Atividade Paranormal: Dimensão Fantasma em 3D (Paranormal Activity: The Ghost Dimension)

10/24/2015 01:57:00 AM |

Podemos dizer que foram ao menos sinceros com os dizeres do pôster: "pela primeira vez você verá a atividade", pois usando o recurso tecnológico de filmarem realmente com câmeras 3D, e usarem bem o recurso de jogar coisas nos espectadores, o resultado de assustar o público no longa "Atividade Paranormal: Dimensão Fantasma" pode se dizer que foi cumprido com muito êxito, porém após cinco filmes da franquia e mais dois longas correndo por fora, podemos dizer com toda certeza que o desgaste foi tanto que a história sumiu, não tendo mais importância alguma para a continuidade, e embora os produtores tenham ficado muito revoltados com o longa lançado no ano passado que não fazia parte da franquia, lá toda a história acabou sendo tão bem contada e conectada, que agora esse que ficou parecendo estar deslocado de toda a trama principal e falhando consideravelmente em tudo que não seja apenas os sustos baratos com os objetos voando e fantasmas aparecendo fora da tela. E desse modo não podemos, infelizmente, dizer que tivemos um filme no cinema para ver, mas um produto que poderia facilmente ser usado apenas numa casa de terror dessas de parque de diversões, numa versão mais alongada e se cortarem para apenas as cenas de susto, acabaria tendo 15 minutos bem colocados para divertir o público que quer somente ver isso.

O longa nos mostra que ao se mudar para uma nova casa com a família, Ryan Fleege descobre uma caixa com dezenas de fitas cassetes de décadas atrás. Estranhamente, as imagens parecem se comunicar com os vivos. Procurando mais, Ryan encontra uma câmera diferente, capaz de registrar atividades paranormais. Com a ajuda da esposa, do irmão e da filha, ele passa a gravar fenômenos malignos que ameaçam seus entes queridos.

Como muitos sabem meu estilo de escrever, nessa parte seria aonde falaria um pouco do roteiro e de como foi a direção, mas por mais incrível que possa parecer, não tenho quase nada a falar, pois volto a frisar, embora toda a franquia seja bem simples de histórias, esse novo longa tem uma das histórias mais fracas já vistas no cinema, pois não cria tensão, o irmão é dispensado pela namorada sem mais nem menos já vai para a casa do outro irmão, tentam colocar datas sinistras no miolo para jogar com o público, mas sem nada que leve a algum lugar, o estilo familiar é bem fajuto entre os personagens, a babá ou sei lá o que aparece e some como se fosse completamente dispensável, e o padre só rindo mesmo de suas cenas, pois acaba sendo usado apenas para tentar "explicar" alguma coisa para o público, ou seja, nada levando a lugar algum. O pior de tudo é saber que foram necessário sete roteiristas para criar isso, ou seja, como Oren Peli foi o criador da franquia e afirmou que esse é o último, espero que ele não libere os direitos para ninguém, pois precisa acabar mesmo. Claro que o trabalho de Gregory Plotkin na direção não foi tão jogado às traças assim, afinal como disse no começo, ele soube usar e bem o recurso que lhe deram para trabalhar com câmeras 3D e na edição aproveitar desse recurso e criar muita coisa bacana voando no espectador, mas infelizmente isso não faz dele um gênio, e agora todos os diretores de longas de terror apenas usarão dessa ideologia para trabalhar quem sabe uma boa história além da tecnologia, e fazer com que ele seja completamente esquecido de ter sido "primoroso" em sua estreia como diretor de longas, depois de passar por tantos outros departamentos e ter editado os quatro longas anteriores.

No conceito atuação, a franquia se orgulha de trabalhar sempre com desconhecidos, afinal sai mais barato e dá para desenvolver sempre novos atores e personagens dentro da ideologia da história, mas dessa vez parece que esqueceram de dizer para os atores que eles deveriam aparentar medo frente ao desconhecido, e a cada nova cena, os personagens estão mais curiosos do que com medo de algo, claro que fogem e se assustam junto com o público, mas a câmera na mão do rapaz quase é capaz de cumprimentar o fantasma e fazer um talk-show com ele antes de correr. Então Chris J. Murray pode voltar a trabalhar como dublador de jogos de videogame que vai se sair bem melhor do que as poucas expressões que fez em todo o longa. A única pessoa que deu algumas boas entonações para seu texto foi a garotinha Ivy George que trabalhou bem sua Leila, e certamente mais para frente quando souber mesmo o estilo de filme que trabalhou terá sérios problemas psicológicos. E claro que as jovens Chloe Csengery e Jessica Tyler Brown irão indicar sua psiquiatra para ela, afinal já sendo o terceiro filme que fazem as jovens Kristi e Katie, já se tornaram garotas fantasmas na vida real também. Dos demais é melhor nem comentar.

A casa dessa vez foi até bem escolhida, mas teve pouquíssima participação no contexto geral da trama, se é que temos algum contexto! O estilo de usar o tão famoso VHS como captura de imagens fantasmagóricas foi bem pensado, afinal quem já viu um filme nas fitas sabe bem que davam alguns fantasmas na imagem, e com regulagens estranhas o resultado era bem estranho mesmo. E junto disso souberam trabalhar bem os elementos que acabaram voando, ou seja, a arte até que trabalhou em prol do longa. A fotografia claro, como todo bom terror, desligou as luzes em quase toda a trama, para que o susto ocorresse, e junto de diversas câmeras com regulagens bem diferentes, o resultado ficou bacana de ver, claro que isso é erradíssimo, mas valeu a intenção. Agora se você vai pagar para ver o filme com menor história dos últimos anos, pague direito e vá conferir em 3D, afinal mesmo tendo bem poucas cenas que o óculos se faz necessário (mesmo tenso sido filmado quase que na integralidade com câmeras 3D), nessas cenas o resultado é bem bacana de ver, e finalmente a tecnologia serviu para o que tanto o público desejava: ver coisas voando em sua direção, assustando por pegar de forma desprevenida, ou seja, volto a repetir a ideia do parque de diversões, e nesse sentido o longa vale a pena.

Enfim, é o pior filme da franquia como história desenvolvida e principalmente na tentativa de causar medo, pois nem uma arrepiadinha ele conseguiu atingir, mas certamente assustar em momentos inesperados o longa consegue trabalhar e bem, ou seja, dá para ficar como um serviço cumprido. Só recomendo ele para aqueles que estiverem muito curiosos para ver o resultado do 3D e tirar sarro dos amigos que irão pular da poltrona com coisas sendo arremessadas, pois do contrário, tem muitos outros filmes melhores passando. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda tenho muitas outras estreias para conferir, então abraços e até breve.


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Ponte dos Espiões (Bridge of Spies)

10/23/2015 02:37:00 AM |

Que Spielberg é aficionado por guerras, isso praticamente todo mundo sabe, e também sabemos que ultimamente ao dirigir filmes tem optado preferencialmente por temas mais politizados, aonde os diálogos predominem frente às explosões, que são mais comuns nos longas que produz de outros diretores, pois desse modo consegue trabalhar mais com seus atores prediletos de uma maneira mais centrada e clássica, como gosta de aparecer em frente dos holofotes. E com "Ponte dos Espiões", ele conseguiu o feito de uma maneira bem mais harmoniosa que seus dois últimos filmes "Lincoln" e "Cavalo de Guerra", pois ao não ficar tão preso à patriotagem americana, o resultado do filme se volta à boa atuação de Tom Hanks, que entregou todas suas expressões à exaustão de um advogado de seguros que virou negociador governamental, e pasmem, o longa é baseado em fatos reais, ou seja, as negociações, os personagens e muita coisa presente no longa existiu realmente. Porém, assim como todo longa clássico do diretor, faltou um pouco mais de dinâmica, e quem não for realmente fã de dramas de espionagem sem quase nenhuma ação, certamente irá dormir nas salas do cinema.

O longa nos mostra que em plena Guerra Fria, o advogado especializado em seguros James Donovan aceita uma tarefa muito diferente do seu trabalho habitual: defender Rudolf Abel, um espião soviético capturado pelos americanos. Mesmo sem ter experiência nesta área legal, Donovan torna-se uma peça central das negociações entre os Estados Unidos e a União Soviética ao ser enviado a Berlim para negociar a troca de Abel por um prisioneiro americano, capturado pelos inimigos.

O roteiro de Matt Charman junto dos Irmãos Joel e Ethan Coen foi bem trabalhado para desenvolver a história principal do advogado ao ser convocado para defender alguém que ninguém desejava, afinal era um "inimigo" do país em plena Guerra e ao mesmo tempo contar rapidamente toda a situação dos demais personagens mais jovens que foram moedas de troca na guerra mais negociada do que batalhada dos anos 60. Porém é notável que cortaram tantas cenas dos dois jovens que acabou parecendo que eles simplesmente foram capturados e no estilo de vamos salvar eles, o personagem de Hanks se comove e quer de qualquer maneira isso, não colocando nada muito mais intenso para que comovêssemos por eles, de modo que ficamos mais conectados com o velhinho soviético do que com os reais "mocinhos" da história. Claro que isso é algo que Spielberg como diretor tem de defeito também, pois ao escolher determinado ator para o personagem, ele ataca com unhas e dentes a câmera para o ator, e adeus todo restante, então acredito que se um dia fizerem uma versão com menos cortes, talvez isso possa estar mais presente. Mas dessa maneira, felizmente não forçaram tanto a barra com patriotismo e a vertente de todos os ângulos acaba sendo criado na conexão advogado contratado pelo estado e cliente que já está lascado mesmo e qualquer ajuda é válida, e nesse contexto, o diretor soube tirar ótimos momentos de conversas entre os protagonistas e principalmente trabalhar pequenos ambientes para causar todos os sentimentos necessários para que o público também entrasse no clima da cena, e assim sendo, o resultado de muitas cenas foram incríveis tanto nos EUA, quanto em Berlim quando entram outros personagens fortes. E assim, posso dizer que talvez lembrem do diretor nas premiações, afinal cara de filme premiado tem.

