A Esperança É A Última Que Morre

8/26/2015 01:32:00 AM |

Tem coisas que acontecem na nossa vida dentro dos cinemas que não dá para explicar, pois confesso que ao ver o pôster e o trailer de "A Esperança É A Última Que Morre" falei para uma amiga que estava com plena certeza de que o longa era uma furada imensa, que seria tosco ao extremo e que não iria ser nem um pouco divertido conferir esse filme. Portanto, utilizando da ideologia do filme, eis que solto aqui um provérbio (ou sei lá se é isso) para o meu texto: "não se deve julgar um livro pela capa", pois o filme é uma das melhores comédias que o cinema nacional já nos entregou, com uma direção de fotografia incrível por trabalhar planos perfeitos de cada cena, e principalmente pela sacada do roteiro que inseriu boas piadas e expressões para que os personagens, mesmo que não tão bem atuados, fossem incríveis e divertidos do começo ao fim. Ou seja, tivemos mais um daqueles presságios negativos, que já vou ao cinema pronto para tacar uma tonelada de pedras no filme, e volto mastigando elas com açúcar, afinal que delícia de filme, que recomendo com toda certeza, por mais absurdo que possa parecer.

O longa nos mostra que Hortência é uma repórter de TV dedicada, sonhadora, que alimenta a esperança de deixar de fazer reportagens fuleiras e tornar-se âncora do telejornal local, comandado por JP. Quando fica sabendo que Vivian, a âncora do jornal, está para ser detonada por seu chefe, ela se anima toda, mas a jornalista Vanessa também quer essa vaga. Agora, Hortência precisa arrumar um jeito de garantir seu novo posto, nem que para isso necessite criar um assassino serial de mentira, suficiente para garantir seu destaque diante da concorrência. Ela conta com a ajuda de dois amigos, que trabalham no Instituto Médico Local, mas essa mentirinha vai acabar saindo de seu controle.

Pesquisando um pouco mais sobre o longa, é fácil descobrir o motivo de o longa ter uma história tão bem encaixada, pois escrito por dois dos roteiristas nacionais que mais tem acertado ultimamente Patricia Andrade("Julio Sumiu", "O Canto da Sereia", "A Beira do Caminho", "Made in China") e José Carvalho("Faroeste Caboclo", "Elvis & Madona", "Sai de Baixo"), o filme certamente teria um bom tino cômico e pontuações precisas para divertir na medida correta, e é notável a preocupação das inserções dos provérbios com toda a sintonia de cada personagem criado para representar toda a história. E adicionado ao bom texto, foi escolhido o diretor "novo" Calvito Leal, que anteriormente só havia ganhado diversos prêmios com seu documentário sobre Simonal e feito da nova versão da novela "Saramandaia", uma série criativa e cheia de efeitos para impressionar a todos, ou seja, veio para o filme pronto para estrear na direção de uma ficção querendo explorar o máximo de belas tomadas que pudesse, e criar planos dinâmicos e bem trabalhados para cativar quem gosta de ver uma boa cena, mesmo que num filme de comédia, agradando tanto pelo conteúdo quanto pelo visual. E esse belo casamento resultou num filme extremamente interessante, que diverte e ainda consegue satirizar certos pontos tristes dos nossos governos com a mídia que só quer ibope.

Só não posso dizer que o filme foi perfeito pelo único problema visível do filme: a atuação simples demais da protagonista. Não digo que Dani Calabresa não é engraçada e sabe fazer caras boas para divertir, mas não é uma atriz que sabe dominar um texto e interpretar quando é necessário, de modo que nas cenas que precisou ser engraçada, até foi bem, mas quando tinha de botar a expressão para jogo, literalmente tremia na base, e isso é algo que atrapalhou até no tom da voz, pois em alguns momentos fica completamente audível que tivemos muitas cenas dubladas depois de pronto o filme, para dar uma melhorada no timbre de voz de sua Hortência, mas como muitos nem vão notar esse problema técnico, posso dizer que no que ela se propôs a fazer, cumpriu e agradou como uma jornalista "fraca", que precisou de meios para conseguir crescer na emissora. Agora usando mais um provérbio ou expressão: "Há males que vem para o bem", e o atraso nas gravações tirou Leandro Hassum da produção do filme, e a substituição dele por Rodrigo Sant'anna foi a melhor coisa possível de acontecer, pois o personagem Ramon caiu como uma luva nas mãos do humorista que abusou de olhares, trejeitos e até impostou a voz para que cada cena sua fosse o mais incrível possível, e se tem um ator que pode salvar a comédia nacional, certamente esse é o nome que devemos ficar de olho, pois ele sempre detona em todos os papéis que faz. Danton Mello também foi uma ótima alternativa para substituir Gregório Duvivier, pois mesmo que ambos não sejam engraçados, Danton é ator e sabe como colocar carisma nas suas interpretações mais sentimentais, de modo que o seu Eric até chega a ser bem agradável nos momentos cômicos, e passa pena nas cenas mais emotivas, o que vai chamar a atenção de quem estiver torcendo pelo seu romance com a protagonista. Katiuscia Canoro já fez papéis bem emblemáticos no antigo "Zorra" que nem chamava ainda esse nome, como Lady Cate, mas aqui sua Vanessa é tão irritante que acaba sendo engraçada, mas ainda precisa melhorar seu jeito expressivo para o cinema, pois sendo mais acostumada com teatro, ainda usa de trejeitos forçados para chamar atenção, o que não era necessário para as cenas. Um dos atores mais experientes no filme, Augusto Madeira, tentou ser cômico com seu JP, mas ficou meio abobalhado demais, com trejeitos excessivos e de certo modo até cansativo por tudo o que fez, e em alguns casos vale até mais uma expressão que não é um provérbio, mas cabe bem aqui: "menos é mais", pois se não forçasse tanto acabaria ainda divertido e agradando mais no que mostraria. Dos demais praticamente só temos participações, aonde alguns possuem um pouco mais de falas, como Thelmo Fernandes com seu Major (outro personagem de encaixe bem fraco) e Márvio Lucio com seu Governador bobo demais.

Se os atores estavam um pouco perdidos em cena, não podemos dizer o mesmo de maneira alguma da equipe técnica envolvendo arte e fotografia, pois cada elemento cênico importante foi colocado para simbolizar cada provérbio de maneira divertida e bem emblemática, cada ator foi caracterizado bem com o que o personagem pedia, e cada cenário foi trabalhado para representar bem a cidadela de Nova Brasília, mesmo tendo sido inteiramente gravado no Rio de Janeiro, ou seja, um trabalho minucioso de pesquisa e detalhamento para que o filme tivesse vida própria e agradasse no que o roteiro pedia com a maior riqueza de detalhes possíveis para envolver e chamar atenção. E como já disse no começo do texto, e também em diversos outros textos que falei de Gustavo Hadba como diretor de fotografia, o cara é um gênio dos enquadramentos e da iluminação no Brasil, dando nuances em cada tom das cenas, trabalhando ângulos diferenciados que o diretor solicitava, e brincando com quem gosta de não ver o plano tradicional mal iluminado jogado na maioria das comédias, ou seja, pegaram alguém que está acostumado a fazer dramas bons para trabalhar uma comédia com classe, e isso deu muito certo.

Enfim, um filme muito bem feito, que usando de mais uma expressão popular "mata a cobra e mostra o pau", ao quebrar minha cara com um filme divertidíssimo que recomendo com toda certeza para quem gosta de uma comédia mais escrachada, que não se preocupa em ser novelesca (graças aos deuses do cinema) e também não apelativa como acontece na maioria das comédias nacionais, mas sim em ser um filme feito para divertir e fazer o público rir, ou seja, vale a pena ser vista com muita certeza. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, agradecendo mais uma vez ao pessoal da Difusora FM 91,3Mhz pela parceria e principalmente por trazer essa super pré-estreia com 10 dias de antecedência para a galera que lotou a sala e se divertiu muito com o filme, ou seja, fiquem ligados na rádio, que em breve certamente tem mais pré-estreias para conferir. Então abraços pessoal, e até quinta, pois essa próxima semana vem quente.


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O Último Cine Drive-in

8/23/2015 02:20:00 AM |

Sabemos que ultimamente as produtoras nacionais só nos tem entregado comédias novelescas, ou quando arriscam com algo com uma certa pitada dramática acabam errando feio. Pois bem, se você acha que não podemos ter uma comédia dramática bem feita em nosso país, a partir de hoje pode mudar seu conceito com "O Último Cine Drive-in", que ao mesmo tempo que consegue nos deixar com um sorriso estampado na cara durante toda a duração, conseguiu comover totalmente quem tem paixão pelo cinema, e sabe o quão interessante era ir aos cinemas de rua ou de estacionamento. O longa até possui alguns defeitos que são bem perceptíveis, mas a história e a forma que foi montado é tão maravilhoso de ver na telona que saímos da sessão vibrantes com o resultado e emocionados com tudo o que foi entregue.

O filme nos mostra que o jovem Marlombrando se vê obrigado a voltar à Brasília, sua cidade de natal, devido a doença de sua mãe, Fátima. Lá, ele vai reencontrar seu pai, Almeida, dono do Cine Drive-in, há 37 anos. Ele insiste em manter vivo o cinema, mesmo não atraindo mais espectadores como na década de 70. Para isso, conta com a ajuda de apenas dois funcionários: Paula, que cuida da projeção e da lanchonete; e José, um velho amigo de Almeida, que ajuda a vender ingressos no caixa e da limpeza do local. Com a ameaça de demolição do Cine Drive-in e o agravamento da doença de Fátima, pai e filho vão ter que se unir e tentar reviver o passado.

É interessante ver o que o diretor e roteirista Iberê Carvalho nos entregou, pois ao sair completamente dos padrões que o público está acostumado a ver nas comédias e dramas nacionais, ele correu o risco de seu filme não empolgar, o que acaba não ocorrendo, ao menos para os fãs de cinema das antigas, pois mesmo que exagerando no tom mais saudosista, ele soube dosar as cenas mais cômicas com a tensão familiar e o clima pesado de uma última sessão de cinema no último cinema de estacionamento (cine drive-in) do país, para que o filme ficasse leve e gostoso de assistir. E dessa maneira, ele conseguiu trabalhar a sintonia de um bom filme no modelo tradicional, ou seja, usando apenas a interpretação dos atores dentro do texto escrito, não dependendo de efeitos nem de iluminações impressionantes, para que a trama se desenvolvesse bem e ainda prendesse o espectador com cenas comoventes bem interpretadas, usando de bons ângulos de câmeras e ainda pontuando com classe para aqueles que não conheciam uma projeção em película como é feita. Um grande acerto para ele, que já havia ganhado muitos prêmios com seus curtas-metragens, e agora certamente deve decolar nos longas.

