O Homem Das Multidões

5/19/2015 09:28:00 PM |

As vezes não é porque alguém vive só que ela não gosta de estar sozinho, pois muitas vezes o sentimento de solidão pode ocorrer em meio a diversas pessoas ou ao estar mesmo junto de outros. No filme "O Homem das Multidões" somos transportados à vida monótona dos protagonistas de um modo bem simples, e com a ausência quase que completa de diálogos, nos vemos frente a um turbilhão de sentimentos somente através de olhares e símbolos da vivência que é trabalhada por eles, e assim embora canse um pouco no início, o resultado final acaba sendo tão eloquente que agrada demais com o casamento perfeito da canção de fechamento com tudo o que foi montado em nossa mente durante todo o restante do filem.

O filme nos situa em Belo Horizonte, Minas Gerais, mostrando duas estórias de solidão diferentes. Juvenal, condutor de trem do metrô, enfrenta a impossibilidade de estar só. Para se sentir melhor, ele se mistura na grande multidão da cidade. Margô, controladora de estação do metrô, não consegue se desprender das redes sociais, trocando o mundo real pelo mundo virtual.

Os diretores e roteiristas Cao Guimarães e Marcelo Gomes foram ousados tanto na proposta do tema, quanto no modo de exibição, pois ao nos colocar numa janela de exibição quadrada, bem diferente do que estamos acostumados com o modelo wide nos cinemas, não temos o espaço para correr os olhos ao redor da cena, e com isso ficamos juntos dos protagonistas e suas percepções do seu mundo simples e casual, e assim vamos compondo junto com os símbolos e sinais apresentados tudo o que eles desejavam passar. Não digo que qualquer espectador suportará um longa de 95 minutos com seque 20 de diálogo, mas quem entrar no clima passado verá que isso é algo tão comum de acontecer atualmente (de pessoas que vivem tranquilas em seu mundinho simples, que qualquer fator atrapalhará) que acabará se conectando com a ideia proposta e apresentada.

Quanto da atuação, Paulo André nos entrega uma atuação completamente expressiva de seu Juvenal de uma maneira que tudo possa ser entregue somente com percepções e assim acabamos ficando quase que "amigos" conhecedores de suas vontades e de sua simplicidade, ou seja, algo perfeito que muitos podem até achar fácil de fazer, mas que poucos atores fariam tão simbolicamente. Em contrapartida Silvia Lourenço já inicia o longa de uma maneira desesperada aonde toda tecnologia tem de ser utilizada a milhão, vivendo sua solidão particular com sua Margô, mas desenvolvendo de uma maneira completamente diferente de Juvenal, e no decorrer da trama vai amansando e ficando mais próxima do que os diretores desejavam mostrar, e assim chegamos a ter até pena dela. Embora tenha uma participação bem rápida em duas cenas, Jean-Claude Bernardet também consegue simbolizar com poucos diálogos a vida de quem consegue ser feliz com sua simplicidade sem necessitar que outros entrem em sua vida e o famoso escritor que ele é serviu para remeter como uma referência mesmo que não fazendo um papel real.

Não seria condizente entregar um filme que mostra a solidão com uma cenografia rebuscada, e dessa maneira a equipe de arte foi simplista até demais, o que acabou gerando algumas risadas do público, o que era esperado pela situação, nas cenas em que a moça vai até a moradia do protagonista, e juntamente com isso a cena final ficou ainda mais genial. Ou seja, muitas vezes como dizemos menos é mais e o acerto acaba iminente. A fotografia usou bem a iluminação para que no resultado da edição entregasse essa tela diferenciada quadrada, e isso é algo que pode até incomodar inicialmente, mas no decorrer da trama, a paisagem retratada acaba acostumando nossos olhos e até acabamos esquecendo do restante da tela do cinema.

Enfim, um longa simples, mas que acaba sendo tocante e interessante de acompanhar, talvez se feito de outra forma nem teria o mesmo impacto, mas como foi acertadamente desenvolvido assim, o resultado acaba bem impressionante e inteligente. Vale a pena conferir, mas com a ressalva de que se você gosta de um longa mais falado do que expressivo, com certeza esse não vai lhe agradar muito. Bem é isso pessoal, daqui a pouco tem mais um longa do Festival SESC Melhores Filmes, então volto mais tarde com a crítica dele também. Abraços e até breve.


Leia Mais

Divã a 2

5/16/2015 08:20:00 PM |

O cinema em geral é um lugar que está sempre pronto para parcerias, e embora sempre haja a rivalidade Brasil-Argentina em diversos meios, costumam sair bons projetos em conjunto dos dois países, porém o gênero comédia dramática só funciona direito quando se possui um roteiro bem definido na forma de onde vai pautar as piadas ou aonde vai dramatizar a fundo, senão acaba virando uma novela na qual o espectador já não sabe que rumo vai tomar, tendo como única certeza de que vai acabar tudo bonitinho e sem sal. E é exatamente isso o que acabou ocorrendo com "Divã a 2", que até mesmo o encaixe dos coadjuvantes é previsível, não tendo nem pontos cômicos que faça o público gargalhar e muito menos a dramaticidade suficiente que emocione o público, faltando tudo para ser ao menos razoável e interessante de acompanhar, ou seja, tem novelas melhores do que foi apresentado aqui, o que é uma pena, pois os atores mostraram boa disposição nas atuações e se o roteiro fosse melhor trabalhado poderia agradar.

O filme nos mostra que o produtor de eventos Marcos e a ortopedista Eduarda já estão casados há dez anos. Nesse período, o relacionamento acaba se desgastando e por isso eles buscam ajuda no divã de um psicólogo. Mas o que era pra resolver os desentendimentos entre o casal, acaba os separando. Eduarda não perde tempo e se entrega ao amor por Leo. Mas será que isso é definitivo?

O roteiro e a direção de Paulo Fontenelle é algo que até poderia ter rumos interessantes, mas assim como aconteceu em seu longa anterior "Se Puder... Dirija", ele aponta o lápis, rascunha bem o contexto, arruma bons personagens, mas a história fica presa na primeira folha, ou seja, somos bem apresentados aos personagens, mas eles não possuem vida que dite algo que o público vibre ou queira acompanhar deles, de modo que tenho certeza absoluta que ele daria muito bem na televisão ao criar esquetes ou novelas, pois tudo fica simples demais para envolver alguém que pagou para ter no mínimo 90 minutos de algum entretenimento, e assim o relacionamento dos protagonistas acabou soando falso, as piadas com os coadjuvantes foram bem feitas, mas são as mesmas mostradas no trailer sem nenhuma nova, e nem a ingenuidade interessante das crianças foi usada em favor de algo que desse algum brilho para a trama, e assim mesmo fazendo ângulos mirabolantes a todo momento para que o filme tivesse um ritmo bem marcado, não teve um momento se quer que agradasse o público para rir bastante ou comover com algo.

Sobre a atuação, é notável que todos estavam bem colocados quanto ao que seus personagens deviam fazer e seus devidos interesses, tanto que se o filme fosse uma peça, era garantido que as improvisações de todos sairia anos-luz melhor do que o que acabou acontecendo, mas já que temos de falar como eles foram aqui, vamos lá. Vanessa Giácomo conseguiu personificar bem a maioria das pessoas que colocam em primeiro ato o trabalho e depois a família, tanto na forma de agir quanto no que faz com sua personagem Eduarda, e com olhares sempre de muita piedade para tudo que faz, há momentos em que aparenta querer sair dessa vida, mas não há nem essa intensidade no roteiro, muito menos na direção, então a personagem ficou insossa perto de tudo que a atriz aparentava querer desenvolver, ou seja, é como você ter um celular com milhões de funcionalidades, mas só usa ele pra telefonar. Rafael Infante mostrou uma característica interessante em seu Marcos, que ele também é bom em personagens mais trabalhados na forma dialogal, e por isso que muitos gostavam do "Porta dos Fundos", pois estamos a cada dia vendo que os atores que passaram por ali se quiserem sabem fazer de tudo que for encomendado, mas assim como disse da Vanessa, ele ficou patinando num círculo e apenas trejeitos não fazem com que um ator desponte. Todos sabemos que Fernanda Paes Leme é uma atriz descolada e cheia de atitude, mas deram um papel de mulher assanhada demais para ele, fazendo com que sua Isabel chegue a incomodar, mas como é o ponto cômico da trama, em alguns momentos consegue divertir bem. Marcelo Serrado caiu bem no papel de Leo e trabalhou da maneira sensível e bem pontuada que já estamos acostumados a ver nos papéis que pega, além da sacada do roteiro para seu personagem ser uma das poucas coisas que funcionaram bem, ele ainda soube dosar a interpretação para não soar forçado. Outro que poderia ser melhor, mas ainda assim conseguiu ter seu devido destaque foi George Sauma, que fez o residente Guilherme ser engraçado e funcionar nas piadas, mas como é um personagem bem secundário não deu para desenvolver tanto.

Sabemos que fazer cinema no Brasil é algo caro e que sempre precisa de muitos patrocinadores, mas existem diversas formas de dar o retorno para a empresa que ajudou no filme sem ser forçando a barra no marketing dentro do próprio longa, e aqui a equipe artística devia querer matar quem forçou tanto a barra para a cenografia ficar sempre envolta dos patrocinadores, chega a soar forçadíssimo a moça do Hotel Mercure falando todas as vantagens de quem é cliente premium do hotel, depois a atriz falando ao telefone e o foco da câmera vai para o creme da marca, e por aí vai. O filme possui lugares bem bonitos que foram escolhidos para as filmagens, mas esses apelos acabam mais atrapalhando do que ajudando na composição cênica, e sendo assim desagrada muito ver esse exagero de merchandising. O fotógrafo do longa foi ao menos bem fiel com os princípios de luz verdadeira e falsa, pois como o longa possui muitas cenas noturnas, ele usou da sabedoria de colocar uma TV ligada para ambientar, ou jogar as luzes da boate ou bar com os protagonistas sempre de costas para realçar, e assim dar um tom ao menos mais bonito para a produção.

