Elis

11/25/2016 12:42:00 AM |

Se tem um gênero que fica interessante de qualquer forma no cinema é o tal do biográfico musical, pois funciona bem tanto para quem nunca soube da história do cantor, quanto para quem quer apenas curtir mais as músicas do astro de uma maneira diferenciada para lembrar da sua juventude ou algo que lhe remetem as canções. Digo isso principalmente aqui em "Elis", por não abusarem da nossa ideia colocando a atriz para cantar com o vozeirão que a cantora tinha, deixando apenas que dublasse nos momentos cantados e que interpretasse com a melhor entonação possível para que parecesse nas demais cenas, o que é um ponto muito positivo. E o filme ao trabalhar bem o período do despontamento da cantora até sua morte é bem interessante, e até bem feito, porém abusaram demais das épocas certinhas bem divididas até com leves fades de mudança (o que provavelmente vai facilitar os cortes quando o longa for exibido como série) e isso acaba incomodando um pouco, mas nada que chegue a ser inconveniente. Ou seja, vale bem pela boa incorporação que a atriz dá para a personagem, para ouvir boas músicas e para conhecer mais sobre a vida tumultuada que teve.

O longa nos mostra que cantora desde a infância, Elis Regina Carvalho Costa entra na vida adulta deixando o Rio Grande do Sul para espalhar seu talento pelo Brasil a partir do Rio de Janeiro. Em rápida ascensão, ela logo conquista uma legião de fãs, entre eles o famoso compositor e produtor Ronaldo Bôscoli, com quem acaba se casando. Estrela de TV, polêmica, intensa e briguenta, a "Pimentinha" não tarda a ser reconhecida como a maior voz do Brasil, em carreira marcada por altos e baixos.

Estreando na direção de longas, Hugo Prata que já dirigiu dois DVDs da filha de Elis, Maria Rita, soube trabalhar bem os momentos mais icônicos da vida da cantora, mostrando com dinâmica sua chegada ao Rio de Janeiro, suas brigas iniciais com o produtor Ronaldo Bôscoli, seus momentos na TV, a apresentação de grandes shows, alguns relacionamentos e claro também seus momentos de baixa como na ditadura tendo de cantar para os militares e sendo crucificada por outros artistas, seus momentos com bebidas e drogas e por aí vai, ou seja, um material bem pesquisado e que aprovado pelos filhos o resultado que o roteirista Nelson Motta entregou ficou fácil e interessante de ver, que com boa caracterização cênica souberam entregar um filme simples e bem feito. Como disse acima o maior defeito do longa foi o dele já ter sido feito pensado como série, pois é fácil notar as divisões na trama para mostrar as várias fases da cantora, e isso em filme seria bem diferente de acompanhar, mas não acredito como sendo um erro, pois o resultado funciona bem, e mostra que o diretor teve um carinho correto com a produção para que cada momento fosse encaixado corretamente, principalmente nas dublagens para que não soasse falso.

Nunca tinha colocado reparo em Andreia Horta, mas seu trabalho aqui como Elis foi tão bem trabalhado, cheio de trejeitos clássicos que vimos já em documentários e vídeos antigos da TV que por vários momentos sentimos a presença da cantora na tela, e sem forçar muito para dar vida à personagem, a atriz conseguiu ter diversos momentos envolventes e que fizeram (ao menos para mim) parecer alguém que merece muitos bons papeis na carreira, pois tem carisma e boa interpretação. Muitos vão falar das boas nuances de Gustavo Machado como Ronaldo Bôscoli, que até caiu bem dentro da personalidade malandra do produtor, outros vão comentar o jeito dócil e interessante que Caco Ciocler entregou para Cesar Camargo Mariano, que somente no final acabou exagerando nos trejeitos forçados de explosão, mas sem dúvida alguma temos de dar um parabéns monstruoso para a caracterização que fizeram com Lúcio Mauro Filho para que ele sendo um ótimo ator com uma interpretação incrível fizesse de seu Mièle algo que pensássemos numa possível reencarnação do produtor musical, e sem dúvida alguma o jovem ator mostrou uma personalidade tão boa que em um possível filme ou documentário sobre a vida dele certamente será convocado novamente. Vale também pontuar a boa caracterização e a ótima interpretação de Julio Andrade com seu Lennie Dale, que praticamente ensinou a cantora como ser mais expressiva, e o ator deu um show de trejeitos e movimentações,

Sobre o visual da trama é fato falarmos que escolheram muito bem as locações, primeiro para conseguir representar os velhos ambientes dos anos 60/70/80, e depois já que mostram programas de TV e shows que muitos viram, tiveram de ser críveis na exemplificação dos momentos para que nada saísse do detalhamento. Não sei se as casas que Elis morou realmente foram utilizadas para representar a produção, mas arrumaram bem a decoração para que o ambiente representasse bem as duas épocas de sua vida. Além da representação cênica, outro grande acerto da trama ficou a cargo do desenvolvimento artístico para caracterizar os personagens, pois todos atores ficaram muito parecidos com os personagens originais, e isso é algo bem legal de ver o trabalho de uma equipe brasileira encarregada disso. Outro grande ponto positivo ficou a cargo da equipe de fotografia, pois trabalharam muito com luzes em contraplanos para criar ambientes intimistas tanto nas cenas de diálogos, quanto nos shows, o que deu um visual incrível de observar.

Enfim, um filme que vale a pena ser visto, mas que infelizmente por contrato, é capaz de nem ficar muito tempo em cartaz já indo para a TV como minissérie, ou seja, quem quiser ver a forma original deve correr. Recomendo ele mais para conhecer a cantora do que como um grande filme do cinema nacional, pelos pequenos defeitos na formatação que poderia ser mais envolvente. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais estreias, então abraços e até logo mais.

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Jack Reacher: Sem Retorno (Jack Reacher: Never Go Back)

11/24/2016 02:02:00 AM |

Filmes de ação policial geralmente possuem um molde bem definido que você acaba até se divertindo por saber exatamente em que ponto da trama irá acontecer cada coisa. Não digo que isso seja algo completamente ruim, mas como gostamos de um pouco mais de originalidade, pedimos ao menos que os diretores coloquem algum detalhe diferenciado em algum momento, ou que nos surpreenda em algo para podermos falar bem daquilo, ou até mesmo que não fique tanto em cima do muro com as situações, mas pedir tudo isso é quase um sonho, então "Jack Reacher - Sem Retorno" não só não mostra novidade alguma, como abusa de todos os trejeitos possíveis do gênero, e pra ajudar ainda fica bem morninho dentro da dinâmica toda que poderia alcançar. Não digo que é um filme que dê sono, muito menos que não seja bacana de assistir, afinal diria que é até um pouco melhor que o primeiro filme "O Último Tiro", mas ainda assim como falei ao fechar o texto dele, vai ser daqueles filmes que vão passar uma tonelada de vezes na última sessão do domingo na TV, e deitado no sofá você irá decidir se vai continuar curtindo ou irá dormir, o que no cinema não é algo interessante de se fazer.

Jack Reacher retorna à base militar onde serviu na Virgínia, onde pretende levar uma major local, Susan Turner, para jantar. Só que, logo ao chegar, descobre que ela está presa, acusada de ter vazado informações confidenciais do exército. Estranhando a situação, Reacher resolve iniciar uma investigação por conta própria e logo descobre que o caso é bem mais pessoal do que imaginava.

O fato do longa ser bem calmo é fácil de observar pelos demais longas que o diretor Edward Zwick dirigiu, como "Lendas da Paixão", "Amor e Outras Drogas", e até mesmo em "O Último Samurai" e "Um Ato de Liberdade" são menos agitados do que se esperam de longas de guerra/ação, mas aqui ele trabalhou com uma síntese bem própria ao pegar o roteiro de Richard Wenk ("O Protetor") e dar uma nova roupagem quase que com a mesma história, apenas invertendo o pano de fundo, e isso é interessante de observar, pois geralmente o primeiro tratamento de um roteiro costuma sofrer muitas mudanças quando caem em outras mãos, e aqui vemos quase a mesma história que Wenk entregou alguns anos atrás. Volto a frisar que não é ruim se amparar em outros longas, desde que a criatividade de um diretor/roteirista consiga mostrar serviço e adequar para que seu filme flua e agrade (de preferência mais que o longa baseado) a todos. Mas relevando esse ponto da cópia exagerada que foi entregue, o que podemos ver em suma é que o diretor foi direto ao ponto, trabalhando bem com a dinâmica protagonista aparece, secundários ficam bem para trás, pois é raro não estar em cena Tom Cruise, e mesmo nas cenas mais tranquilas que não precisaria aparecer sua figura, algum elemento dele acaba aparecendo, ou seja, se a história literária é baseada no personagem, não vamos precisar apresentar mais ninguém e muito menos que esse alguém desponte, e assim sendo, o resultado para Cruise (que é também o produtor do longa) é satisfatório por marcar sua imagem e voltar para quem sabe um papel icônico quase de um super-herói da vida real (se é que ele é real pelo tanto que apanha e continua bem!)

Sobre as atuações, como já disse acima o filme focou completamente no personagem título, e com isso Tom Cruise com seus 54 anos mostrou disposição para lutar, correr e claro ser bem pensativo nas cenas mais cadenciadas de seu Jack Reacher, claro que o ator começa a mostrar que não tem mais o grande pique de sua juventude, mas ainda trabalha bem na expressividade e agrada pelo seu jeito canastrão menos forçado que outros atores da sua época. Cobie Smulders é uma atriz interessante que colocaram compostura demais na personalidade de sua Major Turner, de tal maneira que (dando um leve spoiler) você vai aguardar o longa inteiro por um romance mais afetuoso e irá embora decepcionado por não ver nada muito a fundo entre os dois protagonistas, o que mostra um acerto por parte do diretor de querer que a atriz ficasse bem mais próxima de um elo militar do que um romance cheio de doçuras. Danika Yarosh fez bem sua Sam e deu um ar mais fraternal na trama, colocando em xeque sempre a pergunta "é ou não filha do protagonista?", e claro que dentro do clichê máximo do estilo, sempre estava apta para fazer cagadas nas cenas mais calmas para que os vilões voltassem a seguir eles, ou seja, fez bem o dever de casa para manter a trama sempre ocupada. Patrick Heusinger fez um caçador daqueles que chegam a ser inconvenientes de tanto perseguir os protagonistas, e claro que vamos torcer pro mocinho socar ele ao máximo no fim, pois esse estilo de personagem só serve para duas coisas: incomodar o público com sacadas forçadas e apanhar do protagonista, mesmo que possa dar um tiro fácil é claro que vai partir pra porrada. Dos demais personagens todos aparecem bem pouco e acabam tendo ligações leves dentro da trama, mas poderiam ter dado mais importância tanto para o papel de Aldis Hodge com seu Espin que caiu bem nos momentos certos, como para Robert Knepper como general Harkness, pois ao final ele é o mais importante da trama e acaba sendo quase um enfeite durante o longa quase inteiro.

