Aliança do Crime (Black Mass)

11/13/2015 01:01:00 AM |

Realmente devo estar me tornando um daqueles velhos chatos que querem uma resolução rápida de uma história ou que um longa tenha dinâmica suficiente para que não durma assistindo à sua trama. Felizmente ainda não foi dessa vez que um filme me fez dormir, mas "Aliança do Crime" possui tanta história, tantos personagens que foram apenas apresentados sem muito desenvolvimento, tantos diálogos alongados, que sua classificação de 16 anos por violência extrema se resume à umas cinco a seis cenas mais fortes, que nem são tão fortes assim, já que novelas e jornais mostram coisas bem piores na TV. E todo esse alongamento verborrágico acabou transformando um longa que poderia ser um policial completamente forte e dinâmico, em um longa cansativo que fez parecer seus míseros 103 minutos ter quase 6 horas de duração, e certamente só quem for realmente fã de histórias biográficas com muita conversa vai acabar gostando do que é mostrado, o restante corre sérios riscos de dormir se for em uma sala VIP por exemplo.

A sinopse nos mostra que na região sul de Boston nos anos 1970, o agente do FBI John Connolly convence o Mafioso irlandês James “Whitey” Bulger a colaborar com o FBI e eliminar um inimigo comum: a máfia italiana. O drama conta a história verdadeira desta aliança inusitada, que saiu do controle, permitindo que Whitey descumprisse leis impunemente, consolidasse seu poder e se tornasse um dos gângsteres mais cruéis e poderosos da história de Boston.

Se você leu a sinopse e ficou todo empolgado para ver um novo "Poderoso Chefão", mais moderno e dinâmico, cheio de violência e tudo mais, baixe a bola e volte para a realidade atual de filmes criativos e interessantes versus filmes com cara de Oscar que esquecem que o público hoje está cansado de enrolação. Digo isso devido à sintetização dramática que o diretor Scott Cooper deixou de lado e certamente está bem presente no livro em que foi baseado para criar um filme aonde os filósofos dos sindicatos do cinema e velhinhos votantes da academia de cinema vão se esbaldar com a quantidade de história que é colocada na tela, e principalmente sem se desenvolver muito. Não digo que um filme cheio de história seja ruim, mas que ela tenha uma dinâmica compreensiva e gostosa de acompanhar, usando como base o longa que comparei, no outro longa mafioso antigo temos muita história sendo contada, mas tudo tem ritmo, e os personagens são poucos, o que aqui optaram por um elenco cheio de estrelas que precisaram de tempo de tela (provavelmente por contrato) e com isso nem os dois protagonistas maiores chegam a ter grande destaque nas mãos do diretor, muito menos qualquer outro personagem chama a responsabilidade para que a história flua para seu lado, e assim sendo temos um longa que em momento algum podemos falar que é ruim, mas também está bem longe de ser algo que vamos lembrar daqui um tempo.

Sobre as atuações, com toda certeza podemos falar que Johnny Depp se entregou para o personagem James "Whitey" Bulger, de uma maneira tão diferente, que mesmo sabendo que ele sempre usa muita maquiagem para não mostrar sua "verdadeira" face, acabamos não reconhecendo ele logo de cara, e sem fazer tanta micagem ele acaba agradando bastante, só poderia ser o longa mais focado em tudo que ele fez e não no que não fez como acabamos vendo em diversas partes do longa, mas é fato claro que muitas cenas foram deletadas da versão final, e isso pode ter prejudicado a dinâmica também, porém o ator mandou bem novamente e quem sabe voltem a lembrar dele nas premiações. Joel Edgerton caiu bem no estilo de John Connolly, pois usou tanto a malandragem característica como boa entonação de atitude para fazer com que o personagem quase roubasse o protagonismo para si da trama, o que infelizmente (ao menos na minha concepção) foi muito errado, pois o filme era sobre Bulger e acabou recaindo bem para o nome nacional da Aliança dos dois. Dos demais atores cada um teve seu momento chamativo na tela, que volto a repetir foi quase que enfeite, já que não desenvolveu o personagem nem serviu de muita conexão para a história, mas dentre todos temos que certamente destacar Benedict Cumberbatch que ao fazer o Senador Billy Bulger deu grandes jogadas interpretativas e expressivas e até tentou chamar a responsabilidade em alguns momentos, e Jesse Plemons nem tanto pela importância de seu Kevin, mas pela quantidade de cenas que o ator está presente fazendo apenas caretas e socando as pessoas. Do lado feminino, Dakota Johnson faz bem a mãe do filho de Bulger (em momento algum mostra se eram ou não casados, aparentemente não), mas somente sua última cena é que é determinante e bem feita, pois a anterior que já está no trailer é mais fraca do que os míseros minutos que já apareciam no trailer, e claro que temos de destacar Julianne Nicholson pela cena de sua Marianne junto do protagonista, que muitos tremeriam na base bem mais do que ela, e sua expressão disse tudo.

Embora a equipe artística tenha arrumado alguns carros de época e vários elementos cênicos para representar como eram as investigações do FBI naquela época, faltou mais impacto visual nas locações, pois o filme poderia estar acontecendo em qualquer data com o que foi mostrado, e devido à isso precisaram enfatizar colocando em caracteres na tela os anos que são mostrados, o que não é muito legal de ser feito, mas como foi, poderiam ter trabalhado mais nos penteados e figurinos, pois ficou bem fraco nesse quesito. A fotografia certamente poderia usar referências de outros longas do gênero policial/mafioso para se inspirar e criar nuances mais chamativas de cores e sombras, mas tudo é tão chapado sem vida, que fico me questionando para onde foram os grandes diretores de fotografia de Hollywood que aqui a simplicidade é tanta que junto do tom acinzentado que colocaram na maioria das cenas, o sono acaba sendo aumentado.

Enfim, nem a trilha de Junkie XL conseguiu salvar o ritmo do filme e com dois meses já em cartaz nos EUA praticamente só cobriu seu orçamento, e dessa maneira a produção já pode começar a considerar o prejuízo do filme se no mercado internacional a trama não decolar (o que pode talvez dar certo é que por ter muitos atores conhecidos acabe chamando público afora). Ou seja, volto a ser repetitivo, não é um filme ruim, mas está bem longe de agradar, e dessa maneira só recomendo ele para quem realmente estiver com muita vontade de ver e de preferência em sessões diurnas, pois a chance de cansar é alta. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas ainda falta a última estreia da semana no interior para conferir, então abraços e até breve.


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Como Sobreviver a um Ataque Zumbi (Scouts: Guide to the Zombie Apocalypse)

11/12/2015 01:39:00 AM |

Alguns longas já vamos assistir sabendo bem o que esperar, afinal você não vai à um suspense esperando rir, nem à um terror esperando romance, mas quando falamos em comédia as possibilidades se abrem para tantas vertentes que pode ser que você chegue na sessão esperando algo tão cômico e saia revoltado com o que viu, quanto ao ver um pôster como o que coloco acima e um trailer que está no final do post do longa "Como Sobreviver a um Ataque Zumbi" e já vai esperando uma tosquice em cima da outra e acaba se divertindo com tudo o que é apresentado, pois temos de tudo no longa, romance, comédia, suspense, sustos, muito sangue e efeitos especiais de primeira linha. Ou seja, não precisou nem ter um roteiro tão grandioso (diria que estamos num misto daqueles filmes de escoteiros que víamos na sessão da tarde quando éramos crianças com um "Walking Dead" sem atores fodões) para que o resultado divertisse a plateia, e como volto sempre a frisar, a missão de uma comédia é fazer rir/divertir, e aqui foi bem cumprido, fazendo valer o ingresso de quem criar coragem para conferir.

O longa nos mostra que três escoteiros foram bem treinados para se virarem sozinhos e toda essa preparação será essencial para o que vão enfrentar. Os garotos precisam provar o quanto são valentes quando a cidade onde vivem é tomada por uma horda de zumbis. Nesse embate, eles também precisam mostrar a força dessa amizade.

É interessante observar a carreira do diretor Christopher Landon, pois nos últimos quatro anos ficou bem conhecido por escrever as quatro continuações de "Atividade Paranormal" (2, 3, 4 e "Marcados Pelo Mal"), inclusive dirigindo esse último (o qual julgo bem melhor que o de 2015) e agora com sua segunda direção efetiva, conseguiu transformar a ideia original da história de Lona Williams que foi classificada como um dos melhores roteiros não filmados em 2010 (#deviamestarloucos) em  um filme simples, bem feito e com efeitos que agradam bastante, e claro que no momento atual aonde o público adora zumbis, não tem como dar errado, pois a comicidade é elevada a um nível de tosquice tão grande que você acaba deixando relevar e curte cada momento rindo do absurdo. E claro que ele não nos entrega uma cena simples da maneira tradicional, tudo é colocado à prova com muita dinâmica de câmeras, e até que com maquiagens convincentes (afinal depois de "Crepúsculo" quem errar fazendo qualquer morto-vivo brilhar irá direto para a cruz). Então no quesito direção e roteiro, temos um filme bem feito, não é algo que vamos lembrar para qualquer tipo de premiação, mas certamente foi tudo muito bem feito para ser lembrado como um filme cômico de escoteiros e zumbis, que pode passar qualquer dia numa sessão da tarde (claro que vão cortar algumas ceninhas mais quentes, mas que rola de boa).

No quesito atuação tenho quase certeza de que a economia foi alta da produção, pois tirando o chefe dos escoteiros que está em quase todas as comédias, e a velhinha que já foi ganhadora do Oscar de 71, não me lembro de sequer ter visto algum dos atores. Vai, Tye Sheridan com 15 anos fez "Árvore da Vida", mas como foi um filme que atores não foram importantes para nada, vou continuar dizendo que não lembro de ninguém, mas tirando esse detalhe, o jovem até que conseguiu comandar bem o protagonismo de seu Ben, e já mostra que vamos ter o que olhar no novo "X-Men" já que também estará bem a frente como Ciclope, ou seja, aqui ele mostrou garra, dinâmica e bons trejeitos, quem sabe ano que vem decola, vamos aguardar. Logan Miller foi responsável pelas cenas mais engraçadas do filme, afinal com o desespero gritante de seu Carter, conseguiu ao mesmo tempo apagar o jeito mulherengo frente à gritaria que teve com cada zumbi que chegou perto dele, o jovem também trabalhou bem na ação e tem futuro. Joey Morgan é o nerd fofo que acaba fazendo gordices em todo filme do estilo, que acabamos torcendo pra que consiga fazer as coisas e não atrapalhe muito todo o andamento, e seu Augie caiu como uma luva no estilo de atuar do garoto, e sempre que aparecia em cena era preparar para ver alguma coisa inacreditável de acontecer, ou seja, fez tudo certo para o papel que foi solicitado. Sarah Dumont já foi figurante em diversos longas românticos, e a jovem é bem bonita, tanto que muita gente vai acabar torcendo para que sua Denise encaixe como par romântico do protagonista, mas o que vai mais impressionar é seu jeito durão para enfrentar os zumbis, e quem sabe isso não lhe vá valer para papéis de heroínas mais para a frente, pois expressão e atitude a jovem tem, então só falta um bom roteiro e um diretor que a jogue para os holofotes. Certamente você já viu David Koechner em qualquer filme/série cômica tosca que pensar, pois ele encara tudo o que lhe for proposto (seria ele um Nicolas Cage da comédia??? E faz tudo por estar devendo até o rim de tanto imposto! Não sei para responder, se souber, os comentários estão abertos) mas seu chefe Rogers ficou interessante tanto nos vídeos introdutórios de escotismo logo no início, quanto na persistência do seu modo zumbi(embora bem abobado), e claro grande destaque para a cena na sua casa pela devoção artística que tem. Cloris Leachman realmente tem um pique de dar inveja à qualquer jovem atriz, pois aos 45 anos ganhou seu Oscar de Atriz Coadjuvante e agora com quase 90 anos ainda mandou ver em cenas rápidas como zumbi junto dos jovens, inclusive protagonizando uma das cenas mais nojentas da produção, ou seja, tá no gás total, e olhando sua ficha na internet já tem mais 3 longas para ser lançados, mostrando pique mesmo para atuar.

