Eu Sou Femen (Je Suis Femen)

7/08/2015 01:12:00 AM |

Antes de mais nada, já vou avisando que não vou entrar no mérito de ser a favor ou contra a causa que as moças tanto defendem no longa, pois não quero criar um ambiente politizado nos comentários do post, portanto aqui vou defender e argumentar somente sobre a questão cinematográfica que o documentário "Eu Sou Femen" trabalhou em seus 95 minutos de duração. E sabiamente, logo de cara o diretor já nos assusta com uma introdução quase que jornalística, o que fez com que esse Coelho que vos digita já ficasse com os dois pés atrás, afinal já disse uma vez que sou contra documentários jornalísticos no estilo Globo Repórter e afins, aonde só noticiam os acontecimentos sem entrar em detalhamento de personagem e causa, porém é apenas uma abertura e com o andamento da trama, mesmo que discordando do estilo de alguns protesto que elas fazem, o resultado da trama consegue mostrar bem suas causas e seu modo de viver, que como uma delas acaba falando em um depoimento, é literalmente uma tentativa de suicídio, que certamente elas vão morrer, sumir da face da Terra e tudo mais, mas que não espera ver o resultado agora logo de cara, e sim que um dia possa ter servido para conscientizar outros a não aceitarem tudo como é dito e levantarem contra algo.

O documentário nos mostra que Oksana Shachko é uma mulher, uma ativista e uma artista. Quando adolescente, seu fascínio pela pintura religiosa levou-a a considerar seriamente a possibilidade de entrar para um convento, mas finalmente ela usou seu talento para criar e promover o movimento Femen. Entre a necessidade de criar e o desejo de mudar o mundo, Oksana confundiu o famoso grupo de mulheres ativistas, que a levou da sua Ucrânia natal para todos os cantos da Europa.

É interessante observar o trabalho que o diretor Alain Margot fez ao colocar a protagonista como vértice do enredo completo que a trama poderia desenvolver, e ir temperando todos os demais acontecimentos com as nuances da história dela, e isso funcionou muito bem para que o filme não ficasse nem cansativo, nem forçado demais em favor da causa. Outro grande ponto foi a equipe ter trabalhado bem nas captações, evitando ter muita imagem de arquivo, o que daria um ar estranho para o filme e incitaria mais ainda o temor de ver alguma cena mais impactante, claro que a todo momento pela ousadia das mulheres, ficamos apreensivos de saber que podem ser presas ou sofrer algo mais forte, mas até que pegaram leve nas prisões dela, pois num país aonde a polícia fosse mais imprudente, elas certamente não brincariam tanto com fogo como fazem nos diversos momentos que foram mostrados.

Ou seja, a história contada foi bem desenvolvida e de certa forma acabamos até que torcendo para que elas consigam o que querem, mas de certa maneira sua causa só fica evidente pelo excesso de mídia em cima, e claro por elas fazerem o topless, pois apenas fazer o barulho, diversos outras causas fazem, mas acabam sumindo e nem sendo tão divulgadas como as delas, além do que é dito no filme, que quem mais financia elas, além dos produtos que vendem, é a própria mídia jornalística, então pros jornais, pagar elas para aparecerem e marcarem é algo que o diretor poderia ter ocultado, principalmente que em determinado momento elas foram protestar contra as pessoas que o governo compra para protestar, e nessa fala, elas mostraram que também são financiadas por alguém.

Enfim, cada um certamente vai ter sua própria opinião sobre o que é ou o que não é válido nas formas de protesto do grupo, e assim como a maioria dos diretores de filmes artísticos, vou deixar a minha em aberto para não criar conflito (e olha que eu sou um dos que mais odeiam esses diretores que largam o filme em aberto), mas como falei no começo, analisando a técnica do longa tenho certamente que recomendar ele para todos que gostam de ver um bom documentário, bem filmado, editado e pontuado na forma crítica aberta em prol de discussões. Portanto, quem tiver oportunidade, fica a dica. Bem é isso pessoal, encerro por aqui essa semana cinematográfica, mas volto na Quinta com as estreias da próxima semana, então abraços e até breve.


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Electroboy

7/05/2015 08:34:00 PM |

O gênero documentário ultimamente tem aberto algumas brechas para um estilo não tão novo, mas que vem tomando um rumo não muito legal de acompanhar que é o dos realities sobre personalidades, aonde algumas pessoas acabam falando sobre sua vida, o que aconteceu durante certa fase, e acrescentam depoimentos de conhecidos, familiares, e por aí se molda quase que uma biografia homenageada em vida para a pessoa. Mas aí entro com o seguinte questionamento, até que ponto o narcisismo de alguém encomendar um filme desse estilo vai agradar ao público pagante de uma sessão de cinema? Claro que algumas personalidades possuem muitos fãs, e estes vão lotar sessões para saber um pouco mais sobre a vida da pessoa, mas e quando esse alguém você nunca ouviu falar, e sua história não passa de algumas maluquices vividas com diversas pessoas loucas ao seu redor, com a família ainda rumando ao precipício? Quem tiver as respostas desses questionamentos sem ser o enorme e repetitivo "inútil" ou "fútil", por favor me fale, pois o que vi hoje em "Electroboy" só me vem essas palavras para representar o sono que me deu ao saber do jovem bonito que ao se formar professor decidiu querer ir para Hollywood, inventar algumas mentiras junto de um professor seu que se passou por agente, para tentar alguns testes, virar modelo, ter surto de pânico e não fazer mais praticamente nada, criando algumas festas malucas e botar um drama familiar antecessor ao seu nascimento como pauta para um conflito no filme que fala de si, e ainda por cima mostra ele duas vezes limpando a bunda de seu cachorro (que maravilha!!!).

O filme nos mostra que você pode conseguir tudo o que quiser realmente. Se há alguém a quem essa máxima se aplica perfeitamente, essa pessoa é Florian Burkhardt. Ele conquistou tudo que quiser e no documentário é contado a história verdadeira de um jovem que deixa seu claustrofóbico ambiente suíço e ganha o mundo em busca de fama e reconhecimento. Florian vive sucessivas histórias de sucesso, reinventando-se a cada instante, mudando de lugar e de carreira como quem troca de roupa. Esse frenesi, no entanto, revela-se uma fuga da própria biografia, que inevitavelmente acabará por alcançá-lo.

É difícil falar de técnica nesse estilo de filme, pois não somos colocados à confrontar nossos conhecimentos, e muito menos vemos os entrevistados instigados à falar algo contundente sobre o protagonista da trama, pois como fica claro quase que durante toda a exibição e depois é confirmado em uma das últimas cenas, o longa foi completamente encomendado pelo protagonista, e assim a edição mesmo que deixe algumas alfinetadas no ar, o restante é colocado somente para que o narcisismo e o ego de Florian fique ainda mais elevado e ressalte ainda mais o que a sinopse nos entrega, que ele consegue tudo o que quer. E por mais incrível que pareça, o documentário ainda conseguiu ganhar alguns prêmios na Suíça, o que não é possível crer de forma alguma em algo imparcial e cansativo, pois confesso que olhei para o relógio umas três vezes para saber se faltava muito para acabar, e principalmente para não dormir com o que passava na tela (por sorte as cadeiras do SESC não são confortáveis, senão era certeza de apagar!).

Não posso falar que Florian é alguém bem expressivo, afinal como é mostrado no longa, ele não conseguiu passar para ator nem quando tudo estava meio que esquematizado para passar, então isso já diz muita coisa! Mas seus carões quando fora modelo refletiram bem seu futuro como depressivo, e é bem isso o que vemos na trama inteira, uma pessoa que está falando de si mesmo, mas sem vontade de falar, ou seja, se você tiver uma crise depressiva, não veja esse filme, pois a chance de piorar é alta! Mas tirando esse cansaço na empolgação do protagonista, os demais entrevistados, principalmente os três agentes estavam empolgados para falar o que sabiam de Florian, e isso ficou bem bacana de ver, mas os pais ficou parecendo que sabiam menos do filho que qualquer outra pessoa, e isso impacta demais no andamento da trama.

Enfim, tenho esperança que essa moda acabe logo, pois daqui a pouco vamos ter qualquer tipo de pseudo-celebridade querendo seu próprio reality para mostrar o quão sofrida foi sua vida, e por isso precisa tomar antidepressivos para não ficar com cara feia para os paparazzi. E dessa maneira não tenho como recomendar de forma alguma esse longa para ninguém, a não ser que você tenha conhecido Florian na sua época de modelo, gostava dele e queira saber mais sobre sua vida e porque desapareceu dos palcos da moda, e ainda assim é capaz de você sair da sessão perguntando sobre o que era mesmo o filme. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto na terça com mais um longa do Panorama de Cinema Contemporâneo Suíço, então abraços e até breve.

PS: A nota só não foi pior, pois a equipe de edição soube trabalhar de maneira curiosa em alguns momentos, não sendo tão linear e trabalhando também com alguns efeitos interessantes, e também tivemos uma iluminação bem bacana, fazendo com que a fotografia ficasse bonita, mesmo nas locações mais estranhas possíveis.


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Meu Passado Me Condena 2 - O Filme

7/03/2015 12:35:00 AM |

Já falei isso diversas vezes, mas é de praxe que toda vez que um filme dá resultado, a continuação já começa a ser escrita no dia seguinte no melhor estilo das escolas de samba do Carnaval, e em 2013 com toda certeza, uma das comédias nacionais que mais fez o público rir nos cinemas foi "Meu Passado Me Condena", e agora com sua continuação, ao ter um espaço mais amplo do que um cruzeiro, puderam caprichar no nível da produção e desenvolver mais o conceito de uma comédia romântica, porém esqueceram do detalhe que tanto agradou no primeiro filme: fazer o público rir mais do que apenas discutir a relação (detalhe numas tias no fundo da sala interpretando a relação dos protagonistas como se tivesse na janela olhando os vizinhos), não que algumas DRs não sejam engraçadas, mas as sacadas acabaram perdidas no meio das grandes locações da trama, e alguém ainda deve estar procurando elas para encaixar no filme.

