As Bestas (The Beasts)

11/13/2023 08:59:00 PM |

A única coisa que me vem na cabeça após conferir "As Bestas" é que brigas entre vizinhos nunca se resolvem com palavras e atitudes, vai sempre existir a rixa, o medo e o descontrole, que se não houver um ambiente bom, sempre será um caos! E a trama do filme franco-espanhol é tão tensa, tão dura que chega a nos dar raiva de tudo o que está acontecendo, fora o medo do pior que é claro que ocorre, de tal forma que o filme nos prende do começo ao fim com tanta força que sai da poltrona com dor nas costas após conferir o longa, e olha que nem muitos filmes de terror conseguiram esse feito. Ou seja, é daqueles longas com uma proposta que consegue atingir direto o público, que a única reclamação que eu teria é da duração que dava para cortar uns 15 a 20 minutos, mas talvez diminuiria a tensão toda, então vida que segue, e o acerto foi preciso.

A sinopse nos conta que um casal francês se muda para uma vila no interior da Galícia, buscando proximidade com a natureza. Eles levam uma vida sossegada, plantam vegetais e recuperam casas abandonadas, mas não têm uma boa relação com os outros habitantes. Após rejeitar um projeto de energia elétrica eólica, dois irmãos da vizinhança se desentendem e levam a situação ao limite.

Não é a toa que diretor e roteirista Rodrigo Sorogoyen conseguiu ganhar Melhor Direção, Melhor Roteiro e Melhor Filme do Goya (Oscar Espanhol) com o longa, pois o filme é realmente intenso e incrível, de tal forma que você fica esperando em cada momento o pior, pois a trama não leva para algo que possa ser amenizado, e essa dinâmica entrega com propriedade uma mão tão precisa de escolha de ângulos e desenvolturas que não tem como conseguir fugir da tela também, sendo algo que você enxerga a mão do diretor, enxerga tudo o que ele quer nos mostrar, e o melhor é que ele não falha em vértice algum. Ou seja, se você tem problema com filmes tensos esse certamente não é algo bom para o seu coração, pois dá muita raiva de tudo, da vontade de envenenar os vizinhos e/ou qualquer outra atitude, pois do contrário você cai no golpe deles e se envenena e morre pelas mãos deles.

Quanto das atuações, nos primeiros atos achei Marina Foïs muito submissa e fraca com sua Olga, mas nos atos finais ela se impõe de tamanha forma que o filme toma rumos fortes e bem colocados, mostrando uma personalidade incrível e cheia de traquejos, que não se impõe e não descansa até o último segundo, e isso é brilhante de ver. Denis Ménochet também entregou dinâmicas bem fortes e intensas com seu Antoine, de modo que o filme se prende em seu personagem com muita dramaticidade e imposição e agrada bastante na tela, só podia ter tomado uma atitude antes do que acontece, mas isso é do personagem, então ele foi bem demais. Luis Zahera com seu Xan e Diego Anido com seu Lorenzo são dois perfeitos f*****"**** que entregam personagens muito fortes e irritantes, com olhares e envolvimentos tão bem colocados que surpreendem e agradam mesmo sendo "vilões". Ainda vale uma menção para Marie Colomb com sua Marie, pela entrega emocional no ato da cozinha que deu um leve show ali.

Visualmente a trama é bem marcada com uma vila praticamente abandona só com pessoas xucras, aonde querem implantar torres de energia eólica e o protagonista quer cultivar horta e criar ovelhas, então tudo fica bem preso nisso, com um barzinho simples, casas mais simples ainda, uma floresta de árvores imensa e um lago, sem muito mais, além de alguns poucos detalhes, mas tudo bem cinzento e cheio de nuances.

Enfim, um tremendo filmaço que arrepia do começo ao fim, valendo demais cada minuto da produção, sendo daqueles que você não pisca, não respira e sai querendo ver mais, mesmo o filme tendo uma duração gigantesca para o estilo, veríamos facilmente mais uma hora com toda a entrega que o diretor nos propõe, então não perca a oportunidade de ver ele no Festival Varilux ou em qualquer lugar assim que aparecer, pois é daqueles que eu posso assinar embaixo como imperdível!! E é isso meus amigos, lá vou eu para a próxima sessão de hoje do Festival, então abraços e até logo mais.

PS: Não tenho nota 11 para dar, mas sem dúvida vou colocar ele como o melhor do Festival, quiçá do ano na minha opinião ao menos!


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Memórias de Paris (Revoir Paris)

11/13/2023 06:14:00 PM |

Olha fazia tempo que não via um filme pesado envolvendo traumas de um atentado tão forte e bonito de assistir, e hoje com "Memórias de Paris", que pode ser conferido no Festival Varilux, senti emoções imponentes, aquele nó na garganta, vontade de abraçar a protagonista, de procurar o rapaz que lhe deu a mão na hora do tiroteio e tudo mais, sendo daqueles filmes tão intensos que não tem como tirar os olhos da tela. Ou seja, filmaço com todas as letras possíveis, aonde para alguns possa atiçar algum tipo de gatilho, mas que mostra bem como fica a mente de uma pessoa após um grande trauma, e a diretora soube passar muito bem a ideia na tela, e mais do que isso, a protagonista foi tão além que realmente pareceu ter sofrido algo do estilo, numa personificação tão perfeita que valeria muitos prêmios para ela.

A sinopse nos conta que três meses depois de sobreviver a um ataque terrorista em um bistrô parisiense, Mia ainda está traumatizada e incapaz de se lembrar dos acontecimentos daquela noite. Em um esforço para finalmente seguir em frente, ela investiga suas memórias e refaz seus passos.

Já elogiei a diretora e roteirista Alice Winocour ("A Jornada", "Augustine") no começo do texto, mas volto a expressar meus parabéns para o que fez aqui, entregando tanta personalidade no desenvolvimento da trama, não pesando a mão em situações que causasse algo fora da proposta, mas principalmente sabendo aonde segurar a dramaticidade, pois o filme flui bem, causa todas as sensações possíveis e emociona como deveria, de modo que a única crítica meio negativa que daria foi de ter colocado o romance com o rapaz da mesa, mas que funciona até, então não tem problemas, e sendo assim posso dizer que é uma direção perfeita em cima de um roteiro perfeito que foi brilhantemente bem atuado pela protagonista, isso sem falar que a diretora não esqueceu das pessoas estrangeiras que trabalham sem documentos no país e que aqui tiveram voz na busca da protagonista, o que acabou dando um charme a mais, pois facilmente poderia focar apenas na protagonista, mas não ocorreu.

E falando nas atuações, Virginie Efira não foi perfeita com sua Mia, foi algo muito maior que isso, de tal modo que agora não irei mais lembrar dela em nenhum outro papel sem ser esse, pois deu seu nome para a personagem, deu seus olhares, suas emoções, sentimentos e tudo mais para que ficasse tudo perfeito na tela, sendo algo que não tem como esquecer o show que deu na tela. É tão engraçado que a protagonista pegou o filme inteiro para ela, mas claro que vemos as emoções dos demais, valendo leves destaques para Benoît Magimel com seu Thomas o qual dispensaria o romance acontecer, mas são as opções; Grégoire Colin com seu Vincent meio sem muitas expressões como o namorado da protagonista; Maya Sansa bem encaixada com sua Sara tentando ajudar a todos; e até mesmo Amadou Mbow com seu Assane faz bons trejeitos no final, mas se tenho de dar um bom destaque dentre os secundários tenho de colocar a emoção incrível que Nastya Golubeva Carax faz com sua Félicia dentro do museu, sendo algo maravilhoso dever.

No conceito visual o longa tem uma pegada muito bem trabalhada, cheia de nuances mostrando um atentado gigantesco e forte dentro de um restaurante com tudo voando pelos área, pessoas caindo mortas, muitos tiros e tudo mais, depois tivemos toda a procura da protagonista por uma basta Paris pela sua mão amiga, algumas cenas em hospitais, vemos cenas do resgate, algumas reuniões no restaurante renovado, e claro a simbologia das flores, velas e homenagens na praça, sendo um trabalho bem marcante de cenografia.

Enfim, até poderia tirar alguns pontos pelo romance desnecessário, mas o filme é tão incrível que vale a nota máxima, emocionando demais e sendo bem preciso de detalhes, mesmo não sendo uma reconstrução de algo ocorrido realmente, então peguem a dica e confiram o longa, pois vai valer demais. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas já vou para outra sessão do Festival Varilux, então abraços e até logo mais.