Um fato claro que diferencia esse longa do anterior é a economia artística, pois se no primeiro desenvolveram a ação em mais lugares e trabalharam as locações com maior dinâmica, aqui focaram poucos momentos, em lugares menores (vou preferir dizer que o Carnaval/Halloween de Nova Orleans é algo tradicional que nem conto como um cenário) e com perspectivas mais fechadas para desenvolver um clima mais cadenciado do que uma aventura forte característica de outros filmes de Cruise, mas ainda assim tivemos boas cenas, e isso é o que faz de uma direção de arte um trabalho efetivo. Detalhe que as paredes poderiam ser mais rígidas, pois ficou claro o efeito isopor quebrando na cena de pancadaria. No conceito fotográfico a trama trabalhou bem com locações escuras para criar um clima mais tenso em algumas cenas, mas nada que seja um deslumbre visual de tons, o que acabou faltando para termos cenas mais quentes e impactantes como uma boa ação pediria.

Enfim, é um filme razoável que vai agradar quem gosta de ver Tom Cruise e claro curte um longa bem levinho de ação policial. Claro que não posso dizer que vou recomendar ele para todos, pois certamente os amantes de um longa dinâmico, cheio de pegadas e explosões vai sair da sessão rindo ou bravo por ter cansado com tudo o que é mostrado, mas vale um tempinho assistindo em casa, ou até mesmo no cinema se não tiver outra boa opção passando, para rir dos clichês tradicionais, e principalmente quem gostou do primeiro filme vai achar esse bem melhor. Bem é isso pessoal, esse foi apenas o primeiro filme da semana, que vi antes graças ao pessoal da Difusora FM 91,3MHz que trouxe para nós essa sessão antecipada, então valeu galera, estamos juntos sempre pra divulgar e curtir o som rock'n roll, e volto em breve com as demais estreias da semana, então abraços e até mais galera.

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O Amor de Catarina

11/22/2016 01:10:00 AM |

Chega a ser difícil falar algo de "O Amor de Catarina", pois chamar de cinema amador um projeto desse estilo chega a ser uma ofensa tanto para a palavra cinema (pois temos quiçá uma tentativa frustrada de ter uma paródia de novela mexicana), quanto para os profissionais que buscam com criatividade e pouco orçamento fazer algo que faça jus ao cinema independente e que com boas propostas até conseguem agradar em alguns momentos. Digo isso com um grande pesar, pois ultimamente tenho somente falado bem de boas produções nacionais que vinham numa grande crescente, mas hoje ao estar sozinho na sessão do longa (ainda bem que mais ninguém gastou dinheiro vendo isso, somente eu) me vi reclamando em alto e bom som a cada nova cena desnecessária, a cada câmera chacoalhante sem nenhuma linguagem proposital, a cada expressão exagerada numa tentativa de fazer os carões das novelas mexicanas, a cada tentativa de reviravolta sem conseguir atingir ao menos a sequência correta, ou seja, falei o filme inteiro, e se tivesse mais alguém na sessão faria ao menos um debate, pois esse é daqueles filmes que se a pessoa assistir quieta demais, ela dorme de marasmo ou por não conseguir assistir até o fim com tanta coisa ruim, acaba indo embora da sessão.

A sinopse nos mostra que Rose é uma dona de casa que sempre idealizou sua vida com uma família perfeita. A realidade, no entanto, é muito diferente. Seu casamento está em completo descompasso e sua filha lhe nega qualquer tipo de atenção. Em meio a essa situação nada ideal, Rose encontra alento em lembranças que cultiva em uma caixa de sapatos e na companhia de sua vizinha e melhor amiga, Dolores. Ambas acompanham assiduamente a telenovela “O Amor de Catarina”, sucesso nacional, que retrata a história de Catarina, que vive um turbulento relacionamento com um marido possessivo e que a cada episódio assume mais o controle de sua vida graças a sua personalidade forte e independente.

Fiquei pensando um motivo de o longa ser tão bagunçado, e ao ver que foi escrito por 5 pessoas, chego à conclusão que o diretor Gil Baroni pegou todas as ideias, jogou num liquidificador, fez os diversos storyboards e saiu para filmar, pois a ideia se levarmos em conta toda a perspectiva, o baixo orçamento e tudo o que poderia ter virado num resultado final mais satisfatório, até poderia ter um rumo mais coeso, mas a cada 5 a 10 minutos, um novo relance era revirado sem muito nexo e jogado literalmente na tela, sem se preocupar com nada, nem atingindo lugar algum. Ou seja, a velha história de lapidar um roteiro até chegar realmente numa proposta condizente geralmente é relevada por alguns diretores, e muitos apenas pegam os textos que lhe são entregues e filmam, o que acaba sendo um grande fracasso, e este aqui é um dos maiores exemplos de como é fácil errar, mesmo trabalhando bem no restante da produção.

Falar das atuações é algo que aqui temos de pontuar bem, pois faltou tanto uma atitude maior do diretor para controlar os momentos, quanto também temos de pontuar que todos sem exceção falharam por exagerarem em trejeitos. Para começar, Greice Barros ficou parecendo que foi escolhida aleatoriamente entre a primeira mulher que apareceu num shopping com cara de mulher triste para interpretar Rose que tinha esse perfil, pois posso estar criticando alguém que mais para frente irá deslanchar, porém aqui chegou a ficar num nível abaixo de ruim para ser a protagonista da trama. Ciliane Vendruscolo fez uma Dolores bem colocada dentro da proposta, mas parecia desesperada pelos seus momentos. Muitos ironizaram por ser mais um filme de Kéfera Buchmann, mas sua Catarina é o menor problema do longa, pois fazendo uma atriz de novela bem estilo das tradicionais forçadas mexicanas, ela soou bem e nos poucos momentos encaixou dentro do que poderia, e fez o certo, mas nada que seja ainda impressionante de esperar dela. Do grupo masculino Maicon Santini fez seu Gonzales da forma mais caricata possível, e embora isso possa parecer ruim, foi até engraçado de ver, enquanto |Rodrigo Ferrarini fez um Julio meio desorientado e estranho de ver, mas sem dúvida alguma Luiz Bertazzo foi o que mais se perdeu dentro da ideia do longa que o diretor desejava, e fez um Pedro completamente jogado e forçado.

Com certeza boa parte dos 180 mil reais gastos ficaram por conta da cenografia do longa, principalmente por montar todo um cenário grande de novela, outro lotado de elementos para as cenas do teatro, e mais diversos elementos para as duas casas e salão, ou seja, a equipe de arte teve um trabalho até bem desenvolvido, mas acabou se perdendo em excessos, o que nunca é bom para nenhum filme, pois talvez detalhes simples chamassem bem mais a atenção e acabaria resultando em algo menos enfeitado. Agora um dos pontos mais falhos do longa ficou a cargo do diretor de fotografia e claro do câmera, pois faltou iluminação na maioria das cenas, deixando o longa exageradamente escuro, e com tons errados para cada momento (tirando claro as cenas da novela que foram filmadas a parte), e o câmera certamente tinha Parkinson e não deveriam ter optado por tantas cenas com câmera na mão, pois não fluiu nenhum tipo de linguagem e destruiu os momentos razoáveis do longa com o tanto balançar que teve.

Enfim, um filme que não recomendo de forma alguma nem pro meu pior inimigo gastar dinheiro, pois o excesso de falhas é fora dos padrões aceitáveis em uma produção. Já disse que não gosto de falar mal de diretores/produtores brasileiros, pois posso certamente trabalhar com algum deles num futuro, mas espero sinceramente que em outras produções dos envolvidos técnicos desse longa eles melhorem muito, senão a chance de sumir do mapa é alta. Bem é isso pessoal, encerro aqui minha semana cinematográfica, pois mudaram o horário de uma das estreias não sendo exibido mais nessa semana, então volto na próxima Quinta com mais textos, então abraços e até breve.

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Animais Fantásticos e Onde Habitam em Imax 3D (Fantastic Beasts and Where to Find Them)

11/19/2016 03:10:00 AM |

Falar que "Animais Fantásticos e Onde Habitam" é um filme mágico é ficar rodando para falar mais do mesmo, mas me fogem palavras para expressar o quão bom foi poder conferir o retorno do mundo fantástico da magia que tanto nos permeou durante diversos anos, e ainda saberem como fazer para que algo novo nos fosse mostrado com tanta emoção, criatividade e principalmente, com muitos efeitos para que o gostinho de felicidade ficasse ainda mais presente na sessão 3D. Ou seja, pode ser que numa revisão até encontre algum defeito maior dentro da proposta completa, mas são tantos bons personagens, animais realmente fantásticos e lindos/fofos, um roteiro bem trabalhado de emoções e um claro desenvolvimento de começo, meio e fim tradicionais que nem necessitaria outras continuações para tudo o que foi mostrado, mas é tão bom poder ver mais sobre as histórias que acontecerão no mundo bruxo antes de Harry Potter que por enquanto só consigo enxergar como defeito 2018 estar tão longe para vermos o que acontecerá em Paris. Portanto, sendo fã ou não das histórias de Harry Potter, vá para o cinema e embarque nessa aventura, de preferência na maior sala 3D de sua cidade (e se possível numa Imax), que com toda certeza irá gostar muito de toda a emoção que será mostrada na tela.

O longa nos conta que o excêntrico magizoologista Newt Scamander chega à cidade de Nova York levando com muito zelo sua preciosa maleta, um objeto mágico onde ele carrega fantásticos animais do mundo da magia que coletou durante as suas viagens. Em meio a comunidade bruxa norte-americana, que teme muito mais a exposição aos trouxas do que os ingleses, Newt precisará usar todas suas habilidades e conhecimentos para capturar uma variedade de criaturas que acabam fugindo.

