Ponto Sem Retorno (The Dog Stars)

8/27/2026 07:30:00 PM |

Sinceramente gostaria de saber o que o diretor Ridley Scott enxergou no roteiro de "Ponto Sem Retorno", pois já vi muitos filmes mornos demais que chegavam em algum lugar pelo menos, mas aqui o resultado é tão insosso que acabamos assistindo e esperando algo maior acontecer, e quando nos damos conta o longa acaba e nada rolou. Claro que a essência da sobrevivência, junto da síntese do luto até traz momentos de boa entrega na tela, mas falta explosão, falta explicação e até um envolvimento maior para torcermos para as boas intenções do protagonista, e como não acontece, o resultado além de morno encerra sem ter ido para lugar algum. Ou seja, não sei o que eu realmente esperava do filme, mas com toda certeza, não era o que aconteceu.

O filme apresenta um futuro devastado por uma pandemia global. Hig é um piloto viúvo que vive de forma isolada em um hangar no Colorado com seu cachorro e um ex-fuzileiro naval ranzinza. Embora incompatíveis, a dupla depende um do outro para sobreviver a invasores. A rotina é interrompida quando uma transmissão de rádio desperta em Hig a esperança de uma vida melhor além de seu perímetro controlado, levando-o a uma jornada de risco sem retorno.

O mais estranho de tudo é ver um diretor do nível de Ridley Scott envolvido numa produção desse estilo, pois certamente seria "aceitável" ver a trama nas mãos de algum novato, ou então algum diretor que faz tramas menores, mas aqui o romance de Peter Heller, no qual a trama é baseada, precisava de algo a mais para apenas parecer fraca, e com um diretor de porte ao menos veríamos um filme com impacto na tela. Ou seja, não vemos a mão do diretor em momentos algum, e nas cenas que ele poderia ter aproveitado (como no ataque da seita e/ou no hangar da Junction) dava para tudo causar mais ou ao menos explicar mais a dinâmica desejada. 

Quanto das atuações, ao menos Jacob Elordi tentou ser carismático com seu Hig, trabalhando bastante, envolvendo nas situações que passa, e com isso fazendo com que o público se conecte com seus atos, mas o filme não ajuda ele e vice-versa, com ele não tentando ir muito além, de modo que talvez se o cachorro fosse mais além ao seu lado, o resultado seria outro. Quando Margaret Qualley entra em cena com sua Cima, pensei que a trama se verteria mais rapidamente para o romance, mas nem assim, pois a atriz foi morna de expressões e apenas deu um tom mais direto em alguns momentos, mas nada demais. Ao menos Josh Brolin botou muita banca com seu Bangley, pois se não fosse seus traquejos e explosões certamente iríamos dormir com a entrega do filme, ou seja, salvou. Ainda tivemos participações razoáveis de Guy Pearce com seu Pops bem imponente nas dinâmicas, Benedict Wong com um Aaron meio que misterioso, mas pouquíssimo usado, e Allison Janney até chamando atenção com sua Darlene, mas nada que valesse algum destaque.

Visualmente a trama ao menos é bem bonita de se ver, com a cidade principal abandonada, com o mato e os cachorros dominando, vemos alguns esconderijos que certamente no livro são mais detalhados e quiseram dar uma "amostrada" na tela, tivemos a casinha de Pops no meio da floresta e uma Junction insana de detalhes, com personagens praticamente zumbis, mas tudo colorido e marcante, porém sem dúvida o que acaba predominante é o avião e o recluso ambiente que os protagonistas vivem, tendo a cena de guerra quase mais importante e chamativa no quesito.

Enfim, é o famoso filme mediano que acabaremos esquecendo tão rápido quanto a sua duração, pois faltou coisa demais para ser imponente e foi alongado demais pelo pouco apresentado, é assim sendo, mesmo vendo em uma tela gigantesca, não tenho como recomendar ele, mas quem leu o livro talvez possa me dizer se ao menos lá o resultado é melhor, então quem arriscar comente depois comigo. E é isso meus amigos, vou encarar outro filme hoje para valer a gasolina, pois aqui não valeu, então abraços e até logo mais.



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