho imenso da equipe artística. Com uma fotografia mista com cores bem vibrantes para dar o tom cômico, e pontuando algumas cenas mais densas de cor neutra misturadas com o branco da neve dando uma frieza, para que o filme tivesse um ar dramático em alguns momentos, o resultado ficou bem plausível, o que é bacana de ver que tiveram a preocupação disso tudo, mesmo dentro de uma maluquice completa.

O longa teve um ritmo bem cadenciado, com diversas canções funcionando como elo para as maluquices, mas principalmente encaixando bem como trilha sonora da festa, e sendo assim uma boa festa sempre é composta de boas músicas, então claro que deixo aqui o link para ouvir todas elas.

Enfim, um filme que vale mais pela diversão que causa, do que pela história que tentam passar, pois não é algo que se pode levar a sério, e muito menos tentar filosofar com esse estilo de longa, pois a proposta principal é a loucura. Portanto se você gosta desse estilo vá para o cinema e se divirta muito, mas se teve qualquer tipo de problema com outros que remetem à bagunça, evite. Bem fico por aqui hoje, mas volto amanhã com o primeiro texto da semana da Itinerância da Mostra Internacional, então abraços e até breve pessoal.

Leia Mais

Tamo Junto

12/12/2016 01:41:00 AM |

Sabe aquele momento que você vai no cinema esperando ver um filme comum, mas sai da sessão tão feliz com o que viu que sequer pensa nos defeitos possíveis de terem passado despercebidos? Fazia tempo que não acontecia isso comigo, mas posso dizer que sem dúvida alguma "Tamo Junto" possui muitos defeitos, porém com toda certeza nenhum deles é ser novelesco, e se posso dizer junto com essa "qualidade" é que sem hesitar, agora quando me pedirem uma indicação de comédia romântica nacional, saberei dizer rapidamente o nome do filme, pois além de ser um filme gostoso pela boa história, pelas atuações na medida, pela direção bem consistente, o longa ainda diverte com ideologias bem colocadas prontas para serem bobas, mas de um modo bem trabalhado para não virar pastelão, e muito menos cair em desgosto. Ou seja, raspou a trave de pular esse filme nessa semana, e certamente iria me arrepender demais, pois diria que faltava um longa desse estilo no Brasil, para mostrar que sabemos sim fazer boas comédias românticas, e agora é marcar o nome do diretor, e esperar novos projetos seus, pois se dirigindo, roteirizando e ainda por cima atuando Matheus Souza deu um show na tela, o que mais ele pode fazer se ficar só atrás das câmeras?

O filme nos mostra que depois de um longo relacionamento, um cara se vê solteiro pela primeira vez. Se sentindo livre, ele planeja cair na gandaia e recuperar o tempo perdido, mas logo descobre que o novo estado civil não é tão divertido quanto ele achava que seria.

Acho que nunca tomei um choque tão grande como ao chegar em casa para escrever e ver que o diretor e o ator coadjuvante que tanto adorei o estilo eram a mesma pessoa, pois desconhecia totalmente Matheus Souza até a presente data, e acabei ficando muito feliz de ver que as diversas colagens que fez eu seu longa foram tão bem trabalhadas e agradam demais. Digo colagens, pois o filme possui essência de diversos outros filmes, e certamente ele ao escrever o texto se baseou nesses filmes, e acabou criando algo bem apropriado para dizer que é seu, e ao desenvolver a personalidade de seu Paulo, provavelmente pensou que a maior dificuldade seria arrumar um bom ator, de preferência desconhecido para dar voz ao personagem, e resolveu que seria sua estreia do outro lado das câmeras, e o misto completo foi tão bom, que poderiam criar uma continuação para ontem, que certamente estaria a postos para conferir, afinal longas que conseguem dosar bem o lado romântico gostoso de uma boa comédia, e a comicidade leve de um bom romance, tem de gerar grandes frutos, e o trabalho que o diretor/roteirista nos entrega aqui é algo sublime e de muito boa qualidade para ser apenas um longa. Li rapidamente que esse é o fechamento de uma trilogia, a qual não vi os outros dois filmes por não terem chego nos cinemas do interior, mas felizmente esse longa fluiu bem sozinho, e isso é algo que me deixa mais feliz ainda, pois como sempre friso todo filme não deve necessitar de outros para agradar, e o diretor soube bem como fazer, mas claro que pretendo ver "Apenas o Fim" e "Eu Não Faço a Menor Ideia do Que Eu Tô Fazendo Com a Minha Vida", para ver o quanto tudo se encaixa.

Sobre as atuações, é fato que o diretor Matheus Souza não é o protagonista da trama, mas seu Paulo é tão interessante, com trejeitos (alguns forçados) divertidos e bem colocados dentro da ideologia do personagem, que acabamos nos conectando e divertindo com as situações que acaba envolvido, e da mesma forma que o protagonista vive perguntando "Qual o seu problema?" para ele, também nos vemos indagando isso e o fechamento de amizade entre ambos é tão bom que soou perfeito, ou seja, são raros casos que um diretor/roteirista se dá bem na atuação de seu próprio filme, mas usando uma frase sua do longa, ele estava construindo o filme da história de sua vida ali, e só ele poderia fazer bem isso, ou seja, perfeito! Leandro Soares também é razoavelmente novo nas telonas, pois só fez o longa anterior do diretor como um leve figurante, e nada mais, mas soube encaixar bem a personalidade fracassada de seu Felipe e com uma dinâmica pontual de poucas expressões, ele evitou clichês e ainda acabou acertando com alguns bons olhares, e assim acertando também na boa química com Matheus e claro com Sophie. Falando em Sophie Charlote, a atriz foi tão bem encaixada que valeria até mais tempo de projeção com sua Julia, pois foi divertida com as propostas dinâmicas, e com isso acabou se desenvolvendo bem dentro da personagem, e por trabalhar a expressividade de uma forma bem sincera acabou agradando bastante. Tivemos muitas participações boas no longa, mas sem dúvida a abertura com Fernanda Souza é algo para começar o longa rolando de rir, e até mesmo o momento mais apimentado com Antonio Tabet foi bem colocado na trama, mas também temos de pontuar que os diversos amigos do protagonista ficaram bem exagerados, e poderiam ter economizado as cenas com eles, e no lugar poderiam ter enfeitado mais a trama com o romance do diretor com Alice Wegmann, pois a fofura nerd não teria limites ali.

Com locações mais fechadas, entre um apartamento, uma quitinete, uma casa de família meio suspeita, duas boates e uma festa de casamento, o longa foi bem simplista nas escolhas, mas sem dúvida alguma com a quantidade de bons elementos nesses ambientes, o filme tomou uma proporção bem incrível de ver, e mostrou que a boa pesquisa sempre é algo interessante de ver nos longas, pois ao colocar nos dois quartos elementos complementares da cultura nerd foi algo tão charmoso que nem seria mais necessário os demais elementos, porém a equipe foi precisa em não apelar nas cenas extras, caindo somente no fluxo correto, como na festa sem muita destruição, mas sendo uma festa bem animada, nos momentos românticos trabalhando com simplicidade para comover, e encaixando nas cenas mais apimentadas o elo certo sem que perdesse a classificação, ou seja, um bom trabalho que vale a pena ser observado. Um detalhe interessante ficou a cargo da fotografia, pois como tivemos ambientes pequenos, a equipe soube trabalhar com filtros de diversas cores, e boas lentes para ampliar os espaços, o que acabou ficando bem interessante de analisar, junto claro com os tons corretos para dar o ar de romance, o clima de paixão e até mesmo alguns momentos mais depressivos na dosagem certa.

Enfim, vou dormir cantando "Whisky a Go Go", pois mesmo tendo outras boas músicas, essa é a predominante da trama em muitos momentos, e pensando o quão bom foi conferir o longa nessa semana, afinal acabou me animando bastante para os demais filmes que irei conferir, e claro por conhecer um novo (desconhecido ao menos para mim) diretor que promete muito pelo estilo que acabou entregando, e assim sendo uma referência de indicação para um estilo que raramente fazem bem no país, afinal acabam sempre caindo para as comédias pastelão ou dramáticas que sempre recaem para o lado mais novelesco. Portanto, se tiver um tempo livre, vá ao cinema conferir este longa, pois vale muito a pena, e é garantido a diversão. Bem é isso, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais estreias, então abraços e até logo mais galera.

PS: Só não dou uma nota maior para o longa, pelo excesso de clichês recorrentes, e por algumas cenas serem dispensáveis, mas pelo restante valeria muito mais.


Leia Mais

Fallen

12/10/2016 02:07:00 AM |

É fato que o mercado de cinema para jovens que gostam de sagas românticas fantasiosas anda em falta, mas sabendo disso ficou um pouco estranho uma trama que os livros foram sucesso de vendas, e que foi gravada há mais de 3 anos, com o segundo filme sendo anunciado no ano seguinte, ser lançada somente agora. Mas após conferir "Fallen" fica claro o motivo de tanto atraso, primeiro para que o público esquecesse completamente (ou parcialmente ao menos os fãs) a saga "Crepúsculo", pois o longa se parece bastante na forma contextual da trama, porém felizmente é melhor de aturar por trabalhar mais algo menos fantasioso, e o segundo motivo certamente foi pelos efeitos especiais de nível bem fraco que em alguns momentos (na luta final principalmente) chegam até incomodar de tão mal-feitos. Porém tirando esses detalhes técnicos, a trama possui potencial para segurar as jovens amantes de romances proibidos e fantasiosos, que certamente irão ao cinema mais para ver o galã, e que acabarão lendo os livros (ou relendo quem já os possui desde 2009) por não aguentar até sabe quando irão lançar os demais filmes, afinal são 4 livros para se adaptar se quiserem mostrar a saga inteira da autora Lauren Kate.

A sinopse nos conta que responsabilizada pela misteriosa morte de seu namorado, Lucinda Price vai para um reformatório. Em Sword & Cross ela se aproxima de Daniel Grigori, sem saber que ele é um anjo apaixonado por ela há milênios, e também não consegue se manter afastada de Cam Briel, outro que luta há tempos por seu amor.

