O longa nos mostra que ao mesmo tempo em que é atrapalhado e arrogante, Wile E. Coyote é obcecado por eliminar seu arqui-inimigo Papa-Léguas, dedicando seus dias a montar mirabolantes armadilhas para capturá-lo. Porém, de alguma forma, é sempre ele que acaba se ferrando no fim das contas. O Coiote decide então enfrentar quem ele acredita ser o verdadeiro responsável por seu constante fracasso, a ACME Corporation, empresa que desenvolve os equipamentos que ele usa.
Diria que o diretor Dave Green soube aproveitar demais toda a tecnologia que lhe foi dada, pois a conexão entre os personagens animados com os personagens humanos foi tão boa, e o melhor, sem precisar conversões em 3D para que ficassem bem encaixados, e mais do que isso, fez seu filme fluir muito bem misturando desenho com as situações de julgamento e tudo ao redor, inserindo eles como uma sociedade normal, o que acabou dando um tom bacana para a produção. Claro que talvez mais texturas daria uma perspectiva maior, mas sairia do estilo dos personagens, e assim sendo o filme teve uma abrangência tão divertida e com personalidade, que certamente gravar deve ter sido insano, porém dando um belo resultado de modo geral, e ainda mostrando o potencial do diretor, pois é daqueles filmes que qualquer um poderia derrapar bastante na execução.
Não é o tipo de filme que as atuações fizessem muita diferença na tela, mas ainda assim Will Forte trabalhou bem demais seu Kevin Avery, sabendo se posicionar bem para a câmera, tendo seus olhares sempre bem colocados para com os personagens animados (que sabemos que não estavam junto nas gravações!), e trabalhando bem as expressões em cada ato conseguiu segurar bem o filme, ou seja, se jogou por completo e jogou bem. John Cena também brincou bastante com os personagens, mas foi mais seco na entrega de tela, de modo que os atos de seu Buddy Crane poderiam ter sido menos fechados para se desenvolverem mais com os outros personagens, mas ainda assim agradou. Outra que foi bem, porém insistente demais foi Lane Condor com sua Paige Avery, tendo até mais interações com elementos animados do que os demais, e sabendo brincar com eles, o que acabou sendo bacana de ver. Quanto dos personagens animados, o longa veio somente com cópias dublados (e sim você está lendo isso em um texto meu!) e acredito que foi muito bom ver ele assim, pois os nomes seguiram com os que conhecemos, e principalmente as vozes dos desenhos foram muito semelhantes as originais que ouvíamos, e assim foi bacana ver todos dando muita entrega na tela.
Visualmente a equipe de arte deu um show na tela, misturando bem os elementos animados com os ambientes reais, sem perder o viés original dos desenhos, tendo muitos detalhes cênicos sendo quebrados, usados para explodir, para criar profundidade e principalmente servindo de elo entre os dois mundos, ou seja, trabalharam a beça para que a computação funcionasse junto das gravações, tendo bons atos tanto no tribunal, quanto no motel aonde o protagonista dorme, e claro no escritório de advocacia dele, fora a grande ACME com seus testes e produções que até valeria mais tempo de tela, mas aí viraria uma série, então foram bem com o que tinham.
Enfim, não é um filme perfeito, pois dava para ser mais forte de entregas, mas ainda assim funciona demais, principalmente para o público mais velho, e certamente foi uma grandiosa escolha não deixar que ele não estreasse, pois tanto o público quanto a crítica especializada está gostando demais do que viu, então vale bastante a recomendação. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.







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