Diferentemente do que ocorreu com todos seus outros livros no qual J.K. Rowling apenas entregou a história pronta para que outros roteiristas e produtores adaptassem da forma que desejasse, aqui a escritora fez questão de escrever diretamente para cinema o roteiro, e como já está bem renomada (e com muito dinheiro também) possuiu também os direitos criativos sobre toda a trama, ou seja, quem for fã da saga literária certamente não se desapontará com nada do que será mostrado na telona, pois tudo virá da mente que criou esse universo, e assim sendo é notável logo de cara essa presença mais mágica dentro do contexto do que nos demais filmes que já vimos abordando o assunto. Agora se é permitido colocar um defeito que nem podemos pontuar como gravíssimo, é o fato de que não temos quase que muita apresentação desse novo mundo, e muito menos de cada personagem, como ocorrerá antes, já sendo jogado logo de cara com tudo rolando, ou seja, não que seja algo obrigatório, mas pode ser que quem não for fã da saga, ao ir conferir o longa no cinema fique um pouco desconectado com quem é quem, mas nada que irá importar muito, pois com a desenvoltura completa da trama, tudo o que ocorre acaba sendo bem encaixado e funcional para o momento. Claro que essa boa dinâmica vem do estilo de outro membro da equipe que já conhece bem o universo mágico de Rowling, que é o diretor David Yates, que apenas teve uma leve fuga das histórias mágicas com "A Lenda de Tarzan" nesse ano, após ter filmado os 4 últimos Harry Potter desde 2007, ou seja, já estava completamente a par da situação para que tudo se encaixasse bem e mais do que isso, ainda teve apoio tecnológico nessa época para que tudo fosse melhorado no estilo de uso das câmeras, de tal modo que se antes um efeito tridimensional simples era algo absurdo de se fazer, hoje sua equipe fez com os pés nas costas, e assim sendo o resultado de seu trabalho, tanto pelo ritmo do filme, quanto pelo estilo que escolheu desenvolver a trama foi algo que merece todos os aplausos possíveis.

É claro que um bom filme sem um bom elenco dificilmente acaba agradando a todos, e sem dúvida alguma a escolha aqui foi precisa para que os personagens tivessem todo o carisma impregnado no jeito de atuar e assim acabar se desenvolvendo mais com bons trejeitos e colocações. E quem é um dos grandes nomes dos trejeitos e ainda consegue agradar pela leveza de sua atuação é Eddie Redmayne que incorporou em seu Newt uma personalidade bem clássica e gostosa de ver pela doçura impregnada na sua voz, pelos bons momentos dinâmicos e carismáticos que conseguiu trabalhar e principalmente por não entregar seu ouro de cara, deixando que cada momento fosse único e bem colocado dentro da simplicidade tradicional que costuma demonstrar em todos os longas que atua, agora é esperarmos para ver como irá se sair nos demais filmes, afinal contrato para mais um ele já assinou. Katherine Waterstone também fez de sua Tina uma personagem bem doce de acompanhar e que agrada pela forma leve que acaba agindo nos diversos momentos importantes da trama, porém poderiam ter colocado um pouco mais de sua história para conhecermos seus problemas, pois apenas são lances jogados para o público que estiver mais atento pegar tudo, mas ainda assim a jovem acabou saindo bem na sua interpretação. Agora sem dúvida alguma o grande nome que será lembrado do filme é o de Dan Fogler com seu Kowalski, pois o ator caiu como uma luva para dar toda a comicidade pertinente à trama, e sem atrapalhar os bons momentos mais sérios, o ator soube ser envolvente e bacana de acompanhar, fazendo com que um personagem que tecnicamente seria bem secundário na trama tivesse um destaque tão maior quanto qualquer um dentro do estúdio esperasse. Assim como Fogler, Alison Sudol acabou sendo tão agradável com sua Queenie que o romance secundário na trama trouxe paixão para todos os corações da sessão, fazendo algo tão agradável nesses momentos mais leves, que por bem pouco o público não irá pedir mais da história deles nos longas futuros, e assim sendo a atriz mostrou um bom trabalho. Muito se está esperando de Ezra Miller como o novo Flash, mas enquanto não vemos o jovem ator como um super-herói, aqui ele mostrou novamente que tem potencial para filmes que lhe exijam uma grande expressividade facial e corporal, pois seu Credence logo de cara já mostra a que veio, e dificilmente o público não irá pensar outra coisa dele, e claro que assim sendo o ator não desaponta em momento algum dando literalmente um show de facetas expressivas. Colin Farrel também trabalhou bem na trama toda com seu Graves e com um ar mais robusto, o experiente ator soube dinamizar suas cenas para que fossem fortes e clássicas, de tal maneira que não esconde muito bem seus atos, e com um fechamento incrível para quem deseja esperar mais dos próximos filmes. Carmen Ejogo mostrou pouco de sua personalidade como Presidente Picquery, mas com toda certeza será importante nos demais filmes. E claro para fechar a parte das atuações, muitos estão crucificando a escolha de Johnny Depp para o papel de Grindewald (que pelo que muitos fãs já contaram será o grande vilão dos demais filmes), mas o ator se mostrou tão bem encaixado mesmo que apenas em uma cena, que acredito muito no que acabará fazendo nos demais filmes, e claro que ainda é muito cedo para falar de sua excentricidade dentro da trama, mas acho que caiu muito bem no que foi feito.

Agora sem dúvida alguma o grande feito da trama ficou a cargo da equipe artística que trabalhou muito bem para criar uma Nova York clássica com uma boa cenografia pronta para aplicar os diversos efeitos computacionais com tudo sendo destruído, ótimos elementos cênicos nas casas e locais por onde os personagens acabam passando, e claro que o grande show mágico dentro da maleta do protagonista, aonde passamos por diversos sub-ambientes incríveis e maravilhosos que claro junto com os diversos animais criados com texturas incríveis nos levam a acreditar muito no mundo fantasioso de tal maneira que acabamos nos apaixonando por cada um, desde o mais feio até o mais fofo, e que com uma boa animação gráfica acabou criando ótimos momentos junto dos protagonistas divertindo e encantando na medida certa. A fotografia do longa ficou bem dentro de um tom mais puxado para o marrom, para criar um ar mais retrô e também dar uma certa seriedade nas cenas, sem que tudo ficasse um colorido fantasioso, e claro contrastasse com o brilho de cada ambiente dentro da maleta, mas esse tom foi mais acertado ainda por ser escuro e funcionar como contraste para os efeitos tridimensionais bem coloridos que saem da tela. E já que comecei a falar do 3D, mesmo o longa não tendo sido filmado com a tecnologia, a conversão foi tão boa que pros amantes de objetos saindo da tela, este é o nome da vez, pois temos diversas cenas com os bichos saindo do quadro de uma maneira tão mágica que acabou fazendo com que até os marmanjos mais velhos ficassem tentando pegar as coisas no ar do cinema, e além disso, o filme aparenta uma grande preocupação com camadas, fazendo com que a profundidade de câmera seja precisa tanto nos momentos que coisas saíssem da tela, quanto em cenas com diversos personagens que vemos tudo ocorrendo em vários âmbitos, ou seja, uma precisão incrível da tecnologia que vai agradar a todos, e digo até mais, todos devem ver nas salas 3D maiores de sua cidade.

Outro grande fator para toda a empolgação ficou a cargo da ótima trilha sonora composta para a trama por James Newton Howard, pois a cada passo dos protagonistas, a boa sonoridade da orquestra nos dava o ritmo e a postura de cada momento, fazendo com que o filme fluísse maravilhosamente bem.

Enfim, um filme incrível que marca apenas o começo de uma nova saga de 5 filmes, mas que quem conferir apenas esse poderá se encantar com tudo, mesmo com os pequenos defeitos que citei acima. Ou seja, entre no clima e vá conferir o longa com muita empolgação mesmo se não for fã de ficções fantasiosas, pois a chance de virar fã pelo trabalho mostrado aqui é bem alta. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda tenho alguns longas para conferir durante a semana, então abraços e até breve.

PS: Muitos vão falar que fiquei maluco de dar 10 para um filme que possui defeitos, mas são tão pequenos perto da grande mágica e emoção criada, que no mínimo daria 9,5 para o longa, e como todos bem sabem, não tenho notas quebradas, então como sempre pedimos para nossos professores, vamos arredondar para cima.

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Através da Sombra

11/18/2016 01:14:00 AM |

Ainda sonho em um dia que o cinema brasileiro terá toda semana um novo filme de gêneros variados e de qualidade tão superior que vamos ficar esperando pelo lançamento como ocorre com longas de diretores internacionais renomados. E se você leu essa frase achando que o Coelho está maluco, e que isso jamais vai acontecer, digo que sei que não está tão perto, mas posso dizer que 2016 foi o ano que mais tivemos longas de gêneros variados em nossa filmografia nacional, e que a qualidade de muitos foram bem satisfatórias para que possamos começar a acreditar num futuro melhor. Digo isso claro com ressalvas, pois "Através da Sombra" é um excelente exemplar de filme de suspense, com uma tensão característica, uma excelente locação para trabalhar a história e atuações convincentes para agradar, porém o defeito tradicional de longas alternativos que tentam ir para o lado comercial voltou a atacar, com o diretor desenvolvendo todo o miolo quase que de forma literária para que todos entendam a ideia que deseja mostrar, mas quando chega no final deixa aberto demais para que você divague, ou seja, um filme interessantíssimo com uma ótima proposta, mas que falhou no fechamento para ser perfeito. Porém ainda assim recomendo muito o longa para todos que gostem de filmes com mistérios, para que com uma boa bilheteria, quem sabe em breve tenhamos outros desse estilo no país.

A sinopse nos mostra que a tímida Laura é contratada por um homem rico para cuidar de seus dois sobrinhos órfãos, que moram numa fazenda de plantação de café. Apesar de não se dar muito bem com o campo, ela aceita a tarefa, e logo estabelece uma amizade com a pequena Elisa, enquanto seu irmão é enviado a um internato, por razões desconhecidas. Aos poucos, com a presença dos escravos e da governanta Geraldina, Laura tem a impressão de que alguns segredos são escondidos naquela casa. Ela acredita inclusive ver algumas pessoas que ninguém mais vê.

Se você ao ler a sinopse e depois ver o trailer achou muita semelhança com diversos outros filmes internacionais("Lugares Escuros" de 2006, "Os Inocentes" de 1961, entre outros), você não ficou maluco, pois ambos os filmes são baseados no texto de "A Outra Volta do Parafuso"("The Turn of The Screw") de Henry James, mas aqui o diretor e roteirista Walter Lima Jr. optou por menos abstrações e mistérios e deixou tudo com um tom mais ligado com os espíritos mesmo, montando um mote mais simples, porém eficiente para que o filme funcionasse mais comercialmente também. Agora é inegável o grande trabalho cênico que o diretor conseguiu para sua produção, pois contando com trens de passageiros (algo que hoje praticamente inexiste no Brasil), um casarão de café gigantesco com escravos trabalhando na torra do grão, com muita fumaça e fogo, e claro tudo bem simbolizado para dar o tom de mistério que o filme necessitava. Claro, que poderia ter dado sua opinião pessoal no fechamento para não largar tão em aberto, e também poderia criar um mistério mais denso no desenvolvimento completo, mas nada que incomode tanto, pois a situação em si já é bem explicativa. Ou seja, a adaptação do livro foi bem transitada para nossos moldes, mas uma pitadinha a mais faria o longa ser algo de nível exemplar.