Se ao ler a sinopse, ver o trailer e olhar para o pôster e não se conectar com a ideia que já vimos por outrora, me diga em que mundo você viveu nos últimos anos que milhões de jovens lotaram os cinemas para ver a disputa Jacob vs Edward por Bella. Claro que de uma forma bem menos enfadonha, a trama aqui é mais virtuosa por trabalhar elementos mais clássicos e até usar passagens bíblicas conhecidas, mas certamente ainda precisaria de uma melhor polida para que não ficasse tão semelhante ao que já vimos, e principalmente não necessitasse de uma continuação tão marcada, pois colocando um pequeno spoiler, a trama acaba sem um final claro, deixando completamente aberta para continuar num próximo filme, e aí é que entra o grande ponto crucial, se demoraram tanto para lançar o primeiro filme, quanto tempo irão demorar para fazer a continuação? Sobre a direção de Scott Hicks, o que temos de pontuar é que soube observar bem os atores e dar mais dinâmica nas cenas que marcariam algum momento maior, pois o filme mesmo sem ler os livros, certamente tiveram uma pegada diferente, e ele soube dosar as partes mais coerentes para não ficar algo tão cansativo e teen, embora esse seja o público-alvo da trama. Outro detalhe é o excesso de flashbacks para mostrar tanto a morte do namorado de Luce, quanto de seu passado, pois numa montagem diferenciada isso fluiria bem melhor e agradaria bem mais, embora ainda seja um filme gostoso de ver.

Sobre as atuações, a equipe optou por não usar atores tão conhecidos do público, para que fossem criados mesmo os personagens e que talvez após o filme eles passassem a ser conhecido como determinado personagem, mas não posso dizer que a interpretação deles causasse grande furor, pois todos foram bem medianos nas interpretações e soaram simples demais para cada personagem. Addison Timlin foi bem jovial na forma de expressar de sua Lucinda ou Luce como vários chamam, e até agradou por não soar tão ingênua e ter uma certa personalidade, mas faltou dinamizar mais seus atos para que ficasse realmente marcante como aparenta em diversos momentos da história. Jeremy Irvine entrou na trama para ser o galã Daniel, e apenas isso, pois não temos uma grande cena de diálogo em que possa mostrar o nível de sua interpretação, e olha que teve dois grandes momentos para isso, e apenas fez o básico, mas é claro que a mulherada nem vai ligar para isso quando o jovem estiver na piscina. Harrison Gilbertson fez de seu Cam, aqueles personagens que queremos saber mais de sua história, ver o quão intrusivo pode ser com os demais personagens e claro brigar com muito galanteio a disputa como principal affair da protagonista, mas lhe deram tão poucas oportunidades para isso que o ator quase some em cena, o que não é legal, afinal ele mostrou desenvoltura para chamar bastante atenção. Temos de dar destaque com toda certeza para Lola Kirke, que fez de sua Penn uma amiga daquelas que não param de falar mesmo quando queremos ficar quietos num canto, e com uma boa personificação, a atriz interpretou bem e deu dinâmica para o longa de maneira a querermos até mais momentos com ela. Os demais personagens tiveram poucos momentos para se mostrar, mas agradaram dentro do possível, tendo leves destaques para Sianoa Smit-McPhee com sua Molly e Joely Richardson como a professora Sophia, pois ambas foram determinantes nas cenas de maior impacto, embora sejam bem rápidas.

No conceito visual a trama arrumou uma locação incrível na Hungria para fazer o reformatório e que certamente merecia mais cenas nos diversos ambientes, pois se olharmos a fundo a equipe trabalhou diversos detalhes com elementos cênicos bem encaixados, que certamente tinham grande importância nos livros, mas volto a frisar que longas desse estilo preferem focar no romance do que no contextual, e sendo assim só quem estiver bem disposto a ir pegando detalhes irá captar alguns momentos mais interessantes e focados. Outro bom ponto para a equipe de arte foi na concepção dos diversos momentos do passado dos protagonistas, pois ao recriar momentos mais requintados fizeram um trabalho de arte com bastante pesquisa e luxo para ser visto na tela, só é uma pena que sejam flashes rápidos. A fotografia para dar um ar místico trabalhou com muita fumaça, cenas noturnas e ambientes escuros para criar sombras e pontuar momentos mais clássicos, e isso foi uma grande sacada, pois o filme ganhou um tom mais sério e interessante de acompanhar. Agora se teve algo que realmente não deu certo no longa foi para a equipe de efeitos especiais, que acabou entregando algo muito esquisito de se ver numa tela de cinema, como asas brilhantes com detalhes estranhos, uma luta que parecia criar trovões e raios que surgiam do nada e chegavam a lugar algum, umas sombras negras densas que podiam ser movidas com as mãos como se fossem um Ipad gigante, e por aí vai, de tal maneira que se forem realmente fazer um segundo filme, esperaremos uma melhora significativa para que possa empolgar mais.

Com uma boa trilha sonora, o longa teve um ritmo marcado e bem colocado, o que certamente deu um tom gostoso de acompanhar, mas poderiam ter escolhido bandas mais dark para que o filme fosse mais dentro dessa proposta.

Enfim, é um filme interessante de ver, e que agrada dentro da proposta que escolheu atingir, mas que falta ainda muito caldo para chegar a ser daqueles filmes que iremos esperar com grande sede a sequência, e talvez se for no mesmo ritmo que foi para lançar esse, quando vier o próximo nem iremos lembrar da existência desse. Portanto recomendo somente para quem realmente gosta desse estilo, e veremos se terá fôlego suficiente para que todos os livros da saga sejam lançados no cinema. Bem é isso, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos das estreias, então abraços e até qualquer momento pessoal.

Leia Mais

Heartstone (Hjartasteinn)

12/09/2016 01:36:00 AM |

A adolescência é uma fase que ou você ama ela ou odeia, sendo algo bem raro alguém que fique no meio do caminho com as descobertas emocionais e o desenvolvimento do corpo, e quando falamos de filmes que envolvam essa temática, são casos raríssimos que saem da mesma proposta, uns trabalhando mais o lado emocional do primeiro amor, outros mexendo mais com o lado emocional da coisa em si, e agora ultimamente tem aparecido um pouco mais envolvendo a temática homossexual nessa época que muitos definem em bom tom de "aborrescência", e que ultimamente tenho concordado bastante com essa denominação. Não digo de forma alguma que "Heartstone" seja um filme ruim, mas ficou parecendo algo que já vimos diversas vezes, com outro estilo de acabamento e que a cada cena já vamos preparados para tudo o que vai acontecer, o que acaba sendo um grande inconveniente, mas talvez com uma pegada mais aprofundada o longa nos mostre um pouco mais da vida no campo das crianças em países com baixa população, e um clima bem diferente do que estamos acostumados.

Em meio a um pequeno vilarejo de pesca na Islândia dois adolescentes ficam amigos. Thór e Christian passam a viver turbulentas experiências no verão. Enquanto um deles tenta conquistar o coração de uma garota, o outro descobre que está desenvolvendo sentimentos pelo amigo. Quando o verão acaba e o rigoroso inverno atinge o país, eles precisam assimilar a vida adulta.

Estreando na direção de um longa, o islandês Guðmundur Arnar Guðmundsson foi categórico na seleção dos jovens e deixou seu filme com um estilo diferenciado, por termos jovens de diversas idades, mas todos dentro da faixa que compreende a adolescência, e se fazer um longa de estreia já é algo complexo, imagina colocar junto diversos jovens na fase mais maluca de suas vidas! Ou seja, certamente o diretor teve milhares de problemas com personalidades diferenciadas, com decisões do que fazer, e claro que com isso a estética do longa ficou um pouco prejudicada, pois ele precisou entregar algo mais básico. Digo isso pois com toda certeza muitos mudariam o vértice da trama na cena que eles estão no penhasco, afinal ali sim o longa tende a ir para um diferencial mais trabalhado e que renderia frutos imaginativos inimagináveis na cabeça do público, mas como o filme não é nosso, o diretor optou por desenvolver brigas familiares de pais separados e como os filhos lidam com isso, colocou as aparições dos primeiros pelos e como os jovens lidam com isso, colocou as primeiras relações, e as determinadas formas de amizade, colocou brigas de pequenos com os quase adultos, e claro que colocou o ciúmes em pauta, ou seja, tudo o que poderíamos esperar de um filme do estilo. Portanto temos quase uma "Malhação" islandesa na telona, claro que com vertentes mais artísticas e elaboradas, mas que facilmente será esquecido muito em breve, ou talvez citado quando virmos novamente outro longa desse estilo, afinal sempre tem um novo diretor querendo mostrar tudo isso novamente.

Com um elenco bem jovem e que provavelmente fez sua estreia nos cinemas, o longa possui diversos defeitos de expressões, mas que não incomodam tanto quanto a temática, e sendo assim temos de pontuar que os dois protagonistas Baldur Einarsson e Blær Hinriksson, respectivamente Thor e Cristian foram bem colocados e criaram boas dinâmicas de amizade e ao trabalhar bem os olhares principalmente mostraram que podem com certeza ter um bom futuro dentro do cinema. Não posso dizer o mesmo das garotas, pois mesmo sendo aparentemente mais maduras que os garotos, Diljá Valsdóttir e Katla Njálsdóttir pareciam bem perdidas na trama com suas personalidades jogadas sempre para fazer um certo charminho cênico. Do elenco mais velho, Sveinn Ólafur Gunnarsson como pai de Cristian, e Søren Malling como Sven são os destaques em pequenas cenas no meio dos jovens.