Sobre a parte cênica claro que vamos ter muita escatologia, sangue e tudo isso em dobro com foco duplo nos objetos inusitados, afinal é um filme de comédia zumbi, e quem não quiser ver isso não vai assistir ao longa. Dito isso, a equipe trabalhou muito bem com o pouco dinheiro que tinham em mãos, criando até que símbolos bem trabalhados, claro que procurando sempre cenas mais fechadas para minimizar o impacto de criar grandes sets, mas ao menos umas 3 cenas foram bem grandes tanto na quantidade de figurantes maquiados correndo como na ambiência completa do cenário, ou seja, deram um trabalho bem grande para a equipe cênica, que não decepcionou e mostrou apta para grandes projetos. Claro que todos foram companheiros do diretor nas suas outras produções, então já conheciam bem o que queriam fazer, e por trabalhar com longas de terror, a simbologia é quase a mesma, e funcionou. Felizmente o diretor de fotografia soube usar bem a luz artificial e não quis fazer graça de termos um filme de "terror" noturno com cenas escuras, pois isso acabaria totalmente com a comicidade da trama, então usando de boas cores nas roupas de todo o elenco e falseando com iluminações das locações, ele nos entregou um longa alegre e ainda deu toda liberdade para a equipe de efeitos especiais caprichar no sangue voando para todos os lados. Dito isso, a equipe de efeitos fez um trabalho realmente primoroso, pois é possível ver que usaram efeitos computacionais somente na explosão maior, deixando todo o restante para efeitos mecânicos que certamente deixaram os atores bem sujos de sangue cênico, o que deu um ar mais bacana para a trama.

A trilha sonora contou com grandes clássicos do rock e pop mundial de várias décadas, ou seja, temos Britney Spears, Scorpions, Iggy Azalea e Rita Ora, e claro que muitas trilhas instrumentais originais, que deram um ritmo bem legal para a trama, e isso é algo que não poderia ficar de fora, já que o longa também se classifica como ação, então sem dinâmica musical o resultado certamente seria outro.

Enfim, não é o melhor filme do planeta de zumbis e nem de comédia, mas juntando as duas coisas, e aliado com muitas cenas toscas, o resultado acabou divertindo bastante e cumprindo sua missão nos gêneros que é classificado comédia/ação/zumbis(ou terror), e dessa maneira vai valer o ingresso de quem gostar de coisas cômicas forçadas. Dito isso, acabo recomendando ele para uma sessão descontraída no cinema ou em casa. Mais uma vez agradeço meus parceiros da Difusora FM 91,3Mhz daqui de Ribeirão Preto pela ótima pré-estreia organizada e estamos juntos sempre pro que precisar. Fico por aqui agora, mas ainda é só o começo da semana cinematográfica, então abraços e até breve.

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Cidade de Deus: 10 Anos Depois

11/08/2015 10:02:00 PM |

Documentar os fatos é algo que poucos conseguem fazer bem, e normalmente o gênero documentário não é tão bem visto pelo público que acha cansativo e acaba ficando jornalístico demais. Mas sempre temos alguns que conseguem transparecer as entrevistas de maneira bem diversificada e acaba agradando mais do que o normal, afinal quem não gostaria de saber o que virou dos jovens escolhidos nas comunidades para ter sua primeira interpretação em um dos maiores filmes que o cinema nacional já teve? Então com o lançamento de "Cidade de Deus: 10 Anos Depois" pudemos tirar essa curiosidade e ver quais continuaram com a carreira de ator, quais abandonaram de vez, mas fizeram bom uso dos cachês de R$1000,00 a R$10000,00 que receberam, ou até mesmo aqueles que acabaram transformando a ficção em realidade e entraram para o mundo do crime como os personagens que fizeram. E com uma dinâmica bem humorada e trabalhando bem nos cortes para que nenhum ficasse falando por muito tempo sem colocar imagens de fundo ou até mesmo outro ator falando junto, o longa passa bem depressa e agrada quem for conferir.

O documentário mostra os dez anos que se passaram desde o lançamento de "Cidade de Deus"(2002), filme dirigido por Fernando Meirelles e Kátia Lund que recebeu quatro indicações ao Oscar. O documentário procura mostrar as transformações vividas pelos atores na última década.

A ideologia em si, como é mostrada na sinopse é bem simples e com uma direção criativa de Cavi Borges e Luciano Vidigal, eles buscaram com pouco apoio e simplicidade mostrar um pouco de cada um, pegar como foi trabalhar na produção e o que andou fazendo nesses últimos anos, mostrando se a grana ajudou em algo, se a vida tem sido propícia e por aí vai. Uma coisa bacana de ver também foi quanto cada um ganhou, afinal muitos por serem crianças acabaram ganhando dinheiro que ficou com os pais e acabaram brigando com as famílias, outros souberam aproveitar melhor e por aí vai. Mas o mais interessante realmente é ver as mudanças visuais, pois alguns que continuaram na vida de atuação, mudaram tanto que sequer imaginávamos que tinham participado da produção (dois exemplos claros disso é Thiago Martins e Alice Braga). E dessa maneira o documentário funcionou bem como um revival do filme para alguns, e principalmente para o público que for conferir, e deve ir, pois o diretor necessitou de muita força e dinheiro para finalizar o longa, então vale a ajuda conferindo o trabalho bacana que fez.

Um pequeno defeito que pontuaria, mas que não chega a incomodar, é a falta de padrão nas entrevistas, pois claro que é difícil levar todos os entrevistados para um lugar e filmar, mas ao menos poderiam ter trabalhado com o mesmo estilo de ângulo e enquadramento, pois de repente estamos com um ator grudado na tela, na outra temos um plano conjunto mostrando toda a comunidade, na outra cena temos a pessoa de pé. Sei que isso é chatice de quem apanhou muito nas reclamações de um documentário que dirigi, mas olhando pelo lado do público fica meio disforme mesmo, e acaba deixando o filme não tão agradável visualmente, mas tirando esse detalhe, tudo foi perfeito. Aliás uma das perfeições ficou a cargo do depoimento de Roberta Rodrigues e foi complementada depois por Seu Jorge, ao mostrar que nesses 10 anos todo mundo tem ganhado mais direitos, as mulheres, os gays e tudo mais, menos os negros, pois quando vão fazer um papel na TV já colocam advogado negro, médica negra e não apenas advogado ou médica e escolhem um ator negro para o papel, e isso em plena véspera do Dia da Consciência Negra, é algo que realmente vale ser pensado.

Enfim, é um bom filme que com apenas 70 minutos e portanto não vai cansar ninguém que for conferir, pois passa até que bem rápido. Então quem gostar do estilo documental certamente vai gostar do que é mostrado, e até mesmo quem não for muito fã do gênero vai acabar se conectando com a trama, afinal "Cidade de Deus" ainda é um dos melhores filmes que o país já produziu, e rever trechos junto com depoimentos sempre vale a pena. Bem é isso pessoal, fico por aqui encerrando essa semana cinematográfica, mas volto na próxima quinta com mais estreias, então abraços e até breve.

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A Floresta Que Se Move

11/07/2015 08:02:00 PM |

Tem filmes que fazem um barulhão de divulgação, passam trailer milhões de vezes nos cinemas, lançam campanhas na TV, daí você chega no cinema a sessão está abarrotada de pessoas, e o filme vai lá e decepciona. Outros sequer passam trailer nos cinemas, nem ficamos sabendo de sua existência, estreiam no cinema, o Coelho como vê tudo o que está em cartaz, entra na sala solitário e o que vê? Um filme interessantíssimo, bem atuado, dirigido e com um texto que poucos longas nacionais já nos entregaram, ou seja, um filme que deve ser recomendado e muito para todos que gostam do bom cinema, e esse filme se chama "A Floresta Que Se Move", e já adianto que quem for amante de teatro vai se sentir como se estivesse na plateia de uma peça, pois a dramaticidade cênica dos atores transparece completamente o ambiente cênico que estão inseridos, agradando demais em tudo.

O longa nos mostra que Elias é um bem sucedido empresário do segundo maior banco do Brasil. Seu destino muda no momento em que ele encontra uma misteriosa flautista que se diz vidente. Ela afirma que, naquele dia, ele se tornará vice-presidente e que, no dia seguinte, o homem seria presidente do banco. Quando ele conta a história para sua esposa, a ambiciosa Clara, ela sugere que o casal convide o presidente do banco para jantar em casa naquela noite, para que o marido suba de posição na empresa. Só que o plano arquitetado por Clara culminará em uma série de assassinatos, em uma busca desenfreada por poder.

Logo de cara ao iniciar a abertura do longa somos surpreendidos com os escritos tão mais fortes que "Baseado numa história real" ao aparecer "Baseado livremente na obra Macbeth", pois quem já leu ou conhece ao menos um pouco da história sabe que é um dos textos mais fortes e interessantes de Shakespeare, e algo baseado nesse contexto transposto para o mundo dos negócios bancários (que é um covil tão maior quanto uma monarquia) certamente não teria como dar errado, e não deu! Sabendo que o diretor e roteirista Vinicius Coimbra é um grande diretor de novelas, o maior medo na sequência era de que ele fizesse algo exageradamente novelesco, mas felizmente a forma que ele acabou adaptando o texto junto de Manuela Dias, lhe deu perspectivas maiores de condução da trama para que o filme ficasse envolvente e agradasse principalmente pelas interpretações dramáticas. E como ele também aparentou deixar que o filme virasse um longa de atores, o resultado do excesso comedido pelo elenco principal nos levou quase que para frente do palco de um teatro, afinal cada cena pareciam atos isolados aonde os personagens interagiam e a cortina caia para um novo ato e assim sucessivamente até o final, o qual poderiam ter feito de outra maneira, afinal o efeito especial ficou muito ruim e não agrada, mas esse é apenas o único problema da trama, então a nota que darei todos já até sabem, mas vou falar de mais coisas antes.

