Tom & Jerry - O Filme (Tom And Jerry)

2/13/2021 10:04:00 PM |

Uma diversão completa! Essa pode ser sem dúvidas a melhor definição de "Tom & Jerry - O Filme", que traz para as telonas toda a confusão do gato e do rato mais famosos das TVs, que aliás nessa semana completaram 81 anos desde que o primeiro desenho deles foi exibido, ou seja, uma grandiosa carreira sem envelhecer com nenhuma ruga, muito pelo contrário, os dois estão muito bem dispostos para grandes bagunças em um hotel chique de Nova York, e conseguem pirar todos os atores da trama. Ou seja, é daqueles filmes que você vai esperando conferir apenas uma comédia bacana mista entre humanos e personagens desenhados, e sai muito feliz da sessão com tudo o que foi proposto e exibido na telona, trazendo além dos dois carismáticos protagonistas, vários outros personagens animados que já tínhamos visto nos desenhos, além de todos os animais que aparecem na produção serem desenhados dando uma nuance muito bacana para as cenas, e assim a cada ato vemos outros cachorros, pássaros, outros ratos, outros gatos, pavões, tigres, elefantes, tudo numa harmoniosa e bagunçada diversão. E o melhor de tudo, conseguiram fazer uma história bem feita em cima de tudo, pois muitas das vezes os episódios dos programas da TV eram apenas correria e uma ou outra armação para captura do ratinho pelo gato, mas aqui armaram todo um casamento gigantesco, brincaram com a atual tendência de eletrônicos inúteis que alguns casais colocam nas listas de presentes, e claro ainda deram o tom de briga também entre os gerentes do hotel na melhor alegoria possível de uma caça entre um gato que se acha e uma ratinha trambiqueira, ou seja, tudo muito bem funcional que agradará a todos que forem conferir.

A sinopse nos conta que uma das rivalidades mais amadas da história é reacendida quando Jerry se muda para o melhor hotel de Nova York na véspera do "casamento do século", forçando a desesperada organizadora do evento a contratar Tom para se livrar do rato. A batalha de gato e rato que se segue ameaça destruir a carreira dela, o casamento e até o próprio hotel. Mas logo surge um problema ainda maior: um funcionário diabolicamente ambicioso conspira contra os três.

O diretor Tim Story já levou tanta bordoada pelas adaptações que fez para o cinema que nem liga mais para isso, mas aqui ele foi tão preciso nas escolhas, em não querer tridimensionalizar os personagens característicos que são desenhados há tempos da mesma forma, foi coerente em não forçar tanto a barra com os atores, e sabendo aproveitar bem tudo o que tanto já vimos na TV, ele optou em dar boas nuances para que os personagens brincassem bastante em cena, tivesse as tradicionais perseguições, várias coisas quebrando e tudo mais, e junto de uma história bacana o resultado visto funcionou tão bem que nem parecia que eu estava vendo um longa dublado (afinal só veio dessa forma para o interior), ou seja, o acerto do diretor foi tão grande em tudo que passamos alguns minutos dentro da sessão rindo bastante, se divertindo com tudo, e principalmente vendo boas interações entre humanos e desenhos, parecendo realmente que todos estavam enxergando os personagens em cena (e olha que isso é bem raro de acertar a mão!). Sendo assim, posso dizer sem medo que o diretor voltou a ter crédito no mercado, e agora é esperar o que ele vai fazer com isso, pois já tem vários projetos estranhos em mente, e claro, com os personagens também, afinal caiu muito bem o estilo na telona, então não é de se duvidar de aparecer um 2, 3, e por aí vai.

Sobre as atuações, antes dos humanos temos de falar que todos os personagens animados deram show na tela, desde os dois protagonistas extremamente carismáticos que já conhecíamos há tempos fazendo suas tradicionais desenvolturas que tanto gostamos de ver, passando pelo buldogue sempre bravo, pela gatinha charmosa, pelos pombos cantores, pelos gatos do beco, e até mesmo os animais da festa como pavões, elefantes e tigre agradaram bastante em todas as suas interpretações. E falando dos humanos, Chloë Grace Moretz sempre se entrega bem para os papeis que faz, e aqui sua Kayla tem uma boa persuasão, tem um bom gingado com os problemas, e chama a tenção pelo estilo encontrado para que a personagem não fosse exageradamente forçada, o que acaba agradando bastante também. Da mesma força, Michael Peña costuma apelar muito nas comédias que faz, e pelo trailer parecia estar completamente irritante (aliás várias cenas bobas que tem no trailer dele e de Chloë foram tiradas!), mas acabou que seu Terence ficou interessante, fazendo cenas ligeiramente forçadas, mas que agradam dentro da proposta, e assim valendo o papel que lhe foi colocado. Pallavi Sharda e Colin Jost trabalharam bem como o casal de ricos com seu casamento indiano gigantesco, mas nada que fosse surpreendente pelas atuações, aliás tem uma ceninha bem rápida no fim dos créditos fazendo referência ao valor do casamento. Quanto aos demais funcionários do hotel, todos trabalharam para dar conjunto na trama, não sendo extremamente chamativos, mas se encaixando bem, desde o gerente do hotel vivido por Rob Delaney, passando pelo barman Jordan Bolger que quase rola um romance com a protagonista, até chegar na estranha Patsy Ferran com sua Joy que grita para tudo.

Visualmente a trama ficou só nos diversos corredores do hotel, mas sendo um tremendo hotel com lustres, redomas de vidro, quartos riquíssimos, e muitos detalhes ainda para os protagonistas saírem quebrando tudo, além de algumas cenas no Central Park, e tudo de uma forma bem simbólica para representar os passeios dos protagonistas, além de Jerry criar uma toca bem refinada com objetos que acabou pegando do hotel, uma cozinha cheia de detalhes, e claro uma tremenda festa de casamento. Ou seja, a equipe de arte trabalhou muito bem, e a equipe de computação foi extremamente bem dirigida para colocar os desenhos junto com os protagonistas sem erros ou momentos estranhos, e digo mais são tantas coisas voando e sendo quebradas, que aparentemente o longa foi projetado para funcionar bem em 3D, e assim quem tiver player e TV com a tecnologia em casa conseguirá ver alguns detalhes a mais.

Enfim, o resultado ficou incrível, e muito melhor do que o esperado, pois pelo trailer estava realmente parecendo um filme bobo e meio que sem nexo, mas ao juntar tudo e trabalhar bem nos detalhes o longa acaba sendo indicado tanto para crianças que vão curtir os bichinhos, todo o grande colorido e tudo mais, quanto para os adultos que vão voltar à infância conferindo os dois personagens que mais nos divertiam naquela, ou seja, vá ver sem nenhum preconceito, e vou falar algo que não coloquei em nenhum outro texto, podem ir conferir dublado que ficou bacana o texto colocado, não soando bobo nem falso demais. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Ponto Vermelho (Red Dot)

2/13/2021 01:23:00 AM |

Revoltado com cada momento, esse será o sentimento que a maioria das pessoas irá passar vendo o longa "Ponto Vermelho" que estreou na Netflix, pois ao começar já de alguma parte que imaginamos ser algo mais para o fim, já ficamos sabendo que vai ficar tenso com tudo, então voltamos para o ponto de início na formatura do protagonista, e sequencialmente com uma passagem de tempo já vemos o casal junto e com as tradicionais brigas, mas o conflito todo tenso começa a tomar forma quando já vemos eles chegando numa região mais remota, e aí meus amigos, é só ladeira abaixo, num filme que você praticamente não respira, e que a cada virada incorpora sempre algo a mais para nos revoltarmos, desde mortes indesejadas, até situações imponentes que nos são reveladas do passado dos protagonistas, ou seja, é virada em cima de virada até um final fortíssimo e muito bem feito, que quem já assistiu algum filme sueco sabe bem: nunca é algo bonitinho. Ou seja, se você gosta de filmes com um bom suspense, com muitas reviravoltas, e que ainda entregue algo forte, com toda certeza irá se impressionar com essa nova trama, mas não diga que não avisei que ia ficar bravo com tudo o que acontece.

A sinopse nos conta que quando um ponto de laser vermelho aparece na tenda de Nadja e David, a viagem antes romântica se torna uma luta por suas vidas. E durante esta caça sádica, o passado do casal volta para assombrá-los.

O diretor e roteirista Alain Darborg foi bem direto no que desejava desenvolver, pois em momento algum vemos o filme com uma perspectiva de emoções agradáveis, e ao começar já com o protagonista praticamente destroçado e a protagonista correndo, já ficamos cientes de que algo vai dar muito errado lá pra frente. Porém a grande sacada dele foi não revelar a ideia do passado, pois o filme todo parece ter uma ideia muito idiota para tudo o que está acontecendo, e ficamos nos perguntando quem acabaria fazendo tudo isso, e por quais motivos, mas a virada de passado foi bem jogada, e o resultado mesmo sendo talvez um spoiler que mude completamente o jeito de ver o filme acaba funcionando bem. Agora algo que ocorre que de cara já imaginava e já fiquei bem mal é algo que com certeza muitos até irão parar de ver o filme, pois já falamos isso em outros momentos, e se quer estragar um filme, maltrate um animal, e aqui fica de praxe que vai dar merda. Ou seja, dei alguns spoilers infelizmente, mas o longa não se prende a isso, e o diretor foi muito sucinto em querer nos surpreender a todo momento, e por incrível que pareça ele consegue muitas vezes, mostrando ser um bom conhecedor do estilo, e principalmente sabendo como virar as chaves para tudo funcionar bem.

