Fantástica - Uma Aventura no Mundo Boonie Bears (Boonie Bears: Entangled Worlds)

9/09/2018 01:57:00 AM |

É engraçado que não costumo ler nada antes de ir conferir os filmes, vendo somente os trailers que passam antes das sessões que vou conferir, então casualmente acabo caindo em alguns filmes que já fazem parte de séries e/ou outros filmes que nem passaram por aqui, e o que acaba acontecendo? O pobre Coelho acaba boiando até tentar entender quem são os personagens, ou o que eles estão fazendo! Pois bem, dito isso, tenho de colocar que mesmo perdido é possível conferir "Fantástica - Uma Aventura no Mundo Boonie Bears" sem saber muito sobre eles, pois mesmo os personagens fazendo situações malucas entre eles, surgindo personagens do nada nas situações, e tudo mais, o resultado visual é tão bonito que acabamos viajando junto com eles, e até é possível compreender a trama entregue nesse que é o quarto de cinco filmes dos ursos e sua turma, mas que demora um certo tempo até pegar tudo, isso demora mesmo. Mas como para as crianças a história em si não é algo tão necessário, algumas acabam empolgando com a aventura (que é bem dinâmica e cheia de reviravoltas), outras choram por não estar gostando, e tem também aquelas que ficam até vidradas com tanto colorido, ou seja, um resultado diferente para cada um, que recomendaria mais se tivesse visto os demais, mas como só vi esse, minha única reclamação é não terem trazido ele em 3D, pois o filme tem muita coisa para funcionar saindo da tela, e é notável isso pelas plantas e tudo mais, mas de resto posso dizer que é um longa bem aproveitado e que tem um carisma visual bem encontrado junto de boas canções, mas longe de funcionar sozinho.

A sinopse nos conta que um grupo de ladrões é enviado para roubar o Tesouro Dourado em um lugar chamado Middle Kingdom. O tesouro a ser roubado é um dos itens mais preciosos do mundo, mas ainda há uma solução quando um robô se une aos irmãos Boonie Bears, a um caçador e uma guerreira da floresta. Juntos eles irão proteger o seu lar da destruição dos criminosos.

Os Boonie Bears são extremamente famosos na China, sendo responsáveis pelas maiores bilheterias de animações do país, e sendo também um sucesso na TV nacional por lá, de modo que já possuem cinco filmes lançados, e esse que surgiu por aqui agora é o quarto, e assim sendo os diretores nem se preocuparam em apresentar cada personagem para o público, já indo direto para os acontecimentos, e embora isso seja um pequeno problema, a trama é bem desenvolvida, conseguindo recompensar o público com um visual incrível de uma floresta mágica cheia de personagens alegóricos com muitas cores, e como é de praxe na China tudo com muito simbolismo entre os elementos, ou seja, quem for conferir pode até viajar pelos detalhes, e acabar feliz pela montagem com boas canções e até uma mensagem bem interessante.

Como sofri para entender quem era quem, agora que consegui um pouco de detalhes sobre os personagens, vou compartilhar aqui com vocês: Bramble é um urso inocente, bondoso, tímido, otimista e confia completamente em seu irmão Briar. Foi resgatado pela tribo de Fantástica quando ainda era um filhote e assume a responsabilidade de proteger a terra mágica. O urso ama a natureza, seu irmão e o reino de Fantástica. Igual seu irmão, Briar foi resgatado pela tribo de Fantástica e decide ajudar a robozinha Coco a encontrar e proteger o grande tesouro que essa terra esconde. É um urso corajoso, perspicaz, inteligente e tem um forte senso de responsabilidade pela floresta, animais e pelos seus amigos. O ganancioso Vick é um homem trabalhador que sonha em se tornar rico de qualquer maneira, mas sua ambição acaba por esconder a pessoa bondosa que é. Ao encontrar Coco, ele se junta à robô nessa busca pelo tesouro escondido de Fantástica, na intenção de ganhar muito dinheiro com isso. No entanto, Vick não esperava ser sensibilizado pela bondade e amizade dessa turma que protege a terra. Naya é uma garota inocente e misteriosa que precisa proteger Fantástica para continuar o legado de sua família. Sua ligação com a natureza vai muito além de interagir com os animais e as plantas, já que também consegue pressentir quando a terra encantada está em perigo. Em “Fantástica”, é missão de Naya proteger a natureza para manter a lenda de seu povo viva. A robozinha Coco ajuda o grupo com sua base de dados e suas habilidades arqueológicas, que permitem que ela escaneie tudo a seu redor. Por ser uma máquina, ela se acha superior aos humanos, já que não possui sentimentos que possam deixá-la vulnerável, mas logo vai perceber que não é bem assim. Ao conhecer Naya e conviver com seus novos amigos, Coco começa a entender mais sobre os humanos, a beleza da vida e a importância da natureza. Em busca do tesouro dourado de Fantástica, esses vilões farão o que for preciso para encontrar a fortuna que o reino esconde. Um chefe poderoso, uma garota e seus dois parceiros unem forças para alcançar o que querem, mas não contavam com a turma de defensores em seu caminho.

O ponto forte da trama é o visual, então espere ver boas texturas, detalhes bem coloridos, frutas em formato de animais e animais em formato de frutas, ou seja, tudo que pode confundir visualmente lembrando até diversos filmes americanos, como "Tá Chovendo Hamburguer", e até elementos visuais de filmes da Marvel (a armadura de um dos capangas lembra completamente a roupa do Homem de Ferro), ou seja, muita conexão para impressionarmos. Como falei no começo, com tantas cores e elementos voando, a trama certamente funcionaria bem em 3D, mas não fizeram esse uso da tecnologia, então apenas fica como bom exemplo do aproveitamento de sombras para criar perspectivas, e mostrar que mesmo sem o uso de óculos dá para brincar com efeitos também, claro que em menor escala.

Enfim, é um filme que depende de uma história maior, mas que funciona também para quem for disposto a curtir uma animação bem feita e colorida. Como disse, a trama vai agradar alguns pequeninos, e muitos irão apenas curtir a ideia sem entender como aconteceu com esse Coelho, mas de uma coisa temos que parar para analisar, as animações que antes eram vistas somente pelas grandes empresas americanas vêm despontando em muitos países e cada vez melhores, afinal o mercado consumidor que são as crianças é de grande bilheteria, assim como hoje a sala de pré-estreia estava bem cheia. Fica a dica então para a estreia na próxima semana, e eu fico por aqui encerrando essa semana cinematográfica bem estranha, então abraços e até a próxima quinta.

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Crô em Família

9/08/2018 12:39:00 AM |

Pois bem, costumo falar que se o primeiro filme já foi ruim, nem devemos dar chance para continuações, pois a chance de uma bomba vir em níveis gigantescos é bem alta, mas como não sou coach de diretores, sempre tem uns malucos que acham que se deu bilheteria, devem arriscar mesmo que todos que viram tenham saído reclamando. Ou seja, como disse para um amigo, o personagem Crô na novela "Fina Estampa" caiu como uma luva para dar o tom cômico bem colocado, fez a fama de Marcelo Serrado ir para as alturas, e claro acabou gerando um filme, no caso "Crô, o Filme", e nesse embora tenha sido muito forçado, ainda conseguiu forçadamente fazer o público rir, mas agora com sua continuação mais absurda impossível em "Crô em Família", o resultado foi lastimável, com uma sala praticamente vazia em pleno feriado, e ninguém rindo de nada na sessão, ou seja, vergonhoso ver o nível de filme sem história alguma, com personagens caricatos falando bordões, e nada que fosse realmente divertido, ou seja, completamente esquecível.

O longa nos conta que já famoso, bombado e dono da própria escola de etiqueta e finesse, Crô se vê, no entanto, sozinho e sem família. Carente e vulnerável, acaba ficando à mercê de supostos parentes, Orlando, Marinalva, Luane, Nando e Liz, cujas intenções não parecem ser das melhores. Ao lado das inseparáveis Geni, Magda e Jurema ativa aluna emergente, mas sempre desviando do veneno da pérfida colunista Carlota Valdez, Crô embarcará numa aventura repleta de pinta para descobrir a sua verdadeira família.

Já disse diversas vezes que se tem algo que não gosto é falar mal de diretores/filmes brasileiros, pois como produtor de formação, tenho de valorizar e torcer sempre para que cada dia melhorem nossa produção nacional, e claro nossos filmes rendam cada vez mais, mas aqui infelizmente não tem como elogiar nada do que a diretora Cininha de Paula fez, pegando um personagem divertido e caricato que foi muito bem em uma novela em 2011, que teve seu filme bem visto em 2013, mas que aqui virou um show de esquetes jogadas, que muitas vezes até parece não ter nenhuma conexão, com espaços pulados realmente, de modo a parecer até cortes mal-feitos. Ou seja, tivemos algo exagerado, cheio de gírias para todos os lados, que acabou não conseguindo convencer, nem criar uma história que envolvesse realmente, de modo que o único ponto mais satisfatório, e que já era esperado foram as últimas cenas, que tiveram um aprofundamento mais bacana e que mesmo não sendo divertido funcionou exatamente como Mel Maia diz no trailer: "está parecendo final de novela!", e sendo assim respondo para a Mel, não pareceu final de novela, mas sim uma novela completa de 25ª categoria, que metade do público acabou dispersando por falta de interesse, e só voltou a assistir no fim para saber o final.