Sobre as atuações, Virginia Cavendish me enganou bonito no trailer, e até em diversas cenas do longa com sua Laura, pois jurava com todas as letras que era Glória Pires a protagonista do longa, pois a jovem possui a mesma entonação na voz, está bem semelhante visualmente e até saiu-se muito bem no estilo tão conhecido da famosa atriz, ou seja, mostrou também ter grandes qualidades, principalmente no papel que fez aqui, pois o longa exigiu dela expressões fortes, porém com simplicidade que foram dominadas e caracterizadas com perfeição e detalhamento, de tal maneira que só mudaria seus semblantes calmos demais em algumas cenas que exigiam mais nervosismo. Mel Maia é sem dúvida a nossa melhor atriz mirim, que com toda certeza terá um grande futuro se manter o estilo simples de atuar e incorporar bem os papeis que lhe são entregues, e claro que sua Elisa foi colocada pontualmente na trama, e a cada novo detalhe nos entregava migalhas para agradar e mostrar que tinha muito mais na manga para envolver e acertar. O jovem Xande Valois também fez bem o seu papel de Antônio, só soou forçado demais em algumas cenas que colocaram para ele uma personalidade de adulto, claro que isso é bem explicado no fim, mas o pequeno ator acabou exagerando nos trejeitos e por pouco não falhou. Ana Lúcia Torre caiu bem no papel da governanta Geraldine, e agradou tanto por segurar as cenas mais misteriosas quanto pela tonalidade da voz que deu boas nuances nas cenas mais densas, talvez mais cenas dela cairiam bem no longa. As aparições de Alexandre Varella como Bento foram bem pontuais e interessantes de ver pela expressividade misteriosa que conseguiu criar, mas poderia nas cenas finais ter deixado tudo um pouco mais tenso para que o filme decolasse realmente. Último filme de Domingos Montagner a ser exibido, aqui seu Afonso aparece apenas no começo e ficou sendo jogado demais para que fosse lembrado, de tal maneira que se não quisessem colocar suas cenas iniciais, até poderia passar tranquilamente, mas como fez bem acabaram usando e colocando com estilo e como forma de homenagem.

Já falei bem da cenografia no começo do texto, mas volto a ressaltar o ótimo trabalho da equipe de arte, que basicamente precisou arrumar duas boas locações, uma fazenda de café com uma casa aonde puderam decorar até de forma bem limpa e clássica para ter as nuances ali (talvez tenham ficado com medo de quebrar algo ou bagunçar demais a locação alugada), e uma estação de trem com um trem de passageiros em funcionamento, pois ali também acontecem algumas cenas, ou seja, um trabalho que com certeza foi bem árduo para ser preparado, mas que o resultado final acabou incrível de ver. Diria até mais, que a equipe foi precisa para simbolizar o tempo da escravidão e unir isso ao lado sombrio de um mistério com as escolhas feitas, de tal maneira que a equipe de fotografia só precisou de alguns efeitos de fumaça, algumas lentes mais escuras e claro trabalhar com muita iluminação de velas e lampiões para que o tom ficasse condizente tanto com a época como para criar o clima que um bom suspense exige, ou seja, tudo simples, mas impecável.

Ou seja, temos um filme que vale a pena ser assistido, e recomendo com certeza. Como disse até possui alguns defeitinhos, mas que são relevantes perante o tamanho da produção e o resultado que consegue atingir, valendo tanto como um bom exemplar fora dos moldes que tanto andamos vendo nos longas nacionais, como um bom suspense pela ideia passada, mesmo que já tenha sido vista interpretada por outras pessoas. Enfim, vá ao cinema e confira para que como disse, termos mais longas diferentes dentro do nosso cinema nacional. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com a grande estreia da semana, então abraços e até mais.

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Pequeno Segredo

11/13/2016 10:58:00 PM |

Alguns filmes conseguem ser doces e pontuais, para que possam trabalhar temas polêmicos, principalmente envolvendo crianças, sem denegrir nenhuma imagem, e claro deixando o tom agradável de assistir. E com certeza a ideologia de "Pequeno Segredo" é bem essa, e o diretor conseguiu transmitir bem a história de sua família com uma boa simbologia e adequando o sentimento dentro de algo aceitável, sem que precisasse ficar forçado, ou que o público lavasse a sala do cinema, mas sim pontuando através de bons recortes (alguns até em excesso) os desejos de uma criança e a formação difícil de uma família que passou por alguns grandes problemas. Ou seja, um longa interessante, e que marca uma escolha até que certeira para o Brasil tente voltar a ter sua participação no Oscar, pois o filme tem uma pegada clássica que a Academia gosta, a de trabalhar doenças, e por ser bem sutil consegue comover as plateias por onde é exibido.

O longa que é baseado em fatos reais, o filme gira em torno da família Schurmann, conhecida por seus cruzamentos marítimos. Por muito tempo, eles guardaram a comovente história da adoção de uma menina. Kat é uma jovem frágil, mas de muita personalidade. Ela vive com os pais, Heloísa e Vilfredo, que a adotaram de um casal de amigos. O filme centra sua história na infância da menina e na fase em que seus pais biológicos se conheceram.

Se no passado o roteiro de Marcos Bernstein de "Central do Brasil" chegou até o Oscar, por que não dizer que seu novo roteiro também chegará, e assim como no filme de 98 que trabalhou com um tema forte de maneira bem singela, aqui seu texto flui num emaranhado gostoso de acompanhar que nos leva a pensar nas diversas discriminações que várias crianças sofrem, e até mesmo adultos por serem de etnias diferentes, ou terem qualquer tipo de doença, ou até mesmo por serem de tamanhos fora dos padrões que muitos colocam na cabeça como sendo um molde, e o diretor David Schurmann lhe entregou o ótimo livro de sua mãe Heloísa Schurmann para que ao voltar para suas mãos tudo estivesse claro e bem montado, pois mesmo tendo vivenciado toda a história (mas não quis colocar tanto nenhum jovem ator para lhe interpretar), ele desejava com toda certeza para seu primeiro trabalho à frente de uma ficção, algo que fosse bem moldado e cheio de nuances, e isso fica claro desde a abertura (que por sinal é também o fechamento do filme) e se desenrola com boa desenvoltura agradando pela sutileza empregada tanto pela garotinha como por todos os personagens adultos, tirando claro a cena mais impactante no miolo que até poderiam ter feito de uma maneira menos forte e chocante, mas nada que tenha atrapalhado todo o restante. Em suma o resultado do texto e da direção podem ser vistos como algo simples, pois não temos nada que faça um grande salto ou coisa parecida, mas o resultado é bem bonito de ver, pois haveria diversas formas de se tratar o tema, e por ser algo que realmente aconteceu, foram singelos sem atacar nem colocar algo forte apenas para comover. O único defeito ao meu ver é o exagero de cortes entre as duas fases que poderiam ser menos secos, tanto que há cenas em que cortam a pessoa falando no meio e já pica para outra parte, o que não é algo muito legal de ver, mas são escolhas e gostos pessoais, que talvez de um modo linear não fosse tão forte.

Mais do que os grandes atores experientes, o destaque mesmo fica para o estilo doce da jovem Mariana Goulart, que fez boas expressões, colocou personalidade no seu jeito de interpretar e foi bem escolhida como a jovem que mais parecia com a Kat original, e olhando os vídeos originais no final vemos que até o jeito de falar da garotinha ela conseguiu assimilar para agradar bem, ou seja, tem futuro para a jovem atriz. Júlia Lemmertz como sempre arrasa no seu estilo expressivo, colocando leves nuances para cada momento de sua Heloísa e trabalhando com personalidade fronte aos diversos momentos impactantes que teve na produção, e com isso ela acertou sem forçar expressões e muito menos sendo algum tipo de heroína que tantas outras atrizes poderiam colocar na interpretação, e de sobra ainda ficou muito parecida com a real Heloísa. Maria Flor deu um show de interpretação, tanto nas cenas de afrontamento pela sogra preconceituosa em relação ao Brasil, a qual fez com sua Jeanne semblantes perfeitos para o momento, nos momentos amorosos foi bem delicada, mas seus dois grandes momentos foram sem dúvida alguma no acidente e na banheira, pois mostrou com um realismo incrível tudo o que qualquer um esperaria ver de uma boa atriz. Não conhecia o ator neozelandês Erroll Shand, e por isso talvez tenha me conectado muito à interpretação que deu para seu Robert, de tal maneira que o ator soube dosar bem as cenas mistas em português enrolando-se todo para falar, mas se esforçando bem para isso, e mostrando personalidade para as cenas mais fortes e impactantes, de tal modo que o encaixe foi bem feito. Já a irlandesa Fionnula Flanagan estamos acostumados com outras produções que fez, e claro que a experiente atriz não deixaria que sua personagem fosse mera coadjuvante sem dar expressividade e força para os momentos de sua Barbara, sendo impactante e até grosseira nos momentos mais tensos, mas trabalhando sempre boas expressões para que fosse encaixado de maneira certa sem abusos na tela. Já Marcelo Anthony acabou ficando meio que em segundo plano com seu Vilfredo, de tal maneira que não tivemos quase nenhum momento para que se destacasse, ou mostrasse os reais planos da grande vivência dos Schurmann, mas ao menos arrumaram alguém bem parecido com o patriarca da família navegadora.

Com boas locações em Santa Catarina, no Pará e até mesmo na Nova Zelândia, o longa trabalhou pequenos detalhes nos elementos cênicos, como o diário da jovem garotinha, os remédios que ela tomava e até mesmo o detalhe do colar foi colocado em pauta, para que tivessem objetos precisos para dar certos toques, mas a grande incidência realmente ficou em cima das atuações e com isso a equipe teve preocupação real apenas em segurar o tom. A fotografia trabalhou bem os tons clássicos que os Schurmann mais viram em suas vidas, o azul do mar, e claro o laranja mágico do pôr do sol, e com boas dinâmicas envolvendo esses tons, tiveram grandes acertos e também alguns errinhos em usar demais cenas com drones voando para dar um ar mais amplo, mas nada que funcione bem para esse uso dentro da linguagem.

