Netflix - A Arte da Autodefesa (The Art of Self-Defense)

8/19/2021 01:23:00 AM |

Costumo dizer que mesmo em filmes bem ruins conseguimos tirar algo de proveitoso na conferida, mas tem alguns que no final mesmo tendo algo que nos marque ficamos olhando pro controle remoto perguntando porque raios dei play nisso! E hoje ao ver a ideia, os atores e até o estilo do longa "A Arte Da Autodefesa", que entrou em cartaz na Netflix, fiquei com vontade e resolvi dar o play, e quando cheguei no final só pensava o motivo de não ter visto qualquer outro filme, pois é muito fraco, tem uma motivação nula e bizarra, e ao mesmo tempo que tenta divertir com um humor negro ácido, ele desanima na mesma proporção. Ou seja, é daqueles filmes que quando algo parece estar ruim no começo, ele só piora na metade, e que com uma ou outra cena engraçada acabamos chocados com tudo sem conseguir acreditar que atores premiadíssimos entraram numa fria dessa só para pegar os desprevenidos que darão play no longa. 

O longa nos conta que quando Casey é atacado por um desconhecido na rua, ele decide entrar para um dojô para aprender a se defender. Ao se deparar com o misterioso e carismático sensei que lidera o local, ele toma gosto e adentra o mundo do karatê.

A proposta do diretor e roteirista Riley Stearns até é bem interessante, pois vemos muitas pessoas que após sofrerem algum tipo de agressão ou bullying acabam caindo para cursos de autodefesa de artes marciais, mas aqui usaram essa alegoria como algo mais forçado, mais puxado para algo de gangue realmente, e que não tem um cerne de empolgação, não tem uma dinâmica mais precisa, parecendo quase que um filme deprimente para pessoas deprimidas, e assim em alguns atos antes de chegar realmente no fechamento chega a dar até sono com o que vão mostrando para o público. Ou seja, é um filme que teoricamente demonstraria atitude e um humor em cima dessa atitude, mas que não tem atitude alguma, sendo mediano demais em tudo, e assim só nos atos finais de maior rebeldia que o filme acaba funcionando um pouco, mostrando que a ideia do roteiro era boa, mas o desenvolvimento foi péssimo pelo diretor.

Confesso que fui conferir o longa pelo elenco, pois Jesse Eisenberg costuma entregar bons momentos em seus filmes, mas aqui ele fez um Casey que chega a ser deprimente e incômodo demais, com desenvolturas bobas e jogadas, e um estilo que dá vontade de bater, além de não ir muito além nas atitudes, ou seja, acabou ficando muito fraco com tudo, e certamente poderia ter puxado o filme para si. Os atos de Imogen Poots até foram bem intensos com sua Anna, porém a personagem é secundária na maior parte do filme, não fluindo como poderia, mas ao menos tentou, botando estilo nas expressões e agradando no que precisava. E por último, mas não menos importante tivemos Alessandro Nivola com seu Sensei, que certamente poderia ter ido muito além com tudo o que tem em segundo plano, pois suas cenas foram muito marcantes, seus atos completamente errados, e entrega demais nos últimos momentos do filme, ao ponto que o filme passa a ser quase mais dele do que de Eisenberg, e isso é bom, pois se ele não atacasse o filme seria mais morno ainda. Quanto aos demais, só temos participações, então melhor nem entrar em detalhe de ninguém.

Visualmente o longa até que é bem montado, pois temos a casa do protagonista que é sem muitos detalhes, mas mostrando a vida simples dele junto do cachorro e nada mais, a empresa aonde ele trabalha também sem grandiosos momentos, mas tendo a famosa sala do café aonde temos alguma desenvoltura marcante e claro a revista que ele copia, aí vamos para as cenas da rua de espancamento que ocorrem mais que uma vez e entendemos tudo, temos as cenas no mercado para mostrar o fracasso do protagonista, temos também as cenas na loja de armas, que vale guardar o que ocorre ali para usarmos no final, e chegamos no dojô, que ocorrem as lutas diurnas bem tranquilas, sem muitos detalhes a não ser claro os figurinos com os detalhes das cores nas faixas e suas devidas fitas simbolizantes, até chegarmos no depósito da academia aonde vemos alguns detalhes cruciais nos momentos finais, e aí sim tudo acaba sendo interessante, mas o filme já acaba na sequência.

Enfim, é um filme simples demais, que não consegue agradar, e que infelizmente mesmo tendo um ótimo elenco e uma boa proposta não dá para recomendar para ninguém, e nem vou falar mais nada, pois é cansativo até pensar nele. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Dois + Dois

8/17/2021 01:29:00 AM |

Já disse outras vezes e volto a frisar, se você vai adaptar algum filme já existente, o melhore, pois transformar uma comédia argentina recheada de tabu, que mesmo trabalhando situações embaraçosas fazia rir bastante, em uma novelona com pouquíssima graça usando ainda quase toda a mesma formatação é algo que desaponta demais. Digo isso com um tremendo pesar, pois esperava bem mais do filme nacional "Dois + Dois", tanto pelo bom elenco quanto pela direção de um dos melhores roteiristas de comédia do país, e infelizmente não deu muita liga, pois até temos alguns atos com um certo gracejo, temos algumas tentativas de elementos sensuais, mas se no argentino a pegada era de algo mais travado e cheio de ginga, aqui ficou parecendo como se fosse a coisa mais normal do mundo, além de exagerar nos atos forçados de clichês. Ou seja, faltou comicidade e para isso usaram do exagero, o que geralmente não agrada, e assim sendo até serve para um passatempo bem rápido, mas que infelizmente não vai ser daqueles que você irá feliz rindo sem parar para casa, ao menos não aconteceu isso com as pessoas que estavam na mesma sessão que eu.

O longa acompanha Diogo e Emília, um casal que está junto há 16 anos e que encontra-se em meio a uma fase monótona. Porém, tudo vira de cabeça pra baixo quando eles descobrem que Ricardo e Bettina, seus melhores amigos, possuem um casamento aberto e praticam a troca de casais. Agora, seus amigos tentam convencê-los de que é possível ser feliz levando esse estilo de vida.

Marcelo Saback foi e ainda é um dos melhores roteiristas de comédia do país, isso é fato, e já teve tantos grandes sucessos na telinha quanto na telona, porém resolveu se arriscar em uma área nova e cheia de riscos só que ao invés de pegar um roteiro original seu que certamente teria muito mais chances de funcionar, optou por pegar um longa argentino de sucesso e adaptar para uma versão nacional mais aconchegada digamos assim, pois usa os mesmos moldes, os mesmos personagens, praticamente as mesmas cenas, mas não faz rir como deveria, ficando meio que sem sal e sem atitude, o que é uma pena, pois a síntese da trama também é um tabu por aqui, tem as dinâmicas intensificadas pelo lado duplo, mas não engrena, caindo mais para o lado novelesco dramático, aonde os casais acabam abrindo mais arcos do que agregando, e assim o resultado desaponta um pouco. Claro que está bem longe de muitas comédias novelescas enroladas, pois aqui a dinâmica até flui até próximo ao final, mas não faz rir, e isso é o ponto máximo de falhar em uma comédia, ou seja, poderia ter trabalhado melhor os atos, e adaptar melhor para algo mais chamativo pelo menos, que daria um outro rumo para o filme.

Sobre as atuações, diria que a química entre os protagonistas foi até que boa, não sendo algo que vamos lembrar como sendo as melhores atuações deles, mas ao menos se doaram para os personagens e encaixaram bons trejeitos. Marcelo Serrado costuma entregar personagens com trejeitos forçados, mas aqui seu Diogo tem estilo, tem personalidade e até sai da caixa tradicional com o que faz, mas não empolgou muito suas jogadas ao ponto de dominar o ambiente, o que chega a ser estranho de ver por esperar mais dele. Carol Castro trabalhou sua Emília com ares complexos demais de serem jogados em pouco tempo, pois tem muitas vontades, muitas virtudes e quer tudo para si, e o filme tem menos de duas horas para entregar tudo isso, ao ponto que quando vemos sua virada ficou parecendo que muita coisa foi cortada, e assim ficando estranho de ver. Marcelo Laham trabalhou seu Ricardo com atitude e pontos marcantes nas nuances, o que acaba parecendo estar fora até do eixo do filme, e isso é algo que funcionaria bem numa novela ou em algo com mais tempo, pois seu personagem embora esteja bem envolvido é secundário, e não evolui, o que não é muito normal em um filme. Já Roberta Rodrigues foi completamente para jogo com sua Bettina, não se segurando nem nos atos sensuais nem nos atos de barraco, o que mostra muito mais do que atitude, mas sim vontade de mostrar serviço em cena, e isso é o que falta em muitos filmes, ou seja, fez bons trejeitos e se soltou como o filme pedia, acertando em cheio no papel. Quanto aos demais, diria que é melhor nem comentar, pois é um mais exagerado que o outro, tendo um leve destaque pelo exagero master, e claro, para o clichê máximo feito para Eduardo Martini com seu Marquito, mas fez o que o papel pedia, e assim sendo o problema está no roteiro.

Visualmente o longa tem até que bons momentos, desde uma casa bem grande de classe alta do casal protagonista, um apartamento bem arrumado do casal secundário, uma grandiosa mansão com uma festa bem cheia de pessoas diferentes de todos os estilos possíveis, com figurinos icônicos, uma clínica cardiológica com operações acontecendo sem muito detalhamento, e claro muitas propagandas dos patrocinadores aparecendo em momentos forçados como a marca de camisinhas, a marca de gilete de barbear, o aplicativo de streaming, e por aí vai, que concordo que temos de mostrar os patrocinadores afinal é deles que vem a grana do longa, mas forçar para que fique em evidência é exagero demais. Sendo assim a equipe de arte foi praticamente obrigada a montar cenas desnecessárias como a da farmácia, a do banheiro, a das crianças parando para olhar o celular, e por aí vai, mas de resto usaram bem os elementos cênicos para ao menos ficar bem representativo tudo o que o longa precisava.