Sobre as atuações, é fato que Marcelo Serrado domina completamente o personagem de Crô, que praticamente todos os trejeitos e expressividades lhe caem com primor, e que ele a cada filme incorpora mais gírias gays na personalidade, dando um ar moderno para a produção, e felizmente ele faz esse estereótipo bem colocado, que até passa bem longe de muitos gays que conhecemos, mas como um personagem até acaba sendo engraçado de ver, mas aqui ele forçou tanto que chegou até sair do eixo um pouco, não sendo agradável na forma de esquete, e mesmo nos momentos que até riríamos do que ele faz, o resultado acaba soando tosco, ou seja, não funciona. Jefferson Schroeder foi mais bem colocado com sua Geni, e embora seja um personagem bem secundário que a todo momento aparece, ele acabou dando um bom tom para cada momento seu. Arlete Salles e Tonico Pereira caíram bem na entrega de seus Marinalva e Orlando, fazendo tradicionais picaretas que vemos em diversas novelas, armando planos mirabolantes e caricatos, mas nada que fosse impressionante de ver. Quanto aos demais, a maioria faz figurações bem espalhadas, tendo uma ou outra frase mais chamativa, de modo que Mel Maia acaba quase sem falas para sua Liz, tendo uma certa expressividade maior nas cenas finais, e a colunista exageradíssima vivida por Monique Alfradique até tentou chamar atenção, mas de nada fez, tirando a cena de duelo que realmente foi a única que me fez rir.

No conceito cênico a trama foi toda trabalhada nas situações da escola de etiqueta, e claro da mansão do protagonista, sempre brincando de congelar as cenas e de turvar sua visão enxergando outras coisas nas cenas tradicionais, e brincando com figurinos bem coloridos tanto para o trabalho quanto para suas caminhadas, o filme até tem bons elementos visuais, mas de nada adianta para algo que foi feito em cima quase de algo cheio de esquetes. A fotografia não quis ousar e entregou um longa quase sem sombras, com poucas nuances e nem optou por brincar com o colorido ao menos para fazer rir, de modo que pareceu um trabalho bem jogado da equipe.

Enfim, um filme que mais do que não recomendar, digo que devam evitar, pois vai que decidam fazer um terceiro, e aí o risco é alto demais, e volto a dizer, que o cinema nacional sim continua crescendo e fazendo bons longas, mas sempre tem um ponto fora da curva para atrapalhar, e o de 2018 certamente já está eleito aqui. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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Wheely - Velozes e Divertidos (Wheely)

9/07/2018 05:13:00 PM |

Tem filmes que são lançados nos cinemas já fadados a virar piada, pois são tão semelhantes a grandes sucessos que já vamos conferir com a expectativa quase completa de ver algo genérico que não irá entregar nada além do que já vimos outras vezes, mas sempre estamos dispostos a sermos enganados e/ou surpreendidos, de modo que ao final de "Wheely - Velozes e Divertidos" até conseguimos sair felizes da sessão por ver um longa animado cheio de história, que até tentou ter boas texturas, e tirando um miolo cansativo pelo excesso de atividades que o carrinho passa para chegar até o vilão, o filme até agrada e diverte, mesmo sendo extremamente infantil e mais voltado para crianças pequenas. Ou seja, sendo uma produção pequena de países que raramente mandam algo para cá, se você tiver alguma criança pequena que goste de carrinhos, pode com certeza levar ao cinema que os pequenos irão se divertir.

A sinopse nos diz que em Gasket City, uma cidade onde todos os moradores são carros, vive Wheely, um pequeno táxi preto e amarelo que sonha em se tornar o Rei da estrada. Para isso, ele precisará provar que é um verdadeiro herói enfrentando os carros de elite e o terrível caminhão de 18 rodas, que comanda o sindicato de carros de luxo da cidade.

Nem posso falar muito dos diretores, pois nunca vi nada de Yusry Abd Halim, que dirigiu algo que parece ser do estilo Homem Aranha, só que indonésio chamado Cicak-man (em tradução literal Homem Lagarto), mas como esse estilo de cinema não chega por aqui, nem dá para saber se é bom, mas certamente conseguimos ver pelo que foi entregue aqui é que devemos saber que outros países também resolveram criar bons longas para crianças, que sabemos ser o maior consumidor de cinema no mundo, e aqui a produção conjunta entre Malásia, Maldivas, Brunei e Djibuti, conseguiu se equiparar facilmente às grandes produtoras americanas, fazendo um longa de conceito simples, mas divertido, com uma boa proposta, e principalmente, com muita aventura, o que faz as crianças ficarem vidradas na animação.

Diria apenas que o maior problema do longa é exagerar na história, querendo que o protagonista faça muitas firulas, interaja com diversos personagens, e tudo mais, e esse estilo não permite isso, pois tanto os pais, quanto as crianças esperam ver algo mais dinâmico e direto, o que acaba cansando um pouco no miolo da trama, mas tirando esse detalhe, e claro, a cópia descarada dos personagens da Pixar, como o carrinho protagonista que é corredor, o melhor amigo que é meio caipira e abobalhado, entre outras similaridades, o resultado é gostoso de acompanhar, a dublagem foi bem trabalhada, e com muitas cores vibrantes a trama flui naturalmente, tendo até boas locações e leves texturas para impressionar.

Enfim, é um longa simples, que até consegue ter um carisma razoável, que foi feito direcionado para um público alvo de crianças bem pequenas, bem embasado em um molde, mas que conseguiu ir um pouco além, e se não fosse leves erros de alongamento seria um desenho que facilmente muitos veriam e gostariam do resultado, tanto que consigo recomendar ele mesmo o plágio sendo nítido. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas já vou conferir outro longa agora, então abraços e até mais tarde.

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Alfa em 3D (Alpha)

9/07/2018 02:22:00 AM |

Chega a ser triste ter de falar mal de um filme, principalmente os bem produzidos, que conseguem entregar visuais incríveis como é o caso de "Alfa", mas não tem como dizer que o longa consegue empolgar em sequer uma cena, e olha que temos atropelamento por búfalos, temos queda em precipício, temos ataque de lobos, temos afogamento em lago congelado, entre muitas outras coisas que nos fazem quase acreditar que o personagem principal era um gato com sete vidas ou mais, mas a história é tão rasa, sem algo que chame a atenção, que se fosse transformado a trama em apenas um documentário de um lobo passeando por paisagens incríveis, o resultado seria muito melhor, pois é o que salva somente nessa produção: belos cenários maravilhosos que com a tecnologia 3D acabaram ainda mais imersivos, e um lobo treinado que fez melhores expressões que muitos atores do cinema, ou seja, um filme que poderia chamar a atenção, fazer o público chorar copiosamente, mas que apenas faz passar a hora.

A sinopse nos conta que na Era do Gelo, há 20 mil anos, um grupo de caçadores parte para uma arriscada expedição. Um deles é atacado e dado como morto. Agora, ele tem de aprender a enfrentar as adversidades e um lobo ferido se transforma em seu grande aliado nessa luta pela sobrevivência.

Oito anos! Esse foi o tempo que o diretor Albert Hughes ficou sumido dos holofotes cinematográficos, e se na parceria conjunta com seu irmão Allen em "O Livro de Eli" conseguiu explorar a dramaticidade em um cenário interessantíssimo, aqui ele apenas colocou o cenário para jogo e esqueceu que precisava fazer o ator ficar interessante também na história, e mais do que isso, fazer com que a história ficasse interessante para o público se empolgar com o que visse na telona, ou pelo menos não dormir, e infelizmente ele não conseguiu essa façanha, pois o longa mesmo tendo boas situações, acaba sendo morno demais, raso de perspectivas, mas inegavelmente ele arrumou a locação perfeita em Alberta no Canadá, passando por Vancouver também e até mesmo na Islândia, para que seu filme tivesse um visual incrível que até talvez esquecêssemos que ele não teve criatividade para entregar um roteiro também, quiçá diálogos expressivos para que os atores atuassem ao menos. Ou seja, um filme que vale ser visto pelo visual, mas que seja completamente esquecido pela história, se é que tem alguma para ser contada.

Sobre as atuações, só tenho a dizer que quem foi o melhor ator foram os dois lobos usados para interpretar o protagonista Alfa, pois eles fizeram olhares tristes, rosnaram, foram carismáticos e tudo mais, completamente diferente dos humanos que começaram o longa com uma expressão e terminaram com a mesma, e nem vou falar de interjeições, pois a distribuidora boicotou o país mandando para 99% das salas apenas cópias dubladas, então é melhor nem pensarmos nas vozes femininas todas iguais e sem entonação alguma, e nas do garoto que já não entrega emoção alguma com os olhares, aí com a voz calma então, ficou mais apático ainda. Dito isso, podemos dizer que o problema foi de direção, pois Kodi Smith-McPhee tem entregue boas interpretações nos seus últimos longas, e aqui seu Keda é muito inexpressivo, de modo que quase torcemos para que ele não consiga atingir seu objetivo, para ao menos ficarmos com raiva dele, mas como bem sabemos, os longas não são assim. Jóhannes Haukur Jóhannesson entregou um líder bem colocado, com expressividade forte inicialmente, mas que precisa aprender a chorar, pois suas cenas de desespero foram piores que muitas novelas mexicanas, ou seja, falso ao extremo. Quanto aos demais, tudo praticamente figurantes, com raras falas espaçadas, ou seja, melhor nem comentar.

Agora sem dúvida alguma o longa teve um conceito visual de tirar o fôlego, com cenários precisos, cheios de detalhes, com uma profundidade de campo tão bem encaixada, que aliada à tecnologia 3D deu uma imersão maravilhosa para o longa, tanto nas cenas a noite com labaredas de fogo e vagalumes, quanto nas cenas de neve, aonde temos uma névoa branca incrivelmente bem colocada, fazendo com que o público praticamente se envolva com os personagens, em locações maravilhosas, ou seja, um trabalho primoroso que merecia uma história melhor para não ser algo desperdiçado. E digo que os efeitos até funcionaram para entregar algo bem composto, pois não digo que é um 3D esplêndido, pois tirando a profundidade de campo, temos umas 6-8 cenas no máximo que procuram trabalhar mais algo com dinâmica imersiva ou expansiva para fora da tela, mas nada que empolgue realmente.