Enfim, ficou tudo de mediano para fraco, o que desanima bastante, pois o cinema nacional está sempre crescendo, mas aparecem alguns longas que poderiam desabrochar, ainda mais com a parceria argentina na produção que tem ótimas comédias dramáticas, e o resultado acaba sendo frustrante. Dessa forma, não recomendo o longa nem para quem estiver sem nada para assistir, somente se for muito fã do estilo novelesco que nada acrescenta nem entretêm. Bem é isso pessoal, fico por aqui encerrando as estreias da semana que vieram para o interior, mas na Terça começa a Itinerância do Festival Melhores Filmes do SESC, e vieram alguns longas que não passaram pela cidade no ano passado, então irei conferir todos e vir comentar o que achei na sequência no site, então abraços e até breve.

PS: Alguns sites colocaram o longa como uma continuação do magnífico "Divã" de 2009, mas mudando protagonistas (Lilia Cabral é insubstituível), roteiristas(Marcelo Saback também é um dos poucos que salva em comédias românticas no Brasil) e diretor(José Alvarenga Jr. não é um gênio, mas não faz besteiras novelescas no cinema), não dá para falar de forma alguma que é algo contínuo, sequer comparar com ele, então não caia no merchan.

Leia Mais

Mad Max: Estrada da Fúria em 3D (Fury Road)

5/15/2015 12:48:00 AM |

Sei que vou escrever esse texto no auge da minha loucura pelos 120 minutos eletrizantes que acabei de acompanhar, mas assim sei que posso deixar mais convincente o que achei de "Mad Max: Estrada da Fúria". E olha que sem falar nenhum palavrão vai ser bem complicado de definir o quão bom realmente é o filme. Confesso que estava com expectativa nula para o novo longa, principalmente porque não lembrava dos outros, mas como fiz uma maratona no final de semana para relembrar dos três primeiros filmes, já comecei a entrar no clima e ao ler algumas curiosidades do filme os motores já começaram a aquecer, mas ainda assim fiquei bem light, pois os primeiros longas todos tiveram grandes cenas de ação, mas as histórias eram bem curtas ou quase inexistentes, procurando somente atiçar a adrenalina nas perseguições e explosões. Porém hoje ao sair da sessão George Miller não só conseguiu fazer uma mega história de ação, com muito envolvimento, explosões, terra pra todo lado e personagens interessantíssimos que nos levam junto da fuga de Furiosa com empolgação máxima de modo que ao acabar o efeito é quase o daquelas montanhas russas imensas que morremos de medo de ir, mas que depois queremos voltar pra fila sem nem sair do carrinho, ou seja, um verdadeiro espetáculo que coloca o longa com certeza não só no hall de um dos melhores do ano, como no seleto hall dos melhores filmes que esse Coelho já viu, ou seja, pare de ler aqui e vá conferir o filme que vale a pena demais.

A sinopse do longa é bem simples e nos mostra que após ser capturado por Immortan Joe, um guerreiro das estradas chamado Max se vê no meio de uma guerra mortal, iniciada pela Imperatriz Furiosa na tentativa se salvar um grupo de garotas. Também tentando fugir, Max aceita ajudar Furiosa em sua luta contra Joe e se vê dividido entre mais uma vez seguir sozinho seu caminho ou ficar com o grupo.

Alguns podem perguntar se necessita ver os outros três filmes, e a resposta é claro que não, pois embora logo na primeira cena expliquem tudo que rolou para chegarmos ali, o que temos aqui é um novo filme vibrante e que funciona bem individualmente, assim como todos os outros, então a grande sacada do diretor e roteirista e agora também santo milagroso George Miller, para que os 30 anos de passagem do último filme para esse funcionassem se resolve em 3 minutos e tudo flui maravilhosamente com ação desenfreada no volume máximo, aonde a trilha puxa o ritmo para algo que ao sair da sessão você vá precisar respirar o ar profundamente, pois é euforia num nível que não dá para descrever. Falo que foi um santo milagroso pelo seguinte motivo que só quem já fez algum filme na vida sabe o quão trabalhoso é tudo numa produção, e se nos anos 70/80 ele conseguiu sem tecnologia nenhuma fazer filmes com pegada e cheios de explosões, agora com tudo digital, aonde basta entregar o filme nas mãos de milhares de especialistas em efeitos, e com ajuda de muito pano azul fariam de olhos fechados tudo o que o diretor quisesse, mas não, o homem é persistente e fez algo muito mais elaborado e com 80% real de filmagens com dublês e carros construídos para o longa, com tudo explodindo, voando peças e afins pra valer, ou seja, completamente maluco, mas que com certeza vai lhe render muito dinheiro e falatório por muitos anos, o que mostra sua genialidade e o coloca na ponta novamente, já que vinha com uma pegada mais calma nesse tempo todo que passou longe das grandes máquinas.

No quesito atuação o que tenho de falar é simples, os personagens foram muito bem feitos e desenvolvidos, não importando de forma alguma quem quer que fizesse os papéis principais sairia bem e agradaria com muita certeza. Max depois de ser interpretado três vezes por Mel Gibson não agradaria tanto com a idade do ator, então a solução bem montada foi colocar Tom Hardy que fez jus ao papel com uma boa expressividade nas cenas que precisou dialogar e botando força e impacto nas cenas mais de ação, claro que pra isso usou muito seu dublê Adrian McGaw que depois usando dos 20% de computação foi retirado de cena, mas ainda assim fez bem, só achei que ele era bem mais forte comparado ao que vi no Batman, pois aqui pareceu faltar musculatura. Charlize Theron fica bem até mesmo faltando um pedaço de braço e sua Furiosa faz jus ao nome com uma personalidade bem dura e cheia de história para contar de modo que daria um longa a parte, mas que o diretor preferiu apenas contar com poucos diálogos para que a atriz usasse isso ainda ao seu favor, fez ótimos trejeitos em todos os estilos que necessitou demonstrar. Hugh Keavis-Byrne já foi o vilão Toecutter do primeiro "Mad Max" e agora volta como o vilão Immortan Joe, que colocaria o outro no chinelo com a força e temperamento desse, claro que muita maquiagem foi colocada nele, mas é impressionante o visual que conseguiram dar para o personagem e claro que sua imposição na voz ficou excelente para imortalizar o vilão. Outro que teve uma participação bem significativa foi Nicholas Hoult com seu Nux que inicialmente até ficamos com raiva dele, mas com o andar da carruagem, ou melhor dos carrões de guerra, acabamos até que gostando do que faz e seus trejeitos encaixaram muito bem com a maquiagem utilizada, ou seja, o ator mostrou bem seu serviço. Destacar as belas moças parideiras uma a uma é algo exagerado, pois cada uma com sua beleza peculiar são um afronte para o clima de maquiagens e personagens feios na tela, então até suas roupas brancas destacando seus corpos chamam a atenção para cada uma delas. Um certo aplauso vai também para Melissa Jaffer que com seus 79 anos estava lá pilotando uma moto gigante e brigando bastante nas lutas de mão com os comparsas do vilão, além claro do seu personagem simbólico muito bonito para o momento atual. Não consegui achar o nome do guitarrista maluco que ficou em cima do carro musical, mas deixo meus parabéns de tirar o chapéu para sua interpretação, não sei se estava tocando realmente para realçar as cenas, mas se fez isso o cara é um mito.

Falar a expressão visual do filme é algo muito simples para o que foi entregue e não dá para remeter a 1% da loucura que deve ter sido filmar em pleno deserto com uma legião de pessoas, em carros malucos construídos especialmente para o filme (o qual deixo aqui o link para que possam conhecer cada um dos veículos) e com cenas de ação impecáveis, ou seja, é literalmente um deslumbre visual a parte cenográfica produzida pela direção de arte, de modo que podem dar todos os prêmios possíveis para essa equipe, pois é algo que não tem como não ficar lembrando de cada detalhe colocado em cada cena para remeter a algo, desde a cidadela toda bem feita com os cômodos do vilão dominador cheio de vida e o povo arruinado cheio de morte e cada corrente para elevar os carros, passando pelas maquiagens precisas com os figurinos assustadores e encardidos para cada personagem ficar mais rude ainda, ou seja, tudo é palpável e de valor detalhístico. A fotografia do longa foi outro quesito primoroso e bem encaixado em todos os momentos, trabalhando muito com o marrom para deixar o clima mais seco ainda, soube misturar as nuances das explosões com um laranja avermelhado bem forte e ainda sabiamente jogar paletas de vida para as parideiras, mostrando que o filme se fundia bem ali, e a cada novo local por onde os personagens passavam encontrando contratempos, a fluidez da imagem ainda era de um luxo só, ou seja, perfeição total nesse quesito também.

Para quem não sabe há duas formas de se fazer efeitos especiais, uma é tudo no computador que é algo lindo e que temos muitos profissionais capacitadíssimos para isso nos estúdios, que claro fazem os orçamentos decolarem na pós-produção, e há aqueles diretores malucos que preferem trabalhar com técnicos especialistas para explodir tudo em cena, para dar um realismo a mais nas cenas, e aqui Miller é um desses doidos, ou seja, prepare para ver o circo literalmente pegando fogo e agradando demais no impacto das cenas de ação, o que ficou muito bom de ver, e claro que com tudo explodindo muita coisa acaba voando, e aí entrou os amigos da computação gráfica e dos efeitos tridimensionais que aproveitaram para realçar tudo e fazer com que o público fique desviando dos elementos voando da tela, dos personagens pulando de um lado para o outro com a profundidade de campo perfeita, e tudo mais, de modo que fazia tempo que um longa não valia mesmo pagar mais caro para ver em 3D, e aqui podem ir tranquilos que as cenas que possuem o efeito valem cada centavo pago a mais para agradar ainda mais a ação do longa.

Outro ponto perfeito da trama ficou a cargo da trilha sonora envolvente de Junkie XL que junto do caminhão com os tambores e guitarra marcando o ritmo ainda deu vários riffs e trabalhou num rock maravilhoso de ouvir, encaixando na medida certa para dar o ritmo exato que o longa necessitava, e como disse no começo, não vemos em momento algum um respiro para toda a ação que nos é entregue, ou seja, é rock na veia do começo ao fim, agradando demais no conceito musical escolhido.