Enfim, é um filme que diria recomendar mais o argentino do que o nacional, o que é uma pena, pois estava com esperanças que o diretor fizesse o mesmo que faz com seus roteiros na trama, e não aconteceu, sendo assim quem gostar de algo mais novelesco com alguns atos engraçados até pode ser que curta a trama, mas do contrário é melhor ir para outros rumos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: Usando o nome do filme, vou fazer a piada de duplo sentido e dar a nota 2+2.


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TeleCine Play - Synchronic

8/16/2021 12:10:00 AM |

Quando pego para conferir um longa que trabalha drogas já vou sabendo que irão fantasiar as situações, ir por um lado positivo ou negativo forte, mas que certamente irão discutir algum feitio interessante sobre o tema, e claro vamos falar sobre as viagens que alguns sentem ao tomar alguma droga ilícita dentre as diversas que já foram mostradas, porém falar de viagem temporal, de um comprimido que faz com que a pessoa vá para uma determinada época na exata posição aonde estava é algo que certamente os roteiristas tomaram muitas drogas para conseguir imaginar, e essa é a premissa do longa "Synchronic", que entrou em cartaz no Telecine Play, e até poderia trabalhar bem o tema, poderia fantasiar mais as situações, criar desenvolturas entre as épocas, e tudo mais, mas tentou trabalhar um casos de família antes com as vantagens ou não de ser solteiro e casado, colocou doença no meio, parcerias, e tudo mais que fosse melodramático, ao ponto que o longa acabou desandando um pouco, não sendo algo ruim de ver, mas que ficou parecendo que o diretor não sabia exatamente o rumo que desejava entregar, e o resultado acabou se perdendo. Ou seja, é daqueles filmes que vemos dois grandes atores se entregando para a loucura total, mas que na metade do caminho nem eles mais sabem o que realmente estão fazendo ali, e isso é algo que não é muito bom de acontecer.

No longa acompanhamos a história de Steve e Dennis, dois paramédicos que costumam trabalhar no período da noite. De repente, a dupla nota que uma série de mortes sem explicação começa a ocorrer. Logo, eles descobrem que uma nova droga chamada Synchronic está circulando nas ruas. Tudo piora quando Brianna, a filha de Dennis, desaparece.

Diria que os diretores Justin Benson e Aaron Moorhead tentaram seguir uma linha interessante que muitos filmes de viagem temporal costumam funcionar bem, porém quiseram dar um algo a mais para a trama deles e acabaram se perdendo no que desejavam, pois se olharmos de cima tudo o que o filme tinha para entregar temos muitos elos de parceria, elos de diferentes tipos de família, elos de drogas, e claro a viagem temporal, e praticamente nada se conecta entre si de uma forma densa bem efetivada. Ou seja, é daqueles roteiros que quando alguém lê até vê o potencial, imagina todo o ambiente, prepara as cenas, mas quando vai juntar tudo o que filmou fica olhando e pensando o que foi que eu fiz? E nenhum dos vértices entregues são ruins, mas sim complexos demais para andarem conectados, e assim quando pensamos num plano maior até dá para se emocionar com a doença do protagonista, do amor do pai pela garotinha e claro como o personagem vê o elo familiar bonito ali e deseja ser fundamental para a continuidade, mas falta aquele elo maior, e isso certamente poderia ter recaído de cara, sem precisar de todas as loucuras com os demais drogados, sem precisar da invasão do cientista, e muito mais, pois funcionaria bem sem esses estorvos, e o resultado daria para ser mais focado nas viagens, que aí sim agradaria bem mais.

Quanto das atuações, Anthony Mackie sempre entrega boas personalidades para seus personagens, ao ponto que cria um carisma próprio, faz caras e bocas marcantes, e quando está disposto até vai além do que o personagem precisa para chamar atenção, e foi exatamente o que rolou aqui com seu Steve, pois o personagem em si é bem aberto aos planos, mas em momento algum parece ser marcante na trama, porém resolve atacar todas as facetas experimentais para ajudar a família do amigo que acaba emocionando em seu último ato, ou seja, volto a falar que o ideal era ter focado mais nessas viagens, que certamente o filme ficaria incrível, e o ator ajudaria muito nesse sentido, pois ele é muito bom no que faz. Jamie Dornan até tentou puxar um lado sentimental, fazer trejeitos fortes e interessantes, mas seu Dennis é meio que dependente de todos os demais personagens, e isso é algo que em filmes que não vão muito para frente acaba resultando em ficar em segundo plano, o que é ruim de ver, porém em suas cenas mais fortes mostrou atitude e foi marcante ao menos. A jovem Ally Ionnides até teve algumas nuances interessantes para sua Brianna, mas aparece praticamente só em duas cenas, e assim sendo não chama atenção, enquanto sua mãe vivida por Katie Aselton teve um pouco mais de expressividade nas poucas cenas de sua Tara também, mas com olhares e situações ao menos mais desesperadas e marcantes. Já quanto aos demais, vale apenas um leve destaque para a loucura do químico vivido por Ramiz Monsef nas cenas na casa do protagonista, mas nada que chamasse muito atenção, sendo apenas divertido ver seu desespero frente a um taco de beisebol na sua cara.

Visualmente o longa até tem uma pegada bem interessante, mostrando que a equipe de arte teve um trabalho gigantesco que pode ser notado já no pôster, pois o filme se passa em várias épocas, mostrando desde um inverno monstruoso na Era do Gelo com um homem da época usando todo o figurino, vemos um pântano com colonizadores espanhóis, tivemos a época da ku-klux-kan com caipiras bem tradicionalistas, época da guerra civil com muitos tiroteios e baixas, além de outros personagens viajando com a droga para florestas, desertos e tudo mais, ou seja é um filme com muitos detalhes cênicos que certamente poderiam até ter explorado mais, mas não rolou, e além disso tivemos o protagonista num hospital para tratamento, várias cenas deles indo resgatar pessoas já em fim de drogas quase morrendo ou mortas, e muitos atos em bares também, mostrando que o pessoal gastou um bom orçamento com tudo.

Enfim, é um longa que tinha muito potencial, mas que não focou em nenhum vértice próprio para seguir e acabou levemente perdido em tudo, mas ainda assim faz valer o passatempo com a conferida, principalmente pelas boas atuações e pelas épocas que se passam, mas certamente poderiam ter ido bem além, e o resultado seria muito melhor. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Beckett

8/15/2021 06:34:00 PM |

Filmes que envolvam conspirações de qualquer forma, sejam elas políticas, ideológicas, tecnológicas ou religiosas, sempre puxam para algo dramático que dificilmente entramos no clima de tudo se não formos também ligados pró ou contra essas ideias, pois tudo só faz sentido se o clima funcionar, o que geralmente é bem difícil, e com o lançamento da semana na Netflix, "Beckett", vemos a famosa sina das pessoas azaradas que acabam caindo (aqui no caso literalmente) no meio de algo que não deveria nem passar perto e passa a ser caçado pelos idealistas ou no caso aqui sequestradores/agitadores. Ou seja, já dizia um amigo meu que viajava muito em época de conflitos e não estava nem aí com nada, se for sair do hotel, olhe para paisagens apenas, pois se você vir qualquer coisa fora do eixo está encrencado, e o que é mostrado aqui é bem essa sina, pois os protagonistas poderiam estar bem, ficando quietinhos no hotel que estavam, mas resolveram mudar de lugar já que haveria um protesto lá perto, e pronto, caíram no sono e sofreram um acidente bem aonde estava o problema todo, ou seja, vai ser azarado lá na Grécia, que passou a ser caçado igual um animal e fazendo as maiores loucuras possíveis vai nessa toada até o final. Ou seja, é um bom filme, com uma proposta meio maluca, mas que quem embarcar nela vai acabar gostando de tudo.

O longa nos conta que enquanto estava de férias na Grécia, o turista americano Beckett se torna o alvo de uma caçada após um acidente devastador. Forçado a correr para salvar sua vida e desesperado para atravessar o país até a embaixada americana, as tensões aumentam conforme as autoridades se aproximam.

Diria que o diretor e roteirista Ferdinando Cito Filomarino até tem um bom potencial de amarras, pois seu longa segura bem as dinâmicas, e entrega bem pouco durante toda a exibição, fazendo com que o público vá seguindo da mesma forma que o protagonista, sem saber o motivo de estar no meio de toda a confusão, e o pior sofrendo de tudo um pouco. Porém ele não foi muito criativo na intensidade do seu texto, ao ponto que o filme fica rodando demais e não encontrando uma atitude mais coesa ele acabou transformando um simples analista de informática em um quase super-herói, pulando de alturas sem quebrar uma perna ou um dente que seja, levando facadas em tudo que é lugar e não se lavando de sangue, além de muita coisa sem base rolando com o protagonista, o que acaba não encaixando direito, e assim sendo o filme acaba sendo forçado demais para acreditarmos na conspiração funcional completa como seria algo do tipo. Ou seja, o diretor até tem potencial, mas acabou trabalhando de forma muito exagerada em tudo na sua trama, o que abriu margens para os diversos erros.

