O longa acompanha a história de Roman, mais especificamente após a morte de seu irmão gêmeo. Se encontrando na solidão proporcionada pelo luto, ele resolve se inscrever em um grupo de apoio direcionado para pessoas que também perderam os seus gêmeos. Na ocasião, ele conhece Dennis, um jovem culto e irônico que também sentia muito pela perda de sua outra metade. De forma inesperada e até mesmo complexa, uma intensa amizade entre os dois é construída. No entanto, quando Roman conhece uma determinada colega de trabalho de Dennis, mais segredos surgem e tudo parece complicar ainda mais.
Diria que o diretor, roteirista e protagonista James Sweeney foi bem no sentido de representar alguém que soube aproveitar do luto para mudar suas perspectivas, pois facilmente a trama tem uma pegada de invencionices, mas ao mesmo tempo vemos alguém que sabe exatamente o que estava fazendo, não sendo algo arbitrário jogado na tela, e mais do que isso, ele conseguiu transportar sua ideia para seu próprio personagem, tanto que talvez outros fizessem bem diferente a essência de Dennis, mas ao transportar a direção direcionada para o personagem, o resultado acaba impactando e incomodando na medida, tanto que já que estou comparando bastante com o longa de ontem que também envolvia luto e mentiras, ontem a trama acabou me deixando relaxado e emocionalmente sentido de uma forma gostosa de ver, já hoje o diretor conseguiu me deixar meio mal pela essência passada na tela, como se uma mentira fosse melhor que a outra, mas não é o caso, é apenas a forma de lidar diferente, e ele passou isso na tela.
Quanto das atuações, já faz um bom tempo que sempre falei bem de Dylan O'Brien dizendo que gosto do seu estilo de entrega, e aqui seu Roman tem uma personalidade forte e bem impulsiva na tela, de modo que não ficou alguém sem muito sentido, pois facilmente poderia ser um "brucutu" sem noção que chamaria atenção pela essência do papel, mas ele quis dar algumas nuances expressivas e até conseguiu fluir bem, ou seja, mostrou sentimento para o papel sem ser duro como uma rocha. Já o diretor James Sweeney atuando deu todo o ar de sentimentalismo barato para seu Dennis, mas também passou ares de um pouco de psicopatia e desejo de possessão para com seu parceiro cênico, meio que quase tudo ali fosse dele, e lasque-se o resto, e isso foi bacana de ver nos trejeitos dele, embora seja um pouco assustador para uma trama dramática. E ainda tivemos Aisling Franciosi com sua Marcie meio até irritante demais pelo seu jeito na tela, sendo funcional para o que o longa pedia, mas sendo "irreal" para o que uma pessoa normal faria, pois não amanheceria viva com algumas indagações e entregas. Já Lauren Graham foi muito mal aproveitada como a mãe do protagonista, apenas aparecendo em duas ou três cenas, mas sem fluir nem ser usada, e olha que é uma tremenda atriz que apenas gastaram o cachê.
Visualmente o longa passa por alguns jogos de hockey nas arquibancadas, algumas festas, exposições, quartos de hotel, a casa dos protagonistas, mercados, a empresa aonde o jovem e a garota trabalham, e até na casa da mãe num Natal bem esquisito, mas tudo bem simples e jogado, tendo as cenas num grupo de apoio como elementos mais chaves aonde a trama se desenrola melhor, e também em alguns restaurantes, mas tudo bem sutil dentro do estilo dramático, ou seja, aquele básico aonde o visual em si não importa, mas sim as atitudes, e aí talvez poderia ter um algo a mais para chamar melhor a atenção.
Enfim, é um filme interessante de proposta que dava para ir mais além para causar mais, pois o estilo em si pedia mais reviravoltas que talvez montado de forma diferente impactaria bem mais, mas ainda assim acaba sendo bacana por mostrar um luto administrado de uma forma mais seca, e assim acaba valendo a indicação. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, prometo ir para temas mais leves, que já deu de luto dois dias seguidos, então abraços e até logo mais.







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