After

4/11/2019 12:55:00 AM |

Sempre que leio nos pôsters e trailers o texto, "baseado no best-seller que se tornou um fenômeno" fico pensando como eu nem sequer vi nada desse livro na vida, pois alguns até passam notícias e tudo mais, mas alguns sequer ouvir falar ouvimos por aí, e após ver o trailer de "After" fui dar uma pesquisada sobre o livro e tudo mais, e logo concluí (claro de forma bem preconceituosa!) que era um misto de "50 Tons de Cinza" com "Crepúsculo", mas que não teria nem pancadaria hard sex, nem vampiros e lobos, ficando no meio do caminho de ambos, ou seja, imagine a vontade ultra top irônica que fiquei de conferir o longa, aí me notificam que foi aberta pré-venda com quase um mês de antecedência, fiquei pensativo, mas ainda relutei, e eis que cá está o Coelho na pré-estreia do filme, afinal tenho de ajudar o pessoal que está afim de ver, mas assim como eu, não sabia nem do que se tratava do longa, e com o trailer não se empolgou muito. E posso dizer agora que é um filme bacana de conferir, que claro tem uma temática bem teen, mais puxada para algo mais quente, mas sem exageros gritantes, e que embora pareça um pouco alongado (o que me fez pensar seriamente que por ser vários livros, iriam acabar bem na hora de algum conflito) consegue passar sua mensagem de uma maneira gostosa de conferir, principalmente pelo ritmo bem colocado, e claro, pela excelente trilha sonora (que até o momento dessa publicação não tinham soltado online para divulgar... sniff sniff!). Ou seja, uma fanfic envolvendo Harry Styles do One Direction, que acabou virando um livro sucesso de vendas, agora virou um longa bem moldado que dependendo das bilheterias pode vir a ser lançado os outros quatro livros da série, e assim, entrar dentro de um filão que está meio sem representantes atualmente, o de romances ficcionais para adolescentes, e adultos que se acham adolescentes.

A sinopse nos conta que Tessa Young é uma jovem de 18 anos que acaba de ingressar na faculdade. De roupas recatadas e bastante ingênua, ela é apresentada ao mundo das festas através de sua colega de quarto, Steph, bem mais liberal. Logo conhece Hardin, um jovem rebelde que renega o amor, apesar de ter lido os principais romances sobre o tema. Aos poucos os dois se aproximam, iniciando uma ardente paixão.

Gosto de ver quando diretores estreantes conseguem trabalhar muitos ângulos, encontrar sínteses bem colocadas e fazer funcionar algo que aparentemente não seria daquela forma, e a jovem Jenny Cage pegou o roteiro adaptado por Susan McMartin em cima do livro de Anna Todd, e entregou quase que páginas detalhadas na telona, que mesmo quem não tiver lido a trama irá sentir as páginas na tela, mostrando detalhes cênicos, envolvendo o público com nuances visuais bem encaixadas, e sabendo exatamente onde ir segurando o seu filme, de modo que tudo parece ser até alongado demais, com situações que facilmente outros eliminariam, outras reduziriam, mas que para valorizar o que ela provavelmente leu, e quis passar para os fãs do livro, optou por deixar em seu filme. Em momento algum defenderia o longa como algo poético e clássico que valeria você parar de ler meu texto aqui e correr para a sessão mais próxima, pois o conteúdo em si da trama é bem bobinho, com enfatizações clássicas das jovens apaixonadas em sua primeira vez, caindo de amores pelo rapaz completamente contrário da protagonista, mas que por ser simples no que desejava transmitir, o resultado agrada, e funciona bem, ou seja, quem for conferir mesmo sem ser fã da obra até irá gostar do longa, e sendo assim, talvez até vejamos as demais continuações na telona, basta os produtores desejarem ir a fundo, e claro os contratos serem assinados, pois com um começo/meio/fim bem colocado, aqui caso não continuem, já se fechou. E para aqueles que achavam que pelo livro se encaixar no gênero romance erótico, aqui foram bem leves nas cenas, entregando algumas sutilezas mais quentes, mas que não assustam ninguém.

Sobre as atuações, diria que embora seja um elenco bem novo, que fez pouquíssimos filmes, praticamente chamaram a responsabilidade para si, e demonstraram atitudes bem colocadas na trama, de modo que por não ter lido o livro posso até estar errado, mas diria que todos caíram muito bem para os personagens. Josephine Langford deu um ar bem tradicionalista para sua Tessa, criando situações simples, de olhares encaixados, e que não forçando chamar atenção a atriz se entregou para a personagem, mostrando simplicidade, mas agradando com o que fazia em cena, além de deixarem Selma Blair loira e completamente parecida para fazes o papel de sua mãe. Hero Fiennes Tiffin pontuou seu sotaque britânico num nível fortíssimo para a trama, e com muita pegada, trejeitos imponentes, e atitude na medida certa conseguiu causar com seu Hardin, sabendo bem encontrar a câmera ao seu favor, marcando cada momento e se ajustando a cada cena para que o filme não ficasse tão forte para o personagem, embora aparente ser problemático em níveis altíssimos, ele conseguiu enganar bem, e isso é algo que o ator provavelmente mudou do livro pelo que falam, ou que foi deixado para um segundo filme. Quanto aos demais personagens, poderia dizer que todos foram bem, tendo leves destaques para algumas cenas soltas de Shane Paul McGhie com seu Landon, que parece ser mais importante no livro também, mas que aqui apareceu pouco, e claro para os trejeitos meio bobinhos demais de Dylan Arnold com seu Noah, que foi singelo, mas sem chamar muita atenção.

Um ponto bem bacana que todo romance deve sabem utilizar é a cenografia ao seu favor, e aqui usando o campus bem charmoso da faculdade, uma casa com ares clássicos, um lago belíssimo e claro os diversos clichês de cenas embaixo de chuva, projeções visuais, cenas no escurinho e tudo mais, fez com que a equipe brincasse nos momentos mais descontraídos e entregasse também cenas densas, o que fez do longa algo tradicional e bem vivenciado. Quanto da fotografia, os ângulos escolhidos para brincar com luzes do sol, luzes artificiais, e tudo mais para dar sombras nas cenas românticas foi algo de olhar e se encantar, mostrando um serviço de primeira linha da equipe.

Como disse no começo, um dos pontos mais sensacionais e que já faz valer o ingresso, ou quem conseguir a trilha completa para ouvir já se deleitar, foram as escolhas musicais da trama, que de uma primeira linha incrível conseguiu dar ritmo, envolver, e claro fazer com que ficássemos cantarolando as canções em nossas pernas e cabeças, pois tudo foi muito bem encontrado para cada ato. Infelizmente ainda não divulgaram a trilha completa online, acredito que por não ter sido lançado o filme nos cinemas mundialmente, sendo somente nessa sexta, mas assim que lançarem, volto com o link.

Enfim, confesso que fui pronto para vir aqui atirar diversas pedras na produção, pois o trailer não me chamou atenção, a história menos ainda, e tudo me remetia a algo bem fraco, mas que acabou dando um resultado bacana, divertindo na medida, e sem ser exageradamente forçado acaba funcionando para o público alvo. Claro que passa bem longe de virar um clássico, ou de ser daqueles que vamos rever diversas vezes, mas também passa bem longe de ser uma bomba, e assim sendo vale a conferida. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Milagre

4/08/2019 11:28:00 PM |

Basicamente o documentário mais raso que já vi em minha vida! Essa pode ser a melhor definição de "Milagre", aonde através das teorias malucas formatadas pelo filósofo Olavo de Carvalho, juntamente com seus seguidores tentando expor que tudo na vida pode ser considerado um milagre, e justificando que a ciência estuda apenas parte dos fatos, não justificando cada ato em si, mas sim apenas uma parte, o resultado passa a ser justificável, e mereceria ter um motivo (no caso algo miraculoso) de acontecer se analisado a história completa de tudo acontecer, e que sem bases não teriam como chegar a uma prova física e/ou material. Ou seja, um longa bem arbitrário, que entrega tantas informações que como uma senhora que estava atrás de mim afirmou, somente lendo tudo o que foi falado para talvez concordar com algo dali, mas a falação contínua, com uma música de fundo alta, e imagens aleatórias flutuantes cansam tanto, que não tem como acreditar em nada ali, e como profundo defensor da ciência, não consigo sequer pensar num filme mais absurdo possível, pois até acredito em milagres, já vi muita coisa estranha acontecer, mas da forma irreal entregue aqui como uma verdade absoluta, não tem condições. Ou seja, um filme fraco de conteúdo, que com uma forma fraca e cansativa não consegue levar nada a lugar algum.

A sinopse nos conta que apesar dos milagres serem o elemento central da fé cristã, atualmente, são poucos os que se propõem a adentrar o tema. Através de conversas com pensadores como Olavo de Carvalho, Raphael de Paola e Wolfgang Smith, o diretor Mauro Ventura inicia uma investigação filosófica acerca desse fenômeno, com o objetivo de dissecá-lo de forma profunda e desvendar os seus enigmas para a contemporaneidade.

Bem, olhando agora a filmografia do diretor Mauro Ventura consigo entender sua fixação por Olavo de Carvalho, tendo praticamente a vida toda fazendo documentários embasados na obra do filósofo moderno, e assim podemos dizer facilmente que mesmo seu documentário não entregando nada que faça o público comum acreditar no que diz, afinal o longa foi feito somente para pessoas que acreditam nas teorias olavistas, ele fez com base no que acredita, e sendo assim o resultado para ele, e talvez para o público-alvo funcione.

Agora analisando a forma técnica, diria que o maior erro da trama é cansar o público, pois é somente composto por três entrevistados falando de forma calma e cansativa para uma câmera centralizada, a qual provavelmente está o entrevistador na frente, canções ainda mais cansativas espectrais que praticamente nos embalam, e imagens aleatórias de igrejas, imagens santas, paisagens, entre outras voando com as pessoas e as músicas rolando, ou seja, quase uma apresentação de powerpoint motivacional que fazem nas empresas, e sendo assim, o trabalho feito pela edição beira o amadorismo puro.