Sobre as atuações, John David Washington tem muito estilo, isso já mostrou em diversos longas, porém seu Beckett como já disse acima acabou ficando exagerado demais, e nem que fosse um atleta ou algum tipo de militar bem preparado conseguiria fazer tudo sem estar inteiro quebrado na metade do filme, quanto mais apenas exausto como o protagonista chega no final, e olha que tomou pelo menos uns 3 tiros que contei, ou seja, poderia ter chegado a falar para o diretor que estava indo muito além no roteiro e amenizado as ideias para convencer mais, mas não foi o que rolou, e assim sendo ele como ator fluiu ao menos. Alicia Vikander só participou realmente das primeiras cenas com sua April, mas trabalhou bem os olhares românticos com seu parceiro, foi envolvente dentro do que podia fazer, e agradou ao menos, e não precisou sair saltando sem parar o que ela sabe fazer bem também, mas parou no começo. Panos Koronis foi daqueles policiais que ficamos com raiva já na segunda cena com seu Xenakis, mas vai só piorando nas situações, e o ódio nele também junto de sua parceira Lena Kitsopoulou que nem fala teve, apenas sai atirando sempre. Já Vicky Krieps fez algumas caras e bocas para sua Lena, e como uma ativista poderia ser mais explosiva, mas apenas seguiu e foi calma demais nas cenas. E para finalizar tivemos Boyd Holbrook com seu Tynan, um oficial da embaixada que parecia ser gente boa, mas mereceu cada canada que tomou na testa, pois o ator foi muito bem expressivo e enganou demais em cena.

Diria que a equipe de arte trabalhou bem, porém o diretor não quis usar tanto o ambiente como parte da história, pois até vemos o lado mais rústico cheio de montanhas e terrenos recortados no primeiro ato, com todo o ar turístico e tudo mais, mas ao chegarmos na capital, o filme foi muito para estacionamentos, subsolos de lojas, estações de trem e tudo muito mais fechado que acaba não valorizando tanto, e mesmo na passeata apenas vemos muitos figurantes com camisas e bandeiras, fumaças, policiais com escudos, representando as tradicionais brigas de comícios. Ou seja, tudo foi bem representativo, mas sem grandes surpresas, e assim o resultado não foi muito além.

Enfim, é um bom filme, mas que passa longe de ser algo memorável, que talvez numa mão mais conflitiva, com um diretor mais ousado e mais centrado também para não exagerar nos saltos, tiros e tudo mais, resultaria em algo melhor, mas serve como um bom passatempo de domingo, e assim fica a dica de recomendação com algumas ressalvas. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Paramount+ - Infinito (Infinite)

8/15/2021 02:51:00 AM |

Eu sei que vou parecer antiquado e que muitos irão reclamar do que vou falar aqui, mas filmes de ação temos que conferir nos cinemas, nas maiores salas possíveis, e só assim vamos sentir toda a vibração possível que um longa do estilo passa, pois posso até dizer que o longa da Paramount+, "Infinito", é um tremendo filmaço, tem interações fortes, tem uma proposta que dá para discutir muito e se envolver na base de crer ou não em outras vidas, mas principalmente as cenas de luta e tiro são daquelas de tirar o fôlego, com muita imponência e intensidade que certamente numa salona imensa ficaríamos de queixo caído com tudo, enquanto na poltrona de casa apenas curtimos. Ou seja, não estou falando em hipótese alguma que o resultado ficou ruim de ver em casa, mas não temos o mesmo sentimento, e assim sendo vemos uma história intensa de ideias, com personagens lutando e atirando para todos os lados, numa cena final incrível dentro de um avião em rodopios, e tudo mais, que ao tocar a música tema cantada pela filha do diretor enquanto sobem os créditos, certamente me veria dançando feliz e sorridente na sala Imax. Mas vamos relevar que o filme foi vendido assim, feito exclusivamente para a plataforma deles, e assim como estamos vendo alguns grandiosos longas de ação na Netflix, vamos ver aqui também, e esse foi só o primeiro dos que estão prometendo, e se seguir nesse nível, vão brigar bem, pois aqui o serviço foi mostrado com louvor.

O longa nos conta que Evan passou toda sua vida sendo assombrado por alucinações inexplicáveis até que ele descobre que seus sonhos na verdade são memórias de vidas passadas. A partir daí, sua vida muda completamente quando ele encontra uma sociedade secreta com pessoas como ele.

O diretor Antoine Fuqua sempre nos entrega grandes obras envolventes, com boas cenas de ação e temas que mesmo tendo situações viajadas resultam em dinâmicas que podem ser bem discutidas, e aqui ele não nos desaponta, pois coloca toda sua energia a prova com elementos futuristas, com situações de passado, vários envolvimentos malucos e tudo mais para adaptar o livro "The Reincarnationist Papers" com uma interação tão boa e explosiva que até mesmo os atos mais calmos entram em nossa mente e funcionam bem, empolgando com atitude e muita vibração. E é até engraçado observar, pois a trama tem muita força de estilo, com carros potentes, armas gigantescas, muita perseguição, saltos em aeronaves, saltos de carros e motos, e muita disposição de ação trabalhando com um pano de fundo temático de algo que podemos imaginar como zen que é a reencarnação, e isso chega a ser tão bem dominado nas primeiras cenas que até chega a soar estranho, mas vai sendo incorporado numa velocidade tão boa que ao final estamos até empolgados para curtir tudo.

Sobre as atuações, Mark Wahlberg consegue trazer sempre sua personalidade para seus personagens, e aqui seu Evan tem estilo, mas é meio bobão até assumir realmente seus "poderes", ou melhor, suas lembranças e técnicas de outras épocas, ao ponto que vamos lembrando no tempo dele, e o resultado acaba sendo bem interessante de acompanhar, mostrando bons momentos e boas expressões por parte dele. Chiwetel Ejiofor veio com tanta imponência em seu Bathurst, fora o visual bem diferente careca e barbudo, que nem remete nada a nenhum outro personagem seu, o que é ótimo de ver, mostrando que ele que era um ator que muitos só viam para personagens dóceis e envolventes pode cair muito bem para um vilão e dar um show expressivo como fez aqui, ou seja, é daquelas boas surpresas que acabam mudando completamente um filme. Sophie Cookson mostrou que cresceu bem e agora não é mais aquela jovem de diversos filmes de espiões, mas sim um tremendo mulherão disposto a lutar com muita imposição e chamando a responsabilidade para si, o que é bem interessante de ver. Quanto aos demais, tivemos ainda Dylan O'Brien fazendo o que mais gosta que é saltar, lutar e se jogar completamente com seu Treadway, mostrando sempre a boa interação de personagem que agrada quem gosta do estilo de ação, Jason Mantzoukas entregando um personagem bem divertido e interessante com seu Artisan que poderiam até ter usado mais, tivemos uma Liz Carr toda tecnológica e chamativa com sua Garrick, e até um Toby Jones bacana rapidamente aparecendo com seu Poter, além de Jóhannes Haukur Jóhannesson fazendo um Kovic imponente, Kae Alexander dominando nas artes marciais de sua Trace, e Wallis Day com sua Shin, e até mesmo a turma do primeiro ato foi bem montado com Joana Ribeiro como Leona, Tom Hughes como Abel e Rupert Friend mandando ver como a versão de Bathurst em 1985. Ou seja, um tremendo elenco que foi usado pouco em comparação a tudo que o filme poderia mostrar, mas que agradaram bastante em cena.

Visualmente a trama é bem interessante, cheia de ambientes bem trabalhados, e que contando com muitas cenas de perseguição desde o começo com os protagonistas do primeiro ato em uma fuga alucinante da polícia com uma Ferrari, e na sequência já com o protagonista fugindo do vilão em um carro tecnológico que nem dá para saber o que é, além do vilão estar num jipe quase que tanque de guerra, depois tivemos muitos drones, muita computação gráfica nos ambientes do quartel general dos infinitos crentes e passeando por muitos países e ambientes chegaram até a Escócia aonde vemos uma perseguição seguida de luta em um avião muito imponente, ou seja, com armas de todos os portes para todos os lados, tiros, explosões e muita imposição o filme acaba sendo daqueles que não temos sequer um respiro de tela, aonde podemos olhar para cada canto e ver um detalhe diferente funcionando para algo no ambiente, ou seja, perfeito demais.

O longa tem uma boa dinâmica rítmica, e contando com uma trilha sonora bem envolvente de Harry Gregson-Williams (que você pode ouvir aqui) acabamos entrando completamente no clima, tendo inclusive a canção de créditos cantada pela filha do diretor Asia Fuqua que deu um bom fechamento e vale a conferida aqui.

Enfim, é um tremendo filmaço que tem muitas falhas, como todo bom longa de ação, mas que acaba envolvendo bem o público e quem gosta do estilo irá se divertir bastante com toda a proposta, embora desenvolvida de uma forma meio que apressada. Ou seja, é daqueles filmes que talvez valesse quebrar em dois, mas isso fica para talvez uma continuação, e assim sendo confira esse e se empolgue, afinal quem sabe você vai ter uma outra vida depois para lembrar de tudo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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O Labirinto (L'uomo del Labirinto) (Into The Labyrinth)

8/14/2021 09:12:00 PM |

Sempre que vou conferir uma trama de suspense já fico esperando aonde vão tentar me enganar, e claro já dou logo nas primeiras cenas algum chute improvável de acertar, mas hoje posso falar que acertei 50%, e os outros 50% não tinha como acertar já que foram completamente inventivos e mudaram a base toda durante o andamento, ou seja, basicamente o que estamos vendo e procurando não necessariamente é a mesma coisa na trama de "O Labirinto", e com essa sacada acredito que até tenha ajudado muitos que irão se perder no longa, pois sendo um filme baseado em livro a ideia de talvez voltar tudo para entender um pouco mais não temos no longa, e geralmente os italianos gostam de brincar com essa teoria de quebrar com as possibilidades, e assim sendo quebrar também o espectador. Ou seja, é um filme que tem boas reviravoltas, e é bem inventivo, mas talvez uma tensão maior chamasse mais atenção e impactaria mais.