No conceito das atuações, temos muitos bons atores fazendo papéis picados e envolventes, e falar um pouco de cada um seria até criminoso, pois o que vale mesmo deles é o personagem em si, e não o ator, mas claro que os principais tiveram o destaque merecido, e dessa maneira vamos falar um pouco deles. Tom Hanks sempre vai ser aquele ator clássico que já vamos ao cinema sabendo bem o que esperar dele, ou seja, uma atuação com muita expressão, dinâmica nas cenas que forem preciso, e claro, um texto feito para que em sua boca seja o mais convincente possível, e aqui tudo foi na medida para que seu James Donovan ficasse com a sua cara, de modo que não queremos nem saber quem foi o cara, mas vemos Hanks fazendo algum personagem marcante que temos de acompanhar bem e pronto. Em compensação, Mark Rylance deu uma personalidade para seu Abel que diversas cenas acabaram tão incríveis que logo de cara ficamos pensando quem seria esse ator, pois tudo ficou minucioso, claro e envolvente para que o público o defenda também e torça por bons momentos seus, e isso são raros atores que conseguem trabalhar, então já certamente iremos caçar mais filmes dele e ver se o cara é bom mesmo, ou aqui Spielberg o fez crescer. Amy Ryan caiu bem para o personagem da esposa de Donovan e embora faça muitas caras de assustada, suas cenas finais foram incríveis no contexto expressivo, e comovem bastante para todos que acompanharam a história a fundo. Os demais como disse acima, tiveram uma participação bem menor, mas sempre que estavam em cena Alan Alda como Juiz Thomas e Sebastian Koch como Vogel, o desenvolvimento da trama ficava bem interessante e cheio de discussões bem encaixadas. Como falei também, infelizmente Will Rogers como Pryor e Austin Stowell como Powers ficaram bem em segundo plano, então suas atuações até foram condizentes com os personagens, mas não puderam mostrar nada além de três cenas cada um, o que é um crime monstruoso principalmente para com Stowell, afinal a história biográfica que existe é em cima do que aconteceu com Powers, sendo o restante encaixado na trama e não o inverso, ou seja, adaptaram bem tudo para que o personagem quase sumisse.

No conceito cênico do filme, claro que Spielberg não deixaria por menos e o resultado que cobrou de sua equipe artística foi gigantesco, e a Berlim devastada tanto pelo frio quanto pela Guerra e a divisão do muro foi tão precisa que chega a impressionar, mesmo que com poucas cenas externas, afinal o custo aumentaria demais para representar tudo visualmente, mas quando foram trabalhados os planos que necessitavam mostrar ambiência, o resultado foi muito bonito de acompanhar. Talvez um defeito da equipe de arte tenha sido em relação ao visual de ternos de época, pois ficaram atuais demais em diversas cenas, o que não podemos dizer que naquela época os ternos não eram tão bem feitos, mas em alguns momentos isso ficou chamativo demais, e talvez pudessem ter dado uns tons mais antigos que agradaria mais. Já disse isso várias vezes aqui no site e volto a repetir, a fotografia em cenas de neve é algo que não existe nada mais lindo de ver, e quando acertam a mão para que o contexto todo se encaixe ao redor da iluminação que o branco incorpora, o resultado acaba ficando incrível de ver, e aqui cada cena foi pensada para trabalhar com muita vida tudo na tela, mas mesmo contando com esse artifício, a cena mais trabalhada de sentidos da fotografia certamente é a da cadeia aonde a luz estourando pela janela, com a sombra do personagem de Hanks se destacando como se tivesse a grande ideia foi uma sacada muito bem usada.

Enfim, que é um ótimo filme, isso sem dúvida alguma posso dizer, mas que poderia ser muito melhor se tivessem colocado mais dinâmica nos personagens "menores" e nos contasse um pouco de sua história também para tudo ficar mais vivo. É um drama bem trabalhado nos diálogos que quem gosta do estilo vai sair bem contente com tudo que é apresentado, mas quem gosta de longas com mais ação, certamente irá dar umas cochiladas se for ver o filme muito tarde. Dessa maneira, é um longa que recomendo somente para quem gosta mesmo desse estilo mais denso de Spielberg, pois senão a chance de reclamar de tudo o que é mostrado é alta. Bem pessoal, fico por aqui agora, mas nessa semana até que apareceu uma boa quantidade de estreias, então volto em breve com mais textos, deixo meus abraços e até breve por enquanto.


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A Colina Escarlate (Crimson Peak)

10/18/2015 04:27:00 AM |

Classe! Essa é uma palavra que poucos diretores podem eximir o direito de falar que possui, e certamente um deles é Guillermo Del Toro, pois mesmo que "A Colina Escarlate" seja classificado como terror e tenha algumas cenas fortes de mortes e facadas, ele se preocupou tanto com a estética visual que somos transportados para uma época clássica, com figurinos belíssimos, casarões monstruosos e claro festas para a alta sociedade. E além de ser um bom filme, por não pegar tão pesado no terror, apenas usando seu estilo estranho diferenciado, pela primeira vez em anos, vi uma sala de 300 lugares quase lotada para um filme de terror. E dessa maneira, não posso dizer que alguém vai ficar com medo de algo que ocorre no filme e não irá dormir pensando nele, mas posso com toda certeza dizer que o Oscar de Figurino e Direção de Arte já tem um indicado!

O longa nos mostra que apaixonada pelo misterioso Sir Thomas Sharpe, a escritora Edith Cushing muda-se para sua sombria mansão no alto de uma colina. Habitada também por sua fria cunhada Lucille Sharpe, a casa tem uma história macabra e a forte presença de seres de outro mundo.

A sinopse em si é simples por ser um filme que nem dá para se falar muito, mas tudo tem algum sentido de estar na tela e deve ser visto cada detalhe em cada canto. O roteiro que Del Toro criou junto de seu parceiro de outros longas Matthew Robbins cria todo um suspense em cima de ilusões, e colocam os fantasmas não como monstros, mas sim elementos do passado que tentam mostrar algo para você, e juntamente disso coloca toda a visão crítica sobre a forma que a classificação hierárquica das classes contava para conseguir algo no passado. Com o roteiro em mãos, Del Toro partiu para o que mais sabe fazer no seu estilo de dirigir, trabalhar os elementos cênicos de modo que falassem por si, não necessitando explicar nada com frases prontas ou repetições cênicas, deixando que o público construa sua própria história ao ver os objetos estranhos espalhados pelo ambiente, no melhor estilo daqueles jogos de caça-objetos que tanto vemos pela internet. E para evidenciar cada um e criar ainda mais suspense, o diretor soube escolher cada ângulo de câmera mais impressionante que o outro, além claro de cobrar o pessoal da arte para colocar muitas paredes vazadas, dando uma movimentação incrível de câmeras para deixar os momentos subliminares mais incríveis ainda, afinal a estética criada pelo diretor em quase todos os filmes que botou as mãos são sempre fantásticas, e ainda botando algumas pitadas assustadoras ao mesmo tempo, não temos do que reclamar nesse quesito.

Quanto das atuações, um fato claro é que o trio principal se destaque frente aos demais personagens, e isso em parte foi bom para criar o suspense, mas o diretor também deu sorte de que os três se entregaram e incorporaram toda a responsabilidade que o filme pedia. Mia Wasikowska mostra que cresceu muito no seu estilo de atuar e aqui traz um semblante incrível que a personagem Edith pedia, criando nuances expressivas e mostrando seu jeito próprio de lidar tanto com os fantasmas, quanto com seu amor platônico pelo protagonista (a quem já teve uma quedinha em "Amantes Eternos"), e a química entre eles ficou bem interessante de ser vista, de modo que o resultado então pode mostrar que ela está rumando para chegar em breve num ponto ótimo da carreira superando todas as críticas que a bombardearam ao começar a pegar grandes papeis. Tom Hiddleston sempre vai ser conhecido pelo público como o eterno Loki, mas o ator vem trabalhando tão bem ultimamente que mostra que sempre se entregara aos personagens que pegar, e aqui trabalhou a serenidade que é sua marca clássica para chamar atenção no desespero amoroso de seu Thomas Sharpe contra tudo o que sua família estranha mantinha em casa, e isso é um dos grandes mistérios da trama que acabam agradando bastante de ver como ele interage com tudo. Claro que temos de aplaudir de pé Jessica Chastain que anda merecendo muito cada prêmio que tem ganhado, pois mesmo com um papel de coadjuvante, a atriz chamou a responsabilidade do longa para sua Lucille e a cada cena dava novos rumos para o suspense todo que a maioria já certamente havia chutado, mas acaba acertando com o brilho de uma amostragem maravilhosa que só uma grande atriz conseguiria, ou seja, só nesse último mês já tivemos duas grandes atuações suas, e logo mais deve aparecer algum que certamente irá transformá-la de indicação para vencedora do Oscar. Os demais personagens apenas funcionam bem como ligação da trama, mas os atores saíram tão icônicos em suas cenas que agradam demais quando aparecem, e dessa forma tenho de citar três grandes bons atores: Charlie Hunnam com seu Dr.Alan que se mostra desesperado pela protagonista e faz boas caras de paixonite aguda chamando atenção quando vai atrás de sua amiga amada, Jim Beaver caiu bem como o pai da protagonista e sua cena no clube podemos dizer que foi uma das mais fortes do longa sem dúvida alguma, embora seja completamente esperada. E para finalizar tenho de falar claro de Doug Jones, que mesmo não aparecendo como ele mesmo, caiu muito bem suas expressões nos dois fantasmas tanto da mãe de Edith quanto de Lady Sharpe, e como ele é especialista em trabalhar como fantasma, aqui junto de Del Toro, deu um show a parte.

No conceito cênico, o filme literalmente é incrível, afinal o diretor sempre preza por criar grandes cenografias em seus filmes e com isso representar tudo graficamente, e claro que nada é bem comum, afinal senão não seria um filme do diretor. Então claro que se todo o contexto visual criado não ganhar ao menos uma indicação para todos os prêmios possíveis podem falar que realmente tudo é roubado, pois foi perfeito cada elemento desde a mansão, a neve se misturando com a argila vermelha, os figurinos incríveis de época, a maquiagem e cabelo perfeitamente produzido para representar as cenas desde as mais tensas até as mais romantizadas, as cenografias de época perfeitas para mostrar os EUA no século XIX e tudo mais que daria para falar por horas. A equipe de fotografia soube escolher bem os ângulos que melhor combinariam toda fotografia incrível dos cenários junto de uma iluminação característica bem chamativa que desse sombras certas para cada momento e ainda incrivelmente agradasse demais em tudo na junção dos efeitos especiais que criassem os fantasmas, ou seja, quase truques simples de câmera, mas que deram toda a magia para o filme.