Coloquei uma pergunta para os amigos responderem, e volto a colocá-la aqui no site, pois acabei ficando intrigado com isso: Temos algum filme que mostre cidades agitadas, urbanas e com características mais marcantes na Islândia? Pois esse já é o quarto ou quinto filme do país que só mostram áreas rurais ou litorâneas, com uma população minúscula que vive de criações de animais e pesca, e enfrentam um frio forte que mexe com as emoções das pessoas! Ou seja, a direção de arte acabou trabalhando dentro dessa perspectiva, claro que escolhendo muito bem locações marcantes para a proposta, com destaque para o estábulo e o penhasco, mas que funcionou mais para uma simbologia maior dentro da trama, e pouco para um visual realmente expressivo, e claro que temos de pontuar também a doca, aonde começamos e terminamos com o famoso e feio peixe-pedra. Tenho de falar também da fotografia intimista que o diretor optou trabalhar, sempre com a câmera bem proximal dos protagonistas, luzes mais detalhadas que acabaram tendo até alguns deslizes com sombras, mas que dentro da proposta até que acabou funcionando razoavelmente.

Enfim, um filme que muitos vão até se apaixonar pelo tema, alguns vão se identificar ao relembrar de sua adolescência, mas que diria como filme algo totalmente dispensável, pois é mais uma obra mostrando mais do mesmo, portanto não recomendo ele, mesmo tendo bons momentos e um teor artístico interessante. E sendo assim, encerro minha participação na Itinerância da Mostra Internacional dessa semana (não conseguirei conferir os longas do Domingo), mas volto na próxima terça com mais textos dos da próxima semana, e claro que amanhã já volto com as estreias normais dessa semana, então abraços e até breve pessoal.

Leia Mais

O Apartamento (Forushande) (The Salesman) (Le Client)

12/08/2016 01:16:00 AM |

Já falei diversas vezes aqui para nunca irmos sedentos ao pote, criando expectativas demais para determinado longa, e o que o Coelho faz? Vê que deu um 10 e um 9 para as produções anteriores do diretor Asghar Farhadi e vai todo esperançoso para a mostra de cinema esperando algo magistral de nível similar ou melhor, e o que acontece? Mesmo "O Apartamento" tendo diversos elementos das outras produções, acabei encontrando um filme bem simples, ainda muito interessante, mas longe de qualquer genialidade, e que mostra bem que no Oriente Médio, a culpa moral sempre vai ser resolvida com algum tipo de vingança (na ideologia antiga do olho por olho, dente por dente), mas que para chegar nisso é criado um drama tão grande que facilmente aqui resolveríamos com uma boa briga ou com um belo dum barraco no meio da rua, e pronto cada um pro seu lado (em alguns casos mais fortes, teríamos alguns tiroteios também!).

O longa conta a história de um jovem casal que, devido a riscos de desabamento do prédio onde moram, são forçados a mudar para um novo apartamento no centro de Teerã. Mas um grave incidente ligado à inquilina anterior vai transformar drasticamente a sua vida.

O trabalho do diretor é claro e objetivo, e no grande jogo de mentiras que é a interpretação de um filme, ou no caso de uma peça, determinar culpa e culpado é algo que nem sempre é fácil de encarar. O longa franco-iraniano pode ser interpretado de duas maneiras (pelo menos), uma que talvez muitas mulheres ficariam extremamente irritadas sendo a possibilidade de uma mentira maior por parte da atriz, e outra que entraria no que preferimos admitir da violência contra a mulher, mas que interpela a ideologia da moral dentro dos costumes num país fechado à tudo. Ou seja, o diretor brinca com essas possibilidades tanto na forma encenada quanto na mente dos espectadores, e esse é o grande lance da trama, pois se ficarmos presos somente na história que anda, o filme acaba sendo mais murcho do que qualquer outro, e certamente não era esse o objetivo dele. Farhadi ainda demonstra uma mão precisa e que cria diversas discussões, mas mesmo indo sem tantas expectativas, certamente esse seu novo longa é o mais simples de sua filmografia, pois não consegue criar nem tanta tensão, nem tanta discussão como os outros, e sendo assim teremos de esperar um próximo trabalho seu para voltar a dar uma grande nota para ele.

É interessante discutir sobre as atuações, pois podemos analisar a atuação do ator e do personagem na peça dentro do filme, e com toda certeza isso foi o que fez Shahab Hosseini ganhar o prêmio de melhor ator em Cannes com seu Emad, pois o jovem ator demonstrou frieza para superar a sua própria força em um drama familiar de temática completamente difícil de se discutir num país aonde a religião domina, e uma mulher abusada certamente causaria muita conversa, e ao se colocar como protagonista da peça como o caixeiro, ele absorve todo esse caos que está em sua mente e se inclina numa interpretação dura e cheia de emoções, o que é muito bacana de se ver, pois usou o sentimento ambíguo para duas vertentes completamente diferentes e agradou em ambas com um semblante até calmo demais, mas que na preparação ele certamente socou uma parede, garanto que socou. Taraneh Alidoosti fez bem sua Rana, mas ficou muito atrás do personagem principal, sendo sempre determinada mais pelas reações dele do que algo que pudesse chamar mais a atenção em cena, claro que isso é algo bem machista de se dizer, mas faltou coragem para a atriz se mostrar mais, e talvez fazer o seu personagem ser marcante dentro das poucas cenas que se expressou mais. Quanto aos demais, a maioria fez leves participações, que por vezes até tiveram boas conexões, como é o caso de Babak Karimi, mas nada que parássemos e ficássemos esperando por algo maior, já que o foco realmente ficou em cima do protagonista mesmo.

No conceito visual, mesmo o ato mais forte tendo acontecido no apartamento emprestado, sem dúvida alguma o impacto da destruição, junto com o clímax do desabamento moral na cabeça do protagonista, fez com que o apartamento antigo fosse certamente o nome do longa, pois ali a equipe de arte sim teve de criar perspectivas (com quase nada em cena), e conseguiram muito bem, enquanto no outro o grande feito foi amontoar muitos objetos para que a saída da antiga moradora mantivesse a essência no ambiente. Além disso a composição cênica da peça, com diversos cenários montados em um único palco deu um charme tão diferenciado para a peça que talvez um filme inteiro rodado ali seria bem interessante de ver também. A fotografia brincou com alguns tons escuros, mas nada que fosse muito impressionante, deixando o drama soar mais num tom único com poucas sombras e nuances, o que é estranho de ver, pois um filme desse estilo colocaria num tom abaixo para manter a tensão de culpa.

Enfim, um filme interessante e que agrada de certa forma por mostrar bem mais dessa cultura machista e com ideologias tão fortes que o diretor tanto gosta de mostrar, mas sem dúvida alguma ele poderia ter feito um longa impactante e bem mais forte se não ficasse tanto brincando apenas com o sentimento de culpa/vingança dos protagonista. Como disse não é o melhor do diretor, mas vale ao menos uma conferida, pois certamente pelo estilo que ele sempre nos mostra, já virou daqueles obrigatórios de saber o que vem apresentando. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, afinal continuarei com longas da Mostra e ainda vieram muitas estreias para cá, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

A Garota Desconhecida (La fille inconnue) (The Unknown Girl)

12/07/2016 02:21:00 AM |

Já disse uma vez que sem a curiosidade não teríamos cinema, pois se a mocinha não for olhar o barulho lá fora num filme de terror nada aconteceria para ser contado, e se não estamos com um filme de terror, e também não temos um drama bem pautado também, o que fazer? Colocar uma médica intrometida a investigadora, e a deixar com culpa para tentar ir atrás de alguma resposta de um crime na porta de seu consultório! A ideia de "A Garota Desconhecida" pode não ser algo que se pensasse inicialmente, mas que flui bem com a curiosidade da protagonista (que diria mais para enxerida e chata pra caramba) e que mesmo com um final bacana, acaba cansando por ficar batendo sempre na mesma tecla. Poderia ser mais investigativo, com mais personagens (policiais mesmo indo a fundo), e uma moral de culpa menos assombrosa para que o resultado agradasse mais, mas ainda assim é um filme bem interessante de se conferir.

O longa nos mostra que Jenny é uma médica dedicada, que há três meses passou a trabalhar na vaga deixada por um médico veterano, que foi seu mentor. Bastante atenciosa com seus pacientes, ela fica abalada ao saber sobre o falecimento de uma jovem que procurou a clínica em que trabalha, mas não conseguiu atendimento por ter chegado uma hora após o horário de encerramento. Querendo saber mais sobre esta jovem, ela passa a realizar uma investigação pessoal em busca de sua identidade.

O estilo de cinema dos irmãos Dardenne é algo mais calmo realmente, e que flui sem precisar de muita ousadia, mas aqui a ideologia que Jean-Pierre e Luc acabaram criando gera tantas controvérsias que acabamos mais incomodados com tudo do que conectados com a história, pois logo de cara a protagonista não se parece com o estilo de uma médica, trabalhando com semblantes quase jogados sem muita expressividade e sempre oscilando entre ativa demais e passiva demais, nunca num meio termo. E claro que o sentimento de culpa vai surgir por não ter ajudado alguém, mas dificilmente uma pessoa se envolveria tanto para descobrir um nome apenas, e isso é o ponto mais errado da trama. Não digo que a história não agrade ou que os diretores tenham errado a mão, mas quando não adentramos a um mundo fantasioso totalmente fictício, o mínimo que se espera de um drama "policial" é que ele siga uma linha cognitiva coerente, e a cada nova insistência da protagonista para se "meter" literalmente na vida das outras pessoas, sempre alegando sigilo médico é algo tão absurdo que incomoda. E sendo assim, ao final até acreditamos no ocorrido, ficamos felizes de certo modo com o desenvolver que nos é entregue, mas que certamente seria desejado algo mais "real".

Diria que é até difícil falar dos personagens secundários da trama, pois a protagonista mantém tanto a atenção em si que quase esquecemos que existem outras pessoas em cena. E sendo assim, talvez fosse mais preciso que Adèle Haenel incorporasse mais o ar de médica e menos o ar de detetive, pois vemos sua Jenny com um olhar jogado desesperançoso e que poucas pessoas até tivesse uma gana, pois se existe uma profissão que você vê impacto no olhar são os médicos, e aqui a jovem ficou oscilando o longa inteiro sem nenhuma grande cena que mostrasse o valor de uma protagonista, muito menos um impacto maior que chegasse a agradar mesmo, pois não digo que não ficamos o longa inteiro para que ela descobrisse algo, mas sim que ela chegasse lá e ainda com grande estilo, e seu olhar de desgosto para com a cena de clímax é tão blasé que não sabemos se está inconformada com o que vê ou falando por dentro "eu já sabia". Apenas para não dizer que não citei outros personagens, temos de honrar o jovem Louka Minnella com seu Bryan bem chatinho, mas que até teve algumas cenas de nuance, e claro as finais com Jérémie Renier mostrando o pai do garoto bem dramatizado. Agora faltou um belo chá de ânimo para a interpretação de Olivier Bonnaud com seu Julien, pois tenho certeza que até eu que não sou ator faria expressões melhores que ele.