Enfim, uma obra que não vale o tempo perdido na sala do cinema, ao menos para quem acredita em qualquer fato científico que já foi comprovado até mesmo numa aula de ciências básicas, e que talvez lendo tudo o que foi dito até dê para acreditar em uma ou duas teses principalmente de Wolfgang, mas dos demais, é abusar de nossa inteligência. E sendo assim, peço que economizem para filmes melhores que virão, pois é jogar dinheiro fora vendo esse documentário. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, não vou me alongar falando de algo que não tem como, mas volto na quarta já falando das estreias da próxima semana, então abraços e até logo mais.

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Quando Margot Encontra Margot (La Belle et la Belle) (When Margaux Meets Margaux)

4/08/2019 01:30:00 AM |

Quando falamos de viagens temporais sempre ficamos pensando: "o que mudaríamos em nossa vida caso isso acontecesse?", e com isso, nosso pensamento fica viajando muito, mas e a famosa deixa, "e se estragar tudo?", pois bem, você não verá essa preocupação em "Quando Margot Encontra Margot", mas com muita sutileza no estilo, vértices bem moldados, e até mesmo uma sintonia entre as personagens tentando se complementar, a do presente tentando arrumar seus erros do passado, e a do passado tentando melhorar o humor da do presente, consegue nos levar para um ritmo tão gostoso pelo florescer das situações, que mesmo o enroscar das cenas de nada ir muito além no miolo acaba não incomodando, nem o fato de não termos conflitos e/ou explicações sobre o que levou acontecer esse encontro também chega a irritar, pois a essência abstrata e até artística demais da trama é bem facetada, pois quando estamos acostumados com filmes franceses, essa delícia inexplicável ocorre, e mesmo o filme aqui não sendo algo que vamos querer aplaudir, toda essa sutileza acontece, e ficamos encantados com as cenas finais bem ditas, charmosas, e cheias de efeito para com o resultado completo da trama.

O longa nos conta que Margot, 25 anos, tem uma vida despreocupada, pontuada por frequentes noitadas em Paris. Uma noite, durante uma festa, ela conhece outra Margot, 20 anos mais velha. Detalhes curiosos e grandes semelhanças fazem com que elas descubram que são a mesma pessoa em fases diferentes. Na manhã seguinte, no mesmo trem para Lyon, elas se deparam com Marc, o ex de uma delas, cujo charme desperta grande atração em ambas. Daí em diante, Margot e Margot acharão cada vez mais difícil se desligar uma da outra e também de Marc. Como seria reencontrar o seu próprio eu? Isto é o que Margot e Margot irão descobrir.

A diretora e roteirista Sophie Fillières nos entrega uma trama tão descontraída e solta, que a todo momento ficamos imaginando aonde ela deseja chegar, pois não vemos nenhuma das personagens preocupadas em ser elas mesmas em épocas diferentes, e isso é algo tão incomum em longas de viagem no tempo, que ao fugir do tradicional a diretora consegue permear algo completamente seu, e isso é algo que sempre pedimos para ver, mas que quando acontece, achamos estranho. A síntese da ideia proposta é bacana, a de não mudar suas vidas, mas ainda assim influenciar, e a sacada só é vista na penúltima cena do longa, que por sinal se sucede com uma que pensamos até ter uma terceira reviravolta pela pessoa que passa próximo das protagonistas, porém felizmente ela optou por apenas jogar no ar e não desenvolver isso, pois não precisaria já que sua trama foi sutilmente bem colocada e funcional. Ou seja, a diretora foi sagaz em escolher momentos leves e discutíveis para que sua trama fosse bem condensada, e embora muitos acabem achando o longa levemente calmo demais, o resultado para quem gosta de um bom longa francês, para aqueles que vivem nos festivais de cinema, certamente verão que o mote embora fantasioso, se entrega com uma precisão artística digna de festivais, e assim sendo, saímos felizes com o que ela entregou.

Não sei se faltou expressividade para Agathe Bonitzer ou se foi solicitado para que ela fizesse trejeitos meio que jogados para a Margot jovem, pois em alguns momentos chega a ser depressivo seus atos, e a atriz não procura empolgar nem mesmo nos momentos de festa, ou seja, sempre com um tom abaixo de cada ato, parecia não estar feliz com o papel, mas que acabou dando um estilo próprio para a personagem também. Já Sandrine Kiberlain já elogiei em outros festivais por saber conduzir suas expressões, e aqui com a Margot mais vivida, a atriz também trouxe ares melancólicos, mas soube dosar certos atos para que parecesse mais conformada com sua vida, criando vértices mais próximos de alguém comum, e não tão depressiva como sua versão jovem, ou seja, trabalhou olhares, e soube agradar sem chamar muita atenção. Agora mesmo sendo elemento de conexão, quem teve um bom destaque foi Melvil Poupaud com seu Marc, de modo que o ator inicialmente até aparenta perdido em meio das duas mulheres tão parecidas, mas com o desenrolar da trama, o personagem se verte para algo mais envolvente, com brilho nos olhos, e o resultado acaba mostrando que o ator soube se entregar para o personagem, o que agrada bastante.

No conceito cênico, a trama encontrou a beleza do inverno nas cidades francesas, brincando com o frio, com a neve, e claro com o calor/frio dos personagens, de modo que mais do que o cenário em si funcionando para com o filme, cada momento, cada elemento como a protagonista quebrando o gelo para conseguir encaixar uma comida em sua geladeira, a outra tomando leite com gelo, depois nadando no meio de um frio imenso, e tudo mais, faz com que a equipe artística tenha trabalhado o frio mais como um personagem da trama, do que um elemento que pudesse atrapalhar as filmagens, ou seja, um longa com poucas locações, mas todas bem preparadas para o andamento da trama, escolhendo bem os elementos, e claro, os momentos de filmagens.

Enfim, um filme simples, bonito, bem simpático, que consegue subverter o estilo de longas de viagem no tempo, mas que mesmo sendo o clássico bom filme francês, poderia sim ter entregue algo a mais, uma emoção a mais, um sentimento explícito, ou até alguma cena de quebra mais envolvente para que saíssemos apaixonados da sessão, ou chocados com algo, para que o filme fosse mais lembrado daqui a alguns anos, e não apenas nas próximas semanas. Mas ainda assim recomendo ele para quem gosta de um longa artístico bem trabalhado, pois o resultado é mais bonito do que a essência passada, e isso é raro de ver também. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, afinal essa semana está bem recheada, então abraços e até logo mais.

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Netflix - The Last Runway (Leal, Solo Hay Una Forma de Vivir)

4/07/2019 07:42:00 PM |

Existem alguns filmes que mais se parecem com séries do que com filmes realmente, e o longa paraguaio "The Last Runway" ou "Leal, Solo Hay Una Forma de Vivir" é um desses, pois foi trabalhado com situações divididas, diversos personagens espalhados com diversas funções, várias quebras em cima de um único desmanche (ou no caso, a descoberta de como quebrar um cartel), que se fosse dividido em uma série policial funcionaria até melhor, mas aí esse Coelho acabaria não vendo. Mas felizmente não digo que não funcionou como cinema também, pois tem uma história bem amarradinha, porém com estilo quase novelesco entre os personagens, mas se posso elogiar algo, falaria das ótimas transições de situações escolhidas, pois com imagens se sobrepondo, montando a trama completa, o resultado até passa como algo razoável de assistir. Ou seja, um filme bem produzido, mostrando que nossos vizinhos possuem estilo para fazer algo bem elaborado, mas que poderia ter uma história menos necessitada de personagens, que fariam algo mais centrado, e aí certamente o resultado seria melhor.

A sinopse em si é bem simples, e nos conta que um ex-coronel paraguaio forma um grupo paramilitar especial focado no combate ao narcotráfico para proteger as fronteiras de seu país.

O trabalho feito pelos diretores Rodrigo Salomón e Pietro Scappini foi algo de primeira linha no conjunto de uma obra de grande porte, criando cenas aéreas, diversas infiltrações em mata, e principalmente muita inteligencia envolvida para tentar desestruturar um cartel, mas faltou para eles um roteiro menos floreado, aonde tudo pudesse rolar sem precisar criar atos novelescos, como relacionamentos, conversas familiares, e tudo mais que disperse a trama sobre a polícia e o tráfico, mas isso é algo comum de vermos em filmes do estilo você deve falar, mas sempre se suprimido o resultado acaba soando bem melhor, e aqui seria outro filme trabalhando esses detalhes. Não digo que isso tenha atrapalhado o resultado final, pois ao final me vi sentado prestando bastante atenção de como iria acontecer o fechamento da trama, e claro que como uma grande produção, esperamos algo a mais do que o que apenas aconteceu.

Sobre as interpretações, assim como vemos nas novelas argentinas e mexicanas, tivemos personagens exagerados, mas diria que todos ao menos foram condizentes com os personagens que foram escolhidos, o problema como disse é do roteiro que quis criar histórias paralelas demais. Dessa forma vale destacar apenas Luis Aguirre como Gorostiaga pela imponência criada, Andrea Quattrocchi como Betty pela desenvoltura de uma policial que não quer apenas ficar na sua mesa sendo inteligente, mas também atacando o caminho, e Felix Alberto Medina Ortiz com seu Ibañez cheio de vértices como capitão da missão. Mas não deixaria de lado todos os policiais secundários que foram divertidos e bem colocados, mas que poderiam ter se destacado mais pela história do que pelas personalidades bobas suas. E quanto dos traficantes, melhor deixar quieto, pois foram exagerados e bobos demais, pois sabemos que esses costumam ser bem mais imponentes, e Bruno Sosa Bofinger como Dante só gritou, enquanto Gonzalo Vivanco apenas faz caras e bocas com seu Salcedo.