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Netflix - O Assassino (The Killer)

11/13/2023 02:20:00 AM |

Costumo dizer que tem uns filmes que você se pega perguntando quando termina de ver: "acho que não era bem isso o que eu esperava ver na tela!", e com toda certeza essa frase está ecoando na minha cabeça hoje após ver "O Assassino" na Netflix, pois o filme tem uma classe e um estilo mais denso do que o comum de filmes de assassinos de encomenda, mas é tudo tão calmo, com frases tão pensadas e ditas apenas na mente do protagonista, que fica parecendo que não é o personagem que está cansado do que faz, mas sim o diretor e os roteiristas com a entrega da trama, pois já vimos tantos filmes com esse mote de um erro destruir a vida de um assassino e ele ir em busca de vingança, que aqui ao sair da "regra" do gênero acaba entregando algo morno e sem muita vida na tela, não sendo algo ruim, pois tem classe, tem o estilão dramático de David Fincher, e claro um Michael Fassbender à frente de tudo, mas no final a mensagem que vem na nossa cabeça é "eu gostei?", e sinceramente não sei responder, pois ficou algo tão simples e mediano que alguns podem se apaixonar, mas a maioria vai acabar dormindo ou desistindo do filme por completo.

Na trama, acompanhamos um assassino solitário, calculista e impiedoso que é forçado a lidar com as consequências de um erro catastrófico cometido por ele durante um de seus serviços. Ele sempre conseguiu se manter livre de arrependimentos e com uma postura totalmente fria e metódica, mas agora que o incidente o colocou exatamente no centro de uma caçada internacional por sua cabeça, o assassino começa a desconfiar de todos aqueles que estão ao seu redor - incluindo até mesmo os que o procuram para contratá-lo. Pouco a pouco, o homem começa a perder cada vez mais o controle sobre seus próprios pensamentos.

O estilo de David Fincher é algo que pode ser brilhante, gigantesco e que sempre vamos esperar um algo a mais em seus longas, e esse é um problema imenso, pois você já vai com uma grande expectativa, e aqui diria que tinha tudo para ser um dos filmes mais monstruosos de bom de sua carreira, pois o protagonista é excelente, o roteiro é baseado em uma HQ francesa que tem uma ilustração e a história redondinha, mas ele acabou fazendo uma trama capitular sem vontade alguma que desaponta demais, pois você vê os nomes que estão no elenco e fica esperando que eles apareçam mais, que sendo um filme de assassinos tenha toda uma armação imponente cheia de detalhes, mas não ele entrega um assassino no ócio de seu ofício, desanimado com tudo e com a cabeça a milhão após um erro e para piorar com sua namorada sofrendo as consequências de seu erro, aí toda a vingança dele que deveria ser explosiva acaba sendo toda premeditada, inteira narrada pelas vozes de sua cabeça, em algo tão sem sal que a cena que poderia e deveria ser gigantesca com Tilda Swinton acaba sendo apenas um bate papo numa mesa. Ou seja, é a famosa piada de tiozão de final de ano é pavê ou pacumê, aonde você aceita que é apenas pavê e pronto acaba toda a graça da pessoa que fez a piada.

Quanto das atuações vou ser bem sincero e dizer que praticamente só Michael Fassbender atuou com seu Assassino de mil nomes de cartões, fazendo vários trejeitos bem encaixados, entregando olhares e nuances bem colocadas e marcantes, lutando pra valer na cena com o brucutu, e claro narrando o filme inteiro, de modo que chega até parecer que deu problema no áudio e teve que gravar tudo depois sozinho, mas não aconteceu, sendo algo do roteiro que ajudou a deixar o filme um pouco mais reflexivo, ou seja, o ator se esforçou bastante para algo que não vai além. Ainda tivemos atos bem imponentes de luta com Sala Baker fazendo um brucutu bem bruto que praticamente destrói sua própria casa na briga com o protagonista, Tilda Swinton mais reflexiva que o normal numa conversa cheia de histórias numa mesa de restaurante com sua Especialista, Charles Parnell como um advogado bem com medo do protagonista sem entregar quase que nuance alguma, Kerry O'Malley que trabalhou mais as expressões de desespero e alguns trejeitos mais colocados com sua Dolores, e Asliss Howard também fazendo algumas caras e bocas de medo com seu Claybourne, mas nada que fosse muito além, e se alguém achou que eu esqueceria da brasileira Sophie Charlotte, aqui ela também foi esquecida pelo filme, pois tem uma cena em um hospital toda arrebentada, aonde troca meia dúzia de palavras com emoção para o protagonista, e volta ao final sentada numa cadeira de piscina sem fazer nada, ou seja, enfeitou o filme assim como a maioria.

Já visualmente as tramas da Netflix tem por mote passar por diversas cidades e países, e aqui o longa passeia em cada capítulo por um lugar, mostrando um pouco da cidade, um pouco do aeroporto de cada uma, seus locais para locação de carros, táxis tradicionais, e claro algumas locações bem colocadas como a mansão aonde o protagonista tem seu esconderijo, o prédio aonde passa horas no começo esperando sua missão acontecer, seu depósito de armas e apetrechos para os serviços, o escritório do advogado cheio de livros e coisas bem antigas e tradicionais, a casa do brucutu que acaba completamente destruída pela briga com tudo sendo usado como arma, e o apartamento e a academia do cliente bem ricos, cheios de coisas diferenciadas, que ao menos mostrou aonde foi todo o orçamento do filme.

Enfim, é um filme bem mediano que mesmo como passatempo muitos vão acabar reclamando do que foi entregue, pois faltou tudo para ser algo marcante realmente, sendo daqueles longas que você se pergunta o motivo de estar tão cotado nas premiações, com várias pessoas falando maravilhas e tudo mais, mas aqui eu sou sincero, então falo que não rolou o que deveria acontecer, resultando em algo que não dá para recomendar. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas amanhã já volto com os longas do Varilux, então abraços e até logo mais.


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A Musa de Bonnard (Bonnard, Pierre et Marthe)

11/12/2023 07:51:00 PM |

Introdução Costumo dizer que filmes envolvendo artistas é algo bem complexo, que mostra a vida deles com suas boêmias, seus conflitos interiores e suas inspirações, mas chega a ser bem difícil falar da vida das esposas e/ou mulheres que viveram com eles. E sem dúvida a vida de Marthe de Méligny foi bem sofrida, pois mesmo inspirando as pinturas de Bonnard, vemos que ele nunca foi santo no filme "A Musa de Bonnard", que está em cartaz na programação do Festival Varilux. Claro que a fotografia do longa é lindíssima, mostrando os estúdios do pintor, a casa deles no campo, e claro a vivência deles com vários artistas da época, numa ode interessante para conhecer o artista e sua musa, mas que por ser uma época de guerra aonde a maioria ficava em casa recluso, a trama acaba sendo meio que cansativa demais. Mas o mais engraçado do filme em si nem foi algo que o diretor previu acontecer, pois com o calor da cidade de Ribeirão Preto, faltando uns 5 a 10 minutos do final do longa, ao aparecer o fantasma da amante, eis que acaba a energia do cinema, dando uma experiência diferente para o longa. Quanto ao filme geral diria que é mais cansativo do que envolvente, mas que vale por mostrar a vida de uma mulher que aceitou esse sofrimento de viver com um homem bon-vivant, mas que foi bem inspirado pela mulher que teve.

O longa nos conta a vida do pintor francês Pierre Bonnard (1867-1947) e de sua esposa, Marthe de Méligny (1869-1942), ao longo de cinco décadas. O homem que seu país natal apelidou de “pintor da felicidade” não seria o pintor que todos conhecem sem a enigmática Marthe que sozinha ocupa quase um terço da sua obra.

Diria que o estilo do diretor e roteirista Martin Provost ("A Boa Esposa", "Reencontro") é desses que gosta de retratar personagens como uma pintura realmente, valorizando bem a cenografia e trabalhando bastante com detalhes cênicos, mas sem criar grandes desenvolturas na tela, o que acaba mais cansando do que agradando na forma integral da trama. Ou seja, ele trabalhou bem todo o resultado do filme, mostrando bem como viveu o artista e tudo mais, mas não conseguiu ir muito além do que uma obra biográfica bem desenvolvida.

Quanto das atuações, diria que Cécile de France trabalhou muito bem sua Marthe Bonnard, entregando algo até que bem interessante de desenvoltura, criando trejeitos fortes e intensos, e se desenvolvendo bastante conforme os anos vão mudando na tela, desde uma donzela bem esperta no começo até uma mulher que passou a pintar e depois uma senhora que vê fantasmas, e isso mostrou que ela tem muita potência artística, sendo precisa e interessante de acompanhar seus traços. Já Vincent Macaigne fez um Pierre Bonnard bem intenso, trabalhando bem as mãos e olhares para passar o ar de estar pintando mesmo, e claro como um bom amante de suas musas acabou tendo flertes com todas. Stacy Martin deu um ar sedutor para sua Renée Monchaty, criando cenas marcantes e muitas aberturas emocionais para a trama, mostrando estilo e presença na tela. Quanto aos demais, vale citar muitos artistas marcantes da época, como Anouk Grinberg que viveu Misia Godebska, e André Marcon que fez Claude Monet, dando boas intensidades para as cenas junto dos protagonistas.