Como disse acima, o longa se desenvolveu bem nas interpretações criadas para cada personagem, de modo que cada ator deu para seu personagem vida própria e impactante. O grande destaque de expressões é claro que é de Ana Paula Arósio, que trabalhou a face de sua Clara para ficar praticamente possuída pela gana por mais poder e com isso cada cena sua é algo muito forte de ver, o que mostra o que todos já sabíamos há muito tempo: que é uma excelente atriz, que agora após as devidas férias longe das telinhas, telonas e palcos, vai voltar com tudo. Gabriel Braga Nunes também arrasa em suas cenas como Elias, principalmente nas finais, aonde trabalhou de uma maneira muito irônica, e essa desenvoltura chamou muita atenção, um único detalhe foi o exagero nas cenas introspectivas que ficaram bonitas de ver, mas quase todas foram tão demoradas que se fosse num teatro o público acabaria achando que ele esqueceu as falas, mas tirando esse detalhe o rapaz mandou bem demais. Ângelo Antônio trabalhou bem seu César, mas cada cena sua era tão bem dominada pelos demais ao seu redor que acabava sumindo, mas isso não o impediu de agradar no papel e chamar a responsabilidade nas suas duas cenas individuais e claro na reunião dos acionistas, aonde foi incrível suas expressões. Não menos importante Nelson Xavier mostra que ainda agrada bastante nos papéis que faz, e seu Heitor foi dinâmico e carismático nas poucas cenas que teve, claro que poderiam ter dado a ele mais história, mas como não era o caso, fez bem enquanto pode. Fernando Alves Pinto meio que pareceu deslocado com seu Pedro, mas como necessitavam colocar alguém como filho do Heitor e esse daria as notícias de quem seria o presidente com a morte de seu pai, ele fez o que foi pedido, mas faltou mostrar mais abatimento pela morte de um ente querido.

A internet realmente é um lugar maravilhoso, pois ao chegar para escrever estava muito curioso para saber aonde no Brasil a equipe de produção tinha arrumado as locações para fazer a sede do banco e a casa do casal, pois são dois grandes palácios praticamente, mas como citaram como lugares de filmagem Escócia, Uruguai e Berlim, certamente nenhuma das duas locações foi por aqui, e isso diz muito do retorno interessante que o visual acabou causando. Além claro de que a equipe artística trabalhou bastante nos elementos cênicos para que cada momento fosse bem representado e agradasse na devida proporção, ou seja, um show a parte, principalmente devo destacar a cena da cama com goteiras, que além de uma ótima escolha de ângulo, ficou muito bonita de ver por todo o contexto mostrado. Desse modo tivemos uma fotografia também bem interessante de ver, com ângulos bem escolhidos, câmera segura do que queriam mostrar, usando e abusando do foco e desfoque, iluminações apropriadas para cada cena e com isso o resultado foi impecável de ver.

Enfim, um excelente filme que infelizmente não vai ser visto por muitos, já que sem divulgação alguma o público chega no cinema e vê um pôster diferente, com um nome não muito atrativo e acaba indo para outro longa, mas volto a repetir, é um grande filme que merece ser visto por todos. Bem é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto ainda nessa semana com mais filmes que estrearam por aqui, então abraços e até breve.


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Depois de Tudo

11/07/2015 02:09:00 AM |

Se tem uma coisa que acho interessante no cinema é a capacidade que o pessoal tem de achar que se algo é bom, seja um livro, uma peça ou até mesmo uma música, podem transformar em um filme que vai acabar ficando bom também. Essa retórica infelizmente não é verdadeira, e muitas vezes a introspecção que um texto dramático causa no público numa mídia mais versada ou até mesmo que crie uma certa tensão na audiência, ao virar longa-metragem acaba perdendo um pouco da essência e não agradando tanto. Com "Depois de Tudo", antes denominado "No Retrovisor" é baseado numa peça que fez grande sucesso no país inteiro, interpretada pelos dois protagonistas também, mas que por não ser cheia de firulas como é o filme, acaba comovendo o público e chamando muito a atenção de quem a confere no teatro, enquanto no cinema, o filme até foi bem dirigido e tem anseios mais visuais, porém acabou perdendo a dramaticidade do texto e não encaixa todo o sentimentalismo dramático que deveria atingir. Portanto, podemos dizer que é um longa alternativo, visto que foge completamente do tradicional longa comercial que domina o país, mas que por focar mais em símbolos do que num texto mais visceral, vai acabar deixando o público nas mãos, e isso, infelizmente faz com que um longa não seja tão bem falado por aí, mas ainda assim é bem melhor que muitos outros lançados ultimamente.

O filme nos mostra que os jovens Ney e Marcos são muito mais que melhores amigos. Eles são quase irmãos, que dividem apartamento, trabalho, sonhos, a paixão pela música e por Bebel, uma garota linda e destemida que desperta nos dois diferentes desejos. Quando ela se muda para o apartamento vizinho ao deles, os três se tornam inseparáveis. Mas o tempo os distancia. Em vez de músico e parceiro de César no bar que abriram e pretendiam tocar juntos, Ney acaba se tornando um astro da música pop romântica. Enquanto isso, Marcos passa de garoto rebelde e cheio de atitude a um conformado funcionário público. Já Bebel, nunca deixou o imaginário dos dois. Vinte anos depois uma inesperada notícia reaproxima Ney e Marcos, levando-os a rever suas atitudes, emoções e lembranças. Neste reencontro pode estar também a chance que Ney e Marcos têm de resgatar os laços de amizade e amor que o tempo havia ajudado a romper

De maneira alguma posso dizer que o roteiro e a direção foram ineficientes, muito pelo contrário, temos um filme bem desenvolvido e interessante, porém um dos maiores problemas da trama foi não conseguir transmitir, ao menos no meu ver, uma essência mais forte do elo de amizade, da quebra da amizade e principalmente da motivação por um retorno de amizade. E isso podemos atribuir talvez pelo alongamento da trama e a quebra de cenas na edição. Claro que não sou contra o longa não ser linear, oscilando entre o passado e o presente, mas o longa teria uma vida mais saborosa se não fosse tão estilhaçado e certamente tudo agradaria mais, mas como optaram por esse estilo, uma boa ideia seria trabalhar melhor cada ato focando exatamente no que queriam passar, pois ficou meio que sem apresentação, miolo e final, tendo apenas uma passagem genérica para todo o conteúdo. Mas se temos de elogiar algo na trama, certamente foi a concisão que o diretor João Araujo deu nas escolhas de planos do filme para que ficasse o mais distante possível de uma novela, e isso é algo que sempre vemos muitas reclamações dos longas nacionais, então por bem pouco, se a edição tivesse empolgado mais o público, teríamos certamente um longa perfeito.

Sobre as atuações, uma coisa é fato, Otavio Müller certamente cai melhor em comédias ou cenas de ação do que como ator de drama, claro que faz bem suas cenas, é um ator e tanto, mas é visivelmente estranho ver suas cenas sem esperar que ele faça alguma graça, e seu Marcos mais velho não é um personagem que nos empolgue, muito pelo contrário ele já é alguém cansado da vida que teve, e o ator acabou deixando o personagem mais apagado ainda. Sua versão jovem interpretada por César Cardadeiro já demonstra completamente o contrário, cheia de vida, disposição e com expressões mais fortes, o ator caiu bem na dinâmica que o personagem tanto precisava ter, e dessa maneira mostrou a que veio trabalhando estilos e agradando bastante. Que Marcelo Serrado é um dos melhores atores que temos no país, isso não temos dúvida alguma, pois oscila bem dentro de dramas, comédias e tudo mais que lhe for solicitado para fazer, mas seu Ney ficou simples demais perante tudo o que poderia fazer, claro que não teve oportunidade de trabalhar muitas expressões faciais devido o seu personagem ser cego, mas o semblante poderia ter chamado mais atenção do que apenas palavras dialogadas para mostrar tudo o que sabe fazer bem. E claro que sua versão jovem interpretada por Romulo Estrela foi bem trabalhada, mas o jovem aparentou estar com um pé atrás sempre do que poderia mostrar, e suas cenas sempre foram deixadas com terminações simples, o que é algo que atrapalha muito o andamento cênico para enaltecer um ator, mas felizmente conseguimos ver futuro para o jovem, pois quando precisou mostrar serviço, incorporou todas as expressões que sabia fazer e fez bem. Maria Casadevall se dispôs a tudo, fazendo muitas cenas com nudez e regadas a drogas, para mostrar como começou a virar a ligação da trama, e dessa maneira a jovem caiu bem dentro do que sua personagem pedia, mas embora tenha duas ou três cenas aonde mostre bem a inquietação de uma relação triangular com os protagonistas, faltou ter mais química emocional para criar o ciúmes, ficando mais como um surto de drogas/bebidas do que algo mais emotivo mesmo, mas no contexto geral a jovem mandou bem demais.

Como é um longa de baixo orçamento, a equipe de arte tentou maquiar a cenografia para não ficar tão falso o retrato passado dos anos 80, trabalhando bem nos ângulos de câmera em conjunto com o diretor ao invés de se preocupar bem no contexto dos objetos cênicos. Claro que isso não é algo errado de se fazer, mas podiam mostrar mais elementos para situar o espectador e até agradaria mais do que deixar de lado a simbologia de uma época, mas volto a frisar, direção de arte é algo que encarece uma produção, e se necessita marcar época então, fica mais complicado ainda. A fotografia certamente teve muito trabalho, afinal a maior parte da trama se passa em interiores e que necessitavam iluminações específicas para cada momento, e felizmente acertaram bastante sem deixar falso e muito menos amador ao ponto dos erros que costumeiramente acuso em novelas e filmes que não se preocupam com sombras, então o resultado nesse quesito é bem satisfatório, mesmo que não tenham trabalhado tanto paletas de cores mais densas que poderia agradar e chamar o tom para a época ajudando a equipe de arte.

Enfim, é um filme que foge dos padrões atuais do nosso cinema, o que é algo muito satisfatório de ver, mas que falhou em alguns pontos precisos que poderia agradar tanto o público que gosta de coisas diferenciadas quanto o pessoal que quer ver algo mais comercial. Então, minha recomendação é que tentem ver o longa, mas tentando montar as situações de amizades como citei no começo do texto, que certamente vai acabar agradando bem mais, e quem quiser ir ver pensando se tratar de algo comum, talvez reclame mais do que o normal por tudo que é mostrado. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda faltam mais alguns longas nacionais que surgiram aqui para conferir, então abraços e até breve.


