Já disse isso muitas vezes que o mundo dos livros espíritas tem muitos bons temas para se desenvolver no cinema, basta os diretores estudarem e trabalharem bem os temas para ir muito além como vem acontecendo com o cinema cristão dos EUA que hoje já tem suas grandiosas produtoras e um público bem fiel que lota as salas. E também fico feliz que temos um diretor que segue dominando esse estilo, já com muitos filmes espíritas bons e outros que dava para ter trabalhado melhor, e esse cara se chama Wagner de Assis, que a partir do dia 24/09 todos poderão conferir sua nova obra chamada "The Fox Sisters" ou como podem colocar "As Irmãs Fox", que conta a história das pioneiras da doutrina espírita nos EUA, que foram muito estudadas por diversos outros médiuns de vários países. E de cara posso dizer que depois de alguns filmes bem medianos, o diretor voltou a mostrar seu nome, trazendo uma trama densa, com figurinos impressionantes, bons atores e dinâmicas, só mantendo ainda seu defeito maior, exagerar na duração para trabalhar a densidade, pois temos muitas cenas que davam para eliminar para que o filme ficasse mais dinâmico, mas acabaria talvez saindo um pouco do estilo, então dá para considerar o resultado final como algo bem bom de conferir.
Ambientado nos Estados Unidos do século XIX, o filme revisita os acontecimentos de Hydesville, em 1848, quando fenômenos envolvendo as três irmãs despertaram a atenção do público e deram origem a um movimento que se espalhou por diferentes partes do mundo. A narrativa aborda a investigação desses acontecimentos, o embate entre ciência e crença e os conflitos vividos pelas irmãs diante da repercussão de suas experiências.
Leia Mais
Ambientado nos Estados Unidos do século XIX, o filme revisita os acontecimentos de Hydesville, em 1848, quando fenômenos envolvendo as três irmãs despertaram a atenção do público e deram origem a um movimento que se espalhou por diferentes partes do mundo. A narrativa aborda a investigação desses acontecimentos, o embate entre ciência e crença e os conflitos vividos pelas irmãs diante da repercussão de suas experiências.
O bacana de tudo é que o diretor e roteirista Wagner de Assis assume que esse é o seu estilo de dirigir, de criar toda uma ambientação e um desenvolvimento que floresça para o espectador, e não o inverso de que o espectador crie sua própria trama de acordo com lances mais jogados, e isso é muito legal de acompanhar, principalmente por mostrar um dos poucos diretores brasileiros que assumem ter um estilo próprio, e claro por sabermos o que esperar dele, pois facilmente essa mesma trama nas mãos de outro diretor seria algo rápido, e até talvez sem vida, mas com ele cada personagem teve sua presença e ainda por cima ele entrou no ponto mestre do que muitos condenam o espiritismo, aonde talvez nenhum outro colocaria isso na trama, que foi o "assumir" que nada do que elas viveram era real, coisa que foi desmentida depois, mas que abalou muitos estudiosos isso com certeza abalou, e colocar isso em um filme de peso desse mostrou que o diretor teve força para isso.
Quanto das atuações achei bem interessante não termos atrizes muito conhecidas, primeiro para não ficar algo dependente de alguma figurona, e segundo pelo orçamento em si também estourar tanto, de modo que o diretor trabalhou muito bem com as expressividades de Jamie Hughes com sua Leah totalmente imponente e mais direta na causa, sendo simples de traquejos, mas sabendo exatamente aonde tinha que estar e entregar; tivemos Sionne Elise bem marcante com sua Maggie, mais ampla nas vontades, e sendo precisa também como desenvolver sua personagem (tendo ainda Sienna Belle fazendo sua versão jovem e sonhadora por um casamento); e Marie McHugh sendo marcante com todo o vício de Kate, trabalhando trejeitos e situações bem de impacto com tudo o que tinha que fazer (e sua versão jovem vivida por Júlia Svacinna ficando até meio maluca demais, parecendo até alguns atos de incorporação de filmes de terror).
Visualmente o longa foi muito fechado para o meu gosto, mas riquíssimo de detalhes, tendo a casa assombrada inicialmente das protagonistas com um ar mais simples e rural, e depois uma grandiosa casa com lustres e muitos candelabros (afinal estamos falando de uma época sem energia elétrica ainda), velas aos montes, e claro as mesas girantes e um figurino bem rebuscado de época, aonde cortinas e tudo mais compuseram os ambientes, sendo algo marcante na tela, com alguns velórios densos também sendo bem representativo pela essência em si.
Enfim, é um tremendo filmão do estilo, que volto a frisar que daria para cortar fácil uns 20-30 minutos, mas que mudaria muito nas dinâmicas, então torço muito para que dê bastante movimento nos cinemas, pois vale conhecer um pouco da história dessas moças que já foram citadas em outros filmes espíritas e até filmes de outros estilos, então fica a dica para ir conferir. E é isso meus amigos, fico por aqui agradecendo o pessoal da Cinética Filmes e da AtomicaLab Assessoria pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até lá.


