Sobre as atuações, é fácil notar o empenho dos atores em estarem fazendo sua interpretação de cada um dos personagens com amor ao que fazia, pois a cada cena era visto um empenho único na dinâmica dos personagens para que o gás fosse sempre bem pontuado, e isso foi algo bem bonito de ver, mesmo que em alguns momentos o excesso de liberdade para com os trejeitos deixassem os personagens um pouco falsos. Breno Nina entregou para seu Marlombrando um estilo meio rígido de quem sofreu muito na vida e agora com a doença da mãe colocaria tudo a desabar, mas o que vemos é uma força em tentar que tudo dê certo tanto na relação com o pai omisso, quanto em dar uma última felicidade para a mãe, o ator até que saiu bem na missão, mas poderia não ter fechado tanto a expressão nas cenas iniciais, pois a mudança de um ato para o outro é repentina demais e isso soou falso, mas no geral agrada bastante. Othon Bastos é sempre mestre no que faz, e aqui não seria diferente com o seu Almeida, que transpira o cansaço dos longos anos na função sem retorno, afinal a cultura do país cada dia mais vai sendo enterrada e o seu personagem é a prova viva disso, de modo que o ator conseguiu mostrar tanto na atuação quanto na forma do personagem ser a paixão pelo velho e a possibilidade de que o novo ande junto, muito bela sua cena no cinema do amigo. A personagem Paula interpretada por Fernanda Rocha até é interessante, mas merecia um pouco mais de atenção no desenvolvimento do roteiro, pois acaba ficando muito de escanteio, enquanto poderia ter uma função dramática mais envolvente, e a atriz se mostrou bem disposta para com isso, então foi falha de segurança do diretor. Rita Assemany aparece pouco com sua Fátima, mas nas cenas que entra, comove com expressões belas e bem interessantes, além claro de ao estar num hospital público, serve também como crítica social de abandono não só da cultura que o filme acaba criticando, mas da saúde também, afinal é mostrado o desrespeito com o povo nas macas jogadas por todo hospital, e isso comove. Os demais apenas foram colocados com função de ligação com os personagens, mas poderiam ter feito menos caras e bocas nas expressões, de modo que nenhum médico de hospital teria toda aquela forma cênica de falar com as pessoas, então faltou um pouco de preparo aqui.

No conceito visual da trama, tudo é simples, mas de um bom gosto exemplar para retratar cada elemento como deveria ser. O drive-in está destruído, e mostra bem como foram os últimos dias desses cinemas que acabaram mais como motéis do que como exibidores de filmes mesmo, as pinturas, fios e tudo mais sem ser feita há anos, os projetores funcionando sem manutenção desde os primórdios quando foram comprados, e claro passando somente filmes que conseguiam emprestados com os amigos, ou seja, algo completamente triste para quem ama a arte em si, e tenho certeza que muitos que forem ver o filme e já foram nesses locais, ou até mesmo em cinemas de rua das antigas, vai se emocionar com tudo o que verá, afinal o trabalho da equipe de arte em mostrar elemento por elemento, foi maravilhoso. A fotografia trabalhou muito com planos abertos para valorizar o ambiente, e claro que usou muita luz falsa para dar um ganho de vida nas cenas noturnas dentro do drive-in, mas isso não atrapalhou em nada, dando ainda mais charme e beleza para com as sombras, colocando o modo tradicional de cinema novamente em pauta, ou seja, tenho certeza absoluta que muitos conhecidos irão amar o que vão ver.

Enfim, é um filme muito bem feito, emocionante, comovente e que embora não seja feito para a garotada atual que só gosta de efeitos e pancadaria, vai transportar os velhos amantes de cinema às boas épocas em que iam namorar nos cinemas vendo um bom filme, e claro também servirá para aqueles que não sabem como uma película é montada e projetada numa telona, vejam e deem valor ao mérito fácil que é hoje apenas dar o play num computador. Portanto acabo recomendando o filme para todos, afinal não é sempre que o cinema brasileiro nos entrega um longa tão bem feito, que se não tivesse os pequenos defeitos que citei acima, seria algo para ver e rever infinitas vezes, mas ao menos uma se torna obrigatório, então vá aos cinemas que estão passando, pois é um filme praticamente independente, então não deve ficar muito tempo nas salas dos cinemas em exibição de cada cidade. Bem é isso pessoal, encerro aqui minha semana cinematográfica com essas estreias que vieram para cá, mas a próxima começará bem mais cedo, então abraços e até breve.


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Exorcistas do Vaticano (The Vatican Tapes)

8/22/2015 01:49:00 AM |

Se existe um gênero que dá para ficarmos pensando no que leva um roteirista a imaginar as insanidades de uma história para que alguém compre, produza e distribua sua ideia é o tal do terror. Daí tivemos uma época que os longas do gênero só assustavam as pessoas, mas tinham histórias bobas, sem sentido algum, mas que faziam qualquer um com pinta de machão dormir de luz acesa e pular correndo ao ouvir qualquer barulho suspeito, mas passaram a reclamar da falta de originalidade, e que deviam melhorar as histórias, para que elas fossem mais críveis, ou ao menos embasada em coisas que já aconteceram realmente ou estão escritas em algum livro. Porém esqueceram de dizer nessas cobranças, que deveriam manter a forma assustadora, afinal mesmo que o filme tenha um conteúdo, se ele não arrepiar ou causar pânico nas pessoas, certamente elas irão esquecer tão rapidamente viram o filme no cinema. Disse tudo isso apenas para exemplificar o que ocorre com "Exorcistas do Vaticano" ou "The Vatican Tapes" (algo como os vídeos do Vaticano, que até justifica mais a história), pois o filme tem um conteúdo até que bem interessante, pautado em algumas passagens bíblicas, com uma certa dinâmica inicial bem documental, e claro que alguns absurdos para chamar atenção, mas faltou com o prato principal que o público que vai conferir esse estilo de filme espera: o famoso arrepio na espinha, o medo de algo irreal. E assim sendo, o filme até foi bem produzido, mas a aparência final após tudo o que rola, é a de que temos agora uma nova equipe de super-heróis do Vaticano que recrutada por um padre, ao estilo de Samuel L. Jackson, irá combater as forças do mal na continuação do filme.

O filme nos mostra que após cortar o dedo acidentalmente, a jovem Angela Holmes começa a ter um efeito devastador sobre as pessoas, provocando graves ferimentos e até mortes. O vigário da comunidade, Padre Lozano, examina Angela e acredita que ela está possuída. Mas quando o padre Imani e o cardeal Bruun chegam do Vaticano para exorcizar a garota, eles descobrem uma força satânica mais ancestral e poderosa do que poderiam imaginar.

É interessante observar que o roteiro criado por Chris Morgan, que ultimamente tem acertado bastante no gênero ação, vide "Velozes e Furiosos 7", e Christopher Borrelli estava pronto há muito tempo, e praticamente nenhum estúdio encontrava formas interessantes de produzir o filme, visto que a história era boa, mas necessitava de um diretor que desse o tom certo para a trama. E dessa maneira, volto a repetir que o problema do filme foi desenvolver melhor a história para que ficasse num tom mais assustador, ou partisse de vez para a ideologia de ação, meio como que disse acima, de super-heróis da Igreja contra as forças ocultas (se surgir algum filme com essa ideologia que estou falando, vou querer direitos), e visto que os roteiristas não possuíam qualquer experiência com o gênero de terror, é bem provável que a ideologia deles não era a de que fosse feito algo assustador realmente. Aí entra um estúdio maluco que pega a ideia e coloca nas mãos de um diretor que só fez filmes fora de tino como é Mark Neveldine, e o que ele faz, nada de obscuro, nenhum susto e muito menos desenvolver o longa como algo de ação envolvente. Claro que, deixando de lado alguns erros do diretor, sempre em seus filmes temos de vibrar muito com os ângulos de câmera que escolhe, afinal temos sequências bem interessantes tanto em "Gamer", quanto o que foi mostrado aqui, e nesse sentido, embora ele não crie nada muito além, podemos ver um cuidado em ser diferenciado. E assim sendo, uma história boa acabou não sendo aproveitada como deveria, e infelizmente, a ideia vai acabar sendo perdida.

No quesito atuação, o que podemos falar com muita certeza de todos é que nenhum ator colocou medo em suas expressões, de modo que o pavor ou até mesmo o desespero deixou florescer sequer uma pontinha do que qualquer um deveria demonstrar no estilo que o filme quis se encaixar, então só isso já caracteriza um enorme erro. Olivia Dudley trabalhou bem ao incorporar o demônio dentro de si de uma maneira bem interessante, e junto com a equipe de maquiagem acabou ficando bem estranha durante praticamente todo o filme, para que no final sua Angela estivesse linda para o fechamento, e isso é bem interessante de ver, pois nesse estilo de filme, costumam fazer exatamente o inverso, e assim sendo a atriz segurou bem as pontas para agradar ao desejo do roteiro. Michael Peña anda trabalhando bastante em Hollywood, e aqui mesmo que aparecendo pouco em cenas esporádicas, conseguiu chamar a atenção e caso exista uma continuação ele deve protagonizar mais, porém aqui ele fez de seu Padre Lozano um personagem sério demais, algo que não é comum de ver no seu estilo de atuar, mas como sempre é bem colocado, ele acabou agradando. Dougray Scott e John Patrick Amedori fizeram de Roger e Pete, apenas enfeites que circulam ao redor da protagonista como pai e namorado, mas não serviram nem para morrer com classe, então ficaram totalmente dispensáveis do filme. A médica interpretada por Kathleen Robertson ficou um pouco forçada demais e embora leve um cutucão dos bons da protagonista, não teve sequer muito a entregar e nem foi desenvolvida na trama como deveria, aparecendo do nada e fugindo do nada também, ou seja, faltou algo a mais para que valesse a pena sua participação. Peter Andersson aparentou estar mais endemoniado que a própria garota, e isso de certa forma ficou um pouco assustador, mas assim como aconteceu com a média, foi pouco apresentado a síntese de seu Bruun, já entrando diretamente na história sem que soubéssemos mais do que já fez, e acreditando apenas nas suas palavras, o que é algo ruim e difícil de acreditar. Para fechar sobre os atores, é engraçado ver as diferentes sinopses que colocaram Djimon Hounsou como protagonista na trama, mas o seu Padre Imani apenas ficou lá no Vaticano e aparentou que terá muito mais importância num segundo filme do que nesse mesmo, mas pode ser que tenham cortado cenas demais do original, então dessa forma apenas temos que dizer que ele ficou mesmo que pouco na tela, interessante de ver.