Um ótimo trabalho também recaiu na junção da trilha sonora densa com todos os barulhos de vento, rangidos e sons estranhos que trabalharam para compor a ambiência da trama, mas diferentemente do que costuma ocorrer em longas de suspense/terror, aqui tudo foi usado apenas de forma representativa e não forçando o público a se assustar, ou seja, ajudou a dar ritmo e a criar tudo que a trama necessitava.

Enfim, é um excelente filme de suspense que junto de muita simbologia e toda uma recriação de época consegue agradar muito, e por não ser tão assustador posso com toda certeza acabar recomendando ele para todos, pois até mesmo para aqueles que morrem de medo de ver um longa de terror, irão assistir tudo tranquilamente sem passar grandes apertos com o diferencial da trama. Portanto, vá em uma boa sala de cinema e confira o longa, afinal com o calor que está, nada melhor do que um bom filme numa sala de cinema com o ar condicionado bem fresco. Bem é isso pessoal, fico por aqui nessa semana cinematográfica, mas na quinta estou de volta com novas estreias, então abraços e até breve.



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Um Amor a Cada Esquina (She's Funny That Way)

10/17/2015 12:27:00 AM |

Sempre é uma grata surpresa conferir uma comédia romântica leve bem trabalhada nas interpretações que não necessite forçar a barra para fazer com que o público ria. Isso frequentemente ocorre com os longas franceses, mas ultimamente até que alguns diretores americanos tem acertado a mão nesse estilo e acabaram agradando o público mais exigente de história frente à escatologias para se divertir. E com "Um Amor a Cada Esquina", o diretor Peter Bogdanovich volta depois de um longo período fora das telonas com classe e boa sintonia junto da produção amalucada de Wes Anderson, resultando num filme delicioso de acompanhar conflito por conflito, que parece voar no tempo.

O longa nos mostra que tudo o que a garota de programa Izzy quer da vida é virar atriz. Um de seus clientes é Arnold, um famoso diretor de teatro, que lhe oferece US$ 30 mil para abandonar a prostituição. Mas, coincidentemente, ela consegue o papel de prostituta na peça de Arnold, estrelada por sua esposa (Kathryn Hahn), que, por sua vez, já teve um caso com um dos atores da produção (Rhys Ifans). No meio dessa confusão ainda aparece o produtor da peça (Will Forte), que se apaixona por Izzy, deixando a terapeuta de ambos com ciúmes.

Embora a confusão toda que o roteiro nos propõe embarcar foi feito para causar a diversão, mas a história sendo contada pela protagonista como uma entrevista só serviu para juntar tudo no final e termos a grata surpresa de uma participação especial inusitada, pois o longa funcionaria tranquilamente apenas como a história do passado, e certamente até agradaria bem mais por não ter quebras na história. Mas como cada diretor possui um estilo próprio, Bogdanovich junto de sua ex-esposa Louise Stratten escreveram juntos o roteiro dessa maneira, e mesmo quebrando o filme a todo momento para perguntas inúteis feitas pela entrevistadora, a trama se desenvolve de uma forma gostosa e clássica, como poucos filmes tem aparecido nos últimos anos, e assim sendo resulta em algo que o público que gosta de coisas mais bem trabalhadas ao invés de apenas desenvolturas de câmeras, vai sair bem satisfeito com os ângulos escolhidos e principalmente com a história contada e montada na tela.

Um fato que sempre é bem curioso de ver em produções cômicas aonde não temos o fator constrangimento ou escatologias, é que os atores assumem seus papeis como ponto máximo para divertir, o que acaba tornando os filmes em produções tão vivas que cada personagem passa a ser tão importante quanto a história em si, e dessa maneira as combinações múltiplas que o diretor optou fazer aqui até podem parecer história de cidade pequena que todo mundo conhece todo mundo, mas ainda assim é um espetáculo curtir a loucura de cada um. Já venho falando há um tempo que Imogen Poots é uma atriz de talento bem claro que quando lhe é entregue um papel com dinâmica, acaba desenvolvendo e agradando muito, e aqui sua Izzy possui momentos agradáveis e bem contextualizados dentro da proposta do filme, além de usar seu carisma para emocionar quando necessita, ou seja, pacote completo de beleza e atuação para resultar numa personagem bem encaixada. Owen Wilson precisa parar de inventar moda de querer filmes bobos para atuar, pois desde "Meia-Noite em Paris" ele já mostrou que comédias inteligentes é a sua praia e que sempre acaba bem encaixado, aqui como o diretor Arnold acaba misturando um lado cafajeste romântico que certamente existem diversos por aí enganando as mulheres e seus trejeitos caíram como uma luva para o papel, de modo que nos divertimos, e mesmo bagunçando tudo acabamos torcendo para ele. Jennifer Aniston sempre arrasa em papeis que pode incrementar loucura e aqui como a terapeuta Jane, ela quebrou todas as regras possíveis de segurar o personagem no ritmo da trama, parecendo estar ligada no 220 e divertindo como nunca, e sendo perfeita como sempre. Todos os demais deram o sangue por seus personagens e divertiram bastante, mas ficar falando de cada um até seria um pouco repetitivo demais, então vou optar destacar entre os demais Kathry Halm, pela esposa temperamental que aparentava estar tudo bem até descobrir tudo e pirar geral, e Rhys Ifans como um ator canastrão que já tem sua linha de roupas, perfumes e afins, e mesmo quase na terceira idade, ainda se acha o galã máximo, pois ambos além de divertir bem em seus momentos separados, ainda tiveram uma boa química para os momentos juntos, ou seja, agradam bastante em tudo.

No conceito visual, a equipe de arte tentou transformar o longa meio que num épico, usando cabelos e figurinos diferenciados, trabalhando alguns elementos mais antigos e principalmente escolhendo locações mais detalhistas de época, o que acabou dando um certo charme para a produção, mas certamente o filme funcionaria em qualquer época pela temática, mas como o roteiro foi escrito nos anos 90, acabaram optando por esse estilo mas ambientado para concluir a trama e trabalhar bem com o visual dos personagens. A fotografia não inovou muito, afinal como sempre digo, comédias tem de ter tons quentes para divertir e não ficar se preocupando com firulas, e foi isso que o diretor de fotografia nos entregou: um longa simples, bem iluminado em todas as cenas e agradável de acompanhar.

Enfim, se você é da turma que gosta de longas clássicos e bem divertidos, aonde a trama se mistura tanto com conexões improváveis para fazer rir, certamente esse é o longa que irá divertir muito o seu final de semana, agora se você prefere comédias forçadas, talvez saia um pouco decepcionado com o que verá. E dito isso, com toda a certeza acabo recomendando demais ele para todos verem nos cinemas, mas creio que muitos da turma da pirataria já devem ter até visto o filme em casa, afinal estreou no Festival de Veneza de 2014 e na maioria dos países lançou comercialmente no começo do ano, ou seja, como caiu numa distribuidora pequena no Brasil, só apareceu nos cinemas agora, o que é bem triste, pois é um excelente filme. Fico por aqui agora, mas ainda falta uma estreia da semana para conferir, então abraços e até breve pessoal.


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Operações Especiais

10/16/2015 01:17:00 AM |

Engajamento e coragem, essas palavras poderiam ser o sobrenome do diretor e roteirista Tomas Portella, pois diferente de outros nomes do cinema nacional, com três longas lançados no currículo, e um quarto vindo no final do ano, nenhum repetiu nem estilo e muito menos ficou fora de questionar sentimentos e virtudes dos personagens, ou seja, quando ver seu nome em um pôster, já podemos ir ao cinema com bem menos pedras na mão, pois certamente não precisaremos jogar quase nenhuma. Digo isso, pois em "Operações Especiais" conseguimos ver notícias e fatos que afrontaram o Brasil em 2011 e com uma pegada sem papas na língua, o diretor imprime seu modo de questionar a forma que o país sempre opta pelo errado ao invés de apoiar quem quer arrumar tudo, e ainda conseguiu trabalhar os personagens para que eles tivessem história própria, não dependendo de somente um momento para ser contado. E mais do que um filme, se a Globo for esperta, ela entrega para o diretor uma série fixa no horário nobre para desenvolver ainda mais tudo o que foi mostrado no longa, mas enquanto isso não ocorre, corra para o cinema mais próximo, pois é diversão e ação na certa nesse longa nacional de primeira linha, que até possui algumas falhas, mas são relevantes frente a tudo que é mostrado, só não esperem algo tão politizado quanto foi "Tropa de Elite", pois aqui a pegada é outra.

O longa nos situa no Rio de Janeiro, em 2010. Formada em turismo e trabalhando como atendente em um hotel, Francis se anima com a possibilidade de entrar para a polícia civil. Ela presta o concurso e, após ser aprovada, passa a frequentar o curso de habilitação para policial. Trata-se do mesmo período em que ocorreu a invasão no Complexo do Alemão, com traficantes de vários morros cariocas fugindo para cidades periféricas. É o que acontece em São Judas do Livramento, cidade no interior do estado do Rio de Janeiro, que passa a lidar com uma onda de crimes sem precedentes. Para combatê-los é enviada a unidade liderada pelo incorruptível delegado Paulo Froes, que conta com a presença da ainda iniciante Francis. No batalhão ela precisa lidar com a desconfiança dos demais policiais, especialmente Roni (Thiago Martins), e também com as dificuldades da profissão, dos perigos inerentes ao ofício até a corrupção existente ao seu redor.

É interessante ver que alguns filmes são concebidos de uma forma e acabam dando certas viradas de modo a se tornarem bem melhor, pois de início o longa se chamaria "Boletim de Ocorrência" e Cléo seria apenas uma participação especial na trama, mas o diretor e roteirista Tomas Portela, junto da roteirista e câmera Martina Rupp optaram por trabalhar numa linha mais desenvolvida da característica feminina que sofre diversos preconceitos ao entrar para cargos que exigem coragem demais como é a polícia em nosso país, e dessa maneira, não só a virada de estilo deu novos rumos para a trama, como fez com que Cléo crescesse ainda mais num personagem cheio de nuances, que até de certa forma acabou sobressaindo até mais do que a história, mas ainda assim a montagem no todo conseguiu agradar e ressaltar bem tudo o que desejavam passar na característica de corrupção que tanto domina em nosso território. Um dos pontos interessantes da forma que o filme ficou que ao mesmo tempo agrada e irrita é que em determinado momento como disse no primeiro parágrafo, ele acabou ficando muito próximo de uma série, e saindo do estilo cinema de ser, e isso poderia ter sido amenizado para que a história ficasse contida e ainda envolvente como vinha ocorrendo desde o início, mas felizmente isso não atrapalhou tanto e a equipe toda se comprometeu para que o resultado envolvesse e divertisse como deve ser um bom filme.