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007 Contra Spectre

11/06/2015 02:24:00 AM |

É engraçado que muitos filmes falamos que pertencem a um determinado gênero, outros associamos à franquia por misturar diversos estilos, mas que às vezes nos surpreendem por ousar mais ou menos, porém se tem uma franquia que sabemos exatamente o que esperar, indo ao cinema sem sequer expressar algum sinal de espanto com qualquer novidade (afinal raramente vemos algo diferente) é a tal 007, e agora com o novo filme "007 Contra Spectre" até que tentaram colocar personagens de outros filmes, adequaram algumas situações para dar mais ritmo, mas o diretor Sam Mendes não conseguiu fazer novamente um longa tão interessante quanto fez com "Skyfall", pois mesmo com grandiosas cenas de ação (as quais na sala Imax fez as poltronas tremerem bastante), o miolo foi regado à cenas tão mornas que quem estiver com um pouco mais de sono vai fazer igual o senhor do meu lado, que chegou a roncar e depois pulou assustado com o barulho da cena seguinte. Então exageraram nas histórias deixando de lado toda a investigação característica com envolvimento que muitos esperavam, mas ainda assim cumpre com o papel da franquia e diverte bem quem suportar as oscilações mornas do miolo.

O longa nos mostra que uma mensagem codificada coloca o agente secreto James Bond no caminho para desmascarar uma organização criminosa, conhecida como SPECTRE (Special Executive for Counter-intelligence, Terrorism, Revenge and Extortion). Enquanto Bond tenta descobrir a terrível verdade por trás da organização, M luta contra as forças políticas para manter o serviço secreto britânico ativo.

Que a franquia é extremamente rentável, isso não temos dúvida alguma, e que já estão procurando um meio de "matar" Daniel Craig (que já está começando a ficar caro também) para começar uma nova leva com um novo Bond, também já estamos cientes, mas acredito que apostaram fichas demais na continuação de mãos do diretor Sam Mendes e sua equipe para esse novo episódio, pois se pegarmos 90% dos outros longas da franquia, são pouquíssimos momentos que tentam conexões externas ao do próprio filme em questão, e aqui quase que colocaram como uma continuação direta tendo muitas referências e símbolos que nos foram apresentados em "Skyfall", e até mesmo em "Quantum of Sollace" e dessa maneira ao ficar enrolando histórias para não dar muita criatividade, o roteiro acabou ficando até um pouco cansativo, com diversos pontos de pausa, e isso era algo que raramente acontecia nos outros filmes. Claro que o diretor ousou e muito em diversas cenas, pois temos muitas explosões, cenas aéreas e até mesmo alguns planos-sequência incríveis de ver (a cena de abertura sem parar com a quantidade de figurantes é algo para tirar o chapéu diversas vezes para ele), mas poderiam ter evitado tanta história e focado mais na ação envolvente como aconteceu no filme anterior, e assim agradar novamente à todos que fossem assistir ao filme, mas não dá para acertar todas as vezes, então se a bilheteria não decolar o rumor de que Sam dirigiria o Bond 25 pode ir por água abaixo.

No quesito atuação, Craig tem o estilo Bond de ser, mas deixaram ele livre demais nesse e completamente forçado em diversas cenas (luta no trem com o imenso lutador e furos na cara com a maquininha de dentista sem que o cara saísse ao menos machucado foram abusos demais para relevar), o que já diferenciou demais do longa anterior, onde aparentava mais abatido com as cenas, claro que já está se achando melhor que diversos outros atores que interpretaram o espião, pedindo cada vez um cachê mais alto, então acredito que sua temporada esteja chegando ao fim. Pena que Christoph Waltz não esteja presente no longa inteiro, pois seus momentos foram simplesmente fantásticos, com uma expressão doentia e bem característica dos vilões da franquia, claro que não chegou nem aos pés do que fez Javier Barden em Skyfall, mas ainda assim caiu muito bem nas cenas e como é de seu estilo, chamou a responsabilidade de cena para si e agradou demais. Léa Seydoux caiu bem como a bondgirl Madeleine, mas inicialmente aparentou que seria mais dinâmica e impactante, de modo que marcaria sua passagem pelo filme, o que acabou não acontecendo tanto, claro que ela é sexy e linda demais, mas poderia ser mais do que isso como boa atriz que é. Ralph Fiennes até teve grandes cenas como sendo o novo M, e usou de expressividade para controlar as cenas mais ágeis sem perder a seriedade que o personagem pedia, e dessa maneira caiu bem para agradar e certamente voltar nos demais longas. Ben Whisaw novamente veio com uma proposta bem humorada para o seu Q e nas cenas que apareceu mais dominou o ambiente para que seu personagem tivesse destaque frente aos demais, ainda torço para que um dia desenvolvam longas paralelos aos 007 para que mostrem mais sobre os outros personagens da franquia, pois este é um que mereceria destaque e divertiria demais. Naomie Harris também voltou agora com um papel mais importante, porém ficou muito de segundo plano na trama com sua Moneypenny, de modo que apareceu, fez duas boas cenas, e depois praticamente esquecemos de sua existência no filme, e a atriz tinha potencial para agradar mais. Ainda bem que tivemos poucas cenas com Andrew Scott, pois o seu C ficou cansativo e quase sem carisma algum para ser um sub-vilão da trama, e se olharmos para a sinopse, certamente o personagem dele teria bem mais impacto do que o ator conseguiu transparecer, e assim notavelmente cortaram cenas suas. Apenas para pontuar, o longa contou com uma segunda bondgirl e Monica Bellucci chamou bastante a atenção mais pelo seu corpaço do que por sua atuação, de modo que se a trama se alongasse pela Itália, o filme seria elevado para classificação 18 anos.

Sobre o conceito visual, é óbvio que com todo o orçamento monstruoso que o longa possuía não tinha como nada dar errado, então sendo filmado na Inglaterra, Marrocos, México, Áustria e Itália, o resultado foi um longa cheio de locações marcantes, muitos detalhes cênicos para representar cada lugar e claro carrões para chamar atenção, mas se tem uma coisa que faltou foi objetos mirabolantes de espionagem, pois somente um mísero relógio não faz dele um mega-espião com armas especiais, e assim o resultado artístico até agrada bastante e com certeza vai chamar muita atenção de quem gosta de ver boas escolhas de cenários, e só por isso já vale a produção em si. Além disso, a equipe teve muito trabalho com o excesso de cenas dinâmicas com aviões, helicópteros e carros correndo por toda a parte, explodindo e tudo mais, que ficaram bem realistas e agradaram em todos os momentos que foram colocados na trama, ou seja, esse sim é o grande motivo para conferir a trama. Aliado à esses bons momentos e junto das boas locações, a equipe de fotografia só teve o trabalho de escolher bons ângulos e iluminar com classe para que tudo ficasse dentro dos padrões, só poderiam ter ousado mais se não ficassem com tanto foco e desfoque de personagens, pois esse clichê já deu o que tinha de dar.

No quesito sonoro, a trilha ficou bem fraca comparada aos últimos dois filmes, e dessa maneira optaram mais pelos barulhos das explosões para fazer com que o público balançasse nas poltronas (quem for ver nas salas Imax se prepare para chacoalhar muito, pois o estrondo é imenso nas últimas cenas, fazendo o cinema inteiro vibrar). Mas sem boas canções e trilhas instrumentais, o filme ficou como disse em diversos momentos, sem ritmo, e isso faz quem não curtir realmente a trama, ficar com sono durante boa parte do filme.

Enfim, é uma grandiosa produção que possui bons momentos, mas não preencheu todos os requisitos que tanto agradaram nos últimos filmes da franquia, então diferentemente do que ocorreu nos outros, aonde muitos que nem eram fãs do espião passaram a curtir e assistir aos filmes, esse vai levar aos cinemas somente quem for realmente fã e suportar um longa mais alongado e cansativo em diversas partes. E dessa maneira recomendo ele somente para quem gostar muito do estilo, e estiver disposto a misturar lentas cenas de conversas com grandiosas cenas de explosões. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda teremos muitos filmes que vieram para o interior nessa semana, então abraços e até breve.

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Homem Irracional (Irrational Man)

11/02/2015 08:43:00 PM |

O diretor Woody Allen sempre consegue trabalhar seus filmes de modo que mesmo a história mais romântica ou o drama mais simples se entrelacem e criem uma perspectiva diferenciada, e com "Homem Irracional", que demorou um pouco para aparecer pelo interior, ele praticamente juntou dentro de um romance uma história investigativa tão repetitiva que a cada vez que um personagem recontava ela, íamos trabalhando completamente o sentido do nome do filme, e de uma maneira gostosa, acabamos refletindo sobre a ideologia filosófica do conceito de moral ou imoral dentro de uma situação de culpado ou inocente, ou até mesmo até que ponto vale fazer algo errado para que tudo dê certo. E quem lê isso pode até achar que o longa é daqueles de difícil aceitação ou compreensão, mas muito pelo contrário, tudo acontece de forma tão leve que acaba nos agradando e encantando mesmo com uma trilha repetidamente chatinha.

O longa acompanha a história de Abe, um professor de filosofia em meio uma crise existencial e que descobre novamente a vontade de viver. Depois de voltar a dar aulas em uma pequena cidade, ele se envolve com duas mulheres. Uma delas é Rita, uma colega de trabalho; e Jill, sua melhor aluna. Mesmo quando Abe mostra sinais de desequilíbrio mental, a fascinação de Jill por ele só cresce. No entanto, quando decide abraçar novamente a vida, Abe desencadeia uma série de eventos que afetará também Jill e Rita para sempre.

É claro que conhecemos bem o estilo de Woody dirigir e por prezar sempre longas bem dramatizados aonde os protagonistas realmente protagonizem, e não que o ambiente ou toda uma produção seja mais importante que eles, já vamos ao cinema acompanhar um longa seu sabendo que seremos bombardeados de longos textos e que eles sempre irão nos dizer algo do seu momento em que está vivendo, e dito isso, com esse novo longa podemos observar que o diretor (o qual sempre trabalhou bons conceitos filosóficos) resolveu agora entrar num dos pontos que muitos sempre pararam para pensar: se matarmos alguém que só tem feito coisas erradas e estragando o mundo, seremos culpados ou heróis? Calma pessoal, não precisam sair correndo após a sessão para matar a nossa presidenta, pois certamente você será culpado! Mas com essa ideologia, o filme leva um longa que poderia ser totalmente romantizado para outro patamar, e com pitadas cômicas bem interessantes de ver, e planos em movimento agradáveis, o diretor trabalhou seu lado pensante junto dos personagens sem descaracterizar seu estilo, e principalmente agradando todo estilo de público que for assistir, ou seja, um longa gostoso de ver, mas que faz você sair da sessão pensando em tudo que foi mostrado, ou seja, um legítimo filme de Woody Allen.