Sem dúvida alguma o melhor do longa está nas nuances das locações, pois temos um consultório médico digamos meio que improvisado (não sei como funciona em outros países, mas diria que ficou bem simplório por parte da direção de arte), mas que localizado num lugar bem pobre, acabou tendo uma dinâmica interessante ao se mixar com a casa da protagonista. Temos um cybercafé bem barra pesada, um local abandonado e diversas casas de pacientes que retratam uma realidade dura de um país que digamos é bem mais evoluído que o nosso, mas que se tirarmos base pelo longa vamos sair falando que aqui é o lugar mais lindo do mundo. Ou seja, não diria que a equipe artística teve grandes trabalhos, mas sim que pecou em não colocar mais elementos em cena. A fotografia foi singela, trabalhando poucas cores, e mantendo sempre um tom abaixo para criar uma certa tensão no ar, o que mostra um trabalho coerente no conceito de dramaticidade, mas que poderia também ter sido melhorado.

Enfim, um filme que teve uma ideia interessante, mas que acabou faltando atitude, e que mostra uma certa acomodação dos diretores que já tiveram grandes e marcantes obras no cinema, ou seja, entregaram mais do mesmo, e deixaram um marasmo exagerado sem pressionar mais a atriz principal. Portanto não digo que é um filme inválido de se assistir, pois ao final já estamos conversando e reclamando dos personagens, o que mostra uma interação bacana que o longa propõe, mas que falhou demais em não chegar para lado algum na proposta, principalmente por focar demais numa protagonista fraca e completamente fora de uma realidade, e sendo assim, veja somente se tiver muita vontade e não estiver passando mais nada nos cinemas. Fico por aqui agora, mas hoje a noite terei mais uma sessão da Itinerância da 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo que está ocorrendo no SESC, então abraços e até breve com mais textos.

Leia Mais

O Último Virgem

12/04/2016 08:30:00 PM |

O que acontece quando misturam o estilo novelesco adolescente de "Malhação" com filmes como "American Pie" (não a franquia original, mas sim aqueles toscos do Stifler fora dos clássicos)? Um bom exemplo de resposta é o longa "O Último Virgem" lançado na última quinta-feira e que baseado em uma peça de teatro, acabou ficando tão tosco e apelativo que acaba conseguindo divertir (claro que não como uma boa comédia divertiria, mas não chega a ser um tempo 100% perdido). De forma alguma posso dizer que é um filme perfeito, pois apela demais e exagera em todo tipo de clichês possíveis de se imaginar, mas acaba soando funcional dentro da proposta que deseja atingir, e sendo assim quem acabar indo ao cinema conferir ele, indo preparado para ver algo tosco, irá sair satisfeito.

Dudu é um garoto tímido que, no último ano do Ensino Médio, ainda é virgem. Esta situação faz com que ele seja alvo constante de piadas vindas de seus amigos inseparáveis: Escova, Borges e Gonzo. Um dia, ao término do ano letivo, ele é convidado pela professora Débora a ter aulas extras na casa dela. A situação logo faz com que Dudu e seus amigos acreditem que ela esteja dando em cima do garoto, que se preocupa mais do que nunca com sua inexperiência sexual.

Chega a ser interessante a forma de composição do roteiro de Lipy Adler, que originalmente escreveu em 2005 a trama para ser uma peça de teatro, que acabou fazendo sucesso, e claro que como todas as peças que vão bem em nosso país, foi lhe dado a ideia para transformar a trama em um longa-metragem e cá que agora muitos anos após a primeira versão de seu texto, temos um filme que digamos ser bem exagerado no apelo sexual, mas que de uma forma bem divertida consegue ser razoável e interessante de acompanhar. Claro que a pegada que os dois diretores estreantes em longa, Rilson Baco e Felipe Bretas, deram para a trama foi algo bem dinâmico para que o longa não cansasse, mas certamente poderiam ter trabalhado um pouco mais na organização para que o filme não ficasse tão novelesco e desajeitado, pois aí sim teríamos uma obra mais vendável e menos jogada na trama. Ou seja, o resultado geral do trabalho deles é sentido e conseguimos ver bem o estilo que trabalharam, que já até citei acima nos longas paralelos da franquia "American Pie", mas ainda falta aquele detalhe característico de cinema que é a trama se desenvolver sozinha sem precisar de elementos externos, e quem sabe num próximo filme acertem mais o tom.

Sobre as atuações, temos de ser bem sinceros e dizer que todos falharam demais, pois pareciam jogados nas cenas, fazendo caras e bocas e sem saber para qual rumo dirigir o foco, nenhum conseguiu destaque, e o protagonista parecia perdido na sua afobação de querer fazer tudo ao mesmo tempo, claro que isso é um detalhe clássico da inexperiência dos diretores, mas poderiam ter trabalhado um pouco mais centrados para agradar em cena e não ficar correndo a esmo. Guilherme Prates não é tão novo como o personagem passa em cena, e acredito que a boa dose de inexperiência jogada para seu Dudu foi proposital, mas acabou exagerando em determinados momentos e pontuando mais como perdido, do que como alguém que não soubesse o que estava fazendo, e esse pequeno detalhe foi a maior falha que faltou para que seu personagem nos conectasse com seus sentimentos e arrebatasse melhor a protagonização que talvez mostraria mais serviço seu. Bia Arantes fez bem os momentos de sua Julia, e mostrou sentimento nas cenas que precisou ser sentimental, mas forçou demais o choro e ficou com uma cara estranha em alguns momentos, mas ainda assim foi a melhor personagem da trama. O roteirista Lipy Adler também atuou com seu Escova, e sem dúvida alguma copiou o estilo "fodão" que tanto vimos em Stifler nos "American Pie", e até se divertiu bastante com o que se propôs a fazer, mas longe de ser um ator marcante (que agora está se arriscando também na música), o que fez no personagem foi mais interação do que expressão e isso é algo que faltou para realmente lembrarmos dele mais para frente. Fiorella Mattheis conseguiu demonstrar sensualidade nas cenas da professora Débora, mas foram tão poucas que ficamos realmente pensando se a personagem não foi cortada demais ou se para o longa não mudar de classificação resolveram limar, pois a atriz ficou quase como um enfeite maior dentro da produção e isso não é legal de ver.

No conceito visual a trama foi bem agitada com diversas locações bem joviais, passando claro pelos inferninhos do Rio e caindo com tudo numa festa cheia de luzes, mas o grande feito foi o longa ser trabalhado meio como um road-movie passando por diversos lugares para que o jovem perdesse sua virgindade, mas volto a frisar que mesmo com boas escolhas o filme ainda soou como uma novela, e esqueceu de trabalhar os elementos de cada ato para que representassem realmente o momento, ou seja, vimos um filme bem colocado que tinha potencial visual, mas que se prendeu a pequenos momentos para ser maior, e talvez até mais cenas na praia economizasse orçamento e agradaria mais do que diversos passeios.

Enfim, um longa bem mediano, que talvez agradasse até mais os jovens do que os adultos, mas que ao exagerar no tom acabou saindo de vértice e divertindo somente quem for disposto a embarcar no tema e rir até mesmo dos absurdos toscos que acabaram colocando. Portanto só recomendo o filme para quem ri desse estilo, pois do contrário é ir ao cinema e sair mais incomodado com o que verá do que feliz de ter se divertido com algo. Bem é isso pessoal, fico por aqui com a última estreia comercial da semana, mas ainda tenho diversos filmes na Itinerância da Mostra Internacional para conferir e volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

As Aventuras de Robinson Crusoé em 3D (The Wild Life)

12/04/2016 12:10:00 AM |

Praticamente passei um ano inteiro vendo o trailer de "As Aventuras de Robinson Crusoé" nos cinemas a cada nova estreia de animação, e quando achava que ia estrear, mais uma nova alteração de data vinha e com isso nada do longa aparecer, e mais vezes vendo o ótimo 3D do trailer, esperando ver claro muito mais além disso nas telonas. Pois bem, cá depois de 4 alterações de data, eis que finalmente apareceu o longa nos cinemas, e posso dizer que o 3D é melhor do que o trailer, com muita perspectiva de profundidade, diversos elementos saindo da tela, porém a trama é deveras infantil, com personagens tão bobinhos que qualquer criança acima de 5 anos é capaz de se cansar com o que verá em minutos e já irá começar a reclamar para ir embora da sala. E embora o tom seja bem infantil na maior parte da trama, temos os vilões gatos selvagens com um teor mortal tão feroz que facilmente poderia assustar as crianças, ou seja, ficaram na dúvida entre o bobinho ou amedrontar de vez, o que mostra um despreparo da equipe, e talvez até seja a justificativa da distribuidora brasileira para segurar um longa que estreou mundialmente em Fevereiro/2016 e só agora resolveram colocar nas telonas brasileiras.

O longa nos apresenta Terça-feira, um extrovertido papagaio vive com seus amigos animais em uma pequena ilha, um verdadeiro paraíso. Entretanto, ele não consegue parar de sonhar em descobrir o mundo. Após uma violenta tempestade, Terça-feira e seus amigos encontram uma estranha criatura na praia: Robinson Crusoé. Ele imediatamente enxerga Crusoé como seu passaporte para realizar seu sonho. Por outro lado, Crusoé logo descobre que a chave para sua sobrevivência na ilha é através da ajuda de Terça-feira e os outros animais.

