A Morte de Robin Hood (The Death Of Robin Hood)

8/17/2026 12:29:00 AM |

Costumo dizer que quando o cinema repete temas muitas vezes acaba sendo algo cansativo para o público em geral, de modo que você acaba se saturando do personagem e por vezes acaba nem enxergando mais ele como deveria, e um personagem que já vimos filmes desde romances passando por tramas blockbusters de ação, desenhos até mesmo recaídas para o terror, ainda não tinha puxado para o lado dramático de um fechamento de inversão, quando tentam tirar o papel heroico do personagem e levam ele para um estilo monstruoso que deveria ser esquecido, era Robin Hood, mas com o longa "A Morte de Robin Hood" acabaram brincando com essa essência em um filme que por vezes parece até confuso e introspectivo demais, aonde você fica pensando se estão tentando fazer uma continuação de algo, ou se apenas devemos tentar lembrar do que já ocorreu no passado em outras obras para ser complementado aqui, e isso ao mesmo tempo que ficou interessante acabou também cansando um pouco no resultado final, mas ainda assim será lembrado como um dos filmes mais diferentes do personagem, e até mesmo do estilo de atuação do protagonista, pois souberam brincar bem com a essência toda, e assim o resultado funciona.

Na trama, Robin Hood luta mentalmente com seu passado marcado por crimes e assassinatos. Depois de sobreviver por pouco à batalha que considerava ser a última, Hood fica gravemente ferido. Enquanto se confronta com os erros cometidos no passado e com as cicatrizes da briga, o lendário herói é encontrado por uma mulher misteriosa que passa a cuidar de seus ferimentos. Fora de combate, ele é obrigado a lidar com as consequências de sua história.

O interessante no estilo do diretor e roteirista Michael Sarnoski é que ele sabe brincar com personagens se desafiando a mudar por completo suas essências, de forma que já vimos um Nicholas Cage mudando de estilo, uma saga silenciosa indo para outros rumos, e agora fez com que um personagem tradicional fosse mudado de vértice, ou seja, ele pega coisas prontas e dá o seu próprio tempero para que tudo fique diferenciado e chamativo. Dessa forma diria que ao menos ele tem potencial por saber brincar com situações ousadas e diferenciadas, mas talvez aqui ele precisasse fechar melhor sua produção, pois o longa exige alguns momentos de lembranças sobre casos que o bandoleiro viveu, e assim o filme não fica somente dentro de seu conteúdo.

Quanto das atuações, já disse outras vezes que gosto muito do estilo que Hugh Jackman costuma entregar para seus personagens, dando densidade e intensidade para que seus momentos soassem bem marcantes, e aqui seu Robin Hood é o retrato de alguém já tão acabado, tão cheio de camadas acumuladas por anos de vivência, que o ator soube impactar com bem pouco e funcionou demais, sendo marcante e chamativo sem precisar ir muito além, ou seja, segurou o filme sem precisar enfeitar muito o doce, e isso se deve também a uma direção consistente. O mais engraçado é que temos outros atores bem imponentes na trama, e praticamente o diretor esqueceu de desenvolver eles, de modo que Jodie Comer com sua Brigid tem momentos que poderiam ser bastante impactantes, mas ficou apenas amornando tudo ao redor dela e do protagonista, Bill Skarsgård evapora com seu Edward logo no começo da trama, de tal forma que a jovem Faith Delaney precisou soltar um pouco sua timidez para que sua Little Margareth se impusesse na tela, e Noah Jupe até tentou ter alguns trejeitos interessantes para seu Arthur, não indo muito além, então sem mostrar tanto o rosto, sobrou para Murray Bartlett impactar nos diálogos de seu Leproso, mas sem ir muito além também.

Visualmente a trama brincou bem com os tons azuis e vermelhos, dando um ar bem fúnebre para a trama, tendo alguns atos intensos e violentos, com lutas bem marcantes no começo, fogo e dinâmicas cheias de sangue e símbolos, para depois ir para uma ilha e ficar com tudo muito calmo em desenhos neutros e sem grandes impactos, aonde poderiam ter trabalhado mais alguns elementos além das sangrias do protagonista e de alguns atos de caça, sendo simples, porém encaixado dentro de algo chamativo.

Enfim, é um longa que tem estilo, porém que faltou mais pegada e desenvolvimento para se encaixar melhor na tela, sendo daqueles que se você tiver um bom conhecimento no personagem é provável que entenda melhor tudo e até se envolva mais, mas do contrário é capaz de esquecer tão rápido dele, que nem vai entender direito o que viu, ou seja, dava para ser bem melhor. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Imagem Filmes e da Sinny Assessoria pela cabine, e volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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