O longa nos conta que a adolescente Samantha é raptada a caminho da escola. Quinze anos depois, ela está no hospital, em estado de choque, com o Dr. Green ao seu lado. Juntos, eles resgatam as memórias de Samantha no labirinto, uma prisão subterrânea, aparentemente sem saída, em que alguém forçou a jovem a jogar e resolver enigmas, recompensando seus sucessos e punindo seus fracassos. Também ansioso para resolver o mistério está Bruno Genko, um investigador particular de talento excepcional. Ele não tem muito mais tempo de vida e, por isso, o caso de Samantha é o seu maior desafio.

O diretor e roteirista Donato Carrisi coloca em seu segundo filme uma intensidade bem marcada, com nuances tensas e que por várias vezes nos deixa com uma pulga atrás da orelha imaginando o que pode ter ocorrido com a garota, ou se o investigador está indo na pista correta, mas como a história toda é embasada em seu livro que foi sucesso de vendas, certamente ele poderia ter trabalhado de uma forma capitular para amarrar mais o público, pois aqui embora a trama se divida bem, ficamos com algumas dúvidas em diversos atos, o que geralmente é estranho de ocorrer, mas não vejo como sendo um grande erro. Além disso faltou um ar de tensão para cima dos personagens principais, pois nem a garota no labirinto, nem o investigador ficando preso no porão, nem toda a história rolando dentro do hospital acaba causando um desconforto maior no público, ao ponto que tudo parece normal demais, ou fora de eixo demais, não entrando naquele meio termo que vamos nos contorcendo na poltrona para se aliviar no final. Ou seja, é um bom roteiro que talvez tenha sido mal desenvolvido, pois a intensidade cênica acaba não causando e isso é ruim de acontecer em um suspense, mas de certa forma o filme funciona e surpreende no final, o que é bom de ver.

Sobre as atuações temos um Dustin Hoffman bem intenso com uma proposta marcada e cheia de nuances com seu Dr. Green, ao ponto que vamos nos conectando com suas perguntas e com seus movimentos de mão com a bolinha e tudo mais, ao ponto que vemos um personagem bem feito, mas que poderia ter explodido um pouco mais. Já Toni Servillo trabalhou seu investigador Bruno Genko como um daqueles curiosos intensos, que tem toda a síntese de conhecer pessoas, ambientes, e estando no fim de sua vida resolve investigar sem se segurar em nada (aliás suas cenas dirigindo foram bem abusadas, pois parecia só existir o seu carro na rua), mas trabalhou bem e foi certeiro em vários momentos. Valentina Belle fez de sua Samantha uma personagem cheia de dúvidas, com trejeitos amarrados e não impactando como deveria, ao ponto que parecia não saber aonde chegar com o papel, mas foi bem em despistar tudo, e agradar na forma que fez isso. Quanto aos demais, a maioria fez conexões com os demais, tendo um leve destaque para a interação de Vinicio Marchioni com seu Simon e Katsiaryna Shulha com sua Linda bem sexy, mas não muito desenvolvida, além claro do sequestrador vestido de coelho que não vou dar nomes para não atrapalhar o andamento de tudo, mas que foi bem de facetas.

Visualmente a trama tem bons elementos e locações, desde um hospital bem simples aonde os protagonistas seguem dialogando sobre como foi ficar no labirinto, até as casas, igrejas e apartamentos por onde o investigador vai no meio de fogo, chuva, pântano e tudo mais, com uma intensidade bem boa de elementos cênicos bem representativos, que acabam chamando a atenção, porém nem o sequestrador vestido de coelho, nem o ator estranho com a cara desfigurada causaram algo a mais na sessão, e assim o filme acaba faltando um pouco de tensão realmente, pois mesmo o labirinto tem seu luxo, mas não causa a claustrofobia que deveria rolar realmente.

Enfim, é um filme que de certa forma surpreende, que tem uma trama interessante e que certamente vai agradar quem gosta do estilo, mas se tivessem colocado uma tensão maior nas cenas seria daqueles perfeitos. Mas ainda assim recomendo ele para todos, pois não é violento e tem uma boa profundidade para brincar com a mente de todos, e assim sendo vale a conferida. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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O Poderoso Chefinho 2 - Negócios da Família (The Boss Baby: Family Business)

8/14/2021 01:41:00 AM |

É sempre interessante quando conseguem manter a essência de uma trama e evoluir ela para que entre no clima mais atual, e se lá em 2017 tivemos uma trama divertida mas que não passava grandiosas mensagens com "O Poderoso Chefinho", agora com "O Poderoso Chefinho 2 - Negócios da Família" trabalharam tão bem a temática de sintonia entre irmãos, as vantagens do afeto familiar, e até mesmo do encorajamento de sair da zona de conforto para crescer pessoalmente e introspectivamente, além claro de mostrar que algumas escolas não criam grandes pessoas, mas sim robôs com a forma competitiva trabalhada, ou seja, encontraram bons temas para que o filme fluísse melhor e ainda claro divertisse bastante. E a grande sacada, ou melhor as grandes sacadas foi que conseguiram fazer tudo isso trabalhando dinâmicas simples, colocando os personagens que não eram grandes chamarizes agora em situações mais carismáticas, e claro colocando muitos outros personagens e elementos para que a animação tivesse mais vida, isso claro que foi muito bem aprendido com a série animada que é sucesso desde o lançamento na Netflix, ou seja, o hall criativo foi bem dominado e mantendo a sacada da infância ser bem aproveitada, dos motes familiares e tudo mais, conseguiram conduzir para algo bem maior do que apenas um filme bonitinho de ver, e assim o resultado funciona.

O longa acompanha novamente os irmãos Tim e Ted, agora adultos e vivendo vidas separadas. Enquanto Tim construiu uma vida calma no subúrbio com sua esposa, Carol, e as filhas, Tabitha e Tina, Ted se transformou em um mega empresário que resolve todos os problemas com dinheiro. Mas quando Tim descobre que sua filha caçula também é agente do BabyCorp, ele precisará da ajuda do irmão mais novo para lidar com a situação.

Um dos pontos principais que costumo falar em continuações é que sempre deve se manter o diretor do original, pois a pessoa já sabe aonde ir, já tem a base dos personagens e a criatividade flui bem em cima de algo que até imaginou colocar no original, mas não coube ou não deu tempo exato de fazer, e aqui Tom McGrath voltou a assumir sua história e brincou bastante com as possibilidades, criando cenas coloridas bem encaixadas, muita interação nas cenas da escola mostrando os diversos tipos de alunos e de situações, trabalhou bem os diversos elos familiares, e claro encontrou espaço para as diversas discussões familiares, de ensino e tudo mais. Ou seja, o diretor e seu parceiro de escrita Tom McGrath se basearam bem nos livros de Marla Frazee e entregaram uma boa personalidade para todos, e embora tenham exagerado na rápida passagem de tempo, já que passou apenas 4 anos reais, mas no filme os protagonistas do primeiro já estão bem adultos, com filhos inclusive, tudo encaixa bem e diverte muito.

Sobre os personagens, antes de falar dos protagonistas tenho de dar o devido destaque para a bebê que parece saída de um filme de terror, com olhares e falas intensas tanto no ato do protagonista no berçário, mas sendo incrível em seu encontro com os ninjas nas cenas finais, sendo daquelas cenas que nós amantes de filmes de terror praticamente rolamos de rir com a forma que tudo acontece, sendo quase uma Annabelle. Agora voltando para os personagens principais, é muito bacana ver toda a interação entre os irmãos Tim e Ted novamente, a desenvoltura meio que egoísta de Ted já como um rico empresário muito ocupado, e voltando a ser bebê toda as sacadas de ser colocado junto com outros bebês, já Ted como um pai que se esforça como dono de casa para dar carinho e muita atenção para as filhas, mas acaba exagerando demais em tudo e tem ainda uma imaginação bem fértil e maluca, voltando também a ser garotinho entrega muitas boas cenas junto da filha. Aliás falando na filha, a jovem Tabitha é cheia de desenvoltura, tem uma inteligência fora do normal e quando resolve cantar deu um show literalmente. Agora a nova chefinha Tina é uma graça, mostrando uma personalidade mais familiar do que o protagonista do primeiro longa, e criando muitas situações bem engraçadas para despistar os adultos de que já fala e comanda uma corporação inteira. Além deles tivemos o vilão Dr. Armstrong completamente insano de ideias, muito astuto e com uma personalidade completamente maluca, usando muitos bebês a sua disposição e trabalhando de uma forma que chega a ser até intensa para uma animação, ou seja, foi bem colocado. Quanto da dublagem nacional diria que todos foram muito bem, colocando piadas, gírias e sacadas tradicionais nacionais, o que sempre acaba sendo de bom tom, e assim o resultado chama atenção em tudo.

Visualmente o longa é muito colorido, tem sacadas de todos os tipos, como a criação de aplicativos de celulares por bebês no melhor estilo dos minions, temos ninjas, temos muitas personalidades na escola com alunos de todos os tipos e perfis, temos uma escola tecnológica incrível, a casa dos protagonistas também muito bem desenvolvida, e até uma rápida passada pela BabyCorp foi colocada em cena, com personagens e animais carismáticos (aliás a pônei Preciosa é show em cena), e uma cena de ação no trânsito daquelas de tirar o fôlego, ou seja, a equipe de desenho sofreu e muito, ao ponto que até deve ter um bom 3D, mas ainda continuamos sem a tecnologia nos cinemas.