O visual da trama foi bem feito, com bons elementos cênicos, mas que precisava de um pouco mais para assustar e determinar o estilo, e mesmo com locações bem interessantes (o hospício foi o melhor), poderiam ter colocado mais símbolos obscuros nas cenas mais densas, para que não ficassem tão dependentes de um corvo e sua sombra somente. Claro que na cena do hospital psiquiátrico, o envolvimento dos personagens com os elementos cênicos foi bem interessante, mas poderiam ainda ter assustado com cenas mais repentinas que acabaria agradando mais. No conceito fotográfico, a cena do pôster é uma das melhores e mais bonitas feitas no cinema de terror, e mostra que a equipe estava pronta para trabalhar as sombras e luzes da melhor forma possível para agradar, mas não se esforçaram para isso, pois mesmo trabalhando com efeitos um pouco falsos, o filme acabou tendo bons tons e ficando bonito de se ver. Embora muitos irão reclamar do excesso de cenas com símbolos de câmeras (REC, Contador de minutos, e escritos no rodapé), o filme originalmente se chama vídeos do vaticano, então o uso faz sentido e deve ser respeitado.

Joseph Bishara já deve estar assombrado com o tanto de trilhas de filmes de terror que anda fazendo, e aqui não foi diferente o estilo que utilizou, agradando por permear sons e ritmos próprios tanto para preparar o público para determinada cena, como para dar a nuance das cenas mais calmas, e assim conseguir agradar bastante.

Enfim, é um filme que não é perfeito e faltou muito para agradar, mas no meu ver até saiu melhor do que o esperado, afinal um filme somente de sustos cansa, mas um filme com história boa para se trabalhar com sequências, mesmo que falhe no quesito assustar, ainda vale como um bom terror. Portanto quem gosta de longas de terror que contenha uma boa história, mas que não passe nenhum medo, esse vale completamente como dica. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas ainda falta uma estreia que veio para o interior para conferir, então abraços e até breve.


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Linda de Morrer

8/21/2015 12:49:00 AM |

Por mais maluca que possa ser minha próxima afirmação, digo que faltou enrolação para "Linda de Morrer" ser melhor e agradar mais do que o mostrado na tela! E não digo isso com uma felicidade estampada na cara, pois sempre fui contra filmes que fiquem enrolando para dizer a que veio, mas o novo longa é tão sucinto, que tão rápido o problema já acontece, ele já é resolvido, e o filme se encerra. Claro que tudo é bem divertido, é possível dar boas risadas, Glória Pires está sensacional, a história de Marcelo Saback é boa, a direção de Cris D'Amato é consistente, mas poderiam ter desenvolvido mais as subtramas do miolo, ou os espíritos atormentarem mais o personagem de Emílio Dantas para que ele fosse ajudar a protagonista, e assim sim o filme acabaria como uma excelente comédia, a qual foi proposta. Portanto, em momento algum vou dizer que o resultado do filme foi ruim, muito pelo contrário, é algo engraçado e que felizmente foge do tradicional clichê de roteiros de comédias nacionais que estamos acostumados, mas como diriam nos realities culinários: faltou tempero!

O longa nos mostra que a médica muito famosa, Paula descobre como resolver o drama das mulheres modernas: a celulite. Com o recém-criado Milagra, ela espera salvá-las deste “mal”. Porém, Paula toma o remédio e morre de um inesperado efeito colateral. Agora, seu espírito preso à Terra precisa denunciar o próprio remédio e salvar as futuras vítimas de seu inescrupuloso sócio, Dr. Francis. Para isso ela conta apenas com duas pessoas: o estabanado Dr. Daniel, que acaba de herdar o dom da mediunidade da avó, e Alice, sua filha com quem vivia às turras quando era viva.

Com a ideia original de Carolina Castro("Se Eu Fosse Você"), o roteirista Marcelo Saback, que tanto tem feito ótimas roteiros de comédia, e sempre agrada no que faz, aqui poderia ter explorado um pouco mais a síntese da história e ter feito algo com mais desenvolvimento de personagens. Não digo aumentar a duração do filme, afinal as quase duas horas de duração passam que nem um tiro com o ótimo ritmo que a diretora Cris D'Amato conseguiu imprimir, mas trabalhar alguns personagens e até mesmo conseguir tirar comicidade de alguns trechos que parecem perdidos na história, pois mesmo mostrando os efeitos colaterais em algumas mulheres, essas acabam sendo meros enfeites, de modo que poderiam ser eliminadas, e esse precioso tempo jogado mais em cima dos protagonistas para que aí sim, o filme ficasse tão vibrante como foi o primeiro filme da idealizadora da trama Carolina Castro. Cris D'Amato já vem mostrando uma solidez no estilo de direção de comédias, pois sempre inova seja em um estilo de filmagem, seja no teor cômico dos protagonistas, ou até mesmo no ritmo que gosta de colocar em seus filmes, e aqui ela até trabalhou bem com tudo o que tinha em mãos, usando alguns recursos bacanas no desenrolar da trama e sendo bem ágil com seus planos, não ficando muito presa ao conteúdo, nem à ideologia de religiões, que muitos poderiam lhe atacar, e isso foi bem agradável de ver e se tivessem feito como disse de segurar mais a trama somente na Glória e em Emílio, o filme seria um arraso.

Sendo bem breve sobre os protagonistas, não temos como não enaltecer Glória Pires, que qualquer papel que lhe for entregue vai conseguir desenvolver e agradar, seja ele cômico ou dramático, e aqui ela fez de sua Paula, uma mulher durona logo de cara, mas que vai se desenvolvendo e nos envolvendo de um tanto, que no final já estamos apaixonados por ela, e claro rindo muito de suas situações, poderiam ter apostado bem mais as fichas nela que ela dominaria e faria o gol. Emílio Dantas também caiu bem como um misto de psicólogo/médium com seu Daniel, só faltou ele estudar um pouco mais o personagem de Whoopi Goldberg em "Ghost" para detonar no personagem, mas claro que também quis fugir um pouco do clichê e com isso até foi bem trabalhado, mas faltou mais cenas dele com os outros espíritos para que ficasse mais cômico. Antonia Morais até foi bem simpática com sua Alice, mas mesmo sendo filha da própria Glória na vida real, faltou ainda uma química maior de mãe/filha para que seus dilemas envolvessem, claro que tirando a cena de homenagem que ficou bem comovente, mas no restante não agradou. É engraçado analisar o estilo de Suzana Vieira, pois há momentos que sua Lina fica perfeita, bem colocada, dinâmica e engraçada, mas em outros ela apela tanto que chega a passar como boba, vide sua cena incorporada no ritual falando de forma abobada, mas tirando isso, o papel lhe caiu muito bem. Outra que merecia ter sido melhor aproveitada no filme era Viviane Pasmanter, pois logo de cara sabemos o que vai acontecer com sua personagem, mas acaba sendo tão vago e necessário explicitar na tela para aqueles que não pegam a síntese que soa até que meio bobo, e daria um bom tino para a trama certamente. Falar então de Ângelo Paes Leme e Pablo Sanábio com seus Francis e Marcelo é quase que dizer que eles apareceram no filme e só, pois tirando o momento de incorporação de Paes Leme que ficou bem divertido, e o desespero abobalhado e atacado de Sanábio nas duas cenas que aparece, o restante é quase nulo seus atos. O restante é melhor considerar como figuração, então como disse, seria melhor que não tivessem nem insistido tanto nas cenas, pois não servem para quase nada na trama, mas se contarmos em tempo, acabaram deixando até que uns 10 a 15% do filme com essas cenas inúteis.

No conceito cenográfico e artístico, a equipe até que trabalhou bem alguns elementos para chamar atenção, como o remédio bem destacado nas propagandas, mas faltaram colocar mais objetos identificáveis como ambientação das locações, de modo que mesmo tendo de 4 a 5 boas locações, os cenários ficaram pobres cenograficamente falando, pois a clínica pareceu quase um clube com salas simples, a casa da protagonista até tem seu charme de mansão, mas é praticamente dois cenários apenas, a casa e a clínica do psicólogo é simples demais, valendo mesmo somente as boas tomadas do cemitério que foi bem valorizado em algumas cenas, senão passaria em branco também. Além desses detalhes também ficou pouco explorado a vontade e o modo de vida da garota, que tanto busca perfeição no modo simples de expressar das mulheres, e isso ser colocado apenas como um texto em determinada cena, acabou ficando faltando para a questão cênica. A fotografia trabalhou muito bem a nuance de sombras para não termos um fantasma "vivo" e isso agrada bastante de ver que o cinema nacional começou a se preocupar com esses detalhes, e além disso, não temos tons fortes destoando nas cenas, colocando somente o figurino da protagonista como um realce cênico, mas que em momento algum atrapalhou nos demais tons que quiseram passar de acordo com o teor de cada cena.

Enfim, é uma boa comédia, que até possui uma certa quantidade de defeitos, mas tem um ritmo tão gostoso, leve e que diverte, que acabamos gostando do resultado e saindo felizes da sessão com o que é mostrado. Quem não for tão exigente e apegado à detalhes é capaz de gostar até mais. Mas confesso que esperava bem mais, afinal muito das cenas mais risíveis já haviam sido mostradas no trailer, então isso poderia ter sido melhorado em algum momento, mas como falei para um amigo, já vi coisa bem pior no cinema, então vale recomendar o filme para quem gosta do estilo. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais estreias que vieram para a cidade, então abraços e até mais.