A animação franco-belga possui traços interessantes, uma fotografia bem densa que transformou o visual da trama em algo bem satisfatório de ver, mas faltou aos diretores fazer o mesmo que fizeram em 2010 com uma das melhores animações que já vi até hoje, e que inclusive foi feita por um deles Ben Stassen, no caso "As Aventuras de Sammy", pois lá mesmo o nível infantil soou agradável e conseguiu divertir, o que não acaba ocorrendo aqui, tendo apenas personagens bobinhos, mas sem muita pretensão. Agora sem dúvida alguma após ver quem é o diretor da trama soube o motivo do 3D ser tão perfeito, pois até hoje desconheço em animações, um longa que a tecnologia tenha funcionado tanto quanto em Sammy, e aqui repetiram a dose, com cenas aonde os personagens rolam para todos os lados dando profundidade de campo, em outras coisas voando para fora, e praticamente todos os personagens com boas texturas e movimentos claros pensados na tecnologia, só ficando devendo mesmo uma história menos infantil ou se fossem dosar com os gatos estranhos, algo já mais adulto e pronto para viver vingança e tudo mais, pois o meio termo que acabaram adotando soou frouxo e bobinho demais.

O principal problema da trama podemos atacar ao fato dos personagens serem desconexos com a ideia, e nenhum cativar nosso carisma, pois todos fazem brincadeiras bobas, todos possuem um percentual de protagonismo, e da mesma forma, todos acabam atrapalhando o andamento da trama, faltando aos diretores determinarem quem realmente protagonizaria tudo e chamaria a responsabilidade para si, no caso Crusoé ou até mesmo Terça-Feira, pois aí sim os demais apenas como leves coadjuvantes poderiam participar e agradar até mais apenas fazendo as bobagens tradicionais. Quanto dos gatos, chega a ser interessante o nível de vilania deles, e claro que ao mostrar como uma ninhada ficou tão ruim quanto os pais, podemos analisar que os diretores foram duros ao querer mostrar algo tenso demais com eles em um filme infantil, que certamente poderia ser mais leve.

Enfim, é um filme interessante de ver, que está longe das pretensões de ser um clássico infantil, mas que deverá agradar bem os pequeninos até no máximo uns 6-8 anos, pois tem um colorido bacana, um 3D divertido para ficarem querendo pegar as coisas, e uma história bobinha, mas que dá para passar algum tempo assistindo, porém para as outras idades é melhor procurar outro filme, pois vão reclamar. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto logo mais com mais textos por aqui, então abraços e até breve.

PS: A nota é mais pelo bom 3D e pela fotografia da trama, pois sem esses bons elementos com toda certeza seria bem menor.

Leia Mais

Mundos Opostos (Enas Allos Kosmos) (Worlds Appart)

12/03/2016 01:44:00 AM |

Se tem uma coisa que me diverte nos cinemas é ver o estilo de cada diretor, e como geralmente a cultura de cinema do país desenvolve suas tramas, pois o cinema grego é ao mesmo tempo místico e leve, de tal forma a moldar sempre algo que poderia ser trabalhado de maneira dura e forte, como um filme gostoso de acompanhar, mesmo que tudo seja completamente previsível, até mesmo nas cenas mais rápidas. E sendo assim, algo fácil de descobrir, em "Mundos Opostos" acabamos descobrindo logo de cara o que vai acontecer a cada nova cena, já de relance pegamos como será o clímax, em alguns minutos imaginamos (e acertamos) como irá se fechar a trama e por aí vai, pois tudo é muito pontual na trama, e mesmo o diretor subdividindo a trama em 3 subtramas (Bumerangue, Loseft 50mg e Segunda Chance), o resultado final para quem já acompanhou qualquer novela saberá os rumos e irá se conectar com toda a simbologia, amando o que verá ou odiando totalmente. Felizmente gostei mais do que odiei, e acredito que isso se deve pela direção consistente de Papakaliatis.

O longa nos mostra que numa Grécia assolada pela terrível crise socioeconômica, mas ainda conectada aos seus deuses, em especial Eros, a universitária Daphne é salva de um estupro pelo imigrante ilegal sírio Farris, o executivo Giorgios encara a dissolução da empresa em que trabalha ao mesmo tempo em que se envolve mais do que o esperado com uma consultora estrangeira, e o historiador Sebastian tenta se comunicar com uma senhora no mercado.

Costumo ser completamente contra diretores que resolvem atuar nos próprios filmes (não ligo para os que fazem apenas participações, mas ser protagonista é muita apelação de ego), e aqui Christopher Papakaliatis trabalhou muito bem na escolha dos planos, afinal também foi o roteirista da produção e já sabia como desejava mostrar sua história na telona. A opção de dividir a trama em partes menores, que claro, se juntam mais para o fim é um tanto quanto óbvia, mas é interessante para que conectássemos melhor a cada personagem e com isso passássemos a gostar mais de cada elemento, o que não impede também de desgostar de algo. Mas o grande acerto sem dúvida do diretor/roteirista, foi desenvolver uma história envolvendo economia, política, misticismo, religião e ainda romance, ou seja, tudo que se qualquer pessoa pensar em misturar num liquidificador irá com toda certeza imaginar virar qualquer coisa menos um filme bem elaborado, e o resultado mesmo que totalmente fácil de descobrir, agrada bastante (ao menos para quem gosta de uma trama levinha e digamos adocicada).

É fato que ao misturar atores de diversos países, o filme teve um desenvolvimento até mais interessante, pois pode trabalhar linguagens corporais mistas com claro o idioma universal, mas também brincando com o adivinhar de palavras e significados em outras línguas, e sendo assim todos tiveram bons trejeitos e até formas delicadas para agradar na desenvoltura de seus personagens. Para começar o israelense Tawfeek Barhom deu um ar bem singelo para o seu Farris, e soube dosar delicadeza para com seu estilo, misturando claro o medo e o desespero por estar jogado às margens da sociedade grega, claro que seu relacionamento amoroso em velocidade acelerada soou um pouco forçado, e totalmente novelesco, mas ainda assim foi gostoso de ver a forma de trabalho do ator. Junto de Barhom está a grega Niki Vakali, que até fez bons trejeitos para com sua Daphne, mas soou bobinha demais e quase muda para com o momento, e geralmente estudantes de política falam bem mais do que a jovem garota, então poderia ter se expressado mais ao invés de cair como vítima da sociedade. Não diria que Minas Hatzisavvas é protagonista em momento algum, mas foi o único que ganhou prêmio de melhor coadjuvante nas premiações do longa, pois seu Antonis é forte e impactante, e soou perfeito na comparação do que realmente anda acontecendo no mundo, com cada vez mais pessoas resolvendo fazer justiça com as próprias mãos, e claro que o ator foi expressivo, forte e bem colocado na trama. No segmento seguinte é a vez do diretor Christopher Papakaliatis aparecer com seu Giorgios, e com muita sagacidade, o ator dosou bem suas expressões, foi preciso nas emoções e claro, foi pra cama com a atriz mais bonita da trama, o que mostrou uma boa versatilidade para se dirigir numa cena bem trabalhada, e além disso foi simples e objetivo nas cenas com o garotinho, para mostrar como é a vida de adulto. A húngara Andrea Osvárt mostrou bem o papel que líderes e consultores fazem nas empresas com sua Elise, que é destruir cargos sem arrependimento e principalmente adorar somente quem lhe pajear, ou seja, algo que já deveria nem ter existido na vida real, mas que a atriz fez muito bem com sua interpretação. E para fechar o último vértice temos o ganhador do Oscar J.K. Simmons mostrando um lado seu tão amoroso e dócil que nem lembrava que existia, pois o ator que ultimamente só vinha fazendo personagens fortes foi tão doce e interessante de ver com seu Sebastian que acabamos nos envolvendo até demais com o que ele faz, e claro que isso acaba sendo um show, mesmo que não flua muito sua história. E Maria Kavoyianni foi certeira nas expressões, mostrando o pouco entendimento do inglês de Simmons e falando como uma boa grega bem rapidamente para que quase ninguém a entenda, ou seja, deu show também com sua leveza.

No conceito visual da trama, todas as cenas foram bem simples, em locações colocadas para representar a economia do país, mas sem dúvida alguma as melhores cenas ocorreram pela simbologia presente, pois seja no aeroporto desativado ocupado por imigrantes ilegais, ou no apartamento barulhento pela hospitalidade grega com um cinema ao ar livre na varanda da casa ao lado, ou até mesmo pelos passeios dentro de um mercado aonde você não consegue mais comprar nada pelos altos preços, mas que adoraria passear sem ser julgado. E assim com essas boas simbologias, mas sem precisar dizer muito em cena, a equipe artística foi bem pontual e acertou bastante nas escolhas e composições cênicas, agradando na medida. Só achei um pouco exagerado a procissão em todas as cenas, pois ok mostrar o lado religioso do país, mas acabaram forçando demais a barra. E claro que trabalhando bem sombras e nuances, cada cena foi fotografada em bons ângulos e contrastando cada paisagem bem escolhida com os personagens, para que o longa tivesse um tom dramático, mas sem muito peso, claro que excluindo as cenas de fascismo/extermínio aonde o preto dominava.

Enfim, um filme interessante e gostoso de assistir, que até poderia ter ido mais longe na forma crítica, mas que ao optar pela leveza discreta e opinativa, acaba atraindo mais público para os problemas do país sem apelar e assim agradando de maneira simples e bem pontual. Ou seja, um filme para todos os públicos, que vai emocionar e agradar sem necessitar ficar pensando ou filosofando sobre tudo o que querem nos mostrar. Portanto recomendo ele com certeza, mesmo com os defeitos de teor novelesco, de exageros expressivos, e até do diretor sendo mais ator do que maestro, pois o resultado final apaga bem esses erros. E assim, fico por aqui hoje, mas essa semana teremos posts todos os dias, então abraços e até breve galera.