Aliás, a trilha sonora além de contar com a ótima canção da garotinha é assinada por Hans Zimmer e Steve Mazzaro, ou seja, uma sonoridade incrível que você pode conferir depois nesse link, que conta inclusive com a música na voz original de Ariana Greenblat. Não encontrei a versão nacional, mas se alguém tiver só mandar que incluo.

Enfim, é um filme muito gostoso para toda a família, que envolve bem do começo ao fim, e que funciona até melhor do que o original, e olha que a proposta lá era bem interessante dos cãezinhos, então pegue as crianças e vá para os cinemas com a desculpa de levar eles para ver um filme, ou vá sozinho mesmo e seja feliz, pois vale muito a conferida. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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O Homem Nas Trevas 2 (Don't Breathe 2)

8/13/2021 01:40:00 AM |

Eu já sabia bem o que esperar de "O Homem Nas Trevas 2", então fui pronto para os mais diversos absurdos possíveis, o que fez com que o filme tivesse uma certa tensão e me envolvesse bem durante mais da metade da trama que o protagonista passa dentro de sua casa com os bandidos, mesmo que tudo o que rolasse ali fosse exageradamente exagerado (sim, coloquei em duplicidade mesmo para reforçar!), porém quando vamos para o ponto de virada e a garotinha é levada para o hotel aonde vivem os vilões, já me preparei psicologicamente e falei ele vai usar isso, dito e feito usou, na sequência ele em terreno completamente desconhecido começa a fazer mil coisas impossíveis e apenas balancei a cabeça, pois ou você entra no clima ou só vai reclamar, e já tinha dito isso hoje pela manhã ao falar sobre as estreias da semana dizendo que ou você abre a mente e ignora tudo ou então o filme acaba virando um lixo completo. Então é melhor relevar os absurdos, acreditar que o senhor cego é a versão melhorada do herói Demolidor, e pronto, o filme fica intenso, com cenas violentíssimas do jeito que gostamos de ver, e o resultado até surpreende. Mas volto a frisar, é um absurdo atrás do outro ao ponto que até chegamos a falar: é impossível ele não estar vendo.

A sinopse nos conta que escondido por anos em uma cabana isolada, Norman Nordstrom acolheu e criou uma menina que ficou órfã de um incêndio em sua casa. Sua existência tranquila é destruída quando um grupo de sequestradores aparece e leva a garota, forçando Norman a deixar seu porto seguro para salvá-la.

Dessa vez o diretor do primeiro filme Fede Alvarez apenas escreveu o roteiro junto do novo diretor Rodo Sayagues, e ambos colocaram uma boa intensidade de estilo, souberam conduzir a narrativa para algo intenso e bem trabalhado, e como já disse, tiveram a serenidade em mostrar que ou você aceita que o protagonista é um cego e tem capacidades fora do comum ou nem vá para a sala do cinema, pois diria que abusaram completamente de tanta coisa para que o filme ficasse mais violento que tudo passa a ser irreal, afinal já era forçado imaginar as coisas que o protagonista fez no primeiro filme sendo cego, mas dava pra imaginar que um ex-fuzileiro americano cego em casa por muitos anos soubesse dominar bem todo seu ambiente, e ali resolver suas paradas com quem quer que aparecesse, mas aí sair pulando, rolando, "vendo" se luzes estão acesas ou apagadas, e o pior ir para outro lugar muito longe dali pegando coisas espalhadas numa van que sabe lá como ele achou tudo lá para pôr em uma bolsa foi apelar demais. Ou seja, confira a primeira parte, acredite no que está acontecendo, fique feliz, tenso e empolgado, e abstraia tudo o que ocorre no hotel, pois ali é só o charme para terem um fechamento, e nada mais.

Sobre as atuações, basicamente tudo fica bem em cima de Stephen Lang com seu Norman completamente intenso e muito mais imponente do que no primeiro filme, mostrando que o ator treinou muito e que sabia completamente dominar seu estilo para o que o personagem necessitava, e claro usando também um pouco de uns dublês fez cenas violentíssimas, impactou com estilo e agradou bastante, fazendo diálogos com tons diretos e lutas com muita dinâmica, acertando em cheio. A garotinha Madelyn Grace até trouxe uma certa intensidade expressiva para sua Phoenix, porém ficou sempre retraída em cena, parecendo estar mais com medo de atuar do que das coisas que estavam ocorrendo ali, e isso pesou um pouco, mas não chegou a atrapalhar o andamento da trama, e assim sendo foi bem até no que tentou fazer. O vilão Raylan vivido por Brendan Sexton III foi bem imponente e até bem desenvolvido na trama, ao ponto que seus atos foram fortes e intensos, e suas intenções soaram meio que bizarras, mas comandou bem seu time de malucos, e se expressou bem com o que precisava fazer para ficar marcante, agradando bastante em cena. Quanto aos demais, é muito divertido ver as mortes e besteiras que cada um acaba fazendo ao ficar bravo com o cego e tentar lutar com ele, então cada um da sua maneira vai caindo e sofrendo demais com tudo, mas sem ter destaque expressivo positivo para nenhum, pois são tantas caras e bocas que fazem que nem em show de lutas vemos tantos exageros.

Visualmente o longa é bem marcante, cheio de lugares completamente rústicos de estilos, desde a casa do protagonista com muitas coisas possíveis de serem usadas como armas, muitos elementos cênicos prontos para quebrarem ou servirem de esconderijos para a garota, e principalmente muita ambientação para dar o clima tenso e escuro, mas sem ficar invisível para o público, o que acaba dando um charme extra em tons de cinza e preto, depois vamos para o hotel abandonado repleto de ambientes desde um hospital improvisado, uma piscina imensa vazia, várias escadarias e tudo mais, ou seja, é algo que foi muito bem pensado pela equipe de arte, e valorizado na medida pelo diretor para aparecer em detalhes.

Enfim, é um bom filme do gênero, com muito mais violência do que o original, porém bem abaixo dele na qualidade, pois aqui abusaram demais de tudo para funcionar, e assim sendo até vale a conferida como uma diversão intensa pelo estilo, cheia de nuances tensas e intensas, mas que se não aceitar o que é entregue o resultado vira um desastre com certeza, e sendo assim recomendo ele com a ressalva máxima de ir conferir acreditando que um cego pode fazer tudo que o protagonista faz, e aí o resultado vai agradar bastante. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - America: The Motion Picture

8/12/2021 12:44:00 AM |

Olha, confesso que já vi muitas animações malucas, e durante minha juventude vi muitas ironias insanas  e de duplo/triplo sentido nos episódios de "South Park", mas o que o pessoal que escreveu a animação da Netflix, "America: The Motion Picture", foi algo completamente fora de todos os padrões, imaginando como foi a formação/libertação dos EUA contra os britânicos de uma maneira tão insana misturando os ex-presidentes como guerrilheiros ensandecidos, com batalhas sangrentas entre lobisomens, motosserras, robôs, muita bomba, sexismos, e tudo mais que se possa imaginar, brincando sem nenhuma sutileza com ideologias partidárias, com racismos dos mais diversos tipos, e o pior de tudo, fazendo isso soar divertido de uma maneira tão abstrata e maluca que funciona demais. Ou seja, é daqueles tipos de tramas que você sequer consegue pensar como que alguém pensou em toda essa loucura, e por incrível que pareça é de apenas um roteirista, e não de um grupo de drogados que surtaram enquanto escreviam, e que caindo na mão de um estreante em filmes que não estava nem um pingo preocupado com sua segurança resultou em um filme que diria ser brilhante, mas que necessitará conhecer um pouco da História dos EUA para poder se divertir mais, o que não atrapalha em nada. 

O longa é uma animação que reconta a história da independência dos Estados Unidos através de um humor ácido e irônico. O filme recria os eventos históricos norte-americanos em tom humorístico e apresenta importantes personagens da história dos EUA como George Washington e Sam Adams de maneira satirizada.

Falei no começo que a loucura veio das mãos, e claro da mente insana, de um único roteirista, e no caso é Dave Callaham que é responsável por diversos grandes longas insanos também como os novos "Mulher Maravilha 1984", "Mortal Kombat", entre outros, e só com isso já dá para imaginar que a mente dele é bem fértil, porém o que fez aqui foi algo que foi muito além, pois muito ouvimos sobre a independência dos EUA, sabemos que foi algo meio complicado, e que as crianças sofrem um bocado para estudar para as provas na escola, mas que certamente agora algum pestinha que conferir o filme e colocar toda essa loucura mostrada aqui vai apanhar da professora, pois temos algo que só com muita droga na cabeça é possível se imaginar, como um rei britânico robô, um general lobisomem, Thomas Edison sendo uma cientista mulher revolucionária, George Washington e Abraham Lincoln best-friends-forever e muito mais usando várias maluquices, muitas piadas de duplo sentido, ares sensuais, dinâmicas racistas e xenofóbicas, e tudo mais que se possa pensar, que por um acaso caiu nas mãos de um diretor novato em longas, ou seja, Matt Thompson pegou algo completamente maluco e botou sua assinatura, o que é muito bom, pois mesmo errando ele transformou algo em seu, e certamente se quiser pode brincar muito mais com outros temas históricos nessa pegada que funcionará e irá divertir quem for conferir. Ou seja, está longe de ser perfeito, com toda certeza não é recomendado para crianças mesmo sendo uma animação, e funciona demais, o que é raro em tramas irônicas abusivas, e assim sendo passa voando toda a exibição.