Sobre as atuações, diria que a escolha dos protagonistas foi levemente falha, pois mesmo usando a ideia em cima deles, faltou química como casal, e mesmo depois sabendo de tudo, ainda não vemos eles como alguém que tem qualquer paixão, ou seja, poderiam ter trabalhado melhor isso, ou arrumado alguém melhor para os papeis. Nanna Blondell até tem uma certa personalidade e passou bem isso para sua Nadja, mas a todo momento vemos a atriz exageradamente cabisbaixa, sem muito envolvimento com a trama, e isso acaba sendo um pouco cansativo de ver, mas nos momentos certos ela deu um bom tom, e chamou a atenção pelo menos quando precisou. Já Anastasios Soulis trouxe para seu David alguém com certas premissas meio que desgarradas, parecendo que a todo momento vai surtar, e isso ocorre bem nos atos finais, porém seu momento de surto/dor/loucura foi bem marcado logo após o lago, e funcionou bem para que ele se destacasse na trama, e fizesse boas expressões de dor no final, agradando bastante. Quanto dos demais, alguns apareceram mais, outros apenas de relance, e todos fizeram trejeitos de todas as formas possíveis, agradando bem com o resultado proposto, mas não vou falar especificamente de nenhum, afinal já dei spoilers demais no texto.

Visualmente escolheram muito bem o ambiente debaixo de muita neve, aproveitaram rapidamente uma ceninha de aurora boreal, montaram um acampamento bacana no meio de tudo, e com muita neblina, lagos congelados, florestas em meio a neve, algumas pequenas casas isoladas, o resultado funciona bem, com muitas armas, sangue escorrendo para todo lado contrastando bem o vermelho com o branco, e procurando dar motivo em todas as cenas para que algum elemento cênico encaixasse com tudo, e além disso vemos bem rapidamente o apartamento bem simples dos protagonistas, uma cena rápida numa lavanderia comunitária, uma formatura quase nem usada, mas tudo sendo bem simbólico para com cada momento do filme, ou seja, prestem atenção em tudo, pois será usado depois.

Enfim, é um filme bacana, intenso e tenso até demais, fazendo com que ficássemos até bravos com a produção em diversos momentos, mas que acaba funcionando bastante, e se talvez alguns detalhes não fossem tão jogados nas interpretações, o resultado seria ainda melhor, e claro, como já disse outras vezes, começar o filme com alguma cena do miolo ou final é dar spoiler para pensarmos em todo o restante, então isso considero como um erro bem ruim de acontecer. Sendo assim recomendo bastante o filme para todos, e quem gosta de um bom suspense/terror vai ficar feliz com tudo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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#SemSaída (Follow Me) (No Escape)

2/12/2021 01:03:00 AM |

O que dá misturar os filmes de terror/suspense "Escape Room" com "O Albergue", se você não imagina, veja o lançamento da semana nos cinemas "#SemSaída", que entrega uma trama completamente maluca, cheia de reviravoltas, daquelas que mesmo você imaginando como será o final, você acaba ficando tenso e se empolga com tudo o que acaba ocorrendo. Ou seja, é um longa tão bem trabalhado, que mesmo tendo alguns absurdos dentro da formatação, vai sendo bem desenvolvido para deixar o protagonista completamente maluco com toda a realidade do jogo maluco em que ele entra, e com cenas violentíssimas regadas a muito sangue e intensidade do melhor do gênero, acabamos curtindo cada momento como se fosse algo comum (o que certamente não é!). Porém o mais engraçado é que com um nome meio que genérico, fui conferir o longa esperando outra trama completamente diferente, pronto para tacar uma tonelada de pedras, mas curti tanto tudo, que tenho de me redimir ao máximo indicando ele com toda certeza, pois a galera que curte o estilo de jogos de escapar de salas vai pirar com toda a ideia feita, e assim sendo vale o tempo na sala que nem vemos passar.

Uma estrela das mídias sociais viaja com seus amigos para Moscou para capturar novos conteúdos para seu VLOG de sucesso. Sempre gerando conteúdos diferentes e desafiadores, seus vídeos sempre foram um sucesso de acessos. Atendendo a um público sedento por desafios, ele e seus amigos entram em um jogo mortal cheio de mistério, excesso e perigo. Quando as linhas entre a vida real e as mídias sociais são borradas, o grupo deverá lutar para escapar e sobreviver.

Chega a ser irônico que o diretor Will Wernick já tinha feito um outro longa de escape room em 2017, "60 Minutos Para Morrer", que acabou não chegando por aqui nos cinemas (mas tem no TelecinePlay para quem quiser curtir!) e que pela ideia até lembra um pouco o que acabou sendo lançado por aqui em 2019, ou seja, como bem sabemos o pessoal não anda muito original com suas tramas, cada um fazendo algo mais forte que o outro, com mais armadilhas e tudo ficando cada vez mais perigoso para os personagens, e aqui a intensidade foi tão forte em alguns momentos que chega a bater o desespero no público, mas sem dúvida alguma a grande sensação aqui ficou a cargo do final, pois já falei isso muitas vezes quando vejo vídeos que tem toda essa ideia de um jogo tão imponente que acaba perdendo o rumo entre o real e o fictício. Ou seja, a violência funciona bem no conteúdo do longa, e como bem sabemos na Rússia nada tem muitos limites, então se preparem para tudo, e se impacte com o final, pois o diretor soube usar bem de toda a ideia inicial da trama, e ainda incrementar um pouco mais, ao ponto que com certeza tentaremos ver outros filmes dele.

Sobre as atuações, como é de praxe nesse estilo de filme temos somente atores bem desconhecidos do público em geral, e isso é bom para curtirmos as personalidades de cada um sem ficar pensando no que poderíamos ver de diferente. E dessa forma o protagonista Keegan Allen acabou se entregando bastante para com seu Cole, inicialmente descontraído, todo feliz por estar gerando conteúdo para seu vlog, nem ligando para a possibilidade de seus amigos estarem se machucando, mas logo que sua namorada quase morre seus trejeitos já mudam completamente, e daí para frente o ator praticamente surta com muita imposição, muito desespero, e claro raiva de tudo, num estilo tão preciso que acabamos curtindo demais toda a loucura que ele vai fazendo até o final (claro que tirando o ato de não pegar o carro, que aí dá raiva!). Quanto dos amigos, diria que as garotas fizeram trejeitos levemente forçados, e não chamaram tanta atenção, o que é ótimo, afinal o foco todo tinha de se manter no protagonista, mas valeria ir um pouco além e se mostrar mais para o filme, e assim tanto Holland Roden com sua Erin quanto Siya com sua Sam acabaram apagadas demais, agora quanto dos garotos, Denzel Whitaker com seu Thomas foi mais sutil ficando de canto, porém se entregou bem em diversas cenas, e George Janko já foi o amigo jogado maluco com seu Dash agradando com estilo. Já pelo lado russo da trama, Ronen Rubinstein trouxe um riquinho chamativo com seu Alexei, e Pasha D. Lychnikoff foi bem imponente no final com muita maldade em seu Andrei, ou seja, foram fortes e bem colocados.

Visualmente a trama foi bem montada, mostrando bem rapidamente locações clássicas de Moscou, mas sem gastar muito tempo ali, e claro indo para um galpão abandonado, no melhor estilo de uma cadeia, cheia de situações fortes de tortura, com jogos de raciocínio bem trabalhados, e num segundo momento algo ainda mais intenso de cenas fortes com muita violência, sangue e tudo mais, que até ficaram levemente estranhos para o final escolhido, mas ainda assim tudo foi muito bem pensado, e o resultado que a equipe de arte conseguiu fazer foi algo para se impressionar realmente. Felizmente a equipe de fotografia não brincou tanto com cenas escuras, dando boas nuances de sombras, mas trabalhando bem o visual sujo ao redor, e assim não colocando sustos gratuitos na trama, o que acabou funcionando bastante.

Enfim, é um filme que inicialmente não dei nada para ele, imaginando que seria mais uma trama adolescente de terror boba, mas que no final acabou impressionando com muita imponência e com cenas fortes muito bem feitas, fazendo valer cada minuto de duração e agradando demais com tudo o que foi feito, ou seja, é daqueles para recomendar com muita certeza para quem gosta do estilo, e que mesmo tendo alguns defeitos de execução, sendo previsível demais com a ideia toda (embora o final seja levemente chocante!), vai agradar a todos que forem conferir. Sendo assim vou dar uma boa nota para o longa, mesmo não sendo um filme memorável, mas que valeu pela ideia completa. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Relatos do Mundo (News of the World)

2/11/2021 12:46:00 AM |

O gênero western é daqueles que aceita tanta coisa num miolo que chega a ser até difícil falar algum estilo que não tenhamos visto funcionar dentro do contexto completo do gênero, e isso é bacana, pois pode rolar muito romance, drama, ares cômicos, aventura, ação e até terror cabe, então é algo que com tantas facetas é raro também um diretor errar a mão e fazer algo que o público não se envolva. E dito isso, o longa "Relatos do Mundo" era para ser lançado nos cinemas, mas com todo o caos que anda com a pandemia, a Universal Pictures decidiu vender a distribuição para o streaming, e eis que a Netflix que não é nem um pouco boba já pegou para ela, e claro já está fazendo toda a campanha de marketing para as premiações, o que já tem dado resultado, afinal é um belíssimo exemplar do estilo, com muitas cavalgadas, muitas cenas num país completamente no meio do nada (tenho minhas dúvidas de quando foi o grande boom dos EUA, pois em todos os filmes westerns só vemos mato e areia por quase todo o país!), e muitos tiros e dinâmicas, fazendo com que o filme seja o tradicional do estilo e envolva o público com bons momentos de uma conversa entre duas pessoas que não entendem praticamente nada do que um diz para o outro, mas que possuem um passado em comum e assim se envolvem. Ou seja, é um filme bem trabalhado tanto na essência, quanto nas atuações, que talvez uma pitada mais de dinâmica criaria momentos mais intensos como ocorreu nas duas paradas em cidades, mas acabaria indo para outro rumo o longa, e assim alguns nem curtiriam tanto ele, então para manter a ideia western mais calma, o resultado acaba sendo válido.