Enfim, me desculpem os fãs de quadrinhos, mas o longa de ação, ao menos nessa categoria, do ano é Mad Max e repito que deve figurar com certeza entre os melhores filmes que já assisti com toda certeza, é muito barulhento sim, mas isso faz parte do filme e vai agradar demais quem gosta de sentir o barulho das explosões e for ver nas salas com equipamentos potentes, ou seja, quem gosta do estilo e curte uma história interessante bem trabalhada não pode ficar sem ver esse filme de maneira alguma, e quem não gosta confesso que talvez passe a gostar, afinal não é todo dia que temos o gostinho dos filmes antigos feito à moda antiga agradando numa época que só temos adaptações de livros nas telonas. Bem é isso pessoal, mais do que recomendo o filme para todos como acabei de falar, e fico por aqui agora, mas volto em breve com mais posts nessa semana meio fraca, mas que servirá ao menos para que eu possa ver mais uma vez esse brilhante filme. Então abraços e até breve meus amigos.


Leia Mais

Super Velozes, Mega Furiosos (Superfast!)

5/10/2015 01:23:00 AM |

Sei que vão me crucificar mais uma vez, mas por incrível que pareça, alguns filmes toscos conseguem me divertir, e geralmente isso ocorre com paródias sem nexo algum. Claro que não posso falar de maneira alguma que "Super Velozes, Mega Furiosos" é o longa mais perfeito do planeta Terra, mas possui algumas baboseiras tão bem encaixadas para sacanear alguns pontos que sempre vimos como piada pronta nos longas da franquia "Velozes e Furiosos" que a diversão acaba acontecendo e a risada acaba vindo da maneira mais indignada possível de estar vendo aquilo na tela, ou seja, se você se irrita com esse estilo com toda certeza vai odiar desde a primeira cena, mas se estiver disposto a rir das coisas mais absurdas possíveis, a chance de sair indignado de ter dado tanta risada do longa é alta.

O filme nos mostra que Paul White é um policial que entra disfarçado para a gangue de corredores de rua ilegais liderada por Vin Serento. Agindo de forma veloz e furiosa a gangue tem o plano ousado e, ao mesmo tempo, ridículo de passar a perna no chefão do crime Juan Carlos de la Sol e pegar o dinheiro que ele esconde em uma lanchonete de comida mexicana.

A dupla Jason Friedberg e Aaron Seltzer já escrevem paródias desde os primórdios com o início da série "Todo Mundo em Pânico", mas foi em "Uma Comédia Nada Romântica" que resolveram atacar de diretores e praticamente a cada 1 ou 2 anos nos entregam algum besteirol pronto para zoar com alguma franquia famosa. O mais interessante é o tempo que demoraram para atacar o sucesso de "Velozes e Furiosos", pois a franquia famosa já estando na sétima etapa, somente agora resolveram começar a mexer desde o primeiro longa, não que o filme aqui fique preso somente ao que ocorreu no primeiro filme da franquia, bem como temos cenas de coisas da série que ocorreu no Rio, algumas piadas com Tóquio, mas no contexto geral, a situação se assemelha bem mais com o primeiro filme original, como a forma que um policial acaba entrando para uma gangue. A direção dos dois é algo que já venho olhando há tempos pela forma de atacar sem precedentes, e aqui foram focados em atirar de maneira certeira somente nos pontos que já são piadas prontas, não necessitando inventar muita coisa, por exemplo o jeito machão de Letty, os milhões de tiros que nunca acertam ninguém, os músculos oleosos de The Rock, e por aí vai, de modo que foram bem espertos em misturar os nomes reais dos atores do filme original com os nomes dos personagens, criando algo ainda mais engraçado de se ver na tela. Repito, não é algo primoroso, mas diverte por saber pontuar exatamente onde víamos as palhaçadas que acabavam ocorrendo no filme original, e assim quem lembrar das cenas, vai rir mais ainda do que é mostrado aqui na paródia.

Sobre os atores, aí é onde acho que pecaram um pouco, pois mesmo sendo caricatos e bem parecidos com os atores originais da franquia, podiam ter pego alguns mais experientes na forma de atuar comicamente, pois as situações em si já eram engraçadas, se colocassem então atores engraçados teríamos a perfeição para que a diversão fosse completa. Dale Pavinski já foi dublê de corridas em alguns filmes e até foi bem pontuado em algumas cenas onde deu um tom mais sério para o seu Vin Serento, mas faltou impactar mais nos momentos que necessitava mais expressão, e assim o resultado foi mais próximo de uma enganação do que uma homenagem/paródia realmente em cima do personagem. Alex Ashbaugh é bem parecido realmente com Paul Walker ao menos no quesito físico, pois na forma de atuar o jovem deixa bem a desejar, parecendo sempre estar um passo atrás do que deveria estar fazendo, e em algumas expressões poderia ter chamado mais atenção também, ou seja, bem fraco. Dio Johnson embora possua o sobrenome de The Rock não possui muita semelhança com o brucutu de rosto com o original, mas ao possuir o corpo todo bombado e a todo momento estar passando óleo Johnson no corpo é piada demais e acabou soando como o mais divertido da trama, embora com alguns pontos que poderiam certamente ser melhorados. De todos os atores da trama, o mais experiente em comédias é Omar Chaparro que fez o personagem de la Sol, mas deram para ele algo tão clichê de fazer que em certos momentos seu trejeito acaba ficando chato de ouvir, então perderam a oportunidade dele atuar bem e divertir, tanto que preferiu fazer a sacada com uma cena gravada durante os erros, que muitos vão entender bem o que ele diz ali. As mulheres fizeram o tradicional nesses filmes, que é mostrar o corpo e servirem de encaixe para as piadas, mas a sacada com o jeito masculino de Michelle Rodriguez interpretar foi muito bem sacado pelos roteiristas, e acabaram escolhendo uma atriz bem caricata para fazer tudo da forma mais lésbica possível, de forma que Andrea Navedo acabou saindo muito bem.

Embora seja um longa de baixo orçamento, a produção pode até que gastar uma certa grana para que o visual se assemelhasse bem ao longa original, e até que nos momentos onde procuram mostrar não ter a grana real da franquia, acabam ficando bem engraçados, e o exemplo máximo ficou por conta do carro Smart usado em algumas cenas principais, nas armas falsas mostrando ser falsas e até mesmo nas corridas ao procurarem mostrar a falsidade de se filmar sem dirigir realmente. E procurando usar muitas cores para realçar os erros, o acerto acaba sendo bem cômico de ver tanto pelo trabalho da equipe artística quanto pela equipe de fotografia que se preocupou bastante em usar o máximo de recurso que podia para ao menos variar ângulos e iluminações.

Enfim, é um filme que dá para se divertir, principalmente quem como eu disse conhece bem os defeitos da franquia original e for disposto a rir de algumas piadas bem bestas. Digo isso de estar disposto, pois tenho certeza que se chegar no cinema querendo ver algo primoroso, é sair no meio do filme falando mal de tudo, enquanto quem for pronto e preparado para rir de algo bem besta a chance de diversão aumenta consideravelmente. Ou seja, com esses pormenores, acabo recomendando sim o filme para quem quiser perder um tempinho rindo de uma paródia que nem precisou de muito esforço para ser escrita, pois repito, a própria série já deixou as piadas prontas para serem colocadas em paródias. Bem é isso pessoa, encerro essa semana cinematográfica bem curta, ao menos no interior que foi sacaneado pelas distribuidoras ao não mandar nem metade do que foi realmente lançado no Brasil nesse final de semana, mas é o que temos por aqui, então o jeito é aguardar que um dia isso mude. Volto então na próxima Quinta, torcendo para que venha uma boa quantidade de estreias, então abraços e até lá.


Leia Mais

O Franco Atirador (The Gunman)

5/08/2015 01:21:00 AM |

Tem longas que com o próprio título já dá para fazer piada pronta, e com "O Franco Atirador" não é diferente, basta remover apenas a letra N e já conseguimos montar exatamente a sensação que o longa nos passa. Digo isso, pois é fato que tanto o diretor Pierre Morel quanto Sean Penn já fizeram filmes bem melhores do que o que apresentaram aqui, e com um roteiro tão cheio de tentativas para criar arquétipos e mostrar quase como uma denúncia de que guerras e conflitos iniciam por alguma besteira encomendada, mas tudo soou tão semelhante a outros filmes e o protagonista acabou parecendo tão desencaixado com o papel que o resultado fica limitado e nem toda a ação das cenas de pancadaria consegue empolgar e dar rumos interessantes para o que o roteiro quis, e assim, o filme apenas passa como algo que até conseguimos assistir, mas que daria para pular certamente.

A sinopse nos mostra que depois de uma longa carreira como matador de aluguel, Jim Terrier pretende se aposentar e passar o resto da vida ao lado de sua amada. Mas quando ele descobre que está sendo traído por pessoas de sua confiança, Jim começa uma viagem por toda Europa para acertar as contas com cada homem que tentou trapaceá-lo.

A história em si não é ruim, pois baseada no livro de Jean-Patrick Manchette, os roteiristas até desenvolveram bem a história, trabalhando ela num formato meio jornalístico para dar uma cara séria para a trama, mas durante o miolo as situações vão tomando rumos tão desesperadores que acaba parecendo quase que um filme feito por um diretor e concluído por outro, já que a priori temos um "vilão", de repente tudo muda para outro parcialmente desconexo e que se falar muito até vou estragar para aqueles que ainda forem arriscar a ver o filme, mas garanto que algum problema maior teve na produção, pois não é normal as gafes que ocorreram para o porte do longa. O diretor Pierre Morel é famoso pelas longas sequências de ação que ficou marcado em "Busca Implacável", e aqui ele até tentou fazer com Sean Penn o mesmo que fez com Liam Neeson, mas o estilo de Penn é de filmes mais densos em que a correria nem é o principal ponto, então teve momentos até engraçados de olhar que parecia que íamos olhar para a tela e ver Neeson aparecendo, mas não vinha um Penn abatido e com a cabeça fritando de culpas, o que não era a verdadeira nuance e proposta que o longa aparentava desenvolver, e assim o filme ficou meio digamos que perdido.