O longa nos mostra que a vida de casado dos apaixonados Fábio e Miá cai na rotina quando, as diferenças, que não são poucas, precisam ser enfrentadas. Após Fábio esquecer o terceiro aniversário de casamento, Miá decide pedir um tempo. Quando o avô de Fábio, que mora em Portugal, o comunica que ficou viúvo, ele enxerga nesta viagem para o funeral uma oportunidade de salvar seu casamento.

É interessante observar que o roteiro da trama foi muito bem pensado para criar as situações interessantes que causam conflitos em casais, e ao poder contar com um orçamento bem melhorado, a diretora Julia Rezende, que havia estreado na direção justamente com o primeiro filme, agora veio com bagagem dos erros e acertos que teve da outra vez, para desenvolver um filme com uma cara até que bem europeia, trabalhando mais o conceito da comédia romântica de uma maneira mais leve, e usando as piadas de intervalo para tentar puxar uma comicidade maior. E embora isso faça com que o público que riu muito no primeiro filme ache um pouco estranho esse estilo, o resultado é até que bem favorável, mas é notável que muitas cenas que continham piadas mais contundentes e que talvez fizessem o público rir novamente ficaram de lado na edição final, para que o clima não fosse quebrado, e dessa maneira não consigo acreditar que o filme tenha a mesma rentabilidade que o primeiro teve, mas vamos aguardar, afinal o carisma dos protagonistas ainda é muito alto e pode ser que o público se divirta com eles. Mas o que temos de falar com muita certeza ainda sobre a direção é que Julia embora enfatize que uma das personagens gosta muito de novelas, o seu estilo de dirigir foge completamente dessa maneira, o que é um grande trunfo dentro do cinema nacional, pois saber se diferenciar quando todos querem ir para os mesmos rumos, embora inicialmente cause uma certa estranheza, futuramente ela deverá colher bons louros.

Sobre as atuações, já frisei isso na crítica do "Entre Abelhas", e reafirmo que Fábio Porchat não é mais aquele artista apelativo do início de sua carreira, e mesmo fazendo o irresponsável e brincalhão Fábio do longa, ele trabalha bem os trejeitos e consegue desenvolver seu carisma para com o público, tentando puxar emoção em algumas cenas e saindo até que bem de certos momentos em que certamente ele faria algo bobo e sem noção para chamar atenção, claro que como aqui a comédia era necessário ele poderia ter melhorado algumas piadas, mas isso já seria um trabalho dos roteiristas, então o que fez foi satisfatório. Miá Mello é uma atriz que não chega a chamar atenção nem pelo corpo nem pela forma que atua, e isso não lhe impede de trabalhar o roteiro que lhe é entregue, pois no primeiro filme se esforçou para ser o contrapeso do excesso de comicidade de Fábio, e aqui já teve maior enfoque para mostrar o estilo da mulher contemporânea que trabalha muito e ganha até mais que o marido, e depende somente de si para tudo, e com isso funcionou para que as discussões do relacionamento se apimentassem e até caísse algum resquício para o lado mais tradicionalista dos personagens de Portugal, ou seja, com seu jeito quietinho de ser trabalhou bem e entregou uma personagem até mais interessante para a trama do que a que fez no primeiro filme. A atriz portuguesa Mafalda Pinto caiu bem para o papel de Ritinha, e com um carisma interessante funcionou exatamente para contrapor a personagem de Miá, e assim com o seu belo sotaque português e uma beleza interessante, a atriz pôs trejeitos de diversas maneiras na sua interpretação e agradou bastante no que fez. É engraçado que quando Ricardo Pereira começou a fazer novelas na Globo, seu sotaque era fortíssimo e lembro de rir muito do jeito que falava, mas agora fazendo o português Alvaro, de certa maneira ficou parecendo um brasileiro interpretando e impondo um sotaque, ou seja, já está há tanto tempo por aqui que precisou impostar um pouco sua voz para dar ar a um personagem mais tradicionalista, claro que alguns podem até reclamar de seu ar machista na trama, mas sabemos bem que no interior é assim, e ele fez muito bem o que o papel pedia. A dupla Inez Viana e Marcelo Valle que funcionou bem no primeiro filme, aqui pareceu bem deslocada e não convenceu, parecendo que sua Suzanna e Wilson desembarcaram na Itália no filme anterior e ficaram perdidos pela Europa fazendo bicos, poderiam ter colocado situações mais divertidas para os dois, como por exemplo a cena da porta batendo, que agradaria bem mais do que o que foi mostrado. E para fechar Antonio Pedro como o vô Nuno deram texto demais para o personagem ficar como um contador de histórias, e logo que viram isso, deram praticamente um sumiço nele na edição, o que ficou muito feio e embaraçoso, pois ao que poderia ver, o mote do longa é o avô, e acabou sobrando quase nada de vô no resultado final.

Certamente a escolha da aldeia de Sortelha e a Quinta de Sant'Anna foi algo que a direção de arte trabalhou com a produção da melhor forma para que o acerto do filme fosse perfeito, pois com menos de 200 habitantes, o local praticamente ficou livre para a equipe trabalhar tranquilamente e dar um ar maravilhoso para o visual da trama, e com essa liberdade de ambientes, o roteiro também conseguiu se desenvolver para a ambientação colonial local que agrada bastante tanto pela simplicidade, como pelo teor mais calmo. E diante de belas paisagens da região, a equipe de fotografia só teve o trabalho de refletir a iluminação natural nas cenas diurnas, e das fogueiras/velas nas cenas noturnas/internas, o que deu um charme a mais para a produção e resultou num tom muito bem trabalhado.

Enfim, se você estiver esperando um longa aonde você vai mijar de tanto rir por puro besteirol como foi o primeiro filme, abaixe um pouco a expectativa e vá com mais calma ver esse novo, pois a chance de não gostar do estilo é alta, mas se você já gosta de algo mais trabalhado e bem produzido, certamente essa nova trama vai agradar e fazer você rir sem muito apelo, portanto é dessa forma que acabo recomendando o filme. Mesmo gostando de um estilo mais bem produzido, acredito que faltou comicidade para que a trama ficasse no mesmo nível do primeiro filme, ao menos no quesito fazer rir, portanto somando os pontos positivos com os negativos vou dar a mesma nota que dei no primeiro, quem sabe caso façam um terceiro filme, misturem a boa produção desse com a comicidade do primeiro, e aí sim teremos uma comédia nota 10 nacional. Bem é isso pessoal, encerro por aqui as estreias dessa semana, mas ainda tenho o Panorama Suíço para conferir no Domingo e na Terça, então deixo aqui meus abraços e até breve.


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O Exterminador do Futuro: Gênesis em 3D (Terminator: Genisys)

7/02/2015 02:35:00 AM |

Quando ouvi falar que teríamos mais um "O Exterminador do Futuro" confesso que assim como a maioria que reclama à beça de refilmagens e continuações, eu também resmunguei um bocado, pois já fizeram tanta besteira em algumas das continuações que em alguns momentos dos filmes já sabíamos exatamente o que aconteceria, portanto nem fiquei com expectativa, e para dizer a verdade nem estava empolgado para com o lançamento de "Gênesis", mas cá que como um bom Coelho curioso, fui na pré-estreia para conferir o que teria de bom para comentar, e posso falar com muita certeza que esse além de ser um filme muito bem feito, me fez ficar com vontade de rever todos os anteriores para ir ao cinema novamente conferir ele, e isso é algo bem raro de acontecer com franquias, pois ou apaixonamos pelo novo e abandonamos os velhos, ou ignoramos o novo e voltamos para os antigos. E aqui a conexão foi tão boa que num mix de idas e vindas, o diretor acabou misturando tantas novas referências que um novo filme pode ser criado completamente a partir desse, e acabamos curiosos para rever os antigos e ver se tudo o que ocorre aqui se conecta realmente com os outros. Ou seja, um filme excelente para ver e rever e ainda sair feliz com tudo o que foi passado. E deixo o aviso já de cara que temos uma pequena cena no meio dos créditos, então fiquem na sala!

O filme nos mostra que em 2029, a resistência humana contra as máquinas é comandada por John Connor (Jason Clarke). Ao saber que a Skynet enviou um exterminador ao passado com o objetivo de matar sua mãe, Sarah Connor (Emilia Clarke), antes de seu nascimento, John envia o sargento Kyle Reese (Jai Courtney) de volta ao ano de 1984, na intenção de garantir a segurança dela. Entretanto, ao chegar Reese é surpreendido pelo fato de que Sarah tem como protetor outro exterminador T-800 (Arnold Schwarzenegger), enviado para protegê-la quando ainda era criança.

Certamente teremos as brigas em cima de que não seguiu a linha, de que foi feito apenas como reboot para uma nova leva de filmes, que isso, que aquilo e tudo mais, mas uma coisa é certa, o diretor Alan Taynor("Thor: O Mundo Sombrio") trabalhou a computação gráfica completamente ao seu favor, diferente do que aconteceu em alguns outros longas da franquia, aonde a computação dominava a história e o roteiro era praticamente deixado de lado para mostrar os robôs. E aqui, o roteiro foi tão bem trabalhado, com nuances técnicas interessantes e diversas ligações com os outros filmes, que o resultado deu um ar de vitalidade para a franquia, não necessariamente funcionando como um reboot, mas sim, como o próprio James Cameron (que para quem não sabe, a história original é dele) disse, esse sim ele aprova como sendo um terceiro filme. Outro ponto extremamente favorável, foi o estilo de interpretação que o diretor exigiu dos protagonistas, pois aparentam estar bem livres para desenvolver seus personagens, de modo que não vemos expressões forçadas nem situações que desrespeitem os fãs, pois como todos sabemos somente Schwarzenegger participou pessoalmente ou digitalmente dos 5 filmes, enquanto Reese, Sarah e John já foram interpretados por diversos outros atores, e se formos balancear como um é meio que continuação do outro, isso poderia ser palco para diversas gafes, o que felizmente não ocorreu. Sobre o uso da computação gráfica, então tenho de complementar, que foram bons ângulos escolhidos para realçar a tecnologia de conversão tridimensional, e sobretudo, para dar um ritmo de ação frenética para a trama, pois nem pareceu que ficamos 2 horas na sala do cinema de tão rápido que o longa se desenvolve.