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O Pequeno Príncipe em 3D (Le Petit Prince)

8/16/2015 02:37:00 AM |

Diferente do que costuma acontecer no cinema de animação, o longa francês "O Pequeno Príncipe" certamente irá levar aos cinemas muitas pessoas mais velhas do que crianças que desejam ver um desenho na telona. Digo isso, pois muitos adultos leram o livro na infância, releem trechos em determinados momentos e sempre conseguem novas e maravilhosas interpretações para cada uma das metáforas e abstrações que Antoine de Saint-Exupéry colocava em seus textos. E o mais interessante do filme é que conseguiram pegar toda essa simbologia e criar um filme não totalmente fácil, mas que envolve, recria as sensações que tínhamos no livro e de uma maneira gostosa ficamos comovidos com o que vemos, ao pensar o quão simples pode ser a vida ao enxergar tudo com outros olhos. Claro que a história que nos é mostrada no filme não chega nem perto da comovente história que o livro possui, sendo algo completamente diferente que foi trabalhada numa versão menos complexa, mas que com certas simbologias presentes na estrutura, certamente vai agradar mais quem não conhece a história do que os que são realmente fãs do livro de Saint-Exupéry. Portanto é certo que muitos adultos verão ciscos passando pela sala e batendo em seus olhos, enquanto as crianças que forem ao cinema junto talvez nem entendam o porquê de seus pais estarem tão emotivos, mas daí surge a oportunidade de que eles leiam e entrem nesse mundo mágico que o livro tinha e ainda agrada a tantos.

O longa nos mostra que uma garota acaba de se mudar com a mãe, uma controladora obsessiva que deseja definir antecipadamente todos os passos da filha para que ela seja aprovada em uma escola conceituada. Entretanto, um acidente provocado por seu vizinho faz com que a hélice de um avião abra um enorme buraco em sua casa. Curiosa em saber como o objeto parou ali, ela decide investigar. Logo conhece e se torna amiga de seu novo vizinho, um senhor que lhe conta a história de um pequeno príncipe que vive em um asteroide com sua rosa e, um dia, encontrou um aviador perdido no deserto em plena Terra.

É interessante ver a preocupação do diretor em trabalhar com diversas linguagens e tecnologias no mesmo filme, pois seria muito mais fácil utilizar a computação gráfica na íntegra que chamaria atenção da mesma maneira, mas certamente deixaria o longa mais pobre em questões afetivas, então Mark Osborne optou pelas cenas sequenciais do filme usando computação tridimensional, nas cenas do pequeno príncipe botou stop-motion com um tom diferenciado mais disforme, e em alguns momentos iniciais trabalhou com a animação 2D tradicional para representar os desenhos do escritor. E muitos vão se perguntar qual a real necessidade disso, além de um simbolismo maior, a resposta fica clara nos últimos atos, para que a vivência simbólica tão característica da história do livro fosse transpassada para o filme e de certa maneira mostrasse cada momento do filme como único, não interligando os fatos logo de cara. Além desse grande mérito de escolha de tecnologia, alguns podem até ficar bravos de o filme não ser exatamente o livro transpassado para a telona, como já foi feito no filme de 1974, mas o grande acerto do diretor e dos roteiristas foi em captar a essência bonita que a história do livro tem e colocar na vida conturbada da garotinha para que ela aprendesse o que realmente é essencial para a vida dela, e dessa maneira o longa acaba comovendo muito e emocionando com o que é mostrado.

Sobre a dublagem do longa, vou falar em dois momentos, um hoje aqui no texto mesmo sobre a francesa, já que vi legendado hoje, e volto na terça para falar nos comentários sobre como ficou a versão nacional que irei conferir junto de amigos. Como o filme foi produzido na França, ficou bem interessante o objetivo de mostrar como crianças e pais disputam vagas em escolas renomadas, e o modo impostado da voz de Florence Foresti como a mãe da garotinha representa muito bem a forma que foi criada a personagem, claro que ela aparece em poucos momentos, senão o filme acabaria se tornando mais um drama do que algo leve que propunham. A modelagem da garotinha com olhos grandes e vivos foi algo muito bem pensado para representar as descobertas, a busca pelos objetivos e até mesmo o aguçamento da curiosidade, e o tom que a estreante Clara Poincaré emprestou para a personagem foi algo muito doce e bonito de se ver, de modo que embarcamos junto dela. O jovem estreante Andrea Santamaria também soube dublar com pausas pensantes a voz do Pequeno Príncipe que de uma maneira bem rústica acabou sendo modelado de forma bem simbólica, não tendo um traço que nos envolvesse tanto, claro que no quesito sonoro somos quase que transportados para dentro do desenho, mas visualmente assusta um pouco. Em compensação, o desenho do aviador foi tão bem feito que quase desejamos estar junto dele para se aventurar naquela bagunça de casa e com a maravilhosa voz de André Dussollier quase pedimos para que contasse inúmeras histórias para nós, ficarei certamente na torcida para que façam mais desenhos com histórias do príncipe para que ele nos conte. Guillaume Canet está fazendo tantos filmes esse ano, e que vem aparecendo por aqui, que já quase só de ouvir sua voz remetemos à sua personalidade, então ao aparecer no filme como uma personificação adulta do protagonista, é tão chamativo que quase vemos ele ali, e isso embora seja bom para o ator, descaracteriza um pouco o personagem, pois ele poderia ter impostado melhor a voz para algo mais próximo do outro ator que faz o restante inteiro do filme. Agora em termos de fofura visual, a modelagem da raposinha, certamente vai fazer com que muitas crianças queiram uma pelúcia do filme, e isso vai ser aproveitado pela equipe de marketing para vender mais o filme, e até é engraçado ver que como disse de Canet que falhou no quesito dublagem, aqui Vincent Cassel colocou um tom muito bem forte e interessante para a frase mais tradicional do livro que conhecemos.

Por trabalhar bem o conceito visual, tanto na modelagem tridimensional dos personagens da nova história, quanto no stop-motion mais simplista do conteúdo do livro, podemos dizer que a equipe artística teve um certo trabalho em ser minuciosa com cada detalhe para que o filme tivesse uma vivência bem interessante, e junto com a equipe de fotografia, trabalharam bem as cores para que os sentimentos presentes em diversos momentos do livro, como amizade, alegria, amor e contrapondo solidão, tristeza e rigidez, fossem bem simbolizadas com cores vivas e nos demais momentos a escuridão predominasse, e isso é bem bonito de ver no filme. Além disso, o tom bem amarelado na maioria das cenas do livro chamaram bem a atenção e resultaram num visual incrível. Agora um detalhe que poderiam ter explorado bem mais é a tecnologia 3D, pois se tivemos umas 6 cenas aonde a profundidade de campo ou algo saiu da tela, foi muito, no restante só não é possível assistir sem óculos, devido embaçar as letras da legenda, mas quem for ver dublado, certamente e quiser ver o filme sem óculos vai conseguir tranquilamente.

Enfim, é um bom filme, que emociona e cativa, mas poderia agradar muito mais pela alta expectativa que muitos que leram o livro esperavam dele. Recomendo mais pelos sentimentos simbólicos que quem captar a essência do filme, poderá refletir mais, mas para a garotada em si, talvez falte um pouco mais de comicidade e brilho para contagiar elas com a história. Bem é isso pessoal, fico por aqui encerrando essa semana cinematográfica curta, mas volto na terça aqui mesmo nos comentários para falar sobre a dublagem nacional do longa e quinta com mais estreias, então abraços e até breve.


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A Escolha Perfeita 2 (Pitch Perfect 2)

8/15/2015 02:09:00 AM |

Sabe quando você não sabe o que escrever sobre um filme? Esse sou eu hoje aqui para falar de "A Escolha Perfeita 2", pois gostei muito do que vi, e odiei o que ouvi, e olha que estamos falando de um longa musical! Não digo isso devido à escolhas ruins musicais, muito pelo contrário, pois as músicas escolhidas foram ótimas, mas como todos que me acompanham aqui no site, sabem que não gosto de assistir filme em casa, optando sempre pelo bom e velho cinema, muito menos baixado pela internet, mas essa crítica só irá ao ar após rever o filme por esse meio, já que a distribuidora Universal Pictures optou por mandar para a cidade 3 cópias para 3 diferentes cinemas, mas todas dubladas, e acabei vendo em um deles a simbologia perfeita de como um filme dublado estraga tudo o que de bom a versão original teve trabalho em fazer. Claro que virão os haters de plantão falar que alguns filmes dublados são bem feitos, e tudo mais, mas o que foi feito aqui beirou o amadorismo total, já que estamos falando de um longa musical, colocam uma voz de adolescente para a maioria dos personagens, e ao começar a cantar, entra uma voz completamente diferente do que estava falando. Não bastasse isso, em filmes musicais, as canções completam as falas, aqui elas são apenas músicas, já que quem não souber inglês fluente, apenas irá ouvir eles cantando, e pasmem, no meio parar para falar em português algo que sabe-se lá o motivo. E teve mais, não sei de onde arrumaram gírias que sequer qualquer pessoa normal falaria, do tipo que aparentou terem traduzido ao pé da letra, o que foi dito em inglês no filme, ou seja, um verdadeiro desastre sonoro. Portanto esse parágrafo foi escrito hoje 14/08 às 0h33min, mas o restante do texto vou preferir completar amanhã após fazer algo que sou completamente contra, ver o filme baixado legendado para complementar a crítica, pois seria algo completamente injusto, afinal o resultado visual agrada e mostra que mesmo mudando direção, o estilo original foi mantido e agrada bastante.

O filme nos mostra que após conquistarem o sucesso, as Barden Bellas ganham a oportunidade de se apresentar para ninguém menos que o presidente dos Estados Unidos. Só que o show é um grande fiasco, o que as torna uma vergonha nacional. Diante do ocorrido, as Bellas são proibidas de participar de competições no meio acadêmico e até mesmo de aceitar novas integrantes. A única saída de Beca, Fat Amy & Cia é vencer o campeonato mundial a capela, o que apagaria as punições aplicadas ao grupo. Mas há um problema: nunca uma equipe americana venceu o torneio.

Agora que conferi o longa legendado, encerrando às 23h32 do dia 14/08, posso falar que não houve nenhuma evolução da série nesse novo longa e nem o roteirista Kay Cannon tentou melhorar o que fez tão bem no primeiro filme, pois se no primeiro as canções se conectavam mais, praticamente complementando as falas dos atores, aqui elas serviram apenas como desenrolar da trama mesmo. Porém uma coisa que não temos como duvidar é da capacidade da atriz Elizabeth Banks virar mais para frente uma diretora de mão cheia, pois o que fez aqui ao desenvolver toda a história com o mesmo carisma do longa original e ainda pontuar mais musicais cheios de efeitos, agradando demais no visual trabalhado e dando uma síntese interessante para a história, é algo que poucos estreantes conseguem fazer. E dessa maneira o filme tem uma desenvoltura bacana e que agrada bastante, pois embora tenha poucos novos personagens para apresentar, o que diferencia demais do primeiro filme, ela soube colocar cada detalhe como importante e criar interesses próprios para que as protagonistas chamassem atenção. Claro que não sei se será ela a diretora do terceiro filme, que já está em pré-produção devido à altíssima arrecadação nos EUA na semana de estreia, mas uma ideia melhor para a trama seria segurar mais ainda nas competições musicais, e não tentar criar panos de fundo desconexos, pois embora seja no acampamento que elas "voltam" a se conectar, ficou bem fraco esse momento dentro da história.