Enfim, é um filme muito fraco para que lembremos dele daqui há algumas horas, e isso me deixa muito triste, pois é uma produção grandiosa de 51 milhões de dólares, que já com um mês de exibição mundo afora, não está nem perto de se pagar, e nem tenho como recomendar ele para que dê mais bilheteria, pois quem for conferir até irá se agradar com o visual, se emocionar com bonito desfecho, mas vai sair da sessão se perguntando: qual foi a história mesmo? Ou seja, um filme que até tenta passar uma mensagem de esforço para conseguir sobreviver às intempéries do clima, com muita dor no pé por ter quebrado e tudo mais, mas que não empolga como poderia. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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A Freira (The Nun)

9/06/2018 01:32:00 AM |

Bem, estamos aqui hoje para falar de mais um filme da safra religiosa nos cinemas! Só que não!!! Ou melhor, só um pouquinho, afinal para falarmos de um mal, ou de algo maligno/demoníaco temos de entrar em termos nos conceitos religiosos, e claro que no longa "A Freira" temos conexões com Vaticano, com votos religiosos, e tudo mais para dar tema ao longa, mas antes de entrarmos nos moldes que o filme se baseia, temos de voltar em um ponto que culminou no feitio desse longa, e que agora definitivamente se fechou um círculo, mas que claro será bem trabalhado ainda, pois é o que mais anda dando lucro nos filmes de terror ultimamente, e assim você já está por dentro que estou falando do "Universo de Invocação do Mal" ou "The Conjuring Universe" como vem sendo chamado nos bastidores cinematográficos, que começou lá em 2013 com o primeiro filme dos Warren, aonde apareceu a boneca Annabelle, que derivou dois outros filmes (um mais ativo e um de origem realmente), depois tivemos em 2016 o segundo longa de Ed e Lorraine Warren, aonde apareceu uma certa entidade da qual muitos ficaram curiosos por saber de onde veio, e eis que agora o ciclo se completa, ao sermos apresentados para essa moça muito charmosa de roupa preta que vai aterrorizar o sono de algumas pessoas que forem conferir o longa. Digo isso de aterrorizar até com um certo ponto de ressalva, pois embora apareça em cenas tensas, meio que do nada, o público que confere esse estilo já até sabe a hora que vai aparecer pelo estilo de filmagem, e sendo assim não temos pulos surgindo a todo momento, mas sim uma boa conexão mista de cenas tensas, com o casual de toda grande franquia, que é a inserção de pontos cômicos para dar uma aliviada, e aqui raspou a trave de não ficar exagerado demais esse tom na trama. Ou seja, é um bom filme, que vai agradar quem gosta do estilo, e claro que ficou esperando por demais esse longa, mas ainda assim esperava sair mais tenso e arrepiado como aconteceu com os dois principais longas da trama, mas ainda assim vale muito a conferida, afinal, se temos franquias de super-heróis que ficamos empolgados, porque não vamos ter uma super franquia de filmes de terror/suspense, pois a de monstros da Universal já foi para o brejo!!

A sinopse nos conta que presa em um convento na Romênia, uma freira comete suicídio. Para investigar o caso, o Vaticano envia um padre atormentado e uma noviça prestes a se tornar freira. Arriscando suas vidas, a fé e até suas almas, os dois descobrem um segredo profano e se confrontam com uma força do mal que toma a forma de uma freira demoníaca e transforma o convento num campo de batalha.

Tudo bem termos uma história de James Wan, que é o atual detentor dos melhores longas de terror dos últimos anos, mas sabemos que hoje o que faz um bom filme de terror funcionar é a mão do diretor e não apenas sua história, e embora Corin Hardy tenha feito um único filme bem bom ("A Maldição da Floresta"), acredito que para o andamento da franquia seguir uma linha de tensão bem apropriada, talvez alguém de maior renome deveria ter assumido a cadeira principal, pois não digo que ele tenha errado a mão aqui, mas um orçamento bem mais amplo e uma história já mais desenvolvida acabaram deixando o diretor deslumbrado demais, de modo que o filme em si possui uma essência bem tensa, mas brinca demais com pontos cômicos para dar uma quebrada, coloca o clichê mais tradicional de sustos sendo preparados para acontecer, e com isso, ao invés de termos uma freira aterrorizante como foi sua aparição em "Invocação do Mal 2", Valak acabou sendo mais moderada, e embora o longa tenha situações fortes, sempre temos uma acalmada para não ficar tenso por inteiro. Ou seja, temos quase uma montanha russa de situações, que poderiam ser minimizadas e que aí entregaria somente um longa tenso e forte, mas como costumo dizer, se fosse bem forte seria 18 anos, e só de olhar a sessão anterior a minha (dublada) que estava abarrotada de crianças acompanhadas de pais e jovens, vemos que o terror mais leve, e próprio de uma franquia para todos, é mais bem encaixado para dar bilheteria do que sustos e tensões. Ou seja, novamente, é um bom longa, feito de forma mais ampla como um blockbuster realmente, e como acaba acontecendo com blockbusters, as falhas aparecem em grandes teores, mas veremos ainda o que acontecerá no capítulo 3 de "Invocação do Mal", e claro que estaremos na torcida para ser nas mãos de James Wan.

Sobre as interpretações, podemos dizer que a irmã mais nova de Vera Farmiga (que dá o tom como Lorraine Warren em "Invocação do Mal"), Taissa Farmiga, acabou entregando uma Irene bem colocada, com um vigor despojado para a protagonista, e que soube transparecer no ar tanto sua fé, quanto também seu temor pelo mal, entregando boas cenas e até chamando a responsabilidade para si em alguns momentos, mas é claro que assim como todo clichê de filme de terror, acaba fazendo diversas paias corajosas de enfrentamento, indo num breu apenas com uma vela, saindo na calada da noite atrás de um barulho e tudo mais, mas como costumo falar, se a pessoa ouvir um barulho e ficar na cama, não acontece o filme de terror, então ela ao menos fez com olhares tensos e criou a tensão para com o espectador seguindo-a. Demián Bichir é um ator bem eclético nas escolhas que faz, e procura incorporar trejeitos para os personagens que faz, de modo que aqui seu Padre Burke foi bem robusto na opinião que tinha, mas acabou com sua história sendo algo meio que jogada na trama, não condizendo muito sua escolha (não acredito que façam um longa anterior para mostrar mais da personalidade do personagem, mas nunca se sabe!), e assim sendo por diversas vezes ficamos até reclamando demais de sua desenvoltura tanto do personagem quanto do ator, ou seja, tirando sua cena mais tensa no caixão, o ator quase foi inútil na trama. Jonas Bloquet caiu muito bem na personalidade de Frenchie (e até teve um final bem mais interessante do que esperávamos para ele!), mas talvez poderiam ter maneirado um pouco no excesso cômico do personagem, pois a trama raspa a trave de virar um pastelão exagerado, e não é isso o que esperamos ver num terror, mas ao menos ele foi coerente do começo ao fim, agradando no que fez. Agora posso até ser crucificado pelo que vou falar, mas Bonnie Aarons sem maquiagem assusta até mais que a freira protagonista, mas souberam nos momentos mais fortes colocar uns dentões assustadores e o resultado ficou bem tenso de ver, de modo que a atriz acabou saindo até bem no que fez. Quanto aos demais, a maioria deu boas conexões, mas praticamente apareceram e sumiram em algumas cenas, tendo leves destaques para Ingrid Bisu como Irmã Oona e Charlotte Hope como Irmã Victória, mas nada que seja impressionante por parte delas.

A grande sacada da franquia está em colocar os personagens dentro de ambientes lotados de elementos cênicos precisos para criar tensão, sempre trabalhando bem a época em que o filme se passa, e principalmente desenhando o ambiente principal com uma grandiosidade que até nos perdemos para onde olhar, e aqui a Abadia é um antro cheio de símbolos, que mais para o final acabamos sabendo um pouco mais da história do lugar, e que a equipe de arte soube entregar com uma minúcia incrível para que víssemos em cada detalhe todo o orçamento bem empregado, ou seja, um filme repleto de detalhes que quem quiser estudar até um pouco mais poderá quem sabe achar algum easter egg perdido, mas preferimos ficar apenas com as cenas de abertura e fechamento, e encaixar a trama toda dentro da perspectiva que nos tentaram mostrar. Como tradicionalmente ocorre na maioria dos longas de terror, o filme usa a escuridão ao seu favor para dar sustos nos espectadores mais desprevenidos, entregando assim uma fotografia com boas sombras, mas com excessos de nuances no meio da escuridão quase total, portanto recomendo que vejam em cinemas com uma projeção mais forte para não perder os detalhes e ficar sem ver boa parte do longa, pois com muitas velas, e até luzes "imaginárias" vindo de quem sabe do luar, o resultado até fica bem interessante.

Enfim, sendo sincero esperava até um pouco mais do longa, afinal a franquia tem sido sensacional (tirando o primeiro "Annabelle") e aqui a trama funciona, mas exagera um pouco no humor, e assusta usando dos tradicionais artifícios clichês de sustos preparados, de modo que poderia ter muito mais tensão caso quisessem entregar um filme mais adulto e menos comercial, mas isso é um detalhe que muitos nem vão ligar, pois o filme funciona bem dentro da franquia, como algo que era necessário ser entregue, e que vai agradar quem for sabendo o que esperar. Ou seja, recomendo o filme com leves ressalvas, pois alguns desprevenidos vão se assustar mais, e outros vão até achar o longa bobo demais, mas como costumo falar, em franquias de altíssima bilheteria, vender é melhor do que causar, então aqui certamente vão vender muito. Bem pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais estreias, então abraços e até logo mais.

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Meu Tio e O Joelho de Porco

9/04/2018 12:42:00 AM |

É engraçado como vou ao cinema algumas vezes conferir filmes que sequer vi a sinopse e acabo saindo com os olhos brilhando por ter conhecido algo completamente novo em minha vida, de modo que fico pensando: como algumas bandas podem simplesmente evaporar, e pessoas que escutam rock praticamente todos os dias nem saber da existência delas? Pois bem, se você já ouviu "Mamonas Assassinas", "Ultraje a Rigor", entre outras que satirizam a política nacional, colocam xingamentos de forma engraçada em suas canções e ironizam praticamente tudo com bons acordes de guitarras e baixos atualmente, provavelmente essas foram influenciadas pela banda "O Joelho de Porco", que nos anos 70 fazia isso com muita desenvoltura, e que agora quase 50 anos após o seu fim, o sobrinho do criador da banda, que é cineasta, resolveu fazer uma bela homenagem ao seu tio, entrevistando integrantes, parentes, produtores e junto de muito material de arquivo conseguiu criar um documentário preciso e bem bonito de acompanhar tanto para conhecer a banda, quanto para ver a bagunça que rolava nessa época no cenário underground.