Visualmente a trama é incrível, retratando bem o fim do século XIX e o começo do XX colocando a guerra meio que de pano de fundo, mas sem mostrar bombardeios ou soldados, e focando mais nas pinturas e na vida do protagonista, mostrando seu pequeno estúdio em Paris, as festas na casa de Mísia Godeska, depois sua bela casa a beira do rio aonde acontecem várias cenas bem bonitas, inclusive com Monet usando o local para várias de suas pinturas também, vemos algumas cenas num prédio na Itália com a amante, e claro as pinturas de Marthe depois, ou seja, um filme com uma liberdade poética bem visual da vida do pintor e de sua musa.

Enfim, é um filme que até entrega algo bem interessante, e escrevi claro o texto com 10 minutos a menos, sem saber o final que irei ver na terça quando for conferir outro e este estiver no finalzinho, mas já dava para imaginar o que aconteceria ali, e nos atos seguintes, então digo que poderia ter um ritmo mais trabalhado para não soar cansativo, pois assisti 110 minutos do longa que pareceram pelo menos umas três horas, mas não chega a ser ruim de ver, então fica a dica. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas vou agora ver uma das estreias do streaming, já que hoje não voltará a luz no cinema do Festival, então volto mais tarde com mais um texto, então abraços e até breve.


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Disfarce Divino (Magnificat)

11/12/2023 04:05:00 PM |

Ahhh os segredos da Igreja!!! Aqueles que certamente nunca chegarão até nós meros mortais, que são escondidos ah cinco senhas, chaves, bem dentro de um cofre forte que nem outros padres, bispos, e tudo mais saberão da existência algum dia!!! Pois bem, "Disfarce Divino" vem com essa proposta em um filme fortíssimo de ideias e ideais, que claro servem bem como uma ficção, mas vai saber se isso já não ocorreu ou ocorre realmente, afinal como comecei o texto, jamais saberemos desses detalhes da Igreja, pois tudo é muito escondido e velado, principalmente quando se envolve temas proibidos pelas leis canônicas. Dito isso, o resultado na tela é daqueles filmes que embora sejam pesados de conteúdo, acabam sendo tratados com uma leveza de cenas e intensidades que acaba sendo bem gostoso de ver, e claro que para muitos religiosíssimos será considerado até pecado pensar em algo desse estilo, mas como filme é incrível e vale a conferida e a discussão sobre as mudanças que a Igreja deveria fazer para aqueles que realmente tem fé e vocação para os chamados de Cristo.

A sinopse nos conta que quando um padre idoso falece, a chanceler encarregada da diocese, Charlotte, descobre que ele era uma mulher. Sem que ninguém suspeitasse, o padre estava praticando sua vocação por anos. Consternada, Charlotte decide iniciar uma investigação em meio a comunidade.

Diria que a diretora e roteirista Virginie Sauveur soube brincar bastante com o tema sem deixar que o longa se perdesse no foco, tendo muita criatividade e nuances sérias para uma discussão saudável sem ser cansativa e apelativa, e olha que pensei que ela iria se perder ao começar a dar um pouco de foco para o caso do filho, mas não, fez isso fazer parte sem perder a dimensão de tudo e o resultado acabou sendo brilhante e bem conectado como todo bom longa francês, e olha que vejo muitos bons, e aqui o resultado embora polêmico envolve bastante e traz tantas nuances quanto ideais novos sem pesar, afinal o mundo está bem mudado, e leis antigas precisam ser revistas, mas como tudo é muito fechado nesse mundo, então é esperar milênios e nada mudará, mas ao menos no cinema acaba sendo aberta a discussão e aqui funcionou demais.


Sobre as atuações, Karin Viard soube ser a porta-voz investigativa do tema com uma precisão emocional muito bem colocada, de modo que sua Charlotte Rivière como chanceler da Igreja de Paris conseguiu ser doce e bem disposta para entender tudo, e claro também tendo seu segredo acabou envolvendo demais com olhares, trejeitos emocionais e uma dinâmica de sacadas que poucos conseguem entregar, ou seja, não se impôs na tela e agradou com muito estilo com tudo o que fez. François Berléand trabalhou seu Monsenhor Mével com trejeitos meio que desesperados sobre tudo o que estava acontecendo, de modo que passa o medo no olhar ao mesmo tempo que passa um respeito pelo seu papel ali na Igreja, e claro tendo a confissão como oculta, ele demonstra certezas nos atos e agrada também. Ainda tivemos muitos outros bons papéis na trama com Nicolas Cazalé fazendo bem seu Jérémy, um padre cigano que anda junto das comunidades móveis, o jovem  Maxine Bergeron com seu Thomas Rivière, filho da protagonista sem saber quem é seu pai trabalhando com muita imposição e trejeitos fortes para chamar atenção, tivemos Benoít Allemane com seu Padre Lataste sendo o confessor do padre que morreu, trabalhando tudo com boas nuances e até mesmo Patrick d'Assumçao com seu Dr. Grammel trabalhou bem, mas vale o destaque nos trejeitos de Patrick Catalifo como padre auxiliar que não aceitava nada do que rolava naquele momento querendo ocultar tudo o mais rápido possível.

Visualmente a trama brincou com facetas em igrejas, nos escritórios diaconais, em comunidades ciganas, visitando as casas de parentes do padre morto, e mostrando bons ambientes e nuances dentro de tudo, de tal forma que vemos arquivos e cofres como símbolos de tudo o que é escondido e não deve ser mostrado, trabalhando com a ideia de sempre não revelar algo que vá contra as leis milenares.

Enfim, é um filme bem trabalhado, que como disse abre muitas discussões, principalmente para quem não é da Igreja em si, pois lá como costumo dizer tem as cabeças tão fechadas para aceitar o que realmente está acontecendo que preferem apenas esconder e apagar como se nada tivesse ocorrido. Então fica a dica de conferida para todos no Festival Varilux, e vou torcer para que venha comercialmente depois para que muitos mais vejam, e é isso pessoal, fico por aqui agora, mas vou para mais uma sessão do Festival, então abraços e até logo mais.

PS: Talvez tiraria um ponto por algum detalhe, mas o filme é tão bom e cheio de nuances que não consegui, então vou deixar esse como o meu preferido do Varilux até agora!
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As Marvels em Imax 3D (The Marvels)

11/12/2023 02:17:00 AM |

Cansei de falar isso quando foi criado o streaming Disney+ e começaram a surgir um milhão de séries envolvendo os personagens da Marvel, que iria chegar uma hora que quem não tivesse assistido à todos os mil capítulos de cada uma não iria entender mais nada dos filmes da companhia na telona, então minha recomendação direta para Kevin Feige é que pare de lançar filmes nas telonas, afinal já que "obrigam" você a ver 10 séries para entender 1 filme, isso não significa pluralidade de mídias e personagens, mas sim que você tem de embarcar em uma, depois em outra, e só ficar nisso o resto da vida, para algo funcionar, e ao menos na minha opinião é muito errado. Dito isso, o longa "As Marvels" não chega a ser ruim, afinal tem momentos interessantes, uma dinâmica bem colocada sem ter espaço para enrolações, e alguns atos que deram uma boa movimentada na tela (a sacada dos gatinhos foi a melhor!), mas ainda assim a recomendação dada é que você faça ao menos uma pesquisa rápida de quem é Kamala Khan, como Monica Rambeau ganhou seus poderes, e como é a guerra entre os Kree e os Skrulls, ou seja, 3 séries da Disney+ completas, para que aí o filme fique bem melhor. Ou seja, a Marvel definitivamente decidiu que só fará filmes para os fã-náticos da companhia, não se importando com quem gostava apenas de ver um bom filme de herói, que mesmo conectado à outros, tinha algum sentido solo, e como costumo dizer sobre filmes que você precisa de um manual para entender ele, a falha é gigantesca nesse sentido.

No novo longa, a Capitã - também conhecida como Carol Danvers - está de volta para mais uma missão: agora, ela precisa lidar com consequências não intencionais que a levam a carregar o fardo de um universo desestabilizado. Porém, enquanto tenta resolver o problema, Denvers vai parar acidentalmente em um buraco de minhoca anômalo, que faz com que seus poderes acabem entrelaçados aos de outras duas heroínas. Envolvidas em um misterioso fenômeno que faz com que elas troquem de lugar sem entender a causa para tal, nascem As Marvels: a superfã Kamala Khan, também conhecida como Ms. Marvel, e a sobrinha afastada de Carol, capitã Monica Rambeau, que agora trabalha como astronauta do programa S.A.B.E.R..