Sobre as atuações, um fato é claro Cléo Pires está chegando num nível tão bom nos cinemas, que aliado à sua beleza diferenciada, com toda certeza muito em breve vai ser lembrada tanto quanto sua mãe, e aqui sua Francis possui medos, desenvoltura, sedução e ainda um certo carisma para que torçamos pela personagem, e quando isso funciona bem, o filme acaba cativando por completo. Marcos Caruso entrou tão forte no personagem do delegado Paulo Froes que poucas vezes vi um papel que casasse tanto com o ator, e dessa maneira torço que deem mais papeis de delegados para ele, pois soube conduzir a história do personagem com classe, e claro quando precisou soltou palavrões e ótimas frases de efeito que vão ficar na memória certamente. Fabrício Boliveira trabalhou bem seu Décio e com um jogo de cintura bem cativante, acabou chamando atenção para suas cenas, o que certamente não era o esperado pelo roteiro original que provavelmente recairia mais para o personagem de Thiago Martins, que também agradou com seu Roni, mas pela marra gigante que entregou para o papel, acabou ficando meio chato demais de acompanhar. Fabiula Nascimento é uma boa atriz, mas quando pesa a mão nos trejeitos, ou você entra no clima dela, ou acaba se irritando, e sua Rosa inicialmente até cativa, mas vai ficando tão divergente durante toda a execução que se fosse uma série ou novela, já lá pra metade dos episódios o público pediria sua cabeça, e isso se deve muito pelo excesso de trejeitos, e não tanto pela personagem em si. Do lado negro da corrupção, faltou desenvolvimento e preparo para chamar atenção em todos os personagens, de modo que ninguém conseguiu destacar nada, e por bem pouco não acabaram atrapalhando o contexto inteiro do filme, valendo ser lembrado somente algumas cenas de Antonio Tabet como Toscano, mas precisariam ter desenvolvido mais o personagem e feito com que ele aparecesse mais também para que virasse um vilão mesmo que o público quisesse socar, mas sua última fala para Francis já deu uma pontinha de raiva.

No conceito cênico, podemos dizer que quando uma equipe de arte se prepara é raro não vermos um bom filme de invasão policial, e aqui usaram de vários tipos de armas, figurinos e escolheram bem as locações para que a situação toda fosse bem convincente do que estava rolando na cidade, claro que incomoda demais todos indo pro ataque com rifles e a personagem de Cléo com um revólver minúsculo, mas comparado o seu tamanho também com os demais atores, acho que foi até bem compatível. Dessa maneira, o filme tem uma boa dinâmica e conseguimos nos conectar com toda a cenografia preparada, talvez a festa da prefeitura pudesse ser mais pomposa, mas como é uma cena simples, optaram por algo mais singelo e caiu bem também. A direção de fotografia de Barbara Alvarez em alguns momentos quis no colocar no miolo da ação policial e acabou divergindo de tonalidades de iluminação, claro que isso é um erro até que grave, mas pelo realismo passado até podemos relevar e acreditar que tudo foi intencional, e além disso, estamos falando de um filme do gênero policial e ela optou por uma gama exagerada de cores que poderiam ser deixadas de lado, mesmo com a protagonista sendo uma mulher vaidosa como é mostrado nas cenas iniciais, ou então que essa gama ficasse só nela, mas não, a diretora trabalha com isso em quase todo momento com algo saindo do tom cinza, e isso incomoda os olhos, mas volto a repetir o que digo sempre em outros textos, isso é um incômodo técnico, que o público em geral nem vai reparar, mas que temos de pontuar.

Embora o longa conte com poucas canções na trilha sonora, tendo apenas o tema original, algumas trilhas instrumentais e a música "Teto de Vidro" da Pitty, os dois momento aonde a canção foi encaixada entraram como uma navalha na pele batendo exatamente com o que o filme precisava para encaixar canção, expressões dos atores e roteiro, ou seja, parabéns para a equipe que escolheu a canção para o longa.

Enfim, um filme que com muita certeza indico, principalmente para que o povo veja que o cinema nacional anda bem evoluído fora do circuito novelesco de comédias bobas, claro que temos de ter o gênero que rende mais no país, mas precisamos mais longas de ação e de todos os demais gêneros também, então corram pros cinemas, que mesmo com os pequenos defeitos que apontei, ainda vale demais curtir a trama toda. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com as outras estreias da semana, então abraços e até mais.


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Pequeno Dicionário Amoroso 2

10/13/2015 12:43:00 AM |

Se tem um gênero que o Brasil pena demais para acertar a mão é o tão do romance, pois até conseguem desenvolver boas histórias, mas quando não recai para o novelesco e tentam inovar, ou reinventar algo que já fizeram em alguma outra época, o resultado acaba sempre falho e cansativo de acompanhar. E não foi diferente do que aconteceu com "Pequeno Dicionário Amoroso 2", que após 18 anos resolveram tentar a sorte com uma continuação do longa que em 1997 com um orçamento de apenas 900 mil, conseguiu levar mais de 400 mil pessoas para os cinemas, ou seja, um lucro bem interessante, e claro que desejável de voltar com a história para os cinemas. Porém, o efeito de usar uma palavra iniciada com cada letra do alfabeto, em 97 foi inusitado e bacana com todo um sentimentalismo interessante de ser representado pelos verbetes, mas agora em 2015, nem dá para chegarmos na metade do alfabeto para já estarmos cansados com tudo o que já aconteceu de tão repetitivo que ficou as esquetes utilizadas. E embora todos os atores principais tivessem tentado até dar um gás para a trama, o resultado não vai muito longe, e não sei como foi a estreia nacional 30 dias atrás, mas agora estreando aqui, numa sessão de horário até que concorrido, só contava na sala eu e mais duas pessoas, e isso não é nada bom!

O filme nos mostra que depois de se separarem, Gabriel e Luiza, seguiram suas vidas, conhecendo novas pessoas e alimentando outras expectativas. Dezesseis anos depois, Luiza está casada com Alex, com quem teve seu filho, Pedro. Gabriel namora Jaqueline, uma mulher mais nova e cheia de "energia". Mesmo aparentemente felizes em seus relacionamentos, o interesse entre os dois renasce depois de um encontro inesperado.

Sei que muitos são apaixonados pelo primeiro filme, e conheço até diversas pessoas que estavam bem curiosas para ver o resultado da continuação e ficaram bravas quando não veio o longa para o interior na estreia em 10 de setembro, mas é a velha sina, filme menor as distribuidoras seguram e lançam aos poucos nos cinemas do país, principalmente por saberem só com os testes se o filme vai ou não decolar nas salas, e ao que parece, esse está bem longe de atingir a mesma expressividade que o primeiro, pois a diretora Sandra Werneck não se preocupou em atualizar a trama, deixando basicamente o mesmo formato, quase que os mesmos questionamentos, dando uma pequena contextualizada com o que anda ocorrendo no mundo atualmente, mas sem nada de novidade para chamar o público para a sessão, e isso é uma falha monstruosa. Além claro de que esse estilo de filme, ficou parado no tempo, hoje são pouquíssimos os longas que se aventuram em capítulos, e os diretores que escolhem essa ideologia, sabem fazer muito bem e entregam motivos claros para a escolha, não da forma que ela acabou fazendo, apenas para ilustrar seu longa como um álbum de figurinha gigante, que nem numa série da Globo mal desenvolvida funcionaria hoje, pois mesmo o pessoal gostando de esquetes mais rápidas, todas necessitam de uma conexão agradável e chamativa, não apenas representações, ou seja, o filme teria sim como funcionar dessa forma, mas para isso cada letra ou verbete próprio teria de ficar com ao menos 10 minutos para chamar a atenção do público, e dessa maneira teríamos um longa de 240 a 260 minutos, o que não seria nada legal de ver na tela do cinema.

Ao falarmos das atuações, temos de levar em consideração um detalhe que muitos gostam de parar para pensar, outros preferem relevar, mas conseguimos ver que nós juntamente com a protagonista estamos bem velhos, pois jurava que Andréa Beltrão era bem mais nova e com essa passagem de 18 anos, dá para ver bem que agora aos 53 anos ainda está bem na fita e com desenvoltura que poucas mulheres tem por aí, claro que o papel de sua Luiza é algo mais atirado mesmo, mas a atriz fez bem e mostrou que ainda pode desbancar boas atrizes novinhas por aí. Já para Daniel Dantas, os seus 61 anos já estão predominantes na tela e certamente agora irão começar a aparecer mais papeis de avô do que de galanteador, e aqui já tivemos cenas bem estranhas de se ver, parecendo mais o tiozão da Sukita do que alguém que pega todas por aí como o seu Gabriel vem levando a vida, ou seja, espero que não inventem uma trilogia, pois será algo meio estranho de ver nos cinemas, não que ele seja um ator ruim, muito pelo contrário já que sempre tem boas expressões para o que as cenas pedem, mas o papel caberia melhor para alguém de idade menor. Fernanda Vasconcelos é daquelas atrizes que podem fazer uma árvore que vamos gostar de ver ela atuar apenas com as folhas se mexendo, claro que seu rosto lindo ajuda e muito, mas ela tem uma presença jovial que agrada bastante nas cenas de sua Alice, claro que forçou um pouco demais a voz nas cenas das boates, gritando para que o microfonista capitasse seu áudio e ficou um pouco estranho, mas no geral dominou bem a expressão de todas as suas cenas. Dos demais atores, a maioria aparece pouco e de forma bem fraca para com a história, mas os destaques positivos ficam claro com Glória Pires hilária com sua Bel, e Eduardo Moscovis com seu Guto, mas nada que ambos pudessem chamar atenção demais, afinal o filme se concentra mesmo nos três personagens que comentei.

