O longa nos conta que em 1985, Vincent, prestes a completar 13 anos, vive em uma família de classe média na periferia de Paris, entre um irmão mais velho e pais em conflito constante. O filme acompanha esse universo instável entre a infância e a adolescência, quando surgem as primeiras questões sobre identidade, família, amizade, religião e os primeiros impulsos amorosos que começam a redesenhar a sua relação com o mundo.
Não costumo ler nada sobre o filme antes de assistir para não tirar muitas conclusões enquanto estou conferindo, mas conforme o longa foi sendo exibido tinha quase que toda a certeza que a trama era baseada nas memórias dos diretores, afinal fica muito claro saber passar uma essência tão marcante de época, músicas, lojas, roupas, filmes e tudo mais, de modo que sabemos tão bem o estilo dos diretores e roteiristas Olivier Nakache e Éric Toledano que dá para sentir o afeto na tela em cada detalhe que procuraram mostrar (mesmo com algumas leves adaptações temporais), e isso soou brilhante e tão gostoso de acompanhar que não sentimos nem o tempo de filme ser exibido, que acaba sendo até engraçado que quando olhei no relógio falei nossa já tudo isso, e isso é a magia que o cinema tem de fazer, pois muitas vezes vemos alguns filmes até curtos que duram uma eternidade na tela, e como já falei outras vezes, esse é o maior erro que um diretor pode ter, de segurar o espectador contra a vontade dele. Ou seja, os diretores fizeram suas memórias ecoarem de uma forma tão segura na tela, que mesmo não aparecendo na tela baseado nisso ou naquilo você sente a presença, e isso foi lindo demais de ver acontecendo.
E falando em segurança, que arraso foi ver a atuação do garotinho Simon Boublil, que em sua estreia mostrou uma personalidade tão bem trabalhada que parecia ser de um profissional perfeito junto de outras estrelas do cinema francês, de modo que seu Vincent brilha fácil, se desenvolve bem na tela e agrada com sutilezas marcantes que facilmente foram bem utilizadas pelos diretores na tela. Confesso que senti falta de Louis Garrell nesse ano no Festival Francês, pois sempre é figurinha carimbada no meio de tantos filmes que vemos em duas semanas, e agora está explicado, pois estava filmando agora como um pai desempregado, algo até estranho de ver, pois sempre fazendo personagens mais jovens, aqui ele segurou bem a onda de seu Yves, trabalhou bem as nuances de muitos executivos que quando saem de um trabalho sofrem com vários outros semelhantes concorrendo pelas vagas, além de mostrar com seu jeitão solto um personagem mais fechado com boas nuances na tela, ou seja, foi bem também. Outra que sempre entrega bons filmes é Camille Cottin e aqui sua Sandrine tem a perspectiva da mulher do futuro nos anos 80, aquela que não quer mais ser secretária, que quer aprender a dominar a computação, que tem virtudes imponentes, e que claro ainda tem seus filhos para ensinar, ou seja, algo que ela soube muito bem entregar e agradar sem soar forçada na tela. Ainda tivemos boas cenas de Alexis Rosenstiehl com seu Arnaud expressivo e cheio de entonações dos jovens roqueiros, Pierre Lottin trabalhando como um zelador do conjunto de prédios bem intrusivo, e claro a jovem Jeanne Lamartine bem encaixada como Anne-Karine, que foi expressiva ao mesmo tempo que trabalhou o carisma junto do protagonista.
Visualmente estou bem curioso como o longa foi filmado, pois geralmente quando fazem tramas de uma época marcante dentro de uma cidade, com passeios por shoppings, ruas e tudo mais procuram focar mais dentro dos ambientes, para não ter de produzir o estilo com tantos carros, figurinos e lojas, e aqui você vê uma trama tão aberta, com tanta personalidade dos anos 80, que parece que você voltou para lá, ou seja, tivemos elementos bem presentes como as video-locadoras com as famosas salinhas secretas dos filmes pornográficos, as lojas de roupas da moda, as famosas jaquetas que todo garoto gostaria de usar, os computadores antigos, e muito mais, sendo um trabalho de pesquisa marcante e bem chamativo.
Enfim, que trama tão gostosa conseguiram mostrar aqui, sendo um longa bem simples, que muitos talvez nem enxerguem toda a beleza dele e consigam se envolver como atingiu comigo, mas que tem personalidade, estilo, boas atuações e principalmente uma direção leve e funcional, que talvez até poderia ter ido mais além, mas que ainda assim funcionou bastante, e só não irei dar a nota máxima para ele, por talvez faltar alguma ousadia maior na tela, mas ainda assim é um filme que vale recomendar com toda certeza. E é isso meus amigos, fico por aqui agradecendo os amigos da Mares Filmes pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.







0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado por comentar em meu site... desde já agradeço por ler minhas críticas...