Agora já disse isso, e volto a frisar, que no conceito artístico a equipe deu um belo show de técnicas, trabalhou locações precisas, e criou bons vértices, entregando uma boa central da polícia investigativa, uma festa de casamento de pompa, e claro boas cenas no meio da floresta, aonde cada momento foi criado e desenvolvido com situações engraçadas e bem colocadas, mostrando até a seleção dos integrantes da operação de uma forma inusitada. Além disso a equipe de edição brincou bastante com movimentos ágeis, criando boas sobreposições e dando dinâmica para o filme.

Enfim, está bem longe de ser daqueles filmes que recomendaria com muita certeza, mas também passa bem longe de ser uma bomba completa, valendo para passar um tempo, e ver uma boa operação policial, mas certamente poderiam ter trabalhado mais o texto para não ficar tão novelesco. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Loja de Unicórnios (Unicorn Store)

4/07/2019 01:48:00 AM |

É engraçado que quando um filme muito maluco surge para conferirmos, ao acabarmos de ver ficamos com a sensação de "o que será que desejavam nos mostrar?", pois durante o filme "Loja de Unicórnios", fiquei imaginando ser algum tipo de trauma da garota, algum tipo de sonho, alguma metáfora que estão tentando passar, mas ao final vemos que apenas tentaram dar um tom brilhante para a sobreposição da maturidade das pessoas, colocando ideologias de que você deve acreditar no que deseja para conseguir, e coisas do tipo. Ou seja, um filme que tenta ser mágico para algo que não é mágico, e que talvez pudesse até fluir para outros rumos, mas que apenas instigou a ideologia, e jogou como algo entre a comédia e o drama, porém sem o brilhantismo que uma comédia dramática deveria entregar. Sendo assim, é um filme digamos bem mediano de atitudes, que mostra que Brie ainda precisa escolher melhor os projetos que deseja dirigir, senão a chance de estragar até as chances de atriz dramática ficará alta.

A sinopse nos conta que após fracassar na escola de artes e aceitar um emprego entediante num escritório, Kit finalmente tem a chance de realizar seu grande sonho: adotar um unicórnio.

Diria que Brie Larson até entregou uma direção consistente em sua estreia por trás das câmeras, mas já falei isso aqui diversas vezes, se você quer estrear na direção, não seja o protagonista do filme, pois geralmente acontecem muitos erros por alguma das partes, e aqui no caso nem foi tanto a culpa de Brie, mas sim do roteiro completamente maluco de Samantha McIntyre, que também em sua estreia com roteiros para longas, tentou criar um vértice de amadurecimento exagerado por situações que não fluíram como poderia, de modo que o filme ficou alegórico demais, para um final quase sem alegorias, ou seja, esperava ver realmente alguma metáfora mais brilhante para os unicórnios, ou para tudo o que estava acontecendo com a garota, mas ao optar por algo mais simples como o acreditar no potencial, ficou singelo e brilhante demais para uma estreia, e aí o tombo final na cara das pessoas que forem assistir será tarde demais para corrigir. Claro que Brie ainda acertará muito como diretora, pois mostrou que tem ritmo e sabe respirar bem os espaços cênicos, de modo que cada momento aqui era orquestrado com síntese, mas ao final, seu desespero de estreante pecou, e assim ficamos esperando algo maior, e não veio.

É engraçado que antes de Brie Larson ganhar o Oscar de Melhor Atriz em 2016, ela já tinha feito diversos longas e ninguém sequer tinha reparado nela, mas se analisarmos sua expressividade após "O Quarto de Jack", a atriz nos mostra quase sempre um estilo calmo, sem muitas desenvolturas expressivas, e olhares simples demais, o que não mostra ela como uma atriz impressionante, e mesmo agora estourando em "Capitã Marvel", ela se mantém quase da mesma forma, ou seja, é uma atriz simples, mas que tem dinâmica, e aqui sua Kit é bem colocada, entrega bons atos, mas não se desponta, o que é algo ruim de ver, mostrando que ao invés de crescer, ela anda se mantendo, ou seja, talvez se tivesse escolhido outra atriz para o papel seu longa seria bem diferente, e talvez ela teria se destacado melhor como diretora, ou vice-versa. Samuel L. Jackson poderia ter sido muito mais usado na trama com seu papel de Vendedor, mas apareceu pouco, sendo suficiente apenas para dar o tom colorido na trama, e desempenhar um papel ainda mais maluco na trama, criando situações inusitadas, e olhares bem despojados. Agora sem dúvida alguma o longa foi entregue para dois ótimos personagens, que um com muito carisma acabou chamando atenção como par romântico, e outro como chefe maluco soltou as falas mais estranhas possíveis, e nessa ordem temos Mamoudou Athie como Virgil e Hamish Linklater como Gary. Quanto aos demais, confesso que foram enfeites estranhos, tendo os pais e o vizinho um pouco mais de participação, mas nada que surpreendesse.

No contexto visual, temos um longa bem colorido de um lado, aonde vemos a desenvoltura mais infantil e sonhadora da protagonista, indo na loja de unicórnios, no seu quartinho no porão, e até na construção do celeiro para o animal, sempre remetendo a tudo o que já fez na vida, enquanto na vida séria tentando levar uma vida no escritório, e até mesmo no camping da família, temos cores secas, objetos menos chamativos, e tudo com um desenvolvimento sempre remetendo à protagonista, deixando quase de lado qualquer um que ficasse no caminho, ou seja, embora tenha chamado muita atenção, a equipe de arte não conseguiu ir muito além do que desejavam, e dessa forma o filme ficou um pouco preso.

Enfim, é um longa maluco, cheio de virtudes e boas sacadas, mas que se enrolou demais para o que desejava entregar, e no final acabou se perdendo um pouco, de modo que até poderia ter sido um daqueles filmes que ficamos impressionados com tudo o que acabamos vendo nas entrelinhas, de maneira bem subliminar, mas que não conseguiu ter um ápice, e o resultado soa fraco demais para algo que chamou tanta atenção pelas cores, e sendo assim é um daqueles que não tenho como recomendar, sendo apenas um passatempo dentro da plataforma da Netflix. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto logo mais com outros textos, então abraços e até breve.

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O Tradutor (Un Traductor)

4/06/2019 07:20:00 PM |

Alguns filmes conseguem nos entregar até mais do que apenas a história que foi desenvolvida, de modo que acabamos conhecendo um pouco da cultura de um país numa época, como eram os gostos, sentidos, e claro, o que acontecia em um dos principais momentos do Mundo moderno, de modo que praticamente viajamos pela História conhecendo ao menos um pouco através de um filme. Digo isso hoje, pois mesmo não sendo a base do longa "O Tradutor", os diretores conseguiram nos mostrar como acabou ficando a vida dos cubanos logo que o muro de Berlim caiu, e mudanças fortes acabaram rolando em cima dos países que apoiavam o Gorbatchov, e a síntese nesse quesito acaba sendo bem mostrada pela falta de combustível, de comida, da forma que as pessoas pagavam as coisas, das indicações diretas para que trabalhassem sem poder opinar, e tudo mais, mas claro funcionando isso bem em segundo plano, pois o mote principal do longa nos entrega maravilhosamente toda a síntese de uma pessoa que não é médica tendo que trabalhar para explicar para os pais, e principalmente para as crianças de outro país, o que está acontecendo com elas, e ainda claro ter de cuidar de sua vida também. Ou seja, um filme só, completamente artístico, mas que abre tantas facetas de discussão, que acabamos não só nos emocionando pela ideia em si, como também vivenciamos os momentos mostrados, agradando principalmente quem gosta do estilo de cinema artístico, pois quem for esperando algo comercial, irá sair levemente decepcionado.

O longa nos conta que trabalhando na Universidade de Havana, um professor de literatura russa é obrigado a trabalhar como tradutor para crianças vítimas do desastre nuclear de Chernobyl, quando elas são enviadas até Cuba para tratamento médico.

A sinopse em si é bem simples, assim como o filme dos irmãos Rodrigo e Sebastián Bariuso tentaram transparecer, ao contar a história de seu pai, e embora tenha descoberto essa informação apenas nos créditos, fica bem claro que havia algum familiar envolvido na formatação da trama, pois como o filme basicamente é sobre as crianças e familiares que estavam em um país sem saber falar a língua, sendo tratados por pessoas que não lhes entendiam também, e todos os conflitos possíveis que isso poderia ocorrer, ainda mais num país aonde a economia desabou durante o período em que se passa o longa, era impossível ter tanto foco na vida pessoal de um tradutor que trabalhou ali, em ficar mostrando a falta de atenção do pai para com o filho, e claro, também para com sua esposa, ou seja, os escritos no final foram apenas para dizer o óbvio, que alguém ali queria mostrar ao mesmo tempo como seu pai foi humano com outras crianças, mas que esqueceu de lhe cuidar. Porém tirando esse detalhe, os diretores e a roteirista Lindsay Gossling conseguiram criar um longa comovente, bem trabalhado, aonde vemos todo o sofrimento das crianças com os efeitos da radiação sendo submetidas a mais radiação, vemos Cuba sofrendo com falta de comida, energia, combustíveis, e claro vemos toda a essência do transparecer a linguagem, que conseguiram nos mostrar que mesmo não falando a mesma língua, a entonação que cada um via nas conversas passava geralmente mensagens diferentes, e isso é algo bem interessante de ver, e que foi conseguido pela equipe.