O longa até possui grandes atores como coadjuvantes, mas que por não conectarem tanto com as histórias dos protagonistas, acabam sumindo tanto que nem se for pergunta de prova vamos lembrar deles no longa, então vamos focar no que Woody tanto deseja que á nos três protagonistas. Que Joaquin Phoenix é um dos melhores atores no momento isso certamente não temos dúvida, mas a personalidade que deu para seu Abe é algo que vai muito além do que poderíamos esperar, desenvolvendo diversas características próprias de outros personagens seus junto de um homem com problemas e criando um misto de idealizador com facilitador de ideias que vão muito além do que um ser humano comum acabaria pensando, e ao atuar tão bem no filme, o ator mostra que está em plena forma para desenvolver qualquer tipo de papel que possam lhe entregar. Emma Stone sempre cai com personagens agradáveis e gostosos de acompanhar, mas quando insiste na repetição (mesmo que seja culpa do roteiro e da direção), passamos a ficar com uma certa raiva do que está fazendo, e dessa maneira, seus primeiros atos são gostosos de ver, mas ao aprofundar da história, acabamos num misto de querermos junto com o protagonista dar um fim na sua Jill também. Parker Pousey tentou recair sobre a perspectiva de femme fatale, mas ao mesmo tempo subjetivou demais sua Rita, e dessa maneira passou a ser mais inconveniente do que sedutora, e certamente não era bem isso que o diretor esperava de suas cenas, mas ainda assim a atriz trabalhou bem e agrada em diversos momentos, só poderia ter entregue mais personalidade nos momentos sem Phoenix.

No conceito artístico acho que a equipe de arte adora trabalhar com Woody Allen, pois seus filmes sempre são bem simples de elementos cênicos, não temos muita exuberância de cenários (tirem dessa lista "Meia Noite em Paris") e por trabalhar com coisas mais cotidianas, basta arrumar boas locações, que o restante se desenvolve de maneira bem fácil, e é isso que quem for conferir o longa verá, uma pacata cidadezinha em meio a um campus universitário, aonde toda a história se desenrola e assim sendo, acaba sendo bem agradável de ver e gostar dos elementos simples, mas bem colocados em cada cena, destaque claro para o mirabolante plano de matar o juiz, junto com toda a execução, e também a bela cena do parque de diversões que dando um mísero spoiler, será usada na finalização da trama.

Enfim, é um longa bem gostoso de assistir e que vai agradar a todos que forem ver sem desejar algo de proporções imensas, pois aí não seria um longa do Woody Allen, e dessa forma, o filme passa rápido e mostra tudo de uma maneira ampla que dá para filosofar e curtir sem que nada saia dos parâmetros. Sendo assim, com toda certeza acabo recomendando o longa e só reclamaria de alguns trejeitos óbvios, mas que não atrapalham em nada o resultado, e vale a pena ser conferido por todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais longas, então abraços e até breve.


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O Último Caçador de Bruxas (The Last Witch Hunter)

10/31/2015 02:57:00 AM |

Se existia um filme fácil de assistir sabendo exatamente o que esperar somente vendo o trailer e lendo a sinopse era a maior estreia da semana denominada "O Último Caçador de Bruxas", pois juntar fantasia com bruxas mais Vin Diesel, e ainda adicionar um pouco de comicidade em volta, é resultado puro de sessão pipoca para nada de profundidade e muita ação sem explicações logo de cara. Outra boa definição para a trama é se tínhamos Blade para caçar os vampiros, agora teremos Kaulder para caçar as bruxas, e nada mais. Dito isso, já fica implícito que se você criar expectativas de ver um longa mais profundo ou com um roteiro mais elaborado, certamente não é esse o filme que você irá assistir, pois até é criada uma certa ideologia mitológica para com alguns personagens e grupos, mas nada será desenvolvido a fundo, afinal o mote do filme é ação e bora entrar num carrão para matar a bruxa que matou nosso amigo (qualquer semelhança com outra franquia é mera coincidência).

O longa nos mostra que Kaulder é um valioso guerreiro que conseguiu derrotar a poderosa Rainha Bruxa e dizimar seus seguidores. Nos momentos que precederam sua morte, a Rainha amaldiçoa Kaulder com sua própria imortalidade, separando-o para sempre de suas amadas mulher e filha. Dessa forma, Kaulder é hoje o único caçador de bruxas vivo, tendo passado os últimos séculos caçando bruxas do mal, em nome da saudade que sente de suas amadas. Entretanto, Kaulder não sabe que a Rainha ressuscitou e busca vingança, causando uma batalha épica que determinará a sobrevivência da raça humana.

É bacana ver a forma criativa do roteiro, pois filmes de bruxas é algo que não anda mais tanto na moda, e longas de caçadores menos ainda, e a combinação dos dois estilos acabou ficando tão bem encaixado que tudo flui facilmente, mesmo que para isso o diretor Breck Eisner necessitasse apenas entregar para os protagonistas quais suas gêneses e o público ficasse sem o desenvolvimento sólido de cada personagem, pois realmente isso é um defeito, que muitos aparecem e somem de cena quase que sem nenhuma explicação, e isso é algo que incomoda um pouco, mas quando falaram para entregar ação e muitos efeitos especiais, isso sem dúvida alguma não ficou em segundo plano e o longa deslancha. Um fato interessante de observarmos é que o papel principal não parece feito para Vin Diesel, pois talvez um ator mais grosseiro caísse melhor na trama, mas aí é que entra o dinheiro em Hollywood, pois Vin ganhou muito dinheiro com seus outros longas, e então, virou produtor do longa e se colocou como protagonista, e assim sendo, bola para frente, que o diretor escolheu bons ângulos para trabalhar com o ator e junto dos roteiristas soube adaptar boas piadas para que a comicidade funcionasse também na trama, junto de um misticismo até que bem interessante de analisar, e quem sabe ser desenvolvido em outros longas, afinal dá para sentir tranquilamente o cheiro de uma franquia com a forma que o filme é finalizado, mas isso só a bilheteria vai dizer se ocorrerá ou não.

Já que comecei a falar de Vin Diesel, vamos prosseguir com a forma que entregou sua atuação de seu Kaulder, e certamente mesmo não sendo seu número como um personagem mais histórico, o ator se esforçou para que as boas cenas de ação tivessem ritmo e agradasse junto de poucas expressões, e assim sendo, o resultado não ficou tão falho, mas ainda longe de ser uma de suas melhores atuações nos cinemas. Nosso eterno Frodo, Elijah Wood até teve alguns momentos rápidos, mas não lhe deram oportunidade de chamar atenção para o seu 37° Dolan, e algumas frases suas são tão soltas dentro da trama, que parece que ou cortaram demais suas cenas, ou quem escreveu o texto se perdeu e muito, pois sabemos que o ator é bom, mas aqui foi uma grande decepção. O papel de Rose Leslie aparentemente era algo bem jogado na trama, mas a atriz pegou sua Chloe e deu um charme tão interessante que acabamos nos conectando bem com tudo o que faz, e volto a repetir, que mesmo não desenvolvendo tanto cada personagem individualmente, se houver continuação, acredito que a atriz daria rumos bem trabalhados junto do que já foi mostrado. Michael Caine fica ótimo em qualquer papel que lhe joguem nas mãos, e o ator com poucas cenas para fazer conseguiu trabalhar duas piadas tão bem conectadas que seria excelente entrar numa continuação também, afinal é um ator de alto gabarito e mesmo que somente tivesse em mãos uma gênese de uma tartaruga, entregaria a melhor tartaruga que já vimos no cinema, então seu 36° Dolan é maravilhoso de ver. Julie Engelbrecht foi muito bem maquiada para viver a Bruxa Rainha, e gritando mais do que interpretando seu texto, acaba ficando um pouco forçada, mas infelizmente era seu papel, então fez o que lhe foi pedido, mas poderiam ter dado alguns rumos melhores para ela que agradaria mais. Os demais tiveram participações ainda menores, então nem convém citar, o que é uma pena, pois alguns atores certamente agradariam com mais momentos de tela.

Agora se tem algo que não podemos reclamar de forma alguma no longa é sobre sua concepção visual, afinal tivemos cenas maravilhosas que junto de locações trabalhadas e muita computação gráfica, acabaram resultando em algo que chamou muita atenção, destaque para o bar de poções e claro as cenas de lutas no subterrâneo, que tiveram vida própria na tela e com uma gama monstruosa de objetos cênicos, fez com que o filme tivesse uma das melhores produções artísticas do ano, ao menos no gênero de ação até agora. Além de uma boa cenografia, o diretor de fotografia combinou bem o tom mais escuro para dar uma certa tensão na trama, e claro corrigir imperfeições das muitas cenas filmadas com o fundo verde e criado tudo depois, mas dessa maneira o acerto ficou muito bom, e claro que sempre vão falar que foi totalmente pensado para ser assim. Destaque além desses quesitos técnicos para os bons efeitos especiais que empolgam e não ficaram tão falsos de acompanhar na telona, claro que sempre vamos exigir mais, mas ainda assim o que é mostrado agrada bastante.

Enfim, é um filme pipoca, daqueles que compramos um bom combo no cinema e vamos curtir apenas sem pensar em nada, mas que indo sem expectativa alguma acaba resultando em algo ainda mais agradável e que dá para ser recomendado para outros amigos. Volto a repetir, não é um filme que vai fazer você pensar e muito menos que possui um roteiro elaborado, mas assim como a maioria dos filmes que Diesel protagoniza, o resultado é bem interessante. Portanto, vale a pena conferir ele, afinal nessa fraca semana pelo interior, para quem já viu tudo, é o que está tendo. Fico por aqui hoje, mas volto ainda nessa semana para conferir dois longas atrasados que estão em cartaz, então abraços e até breve pessoal.


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Grace de Mônaco

10/30/2015 12:49:00 AM |

Algumas vezes que me perguntaram o que achava de filmes biográficos ou que se baseavam em personagens conhecidos do público, dei uma resposta fria e conclusiva: que deveriam se prender completamente ao carisma que o personagem tinha e com isso desenvolver uma história cativante, emocionante e que mostraria a alma artística do personagem, ou então esquecer tudo o que a pessoa fez e focar numa história paralela aonde apenas a pessoa fizesse uma leve participação de modo que o filme não fosse sobre a pessoa de maneira alguma, apenas aparecesse ou marcasse em algum momento. Mas infelizmente temos alguns diretores que acabam ficando na dúvida e ficam totalmente em cima do muro, fazendo um filme que não ataque para lado algum e dessa maneira também não agrade ninguém, e o do momento (ao menos no Brasil, já que na maioria dos países foi lançado em Maio de 2014) é "Grace de Mônaco", em que Nicole Kidman até chega a comover pela personalidade que incorpora, mas a história acaba ficando tão cansativa em seu miolo, que por bem pouco esse Coelho que vos digita não acabou dormindo na sala (salvo pelo alimento que levei para a sala!)