Ao falarmos das atuações, claro que temos de sempre dar os parabéns para atores que botam os gogós para trabalhar em longas musicais, e mesmo desafinando algumas vezes e até dublando si próprio em estúdios de gravação, se arriscam para tentar agradar o público com sua voz nas canções, e dessa maneira, novamente todas se deram muito bem no que fizeram. Vamos começar falando da estreante no filme Hailee Steinfeld, que não anda tendo tempo pra pensar em outra coisa senão atuar em todos os filmes possíveis e imaginários que for convidada, e embora sua Emily seja meio insossa, ela até que agrada em momentos esparsos com destaque claro para as duas cenas de fechamento, aonde canta "Flashlight", que ouviria quantas vezes tocasse com sua voz doce e gostosa (a qual já havíamos escutado cantando em "Mesmo Se Nada Der Certo"), portanto o resultado acabou satisfatório por tudo que fez, e vamos aguardar para o que irá aprontar no próximo. Deram para a Beca de Anna Kendrick a maior tarefa do longa, ser o ponto fora da curva do primeiro filme, pois se lá as apresentações eram o principal, aqui o possível trabalho fora da escola recai sobre ela, e somente nessas cenas do estúdio, podemos dizer que a diretora falhou e feio, pois nenhum dos atores e figurantes parecem saber o que estão fazendo ali, e infelizmente isso também recaiu sobre ela, claro que quando entra pra cantar não falha, e por esse motivo está sendo chamada para um musical atrás do outro, e ela sempre manda bem nesses momentos, ou seja, seria melhor ter ficado só cantando. Rebel Wilson não poderia morar no Brasil nunca, pois tudo que faz é utilizando de ser gorda para divertir, inclusive sua personagem chama Fat Amy, e aqui iriam ficar com medo do famoso bullying para colocar isso, claro que ela é uma grande atriz e tem melhorado muito, mas ainda acho suas expressões forçadas, e de certa maneira seu estilo cômico é um pouco amarrado, não que não seja engraçado, mas demora a funcionar, destaque aqui para sua cena de canção solo no lago. Dos homens quem chama mais atenção, embora force demais é Adam DeVine, que conseguiu soar engraçado junto da parceria com Rebel ao fazer de seu Bumper, um homem que deseja algo a mais e de certa maneira acredito no potencial expressivo do jovem, destaque claro para a mesma cena do lago, e para sua cena durante os créditos (fiquem na sala, que vale bastante). Os antagonistas funcionaram bem mais nas cantorias do que nas cenas mais dialogadas, embora tenham usado expressões bem fortes, e dessa maneira Rula Borg e Birgitte Hjort Sørensen até agradam bem nas coreografias e no modo impactante de atuar, quem sabe com mais tempo em tela, chamariam mais atenção. Os demais acabam mais figurando do que servindo para muita coisa, mas vale também destacar o carisma fofo de Ben Platt com seu Benji e as coisas mais insanas feitas aliadas de expressões enigmáticas por Hana Mae Lee com sua Lilly.

O filme no conceito visual até que teve boas locações, mas certamente poderia ter enfeitado menos o doce e ido diretamente gastar umas boas tomadas no campeonato mundial a capella que fica no máximo uns 10 minutos na tela, pois agradaria bem mais. Claro que o acampamento foi bem usado, e fizeram boas cenas lá, mas a vivência ali foi tão jogada que poderia ser desprezada no conteúdo total do filme. Vale também ressaltar os bons elementos cênicos do estúdio, afinal ali mostrou bem como estagiários do mundo da música servem somente de enfeite para fazer cafezinho. Outra cena bem trabalhada no visual ficou por conta da batalha numa casa estranha, que chamou mais atenção pelo anfitrião esquisito que não foi bem desenvolvido do que tudo o que rolou ali. A fotografia usou bem das nuances de cada cenário para dar o tom da trama, e nesse sentido claro que como vi tanto o filme na telona como na telinha, o resultado da cena final é incomparável se visto no cinema, chega literalmente à arrepiar como cenografia, iluminação e ritmo musical entrou numa sinestesia única e envolvente.

Como estamos falando de um filme musical, o trabalho de escolha das canções foi muito bem executado por Mark Mothersbaug que ao dar suas versões rítmicas para que as atrizes cantassem, conseguiu envolver e agradar bastante. Claro que gostaríamos mais que as músicas encaixassem bem como foi no primeiro filme, mas ainda assim, o resultado foi bem satisfatório. Para quem quiser ouvir, aqui está a trilha completa: link

Enfim, posso dizer que o longa é bem desenvolvido, claro que não tivemos quase que nenhuma novidade e embora tenha sido bem envolvente, foi menor em proporção de história comparado ao primeiro filme. Um fato é que como foi muito bom o primeiro, esse veio com tamanha pressão e logo de cara ao desbancar na estreia o trono de bilheteria nos EUA que "Velozes e Furiosos 7" vinha mantendo há semanas, já deu um gás monstruoso para que a equipe corresse atrás de já começar os trabalhos de desenvolvimento do terceiro filme, então vamos aguardar para ver o que vai surgir. Só torço que quem for distribuir ele no Brasil não faça a cagada de estragar o longa com uma dublagem tosca como fizeram com esse, pois repito, se em sua cidade estiver passando somente com cópias dubladas não vá aos cinemas, pois a chance de revolta é alta ao escutar um longa com duas vozes completamente diferentes do mesmo personagem. Portanto até que recomendo o filme, desde que visto exclusivamente legendado, e claro para quem gosta de musicais, pois quem não for fã do estilo, não será com esse filme que irá passar a gostar. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, me desculpem com a demora em postar o texto, pois como disse vendo apenas dublado nos cinemas, a nota seria bem inferior a que estarei dando, de estreias da semana foram apenas essas que vieram para o interior, mas amanhã confiro a pré que veio legendada, e depois por ser uma animação irei ver dublada, então abraços e até breve.


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Missão Impossível - Nação Secreta (Mission Impossible - Rogue Nation)

8/12/2015 03:06:00 AM |

Quando se fala em um novo "Missão Impossível", ficamos certamente perdidos em qual número já está a franquia, e também pensamos quantos mais terão pela frente, afinal podemos dizer que os protagonistas já estão velhos, não é mesmo? A resposta é não! Tom Cruise ainda tem fôlego, para não falar insanidade, suficiente para muitos outros até que sua maluquice o leve a óbito e aí acabe a franquia. Pois se muitos acharam que "Protocolo Fantasma" em 2011 teve loucuras suficientes, podem ter certeza de que não passou nem perto de tudo o que aprontou agora em "Nação Secreta", e dessa maneira fazendo com que o público acredite mais ainda nas cenas insanas de ação que o protagonista faz, afinal Tom usou dublê em quase nada do filme, junto de uma história coesa e bem dirigida, o resultado não poderia ser outro senão um longa para comprar uma pipoca bem pequena (afinal você não terá tempo para respirar, quanto mais pensar em comer) e curtir com toda certeza na maior sala possível tudo o que o longa vai proporcionar de diversão a você.

Com a agência IMF desmantelada e Ethan fora de combate, a equipe agora enfrenta uma rede de agentes especiais altamente qualificados, o Sindicato. Estes agentes muito bem treinados estão empenhados em criar uma nova ordem mundial através de uma série cada vez maior de ataques terroristas. Ethan reúne sua equipe e une forças com a desacreditada agente britânica Ilsa Faust, que poderá ou não ser parte desta nação secreta, na medida em que o grupo enfrenta sua missão mais impossível de todas.

Um dos maiores ingredientes de sucesso desse quinto filme está no roteiro, e pasmem, é a estreia de um roteirista em longas-metragens, mas antes Will Staples detonou em outra área, a dos jogos de videogame, escrevendo os roteiros de "Call of Duty: Modern Warfare 3" e "Need for Speed: Rivals", e isso fica claro se observarmos e compararmos o ritmo desse novo filme com os anteriores, pois realmente parece que estamos no meio de um grande jogo, com possibilidades a serem seguidas, muita interação de personagem, e claro ação para ninguém reclamar da falta de criatividade. E aliado ao ótimo texto original, temos Christopher McQuarrie que possui uma pegada policial bem trabalhada no seu estilo de dirigir, e pode dar seus toques finais no texto para que pudesse confiar mais ainda em Cruise, dando a chance desse maluco se redimir frente às cagadas que vinha fazendo, para que juntos montassem um filme impecável, e cheio de tudo o que a franquia pede: coisas impossíveis, dentro de uma missão maluca, aonde não podemos ter sequer um respiro no meio de tanta ação. E se isso não bastasse, o diretor foi esperto o suficiente para colocar reviravoltas incríveis através de disfarces, ou seja, algo para literalmente pirar e vibrar a cada cena de sufoco. Como também preciso pontuar os defeitos, aqui vou falar algo que muitos até ficaram tristes ao saber que o longa não foi filmado em 3D, pois diferente dos que adoram a tecnologia para ver coisas saindo da tela, no longa temos muitas cenas com diversos atores importantes presentes no mesmo ambiente, e sem uma câmera que explore profundidade de campo, o resultado é sempre um em destaque e os demais desfocados, e isso embora seja o tradicional do cinema, como já acostumamos com a tecnologia, acabamos ficando decepcionados de não terem explorado isso melhor, mas a tecnologia só serviria para isso, pois do restante, a ação dispensa qualquer coisa voando em direção ao público.