A sinopse nos conta que cinco anos após o fim da Guerra Civil, o Capitão Jefferson Kyle Kidd, um veterano de três guerras, agora se muda de cidade em cidade como um contador de histórias não-ficcionais, compartilhando notícias de presidentes e rainhas, rixas gloriosas, catástrofes devastadoras e aventuras emocionantes dos confins do mundo. Nas planícies do Texas, ele cruza com Johanna, uma menina de 10 anos que foi acolhida pelo povo Kiowa seis anos antes e criada como uma deles. Johanna, hostil a um mundo que ela nunca conheceu, está sendo devolvida a sua tia e tio biológicos contra sua vontade. Kidd concorda em entregar a criança onde a lei diz que ela pertence. À medida que viajam centenas de quilômetros na selva implacável, os dois enfrentarão enormes desafios tanto das forças humanas quanto naturais enquanto procuram um lugar que possam chamar de lar.

O diretor Paul Greengrass é daqueles que geralmente entrega algo bem agitado, que mesmo um filme tendo uma carga dramática forte sempre opta por dar boas dinâmicas, então ao cair em suas mãos um western, que foi inclusive roteirizado por ele em cima do livro de Paulette Jiles, foi algo meio que surpreendente de ver como acabaria resultando tudo, e ele trabalhou a formatação bem clássica, com muitos respiros, com todo o estilo intenso de momentos calmos quebrando com uma ou outra dinâmica, e com isso seu filme não explode em nenhum ato, o que por um lado possa parecer ruim, pois ficamos esperando sempre alguma correria, mas que também soa intrigante para a todo ato ficarmos esperando o que vai acontecer com o protagonista, que rumos ele vai encarar, sempre sendo um obstáculo novo para tudo o que vinha acontecendo no país. Ou seja, o diretor quis mostrar ao mesmo tempo toda a dinâmica de uma reconquista de terras, aonde cada um está fazendo o que bem entender, com o sul marcado por muita violência, e que tendo alguém para entreter toda essa insanidade que o momento está tomado, contando histórias que estão acontecendo mundo afora com uma boa entonação e dando emoção para os ouvintes, acaba sendo algo gracioso e bacana de ver, e ao mesmo tempo esse mesmo homem bom também nos mostra que pode tentar salvar uma garotinha de virar uma escrava de loucos, levando ela para sua família numa jornada cheia de imprevistos, e assim o filme acaba tendo dois vértices, o que não foi tão imponente para nenhum dos lados, mas funcionou ao menos com um bom final.

Sobre as atuações nem precisaria dizer nada de Tom Hanks, afinal é quase uma raridade achar algum filme que o ator não se entregue completamente, e aqui seu Capitão Kyle Kidd é imponente, tem personalidade marcada, faz todas as nuances tradicionais de uma época, e ainda com um semblante marcado tanto pela guerra, quanto pela depressão que vamos saber mais ao final, e ainda encontrando garra para contar as notícias dos jornais de uma maneira interessante para todos, é algo que só ele fazendo sua versão western de "Forrest Gump", ou seja, ele agrada e acerta bem em todas as cenas, e não deixa nenhum momento jogado, o que é lindo de ver. A jovem Helena Zengel já começou bem sendo indicada à vários prêmios, e é fácil de entender isso, pois sua Johanna tem ao mesmo tempo um semblante assustado, mas uma personalidade direta e forte, que faz dela alguém cheia de vontade para suas cenas, passando carisma, passando desespero, e principalmente sendo destemida para tudo o que acaba acontecendo, além de sofrer muito falando e demonstrando não estar entendendo nada que o protagonista fala, ou seja, perfeita. Quanto aos demais, cada um deu sua contribuição de forma imponente e bem colocada em cada um dos momentos, tendo destaque para Elizabeth Marvel com sua Senhora Gannett instigante e direta ao entender a garotinha e claro as necessidades do protagonista, depois um fortíssimo Michael Angelo Covino com seu Almay persuasivo e com uma vilania incrível que chega a irritar, logo depois um Thomas Francis Murphy cheio de trejeitos para o dono das terras Sr. Farley, e claro as ótimas nuances de Fred Hechinger com seu John Calley, ou seja, pegando as amarrações de cada um para com o filme, o resultado envolve e agrada demais.

Visualmente o longa traz cenas em diversas cidadelas do Texas, mostrando todo o processo de colonização pós-Guerra Civil, com muitas casas de madeira, muita lama, ambientes desérticos, casas abandonadas após donos mortos, búfalos selvagens no meio do caminho, carroças, cavalos, armas de todos os tipos, escravidão, e tudo mais que ocorria na época muito bem retratado pela equipe de arte, criando ótimas nuances e desenvolvendo tudo na medida certa para que o público visse cada momento como algo montado para aquilo sem ir de forma ampliada, ou seja, cada figurino no corpo da garotinha importa, todo o processo do protagonista também se vestir bem para contar as histórias dos jornais importa, e toda a simbologia indígena em alguns atos, escravagista em outros, e até mesmo o "progresso" chegando e acabando com tudo funciona bem da forma que foi mostrado, ou seja, um filme imponente e muito bem feito visualmente.

Enfim, é um filme bem interessante, que até lembra outras produções, mas que tem seu estilo bem desenvolvido ao ponto de nos convencer de que cada momento ali é único e transparece as cenas para nos envolver e sentir na pele os sentimentos de ambos protagonistas, com o medo deles nos atos mais imponentes, suas emoções em cada cidade que passa, e claro o ambiente funcionando para dar os tons propícios de cada momento. Ou seja, é um filme forte, mas que falta um pouco de dinâmica para nos convencer mais com tudo o que tinha para ser mostrado, e que sendo assim alguns até não vão se conectar tanto com a trama, pois precisarão gostar mais de westerns para entrar realmente no clima, e sendo assim até recomendo bem ele, mas com algumas leves ressalvas. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Malcolm & Marie

2/09/2021 01:08:00 AM |

Está virando moda fazer filme sobre discussões de relacionamentos, ao ponto de transformar um longa em uma peça teatral com uma tonelada de diálogos e boas interpretações, aonde vemos raríssimas dinâmicas funcionais, mas que a explosão verborrágica acaba funcionando e envolvendo o público, e isso não é algo bom de acontecer, pois mostra que cada dia mais os roteiristas estão se limitando demais, e em breve veremos tantas versões possíveis de um mesmo filme que nada vai parecer original. Dito isso, é inegável a qualidade técnica do filme da Netflix, "Malcolm & Marie", aonde Zendaya e John David Washington se amam e se odeiam na mesma proporção, numa noite recheada de olhares, discussões, mais olhares, mais discussões, andanças pelos cômodos da casa, conversas aleatórias sobre a noite, voltamos para discussões, e nesse chove e não molha, algumas carícias, e claro mais discussões, para algo que até envolve pela essência, mostra um bom lado de uma discussão sobre críticos, sobre cinema, sobre querer atuar/dirigir, mas que dá mais raiva de ver do que felicidade por ser um bom filme, e que muito nos lembra diversos outros longas com grandes "DRs", mas que acabaram soando melhores por sair do eixo de dupla, e as vezes emprestar algo a mais para a trama. Ou seja, não é um filme ruim, muito longe disso, pois tanto com uma fotografia maravilhosa em preto e branco, quanto discussões fora do relacionamento inteligentíssimas, o resultado é bacana de ver, mas certamente um algo a mais agradaria bem mais.

A sinopse nos conta que ao retornar para casa após a estreia de seu filme, o cineasta Malcolm aguarda a resposta da crítica ao lado da namorada, Marie. Mas a noite toma um rumo inesperado quando revelações importantes colocam o amor do casal à prova.

A forma que o diretor Sam Levinson dá para sua trama é instigante e bem dosada, de forma que conseguimos quase que entrar na sala junto com os protagonistas, e ir acompanhando a discussão acalorada deles, que conforme vão nos permeando com todo o ótimo diálogo criado por Sam também, o filme vai se enrolando mais e mais, com perspectivas exatas e claras que acabamos até nos revoltando com tudo o que acaba ocorrendo, ou seja, o longa é quase aqueles bate-bolas rápidos que já vemos uma pessoa falando se preparando para contra argumentar, e que ficamos apenas esperando quem vai levar a melhor no seu ponto de vista. Ou seja, é um roteiro incrível, que mostra que o roteirista/diretor tem uma mão precisa e que facilmente encontra toda a dinâmica propícia para um bom debate, porém ficamos querendo um pouco mais dele, talvez algo mais forte, uma quebra de pratos, um soco na parede, num espelho, uma revolta menos irônica, uma esquentada maior no clima de romance, e por aí vai, de forma que o filme se mantém seguro demais dentro da caixinha escolhida por Sam, e assim mesmo não partindo para o erro, o resultado acaba agradando, mas não explode para algo memorável.

Sobre as atuações é fato que ambos os protagonistas deram um show de atuação, afinal o longa é só eles discutindo, então não teria como ser diferente, e se antes Zendaya só fazia filmes e séries mais adolescentes, aqui ela mostrou uma maturidade incrível e se impôs com personalidade e trejeitos fortes bem colocados, e mesmo que eu tenha ficado com muita raiva dela (afinal seus atos só aumentavam ainda mais a DR), sua Marie foi perfeita e já está começando a colher resultados aparecendo como indicada nas premiações. John David Washington já falei no seu outro filme que é daqueles atores que veremos explodir demais em tantos filmes quanto seu pai, pois o jovem ator é imponente, tem estilo e sabe aonde entrar para não falhar, algo que poucos atores têm, pois a qualquer momento seu papel poderia afrouxar, e ele segurou completamente tudo com seu Malcolm, fazendo trejeitos felizes quando precisava, e completamente insano quando estava em sua explosão, ou seja, foi muito bem.

