Netflix - The Soul (Ji Hun) (缉魂)

4/17/2021 01:55:00 AM |

Ando vendo tantos filmes chineses na Netflix que daqui a pouco já estarei dominando o mandarim fluentemente (exagerei um pouco, ok!), mas diria que a estreia da semana "The Soul" tentou ser ousada com uma longa de troca de corpos/almas misturando ciência, tecnologia, doenças, rituais e misticismo na mesma proporção que acabamos mais confusos com o que é entregue do que envolvidos realmente com a trama toda, e que mesmo não sendo um filme ruim, o resultado é bagunçado demais, não parecendo que desejavam impactar com algo, apenas mostrar todas as ideias. Ou seja, é daqueles filmes que vemos tecnologias imponentes para dar o ar futurista (o longa se passa em 2032, mas só descobrimos isso quase no final!), vemos toda a dinâmica investigativa por trás de dois crimes, um mostrado logo no começo e outro no miolo como desculpa para o crime atual, e principalmente vemos o famoso câncer ainda não tendo cura estragando famílias, e qualquer um desses temas já daria para fluir muita coisa, mas aí resolveram mexer com troca de mentes/almas e ainda salpicar rituais com flores e ervas queimadas, ou seja, se a bagunça por si só já daria por trabalhar temas complexos, envolver algo ainda mais abstrato deu um tom daqueles que a todo momento ficava me perguntando aonde eles iriam querer chegar, e o pior é que quando chegam descobrimos que tinha um elo mais conflituoso ainda de um tabu imenso, ou seja, certamente o roteirista, ou melhor o escritor afinal o longa é baseado em um livro, não sabia sobre o que desejava escrever e tacou uma sopa de temas no livro que acabou virando sucesso, e acabaram transformando em filme, que não sei se muitos irão gostar do resultado completo.

A sinopse nos conta que durante a investigação da morte de um grande empresário, o promotor Liang Wenchao e sua esposa policial A Bao descobrem informações reveladoras sobre o caso. Todas as pessoas próximas ao empresário tinham motivações fortes para matá-lo. A partir daí, eles se encontram em perigo e precisam enfrentar um dilema de vida ou morte.

Diria facilmente que o diretor e roteirista Wei-Hao Cheng desejou algo muito grandioso para sua produção, e sem saber como parar, foi incrementando mais coisas até o ponto de explodir ao máximo, de forma que como disse no parágrafo inicial, se ele tivesse escolhido apenas dois temas de tudo o que colocou na trama já teria um filme incrível, com diversas nuances para trabalhar, e montaria um mistério complexo, completo e bem inteligente, mas o todo em si acabou saindo de controle, e ao final alguns até podem gostar do fechamento, mas de certa forma foi apenas uma jogada para tentar não ficar jogado demais, e assim sendo vemos interações entre personagens, foi preciso uma explicação completa de um dos personagens de todo o processo, necessitou uma gravação de áudio inteira para colocar desculpas, ou seja, precisaram remendar tudo para não entregar um filme sem sentido algum, e isso não é algo bom de acontecer, e como falei está longe de ser um trabalho ruim, mas também bem longe de ser bom.

Sobre as atuações, já falei isso várias outras vezes e reforço, conheço poucos atores orientais que entreguem expressões chamativas, pois geralmente parecem sempre estar apáticos das situações, e isso é algo que irrita demais, tanto que nos animes eles forçam tanto nos olhares como se quisessem mostrar que é necessário isso na cultura deles para chamar atenção, e aqui não foi diferente, tanto que Chen Chang até fez um promotor interessante com seu Liang, trabalhou os diálogos com muitas reflexões, e se entregou nos atos fortes da doença, mas não mostrou uma empolgação com toda a investigação, não fluiu nos atos que precisava, ao ponto que acabamos nem torcendo para ele. E o mesmo aconteceu com a policial Bao interpretada por Janine Chang, que até trabalhou um pouco algumas emoções tristes para com seu marido, mas não soando real no sentido de envolver mesmo, e durante toda a investigação parecia mais assustada do que realmente alguém que se impusesse para com os assassinos. E falando nos assassinos/empresários, tivemos uma família bem complexa e maluca para falar melhor, pois o jovem garoto Hui-Min Lin é quase um maluco que só fica pulando e gritando com suas tatuagens, valendo ver seu rito doido e nada mais, a madrasta vivida por Anke Sun é cheia das incógnitas, misteriosa e até chega a nos confundir em alguns atos, mas não surpreende como poderia, já o patriarca da família não foi muito usado no presente, mas Samuel Ku trabalhou bem nas dinâmicas do passado fazendo momentos intensos e até bem marcados que valeriam ser melhor mostrados, afinal precisou Christopher Ming-Shun Lee com seu Doutor Wan explicar tudo e quase virar um narrador da trama para contar sua relação completa com a família, e finalizando Baijia Zhang fez a matriarca da família completamente insana, parecendo algum tipo de bruxa, mas que depois vemos apenas que surtou com o relacionamento do marido mesmo, ou seja, um mais maluco que o outro.

Visualmente o longa brincou com uma cidade bem tecnológica, aonde os computadores da polícia são todos interligados, bastando movimentos de mãos para exibir vídeos, aparecer pistas, os dos médicos já identificando o câncer em imagens de altíssima resolução, mansões e hospitais gigantescos, mas o básico de um crime simples com um ritual e uma arma bem simbólica como um tipo de cetro, ou seja, nada de grandioso nesse sentido, com uma investigação que não foi também muito além, papeis sendo jogados, e tudo dentro de um clima bem escuro aonde a fotografia nem foi tão valorizada, puxando o longa claro mais para o gênero de terror do que para o suspense, e com isso fluindo bem menos do que poderia.

Enfim, volto a frisar que não é um filme ruim, ficando bem próximo do mediano no limite para ficar fraco, aonde alguns talvez até curtam ele um pouco mais, mas para isso precisarão pensar até além com toda a ideia, e pegar alguns momentos mais rapidamente, e sendo assim não diria que recomendo o filme. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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