Diria que a escolha da diretora Nia DaCosta não foi a mais acertada para a trama, pois seu estilo é mais puxado para os dramas e terrores, e os longas da Capitã são mais agitados do que de histórias com algo que crie tensão, mas ela soube brincar bem com os atos de ação, e trabalhou com as mudanças de personagens sumindo de um lugar e aparecendo em outro com boas pegadas, sendo algo interligado até que interessante de ver, além de que depois de um tempo até dá para esquecer que as personagens não foram apresentadas e são apenas três mulheres com poderes brigando com uma vilã meio estranha que quer levar algo de bom que cada planeta tem para o seu (ar, água e sol), e assim com tudo bem simples vai rolando as brigas, as falas espaciais cheias de teorias de Rambeau (que quem entender tudo já pode ir trabalhar na NASA Marvel), e foi brincando com tudo, ou seja, não é o pior filme da Marvel como muitos falaram mundo afora (pra mim ainda é "Homem-Formiga 2"), mas é bem simples se analisado tecnicamente, e deram para a diretora a missão de encerramento das três séries que o longa usa, sendo tipo aquele filmão de fechamento de ano.

Quanto das atuações, ainda não me cativa a personalidade da ótima atriz Brie Larson como uma atriz de filmes de heróis, pois a pegada dela é dramas tensos aonde pode trabalhar trejeitos e desenvolturas, de modo que aqui sua Carol Danvers/Capitã Marvel é estranha, ficando parecendo que não está querendo lutar realmente, tanto que seus atos mais rebuscados no planeta que todos falam cantando foi muito mais interessante de ver do que toda a pancadaria que ela fica artificial, ou seja, volta pros dramas Brie que lá é sua praia. Teyonah Parris já botou um estilo próprio para que sua Monica Rambeau fosse extremamente inteligente, tivesse poderes e se desenvolvesse bem na trama, de modo que se jogou por completo, trabalhou trejeitos de várias formas e ainda foi bastante usada nas dinâmicas mais pensantes, o que deu a ela um vértice mais interessante de ver. Já Iman Vellani foi colocada como elo cômico na produção com sua Kamala Khan/Ms. Marvel, de modo que até lutou bastante, mas seus atos e trejeitos sempre recaiam para alguma piadinha ou sacada cômica, o que é interessante de ver se a companhia for partir para algo mais bobinho com o que será usado daqui para frente, mas é aguardar. Ainda tivemos muitos outros personagens, mas Zawe Ashton foi fraquíssima com Dar-Benn, e Samuel L. Jackson é o mesmo fanfarrão dos outros 14 filmes da Marvel que já apareceu, e com isso já nem esperamos muito dele na tela, o que é uma pena, pois é um tremendo ator.

Visualmente o longa tem uma pegada interessante, bons efeitos, mostrando vários planetas diferentes e suas curiosidades, mesmo que bem rapidamente, tem toda a sacada dos gatinhos na nave, sendo muito bem usados, valendo destacar claro o escuro do planeta Hala da vilã, o lado mais verde do planeta dos Skrull, e claro todo o colorido do planeta aquático aonde todos vivem cantando parecendo quase uma Índia de Bollywood, isso sem falar do espaço bem trabalhado com um 3D bem marcante. E falando do 3D, sendo um filme espacial poderiam até ter ido mais além, mas a perspectiva na tela usando boas camadas até deu uma profundidade interessante, vários momentos com coisas meio que saindo da tela, ou seja, fizeram o serviço de casa para ao menos valer o ingresso como uma diversão a mais para quem gosta do estilo.

Enfim, acredito que o pessoal pegou bem pesado nas notas mundo afora, pois é um filme divertido de passatempo, que para os fãs da Marvel que têm comido as séries da Disney+ no café da manhã, almoço e jantar vão gostar e se conectar com tudo o que é mostrado no longa, mas para quem assim como eu só vai nos filmes da companhia, pesquisem um pouco antes de ir, senão a chance de não entender nada é bem alta. O filme tem 1 cena de encerramento já meio que fora da trama, aliás até sem muita explicação do motivo da garota já ir pro recrutamento direto sem nem falarem nada, e uma no meio dos créditos que dá um fechamento para Rambeau e introdução de novos personagens que muitos querem ver, então esperem na sala que é rapidinho. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas amanhã já volto para minha maratona do Festival Varilux, então abraços e até logo mais.


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Making Of

11/11/2023 08:53:00 PM |

Vejo muitas pessoas perguntando como é fazer cinema, como é lindo esse mundo de contos de fadas e mentiras, mas muitas vezes as pessoas nem imaginam o quase enfarte que os produtores e diretores enfrentam com falta de verba, com atores dando chiliques de atores, equipe bebendo e tudo mais, de forma que o longa "Making Of", que pode ser conferido no Festival Varilux de Cinema Francês, entrega bem essa dinâmica, numa bagunça coordenada que diverte bem dentro da proposta, de modo que alguns vão achar tudo estranho demais, outros não vão entender bulhufas, mas que de certo modo agrada bastante, não sendo algo brilhante de ver, mas que tem uma certa ousadia do diretor em criar algo que misturasse a filmagem de um filme baseado em uma história real de uma fábrica e seus operários sendo filmado, aonde a vida pessoal da equipe e do filme em si passasse a acontecer coisas do mesmo estilo do que estavam filmando... Eu sei que muitos irão ler a última frase e se confundir por completo, mas essa era a ideia, e claro, o filme.

A sinopse nos conta Simon, um diretor experiente, começa a rodar um filme sobre a luta dos trabalhadores para salvar sua fábrica. Mas nada sai como planejado. Sua produtora deseja reescrever o final, sua equipe entra em greve, sua vida pessoal está em ruínas; e para piorar as coisas, o ator principal é um desagradável egocêntrico. Joseph, um jovem que deseja entrar na indústria do cinema, aceita dirigir o making of. Ele leva seu papel muito a sério e começa a capturar toda a confusão, provando que o making of pode às vezes ser bem melhor que o próprio filme!

Diria que o diretor e roteirista Cédric Kahn teve tanta ousadia para criar essa bagunça com tanta ênfase, e principalmente fazer isso funcionar na tela, pois muitos vão acabar não entendendo nada da trama, mas dá para pegar a ideia e rir bastante, pois ele soube usar um pouco da comédia do absurdo dentro da proposta, sendo direto em alguns pontos e conflitando em outros como parte da ideia mesmo, pois como já disse outras vezes, o cinema é algo conflituoso e confuso, e a proposta do diretor funciona usando esse estilo de pegada que encaixa e tem vez na tela.

Quanto das atuações, diria que o diretor Simon que Denis Podalydès entrega foi perfeito, sendo criativo, surtado e a beira de um enfarte, trabalhando olhares tristes por desejarem cortar seu roteiro, por faltar dinheiro, e passando bem a ideia de paixão pelo que está fazendo mesmo que morra no set, e assim o resultado de seus atos até se confundem um pouco com a do verdadeiro diretor do longa que vemos, e isso é demais. Stefan Crepon trabalhou seu Joseph com um estilo interessante de ver, afinal era apenas um figurante e virou diretor do making of do filme, tendo um caso com a protagonista do filme, brigando e tudo mais, com olhares bem tradicionais de quem quer trabalhar com cinema e acabou de começar nessa vida maluca, ou seja, se saiu bem no que o papel pedia. Jonathan Cohen entregou bem seu Alain/Jim como um ator egocêntrico, cheio de firulas, mas bem ruim de trejeitos, e claro que o verdadeiro ator fez bem os erros para que isso aparecesse bastante na tela. Souheila Yacoub trabalhou sua Nadia/Oudia com uma personalidade nem de estrela, mas também tendo boas nuances, ao ponto que consegue chamar bastante atenção em seus atos. Como sou produtor também, fiquei com dó da produtora Viviane que Emmanuelle Bercot entrega com perfeição, se desesperando com tudo, sem dinheiro, ninguém lhe atendendo, descabelada, caindo mas mentiras, e claro surtando, e a atriz fez bem demais tudo.

Visualmente a trama é completamente maluca, tendo uma fábrica de pano de fundo para o filme que está sendo rodado, mas mostrando mais os bastidores em hotéis, pensões e todo o aparato de filmagens, tendo os camarins, tendas de refeições, e casas de alguns verdadeiros operários da antiga fábrica, isso além de alguns momentos bem colocados em reuniões com os produtores e também com a família do diretor através de sessões virtuais.

Enfim, é um filme bem engraçado para quem é da área, mas que funciona também para quem não conhece esse mundo maluco, não sendo algo brilhante, mas que tem estilo e agrada, valendo a indicação para quem quiser ver a produção de um filme bem bagunçado e praticamente sem o dinheiro para acabar as filmagens. E é isso pessoal, fico por aqui hoje no Festival Varilux, mas vou ver a estreia da semana agora, então abraços e até logo mais.

PS: Não encontrei trailer nem pôster para o filme, se alguém achar, mande via mensagem que ajudará bastante!