Sobre os personagens e suas devidas dublagens é algo que nem tenho como falar muito, pois chega a ser irreal o que Channing Tatum entregou para seu George Washington, dando uma personalidade bem colocada daqueles sonhadores que nem pensam no que falar e saem fazendo, citando frases motivacionais que não sabem de onde vem e dão nome, e tudo com muita desenvoltura para que o personagem ficasse irreverente sem ser explosivo, o que é bacana de encaixar, pois precisavam de um contraponto, já que jogaram nas vozes de Jason Mantzoukas toda a insanidade possível e gritada de Samuel Adams (que quem não sabe é considerado o fundador dos EUA), que de uma forma completamente maluca só quer festas, badalação e explosões, numa irreverencia máxima que funciona por incrível que pareça. Da mesma forma temos Olivia Munn muito bem colocada na personalidade da cientista Thomas Edison mostrando que não é uma bruxa, mas sim uma inventora e cheia de apetrechos no melhor estilo de Tony Stark acaba trabalhando elementos bem encaixados e muita interação com todos. Ainda tivemos muita força de impacto para o maluco amigo dos animais Paul Revere vivido por Bobby Moyniham, Judy Greer entregando uma sensual e imponente Marta Washington, Andy Samberg como um general britânico meio lobisomem Benedict Arnold e Simon Pegg emprestando sua voz para o Rei James meio que robô, meio alienígena, ou seja, personagens malucos, atores bem encaixados e tudo funcionando muito bem dentro das piadas escolhidas nos diálogos.

Visualmente o longa é bem desenhado, não é tridimensional nem com modelagens, então temos praticamente o capricho do 2D tradicional bem envolvente com sombras e perspectivas, ou seja, temos toda a insanidade muito bem trabalhada em detalhes, com armas de todos os tipos, figurinos de época e fora dela, artifícios explosivos e tecnológicos, e muita interação entre todos os elementos e personagens muito chamativos, ao ponto que cada detalhe em cena faz muita representação para todo o filme, ou seja, vale ver até mais que uma vez para reparar em tudo, pois foi pensado para estar ali e o resultado chama a atenção mesmo.

Enfim, não posso dizer que seja algo perfeito, pois tem defeitos, tem momentos arrastados, mas tudo é tão maluco, tão genial de ideias insanas que acabamos nos envolvendo demais com cada detalhe, e assim a História dos EUA é vista de uma forma tão irreverente e bem encaixada que dá para acreditar que debaixo de muita bebida na cabeça tudo teria rolado dessa forma, e assim sendo o filme funciona demais e vale a recomendação para todos os adultos, pois não dá para a garotada ver alguns atos digamos sexuais demais seja explicitamente ou seja apenas nos diálogos, então é melhor ficar só pros mais velhos mesmo, que a diversão vai valer a pena. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Fuga Pela Fronteira (Flukten Over Grensen) (The Crossing)

8/10/2021 01:24:00 AM |

É interessante observar a quantidade de filmes envolvendo a Segunda Guerra Mundial que entram em cartaz, pois é um tema que não é fácil abordar, e geralmente ficam muito parecidos entre eles, e pode até parecer perseguição, mas já é o segundo que vejo em menos de um mês que trabalha o envolvimento sob o olhar de crianças, e não que isso seja ruim, mas o pessoal precisa voltar a ser mais criativo, ou então daqui a pouco vamos montar uma filmografia completa só com esse estilo. Dito isso, posso certamente falar que a versão norueguesa mostrada no longa que entrou em cartaz na Amazon Prime Video, "Fuga Pela Fronteira",  é bem bonito, tem toda uma síntese bem forte, e tem alguns diálogos tão imponentes que chega a dar até um soco na nossa ideia sobre o tema, pois conseguiram mostrar fatos e situações que realmente ocorreram, de crianças julgando outras crianças, de soldados tendo que fazer coisas que não queriam só por ser a lei, e por aí vai, ao ponto que tudo aqui é bem marcado e forte, porém como tem essa essência mais infantil o resultado dá uma aliviada em alguns momentos, o que é bom dessa vez, pois o tema se fosse implosivo como foi preparado certamente seria daqueles longas bem traumáticos. Ou seja, é um filme muita expressividade que funciona bem dentro da realidade mostrada, mas que certamente você já viu algum bem parecido com ele, o que não o deixa ruim, muito pelo contrário, pois aqui foram mais certeiros nas situações.

O longa nos situa no Natal de 1942, quando os pais de Gerda e Otto são detidos por participação no movimento de resistência norueguês durante a Segunda Guerra. Após a prisão, os irmãos descobrem duas crianças judias escondidas em sua casa. Cabe agora a Gerda e Otto terminar o que seus pais começaram: ajudar Sarah e Daniel a fugir dos nazistas, cruzar a fronteira para a Suécia e reencontrar seus pais.

A diretora Johanne Helgeland foi bem direta ao trabalhar o bom roteiro que lhe foi entregue, pois as cenas são dinâmicas, os momentos funcionam bem dentro do proposto, e assim acabamos vendo algo aonde as crianças dominam como crianças, pensando como crianças, que claro podem até ir além em algumas situações como quando o jovem Otto não tem bem a noção do que é bom ou ruim e acaba atacando os jovens judeus com suas frases, mas sempre leva a pedrada maior da irmã menorzinha com ideias contundentes tão bem encaixadas que emocionam. Ou seja, ela foi bem intensa nos atos, soube trabalhar bem toda a jornada dos jovens, e principalmente criou em seu filme uma dinâmica coesa para que o filme "curto" de 96 minutos expressasse uma sintonia bem encaixada com o estilo, e assim vemos algo enxuto de personagens, de cenas, de locações, mas tudo soa bem representativo e agradável de ser conferido, funcionando dentro da trama e emocionando na medida certa, mostrando que embora seja seu primeiro filme, a experiência de muitos episódios de séries foi acertada para que o estilo do longa não ficasse cansativo.

Sobre as atuações, a grande sacada foi deixar os adultos meio que de lado e trabalhar só com os pequenos, pois eles tiveram nuances bem colocadas entre eles e não precisaram ser quebrados por personagens experientes, ao ponto que tudo flui bem nas suas cenas entre eles, e nos momentos com os guardas ou com a senhora pareceram mais travados, embora as expressões de dúvida caíram bem nesses atos, além de que todos fizeram suas estreias, e assim o resultado de uma junção de inexperientes é melhor do que ter alguém mais solto no meio. Dito isso, nem parece que é o longa de estreia de Anna Sofie Skarholt, pois a jovem se soltou de tamanha forma com sua Gerda, entregando carisma, desenvoltura e principalmente estilo nos diálogos, parecendo ser uma atriz bem experiente, e isso mostra também o compromisso dela com a diretora, sendo uma grata surpresa na tela. Da mesma forma o jovem Bo Lindquist-Ellingsen trabalhou seu Otto mais contido, com olhares desconfiados de tudo, e até tendo sua própria ideologia na cabeça, agradando bastante nas atitudes e saindo bem nos atos que precisou ir um pouco além. O jovem Samson Steine trabalhou um Daniel exageradamente retraído, ao ponto que até entendemos de estar como um fugitivo desesperado para se salvar e também cuidar da irmãzinha, porém poderiam ter deixado ele menos assustado em alguns atos, pois daria um pouco mais de explosão, mas suas cenas finais são bem lindas de ver. A garotinha Bianca Ghilardi-Hellsten trabalhou bem com suas expressões, mas pareceu faltar um pouco de atitude em alguns momentos, mas seus olhares de afeição para todos foi bem marcante ao menos. O jovem Henrik Siger Woldene foi pouco usado com seu Per, mas trabalhou bem suas dinâmicas, deu algumas boas nuances de uma pessoa mais velha entre eles, e não foi mais além por o filme focar nos pequenos, mas foi bem no que fez. Quanto dos adultos, o destaque é claro para Luke Neite com seu soldado Herman, pela desenvoltura de contraponto de alguém de dentro dos nazistas, mostrando que nem todos os soldados que estavam ali queriam sair matando judeus por matar, e os olhares e atitudes do jovem foram bem marcantes.

Visualmente o longa é bem bonito com muitas cenas em meio a um inverno rigoroso no meio das montanhas norueguesas, temos também um bom uso de objetos como mapas, pães para alimentação dos pequenos, um belo passeio de trem e até a casa dos protagonistas com um porão com passagens ocultas, além claro de uma boa cena no verão depois, muitas cenas de arquivos e todo um figurino bem marcante, isso nos momentos realistas, mas ainda tivemos os atos cênicos da mente da garotinha com sua representação dos três mosqueteiros muito bem trabalhada em nuances e elementos, agradando bastante.

Enfim, é um filme bem carismático, com muito envolvimento, e que vemos agora como foi a guerra vista no lado norueguês, ou seja, já analisamos quase toda a Europa nos olhares da Segunda Guerra Mundial, e que mais uma vez usando o ar infantil conseguiu soar simples e gostoso de ver, valendo a indicação para todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: Só achei trailer dublado ou trailer em norueguês pessoal... nenhum com legendas, inclusive na distribuidora do longa, mas o filme na Amazon pode ser conferido no original.


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Netflix - A Nuvem (La Nuée) (The Swarm)

8/08/2021 07:25:00 PM |

O terror é um dos gênero que raramente víamos longas franceses, mas nos últimos anos alguns diretores mais novos de lá tem investido no estilo e até se dado bem, pois criaram tensões e situações próprias que acabam sendo chamativas, porém ainda falta aquele ar mais intenso que as produções do gênero costumam nos brindar, sendo que o longa da Netflix, "A Nuvem", até tem boas propriedades do horror, vemos situações tensas da protagonista usando seu próprio sangue para alimentar sua criação de gafanhotos, matando animais para isso e tudo mais, porém quando poderiam ter usado mais dessa intensidade criada, o filme acaba, deixando que o ar dramático ficasse mais funcional durante mais da metade do longa e somente um pouco de loucura com os ataques realmente. Claro que se fosse somente um filme de ataques de gafanhotos assassinos iríamos rir da forma bizarra de tudo, mas pelo menos poderiam ter impactado mais com toda a essência tensa do final bem antes que aí sim ficaria algo muito melhor.