Leia Mais

Anjos da Noite: Guerras de Sangue em 3D (Underworld: Blood Wars)

12/02/2016 01:26:00 AM |

Quando escrevi o texto de "Anjos da Noite: O Despertar" em Março de 2012, frisei que o longa era curto e que deixava brechas demais para um quinto filme, porém pararam de falar da trama, qualquer boato de continuação saiu de radar, e se alguém sequer sabia de que estavam rodando o quinto filme, este guardou a informação em um lugar bem seguro, pois nada se ouvia sobre o longa até alguns meses atrás. E sendo assim, o quinto longa da franquia "Anjos da Noite: Guerras de Sangue" praticamente surgiu do nada na programação após quase meia década com claro nossos queridos vampiros que dormiram no formol durante todos esses anos. Agora, se eu falar que temos qualquer grande novidade dentro do filme estarei sendo um mentiroso de nível altíssimo, pois temos o início contado da mesma forma (relembrando tudo o que ocorreu bem rapidamente nos últimos quatro filmes), temos muitas lutas e tiroteios (alguns até bem interessantes), temos pouco sangue para um filme com tanta luta e tiro (mas com uma cena bem violenta ao final), e claro que temos a volta dos mesmos atores (claro que tirando os que morreram nos longas anteriores - se bem que temos algumas cenas dos mortos também), ou seja, o mesmo do mesmo, incluindo o detalhe maior da série: na hora que começa empolgar acaba para largar aberto para um próximo filme.

O longa nos mostra mais uma vez que o clã dos vampiros e dos Lycans estão em guerra há séculos. Todos os que A vampira Selene amava, foram caçados e mortos. Agora, os Lycans têm um novo líder, Marius, que quer o sangue de Selene para reinar de vez.

Bom, disse que não tínhamos novidade alguma para contar sobre o filme, digo isso pelo que é mostrado na telona, mas por trás dele temos uma novidade bem simbólica que até teve um pouco de reflexo na forma da trama ser mostrada, afinal pela primeira vez temos uma diretora à frente da franquia, e claro que Anna Foester em sua estreia em longas colocou elementos clássicos de empoderamento feminino, com o galã sem camisa, a líder com seu escravo "sexual" particular, muita atitude de quase todas as personagens femininas, e claro alguns romances. Não que tudo isso não tivesse presente nos demais filmes, mas aqui ficou bem mais evidente e mesmo quem não souber que é uma diretora por trás, notará essas diferenças em relação aos demais filmes. E Anna só colocou esses detalhes no longa sem muita preocupação com o restante, e sendo assim não trabalhou muito a essência característica da franquia que é ação sem limites, pois mesmo nas grandes batalhas, o ritmo acaba sendo um pouco lento e talvez faltasse um pouco mais de violência na dinâmica (claro que não somando a cena final) para que o longa empolgasse mais.

No conceito da atuação, temos de falar que até mesmo Kate Beckinsale parece exausta com sua personagem Selene, tanto que nas cenas mais dramatizadas ela faz caras estranhas que não se adequam ao comum que tanto víamos nos outros anos, mas felizmente não deixou transparecer tanto nas cenas de ação, mostrando que ainda tem força e ritmo para mostrar bastante serviço. Theo James sempre faz o mesmo estilo em todos os filmes, galã que luta bem, tem romance com a protagonista e faz cara de poucos amigos quando precisa, e claro que seu David foi assim no último filme, e aqui voltou com a mesma ideologia, quem sabe o que fará numa próxima continuação, acredito que o mesmo! Tobias Menzies fez um Marius digamos que estranho e que aparece de forma meio que jogada pelo teor de vilania que se encontra o personagem, talvez uma apresentação mais condizente dentro da trama, com a formação do grupo seria mais interessante, pois apenas em flashes no final ficou algo estranho e fraco demais para gostar. Lara Pulver caiu bem dentro da personalidade de Semira, mas em alguns minutos de projeção já fica caricata e sabemos exatamente onde vai levar tudo, talvez se forçasse menos agradaria bem mais. A participação de Charles Dance repetindo seu papel do longa anterior como Thomas é até interessante, mas poderiam ter aproveitado mais de um ator do calibre dele, e não deixar um diálogo tão jogado para não chegar a lugar algum, que ficou feio de ver. Dos demais, a maioria faz participações rápidas, com exceção de Bradley James com seu Varga que até soou bem, mas ficou estranho demais em alguns momentos jogados, e Daisy Head fez de sua Alicia um personagem muito forçado com caretas demais para chamar atenção.

No conceito visual, tivemos locações interessantes, com fortalezas bem trabalhadas, diversos elementos cênicos prontos para serem estraçalhados nas lutas, diversas armas interessantes, mas tudo soou limpo demais para um filme digamos gótico de essência, pois todos são bem simples visualmente na correria, e isso é algo que acaba cansando. Talvez como disse tenham deixado coisas demais para um sexto filme, pois quando os bons elementos começam a ser trabalhados já é tarde demais, inclusive o novo visual de Kate no fim do filme é algo muito melhor do que tudo o que já foi mostrado, e a fortaleza na neve também foi um grande acerto. A fotografia é claro que foi o mais escuro possível para a trama cair dentro do clássico, mas acredito que poderiam ter deixado ainda mais dark sem errar. Agora se no quarto filme filmaram com câmeras 3D, e o resultado foi bem interessante, aqui a conversão apenas foi de enfeite, pois sequer temos algo que venha em nossa direção e muito menos alguma profundidade para ser explorada, e olha que temos muitas cenas que poderiam brincar com a tecnologia. Portanto, se tiver sessão 2D, vá ver lá, que senão o arrependimento será grande.

Enfim, um filme bem mediano, que mostrou mais do mesmo, ou seja, algo bacana pela essência de lutas, que talvez tenha uma continuação (deixou muita coisa em aberto, porém a bilheteria que irá determinar o futuro, pois se antes nada era falado, agora menos ainda, já que estreou em pouquíssimos países), e sendo assim só quem for fã da franquia irá suportar bem feliz os 9 minutos de projeção. Portanto recomendo com ressalvas, e por ser quase o mesmo filme, a nota também será a mesma. Fico por aqui por enquanto, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até mais pessoal.

Leia Mais

O Vendedor de Sonhos

11/29/2016 02:31:00 AM |

Cada dia mais tenho esperanças de que o cinema nacional vai me deixar orgulhoso, e a prova disso é a quantidade de boas produções que tivemos em 2016! Confesso que não conhecia a história do livro, que não vi o trailer antes de ir para a sessão e menos ainda li a sinopse do que se tratava a história, apenas recebi o convite para a exibição especial de pré-estreia de "O Vendedor de Sonhos" e a surpresa que tive além de um maravilhoso filme, foi ver uma bela história sendo contada na telona, com uma produção digna de grandes filmes, uma direção perfeita que foge de qualquer estereótipo do nosso cinema (de transformar tudo em formato de novela ou série para ser exibida como especial em alguns meses depois), e principalmente transmitir uma ótima mensagem para todos, que com certeza já estava impregnada na obra do escritor Augusto Cury, no qual o longa foi adaptado. Ou seja, um filme que antes mesmo de falar qualquer coisa já deixo a recomendação para todos, pois não diria como a equipe do filme acabou falando na coletiva de imprensa, que estamos criando um novo gênero dentro do cinema nacional, mas sim que estamos entrando realmente dentro da qualidade de um bom drama, que há muito tempo nosso cinema nacional estava devendo.

O longa nos mostra que Júlio César, um psicólogo decepcionado com a vida em geral, tenta o suicídio, mas é impedido de cometer o ato final por intermédio de um mendigo, o "Mestre". Uma amizade peculiar surge entre os dois e, logo, a dupla passa a tentar salvar pessoas ao apresentar um novo caminho para se viver.

Outro fato bem interessante sobre a produção, é que diferente do que costuma acontecer com algumas adaptações literárias, não sentimos o filme como um livro folheado, com desenvolvimento linear e quebras pontuais, mas sim um trabalho mais completo para que o tema que se desenvolva sozinho, ou seja, o roteirista L.G. Bayão conseguiu fazer a transmissão da palavra que tanto o escritor Augusto Cury preza, num formato bem consciente e com boas nuances. Como bem sabemos a obra literária é grandiosa e possui mais do que um livro, e claro que muitos irão desejar todos os livros adaptados em diversos formatos, porém aqui a ideia presente neles é retirada dentro da essência completa e desenvolvida num único filme, ou seja, até pode ser que façam mais continuações em outros meios, porém aqui o resultado em suma já foi bem concebido para agradar dentro de um conteúdo macro por parte do roteirista. Também fui informado por uma amiga que nos livros possuem diversas outras histórias, com outros personagens, e aqui ao trabalhar bem apenas com um elemento, o diretor Jayme Monjardim pode criar uma perspectiva sólida e desenvolver bem a estrutura de um filme, pois muitos outros acabariam criando diversas subtramas, colocando muitas vertentes, e o resultado já conhecemos bem, pois viraria uma grande novela, e não teria o mesmo impacto que aqui tivemos. Ou seja, somos surpreendidos com a direção impecável do começo ao fim, que principalmente quem não tiver lido o livro conseguirá captar toda a essência e até se chocar com o motivo que levou o protagonista à chegar no ponto que nos é mostrado. Com o resultado da boa estruturação do roteiro, e a escolha eficaz de uma direção direta ao ponto, o grande feitio caiu por base com as boas interpretações do elenco, que sem muitas firulas expressivas conseguiram ser singelos e objetivos para causar emoção e carisma durante todo o filme.