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Meu Novo Brinquedo (Le Nouveau Jouet) (The New Toy)

11/11/2023 05:05:00 PM |

É interessante observar como os franceses algumas vezes trabalham refilmagens de uma maneira tão leve que acabam fazendo o longa parecer novo, e com "Meu Novo Brinquedo", que pode ser conferido dentro da programação do Festival Varilux, tivemos uma comédia tão leve e bem desenvolvida aonde vemos dois mundos bem opostos dos riquíssimos e dos trabalhadores aonde um grupo mesmo com dívidas aos montes acaba depositando o cheque ganho na conta do fundo dos desempregados da fábrica enquanto o outro compra o que quiser para o filho, inclusive uma pessoa como brinquedo, e usando de boas sacadas e desenvolturas tudo acaba acontecendo e fluindo da forma esperada, afinal já vimos o clássico de Veber e também alguns outros que se basearam na história da trama, porém ainda assim acaba sendo uma trama gostosa de ver, aonde lições acabam sendo bem colocadas na tela de uma maneira bem trabalhada e interessante de ver, sem pesar a mão nem cansar.

A sinopse nos conta Samy vive feliz fora do sistema, nos conjuntos habitacionais, ao lado de seus amigos de infância e de sua esposa Alice, que espera o primeiro filho. Para atender às necessidades de sua futura família - com muita relutância - ele aceita um emprego como vigia noturno em uma loja de artigos de luxo. Philippe Etienne é o homem mais rico da França. Frio, insensível, desde que sua esposa morreu há um ano, ele se dedicou inteiramente ao seu negócio. Alexandre - seu único filho e herdeiro de toda a fortuna de Etienne - mantém o pai à distância, buscando refúgio no mundo solitário da criança mimada. No aniversário do filho, Philippe abre a seção de brinquedos da loja onde Samy trabalha e diz a Alexandre que pode levar o que quiser. Alexandre escolhe Samy.

Diria que o diretor e roteirista James Huth foi bem amplo na ideia e no desenvolvimento do filme, pois trabalhou bem toda a dinâmica e contando com uma adaptação de roteiro brilhante dele, do protagonista James Debbouze e de Sonja Shilito conseguiu criar algo que fluísse bem na tela, que mostrasse inicialmente um jovem bem arrogante e mimado, mas que conforme criasse um vínculo maior com seu brinquedo/amigo encontrasse as nuances de uma família ali, e isso acaba dando boas vertentes para tudo. Uma boa sacada foi o diretor dar a virada de chave bem no final mesmo, para que a trama não fosse tão emocional na desenvoltura toda, não fazendo uma mudança por completo no modo de vida dos ricos, que sabemos bem que não vai rolar, mas que por um breve momento que é o fechamento tudo fluísse bonito e com um charme de andar descalço na grama para relaxar, ou seja, a beleza de um bom fechamento sem precisar apelar para algo tão irreal na vida das pessoas.

Quanto das atuações, diria que James Debbouze trabalhou muito bem seu Samy Cherif, e soube dar boas lições na tela, criando um envolvimento grande em cima das situações, fazendo trejeitos e desenvolturas próprias, de modo que seu personagem acaba sendo marcante com muito estilo, e pessoalmente não sabia da sua marca registrada da mão no bolso ser fruto de um acidente nos anos 90 que inabilitou sua mão direita, e fui pesquisar por ter ficado um pouco incomodado com isso (principalmente na cena que o chefe oferece uma bebida e ele está com a outra mão cheia de madeleines). Daniel Auteuil trabalhou bem o estilo de seu Philippe Etienne, sendo daqueles empresários bem secos, quase que sem expressões faciais ou corporais, tanto que o protagonista até brinca com ele, e a desenvoltura do ator foi bem encaixada para mostrar um homem duro e bem rígido com a vida e a empresa. O jovem Simon Faliu chegou até me lembrar um pouco o personagem "Riquinho" na forma que fez seu Alexandre, de tal maneira que o garoto inicialmente parece um porre, mimado aos montes, chato e tudo mais, mas depois vai desenvolvendo bem ele, e o resultado acaba chamando a atenção na tela, mostrando que tem personalidade e bons trejeitos para ter um bom futuro no cinema francês. Ainda tivemos Alice Belaïdi como a esposa grávida do protagonista, fazendo bons atos sindicais e entregando boas nuances no papel, e vale destacar também o estilão do segurança Milo que Aton viveu bem cheio de imponência e claro filmagens que seriam usadas mais para o fim do longa.

Agora algo que temos de tirar o chapéu para a produção foi o que fez a equipe de arte, pois cada cenário é mais lindo que o outro, tendo o quarto do garoto cheio de tecnologia, com uma cama flutuante, hologramas representando os planetas para dormir quase num espaço realmente, muitos brinquedos, um cômodo gigante parecendo aquelas lojas de games de shoppings, fora o tamanho da mansão por inteiro com galeria de arte, cinema, uma cozinha imensa profissional, uma casa da árvore repleta de detalhes, e do outro lado um aglomerado populacional gigante com todo tipo de pessoa, muita brincadeira de rua, pessoas carregando móveis, abandonando coisas pela rua, oficinas e tudo mais para ser um belo contraponto.

Enfim, é um filme que se olharmos a fundo é bem simples, mas que tem estilo e agrada bastante com a mensagem passada de essência de vida, de paternidade e até mesmo de como manter o estilo quando for milionário, coisa que nunca saberemos nessa encarnação, mas que funciona bem na tela, então fica a dica para conferir o longa no Festival Varilux ou em breve quando sair nos cinemas. Desde já agradeço a equipe da A2 Filmes pela cabine de imprensa, e agora vou para o cinema conferir mais um longa do Festival, então abraços e até logo mais.


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Anatomia de uma Queda (Anatomie d’une Chute) (Anatomy of a Fall)

11/11/2023 01:57:00 AM |

Sempre falo isso, e muitas vezes costumo fazer errado que é ir conferir um longa esperando muito dele, pois você joga uma responsabilidade tão gigante para a trama que o resultado acaba nem sendo tão bom, pois é raro o filme que supera expectativas gigantes que criamos por premiações ou coisas do tipo. E hoje ocorreu isso com "Anatomia de Uma Queda", pois amo ver filmes de julgamentos e como esse foi o ganhador da Palma de Ouro de Cannes nesse ano, com os produtores preparando uma campanha imensa para que o filme seja indicado ao Oscar de Melhor Filme, Roteiro, Direção e Atriz já que não foi indicado pela França para Melhor Filme Estrangeiro, fui conferir esperando ser algo sensacional, e acabei cansado com os 150 minutos de projeção, e de forma alguma estou falando que é um filme ruim, pois é muito bom, tem toda uma pegada intensa e marcante, um julgamento cheio de nuances e muitas situações imponentes acontecendo durante o tempo inteiro, porém existe um diálogo bem próximo ao final do longa que diz tudo sobre um filme de julgamento, que esperamos ver um culpado na tela, ficamos o tempo inteiro acusando algumas pessoas, pensando nas diversas possibilidades, e esquecemos que muitos julgamentos (a maioria por sinal se fizermos um pouco de pesquisa) é em busca de uma inocência em um caso, e dessa forma fica parecendo que ninguém ganhou, o que é triste de ver acontecer. Mas tirando esse detalhe, por incrível que pareça o julgamento do longa é salvo por um cão, então preste atenção nele, pois vai fazer toda a diferença no final! E dito isso, é um filmão que até torceria para ver indicado como os produtores querem, não sei se em tantas categorias, principalmente por ter desejado mais da trama, ou quem sabe uma dinâmica mais forte, mas isso é um gosto pessoal, então pode ser que muitos amem tudo o que verão na tela.

A sinopse nos conta que Sandra, Samuel e seu filho deficiente visual de 11 anos, Daniel, vivem há um ano longe de tudo, nas montanhas. Um dia, Samuel é encontrado morto ao pé da casa deles. A investigação concluiu se tratar de uma morte suspeita: é impossível saber ao certo se ele tirou a própria vida ou se foi assassinado. A viúva é indiciada, tendo seu próprio filho no meio do conflito: entre o julgamento e a vida familiar, as dúvidas pesam na relação.

Diria que a diretora e roteirista Justine Triet foi bem ampla no que desejava entregar, pois todo bom filme de julgamento tem de ser o mais misterioso possível, para que o público construa provas e argumentos de defesa e culpa em sua cabeça até o final, trabalhando com o que os advogados de defesa e de acusação (ou promotoria) tem para apresentar, e a sacada aqui é que tudo pode ter rolado em ambos os casos, tendo vertentes e nuances bem encaixada nos ângulos de filmagem, nos diálogos e até mesmo nos trejeitos dos protagonistas, aonde cada ato traz sempre algo a mais, ou seja, ela conseguiu fazer algo até maior do que um filme de julgamento, mas sim um estudo de caso completo, que talvez até vire futuramente daqueles clássicos que cineclubes de advogados irão usar para discutir o tema, e assim sendo, mostra bem toda a dinâmica de um longo julgamento, que sempre é algo cansativo, o que difere de muitos filmes de julgamento aonde tudo é muito rápido, mas que nem sempre passa a ideia real para o público de como as coisas andam. Ou seja, é um filmão literalmente, que é longo, mas que felizmente não se arrasta, sendo interessante de aguardar até o final com o desfecho por completo.