Falar das atuações nesse longa, quase nos limitamos aos feitos de Tom Cruise com seu Ethan maluco que dispensa apresentações, afinal se o ator esteve meio enroscado nos últimos anos não mostrando tudo o que era possível, agora resolveu se machucar voando do lado de fora de um avião por 8 vezes, se afogar realmente ao ficar 6 minutos sem respirar embaixo d água, capotar carro e praticamente voar pilotando uma moto em altíssima velocidade, e se não bastasse todos esses feitos sem dublê, ainda consegue ter fôlego suficiente para dialogar bons textos de uma trama bem amarrada que foi lhe entregue, ou seja, voltou com toda a força possível para o Tom que conhecíamos no início da carreira, só que mais maluco. Outro grande destaque ficou por conta de Rebecca Ferguson que se impôs para não ser apenas um corpo bonito costumeiro dos filmes da franquia, mas sim ao desenvolver sua Isla, ela colocou atitude e boa desenvoltura para que a personagem além de agradar visualmente tivesse conteúdo e dramaticidade nas expressões de cada um de seus diálogos, e dessa maneira ficamos sempre com um pé atrás de tudo o que a personagem acaba fazendo, mas ao mesmo tempo babando em suas lutas e tudo mais que faz, ou seja, perfeita e por pouco não tirou o protagonismo do longa de Cruise. Simon Pegg já havia mostrado todo o carisma possível nos dois longas anteriores com seu Benji, mas aqui foi colocado literalmente como válvula de escape cômico, não que isso seja ruim, muito pelo contrário, afinal o ator foi perfeito em todas as cenas, mas daqui a pouco se não tomarem cuidado, pode acabar atrapalhando o excesso de comicidade com a proposta do filme, mas ainda assim não tem como ficar muito feliz com tudo o que faz e a risada é garantida em suas cenas. Que Sean Harris é um bom ator, isso é um fato claro, mas seu vilão Solomon Lane é muito calmo e simples dentro do conteúdo do longa, e em determinados momentos nem ficamos com raiva de seus atos e até chegamos a sentir desgosto por ele, o que é incomum para um vilão, claro que o modo frio de agir é algo bem interessante, mas poderia ser algo mais psicótico que chamaria mais a atenção e encaixaria melhor na trama. Jeremy Renner volta com seu Brandt do longa anterior, mas aqui bem em segundo plano, participando de boas cenas, mas nada que chame tanta atenção para si. Alec Baldwin foi quase um enfeite nas poucas cenas que desenvolveu, mas já fica claro a possibilidade de ser importante num próximo longa com seu Hunley. Ving Rhames está com Cruise desde o primeiro "Missão Impossível", e é fato claro que seu Luther sempre agradará, mesmo que o ator esteja super gordo e bem velho, na torcida para que fique até o último participando bem e agradando. E para fechar essa parte dos atores vale apenas um pequeno destaque para algumas cenas interessantes de Simon McBurney com seu Atlee, pois embora apareça pouco, teve boa desenvoltura nas cenas importantes da trama, e com uma expressão mais fechada, acabou chamando atenção.

Sempre sabemos o que esperar da franquia no quesito visual, afinal a escolha das locações sempre partem da premissa que precisam de lugares gigantescos, com boas armadilhas para que o protagonista sofra para resolver a missão dada e que exista no local muita simbologia entre os milhares de elementos cênicos que estarão à disposição da equipe artística, ou seja, se um dia algum produtor do longa chegar no seu país para filmar, prepare para ceder o lugar mais cheio de luzes, objetos e afins para agradar em cheio, e assim não temos com o que decepcionar nesse setor. E dessa maneira, temos excelentes prédios, usinas, teatros, pistas de corrida e tudo mais que se possa pensar em ser usado como cenografia em Londres, Marrocos e na Áustria, agradando em cheio no contexto cênico, além claro de carros possantes, motos impressionantes e até um super avião para a cena inicial que já foi mostrada diversas vezes em trailers e chamadas do filme. E claro que uma boa direção de arte não funciona sem uma boa direção de fotografia, e com sombras precisas (dando até um charme a mais nas lutas finais), iluminações pautadas em cores vivas para dar mais ação no longa e contraluzes bem encaixados para que as cenas noturnas tivessem mais dramaticidade, o resultado não poderia ser outro senão um filme vivo, e com todos os tons possíveis para que a trama não se perdesse em nada. Além disso tudo, a equipe de efeitos especiais não deixou nada a desejar com tiros para todo lado(mesmo que nenhum acerte os protagonistas), muitas explosões, vidros estourando, fumaça a todo momento e tudo mais que o gênero, e principalmente a franquia pede. Como disse no início, o único porém que fiquei triste de não ver foi uma perspectiva de profundidade melhorada com o uso da tecnologia, que certamente seria resolvido se filmassem usando câmeras com recursos 3D, mas também na escolha do ângulo melhoraria bem, claro que isso é algo que somente quem for muito exigente vai reparar e reclamar como estou fazendo, mas é algo que facilmente seria resolvido.

No conceito musical, a canção tema da franquia composta lá em 1996 quando tudo começou por Lalo Schifrin foi usada com sabedoria por Joe Kraemer, que ao inserir ela nos diversos momentos, mas com ritmos e acordes diferenciados, deixou o longa numa velocidade incrível, pois tirando uma cena em que não temos som algum (e impressionantemente todos da sala ficaram em silêncio total também), no restante temos uma trilha sonora forte, bem marcada e envolvente que acaba agradando demais.

Enfim, um filmaço que não tem como não gostar do que é mostrado, funcionando tanto para quem é fã da franquia, quanto para quem nunca viu nenhum dos antigos (o que não é obrigatório, felizmente, afinal o longa funciona muito bem sozinho), mas gosta de uma boa ação. E mesmo com os dois defeitos que citei, os quais pesaram para que a nota do filme não fosse máxima, do desfoque exagerado e do fraco vilão, o longa é extremamente gostoso e vibrante de acompanhar, portanto certamente recomendo que todos vejam, e repito que procurem as maiores salas, com sons mais potentes que cada cinema possui para apresentar em sua cidade, pois valerá o despendimento a mais de dinheiro, por tudo que acabará vendo. Felizmente pude conferir o longa na pré-estreia que a Difusora FM 91,3Mhz fez na sala Imax de Ribeirão Preto, então mais uma vez, agradeço a parceria e parabenizo à todos pelo evento que conseguiram realizar. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto na quinta com mais estreias que aparecerem pelo interior, então abraços e até breve pessoal.

PS: Os descontos certamente seriam de 0,5 coelho, mas como prezamos pela vida dos coelhinhos, não temos metade deles, então vai 9 mesmo!

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Ouro, Suor e Lágrimas

8/10/2015 11:58:00 PM |

Certa vez me perguntaram o motivo de não ter tantas críticas de documentários aqui no site, e afirmei para a pessoa, que era principalmente por longas documentais recaírem quase que em sua integridade em festivais próprios ou comercialmente somente nas grandes capitais, mas este ano até que tem vindo uma quantidade razoável para o interior, e felizmente estou conseguindo conferir todos os que surgem por aqui. Outro grande motivo é o de muitos longas, principalmente os nacionais, desse gênero trabalharem o estilo documental muito mais pontuado para o jornalismo do que para a arte cinematográfica em si, e isso de certo modo, espanta um pouco o público dos cinemas. Por exemplo, esse novo longa "Ouro, Suor e Lágrimas" até mostra bem que a vida dos atletas de voleibol do país não possuem as melhores vidas que muitos imaginam, e como se esforçam para conseguir grandes feitos, mas além de ter pequenos defeitos de ângulos escolhidos e captação ruim de som, o filme ainda trabalhou em demasia de maneira jornalística para relatar e ilustrar cada um dos momentos que se passaram durante o tempo de captação, deixando os depoimentos apenas como suporte emocional e complementar das imagens, de modo que quem realmente não for muito fã do esporte pode se cansar ou nem ir conferir o filme.

O documentário nos mostra que entre 2000 e 2010, as seleções masculina e feminina de vôlei brasileiro trilharam um caminho árduo para conquistarem suas medalhas de ouro. Grandes nomes do esporte, como Giba, Murilo, Fabi e Fofão falam das dificuldades, enfrentando pedreiras como Rússia, Itália e Cuba. Sob o comando de Bernardinho e José Roberto Guimarães, esses jogadores contam como conseguiram chegar ao lugar mais alto do pódio.

É interessante ver que o formato que o longa foi finalizado, facilmente seria exibido em partes nos programas de esporte das emissoras de TV, mas como a produção é independente, isso já fica um pouco mais difícil, afinal dependeria de várias negociações entre produtora/distribuidora e afins. Não sei se foi com esse objetivo que a diretora Helena Sroulevich trabalhou durante os 6 anos que demorou para captar todas as imagens e montar seu filme, mas uma coisa é certa, ela poderia facilmente ter trabalhado mais o emotivo das entrevistas, e usado de menos imagens dos jogos ainda, pois em alguns momentos, as imagens parecem apenas jogadas dentro do filme para mostrar o sofrimento dos jogos, mas isso acaba não servindo muito para o contexto seguinte, afinal os depoimentos acabam repetindo o feito ou complementando de maneira vaga. Além disso, poderiam ter escolhido algumas tomadas melhores de vários depoimentos, pois ficou bem amador certos enquadramentos que não valorizam fundo, nem o corpo completo do entrevistado, parecendo uma cabeça solta falante com nada ao redor, e isso é feio demais de ver. Outro grande erro técnico do filme, que nem a mixagem consegui salvar, foi que alguns depoimentos usou-se de microfones simples para locais abertos, e com isso vento e interferências dominaram o que as pessoas falavam, e nem com toda a música de fundo, que é extremamente repetitiva, conseguimos assistir sem incomodar com o que acontece, ou seja, fica uma dica tanto para a diretora quanto para quem um dia for fazer documentário, microfone é o bem mais importante nesse estilo de filme, afinal em ficção você pode chamar a pessoa para dublar suas falas, mas em documentário isso é quase que impossível.

Sobre os entrevistados, tenho de falar apenas o básico, todos felizmente depuseram do modo mais descontraído possível, alguns até de certo modo parecendo que a câmera nem estava ali, enquanto outros procuraram encontrar palavras bonitas de motivação para se promover frente a outros, e isso é notável mesmo nos jogos de vôlei, então não seria diferente para um documentário que procurou explorar ao máximo cada um. Como disse poderia o filme ficar somente com as lembranças e treinamentos, que teríamos algo bem mais cativante do que mostrar as conquistas e jogos de ambas as seleções, repetindo manchetes de jornal como se o povo fosse completamente analfabeto ou o filme só tivesse sendo visto por crianças, então esse foi um dos grandes problemas da trama também, mas repito, quando o filme recaia para os mais humildes dos times, esses procuravam falar e agradar bastante nos depoimentos. Claro que também gostaríamos de saber mais sobre as intrigas e coisas que rolaram, que apenas são citadas, mas não desenvolvidas, para não desarmonizar tanto o longa, mas que isso daria muito mais história para o filme ter um pouco mais de dinâmica, certamente daria.