Falando um pouco sobre as atuações, temos de ressaltar que Arnold mostrou que mesmo após ficar um longo tempo sem atuar, e principalmente lutar, ainda tem muito gás para queimar e dando uma boa comicidade para o seu personagem ao tentar trabalhar expressões "mais humanas", podemos dizer que literalmente ele voltou à ativa com grande classe. Emilia Clarke vem detonando na série "Game of Thrones" e não iria se queimar à toa com um personagem tão marcante quanto Sarah Connor, e entregou uma personagem tão interessante, com boas expressões, momentos tão bem colocados para com o filme que acreditamos em tudo o que ela conseguiu fazer, dando ao mesmo tempo garra e ternura para que sua Sarah não ficasse falsa e também não saísse da perspectiva feita nos outros longas. Jai Courtney sai do odiado Eric de "Divergente", para o mocinho bacana e bem aventurado Kyle Reese, que ainda precisa melhorar um pouco nos trejeitos mais secos, mas conseguiu ter o carisma suficiente que o personagem pedia, e até que agrada bastante nos encaixes junto de Schwazza. Jason Clarke incorporou de uma forma robusta o seu John Connor, de maneira que se o ator não usou muito dublê, ele gastou fôlego para a alta quantidade de cenas de ação que seu personagem participa na trama, de modo que chega a ser asfixiante suas cenas sempre dinâmicas, aonde não dá para que a expressão do ator seja mais desenvolvida, mas de certa maneira agradou bastante no que fez. O papel de J.K. Simmons como O'Brien poderia ter sido melhor aproveitado, pois funcionou apenas como mote para as explicações de passado e futuro, e mais nada, e como sabemos bem, ele é um ator fantástico que merece ser aproveitado para chamar atenção no que faz e não apenas ser encaixe cênico. Dos demais atores, nem temos muito o que destacar, pois apareceram sempre como encaixes e não ficando muito tempo em cena, claro que Bryant Prince se saiu muito bem como jovem Kyle e Byung-hun Lee trabalhou expressões fortes para o seu T-1000, mas como não desenvolveram tanto o diálogo, não podemos avaliar tanto suas atuações.

O visual da trama está realmente incrível, pois como disse mais para cima, a computação gráfica foi usada para dar complemento ao roteiro, e quando isso funciona, temos uma cenografia se encaixando com cada cena e dando o charme preciso para que a trama ocorra, além disso, a equipe de arte soube trabalhar muito bem com os elementos cênicos para complementar cada ato, ou seja, temos armas muito potentes tanto no poderio explosivo quanto visualmente na sua aparência, e além disso ao tentar conectar tudo do passado, presente e futuro, o filme desenvolveu elementos chaves para que cada ato ocorresse sem atrapalhar o outro e ainda dando gancho para que os protagonistas não se perdessem tanto e nem a gente. Sobre a fotografia, tivemos inicialmente um tom cinza esverdeado predominante para representar o futuro, depois um tom meio amarelado para colocar o passado, quase grudando no tom original que o primeiro filme trabalhou, e no presente(2017) as cores funcionaram mais vivas dando relação com a computação atual de celulares, colocando o Gênesis mesmo pra valer com tons azuis, de modo que tudo ficou bem bonito na tela, além claro das cenas explosivas sempre jogando o laranja lá no topo para incorporar bem a cena, só achei falta de mais vermelho e sangue em cena. Sobre o 3D da trama, como bem sabemos não foi filmado com a tecnologia, mas é possível observar que muito foi pensado na conversão com os ângulos escolhidos para filmagem, sempre procurando dar sensação de que as pessoas estão caindo, ou voando para fora da tela, com muitas explosões jogando pedaços de coisas e até que uma certa profundidade em diversas cenas, somente esse último detalhe poderia ter sido melhor aproveitado, mas como conversão de profundidade não costuma funcionar bem, ficou melhor usarem somente o que o público que paga mais caro gosta de ver que é coisas voando, e dessa maneira, quem gosta do estilo, pode pagar mais caro que não vai se arrepender.

A trilha sonora composta por Lorne Balfe também é outro ponto que vale muita atenção, desenvolvendo um ritmo tão frenético e ao mesmo tempo envolvente para a trama, que acaba nos deixando sem fôlego em diversos momentos do filme, e esse acerto é ao mesmo tempo bem pontuado junto da canção tema dos outros filmes, o que faz do compositor alguém que estudou para não estragar o original e ainda marcar com seu estilo.

Enfim, é um filme que superou muito mais do que qualquer expectativa que alguém estivesse esperando dele, resultando numa trama bem trabalhada e ação sem precedentes para agradar tanto quem gosta de um longa com história para ser contada, quanto aqueles que só querem pancadaria, ou seja, um filme que dá para recomendar para todos, portanto, compre um pacotão de pipoca e curta o filme na maior sala para que os sons façam sua poltrona tremer, que o filme desenvolve bem também essa percepção sonora. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com a outra estreia da semana que irei conferir, então abraços e até mais.


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Belas e Perseguidas (Hot Pursuit)

7/01/2015 01:52:00 AM |

O nicho da comédia americana anda tão sem rumo que as vezes recauchutar alguns pedaços de filmes que deram certo, e misturar com coisas novas funcionam ao menos para divertir num longa leve e despretensioso. Claro que a beleza das protagonistas, junto com o excesso de loirice salva o filme do fracasso, mas ainda assim "Belas e Perseguidas" é bem fraquinho de conteúdo e vai valer a pena ver apenas para quem quer rir sem se preocupar com nada. Porém, Hollywood precisa parar de aceitar que os produtores de filmes façam os papéis principais, pois mesmo Reese sendo uma ótima atriz, o papel cairia muito melhor em diversas outras atrizes.

O filme nos mostra que escolhida para escoltar uma importante testemunha até Dallas, uma policial se vê fugindo junto com sua companheira de viagem após envolver-se em um acidente. Com personalidades opostas, elas juntam forças para escapar dos bandidos e da própria polícia que as perseguem.

A diretora Anne Fletcher tem um estilo bem peculiar de comédias, pois na maioria de seus filmes sempre opta por não exageram no tom cômico mais pesado e nem romancear demais, o que acaba divertindo, mas não fazendo você rir de passar mal, foi assim em "Minha Mãe é Uma Viagem" e "Vestida para Casar", e portanto já dá para perceber seu estilo e o que esperar quando vermos que um filme é seu, o que certamente é algo bem bacana, pois coloca uma marca. Porém aqui, era notável que o roteiro que foi escrito por dois grandes escritores de séries de TV, David Feeney e John Quaintance, em seu primeiro texto para cinema, tinha pitadas mais fortes para divertir e ela abrandou as cenas, mas ainda assim conseguiu montar um mini estilo de road-movie policial que com algumas boas sacadas deu a comicidade certa no momento certo, e talvez se dessem mais ênfase nos trejeitos espanhóis de Vergara o filme seria de chorar de tanto rir, mas ainda assim do jeito que foi feito agradou. Outro detalhe que poderia ter sido melhor trabalhado são os ângulos de câmeras, pois houve diversas quebras de eixo, e isso causa um pouco de vertigem, não funcionando como uma linguagem interessante, nem tendo base para algo na trama, o que costuma acontecer em dramas mais pesados, e além disso tantos planos resultaram em diversos erros de continuidade, principalmente em relação aos cabelos da protagonista que hora estavam arrumados, hora bagunçados (já havia lido sobre isso, portanto prestei mais atenção do que o normal).

No quesito atuação, volto a repetir que Reese Witherspoon é uma excelente atriz, mas aqui caberia perfeitamente uma atriz mais pontuada pro lado cômico mais irreverente (talvez Tina Fey ou até Melissa McCarthy), porém como é a produtora do longa, pagou logo atuou, e sua Cooper usou e abusou das piadas de altura, já que realmente é bem pequenina, como uma policial metódica, tentaram trabalhar as sacadas para esse lado seu, mas esqueceram de avisar que ela poderia abusar também das expressões faciais, e ficou sempre com cara de dúvida do que estava fazendo, e isso não é legal em uma comédia. Sofia Vergara é literalmente um mulherão, e ainda com saltos bem altos durante o filme todo, praticamente sua Riva engoliu a pobre Reese com seu corpo, e o uso de seu espanhol literalmente foi o charme da trama, e poderiam ter abusado muito mais disso para a personagem ficar ainda mais interessante, somente suas cenas de fechamento (após o ônibus, e na festa) foram fracas demais, parecendo ter sido gravadas em diferentes momentos da atriz, e isso também não é muito legal de ver. Os homens da trama são totalmente um bando de patetas, que com atuações beirando o fracasso máximo que uma atuação poderia ter, entregaram personagens que não dá para acreditar sequer em meio olhar, destaque negativo para a dupla de policiais Matthew Del Negro e Michael Mosley como os detetives Hauser e Dixon, e mais ou menos positivo para as três cenas de Robert Kazinsky com seu Randy.

A trama não trabalhou tanto a cenografia como deveria, afinal por ser um road-movie, nos locais aonde fizessem suas paradas, tudo deveria ser ambientado e completar a cena, mas para que o filme não ficasse tão caro, foram mais modestos nas locações e preferiram simbolizar nas cenas de carros, como na trombada do caminhão voando fermento pra todo lado, nas cenas do ônibus e até mesmo na caminhonete, ou seja, em movimento era o que mais importava para a trama, mas tivemos bons momentos cênicos, como na casa dos traficantes, na cena da festa e até mesmo na lojinha de roupas ficou bem caracterizada a perspicácia das atrizes para em um pequeno local darem conta do recado. A fotografia trabalhou bem para retratar um Texas em New Orleans, e para esse feito puxou o tom do longa para o marrom dando um efeito sujo para a trama, e como não foi tão rico em movimentações de câmera, as cenas sempre foram mais próximas das atrizes e isso não amplia o lado cômico como deveria.

Enfim, é um filme bem feito, que até diverte de certo modo, mas recomendo que quem for assistir compre um combo de pipoca imenso para não prestar atenção em defeitos e apenas rir das boas sacadas, pois quem for esperando uma comédia com cê maiúsculo vai se decepcionar muito. Agradeço a parceria com a Rádio Difusora para poder ver o filme na pré-estreia, e volto amanhã com mais uma pré-estreia que veio para o interior. Então abraços e até breve pessoal.