Enfim, um filme bem bonito, e que comparado com os outros concorrentes do país, foi o mais acertado para tentar a vaga, ou seja, não digo que seja perfeito e que realmente vai chegar aos cinco escolhidos, mas que é um longa bem gostoso de assistir e que se encaixa bem no estilo que a Academia gosta de escolher certamente é essa a opção. Portanto vá aos cinemas e confira, pois quem sabe veremos ele na telona dourada, e pela ótima essência e sutileza também recomendo bem ele. Bem é isso pessoal, encerro por aqui minha semana cinematográfica, mas volto na próxima quinta com mais textos, então abraços e até breve.

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Invasão de Privacidade (I.T.)

11/13/2016 01:27:00 AM |

Existe uma lenda que pessoas que trabalham com informática não são normais, e geralmente precisam de tratamento psicológico para saber conviver com as demais pessoas. Claro que nem todos são assim, mas conheço muitos por aí que se enquadrariam facilmente nesse molde. Digo isso, pois a premissa de "Invasão de Privacidade" pode ser vista sob duas vertentes, a primeira do ego inflado de um ricaço que ama tecnologia e coloca aonde pensar coisas que funcionariam de um modo bem simples (como o abrir de uma torneira, por exemplo), mas que que para ele tudo tem de ser digital, então se aperta um botão, dá um comando de voz, ou apenas passa com o objeto perto e pronto tudo se executa automaticamente, e a outra vem bem nessa questão de sociopatia que muitos técnicos de informática possuem, de não se conectarem a ninguém, somente à seus próprios equipamentos, e que por vezes se sentem realmente necessitados de afeto/carinho, mas se você negar isso à eles, esteja preparado para o pior. Pois bem, se tudo fosse lindo é claro que não teríamos um filme com uma história para contar, apenas teríamos um documentário mostrando esses elos de forma separada, com lindas perguntas e tudo mais, mas é claro que ao misturar as duas vertentes, e o ricaço tecnológico ainda dar o pé na bunda de um pobre jovem que é um ás da informática, foi apenas a gota d'água para o mote do longa e toda a tecnologia se voltar contra a família e a empresa do ricaço, ou seja, um filme bem simples no conceito desenvolvimento, mas que agrada pela boa perspectiva, e se fosse menos forçado seria impactante demais.

A sinopse do longa nos conta que Mike é um bem sucedido empresário que tem tudo: um esposa maravilhosa, uma linda filha adolescente e mora em uma casa com tecnologia de última geração. Sua empresa está na iminência de mudar o negócio de aviação para sempre, quando Mike descobre que está em um perigoso jogo que ameaça tudo que ele conquistou. Em um mundo onde não há privacidade e segredos pessoais podem viralizar em um click, Mike passa a depender de suas antigas amizades.

O estilo da direção de John Moore é elétrico e bem pontuado, mas faltou ter pego o roteiro pouco desenvolvido em questão de tramas e colocado mais ênfase nos momentos de cada um dos personagens, pois a cada momento descobrimos algumas pontas soltas dos protagonistas, que certamente facilitariam bem mais a interatividade entre todas as pontas, por exemplo, a vida passada de Mike para ter contatos tão sinistros, um pouco mais sobre a loucura do jovem técnico de informática, afinal nos é contado um pouco pelo investigador, mas nada que mostre o nível de psicopatia que ele atinge, algum dos motivos do ricaço querer uma casa toda tecnológica, e muitas outras coisas, pois mostrar que o cara é um rei da aviação ficou muito subjetivo e sem grandes anseios, aliás o que vale no filme é o recheio, pois o começo apresentando a vontade dele de entrar no mercado de capitais abertos com sua companhia, e o fechamento no mesmo mote foi algo que em nada podemos dizer que vale a pena ver, tanto que se mais para frente você estiver vendo o filme em sua televisão e alguém parar para ver só o miolo irá entender tranquilamente tudo, e vai falar que não perdeu nada (o que não deixa de ser uma enorme verdade).

Sobre as atuações, chega a ser engraçado que tirando os dois protagonistas e as duas mulheres, quase mais ninguém fala no longa inteiro, e isso é de assustar demais, não por querer que figurantes fiquem falando, mas praticamente tiraram todos os personagens secundários de cena e esqueceram eles perdidos pela trama. Dito isso, é fato que mesmo Pierce Brosnan estando bem velho, ainda mantém o estilo galã e sempre irá se encaixar bem em papeis de milionários, e aqui seu Mike caiu como uma luva para que ele fizesse caras e bocas do estilo e ainda pudesse dar umas porradas, ou seja, mesmo estando um pouco fora de forma, o grande astro mostrou que ainda tem fôlego para filmes que envolvam ação. Em compensação James Frecheville foi uma contratação bem arriscada, mas que acertaram no ponto de colocar alguém completamente desconhecido (não me lembro de ter visto nenhum dos longas que fez) para fazer um personagem que passa como completo desconhecido, e isso é algo comum de se ver no pessoal que trabalha com tecnologia, pois apenas chamamos pelo rapaz da computação, e sequer sabemos quem ele é, ou seja, seu Ed é interessante e ao mesmo tempo estranho, e claro que nessa ótima jogada, o ator ganhou diversos pontos com as boas expressões que acabou fazendo. As mulheres até fizeram boas expressões, mas soaram um pouco estranhas na produção, fazendo com que ficassem bem de canto, mesmo nas cenas mais importantes delas, como a do banho de Stefanie Scott com sua Kaitlyn que na sequência era certeza do que ocorreria, e com a cena também totalmente previsível que já está no trailer do câncer de Anna Friel com sua Rose, ou seja, elas tiveram bons momentos, mas faltou muito para chamar atenção realmente. E para fechar o elenco tivemos Michael Nyqvist fazendo o "limpador" Henrik que até chegou a soar engraçado com seu estilo, mas nada de muito empolgante também.

Após ver o longa fiquei pensando na construção do set de filmagens, ou até mesmo nas locações escolhidas, para termos uma empresa tão cheia de detalhes e uma casa tão tecnológica no nível que foi mostrado, pois tudo ficou tão bonito de ver, mas tão imparcial de uso que com toda certeza fizeram tudo do modo mais falso possível para apenas aparentar ser daquele modo, e sendo assim o filme mostra que a equipe de arte precisou pesquisar bastante para que a criatividade tecnológica fluísse bem, ou seja, um trabalho na medida correta para mostrar uma possibilidade futurista, que se alguém tiver um pouco de receio também por tecnologias perigosas vai pensar 2x antes de ter tanta quebra de privacidade. O apartamento de Ed também foi bem planejado tanto para as cenas de voyeur, quanto nos momentos finais, e fizeram sem muitos erros, o que é bem bacana de ver. Sobre a fotografia da trama, ousaram trabalhar com filtros esverdeados para dar um tom mais tecnológico e em algumas cenas acabou ficando um pouco estranho, mas na maior parte do tempo acabou ficando interessante de ver a proposta funcionando, e claro que a boa inserção das conversas na tela funcionaram com os ângulos escolhidos.

Enfim, um filme interessante, mas mediano no que propunha atingir, pois poderia verter tanto mais para o suspense psicológico ou focar mais na dramaticidade mesmo, o que é uma pena. Mas quem for assistir, e até coloco ele como uma recomendação razoável, não irá perder o seu tempo, pois de modo geral é um filme que consegue agradar sendo bem pontual nos diversos momentos. Ou seja, veja se não tiver outros para conferir, mas se for não irá perder o dinheiro, pois temos bons momentos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a última crítica da semana, então abraços e até lá.

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Horizonte Profundo - Desastre no Golfo (Deepwater Horizon)

11/12/2016 02:44:00 AM |

Sabe aqueles filmes que conseguem tirar todo tipo de emoção de uma pessoa? Pode acrescentar nessa lista "Horizonte Profundo - Desastre no Golfo", ou melhor o nome real da plataforma petrolífera e original do filme "Deepwater Horizon", pois já de cara somos informados que é baseado em um acontecimento real, logo em seguida vemos o romance gostoso da família do protagonista, para na sequência rirmos um pouco das superstições do comandante, e assim que os protagonistas embarcam no helicóptero a emoção já toma conta para irmos direto à um filme bem tenso do começo ao fim, tendo nuances de raiva com as ordens erradas dos chefes (que sempre pensam mais no lucro do que na forma certa de fazer as coisas), e voltamos para mais cenas tensas de roer todas as unhas, para ao final sermos comovidos com a tradicional música melancólica de homenagem que faz o público sair da sala com anseio de emoção tanto feliz quanto triste nos olhares. Ou seja, um filme completo que agrada com muita ação e que não tem como não sair da sessão se perguntando como filmaram tudo aquilo, e pasmem, o cenário praticamente completo foi construído somente para o filme e foi destruído ao final, mostrando um trabalho de produção artística de nível insano!

O longa nos mostra que em 20 de abril de 2010 a plataforma de petróleo Deepwater Horizon, no Golfo do México, explode, matando 11 operários. A corrida contra o tempo começa quando o derramamento de óleo se espalha pelo oceano. A pressa também é por parte de outros operários que precisam encontrar forças para escapar antes do petroleiro afundar.

É interessante observarmos o quão visceral o diretor Peter Berg quis fazer de seu filme, pois poderíamos ter apenas um drama bem feito que mostrasse toda a situação que as pessoas passaram na plataforma, mas não contemplaria bem a ação, e muito menos funcionaria tanto para demonstrar os atos inescrupulosos dos grandes empresários que não pensam duas vezes em perder mais tempo planejando do que ir direto para a ação, e também não colocaria a trama, que possui no contexto geral uma ideia bem simbólica e simples (mas que ocorreu realmente), como um blockbuster empolgante que fizesse o público se prender nas poltronas do começo ao fim (tem sido raro os filmes que o pessoal não fica indo para banheiro e saindo a todo momento da sala), e principalmente sair comovido com toda a situação contada por diversos olhares. Ou seja, o diretor poderia ter feito um drama simples, poderia ter feito um longa completamente computacional que seria falso, mas agradaria também, poderia ter trabalhado de diversos modos, mas escolheu o mais próximo da realidade, encomendando uma plataforma (que aparentemente nem foi para o mar, mas que acabou sendo um dos maiores cenários já construídos no cinema) e botando tudo para ser destruído da melhor forma com os protagonistas e dublês brincando realmente com o fogo em cena, e assim de maluco (afinal que ator aceitaria entrar num set pegando fogo), ele acabou passando para mágico, e com certeza terá o grande reconhecimento que merece pela ótima homenagem que fez à praticamente todos que morreram ou que sofreram diversas escoriações no acontecimento real.