Já que falei um pouco da atuação de Sean Penn, o que posso concluir é que ele é um bom ator, e isso é fato senão não teria ganho 2 Oscars e diversos outros prêmios, mas ele vai funcionar sempre com dramas mais psicológicos ou até filmes de ação que ele possa desenvolver a personalidade do protagonista, aqui como era ou um soldado que mata pra valer ou alguém disposto a acabar com uma corrupção, ficou desorientado e não encaixou como poderia encaixar no personagem de Jim, o que é uma pena. Javier Barden é o típico ator que você já sabe o que esperar dele, ou seja, um personagem completamente maluco que até sóbrio é louco, bêbado então beira a comédia pastelão, e inicialmente algumas sinopses até aparecia ele como o vilão-mor da trama, e cairia bem, já que outros vilões que fez foram brilhantes, mas o desenrolar de seu Félix acabou tão bobo que chegou a decepcionar demais, mas felizmente não por culpa sua, então vale bastante ver as expressões caricatas que ele colocou nas suas cenas finais. O personagem de Idris Elba que aparentava ter algum destaque no pôster e em alguns sites, é tão simples e usado apenas no fechamento, que até nos deixou bem tristes, claro que sua penúltima cena possui toda uma simbologia interessante dentro dos diálogos de seu JB, mas poderiam ter explorado mais que com certeza agradaria bem. Dos demais, vale mesmo alguma pontuação as cenas de Mark Rylance com seu Cox, somente pela dinamicidade dos diálogos, mas suas cenas de ação beiram o ridículo, e Jasmine Trinca até tenta ser uma sex-appeal com sua Annie, mas falha feio nas cenas que precisam um pouco mais de expressividade.

Sobre o visual da trama até foram escolhidas boas locações para representar o filme, e nas cenas iniciais e finais até somos quase convencidos de que filmaram realmente no Congo, mas não tudo cenográfico, já que o filme foi rodado no Reino Unido, na Espanha e na França apenas, mas isso não atrapalha em nada, afinal cinema é nos convencer do cenário, e isso até fizeram bem, mas ao invés de mais cenas de correria e tiros nas casas e parques, o longa se fosse mais desenvolvido como nas cenas iniciais de tramas pensantes, agradaria mais e chamaria bem mais atenção para os olhos do público, mas aí não seria um filme desse diretor que quer tudo explodindo e o protagonista andando por milhares de cenários. A fotografia trabalhou até que com um filtro bem bacana para não escurecer tanto e também não ficar um filme radiante, e assim evitou também o embaçamento nas cenas mais corridas, o que até soou agradável, mas não podemos falar que é algo primoroso também, já que prefiro repetir, as cenas iniciais foram muito bem feitas, e depois no miolo aparenta ser outro longa, inclusive na fotografia.

Enfim, é um filme que não conseguiu realmente empolgar em nada, falhando feio praticamente em todos os quesitos, mas como para o interior essa semana não mandaram nem metade dos filmes que estrearam no país, muitos que procuram ver um filme por semana ao menos, acabarão indo conferir esse e o resultado vai ser frustrante para todos que exigirem um filme coeso ao menos, o que com certeza não é entregue por ele. O único ponto que friso valer bem o filme, e que com certeza veio proveniente do livro são os bons diálogos, mas que infelizmente falharam na boca dos protagonistas e na forma bagunçada de dirigir que foi feito. Bem é isso pessoal, ainda tenho mais uma estreia para conferir nessa semana que nós do interior fomos lindamente boicotados pelas distribuidoras, então volto em breve com mais uma postagem. Por enquanto deixo meus abraços e até breve com vocês.


Leia Mais

O Sal da Terra

5/06/2015 12:47:00 AM |

É engraçado falarmos de um documentário sobre um documentarista, ainda mais se o homenageado ou motivo do documentário ainda está vivo, pois colocar alguém para documentar a vida de alguém que documenta outras vidas fica até confuso de dizer qualquer coisa. Mas se você entendeu o que quis dizer aqui com certeza vai entender facilmente o documentário "O Sal da Terra" que utilizando do material feito pelo fotógrafo durante seus 40 anos de carreira, aonde explica suas motivações e o que sentiu em cada momento, seu filho Juliano junto do famoso Wim Wenders conseguem montar um recorte interessante e bem vivo que resulta em uma bonita história, aonde mesmo que documentada somente através de fotos daria para ter a completa noção de cada composição cênica que Salgado conseguiu capturar com suas lentes.

O filme nos mostra que ao longo dos últimos 40 anos, o fotógrafo Sebastião Salgado viajou pelos continentes seguindo os passos de uma humanidade em constante mudança. Testemunhou os maiores eventos de nossa história recente: conflitos internacionais, fome e êxodos… Ele agora embarca na descoberta de territórios primitivos, da fauna e flora selvagens, de paisagens grandiosas: um grande projeto fotográfico em tributo à beleza do planeta.

Particularmente não sou fã de narrações, mas também não sou contra, o que mais me incomodou sem dúvida foram as imagens, mas isso era o foco do filme, afinal Salgado sempre trabalhou com imagens fortes e isso como ele diz em certo momento do filme chegou até a lhe adoecer e perder a fé na humanidade, coisa que também concordo e muito com ele. Embora Wenders tenha entrado com força mais ao final do projeto, é notável o foco de suas lentes e a de Juliano Salgado, pois o filho procura conhecer mais o pai, então são ângulos mais fechados e sempre procurando o mesmo olhar que o pai está tendo, enquanto Wenders já procura compor mais a cena. Digo isso, claro nas cenas que estão filmando, pois nas que estão apenas exibindo as fotos com narração explicativa ao fundo não é tão simples observar de quem foi o recorte, mais provável feito pela edição em várias mãos.

O longa em si funciona, mas também não é algo que qualquer um irá digerir facilmente, pois acaba de certa forma meio que arrastado, num misto de homenagem ao que Salgado fez na sua nova fase como reflexo pelo que já viu no passado, e nesse passado dou destaque ao penúltimo trabalho do fotógrafo com a fase "Exodus", que contém imagens chocantes e duras de pensar em como tudo ocorreu por ali. Mas de fato, todas as imagens são lindíssimas e vale conferir o longa só por isso, talvez deixando um pouco de lado tudo o que quiseram mostrar, funcionando como uma exposição mais rápida dos 4 livros do fotógrafo.

É até engraçado falar da fotografia do filme, mas por mais incrível que possa parecer, não seria necessário colocar tantos efeitos nas imagens captadas para aguçar e manter o mesmo tom das fotografias de Salgado, pois daria para trabalhar com dois tons sem atrapalhar em nada, e isso chega até incomodar na forma de observar o longa, pois acaba ficando muito em preto e branco dando um certo cansaço visual, o que se feito de forma mais viva passaria o mesmo resultado e agradaria bastante também.

Enfim, falar muito sobre documentário é estragar o conteúdo que ele realmente vai passar para cada um. O longa ganhou o Cesar de Melhor Documentário e foi indicado ao Oscar também na mesma categoria, ou seja, algo que mostra a qualidade do material que todos irão conferir. Como disse, em certos momentos o filme acaba meio lento demais e quem não for fã do estilo irá com certeza cansar, mas o resultado final vale a pena ser conferido com certeza. Para quem for de Ribeirão Preto, nessa quarta dia 06 de maio, irá ser reprisado na sessão Cine Planeta do SESC às 19 horas, então é uma excelente oportunidade para ver ele, já que com certeza não deve passar em nossos cinemas. Fico por aqui encerrando essa semana cinematográfica, mas quinta estou de volta com mais posts, então abraços e até breve.


Leia Mais

Uma Longa Jornada (The Longest Ride)

5/03/2015 09:38:00 PM |

Já faz tempo que Nicholas Sparks não escreve mais livros sem pensar em virar roteiro de algum filme, pois quem escreve quase que um livro por ano não pode ter a mesma vida engajada que um escritor tradicional teria. E essa sede de escrita tem repetido frequentemente as histórias, tendo uma ou outra mudança no estilo dos personagens, mas praticamente com os mesmos pontos de virada. Mas se pararmos para pensar isso acaba até que entrando no estilo indústria que Hollywood tanto preza, e como sempre digo não tenho o costume de ler livros, mas como já vi todos os outros filmes que foram baseados em seus livros, posso dizer sem dúvida alguma que esse aqui caiu nas mãos certas para ser produzido, pois não posso afirmar se "Uma Longa Jornada" é seu melhor livro até aqui, mas com a ajuda dos produtores que montaram uma cenografia impecável para a direção ser precisa e envolvente, o resultado aqui com certeza pode ser considerado um dos melhores filmes baseados nos livros do escritor.

O filme nos conta a história de amor complicada entre Luke, um antigo campeão de rodeios, que está tentando voltar, e Sophia, uma universitária que está prestes a embarcar em uma viagem para conseguir o emprego dos seus sonhos no mundo das artes em Nova York. Com caminhos e ideais conflitantes testando o seu relacionamento, Sophia e Luke têm um encontro inesperado com Ira, cujas memórias de seu próprio romance inspiram o jovem casal. Tocando gerações, o entrelaçamento das duas histórias de amor explora os desafios e as recompensas infinitas do amor duradouro.

Embora não tenha em seu currículo dramas românticos, George Tillman Jr. conseguiu trabalhar de maneira bem interessante o roteiro que o próprio Nicholas Sparks junto de Craig Bolotin fizeram antes mesmo do lançamento do livro, o que é um fato raro de acontecer. E mais interessante que isso, a história sendo trabalhada em paralelo, com passado e presente, temos boas noções de estilo de câmera para cada época e o tratamento de cores embora bem semelhante também ficou com características próprias, dando liberdade para que o diretor criasse uma ambientação mais clara e envolvente com os atores. Outro acerto bem pontuado é a mão firme do diretor nas cenas do rodeio, fazendo com que qualquer emissora que transmita esses campeonatos ficasse com uma tristeza ímpar de nunca ter mostrado utilizando câmeras desse jeito, pois consegue transmitir uma emoção junto do personagem, que mesmo todos sabendo que não é o ator ali montando os touros, ficamos apreensivos e torcendo para o melhor, ou seja, ângulos inusitados funcionando bem de acordo com a linguagem adotada. E ainda sobre o roteiro, vale falar que mesmo sendo um romance bem açucarado, a trama se desenvolveu de uma maneira bem dramatizada, sem muita melação para que na sala surgissem os tradicionais "Ohhh!!", e isso pode até parecer um erro técnico, já que os fãs do estilo gostam muito de ver cenas assim, mas acredito que seja um amadurecimento dos roteiros de Sparks que nas mãos certas ainda vai fazer filmes bem interessantes de ver.