No conceito artístico, a trama nem se apega a mostrar pontos ricos de romantismo do Rio de Janeiro, optando por locações mais fechadas e que dessem a dinâmica esperada para o filme, tanto que os dois momentos mais ricos cenograficamente ficaram por conta da cena de Luiza andando de bicicleta e de Alice num cenário maravilhoso de uma piscina natural no meio das ondas, ou seja, se quisessem poderiam criar diversas perspectivas maravilhosas no conceito cênico, que acabaria chamando mais atenção pra toda poesia que desejavam passar para o filme, e só usando casas e apartamentos e uma galeria, isso certamente não teria como acontecer. A fotografia até que trabalhou bons planos e iluminações para contrastar com a cenografia, mas foi literalmente boicotada na edição, pois quando a ambiência luminosa atingia um ápice na cena, era interrompida para o próximo verbete, e tenho certeza que o diretor de fotografia ao ver o resultado final ficou bem desapontado com isso.

Enfim, não posso falar de modo algum que foi o pior filme nacional que já vi, pois houveram bons momentos e até ideias para outros projetos, mas que daria para ser algo extremamente melhor, isso não tenho dúvida alguma, e posso afirmar com a maior clareza possível, que a palavra que define o longa é preguiça, pois a equipe de roteiristas, junto dos diretores, tiveram preguiça de criar algo novo e se primaram de manter a ideologia do primeiro que hoje não funciona mais. Portanto, só recomendo o filme no cinema para quem realmente quiser ver muito o filme, pois os demais podem esperar para ver em casa quando for lançado em outras mídias, que gastar o valor de um ingresso com esse longa é algo que não vale a pena mesmo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas talvez ainda volte nessa semana cinematográfica com um documentário que está passando em poucos horários e lotando sessões por aqui, vamos ver se consigo vê-lo e comentá-lo aqui no site, então abraços e até breve.


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Peter Pan em 3D

10/10/2015 02:59:00 AM |

É bacana observarmos como gostam de fazer recomeços de histórias que já conhecemos, não que isso seja algo obrigatório, afinal podemos induzir como algumas coisas aconteceram pelos próprios filmes originais, que já muitas vezes acabam sendo refilmados e mostrados de versões diferentes, mas quando decidem fazer algo, pelo menos que prezem por uma qualidade interessante e que contem uma boa história para que tudo fique convincente, e com o novo "Peter Pan" temos toda uma simbologia indígena bem colocada que junto de uma dinâmica bem interessante, conseguimos acreditar na forma visual que nos é entregue de como Peter nasceu e vai virar mais para frente um líder nato dentro da Terra do Nunca. Agora não espere saber de toda a história logo de cara, afinal como sempre digo, produtores se aliam à roteiristas para que um filme nunca seja apenas um filme, e em aventuras e fantasias, sempre coisas são deixadas de lado para uma continuação, e isso deve incomodar bastante na conexão completa desse belíssimo exemplar visual com outros tantos que já conhecemos, mas ainda assim vale conferir numa boa sala 3D.

O longa nos mostra que Peter é um garoto de 12 anos que vive em um orfanato em Londres, no período da Segunda Guerra Mundial. Um dia, ele e várias crianças são sequestradas por piratas em um navio voador, que logo é perseguido por caças do exército britânico. O navio escapa e logo ruma para a Terra do Nunca, um lugar mágico e distante onde o capitão Barba Negra escraviza crianças e adultos para que encontrem pixum, uma pedra preciosa que concentra pó de fada. Em pleno garimpo, Peter conhece James Gancho, que tem planos para fugir do local.

Se olharmos a história criada por Jason Fuchs com base nos personagens criados por J.M. Barrie há muito tempo, vamos ver que tudo é até bem simples de ser contado, e nos convence facilmente para cairmos na fantasia que tanto desejam passar. Mas bem mais sabiamente foi a escolha de um diretor realista como Joe Wright para que transformasse toda essa magia visual em algo crível e empolgante, trabalhando tanto a dinâmica dos personagens para que fôssemos conhecendo um a um sem necessitar parar para explicar detalhes, e também tudo funcionasse na metodologia que escolheu para trabalhar, pois seria bem tranquilo ver um longa aonde tudo brilhasse, a história nos fosse contada como um conto de fadas lido por alguém, e o resultado seria lindo de ver novamente, mas a preocupação principal aqui, foi que o rumo da trama desenvolvesse, e isso só um bom diretor conseguiria lidar e trabalhar com ângulos aonde a ficção chamasse a responsabilidade para assumir tanto a história como boa para os protagonistas serem entregues ao público, como todo o visual envolvesse e não ficasse tecnológico demais para que as pessoas não acreditassem no que estavam vendo. E dessa maneira tudo se encaixa, tudo tem muita cor, e a cada salto ou voo de qualquer objeto, nos vemos acompanhando tudo sem perder uma gota de apresentação de personagem que é inserida no mesmo momento da trama, ou seja, funciona como uma engrenagem completa que ao rodar a manivela, a outra ponta roda perfeitamente sem engastalhar, mas ainda dá para reclamar de muitas coisas, que vou preferir falar ao introduzir os personagens abaixo.

Vamos começar a falar dos atores claro pelo mais jovem Levi Miller, que encaixou tão bem para o protagonista da história, que dificilmente vamos conseguir pensar em outro ator para vestir a roupa de Pan tão cedo, pois o garoto além de ser bem bacana visualmente, tem uma expressividade única e, assim sendo agrada em tudo que faz no longa. Garrett Hedlund também foi bem na postura de um Gancho jovial e bem desenvolvido, que agrada bastante na forma de atuar que escolheu, mas falharam ao não desenvolver como ele passa de um "amigo" do protagonista para o capitão malvado que conhecemos dos outros filmes (e como perde sua mão para não usar o gancho como ferramenta, mas para tudo), e claro que dessa forma, os produtores já esperam um grande resultado para que venham com um segundo longa e aí isso sim seja contado, mas até lá o que o ator fez foi bem trabalhado. Que Rooney Mara é uma excelente atriz, isso não precisa ser nem falado, mas temos de concordar que a jovem Tiger Lilly (me recuso a chamar ela de Tigrinha) é uma guerreira indígena, e a jovem consegue mesmo sem maquiagem ser mais branca que esse Coelho que vos digita, então não que ela tenha feito mal o seu papel, muito pelo contrário sendo perfeita em todas as expressões, mas cairia bem melhor alguma atriz mais morena (talvez Lupita Nyong'o que até tentou o papel, mas não foi escolhida). O dia que acharem um papel que Hugh Jackman não se encaixe é capaz que soltem fogos em Hollywood, pois o cara se entrega de tal maneira, que por mais bizarro que seja tudo o que ele faz com o seu Barba Negra, ainda torcemos para o vilão conseguir atingir seus objetivos, e  num misto de expressões fortes e nervosas com uma comicidade bem interessante, temos um resultado ímpar de personalidade que ele conseguiu passar, e embora sua história seja contada bem rapidamente, conseguimos completar todos os elos de fechamento. Outro que deve ter um papel mais vistoso num segundo filme é Adeel Akhtar, pois como todos sabem Smiegel ou Sr. Smee como conhecemos nos desenhos é o fiel parceiro de Gancho, e aqui acabou até meio que desaparecido no meio do caminho, sem ter um final de fechamento, e claro que voltará caso tenha outro, pois o ator foi bem bacana nas performances exigidas dele. Amanda Seyfried como Mary (ou mãe de Peter) e Cara Delevingne como Sereia, foram bem rápidas nas suas atuações, e por bem pouco se o diretor fosse mais exigente nos cortes até acabariam sumindo da trama, mas como ele deixou suas cenas, até mostraram alguma expressãozinha simples para não ficar no básico.

Agora temos de ser francos, filmes que são pensados visualmente acabam resultando em grandes obras de artes que emocionam e encaixam como uma luva no gênero fantasia, pois cada detalhe da trama, desde o orfanato cheio de segredos alimentícios e negociáveis com piratas, passando pela 2ª Guerra rolando e os exércitos sem saber o que fazer com navios voadores, chegando numa mineração cenograficamente linda de ver, abarrotada de figurantes e computacionais duplicados claramente, em seguida somos levados para uma floresta digna de feita por James Cameron em "Avatar", com detalhes nas plantas a cada virada de cabeça, com pássaros exóticos bem colocados no melhor estilo que lembrava do desenho dos anos 90, trabalhando com uma tribo totalmente colorida que na briga ainda arrumaram um jeito de deixar tudo ainda mais cheio de cores, entrando na sequência numa lagoa cenográfica muito simbólica que junto de contar o passado com desenhos e luzes deram um show a parte, e finalizando com uma ambientação mágica do reino das fadas, introduzindo claro a fada mais conhecida do cinema. Ou seja, tudo perfeitamente pensado para chamar atenção e envolver o público com tudo, e o principal, funcionando com a história sem que precisássemos parar para decidir se iríamos apreciar o visual ou se ligar na história que estava sendo contada junto. Aliado à tudo isso, a equipe de fotografia certamente teve muito trabalho para encaixar a alta quantidade de computação que a trama exigiu, junto dos cenários construídos e locados, pois quando ocorre isso, a iluminação necessita bater, e com a quantidade de cores simbolizando cada momento e dinâmica da trama, foram perfeitos em encaixar cada temperatura de cor para que as nuances funcionassem e envolvessem, não tendo como destacar uma ou outra cena, pois tudo recai bem.

Quanto dos efeitos visuais, e claro do 3D usado na trama, temos de falar logo de cara que o filme já foi filmado usando câmeras com a tecnologia, e principalmente volto a repetir o que falei no conceito visual: foi pensado para funcionar em cada cena a tecnologia, ou seja, nos momentos que querem coisas saindo da tela, temos o ângulo certo para que as bolas de canhão voem para fora, quando temos cenas de salto e voo, a perspectiva escolhida está correta para vermos os personagens quase que bailando na tela com o fundo deslocado, quando estamos passeando pela selva, temos as camadas de plantas para que os personagens andem e nos deem e a referência de posição, e assim, posso dizer facilmente que o filme funcionou muito para o que a tecnologia poderia propiciar para ele, desde profundidade de campo até objetos saindo da tela que tanto reclamam dos longas não usarem, e assim, dessa vez posso recomendar que paguem o ingresso mais caro para ver tudo funcionando bem.

Outro ponto que agrada demais no longa é a trilha sonora escolhida para cada cena, dando destaque claro para a versão de Smells Like Teen Spirit cantada por todos os mineiros junto de Barba Negra, que ficou incrível. Mas essa é apenas um destaque, pois todas as demais ajudaram tanto a dar ritmo como simbolizar bem cada momento.