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Derivar (Driften)

6/30/2015 09:25:00 PM |

Alguns filmes conseguem desenvolver situações que nem sequer pensamos na possibilidade de acontecer um dia, e com "Derivar" jamais poderíamos sequer imaginar no relacionamento de um agressor com sua vítima da maneira que o diretor nos entrega. Claro que só de ler a sinopse já é possível imaginar o final do longa, pelo estilo europeu alternativo de ser, mas todo o miolo é tão bom que mesmo com a ideologia tradicional dos filmes europeus dramáticos de deixar que você crie seu próprio final, a ideia é tão bem passada que ficamos apavorados com tudo que poderia dar errado durante as diversas cenas mais fortes do filme, ou seja, um trabalho duro, bem desenvolvido e muito interessante de assistir que recomendo à todos que vejam assim que possível.

O filme nos mostra que o ex-piloto de corridas ilegais Robert, de 22 anos, volta a sua cidade natal, Dietikon, depois de um longo período de ausência. Ele está determinado a deixar seu passado para trás, até conhecer Alice, professora de inglês. Um forte e obscuro vínculo do passado os une. Ele a segue e a espiona. Para se aproximar dela, começa a ter aulas de inglês.

Em seu primeiro trabalho como diretor de longas, Karim Patwa trabalhou bem no conteúdo para não acontecer de termos um problema com o que é passado, de modo que não descobrimos logo de cara todos os problemas que o rapaz possui, pois ele nos instiga a irmos vendo pouco a pouco, e isso é o que faz o roteiro, que também foi escrito por ele, ficar melhor ainda. Claro que nem tudo é perfeito, pois temos algumas cenas meio que absurdas acontecendo, mas conforme vai passando a história acabamos nos envolvendo com a trama, e isso transformou o filme em algo que poucos filmes conseguem desenvolver, deixando ele nos moldes de grandiosos filmes europeus dramáticos. Embora o abuso da câmera na mão para dar o ponto de vista dos atores pudesse ser reduzido, a tensão que o diretor conseguiu criar com esse estilo, nos faz pensar a todo momento no pior, e isso é algo bem bacana de se ver, portanto o mix de roteiro envolvente com boa técnica de filmagem deu um rumo que certamente se feito de maneira diferente não agradaria tanto. Um detalhe para os amigos que forem assistir ele, o filme é falado em alemão, e somente nas cenas que estão em alemão a legenda foi colocada em português, portanto nas aulas de inglês e quando os personagens discutem em inglês, temos legendas em inglês, o que acaba dando para treinarmos a leitura do idioma americano escrito na tela, interpretando a cena junto com os personagens.

Sobre a atuação, temos de falar certamente sobre o estilo de Max Hubacher, que ao mesmo tempo que mantém um ar jovial conseguiu imprimir uma personalidade forte para o seu Robert, de modo que ficamos instigados pelo seu personagem e até bravos com o que acaba fazendo em determinados momentos, claro que poderia ter melhores expressões para que fosse mais crível, porém acaba agradando bastante com um jeito mais rústico em seus trejeitos, ainda é novo e deve melhorar bem. Sabine Timoteo trabalhou sua Alice de uma maneira meio que estranha, pois em alguns momentos vemos ela mais solta em cena, logo em seguida já está introspectiva, e isso não é algo que funciona para transpassar os problemas de sua composição, e claro que seu final é excelente, mas expressaria o nervosismo de uma maneira mais cheia de trejeitos fortes que certamente daria um outro tom para a trama, mas como disse no começo do texto, ainda temos um final meio que aberto, e o que ocorre pode ter outros significados, então dessa maneira a atriz até que segurou bem as pontas. Os demais personagens acabam aparecendo pouco, mas o papel de Sandro que é feito de forma tão contundente por Scherwin Amini é algo como aqueles diabinhos de animações instigando o protagonista a fazer coisas erradas, e isso é algo que chega de certa maneira irritar o espectador, então se essa era a proposta de seu personagem, o ator fez muito bem.

A direção de arte do longa até que fez os três cenários principais da trama (quarto do rapaz, casa da mulher e oficina mecânica) de maneira bem colocada, mas nada que você fale que foi algo muito evoluído, apenas simbolizando para mostrar alguns sentimentos dos protagonistas e nada mais, e de certa maneira até alguns momentos foram bem forçados e acabam não agradando tanto, como as cenas na rua que até desenvolvem a questão da velocidade com luzes e tudo mais, mas pareceu um pouco artificial demais, não fluindo como deveria. No quesito fotográfico tivemos algumas cenas com uma iluminação mais chamativa, como nas boates e nas cenas de corrida, mas o filme usou muito de contraluzes tradicionais e isso é legal de ver que o cinema europeu vem abusando um pouco da luz falsa para preencher a cena.

Enfim, um longa que trabalha diversos sentimentos angustiantes, e que conforme vamos nos envolvendo com os personagens, mesmo sabendo tudo o que aconteceu anteriormente, ainda torcemos para o melhor para os dois protagonistas, claro que o final foi mais do que merecido, mas ainda existem outras alternativas para pensarmos no que aconteceu, então recomendo demais o filme para todos que puderem conferir, e vamos discutindo mais sobre ele nos comentários. Fico por aqui agora, mas ainda volto hoje para falar da pré-estreia que irei conferir, então abraços e até breve pessoal.

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As Pontes de Sarajevo

6/28/2015 09:54:00 PM |

Se existe um gênero que não gosto de escrever é o de coletâneas sobre determinado assunto, pois acabamos vendo tantos filmes dentro de um só, que após passar todos nem lembramos direito o que vimos no começo, então mesmo o resultado sendo interessante "As Pontes de Sarajevo" acaba sendo um filme que até mostra bastante as marcas de uma cidade que passou por diversas guerras e ainda tem um reflexo do passado presente na cultura atual da capital da Bósnia e Herzegovina, porém cansa com algumas perspectivas mais autorais, que certamente era a ideia da trama, e poderia ter uma dinâmica mais contundente para ressaltar pontos positivos e negativos, não apenas o lado mais sentimental e ideológico que tanto bateram na tecla em quase todos os curtas.

A sinopse nos mostra que pelos olhos de treze cineastas europeus, esse filme coletivo explora o que Sarajevo representou na história europeia dos últimos 100 anos e o que representa na Europa atual. De diferentes gerações e origens, esses eminentes cineastas contemporâneos oferecem uma gama de visões e estilos.

Acabei não anotando os nomes de todos os filmes, e também não vou me prender a contar o que ocorre em cada um, pois como disse o que vale na coletânea toda é o contexto que desejavam passar, e como o contexto histórico dos roteiros foram certamente bem trabalhados para dar síntese ao enredo completo que o diretor artístico Jean-Michel Frodon desejava para montar o filme. Claro que alguns até se destacaram mais, como o primeiro trecho aonde nos é mostrado o estopim da Primeira Guerra Mundial, que ficou bem envolvente e cheio de nuances, o penúltimo trecho com o garotinho que perdeu os pais e agora vive tendo esperança na adorada cidade por ele, alimentando cães de rua, e até o último trecho aonde mesmo o esporte para crianças, já tem rumos mais adultos para mostrar que ali todos precisam viver mais rápido, pois conflitando com o cemitério gigantesco atrás do campo, aonde divide-se lado muçulmano de lado cristão, já temos um molde de que ali nada é fácil. Temos também os longas abstratos, que muitos adoram, e eu particularmente não consigo sentir nada por eles, até por vezes sentindo um desgosto de gastar dinheiro com o estilo, então que surge claro Jean-Luc Godard em mais um filme seu que joga imagens, sons altos e textos soltos para formar sua ideia abstrata de como o que ocorreu no passado influência no que é a cidade hoje, e mesmo sendo estranho demais seu estilo, que já conhecemos de outros longas, o resultado até que fica cabível; e outro que acabou mais chato do que bem feito foi o trecho Reflexos ou Reflexões, não lembro muito bem, que coloca imagens de algumas pessoas (pode ser que sejam importantes, mas não reconheci ninguém), em ruas aonde vão passando as pessoas por trás e ao lado da imagem, a fotografia nesse trecho inteira em P/B ficou linda, mas confesso que quase dormi nesse trecho que não acabava nunca. A comicidade ficou a cargo do trecho Réveillon que com uma câmera estática pegando parte de um pinheiro natalino, e duas pessoas na cama, discutindo se um escritor alemão tinha boas ideias da Europa, ficou muito interessante de ver a perspectiva do casal e do texto claro, mas acredito que um pouco mais de sarcasmo na entonação daria ainda mais luxo para a trama.

Agora se tem algo que vale muito a pena ver em todos os trechos é o conceito artístico/fotográfico, pois cada momento foi retratado sob uma perspectiva tão bonita dentro da cenografia que até adentramos quase ao filme com o que é passado, mas em termos de cores e ambientação, particularmente fecharia o longa com o trecho "A Ponte" do italiano Vincenzo Marra que daria o encaixe mágico, já que com uma fotografia totalmente viva, o diretor deu ares de nostalgia das pessoas que fugiram da cidade e ainda remete ao símbolo do filme.

Enfim, é um trabalho inusitado que agrada de certa forma, mas que também cansa pelo excesso, com 6 curtas mais bem desenvolvidos teríamos algo perfeito e que não enrolaria tanto, mas certamente o tempo não casaria com a proposta. Vale a pena conferir para conhecer algo que não é comum de vermos por aí, mas garanto que alguns não vão gostar do que irão assistir. Bem é isso, como disse no começo não é meu estilo favorito para escrever sobre, pois não dá para esmiuçar cada coisa vendo num cinema, quem assistir em casa certamente terá tempo para parar cada curta e falar sobre ele, mas não é, nem nunca será meu caso, portanto, está aí escrito de modo geral o que achei do primeiro filme do Panorama de Cinema Suíço Contemporâneo que irei conferir nos Domingos e Terças de Junho/Julho no SESC Ribeirão Preto, que já deixo o convite para os demais para todos da cidade, então abraços e até breve pessoal.