Visualmente a estética preta e branca funcionou muito bem para dar um clima ainda mais pesado para o longa, e só, pois quem tentar justificar qualquer outra coisa para terem escolhido esse estilo de  fotografia está maluco, mas com isso tudo o que pensaram no ambiente acabou sumindo, e mesmo a casa sendo incrível com ambientes bem trabalhados, todo o feitio do macarrão, tudo ao redor, como seria o ambiente fora dali acabou apagadíssimo e não mostrou a riqueza que talvez a equipe de arte tenha conseguido para tudo, mas isso foi uma opção (que muitos andam gostando de voltar as origens com filmes preto e branco) e certamente o diretor assumiu assim, ou seja, a trama esqueceu todo o restante da produção, e focou apenas nos diálogos.

Enfim, é um filme interessante de conferir, mas que ao mesmo tempo que dá muita raiva por tudo o que acaba acontecendo entre eles (quando você acha que a DR vai acabar e vão fazer outra coisa, surge outro gatilho e a discussão recomeça), acabamos cansando também com a repetição do tema, então digo que recomendo com muitas ressalvas, e principalmente já deixo claro que muitos irão odiar, pois é um tema que não envolve muito. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Bliss: Em Busca da Felicidade (Bliss)

2/08/2021 01:09:00 AM |

Olha, tem dias que acabo de ver um filme e fico pensando o tamanho da mente de um roteirista para criar histórias tão insanas quanto as que acabei de ver, pois é impossível a pessoa sentar em uma cadeira e falar: "vou contar uma história assim, assim e assim", e acabar saindo algo tão maluco quanto qualquer pensamento. E com o lançamento da semana da Amazon Prime Video, "Bliss: Em Busca da Felicidade", ficamos a todo momento pensando "o que está acontecendo?", "qual a loucura da vez?", "eles estão sob efeito de algum alucinógeno?", e por aí vai, pois é impossível conseguir distinguir o que é real realmente ou se tudo não passou de uma brisa completa de algo realmente muito forte. E a todo momento o diretor vai mudando nossa percepção, fazendo que quando realmente achamos que chegou em algum ponto, que vamos falar que é exatamente isso o que estávamos achando, ele vai e muda tudo novamente, ou seja, o resultado final é um filme tão maluco, mas com tantas nuances, que certamente veria ele novamente e sairia sem saber realmente o que pensar, e isso é ótimo pois o filme cria tantas coisas na nossa mente que ela explode para algo ainda maior, e que acaba agradando demais quem goste de filmes reflexivos sem enrolações. Ou seja, é um filme que aparenta ser uma coisa, mas que muda tanto que nem sabemos que coisa realmente é o que foi representado.

O longa é uma história de amor alucinante aonde Greg, depois de recentemente se divorciar e ser demitido, conhece a misteriosa Isabel, uma mulher que vive nas ruas e está convencida de que o mundo poluído e destruído ao redor deles é apenas uma simulação de computador. Duvidoso no início, Greg finalmente descobre que pode haver alguma verdade na conspiração selvagem de Isabel.

Diria que o diretor e roteirista Mike Cahill foi muito perspicaz com sua proposta, pois muitos não irão entender nada e ficar a todo momento na dúvida do que realmente está rolando, porém certamente podemos acreditar em dois vértices e tirar duas conclusões completamente opostas do que nos foi apresentado, uma de os protagonistas estarem completamente malucos sob efeito de drogas, o que é algo muito bom pela junção de pensamentos em cima de algo completamente bizarro para maquiar a dura realidade, e o outro de ser realmente uma experiência futurista aonde os personagens entram e bagunçam tudo como é proposto, e aí a reflexão vai muito além para mostrar que precisamos sentir algo ruim para darmos valor ao que é bom. E claro que as duas formas de se pensar são válidas e bem inteligentes, e assim o trabalho de Cahill é mostrado como algo funcional e muito bem feito, que além de uma boa trama, retrata o reflexo da sociedade que não vive o momento, mas sim que tenta se maquiar com drogas e/ou máquinas para conhecer outras possibilidades e sair da realidade que pode ser ou não o melhor para si. Ou seja, é um filme bem reflexivo que funciona muito pela boa carga dramática, e que envolve mesmo que para isso nos deixe bem confusos com tudo o que está rolando.

Sobre as atuações, volto a dizer que tem alguns atores que precisam urgentemente repensar em suas escolhas, pois são muito melhores em estilos que não são realmente sua praia do que quando ficam batendo na tecla de coisas forçadas, e aqui a dupla Owen Wilson e Salma Hayek deram um show de personalidade e dramaticidade daquelas de se assustar com o que fizeram com seus personagens, numa imponência tão perfeita de estilos que nem parecem os atores que cometeram outras gafes em projetos bobos no passado. Ou seja, Owen Wilson trouxe tanta expressividade para seu Greg, que acabamos ficando até confusos com o que ele tenta passar, com sua confusão mental do que realmente está ocorrendo, com seu desespero em cima de uma realidade dura e forte, e sua abrangência acaba impactando bem em tudo, ao ponto que funciona e respinga em cima de todos, mas que principalmente não tira em momento algum sua protagonização, e acaba agradando demais em tudo, sendo muito melhor ver ele dando essas ótimas nuances dramáticas para seu personagem aqui, do que as tentativas de fazer rir nas comédias bobas que costuma fazer. Da mesma forma, Salma Hayek deu uma liberdade tão insana para sua Isabel, que acabamos assim como o protagonista, acreditando em tudo o que ela conta, ao ponto que até tomaríamos suas pílulas coloridas para entrar na mesma viagem louca, e assim ela se impõe sem forçar ou sem mesmo se entregar demais, fazendo uma personagem forte, estranha, e ainda assim precisa de estilos, que acaba soando perfeita dentro de uma total loucura. Quanto os demais personagens, diria que precisariam ter trabalhado um pouco mais eles para que nos convencessem de ambas as teorias, e se de um lado tivemos bem trabalhadas as imposições dos filhos do protagonista Emily e Arthur vividos por uma desesperada Nesta Cooper e por um completamente relaxado e sem muitos floreios Jorge Lendeborg Jr., do outro tivemos o químico Kendo vivido por um estranho Ronny Chieng e o cientista alegre Liang vivido rapidamente por DeRon Horton, ou seja, todos abertos demais para não fechar tanto o círculo da trama para nenhum dos lados.

Visualmente o longa foi simples, porém muito bem trabalhado para brincar com o que é real ou não na visão dos protagonistas, mostrando um mundo completamente sujo e abandonado com os sem-teto vivendo numa marginalização monstruosa embaixo da ponte, e do outro lado um mundo utópico com imagens holográficas, mansões limpíssimas, todos bem vestidos e tudo num luxo incrível, ou seja, brincaram bem com contrapontos, e ainda incluíram drogas bem coloridas para dar nuances diferentes, ou seja, a equipe de arte pode brincar bastante com tudo, e o resultado acabou sendo bem interessante de ver.

Enfim, é um filme completamente insano, daqueles que podemos falar que entendemos tudo e estarmos completamente errados, ou falar várias vezes que não entendemos nada e ficarmos felizes com essa loucura colocada para nos enganar, e assim sendo recomendo muito o filme, pois mesmo não entregando tudo o que eu queria que fosse entregue no final, acabei falando muito com a trama, e gostei demais disso, então valeu a conferida. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - O Mediador (Black Beach)

2/06/2021 10:24:00 PM |

Costumo dizer que o cinema espanhol tem sempre boas obras em diversos gêneros, e se tem algo que sabem fazer bem é segurar uma tensão com personalidade, porém em muitos casos eles acabam enrolando demais para atingir um objetivo e com isso vemos alguns exageros totalmente improváveis de acontecer, e aqui no longa da Netflix, "O Mediador", acabaram indo por uma linha tão direta que certamente com uns 15-20 minutos a menos a trama seria daquelas que surpreenderia e encaixaria muito bem tudo, pois por mais honesto que qualquer pessoa fosse, o nível de exagero que o protagonista aqui acaba colocando amigos, familiares, e tudo mais em risco para "salvar" uma etnia/grupo de pessoas ficou levemente forçado, porém ainda dá para se divertir e torcer pelo personagem. Ou seja, é um filme que até tinha um bom teor de aventura/ação, e uma proposta interessante, mas dramatizou tanto na proposta que o resultado acabou não empolgando como poderia, e mesmo não resultando em um filme ruim, o filme não decolou.

A sinopse nos conta que Carlos, um executivo sênior prestes a se tornar sócio de uma grande empresa, é contratado para mediar o sequestro de um engenheiro de uma empresa petrolífera americana na África. O fato está comprometendo a assinatura de um contrato milionário. Nesta viagem, ele deve enfrentar as consequências de suas ações no passado quando vivia no país e escolher entre seus interesses pessoais e profissionais.

A proposta do diretor e roteirista Esteban Crespo até foi bem colocada em prática, trabalhando algo com uma certa imponência para com a ideia de conflitos entre países e petrolíferas que é algo que sempre gera muita discussão diplomática, porém ele quis entrar numa base meio fora de eixo com seu filme, e até o envolvimento com seu passado o resultado iria funcionar, mas ao colocar discussões étnicas o longa acabou se tornando uma guerra completamente insana que não tinha como funcionar direito. Ou seja, vemos atos heroicos e coerentes de serem seguidos, porém não foram tão bem trabalhados ao ponto de acreditarmos em toda a loucura desenvolvida, e o resultado final acaba sendo ainda mais surpreendente da forma que o protagonista acaba fluindo, pois mesmo a pessoa mais centrada e honesta do mundo, acabaria desistindo de tudo ao primeiro risco para seus amigos e familiares, e aqui o cara bota todo mundo na mira e insiste ainda, ou seja, ficou levemente falso nesse quesito, mas nada que seja um grande problema para a trama.