Quanto das atuações, Sandra Hüller realmente merece algumas indicações para sua Sandra Voyter, de tal forma que muda seus trejeitos com tanta facilidade que as dinâmicas simplesmente acontecem, trabalhando olhares e diálogos com muita imponência e destreza para que em cada ato achássemos algo diferente dela, e ainda segurando a dramaticidade no ponto máximo, ou seja, agradou demais. Diria que faltou um pouco mais de explosão e estilo para Swann Arlaud como o advogado Vincent Renzi, pois ele trabalhou alguns atos bem marcantes, mas no teatro do tribunal não foi muito além, parecendo meio tímido ali, algo que é bem incomum em advogados de defesa, mas não foi ruim com o que fez, apenas poderia ter ido mais além. Agora quem também entregou muita personalidade em suas cenas foi Milo Machado Graner com seu Daniel, trabalhando de uma forma sentimental e cheio de nuances que acabam chamando muita atenção. Ainda tivemos alguns atos bem fortes de Samuel Theis com seu Samuel Maleski, principalmente na reconstrução da briga do casal, mas sem dúvida dos secundários quem mais chamou atenção na tela foi Antoine Reinartz como o advogado de acusação ou promotor que foi muito forte nas argumentações e botou tudo para jogo na tela. E claro eu não poderia deixar de lado toda a atuação de Messi, o belo cachorro que faz o papel de Snoop e inclusive foi premiado com o prêmio Palme Dog simbólico, pois foi muito bem em todas as suas cenas.

Visualmente a equipe de arte trabalhou muito bem a casa dos protagonistas no topo de uma montanha, com muita neve para todos os lados, cheia de ambientes bem marcantes para os atos mais densos  que aconteceram nas reconstituições e claro no começo em si, mas sem dúvida boa parte do longa se desenvolve em um tribunal, com todas as nuances e dinâmicas do ambiente ali determinado e clássico, sendo até simples de ver tudo por ali, mas que funcionou bem dentro da proposta. Diria que poderiam ter trabalhado com mais pistas para dar melhores formatações no julgamento, mas optaram por brincar mais com os diálogos ali.

Enfim, é um filme intenso e bem cheio de nuances que agrada bastante quem gosta do estilo de filmes de julgamento, que volto a recomendar que vejam sem criar qualquer expectativa, pois acabará sendo ainda melhor, e acho que dava para reduzir uns 20-30 minutos facilmente para que o longa tivesse um ritmo mais dinâmico, então vá preparado pois é uma trama pesada na tela, e assim deixo minha recomendação. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje encerrando mais uma noite de Festival Varilux, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Maestro(s)

11/10/2023 07:54:00 PM |

Costumo dizer que a inversão técnica de papéis em uma trama é algo que chama muita atenção, pois por vezes uma trama que aparenta ir para um rumo pode desencadear funções bem rápidas ao ponto de surpreender e agradar bastante. Comecei falando dessa forma de "Maestro(s)" pelo simples fato que eu terminaria fácil o longa com a conversa de pai e filho tomada pela tensão e talvez uma discussão mais forte, mas o diretor resolveu ir além, e o filme que já tinha um bom estilo fechou de forma ainda mais surpreendente e brilhante. Claro que o tema música clássica é daqueles que muitos não tem afinidade, mas a rixa entre pai e filho da mesma profissão é algo que sempre vai causar algum incomodo, e o filme brinca com essa rivalidade e as nuances de algo tão pesado, que ao final se torna bem calmo e direto.

A sinopse nos conta que o maestro Denis Dumar ganhou mais um prêmio nas Victoires de la Musique Classique, evento anual de premiação de música clássica francesa. Logo em seguida, seu pai, François – um brilhante maestro de renome internacional – recebe um telefonema anunciando que foi escolhido para reger a orquestra do Teatro Scala de Milão. Sendo esse seu maior sonho, ambos vibram com a notícia. Porém, Denis rapidamente se desilude ao descobrir que, na verdade, ele é quem foi escolhido para ir à Milão, e não seu pai.

Diria que o diretor e roteirista Bruno Chiche soube brincar com os devidos elementos da trama para que seu filme não ficasse pesado como o tema em si pedia, mas sim entregando as devidas nuances no seu tempo e cadência como uma boa orquestra deve ser regida, passando sentimentos e tudo mais para que a trama ficasse bem interessante, mesmo tendo alguns atos bem desnecessários que foram colocados como enfeites cênicos, o que não atrapalhou e nem ajudou, porém o resultado em geral funciona muito bem, e isso é o que importa no final.

Quanto das atuações, o que mais achei interessante foi ver a postura de Yvan Attal com seu Denis Dumar, pois embora seu personagem seja meio frouxo de não enfrentar o pai quando precisou, ele ousou e trabalhou trejeitos fortes e dinâmicas bem encaixadas de olhares e imposições como um grande maestro faria realmente, e assim sendo agradou bem dentro do contexto completo. Da mesma forma Pierre Arditi segurou bem o estilão direto de seu François Dumar, ao ponto que ele cria as dinâmicas mais fortes e passa bem a síntese que o papel pedia, sendo intenso e cheio de trejeitos, que a idade mandava também. E embora os demais personagens sejam apenas encaixes na trama, já que o conflito e a imposição seja algo apenas para os protagonistas se destacarem, vemos Miou-miou com sua Hélène bem elegante, e claro direta com o marido para que não fosse infantil, tivemos Caroline Anglade meio como um enfeite com sua Virginie, usando um pouco de uma violinista surda para dar um algo a mais para o longa, e até mesmo Pascale Arbillot com sua Jeane soube segurar a onda como ex-mulher e empresaria do protagonista fazendo bons estilos e conselhos, mas nada que chamasse muita atenção.

Visualmente a trama tem uma boa pegada, mostrando um pouco da música clássica com ensaios mostrando as intenções dos maestros para com seus músicos, mostrando um pouco de premiações, e claro os apartamentos bem chiques dos protagonistas com seus prêmios pendurados nas paredes, pianos, e tudo mais que a classe artística exige, mostrando que a equipe de arte se preocupou em mostrar detalhes para contextualizar tudo, e claro finalizando com uma regência no maior teatro italiano de música clássica, o La Scala.

Enfim, acredito que o longa poderia ser muito mais intenso e imponente, de forma que o diretor optou por quase transformar seu filme em uma comédia dramática, mas que até funciona bem dentro da proposta completa, e assim sendo vale a conferida pelas boas atuações dos protagonistas. E é isso pessoal, vamos agora para a última sessão de hoje do Festival Varilux, e volto mais tarde com o texto dela, então abraços e até logo mais.


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Conduzindo Madeleine (Une Belle Course) (Driving Madeleine)

11/10/2023 05:59:00 PM |

Tem filmes que mesmo sendo bem simples conseguem entregar tanto envolvimento que acabamos fazendo uma grande viagem com toda a história contada, e "Conduzindo Madeleine" é uma dessas histórias, pois mesmo imaginando como seria o desfecho ainda assim a trama consegue nos emocionar. E a sacada aqui é tão boa que facilmente consigo imaginar pelo menos umas duas ou três adaptações dela por americanos, ingleses, brasileiros e até indianos, pois é uma história basicamente universal de uma vida contada dentro de um táxi, aonde conhecemos os personagens e suas vidas inteiras que podem ou não importar para o taxista num primeiro momento, mas que depois passam a ser até melhores amigos durante a corrida. Ou seja, algo simples, mas muito gostoso de ver na tela, que emociona e funciona demais!

A sinopse nos conta que Madeleine, 92 anos, chama um táxi para chegar à casa de repouso onde deverá morar a partir de agora. Ela pede a Charles, um motorista um tanto desiludido, que passe pelos lugares que importaram em sua vida, para vê-los uma última vez. Aos poucos, pelas ruas de Paris, Madeleine revela um passado extraordinário que perturba Charles. Há viagens de táxi que podem mudar uma vida.

Diria que o diretor e roteirista Christian Carion ("Meu Filho", "Viva a França!") tem um estilo bem formatado de trabalhar com histórias que envolvam o público, de tal maneira que tudo passa a ter um bom sentido na tela, com planos que valorizem os olhares dos protagonistas, mas que principalmente criem carisma entre os personagens e o público, de tal forma que até imaginava tudo o que iria acontecer durante o filme quase que inteiro, pela pegada da trama, mas o diretor conseguiu amarrar tudo tão bem que acabei envolvido demais, gostando de todos os detalhes na tela.