Sobre as atuações, falei desde a primeira vez que vi, que Scott Eastwood tinha futuro, e esse é o estilo de filme que precisa trabalhar, tem ator que serve para determinado estilo e funciona nele, com expressões características, olhares bem marcados, personalidade definida que encaixaram perfeitamente para o filho da lenda Clint Eastwood marcar bem e conseguir muitos outros papéis romantizados, ou seja, vai fazer a mulherada toda ficar caidinha que é o mote principal desse estilo. Não conhecia Britt Robertson pelos outros filmes que já fez, mas aqui caiu tão bem no papel de Sophia que se antes eu não estava empolgado com o que ela poderia fazer em "Tomorrowland", já irei olhar para ela com outros olhos, a atriz soube dosar bem sua expressão e interpretação para cada estilo de cena, e isso é algo que poucas atrizes costumam fazer, ou seja, um talento jovem para ficarmos de olho. Um fato é que Alan Alda realmente está muito velho, e embora seu personagem Ira fosse apenas um elo de ligação da história do passado, o ator mostrou que ainda sabe fazer o que lhe deu uma indicação ao Oscar há mais de 10 anos, que é a expressão pura quando o diretor mais precisa, de maneira que suas caras tristes ou bem alegres ao final de cada leitura das cartas joga o espectador para o mesmo sentimento, ou seja, perfeito também. Agora vamos ao passado, e digo mais aos frutos do passado, pois Oona Chaplin só por carregar o sobrenome do avô já mereceria estar em diversos filmes, mas não é bem o que vem acontecendo, pois a atriz tem um estranho jeito de atuar, não é ruim suas formas expressivas, mas não emociona como deveria, de modo que sua Ruth até tem boas nuances, mas nos momentos que mais dependeria da expressividade da atriz, ela dá umas falhadas violentas de olhares que ainda precisa ser melhor desenvolvido para chegar perto do que o avô fez  no passado. Outro resquício do passado é Jack Huston que também é neto do lendário John Huston, que ao menos deu um pouco de orgulho ao avô com nuances simples para o jovem Ira, que ao mesmo tempo eram tímidas, mas bem vividas com expressões marcantes quando foi preciso, claro que na cena de guerra temos de relevar que não era o ponto forte da trama (e com certeza alguns vão criticar a simplicidade), mas ele soube seguir uma linha coesa de interpretação que acaba agradando. E para finalizar sobre os atores, vale a pena mesmo que com poucas cenas, mas de uma presença marcante falar sobre Lolita Davidovich que fez uma mãe de impacto com sua Kate, talvez mais cenas dariam uma nuance diferente para a história, mas seus momentos foram bem interessantes principalmente pelo olhar da atriz.

Agora um dos conceitos que mais agradam no filme com toda certeza é a cenografia que foi muito bem trabalhada para ambientar bem as cenas do passado aonde tudo foi meticulosamente organizado, já que era uma família mais religiosa, porém com a inserção da cultura e da arte moderna que a personagem Ruth tanto gosta, foram colocados quadros caríssimos que muitos irão reconhecer durante a exposição final e até em alguns momentos na casa dos sub-protagonistas, enquanto que no presente embora as cenas do quarto e da casa do peão sejam bem feitas e lotadas de elementos cênicos importantes para a decoração, o que vai chamar muito a atenção são as cenas dos rodeios, que a equipe certamente optou em filmar nos campeonatos oficiais para não onerar tanto o custo e ainda funcionar bem com todo o charme dos campeonatos mundiais de PBR que é como é chamado o rodeio profissional americano, ou seja, tudo encaixou bem demais na trama, fazendo a equipe artística desenvolver dois rumos, mas tudo com muita precisão. Mas sem dúvida alguma o mais belo resultado do longa ficou por conta da equipe de fotografia que soube aliar a maravilhosa paisagem da Carolina do Sul, com planos aéreos e algumas tomadas em lugares belíssimos para dar ao longa um conceito mais romantizado ainda, e além disso foi trabalhado mesmo que sutilmente dois tons de filtros para caracterizar presente e passado, o que com certeza numa película seria muito mais notório, mas a sutileza caiu bem e agradou bastante.

Bons romances não funcionam sem boas trilhas sonoras, isso já virou quase que uma obrigação que deixam os diretores malucos para encontrar bons compositores, que costumam ser caríssimos, ou optar por uma boa equipe para arrumar boas canções, o que acabou ocorrendo no caso aqui, pois a seleção de músicas desde o trailer já foram perfeitas e o encaixe com o longa agradou na medida certa. Como sei que muitos vão vir no site atrás das canções, já deixo aqui o link para quem quiser escutar todas as canções, inclusive as do trailer.

Enfim, um filme bem interessante que vai agradar demais quem curte o estilo açucarado dos dramas romantizados que Hollywood costuma nos entregar. Não posso falar que foi algo perfeito e que envolveu ao máximo, mas como já disse diversas vezes, o resultado foi tão interessante de acompanhar que valeu a pena ver com certeza. Porém se você não é fã do estilo fuja da sessão, pois vai odiar tudo, mas quem gostar vai ficar feliz pelo que foi mostrado e acredito que acontecerá muito do que vi na sequência da sessão, que vários estavam na livraria embaixo do cinema comprando o livro para conhecer mais detalhes da história, e claro que acredito que os fãs vão gostar também bastante da história repassada nos cinemas, pois me pareceu bem fiel e cheio de detalhes, então quem já leu e puder compartilhar se estou certo nos comentários, fico agradecido! Bem é isso pessoal, dos longas que estrearam por aqui todos conferidos, falta ainda a sessão Cine Planeta do SESC que vai trazer também um longa que não veio para a cidade, então volto na terça com o texto dele, desde já deixo meus abraços e até breve com mais posts para vocês.


Leia Mais

Noite Sem Fim (Run All Night)

5/03/2015 02:43:00 AM |

O mais engraçado do filme "Noite Sem Fim" é que assisti ao trailer dele na sessão de "Busca Implacável" com o mesmo  Liam Neeson, e na época lembro de ter reclamado que estavam passando o trailer do filme que iria ver logo em sequência, mas não, era um novo filme do ator. Ou seja, Liam precisa começar a rever seus conceitos e estilos de filme, pois senão daqui a pouco vamos ver seu nome nos créditos já sabendo exatamente tudo o que irá acontecer. Não digo isso falando em momento algum que o filme é ruim, muito pelo contrário, temos boas cenas empolgantes e um mote até interessante de ver como a briga de filhos pode influenciar a amizade dos pais, e isso já vimos muito na vida real, e em alguns longas mais calmos pelo vastidão do cinema, mas o que preciso frisar é que Liam está se tornando, como disse um amigo do cinema, o Chuck Norris atual batendo pra todo lado, dando tiro a rodo e algumas vezes levando alguns tiros que dão um pouco de dor para ele, mas sempre consegue voltar para dar mais um no vilão, e isso com certeza vai cansar em algum momento, mas por enquanto vamos curtindo, pois acaba sendo envolvente e interessante ver a reação do público que gosta do estilo, com pessoas aplaudindo durante a sessão, outras pulando de susto e por aí vai, ou seja, um filme pipoca completo.

O filme nos mostra que o mafioso do Brooklyn e matador profissional Jimmy Conlon, que era conhecido como o Coveiro, já viveu dias melhores. Amigo de longa data do chefão da máfia Shawn Maguire, Jimmy, hoje aos 55 anos, é assombrado pelos pecados cometidos no passado – além de um persistente detetive da polícia que há 30 anos está a um passo atrás de Jimmy. Ultimamente, parece que o único consolo de Jimmy está no fundo de um copo de uísque. Mas quando o filho de Jimmy, Mike, torna-se um alvo, Jimmy tem que optar entre a família do crime, que ele escolheu, e sua verdadeira família, que ele abandonou há muito tempo. Com Mike em fuga, a única penitência para os erros que Jimmy cometeu no passado é evitar que seu filho tenha o mesmo destino que ele certamente terá... no lado errado de uma arma, ou seja: com uma arma apontada para ele. Agora, sem ter a quem recorrer, Jimmy tem apenas uma noite para decidir exatamente a quem pertence sua lealdade e ver se finalmente fará a coisa certa.

Depois de fazer filmes de terror B, "Casa de Cera" e "A Orfã", o diretor espanhol Jaume Collet-Serra resolveu atacar algo mais cheio de adrenalina e com orçamentos digamos mais rechonchudos, e tem dado muito certo seu casamento com Liam Neeson, pois os outros dois filmes que fizeram juntos "Desconhecido" e "Sem Escalas" conseguiram emplacar e ter boas críticas espalhadas por aí. Mas com as novas tecnologias, o diretor anda inventando demais, e aqui abusou de voos panorâmicos pela cidade para ir mostrando o que está ocorrendo com cada um dos personagens, e isso de certa maneira cansa, pois o que funcionaria bem como um teste de câmeras, acabou virando brincadeira cênica dentro do filme. Não digo que isso possa estar presente dentro do roteiro de Brad Ingelsby, pois o mesmo gosta de colocar coisas diferenciadas dentro de tramas comuns, mas o filme sem esses voos que me irritaram muito, continuaria empolgante e bem colocado para agradar todo mundo, pois a história é algo que cabe bastante discussão, mas sem essa perspectiva, o roteiro procura funcionar mais como uma sessão pipoca lotada de tiros e ação para todo o lado, e dessa forma o funcionamento é notável e bem colocado.