O roteirista e diretor Rafael Terpins apresenta a trajetória de seu tio, Tico Terpins, em uma das bandas de rock mais conhecidas do Brasil entre os anos 1970 e 1980, o Joelho de Porco. Baixista e líder do grupo, Tico foi pioneiro ao lançar canções que satirizavam a política nacional e ainda ao ser uma das primeiras bandas a se lançar de forma independente no cenário musical. Constituído por animação, material de arquivo pessoal e televisivo, o documentário também conta com depoimentos de familiares e integrantes da banda, como o vocalista e baterista Próspero Albanese, Netinho e o produtor Julio Calasso.

O que Rafael Terpins foi quase uma busca pelo conhecimento maior de sua família, para conhecer mais o maluco que foi seu tio na sua época gloriosa, e claro comparar com o que foi ao final da vida, e claro divulgar mais essa banda revolucionária para a época, que hoje como disse praticamente ninguém mais sabe o que foi, e digo isso com propriedade, pois ao falar numa rádio de rock, ninguém nem sabia o que era "Joelho de Porco", ao postar que estava indo para o cinema conferir me questionaram que loucura era essa, e por aí vai, ou seja, como disse no começo praticamente a banda sumiu do conhecimento das pessoas, e os mais jovens sequer imaginaram ouvir músicas do estilo. Claro que estou sendo bem resumido ao público que conheço, e talvez posso estar sendo um pouco fora do eixo, mas ao ouvir as canções gostei muito do que escutei e certamente seria algo que cairia no meu gosto, ou seja, conhecendo muitos amigos que curtem um rock cheio de mensagens politizadas, certamente gostariam de ouvir a banda. E com isso, voltando para o filme, o diretor foi completamente coerente na sua pesquisa, e encaixou bons depoimentos, alguns de arquivo (pois além de seu tio, outros já morreram também!), só exagerou um pouco no modelo de animação um pouco desnecessário, mas como faz parte de sua produtora o estilo, necessitou colocar no longa também.

Enfim, não vou comentar cada um dos entrevistados, e posso dizer que em 36 anos da minha vida sequer havia ouvido falar em Joelho de Porco sem ser comida, e hoje posso falar que recomendo com toda certeza o documentário, e para quem quiser ouvir algumas das músicas que tocam no documentário, eis aqui o link. Mas volto a frisar que quem puder confira o longa, pois vai ser um choque cultural e certamente uma grande diversão, pois a banda era bem louca, e suas histórias então nem se fala. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, e volto na próxima quinta com mais estreias, então abraços e até breve.

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O Candidato Honesto 2

9/03/2018 12:43:00 AM |

Já faz um bom tempo que como diria o programa "Zorra Total" está difícil competir com os nossos políticos para entregar algo mais cômico do que o que vemos nos jornais e nos programas eleitorais, mas ainda assim, alguns roteiristas ainda tentam a sorte em criar filmes e esquetes para divertir o público e criticar é claro o sistema e a baderna que se encontra nossa capital nacional, e se em 2014 a trama de "O Candidato Honesto" praticamente era um afronte com o que acontecia e fazendo graça cutucava o povo para o começo de uma bagunça de aparecimentos de roubos e falcatruas na máquina do governo, agora com a continuação em "O Candidato Honesto 2" praticamente se esforçaram para conseguir fazer graça com tudo o que ocorreu e com o que pode ocorrer, mas diferente de salas lotadas rindo de comicidades, o que vi hoje na sala foi algo mais calmo com o pessoal rindo até de algumas boas colocações (principalmente as crianças), mas aparentemente todos os demais estavam pensativos com as possibilidades de ver alguém honesto na nossa máquina pública, até onde funcionaria, de quem depende para aprovar tudo, e por aí vai, de modo que quase choramos com o que vimos na telona, mas ao menos de uma coisa temos de dizer, conseguiram entre aspas fazer um longa apartidário, brincando com vários loucos que temos por aí, trabalhando com a bagunça que foi o processo de impeachment, e claro usando de muita ironia para falar de coisa séria, ou seja, um filme que consegue ser engraçado dentro da proposta, mas que faltou um pouco mais de força para conseguir ser mais engraçado que a situação do país.

O longa nos conta que após cumprir quatro dos quatrocentos anos de cadeia, João Ernesto é convencido a se candidatar à presidência novamente. Adorado pelo povo por ser um político que assumiu seus erros, ele vence as eleições, mas não tem vida fácil em Brasília acompanhado excessivamente de perto pelo sinistro vice Ivan Pires.

Chega a ser interessante ver o formato que o diretor Roberto Santucci e o roteirista Paulo Cursino acabaram moldando a trama, pois temos um pouco de tudo, de jornalísticos em vários formatos (TV e rádio), temos estruturas de romance, de drama, de terror (o arquétipo do castelo do Drácula ficou algo incrivelmente bem feito pela equipe de composição cênica!), e claro muita comédia, trabalhando piadas velhas, piadas em cima (claro) de política, e até piadas em cima do cinema nacional, de modo que acabaram brincando até mesmo com o estilo próprio deles fazer filmes, ou seja, a trama toda foi arquitetada para "tentar" fazer rir, e coloco entre aspas mesmo, pois, temos muitos momentos forçados, e como costumo dizer, esse não é o melhor estilo de fazer comédia, mas ainda assim entregaram boas cenas engraçadas, e mesmo apelando para o riso, o resultado funcionou até mais do que uma comédia, mas sim um longa explicativo dos moldes que funcionam a máquina pública, aonde até temos um grandioso representante lá em cima, mas geralmente quem comanda e faz funcionar são as peças mais para baixo da cabeça, e se esses não fizerem seu serviço direito, quem morre é a cabeça. Ou seja, a trama tem além de piadas, uma certa reflexão para o público que for conferir, pois dessa vez ao invés de ser lançado no meio do primeiro e do segundo turno, agora veio bem antes do primeiro, juntamente com o início das campanhas eleitorais, e assim sendo quem sabe o povo consegue enxergar quem manterá a piada, e quem mudará tudo.

Dentre as atuações, já havia dito isso outras vezes, e volto a repetir, um pouco da comicidade de Leandro Hassum foi embora com seu emagrecimento, e ele praticamente mudou seu estilo de piadas, pois se antes ríamos por ser um gordinho engraçado, agora rimos de suas caretas encaixadas nas formas de entregar suas gags, de modo que seu João foi bem entregue, mas não chega nem aos pés do que fez no primeiro filme. Agora sem dúvida a diversão do longa se deve às cenas com Cássio Pandolph e Anderson Muller, que entregam respectivamente Ivan Pires (uma cópia exagerada de Temer) e Pedro Rebento (uma cópia quase fiel de Bolsonaro), em que sempre que aparecem em cena conseguiram entregar loucuras tão grandiosas e bem feitas quanto às personalidades reais que foram inspirados, de modo que o resultado do longa quase fica dependente deles para junto com Hassum conectar e agradar. Dentre as mulheres o maior destaque fica com Rosanne Mulholland com sua Amanda, que entrega cenas bem coesas desde o começo como a escritora da biografia de João, tem um miolo bem inteligente e cheio de interseções, e um fechamento fortíssimo para aqueles que sabem o mundo negro que é a política nacional, ou seja, ela fez boas expressões para conseguir passar todos os seus momentos e acabou agradando bastante no que fez. E claro, Mila Ribeiro entregou a tradicional Dilma com suas frases que ninguém entende, soando mais como piada do que como algo funcional para o longa.

O conceito cênico da trama foi bem arquitetado, com mansões, salas imensas, e claro muitas semelhanças com os locais que vimos nos jornais e na TV durante todo o processo de impeachment da Presidenta Dilma, e dessa forma o longa se compôs quase como uma réplica fiel dos acontecimentos, mas mostrado de uma outra forma, o outro bom momento se dá pelo programa Roda Livre, e claro pelo debate lotado de xingamentos, ou seja, uma tradicional bagunça como costuma ser o nosso processo eleitoral. Ou seja, a equipe de arte tinha materiais suficientes para reproduzir com fidelidade cada detalhe, e conseguiu chamar bastante atenção em diversos momentos.

Enfim, é um filme que possui um estilo de humor que nem todos gostam, mas que conseguiu entregar algo razoavelmente bem feito, pois possui sim defeitos técnicos, alguns exageros nas piadas, mas que no contexto completo diverte e passa a mensagem para refletirmos nas nossas escolhas completas para administrar nosso país nas eleições que estão chegando, ou seja, vale a pena rir por enquanto da nossa própria desgraça, e quem sabe se tudo der certo não teremos história para que a equipe faça um terceiro filme. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com a última estreia dessa semana, então abraços e até logo mais.

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Deus Não Está Morto - Uma Luz Na Escuridão (God's Not Dead: A Light in Darkness)

9/02/2018 01:34:00 AM |

O que falar quando o terceiro filme de uma franquia funciona bem mais como cinema do que os seus predecessores e entrega um bom drama envolvente, que também trabalha o lado religioso? Pois bem, acredite ou não, eis que "Deus Não Está Morto - Uma Luz Na Escuridão", assim como o seu subtítulo diz, encontrou uma luz para o formato e conseguiu sair da vitimização religiosa que era exagerada nos dois longas anteriores, e conseguiu com classe trabalhar um drama bem pautado, com certos exageros, mas que que trabalha bem a ideia e entrega com desenvoltura uma trama que mostra que no meio das brigas, a religião sim pode ter um papel coerente, que é o de apaziguar os problemas e conseguir conciliar as partes envolvidas. Ou seja, diferente dos anteriores que as brigas eram entre quem era religioso e quem não era, aqui a trama recai sobre algo mais condizente que são as dissidências de tradição ou não, que acaba sim envolvendo a religião, mas que não necessitou ficar forçando nada.