Enfim, o resultado do longa acaba sendo até que interessante para conhecermos um pouco mais da estrutura das seleções de vôlei do país, pois, ao menos eu, não sabia do complexo monstruoso que eles possuem para treinamento, academia, acomodação e afins, e isso mostra que existe sim investimento além do futebol no país (claro que bem menos, mas existe) e quem sabe o dia que todos os esportes individuais forem bem tratados como os das equipes, o país certamente terá as grandes quantidades de medalhas que outros países levam em Olimpíadas e Mundiais. Portanto não posso dizer que o documentário é uma maravilha, mas também está bem longe de ser algo ruim. Desse modo, acabo recomendando ele mais para quem gosta do esporte, do que para quem deseja conhecer um pouco mais da história do esporte. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã já com uma das estreias da próxima semana, então abraços e até breve.


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Voo 7500

8/08/2015 02:58:00 AM |

É interessante como alguns filmes são classificados, pois se analisarmos friamente o longa "Voo 7500", e tirarmos duas cenas que foram inseridas para causar horror (morte escandalosa de um passageiro e a última e desnecessária cena para assustar), o filme possui todo um sentido bem interessante de suspense com uma lógica até que cabível e que muitos afirmam existir a possibilidade de acontecer realmente do modo que exemplificam as coisas no filme, e dessa maneira, posso afirmar certamente que o longa é bem interessante e mesmo deixando um ar de tensão em alguns momentos, posso recomendar bastante para quem gosta de suspenses em aviões. Claro que se eu escrever apenas uma palavra aqui, vou dar o spoiler máximo e estragar a sessão de muitos que certamente irão ver o longa, então apenas vou preferir dizer que mesmo quem tem medo de filmes de terror, pode ir conferir tranquilamente que não temos nada demais, só vai ser um pouquinho mais tenso de pegar o próximo voo, quando for necessário.

O longa nos mostra que os passageiros de um avião partem de Los Angeles em direção a Tóquio. Serão dez horas de voo aparentemente tranquilas, mas tudo muda drasticamente quando os 173 passageiros passam a ser atormentados por estranhos acontecimentos e seres sobrenaturais. A tripulação passará por momentos de terror e medo enquanto um a um morre de maneiras assustadoras.

Claro que minha reclamação é totalmente incabível frente a que o diretor japonês Takashi Shimizu é famoso por seus longas de terror de altíssima tensão, como foram todas as versões de "O Grito" que ele fez tanto no Japão, quanto no EUA, e aqui ele não deixaria de lado mitos e coisas escabrosas. E embora o roteiro seja de Craig Rosenberg que costuma deixar histórias mais tensas pela criatividade, aqui ele se baseou em um fato real de um voo da Helios Arirway com destino para a Grécia, e dessa maneira, como disse no parágrafo inicial, podemos até crer na lógica que usou para desenvolver seu filme, que Takashi tentou deixar mais assustador e não atingiu o objetivo. Não posso falar que o filme foi falho, pois até que soou bem interessante tudo o que acabou sendo mostrado, mas para um longa de terror, faltou o tradicional arrepio ou sustos mais pontuais, e dessa maneira, embora não faça rir ao menos, o filme deixou um gostinho de que já vimos muitas outras coisas semelhantes e que agradaram mais. Claro que repito mais uma vez, a lógica aqui é muito mais plausível, então embora tenha faltado terror mesmo, como noção científica até que o resultado é bem interessante, e a mão de Takashi funciona quando quer fazer algo mais diferente do que espíritos e demônios.

Como não temos atores tão famosos no filme, fica até meio estranho falar sobre cada um, mas de certa forma, mesmo que tendo um furo ali, outro acolá, os atores souberam se expressar com temor frente ao desconhecido e em diversos momentos mostraram que podiam trabalhar seus diálogos sem ser com besteiras afora como provavelmente foi pedido para fazer nas cenas que não estavam diretamente na frente da câmera. Portanto mesmo que seja uma das cenas mais inúteis do filme, a quantidade de expressões que Rick Kelly fez para a morte de seu Morell foi algo muito bem interpretado e cheio de força, e desse modo vale o destaque para ele no filme. Embora tenham papéis interessantes, as mulheres em geral foram inexpressivas e beiraram até uma certa estranheza frente às caras que faziam quando estavam procurando alguma explicação do que estava acontecendo, então poderiam falar mais que agradaria bem mais do que a famosa cara de paisagem.

Agora vou frustrar muitos que pensavam que filme de aviões eram gravados realmente dentro dos aviões, pois não são! E dessa maneira até que a equipe cênica trabalhou bem ao recriar tanto a classe econômica do avião quanto a primeira classe, mas como na sinopse falam em 173 pessoas, acredito que a contagem ficou meio fora de nexo, pois o avião no geral por onde os personagens passavam, aparentava bem menos pessoas por lá, e como as poltronas eram bem espaçadas, esse visual acabou ficando meio divergente de algo com nexo. Claro que como estamos falando de um longa de terror, tivemos algumas cenas bem montadas em cima do misticismo da morte e tudo mais, mas poderiam ter optado por um eixo mais conciso, que certamente agradaria mais, e não deixaria a equipe de arte tão confusa para os efeitos de fumaça, sangue e tudo mais. Como o espaço cênico de um avião é bem limitado, a equipe de fotografia trabalhou muito bem com tons escuros para envolver a tensão e com ângulos certeiros reduziu ainda mais o quadro para que a tensão focasse somente nos personagens que eles desejavam, e dessa maneira, e ainda usando e abusando de fumaça, como falei agora pouco, o avião ficou menor ainda parecendo ter no máximo umas 50 pessoas lá.

Diferente do que costuma acontecer em longas de terror, a equipe musical não abusou tanto de sons macabros, aumento de trilha para causar tensão e nem marcações rítmicas, de modo que temos os 97 minutos correndo direto sem que nem vejamos o tempo passar, e olha que poderia facilmente cansar já que fui na última sessão do dia, então posso dizer com certeza que não é algo que dispersa o público, mesmo com algumas falhas.

Enfim, sei que não é o gênero predileto de muita gente, mas embora o filme tenha alguns errinhos e não seja tão perfeito para assustar, o resultado acaba agradando e envolvendo, e de certa maneira reveria ele facilmente na televisão quando estiver passando. Ou seja, se você gosta de longas de terror com mais tensão e que assuste do começo ao fim, certamente esse não é o filme que deve ver, mas se gosta de algo com mais suspense e pitadas interessante e possíveis de acontecer realmente, recomendo que veja com certeza o filme, mas deixo o sobreaviso de que o próximo voo de avião será meio esquisito. Bem pessoal, é isso o que tinha para dizer sobre o filme, fico por aqui agora, mas volto na segunda com a outra estreia da semana, então abraços e até breve.


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Que Mal Eu Fiz A Deus? (Qu'est-ce qu'on a fait au Bon Dieu?)

8/07/2015 08:18:00 PM |

O cinema francês de comédia consegue sempre inovar e agradar com sutilezas incorporando estilos e símbolos casuais para divertir os espectadores, e com o longa "Que Mal Eu Fiz a Deus", o diretor soube dosar de uma maneira bem interessante a cultura e até a ideologia que falam de que os franceses são extremamente racistas, para que o filme ficasse bem divertido. Claro que muitos até podem achar ele um pouco pejorativo, e com alguns trejeitos bem cliché, mas o estilo do longa certamente deve agradar quem gosta de comédias mais clássicas e irreverentes, que não tanto se encaixam nas comédias cults francesas que tanto estamos acostumados a ver por aqui. E dessa maneira, acredito que o estilo cative mais os brasileiros que forem conferir esse longa tão gostoso que entrou em cartaz agora.

O longa nos mostra que um casal de católicos fervorosos e que torcem o nariz para tudo não tem motivos para comemorar os casamentos de suas filhas. Tudo porque os pretendentes são de religiões e nacionalidades diferentes, instaurando o caos na convivência familiar. A primeira se casou com um muçulmano, a segunda com um judeu e a terceira com um chinês. A quarta filha dá uma ponta de esperança aos pais ao anunciar seu casamento com um católico. Mas esse matrimônio promete mais surpresas para os pais da noiva.

Claro que a escolha do tema envolvendo racismos de diversas maneiras acaba sendo bem forte e quem não for de boa com isso é capaz de se sentir incomodado, mas o diretor e roteirista Phillipe de Chauveron soube ser tão bem contido dentro da proposta do filme que conseguimos rir até de situações mais fortes que em determinados momentos acabam aparecendo, e assim, o conceito do filme acaba fluindo gostoso e divertido.  Em certos momentos poderiam ter não colocado algumas cenas mais bobas, mas isso não atrapalhou tanto a ideia principal, porém sem elas o longa recairia para algo mais clássico e interessante de ver. Além disso, o diretor trabalhou sempre com um timing mais lento de comédia, não prezando tanto por um ritmo mais envolvente comum das comédias, o que não chega a incomodar, mas alguns momentos pode chegar a dar sono.

Sobre a atuação, certamente temos de falar do pai francês tradicional bem feito por Cristian Clavier que trabalhou tanto nas expressões de desgosto pelos genros e junto de Pascal N'Zonzi que faz André, pai do noivo, nas cenas de discussão deram um show particular no filme, de modo que não conseguimos observar nem se existem outros personagens ao seu lado, e isso é interessante demais quando atores conseguem fazer. Os atores escolhidos para fazer os genros das mais diversas imigrações ficaram totalmente dentro dos tradicionais clichés e com atores bem caricatos acabaram ficando na mesma proporção de divertido e de forçado, dentre eles vale a pena destacar apenas Medi Sadoun que ao interpretar um muçulmano advogado que sempre está bravo e invocado consegue soar bem interessante nas expressões. As moças forçaram demais nas expressões e isso chega a incomodar muito, pois elas são boas atrizes, mas não caíram bem para o tom cômico que o filme pedia e desse modo não conseguem empolgar em quase nada. Noom Diawara mostrou boa expressividade com seu Charles, mas como seu personagem é de um ator cômico, ele poderia ter feito bem mais.