O longa nos mostra que Virginie mora em uma fazenda com seus filhos Laura e Gaston e cria gafanhotos como uma cultura rica em proteínas. A vida é difícil: as preocupações com dinheiro e os problemas práticos aumentam, as tensões com os filhos e vizinhos aumentam. Mas tudo muda quando ela descobre que os gafanhotos têm gosto por sangue.

Costumo falar muitas vezes isso, mas infelizmente é a verdade, pois faltou experiência para que o diretor Just Philippot entregasse algo com uma imponência maior na trama, afinal ele conseguiu criar uma dramaticidade bem marcada entre os personagens (coisa que os franceses sabem fazer muito bem), deu as nuances clássicas do horror como a entrega de sangue, matar por uma causa e tudo mais que o gênero pede, porém ele demorou demais para atacar realmente e começar a causar a tensão assustadora que o filme poderia ter, pois quando realmente começou a ficar intenso ele já deu o fechamento e pronto, ao ponto que até tenha uma leve deixa para uma continuação, mas certamente tudo poderia ser mais intenso já nesse com um resultado bem melhor em tudo, afinal mesmo sendo bem bizarra a ideia de gafanhotos assassinos com sede de sangue, a trama acaba tendo uma boa pegada pela insanidade da mulher em todas suas cenas.

Sobre as atuações, Suliane Brahim trabalhou com nuances bem marcadas para sua Virginie, demonstrando desespero em conseguir dinheiro, mas também muita loucura quando vê a façanha dos gafanhotos em desespero por sangue produzindo muito mais, ou seja, a atriz trabalhou bem os olhares de duas formas, e se mostrou claro extremamente cansada após estar dando literalmente o seu sangue para os bichinhos, demonstrando bons trejeitos e agradando mesmo que de uma forma bizarra. Sofian Khammes ficou meio que secundário demais com seu Karim, de forma que até tenta aparecer e puxar um romance com a protagonista para ter mais atenção dentro do longa, mas não foi muito além, e fez com que não nos conectássemos realmente com ele no filme. Quanto dos jovens Marie Narbonne e Raphael Romand até vemos alguns atos bem marcados da primeira com os surtos de sua Laura desesperada como qualquer adolescente com os pais mexendo com coisas estranhas e os amigos caçoando dela, mas poderia sem menos introspectiva no estilo completo, já o garotinho ficou abstrato de estilo, não indo para muito longe do que o filme desejava mostrar com sua amizade com a cabra e com os gafanhotos. Já os demais apenas serviram de conexão, não indo muito além em cena, mas também não atrapalhando o andamento.

Visualmente o longa tem uma boa, porém esquisita, interação com os gafanhotos, ao ponto que aparentemente usaram gafanhotos reais para as cenas mais proximais deles comendo as coisas e talvez algo que parecesse realmente sangue, e computação para as nuvens e nas cenas mais cheias dos bichinhos, além claro de muito sangue para realçar os atos de cortes e transfusões, ao ponto que tudo deu um toque realístico interessante de ver e mesmo o filme não tendo momentos tão chamativos, tudo ao redor das estufas acaba sendo forte e bem encaixado.

Enfim, é uma trama de suspense bem feita que certamente poderia ter ido bem além com tudo, mas que agrada bastante e quem gostar de coisas mais bizarras acabará se envolvendo com o resultado completo. Claro que muitos irão reclamar do ritmo da trama, pois é bem lento, mas o contexto completo funciona e envolve bastante na segunda metade, de forma que poderiam ter focado mais ali, ou seja, recomendo ele com algumas ressalvas, mas é bacana de ver. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - A Jornada de Vivo (Vivo)

8/07/2021 02:39:00 AM |

Sei que muita gente não curte musicais, mas o estilo sempre funciona bem com animações, ao ponto que o carisma dos personagens acaba saindo até mais do que o esperado no novo longa da Netflix, "A Jornada de Vivo", que trabalha o amor de um passado, a amizade, e principalmente a desenvoltura de sobrevivência em meio de fazer o que se gosta, numa brincadeira tão bem trabalhada, com um ritmo envolvente e interessante, e que acaba fluindo tão bem dentro de uma sintonia bem encaixada que acabamos dançando com os protagonistas mesmo em momentos que são quase que falados de forma ritmada. Ou seja, conseguiram criar algo com um cerne tão bem dominado pelo bichinho principal, junto de uma garotinha completamente maluca, que mesmo tendo alguns percalços de estilo o resultado final empolga bem, e certamente quem estiver disposição para o gênero musical vai torcer pelos protagonistas e se emocionar com o final. Claro que o filme tem alguns erros clássicos do gênero musical, como exagerar até em cenas que não são necessárias o cantarolar, porém os bons momentos superam os ruins, e o resultado final empolga bem.

O jupará Vivo e o seu dono Andrés passam seus dias tocando música para uma multidão em uma praça animada. Embora possam não falar a mesma língua, Vivo e Andrés são a dupla perfeita por meio de seu amor comum pela música. Quando Andrés recebe uma carta da famosa Marta Sandoval, convidando-o para o seu show de despedida com a esperança de se reconectar, cabe à Vivo entregar uma mensagem que o seu amigo humano nunca poderia: Uma carta de amor para Marta, escrita há muito tempo, na forma de uma canção. No entanto, para chegar até ela, o jupará precisará da ajuda de Gabi - uma adolescente enérgica.

O diretor Kirk DeMicco estourou em 2013 quando lançou algo completamente novo com "Os Croods", e aqui ele pegou uma ideia simples porém muito bem conectada e deu uma vivência incrível para o estilo, ao ponto que vemos cada envolvimento dos personagens com ritmo bem colocado, encontramos toda a sensação do jupará (um estilo de guaxinim - que achei que fosse um macaco) com a conexão inicial com Andrés e depois com a garotinha Gabi, e tudo o que rola em sua jornada para levar a carta até a cantora, com muitas canções, muitos personagens passando pelo meio do caminho e claro diversos percalços, de forma que vemos algo novo, muito bem modelado e desenhado, e que principalmente envolve bastante, pois ele vai criando a conexão com momentos clássicos, não apela muito, mas também não chega a criar nenhuma grandiosa ousadia, fazendo com que tudo fosse bem gostoso de assistir, agradasse tanto adultos quanto crianças, e tivesse seu próprio nicho, não entrando nem na briga das animações com temas polêmicos e pensantes, nem ficando nos bobinhos demais, agradando por completo.

Falar sobre os personagens é entrar em uma questão bem pessoal, pois o envolvimento do protagonista Vivo com a garotinha Gabi é muito interessante, pois ela é agitada no nível máximo, tem seu estilo de batida, e o juparazinho tem uma sintonia de ritmo mais envolvente, e se falarmos então nas dublagens, o cantor Lin-Manuel Miranda é daqueles que desponta em qualquer lugar, tendo estilo próprio entregando suas novas canções, e agradando demais em tudo o que faz, enquanto a estreante Ynairaly Simo se colocou com uma desenvoltura bem trabalhada, cheia de boas sacadas, fazendo com que seus personagens tivessem suas devidas interações bem montadas e agradassem cada um da sua forma, ou seja, foram muito bem em tudo, tiveram uma boa química na montagem final, e principalmente por serem bem modelados computacionalmente, tudo ficou ainda melhor. Do lado dos adultos, tivemos o carisma incrível no começo de Andrés, muito bem vivido por Juan de Marcos González, trabalhando a emoção num nível maravilhoso com o pequenino protagonista, e claro ainda tivemos o luxo de Gloria Estefan com sua Marta imponente e com a voz muito bem colocada nos seus devidos momentos, e mesmo participando pouco Zoe Saldana entregou uma mãe bem bacana de atitudes, mas bem icônica nos trejeitos colocadas para a animação. Além desses tivemos bons momentos com os demais animais, principalmente os pássaros tímidos muito bem encaixados na trama, a gigante pìton, e tudo muito bem colocado para agradar, aliás, vemos nos originais Brian Tyree Henry, Nicole Byer e Michael Rooker mandando muito bem nos papeis, mas fiquei com uma leve vontade de ver a versão nacional por ter Tiago Abravanel como o pássaro Dançarino. Ou seja, é uma trama de bons personagens, que possuem muito estilo e chamam a responsabilidade cênica a todo momento.

Visualmente o longa tem um tom muito gostoso, e cenários incríveis desde uma Havana marcante pelo bairro inicial dos protagonistas, com toda a dinâmica da canção, os carros, as pessoas e até as cores mais puxadas para algo caribenho avermelhado, depois vamos para uma Key West toda puxada em tons azuis, com uma pegada mais rápida pelo estilo da garotinha, até chegarem numa reserva florestal intensa de animais exóticos, com muito verde e diversas possibilidades de contrastes entre os protagonistas, os pássaros, e até mesmo a píton conseguiu ter boas nuances ali, e chegamos em uma Miami repleta de luzes, muita interação, mas caindo em um teatro musical caribenho também aonde a famosa cantora fará sua última apresentação, ou seja, é daqueles filmes que tudo tem algum simbolismo bem feito, e que envolve funcionando por completo, com muitos objetos musicais na cenografia, muitas coisas virando instrumentos musicais, e principalmente uma modelagem bonita de se envolver.

Claro como é um longa musical as músicas envolvem demais e tem todo um trabalho próprio de Lin-Manuel Miranda para que a criatividade superasse o tema e se doasse na junção de batida com romance, ao ponto que tudo envolve de forma simples e gostosa de ouvir, e que deixo o link aqui, mas que como fazem parte do contexto do filme não diria que recomendo escutar sem ser assistindo ao longa, e certamente o cantor deve jogar mais uma sua para as premiações.