A sinopse nos conta que em meio a um intenso debate sobre se uma universidade estadual deve ter uma igreja em seu campus, o pastor Dave é surpreendido com um incêndio na igreja Saint James, no qual morre seu grande amigo, o reverendo Jude. O incidente foi provocado por Adam, que atirou um tijolo em uma janela da igreja após brigar com a namorada. A situação acirra o debate, ainda mais devido à proposta da universidade em comprar o terreno usado pela igreja para ali construir um centro educacional. Decidido a lutar até o fim, Dave busca ajuda com seu irmão Pearce, que é advogado.

Claro que parte da responsabilidade por essa mudança de estilo se deve à alteração do diretor da franquia original, que agora nas mãos do estreante Michael Mason conseguiu trabalhar o roteiro dele e de Howard Klausner (que já é bem experiente em longas religiosos) de uma forma mais crível e que facilmente conseguimos enxergar, com empresas brigando por locais, jovens discutindo por acreditar ou não em algo maior, e até mesmo se uma universidade deva ter uma igreja ou não, ou seja, temas recorrentes que hoje vemos ocasionalmente na mídia, e não pessoas discutindo em ser ou não ateus como os demais filmes fizeram. O único e maior defeito do diretor foi exagerar em imagens de jornalísticos, virando algo quase exagerado, que a toda hora precisasse ser noticiado, ou visto com ângulos de discussões que fizeram seu filme virar quase um esquete exagerado de reportagens defendendo cada lado e acusando o outro, de forma que poderiam ter colocado isso como algo mais linear, envolvendo os personagens que certamente ficaria mais interessante. Não digo que isso tenha sido algo ruim, mas poderiam ter trabalhado com algo que envolvesse mais os protagonistas e não dependesse tanto de discussões espaçadas, que aí sim teríamos a perfeição, mas só essa melhoria de não forçar a briga entre cristãos e ateus já foi algo que transformou completamente a franquia de algo que era somente voltado para um público bem específico e passou a ser um filme maior para outros conferirem também.

Sobre as atuações, vou falar um pouco das personalidades e das caras e bocas feitas pelos personagens, pois assim como os demais longas da franquia (e outros religiosos também), as distribuidoras nunca manda filme legendado, então ouvimos as tradicionais vozes iguais para quase todos os personagens, o que é algo muito ruim sempre. David A. R. White que esteve nos três longas como o Pastor Dave, que era bem secundário, aqui assumiu praticamente toda a responsabilidade do longa, e como já fez diversos longas religiosos sabe bem trabalhar olhares mais sutis, de modo que até mesmo nos momentos em que seu temperamento forte brilha, o ator encaixou serenidade e envolvimento, o que é um grande feitio. John Corbett foi uma grata escolha para viver Pearce, irmão de Dave, que com um ar mais bem humorado, e que mesmo nas discussões familiares conseguiu encaixar boas dinâmicas com o protagonista e acabou agradando bastante. Ted McGinley até foi bem colocado como o diretor da faculdade, Thomas, mas acabou transparecendo exageros nos trejeitos parecendo não se colocar bem como poderia. Samantha Boscarino acabou forçando demais os trejeitos da garota com dúvidas do que deseja, e seu namorado interpretado por Mike C. Manning também ficou com um personagem forte para a trama, mas com pouca expressividade na interpretação, de modo que ambos poderiam até ser eliminados pelas atuações, mas como seu Adam e Keaton são importantes para o desenrolado do longa, o resultado até que soa razoável.

No conceito cênico, tivemos boas locações e efeitos digamos que poderiam ser bem melhorados, como o fogo na igreja completamente digital, a transição de um interior da igreja queimado para um céu estrelado, mas tirando esses detalhes, as cenas na casa do pastor com seu irmão relembrando coisas antigas foi algo muito bem colocado que acabou agradando e mostrando uma boa pesquisa por parte da equipe de arte. A fotografia trabalhou bem as sombras para criar uma certa dramaticidade em algumas cenas, mas nada que impressione realmente como poderia, mas também passa longe de ser um erro iminente como costumam fazer nesse estilo de longa.

Enfim, é um filme que trabalha bem a mensagem que deseja passar, e que funciona também como um bom drama, ou seja, está longe de ser uma obra prima, mas ainda assim é muito melhor que outros feitos apenas para o público religioso, sendo possível até recomendar a trama. Após o filme tem um videoclipe com a canção tema interpretada pelo cantor de rock gospel Fernandinho, que também foi bem produzido, e entregue bem colocado em substituição ao tradicional som da banda Newsboys que fechou os outros dois longas. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas (Teen Titans GO! To The Movies)

9/01/2018 01:19:00 AM |

Talvez eu queime a língua daqui alguns dias com a estreia de "Aquaman", mas a DC deveria parar de tentar fazer filmes live-action e focar somente nas animações, pois eles têm lançado uma melhor que a outra, conseguindo incorporar diversos personagens, trabalhando bem o humor satirizando tudo ao redor, e ainda entregando boas histórias, foi assim com "LEGO: Batman: O Filme", com "Batman: A Piada Mortal" e agora com um filme bem amplo denominado "Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas", levando esse escrito todo por já ter a série no canal Cartoon Network. E digo amplo pela grandiosidade da produção que embora protagonize os cinco personagens mais o vilão, também conta com uma gama imensa dos heróis da marca, satirizando seus filmes feitos e até alguns personagens que são tão inúteis no mundo que se fizerem um filme deles é capaz de ficarmos nos perguntando quem está bancando isso! Ou seja, com uma trama bem divertida, personagens marcantes, um humor bem irônico, e claro muita ação envolvendo vilão e super-heróis, o resultado não poderia ser outro, um longa com uma qualidade inegável, que diverte bem tanto crianças quanto adultos (esses certamente irão dar muito mais risadas do que os pequenos com as diversas referências), e que resulta em algo que certamente terá mais continuações, afinal na primeira cena pós-crédito já temos uma leve dica do que podem fazer, enquanto na segunda como de praxe é uma piadinha bem colocada (então quem quiser, fique até o fim para rir!).

O longa nos mostra que Robin, Ciborgue, Estelar, Ravena e Mutano são os Jovens Titãs. Ao perceberem que todos os super-heróis estão estrelando filmes, eles decidem se mobilizar para também ter espaço nas telonas. O líder do grupo, Robin, está determinado a ser visto como um astro e com ideias malucas e até uma canção eles partem em busca de um diretor de Hollywood, mas acabam enganados por um supervilão.

Não posso falar da essência do desenho da Cartoon, pois nunca assisti, mas felizmente a trama aqui independe da série e funciona realmente como um filme, o que foi um grande acerto por parte dos diretores para que todos personagens fossem apresentados, e tivessem um mote próprio, no caso a busca por um filme deles no meio de tantos lançamentos de longas de super-heróis, e a grande sacada foi que não quiseram fazer algo 100% correto, deixando que a liberdade fosse bem satirizada e incorporasse personagens até de outra empresa (numa participação genial!). Ou seja, o diretor brincou realmente na telona, fazendo com que o filme entregasse tudo que uma boa animação deve ter, como músicas, dinâmicas divertidas, e claro, como estamos falando de super-heróis, ousar em mostrar diversos e ironizar seus poderes, ou seja, uma animação colorida que agrada do começo ao fim, e que principalmente não obriga o espectador conferir a série inteira para saber o que está acontecendo.

Como disse, não é necessário saber praticamente nada sobre os personagens, pois na primeira cantoria já são identificados quem é quem, seus poderes e tudo mais, de modo que acabamos nos conectando com os personagens, e em diversas cenas até ficamos com dó da vontade de Robin ter seu filme, e claro ser ingênuo ao ponto de acreditar no vilão. A sacada de colocar um vilão com poderes mentais foi bacana, mas seus truques iniciais foram daqueles de rolar de rir pelas piadas/truques mágicos mais velhos do planeta, e isso sem dúvida deu um belo tom para a trama seguir nessa linha. Na sequência a trama brinca com voltas no tempo, e temos novamente os personagens dando show de interações com os maiores heróis da DC, encaixando tudo como uma luva nas possibilidades. E para finalizar a grande brincadeira de como um filme de herói é feito, com muitos efeitos e preparações técnicas, tudo mostrado de uma forma bem clara para as crianças conferirem e gostarem, e os adultos rirem como bobos de todas as bobagens entregues por cada personagem, ou seja, volto a dar a definição do longa como sendo uma grande brincadeira na telona.

No conceito visual, a trama trabalhou com muitos (mas muitos mesmo!) tons coloridos, e mesmo sendo diferente do seu primo "LEGO: Batman", que foi todo feito em computação tridimensional, aqui temos desenhos 2D de muita qualidade, com precisões de ângulos para que o filme não cansasse nem ficasse sem atitude, de modo que o resultado acaba envolvendo e contando tanto com cenários clássicos dos filmes de super-heróis, como bem o estúdio completo da Warner, ou seja, boas "locações" para que o filme se encontrasse.

Enfim, é uma animação bem gostosa de acompanhar, que a dublagem soube aproveitar piadas boas, mas que também apelou demais para gírias, o que deixou a trama um pouco pobre de atitude, mas nada que atrapalhasse o resultado final, e sendo assim recomendo ele com certeza para todos que gostem de animações, e claro para a galera que curte bastante super-heróis, pois a ideologia completa da trama diverte como nunca. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, afinal ainda tenho muitos outros longas para conferir nessa semana, então abraços e até logo mais.

