O longa segue um escritor de romances policiais em luto, após seu filho de oito anos ter sido sequestrado. Graças ao terrível acontecimento, o autor recorre a seu pai, um ex-detetive policial aposentado, para ajudá-lo a investigar o caso. Durante as buscas, eles descobrem uma conexão estranha com um antigo caso envolvendo um assassino em série condenado conhecido como O Homem Que Sussurra.
Costumo dizer que para fazer uma trama de suspense policial precisa no mínimo ter alguns dotes de psicopatia e gostar de jogos difíceis de solucionar, além claro de uma boa experiência anterior, e James Ashcroft até trabalhou bem nessa função, mas faltou com o básico do estilo que é causar sensações no público, fazer com que fiquemos curiosos pelo desenrolar, aonde tudo irá levar, quem pode ser o assassino, e não apenas ir jogando tudo na tela como ele fez. Ou seja, faltou pegar o livro de Alex North que certamente deve ser daqueles que você não consegue parar de ler, e transportar isso para a tela, ao ponto que o público quisesse até acelerar o filme para descobrir logo, o que não ocorre, sendo tudo muito tranquilo na tela, deixando apenas o final para explodir. Sendo assim, acredito que faltou bagagem no estilo para que o diretor conseguisse chamar mais atenção, pois volto a frisar que não ficou algo ruim de ver, mas não faz querer devorar de cara, como é a característica de um bom suspense policial.
Quanto das atuações, a produção conseguiu um elenco bem chamativo para o longa, porém acredito que faltou trabalhar um pouco mais o desenvolvimento dos personagens para que nos conectássemos mais, e assim sendo não diria que deram seu máximo. Michelle Monaghan fez uma policial básica demais, que até teve um fechamento interessante com sua Amanda Beck, porém no miolo não explodiu como poderia para chamar o filme para si, e assim quase acabou apagada pelos demais. Adam Scott anda numa vibe muito depressiva para os seus personagens, e aqui seu Tom Kennedy não se mostra como escritor (aliás se não mostrasse enfaticamente seu livro, com uma mera cena num computador nem saberíamos sua profissão!), ainda mais do ramo policial, sendo alguém meio que estourado demais para controlar e quando realmente resolveu partir para o caos acabou soando um pouco falso, ou seja, não foi além na tela. Por incrível que pareça, mesmo com muita idade nas costas, os destaques positivos ficaram para Robert De Niro com seu Peter Willis e Michael Keaton com seu Frank Carter, de modo que ambos conseguiram trabalhar as nuances, criar expressões fortes e bons diálogos, ou seja, dominaram a tela. Quanto aos demais, tivemos o garotinho Acston Luca Porto meio tímido e fechado demais na tela com seu Jake, e Owen Teague com seu Francis que até teve alguns atos intensos, mas sem desenvolvimento não foi muito longe na tela, e ainda Hamish Linklater fez um colecionador de armas de crimes meio que estranho demais, mas ao menos chamou atenção.
Visualmente o longa teve boas cenas em ambientes densos como a casa do protagonista e a casa do assassino, alguns momentos mais fechados nas prisões, e até a casa do ex-policial tendo ares marcantes com elementos simbólicos, mas valeria mais o trabalho dentro da delegacia com as investigações e também nas cenas dos crimes, porém não foi a escolha da produção, então ficou faltando mais elementos cênicos chamativos, que no caso do estilo chamamos como pistas, fora que a personagem da menina (que depois no final é revelado quem era) ficou bem jogado na tela.
Enfim, é um filme que dava para ser muito melhor com poucos ajustes, mas que acabaram optando por algo mais leve e menos denso, ficando mais como um passatempo de suspense do que realmente algo marcante como ficaria uma trama policial, e sendo assim recomendo ele com muitas ressalvas. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.







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