Enfim, um excelente filme tanto para as crianças se fantasiarem com tudo o que é mostrado na tela (deve ter ficado boa a dublagem também para elas, mas não conferi o longa assim), quanto para os adultos que já viram tantas adaptações da história do garoto órfão que não deseja crescer e agora podem saber um pouco mais da sua vida, com um show visual de brinde. Portanto recomendo demais a produção, mesmo que com alguns defeitos que citei nos parágrafos acima. Fico por aqui hoje, mas ainda volto nessa semana com um outro longa que apareceu aqui meio que atrasado, então abraços e até breve.


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Bata Antes de Entrar (Knock Knock)

10/09/2015 01:15:00 AM |

É engraçado quando um filme de "terror" consegue chamar atenção pelo trailer sem envolver espíritos ou sangue voando para todo lado, mas "Bata Antes de Entrar" parecia ser bem interessante quando passou o primeiro trailer há muito tempo atrás, pois deixou no ar a ideologia de como alguém abre a porta para uma pessoa desconhecida numa noite chuvosa só por ser bonita, e ainda mais na sequência a coisa esquentar e piorar depois. Porém já dá para conseguirmos desconfiar dos filmes que mudam datas de estreia mais que uma vez, e a decepção começa ao vermos o rumo que a trama vai tomando a cada ato sem que nada se encaixe ou empolgue o espectador, e dessa maneira nem Reeves consegue mostrar o quão bom ator ele já foi, nem Roth voltar a ser o diretor trash e desesperado que vimos em "O Albergue", fazendo do filme apenas algo para colocar sua esposa como protagonista e nada mais.

O longa nos mostra que durante um fim de semana no qual sua família viajou, a vida de um homem bem casado é interrompida por duas garotas jovens e atraentes que chegam à sua porta buscando refúgio da tempestade. O que parecia uma breve visita termina se transformando em um inferno, quando as duas garotas seduzem o dono da casa e o tomam como refém para brincadeiras pouco confortáveis e torturas, enquanto a família não volta.

Claro que estou sendo exigente demais ao desejar que o diretor que possui em suas características principais o "torture porn" como gênero clássico de estilo de terror, mostrasse a ideologia das personagens femininas que adentram ao recinto do protagonista e acabam fazendo horrores com ele. Mas desejar nunca é demais não é mesmo? Mas óbvio que Eli Roth apenas utiliza o gênero para causar e dessa forma, tudo o que poderia fazer para tornar um filme perfeito (já adianto que não vi o original "Death Game" de 1977 para comparar) com dramaticidade, afinal a síntese da história é algo interessante de pararmos para analisar, pois homens em sua essência irão abrir as portas de sua casa para lindas mulheres ensopadas numa noite chuvosa, homens em sua maioria irão se deixar seduzir por mulheres seminuas em sua casa, homens são trouxas e caem como patinhos frente personalidades de femme-fatale, e quando essas do nada resolvem virar assassinas em série, qual a cara que fazemos? WTF, sim a tradicional usada nos memes da internet, pois o diretor apenas quis isso e que sua esposa finalmente fosse a protagonista de um longa, e pronto, tenho dinheiro, pego dinheiro de mais algum ator que pode bancar ser o protagonista de um filme maluco, e vamos gravar!! E o resultado, um filme com muita arte abstrata para ser quebrada, mulheres nuas fazendo sexo, e uma história que vai ser esquecida daqui algumas horas, pois nem se preocupar com planos inusitados que foram feitos, mas não valorizaram nada, ele se preocupou, o que é uma pena enorme.

Nem tenho muito o que falar das atuações, afinal já resumi bem no parágrafo anterior o que todos precisam saber, mas vamos falar um pouco do trio principal. Keanu Reeves tenta continuar sendo galã com seu Evan, e é zoado duas vezes por suas madeixas que nunca são cortadas e continuam como sua marca própria visual, porém ele não se preocupa com expressões, gritando desesperado nem parecia o ator que todos adoravam na época de "Matrix", pois tudo soava falso, e como disse botou dinheiro do bolso como produtor executivo pelo papel e infelizmente saiu-se muito mal. Lorenza Izzo, que me foi apresentada hoje, afinal nunca havia visto sequer um filme seu, também acabei descobrindo hoje que é esposa do diretor, e sua personagem Genesis até é bem interessante, e com um nome desse daria para fazer milhões de referências contextuais na trama, mas só foi sexy no início, e quando virá "demoníaca" desanda mais que brigadeiro queimado, mostrando o motivo de não decolar em outros filmes. É engraçado de ver a personagem Bel que Ana de Armas interpretou estranhamente, pois ao mesmo tempo que parece boba, se faz de ingênua, e isso é garantia de revolta das mulheres que estão na sessão (garanto que ri muito das moças em minha frente pedindo para os namorados irem embora), mas a atriz falha nas suas cenas principais, e isso é algo triste demais de ver, então não dá para relevar. Quanto dos demais, foram mais aparições do que funcionaram como atores mesmo do filme, dando um destaque um pouco maior para Aaron Burns com seu Louis pela sua expressão na cena desesperadora em que vê a obra-prima de sua chefe destruída.

No quesito visual, o diretor até que tentou dar um trabalho monstruoso para a equipe de arte, afinal a casa da família é de um ex-DJ e arquiteto moderno com uma artista plástica renomada, ou seja, temos muitos quadros para serem pichados, muita arte para ser destruída e muito visual para ser mostrado, mas os elementos cênicos usados foram tão singelos e forçados que chega a dar dó do diretor de arte que teve um trabalho tão complexo para o diretor insistir num vaso simples e em outros detalhes tão pequenos, ou seja, é como se você comprasse a coleção inteira de um artista famoso para dar de presente para um amigo e esse ficasse feliz apenas pela embalagem e nem ligasse para o presente. No conceito fotográfico, o diretor de fotografia até tentou usar alguns filtros e iluminações diferenciadas, além de algumas câmeras aéreas junto da chuva, mas alguém pode me dizer o motivo sem ser o de mostrar que ele mora em um lugar com casas chiques e sem ninguém no local? Um design diferenciado? Ou algo do tipo? Pois a linguagem se perdeu completamente e não resultou em nada além de gastos de orçamento.

Enfim, é um daqueles filmes clássicos que esquecemos em poucas horas, por isso fiz questão de acabar o texto de uma vez só, pois sei que amanhã cedo não irei lembrar de quase detalhe algum do que vi, e se me perguntarem uma cena de destaque, já falo logo de cara, a penúltima em que o protagonista tenta usar o celular e faz uma grande cagada, pois foi a mais divertida que já vi em um terror até hoje certamente, mas volto a repetir, amanhã acho que não devo lembrar dela. Portanto, com uma história interessante, boa cenografia, algumas canções bem interessantes tocando sempre de fundo, mas com o restante sendo desprezível, até daria para dar uma nota 5, mas não vou ser tão bonzinho com a trama, pois ficou abaixo da expectativa criada com o trailer, então dessa maneira, não recomendo ele para ninguém. Fico por aqui agora, mas ainda faltam dois longas que estrearam pelo interior para conferir e vir comentar aqui com vocês, então abraços e até breve pessoal. Ah e tranquem suas portas para qualquer pessoa estranha, mesmo que sejam duas mulheres bonitas.


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A Possessão do Mal (The Possession of Michael King)

10/06/2015 01:24:00 AM |

É interessante ver que as opiniões sobre filmes de terror raramente batem, pois depois de ouvir os amigos críticos falarem tão mal de "A Possessão do Mal" acabei deixando o longa para ser visto somente hoje, ao invés de correr para conferir no começo do fim de semana, e posso dizer com toda certeza que mesmo contando com algumas coisas toscas e divertidas, o resultado do longa chega a ser bem pavoroso e aterrorizador com a situação que o protagonista acaba se envolvendo, pois ao trabalhar com situações comuns de se ver em outros filmes do gênero, mas atacando sempre para a descrença o longa nos leva a patamares que qualquer maluco por aí poderia fazer, claro que não chegar tão longe, mas o filme dá para pensar em coisas ruins e aqueles mais sensíveis até ficar com medo de algumas coisas.

O filme nos mostra que Michael King não acredita em religião, espiritismo ou fatos paranormais. Enfrentando a morte da esposa, ele decide fazer seu próximo filme ligado à busca da existência de forças sobrenaturais. Michael permite que vários praticantes de artes ocultas testem os rituais mais pesados nele na intenção de provar que tudo é um mito. Porém, algo acontece.

Nem dá para falar muito do filme, afinal o diretor e roteirista estreante David Jung foi sábio em ser simples com toda a situação, e mesmo não tendo tanta técnica nas filmagens (sim há cenas em que a câmera está completamente com foco ruim, e diversas quebras de eixo) que qualquer diretor mataria ele para que não errasse tanto, mas sua maior expertise foi a de trabalhar o roteiro na ideia mais palpável desses rituais, que é mostrar que com muita droga na cabeça, você começa a ver de tudo, e ao abusar das drogas, o resultado pode ficar sinistro e não acabar bem. Claro que a ideologia vai toda ser jogada para demônios e afins, mas se pararmos para ligar os pontinhos, podemos ver toda essa crítica social das drogas e seus efeitos frente ao terror que acabam se tornando os usuários das mais fortes. Portanto, caso o diretor quisesse fugir do eixo terror found-footage e apelos comuns do gênero, ele conseguiria fazer um longa dramático com tom aterrorizante do melhor nível possível, usando todas as imagens que fez no filme, claro que corrigindo as erradas, e teríamos um filmaço para qualquer crítico aplaudir de pé, mas como não foi bem essa a proposta, serão poucos os críticos que irão gostar do que verão, e alguns fãs do terror também irão reclamar.

O ator de séries Shane Johnson, digo isso pois seu IMDB tirando sua estreia em "O Resgate do Soldado Ryan", só possui mil séries, fez muito bem o papel tanto do documentarista Michael King quanto incorporou o personagem endemoniado e possuído, de modo que no final da trama está irreconhecível quando entra imagens suas de quando fala que irá documentar a vida da família novamente, e isso mostra o quanto se entregou para o papel, o que é ótimo de ver, pois muitos atores que entram no gênero terror acabam não se entregando tanto, e falham em trejeitos falsos, o que aqui não ocorreu de forma alguma, e quem sabe agora possa ser chamado mais vezes para o cinema. Já em contraponto, Julie McNiven fazendo sua irmã Beth, mereceu ficar bem em segundo plano aparecendo em três ou quatro cenas rápidas, pois nem parecia querer atuar, do tipo que pegaram alguém da equipe ao acaso para suprir o papel, ou seja, fuja do cinema moça. A garotinha Ella Anderson foi bem fofa no papel de Ellie, sendo pontual em poucas cenas, mas agrada bastante no que faz e novamente entro na discussão de como crianças filmam terror e depois conseguem dormir? Os personagens de apoio para diversas cenas foram no mínimo bizarros e esquisitos, de modo que não vamos lembrar muito de suas atuações, portanto é melhor pensarmos neles apenas como figurantes com diálogos mais alongados e assim o resultado sai melhor.