Sobre as atuações, temos como sempre Liam Neeson mandando bem na sua forma expressiva, afinal o ator já foi até indicado ao Oscar, então sabe interpretar bem qualquer papel que lhe for dado, e como nos longas de ação, muito o que se faz fica por conta dos dublês, ele tem saído sempre bem, mas sou enfático que precisa trabalhar um pouco mais nas escolhas de roteiro, pois todos os filmes que faz sempre são muito semelhantes, o que vai acabar marcando sua carreira. Ed Harris fez um Shaw interessante, impondo sua voz à personalidade do mafioso com olhares tensos e bem determinados, que acabam marcando sua presença, claro que sempre manda bem em tudo que faz, mas sua cena final ficou meio boba demais e poderia ser algo mais elaborado. Joel Kinnaman fez algumas caretas, correu, bateu, atirou e tudo mais que fosse possível com seu Mike, mas faltou o principal chamar a responsabilidade para si em ao menos uma cena que ficasse lembrável, o que não ocorreu, então de protagonista do filme acabou ficando quase que como um figurante de luxo, e isso com certeza não estava presente no roteiro que lhe foi entregue. O rapper Common já está ficando mais comum, utilizando claro a piada com seu nome, nos cinemas do que nas músicas e isso não é algo ruim, pois o jovem sabe atuar de forma até que interessante, mas precisam começar a lhe dar textos maiores, pois correr e atirar fazendo pose é fácil, agora mostrar que o seu Price é um matador profissional que assusta na conversa também seria interessante. Boyd Holbrook merecia mostrar mais do seu lado maluco com seu Danny, ou até mesmo uma história mais alongada para mostrar como foi sua formação para o mundo do crime como seu pai mesmo diz em uma cena, e de certa forma o ator fez bem o papel, e agradaria ver mais cenas dele, mas aí não teríamos o mote para o filme todo, e precisariam de outro estilo completo de roteiro. Dos demais todos até cabem bem na trama e chamam atenção pelo menos para uma olhada rápida, mas Genesis Rodriguez como a esposa Gabriela foi literalmente um enfeite de cena que não gastou nem saliva para se apresentar para o sogro, ficando falsa demais até na cena que aparenta medo, ou seja, seria fácil o filme sem seu papel.

O conceito visual da trama se desenvolveu bem com boas cenas de ação pela rua, claro que com uma cenografia já existente, mas bem colocada dentro da proposta do filme de funcionar sempre a noite, acabou que ficou agradável. Além disso todos os locais contaram com muitos objetos cênicos para serem utilizados, mas na maior parte o que se usa são apenas as armas mesmo deixando que o restante servisse apenas de composição cenográfica. O longa contou também com carros bem interessantes para as perseguições e isso acabou dando um charme a mais para o filme. No conceito fotográfico, volto a discussão dos voos, que poderiam ser o show do filme se feito uma ou duas vezes apenas, mas a todo momento acabou cansando, e a equipe optou por usar meio que imagens congeladas o que em alguns momentos acaba até assustando o emprego da técnica, mas isso varia de gosto, e alguns com certeza adorarão ver isso, agora o ponto mais bonito da fotografia sem dúvida alguma é na última cena, quando no lago já com o nascer do sol, a névoa predominando a cenografia de árvores e alguns raios passando pela neblina, o que deu um charme único para o filme.

Junkie XL é daqueles compositores que mantém uma pegada clássica que você ouve e sabe que é dele, pois sempre muito cheia de batidas e junto de um som mais techno ele consegue ditar o ritmo solicitado por qualquer diretor para que o filme amarre o espectador na cadeira e não saia nem para ir no banheiro, e funciona, são raros os filmes que contém suas trilhas que o público fica passeando pela sala, mas segundo muitos dizem ainda está longe de um primor técnico que os artistas sonoros devem trabalhar, então vamos aguardar para que venha com técnica e impacto em breve.

Enfim, é um filme interessante que envolve e agrada bastante, mas como já vi diversos do estilo e principalmente feitos pelo mesmo ator, faltou o fator empolgação, pelo menos para a minha pessoa, claro que muitos vão amar o longa, pular, gritar, aplaudir e tudo mais, enquanto outros vão odiar profundamente e somente reclamar de tudo. O que sobra no geral é um longa para se ver sem pretensão alguma de expectativa, ou seja, o famoso cinema pipoca para ver e curtir apenas. Quem sabe alguma cena mais trabalhada agradaria a todos e ainda envolveria mais, mas o que foi entregue não foi isso. Portanto até recomendo ele para todos aqueles que gostam de curtição e tiros para todo lado, sem algo que tenha alguma história mais envolvente, o que repito, daria para fazer diversas alusões com a questão familiar e tudo mais, mas quem não gostar desse estilo, recomendo pular fora, eu como gosto, me diverti bastante. Bem é isso pessoal, fico por aqui por enquanto, mas ainda faltam dois longas para conferir nessa semana, então abraços e até breve.

PS: A nota poderia ser menor, principalmente pelos exageros de linguagem das câmeras completamente sem sentido voando a cada 10 minutos, mas como a ideologia do longa é algo mais relaxado para diversão apenas, e conta até com um roteiro (repetitivo) razoável, resolvi dar uma notinha melhor para ele.

Leia Mais

Para o Que Der e Vier (Are You Here)

5/01/2015 11:59:00 PM |

Já ouvimos falar diversas vezes que devemos valorizar os pequenos atos de amizade, que muitas vezes um amigo é maior que um irmão e por aí vai, mas quando um longa é classificado como comédia dramática e é inserido dois ícones da comédia americana no elenco, a expectativa que o filme cria para divertir, ou fazer chorar demais (já que alguns recaem sobre algo mais emotivo, mesmo tendo pitadas cômicas), é altíssima, daí vem um diretor estreante no cinema, mas que já ganhou todos os prêmios possíveis na TV e entrega um café sem açúcar e uma bolacha sem sal para o café da tarde e a primeira coisa que se ouve após a sessão de "Para o Que Der e Vier" acabar é: "que filme chato". E a definição da moça que estava atrás de mim não poderia ser mais precisa, pois o longa tem alguns pequenos pontos de virada, mas a simbologia que poderia trazer a tona da amizade e tudo mais fica sempre em cima do muro, sem sobressair nem desandar, e assim de tão fraco, a única garantia que posso dar sobre ele é que amanhã mesmo não devo nem lembrar de ter assistido ele.

O longa nos mostra que Ben Baker é um homem com comportamento infantil, que vive no sofá de um amigo praticamente todo o tempo. Seu amigo, Steve Dallas, é um repórter do tempo com relativo sucesso, mas que vive uma vida superficial. Quando Ben recebe a notícia da morte de seu pai, Steve o ajuda a voltar para casa, onde os dois se reencontram com a irmã bem-sucedida, Terry, e a madrasta hippie, Angela - que tem a mesma idade deles. A leitura do testamento faz com que Ben repense a vida, o que não necessariamente inclui o apoio da “nova” família.

Quando um diretor bem sucedido de TV resolve atacar no cinema é comum que faça coisas menores para basicamente começar do zero, que faça algo mais autoral e por aí vai, mas uma coisa que precisam começar a pensar é como não queimar seu nome logo de cara, e infelizmente Matthew Weiner não iniciou bem sua aventura como roteirista e diretor de longas-metragens, pois ao ficar muito em cima do muro, o longa acabou perdido entre a amizade dos protagonistas e o autoconhecimento deles, não atacando de frente nenhuma das duas possibilidades, e isso fez com que ficássemos o longa inteiro esperando alguma quebra de lado, ou até mesmo um clímax mais forte do que o ponto de virada da barba para que a trama deslanchasse, e sem ocorrer isso o filme ficou morno demais. Também faltou um pouco de ousadia na forma de filmagem, recorrendo demais aos planos tradicionais e com isso cansando o espectador que não está tão acostumado com comédias mais calmas, se é que dá para chamar o filme de comédia, já que rir é algo que o longa não proporciona nada. Ou seja, o diretor e roteirista não caiu bem, e é melhor ficar com suas séries televisivas que sabe acertar a mão, pois aqui faltou timing.

No quesito atuação, estamos acostumados com Owen Wilson fazendo comédias mais dramatizadas e em alguns casos até saindo muito bem, como foi o caso de "Meia Noite em Paris", mas aqui parecia tão desanimado com seu personagem que não tem uma cena se quer que tenha se destacado, sempre fazendo as mesmas expressões sem empolgação e algumas até parecendo estar fora do contexto da trama, mas ainda assim conseguiu segurar a ponta nos momentos que precisou mostrar serviço com seu Steve, mesmo que sem o destaque tradicional que teria. Zach Galifianakis é um ator interessante que tem uma versatilidade incrível, mas que assusta sem barba parecendo outro ator que entra no lugar, aqui a personalidade dele se divide em duas, com e sem barba, e isso embora seja parte da trama, acabou ficando estranho, e mesmo ele sempre fazendo papéis malucos, as cenas de seu Ben meio fora de si não conseguiram nos empolgar. Amy Poehler até tenta ir bem com sua Terry, mas o personagem além de fraco não tinha tantas nuances para as expressões que faz, além de que seu problema é mostrado tão superficialmente que fica apenas a arrogância sobrepondo tudo, mas a cena dela conversando com o amish foi pra ouvir um sonoro soco no estômago, a atriz faz pouco cinema também então não chegou a ser importante para a trama e nem fez jus a nada, então participação nula. Laura Ramsey conseguiu chamar atenção tanto pelas suas cursas como Angela quanto pelos diálogos bem colocados, e particularmente foi a que mais se deu bem na trama, acredito e muito que se a história se passasse antes da morte do pai de Ben, a trama seria muito mais interessante com o que ela poderia fazer. Dos demais atores, as participações cênicas do pessoal da TV chega a ser deprimente em diversos momentos, então não dá para destacar ninguém.

No conceito visual da trama até temos elementos cênicos bem colocados que chegam a dar uma boa ligação para a trama, mas nada que fosse chamativo o suficiente para dar algum elo ou que prendesse nossa atenção, claro que para isso estou desconsiderando a cena da galinha, que aí sim temos todo um ar emblemático que faz a trama falar sozinha, mas tirando esse detalhe o restante são apenas algumas conexões de cenografia com a caracterização dos personagens e nada mais. Da fotografia embora tenham usado cores bem nítidas para representar cada personagem, a trama não desenvolve em momento algum sombreamentos que façam o espectador pensar sobre tudo o que está rolando, sendo apenas uma divisão de cenas para caracterizar, como é feito nas séries, mas isso no cinema não é algo que funcione tanto, então poderiam ter determinado mais as cores pelos sentimentos que envolveria mais.

Enfim, um longa que tinha um mote promissor, bons atores, um diretor que sabe trabalhar bem e já ganhou vários prêmios na TV por ser bom, mas que ficou apenas na ideologia, errando praticamente em tudo, ficando monótono e sem sabor algum, ou seja, não dá para recomendar ele, e repito o que disse, garanto que amanhã não vou recordar de nada do que tentaram mostrar nele, ou seja, tirando um ou outro ponto interessante que formarão a nota que vou dar, o restante não serviu como filme. Bem é isso pessoal, ainda tenho muitos filmes para conferir nessa semana cinematográfica, então abraços e até breve.