Quanto das atuações, Line Renaud trouxe para sua Madeleine Keller uma vivência bem trabalhada, cheia de nuances e olhares, e principalmente tendo um tom de voz que cativa prestarmos atenção na sua história de vida contada para o taxista, de tal maneira que acaba sendo daquelas senhorinhas que bateríamos um bom papo sem cansar e ainda agradeceríamos pelo bom dia junto, e assim sendo foi muito bem no que fez. Pelo outro lado tivemos o sempre estiloso de olhares Dany Boon com seu Charles, inicialmente carrancudo, meio que preso em mais um dia chato de trabalho, não tão disposto a ouvir a senhorinha, mas que depois acaba se envolvendo demais, e vivendo um grande dia de conexões, passando sentimento, sensações e quase virando realmente o neto que ela não teve e mentiu na blitz, ou seja, virou o personagem e agradou muito com sua paciência e envolvimento. Ainda tivemos Alice Isaaz bem imponente como Madeleine Keller jovem sofrendo nas mãos de Jéréme Laheurte com seu Raymond Haguenot ou simplesmente Ray, fazendo um homem violento e duro, entre outros que apenas vivenciaram as histórias do passado da protagonista, mas sem chamar tanta atenção.

O bacana do visual da trama é que praticamente só ficamos dentro do táxi só protagonista, mas vemos vários bairros de Paris, dos mais afastados riquíssimos até o centro movimentado e cheio de lojas e restaurantes, as pequenas ruas e tudo mais, além claro doa anos 50 aonde conhecemos um pouco da vida da protagonista nos teatros aonde a mãe trabalhava ou em uma casa simples aonde apanhava do marido, ou seja, foram bem simples no contexto artístico, mas com detalhes cênicos além de luzes bem encaixadas para dar o devido tom da trama.

Enfim, é um filme que não chega a ser brilhante, principalmente por sabermos os rumos que tudo vai tomar sem surpresas, mas que envolve demais e acaba sendo tão gostoso de ver que vale demais a recomendação para todos que forem curtir o Festival Varilux, então fica a dica e eu fico por aqui agora, indo para mais uma sessão, então abraços e até logo mais.


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Almas Gêmeas (Les âmes soeurs) (Soul Mates)

11/10/2023 04:04:00 PM |

A nossa memória é algo muito complexo de se entender, e após um trauma então as voltas acabam sendo ainda mais difíceis de se compreender e vivenciar, mas diria que o resultado da trama "Almas Gêmeas", que poderá ser conferido na programação do Festival Varilux de Cinema Francês, acaba sendo até interessante de ver, pois o excesso de contato, junto do envolvimento com a irmã faz com que o jovem passe a se apaixonar por ela, e a trama até acaba sendo envolvente de ver, mas também cansa um pouco pela personalidade dos protagonistas que não explodem como poderia. Claro que o filme não é ruim de ver, mas dava para ser algo mais impositivo para surpreender mais, mas o caos da mente acaba sendo bem apresentado, e o resultado até que funciona.

A sinopse nos conta que após um ataque contra seu comboio militar no Mali, o tenente francês David Fabert é trazido de volta à França para se recuperar. Profundamente queimado e com amnésia severa, ele passa meses em recuperação, sob a cuidadosa vigilância de sua preocupada e devotada irmã Jeanne, que espera que ele recupere sua memória. Mas estranhamente, ele não parece muito ansioso para se reconciliar com quem era.

Diria que diretor e roteirista André Téchiné foi bem dentro da proposta, brincou cenicamente com a ideia da recuperação da memória, mostrou boas cenas no hospital, e claro da tentativa de romance proibido entre os irmãos, colocando toda a proposta como um tabu, mas também sendo bem desenvolvido para dar as devidas nuances da trama, de tal forma que vamos explorando essa ideia do personagem não se lembrar de nada, mas depois vamos vendo que não era bem assim e que toda aquela vivência já havia ocorrido antes, e assim ele vai criando as devidas expectativas com cenas meio duplas que não chegam a serem marcantes, mas que impactam de certa forma, e que facilmente dava para ir mais além.

Quanto das atuações, dá para ver pelos muitos filmes que Benjamin Voisin que ele tem essa personalidade mais fechada, e aqui seu David chega a ser até chato demais, incomodando com suas "frescuras" pós-coma, mas que acaba sendo até bem colocado dentro da proposta de voltar a memória, e ele acaba sendo intenso em seus atos, o que acaba agradando bastante mesmo irritando com o que faz. Já Noémie Merlant trabalhou sua Jeanne com uma personalidade incrível, densa e passional dentro do que o filme podia atingir com sua personagem, e acabou chamando para si muitas cenas, o que deu para ela até mais nuances que seu parceiro cênico, e talvez por esse motivo a trama tenha ficado um pouco presa demais, mas ainda assim chamou a atenção com tudo o que fez. Dentre os demais, a maioria dos personagens apareceu apenas para dar as nuances da memória do protagonista, sendo até quase que jogados para fora por ele não gostar de ficar lembrando do passado apagado, então vale destacar apenas André Marcon com seu Marcel bem diferente como alguém com muitas personalidades, e que brinca o tempo todo com essa ideia de mudanças visuais e de memória, sendo bem interessante de ver na tela.

Visualmente a trama foi bem marcante tendo cenas com neve, mostrando um vale incrível bem bonito cheio de florestas e tudo mais, e nas cenas da explosão no começo junto com um acidente próximo ao fim é conseguiram criar um ambiente bem tenso e marcante, ainda vale destacar claro o casarão aonde vive Marcel e que tem a edícula aonde os protagonistas moram, mostrando um plano de melhoria da prefeitura bem interessante, mas inútil para a ideia do filme, e claro todos os momentos no hospital com o tratamento das queimaduras e tudo mais.

Enfim, é um filme denso e intenso, que cansa um pouco pelo ritmo meio calmo demais dentro de algo que poderia ser mais explosivo, mas que tem uma pegada e uma trama interessante de ser vista por trabalhar bem a ideia de tabus, mas que muitos não irão se envolver tanto pela formatação meio que amarrada, mas fica a dica como algo interessante de entender dentro das leis francesas. E é isso pessoal, fico por aqui agora, mas esse foi apenas o primeiro filme de hoje do Festival Varilux, então abraços e até logo mais.


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O Desafio de Margueritte (Le Théorème de Marguerite) (Marguerite's Theorem)

11/10/2023 02:08:00 AM |

Assim como falei essa semana no filme sobre a bolsa de valores, hoje vou começar falando a mesma coisa sobre "O Desafio de Marguerite", que quem não conhece a parte da Matemática de pesquisas acabará não entendendo muito do que os protagonistas estão falando na tela, mas diferente do que aconteceu lá, aqui a trama tem todo um envolvimento maior na entrega com uma dramaticidade bem trabalhada, e mostrando que muitas vezes quando um bloqueio vem em nossos projetos, ou uma derrubada, temos de parar tudo, mudar os ares e aí sim conseguir enxergar um caminho diferente e/ou a solução do problema que te derrubou anteriormente. Ou seja, é um filme denso, com uma proposta bem específica em cima de uma garota que está prestes a encontrar um dos maiores problemas matemáticos, mas que ao sofrer uma derrota desaba e muda completamente, mas que serve também para várias áreas e o envolvimento dos protagonistas consegue segurar muito bem toda a dinâmica da trama.

A sinopse nos conta que o futuro de Marguerite parece claro. Brilhante aluna de Matemática na renomada Escola Normal Superior de Paris e a única menina de sua classe, ela está finalizando uma tese que deverá apresentar diante de um público de pesquisadores. No grande dia, um erro abala todas as suas certezas e ela decide abandonar a faculdade, esquecer de vez a matemática e começar uma nova vida.

Diria que a diretora e roteirista Anna Novion estudou demais a vida de pesquisadores matemáticos, pois é notável tudo o que é entregue na tela, com resoluções de cálculos tão grandiosos quanto um apartamento inteiro (a cena que a amiga volta para casa e vê as paredes quase enfarta!), a forma da protagonista se portar curvada de tanto estudo, as dinâmicas e tudo mais que me lembrou demais amigos da área, fora todo o estilo que escolheu para o ar depressivo, o jogo ilegal, e até a forma de trabalhar, que acabou dando nuances tão marcantes que só com muita consultoria em cima de alguém da área para criar tudo, e o resultado se vê na tela, pois mesmo não sendo algo perfeito, os atos acabam impactando e agradando bastante.

Quanto das atuações, não conhecia Ella Rumpf, mas certamente passarei a olhar diferente para ela após o que fez aqui com sua Marguerite Hoffmann, pois sabemos que atores tem grandes capacidades de decorar textos, mas aqui são tantos termos técnicos para falar, e principalmente, para escrever na lousa, que vemos a atriz ali fazendo de frente para nós, não sendo uma dublê de corpo para mudar depois, ou seja, ela praticamente viveu todos os dias de gravação como uma aluna de Matemática aplicada, e trabalhou corpo para ficar mais curvada, fez olhares apaixonados pelos números e se doou por completo, sendo perfeita demais em tudo. Julien Frison deu boas nuances também para seu Lucas Savelli, criando dinâmicas bem colocadas de um par realmente, além de se entregar para uma vida fora da Matemática com música de uma forma bem colocada. Tivemos ainda atos de dança bem entregues por Sonia Bonny com sua Noa, atos de bronca mais marcados pela emoção com a mãe vivida por Clotilde Courau, mas sem dúvida tivemos bons atos de ciúmes no melhor estilo de orientadores de projetos com Jean-Pierre Darroussin com seu Laurent Werner, de modo que todos acabaram entregando suas propostas num nível bem convincente e marcante.