Sobre as atuações, basicamente a trama deixa tudo nas mãos e interpretações de Raúl Arévalo, e o ator tem uma personalidade e trejeitos fortes demais, não sendo um galã ou alguém que chama o filme para si com um carisma marcado, ao ponto que seu Carlos acaba sendo direto demais em tudo, e até parece um imã de azar para as pessoas ao seu redor, mas ao menos fez boas cenas imponentes e acabou agradando de certa forma dentro da proposta total. Além dele o filme usou bastante Candela Peña com sua Ale, que já mais solta do que o protagonista fez muitos trejeitos de todos os tipos possíveis e quase como uma guia intrometida acabou chamando bastante atenção com suas conversas com o protagonista, além claro de ser uma amiga para todas as horas. Dentre os demais, cada um apareceu um pouco e fez suas devidas conexões com os protagonistas, mas nada que fosse extremamente chamativo, tendo um pouco de destaque nas cenas finais de Paulina García com sua Elena, mas sem funcionar muito para o ato geral da trama. 

Visualmente o longa foi bem imponente, com muitas cenas em bairros/cidades africanas extremamente populosas, mostrou festas de políticos regadas as bebidas, música, drogas e dinheiro, carrões, grandes perseguições em telhados, muito tiroteio, e ambientes de todos os tipos (com destaque para a prisão lotada e com situações bem desumanas que vemos muito por aqui também), ao ponto que certamente a equipe de arte teve muito trabalho, e entregou um filme dinâmico de estilos, com boas representações, e que foram bem usadas, apesar de a pasta com documentos ser algo quase que foi colado no corpo do protagonista, pois voava pelos telhados, e a pasta intacta até em meio a tiros.

Enfim, é um filme que até tem bons momentos, mas que não empolga como poderia, nem funciona dentro da proposta, parecendo ser daqueles que foram pensados de uma forma, e depois resolveram expandir a ideia e não reformularam ela completamente para que funcionasse dentro do ideal, e assim o resultado não agrada muito. Não digo que não recomendo a trama, mas também acredito que será bem poucos os que irão se empolgar com tudo do filme. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Nova Ordem Espacial (승리호) (Seungliho) (Space Sweepers)

2/06/2021 01:53:00 AM |

Confesso que quando vi a chamada do longa sul-coreano, "Nova Ordem Espacial", na plataforma da Netflix já coloquei ele na lista tendo quase a certeza de que gostaria do que veria, e não teve jeito, hoje no lançamento já dei play nele mesmo sendo um filme com uma duração longa, mas posso dizer facilmente que os 136 minutos são muito bem usados para mostrar como tudo acabou acontecendo para as pessoas mais ricas estarem saindo da terra (numa clara lembrança a "Elysium", aliás com até o mesmo visual do ambiente aonde as pessoas vão morar!), mostra como o protagonista acabou perdendo sua filha, mostra quem é a garotinha de uma forma bem explicada, e claro sobra muito tempo para todas as batalhas, fugas, e desenvolvimentos, ao ponto que já no final estava pensando claramente que o filme ia para um lado e a reviravolta foi incrível, com direito a uma nova inversão ainda por cima, ou seja, é daqueles recheados de queixos caindo, que agrada na medida certa, emociona, faz com que o público se envolva, e principalmente, não falha na questão dos efeitos visuais, com tudo explodindo, muitos tiros, muita percepção tridimensional, e claro uma produção gigantesca com muitos bons personagens, que funcionam bastante, mesmo alguns soando estranhos. Ou seja, é daqueles filmes para se apaixonar pela essência, e que quem gostar de longas espaciais vai vibrar muito, pois bate bem de frente com as grandes loucuras das grandes franquias do estilo.

A trama se passa no ano de 2092, quando o espaço está cheio de lixo flutuante perigoso, como satélites descartados e espaçonaves desertas. A tripulação do The Victory viaja pelo espaço procurando no lixo o que pode ganhar dinheiro, enquanto também compete com outros navios coletores de lixo de outros países e usa a rapidez de suas embarcações para derrotar seus rivais. Porém quando eles descobrem um robô humanoide chamado Dorothy que é conhecido por ser uma arma de destruição em massa, eles se envolvem em uma grande negociação arriscada.

Diria que o trabalho do diretor Sung-hee Jo foi algo que passou por várias fases, pois no começo vemos um filme dinâmico cheio de ações, conhecemos um pouco os personagens, e logo na sequência somos envolvidos com o carisma da garotinha e todo o mistério em cima de sua personagem, para aí começar novamente toda uma loucura com a negociação e o aparecimento de vilões fortes, para aí voltarmos para toda uma ação desenfreada, e ainda sobrando tempo para nesse miolo todo ser explicado um pouco mais dos protagonistas, ou seja, o diretor não deu nem tempo para respiros e saiu atacando tudo, fazendo com que sua gigantesca produção virasse algo ainda mais imponente por ter uma boa trama e não depender apenas de efeitos. Ou seja, certamente o longa é daqueles filmes que se fosse visto numa sala imensa com toda tecnologia saltaria os olhos para tudo ao redor, mas como caiu dentro de uma pandemia, acertaram também a mão com um tema imponente que é a restauração da natureza e dos valores menosprezados atualmente, e com isso mesmo na tela menor, o resultado acaba funcionando de todas as formas, mostrando que o investimento foi bem gasto, e agrada bastante.

Sobre as atuações, digo que foi o ponto mais crucial para o longa não ser perfeito, pois mesmo todos os protagonistas tendo suas devidas divisões cênicas, praticamente nenhum se entregou de uma forma imponente, ficando quase aberto quem deveria chamar atenção na trama, e assim sendo, Song Joong-Ki até deu um tom bem interessante para seu Tae-ho, mas o personagem oscila de humor demais durante todo o filme, e até mesmo sua história de como chegou naquele ponto da trama é meio jogada e estranha, ou seja, o ator precisava ter passado um pouco mais de emoção nas suas atitudes para parecer desesperado pela filha, para mostrar sua gana por dinheiro, e tudo mais, mas não foi de todo ruim. Já Kim Tae-ri trabalhou com sua Capitã Jang de uma forma bem secundária, sempre pensando e bebendo demais, não dando muito foco em tudo, ou seja, apareceu bem quando precisaram dela, mas para uma protagonista talvez seria melhor chamar mais atenção. Já Seon-kiu Jin se jogou completamente no papel de seu Tiger Park, com cenas fortes, partindo sempre pra pancadaria, e sendo até engraçado ver alguém explosivo com um carisma tão grande pela garotinha, e assim foi um grande acerto na trama, e talvez um pouco mais dele no filme agradaria mais. Agora poderiam ter trabalhado toda a desenvoltura e loucura que vemos no final com o vilão vivido por Richard Armitage em mais partes do filme, pois ele demora demais para explodir, sendo alguém meio que inicialmente calmo demais, depois começa a ir lentamente se voltando, até chegar nos atos finais que já está completamente insano, mas não foi de todo ruim. Ou seja, tivemos bons atores, e bons momentos, mas sem nenhum chamando tanta atenção efetivamente, claro tirando a garotinha que tem um estilo incrível, foi dócil e envolvente com todos, mas que não dá para saber seu nome, afinal os créditos sobem com letras coreanas.

Visualmente a equipe de arte entregou algo digno de Hollywood ficar com uma tremenda inveja, pois são muitas cenas cheias de detalhes, muita computação gráfica de primeiríssima linha, efeitos para todos os gostos e estilos, e ainda contou com boas profundidades, ou seja, com efeitos 3D bem colocados mesmo sem estar passando na tecnologia, ou seja, num bom cinema ficaria incrível de ver também, mas o que mais vale ressaltar, é que conseguiram criar naves de diversos estilos possíveis, colocaram personagens com simbolismos, e claro criaram um paraíso flutuante cheio das nuances, que nem chegou a ser muito trabalhado, mas se mostrou belo e bem criativo, embora lembre bem outros filmes com a mesma temática.

Enfim, é um tremendo filme que como falei só não foi perfeito por alguns erros de explosão e expressão dos protagonistas, mas que não chega a atrapalhar em nada, e que recomendo com toda certeza, pois é daqueles longas que certamente lembraremos muitas vezes quando falarmos de algo do gênero, e que volto a frisar, bate facilmente as principais franquias americanas do estilo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Todos Os Meus Amigos Estão Mortos (Wszyscy Moi Przyjaciele Nie Zyja) (All My Friends Are Dead)

2/05/2021 12:50:00 AM |

Olha, já vi muitos filmes malucos, e na maioria das vezes não fiquei feliz com o resultado, mas hoje com o longa polonês da Netflix, "Todos Os Meus Amigos Estão Mortos", a diversão foi bem garantida do começo ao fim numa loucura completamente insana de final de ano. Ou seja, é daqueles filmes que você não consegue acreditar em nada do que os roteiristas colocaram na tela, começando com uma cena monstruosa de uma chacina imensa, e fica se perguntando da mesma forma que os detetives como tudo aquilo ocorreu, aí voltam para nos mostrar, e a loucura é ainda pior como tudo acabou rolando, lembrando até um pouco o longa americano "É o Fim", mas com uma proposta bem diferente, e que quem gosta de filmes cheios de atitudes malucas vai se divertir demais com tudo. Não diria que é um filme que vamos lembrar por uma qualidade irretocável, mas é tão bacana as finalizações, que vale passar o tempo assistido.

A sinopse nos conta que durante uma festa de Réveillon de um grupo de amigos, uma série de eventos malucos traz à tona segredos, quebra de corações, e tudo leva a um final chocante.

Sempre falo que é difícil um diretor conseguir acertar a mão num primeiro filme, mas se tem um estilo que isso pode funcionar é a comédia insana sem pensar em nada, e foi exatamente isso o que Jan Belcl acabou fazendo, pois aqui tudo pode soar forçado, mas essa é a proposta da trama que vai de conversas totalmente sem noção alguma a filosofias de realidades paralelas (aliás para quem não entender o fechamento da trama é exatamente usando isso!), e isso é tão bizarro, que quando começa toda a confusão o resultado é ainda mais maluco de pensar, porém vale a conferida, e mostra que o diretor se aprimorado vai conseguir trazer grandes loucuras para a tela, então vale a pena guardar seu nome.