Embora o filme tenha seus protagonistas estrelados, o diretor foi esperto o suficiente em não focar tanto a história neles, para não precisar ficar explicando quem é quem, e muito menos ficar enrolando com cenas melancólicas (embora tenha uma leve colocação no começo para o protagonista maior, e ao final o cunho familiar volta a atacar, afinal o lado psicológico de todos ficaram bem abalados com tudo o que ocorreu). Mark Wahlberg soube dosar bem suas cenas para que seu Mike não chamasse tanta atenção e ainda agradasse bem, e com uma cena bem colocada no começo com a filha mostrando o que é a função do pai, o acerto foi incrível para que tanto o público entendesse o funcionamento de uma plataforma de petróleo do modo mais subjetivo possível (e claro tudo de ruim que pode acontecer) quanto para mostrar o elo familiar bem encontrado que o personagem possui, e com sua boa dinâmica aliada à trejeitos fortes, o ator acabou saindo muito bem em tudo. Kurt Russel também entrou com tudo no filme, fazendo de seu Jimmy um personagem amado e bem colocado na trama, de tal maneira que fica até estranho voltarem para buscar alguém enquanto o mundo está pegando fogo, mas certamente você voltaria para buscar ele, por merecimento, e claro que com uma boa maquiagem, suas cenas fortes ficaram incríveis tanto pelo que fez, quanto pela ação em si. John Malkovich acabou caindo como o grande "vilão" da trama, e logo de cara já não vamos com sua cara, e claro que o ator que já fez tantos bons filmes não ia desapontar em fazer trejeitos pontuais para ser aquele que ninguém quer ver perto na empresa, mas sabemos que seu Vidrine é apenas um dos muitos personagens bons que iremos lembrar dele. As mulheres da trama tiveram uma participação menor, mas não menos importante e tanto Gina Rodriguez com sua Andrea quanto Kate Hudson com sua Felicia fizeram boas expressões e se encaixaram bem nos momentos que precisavam aparecer, e isso não é um desmerecimento, mas sim uma boa colocação de personalidade. Agora se tem alguém que ficou oculto demais na trama foi Dylan O'Brien que muitos estão perguntando se já melhorou da grande pancada que levou em "Maze Runner" para voltar a filmar, e aqui se não foi filmado com dublês, também teria levado uma grande pancada com seu Holloway, mas longe de sua cena principal, o jovem ator quase ficou despercebido tanto pelo visual, quanto pelos poucos diálogos que teve, mas ainda assim saiu-se bem.

Agora sem dúvida alguma o ponto máximo do filme, com toda certeza, ficou a cargo da equipe artística, pois não tem quem não vá elogiar o ótimo trabalho cênico, a começar da enorme plataforma que arrumaram para as filmagens, depois os diversos elementos cênicos, e principalmente depois toda a equipe de efeitos especiais práticos que saiu tacando fogo em tudo, destruindo o cenário, juntando com o pessoal da computação para arremessar peças e muita fuligem para todo lado, fazendo com que o filme tivesse detalhes onde quer que se olhasse, ou seja, um primor único que poucas vezes vimos em um filme dramático. Aliado à boa cenografia, tivemos uma fotografia impressionante, dominada pelo grande mar nas cenas abertas iniciais, e na hora do vamos ver mesmo, deixando o alaranjado dominar sem que nada destoasse e desagradasse, ou seja, um filme marcado e bem colocado pelas boas cenas individuais, mas sem menosprezar o grande lance completo que a direção tanto desejou.

 A trilha sonora ficou mais pontuada por músicas melodramáticas, claro para dar um tom mais comovente ao filme, e mesmo nas cenas de mais ação, o tom era meio de impactação lenta, para principalmente dar uma amenizada no ritmo frenético não destoar do tom dramático.

Enfim, um filme que vale muito a pena ser visto e que por acertar em cheio segura na tensão, e como disse no começo conseguiu aflorar diversos sentimentos nas expressões do público, ou seja, um filmaço que vamos lembrar por um bom tempo. Ou seja, vá já para a sala de cinema conferir, pois não irá se arrepender do que verá na telona. Bem é isso, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais algum post das estreias da semana, então abraços e até mais pessoal.

PS: Ao invés de colocar apenas o trailer, dessa vez coloquei um com depoimentos e também mostrando como foram feitas algumas cenas para mostrar a grandiosidade da produção.

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Snowden - Herói ou Traidor (Snowden)

11/11/2016 12:41:00 AM |

Filmes biográficos costumam ter uma essência mais lenta, pois procuram abusar de elementos que o público em geral desconhece do personagem principal, e para conseguir mostrar tudo são raros os diretores que ousam em criar uma dinâmica mais interessante nesse estilo. E com "Snowden - Herói ou Traidor", o diretor Oliver Stone nem quis arriscar em criar algo mais substancial como fez nos seus últimos grandes filmes, procurando deixar uma marca bem pautada, cheia de pontuações emotivas para cativar, e com isso o resultado da trama chega a dar sono de tão parada que é, principalmente por utilizar muitos termos não usuais do nosso vocabulário e que acaba cansando mais do que empolgando. Não digo em momento algum que o filme seja ruim, muito pelo contrário, pois mostra bem a vida do jovem com sua doença, com seus trejeitos e até mesmo suas paranoias, porém é tudo tão devagar na história que acaba não fluindo de forma agradável, e somente quem realmente quiser, e estiver disposto, conseguirá chegar nas cenas finais que realmente fazem valer toda a proposta da trama.

O longa conta a história do ex-agente da CIA Edward Snowden, que em 2013 divulgou informações confidenciais e de espionagem da NSA, a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos. O material exposto revelou que o país coleta informações da internet e registros telefônicos da população americana e também de políticos de todo o mundo, como a ex-presidente do Brasil Dilma Rousseff.

Que a mão de Oliver Stone é apta para fazer grandes obras ninguém tem dúvida, mas ultimamente desenvolveu um estilo próprio de trabalhar filmes com tramas bem amarradas de forma mais inusitada, e isso foi um ponto marcante para gostarmos de "Selvagens" e "Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme", mas agora parece que voltou às suas origens aonde desenvolve a perspectiva biográfica mais pautada em dramalhões emotivos, e com isso o desenvolvimento do longa até chega a ter um estilo bem colocado, e também consegue mostrar suas próprias opiniões sobre o subtítulo (que claro só vem no Brasil) de acreditar se o jovem foi um herói ou um traidor, mesmo que fique de forma bem subjetiva na última cena (a qual realmente dá vontade de aplaudir pela desenvoltura). Talvez um dos maiores erros da trama tenha sido ficar tentando mostrar demais a vida pessoal do jovem, que embora seja bonitinha não chame muita atenção, e só serviu de apelo dramático para gastar com uma boa atriz, e claro também com seus ataques de epilepsia que o ator até fez bem feito, mas que em nada servem senão para dar um lado emocional na trama. Ou seja, o diretor poderia ter feito um longa mais trabalhado em espionagem e claro na forma que ele conseguiu escapar de ser preso, do que ficar tentando comover ao transformar um ex-espião em um super-herói.

No conceito interpretativo, posso dizer que Joseph Gordon-Levitt foi muito bem caracterizado para tentar parecer ao máximo com o protagonista Snowden, e até mesmo na forma de impostar a voz e usar certos trejeitos foram bem incorporados para mostrar que o ator estudou as diversas entrevistas dele e o resultado expressivo foi bem interessante de ver, mas faltou colocar mais dinâmica no seu estilo para que o filme deslanchasse mais, e como dei um pouco de culpa para o diretor, também tenho de pontuar que o ator não se desenvolveu também para chegar no limite do desespero de quem estava fazendo uma grande sabotagem ao lugar que trabalhava, e nas cenas de indignação também poderia se mostrar mais rebelde. Shailene Woodley é uma atriz que sempre se coloca bem nos papeis que lhe entregam, e sua Lindsay é daquelas mulheres que conseguem entrar na vida de um homem e seguir seus passos mesmo que nada seja lhe contado, e a atriz soube dosar bem a expressividade para suas curiosidades não ficarem jogadas, mas como disse acima é um papel que só serviu para gastar dinheiro e funcionar nas cenas mais comoventes, ou até mesmo na cena que o protagonista fala o motivo de usar o software invasivo fora de trabalho, pois a relação dos dois é algo muito fora de foco para que o longa empolgue e tenha mais para mostrar. Da equipe de filmagem do documentário, Melissa Leo e Zachary Quinto foram bem colocados nos papeis de Laura e Glenn (o qual em breve terá seu livro sobre o mesmo assunto virando filme também), e ambos mostraram feições bem encaixadas e criaram as perspectivas corretas, mesmo que poucas para chamar de leve a atenção. Rhys Irfan caiu bem no papel de Corbin, pois deu um tom misterioso e ao mesmo tempo forte, e talvez mais cenas suas cairiam bem na trama para dar o tom que tanto tenho falado que faltou, pois o ator sabe bem encaixar seu semblante em uma trama forte. Felizmente nas poucas cenas de Nicolas Cage como Hank, o ator não pode mostrar suas desenvolturas faciais que tanto causam revoltas nos seus filmes, e o experiente ator até pode trabalhar bem seus três momentos.

Sobre o visual tenho de enaltecer com toda certeza o ótimo trabalho de pesquisa da equipe para não deixar o treinamento do exército caricato, afinal muitos filmes tentam mostrar isso e soam sempre exagerados, e também a ideologia do quarto para criar um ambiente mais claustrofóbico de entrevista, além claro das boas cenas externas aonde a relação dos protagonistas se desenvolveram mais, ou seja, um trabalho simples, mas bem feito para não tirar o foco dramático do roteiro. Claro que volto a frisar, poderiam ter trabalhado muito mais nas cenas dentro das diversas sedes da ANS em vários países, ter colocado mais ênfase nas cenas de espionagem, e até mesmo na fuga dele, mas são meios que alguns diretores optam por fazer, e assim sendo, o resultado foi esse. A fotografia também trabalhou poucos tons, deixando o longa até cinza demais para segurar a dramaticidade, e com isso acabou deixando o longa triste demais, o que é um erro, pois a inteligência e dinâmica do personagem em si seria algo para termos muita vida em ação.

Enfim, um filme que diria ser um pouco melancólico demais e que vai cansar quem não for realmente fã de biografias e gostar do estilo quebra de informações, porém volto a falar que o filme não é ruim, apenas feito para outro tipo de gosto, e que caso a nova versão da história que já estão fazendo seja mais dinâmica e pontual, certamente nos fará esquecer dessa obra. Portanto fica a recomendação dele somente para esses casos. Bem é isso pessoal, esse foi apenas o primeiro post dessa semana que vieram até uma boa quantidade de estreias, então abraços e até breve.