Sobre o conceito visual da trama, não podemos dizer que foi simples, afinal tivemos algumas cenas bem tensas, com muitos elementos nojentos, e claro que isso incomoda bastante, mas funcionou para a proposta do filme, então se pensarmos bem no que o diretor queria fazer, e com o orçamento baixo que tinha em mãos, podemos dizer que ao trabalhar com muitas câmeras diferenciadas, e usar desses elementos fortes para chamar atenção, o resultado foi chamativo. Claro que há diversos momentos abusivos de filmes trash de classe B, C, D pra baixo que poderiam ser eliminados para o longa ficar com mais classe, mas como o diretor desejava impacto, certamente essa foi a proposta que a equipe artística conseguiu lhe dar com a grana que tinham em mãos. Como todos sabem, o estilo found-footage trabalha com diversos tipos de câmeras instalados em vários lugares para captar ângulos próprios que não seriam comuns em outros estilos de filmes, e dessa maneira a iluminação de cada câmera é diferente, o que no cinema é algo totalmente inaceitável, e principalmente se ficarem inventando moda de colorir as imagens com tons verdes para parecer uma câmera com visão noturna endemoniada, ou seja, a equipe de fotografia tentou inventar moda, e o resultado ficou diríamos que uma bagunça completa, mas divertida de ver e até funcionando em alguns momentos, mas convenhamos que de técnica não tem nada.

No quesito sonoro, o clichê máximo é mantido, de fazer barulhos estranhos, jogar o volume no máximo para pegar o público desprevenido, junto com mudanças de câmera, chiados e tudo mais que possa funcionar para assustar. Mas além disso, trabalharam apenas com duas canções na trilha do longa, e com um rock bem bacana fizeram o fechamento dos créditos, de modo a parecer que haveria mais algo após (o que não acontece), mas vale perder mais alguns minutos ouvindo a canção, pois tem qualidade.

Enfim, o filme está longe de ser tecnicamente um filme que valha a pena ser mostrado em festivais mundo afora, mas como disse acima, possui uma ideologia muito boa, e principalmente funciona para assustar e botar pilha com a situação passada, e desse modo, como costumo dizer fez o seu trabalho, e agradou esse Coelho que gosta de longas de terror diferenciados. Portanto recomendo para quem gosta de um terror mais feio, e fico feliz que por sorte a sessão estava lotada da galerinha cômica que costuma tirar sarro de tudo, pois se fosse uma sessão como a de "Voo 7500", que assisti sozinho, não sei se assistiria o longa até o fim não! Então é isso pessoal, fico por aqui hoje encerrando essa semana cinematográfica, mas volto na quinta com novas estreias. Abraços e até breve.

PS: Daria para dar até uma nota melhor para o filme, mas os erros técnicos são gravíssimos, então vou preferir dar uma reduzida do que virem falar que sou louco.

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A Travessia em Imax 3D (The Walk)

10/04/2015 03:05:00 PM |

Se você já ficou com vertigem só de olhar para o cartaz, prepare-se para suar frio durante mais da metade da exibição do longa "A Travessia", pois o diretor não economizou recursos para deixar a história que já foi premiada com um Oscar de melhor documentário em 2009, em uma ficção simples e envolvente, mas com toda a precisão tecnológica para colocar o espectador quase que em primeira pessoa atravessando os prédios pelo cabo de aço como se fosse o ator, e isso nas telas gigantes é algo realmente assustador de ver e que empolga muito.

O longa mostra a história real do equilibrista Philippe Petit, famoso por atravessar as Torres Gêmeas usando apenas um cabo. Mesmo sem ter autorização legal para a arriscada aventura, ele reuniu um grupo de assistentes internacionais e contou com a ajuda de um mentor para bolar o plano, que sofreu diversos obstáculos para poder ser finalmente executado. A travessia ocorreu na ilegalidade em 7 de agosto de 1974 e ganhou destaque no mundo inteiro.

Claro que como a história em si é bem simples, usaram em demasia o recurso da narração, já que o roteiro do filme foi adaptado do livro do equilibrista aonde ele narra a sua versão da história, nada melhor que fosse no filme também tudo narrado, mas em alguns momentos essa interação com o público acaba cansativa, e poderiam ter trabalhado mais de forma subjetiva para não necessitar tanto disso, mas é apenas um detalhe que muitos nem vão ligar, e não chega a ser algo tão absurdo como já vimos em outros longas, mas que poderia ser melhor, certamente poderia. Dessa forma, podemos dizer que o diretor e roteirista Robert Zemeckis, que já ganhou o Oscar por "Forrest Gump" e foi indicado por "De Volta Para o Futuro", apenas citando alguns, já que a cada dois a três anos nos entrega ótimos filmes, vem com um gás a mais para poder aproveitar mais o recurso tecnológico em si, do que se prender à história que o personagem quis passar, pois vemos apenas um sonho que para ser alcançado arruma alguns cúmplices (já que não dá para fazer tudo sozinho), e a história em si deslancha de forma curta e objetiva. Não temos nem um clímax forte, nenhum ponto de virada impactante, nem ao menos algum problema senão a forma vertiginosa que tentaram e conseguiram transmitir para o espectador, então muito mais do que um filme para ser premiado pelo conteúdo, certamente eles devem ganhar mais pelo bom uso das câmeras 3D para dar um realismo como poucas vezes vimos nos cinemas, e só por isso já vale bem mais do que apenas uma recomendação para todos assistirem (mesmo os que possuem muito medo de altura). E assim sendo, tenho de falar que a escolha dos ângulos foi algo que beirou o espetacular e mal posso esperar o que pode vir mais para frente, agora que perceberam como o 3D pode funcionar em algumas histórias.

É interessante observar o quanto Joseph Gordon-Levitt tem crescido na sua desenvoltura artística desde "500 Dias Com Ela", ficando cada vez mais expressivo e criativo frente às câmeras, e aqui como seu Philippe funciona como um showman em dois lugares diferentes, tanto o apresentador/narrador quanto o personagem em si conseguem conduzir a história de maneira bem bacana de acompanhar; claro que ele não atravessou realmente as torres, afinal os prédios já foram pro chão há mais de 14 anos, mas certamente o jovem treinou e muito para as cenas mais baixas em árvores e postes para que conseguisse impressionar e fez muito bem as caminhadas na corda, então o resultado de sua performance diante do fundo verde ficou tão boa que passamos a acreditar e suar junto com ele de tão bem que conseguiu passar a sensação. Charlotte Le Bon deu o tom exato que a personagem Annie necessitava, sendo singela, doce, carismática e ao mesmo tempo servindo de inspiração para o personagem principal, mas como disse, faltou ampliar a história do personagem principal ao invés de dar tanto foco na tecnologia, e dessa maneira, a atriz acaba quase que sumindo do longa. Agora se existe um ator que sabe como ser preciso e que não erra nunca na expressão impactante que quer causar é Ben Kingsley, e por menor que seja sua participação em qualquer filme, ele consegue entregar algo que sempre impressiona, e aqui com seu Papa Rudy não foi diferente, pois trabalhou sensibilidade mesmo que com uma leve pitada de amargor que caiu como uma luva no personagem e comoveu com os ensinamentos que passou, ou seja, sempre será um ator perfeito para qualquer papel. É engraçado que mesmo sendo uma produção americana, pelos personagens serem franceses, é claro que colocaram na trama bons atores franceses da nova safra e que se não despontaram nos últimos anos, estão beirando aparecer mais para agradar, e dessa forma tenho de citar Clément Sibony que deu um charme artístico para o fotógrafo anarquista Jean-Louis e para César Domboy que ao trabalhar tão bem o matemático com medo de altura, foi o ponto chave para os momentos cômicos da trama. Os demais atores apareceram bem pouco, mas foram bem interessantes cada um no seu momento e forma para agradar, e dessa forma ajudaram no resultado final ficar interessante.

Agora sem dúvida alguma o trabalho da equipe artística foi bem preciso para representar o ar dos anos 70 tanto no figurino dos personagens e figurantes quanto para caracterizar os ambientes, afinal como boa parte do longa teve de ser recriado, já que não existem mais as torres, foram precisos ao criar os ambientes e principalmente nos momentos digitais agradaram ao recriar a perspectiva da época e dar todo um contexto bem empregado para a situação. Quanto da fotografia, ela foi toda preparada para se juntar à tecnologia tridimensional e dar uma visão incrível para o espectador e se não bastasse isso, na abertura do filme toda em preto e branco dando detalhamento colorido somente aos objetos que queriam mostrar no melhor estilo "Sin City" de ser, foi um show maravilhoso para começar a trama, ou seja, um trabalho ímpar na questão artística para que certamente seja lembrada nos festivais que em breve devem começar a premiar. Quanto do 3D, posso garantir que a profundidade cênica que conseguiram atingir é algo de dar medo e impressionar, pois realmente somos transportados para a pele do personagem principal, e só enxergamos o precipício à nossa frente, fazendo com que mesmo quem não tenha medo de altura, sinta um certo pavor com o efeito causado, ou seja, um acerto e tanto, e para aqueles que gostam de coisas saindo da tela, até temos 2 momentos com algumas peças soltando, mas nada que chegue a impressionar tanto quanto a profundidade de campo.

Enfim, é um excelente filme que vale muito a pena ser visto tanto pela tecnologia quanto pela forma que a história é passada, só poderia ser mais forte e trabalhado ao contar sobre a vida do rapaz, pois é passado tudo bem de leve, e dessa forma acaba sendo simples demais no conceito dramático da história, mas volto a ser enfático, quanto à perspectiva de entrarmos na pele do personagem e observarmos a altura que faz suas acrobacias, o filme deu uma aula de como usar o 3D gravado com as câmeras Imax da maneira mais correta e plena de funcionar. Portanto, dito isso, mais do que recomendo o filme para todos, até para os que possuem medo de altura para testar seus limites, afinal você não está lá no lugar, mas sim sentado na sua poltrona e não irá cair no precipício. O longa estreia oficialmente na próxima quinta, mas nesse Domingo ainda haverá algumas sessões de pré-estreia para quem quiser conferir o longa. Fico por aqui hoje, mas ainda falta uma estreia da semana para conferir, então abraços e até breve meus amigos.