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Ferrugem

8/31/2018 01:07:00 AM |

Quando um filme trabalha algo tão atual, com uma pegada jovem, mas ainda consegue seguir de forma crítica bem acentuada, dando sua opinião sobre o assunto e ainda não fazendo com que a trama fique seca demais, temos, com toda certeza ,que tirar o chapéu para o diretor da obra, pois geralmente temas jovens costumam soar bobos e fúteis, sem muita desenvoltura e acabam entregando uma postura quase sempre inerte de opiniões, aonde o diretor não sabe (ou não quer) se expressar sobre o assunto, e o resultado soa bem morno e chato. E se antes não conhecia a filmografia de Aly Muritiba, agora após conferir "Ferrugem", com toda certeza irei atrás de outros trabalhos para ver mais sobre a coerência entregue aqui, desde mostrar o quão simples e viral anda sendo tratado assuntos de bullying nas escolas, como invasões de intimidades, e até mesmo sendo bem forte o trabalho de vivência em cima do sentimento dos pais dos jovens que sofrem e que também que fazem o bullying. Ou seja, é um filme com tantas nuances, que inicialmente até julguei como bobinho a entrega da personagem, a forma de condução, mas que vai num crescente tão grande para discutirmos tantas coisas que vem ocorrendo (como o próprio bullying, a exposição íntima dentro das mídias sociais, a possibilidade/utilidade de se ter uma arma dentro de casa, a forma de defesa exagerada de alguns pais em cima dos filhos ao ponto de esconder um crime, e por aí vai com outros grandes temas) que se quisermos podemos fazer uma mesa redonda imensa só com coisas que o longa trabalhou com sutilezas, e assim, afirmo que pode até não ser o melhor filme nacional do ano (pois ainda não acabou o ano e outros longas até me tocaram mais), mas sem dúvida é o que mais vale a pena se discutir em ótimas sessões comentadas, caso queiram fazer, e com toda certeza por ser um tema que acontece mundialmente, é o filme que mais vale a pena ser nosso concorrente na vaga do Oscar de Filme Estrangeiro.

A trama nos conta que assim como a maioria dos adolescentes, a jovem Tati ama compartilhar sua vida nas redes sociais e registrar todos os momentos. Porém, após perder o inseparável celular, ela se vê vítima da criminosa divulgação de seus registros íntimos no grupo de WhatsApp da turma do colégio, o que gera terríveis consequências.

É engraçado que não vemos com tanto impacto visual e interpretativo o trabalho do diretor e roteirista Aly Muritiba, pois felizmente os atores souberam se entregar e trabalhar cada cena de forma coesa, mas vemos sua mão passando em cada detalhe do longa, cada imagem fechada nas expressões dos personagens, no fundo cênico afastado sempre para termos um espaço para pensar, mas ao mesmo tempo o foco fica na reflexão do que ele deseja nos mostrar com sua opinião para cada ato de ser certo ou errado, não deixando margens para algo aberto como ele entrega em diversos planos cênicos. E com essa brincadeira de aberto para pensar, mas fechado para o que desejo que você pense como eu pensei, o diretor vai apontando os diversos moldes da trama, e nos entrega um filme de cerne, coisa que pouco vemos em dramas nacionais, que ou ficam exageradamente abertos sem opinião alguma, ou jogam algo sem pensamento algum que divaga e não sai para um nada, e aqui de forma alguma vemos isso, o que soa lindo e bem forte. Quando vi o trailer confesso que não esperava acontecer certas cenas, e logo de cara ao ver um parte 1 na tela já pensei em mil possibilidades do longa ficar estragado, mas não era nem necessário dividir ele em parte 1 e parte 2, pois ambas são bem complementares, e funcionaria sem qualquer identificação escrita na tela, ou seja, o filme tem sim diversos problemas para ser discutido, até tem um leve molde novelesco, mas foge de estereótipos e acaba entregando algo maior, que valha a pena sair da sala e discutir com outras pessoas (aliás até fiz uma postagem no meu Facebook pessoal que pode dar até conversa demais com minha opinião sobre um dos assuntos que o longa faz refletir, pois precisava me expressar sobre isso), e assim sendo, o filme funciona como algo a mais do que pensava, e certamente irei recomendá-lo para outras pessoas.

Um dos pequenos defeitos do longa se deve às escolhas feitas para o elenco mais jovem, e não digo que eles tenham sido ruins nas interpretações, mas talvez se colocado outros teríamos expressividades diferenciadas, pois a jovem Tiffanny Dopke nos entrega até uma Tati que vemos direto nas escolas mundo afora, mas ela entregou sua personagem de uma forma tão dúbia de personalidade, que até concordo de estar deprimida pelo ato em si que ocorreu, mas oscilou de trejeitos tão friamente, até antes do acontecimento, que poderiam ter exigido um pouco mais dela para agradar mais. Giovanni de Lorenzi foi mais sutil em sua interpretação, e até colocou um pouco de trabalho com olhares para seu Renet, mas poderia ter tido um ar menos infantil em algumas cenas, afinal estamos falando de um jovem de segundo colegial, e aqui ficou quase para um garoto de sétima ou oitava série, mas suas cenas foram bem envolventes ao menos. Enrique Diaz fez ao mesmo tempo um pai ultra protetor e um professor interessante para a trama, mas demorou demais para suas atitudes terem um efeito mais forte, e quando ocorre vemos que o ator foi muito bem encontrado para o que fez, ou seja, acabou sendo acertado para o final. Clarissa Kiste entra em cena praticamente nas últimas cenas, e trabalhou bem olhares para com o protagonista, de modo que sua Raquel vem quase como um afronte, mas que soou diretamente como a opinião do diretor funcionava para se expressar através de um personagem, e a atriz soube ser impactante e coerente.

O conceito cênico da trama foi bem detalhado, vivenciando praticamente poucas locações, mas com elementos bem colocados para serem representativos, como a casa rica da jovem cheia de coisas teen no quarto, mas claro com uma arma bem escondida, mas que a jovem localiza facilmente, uma escola bem colocada, mas que falha em vistorias de segurança por um deslize banal, mas que pode ocorrer, uma praia quase deserta, mas que funciona bem para momentos reflexivos, claro com muita chuva para termos quebras de pensamentos, uma falha na busca do celular (que muitos não pensam, mas hoje existem aplicativos de busca bem eficientes, e até ligar para o próprio talvez funcionasse na cena inicial), e claro que tudo isso não seria eficiente se o longa não trabalhasse bem a fotografia, sempre puxada no primeiro ato para tons mais vivos e impactantes para mostrar todo o conflito dentro da mente da garota, e no segundo ato todo puxado para tons pasteis para dar o mote reflexivo que tanto desejavam, e claro com um fechamento de atitude, com cores secas, e muitas fotos representativas, ou seja, muitos detalhes técnicos funcionais e bem resolvidos.

Enfim, como falei no começo é um longa que daria para discutir por horas e a cada palavra que digito me vem algo a mais que poderia falar, e sem me alongar e nem entupir o texto de spoilers, recomendo que assistam o filme, reflitam bastante, divulguem bastante pois é algo que merece ser trabalhado em escolas/famílias (e a divulgação do longa está bem fraca), e vamos ficar na torcida, pois o filme já tem ganhado muitos prêmios por onde tem passado, e quem sabe se chegar no Oscar, a chance seja bem alta. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, já aviso é claro que não darei nota máxima pelos pequenos detalhes, mas seria um 9,5, e sendo assim deixo meus abraços e até breve com mais textos.

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Bungo Stray Dogs - Dead Apple (Bungou Stray Dogs: Dead Apple)

8/30/2018 12:24:00 AM |

É engraçado como existem gêneros que não pensam duas vezes em tentar agradar e/ou aumentar o número de seguidores/fãs do estilo, e um que é completamente voltado somente para fãs é o tal dos animes de ação, pois começam já com grandes brigas, apresentando os personagens numa velocidade imensa e na sequência tudo e qualquer coisa já é motivo para pancadaria. Claro que estou generalizando um pouco, e pode ser que o que me foi entregue em "Bungo Stray Dogs - Dead Apple" seja rápido assim por ser um acréscimo para a série de 24 episódios que teve em 2016, e como não assisti ela fiquei um pouco boiando na sala, mas embora o longa seja bem desenvolvido dentro da proposta, com muita ação do começo ao fim, talvez pudessem ter transformado a ideia em um longa mais palpável, com começo, meio e fim mais dentro dos 90 minutos, que certamente funcionaria mais para um público maior, mas como essa não era a ideia, conseguimos assistir, se divertir com as caras e bocas exageradas dos personagens, se empolgar com os poderes, mas como disse, se você não conhecer nada sobre a série talvez saia da sessão se perguntando se gostou ou entendeu tudo, e o resultado assim sendo não chega muito longe.

A sinopse nos conta que Atsushi Nakajima e Osamu Dazai são membros da Companhia de Detetives Armados, uma liga de gênios da literatura munidos de poderes especiais. Seu mais novo caso envolve investigar uma onda de suicídios que assola o mundo, onde todas as vítimas também possuem poderes especiais. A pedido de Ango Sakaguchi, a Agência sai em busca de pistas sobre uma misteriosa névoa que aparece nos locais dos incidentes, e sobre Tatsuhiko Shibusawa, um suspeito que se auto-intitula o Colecionador.

Diria que a direção de Takuya Igarashi foi bem moldada no estilo, mantendo um tom escuro do começo ao fim para desenvolver a trama que envolve todo um misticismo entre personagens paranormais, a destruição de uma cidade, na sequência do país e consequentemente do mundo por um ser/névoa, e com isso o resultado mesmo quando cheio de efeitos explosivos dos poderes dos personagens, o diretor conseguiu imprimir um ar mais tenso, não ficando uma ação de aventura, mas sim algo que remetesse somente ao estilo escolhido, ou seja, um teor mais sério que mesmo com personagens que puxam uma comicidade pelas vozes gritantes, acaba sempre indo para o ar de vou acabar com o mundo, desejo tanto a morte e o suicídio e por aí vai.