Enfim é um longa bem bonito de ser visto, que até lembra um pouco o filme "Um Bairro de Nova York" que tem também Lin como músico, mais pelo ar latino é claro, e que funciona bem demais, mostrando que a Netflix/Sony tem crescido demais nas animações, e certamente irão começar a brigar mais com as grandes produtoras. Não digo que seja um longa perfeito, mas recomendo com certeza para todos pela simbologia envolvente, e fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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O Esquadrão Suicida (The Suicide Squad)

8/06/2021 01:28:00 AM |

A melhor definição para o novo filme da DC, "O Esquadrão Suicida", é insanidade generalizada que funciona muito bem dentro do que foi proposto, pois se em 2016 quando lançado uma versão apressada, cheia de cortes ruins, que a maioria odiou o que viu, aqui nas mãos de um diretor que por si só sabe pegar algo desconhecido do público geral e transformar em algo cheio de carisma e boas desenvolturas, não bastando isso ele conseguiu trabalhar a violência desenfreada em algo tão superior, que até mesmo o vilão bizarro que acabaram colocando no final entregou algo interessante, divertido e cheio de intensidade. Ou seja, acabamos vendo um filme que vai de encontro com o que os jovens consumidores desse nicho de super-heróis, ou anti-heróis ou grupo de vilões como é o caso aqui, gostam de ver na tela: que é sangue para todo lado, armas tecnológicas, e principalmente piadas de duplo sentido extremamente funcionais para que a trama se desenrole bem. Sendo assim o resultado é único e dificilmente você verá críticas ruins espalhadas, pois a trama entrega exatamente o que todos esperavam ver na tela, e conseguindo surpreender com personagens bem gastos, estruturas desenfreadas e toda uma boa sintonia para encaixar a ideia geral, o que vemos é algo tão bom que passa voando e diverte demais.

A sinopse nos apresenta o inferno, também conhecido como Belle Reve, a penitenciária com a maior taxa de mortalidade nos Estados Unidos, onde são mantidos os piores supervilões, dispostos a fazer qualquer coisa para escapar – até mesmo integrar a supersecreta e supersombria Força Tarefa X. Qual é a missão de vida e morte para hoje? Reunir um grupo de prisioneiros de alta periculosidade como Sanguinário, Pacificador, Capitão Bumerangue, Caça-Ratos 2, Savant, Tubarão-Rei, Blackguard, Javelin, e a psicopata favorita de todos, Arlequina. Em seguida, armar todos até os dentes e jogá-los (literalmente) na remota ilha Corto Maltese. Na selva povoada de militantes adversários e forças de guerrilha que aparecem do nada a cada momento, os integrantes do Esquadrão estão em uma missão de busca e destruição, e o Coronel Rick Flag é o único homem em terra responsável por fazê-los se comportar... além dos técnicos do governo da equipe de Amanda Waller, falando em seus ouvidos e rastreando cada movimento deles. Como sempre, basta um movimento errado e eles vão acabar mortos (seja nas mãos dos inimigos da ilha, de um companheiro de equipe ou da própria agente Amanda Waller). Se alguém estivesse disposto a fazer uma aposta em dinheiro, a escolha mais inteligente seria contra eles, todos eles.

Quando foi entregue o projeto nas mãos de James Gunn já se esperava ver algo completamente inovador e cheio de propostas ousadas, pois lembro como se fosse hoje quando foram lançar "Guardiões da Galáxia" me vi falando com um amigo e na época nem sabia quem eram os personagens ou como iriam interagir com o público, e isso era algo muito comum de ver em todas as pessoas entrando na sessão, porém ao sair da sala a vibração era nítida, e aqui ocorreu exatamente da mesma forma, pois quando começaram a soltar os trailer dessa versão muitos começaram a falar de onde veio a ideia para esse monte de supervilões desconhecidos , quem eram eles, quais seus superpoderes, e por aí vai, mas de cara todos imaginavam da forma criativa que Gunn iria surpreender, e dito e feito, chegou na Warner e falou que não usaria praticamente nada do longa de 2016, e principalmente que faria um longa para a maior classificação possível (18 anos lá fora, que aqui no Brasil é sempre ignorado e sai com menos), entregando muita violência visual e cenas impactantes. Ou seja, o diretor conseguiu juntar uma boa trama com a síntese maluca dos quadrinhos, mas que principalmente envolve com muita insanidade violenta e diversão em cima de tudo, transformando tudo em um resultado único e que certamente pode ser ainda muito usado com estilo para frente.

Sobre as atuações, é até engraçado de falar, mas o diretor conseguiu fazer desse até um filme melhor da Arlequina de Margot Robbie do que seu próprio filme solo, pois aqui a jovem estava completamente solta, fazendo trejeitos bem marcados, se encaixando bem dentro da missão, num estilo tão bem trabalhado que tudo acaba sendo divertido e interessante de ver, ou seja a atriz entrou disposta a tudo e agradou demais. Idris Elba trabalhou muito bem seu Sanguinário e usando de armas tão tecnológicas acabou sendo até chamado de Inspetor Bugiganga pelo seu rival na equipe, e o ator trabalhou intensamente, fez trejeitos fortes, e mesmo não querendo ser o líder da turma chamou a responsabilidade cênica para si e agradou bastante com o que fez, agradando bastante com toda a forma entregue. John Cena acabou exagerando um pouco com seu Pacificador, mas dentro do que a trama pedia acabou sendo engraçado e interessante de ver com as atitudes bem colocadas, ao ponto que seu resultado funciona bem, mas certamente é o tipo de brucutu que acaba sendo certeiro nos pontos que tem de ser colocado, não se botando a frente para que o personagem tivesse algo a mais, de forma que não desaponta, mas se não tivesse sido engraçado nas cenas de cueca e claro no final que usaram dele, ia acabar ficando apagado. Agora uma grandiosa surpresa expressiva ficou a cargo de Daniela Melchior com sua Caçadora de Ratos 2 (sendo filha do Caçador de Ratos original com cenas muito graciosas de Taika Waititi), pois a jovem trabalhou diálogos, fez trejeitos dramáticos fortes, e junto com ratinhos treinados, interpretando Sebastian o rato, foi bem demais em cena, agradando do começo ao fim e envolvendo demais. Certamente poderiam ter trabalhado um pouco mais o ator David Dastmalchian com seu Polka-Dot Man, pois sua história com a mãe é bem intensa e forte de ver, e isso acabou sendo muito engraçado dentro da trama, ao ponto que tudo acaba tendo intensidade em suas cenas, porém o ator não se soltou como deveria, e isso ficou um pouco ruim de ver. Ainda tivemos bons momentos expressivos e aventureiros de Joel Kinnaman com seu Rick Flag, boas imposições fortes de Viola Davis com sua Amanda Waller, e até alguns atos bem expressivos da brasileira Alice Braga com sua Sol Soria, mas nada supera as cenas do Tubarão Rei bem dublado por Sylvester Stallone, ao ponto que tudo acaba sendo muito engraçado de ver. Ainda tivemos alguns personagens da ilha bem feitos por Juan Diego Botto com seu Luna, Joaquín Cosio como o General Suarez, mas certamente quem foi bem mais usado foi Peter Capaldi com seu pensador, ou seja, um elenco de peso que ainda teve outros vilões usados rapidamente apenas para a primeira cena, gastando cachê com algo quase nem usado, mas é assim que rola sempre, e sem dúvida um ponto bem positivo de todos foi criar carisma para o público se conectar com cada personagem, fazendo valer a interação.

Visualmente o longa é um show sangrento de luxo, daqueles que tudo é explodido, partes de corpos saem voando ou são rasgadas, muitas cores fortes encaixadas dentro do estilo proposto, e principalmente muita interação entre os elementos gráficos computacionais com os personagens reais ali bem interpretados, isso sem falar de armas incríveis, toda uma representação clássica dos quadrinhos bem encaixada, e toda uma personalidade própria funcional para o filme, ao ponto que não tem como não ficar feliz com o que vemos na tela, incorporando sombras, e até mesmo nos exageros acaba agradando, aliás que exagero gigantesco foi a estrela do mar, que até sei que faz parte dos quadrinhos, mas é algo que chega a ser de um nível tão bizarro que é até comparado com os famosos kaijus Godzilla e afins na trama, mas com muito mais cores e insanidades visuais. Outro ponto bem bacana ficou a cargo da equipe que fez os nomes dos "capítulos" da trama todos usando letras nos objetos cênicos, fumaças e tudo mais, sendo algo bem legal de ver.

Sendo um filme de James Gunn sabemos que ele não decepcionaria na trilha sonora, e tem tantas boas músicas conectando com os momentos, dando o ritmo, e envolvendo demais que até nos faz lembrar novamente de "Guardiões da Galáxia", mas aqui usando um pouco de cadência latina (inclusive com canções brasileiras já que o filme se passa numa ilha fictícia da América do Sul), com alguns momentos de rock forte e muito mais, e aqui consegui um link com muitas das canções, mas acho que tem mais, e quem tiver algum melhor só mandar que coloco aqui.

Enfim, confesso que não esperava menos do filme, pois como disse mesmo o pessoal não curtindo o longa de 2016, na época eu curti bastante, mas aqui tudo fez mais sentido, temos muito mais ação e violência, temos bons personagens, boas piadas, e tudo o que quem gosta de um longa do estilo deseja, sendo praticamente perfeito, e assim sendo recomendo ele demais para todos. E lembrando que tem duas cenas pós-créditos então aguardem na sala. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: Até poderia dar a nota máxima para o filme, mas faltou algo que me fizesse vibrar mais, porém me divertiu bastante, e uma nota 9 já vale por demais.


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