Já que comecei a falar dos atores, é fato dizer que Dan Stulbach voltou a boa forma interpretativa que tanto gostávamos de ver, após um período digamos estranho na bancada de um programa de TV, e com um semblante mais fechado e introvertido, ele conseguiu criar boas cenas para seu Júlio César, sem que passasse por cima do outro protagonista e nem ficasse em segundo plano também, e a cada nova lição aprendida, tanto o personagem quanto o ator acabam criando mais intimidade para com o público, o que faz querermos ver mais de sua história. Agora sem dúvida alguma o grande nome do longa ficou a cargo dos olhares precisos do uruguaio César Troncoso, que captou magistralmente a forma viva do Mestre e ao desenvolver o personagem foi sublime com uma expressividade única e que a cada desenvolvimento tanto de seu Mestre quanto do executivo que nos é mostrada também a história, ou seja, "dois" personagens para o mesmo ator, que ao desenvolver a essência contida nos ensinamentos conseguiu mostrar muito mais do que um simples ator conseguiria mostrar. Dos demais atores, o desenvolvimento nem é tão simbólico como poderia acontecer, mas é fato que Thiago Mendonça deu uma ótima personalidade para seu Boquinha de Mel e agradou como o ponto cômico da trama, e Leonardo Medeiros conseguiu fazer um Roger bem próximo de um vilão ou antagonista com a força certa para remeter à diversas pessoas obstáculos que temos em nossa vida normal.

Rodado praticamente inteiro em São Paulo, o trabalho do produtor LG Tubaldini Jr. junto da equipe de arte foi escolher muito bem as diversas locações por onde os personagens passariam, sem precisar incorporar detalhes de determinado local, e ainda assim junto com uma fotografia impecável fazer dos diversos tons de cada momento um visual mais incrível que o outro, seja nos trabalhos vertiginosos em cima do prédio, ou até mesmo na simplicidade artística bem colocada na favela embaixo da ponte, ou até mesmo nas luzes ofuscantes da apresentação na TV, ou seja, com pequenos detalhes, mas muito bem incorporados na trama, volto a frisar a palavra essência foi colocada à prova e muito bem usada para representar cada momento do longa.

Enfim, um filme belíssimo, que até possui defeitos, o principal na falta de um desenvolvimento maior da relação familiar de Júlio César que acabou meio que cortada até do filme, ou não tão bem mostrada para que incorporássemos melhor seus problemas e claro o grande motivo de querer se matar, mas tirando esse detalhe o filme é tão gostoso de assistir, que nem parece ter quase duas horas, e fluindo bem dentro de uma perspectiva doce, ele acaba emocionando, inserindo uma vírgula bem colocada em nossa vida, e comovendo bastante para ser indicado para todo tipo de pessoa, desde a simples dona de casa até um grande líder de empresas, que com toda certeza irão tirar lições de cada momento do filme. Portanto, a partir do dia 8 de dezembro o longa estreia em rede nacional, e com toda certeza recomendo que você vá assistir. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas como de praxe, volto em breve com mais textos das estreias do cinema, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

Loucas de Alegria (La Pazza Gioia)

11/28/2016 01:09:00 AM |

A escola de cinema italiano é daquelas que o diretor sempre fica na dúvida se vai fazer uma comédia dramática ou um drama cômico, e nessa dúvida ele acaba levando o público para um estilo de diversão diferenciado que geralmente gostamos do que vemos na telona, mas saímos exaustos com a quantidade de enrolação que fazem para atravessar apenas uma rua (não que isso ocorra nesse filme, mas geralmente para atravessar o ator pensa cinco vezes volta para três bares e conversa com dez pessoas antes de realmente desistir de atravessar), ou seja, não digo que "Loucas de Alegria" seja um filme ruim, nem tão pouco algo sensacional de assistir, mas consegue trabalhar bem a dinâmica de amizade mais maluca que alguém poderia imaginar.

O longa nos mostra que Beatrice é uma mulher rica e extravagante, que dá ordens a todos ao redor e não para de falar em momento algum. Donatella é tímida e misteriosa, evitando o contato das outras pessoas. Elas possuem personalidades completamente distintas, mas têm uma coisa em comum: as duas estão internadas em um hospital psiquiátrico. Aos poucos, tornam-se grandes amigas e decidem fugir da instituição para resolver uma questão do passado de Donatella.

É interessante ver que ao chegarmos no fim do longa, conseguimos observar que não só a história é completamente maluca, como as atrizes chegaram ao limite da loucura junto com o diretor, pois o resultado acaba brincando com o público, mostra bem a vontade de ambas protagonistas retomar o seu real mundo nem que seja por alguns minutos, e com isso o filme flui bem, só é uma pena a falta de ritmo na trama para que o filme fosse mais fluído e não cansasse tanto, pois o resultado é bacana, mas acaba parecendo que passamos no mínimo umas três horas dentro da sala do cinema, sendo que o longa não tem nem duas.

No conceito interpretativo, temos de ser honestos e dizer que Valeria Bruni Tedeschi deu um show com sua Beatrice, claro que de forma meio caricata ela consegue nos prender pelo estilo arrogante e cheio de classe que tanto sabemos que mulheres ricas costumam fazer, e segurando bem o estilo do começo ao fim (dando apenas uma desabada emocional na cena necessária) ela conseguiu dominar o filme e por bem pouco não ficamos olhando para os demais personagens com tudo o que ela faz em cena. Por um outro lado, Micaela Ramazzotti fez de sua Donatella uma pessoa delicada, com muitos problemas (que só vamos sabendo aos poucos) e que acabamos conectados com sua tentativa de alcançar os seus dois sonhos, mas sua loucura é mais intrusiva e destrutiva, de tal maneira que o humor flui para baixo, e com isso cada momento seu leva mais tempo para atingir o público, porém a atriz fez isso tão bem que acabamos indo junto com seu ar até o fim, e até emocionando no melhor momento do longa. Agora estou pensando se dou destaque para mais alguém, pois quase esquecemos que existem outros personagens na trama, pois somente as duas atrizes dominaram tudo de forma tão bem feita que o longa fluiria facilmente sem aparecer mais ninguém (por exemplo numa peça de teatro com três a quatro cenários espalhados, e apenas as duas atrizes), portanto é melhor nem citar mais ninguém.

A equipe artística escolheu locações de cair o queixo, a começar pela vila psiquiátrica aonde diversos malucos estão trabalhando e vivendo muito bem em meio à natureza, mas como todo hospital, ao ir para os quartos as acomodações e o estilo de tratamento deixa a desejar, e isso já foi muito bem mostrado no longa, passando para uma cidadela bem montada e cheia de possibilidades para as protagonistas doidas, indo até a maravilhosa mansão do ex-marido e advogado da protagonista, com todo um charme característico, passa por um manicômio judicial mais intenso, e encaixa numa propriedade cinematográfica com filmagens acontecendo inclusive, para finalizar a praia com todo o charme da orla e claro explicando o começo conturbado da outra protagonista. Ou seja, a equipe se preocupou mais com lugares do que realmente em montar um cenário próprio e esse acerto fez com que o filme fosse quase um road-movie, que montado de forma diferente até iria agradar bem mais. A fotografia italiana, assim como ocorre na dúvida entre drama ou comédia, ficamos com tons variando nos dois gêneros, e isso não é ruim, pois dá boas nuances, mas o foco em um estilo só seria bem mais interessante de ver.

Enfim, é um filme maluco, dramático e divertido, que poderia ser visto e produzido de diversas maneiras, mas que nesse formato acabou deixando muitas situações abertas que se encaixariam melhor num molde mais apropriado. Portanto, é um filme com um estilo próprio que muitos vão amar, e muitos vão odiar, principalmente pela forma lenta que tudo ocorre, e que acaba cansando um pouco, mas no geral é algo bem divertido de assistir, e com esses leves desvios, até recomendo ele. Bem fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até mais galera.

Leia Mais

O Quarto dos Esquecidos (The Disappointments Room)

11/27/2016 02:35:00 AM |

Sabe aqueles filmes que ficam o limite do aceitável para não ficar ruim, mas que se fosse melhorado em pequenas pontas seria um filme para ficar na história do gênero? Com toda certeza "O Quarto dos Esquecidos" se enquadra perfeitamente como um bom exemplo desse grupo de filmes, pois se analisarmos a fundo o horror de uma mãe que perdeu o filho pequeno, e para se curar do trauma acaba descobrindo outras histórias parecidas, o lado psicológico pode até aflorar e desenvolver diversas possibilidades com as ideias de doenças possíveis de se enquadrar na mente de uma pessoa assim, porém o filme desejou ficar preso somente em sustos (ruins) e não deixou que aflorasse o teor psíquico que a trama poderia alcançar, e nessa fuga de estilo, acabou deixando tantas pontas soltas quanto clichês inimagináveis espalhados a cada virada de câmera do longa. Ou seja, um filme razoável que até poderia empolgar, mas que assim como quase ocorreu com minha sessão hoje, o filme muito em breve será como seu nome, esquecido.

O longa nos mostra que Dana e David formam um casal marcado por um trauma recente. Eles decidem sair da cidade grande e mudar-se para uma área rural junto do filho Lucas. Dana pretende usar seus conhecimentos como arquiteta para reformar a nova casa e superar as dores passadas, até que ela percebe a existência de um quarto escondido, que não constava na planta. Perguntando para moradores locais, descobre que muitas casas da região tinham um cômodo destinado a ocultar segredos de família.

Chega a ser divertido a oscilação de temas que o diretor D.J. Caruso trabalha, pois faz um longa de ação, depois pula para um drama, daí vai para uma ficção científica, e agora até tentar as vezes no terror anda atirando. Não digo que isso seja ruim, mas acaba soando estranho e até difícil de ver o acerto acontecer, tanto que os erros mais pertinentes da trama soaram pelo estilo clássico de não inovar em nada e abusar de cenas clichês, filmadas prontamente para dar sustos, ou seja, o diretor pegou um roteiro básico de Wentworth Miller, deu uma ajustada para filmar e fez o básico na tela também, pois as cenas até soam de certa forma tensas pela tentativa de um espírito ficar preso em uma casa, mas a ideia é muito frouxa para ser crível e interessante de assistir. Ou seja, um filme cru perto da possibilidade aonde a ideia original poderia atingir.