O filme nos mostra que o casamento de Grace Kelly e o príncipe Rainier III foi considerado um conto de fadas na vida real quando aconteceu, em 1956. Entretanto, cinco anos mais tarde e com dois filhos, a verdade é que Grace está insatisfeita com a vida no palácio e o distanciamento do marido. A chance de novamente sentir-se útil surge quando seu velho amigo, o diretor Alfred Hitchcock, a convida para retornar ao cinema como protagonista de seu próximo filme: "Marnie - Confissões de uma Ladra". O problema é que Rainier é terminantemente contra e, ainda por cima, está envolvido com uma ameaça vinda do presidente francês Charles de Gaule: caso Mônaco não pague impostos à França e acabe com o paraíso fiscal existente, o principado será invadido em seis meses. Em meio às inevitáveis tensões, Grace e Rainier buscam resolver seus problemas tentando evitar que eles causem o divórcio.

Pronto, basta ler a sinopse acima e você nem precisa assistir mais ao filme, pois está tudo o que irá ocorrer minuciosamente nos 103 minutos de duração da trama, ou seja, 10 linhas que são enroladas calmamente não levando praticamente a lugar algum, e colocando tantos atores para parecer algo mais filosofado sobre questões políticas que realmente acabam esquecendo do título do filme. Um ponto interessante nessa análise seria de quem a culpa, do roteiro que não focou tanto em Grace ou do diretor que superestimou a capacidade de Kidman em chamar a atenção para si no meio de conflitos que não foram tão interessantes (ao menos da forma que foi mostrada)? Como Olivier Dahan conseguiu sair-se muito bem em "Piaf - Um Hino ao Amor", posso apostar minhas fichas que a culpa ficou em meio aos roteiristas e claro um pouco a produção por querer mostrar questões políticas num filme biográfico, ou seja, o filme brecou e o diretor não pode ser criativo como gostaria, e sempre que tentou por algo a mais se perdeu no restante, de modo que sem dúvida alguma o grande ponto da trama é a última cena, e esperar todo esse tempo para uma única cena não é algo que faça o público pagante muito feliz, e assim sendo, alguns países optaram por lançar diretamente o filme em home-vídeo e outros nem isso fizeram.

Sobre as atuações, todos sabemos muito bem que Nicole Kidman é uma excelente atriz, e qualquer papel que lhe for entregue vai ser bem feito, mas Grace Kelly foi um marco muito grande tanto para o cinema, quanto ao virar princesa e ter diversas tarefas sociais e políticas para resolver, e se a atriz não adentrar completamente ao personagem, qualquer uma acabaria ficando fora do que o público iria esperar de alguém que fizesse o papel, ou seja, faltou que a direção entregasse o filme em suas mãos e ela optasse por quebrar todas as regras para fazer tudo o que sabe e agradar, mas para isso, teria de ter outro roteiro em mãos, então que façam outro longa homenageando a princesa que certamente vai sair um bom filme. Tim Roth também é um bom ator, mas seu príncipe Rainier ficou tão fraco e sem opinião formada, que se realmente o governante foi desse jeito, certamente se nossa governante fosse mais jovem poderia dizer que ela é uma reencarnação dele, ao menos a caracterização ficou bem feita. Roger Ashton-Griffiths apareceu apenas quatro vezes, mas podemos dizer que sua incorporação de Hitchcock ficou melhor que todos os outros atores que tentaram em filmes próprios sobre o diretor, impostando voz e caracterização bem próxima do que sabemos sobre ele, ou seja, se fizerem outro filme sobre a vida de Hitch, já sabem quem chamar. Outro ator que mandou muito bem, mas com pouquíssimas cenas foi Frank Langella, mas isso nem precisaria dizer, afinal nunca vi um filme que ele tenha falhado, e seu Padre Tucker ficou tão bem colocado, que várias de suas cenas acabaram chamando mais atenção que o filme todo.

Visualmente, tirando as maquiagens e caracterizações, o longa trabalhou bem pouco a questão cenográfica de um palácio, aparentando um baixo orçamento para a equipe de arte, pois tudo parecia focar mais numa sala de discussões e em varandas, tendo uma ou outra cena que expressasse o luxo da realeza tão característica de Mônaco, e sendo assim o filme acaba ficando fraco nesse quesito que ao menos poderia apagar os erros de roteiro com uma produção ao menos mais grandiosa. Quanto da fotografia, usaram boas cenas com luz natural para realçar alguns tons mais vivos, e nas cenas internas procuraram deixar tudo num cinza mais fechado para criar o conflito político, mas como estamos falando de um longa que mostra uma determinada época poderiam ter trabalhado mais com tons puxando para o sépia que ao menos mostraria algo mais clássico, e não só ficar tentando a todo momento algo que não era possível, outra grande ideia seria jogar o longa inteiro para preto e branco, que certamente viraria algo cult e chamaria muita atenção.

Enfim, é um longa que tentou diversas coisas sem conseguir nenhuma, e volto a repetir minha tese de que se o filme demora mais do que 6 meses para ser lançado mundialmente, certamente é uma bomba que ninguém vai fazer questão de ver, ou seja, não tenho como recomendar o filme para ninguém, pois vai ser algo que não vai envolver como ficção, não vai mostrar nada historicamente importante e que valha a pena ser visto na telona. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas foi apenas o início dessa semana cinematográfica curta, então abraços e até breve meus amigos.


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S.O.S. Mulheres ao Mar 2

10/27/2015 11:55:00 PM |

Não vou repetir a fórmula que passei quando falei de "S.O.S. Mulheres ao Mar" em 2014, quem quiser que leia nesse link, mas agora o novo longa "S.O.S. Mulheres ao Mar 2" segue exatamente a mesma fórmula, porém como já venderam todas as maravilhas do cruzeiro no primeiro filme, agora a dica é o cruzeiro que sai de Miami e vai até o Caribe, ou caso você perca o embarque passeie de carro pelos parques de Orlando da Universal, que é co-produtora do longa, e claro que não ficaria de fora. Mas tirando o tino comercial da produção, o longa até possui uma produção muito bem feita que agrada visualmente, só é uma pena que não desenharam tão bem o roteiro para que ele divertisse mais e envolvesse com história, mas como todos sabem, produtores querem dinheiro, então nem se passou 18 meses direito e já estamos com a continuidade nas telas, e o resultado: é outro capítulo de novela que até passa rápido na tela e certamente vai arrecadar muito dinheiro, mas que logo vamos esquecer tanto quanto o primeiro filme.

O novo longa nos mostra que Adriana, agora uma escritora bem-sucedida, segue feliz em seu romance com André, que está prestes a lançar sua mais nova coleção de moda durante um cruzeiro pelo Caribe. Porém, quando ela descobre que a bela ex-noiva do estilista irá acompanhá-lo em busca de uma reconciliação, Adriana convoca a irmã Luiza e Dialinda - sua ex-diarista que agora trabalha nos EUA - para uma nova aventura.

Uma coisa é certa no novo filme, que a saída de Marcelo Saback do time de roteiristas deixou a trama bem menos gostosa de acompanhar, e isso é algo que pesa bastante no estilo para que o público curta o que vai ver na tela. Não que Sylvio Gonçalves tenha errado na continuidade, mas ele fabricou algo que certamente foi comprado e encomendado, ao invés de desenvolver uma história para cinema mesmo. E dito isso sobre o fraco texto da trama, que infelizmente não faz ninguém rir na sala do cinema, (se o filme é classificado como comédia, já acho que temos um grande erro aqui), a diretora Cris D'Amato (que está nos entregando dois filmes no mesmo ano, essa tem gás mesmo e tá ganhando até do Woody Allen) não conseguiu trabalhar bem os ótimos atores que tinha nas suas mãos e eles acabaram fazendo o que mais sabem fazer: atuar para novela. E assim sendo, temos planos bem tradicionais que vemos todos os dias na TV e mesmo tendo uma cara de road-movie divertido, a trama se perde em querer dar espaço para cada uma das subtramas, ou seja, mais do mesmo.

Sobre as atuações, Giovanna Antonelli não nos entrega o mesmo gás que teve no primeiro filme com sua Adriana, mas ainda assim mostra todo seu potencial de atriz e nas cenas que precisa mostrar toda expressão possível, faz sem pestanejar e agrada demais, só é uma pena que sua história não desenvolveu tanto, senão ela certamente arrasaria. Thalita Carauta está realmente merecendo um filme para chamar de seu, que se existem algumas cenas do longa que valha a pena esboçar um riso são as suas, afinal ela é a única humorista da trama, e sua Dialinda é perfeita no que faz, então fica a dica caso inventem uma nova continuação para a trama, esqueçam todo o restante do elenco e foquem nela, que o resultado cômico vai ser garantido, pois o personagem é bom e a atriz é boa, mas funcionar como subproduto não faz o filme decolar. Fabiula Nascimento é uma atriz bacana e até teve bons diálogos bem encaixados no texto de sua Luíza, mas ficou repetitiva demais e acabou cansando já na terceira tentativa de atrair o rapaz, e isso nem personagem de segundo escalão de novela faz, ou seja, acabou sendo estragada pelo roteiro. O personagem de Reynaldo Gianecchini certamente ficou tão deslocado nas gravações que se não fosse o mote pelo qual a protagonista vai atrás no navio, poderia ser eliminado da trama que nem notaríamos sua falta, e todos sabem o quão bom é o ator para poder ser jogado fora de um longa, ou seja, esqueceram mesmo de desenvolver os personagens para que tudo agradasse mais. Felipe Montanari até tentou parecer um pouco gringo, incorporando trejeitos para o seu Roger, mas se perdeu demais quando começou a enrolar o português com o inglês e virou uma sopa de letrinhas que até era para ser engraçado, mas faltou trabalhar um pouco mais sua conexão com Dialinda para que tudo agradasse mais. Dos demais personagens, todos foram até que bem encaixados nos devidos momentos, afinal o que os brasileiros mais sabem trabalhar nas novelas e filmes são o que chamamos de elenco de apoio, e dessa maneira Gil Coelho como Rafael, Felipe Roque como Maurício, e Rhaísa Batista como Anitta até agradam um pouco nas suas cenas, mas como ninguém assumiu nenhuma responsabilidade maior, o resultado deu no mesmo.

Volto a afirmar, a produção cenográfica caiu muito bem na trama, e claro que com os devidos patrocinadores sendo mostrados durante todo o filme, o orçamento acabou sendo pago facilmente para que os diretores artísticos trabalhassem sem pensar colocando os atores onde a diretora quisesse ter um bom ângulo de sua câmera, e assim sendo, todos passearam e brincaram bastante nos brinquedos dos parques da Universal, usufruíram das instalações do Cruzeiro da MSC e se divertiram nas areias do Caribe declamando seus textos para tentar agradar ao público, mas infelizmente como dizia uma professora da faculdade, um filme não se faz apenas de produção, é necessário ter história, então tudo não passou de apenas propaganda numa telona. Sobre a direção de fotografia, souberam usar bem a luz natural para realçar cada momento, e isso deu tonalidades incríveis para a trama, mas volto a repetir, tudo bem longe do estilo de ser cinema, ficando mais perto da publicidade realmente, então isso acaba sendo um erro.