Quanto das atuações, podemos dizer que quando Rodrigo Santoro opta por fazer personagens dramáticos com uma simplicidade na forma de conduzir, ele não erra, e ainda consegue fazer com que o público grude os olhos em suas facetas, e torça por ele, de modo que seu Malin é tão impactante, tão cheio de vértices, que ficamos encantados com suas atitudes, medos e anseios, resultando em um personagem com uma história maior do que a passada no longa, e vivida com ênfase, mostrando que o ator se esforçou demais, aprendeu russo, e falando o filme inteiro nas duas línguas maravilhosamente, ainda acertou com a terceira língua, a expressiva, pois como disse acima, ele passou e muito as mensagens através dos olhares. A atriz argentina Maricel Álvarez também foi muito precisa nos sentimentos de sua enfermeira Gladyz, de modo que se passando sempre como durona nos momentos mais tensos, revelava-se aberta as emoções para as situações não vistas, e com muito envolvimento foi condensando os atos até entregar tudo bem fechado e coeso para que sua personagem tivesse um bom destaque. Yoandra Suárez deu emoções fortes para sua Isona, trabalhando bem como uma mãe quase deixada de lado pelo serviço do pai, e como certamente foi quem deu muito carinho para o filho, os diretores procuraram uma representatividade cheia de intenções para a atriz demonstrar na tela, e ela passou muito forte cada olhar para cada ato ser preciso. Dentre os demais, temos de parabenizar todas as crianças que foram incríveis nos sentimentos, não sei se realmente alguma era criança de hospital, que as vezes costumam pegar para ter uma nuance melhorada, mas sendo ou não todas sem exceção conseguiram emocionar demais, tendo destaque claro para Nikita Semenov como Alexi, e Genadijs Dolganovs que fez seu pai Vladimir.

No conceito cênico, outro show de bola da equipe de produção, e não por termos grandiosas escolhas cênicas, pois o primeiro hospital foi bem simples, o segundo mais cheio de luxos, mas a grande priori em mostrar veículos da época, os mercados com falta de comida, a faculdade ornamentada por fora, mas singela por dentro, os postos sem combustíveis, pessoas se ajudando para ir aos lugares, e claro dentro do hospital os leitos simples, mas com diversos médicos e enfermeiros prontos para tudo, deram um tom para a arte refletindo um trabalho incrível de pesquisa e funcionalidade, para que cada momento fosse subjetivo, mas cheio de impressões sem necessitar explicar nada, ou seja, riquíssimo de detalhes. A fotografia não quis exagerar em tons escuros, e mesmo sem apelações visuais, os tons deram representatividade cênica funcional para que cada ato tivesse seu peso, ou seja, simplicidade sempre em primeiro ato.

Enfim, um filme clássico de festivais, que certamente ainda pode levar alguns prêmios espalhados mundo afora, pois vale o conceito, a vivência e quem gostar de longas artísticos certamente sairá da sessão muito satisfeito com o que verá na telona, mas que por ser tão dessa forma, não agradará o outro público, que imaginará ser um filme mais sentimental, e não era essa a pegada da trama, o que decepcionará um pouco. Sendo assim, fica minha recomendação com leve tom de que poderiam ter trabalhado mais a situação das crianças e menos da família, mas aí o diretor não teria mostrado sua ideia, e sendo assim o filme ficaria completamente diferente. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Mussum - Um Filme do Cacildis

4/06/2019 01:20:00 AM |

Simplicidade, irreverência, alegria, e muito samba bom nas mãos com seu reco-reco. Se alguém perguntasse quais foram as qualidades de Antonio Carlos Bernardo Gomes, o Mussum, certamente essas seriam as palavras citadas em qualquer questionário, e hoje digo que servem também como adjetivo para qualificar o documentário "Mussum - Um Filme do Cacildis", que graciosamente consegue mostrar bem pouco material desconhecido do público que era fã de Mussum, pois a maioria sabia da fundação do Originais do Samba, da sua sedenta ambição pela Mangueira, e claro de suas virtudes como um excelente comediante, deixando apenas transparecer como muito das coisas aconteceram na trama, e entregando belas imagens de arquivo e alguns depoimentos emocionados de amigos e familiares, mas tudo com muita sutileza, e sem pesar o lado emocional para algo exagerado de homenagens, ou seja, o longa se encaixa em algo simples, porém bem efetivo como representativo para demonstrar o carisma e tudo o que ele fez durante sua vida, e consegue funcionar agradando sem soar cansativo.

A trajetória do humorista e sambista Antônio Carlos Bernardo Gomes, o "Mussum", é contada de diferentes ângulos. São reveladas facetas mais sérias da figura que foi eternizada no imaginário popular brasileiro por sua participação no programa "Os Trapalhões". Por trás de sua persona humorística e debochada, Antônio Carlos mantinha uma rotina de responsabilidades com sua família, projetos e compromissos.

Diria que o trabalho de pesquisa da equipe foi bem condizente, de modo que a diretora Susanna Lira conseguiu incorporar todo o carisma incrível que Mussum sempre teve para passar para a telona essa alegria contagiante, pontuando bons momentos de sua carreira, e claro sabendo usar a discussão em segundo plano do racismo que sempre existiu mesmo que de forma subliminar em cima dele, e claro de outros atores/cantores negros que tentavam despontar no mercado artístico nacional, ou seja, a todo momento vemos o narrador intensificar a força característica para marcar mesmo o filme com essa intensidade, mas felizmente o longa não se verte a isso, e o resultado mantém a trama num conceito melhor desenvolvido sobre o personagem, com boas comparações e sacadas com o peixe muçum. Mas também diria que talvez pudessem ter encontrado mais dinâmica em alguns atos, ou talvez mais depoimentos de amigos, para que o filme tivesse um fluxo melhor e mais interessante, mas ainda assim, o resultado do trabalho da diretora é sentido na tela.

O trabalho em si é bem sacado, encontra bons vértices nas imagens de arquivo, e encontra num formato estranho para entregar as entrevistas, de modo que tudo parece ser arquivo também, e intencionalmente deixa um ar meio que retrô para a trama, e isso em alguns momentos chega até cansar, mas felizmente com uma trilha sonora precisa e muito bem escolhida por Pretinho da Serrinha, o longa conseguiu segurar o ritmo, e junto com Os Originais do Samba nos envolver tanto que nos vemos batucando a cada nova canção, ou seja, um filme com muito ritmo.

Enfim, é um longa gostoso de acompanhar, mas que quem conhecia bem a vida de Mussum, não irá se surpreender com nada do que foi mostrado, nem conhecerá praticamente nada novo, mas que funciona de uma forma bem interessante, pois não soa apelativo em momento algum, mostrando o ícone que foi Mussum, e todas as superações que teve. Sendo assim, digo que vale a conferida, pois sem dúvida o ator era o mais divertido dos Trapalhões, e mesmo com todo o racismo em cima dele, foi guerreiro e entregou tudo com muita energia, e só por isso já vale a homenagem. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Suprema (On the Basis of Sex)

4/05/2019 01:46:00 AM |

É interessante que hoje vemos muitas pessoas falando em direito disso, direito daquilo, de que tal pessoa não possui direito de fazer tal coisa, e tudo mais, porém você já parou para pensar como era essa mesma situação há 10, 20, 50, 100 anos? Pois bem, essa discussão é algo que muitos advogados usam em suas defesas contra leis, mas e se falarmos de direitos diferenciados entre os gêneros, aí a briga cai mais embaixo, e então você merece conhecer um pouco da história de Ruth Ginsburg, que lutou e muito para que diversas leis que discriminavam direitos diferenciados entre homens e mulheres fossem mudadas com base em muita argumentação, e claro nas revoluções provocadas pela evolução da população, ou seja, lutando contra um mundo completamente machista, ela não só consegue nos emocionar com ótimos discursos, mas mostra que com um bom discurso pode mudar até o rumo de um filme morno, quanto mais o impacto na sociedade. Ou seja, um filme bem forte, que muitos irão se revoltar com tudo o que ocorre durante, mas que ao final saberão o quanto valeu todo o esforço tanto da personagem real, quanto da ótima protagonista escolhida para entregar o papel.

A trama nos mostra que Ruth Bader Ginsburg se formou em Direito nas instituições mais prestigiosas do país: Harvard e Columbia, sempre como primeira aluna de sua turma. Mesmo assim, ela enfrentou o machismo dos anos 1950 e 1960 quando tentou encontrar emprego, sendo recusada pelos principais escritórios de advocacia. Na função de professora, ela se especializou em direito relacionado ao gênero, decidindo atacar o Estado norte-americano para derrubar centenas de leis que permitem a discriminação às mulheres.

Diria que o efeito prático da importância da história é tão ou mais impactante que o filme desenvolvido pela diretora Mimi Leder, pois o longa nos entrega uma história que praticamente já esperamos um final, e sabendo disso, o desenrolar expressivo das atuações apenas nos mostram o quão importante é a forma convincente de se entregar um texto, e aqui com o roteiro feito pelo sobrinho da real Ruth, Daniel Stiepleman, em seu primeiro trabalho para os cinemas, a diretora soube encontrar ângulos para reforçar a força dessa mulher, e claro sua imponente persuasão, que retratada de uma forma errônea acabaria transformando ela em alguém mais falsa do que forte, mas que da maneira cheia de bons ângulos conseguiu ser trabalhada com emoção, e claro muito anseio por defender sua ideologia de que todos merecem ter seus direitos não importando a forma, mostrando isso desde quando foi uma das 9 primeiras alunas mulheres do curso de Direito de Harvard. Ou seja, é um longa bem dinâmico, com boas pegadas interpretativas, mas que em alguns momentos paramos para pensar que rumos vão tomar para conseguir nos mostrar suas ideias, e esse é um dos poucos problemas da trama, pois de resto é se impressionar com cada momento, e mesmo imaginando o final, torcer para ser impactante.