Sobre as atuações é difícil falar sobre cada um individualmente, pois a trama não tem muita base em cima de quase nenhum personagem, tendo destaque claro para os dois que começam a confusão e vão piorando com tudo o que acaba sendo descoberto e virando a loucura toda, que é Julia Wieniawa-Narkiewicz com sua Anastazja (aliás a atriz está em quase todos os longas poloneses da Netflix), e Mateusz Wieclawek com seu Filip, mas todos se entregaram bem para seus personagens, tendo todo o tipo de segredo revelado, todo tipo de loucura sexual rolando, e claro que com muita droga, bebida e confusão em casa cheia, tudo vira uma bagunça completa, valendo prestar atenção em cada bizarrice possível, até mesmo dos que mais parecem apenas figurantes.

Diria que a equipe de arte teve uma trabalheira imensa para montar o massacre final com muita maquiagem, uma bagunça completa na sala com muita coisa quebrada, sangue pra todo lado, água e tudo mais, mas além disso tiveram de compor muitos detalhes cênicos para toda a festa com bebida, jogos, pista de DJ, além dos quartos de cima com cenas de transas, todo o visual de arma, pele de urso e tudo mais que o diretor/roteirista pensou para que seu filme tivesse tudo e mais um pouco, ou seja, é daqueles filmes com tantos detalhes que nem vendo duas vezes você consegue identificar tudo o que tem em cena, além claro dos personagens aleatórios sempre aparecendo em cantos com fogueira, música e tudo mais, ou seja, uma loucura.

Enfim, é um bom filme que passa longe de ser perfeito, afinal tem muito besteirol e cenas sem nexo algum, mas é tudo tão divertido e bem amarrado dentro da ideia toda que acaba sendo algo que dá para curtir e assistir de uma forma despretensiosa, e assim sendo acabo recomendando ele com certeza. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Em Busca de 'Ohana (Finding 'Ohana)

2/03/2021 01:19:00 AM |

Costumo dizer que se uma trama adolescente se encaixa bem dentro da proposta, não querendo soar algo sério ou então uma comédia boba, o resultado flui que é uma beleza e acaba divertindo a todos que embarcarem na proposta, e com o lançamento havaiano da semana na Netflix, "Em Busca de 'Ohana", vemos algo bem gostoso de conferir, que entrega boas sacadas, uma caça ao tesouro bem trabalhada, e jovens bem dispostos a se entregar para um filme simples e bem feito, que acaba divertindo e passando bem rápido com algo que certamente vale o passatempo num fim de tarde. Ou seja, não é um filme incrível que você irá ver e se impressionar pelos detalhes, mas é tão bem desenvolvido que o resultado é agradável, consegue funcionar do começo ao fim, e até mesmo nos momentos mais exagerados vemos boas dinâmicas interessantes para se divertir e rir das situações que os jovens atores entregam, mas quanto da ala mais adulta da trama diria que os momentos foram meio forçados demais para tentar algo dramático, e ali por bem pouco o filme não se perde. 

A sinopse nos conta que um verão na paisagem rural da ilha de Oahu transforma-se numa emocionante aventura quando um diário lança dois irmãos criados em Brooklyn numa épica caça ao tesouro. Na companhia dos seus novos amigos, os dois acabam também por redescobrir as suas origens havaianas.

Após fazer muitas séries, a diretora Jude Weng encarou seu primeiro longa com muita disposição para não entregar algo bobinho demais que apenas as crianças mais jovens seriam cativadas, mas sim um filme familiar completo aonde cada um enxergaria uma posição mais vivenciada, traria toda a sina de brigas e amores de irmãos, uma aventura bacana em busca de um tesouro, e claro todo o desenrolar de filmes com jovens que sabemos que acaba acontecendo, ou seja, é um grande acerto para um primeiro trabalho num longa-metragem, porém por ter feito muitas séries, a jovem diretora esqueceu que aqui precisaria de um pouco mais de síntese, e sendo assim o filme até poderia ser mais enxuto com uns 20 minutos a menos de apresentações, e assim o resultado empolgaria até mais, e continuaria bem divertido, mas é a vida, e nem sempre rola como queremos, então vamos considerar o resultado como algo funcional que poderia ter ido além, mas que vale a conferida, e que certamente no seu próximo trabalho veremos algo ainda mais bem feito.

Sobre as atuações, não tivemos nenhum grande nome para chamar atenção, mas diria que todos os jovens conseguiram aparecer bem e fazer boas cenas, e começando com a jovem ligada no 220, Kea Peahu em seu primeiro filme foi cheia de trejeitos com sua Pili, brincou bastante em cena, e mesmo não sendo alguém que tenha explodido, o resultado dela acaba agradando bastante. Alex Aiono acabou exagerando um pouco nos trejeitos de seu Ioane, mas sendo também seu primeiro longa-metragem foi bem dinâmico e conseguiu ser o tradicional irmão que acaba brigando bastante, mas sempre protege a irmã, ou seja, o ator fez bem seu papel. Lindsay Watson também estreou na tela, mas com sua voz certamente em breve veremos ela chamando muito mais atenção do que o que fez aqui com sua Hana, pois a jovem atriz tem estilo, teve uma boa presença, e ainda cantou bem, ou seja, vai aparecer com certeza. Por mais engraçado que possa parecer, o garotinho Owen Vaccaro é o mais experiente em cena, com vários longas já na breve carreira, e aqui seu Carter embora tenha alguns semblantes tristes demais, acabou se divertindo bastante e trabalhando suas cenas para ter bons momentos, e ao final acabamos bem conectados com suas atitudes, o que é bacana de ver. Já a turma adulta acabou se segurando demais, e fazendo drama demais para um filme divertido de aventura, ao ponto que poderiam até ter eliminado diversas cenas do avô vivido por Branscombe Richmond e da mãe vivida por Kelly Hu, mas aí talvez o filme ficasse um pouco jogado demais, mas rasparam a trave de estragar o longa. Já os piratas fizeram boas caretas com as vozes das crianças, mas nada demais também para dar qualquer destaque para algum dos atores.

Visualmente o longa foi bem trabalhado no Havaí, com cenas em locações que já vimos em muitos filmes (e fazem questão de falar isso), mas além de cenários ambientados bem colocados, todas as cenas dentro da montanha criando ares bem estilo "Indiana Jones" resultaram em momentos bem trabalhados, não parecendo ser tão computacionais, e isso acabou agradando bastante, e mostrando que a equipe de arte estava bem preparada para tudo o que a diretora tinha em mente.

Enfim, é um bom filme, que funciona bastante dentro da proposta, e que mesmo sendo levemente alongado (123 minutos - com 100 seria perfeito) não cansa e ainda diverte bastante, ou seja, fui preparado para ver algo bem infantil e me empolguei bastante com os diversos momentos, lembrando filmes que vi na infância e que funcionam ainda, ou seja, pode conferir tranquilamente que não vai ser nada exageradamente bobo, e indico com certeza. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Guerra de Algodão

2/01/2021 10:39:00 PM |

Sempre que falamos do cinema nacional vem aquela sensação de que não chegamos falando de um drama, de um romance ou de uma comédia em si, já vem colocado como cinema nacional e aí muitas reclamações em cima por não ampliar o ambiente, porém alguns filmes nacionais são realmente cinema de gênero e dá para classificar ele bem colocado em algum estilo, enquanto outros floreiam por tantos elementos que acabam virando uma bagunça completa que sempre recai para algo filosófico e que até consegue envolver, mas não atinge o grande objetivo. Dito isso, a trama de "Guerra de Algodão" até poderia ter ido muito além para mostrar as censuras sofridas por alguns artistas no passado, que acabaram largando suas carreiras por viverem em cidades provincianas que não gostavam dos seus jeitos com as coisas, de famílias que abandonavam eles por algum tipo de vergonha, e tudo mais, mas optou por jogar com a ideia de um desencontro familiar aonde a jovem tenta reconhecer quem é sua avó, o que é a cultura brasileira após anos vivendo fora do país, tentando saber se realmente não é uma gringa, e com cenas abertas demais o resultado não atinge nem um ponto, nem outro, cansando mais do que envolvendo. Ou seja, não é um filme ruim, muito pelo contrário, é bonito ver toda a essência e toda a desenvoltura das cenas, mas não conseguindo ir muito além o que vemos na tela acaba sendo um filme leve demais, que falha por não dar a cara para bater, e isso é um pouco decepcionante.

A trama acompanha Dora, uma adolescente criada na Alemanha que volta ao Brasil contra sua vontade. Quando passa a morar com sua misteriosa avó em Salvador, Dora começa a descobrir a história por trás das mulheres de sua família.

Diria que os diretores Marília Hughes Guerreiro e Cláudio Marques foram coesos no que desejavam passar e até homenagearam bem o período inicial das artes soteropolitanas, pra não dizer brasileiras como um modo geral, aonde muitos artistas até hoje são criticados pela escolha da profissão, pela forma mesmo que implícita de alguns casos aonde a arte acaba ficando em segundo plano e tudo mais, porém faltou para eles apontar o dedo e ir direto na casca da ferida para que isso ficasse forte, pois a ideia de uma formação artística de base para a neta não funciona bem, pois a jovem até começa a se interessar, tem toda a dramaticidade por estar na casa de alguém que nunca sequer viu, tem a mudança de cultura e tudo mais, mas não encaixa com um ferro direto e certeiro, sendo apenas algo aberto demais, que acaba conflitando com a outra ponta e não chegando a lugar algum. Ou seja, é um filme com duas propostas bem amplas para serem discutidas, e isso é algo que critico sem dó em muitos longas nacionais, de não escolher algo para discutir e querer abranger muitas vertentes e acabar não abrangendo nenhuma, e aqui isso pesou para que o filme infelizmente não decolasse, mesmo sendo algo bonito por tudo o que foi colocado em pauta, mas simples demais para chegar mais longe.