Não vou falar individualmente de cada personagem, pois os nomes são bem difíceis, e certamente seria corrigido por algum fã, mas a ideologia das brigas dos personagens com seus poderes foi algo muito inteligente e acabamos vendo um desenvolvimento interessante por parte dos desenhistas, para ficar algo bonito, com a estética dos animes tradicionais, mas também economizando muito nos traços, pois ao termos cenas mais distantes, não desenvolveram olhos e texturas, deixando quase um tradicional rabisco apenas, com uma cara oval sem olhos, nem nada, o que soa até estranho num primeiro momento, mas depois que acostumamos, vamos vendo tudo e o resultado agrada. O personagem do tigremen foi bem icônico com o seu final, e não imaginaria um final forte bem colocado para o personagem, de modo que foi uma surpresa bacana de ver.

Enfim, sei que o texto ficou pequeno, mas volto a confessar que não sou muito adepto de filmes que você necessita conhecer algo previamente para entender o que é mostrado, e aqui esse foi quase que 100% em cima disso, mas ainda assim consegui gostar da finalização e recomendo ele para (e somente) aqueles que forem fãs do estilo, e principalmente se já tiverem assistido à série de 2016, pois aí com certeza o longa será uma grande diversão. O Festival de Ação Japonês volta no próximo dia 19/09 com "Tokio Ghoul" e 26/09 com "Bravestorm" e certamente irei esperar que sejam bem melhores. Fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais estreias, então abraços e até logo mais.

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O Nome da Morte

8/28/2018 01:27:00 AM |

Alguns filmes conseguem ser tão contundentes com suas histórias que ficamos literalmente em cima do muro para decidir se gostamos ou não do que vimos, pois como vamos dizer que gostamos da história real de um assassino contratado para dar fim de pessoas por dinheiro para poder sobreviver, ou ter uma vida melhor num país aonde a Justiça também é corrupta? Pois bem, o longa "O Nome da Morte" brinca com esses conceitos morais, e trabalha muito essa discussão de podermos gostar visualmente e até mesmo com a ideia do longa como uma ficção, mas se pararmos para discutir a realidade do fato de alguém ter feito disso uma "profissão" para ter uma vida melhor no país, aí já entramos num conceito de imoralidade e ninguém mais gosta do que é mostrado, alguns vão embora durante a sessão, e até mesmo nós ficamos pensando se gostamos mesmo do que passou na telona, ou seja, um filme que levanta tantas frentes, que causa um certo estranhar, mas que analisando friamente apenas como cinema, foi bem trabalhado, o ator entregou uma personalidade incrível cheia de bons trejeitos, e principalmente tivemos uma produção cheia de detalhes, porém acredito que quiseram ficar com algo mais próximo do real, e com isso a ficção ficou fraca, pois poderiam sim ter trabalhado apenas como baseado em fatos reais, e criado um super assassino envolvido em uma suposta corporação criminosa que teríamos um longa incrível, bem encorpado e que todos adorariam sem sequer pensar no rapaz como um assassino humanizado, como acabou acontecendo.

A sinopse nos conta Júlio Santana é um pai de família, um homem caridoso, um exemplo para sua família e um orgulho para os seus pais. No entanto, ele esconde outra identidade sob essa fachada: na verdade, ele é um assassino profissional responsável por 492 mortes. Entre a cruz e a espada, entre a lei e o crime, Júlio precisa descobrir uma forma de enfrentar os seus demônios.

O diretor e roteirista Henrique Goldman gosta de trabalhar com histórias reais, e geralmente consegue adaptar bem as tramas que lhe são entregues para que o filme fique num misto bem crível entre realidade e ficção, porém ainda falta para ele como disse acima saber tornar essas tramas policiais que anda pegando em algo mais voltado para a ficção, de modo que o público não recaia tanto para o lado humano de um personagem, pois volto a frisar a história aqui vista por um personagem estrangeiro seria linda e muitos se emocionariam, mas como é um brasileiro que se não fizer dessa forma para ganhar dinheiro "ilicitamente", o povo já cai matando. Mas tirando essa essência que acaba recaindo mais entre moral ou não, a grande falha da execução foi humanizar demais o personagem, pois sabemos que pistoleiros em sua maioria não possui muito coração e está lá pelo dinheiro ou por alguma vontade própria, e independente de sua situação ou não, vão fundo no que fazem, sem pensar muito, e aqui quiseram deixar ele quase como um galã, pegando um ator bonitinho, uma forma familiar, muita religião envolvida, e assim sendo o longa funciona bem como produção, com visual seco, com tiros fortes e precisos, uma sonoridade dura e barulhenta para nossos ouvidos, mas não empolga, nem engana muito como história.

No conceito das interpretações, basicamente o longa fica voltado quase que inteiramente para o trabalho de Marco Pigossi que nos entrega um Júlio completo de trejeitos, de desenvolvimento de olhares, que conseguiu transmitir diversas sensações em um único personagem multifacetado, e isso mostra o tremendo ator que ele é, pois o filme poderia ser completamente errôneo caso não conseguisse passar isso, e podemos dizer com toda certeza, se o filme foi bem entregue, isso se deve quase a 100% por parte de Marco. Fabiula Nascimento é daquelas atrizes que entregam expressões contundentes, mas que forçam em diversos momentos para dar certo, e aqui sua Maria é bem colocada em diversos momentos, e entrega boas dinâmicas para a trama, porém algumas cenas suas poderiam ter dado mais impacto contrário para o protagonista ao invés de recair para o tradicional, que não costuma funcionar tanto, e embora tenha até agradado, foi usada sempre em segundo lance. O que não aconteceu com as cenas fortes de André Mattos com seu Cícero, que conseguiu entregar praticamente da mesma forma que trabalha com personagens corruptos em tantos outros longas nacionais, aqui com alguém mais coloquial, como o famoso tio que insere alguém no meio, mas ainda leva uns trocados por fora, e com trejeitos bem colocados o ator acaba agradando e sendo coerente no que faz. Dos demais temos ótimas participações em diversas cenas, todos se colocando para encaixar bem com o protagonista, passando desde as caras de despreocupado ao máximo de Gillray Coutinho como Cabo Santos, até o maluco interpretado por Matheus Nachtergaele.

Agora ao mesmo tempo que temos algo muito bom que foi o desenvolvimento da produção para cenas fortes de tiros quase a queima-roupa, dando o ótimo impacto cênico, o longa se passa por vários anos, afinal temos desde o jovem começando sua carreira, tendo um filho, o garoto com quase 10 anos, mais um filho e tudo mais, e com isso dá para colocar que o longa se passa há vários anos atrás, mas nesses meados aparecem carros atuais demais, o que dá um contraste de erros, que não chegam a atrapalhar a qualidade da produção, mas que poderiam ter tido um cuidado melhor, com certeza poderiam. A parte de maquiagem/figurino também brincou muito com a barba do protagonista, exagerando em certos momentos (como no final) e indo para uma cena no miolo que nos deixa até perdido no espaço-tempo do longa, pois o jovem aparece brigando com o tio após a primeira morte, ou sabe-se lá qual, mas aparenta estar bem mais novo do que quando é "recrutado" para o serviço, ou seja, poderiam ter tido um pouco mais de cuidado com isso também. A fotografia é ousada, trabalhando tons fortes, misturando com luzes estourando na tela para ter uma brincadeira quase de nuances junto com os sons fortes de tiros, fazendo quase um reverbe no nosso ouvido assim como a morte reflete no protagonista, num contraste bem interessante de ser acompanhado.

Enfim, é um filme polêmico que funciona e que vai ter diversas opiniões para que cada um discuta da sua forma, mas que certamente poderia ter sido mais caprichado para não ter tantos defeitos técnicos, e como disse no começo ter assumido de cara ser uma ficção, pois a realidade funciona quando ela é bonitinha, quando temos a história de um "vilão" necessitado, o público acaba mais fugindo do que se envolvendo com ela. Ou seja, até recomendo o longa, mas tente não ir a fundo com um olhar crítico para tudo o que é mostrado, senão a chance de só reclamar, e não gostar do resultado, é bem alta. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto na quarta com o primeiro longa do Festival de Animes que teremos aqui nos próximos meses, então abraços e até mais.

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O Animal Cordial

8/25/2018 01:43:00 PM |

Quando falamos de cinema de gênero era raro vermos dentro do cinema nacional obras de terror mesmo, pois sempre floreavam com suspenses mais simples, ou senão obras mais experimentais, mas hoje ao conferir "O Animal Cordial" posso dizer que o gore finalmente voltou a ser entregue com força numa obra que funciona bem no lado artístico, mas também se encaixa como grandes obras estrangeiras do gênero de terror para distribuição, com uma alma bem suja e intensa, aonde os personagens vão num crescente desesperador sabendo qual rumo será tomado, mas nunca sabendo o quando e o como, ou seja, para quem gosta do estilo, vamos num deleite de sangue esparramando pela sala do cinema que poucas vezes vimos em um filme nacional, ainda mais com atores tão imponentes da dramaturgia do país. Digo que certamente fui conferir sabendo o que veria pelo trailer, mas não imaginava que seria tão intenso e bem feito, pois outras tentativas do estilo ficaram bem bizarras e erradas, mas aqui antes mesmo de falar mais da produção já parabenizo a todos da equipe, pois o acerto foi iminente, e mesmo com pequenos detalhes, o que vi no cinema é uma obra de primeira linha do terror sujo.

A trama nos situa em São Paulo, aonde Inácio é o dono de um restaurante de classe média, por ele gerenciado com mão de ferro. Tal postura gera atritos com os funcionários, em especial com o cozinheiro Djair. Quando o estabelecimento é assaltado por Magno e Nuno, Inácio e a garçonete Sara precisam encontrar meios para controlar a situação e lidar com os clientes que ainda estão na casa: o solitário Amadeu e o casal endinheirado Bruno e Verônica.