Sobre as interpretações, aparentemente Felicity Jones não era a escolha dos produtores para viver a protagonista, mas ao assumir o papel, a atriz fez trejeitos tão marcantes, e diálogos tão sequenciais sem respiros, que ficamos impressionados com sua Ruth, de modo que fica até difícil imaginar outra atriz no papel, e toda sua desenvoltura é tão bem colocada, que parece estar desde o começo tentando nos convencer não apenas de ter sido a melhor escolha, mas sendo responsável pela condução da trama, ou seja, envolveu desde o princípio chamando a responsabilidade para si, e acertou em cheio. Armie Hammer é muito alto, isso é um fato, e colocado ao lado da pequenina Felicity então, ficou parecendo um poste com seu Martin, mas esse é um mero detalhe perto da sua grandeza como marido e apoiador de todas as desenvolturas da personagem, de modo que o ator soube entregar olhares tão íntimos e bem colocados, que nos apaixonamos por tudo o que faz em cena, agradando demais em cada ato seu. Justin Theroux conseguiu chamar a atenção para seu Mel Wulf nas poucas cenas, mais pela insistência artística do que pelo personagem em si, e assim sendo raspa a trave de sumir, mesmo sendo um personagem importante. Cailee Spaeny foi bem interessante também com sua Jane, entregando uma ruptura casual entre mãe e filha, mostrando atitude e bons trejeitos, de modo que talvez um pouco mais para frente a atriz se seguir essa linha tenha grande futuro. Quanto aos demais, todos tiveram bons momentos, mas sem dúvida alguma o impacto do personagem de Sam Waterston como reitor da faculdade seja o mais forte de se lembrar, pois o ator pegou pesado no estilo, e funcionou para o que desejavam.

O conceito artístico da trama teve bons atos cênicos escolhendo locações mais fechadas para não precisar recriar tanto a cenografia da época, afinal o longa flui pelos anos 50 e 70, ou seja, se brincassem muito com cenas em ambientes abertos seria necessário muita computação gráfica, e esse não era o lema da produção, mas nos ambientes escolhidos conseguiram retratar bem figurinos, móveis e até ambientar bem os personagens para que esses focassem em estilos da época, o que acaba agradando bastante visualmente. Não digo que tenha sido algo primoroso nesse conceito, e que poderiam até ter ido mais a fundo em alguns objetos para realçar ainda mais o momento de revoltas e tudo mais, mas no que tentaram mostrar, acertaram bem.

Enfim, é um longa bem trabalhado, com uma total mensagem bem passada de mudança e imponência, mas que principalmente mostra a história de uma mulher e suas atitudes para mudar realmente as leis do país que tinham cunho diferenciado por gênero, e só com essa temática já se faz valer a recomendação, então vá e conheça um pouco mais dessa mulher forte e se impressione com uma boa produção artística, que até poderia ter trabalhado um pouco mais nas cenas finais e não se alongado tanto com o miolo, pois aí veríamos mais suas atitudes, e menos da sua vida pessoal, mas como bem sabemos, isso não seria funcional como cinema. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Shazam! em Imax 3D (Shazam!)

4/04/2019 02:19:00 AM |

Diria que todo começo de franquia é meio problemático, pois introduzir um personagem que poucos conhecem, um estilo de herói, um vilão, todos os elementos de conflito, e muito mais em um único filme, além claro de desenvolver e conseguir empolgar, é um trabalho que geralmente não costuma ser preciso na primeira tacada, e sendo assim, quem for esperando muito de "Shazam!" corre um grande risco de se decepcionar, pois o filme em si é meio que devagar de criatividade, apresentando muitas situações, explicando coisas tradicionais, e claro dando o seu recado no primeiro ato que dura bem mais que a metade do filme, para que após tudo bem encenado de quem é quem, e claro acontecer o inevitável de um longa de heróis, o filme parte para tudo ou nada, conseguindo empolgar e divertir com a interação maior de todos os personagens que já haviam aparecido, e o surgimento de novos e bem colocados personagens que valeriam até ter aparecido antes para chamar mais atenção. Ou seja, o filme está bem longe de ser incrível, mas também passa longe de ser ruim, funcionando bem como uma abertura para essa franquia, que aparentemente pelas cenas pós-crédito pode vir a encaixar bem com outros longas da DC.

O longa nos conta que Billy Batson tem apenas 14 anos de idade, mas recebeu de um antigo mago o dom de se transformar num super-herói adulto chamado Shazam. Ao gritar a palavra SHAZAM!, o adolescente se transforma nessa sua poderosa versão adulta para se divertir e testar suas habilidades. Contudo, ele precisa aprender a controlar seus poderes para enfrentar o malvado Dr. Thaddeus Sivana.

De forma alguma podemos culpar o diretor David F. Sandberg pelo longa ter esse formato mais lento e cadenciado no começo, pois fizeram de certa forma o trabalho de casa para alguém que almeja não apenas um filme, como talvez uma franquia maior envolvendo outros heróis e vilões da DC, e sendo assim, foi bacana ver toda a preparação do filme, o personagem conhecendo e apresentando seus poderes, e como o diretor possui uma pegada levemente sinistra após fazer dois grandes filmes de terror, ele deu um tom mais dramatizado e com uma pegada até forte para diversas cenas iniciais, o que pode fazer com que alguns até se assustem com o estilo, mas num segundo ato, ele nos reservou toda uma comicidade bem aventureira, cheia de grandes cenas explosivas, aonde os personagens do bem combatendo os do mal (que me desculpe, mas são muito feios e mal-feitos - de modo que poderiam ter caprichado mais nos monstrengos dos sete pecados capitais!!) acabaram sendo interessantes e melhoraram o longa em mais do que 100%, resultando num fechamento divertido e icônico para sobressair todo o começo arrastado. Ou seja, poderiam até ter feito algo mais cheio de sagacidade para que o longa fluísse rápido desde o começo, mas ir trabalhando aos poucos fez com que o público conhecesse um pouco mais de cada detalhe do personagem, e se envolvesse em sua saga, fazendo com que o final fosse melhor encarado.

As atuações tiveram charme, dinâmica e boas entonações por parte de todos os atores, que brincaram bem com seus personagens, e acabaram entregando um filme até solto demais, e diferentemente do que costumo fazer, vou primeiro falar do vilão vivido por Mark Strong, pois seu Thaddeus é bem meticuloso, cheio de impulsos que oscilam entre loucura e desespero, mas por vezes ficamos pensando mais no seu transtorno do que na sua vilania, e talvez pudessem ter dado para ele um tom mais forte, alguma cena mais dura, que aí sim mostraria um ar mais tenso nos trejeitos, que sempre portando óculos, ou olhando mais a fundo, o resultado foi um pouco abaixo do que poderia fazer. Asher Angel foi bem expressivo com os momentos de seu Billy Batson, de modo que o garoto tem seu mote paralelo ao do herói, e com boas facetas (algumas mais duras que outras), o garoto soube entregar suas cenas bem feitas, bem como boas entregas para cada vez que gritava a palavra mágica, criando assim uma boa conexão com seu vértice. E falando no vértice heroico, Zachary Levi foi uma escolha boa para dar um ar cômico para o personagem principal Shazam, de modo que suas cenas são todas sem exceção, icônicas, divertidas, e mesmo nas lutas, as funcionalidades de seus trejeitos, junto com o figurino exagerado acabou resultando em boas risadas. Jack Dylan Grazer chega a incomodar com todo o desespero técnico de conhecimento sobre heróis de seu Freddy, de modo que o jovem entrega bons atos com virtudes encaixadas na medida, mas alguns momentos acabam soando exagerados, e assim chega a incomodar até, mas era a ideia do filme, então foi válido, porém seu grande ato não acontece com o ator jovem, mas sim sua versão adulta interpretada por Adam Brody, aonde a diversão sai de controle, e agrada demais. Quanto aos demais, todas as crianças se deram muito bem em seus atos, desde a pequena Faithe Herman, passando por Ian Chen, Jovan Armand, e até mesmo a maiorzinha das crianças vivida por Grace Fulton como Mary entregaram bons momentos, mas sem dúvida quem teve um rápido destaque foi Djimon Hounsou como o Mago Shazam, pois fez bons trejeitos em poucos atos, chamando a trama para si.

Assim como todo bom longa de super-heróis, a trama possui boas escolhas cênicas, como a caverna aonde rola toda a magia, o colégio e a casa simples aonde os jovens estudam e passam seus momentos mais normais, e claro um parque de diversão bem colorido para que as cenas de luta funcionassem bem por ali, além dos grandes voos pela cidade, de modo que todo o figurino foi coeso (digamos um pouco exagerado nos enchimentos, mas como o personagem é daquela forma, vamos aceitar!), e que claro tivemos nas cenas de testes de poderes ótimas sacadas cômicas para divertir o público com bons elementos cênicos sendo usados. Agora não posso afirmar por não ter lido nenhuma HQ do personagem, mas fizeram uns monstros tão mal-feitos, cheio de esquisitices para os sete pecados capitais, que ou a grana acabou na composição cênica, ou sei lá o que queriam mostrar para o público, pois mereciam ter feito algo melhorzinho. E falando sobre a tecnologia computacional dos efeitos, contendo raios para todos os lados, e muitas coisas explodindo e quebrando, diria que foram bem funcionais nas cenas com a tecnologia 3D, pois para quem gosta de longas aonde jogam coisas para fora da tela, o resultado é bem divertido, e até em sentidos de profundidade o longa entrega boas cenas, sendo um bom encontro da técnica com a funcionalidade.