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Minions em 3D

6/26/2015 01:36:00 AM |

Animação: aquele gênero que faz você voltar a ser criança e se divertir igual um bobo no cinema e curtir ao filme junto com toda a criançada, e quando funciona fica com a mesma vontade de aplaudir igual todos na sala fizeram após acabar a sessão. Preciso definir melhor "Minions"? Acho que não, pois como muitos que conheço, esse era um dos filmes mais esperados de muitos anos, desde o primeiro "Meu Malvado Favorito" que esses bichinhos amarelos já dominaram os corações de milhares de pessoas, e todos desejavam saber suas origens, e até a curiosidade aguçava como iriam fazer com a língua deles para agradar, mas como diriam os velhos ícones do cinema, o cinema não começou falado e funcionou diversos anos mudo, então quando expressões e trejeitos aliados à bobagens faladas de forma gozada conseguem encaixar perfeitamente, temos um resultado muito engraçado e totalmente feito para crianças vibrarem e comprarem milhões de souvenires, adultos voltarem a ser crianças e comprarem souvenires também e dessa maneira mesmo com diversas partes já exibidas nos diversos trailers que saiu, o filme ainda agrada demais e faz valer totalmente a pena ver e rever.

O filme nos mostra que seres amarelos unicelulares e milenares, os minions têm uma missão: servir os maiores vilões. Em depressão desde a morte de seu antigo mestre, eles tentam encontrar um novo chefe. Três voluntários, Kevin, Stuart e Bob, vão até uma convenção de vilões nos Estados Unidos e lá se encantam com Scarlet Overkill, que ambiciona ser a primeira mulher a dominar o mundo.

Muitos vão reclamar que o roteiro é básico ou que não deram muita ênfase na vilã, mas o fato é que o diretor Pierre Coffin, que dirigiu os outros dois filmes que os amarelinhos já haviam nos conquistado, sabia que o carisma dos personagens por si só já valiam todo o desenvolvimento, e não bastasse isso, ele ainda dublou diferenciadamente os 899 minions (segundo informações técnicas, não fiquei contando não viu!!) para que tivessem seus trejeitos bem colocados num misto de cinco línguas: francês, inglês, espanhol, italiano e japonês (no Brasil, o maluco que dublou todos os amarelinhos foi o dublador profissional Guilherme Briggs, e felizmente não estragou em nada tudo o que gostamos de ouvir eles falando mesmo que sem entender quase nada). A grande sacada do diretor, que agora uniu forças com Kyle Balda("O Lorax") para desenvolver o roteiro de Brian Lynch("O Gato de Botas") foi ter escolhido uma época de grandes transformações e interações, que foi 1968 e usando desses artifícios, a trama se desenvolve bem com os pequeninos buscando uma nova vilã, mas claro que a abertura explicando como foram os primórdios dos amarelinhos é algo que não tem como não rir muito e se divertir com cada passagem. Enfim, o desenvolvimento técnico da trama até não é algo elaborado demais, mas como disse e reforço, o longa foi feito para crianças, claro que muitos adultos adoram esses bichinhos, mas se baixarmos a criança interior ao ir assistir o filme, a garantia de diversão é imensa.

A modelagem tridimensional dos personagens, assim como todos os filmes da Illumination possuem formas curvas muito precisas, e isso dá um visual muito gostoso de assistir, pois tem formato próprio, não é algo que busca o realismo como Disney e Dreamworks buscam, mas sim a simbologia gráfica para envolver as pessoas com os personagens principais, e nesse quesito cada minion com sua característica própria é algo para realmente colecionar como diversas empresas vão abusar pelos próximos meses certamente. Os três protagonistas Kevin, Bob e Stuart são realmente muito fofos e carismáticos, e foram escolhidos muito bem para dar representatividade à trama e agradar com seus jeitos próprios, Kevin como o mais "responsável" tem boas sacadas e diverte de um modo mais sério, Bob é o bebezão que todo mundo vai apaixonar e seu dom com os animais é algo incrível, e Stuart é a parte musical da trama, ou seja, vai dar ritmo sempre que aparecer. A dublagem que Adriana Esteves entregou para a personagem Scarlet Overkill ficou muito bem pontuada e impostou o ar de vilã que a atriz sabe fazer muito bem, talvez se mostrassem um pouco mais da história de vida da personagem, os mais críticos iriam adorar saber o porquê dos seus desejos de ser uma grande vilã, mas ainda assim o personagem é bem trabalhado. Herb Overkill ficou meio fajuto, e mesmo sendo um gênio das armas, seu estilo ficou meio estranho e desengonçado demais, além da dublagem de Vladimir Brichta também não ter sido algo que chamasse muita atenção. Os demais humanos que adentram a história até foram bacanas, mas poderia ter trabalhado um pouco mais os outros candidatos a vilões que aparecem, mas enrolaria demais o filme, então seus momentos foram bem feitos no geral. Ah e claro, que um personagem extra aparece muito bem encaixado na trama, mas vale mais a pena conferir no filme, e certamente se tivermos Minions 2, ele irá funcionar bem ainda.

Sobre o visual da trama, temos diversas boas sacadas em relação à época que o filme se passa, unindo fatos para chamar a atenção dos adultos e também muita coisa que quem jogou os joguinho "Minion Rush" vai lembrar de ter visto (por exemplo o crescimento) e claro que em breve devem ter novas fases por lá com a trama nova. Só acho que poderiam ter trabalhado mais a convenção dos vilões nos moldes das Comic Con da vida, pois iria ficar muito divertido de ver mais desse cenário, acredito que até tenha existido, porém cortado para não alongar, e deva vir no bluray, mas no geral o contexto ficou muito bem trabalhado. A paleta de cor básica é o amarelo e azul, óbvio, mas não ficou pesado, pois souberam combinar bem toda a cenografia restante e funciona bem a aparência mesmo nas cenas que tem uma tonelada de bichos amarelos, e isso é algo que certamente deu um belo trabalho para a equipe de computação.

Agora o ponto que todos sempre perguntam: Vale a pena ver nas salas 3D? E respondo sim, vale muito, pois temos muitas cenas com profundidade, algumas boas cenas com objetos saindo da tela, e principalmente uma cena pós-crédito (última coisa mesmo, após todos os nomes) perfeita aonde todos os personagens trabalham com diversos elementos do filme, sendo algo brilhante, que dá para ver o quanto de perspectiva é possível usar num filme, e ainda iremos aguardar um filme aonde isso seja usado durante toda a trama.

As canções como sempre são um show à parte e a trilha sonora composta pelo brasileiro Heitor Pereira é realmente incrível, misturando diversos clássicos na língua dos amarelinhos e claro botando as originais também de pano de fundo, o que certamente agradou no ritmo envolvente que a trama nos propôs.

Enfim, como disse já alguma vezes aqui, a expectativa em demasia pode atrapalhar um pouco, e fazer com que alguns até não gostem tanto do filme, mas confesso que quem se deixar levar para o lado infantil, sairá da sala maluco para passar na lanchonete do lado dos cinemas e comprar mais um bonequinho para a coleção, pois o longa agradará com certeza tanto adultos quanto crianças. E quem for aos cinemas, pode esperar filas e mais filas com muitas crianças. Bem é isso pessoal, como disse tirando pequenos detalhes, o resultado em geral é perfeito e recomendo demais para desestressar da correria do dia a dia, e por ser um filme muito bem feito, portanto peguem seus doces de banana (os cinemas podiam ter feito pipoca sabor banana né!!) e corra pro cinema mais próximo. Fico por aqui hoje, com a única estreia que veio para o interior, mas volto domingo com o Festival Suíço que começa no Sesc, então abraços e até breve.

PS: A nota não foi máxima devido à altíssima expectativa que tinha criado para o filme, mas ainda assim recomendo ele demais, mesmo para quem estava maluco pelos bichinhos.

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Dragon Ball Z - O Renascimento de Freeza

6/23/2015 12:47:00 AM |

Todos sabem que nunca fui muito ligado em animes, mas alguns até que acompanhei algumas temporadas, e até vi alguns filmes, como é o caso de "Dragon Ball Z", mas se tem uma coisa que acho inútil são as empresas lançarem episódios mais alongados para passar no cinema, apenas como um mote para que os fãs tenham uma novidade na tela grande, e dessa forma até que "O Renascimento de Freeza" consegue manter uma linha nos acontecimentos, juntamente com uma pequena história até para ser contada, mas não entrega nada além do que os fãs já esperavam ver, ou senão um episódio mais alongado do que acabaria vindo naturalmente, e para isso forçam piadas, colocam cenas repetidas e quem realmente não for muito fã da saga, vai assistir os 93 minutos do longa e sair da sala como se nada tivesse acontecido, pois não temos apresentação de personagens, apenas são jogados diversos na tela e seja feliz quem os conhece. E até os fãs mais desesperados acabam saindo da sessão sem ao menos ver a cena pós-crédito, que é até divertida.

A animação nos mostra que Sorbet e Tagoma, dois remanescentes do exército de Freeza, chegam à Terra em busca das Esferas do Dragão. A ideia é reuni-las para ressuscitar seu antigo líder, que faleceu após uma batalha contra Goku. O plano é bem-sucedido e, com isso, Freeza retorna disposto a se vingar. Para tanto ele se prepara durante meses, de forma que possa reencontrar Goku no auge do seu poder.

O resultado da história com toda certeza podemos dizer que empolga os fãs, pois temos um longa quase que inteiro de batalhas, e intercalando boas piadas com os personagens mais cômicos da trama, e dessa maneira podemos dizer que Akira Toriyama segue firme e forte na criação das aventuras de seus personagens desde 1996. Mas como uma pessoa que frequenta muito os cinemas e deseja ver muito mais na telona, gostaria que o filme tivesse um conteúdo mais desenvolvido, com começo, meio e fim de modo que todos que fossem assistir, independente de conhecer ou não os personagens saíssem felizes com o que veriam na tela, e definitivamente isso não acontece, pois se você não souber quem é quem dos principais personagens, provavelmente não vai entender absolutamente nada do que é mostrado, e quem conhecer somente o básico ainda assim vai ficar um pouco perdido com algumas situações. Porém, como um amigo mesmo já havia me dito, anime em cinema sempre foi feito para fã, então nesse contexto, posso dizer que a trama atinge bem, pois ao sair da sessão estavam lá diversas pessoas que estavam na sessão tirando foto com o pôster e acredito até que o longa dê um certo resultado de bilheteria.