Sobre o visual do longa, escolheram muito bem as locações, principalmente o casarão da família,  para mostrar bem a riqueza deles, e sempre ficando em cima disso, a equipe artística só teve trabalho com o restante das cenas para dar cliché nas caricaturas de cada personagem e isso de certo modo ficou bacana de ver. A fotografia foi bem tradicionalista sem abusar de nada, afinal esse é o estilo de comédia deles, e assim não erraram.

Enfim, uma comédia bem divertida que agrada pela irreverência, mesmo apelando em alguns momentos, ou seja, quem estiver disposto a rir bastante,  certamente gostará do que irá ver. E dessa forma com toda certeza acabo recomendando ele para quem gosta do estilo. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto mais tarde com outro texto, então abraços e até breve.


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Quarteto Fantástico (Fantastic Four)

8/07/2015 01:26:00 AM |

Não sei se vocês já tiveram a sensação de dormir vendo um filme, e depois dar aqueles solavancos com a cabeça, olhar para a tela e vir a seguinte mensagem: "Acho que perdi algo!". Digo isso do novo "Quarteto Fantástico" não por ter dormido, muito pelo contrário, assisti completamente ao novo filme com os olhos bem abertos na esperanças de ver alguma coisa mais interessante do que os outros dois fracos longas que já fizeram sobre o time de super-heróis, mas digo isso mais pela falta iminente de diversos pontos do filme que aparentaram terem cortado fora na edição por ter ficado ruim, ou divergente em relação ao que os produtores queriam do primeiro diretor do longa. Então quem certamente assiste mais filmes, vai notar que quase em todas as cenas, na mudança de algo que está acontecendo para outra cena, principalmente nas que mudam de cenário, entra o famoso "fade-black"(tela preta) ou no mínimo algum pequeno flash negro para interligar as cenas, e isso acabou deixando o longa desconexo, simples e até incoerente com o que queriam passar, ou simplesmente quiseram tirar onda com a cara do público, ao introduzir uma nova origem para os personagens, sem ao menos um conflito mais forte para desenvolver num primeiro filme, ou digo mais, será que os produtores sonharam tanto que vão ter um lucro monstruoso com esse, a ponto de já estarem com uma segunda história na ponta do lápis para filmar? Acho que não, vou preferir a versão de que o editor fumou uma boa droga e picotou tanto o longa ao ponto de conseguir entregar uma colcha de retalhos faltando arremates nas pontas.

O filme nos mostra que quatro adolescentes são conhecidos pela inteligência e pelas dificuldades de inserção social. Juntos, são enviados a uma missão perigosa em uma dimensão alternativa. Quando os planos falham, eles retornam à Terra com sérias alterações corporais. Munidos desses poderes especiais, eles se tornam o Senhor Fantástico, a Mulher Invisível, o Tocha Humana e o Coisa. O grupo se une para proteger a humanidade do ataque do Doutor Destino.

A história criada em cima dos personagens idealizados por Stan Lee lá no passado é até que interessante, afinal o misto de ficção científica com pitadas até que críveis deixaram o longa descontraído no início e podíamos dizer que o filme viria a ser bacana, mas logo ficou notório a enrolação e a falta de ritmo para com as cenas, criando o famoso cansaço cênico, aonde cenas que provavelmente ficariam de fora num corte mais preciso da edição, acabaram sendo colocadas para encher linguiça, e dessa maneira, dos 100 minutos (o que já é algo curtíssimo para enredos complexos de apresentação de história) que o filme possui, quase 60 minutos temos de apresentação dos jovens e do que querem fazer, de 10 a 20 minutos para que eles testem e façam a cagada, mais 10 de ação e combate do "vilão", e ainda sobra mais 10 para vir o diálogo mais ridículo da face da Terra e de tudo que já vimos de como originou o nome do filme. Antes que me perguntem, não fiquei cronometrando as cenas, apenas estou dizendo o sentimento de tempo que dá para notar, e principalmente se estamos falando de um filme que teoricamente desenvolve quadrinhos de heróis, o vilão precisa empolgar, causar, ou ao menos segurar suas cenas, mas temos algo tão fraco e rápido com o Doutor Destino que nem que ele volte em outro filme terei vontade de sua ideologia. Agora vamos ao interrogatório: de quem é a culpa de tudo? Dos três roteiristas que resolveram escrever completamente separado seus trechos e algum contrarregra derrubou todos os milhões de papeis sem ordem para que o filme ficasse furado inteiro? Embora seja uma hipótese, não dá para afirmar isso, afinal o começo e o miolo do longa no conceito histórico de apresentação até que é interessante, mas falhou em todo o restante, então estão absolvidos em parte do encarceramento. Do diretor Josh Trank que já havia se perdido inteiro em outro filme com "poderes", e só tendo esses dois longas como portifólio já pode aposentar que ninguém mais irá contratar ele para nada? Talvez, pois ele cometeu tantas gafes, brigou com produtores, precisou ser contratado outro diretor para finalizar a trama, e ainda assim não conseguiram dar um jeito, então mandem amarrar ele para ficar sob observação. Mas ainda colocaria um cúmplice, para não dizer comparsa, no crime em questão, ou melhor, vários, toda a equipe de edição que se perdeu demais ao tentar montar um filme coerente com toda a bagunça que já veio das filmagens, e ao remover pedaços "importantes" da trama, deixou buracos de cena que nem com muito milagre alguém vai conseguir assistir o filme e sair da sessão dizendo que é um longa totalmente coerente, ou seja, um desastre completo que infelizmente teria tudo para agradar, e passou longe disso.

No geral, todos os atores foram muito prejudicados pelos cortes, afinal parecem que nem possuem textos para dialogar, fazendo tudo ser bem truncado, então vou falar um pouco sobre cada um, mas de forma alguma podemos dizer que eles tiveram potencial para tentar salvar o filme. Agora se tem alguém que tem de lamentar e muito é Miles Teller, pois o jovem vem numa crescente de interpretações, com um super-herói agora certamente decolaria de vez, e não digo que o seu Reeds seja ruim, mas vão acabar lembrando dele como um personagem nerd que criou uma máquina de teletransporte e se esticou em alguns momentos para nada, então é torcer para que o jovem que é bom supere logo isso e apresente algum novo bom personagem para apagar rápido a má impressão que vai ficar. Michael B. Jordan conseguiu imprimir boas nuances para o seu Johnny/Tocha e de certa maneira até chama atenção nas poucas cenas suas, mas o personagem em si é maior que ele, então faltou mais texto ou ação de sua parte para chamar a atenção e agradar. Podemos certamente falar que Kate Mara foi quem mais chamou atenção dentro de seus textos ideológicos, e com certeza consigo ver futuro para a irmã da famosa Rooney Mara, claro que sua Sue está longe da beleza que Jessica Alba deu ao interpretar o mesmo papel, mas a jovem foi determinada e convenceu bem. Jamie Bell já possui experiência em trabalhar com diversos sensores de captura corporal para não aparecer sua cara no filme, e o seu Coisa foi bem colocado, mas poderia ter mais expressões, afinal o jovem sabe fazer isso bem, claro que seus momentos como Ben antes da transformação foram bem intensos, mas podia ter mantido até o final o contexto todo. Toby Kebbell foi falho tanto como Victor quanto Doutor Destino, pois inicialmente se achava a última bolacha do pacote com expressões forçadas e tudo mais, e depois foi quase um enfeite sem expressão com diálogos mornos e sem agradar em nada, além de que ficou evidente ele ser o vilão já logo de cara, o que é chato demais, então podiam ter trabalhado melhor com o jovem para não dar tanto sinal disso, e agradar mais. Outro que ficou bem estranho foi Reg E. Cathey, que parecia assustado sempre que entrava em cena como Dr. Franklin Storm, impondo sua voz e determinando o rumo de algumas cenas, claro que seu personagem de certo modo é bem secundário, mas agradaria mais se tivessem dado mais perspectiva para ele com os acontecimentos, e ficou evidente também que muitas cenas suas foram cortadas, então não posso nem culpar ele de ter ficado tão estranho. Agora se teve alguém que saiu-se muito bem foi o jovem Owen Judge, que além de fazer um jovem Reeds bem expressivo, ainda ficou muito parecido com Miles, e isso agradou certamente na primeira fase do longa.

Sobre o visual da trama, até que tivemos um cenário bem trabalhado dentro da computação para criar o outro plano e com características que até poderiam ter sido mais desenvolvidas para agradar mais, afinal elementos cênicos não faltariam, mas foi usado apenas para dar a transformação nos jovens, e assim o outro lado ficou apenas como uma locação desértica bem feita. Já nos laboratórios gastaram bastante em elementos para criar algo bem bonito e cheio de visual, afinal a ideia original era que o longa fosse em 3D, e tendo muita coisa para ajudar na perspectiva talvez funcionaria, mas como acabaram abandonando a ideia no meio do caminho da conversão, ao menos não gastamos tanto com o que foi feito. Outro problema que certamente serviu de motivo para o cancelamento do 3D, é que o filme possui muita cor verde em cima dos tons cinzas e isso na conversão iria dar uma dor de cabeça monstruosa tanto na equipe de efeitos, quanto nos espectadores, então a fotografia trabalhou até que bem para o brilho agradar, mas não pensaram na pós-produção, ou seja, também uma área que ficou bagunçada. Agora se temos de falar algo que funcionou bem e agradou, isso certamente ficou a cargo da equipe de efeitos especiais, pois diferente do artificial de muitos filmes, aqui eles fluíram bem e chamaram atenção sempre que estavam presentes, e isso agrada e convence de maneira que o Coisa e o Tocha sempre que estão em cena acabam tendo um bom destaque.

Enfim, poderia falar muito mais sobre os diversos defeitos do longa, e reclamar de muita coisa, mas como sei que muitos ainda irão arriscar alguns reais pagando para ver, deixo que depois venham reclamar mais nos comentários para discutirmos o absurdo técnico desse filme. Claro que não tinha nenhuma expectativa para que o filme fosse bom, mas também não fui com pedras para tacar na sessão, mas a vontade que dá é pedir que tirem rapidamente de cartaz para não roubar tantas pessoas. Bem é isso pessoal, não recomendo o filme para ninguém, mas sei que muitos irão, então apenas deixo a mensagem que começou os créditos podem fugir, pois mesmo sendo da Marvel, o longa não possui nenhuma cena pós-crédito. Fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais algum longa dessa semana recheada de estreias, então abraços e até breve.


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