Enfim, está longe de ser daqueles filmes que vamos sair completamente empolgados de ver, mas também não decepciona, divertindo e funcionando como um bom início de franquia, que talvez num segundo ato agrade até mais por poder ir mais diretamente ao ponto. Sendo assim, recomendo ele mais para quem gosta bastante de filmes de super-heróis, pois quem for de fora desse meio certamente irá se incomodar com tudo, e ainda mais tendo um início bem lento, o resultado não vai conseguir segurar até o final. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Estrada Sem Lei (The Highwaymen)

3/31/2019 11:16:00 PM |

Ultimamente tem sido bem raro vermos bons filmes policiais, com uma pegada mais dramatizada do que apenas correrias e tiros, mas felizmente quando aparece, vem com força para ser lembrado e merece ser divulgado, o que não acabou acontecendo aqui, pois indo diretamente para o streaming, "Estrada Sem Lei" estreia na Netflix, mas mereceria facilmente diversas semanas em cartaz nos cinemas, pois é uma história bem trabalhada, com um desenvolvimento coerente e clássico do estilo, que até conhecemos o final por ser o lado policial da história de bandidos que vimos no clássico de 1967, mas que com ótimas atuações precisas acabam resultando em um filme cheio de vértices, com uma perseguição cheia de ótimos anseios, e que conforme vamos conhecendo mais a vida dos dois policiais, acabamos mais envoltos no seu cerne, sabendo que mesmo aposentados, estão ali dispostos a conseguir seu objetivo. Ou seja, um filme forte, bem montado, e que misturando dois estilos, o policial e o road-movie, conseguiram empolgar na medida certa para que não tirássemos os olhos da tela, esperando eles conseguirem moldar o tradicional gran-finale já conhecido.

O longa nos conta que Frank Hamer e Maney Gault eram dois policiais aposentados quando Bonnie e Clyde começam sua onda de assaltos e assassinatos. Porém, quando o FBI se mostra incapaz de capturar os bandidos, eles são recrutados como investigadores especiais para resolver o caso.

Se tem um diretor que domina bem a arte de passar boas histórias reais para a telona é John Lee Hancock, que após emocionar todos com "Um Sonho Possível", fazer com que víssemos um grande homem em "Walt Nos Bastidores de Mary Poppins", e nos deixar revoltados com "Fome de Poder", agora eis que ele resolveu os colocar em uma caçada forte aos bandidos mais famosos dos EUA, e contando com um roteiro cheio de desenvolturas como foi feito por John Fusco, o diretor só necessitou ir trabalhando sua caçada com bons elos, pausas dramáticas bem colocadas, criando situações clássicas de diversos estilos policiais, e que sempre a cada parada os dois fossem dialogando seus instintos, e mostrando as virtudes de digamos faro para crimes, mesmo que não estivessem em suas plenas formas. Ou seja, o longa se desenvolveu de uma forma tão condizente, que o diretor só precisou ir moldando o caminho, pois tudo foi sendo encontrado com precisão no roteiro, e as desventuras soaram no melhor clima policial possível, agradando tando quem curte o gênero por não ser apelativo, quanto quem desejava apenas um bom filme, afinal o resultado prende do começo ao fim, e isso já se faz valer a conferida.

Sobre as atuações, acertaram em cheio nas escolhas dos protagonistas, pois ambos possuem facetas expressivas marcantes clássicas dos rangers americanos, que eram durões, não aceitavam muitas regras, e em sua maioria já mais velhos costumavam ser incumbidos de caçarem foragidos realmente. Então dito dessa forma, Kevin Costner caiu como uma luva para Frank Hamer (e nas imagens ao final, mostrou que estava incrivelmente parecido com o verdadeiro), de modo que o ator foi coeso em movimentos, trabalho trejeitos fortes, e conseguindo seguir uma linha mais séria de personificação, deu ao seu personagem algo que se esperava completamente, incluindo o ato da última cena, que foi explicado um pouco antes numa conversa paralela. Da mesma maneira, Woody Harrelson consegue de uma forma descontraída entregar situações cômicas, mas bem preenchidas para com seu Maney, de modo que ficamos sempre esperando ele fazer algum tipo de cagada em cena, mas soube complementar a força de Hamer, com a destreza harmônica para que seu personagem agradasse bastante. Os demais personagens fazem em sua maioria rápidas participações, dando o tom para cada momento, cada policial das cidades por onde passam, e claro os famosos Bonnie e Clyde, mas sem dúvida o destaque fica a cargo de duas mulheres que apareceram pouco, mas fizeram suas poucas cenas incríveis, e foram Kathy Bates como a governadora Ma Ferguson, e Kim Dickens como Gladys, esposa de Hammer.

O visual do filme foi muito bem caracterizado, com boas cenas em meio aos campos, mostrando diversos acampamentos de pessoas devido a Grande Depressão da economia americana, com tendas espalhadas, pessoas sobrevivendo, casas com placas de vendas pelos bancos e tudo mais, e com figurinos bem imponentes dos policiais, e claro seus carros Ford velozes para perseguir os bandidos, ou seja, a equipe fez boas pesquisas e conseguiu encaixar tudo nos eixos para que o longa cheio de armas fortes ficasse visualmente perfeito para que o road-movie funcionasse também. Com tons bem puxados para o marrom e cinza para dar um ar de época para o longa policial, a fotografia somente saía desse tom para as cenas de mortes, aonde o sangue predominava em destaque, o que conseguiu chamar a atenção, ou seja, quase sem sombras o filme foi mais duro e intrigante.

Enfim, é um filme muito bom, que como disse no começo merecia até algum tempo passando nas telonas dos cinemas, pois com boas texturas, uma história bem forte, e claro ótimas atuações, o resultado agradaria bem quem não tem streaming em casa, mas para aqueles que possuem a Netflix, fica uma boa dica de recomendação para conferir. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: Só não dei uma nota maior para o filme pelo fato de o miolo ser um pouco alongado, afinal quiseram dar a impressão de uma perseguição bem longa, mas de resto o filme é perfeito.

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Happy Hour - Verdades e Consequências

3/31/2019 03:18:00 AM |

Quando você vê o pôster acima deve pensar se tratar de uma comédia bem interessante, cheia de boas sacadas e tudo mais, principalmente quando você não confere o trailer antes de ir assistir, mas eis que chega na sessão e o longa já começa numa tensão tão forte que pensamos até estar em sala errada, mas não, era o início de uma novela brasileira, misturada com um drama argentino, inserindo pitadas de literatura poética, que resolveram chamar de "Happy Hour - Verdades e Consequências", mais uma parceria entre Brasil e Argentina que acaba resultando em algo bem moldado, mas que enrola tanto na proposta que não conseguimos curtir como poderia, de modo que o filme até flui, mas vai tendo tantas tramas desconectadas, que quando vemos quase que surge mais personagens do que a novela das nove, ou seja, um longa até bem trabalhado dentro do mote de que contar um desejo para uma mulher pode virar uma bagunça imensa na vida de um homem, mas que também quando o vértice inverte, o humor acaba na mesma hora.

A sinopse nos conta que Horácio é um argentino que mora no Brasil há 15 anos com sua esposa Vera. Sua vida muda radicalmente quando por acidente, ele vira um herói instantâneo. Com essa reviravolta, ele decide dar voz aos seus desejos e propõem à Vera um relacionamento aberto. Enquanto Horácio lida com a fama repentina, Vera pensa na separação, mas sua candidatura à prefeitura a faz reavaliar: para ela nunca foi tão importante continuar casada com Horácio.

Em sua estreia como diretor de longas de ficção, Eduardo Albergaria teve em suas mãos atores de peso tanto em longas nacionais quanto nos longas argentinos, e que praticamente não necessitaria muito trabalho para que estes fizessem boas interpretações de seus papeis, porém com um roteiro escrito por diversas mãos, o resultado não dependeu das atitudes interpretativas, mas sim do conflito de histórias que acabam acontecendo quando tem esse modelo, pois geralmente um filme que tem muitas interferências acaba virando novela, e é exatamente o que acabou ocorrendo aqui, com histórias até bem arquitetadas pela alegoria poética que o protagonista entrega, juntamente com a ideia de um relacionamento aberto moderno, mas vertemos tanto para algo mais bagunçado, que o resultado infelizmente não empolga em momento algum, salvo algumas risadas pelas inversões de personalidade nos últimos atos quando a esposa alfineta o marido com a possibilidade da traição. Sendo assim, diria que Eduardo necessitará de um outro longa para empolgar, e falar que foi sua grandiosa estreia, pois nesse ficou devendo, e nem foi tanto por sua responsabilidade, apesar de que ele também assina o roteiro.

É engraçado que o longa contém ótimos atores, que já vimos em outros longas, mas que aqui parecem apenas flertar com a interpretação tradicional, deixando olhares de lado, e quase ditando seus diálogos para algo mais subjetivo e quase narrado, de modo que o filme quase nem dependa deles para funcionar. Sendo assim, Pablo Echarri consegue demonstrar com seu Horácio ao mesmo tempo o desespero do ataque midiático em cima dele, o desejo pela aluna atirada, e claro também o amor respeitoso pela esposa, mas sempre ficando atrás de ensaios narrados, ele acaba cansando o público com o que faz, o que não é gostoso de ver na telona. Letícia Sabatella fica ainda mais ocultada dentro da trama, de modo que sua Vera até se mostra imponente como uma deputada estadual, que acaba sendo forçada a uma candidatura a prefeita de uma maneira até engraçada, mas quando entra para o lado de casa, ela fica simples demais de atitudes, o que soa até estranho de ver, mas ainda assim consegue ser interessante de expressões. Uma das grandes sacadas expressivas ficou a cargo de Luciano Cáceres com seu Ricardo, pois até é visto rapidamente pelo espectador seus reais ensejos, mas o protagonista não enxerga isso, e claro que com essa desenvoltura nos panos secundários, o resultado acaba ficando bem colocado e agradável de ver seus trejeitos e bons momentos. Quanto aos personagens secundários, tivemos alguns leves pontos de destaque para Marcos Winter como o deputado completamente contrário a protagonista Othelo, mas que por interesses políticos vira candidato à vice dela, Chico Diaz também soou interessante como o organizador da campanha cheio de desenvolturas, e claro temos de pontuar toda a sedução que Aline Jones faz com sua Clara.

O lado artístico da trama também foi bem estranho, oscilando com cenas na câmara, com cenas em bares, praias, no apartamento dos protagonistas, mas sempre mostrando pessoas perdidas em frente de onde desejam ir, para mostrar o simples, que não enxergamos o que queremos mesmo estando na nossa frente, ou seja, até que com boas analogias, a trama se encaixa dentro de um vértice maior, mas sem muita ousadia, o resultado soa simples até de atitudes visuais.