Os traços dos personagens continuam bem fiéis às suas origens, não tendo inovação praticamente nenhuma nesse quesito, e claro que todos continuaram com a comicidade tradicional que a trama já mantém há muito tempo, e isso é algo que se algum diretor maluco assumir e remover, certamente vão queimar ele vivo. Os destaques tirando os personagens principais que passam a maior parte lutando como Vegeta, Goku e Freeza, são Bills e Whis, que sempre atrás dos quitutes de Bulma divertem demais, e o novo personagem Jaco também consegue ser bem colocado agradando bastante na trama.

Acabei não assistindo o longa com a tecnologia 3D, afinal como disse no parágrafo anterior, o longa ainda é todo desenhado, ou seja, não temos uma modelagem que chame atenção, portanto acredito que tenha funcionado bem pouco os efeitos no longa, mas certamente as diversas explosões devem ter voado coisas para fora da tela para agradar os que gostam desse estilo de efeito, quem tiver visto na tecnologia e quiser comentar abaixo, fique a vontade.

Enfim, como já repeti diversas vezes, só recomendo ele realmente para quem é fã, ou conhece muito sobre o Universo DBZ, pois os demais até pode ser que acabem gostando de determinada cena, ou de determinado personagem, mas sairá da sessão como se tivesse visto apenas uma animação barulhenta, com personagens caricatos que não foram sequer apresentados, e certamente o filme não foi feito para isso. Como esse já é o 15° filme da série, acredito que não devam parar, pois os fãs sedentos sempre querem mais, mas certamente recomendaria as plataformas digitais para lançamento direcionado, que o acerto seria maior. Não iria conferir esse filme no cinema, mas como sabem gosto de ver tudo, então acabei ficando sem ver mesmo no cinema somente o Naruto desse ano, então agora realmente encerro minha semana cinematográfica por aqui, mas volto na próxima quinta torcendo para que somente os bichinhos amarelos não dominem as salas, deixando vir algo a mais. Então abraços e até breve pessoal.


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Jessabelle: O Passado Nunca Morre

6/20/2015 12:24:00 PM |

Se existe uma coisa que nunca vou entender é o prazo para que um filme estreie mundialmente e outros demorem uma eternidade para serem lançados. Por exemplo "Jessabelle" que conferi no cinema hoje, e por ter sido lançado lá fora em Setembro/2014, diversos amigos já viram há tempos utilizando dos meios de pirataria, o que me deixa completamente triste, pois temos aqui um dos melhores filmes do gênero de terror sem que seja necessário forçar a barra para que o público entenda a história que ele quis passar e sem também abusar de cenas nojentas, ou seja, um filme que você arrepia com algumas situações e ainda ao final fica bem feliz com o resultado, claro que se você entender a história completa, pois vi muitos reclamando da cena final, e ela é perfeita!

O longa nos mostra que ao sofrer um terrível acidente que a deixa paraplégica, Jessie é forçada a voltar para a casa do seu pai no interior, onde passou sua infância. Ela descobre então que um mistério cerca seu nascimento e que um espírito furioso, chamado Jessabelle, parece determinado a destruí-la a todo custo.

O principal ponto para que um terror funcione geralmente fica a cargo de uma boa edição das cenas, pois se bem feita, surpreende o público e não acaba ficando forçado, e esse conhecimento o diretor Kevin Greutert tem de sobra, pois editou praticamente todos os "Jogos Mortais" e ainda por cima dirigiu os dois últimos longas da franquia, e aqui soube desenvolver bem uma trama que aparentava não ter nada de envolvente, e que com um ponto de virada completamente plausível, o longa se tornou interessante e bem aterrorizador. Claro que não é daqueles filmes que você vai pular a todo momento da poltrona, mas a situação em si é assustadora e pensar na possibilidade completa do filme é algo que tenho muita certeza de já ter acontecido coisas parecidas mundo afora. É fato também que temos muita coisa que beira a burrice total de uma pessoa, o que é de praxe de todo filme de terror, pois como uma pessoa que morreram todos os parentes e está paraplégica ainda fica numa casa imensa de dois andares, aonde se tem barulhos estranhos e tudo mais de anormal acontecendo ao redor? Mas tirando esses detalhes bizarros que acontecem em todos os filmes de terror, o resultado entregue é muito bem trabalhado e agradará quem ficar até o fim da sessão.

As atuações até foram bem colocadas dentro da proposta da trama, de modo que Sarah Snook consegue passar tanto um pouco de seus medos, quanto das dúvidas que tem sobre o que está acontecendo com sua Jessie, claro que sempre ficamos impressionados com o quão corajosos são alguns protagonistas desse estilo de filmes, mas ela saiu bem com boas expressões e até boas inflexões de respiração no modo de dialogar, coisa rara de se ver em filme de terror. Mark Webber, que não é o piloto de corridas, entregou um Preston que até tem um bom fundamento dentro da história, mas chega a irritar esse estilo de pessoa que tem família e tudo mais, e resolve ajudar a velha paixão de escola, não precisando trabalhar, nem fazer mais nada na vida, e além disso seus trejeitos sempre soavam com cara de interrogação para tudo que fazia, e isso não é atitude de um bom personagem num longa de terror. Joelle Carter até apareceu bem como a mãe da garota, e suas gravações sempre beiravam o misto de loucura com desespero, o que deu um tom a mais para tudo o que acontece, ou seja, um fantasma que chama a atenção, somente temos de reclamar nas suas cenas reais, que esqueceram de esmaecer deixando ela mais viva do que qualquer fantasma. E para finalizar, temos até mesmo aparecendo pouco, mas assustando muito, Amber Stevens West conseguiu ser importantíssima para o final da trama, de modo que se tivermos um segundo filme, teremos mais medo ainda de suas expressões.

O visual de casas estranhas é algo que todo filme de terror possui, e a equipe de arte desse gênero necessita ser muito antenada para encontrar esses locais, pois falar que já passou por alguma casa do tipo ou morou, a pessoa tem de ser muito maluca mesmo, e junto disso, a equipe trabalhou com uma gama imensa de elementos cênicos para representar bem a mãe da garota, e a casa em si, com televisões e VHS antigos e muito assustadores para dar o tom da trama, diversos elementos de macumba e vodu colocados no lugar certo para chamar atenção, ou seja, um belo trabalho.de pesquisa e feitio. A fotografia felizmente não abusou nem de iluminação falsa, nem estragou o filme com cenas escuras demais, trabalhando no tom exato para ficar com a cara que o terror pedia, e ainda assim manter a tensão, ou seja, um trabalho bem interessante de se ver.

Enfim, é um filme que de certa forma não chegamos a ficar com muito medo, e nem sair da sala assustado pensando que os espíritos virão nos pegar enquanto dormimos, mas como a história foi bem escrita e desenvolvida com uma direção precisa, vale com toda a certeza conferir nos cinemas, claro para quem ainda não viu de modo pirata, e sendo assim recomendo para quem curte o gênero. Bem é isso pessoal, depois de uma semana de muitos filmes e posts, encerro aqui essa que foi bem curtinha, tem até mais um longa que estreou, mas como considero ele continuação de série televisiva que não conferi muito na infância, prefiro não opinar sem conhecer muito do estilo, então abraços e até na próxima quinta com as novas estreias que vierem para o interior.


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Divertida Mente em 3D (Inside Out)

6/19/2015 08:57:00 PM |

É interessante analisar as emoções que um filme sobre emoções nos traz, pois ao trabalhar dessa forma, a Pixar conseguiu montar um longa envolvente e cheio de percepções que nós mesmos não temos sobre nós, e isso é algo que vai além do que uma animação tradicionalmente faria, o que é excelente. Porém um erro técnico da forma de pensar do filme "Divertida Mente" é que ele não foi feito pensando em momento algum nos principais consumidores de animações, pois mesmo os personagens principais sendo modelados de maneira mais simbólica para tentar puxar uma comicidade e fazer com que os pequeninos se afeiçoassem à algum deles, tudo o que acaba acontecendo puxa para um lado bem mais emotivo, que ainda não trabalharam tanto, de estarem aptos a conhecer suas próprias emoções. Agora para os adultos, o filme é repuxa tantos sentimentos nas nossas cabeças, que é evidente o nó na garganta em diversos momentos da trama, de modo que certamente daqui a alguns anos, quando alguma dessas crianças que foram hoje no cinema ver o filme, ao rever irá refletir e acabará gostando do que viu, mas hoje elas passaram quase que o filme todo pedindo para os pais irem embora, no banheiro, e tudo mais porque acharam chato.

O longa nos mostra que Riley é uma garota divertida de 11 anos de idade, que deve enfrentar mudanças importantes em sua vida quando seus pais decidem deixar a sua cidade natal, no estado de Minnesota, para viver em San Francisco. Dentro do cérebro de Riley, convivem várias emoções diferentes, como a Alegria, o Medo, a Raiva, o Nojinho e a Tristeza. A líder deles é Alegria, que se esforça bastante para fazer com que a vida de Riley seja sempre feliz. Entretanto, uma confusão na sala de controle faz com que ela e Tristeza sejam expelidas para fora do local. Agora, elas precisam percorrer as várias ilhas existentes nos pensamentos de Riley para que possam retornar à sala de controle - e, enquanto isto não acontece, a vida da garota muda radicalmente.

O diretor Pete Docter("Monstros S.A.", "Up - Altas Aventuras") junto do estreante na direção Ronaldo Del Carmen trabalharam bem com a ideia do roteiro, desenvolvendo cada personagem e cada detalhe da animação, como um elemento separado do outro, o que deu à trama uma perspectiva muito interessante de acompanhar, mostrando cada detalhe mínimo no contexto da história, de modo que conseguimos separar bem tudo o que ocorre no centro de controle, com a vida da garotinha e principalmente quando Alegria e Tristeza vão para o plano inferior, somos transportados juntos para aquele cantinho submerso que estão bem guardadas nossas memórias "menos" importantes, e toda essa nuance é incrível de pararmos para pensar. Aí é que entra toda a ideia da maravilha que é o filme, pois já pensamos muito sobre como é esse trabalho de desenvolver, separar e porque não dizer catalogar nossos sentimentos e a maneira que os neurônios, ou sei lá o que tem dentro de nossa cabeça faz! Mas aí também entra a parte mais complexa do filme, que até gostaria de saber como os pais vão explicar para os filhos tudo o que é passado na trama, pois se uma criança entender o filme, pulem o colégio e já coloquem ela na faculdade, pois certamente ela vai querer fazer Psicologia ou algo do tipo.