Leia Mais

Entre Abelhas

5/01/2015 01:37:00 AM |

Vou começar meu texto hoje de forma inversa, dando a nota para o filme que seria 9,5 caso tivesse notas quebradas, portanto ao chegar lá embaixo você verá o desenho de 9 coelhinhos como sendo minha opinião sobre o longa "Entre Abelha". E explico já a nota, pois diferente do que estamos acostumados a ver em obras do cinema nacional, este é daqueles longas que com certeza vai fazer sua cabeça esquentar ao pensar sobre tudo o que foi mostrado, e só isso já valeria uma nota bem satisfatória para o trabalho de Ian Sbf e Fábio Porchat, que assinam roteiro e produção da obra em conjunto, Porchat ainda entra atuando e Ian dirigindo. Ambos conseguiram fazer com que pensássemos! Não apenas no filme, mas em todo o restante, por exemplo: você pensa em alguém sem ser algum conhecido seu, sabe o que leva a pessoa que está ao seu lado no ônibus a estar chorando, ou qual motivo do nervosismo do atendente da lanchonete? Já parou para pensar que não existe apenas você no mundo? Sim meus caros, a turma que fez sucesso fazendo vídeos escrachados na internet também sabe fazer dramas intelectuais e acertadamente mostra que o cinema brasileiro também pode ser filosofado e ao mesmo tempo interessante. Aí eu entro com a pergunta, o comercial que funciona pode virar artístico ou o artístico pode ser vendido como comercial? Esse é o motivo apenas do longa não levar meu 10, pois muitos sairão do cinema sem entender nada que o longa quis passar, mas aqueles que forem prontos para não entender nada, ou não quiser entender nada talvez saia da sessão radiante com tudo que foi entregue.

O filme nos mostra que Bruno é um editor de imagens recém-separado da mulher que começa a deixar de ver as pessoas. Ele tropeça no ar, esbarra no que não vê, até perceber que as pessoas ao seu redor estão ficando invisíveis. Com a ajuda da mãe e do melhor amigo, ele tentará descobrir o que se passa em sua vida.

Embora muitos fiquem com o pé atrás por Fábio Porchat trabalhar mais com comédias do que dramas, e ser o primeiro filme de Ian Sbf, o que podemos dizer sem pesar muito foi que ambos não jogaram na tela um roteiro preparado em alguns dias, como temos visto por aí com diversos outros filmes que são lançados novos capítulos a cada ano, mas sim um trabalho desenvolvido por 10 anos, amadurecido e que sofreu diversas alterações durante essa época, e através de 4 mãos acabou virando o texto definitivo de um longa que trabalha solidão, descoberta pelo eu próprio, e até mesmo o sentimento de culpa como ideologia boa. E com todo esse material bem escrito, o diretor juntou sua equipe de apoio da série, afinal sempre com conhecidos é muito mais fácil trabalhar, e com ângulos singelos, porém bem marcados conseguiu captar de Porchat toda a essência que seu longa pedia. Muitos podem ler por aí e achar exagerado a comparação que alguns sites estão fazendo do filme com outros dois grandes longas("Ensaio Sobre a Cegueira" e "Ela"), mas a sintonia dramática com a comicidade bem leve que a trama possui pode sim dar crédito ao longa para essas comparações, e embora muitos fiquem bravos com o final escolhido por não revelar explicitamente a ideia que o diretor quis imprimir, deixando aberto para diversas interpretações, mas diferente de outros longas que costumam fazer o mesmo, aqui a sintonia com o que acontece é tão dentro da realidade vivida pelas pessoas atualmente que não fica difícil gostar da ideia proposta, e assim o resultado é bem satisfatório.

Sobre a atuação, logo de cara é estranho ver um Fábio Porchat mais centrado e sem muitas piadinhas bobas vindo dele para com o seu Bruno, no primeiro ato temos um pouco mais de brincadeiras, mas conforme o longa vai desenvolvendo sua interpretação vai ficando mais séria e aí o resultado é algo que mesmo quem apostava todas as fichas de que ele era realmente um bom ator nunca sequer pensou que ele fosse demonstrar tamanha interpretação dramática com expressões fortes e bem trabalhadas para o que o personagem necessitava, ou seja, perfeito é economia de palavras para tudo que fez. Irene Ravache chega de mansinho como a mãe do protagonista, mas se temos um ator comediante que não faz piadas no filme, o cargo de puxar situações engraçadas aqui se inverte para uma atriz conhecida mais por papéis dramáticos, e a atriz faz tudo muito bem não soando forçada demais, e caindo exatamente como a tradicional mãe preocupada sempre com a saúde do filho, mas sem perder a integridade para com a família. Luis Lobianco literalmente topa qualquer coisa no cinema, e suas expressões sempre são típicas de criança emburrada, precisa melhorar isso urgentemente senão vai acabar virando marca própria, mas as situações que acaba fazendo como atendente Nildo são hilárias e bem divertidas. Marcos Veras costuma sempre forçar em seus personagens, e aqui mesmo que de forma mais branda também temos alguns momentos que poderiam ser mais sutis, mas a interação de seu personagem Davi com o protagonista é tão bem casada que agrada mesmo com alguns exageros, principalmente nos diálogos. Giovanna Lancellotti caiu bem como uma esposa determinada que não chega a expressar bem os motivos da separação, mas ao trabalhar seus diálogos foi concisa em diversos momentos e agradou bastante na forma que deu a sua personagem, e por ser seu primeiro papel nos cinemas, mostra um futuro bem promissor. Dos demais atores, todos se conectam bem ao protagonista quando necessitam estar em cena, não tendo nenhum grande destaque, mas também não atrapalhando com o resultado esperado para o desenvolvimento do personagem principal, e isso é muito bacana de ver no cinema nacional, pois já falei isso inúmeras vezes aqui que alguns figurantes e coadjuvantes gostam tanto de aparecer que geralmente roubam a cena forte que o protagonista necessita.

O conceito visual e fotográfico da trama é um trabalho maravilhoso que merece ser aplaudido de pé sem dúvida alguma, pois Denis Netto e Alexandre Ramos trabalharam muito bem e foram espertos em evitar o máximo do uso do chromakey para as cenas, trabalhando com ângulos de câmera trabalhando para os sumiços das pessoas e nas cenas mais abertas, colocando toda a equipe de produção para evitar trânsito, e assim conseguir a beleza ampla do cenário, o que deu nuances incríveis para a trama, além claro das cenas internas lotadas de referências à outros filmes famosos e sempre procurando trabalhar ao máximo a introspecção do personagem, o que é algo maravilhoso de ver no cinema. E assim com a fotografia trabalhando bem em conjunto com a arte, temos cores mais escuras sempre para deixar a dramaticidade em peso, usando cores mais alegres somente nos alívios cômicos junto de Lobianco e de Ravache.

Com boas canções de fundo integrando a trilha, o ritmo do filme acaba bem encaixado e agrada bastante, passando os 100 minutos do filme num pulo tão rápido que com toda certeza você vai falar que o filme foi curtíssimo, e a sonoridade ainda deu cadência para o envolvimento que o longa quis passar, ou seja, tudo bem pensado e encaixado na medida correta.

Enfim, um filmaço que dá orgulho para o cinema nacional, quem sabe com mais longas nesse estilo poderíamos concorrer à prêmios internacionais com mais chance de vitória do que fazendo apenas comédias bobas, ou senão dramas que servem apenas para o umbigo do diretor. E dessa forma o cinema mais artístico e trabalhado conseguiu reunir os fatores mais comerciais que fiz a pergunta no início, ou seja, um ator que muitos gostam, um estilo não muito pesado, e até uma certa comicidade para envolver e assim resultar em algo agradável e interessante de ver. Recomendo ele com certeza para todos, claro que como disse não é um longa que entrega tudo de mão beijada como muitos estão acostumados a ver, mas garanto que o esforço de pensamentos vai valer a pena, não apenas para pensar no filme, mas em todo o conteúdo que é passado, e dessa forma somente o filme passa a ter um valor maior. Espero realmente que dê uma boa bilheteria para que outros se encorajem no estilo. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas esse foi apenas o começo de uma semana bem recheada de longas que veio para o interior, então abraços e até bem breve.


Leia Mais

Deixe a Luz Acesa

4/29/2015 01:43:00 AM |

O longa "Deixe a Luz Acesa" seria mais um filme tradicionalmente comum por mostrar dramas envolvendo relacionamentos, com a rotina tradicional de romance, drogas, álcool, brigas, retornos e tudo mais durante quase uma década se não fosse um detalhe, ao invés de termos o que todos filmes usam como protagonistas sendo um homem e uma mulher, aqui temos dois homens. Ou seja, de um longa tradicional que Richard Linklater nos entregaria temos algo de Ira Sachs que vai do nada à lugar algum, com a ideia do relacionamento problemático, e claro que dessa forma vai dividir bem as opiniões, pois o público mais acostumado com relacionamentos desse estilo cheio de idas e vindas vai achar até que bonitinho se ver retratado na tela do cinema, mas os demais vão sair da sessão se perguntando o porquê alguém faria um longa sem clímax, ou mote real para existência, e assim, embora seja um filme bem feito, cheio de boas canções e uma atuação bem feita, acaba sendo fraco demais.

O filme nos mostra a trajetória emocional e sexual percorrida por dois homens que vivem experiências de amor, dependência e amizade. O documentarista Erik e o enrustido advogado Paul se conhecem casualmente em Nova Iorque. O que a princípio poderia ser apenas um encontro sexual fortuito, torna-se um relacionamento sério. Quer individualmente, quer como casal, Erik e Paul vivem intensamente todo tipo de riscos -- compulsivamente e incitados pelas drogas e pelo sexo. Numa relação de quase uma década, marcada por altos e baixos e por padrões disfuncionais, Erik procura negociar os seus limites, enquanto busca a sua verdade.