Agora, se temos de parabenizar alguém do longa, certamente é a equipe que escolheu toda a trilha sonora, pois cada música encaixou perfeitamente para cada cena, inclusive as internacionais acabaram funcionando muito bem para quem entender o que a letra diz, ou seja, deu ritmo para o filme e agradou bastante.

Enfim, é um filme que certamente vai levar o público brasileiro que gosta de novelas para os cinemas, mas quem preferir ver um filme mesmo é melhor optar por outro longa senão a chance de sair irritado com tudo o que verá é alta. Portanto deixo assim minha recomendação para quem for ao cinema conferir o longa sabendo que não verá nada além de um capítulo final de novela bem produzido. Fico por aqui hoje, mas ainda tenho um longa atrasado para conferir nessa semana, então abraços e até breve.

PS: O longa merecia uma nota menor, mas como ficou no mesmo nível do anterior vou repetir a nota que dei no ano passado.

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Goosebumps - Monstros e Arrepios em 3D

10/27/2015 03:14:00 AM |

O gênero aventura com monstros anda meio sumido dos cinemas, e sempre divertiu muito as crianças em sessões exibidas nas tardes antigamente, pois misturavam o imaginário das histórias contadas para assustar, com a criação de algum tipo de herói que salvava tudo. Claro que o problema desse sumiço é um fato bem claro, ou melhor caro, pois o estilo obriga os produtores a desembolsarem uma alta quantia de orçamento, que nem sempre obtém retorno. E infelizmente, isso vem acontecendo com "Goosebumps - Monstros e Arrepios", pois o filme não foi barato e por não ser uma obra totalmente conhecida, o retorno está sendo bem abaixo do esperado, o que é uma pena, já que o filme em si é bem interessante e agrada bastante na proposta, mas poderiam ter infantilizado menos ele e aproveitado mais cada um dos personagens dos livros, não deixando tanto na mão dos personagens humanos que criaram para desenvolver a história. Porém ainda é um filme que tranquilamente se assiste numa tarde chuvosa deitado no sofá comendo uma pipoca, e assim sendo, o resultado da sessão compensa para quem gosta do estilo.

O filme nos mostra que chateado por ter se mudado de uma cidade grande para uma pequena, o adolescente Zach Cooper encontra um pouco de esperança quando descobre que uma linda garota, Hannah mora na casa ao lado da sua. Mas cada moeda tem dois lados, e a má sorte de Zach começa quando ele descobre que Hannah é filha do misterioso escritor R. L. Stine, o autor da aclamada série de livros “Goosebumps”. Acontece que há uma razão para que Stine seja tão estranho... ele é prisioneiro de sua própria imaginação! Os monstros que tornaram seus livros tão famosos são reais, e Stine os mantém presos em seus livros para proteger seus leitores. Quando Zach acidentalmente liberta todos os monstros de alguns manuscritos e eles passam a assombrar a cidade; cabe à Stine, Zach e Hannah a tarefa de trazer todos de volta aos livros que pertencem.

É interessante ver o trabalho de desenvolvimento do roteiro, pois daria para criar inúmeras histórias a partir dos livros do escritor R .L. Stine, que inclusive faz uma pequena participação na última cena do longa, mas optaram por algo tão adolescente e infantil, que em alguns momentos parecem que estão lidando com bebês de tão simples que a história fica, e isso certamente não era a expectativa dos produtores quando compraram o direito das obras, já que os livros do escritor procuram alcançar um público mais juvenil/adulto que gosta de monstros e histórias que façam pensar um pouco, então poderiam ter criado algo em cima disso que agradaria mais e certamente levaria mais público para as salas de cinema. A direção de Rob Letterman até foi bem colocada, escolhendo bons ângulos e chamando atenção para cada elemento que desejava na hora certa, mas ao optar por um filme mais leve, acabou caindo no erro clássico de que colocaria mais público para dentro dos cinemas, o que não acabou acontecendo, e assim talvez algo que tinham em mente de uma continuação acabe nem ocorrendo. Porém acredito que em home-vídeo, o longa se reerga com algum estilo de promoção, colocando junto com algum livro ou colecionável, afinal dá para trabalhar bem com isso, e quem sabe recuperar o erro do estilo.

No contexto de atuação, não posso dizer que Jack Black esteja bem na trama, mas posso afirmar que não saiu forçado como ultimamente vinha aparecendo nos seus filmes, claro que seus trejeitos tradicionais apareceram bem dentro da personalidade do escritor R. L. Stine, mas como quiseram "criar" o personagem assim, o resultado acaba agradando, ah e para quem não reconhecer, uma de suas grandes qualidades é a de dublador de grandes personagens animados do cinema, e aqui além de protagonizar a trama, ainda emprestou a voz para o boneco Slappy e para o Garoto Invisível, e falando em Slappy adoraria ver um filme somente contando suas histórias, pois seria bem sinistro. Dylan Minnete conseguiu encaixar bem a personalidade de seu Zach, mas ficou meio fora de ideologia no quesito idade, pois ficamos na dúvida de estar no colegial(high school) ou algo mais abaixo pela sua forma de vida, claro que isso não é algo que o ator poderia resolver, mas daria para mudar o estilo de atuar e agradar mais ao sair do infantil e recair mais para o juvenil/quase adulto, mas fez boas caretas e agrada no geral. Odeya Rush trabalhou bem com sua Hannah e até surpreendeu ao não demonstrar nada sobre sua real conexão com toda a história, e com uma personalidade forte, mas comovente ao ponto de nos apegarmos a ela, e já por ser seu segundo grande longa, vem mostrando uma consistência de trabalho incrível para uma garota tão jovem, de modo que em breve já devam lhe dar grandes papéis. Ryan Lee tem toda a expressão cômica em sua cara e com trejeitos até que de certo modo forçados, acabamos rindo do que faz, mas se for realmente seguir a linha cômica, precisa parar de fazer caras e bocas, senão em breve vira um ator que só cabe em um único papel, aqui serviu bem para o seu Champ, mas ainda daria para ser mais engraçado sem ser superficial.

Embora o longa conte com muitos personagens digitais, o visual da trama não ficou falso em demasia, claro que alguns personagens poderiam ter sido melhor elaborados, mas em momento algum podemos falar que deixaram um personagem jogado sem uma boa representação gráfica para chamar a atenção para sua cena. Como disse mais para cima, poderiam ter usado menos personagens para dar mais atenção a cada um, pois são bons personagens e procuraram mostrar com fidelidade cada um, o que é um primor da equipe artística, e resultou mesmo com o longa tendo uma temática de suspense, um recheio de cores nos figurinos bem interessante. Além disso, a equipe de fotografia também prezou muito por conter a iluminação ao redor sempre para dar destaque aonde queriam, e a cena do parque de diversões ficou realmente linda de ver. Quanto do 3D, até temos uma profundidade bacana em algumas cenas, mas como o longa foi convertido, o resultado não impressiona tanto nesse quesito, mas certamente o pessoal que gosta, nas cenas que foram colocados vai achar bem legal o efeito.

Enfim, um filme muito bem feito, que diverte e entretém, mas que poderia ser bem melhor se não deixassem ele tão infantil e tão cheio de personagens. No geral dá para recomendar com certeza e é garantido uma boa sessão para todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com a última estreia dessa semana, então abraços e até breve.


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Atividade Paranormal: Dimensão Fantasma em 3D (Paranormal Activity: The Ghost Dimension)

10/24/2015 01:57:00 AM |

Podemos dizer que foram ao menos sinceros com os dizeres do pôster: "pela primeira vez você verá a atividade", pois usando o recurso tecnológico de filmarem realmente com câmeras 3D, e usarem bem o recurso de jogar coisas nos espectadores, o resultado de assustar o público no longa "Atividade Paranormal: Dimensão Fantasma" pode se dizer que foi cumprido com muito êxito, porém após cinco filmes da franquia e mais dois longas correndo por fora, podemos dizer com toda certeza que o desgaste foi tanto que a história sumiu, não tendo mais importância alguma para a continuidade, e embora os produtores tenham ficado muito revoltados com o longa lançado no ano passado que não fazia parte da franquia, lá toda a história acabou sendo tão bem contada e conectada, que agora esse que ficou parecendo estar deslocado de toda a trama principal e falhando consideravelmente em tudo que não seja apenas os sustos baratos com os objetos voando e fantasmas aparecendo fora da tela. E desse modo não podemos, infelizmente, dizer que tivemos um filme no cinema para ver, mas um produto que poderia facilmente ser usado apenas numa casa de terror dessas de parque de diversões, numa versão mais alongada e se cortarem para apenas as cenas de susto, acabaria tendo 15 minutos bem colocados para divertir o público que quer somente ver isso.

O longa nos mostra que ao se mudar para uma nova casa com a família, Ryan Fleege descobre uma caixa com dezenas de fitas cassetes de décadas atrás. Estranhamente, as imagens parecem se comunicar com os vivos. Procurando mais, Ryan encontra uma câmera diferente, capaz de registrar atividades paranormais. Com a ajuda da esposa, do irmão e da filha, ele passa a gravar fenômenos malignos que ameaçam seus entes queridos.

Como muitos sabem meu estilo de escrever, nessa parte seria aonde falaria um pouco do roteiro e de como foi a direção, mas por mais incrível que possa parecer, não tenho quase nada a falar, pois volto a frisar, embora toda a franquia seja bem simples de histórias, esse novo longa tem uma das histórias mais fracas já vistas no cinema, pois não cria tensão, o irmão é dispensado pela namorada sem mais nem menos já vai para a casa do outro irmão, tentam colocar datas sinistras no miolo para jogar com o público, mas sem nada que leve a algum lugar, o estilo familiar é bem fajuto entre os personagens, a babá ou sei lá o que aparece e some como se fosse completamente dispensável, e o padre só rindo mesmo de suas cenas, pois acaba sendo usado apenas para tentar "explicar" alguma coisa para o público, ou seja, nada levando a lugar algum. O pior de tudo é saber que foram necessário sete roteiristas para criar isso, ou seja, como Oren Peli foi o criador da franquia e afirmou que esse é o último, espero que ele não libere os direitos para ninguém, pois precisa acabar mesmo. Claro que o trabalho de Gregory Plotkin na direção não foi tão jogado às traças assim, afinal como disse no começo, ele soube usar e bem o recurso que lhe deram para trabalhar com câmeras 3D e na edição aproveitar desse recurso e criar muita coisa bacana voando no espectador, mas infelizmente isso não faz dele um gênio, e agora todos os diretores de longas de terror apenas usarão dessa ideologia para trabalhar quem sabe uma boa história além da tecnologia, e fazer com que ele seja completamente esquecido de ter sido "primoroso" em sua estreia como diretor de longas, depois de passar por tantos outros departamentos e ter editado os quatro longas anteriores.