Como os diretores sabiam da complexidade da trama, foram espertos em outro quesito para ao menos não dar prejuízo para a companhia, e criaram personagens com traços simples (com a tecnologia das salas maiores é possível ver até imperfeições de traços nos personagens), mas que podem gerar marketing futuro com cadernos, lancheiras e afins, e dessa forma o visual deles agrada mais do que suas personalidades, e olha que a dublagem mesmo com muitos atores ao invés de dubladores profissionais, está excelente com Miá Mello como Alegria, Otaviano Costa como Medo, Katiuscia Canoro como Tristeza, Dani Calabresa como Nojinho e Leo Jaime como Raiva. E como são atores que possuem um carisma interessante, eles conseguiram passar essas suas características inclusiva na entonação de suas vozes, e isso deu realmente um show, colocando expressões nossas e muita dinâmica na sonoridade, o que agrada demais quem for ver as cópias dubladas. Além da boa dublagem, tentaram dar certo design engraçado para alguns personagens chamar atenção, daí entraram em jogo o amigo imaginário de Ripley, os engenheiros das memórias e os mais sensacionais na minha opinião, o pessoal de atuação e produção de sonhos, que se isso existir realmente quero ser na minha próxima encarnação!

Sobre o contexto visual da trama, como disse ao falar da direção, eles foram extremamente espertos para desenvolver cada elemento separado, o que certamente deu um trabalho imenso para os desenhistas, mas conseguiram dessa forma caracterizar cada detalhe, e as bolas de memórias formaram perspectivas tão bonitas de se ver, que junto do grande excesso de cores para tentar cativar as crianças, o filme acaba tão luxuoso nesse sentido que ficamos cada vez com mais vontade de ver e rever tudo o que é brilhoso na tela. Agora vamos ao outro crime do filme, o ingresso 3D é mais do que totalmente dispensável, temos pouquíssima profundidade de cena, e menos ainda elementos saltantes, ou seja, quase 80% do filme certamente dá para assistir sem óculos, não tiveram a preocupação nem dos personagens terem uma modelagem mais tridimensional para chamar atenção, e olha que o diretor já havia acertado isso magistralmente em "Monstros S.A." mesmo quando não tinha a tecnologia para empregar, de modo que os pelos de Sullivan tinham vida própria, e aqui tudo é simples demais, portanto quem quiser pode economizar com toda certeza que não vai perder nada.

No quesito sonoro, faltou uma canção tema, ou mais trilhas para dar uma dinâmica mais envolvente para a trama, Destacando nesse quesito apenas o comercial de pasta de dente, que com uma música marcante até saímos da sessão cantarolando ela, e isso é algo que realmente acontece muito nesse estilo de emoção ficar voltando para nossa cabeça com canções-chiclete.

Enfim, repito que é um excelente longa para os adultos, e que vale ser visto diversas vezes, mas confesso que não me senti como uma criança, o que acaba acontecendo na maioria das animações, e dessa forma juntamente com o que vi das outras crianças presentes na sala que estavam ou querendo ir embora ou mexendo em celulares dos pais para ficarem quietos na sessão, acabo não recomendando como um filme para levar eles. Portanto fica sendo assim a minha recomendação para o longa, só levem os pequenos se eles forem daqueles estilos que já estão pensando muito nos seus atos, ou seja, entrando na adolescência, mas certamente irei torcer para que o filme tenha uma continuação para ver as emoções da jovem Ripley ao passar pela adolescência/juventude. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas ainda tenho mais uma estreia para conferir, então abraços e até breve.


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O Preço da Fama (La rançon de la gloire)

6/18/2015 02:18:00 AM |

Se tem uma coisa que deixa esse Coelho que vos digita não contente com um filme é quando a classificação dele é controversa, pois embora "O Preço da Fama" possua cenas cômicas, ele está muito longe de ser uma comédia, pois ele comove, diverte, mas não faz rir, e isso é algo que somado ao excesso de trilha sonora até em cenas que não necessitavam, acabou transformando a fase inicial do longa quase em um daqueles longas que te empurram para que você consiga assistir, e com toda certeza Chaplin merecia um filme sobre seus primeiros minutos no além de uma forma melhor. Claro que o filme não fica arrastado por inteiro, ficando muito melhor no terceiro ato, porém uma coisa que tem de ficar de lição para todos que sonham em um dia fazer um filme é que não é porque você conseguiu a liberação de todas as canções de uma banda, que você precisa colocar os 25 álbuns da banda tocando em sequência.

O filme nos mostra que no final dos anos 70, nas proximidades do Lago de Genebra, Eddy Ricaart é libertado da prisão e recebido por Osman Bricha, um grande amigo. Ambos estão passando por um momento difícil completamente sem dinheiro, e Eddy, ao ficar sabendo da morte de Charlie Chaplin, decide sequestrar o caixão do astro e exigir um alto resgate.

É engraçado pensar que a história do longa aconteceu realmente, pois extorquir família de morto é pior do que qualquer coisa já pensada por ladrões, mesmo os que estão em plena necessidade como acontece na trama, e o diretor trabalhou muito bem a história com boas nuances e cenas bem desenvolvidas, o único porém como já disse acima foi o excesso de trilha sonora, e algumas cenas que poderiam ser aceleradas, pois mostrar duas escavações é algo que nem no History Channel é legal, todo mundo sabe que a pessoa fica cansada, que demora e não precisaria de 5 minutos para cada cena. Dito isso é interessante ver como Xavier Beauvois trabalhou com seus personagens de modo a funcionar tanto como pessoas que acabaram fazendo um crime por necessidade, mas também os humaniza ao mesmo tempo que critica, e claro ainda desenvolve neles uma certa homenagem ao grande Chaplin, e assim sendo ele conseguiu trabalhar os diversos vértices que a trama poderia ter, agradando e comovendo, mas caso quisesse dar um tom mais cômico também conseguiria.

Sobre a atuação, temos de dizer o quão incríveis são as expressões de Benoît Poelvoorde que entregou ao seu Eddy um carisma impecável para quem acabou de sair da cadeia, e mesmo seu personagem sendo um pouco atrapalhado, conseguiu cativar as atenções para seu lado "bom", o que chega a chamar muita atenção nas cenas do circo. Roschdy Zem pontuou de forma estranha seu Osman, que não mostrou nem uma perspectiva desesperadora, tirando a penúltima cena no telefone, nem algo que fizesse o público ficar com dó de sua situação, e isso é algo crítico, pois ele em suma é o protagonista da trama, e se desse o mesmo carisma que seu companheiro de cena, teríamos um filme incrível. Séli Gmach infelizmente não começou bem no cinema, pois não obteve seus melhores momentos com seu primeiro papel diante das câmeras, de modo que sua Samira não possui expressão, sendo uma garotinha que apenas está ali na cena, mas não ajudou nem foi ajudada pelos protagonistas para se sair melhor, ou seja, morreu em cena. É engraçado ver Dolores Chaplin que é neta do ator, fazendo o papel de sua mãe no filme, pois não precisaram de ninguém semelhante, já que ela aceitou o papel e mesmo aparecendo pouco fez bem suas cenas com um carisma até que interessante. Hoje não foi o dia para ver policiais em cena nos filmes, pois todos os atores tanto no primeiro filme que vi do Festival, quanto nesse saíram com expressões péssimas e trejeitos completamente fora do que seria aceitável por qualquer policial, e isso atrapalha muito contextualizar a cena com o que estamos vendo, e principalmente por falarmos de longas que se baseiam em realidade, esse erro não pode acontecer.

Embora tenha boas locações: um cemitério muito bem decorado, o local aonde escondem o caixão bem trabalhado mesmo que simples, e até os trailers aonde os personagens moram ficaram bem decorados dentro da proposta de simplicidade dos protagonistas, mas poderiam ter ousado um pouco mais no estilo de época do filme, pois em momento algum conseguimos ligar os anos 70 com a trama, tirando a televisão da casa e alguns carros, e isso em suma é uma falha também. No quesito fotográfico, a luz falsa fez a festa nas cenas de roubo do cemitério e no pântano aonde esconderam o caixão, nem que a lua tivesse do lado deles ou com uma super lanterna igual a da mão do protagonista teríamos tanta luz para iluminar 2 pessoas mais um caixão perfeitamente, já disse uma vez que sou totalmente a favor da iluminação falsa, mas não precisa apelar também não é mesmo, e em diversas cenas de chuva, os personagens praticamente não se molham, ou seja, mais falhas de ângulos escolhidos para representar no filme.

Mas os erros da fotografia não são nada perto do que a equipe de trilha sonora fez, pois temos praticamente todas as canções clássicas dos filmes do Chaplin no longa, mas tocando sem parar, não temos um botão de desligar o som de fundo que muitas vezes sobe tanto que sobrepõe os diálogos, ou seja, compraram ou conseguiram que fosse cedido todas as canções e resolveram colocar tudo na trama, independente de que funcionasse para com a linguagem ou não, e isso é um crime inafiançável.

Enfim, o longa possui muito mais erros do que acertos, e a história tinha um potencial tremendo para se tornar um ótimo suspense com pitadas de comédia, ou uma comédia totalmente inusitada, mas fizeram uma lambança tão grande que acredito que o Chaplin se revirou mais no túmulo ao ver o filme do que o tanto que seu caixão caiu nas cenas do filme. Portanto é um filme que até funciona de certa maneira um pouco nostálgico com as cenas e músicas dos filmes do grande Chaplin, mas falhou demais para recomendar ele para alguém, portanto só veja se estiver com muita vontade mesmo. Bem é isso pessoal, encerro aqui minha participação no Festival Varilux, uma pena que não veio o filme "O Que Eu Fiz a Deus?" para o interior para que completássemos a programação toda do Festival, mas tivemos muitos bons filmes que agradaram na maioria e já vamos ficar com saudade até o próximo ano da grande quantidade de longas franceses na cidade, mas daqui duas semanas já temos outro festival para conferir, agora o Suíço que desembarga na cidade pela primeira vez, então abraços e até breve com as estreias da semana.

