Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte (Teenage Sex and Death at Camp Miasma)

8/23/2026 01:47:00 AM |

Quem me conhece sabe que gosto muito de longas de terror, mas um sub-gênero que não me agrada nem um pouco é o slasher, pois geralmente possui tão pouca história para contar, sendo apenas matanças jogadas e que geralmente recai muito para algo adolescente e bobo, mas como sempre acabo conferindo, e por vezes posso ser surpreendido, como foi o caso hoje de "Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte", pois conseguiram florear tanto com as linguagens do cinema, colocando pautas de roteiristas e suas criações, quanto com o famoso tabu da perda da virgindade, do mundo sexual e de suas vertentes. Ou seja, acabou sendo um filme bem mais amplo do que apenas matanças, que entrega bons momentos, e sim algo com aquele tom a mais, que claro ainda assim é totalmente maluco na tela, mas que tendo uma boa pegada consegue passar bem a essência na tela de um filme de matanças, e também discutir o que é um olhar em um filme.

No longa vemos que uma jovem cineasta queer é contratada para comandar os bastidores de um aguardado reboot da franquia de terror conhecida por Camp Miasma. No entanto, dessa vez, a direção espera conseguir centrar a história na icônica garota que aparece nas cenas finais do longa original, mas a busca por essa atriz ultrapassa os limites éticos estabelecido por produtores de cinema e o terror deixa de fazer parte apenas do roteiro, transformando toda a experiência da gravação em um grande episódio aterrorizante de mania psicossexual.

Diria que a diretora e roteirista Jane Schoenbrun quis brincar com a famosa essência de um filme dentro de outro filme que fica dentro de outro filme, e essa brincadeira foi satisfatória por envolver dinâmicas e situações que florearam toda a trama, não deixando que apenas as mortes violentas fossem impactantes, mas sim que todo o conteúdo de uma produção/criação se desenvolvesse ao redor, sendo algo que discutiu temas complexos e ousou sintonizar o passado com a modernidade. Claro que é um filme com uma pegada bem mais de festivais, afinal o gosto do público por tramas slasher andava meio sumido (ao menos imaginava isso ao ver uma sala quase cheia na segunda semana de exibição!), e assim o trato na tela precisou ir para um lado mais rápido e direto, mas ainda assim o longa tem muito para ser interpretado pelo público, e assim o resultado acabou agradando bastante.

Quanto das atuações, diria que a escolha de Hannah Einbinder para a diretora Kris foi muito bem trabalhada, pois a jovem conseguiu passar toda a intensidade de olhares de uma cineasta iniciante pegando a obra que sempre sonhou para refazer, e ainda assim cheia de dilemas pessoais, de modo que a atriz conseguiu segurar a essência com personalidade, mesmo trazendo uma certa ingenuidade para o papel, o que deu um bom tom na tela. Já Gillian Anderson deu um charme tão grandioso para sua Billie, que nem parece a mesma atriz boba do filme que é mostrado ao fundo, do tipo como se tivesse tido uma evolução de personalidade incrível, e ela soube segurar a trama, desenvolver um envolvimento bem colocado e ainda encher a trama de presença, ou seja, algo muito bem feito na tela. Quanto aos demais, e são muitos, afinal a equipe teve um trabalho monstro de criar uma franquia inteira para que o filme tivesse esses vários longas passando no caminho, vale claro o destaque para Amanda Fix que faz uma Billy jovem impactada e expressiva, mas ingênua e bobinha demais, de modo que funciona para o que o filme pedia, mas comparada com o que virou no futuro ficou um pouco fora de eixo demais.

Visualmente a trama dá um show e provavelmente causou o enfarte coletivo da equipe quando chegou o material para produzir uma tonelada de cenas de filmes apenas para alguns minutos de tela, mas tivemos um acampamento bem marcante, uma casa adaptada bem tradicional de filmes de terror, com um ar de colina de férias em lago, muita neve e frio congelante para dar as nuances brancas bonitas, e claro um exagero de sangue esguichando mais que água em caminhão de bombeiro, ou seja, o famoso kit slasher que força um pouco na tela, mas que de modo geral mostrou que a equipe de arte se preocupou em não jogar tudo apenas na tela.

Enfim, é um filme bacana com boas nuances que mesmo quem não é muito fã de filmes interpretativos e/ou slashers vai acabar gostando do que é mostrado, então acaba sendo uma boa dica de conferida. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, e volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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