Chopin, Uma Sonata em Paris (Chopin, Chopin!)

5/26/2026 12:37:00 AM |

É tão interessante ver biografias de pessoas que você conhece pouco, mas sabe quem foi, e vê o tanto que a pessoa sofreu pelas doenças da época, e ainda assim continuou fazendo o que gosta até os últimos momentos da vida. E hoje pude conferir "Chopin, Uma Sonata Em Paris", que estreia dia 28/05 em cinemas selecionados trazendo um pouco dos últimos anos desse músico que ficou tão marcado pelas composições e dinâmicas entregues, e que até hoje muitos ainda tentam copiar e não se dão tão bem. E o mais bacana de tudo é que ainda hoje a tuberculose leva algumas pessoas para a cova, mas na época do longa tudo parecia algum tipo de maldição ao redor do rapaz, que junto de uma maquiagem um pouco forte demais, quase deixou ele como um vampiro de tão pálido, mas ainda sem errar nas contextualizações e dinâmicas de alguém que aproveitou ao máximo, e se exibiu muito para reis e toda a classe alta da França da época.

O longa se baseia na história de Frédéric Chopin, pianista francês de 1835 que vivia dentro da alta sociedade. Dando concertos para a burguesia, ele se tornou uma das figuras mais românticas das noites parisienses. No entanto, quando seus pulmões começam a sangrar, ele descobre que seus dias serão poucos. A partir disso, além da luta contra a doença, Chopin fica obcecado por composição. Ele entende que precisará revolucionar a música e o teatro, mas o seu tempo é limitado e a vida não irá esperar por ele.

Já tinha falado bem do diretor Michal Kwiecinski esses dias atrás, e aqui ele mostrou que com um orçamento mais gordo dá para desenvolver bem mais na tela, porém acredito que lhe deram um roteiro exageradamente longo e ele quis trabalhar com tudo, de tal forma que dava para alguns atos não serem colocados e/ou acelerar mais algumas dinâmicas, pois a trama se amarra demais. Ou seja, a história de Chopin é grandiosa, e talvez mostrar um pouco mais do antes dele ficar tão famoso seria bacana, pois apenas os atos finais deram um tom meio que melancólico demais, mesmo o personagem e o ator terem trabalhado as dinâmicas com bons sorrisos e desenvolturas, mostrando que assim como o pôster nacional diz, vivendo até o limite da vida, de tal forma que souberam mostrar isso que mesmo estando só o pó, quase morto com a maquiagem pálida e já até "enterrado" pelos jornais, souberam criar entregas e dinâmicas bem chamativas.

Quanto das atuações, outro que elogiei semanas atrás foi Eryk Kulm que aqui brincou muito com um Chopin de bem com a vida, alegre, e mesmo doente disposto a compor e criar, trabalhando bem os trejeitos com boas facetas, e principalmente se desenvolvendo de acordo com o filme e a doença, que claro volto a frisar que abusaram um pouco da maquiagem, mas ele trabalhou com entonação forte e sendo bem representativo. Outro que trabalhou bem no longa foi Victor Meutelet com seu Liszt, tendo uma desenvoltura chamativa até demais para um personagem secundário, mas que soube até onde ir e agradou dentro da proposta. Também tivemos alguns bons momentos de Joséphine de La Baume com sua George Sand meio que durona e direta, até demais para uma escritora, mas que soube ter empatia para os momentos mais densos na Espanha junto do protagonista, e com isso fez os seus momentos fluírem bem. Ainda tivemos Lambert Wilson fazendo o rei Louis Philippe I com muita imposição, mas quase sem grandes cenas chamativas e o garoto Theo Grundmann fazendo o jovem prodígio Carl Filtsch que não conseguiu decolar, mas sem grandes momentos na tela.

Visualmente a trama mostrou muitas festas e concertos, com figurinos rebuscados, muitos figurantes e comidas e bebidas para todos os lados, vemos também a preparação da casa do protagonista para sua amada, tivemos bons atos de aulas de piano, e por consequência muitos pianos diferentes em cena, tivemos atos na Polônia e na Espanha, com destaque para as cenas da propagação da cólera e também as restrições para com as doenças e seus devidos remédios, ou seja, um longa cheio de elementos cênicos chamativos para cada momento na tela.

Enfim, é uma produção até grandiosa demais que se perdeu no que realmente queria mostrar, e assim sendo o filme fica alongado demais na tela, não fluindo de forma tão fácil, mas como disse no começo acaba sendo bem legal conhecer um pouco mais da vida de alguém tão famoso que apenas conhecemos suas melodias, mas que dava para ter ido mais além ao mostrar um pouco mais do passado dele antes dos seus últimos dias como acabou ficando na tela. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Synapse Distribution e da Atomica Lab Assessoria pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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