Sobre as atuações é engraçado que nenhuma das artistas tentou chamar a responsabilidade cênica para si, tanto que Dora Goritzki trabalhou trejeitos tristes em quase todos os seus momentos, fez alguns atos mais fortes e bem dramatizados, mas não se soltou para a trama, não se impôs nas formas que o filme pedia, e assim sua personagem é quase algo abstrato demais para com o filme, e assim não atinge muito do que poderia ir além. Thaia Perez trouxe para sua Maria alguém misteriosa demais, não se soltando nem para a neta, ao ponto que não condiz com uma artista, afinal como sabemos artistas são mais desinibidos, e aqui inclusive temos uma cena de nudez da personagem, a vemos dançando para o vento e tudo mais, mas não chega na garota para contar quem é ela, não tem meio segundo de bate papo, e mesmo que a garota não quisesse ouvir, ou ignorasse sua presença, ao menos o filme fluiria sem precisar de apenas papeis, cartas e recortes, ou seja, faltou uma atitude da personagem também. Já Thaila Lima foi a responsável por abrir um pouco a cabeça da protagonista, mostrar a cultura negra do país, dar as nuances de vida tanto para sua personagem, quanto para que a protagonista conhecesse e vivenciasse algo a mais, e assim temos boas nuances de sua personagem, e se resultado acaba agradando bastante.

Visualmente o longa foi bem interessante por não usar de lugares tão tradicionais de Salvador, que vemos em tantos outros filmes, novelas e afins, colocando uma casa bem simbólica com diversos elementos cênicos representativos da vida da avó, mostrando filmes e peças que fez, entregando figurinos, cartas e tudo mais que fosse marcante para o período e claro para dar as nuances que mostrassem o motivo de tanto isolamento da personagem, temos ainda cenas com capoeira num parque, a famosa festa de Iemanjá com as pessoas levando flores e oferendas em alto-mar para a divindade, temos cenas para mostrar bem a periferia e os contrapontos culturais que o filme tanto preza, e ainda coloca em pauta um teatro maravilhoso abandonado que soa incrível para a proposta do filme. Ou seja, temos um pouco de tudo na trama, e a direção de arte foi condizendo com o que o texto pedia, deixando claro que o problema dos erros do longa não foi culpa deles, mas sim de não usarem tudo o que poderiam.

Enfim, é um filme que tem uma boa proposta, tem toda a representação simbólica colocada na mesa, mas que por ir para tantos rumos acaba não indo para nenhum, e assim o resultado não empolga, nem emociona como poderia. Ou seja, diria que até recomendo o longa pela essência, mas tenho muita certeza que muitos não se envolverão como o filme desejava, e assim sendo vão mais reclamar do que ficar felizes com tudo. O filme está na Netflix, junto com vários outros que a Vitrine Filmes colocou após irem bem em festivais, mas acabarem não sendo bem lançados propriamente em muitas salas pelo país, então fica a dica para aproveitarem todos, afinal sempre é bom valorizar o cinema nacional. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Justiça Brutal (Dragged Across Concrete)

1/31/2021 09:34:00 PM |

É interessante observar o quanto "Justiça Brutal", que entrou em cartaz na Amazon Prime Video nesse final de semana, lembra os longas policiais dos anos 80/90, aonde policiais corruptos acabavam entrando no mundo do crime para arrebatar um extra, e acabavam sofrendo as consequências de algo insano, e aqui a trama trabalhou tantas situações para serem imponentes que ficamos pensando até onde vai a justiça brutal que o nome tanto coloca, ao ponto de tudo ser violento e questionativo, mas bem funcional. Ou seja, é daqueles filmes que tudo pode ser um agravante para as cenas mostradas, mas que certamente funcionaria bem também com pelo menos uns 30 minutos a menos, pois com 159 minutos alongaram algumas situações desnecessárias, e mesmo o ritmo lento sendo algo importante para o filme, o resultado acabaria sendo mais dinâmico e imponente. E sendo assim, não digo que não gostei do que vi, muito pelo contrário, me vi vendo os filmes nas noites de domingo nas férias quando garoto, que tinha tiros para todos os lados, cenas bizarras acontecendo, e tudo mais, mas que certamente um pouco mais de atitude na edição resultaria um filme ainda mais forte e direto na mensagem.

A sinopse nos conta que i veterano policial Brett Ridgeman e seu parceiro mais jovem e volátil, Anthony Lurasetti, são suspensos quando um vídeo de suas táticas de trabalho brutais vira notícia. Sem dinheiro e sem opções, eles decidem entrar para o mundo do crime. Porém, o que eles encontram na criminalidade é algo muito mais obscuro do que esperavam.

Diria que o diretor e roteirista S. Craig Zahler fez de seu filme uma obra completa e direta de atitudes, aonde soube desenvolver cada ato separado e bem trabalhado de cada um dos personagens, ao ponto que vemos tudo acontecer e não precisar de respostas para nenhum dos momentos da trama, porém, faltou para ele sintetizar tudo o que filmou em algo mais dinâmico e envolvente, pois vamos acompanhando tudo acontecer e por diversas vezes ficamos esperando um algo a mais na cena. Ou seja, é um filme bem interessante de proposta, bem ousado pelas cenas violentas, e com uma trama bem amarrada com uma história completa, porém faltou aquele detalhe que fizesse o filme ir além (apesar do final ser bem bacana), pois ficou muito preso na investigação, muitos momentos enrolando para cada situação, e com isso o longa ficou lento demais, e embora isso seja algo interessante dentro da proposta, para dar o clima realmente de uma investigação fora da lei, tudo com mais dinâmica acabaria explosivo, cheio de nuances, tiros e tudo mais, que resultaria mais em um filme de ação policial do que um drama policial, e isso é algo que é de gosto do público, mas que de qualquer forma agrada pelo resultado final.

Sobre as atuações, é até engraçado ver o jeito canastrão que Mel Gibson entregou para seu Brett Ridgeman, de forma que o personagem parece um estatístico ambulante com seus percentuais para tudo, e com uma desenvoltura meio seca e direta ficou parecendo que estava ali apenas por estar, não dando grandes nuances que um ator menos imponente conseguiria dar para o papel, ou seja, não é um personagem ruim, nem uma atuação ruim dele, mas não combinou muito. Já Vince Vaughn tem uma personalidade mais fanfarrona sempre em seus personagens, e aqui seu Anthony tem dúvidas demais do que fazer, e isso não é algo comum em um detetive, ou seja, talvez pudesse ir mais além com o papel, porém deu um tom cômico gostoso para o personagem, e assim o resultado acaba agradando ao menos. Tory Kittles deu um estilo bem marcado para seu Henry, colocando tanto força explosiva em algumas ações, como boas sacadas em trejeitos e falas, ao ponto que não imaginava um final assim para seu personagem, mas acabou sendo bacana de ver. Quanto aos demais personagens, tivemos algumas boas cenas de Michael Jai White com seu Biscuit, e até deram uma certa importância para a personagem de Jennifer Carpenter com sua Kelly, por infelizmente não seguir seu instinto maternal, mas nada que seja alguém imponente na trama, quanto do restante, até tentaram aparecer, tiveram algumas cenas chamativas, mas sem explosões nem atitudes que ficassem marcadas, e mesmo a família do policial com toda a dramaticidade de uma doença e de ataques apenas serviu para dar o mote para o envolvimento do policial.

Visualmente o longa é cheio de nuances de todos os tipos possíveis, com conversas sobre cafés da manhã e locais para ir comer, tivemos boas cenas de perseguição com altas discussões dentro do carro, boas cenas de assalto tanto em banco quanto em locais menores para arrumar dinheiro, e claro tivemos uma cena impressionante de briga entre os policiais e os sequestradores num ambiente cênico propício quase para um duelo de faroeste, com muitos tiros, muitos momentos marcantes, e que claro a equipe de arte trabalhou cheia de símbolos para representar tudo, dando um final perfeito para a trama. Ou seja, é daqueles longas que tudo é bem entregue pela equipe de arte, seja uma arma diferente, um carro pronto para tiros de todos os lados, uma maquiagem para mudar os personagens, alguns personagens sem rostos apenas mascarados e sem alma, e que junto da equipe de fotografia souberam criar muitas sombras e cenas densas para dar o tom correto para o filme não ficar cansativo mesmo sendo bem alongado.

Enfim, é um filmão daqueles que quem gosta de tramas policiais envolventes nem vai ligar tanto para a duração, mas que volto a frisar que se fosse melhor montado com uns 30-40 minutos a menos seria explosivo, dinâmico e certamente acabaria virando um clássico policial daqueles que todos citariam quando pensassem numa trama do estilo, e sendo assim por todas essas qualidades, ainda recomendo ele com certeza. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - A Escavação (The Dig)

1/30/2021 07:56:00 PM |

Filmes com conteúdos reais e históricos sempre são uma boa pedida para quem gosta de algo envolvente, que até soe calmo demais, mas que juntando toda a proposta bonita de algo acabe resultando num final emotivo e funcional para todos. Dito isso, nesse final de semana estreou um belo exemplar desse estilo na Netflix, "A Escavação", que mostra ao mesmo tempo a ideologia do viver pensando no momento, no que vai deixar para o futuro, além da paixão por encontrar com o passado, tudo isso ocorrendo nas vésperas da II Guerra Mundial, aonde ninguém sabia o que iria ocorrer. Ou seja, é uma história real envolvente sobre uma escavação arqueológica, aonde foi descoberto grandes tesouros do passado que estão expostos hoje num museu, mas que com um brilhantismo no olhar e grandiosas atuações, o filme ainda consegue ir muito além de apenas uma busca por tesouros, mas sim um encontro de vidas, de vontades, e principalmente de vocações e emoções, que consegue ser envolvente do começo ao fim, fazendo com que nos apaixonássemos pelos personagens e torcêssemos para que tudo acontecesse muito bem, o que claro nunca acontece em filmes. Diria que é um filme que muitos talvez achem até lento dentro das dinâmicas escolhidas, mas tudo é funcional, e esse envolvimento mais lento é cativante e emocionante de ver, valendo pelo resultado final bem trabalhado.

