Voo 7500

8/08/2015 02:58:00 AM |

É interessante como alguns filmes são classificados, pois se analisarmos friamente o longa "Voo 7500", e tirarmos duas cenas que foram inseridas para causar horror (morte escandalosa de um passageiro e a última e desnecessária cena para assustar), o filme possui todo um sentido bem interessante de suspense com uma lógica até que cabível e que muitos afirmam existir a possibilidade de acontecer realmente do modo que exemplificam as coisas no filme, e dessa maneira, posso afirmar certamente que o longa é bem interessante e mesmo deixando um ar de tensão em alguns momentos, posso recomendar bastante para quem gosta de suspenses em aviões. Claro que se eu escrever apenas uma palavra aqui, vou dar o spoiler máximo e estragar a sessão de muitos que certamente irão ver o longa, então apenas vou preferir dizer que mesmo quem tem medo de filmes de terror, pode ir conferir tranquilamente que não temos nada demais, só vai ser um pouquinho mais tenso de pegar o próximo voo, quando for necessário.

O longa nos mostra que os passageiros de um avião partem de Los Angeles em direção a Tóquio. Serão dez horas de voo aparentemente tranquilas, mas tudo muda drasticamente quando os 173 passageiros passam a ser atormentados por estranhos acontecimentos e seres sobrenaturais. A tripulação passará por momentos de terror e medo enquanto um a um morre de maneiras assustadoras.

Claro que minha reclamação é totalmente incabível frente a que o diretor japonês Takashi Shimizu é famoso por seus longas de terror de altíssima tensão, como foram todas as versões de "O Grito" que ele fez tanto no Japão, quanto no EUA, e aqui ele não deixaria de lado mitos e coisas escabrosas. E embora o roteiro seja de Craig Rosenberg que costuma deixar histórias mais tensas pela criatividade, aqui ele se baseou em um fato real de um voo da Helios Arirway com destino para a Grécia, e dessa maneira, como disse no parágrafo inicial, podemos até crer na lógica que usou para desenvolver seu filme, que Takashi tentou deixar mais assustador e não atingiu o objetivo. Não posso falar que o filme foi falho, pois até que soou bem interessante tudo o que acabou sendo mostrado, mas para um longa de terror, faltou o tradicional arrepio ou sustos mais pontuais, e dessa maneira, embora não faça rir ao menos, o filme deixou um gostinho de que já vimos muitas outras coisas semelhantes e que agradaram mais. Claro que repito mais uma vez, a lógica aqui é muito mais plausível, então embora tenha faltado terror mesmo, como noção científica até que o resultado é bem interessante, e a mão de Takashi funciona quando quer fazer algo mais diferente do que espíritos e demônios.

Como não temos atores tão famosos no filme, fica até meio estranho falar sobre cada um, mas de certa forma, mesmo que tendo um furo ali, outro acolá, os atores souberam se expressar com temor frente ao desconhecido e em diversos momentos mostraram que podiam trabalhar seus diálogos sem ser com besteiras afora como provavelmente foi pedido para fazer nas cenas que não estavam diretamente na frente da câmera. Portanto mesmo que seja uma das cenas mais inúteis do filme, a quantidade de expressões que Rick Kelly fez para a morte de seu Morell foi algo muito bem interpretado e cheio de força, e desse modo vale o destaque para ele no filme. Embora tenham papéis interessantes, as mulheres em geral foram inexpressivas e beiraram até uma certa estranheza frente às caras que faziam quando estavam procurando alguma explicação do que estava acontecendo, então poderiam falar mais que agradaria bem mais do que a famosa cara de paisagem.

Agora vou frustrar muitos que pensavam que filme de aviões eram gravados realmente dentro dos aviões, pois não são! E dessa maneira até que a equipe cênica trabalhou bem ao recriar tanto a classe econômica do avião quanto a primeira classe, mas como na sinopse falam em 173 pessoas, acredito que a contagem ficou meio fora de nexo, pois o avião no geral por onde os personagens passavam, aparentava bem menos pessoas por lá, e como as poltronas eram bem espaçadas, esse visual acabou ficando meio divergente de algo com nexo. Claro que como estamos falando de um longa de terror, tivemos algumas cenas bem montadas em cima do misticismo da morte e tudo mais, mas poderiam ter optado por um eixo mais conciso, que certamente agradaria mais, e não deixaria a equipe de arte tão confusa para os efeitos de fumaça, sangue e tudo mais. Como o espaço cênico de um avião é bem limitado, a equipe de fotografia trabalhou muito bem com tons escuros para envolver a tensão e com ângulos certeiros reduziu ainda mais o quadro para que a tensão focasse somente nos personagens que eles desejavam, e dessa maneira, e ainda usando e abusando de fumaça, como falei agora pouco, o avião ficou menor ainda parecendo ter no máximo umas 50 pessoas lá.

Diferente do que costuma acontecer em longas de terror, a equipe musical não abusou tanto de sons macabros, aumento de trilha para causar tensão e nem marcações rítmicas, de modo que temos os 97 minutos correndo direto sem que nem vejamos o tempo passar, e olha que poderia facilmente cansar já que fui na última sessão do dia, então posso dizer com certeza que não é algo que dispersa o público, mesmo com algumas falhas.

Enfim, sei que não é o gênero predileto de muita gente, mas embora o filme tenha alguns errinhos e não seja tão perfeito para assustar, o resultado acaba agradando e envolvendo, e de certa maneira reveria ele facilmente na televisão quando estiver passando. Ou seja, se você gosta de longas de terror com mais tensão e que assuste do começo ao fim, certamente esse não é o filme que deve ver, mas se gosta de algo com mais suspense e pitadas interessante e possíveis de acontecer realmente, recomendo que veja com certeza o filme, mas deixo o sobreaviso de que o próximo voo de avião será meio esquisito. Bem pessoal, é isso o que tinha para dizer sobre o filme, fico por aqui agora, mas volto na segunda com a outra estreia da semana, então abraços e até breve.


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