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Perdido em Marte em 3D (The Martian)

10/02/2015 01:59:00 AM |

É interessante como alguém sozinho em algum lugar faz com que torçamos para que a pessoa se saia bem! Claro que para isso, todo um contexto é necessário para envolver o público e quando ele convém de uma forma bem carismática, cheia de pitadas nerds, e uma comicidade feita na medida para entreter o público, o resultado é algo que foge de qualquer padrão. E dessa maneira, "Perdido em Marte" conseguiu comover tanto esse Coelho que vos digita sempre, que mais do que um "Resgate do Soldado Ryan do Espaço", o filme faz com que vibrássemos a cada conquista do astronauta, e mais do que isso, em certos momentos nos vemos precisando enxugar o óculos com a emoção que a união: carisma do ator interpretando muito bem o texto + boa direção que soube dosar cada plano como único + trilha empolgante para comover mesmo, conseguiu fazer. Ou seja, um filme que até vai receber certamente críticas negativas pelo mundo afora também, mas não será o caso desse site, pois aqui reveria facilmente e com muita empolgação cada ato do longa.

A sinopse do filme nos conta que o astronauta Mark Watney é uma das primeiras pessoas a caminhar em Marte. Entretanto, devido a complicações causadas por uma tempestade de poeira, Mark é deixado para trás por sua tripulação e pode se tornar a primeira pessoa a morrer no planeta. Com apenas poucos suprimentos, Mark conta com sua criatividade e inteligência, e embora as possibilidades e probabilidades estejam todas contra ele, Mark luta para sobreviver.

Que o diretor Ridley Scott estava devendo um filme perfeito, isso está mais que claro há tempos, pois mesmo pegando grandes projetos, ultimamente vinha numa levada estranha, cometendo alguns erros bobos e até atrapalhando com suas loucuras projetos que poderiam realmente dar certo com outros diretores, e aqui, quando começaram a cantar a bola de que seria a redenção do diretor, que era a sua volta gloriosa ao velho jeito de dirigir, já começou a levantar suspeita de que viria uma nova bomba, afinal já disse aqui diversas vezes que criar expectativa demais acaba atrapalhando tudo o que o filme pode propor. Pois bem, optei por não criar tanto desespero pelo filme, e fui conferir quase nulo de ideias do que poderia ser mostrado e tendo visto o trailer apenas em algumas sessões, e o que posso fazer é aumentar o coro de que realmente ele voltou a mostrar a excelente mão que tanto agradou em diversas outras grandes produções, como "Gladiador", "Falcão Negro em Perigo" e até "Blade Runner", utilizando do grande feitio de jogar nas mãos de um bom ator o projeto e elevar o carisma\ dele ao máximo para que o domínio do personagem, encaixando todas as situações e planos precisos, resultassem em símbolos para que todos se conectassem com a história, e assim sair festejando o acerto a cada cena bem feita que eximia emoções e refletia também muita ciência estudada para que o longa não ficasse tão falso, mesmo que ainda ninguém tenha ido para Marte. O roteiro de Drew Goddard, que iria dirigir também se não fosse o compromisso com outra produção que em breve começaremos a ouvir muito assunto, usou de base o livro de Andy Weir para representar bem a situação toda e foi assertivo em diversos pontos para que o público se colocasse no lugar do personagem principal, e com o fechamento que teve depois nas falas de Matt Damon, o filme diz em alto e bom som que veremos mais pessoas se arriscando lá no espaço, e que desistir não é o remédio. Claro que contaram com muito apoio da NASA para que tudo funcionasse e ficasse o mais próximo de uma realidade, e isso é algo que poucos filmes se preocupam em estudar, e o resultado, vejam com seus próprios olhos, pois se eu falar mais aqui, daqui a pouco loto o texto de spoilers.

Volto a repetir, quando um bom ator veste a roupa de seu personagem e assume a responsabilidade de entregar carisma, e encontra o tom correto para que a interpretação flua sem precedentes, não tem como dar errado, e se existe um nome em Hollywood que gosta de pegar papéis desse estilo é Matt Damon, pois são raros os filmes que o cara não domina e faz bem, e aqui com seu Mark, cada cena é única, cheia de comicidade na medida certa para não destoar nem o nível científico da trama e nem cansar o público que quer algo mais ficcional mesmo, e dessa maneira a empolgação e a conexão ocorre, agradando sem limites, comovendo, emocionando e encaixando bem demais para a proposta que tanto desejavam para o personagem. Outra que agrada sempre no que faz é Jessica Chastain com sua Comandante Lewis, que ao trabalhar uma expressão deprimida em diversos momentos, quando bota a empolgação que precisa para chamar atenção, acaba sendo muito dinâmica e agradável de ver, ou seja, arrasando como sempre. Da turma do espaço, tenho de dar destaque também para os outros nomes, pois mesmo que em poucas cenas, mostraram que quando tiverem oportunidade vão apresentar cada vez mais e são nomes fortes para o futuro, um exemplo claro é Michael Peña com seu Martinez, abandonando o latino tradicional que só faz papeis bobos e tomando as rédeas de bons trejeitos expressivos, Kate Mara ficou tão bem em sua Johanssen que até esquecemos as besteiras que fez no novo "Quarteto Fantástico" e embora aqui seu papel seja pequeno, ainda chamou a atenção no meio de tantos números computacionais. Já na Terra, os destaques ficam para Jeff Daniels, que raspou a trave de virar um daqueles vilões (sem ser realmente um vilão) de filmes que acabamos odiando e querendo bater com seu Teddy, e isso só mostra o quanto o ator é bom e sabe fazer bem um papel quando quer, pois ultimamente vinha bem apagado de outras produções e aqui soube dominar as cenas e ser o cérebro que em momento algum botou o coração sobre a mesa para com suas ações, usando expressão forte para todos os momentos e agradando muito com isso. Outro que vale a pena acompanhar é Chiwetel Ejiofor que depois de quase ganhar o Oscar com "12 Anos de Escravidão", volta a pegar um papel duro e que mesmo não sendo compreendido por seus superiores, ainda tenta ajudar para que tudo aconteça bem com seu Vincent Kapoor, e dessa maneira empolga a cada cena que consegue algo bacana. Embora tenha poucas cenas, Donald Glover foi "O" mito com a cena de seu Rich Purnell junto dos chefões, e confesso que todos estagiários ou funcionários de menor escalão irão vibrar com a cena, pois foi muito bem interpretada pelo ator e caiu como uma luva para algo que se explicado de forma científica normal seria um tédio total. Vários outros atores também saíram bem nas devidas proporções, mas o texto ficaria imenso se falasse mais de cada um separadamente, mas um último destaque mesmo que pequeno ficou para Sean Bean por mostrar que ainda pode ser durão na frente de qualquer grande diretor, e dessa forma seu Mitch chamou a responsabilidade e fez bem.

Falar da cenografia é algo que sempre me comove, e falaria horas a fio de cada detalhe técnico, mas vou apenas ressaltar novamente o trabalho minucioso da produção de arte junto da equipe da NASA para que cada detalhe cênico fosse o mais real possível, passando desde os trajes que os astronautas que irão para Marte usarão, criando fazendas de batatas no set para que tudo ficasse bem real, criando pequenas peças para que as naves ficassem minuciosas e cheias de elementos cênicos para impressionar, e claro escolhendo locações incríveis para que tudo parecesse real, desde o deserto de Wadi Rum na Jordânia que possui a areia vermelha e assim dar mais vivacidade, gravar num dos maiores estúdios de Budapeste para ter um pé direito incrível e assim criar altas perspectivas de cada cena e por aí vai, de modo que a direção de arte não economizou um dólar que fosse para que a produção ficasse incrível e o resultado fosse único. E claro que a direção de fotografia não ficaria para trás, usando todos esses elementos que citei, ainda procuraram estourar a iluminação ao máximo para que as cores ficassem mais vivas ainda, e em diversas cenas, usaram muito de sombras para criar dinâmicas com o passar de tempo do filme, dando literalmente um sol forte para o personagem principal, e nas cenas noturnas no meio das tempestades foram impactantes e usaram de todos os efeitos possíveis para sujar as imagens e granular o filme no máximo que podiam, criando muito simbolismo para as cenas. Embora o longa tenha sido filmado em 3D, usaram muito pouco o recurso tanto de profundidade quanto de elementos saindo da tela, o que acabou ficando bem estranho, tanto que em diversos momentos até temos uma perspectiva interessante de ver, mas logo em seguida já parece não ter mais nada, e além disso, diversas cenas você consegue praticamente remover o óculos e não ver diferença alguma, ou seja, acabou sendo um recurso bem dispensável e mostra que os longas filmados com a tecnologia também erram nesse sentido, mas ainda assim, felizmente não atrapalhou em nada o resultado geral da trama, o que é de bom grado.

Bom, é quase dispensável falar de uma das melhores trilhas sonoras de filmes da atualidade, pois ao pegar gostos "estranhos" da seleção musical que cada um dos astronautas levou para passar os seus dias no espaço, temos muitas canções que acabaram sendo incorporadas como parte diegética do próprio filme, funcionando para os momentos exatos da trama como uma luva, e isso é algo que divertiu e auxiliou no ritmo da trama que possui quase 150 minutos de duração e junto dos trailers vai amarrar o espectador quase 3 horas dentro de um cinema, ou seja, um trabalho bem impactado de escolhas, que junto das composições sonoras originais ainda deram toda a vivência que o diretor desejava para o seu longa.

Enfim, é um filme que cumpriu demais com a missão de divertir e empolgar em cada minuto de sua longa duração, pois repito, se ficasse centrado completamente na missão científica, ao invés de jogar todas as fichas na forma de resgate e na comicidade do protagonista, certamente teríamos um longa cansativo e chato, o que aqui passa bem longe de ser. Portanto se você gosta de uma boa ficção, bem desenvolvida e agradável de assistir, se emocionar e acabar torcendo para que tudo dê certo, esse é o filme que você deve comprar o ingresso e ir conferir nesse final de semana, pois recomendo ele com a maior certeza que tenho de um longa desse ano. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda tenho mais uma estreia e uma pré-estreia para conferir nesse final de semana, então abraços e até breve.


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