Acostumei tanto a ver Kate Beckinsale como vampira (aliás semana que vem ela volta a seu papel mais icônico), que vê-la de forma comum, claro que mentalmente perturbada com sua Dana é algo meio incomum de assimilar, mas a atriz sabe criar trejeitos, segurar a dramaticidade da personagem e até mesmo parecer aflita com a ideia completa, mas faltou incorporar mais momentos iguais teve dentro do quarto na sua primeira entrada e juntar com o momento da mesa com os amigos nas demais cenas, pois aí sim ela teria dado um show de interpretação. Mel Raido entregou um David mais fraco que já vi na vida, pois um pai de família que apenas brinca com os filhos sem trabalhar chega até ser chocante para a mulher do mercadinho e também mostra um certo teor de tentativa de mostrar algo diferente do usual, mas ele é tão enfeite de cena no filme inteiro que por bem pouco não esquecemos dele. O jovem Duncan Joiner caiu bem na personalidade de Lucas, mas o garoto é tão mal aproveitado que chega a dar dó de suas cenas espalhadas. Ainda estou me perguntando o motivo das cenas de Lucas Till como Ben, pois aparece para ajudar na construção, faz alguns serviços e soa tão fraco que ficamos nos perguntando apenas se na cena que a protagonista some, se foi sair com ele, pois é a única explicação plausível para colocarem o ator no longa. Dos fantasmas, vale apenas pontuar realmente a interpretação séria de Gerald McRaney como Judge Blacker, pois seus semblantes foram bem interessantes, mas faltou um pouco mais de dinâmica para agradar nas suas cenas.

A ideia visual assim como o conteúdo é básica, pois arrumaram uma casa abandonada no meio do nada (ainda fico me perguntando que ser iria após um trauma morar mais isolado do mundo possível numa casa assim), cômodos de madeira rangente, espelhos, quadros estranhos, roupas de época e claro muitos objetos anormais espalhados por todo o lado, parecendo que a pessoa se mudou e continuou sem arrumar a casa. Ou seja, o trivial de um terror, porém o quartinho foi bem interessante de ver a concepção, que por mais simples que seja, funcionou bem para mostrar a situação sofrida das pessoas/crianças indesejadas numa época atrás, e isso sim foi feita uma pesquisa interessante, que mostrada através de documentos e livros, deu um certo charme para a trama. Embora seja clichê, achei falta de um tom mais escuro já que o filme se tratava de um terror, pois o longa foi trabalhado com bastante claridade, diversas cenas durante o dia e até trabalhando num tom bem tênue para acalmar os ânimos, e assim sendo, diria que o diretor de fotografia acabou se perdendo com o que desejava fazer, ou lhe passaram coordenadas bem erradas.

Enfim, um filme que não é ruim, mas está anos luz de ser bom, porém a ideia original é interessante, e como disse bem horrível de se pensar, portanto um diretor melhor, de terror realmente, teria feito esse filme algo para sair da sala arrepiado com o que seria mostrado. Portanto diria que não recomendo a trama, mas que certamente quem ver e analisar os pontos positivos irá dar a mesma nota que a minha. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até mais.

Leia Mais

A Chegada (Arrival)

11/26/2016 02:43:00 AM |

Assim como tenho certeza que verei pessoas dizendo se tratar do melhor filme do ano, também tenho total convicção de que meus amigos que trabalham nas portarias dos cinemas irão ver diversos clientes saindo da sessão de "A Chegada" falando que não entenderam nada e acharam o longa um lixo. Felizmente não irei para nenhuma das duas pontas, pois gostei bastante do que vi, mas achei um pouco alongado demais, e claro que assim como diversos outros filmes se rever o longa terei uma visão completamente diferente da trama sabendo o final, pois tudo é muito jogado na tela se pararmos para pensar e refletir um pouco mais sobre todas as ideias dúbias e desconexas que vamos reclamando o longa todo de serem cansativas e não dizerem nada, mas se analisarmos todo o longa a partir da frase que Amy Adams diz para Jeremy Renner praticamente na sua última cena (a qual não vou colocar aqui por ser o spoiler máximo do longa, mas que diz muito sobre nossa vida e sobre o longa inteiro), e juntarmos à isso a ideia completa da trama, o filme acaba sendo singelo e até bonito de se pensar, porém confesso que sem esses detalhes bem refletidos, o filme é tão cansativo que chega a ser difícil se conectar e envolver durante toda a projeção com o que nos está sendo mostrado. Portanto confira o filme, e tire suas conclusões, mas friso para aguentar até o final, e se for possível rever com a ideia completa, pois mesmo não indo fazer isso, em minha mente o longa se formou completamente diferente após saber do grande detalhe.

Naves alienígenas pousaram na Terra e estão incomunicáveis com os humanos. Quem pode ser capaz de fazer essa intermediação é uma linguista, que tenta descobrir se eles vieram em paz ou são ameaças aos humanos. Nessa comunicação, ela começa a ter flashbacks que servem para que descobrir o real motivo da vinda dos extraterrestres ao planeta.

Que o cinema de Denis Villeneuve não é dos mais simples de se entender de cara, isso não precisamos nem comentar, mas geralmente seus filmes possuem um ritmo mais ditado e trabalhado, o que acaba condicionando o espectador mais ávido a ir preparando o desenrolar em sua mente, e que acaba não cansando tanto como o que acabou fazendo aqui, pois o filme vai nos conduzindo de uma forma tão bagunçada, que até o excesso de flashbacks parece começar a incomodar, depois ficamos nervosos com o excesso de símbolos (que até metade do filme ninguém entende nada, e de repente a moça já sabe conversar fluentemente com os aliens em códigos), e por diversas vezes nos vemos irritadiços em nada ser desvendado a fundo (praticamente as vontades que temos são as mesmas dos militares, já querendo explodir tudo pelos ares e que voltem pra suas casas pegando fogo, aliens, quem mandou vir mexer com a gente). Porém quando o desfecho é mostrado (sim na cara dura, sem dó nem piedade, sem que você possa pensar nada diferente depois de refletir por quase duas horas) tudo muda, você mesmo que não se revolte e pague para ver a próxima sessão para confirmar suas conclusões, irá filosofar e compreender cada ato, cada flashback, cada ponto da história e irá falar: "nossa, que filme profundo!". E sendo assim, podemos dizer que tanto o diretor fez um acerto incrível, difícil de ser digerido, mas maravilhoso para se pensar, quanto o roteirista Eric Heisserer trabalhou com minúcias para adaptar o livro de Ted Chiang, que digo mais, foram extremamente felizes em mudar o nome do longa, pois se ficasse o mesmo do livro, metade do caminho já teria sido entregue.

Dentro das atuações, é fato que o longa necessitou demais dos protagonistas, pois os secundários acabam sendo meros enfeites cênicos que pouco ajudam no desenrolar da trama, e sendo assim, Amy Adams precisou mostrar em diversas cenas um ar mais sério e introspectivo para sua Louise e trabalhando bem os trejeitos da personagem juntamente com um intrigante modo de dicção acabamos vendo uma personalidade mais pontual e certeira dela, pois já fez grandes papeis, mas reparávamos mais na sua beleza do que no seu jeito de atuar, e aqui é exatamente o inverso. Brincadeiras a parte, alguém poderia dar um papel de destaque em algum filme para Jeremy Renner, pois o ator sempre fica dependente dos demais atores e acaba não deslanchando como deveria, de tal maneira que seu Ian faz boas piadinhas, tem boas ideias, mas é quase um suporte com maior peso para a protagonista, claro que vai tendo uma participação maior até o final, mas poderiam ter dado mais responsabilidade para seu papel com toda certeza, e acredito que o ator se sairia bem. Forest Whitaker é sempre incisivo nos papeis que lhe entregam, e é raro ver ele com um ar mais sereno em cena, o que aqui para seu Coronel Weber é algo mais impossível ainda de ver, porém o ator soube dosar as poucas mais boas cenas com os demais, trabalhando de forma clara e coerente com o estilo proposto. Tivemos 3 garotinhas interpretando Hannah no longa, e de certa forma, todas foram bem interessantes para a proposta, então temos de dar o devido destaque para todos os momentos de Abigail Priowski, Jadyn Malone e Juliet Scarlett Dan. Os demais atores acabam tendo menos cenas ainda para aparecerem e isso é algo ruim, pois quando precisam mostrar algum serviço, por exemplo Mark O'Brien como Capitão Marks ficamos nos perguntando de onde veio esse cidadão na trama, mas mesmo com poucas cenas, o trabalho de Tzi Ma como General Chang podemos dizer que foi perfeito pela cena completa do clímax.

Um fator bem interessante de pontuar é que mesmo o filme sendo uma ficção bem trabalhada, tirando as cenas da grande nave (que acredito que dificilmente tenham construído algo para ficar voando), o restante da trama foi bem trabalhado para não ser feito de forma computacional, com locações bem pontuais como a maravilhosa casa de vidro da protagonista, uma faculdade bem charmosa, um acampamento de exército cheio de aparatos interessantes como diversos objetos cênicos para cada cena ser bem representada, como computadores, áreas de descontaminação, diversos vestuários tecnológicos, e claro que até mesmo a sala de comunicação dos humanos com os heptapods foi incrivelmente pensada para ser simbólica e agradar bastante dentro do contexto completo. E até mesmo a forma que os alienígenas foram mostrados ficou interessante, pois não forçaram a barra com coisas esquisitas e que trabalharam muito bem com os códigos de escrita elaborado. A fotografia da trama foi bem pensada para termos diversas nuances, tais como o contraste preto/branco na sala de comunicação com os aliens, aonde o tom laranja forte das roupas tiveram um contraste bem impactante para a cena aonde a protagonista decide se despir, o grande campo verde aonde a nave se instalou, mostrando a ideologia deles para com o mundo terreno, e claro, os flashbacks quase todos num tom mais avermelhado que diferentemente do tradicional branco acabou tendo um significado bem coerente e mais completo.

Enfim, um filme muito bem feito que acabou saindo do nada, nos deixou no nada quase que toda a projeção e chegou num final conclusivo incrível e bem colocado. Portanto, recomendo a todos que vá conferir o longa, discuta comigo em off (para não colocarmos spoilers nem nos comentários) e reflitam bastante sobre a frase final, e claro sobre a mensagem que o longa deixa, pois esta com toda certeza foi a ideia do diretor. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos sobre os diversos longas que apareceram no interior, então abraços e até mais galera.

Leia Mais