Chega a ser inimaginável saber que o longa foi dirigido e roteirizado por uma mulher, visto as cenas que ocorrem com as personagens femininas, pois certamente muitos julgariam como conceitos machistas e exagerados, mas a diretora e roteirista Gabriela Amaral Almeida conseguiu imprimir um aspecto forte e bem coerente para a situação, trabalhando o impacto visual de cada cena com uma mão certeira e um olhar que poucos veriam, mas que consegue causar e ser real com a situação que a proposta necessita, mesmo que alguns vejam como algo desnecessário. Ou seja, temos algo completamente forte, duro, cheio de sangue pra todo lado, cenas com sexo e tudo mais que uma obra do gênero pede, e ainda um funcionalismo de ângulos, sonoridades e sentidos que certamente quando falarmos mais para frente de algum filme forte nacional, iremos citar esse e sua diretora pelo primor técnico impresso na telona.

Outro fator incrível e inimaginável foi ver um ator que sempre consideramos como alguém com cara de comédia, que costuma fazer sempre caras abobadas como Murilo Benício que já é considerado um ator de primeiríssima linha, fazendo um personagem forte de terror, com impactos dramáticos, impondo uma loucura cênica digna de vermos em atores menos conhecidos e agradar demais com o que faz, chegando ao ponto de vermos realmente um olhar de terror no seu semblante como vimos em psicopatas de grandes filmes, ou seja, podemos considerar seu Inácio como um dos seus melhores papéis da vida. Luciana Paes também se entrega de corpo e alma para sua personagem Sara, de modo que tudo que faz está sempre forte de olhares, tensão e entrega que muitas vezes nem imaginamos o que mais ela pode fazer, e o resultado só vai aumentando de intensidade até termos o seu final perfeito. Dentre os demais todos entregam bons personagens e encaixam momentos precisos para que o filme funcione, de tal forma que o Djair de Irandhir Santos acaba sendo incrível no seus diálogos e trejeitos imponentes e emocionantes, o desespero insano de Camila Morgado com sua madame Verônica, o medo desesperador do playboy Bruno interpretado muito bem por Jiddu Pinheiro, e até mesmo os assaltantes interpretados por Humberto Carrão e Ariclenes Barroso funcionam. Só diria que esperava um pouco mais do personagem de Ernani Moraes, pois sendo um policial aposentado, ele apenas se impôs de uma forma fraquejada e até brincou bem nos trejeitos, mas poderiam ter ido além.

Com uma cenografia bem simples, afinal temos praticamente somente dois ambientes, o salão do restaurante e a cozinha do mesmo, a equipe de arte brilhou mesmo nos detalhes cênicos, com objetos prontos para serem usados como armas para as mortes, e claro, muito sangue para todos os lados, sendo usados de formas inimagináveis, com doses pensadas para um lado artístico tão imponente que sequer pensávamos em ver cenas daquela forma, ou seja, coerência visual bem colocada que funciona com precisão. A fotografia embora seja bem dura, com ângulos fechados para não dar muita vazão de erros técnicos, a trama praticamente fica inteira num tom mais denso aonde é criada toda a tensão, com uma iluminação tradicional de um restaurante, mas sem que ficássemos notando, a temperatura das cores vai aumentando com a grande quantidade de vermelho sangue jogado para todos os lados, ou seja, um trabalho preciso e bem encontrado.

O filme também contou com canções bem fortes para cada momento, mas com uma coerência que chega a ser até engraçada de ouvir, pois alguns acordes conhecidos vindo em timbres diferentes se encaixarem como luva para cada momento, e assim sendo a trilha orquestrada envolve até mais do que as canções conhecidas cantadas que agradam mais como algo diegético que acabaram imprimindo nas cenas.

Enfim, é um filme muito bom, que recomendo com muita certeza para todos que gostam de um terror sujo e bem sangrento, que funciona tanto pela história, quanto pela forma de execução, e que mesmo deslizando em certos exageros, acabará sendo um longa que lembrarei muito quando me pedirem uma indicação desse estilo. Claro que é um filme feito para um público bem específico, mas certamente mesmo quem nunca viu um longa forte de terror conseguirá enxergar nessa obra um grande acerto, e quem sabe uma forma desse estilo funcionar no país. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, afinal ainda tenho mais algumas estreias para conferir nessa semana.

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Meu Ex É Um Espião (The Spy Who Dumped Me)

8/24/2018 01:23:00 AM |

Se você gosta de uma comédia digamos forçada, envolvendo ação policial, muitos tiros, espionagem, mas que vai fazer você rir, certamente a aposta certa é "Meu Ex É Um Espião", mas se qualquer uma dessas palavras lhe incomodar, fuja, pois, o filme possui tudo isso em níveis altíssimos, tanto ação, quanto espionagem, tanto tiros, mortes fortes, e claro muita piada suja para fazer graça, o que funciona (felizmente!). Digo isso, pois conheço muitas pessoas que preferem uma comédia mais light, com situações cômicas, e também gosto muito desse estilo, mas quando fazem algo escrachado, que força a barra para o público rir, mas que faça rir muito, também acabo gostando bastante, e aqui tanto Mila Kunis com seu jeitão mais jogado quanto Kurt McKinnon com seu ar mais desbocado acabam entregando tantas situações boas no longa que fica difícil não rir com o que é mostrado, e com leves deslizes de roteiro, a trama sai do usual e acaba sendo uma grata pedida para as comédias que ultimamente tem aparecido em que saímos da sessão sem ao menos esboçar um sorriso. Agora se tem uma coisa que não podemos reclamar de forma alguma é do tamanho da produção do longa, pois até me perdi nas contas da quantidade de locações/países europeus que o filme se passa, e que até acabaram brincando muito com as tradições locais.

O longa nos conta que Audrey está desiludida com o término do namoro com Drew, que a dispensou através de uma mensagem de celular. O que ela não sabe é que o agora ex-namorado é também um agente secreto, perseguido devido a um pen drive com informações sigilosas. Após receber o apoio moral de sua melhor amiga, Morgan, Audrey é surpreendida com o súbito reaparecimento de Drew, após ameaçar queimar seus pertences. Logo ambas estão também envolvidas no mundo da espionagem, precisando ir às pressas para Viena, na Áustria.

Não conhecia os trabalhos da diretora Susanna Fogel, mas posso dizer que ela conseguiu imprimir aqui uma obra bem trabalhada, cheia de dinâmica e que prezou principalmente pelos dois vértices: a de não ser uma obra de ação que somente fizesse rir, nem ser uma comédia cheia de ação, mas sim que funcionasse tanto como um bom longa de ação com espionagem, quanto uma boa sátira cômica que divertisse na medida somente com as piadas bem sacadas, ou seja, ela entregou um filme que tem um começo até meio lento e estranho, com uma montagem cheia de idas e vindas, mas que quando atinge seu ápice vem com tudo sendo muito divertido e não tendo respiros para que o público se cansasse com o que é mostrado. Claro que por ser bem apelativo e cheio de excentricidades, o filme destoa em diversos atos, mas para quem desejar de algo bem trabalhado e que lembra os bons longas da antiga Sessão da Tarde, irá se divertir bastante, pois a diretora não mediu esforços para que seu filme fosse bem colocado.

Quanto das atuações, é fato que Mila Kunis não é uma comediante de mão cheia, que consegue fazer expressões engraçadas, que faça rir facilmente, e tudo mais, mas sempre procura encaixar situações engraçadas em seus personagens para que as tramas que entregue funcionem, e aqui sua Audrey é exatamente a cara dela, uma mulher bonita, mas que se mete só em rolos, e consegue encaixar bem sua forma de atuar com muita dinâmica dentro do que a personagem necessitava, agradando bastante com o resultado completo da obra. Kate McKinnon já é uma atriz cômica e sabe puxar as piadas para si com uma força mais bruta, e talvez até pudesse ser melhor lapidada caso a diretora quisesse para sua Morgan (a sacada com o nome foi demais na cena que é usada!), e ela tem as gags mais encaixadas, fazendo com que o filme fique bem dependente dela para fazer rir, mas soube dosar para não virar um longa bobo e pastelão, o que é uma boa mostra do que faz no Saturday Night Live com muitos personagens. Um ponto que muitas mulheres vão gostar é que o filme é quase uma ode positiva ao empoderamento feminino, e claro que funcionando assim os homens da produção funcionam quase como objetos e até recaem com piadas bobas, e claro, são tipões bonitos de aparecer, com o exemplo mais funcional para a boa dinâmica de ação inicial de Justin Theroux como Drew, e depois durante todo o longa com Sam Heughan como Sebastian que consegue ser um bom contraponto de espionagem no melhor estilo possível. O longa também possui diversas participações bem encaixadas, como os pais de Morgan interpretados por Jane Curtin e Paul Reiser brincando bastante com o estilo de velhos aposentados que vivem de programas de compras na TV, também temos a vilã ginasta Nadedja bem interpretada por Ivanna Sakhno, entre outros.

No conceito artístico, a equipe de arte realmente teve de brincar bastante para carimbar os passaportes de toda a produção, pois o longa é quase um road-movie passando por diversas cidades da Europa, sempre mostrando um ou dois pontos turísticos marcantes para realçar que estavam realmente ali, e nos mais colocados usando até piadas com os locais, trabalhando bem em detalhes mais amplos e tendo um ou outro detalhe cênico para funcionar as piadas, mas sempre voltando mais para o lado de uma grande produção de ação, aonde tiros são disparados para todos os lados possíveis. A fotografia trabalhou bem uma gama de cores tão colorida para dar o ar cômico, que por vezes o filme até foge do conceito mais dramático que um policial acabaria tendo, de modo que tudo fica até exagerado, mas souberam brincar bem com as situações, e até um fechamento extremamente brilhoso acaba agradando.

O longa conta com uma escolha musical muito bem encaixada que ajudou bastante no ritmo do filme, e claro que como gosto muito de boa música não poderia deixar de compartilhar com vocês, então segue o link.

Enfim, é um filme que já fui esperando ser tosco, mas que mesmo exagerando bastante acaba agradando e divertindo na medida certa, funcionando como disse no começo para os dois vértices, e sendo assim quem for disposto a rir de coisas bizarras, e as situações mais absurdas de duas mulheres bem sem noção no meio de uma espionagem completa, vai certamente sair rindo de tudo o que verá na telona, e mesmo tendo muitas falhas técnicas, o resultado não desaponta. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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