Enfim, um filme mediano, que quem gosta de novelonas até pode achar interessante, mas que certamente não será algo que empolgará ninguém. Sendo assim, deixo a recomendação bem em segundo plano, apenas para aqueles que gostem do estilo, e desejam ver uma produção mista entre Brasil e Argentina. Bem é isso pessoal, fico por aqui encerrando a semana no cinema, mas logo mais volto com textos do streaming, então abraços e até logo mais.

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A Rebelião (Captive State)

3/30/2019 02:25:00 AM |

Tem filmes que nos fazem lembrar outros pelas conexões, situações, mas que quando deslancham sequer parecem ser ao menos um filme, e isso aconteceu aqui com "A Rebelião" que até possui um mote desenvolvido, lembrou um pouco "Falling Skies" pelo estilo, mas só poderia servir de base para algum tipo de início de série, algo como um capítulo alongado aonde mostrariam a dominação dos aliens no poder mundial, e consequentemente as revoltas de alguns do povo, sua montagem para destruir tudo, e por aí vai, como uma grande causa separatista como vemos em diversos países, pois o longa só fica nisso, sem algo a mais para entregar como história, sem um trabalho melhor encontrado, de modo que assistimos o filme inteiro, e saímos tão desapontados com essa "apresentação" de 109 minutos, que fiquei realmente com a impressão de que perdi alguma mensagem subliminar que teria na trama, mas vendo outros textos, realmente foi exatamente isso o que entendi, o que foi tentado passar, ou seja, é uma trama apenas para demonstrar uma causa, a revolta contra um poder maior, e as arquitetações para tentar conseguir essa derrubada. Mas que ainda vou esperar algum diretor maior dar a notícia de que a trama faz parte de algum outro filme, isso irei ficar esperando com certeza!!

O longa nos mostra que há dez anos a cidade de Chicago foi ocupada por uma força extraterrestre. Uma parcela da população vive com medo e outra vive fazendo ataques. Enquanto isso, alguns moradores sentem simpatia e vontade de se aproximarem dos alienígenas.

Como disse no último parágrafo, preciso descobrir algo a mais da produção, pois vindo de um diretor que fez uma brilhante história de origem como foi "Planeta dos Macacos: A Origem", Rupert Wyatt não jogaria um longa com tantos bons atores, interpretando personagens desconexos que não levam a lugar algum, e mesmo o final sendo impactante pelo complexo plano de fechamento ser algo maior do que o comum esperado, a trama é tão bagunçada que sem qualquer explicação mais plausível acaba acontecendo o que vi na sessão de várias pessoas indo embora na metade do filme, ou seja, com uma abertura bem trabalhada, cheia de textos e imagens de arquivo com líderes, passeatas, pessoas comemorando, pessoas lutando, e tudo mais, um miolo praticamente morto com envolvimentos estranhos acontecendo sem muita conexão, nem explicação, aonde tudo leva a uma conspiração maior, que soa frustrada, e um fechamento digamos explosivo e bem interessante, o filme se fosse melhor explicado, ou mostrado, acabaria sendo daqueles geniais que sairíamos da sessão com o queixo no chão, mas como nada disso ocorre, o resultado acaba deplorável de ruim.

Sobre as atuações, temos como cabeça (para não falar protagonista), John Goodman, o que me fez até pensar na franquia dos monstros gigantes (Godzilla, King Kong, etc) que está envolvido, e como ele aparece sempre meio que jogado na trama com seu Mulligan, até poderia surpreender no final com algo do estilo, mas não, apenas foi simples demais seu papel, embora protagonize alguns dos grandes momentos da trama. O jovem Ashton Sanders tinha tudo para que seu Gabriel fosse o protagonista master da trama, mas fechou demais a cara, e ficou estranho na maior parte, até sendo bem encaixado em alguns momentos, mas sem muita desenvoltura para agradar realmente, parecendo que ficou apenas correndo o longa inteiro. Jonathan Majors parecia ser o elo forte da trama com seu Rafe, mas sempre com cabeça baixa, atitudes estranhas, e uma sintonia aparentemente fora do eixo do filme, acabou ficando fraco demais para agradar, de modo que ficou até secundário demais. Agora gostaria de saber que enfeite Vera Farmiga foi fazer no longa com sua Jane Doe, pois sequer teve alguma cena com falas mais chamativas, apenas fazendo caras e bocas em umas três cenas, e nada mais para envolver o público, ou seja, fraquíssima, nem parecendo ser a atriz que muda os longas de terror que costuma fazer. Quanto aos demais, melhor nem falar então.

A equipe visual até conseguiu nos entregar alguns momentos bem tensos, mostrando a cidade bem sitiada, com muitas coisas destruídas, um ambiente bem escuro, e uma festa tradicionalmente americana, aonde se canta hino, tem todo o patriotismo, fanfarra e tudo mais, mas do lado de fora, mostrando os guetos vemos que nem tudo é dessa forma, e com poucos objetos, mas tudo bem colocado para demonstrar as cenas envolventes que aconteceria caso o longa fosse diferente de história. Quanto dos extraterrestres, fizeram um visual até que bem interessante, aonde vemos algo completamente disforme, com sons estranhos e que possuem claro uma única pretensão, a de dominar o mundo e seus recursos, mas foram tão pouco utilizados, que quase nem lembramos que eles estão no filme. A fotografia foi bem densa, cheia de tons escuros que conseguiram moldar a trama, mas o seu uso foi tão subjetivo quanto os atos dos personagens.

Enfim, um filme fraco demais para algum resultado mais chamativo, que não conseguiu chegar aonde desejavam, e o pior, que faz o público perder quase duas horas na sala de cinema para nada, mesmo tendo grandes atores para ao menos chamar a atenção. Sendo assim, com toda certeza não recomendo ele para ninguém, ainda mais tendo outros ótimos filmes em cartaz, então fica a dica para fugir desse. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Dumbo em Imax 3D (Dumbo)

3/29/2019 02:05:00 AM |

Ainda estou me perguntando se realmente estamos no ano 2019, pois esse ano tem tantas refilmagens da Disney estreando que por vezes acho que voltamos lá trás, e eis que surgiu o primeiro do ano com "Dumbo", o clássico do bonitinho elefantinho que emocionou muitos nos anos 40/50/60/70/80/90, e até hoje quem consegue ver o desenho ainda deixa escorrer algumas lágrimas, porém agora com uma versão moderna, cheia de efeitos, e claro com um tom completamente diferenciado, afinal, nada menos que o maluco do Tim Burton foi escolhido para recriar esse mundo fantasioso, e ele felizmente não exagerou no que acabou entregando, tendo bons momentos emocionantes, trabalhando bem a alegoria circense para que o filme tivesse diversão, movimento e envolvimento, e facilmente os efeitos colocados por ele, juntamente de cores mais duras resultaram em algo que nos faça remeter bem a infância, dando boas lições de separações, de enfrentamento dos medos, e até sabendo dosar atitudes de humanidade. E sendo assim, o diretor nem quis colocar toda sua maluquice à prova, e nem exagerou no tom dramático demais que muitos esperavam de sua parte, deixando a trama gostosa de ver, emocionando bem de leve (esperava lavar o cinema!), e ainda assim fazendo um filme com sua cara, ou seja, um resultado agradável de acompanhar.

O longa nos situa em 1919, Joplin, Estados Unidos. Holt Farrier é uma ex-estrela de circo que, ao retornar da Primeira Guerra Mundial, encontra seu mundo virado de cabeça para baixo. Além de perder um braço no front, sua esposa faleceu enquanto estava fora e ele agora precisa criar os dois filhos. Soma-se a isso o fato de ter perdido seu antigo posto no circo, sendo agora o encarregado em cuidar de uma elefanta que está prestes a parir. Quando o bebê nasce, todos ficam surpresos com o tamanho de suas orelhas, o que faz com que de início seja desprezado. Cabe então aos filhos de Holt a tarefa de cuidar do pequenino, até que eles descobrem que as imensas orelhas permitem que Dumbo voe.

A grande sacada de Tim Burton foi fazer um filme com sua pegada, mas sem colocar força nem loucura suficiente para destoar do clássico, de modo que embora tenha mudado muita coisa, a trama funciona da mesma forma, os símbolos ainda estão colocados, e tudo deslancha maravilhosamente sem cansar, e o mais surpreendente é que o roteiro também foi de alguém que sequer pensou em fazer uma animação, afinal Ehren Kruger é especialista em filmes de terror e de ação, e ainda assim conseguiu encontrar carisma suficiente para que seu roteiro tivesse alma. E falando em alma, a dupla foi incrível em decidir que os animais não falariam, e só transmitiriam seus sentimentos com olhares, como realmente acontece na vida real, e dessa forma todos foram coesos nos olhares, e o pequenino elefante foi tão mágico nos seus olhares, que nos vemos como ele encantados a cada ato de aprendizado com os elefantes bolhas pulando, quase chorando ao ver sua mãe partindo, e cheio de expectativas a cada movimento de voo, ou seja, algo muito sutil e belo de ver, que funcionou juntamente dentro do contexto que a trama pedia por completo. Claro que se esperava muito do longa, principalmente por ser um clássico, por ter um diretor impactante, e claro por tudo de mágico que a Disney costuma proporcionar, e assim sendo, as expectativas estavam até altas demais, mas diria que o filme funciona de maneira leve, não causando tanto como poderia, e assim, o resultado também soa leve, e talvez um pouco mais de atitude e emoção daria um tom mais emotivo para o longa.