O longa nos remete a todo momento a expectativa de que algo vai acontecer, de que vamos ter um clímax para o filme, mas o rodeio dos personagens acaba sendo sempre pobre frente à ideologia do diretor e roteirista Ira Sachs ao tentar mostrar que o relacionamento homossexual é igual a qualquer outro heterossexual, com problemas de drogas, álcool, necessidades de carinho e tudo mais, mas chegamos ao ponto de falar: cadê o motivo do filme existir? O longa se desenrola em 101 minutos cansativos e repetitivos que abusam da inteligência do espectador mais comum. Claro que repito, em momento algum não podemos falar que é uma relação bonitinha e que muitos torceriam pelo investimento de um na recuperação do outro e que vivessem felizes pela eternidade, podendo a qualquer momento substituir o protagonista por uma mulher e ver o filme como um longa totalmente tradicionalista, mas o resultado geral é tão banal que é quase como se qualquer conhecido seu chegasse lhe contando como é o relacionamento dele dia a dia, e para isso existe um rede social que muitos até fazem isso, portanto o longa não entrega nada, possui algumas cenas mais picantes, mas nada que assuste uma pessoa comum, e por mais bem feito que seja tecnicamente é algo que só teve as premiações que teve por não ser tradicional.

Sobre as atuações dos protagonistas, não conhecia Thure Lindhardt de outros filmes, por sempre fazer papéis pequenos, mas seu Erik foi tão bem desenvolvido na trama, que consigo ver ele em diversos outros bons papéis, por mesmo trabalhando o lado gay menos forçado, conseguiu encaixar como alguém comum que ao menos sabe o que quer e com boa expressividade acaba chamando atenção. Enquanto Zachary Booth já trabalha mais com olhares fora de cena para não ser mais contundente com seu Paul e de certa maneira repete tanto a mesma forma de atuar que cansamos literalmente dele, e o que poderia ser mais visceral no romance dos dois acaba sendo até bobo demais em diversos momentos pela atuação um pouco afoita do rapaz. Os demais personagens acabam sempre aparecendo para dar o conforto após um "pé-na-bunda" ou alguma depressão dos protagonistas, e claro também nos encontros sexuais deles com outros homens, mas nenhum chega a dar alguma expressão interessante para trama, somente funcionando como algumas esquetes rápidas e cômicas ou como alívio de tensão mesmo, ou seja, ninguém quis puxar a responsabilidade para si.

No conceito artístico visual o longa trabalhou bem com a cenografia mais intimista e cheia de objetos ricos na formatação dos ambientes, de modo que o que podemos falar é que o bom gosto refinado dos protagonistas estão impregnados por onde quer que olhássemos, e isso mostrou que a equipe artística quis mostrar serviço do começo ao fim, não falhando sequer em um cenário que apareça na tela, e isso é legal de ver, pois alguns longas mais simples costumam falhar justamente nesse quesito, o que aqui acaba sendo o melhor de ver. E junto com uma boa cenografia, a equipe de fotografia optou por um filtro mais denso tanto na captação quanto na edição, o que deu ao filme uma textura mais trabalhada e assim dar uma classe que somente nos longas mais antigos costumávamos ver, e para isso usou-se também o nome do filme empregando iluminações bem pontuadas para dar o contraste necessário para o que desejavam, ou seja, um longa rico em técnicas.

No quesito musical, também tivemos canções bem bonitas que foram escolhidas na medida certa para desenvolver a trama, claro que como disse o longa é um enrosco só no conceito da história, então nem que colocassem músicas agitadíssimas, o filme teria um ritmo gostoso de acompanhar, mas em alguns momentos a escolha é tão envolvente e gostosa de ouvir que aparentemente por alguns instantes o filme se torna agradável e parece que vai seguir, mas em seguida tudo retorna à estaca zero e nem que o nosso cantor favorito entrasse com a trilha inteira salvaria.

Enfim, com toda certeza teremos com certeza muitos que vão falar bem do filme pelo conceito que disse de mostrar que relacionamentos homossexuais também possuem os mesmos problemas dos heterossexuais, mas tirando esse detalhe, vai ser raro alguém falar que se apaixonou pelo filme pela história passada, e como falei, repito, que temos técnica extremamente bem empregada na produção, mas de técnica temos muitos outros bons para ver, então faltou o longa decidir um rumo e atacar nele. Bem é isso pessoal, acabo aqui minha cobertura do Circuito Indie SEC Festival 2015, que possibilitou que víssemos diversos filmes que não apareceram na cidade, então fica já a dica para que no próximo todos confiram os bons e, alguns não tão bons, filmes que ao menos vão servir para discussões futuras. Fico por aqui hoje encerrando essa que foi uma semana cinematográfica com poucos filmes, mas já me preparando para a próxima que vem bem recheada, então abraços e até breve pessoal.


Leia Mais

Apenas o Vento

4/28/2015 08:58:00 PM |

É engraçado quando um longa começa com algum tipo de texto que já lhe entrega praticamente tudo o que esperar nos próximos 86 minutos e ainda assim você acabar ficando tenso com tudo que acaba acontecendo, e em "Apenas o Vento" logo de cara temos um explicativo gigante falando sobre o que aconteceu antes do que será passado no filme e frisa que mesmo sendo baseado em fatos reais não acabará sendo um documentário. Embora isso possa já ser tradicional e até ter virado clichê em alguns filmes, saber o embasamento inicial da trama, junto de uma cena logo no comecinho com os policiais numa das casas que ocorreu o crime, já nos deixa completamente aptos a saber exatamente o que os protagonistas querem nos passar e ao mesmo tempo que isso deixa um pouco triste, ficamos tensos pelo evidente resultado final. Em momento algum posso dizer que o longa é perfeito, muito pelo contrário, pois possui um dos defeitos que mais me irrita em alguns filmes artísticos, a falta da iluminação falsa para realçar cenas escuras, que irei falar mais adiante sobre isso, mas é um filme que trabalhou tudo tão bem para mostrar a vida sofrida dessas pessoas que merece respeito e ser visto por quem gosta de um suspense simples mais eficiente.

O longa nos mostra que em uma aldeia húngara, as notícias sobre o assassinato de famílias pobres de origem cigana se espalham rapidamente. Ninguém se manifesta sobre a possível identidade dos assassinos e os crimes parecem ter motivação racial. Mari mora com seu pai inválido e os dois filhos em um barraco, localizado em um bosque fora da cidade. Ela faz malabarismos com seus dois empregos e tenta manter sua rotina em meio à ansiedade da ameça de violência. A adolescente Anna tenta se concentrar em seu trabalho escolar, mas o jovem Rió está preocupado com outras coisas. Ele esta se preparando...

O diretor foi esperto ao trabalhar com ciganos reais da cidade e não forçar para que o filme ficasse caricato, mas sim mostrando a dura realidade sofrida por eles seja no trabalho, ou até mesmo com preconceitos diante dos demais nas escolas e até andando pela cidade por não serem iguais aos moradores. Porém um grande erro, ou talvez um acerto grandioso caso essa fosse a ideia original do diretor, foi contar o final para pessoas que não eram atores, e assim com eles já sabendo como deveriam interagir, entregaram muito facilmente todo o andamento da trama, o que acabou sendo um pouco deprimente, mas de forma alguma atrapalha a tensão que o longa cria, muito pelo contrário aumenta até um pouco por saber o decorrer das coisas e com a câmera bem próxima dos protagonistas acabamos mais ligados a eles, mesmo não conhecendo nada além do que é visto em cena. Ou seja, de certa forma o trabalho de Benedek Fliegauf no texto e na direção acaba sendo algo bem interessante de acompanhar, que alguns podem até não gostar de um longa mais sujo, mas o resultado impressiona com certos pormenores.

No quesito interpretativo nem dá para falar muito de cada um, afinal como disse nenhum é ator realmente, são ciganos reais que o diretor e a equipe encontraram durante uma viagem de um ano por escolas e acampamentos do país, então o que posso ressaltar é a garra do garotinho Lajos Sárkány que foi expressivo e bem colocado em todas as suas cenas, talvez se atrever menos em algumas cenas acabaria chamando mais atenção, mas ainda assim foi muito bem. A expressividade ao mesmo tempo triste e batalhadora de Katalin Toldi que faz a mãe com todo o sofrimento característico que necessitava, mas emocionaria mais se nas cenas que pensa durante o trabalho esmiuçasse mais esforço. E a garota Gyöngyi Lendvai foi a que mais entregou seu desânimo ao saber tudo que ocorreria, então nas suas cenas da escola e com a outra garotinha já vemos ela sem muita perspectiva, o que poderia ser mais impactante, mas de forma alguma isso atrapalhou o andar do filme, muito pelo contrário, pois já vamos com ela sabendo de tudo. Os demais apenas poderia ter sido mais trabalhados os policiais, pois evidentemente sendo os únicos "atores" deveriam ter sido mais irônicos e não olhado tanto para a câmera como fizeram.

No contexto visual, o diretor novamente ataca com um estilo quase que documental, o que ele afirma não ser sua vontade, mas ao mostrar os jovens sempre sujos, se banhando com quase nada de água, comendo o básico do básico, vivendo em casebres e sendo completamente desprezados com elementos cênicos claros para mostrar essa vivência, ele não só acerta a mão, como coloca toda a equipe dentro de quase uma reportagem ambulante bem marcada e pontuada para o realismo, e isso soa tão bem que por pouco não deixa o longa perfeito nesse contexto. E por que não ficou perfeito? Aí entra uma das coisas que mais reclamo nos filmes artísticos que insistem em apelar que não deve se usar iluminação falsa em cena para compor o ambiente, ou seja, se eles moram no limbo aonde nada tem muita iluminação, o filme vai ser rodado assim! E como sabemos bem, esses longas acabam passando em salas que não possuem os melhores projetores do mundo, ou seja, não existe compensação de branco, ou seja explicando melhor, o filme fica extremamente escuro e na maioria das cenas quase não vemos nada. Isso aumenta a tensão? Sim! Mas atrapalha toda a concepção artística que o filme foi pensado, então esse pormenor atrapalha e muito a ideia total do filme, e caso algum dia você for fazer um longa, pense bem sobre isso, e caso você vá assistir ao longa na sua casa, aumente bem o brilho para tentar dar algum contraste e ver melhor as cenas.

Enfim, um filme bem interessante que vale ser assistido, e fará com que você fique ansioso torcendo por um final diferente, mesmo já sabendo tudo que vai rolar logo de cara, mas a tensão dessa revelação é compensada com estilo pelo diretor, então vale a recomendação. Fico por aqui agora, mas volto com o texto do último longa do Circuito Indie SESC Festival 2015. Então abraços e até daqui a pouco.


Leia Mais