Visualmente a trama mostra bem uma faculdade de Matemática e também um congresso com lousas móveis que vão subindo até um terceiro andar (nunca tinha visto algo assim, e achei genial do professor não precisar ir apagando suas conclusões e raciocínios), vemos um apartamento bem simples que acabam pintando as paredes com tinta de lousa para a jovem ir trabalhando sua pesquisa nas paredes, vemos alguns bares e boates, e claro vemos também o famoso jogo de mahjong presente em vários clubes e mesas clandestinas aonde a protagonista vai ganhar um bom dinheiro com sua lógica, além de uma loja de produtos esportivos, ou seja, não foram necessários criar muitos ambientes, aonde a equipe de arte aproveitou bem as locações e colocou bagunça tradicional de jovens em apartamentos, e claro todas as nuances de universidades.

Enfim, é um filme de certo modo pesado pela estrutura em si, mas que envolve bastante e passa bem as mensagens na tela, que quem tem amigos da área matemática certamente já viu dissertações de problemas minúsculos que viram páginas e mais páginas, e aqui junto com a essência dramática de uma jovem que se levanta e muda por completo depois de uma queda resultou em um algo bem interessante de ver. Como disse no começo muitos não irão entender nada do que estão fazendo nas lousas, mas veja então como um filme de superação no que a pessoa é boa, e aí o rumo vai valer para todos a indicação. E é isso pessoal, esse foi apenas o primeiro dia do Festival Varilux de Cinema Francês, e volto amanhã com mais vários textos dos filmes do dia, então vamos acompanhando e até logo mais.


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Crônica de Uma Relação Passageira (Chroniques D’une Liaison Passagère) (Diary of a Fleeting Affair)

11/09/2023 08:24:00 PM |

Já disse isso algumas vezes, mas vale sempre repetir, prefiro os dramas cômicos franceses do que as comédias dramáticas, pois parecem ficar se repetindo tanto e com tantos diálogos que até chega a ser cansativo, e com "Crônica de uma Relação Passageira" a trama acaba sendo tão enrolada que chega a cansar, mesmo nos momentos mais divertidos. Ou seja, o protagonista a todo momento fala que não gosta de fazer drama, mas é o que mais ele faz, e a mulher fala que não deseja se apegar, mas é o que mais quer também, sendo aqueles namoricos bobos que não vão pra frente nem pra trás, e acaba enrolando mais do que chamando atenção. 

A sinopse nos conta que durante uma festa, Charlotte, uma mãe solteira, conhece Simon, um homem casado. Este novo casal concorda em se ver apenas por diversão, sem vivenciar nada além. Porém, essa relação sem futuro fica perturbada quando novos sentimentos aparecem.

Diria que o diretor e roteirista Emmanuel Mouret até trabalhou bem as várias dinâmicas da trama, mas exagerou tanto nos diálogos e emoções que a trama acaba ficando presa demais, parecendo quase uma peça teatral interminável, aonde tudo até flui, mas que não vai além. Ou seja, é daqueles textos que num livro até acabam agradáveis de ver, tendo seus devidos gracejos, mas que num filme a falta de atitude acaba sendo bobinha demais para encantar realmente.

Quanto das atuações, gosto bastante do estilo que Sandrine Kiberlain entrega sempre para suas personagens, pois dá uma vida tão bem trabalhada que parece que já há conhecemos a muito tempo, e aqui com sua Charlotte ela deu toda a determinação clássica do estilo quero mas não falo, e ajo sem demonstrar, o que acaba não fluindo tanto, mas que para o que o longa pedia funciona. Já Vincent Macaigne abusou de alguém romântico aflorado que se perde no que quer com seu Simon, de modo que até nos conectamos em suas atitudes, mas fica parecendo não ir muito além, o que acaba sendo chato como personagem. Ainda tivemos alguns atos meio apáticos de Georgia Scalliet com sua Louise, sendo até interessante para a quebra do fluxo do filme, mas sem ir muito além de trejeitos sem sal.

Visualmente a trama foi bacana por passear por muitos lugares que até marcaram a vida do casal, como hotéis, parques, bares e até a casa dela, e ainda passando pelo serviço do protagonista e um apartamento de um amigo, de modo que foram bem representativos, e gastaram bem o tempo de tela da equipe de arte.

Enfim, não é um filme ruim que chegue a ser chato de ver, pois tem boas sacadas, e claro as inversões de personalidades no final, mas é exageradamente enrolado de diálogos, o que acaba cansando demais, não sendo algo que eu recomendaria. E é isso pessoal, fico por aqui agora, mas vamos lá que o Festival Varilux apenas está começando, então bora para mais uma sessão.


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O Astronauta (L’astronaute) (The Astronaut)

11/09/2023 06:19:00 PM |

Em alguns momentos da minha infância sonhei em ser astronauta, e hoje vendo esse maravilhoso filme francês chamado "O Astronauta" no Festival Varilux de Cinema Francês, tive a experiência maluca de ver algo que nem é possível explicar, como um apaixonado pelo espaço, que virou engenheiro espacial e não passou pelos testes para virar piloto montou seu próprio foguete amador e foi para o espaço cumprir uma promessa de vida. Diria que o filme é daqueles que você entra no clima, se vê desesperado com as coisas acontecendo, teme pela explosão, mas que funciona demais do começo ao fim. Claro que espero que ninguém resolva fazer o que o filme mostra em casa, mas a trama é tão emocionante e gostosa de ver que os olhos até brilharam com o fechamento.

A sinopse nos conta que o engenheiro de aeronáutica na empresa Arianespace, Jim se dedicou durante anos a um projeto secreto: construir seu próprio foguete e realizar o primeiro voo espacial tripulado amador. Mas para realizar seu sonho, ele deve aprender a compartilhá-lo.

Diria que o diretor, roteirista e protagonista Nicolas Giraud foi brilhante com as escolhas para mostrar em seu filme, pois trabalhou detalhes técnicos tão bem encaixados, usando tão poucos efeitos que chegamos até pensar que ele realmente construiu tudo o que é mostrado na tela, pois sua trama tem vivência, tem emoção, e principalmente tem estilo de uma ficção bem dramatizada, ao ponto de termos cada conexão do roteiro bem presa na tela, sem que tivessem furos ou algo que atrapalhasse a trama. Ou seja, é a junção de uma boa ideia com uma direção segura e que acaba emocionando com perfeição no resultado final que vemos na tela.

Agora falando de Nicolas Giraud como ator e protagonista da história, diria que seu Jim Desforges é tão maluco quanto emocional, sabendo trabalhar todos os trejeitos fortes que o longa pedia, desenvolvendo estilo e presença na tela, e criando toda a dinâmica para que seu personagem não ficasse monótono, ou seja, impressionou do começo ao fim, e deu show dentro do que o filme propunha, pois pode até parecer sério demais, mas agradou com o que fez. Outro que trabalhou bem na tela foi Mathieu Kassovitz com seu Alexandre Ribbot, servindo de exemplo, conselheiro e amigo nas dinâmicas com o protagonista, manteve também um bom brilho no olhar e agradou com estilo e personalidade. Ainda tivemos Hélène Vincent com sua Odette Desforges, mostrando uma vozinha bem carismática, mas muito orgulhosa do neto, sabendo dar as devidas nuances para cada momento seu e agradando demais na tela. E claro que não posso esquecer de Bruno Lochet com seu André Lavelle, criador do combustível da missão e amigo do protagonista, a matemática Ayumi Roux com sua Izumi Sayako dispostas tudo e querendo demais estar presente, além de Hyppolyte Girardot com seu Dominique que acaba entrando na onda do projeto, entre muitos outros bons atores que apenas deram algumas conexões, e claro agradaram sem atrapalhar a trama.

Visualmente como disse foram muito precisos com tudo o que colocaram na tela, parecendo muito real todo o projeto, mesmo sendo algo maluco de se construir um foguete amador e ainda sair da Terra, mas a equipe de arte foi bem precisa nos detalhes, e o resultado foi impressionante de ver, desde a construção até os atos mais explosivos.

Enfim, foi um tremendo filmaço que valeu ver na telona, que certamente muitos vão achar uma insanidade por completo, mas que certamente vão se emocionar com o resultado final, então é claro que recomendo com todas as forças para todos que tem sonhos e vão até o fim para conseguir executar eles. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas já vou para outra sessão do Festival Varilux, então abraços e até logo mais.


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