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Jonas

11/05/2016 02:33:00 AM |

Muitos brigam comigo por viver falando mal de filmes brasileiros, e quando falo bem, geralmente é de algum filme que ninguém acaba vendo (ou pela sinopse não agradar, ou por ficar pouco tempo em cartaz, ou seja lá por qualquer outra coisa)!!! E cá estou novamente para falar de um excelente filme nacional, que pra variar, assisti sozinho na sala do cinema!!! E embora "Jonas" seja um pouco alongado (os 90 minutos de projeção parecem no mínimo 130!), tenha um final poético pouco conclusivo, e falte um pouco de força, o longa é incrivelmente bem produzido, possui uma história que prende o público (pois mesmo contando praticamente o mote inteiro na sinopse, ficamos interessados como o jovem pode resolver a loucura que fez), e principalmente, sai do elo de filmes novelescos, pois possui tema próprio e bem fechado dentro da proposta. Ou seja, um filmão que agrada e cativa pela dinâmica que propõe fazer, e não teme por errar nos pontos que poderia errar, acertando bem na perspectiva da criação sem abusar de clichês usuais, e sendo assim vale muito a pena ser assistido, e espero saber que o filme teve bons resultado, pois merece.

A sinopse do longa nos conta que Jonas é filho de empregada e na infância era apaixonado por Branca, a filha da patroa. Os dois crescem e quando Jonas a reencontra, o amor refloresce. Ele acaba cometendo um crime por causa de ciúme e sequestra Branca, mantendo-a dentro de um carro alegórico em forma de baleia e a tensão só aumenta.

A estreia da produtora Lô Politi como diretora de longas metragens é interessante pelo fato de ao mesmo tempo que mostra a força da sedução de uma mulher, e o que ela pode causar, mas também consegue segurar bem sua trama pelo elo do desespero do que fazer para tentar se salvar de um crime, ou ao menos aliviar a situação para uma pessoa tecnicamente pacífica. Não digo que o acerto dela nas três funções (roteiro, produção e direção) foi o mais acertado, pois precisou de muitos assistentes e poderia ter lapidado algumas pontas de forma melhor, por exemplo a cena do sequestro que acaba sendo omitida, colocar mais algumas cenas de sedução e de envolvimento entre os protagonistas, e até mesmo mais cenas do âmbito familiar do protagonista, pois esses que eram os momentos chaves da trama e necessitavam de maior tempo de tela, porém a omissão deles deixou o ar do longa mais leve e interessante, porém menos impactante. De certo modo o longa funciona bem mesmo que com os pequenos deslizes que falei, e a julgar pela grande produção da trama, aliado à poética da fábula bíblica (claro que de forma invertida), alguns elementos fantasiosos bem explorados, e claro a realidade forte dentro das comunidades mais pobres, o resultado acaba agradando além do esperado.

Outra grande sacada da produção foi na escolha do elenco, pois Jesuíta Barbosa com apenas 25 anos já está entrando pro seleto hall dos grandes atores nacionais que não escolhem produções estereotipadas para fazer, pegando desde o garotinho mimado, passando pelo homossexual afetado, e indo até o violento namorado, ou seja, um jovem com talento nato pronto para o que der e vier, acertando sempre com bons trejeitos e colocando personalidade no que faz, e claro que aqui como o protagonista Jonas não foi diferente, pois o jovem acaba acertando em cheio nos olhares desesperados, na aflição de não saber como arrumar a cagada que se meteu, e ainda manter o clima romantizado para com sua amada, ou seja, perfeito. Laura Neiva conseguiu trabalhar bem a sedutora Branca, que caiu mais como alguém bem clichê no estilo, mas que a jovem soube dosar os carões para não soar tão falsa, talvez pudesse ser mais maliciosa em alguns momentos, mas no geral agradou bem. O cantor Criolo faz rapidamente seu papel de Dandão em quatro cenas e até mostra uma certa desenvoltura na frente das câmeras, mas nada que chegue a mostrar um grande feito. Agora quem pode mostrar uma atuação incrível foi o jovem Luam Marques que fez de seu Jander um garoto incrível, com boa personalidade, caráter e principalmente mostrando uma facilidade dinâmica para as câmeras que chega a impressionar, ou seja, o jovem tem futuro no meio. O longa ainda tem outros músicos fazendo pontas de atuação como Karol Konca, Rincon Sapiência e Chay Suede (que vem sendo bem mais ator do que cantor ultimamente), mas nenhum com grande destaque para ficarmos detalhando.

Na conceituação técnica artística, o longa trabalhou bem a Vila Madalena em São Paulo, e o estacionamento de carros alegóricos do Sambódromo do Anhembi, e com uma desenvoltura bem interessante de movimentos de câmeras, a diretora pode contar com as alegorias da Pérola Negra e usar a comunidade como um bom pano de fundo para sua história. De certa maneira a cena final ficou interessante num misto de efeitos práticos com computação gráfica, e poderia ter sido melhor trabalhada para chamar mais atenção, mas é um mero detalhe dentro de toda a ótima simbologia que conseguiram conectar com todos os elementos do filme, e sendo assim, a equipe de arte trabalhou bem com os recursos possíveis que teve em mãos. A fotografia da trama foi bem usada com tons mais sujos e secos para dar um clima bem marrom, e mesmo nas cenas com a baleia bem azul, o filme ainda flutua para a temática de ação, mesmo que ali a dramaticidade esteja no limiar entre o drama tenso e o sensualidade, ou seja, talvez até pudessem melhorar alguns momentos para que funcionasse mais a divisão cênica, mas isso é exagero de alguém da área que passa completamente despercebido para o público em geral.

Enfim, um filme que pela sinopse com toda certeza não me ganhou, e que por não ter visto o trailer (afinal os cinemas não divulgaram quase nada do longa), não sabia o que esperar dele, mas que com toda certeza prendeu minha atenção e fez até querer ver mais coisas da diretora, pena que ainda é seu primeiro trabalho, então irei esperar por mais algum e ver se mantém o bom jeito. Portanto com toda certeza recomendo o longa para todos e torço para que seja visto por muita gente, para que o cinema nacional bom seja mais visto para pararmos de reclamar tanto do nosso cinema. Bem é isso pessoal, com apenas duas estreias no interior, já encerro minha semana cinematográfica por aqui, voltando somente na próxima Quinta com mais estreias, então abraços e até lá.

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Doutor Estranho em Imax 3D (Doctor Strange)

11/03/2016 01:23:00 AM |

Como sempre digo, existem várias formas de ver os longas de super-heróis, e sem dúvida alguma a melhor de todas é ir sem expectativa alguma, sem pesquisar praticamente nada e acabar conhecendo o personagem junto da exibição de seu longa, pois a chance de se empolgar com o que é mostrado, ou até mesmo com a empolgação do público na sala é muito maior. E com "Doutor Estranho" essa foi sem dúvida a melhor das sensações, rindo nos momentos cômicos, ficando com tontura nas cenas no melhor estilo de "A Origem" e se empolgando com as boas lutas. Claro que não é um filme que você coloque dentro dos melhores filmes já vistos por ser primeiramente uma grande apresentação do personagem e sua formação, que com certeza será bem mais desenvolvida nos próximos longas da Marvel, porém ainda assim agrada demais e o resultado final é interessante por misturar diversos elementos fantasiosos misturando concentração de lutas com um lado mágico bem psicodélico. Ou seja, um filme ágil, divertido e que por não ser alongado agrada do começo ao fim, e que quem tiver qualquer problema de tontura deve passar bem longe das sessões 3D, senão a chance de sair bem zonzo da sala é altíssima pelos ótimos efeitos visuais.

A sinopse do filme nos mostra que Stephen Strange leva uma vida bem sucedida como neurocirurgião. Sua vida muda completamente quando sofre um acidente de carro e fica com as mãos debilitadas. Devido a falhas da medicina tradicional, ele parte para um lugar inesperado em busca de cura e esperança, um misterioso enclave chamado Kamar-Taj, localizado em Katmandu. Lá descobre que o local não é apenas um centro medicinal, mas também a linha de frente contra forças malignas místicas que desejam destruir nossa realidade. Ele passa a treinar e adquire poderes mágicos, mas precisa decidir se vai voltar para sua vida comum ou defender o mundo.

É estranho ver um diretor de filmes de terror ir para o mundo fantasioso dos heróis, mas depois que James Wan provou o gostinho do gênero de ação se dando muito bem, e que já está indo para um de herói também, não tenho dúvidas que outros grandes nomes também se arrisquem no estilo. E sendo assim Scott Derrickson trabalhou bem com um estilo próprio de ação, mas claro sem fugir do estilo Marvel de filmes, colocando piadas em quase todas as cenas, trabalhando a inserção de seus personagens num Universo completo de heróis e até mesmo criando perspectivas claras para que o filme fluísse numa velocidade boa para não destoar nem deixar nada jogado de lado. Um dos pontos mais fortes do diretor foi usar e abusar dos efeitos visuais que usando da tecnologia 3D deixará muita gente com tontura nas salas maiores, e o ponto negativo mais impactante com toda certeza o feitio do acidente que fez o médico ficar com suas mãos debilitadas, pois foi algo rápido e jogado demais, que até passa uma mensagem interessante para propaganda de acidentes de carro, mas foi tudo exagerado e sem muito propósito feito numa dinâmica quase que "vamos resolver rápido que tem coisas melhores para mostrar", e isso num filme inicial do personagem acabou meio estranho demais. De certo modo o diretor acertou mais do que errou, e sendo assim pode ser que continue num próximo filme do Universo Marvel. Um detalhe que muitos vão reclamar é claro, é o fato de que muito da base do personagem dos quadrinhos foi mudado para o filme, mas volto a frisar que quadrinho é quadrinho, livro é livro, e cinema sempre vai ser algo adaptado para que funcione melhor no estilo, mesmo que para isso seja feita diversas modificações. Como não sou um conhecedor a fundo da ideologia dos quadrinhos, vou preferir não ficar citando detalhes alterados, mas que mudaram muita coisa, com certeza mudaram.

