A Primeira Profecia (The First Omen)

4/06/2024 08:05:00 PM |

Se eu falar pra vocês que eu lembro perfeitamente do longa "A Profecia" de 1976 vou estar mentindo em nível máximo, pois lembro apenas de ter visto partes depois que saiu a refilmagem em 2006, que não é nada brilhante, mas que dá lá seus sustos e causa uma tensão leve, mas o clássico de 76 gerou mais 3 continuações e uma série, ou seja, fez um certo sucesso, e era só questão de tempo até que no mundo atual, aonde tudo está sendo refilmado e reaproveitado, resolvessem voltar um pouco mais para trás e contassem o prelúdio de como foi gerado a criança do mal que vimos nos outros longas. Dito isso, posso falar que "A Primeira Profecia" entrega uma trama interessante de uma jovem freira tentando descobrir o que há de errado com uma garotinha órfã que vive junto das freiras, e também um pouco do mistério que ronda por lá, de tal forma que só bem próximo ao final lembramos dos personagens (Padre Brennan) e ele falando o nome do garotinho que vimos nos outros filmes, além de quem está com a criança, porém diria que faltou criar um pouco mais de tensão e causar medo/temor com a entrega dos personagens, sendo algo mais conflitivo pela mente da garota do que por tudo o que está rolando realmente ao fundo do convento, que valeria um pouco mais. Claro que temos algumas cenas bem angustiantes, violentas e até nojentas, mas faltou a pegada que realmente chamasse o longa pra cima do público.

A trama acompanha a jovem americana Margaret, que é enviada a Roma para viver a serviço da igreja. No local, ela se afeiçoa por Carlita, uma jovem quieta e sozinha, que também mora no convento. Ao questionar o passado e a situação da garota para as outras irmãs da igreja, ela é alertada para se manter afastada. No entanto, antes de seguir o conselho, ela se depara com uma escuridão que a faz questionar sua fé. Com a ajuda de um padre exonerado, ela acaba descobrindo uma conspiração tenebrosa, que por anos foi ocultada pela igreja local, que tentava esconder o inevitável: a volta do mal encarnado, o chamado anticristo.

Algumas vezes falei que o melhor gênero para se iniciar na direção é o terror, pois dá para trabalhar muita coisa no escuro, dá para absorver erros com premissas de que aquilo deveria ocorrer realmente, e por aí vai, então depois de muitas séries e curtas, a diretora e roteirista Arkasha Stevens recebeu permissão para fazer algo novo em cima do que David Seltzer fez em 1976 e 2006 (pois os demais apenas usaram seus personagens e criaram novas histórias continuando e reinventando), mostrando como teria sido a vida da mãe do anticristo antes de "entregá-lo" ao mundo, e ela conseguiu permear situações que você fica esperando algo acontecer, algumas cenas fortes interessantes (tanto as dos partos quanto as das mortes foram bem trabalhadas), porém abusou muito da famosa pausa cênica com a tela quase ou totalmente escura, aonde umas duas vezes achei até que o filme tivesse sido pausado, e isso não é algo interessante de acontecer, ou seja, temos uma trama bem feita como um prequel de algo que confesso que nem lembrava direito, mas que quando chega nos finalmente a ficha dá uma conectada e acaba funcionando, mostrando que a diretora não quis ficar tão presa no original, e isso acaba sendo até que um bom acerto.

Quanto das atuações, diria que a jovem Nell Tiger Free não entregou tanto quanto poderia para sua Margaret, segurando um pouco demais os trejeitos fortes e explosivos num primeiro momento, de forma que chega a parecer até desanimada com sua entrega, mas quando chegamos nos atos finais ela se soltou mais e trabalhou um pouco mais de envolvimento com tudo, o que acaba funcionando para a proposta da personagem, porém dava para ser mais expressiva para marcar mais na tela. Outra que teve atos bem marcantes, mas que dava para ir muito mais além, é a brasileiríssima Sonia Braga bem imponente como Irmã Silva, de tal forma que combinou bem como uma freira meio fechada, com uma pegada meio estranha, mas que chama atenção na tela. Ainda tivemos Ralph Ineson com seu estilão meio caótico com seu Padre Brennan e Bill Nighy chamativo com seu Cardeal Lawrence, de tal forma que conseguiram ser secundários na trama porém convincentes no que estavam fazendo, enquanto as jovens Nicole Sorace com sua Carlota e Maria Caballero com sua Luz apenas trabalham seus atos com trejeitos e sentenças sem muita explosão de olhares e tensões como poderiam, valendo destacar apenas as cenas fortes de Ishtar Currie-Wilson com sua Irmã Anjelica misteriosa e intensa.

Visualmente a trama poderia ter apostado mais na densidade dramática do ambiente, pois conventos e igrejas tem essa pegada mística, e até ter ido mais nas profundezas aonde a protagonista vai buscar os documentos, focando um pouco mais nas cenas externas e também nas cirurgias de parto, tendo alguns elementos com sangue, líquidos de bolsa e fogo para dar efeitos mais tensos na tela, porém sem ir muito além, fora como já disse antes abusaram bastante de atos escuros o que mostra uma insegurança da direção de mostrar mais o que tem por ali.

Enfim, não chega a ser um filme ruim, mas facilmente dava para ser algo muito melhor, mais tenso e que talvez viraria até um clássico mais para frente, mas acabou não acontecendo, sendo um terror com algumas cenas nojentas, mas leve demais em causar algo no público. Então fica a recomendação para quem gosta do estilo, gosta da franquia, e quem sabe até possa despertar o gosto em alguns para ver os mais antigos depois de conferir esse. E é isso pessoal, eu fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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