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Na Próxima, Acerto no Coração (La prochaine fois je viserai le coeur)

6/17/2015 09:18:00 PM |

E eis que novamente temos um suspense psicológico no Festival Varilux, porém esse mais próximo de algo tradicional, com muitas mortes, um assassino bem trabalhado na sua loucura e uma fotografia bem densa para dar o clima exato que a trama de "Na Próxima, Acerto no Coração", mas ainda assim é um suspense francês, ou seja, final fajuto demais para que o público se contente com o que foi entregue, pois teria inúmeras maneiras de ser mais impactante do que a foi, principalmente por mostrarem que a história foi verídica, então com um final mais árduo, certamente teríamos um filme que chamaria muito mais a atenção.

O longa nos situa no fim da década de 1970, aonde uma série de ataques assusta a região de Oise, na França: um maníaco que persegue jovens mulheres aleatórias. Franck, policial tímido e de vida pacata, é designado para investigar o caso e, na verdade, sabe mais dos crimes do que qualquer um poderia imaginar...

A história em si, que foi adaptada baseando-se em relatos dos jornais e pelo livro de Yvan Stefanovich pelo diretor e roteirista Cédric Anger é até que bem desenvolvida, pois consegue mostrar a loucura do assassino com um grau de dramaticidade bem coerente e envolvente, e os diálogos até que trabalham bem a força simbólica dos eventos. Porém, uma mudança facilíma de se fazer daria ao longa um resultado impressionante: não mostrar o rosto do assassino de cara, o que deixaria o público mesmo que tirando conclusões precipitadas, com muita curiosidade para confirmar se estavam certos de seus palpites, e isso iria certamente aguçar o suspense, pois logo de cara sabemos quem é o assassino, e nada do que ele faz, mesmo que sendo alguém problemático lhe coloca algum tipo de problema real para matar, ou seja, acabamos ficando esperando algo, que como já disse sobre suspenses franceses, não irá acontecer, e assim sendo temos um final decepcionante que necessitou de letreiro finalizador para pontuar o que ocorreu depois, e isso é algo que não é bom para um filme. Sobre a forma de dirigir de Cédric, podemos dizer que tem uma mão bem rígida para captar todo o sentimento do protagonista sem esfriar a cena, o que acabou dando um tom até que bem colocado para a trama, mas como disse, esperava muito mais do final, e nesse quesito tenho de pontuar que a falha recairá sobre ele.

Sobre a atuação de Guillaume Canet, sinto que ele tá precisando fazer algum romance mais forte para que os diretores saibam que ele não é um assassino de verdade, pois aqui sua performance como Franck ficou excelente e com uma psicopatia impressionante passada através de boas expressões e diálogos, nessa semana assisti 14 vezes o trailer de "O Homem Que As Mulheres Amavam Demais" e lá pelo jeito também mata donzelas, ou seja, daqui a pouco a polícia vai bater na porta do cara e prender ele sem que tenha feito nada, pois ele sabe ser frio e calculista como ninguém. Ana Girardot entrega uma empregada estranha, pois vive indo na casa do protagonista passar roupas e tudo mais, mas ao final do filme a casa está abarrotada de lixo... como alguém é apaixonada pelo personagem principal e larga a casa do cara assim? Ou seja, uma falha monstruosa do roteiro, e principalmente pela forma estranha dela de atuar, não que seu personagem seja muito comum, mas poderia ter trabalhado mais. Dos demais atores, todos os policiais parecem que fizeram o mesmo curso de interpretação, não tendo nenhuma característica que envolvesse ou chamasse a atenção, fazendo com que a gendarmaria, ou polícia civil francesa ficasse caracterizada por funcionários estranhos.

Agora é inegável o excelente trabalho da equipe artística, que trabalhou elementos cênicos aonde quer que olhássemos, e sempre bem densos e interessantes de ver, desde o preparo das armas, até as cenas de tortura foram pensadas e bem executadas com ângulos precisos de câmera para causar mesmo, e dessa forma temos de parabenizar a equipe. No quesito fotográfico, foi muito bem trabalhado o tom cinza no longa, deixando o ele bem colocado tanto no clima do inverno da região quanto no suspense que o diretor queria para seu filme, ou seja, um acerto bem posicionado, que como disse, só poderia ser melhor se tivéssemos um ângulo diferenciado nas cenas iniciais para que não víssemos o rosto do assassino.

A trilha sonora também foi bem densa e conseguiu segurar o ritmo da trama, o que é algo completamente necessário em filmes do gênero, portanto vale a pena prestar atenção na orquestra segurando bem o tom do filme.

Enfim, um longa bem feito, e com uma característica bem interessante, mas poderia certamente agradar bem mais se ajustado alguns pequenos defeitos. Vale ao menos uma conferida para ver o bom trabalho psicológico do protagonista e a densidade da trama, mas de resto, quem não gosta de filmes que não entregam tudo vai certamente ficar decepcionado com o final. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas agora vou pra despedida do Festival Varilux, com o último filme que veio para o interior após essa longa maratona de 16 filmes em 1 semana, então abraços e até mais tarde.


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O Que as Mulheres Querem (Sous Les Jupes Des Filles)

6/17/2015 01:53:00 AM |

É engraçado que quando um filme trabalha com conceitos totalmente machistas, vemos por aí diversas mulheres reclamando, brigando, e tudo mais, mas quando temos um longa feminista, os homens na sessão dão risadas! Não consigo entender isso? Particularmente não me senti ofendido com o que foi passado em "O Que as Mulheres Querem", mas também não me diverti tanto com alguns conceitos forçados que mais pareceram com vingança por outros filmes do que vontade de mostrar algo mais elaborado por parte da diretora e roteirista, porém temos de ser sinceros que algumas cenas foram muito bem elaboradas, embora o exagero para forçar a risada acabe incomodando em muitas outras cenas, ou seja, um resultado bem mediano que poderia ser explorado de outra forma.

Esta comédia se passa no primeiro mês de primavera, acompanhando as histórias amorosas de onze mulheres diferentes. Umas são esposas, outras são as melhores amigas, as amantes, as empresárias... Cada uma se envolve em um novo caso, com os homens de suas vidas, ou simplesmente com algum desconhecido encontrado por acaso.

A atriz Audrey Dana depois de fazer diversos filmes, resolveu que seria protagonista e também diretora e roteirista de um filme que tivesse como temática as mulheres, seus sofrimentos, vontades e tudo mais, mas ao invés de trabalhar algo que envolvesse mais pesquisa ou impusesse uma dramaticidade maior, resolveu atacar para uma comédia forçada, e isso infelizmente não vai fazer com que sua carreira saia da frente das câmeras para trás com muito mais frequência, pois embora algumas mulheres feministas a fundo saiam da sessão felizes de ver um longa quase que vingativo em resposta ao filme "Os Infiéis", o resultado não entrega algo satisfatório de ser conferido numa telona. Claro que o filme até funciona no mérito de fazer rir, e só isso já basta para classificá-lo como comédia, mas mistura tantas personagens, algumas muito parecidas, com situações absurdas de ocorrer que se eu que estou escrevendo agora praticamente apenas 1 hora após ter visto o filme já não lembro mais quem é quem, estou com a nítida certeza de que daqui a alguns dias nem lembrarei de ter visto esse filme, ou seja, totalmente dispensável tudo que foi feito.

Infelizmente não vou falar individualmente da atuação de cada uma das atrizes, mesmo porque como falei acima já não lembro mais quem é quem na trama, devido a bagunça que as atrizes fazem aparecendo a cada momento, só sei com certeza da Vanessa Paradis devido seu dente diferenciado e que fez de sua personagem Rose, uma empresária até que interessante e que infelizmente temos muitas por aí na vida real, que só trabalham como rígidas chefes e não possuem sequer uma amiga para compartilhar algo, e Géraldine Nakache por ser uma das personagens que mais aparece com sua Ysis na dúvida que várias mulheres possuem de ao sair com outra mulher, se ainda gostará de homens, e não tenho como opinar sobre isso, mas seus trejeitos ficaram um pouco estranho. A diretora faz o papel de Jo no filme, e acabou mostrando até um lado mais pervertido seu, mas não agrada muito na interpretação forçada que faz. Dos homens em cena, basicamente todos fizeram cara de coitados e Alex Lutz foi quem apelou para ficar sem roupa a maior parte do tempo de maneira totalmente desnecessária, ou seja, abuso de sexismo para nada.

Visualmente a trama nos entrega além de mulheres bonitas, afinal isso é um atributo visual da trama, figurinos bem pontuados e casas bem ornamentadas para representar classe social, forma de vida e tudo mais de cada uma das personagens, mas tirando o envolvimento familiar em algumas cenas, o restante é mero enfeite de cena, ou seja, foi dado trabalho para a equipe de arte apenas, mas pouco se usou, claro que o destaque fica para a conversa de celulares de Rose e Adeline. No conceito fotográfico, devido o longa se passar no começo da primavera, como todos sabemos é uma época que venta e chove muito pelo mundo afora, e dessa maneira foi bem pensado na iluminação de contraluz nas cenas de chuva para dar um ar mais clássico e bonito para a trama, e na cena que ficam sem energia na casa, a iluminação de velas deu o tradicional charme alaranjado, mas nada que tenha servido para alguma linguagem do longa.

Enfim, como tivemos cenas cômicas, e o filme no geral cumpriu o papel de ser classificado como comédia, já havia falado isso antes e parto do princípio de nota que já é meio caminho andado, portanto a nota será de 5 coelhinhos, porém do restante o filme é totalmente dispensável e esquecível, e vai ficar nessa nota apenas. Portanto, talvez algumas mulheres mais feministas de rigor até curtam o que é passado na trama, mas do restante não recomendo de forma alguma esse filme. Bem é isso pessoal, encerro o penúltimo dia do Festival Varilux aqui, mas volto mais a noite com os dois últimos longas que vieram para o interior, uma pena que ficaremos sem ver um que não veio para a cidade, mas fazer o que né? Então abraços e até mais tarde.


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