Sobre os atores é fato claro que Benedict Cumberbatch não erra, transformando qualquer papel que pegue, mesmo que seja de alguém que aparentemente não iríamos com a cara, fazer com que virássemos muito fã, e seu Strange, assim como outro herói da Marvel, é muito arrogante e se acha demais no começo da trama, de tal maneira que fica quase impossível torcer para que ele se dê bem, mas com o passar das cenas vamos nos apegando, principalmente pela boa atuação, que entre boas piadas e boas cenas de luta, ao final já nos vemos bem amigos dele torcendo para o que venha fazer mais para frente, e claro vamos torcer para que o ator trabalhe mais os trejeitos sérios, que deram um charme a mais para o personagem. Rachel McAdams caiu muito bem para o papel da Dra. Palmer, primeiro pela beleza que agrada demais, e depois pelos ótimos sustos que tomou com as visões fantasmagóricas, de tal maneira que ficou algo muito real não parecendo que assustou atuando, mas sim pega desprevenida pelo ato em si, o que demonstrou uma ótima dinâmica da atriz. Chiwetel Ejiofor é daqueles atores que vamos acostumando com o estilo e sem dúvida alguma tem crescido demais no mercado hollywoodiano, fazendo interpretações fortes e interessantes de serem observadas, e com certeza não seria um mero ajudante com seu Mordo, claro que falar mais sobre isso seria muito spoiler, mas como sei que muitos irão pesquisar sobre o personagem do Doutor Estranho, lá fala quem é o personagem, portanto fiquem nas poltronas até o último crédito, pois são duas cenas pós-créditos (uma logo após o término do filme) e outra após subir todas as letrinhas. Benedict Wong fez um personagem com seu nome mesmo, e mesmo aparecendo pouco, seu Wong ganha no carisma e na personalidade gostosa que foi trabalhada, ou seja, vamos torcer para que ele volte no próximo filme também. Tilda Swinton é uma atriz bem eclética, que não entre um filme bem autoral e um mais popular consegue agradar sempre e chamar a responsabilidade quando lhe entregam um papel de renome, e claro que com sua Anciã não seria diferente, pois a atriz colocou personalidade e alma na atuação, criando momentos incríveis para que a personagem lutasse bem e também quebrasse paradigmas com o estilo de oratória. Agora falar de vilões é algo sempre bem complexo, pois se o ator não for impactante com suas maldades, dificilmente vamos torcer para ele (ou socar o protagonista quando gostamos muito dele, ou para apanhar até cansar quando odiamos), e sendo assim, Mads Mikkelsen fez um Kaecilius meio estranho, com maquiagem demais e interpretação de menos, tendo até bons momentos de luta, mas nada que empolgasse, além claro de sua história acontecer rápida demais para que conhecêssemos melhor ele.

Agora sem dúvida alguma o ponto mais forte do longa ficou a cargo da equipe de arte computacional, pois é fato que pelo menos 50% do longa foi gravado nas telas verdes e depois todo o trabalho se deu para com a equipe de computação para criar os maravilhosos cenários invertidos, espelhados e afins, claro que os atores tiveram de ficar pulando para todo lado nas lutas, mas o resultado completo só viram após o longa ser editado, e sendo assim, o resultado foi algo brilhante de ver na telona, com prédios se retorcendo, paredes caindo e invertendo, janelas para todos os lados, de tal maneira que perdemos completamente as referências de quebras de eixo, e se o diretor fez isso passou certamente despercebido, já que na segunda virada já nem sabemos qual lado mais é real. Além disso, a trama também prezou por boas locações reais, como Hong Kong, Londres e Nepal, aonde escolheram locais clássicos para as filmagens de maneira que tudo fosse reconhecido rapidamente e tivesse o mesmo tom da trama. E ainda foram bem perspicazes na concepção de diversos elementos cênicos clássicos das HQs do personagem para reforçar o elo entre os quadrinhos e o cinema, principalmente no que condiz aos armamentos dos protagonistas. Por ser um filme bem computacional, a equipe de fotografia foi bem esperta para não utilizar tons que costumam falhar muito em filmes desse estilo, como o verde e o azul, então temos muitos tons marrons, vermelhos e roxos para que a dinâmica funcionasse e ainda criasse diversos panoramas, e assim sendo o clima de tontura com as inversões ficou ainda mais forte. Entrando nesse detalhe, é fato que mesmo sendo um longa que foi convertido para 3D após as filmagens, o longa teve um grande feito de profundidade e que claro funcionou muito bem na telona Imax, pois como temos a imagem saindo do chão até o teto, as diversas cenas com tudo se retorcendo acabou ficando com diversas camadas, e que fará muita gente sair tonta ou com dor de cabeça da sala, e claro que sendo assim o resultado de pagar mais caro para ver o filme com a tecnologia vale a pena.

Enfim, é um filme bem bacana, que empolga bastante, mas que como disse acima teve alguns defeitos que deixaram ele longe de ter uma nota maior, principalmente pelo vilão fraco e pelo acidente falso e rápido demais, mas tirando esses detalhes é um filmaço que merece ser visto na melhor sala possível para empolgar e se divertir com tudo o que é mostrado. Volto a frisar que a trama possui duas cenas pós-créditos que darão a ligação do personagem possivelmente no próximo longa da Marvel, e também mostrando um próximo vilão do Dr., ou seja, fiquem sentadinhos e confira tudo, pois vale a pena. Fico por aqui hoje, mas volto em breve com a última estreia dessa semana aqui no interior (sniff), então abraços e até mais pessoal.

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Fora do Rumo (Skiptrace)

11/02/2016 02:16:00 AM |

É estranho ver um senhor com mais de 60 anos lutando pelo mundo afora, mas isso é comum nos países orientais, e é claro que Jackie Chan que há muito tempo vem fazendo isso da melhor forma nas telonas não deixaria que a idade lhe atrapalhasse de estar à frente de um novo filme batendo e coreografando suas lutas para que tudo fosse o mais real possível, mesmo que soasse até bizarro demais o estilo das lutas para o público que for conferir "Fora do Rumo". Usando do próprio título em português, podemos dizer que o longa acabou saindo um pouco fora do rumo usual que uma trama pudesse funcionar com ação, lutas e ainda ter uma história completa que envolva o público e agrade pelo contexto que deseja mostrar. Ou seja, o filme tem de tudo um pouco, mas ao mesmo tempo que não tem nada, e assim nem o trailer chama a atenção e muito menos a sinopse acaba levando o público para as salas de cinema, de tal maneira que o longa só ficou em cartaz por uma semana (ao menos no interior).

O longa nos mostra que Bennie Chan é um detetive de Honk Kong que, inconformado com a morte de seu parceiro, faz de tudo para encontrar o homem responsável por sua morte. As coisas se complicam e a jovem que criou, filha de seu amigo, acaba sequestrada pelos criminosos. Para recuperá-la e desmascarar o criminoso que ameaça seu emprego, sua vida e a da jovem que é sua única família, Chan aceita se juntar com um atrapalhado e inescrupuloso apostador norte-americano, Connor Watts.

Chega a ser até difícil falar sobre o filme, pois o diretor Renny Harlin acabou misturando tantas coisas em um único filme sem atingir nenhum grande ápice que ao final não sabemos se ele desejava uma comédia ou algum tipo de ação policial, pois podemos assistir ele pensando das duas formas e ao mesmo tempo em nenhuma, e nessa bagunça completa acabamos nem empolgando com a ação da trama e nem rindo de piadas e situações que foram mais jogadas do que expostas. O conteúdo da história poderia vir a ser uma série interessante, pois como a dupla passa por diferentes locais durante o tempo de tela, poderiam explorar mais cada país e cada cultura dali, não sendo apenas uma apresentação rápida momentânea, e muito menos deixar apenas a bagunça tradicional que Knoxville costuma fazer, ou seja, o filme possuía um conteúdo tão gigante para ser trabalhado, que os roteiristas mais brincaram com tudo, num misto inicial de HQ, depois deixando um âmbito policial, indo para rumos cômicos com luta e finalizando até com uma leve pitada dramática, ou seja, algo tão confuso que fica difícil analisar o que realmente queriam nos mostrar.

Sobre as atuações, temos muitos atores tentando aparecer e fazendo algumas caras até que interessantes, porém com certeza o foco total ficou em cima das lutas coreografadas de Jackie Chan, que até chegam a brincar em determinado momento com sua falta de expressão facial, pois sempre está com a mesma cara, e aqui seu Bennie não é diferente, trabalhando bem pouco com a dinâmica interpretativa dos textos e deixando que os movimentos falassem bem mais do que ele, e assim como qualquer outro filme seu, no começo é divertido de ver, mas como já está um pouco velho para ter agilidade, muitos momentos acabaram soando falsos demais. Johnny Knoxville é daqueles atores que até tentam fazer coisas diferentes, mas acabou se marcando demais em "Jackass" e quando no filme faz diversas bizarrices de sair rolando em um barril, ter partes do corpo apertadas por máquinas e tudo mais, só ficamos nos remetendo a seus vídeos malucos, e com isso quando tenta fazer algo mais expressivo com seu Connor, acabamos olhando e vendo quase que alguém se esforçando para parecer normal, o que não acontece, e sendo assim não agrada. Bingbing Fan fez de sua Samatha quase que uma personagem que surge, some, e surge novamente, pois no começo faz uma aparição até que marcante, e depois esquecemos dela, para no final voltar, o que é algo muito estranho de ver em um filme, pois acaba parecendo que a atriz falhou, e nos seus momentos ela não demonstrou tantas falhas para isso. A lutadora de WWE, Eve Torres acabou agradando bem nos momentos de luta com sua Dasha, mas de certa maneira tudo acaba soando artificial demais para empolgar, e quando precisou falar então, era melhor terem colocado um personagem mudo para ela.

Quanto do conceito visual, a trama passa por lugares interessantes e que até agradam de serem vistos, por exemplo nas cenas no deserto, na Mongólia e até mesmo nas corredeiras deram um show visual, mas nos momentos dentro da fábrica, ou até mesmo nas finais nos navios, tudo soou tão artificial que por um certo momento pensei se tratar de computação gráfica, mas após mostrar os erros de filmagem nos créditos, podemos ver que foram realmente filmados ali, ou seja, a equipe de arte acabou exagerando um pouco na quantidade de elementos cênicos e forçando um pouco para mostrar uma certa realidade, e poderiam ter sido mais sutis como fizeram nos locais que fiz questão de destacar. Por termos muitas cenas de luta, a fotografia usou iluminação dura sem muitas sombras, afinal qualquer deslize nas coreografias poderia atrapalhar tudo, então temos um filme com um tom bem único que não empolga, e esse é um dos defeitos mais fortes na falta de uma dinâmica mais coesa para ser seguida.

Enfim, um filme fraco que poderia ser completamente diferente e agradar bem mais, porém sem muita inspiração o resultado acabou frouxo e não pegando o público como deveria. Ou seja, quem for do interior e quiser mesmo assim arriscar a ver tem de correr, pois ficará em cartaz bem pouco, mas não é nada que se deva desesperar, pois não compensa o crime, pois com certeza não recomendo perder tempo vendo ele. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje encerrando essa semana cinematográfica, mas já começo nessa Quarta mesmo com as estreias da próxima semana, então abraços e até breve.

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