No conceito atuação, a franquia se orgulha de trabalhar sempre com desconhecidos, afinal sai mais barato e dá para desenvolver sempre novos atores e personagens dentro da ideologia da história, mas dessa vez parece que esqueceram de dizer para os atores que eles deveriam aparentar medo frente ao desconhecido, e a cada nova cena, os personagens estão mais curiosos do que com medo de algo, claro que fogem e se assustam junto com o público, mas a câmera na mão do rapaz quase é capaz de cumprimentar o fantasma e fazer um talk-show com ele antes de correr. Então Chris J. Murray pode voltar a trabalhar como dublador de jogos de videogame que vai se sair bem melhor do que as poucas expressões que fez em todo o longa. A única pessoa que deu algumas boas entonações para seu texto foi a garotinha Ivy George que trabalhou bem sua Leila, e certamente mais para frente quando souber mesmo o estilo de filme que trabalhou terá sérios problemas psicológicos. E claro que as jovens Chloe Csengery e Jessica Tyler Brown irão indicar sua psiquiatra para ela, afinal já sendo o terceiro filme que fazem as jovens Kristi e Katie, já se tornaram garotas fantasmas na vida real também. Dos demais é melhor nem comentar.

A casa dessa vez foi até bem escolhida, mas teve pouquíssima participação no contexto geral da trama, se é que temos algum contexto! O estilo de usar o tão famoso VHS como captura de imagens fantasmagóricas foi bem pensado, afinal quem já viu um filme nas fitas sabe bem que davam alguns fantasmas na imagem, e com regulagens estranhas o resultado era bem estranho mesmo. E junto disso souberam trabalhar bem os elementos que acabaram voando, ou seja, a arte até que trabalhou em prol do longa. A fotografia claro, como todo bom terror, desligou as luzes em quase toda a trama, para que o susto ocorresse, e junto de diversas câmeras com regulagens bem diferentes, o resultado ficou bacana de ver, claro que isso é erradíssimo, mas valeu a intenção. Agora se você vai pagar para ver o filme com menor história dos últimos anos, pague direito e vá conferir em 3D, afinal mesmo tendo bem poucas cenas que o óculos se faz necessário (mesmo tenso sido filmado quase que na integralidade com câmeras 3D), nessas cenas o resultado é bem bacana de ver, e finalmente a tecnologia serviu para o que tanto o público desejava: ver coisas voando em sua direção, assustando por pegar de forma desprevenida, ou seja, volto a repetir a ideia do parque de diversões, e nesse sentido o longa vale a pena.

Enfim, é o pior filme da franquia como história desenvolvida e principalmente na tentativa de causar medo, pois nem uma arrepiadinha ele conseguiu atingir, mas certamente assustar em momentos inesperados o longa consegue trabalhar e bem, ou seja, dá para ficar como um serviço cumprido. Só recomendo ele para aqueles que estiverem muito curiosos para ver o resultado do 3D e tirar sarro dos amigos que irão pular da poltrona com coisas sendo arremessadas, pois do contrário, tem muitos outros filmes melhores passando. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda tenho muitas outras estreias para conferir, então abraços e até breve.


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Ponte dos Espiões (Bridge of Spies)

10/23/2015 02:37:00 AM |

Que Spielberg é aficionado por guerras, isso praticamente todo mundo sabe, e também sabemos que ultimamente ao dirigir filmes tem optado preferencialmente por temas mais politizados, aonde os diálogos predominem frente às explosões, que são mais comuns nos longas que produz de outros diretores, pois desse modo consegue trabalhar mais com seus atores prediletos de uma maneira mais centrada e clássica, como gosta de aparecer em frente dos holofotes. E com "Ponte dos Espiões", ele conseguiu o feito de uma maneira bem mais harmoniosa que seus dois últimos filmes "Lincoln" e "Cavalo de Guerra", pois ao não ficar tão preso à patriotagem americana, o resultado do filme se volta à boa atuação de Tom Hanks, que entregou todas suas expressões à exaustão de um advogado de seguros que virou negociador governamental, e pasmem, o longa é baseado em fatos reais, ou seja, as negociações, os personagens e muita coisa presente no longa existiu realmente. Porém, assim como todo longa clássico do diretor, faltou um pouco mais de dinâmica, e quem não for realmente fã de dramas de espionagem sem quase nenhuma ação, certamente irá dormir nas salas do cinema.

O longa nos mostra que em plena Guerra Fria, o advogado especializado em seguros James Donovan aceita uma tarefa muito diferente do seu trabalho habitual: defender Rudolf Abel, um espião soviético capturado pelos americanos. Mesmo sem ter experiência nesta área legal, Donovan torna-se uma peça central das negociações entre os Estados Unidos e a União Soviética ao ser enviado a Berlim para negociar a troca de Abel por um prisioneiro americano, capturado pelos inimigos.

O roteiro de Matt Charman junto dos Irmãos Joel e Ethan Coen foi bem trabalhado para desenvolver a história principal do advogado ao ser convocado para defender alguém que ninguém desejava, afinal era um "inimigo" do país em plena Guerra e ao mesmo tempo contar rapidamente toda a situação dos demais personagens mais jovens que foram moedas de troca na guerra mais negociada do que batalhada dos anos 60. Porém é notável que cortaram tantas cenas dos dois jovens que acabou parecendo que eles simplesmente foram capturados e no estilo de vamos salvar eles, o personagem de Hanks se comove e quer de qualquer maneira isso, não colocando nada muito mais intenso para que comovêssemos por eles, de modo que ficamos mais conectados com o velhinho soviético do que com os reais "mocinhos" da história. Claro que isso é algo que Spielberg como diretor tem de defeito também, pois ao escolher determinado ator para o personagem, ele ataca com unhas e dentes a câmera para o ator, e adeus todo restante, então acredito que se um dia fizerem uma versão com menos cortes, talvez isso possa estar mais presente. Mas dessa maneira, felizmente não forçaram tanto a barra com patriotismo e a vertente de todos os ângulos acaba sendo criado na conexão advogado contratado pelo estado e cliente que já está lascado mesmo e qualquer ajuda é válida, e nesse contexto, o diretor soube tirar ótimos momentos de conversas entre os protagonistas e principalmente trabalhar pequenos ambientes para causar todos os sentimentos necessários para que o público também entrasse no clima da cena, e assim sendo, o resultado de muitas cenas foram incríveis tanto nos EUA, quanto em Berlim quando entram outros personagens fortes. E assim, posso dizer que talvez lembrem do diretor nas premiações, afinal cara de filme premiado tem.

No conceito das atuações, temos muitos bons atores fazendo papéis picados e envolventes, e falar um pouco de cada um seria até criminoso, pois o que vale mesmo deles é o personagem em si, e não o ator, mas claro que os principais tiveram o destaque merecido, e dessa maneira vamos falar um pouco deles. Tom Hanks sempre vai ser aquele ator clássico que já vamos ao cinema sabendo bem o que esperar dele, ou seja, uma atuação com muita expressão, dinâmica nas cenas que forem preciso, e claro, um texto feito para que em sua boca seja o mais convincente possível, e aqui tudo foi na medida para que seu James Donovan ficasse com a sua cara, de modo que não queremos nem saber quem foi o cara, mas vemos Hanks fazendo algum personagem marcante que temos de acompanhar bem e pronto. Em compensação, Mark Rylance deu uma personalidade para seu Abel que diversas cenas acabaram tão incríveis que logo de cara ficamos pensando quem seria esse ator, pois tudo ficou minucioso, claro e envolvente para que o público o defenda também e torça por bons momentos seus, e isso são raros atores que conseguem trabalhar, então já certamente iremos caçar mais filmes dele e ver se o cara é bom mesmo, ou aqui Spielberg o fez crescer. Amy Ryan caiu bem para o personagem da esposa de Donovan e embora faça muitas caras de assustada, suas cenas finais foram incríveis no contexto expressivo, e comovem bastante para todos que acompanharam a história a fundo. Os demais como disse acima, tiveram uma participação bem menor, mas sempre que estavam em cena Alan Alda como Juiz Thomas e Sebastian Koch como Vogel, o desenvolvimento da trama ficava bem interessante e cheio de discussões bem encaixadas. Como falei também, infelizmente Will Rogers como Pryor e Austin Stowell como Powers ficaram bem em segundo plano, então suas atuações até foram condizentes com os personagens, mas não puderam mostrar nada além de três cenas cada um, o que é um crime monstruoso principalmente para com Stowell, afinal a história biográfica que existe é em cima do que aconteceu com Powers, sendo o restante encaixado na trama e não o inverso, ou seja, adaptaram bem tudo para que o personagem quase sumisse.

No conceito cênico do filme, claro que Spielberg não deixaria por menos e o resultado que cobrou de sua equipe artística foi gigantesco, e a Berlim devastada tanto pelo frio quanto pela Guerra e a divisão do muro foi tão precisa que chega a impressionar, mesmo que com poucas cenas externas, afinal o custo aumentaria demais para representar tudo visualmente, mas quando foram trabalhados os planos que necessitavam mostrar ambiência, o resultado foi muito bonito de acompanhar. Talvez um defeito da equipe de arte tenha sido em relação ao visual de ternos de época, pois ficaram atuais demais em diversas cenas, o que não podemos dizer que naquela época os ternos não eram tão bem feitos, mas em alguns momentos isso ficou chamativo demais, e talvez pudessem ter dado uns tons mais antigos que agradaria mais. Já disse isso várias vezes aqui no site e volto a repetir, a fotografia em cenas de neve é algo que não existe nada mais lindo de ver, e quando acertam a mão para que o contexto todo se encaixe ao redor da iluminação que o branco incorpora, o resultado acaba ficando incrível de ver, e aqui cada cena foi pensada para trabalhar com muita vida tudo na tela, mas mesmo contando com esse artifício, a cena mais trabalhada de sentidos da fotografia certamente é a da cadeia aonde a luz estourando pela janela, com a sombra do personagem de Hanks se destacando como se tivesse a grande ideia foi uma sacada muito bem usada.

Enfim, que é um ótimo filme, isso sem dúvida alguma posso dizer, mas que poderia ser muito melhor se tivessem colocado mais dinâmica nos personagens "menores" e nos contasse um pouco de sua história também para tudo ficar mais vivo. É um drama bem trabalhado nos diálogos que quem gosta do estilo vai sair bem contente com tudo que é apresentado, mas quem gosta de longas com mais ação, certamente irá dar umas cochiladas se for ver o filme muito tarde. Dessa maneira, é um longa que recomendo somente para quem gosta mesmo desse estilo mais denso de Spielberg, pois senão a chance de reclamar de tudo o que é mostrado é alta. Bem pessoal, fico por aqui agora, mas nessa semana até que apareceu uma boa quantidade de estreias, então volto em breve com mais textos, deixo meus abraços e até breve por enquanto.


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