A sinopse nos conta que às vésperas da Segunda Guerra Mundial, uma rica viúva contrata um arqueólogo amador para escavar sepultamentos ancestrais em sua propriedade. Ao fazerem uma descoberta histórica, os ecos do passado ressoam em um futuro de incertezas.

O diretor Simon Stone foi bem preciso com tudo o que desejava passar em sua trama, pois sendo uma trama baseada em um livro, que já tinha criado uma ficção em cima de uma história real, nem poderia inventar muita coisa, mas ainda assim foi envolvente na medida, trabalhou cada elemento com boas propostas, e principalmente desenvolveu cada ato com personalidade, para que todos os personagens tivessem uma boa participação, que toda a história fosse bem contada, que o envolvimento na guerra fosse sentido, e que tudo fluísse em volta da escavação, passando a mensagem do viver e deixar sua mensagem para ser lembrada no futuro. Ou seja, o diretor foi preciso no estilo, foi coerente na ambientação de uma escavação bem rústica na época, e ainda conseguiu colocar a doença em pauta, os sentimentos das pessoas, e muito mais em um único filme, ao ponto que a trama tem apenas 112 minutos, mas tem tanto conteúdo que se o longa parecesse acelerado seria aceitável, mas não ocorre isso, sendo tudo muito bem preparado, mostrado e desenvolvido sem correr, nem cansar.

Sobre as atuações temos de ser muito coerentes em ver e aplaudir todo o sentimento passado pelos protagonistas, pois Ralph Fiennes se entregou de corpo e alma para seu Basil Brown, mostrando um personagem rústico de trabalho, mas culto de essência, com doçura nas palavras, um preparo incrível para cada momento, e principalmente sabendo dosar cada elemento da trama para que seu personagem fosse marcante na época e na tela, ou seja, foi muito bem em tudo. Da mesma forma Carey Mulligan trabalhou sua Edith Pretty com estilo, passando muito o sentimento de dor de sua doença, mas sempre disposta a encorajar o protagonista na busca de algo na escavação, trabalhando olhares clássicos de uma pessoa bem rica, mas sendo doce com cada envolvimento passado, e agradando muito com isso, ou seja, caiu muito bem no papel. Tivemos também bons momentos com o garotinho vivido por Archie Barnes de modo que seu Robert foi direto e doce no envolvimento com os protagonistas, agradando bastante em tudo. Johnny Flynn trabalhou bem seu Rory, simbolizando o jovem que tem vontade para tudo, que soube captar com uma câmera todo o envolvimento do processo, e principalmente passar a emoção que muitos desejavam ir para a guerra, mas também tinham muito medo de tudo o que poderia ocorrer, e ainda por cima colocaram atos românticos para ele, o que deu um chamado a mais para o personagem. Lily James consegue chamar atenção até mesmo em uma personagem bem secundária, e aqui sua Peggy foi bem trabalhada, representou bem o famoso casamento que não funciona, e claro a paixão pela profissão que pegou dos pais, dando nuances belas de envolvimento com a trama, e claro com tudo o que acaba acontecendo, sendo um belo acerto. Dentre os demais, não tivemos muitas surpresas, mas todos foram bem representativos nos seus atos, tendo um leve destaque para a arrogância do personagem do arqueólogo Charles Phillips vivido muito bem por Ken Stott.

Visualmente o longa foi bem desenvolvido também, com uma casa de campo bonita que mostrava bem a riqueza da protagonista com seus vários criados, diversos figurinos chiques, toda a equipe de escavação trabalhando em meio a muita terra e lama, lonas cobrindo alguns momentos, e claro toda a elite bem vestida numa festa campal, além de muito simbolismo da guerra, com testes de apagão com as pessoas no bar bebendo, muitas notícias via rádio, aviões sobrevoando a todo momento, ou seja, uma trama devidamente rica de detalhes que acaba chamando atenção tanto pela construção de época quanto pelo envolvimento que passa com tudo.

Enfim, um ótimo filme que funciona demais dentro da proposta, que talvez até chame a atenção de alguma premiação, e que certamente agradará quem gosta de filmes históricos, e sendo assim recomendo ele com toda certeza, mesmo não sendo perfeito, pois talvez um pouco mais de cenas fortes, como acabou ocorrendo no começo, mais para o final acabaria ainda mais intenso o longa. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Abaixo de Zero (Bajocero) (Below Zero)

1/30/2021 01:39:00 AM |

O bom do cinema espanhol é que ele não se vê preso em poucos gêneros e gosta de sair misturando um pouco de tudo em suas tramas, ao ponto que vamos ver um filme de ação na neve, já colocam um drama, senão puxam alguma pitada cômica, encaixam algumas cenas de terror, e saem felizes e sorridentes com o resultado completo, e isso é bacana de ver por conseguirem esse feitio sem se perderem tanto, pois já vimos outros países que tentam essas loucuras e saímos da sessão sem entender nada do que vimos, o que raramente acontece com os espanhóis, pois isso é quase uma obrigação que você entenda tudo o que queriam mostrar, nem que tenham que desenhar no final. Dito isso, o lançamento da semana da Netflix, "Abaixo de Zero" é imponente pela desenvoltura de mistério colocado do começo ao fim, que quase que morre todo mundo e não ficamos sabendo o real motivo do personagem fora do caminhão da polícia querer matar todo mundo (ou alguém que esteja lá dentro), e que usando de tensão com muita ação, além de um frio tremendo, o resultado vai causando toda uma reviravolta tremenda, que ao final já estamos até com raiva de todo o jeito certinho do protagonista (até ele resolver a parada!). Ou seja, é um filme intenso e bem marcante, que até poderia ter ido mais além em alguns traquejos do percurso, pois em determinado momento o filme amorna demais, mas o resultado final agrada e faz valer todo o restante, mesmo que não seja daqueles filmes que a surpresa fizesse nosso queixo cair no chão.

A sinopse nos conta que no meio da noite, durante uma transferência de presos, um caminhão da prisão que transportava condenados é assaltado. O motorista então (Javier Gutiérrez) terá de se defender de quem está dentro e fora se quiser sair vivo.

Diria que o roteiro de Fernando Navarro tinha até mais nuances para serem trabalhadas do que o diretor Lluís Quílez acabou desenvolvendo, pois o filme começa com algo que nem chega a ser usado sobre a família do protagonista, pois do nada na cena seguinte ele já chega na delegacia e a família desaparece da história, e além disso, no miolo da trama tudo poderia ser mais intenso, as cenas causaram uma dramaticidade maior, vermos talvez cenas do passado para chamar atenção com tudo o que aconteceu, ver um pouco mais de brigas entre os detentos e o motorista, pois tudo acaba ficando intenso, e parece que desliga, para somente após a corrida entre os carros esquentar novamente, ou seja, o diretor não soube segurar a tensão necessária para que o filme convencesse completamente, e mesmo o resultado final tendo sido bem interessante, pareceu que faltou muita coisa na execução final. 

Sobre as atuações, já estamos acostumados com o estilão meio sério de Javier Gutiérrez, e aqui ele trabalha bem, mas não se impõe como poderia, e sendo o protagonista da trama acaba ficando em segundo plano em diversos momentos, o que é ruim de ver, mas seu Martin ao menos demonstrou um estilo de policiais centrados, que defendem até o último momento o correto das leis, e se talvez o diretor trabalhasse um pouco melhor seu personagem até apareceria mais, mas acabou ficando estranho. Já Karra Elejalde é daqueles atores que podem aparecer 10 minutos em um filme que já faz tudo se voltar para ele, e aqui seu Miguel é daqueles que querem vingança a qualquer preço, e que vai fazer de tudo para descobrir o que quer, ao ponto que vemos o ator se destacando demais em todas as suas cenas, e com poucos trejeitos marcando o território totalmente. Isak Férriz já puxou para o lado do policial que arruma tretas e brigas com seu Montesinos, fazendo cenas irregulares, dando nuances fortes e briguentas, e até se destacando em vários momentos, porém sua volta a cena após o roubo do caminhão foi meio jogada demais, mas como estamos acostumados com essas gafes em filmes de ação, está valendo tudo mesmo. Quanto dos presidiários, todos tentaram aparecer um pouco, alguns com poucas cenas e desenvolvimentos, cada um com sua história própria, mas acabam se destacando Luis Callejo com seu Ramis cheio de artimanhas, que fala demais e até se impõe bem, quase superando até o protagonista, e Patrick Criado com seu Nano por ser o objetivo do vingador, e assim o jovem acaba fazendo muitas loucuras, se desespera em diversos atos, e entrega boas cenas, valendo se mostrar com vontade de atuar.

Visualmente o longa é quase um road-movie se visto de fora do caminhão que vai passando por florestas cheias de névoas, estradas bem vazias, tendo um carro apenas passando entre a viatura e o caminhão, um animal no meio da floresta, e claro o lago e a cidadela destruída no final, mas se visto por dentro do caminhão vemos pequenas celas, vários elementos cênicos que serão utilizados na tentativa de fuga, e claro o ambiente prisional, aonde vemos o processo de revista e tudo mais, ou seja, é um filme que provavelmente nem foi filmado realmente dentro de um caminhão, mas conseguiram ambientar tudo muito bem para que todas as cenas fossem dinâmicas e funcionais, agradando tanto pelo ambiente em si, quanto pelos atos feitos. Além disso, tivemos bons figurinos de inverno, muitas cenas que passaram bem a sensação de frio, e claro que isso ajudou a dar o clima da trama junto de uma boa fotografia sob neblina e no escuro da floresta.

Enfim, é um filme interessante, mas que teve algumas falhas graves no desenrolar, pois amornou demais no miolo, e faltou um pouco mais de história para que tudo o que ocorre convencesse melhor, mas vale pela boa ação e claro pelas boas dinâmicas que o cinema espanhol sempre nos permeia, então quem gostar do estilo pode dar o play tranquilamente que vai ser um bom passatempo, e até vai dar uma certa tensão em alguns momentos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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