A trama acompanha o ex-casal Meiyun e Baoshu, separado pelas circunstâncias da vida, mas unido para sempre por um segredo devastador após ele assumir a culpa por um crime cometido por ela. Assim que retorna à liberdade, Baoshu é colocado diante de uma realidade dura e desencantada, enquanto antigas feridas e sentimentos mal resolvidos voltam à tona. Mesmo distantes, os dois percebem que seus caminhos continuam conectados, em uma relação marcada por culpa, amor e tudo aquilo que o tempo nunca conseguiu apagar.
Diria que o diretor e roteirista Shangjun Cai concentrou demais sua trama nos ombros da protagonista, pois é daqueles filmes que você chega até ficar com dó da culpa pesada que ela carrega, mas ele soube trabalhar bem essa essência nos atos bem calmos, com uma pegada artística densa e bem colocada costumeira dos dramas chineses, aonde tudo pode incomodar, e ele soube usar esse incômodo com um viés próprio para que o carisma não acontecesse, mas o sentimento de presença viesse também para o público. Ou seja, vemos um estilo mais tradicional na tela, aonde por vezes até nos perguntamos os motivos, e tendo um erro meio que gigante da demora em "apresentar" o protagonista, pois ficamos pensando se era um pai, um amigo, até chegar bem na frente aonde descobrimos que era um namorado que assumiu a culpa por ela, e quando isso ocorre já poderia ter mudado muita coisa na percepção do público.
Quanto das atuações, não a toa Zhilei Xin ganhou como melhor atriz em Veneza, pois sua Meiyun tem atos fortes e bem densos, principalmente nos momentos finais da trama, de modo que ela carrega o filme com trejeitos marcantes em cima de toda a situação, mas conforme vai se desenvolvendo entrega muito para a personagem e ganha o filme. Já Songwen Zhang trabalhou seu Baoshu com trejeitos tão fechados sem quase nem olhar para a protagonista que chega a incomodar, e esse estilo do ator deu um tom forte para ele, mas também bem encontrado dentro de todas as perspectivas que a trama pedia. Entre os demais vale uma rápida citação para Shaofeng Feng com seu Qifeng sendo o tradicional marido que não abandona a família verdadeira e só enrola a amante, mas sem ter tantas dinâmicas acabou apagado rápido do filme.
Visualmente a trama teve alguns momentos interessantes na tela, mostrando o sistema de saúde do país, alguns exames comuns, mostrados na tela, e também um ambiente bem simples das casas aonde os protagonistas moram e aonde vão visitar, tendo dinâmicas em praças e também em uma rodoviária, além claro da loja de roupas da protagonista e uma fábrica de roupas quase que abandonada, não tendo tantos elementos cênicos para desenvolver na tela, mas sendo bem representativo quanto da vida dos personagens.
Enfim, é um filme simples, mas que passa muitas sensações na tela, sendo representativo pelas dinâmicas e pelas entregas em si, aonde consegue agradar sem precisar forçar o drama e/ou as emoções na tela, e sendo assim vale a indicação de conferida para aonde o longa estrear na próxima quinta. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Synapse Distribution e da AtomicaLab Assessoria pela cabine, e volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.







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