Antes de falarmos dos humanos em cena, temos de pontuar para a computação gráfica que criou os elefantes mais perfeitos e incríveis possíveis, com um carisma fora do comum, dando para o pequenino toda a simpatia gostosa de ver que emociona e agrada demais, e além deles, tivemos cavalos treinados, cachorros, e até ratinhos bem colocados, que no original tinham uma participação maior, mas aqui desaparecem logo no começo. Dito isso, temos de dizer de cara que o estilo Tim Burton de colocar personagens caricatos e excêntricos permanece em alta, pois tivemos um Michael Keaton tão cheio de trejeitos com seu Vandevere, que até chegamos a pensar que Johnny Depp foi contratado para a produção, mas não, Keaton estava lá presente, cheio de estilo, e com boas dinâmicas fortes fez seu trabalho, mas certamente poderia ter sido mais imponente em alguns atos para funcionar como um vilão ainda mais maldoso na trama, e claro, odiarmos ele. Colin Farrel é daqueles atores que possuem uma certa imponência nos personagens que faz, e aqui seu Holt até parecia que seria mais forte pelo trailer, impactando mais sem um dos braços, mas acabou que ficou bem encontrado na simplicidade, e até chega a nos envolver em alguns momentos, mas nada que o colocasse como alguém bem importante para a trama. Já Eva Green deu uma personalidade forte para os momentos de sua Colette, conseguindo não só chamar atenção pela beleza da personagem montada para o show, como em trejeitos marcantes e bem desenvolvidos para chamar atenção. Danny DeVito veio simples e efetivo para o show com seu Max Medici, sendo divertido, empolgado e até bem encaixado para o papel, de modo que valeria um desenvolvimento maior de sua gestão como dono do circo, mas ao final, ele volta com grande tino. As crianças Nico Parker e Finley Hobbins deram emoção para os atos junto do elefantinho, e com muita sagacidade, seus Milly e Joe acabam emocionando com ares tristes na face, mas trabalhando bem a doçura no encantar secundário. Quanto aos demais, todos tiveram momentos rápidos no longa, mas sempre procurando ter ao menos um ato de destaque, o que é legal de ver em longas circenses, mas certamente a imponência de Alan Arkin em suas cenas mais fortes valem a olhada para acertar em cheio.

No conceito artístico, a trama encontrou boas locações para erguer a lona, encantando tanto pelo lado mágico do espetáculo em si, sob o teto mais simples do circo dos Medici, aonde tudo soava familiar, cheio de problemas, mas sempre um ajudando o outro, até o colorido mundo de Dreamland, aonde um parque cheio de atrações revolucionárias para a época chama a atenção, conseguindo não só colocar o ato do voo do elefantinho para o centro do palco, mas mostrando que a equipe quis entregar um serviço de composição indo além do necessário, conseguindo encantar pela magia gigantesca nos olhares, pelo espetáculo imenso, e tudo mais, de modo que as cores da fotografia acabam mudando de tom, que enquanto inicialmente tínhamos algo mais puxado para o sépia, cheio de serenidade, ao mudar de rumos, o filme vai para tons mais fortes, imponentes, que desenvolvem o algo a mais, e claro ao final o tom muda novamente para ares mais abertos, em locações abertas, e que chamará muita atenção. Além disso tudo, a computação gráfica conseguiu encantar a todos não só com os personagens criados, como também os shows dos elefantes de bolha de sabão, os efeitos do fogo destruindo tudo em mais do que uma cena, e claro muita desenvoltura cênica para todos os lados. Quanto do 3D, o longa possui bons momentos de voo, alguns elementos saindo para fora da tela, e até alguns atos simples de profundidade visual, aonde o campo de visão chega a brincar com a vertigem do público, o que é bem legal de acompanhar com os óculos, mas também não chega a ser um longa obrigatório de ver com a tecnologia.

O longa foi bem desenvolvido musicalmente também, com entonações leves e bem formatadas para dar ritmo, criando leves compassos fortes nos momentos mais tensos para que o filme fluísse com impacto no público, o que mostra um ar bem coeso dos compositores, mas principalmente foram espertos em usar bons acordes circenses para que o filme ficasse sempre na mesma cadência. Além disso, tivemos uma ótima canção tocada por duas bandas diferentes, o que chama atenção da sonoridade, e os momentos usados, e claro que deixo aqui o link, para todos curtirem.

Enfim, é uma trama gostosa de conferir, que vai emocionar alguns, divertir a maioria, e claro encantar de fofura pelo personagem principal, que juntamente de uma trama coesa e funcional acaba agradando de certa forma. Diria que é um longa que acerta bastante, mas que por estar com uma expectativa alta para o que acabariam entregando, ficou levemente abaixo do esperado, mas que ainda assim vale muito uma recomendação. Ou seja, vá, se divirta, se encante, e claro volte a infância para alguns que viram quando mais novos o desenho, ou entregue para suas crianças uma trama simples e bem feitinha. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais estreias, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Crazy Trips: Budapeste (Budapest)

3/27/2019 01:11:00 AM |

Imagine um filme com uma bagunça imensa, certamente você irá se conectar com "Se Beber, Não Case", e suas diversas derivações. E vendo o trailer de "Crazy Trips - Budapeste", você irá imaginar vendo a versão francesa dessa obra, porém aqui ao invés dos noivos indo passar sua despedida de solteiro, a ideia é mostrar a formação de uma empresa que organiza essas loucuras em Budapeste, aonde segundo o filme se pode fazer qualquer coisa, desde festas malucas até andar com um tanque atirando para todo lado, ou seja, um filme com um mote até funcional, mas que mais vira uma bagunça do que contém uma história didática em si, entregando um resultado não muito empolgante como roteiro, mas que como diversão livre agrada bastante pelas diversas possibilidades que os protagonistas encontram para divertir seu público alvo, no caso, os noivos. A trama flui bem, tem algumas reviravoltas com lições colocadas, mas como não estavam procurando isso para o filme, o longa quase se perde nas brigas familiares, ou seja, poderiam ter deixado isso de lado para que o filme ficasse somente nas loucuras, mas de certa forma, acabaria ficando exagerado se não tivesse as quebras.

A sinopse nos conta que cansados de seus trabalhos e de suas rotinas cansativas e monótonas, dois amigos colocam tudo a perder quando decidem viajar para a Hungria seguindo o sonho de se tornarem planejadores profissionais de grandes festas e despedidas de solteiro. No entanto, quanto mais eles se esforçam para serem bem sucedidos, mais acabam se metendo em furadas.

O diretor francês Xavier Gens que já fez longas de todos os gêneros possíveis, aqui resolveu brincar muito com seu filme, entregando todas as loucuras possíveis em cima do roteiro do protagonista Manu Payet e Simon Moutairou, de modo que o filme pelo que é dito no começo é baseado em uma história real de uma empresa francesa que leva malucos dispostos a fazer sua despedida de solteiro (ou EVG como é chamado no longa) em Budapeste, ou seja, realmente existiu algo nesse naipe (não sabemos com tanta loucura!) que até tem sentido para aqueles que desejam extrapolar nos últimos dias como solteiro, e diria que o acerto do diretor foi bem colocado, mas claro que ninguém quer entregar somente bagunças em festas, tiros e tudo mais, aí é que entrou o problema do filme, pois com algumas discussões meio que bobas entre os protagonistas e suas esposas, o que acaba soando até jogado demais na trama, resultando em algo perdido, ou seja, pode até parecer maluco o que vou falar, mas estou reclamando da tentativa de colocarem diálogos aonde o público desejava só bagunça, e sendo assim, o filme tentou ser algo maluco, e conseguiu, e só.

Não diria que os protagonistas interpretaram papeis, mas sim curtiram as loucuras, fazendo caras e bocas bem encaixas, de modo que Manu Payet com seu Vincent mais centrado, conseguiu explorar um pouco mais, teve situações mais contidas para seu papel, e demonstrou algumas atitudes mais empreendedoras, mesmo no meio do tumulto todo, dando bons cernes para cada ato seu. Em compensação Jonathan Cohen deixou que seu Arnaud fosse cheio de cenas gritadas, mostrando desventuras e mentiras sem parar, e com um ar mais louco chamou as cenas mais bizarras para si, e não desapontou. Mas se vamos falar de bizarrices, temos de apontar o louco master da equipe, que ficou a cargo de Monsieur Poulpe como Georgio, que se jogou no personagem fazendo de tudo o que se possa imaginar, e trabalhando diversos momentos cômicos para que o filme funcionasse. Quanto ao lado feminino, as esposas Alice Belaïde e Alix Poisson como Cécile e Audrey foram coesas em suas cenas, embora sejam as que faltaram trabalhar melhor o roteiro para que não ficassem tão jogadas, mas ainda assim, souberam trabalhar os olhares e não foram tão ruins.

Agora sem dúvida alguma o ponto alto do longa ficou a cargo da equipe artística que criou festas incríveis em boates insanas (pode até ser que em Budapeste tenha todas essas festas e eles apenas alugaram para fazer algumas filmagens, e isso tenha barateado o longa, mas como não conheço a cidade, vou imaginar que foram criativos!), trabalhou com figurinos repletos de detalhes para chamar a atenção, encontrou tanques, armas, carrões e tudo mais para dar um ar gigantesco para as cenas no campo, e claro desenvolveu os escritórios e hotéis com luxos para realçar tudo ainda mais, ou seja, um design cênico bem moldado para que o filme ficasse bem colorido, e cheio de intenções para que o público fique olhando ao redor, e esqueça da bagunça completa do roteiro, ou seja, a velha fórmula de encher a tela para que a história desapareça e ainda o público goste do resultado.

Enfim, é um longa que dá para curtir sem ter muita pretensão de ver uma história realmente, pois mesmo mostrando as ideias empreendedoras dos protagonistas (a cena dos cálculos é algo muito bem sacado e feito na medida!), a trama parte de algo que teria uma história para se desenvolver, e logo vira a loucura completa, o que não é algo funcional como cinema realmente, e sendo assim, vale a conferida somente se você quiser ver cenas bem malucas, afinal nesse quesito foram perfeitos, ou seja, é algo divertido de conferir na Netflix, que vale pela curtição e nada mais. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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