Infectados em 3D

12/05/2013 09:46:00 PM |

Sou totalmente favorável que os estúdios economizem em equipe, produção e tudo mais, desde que não perca a qualidade de um filme, mas alguns produtores levam a economia de custos muito a sério, transformando seus filmes em camelódromos, onde a réplica de algo original até parece bem feita, mas que ao olharmos a fundo é uma imensa bomba. Com essa premissa, "Infectados" foi concebido para ser algo bem parecido com "Alien, o Oitavo Passageiro", já que o diretor foi diretor de arte no famoso clássico, mas com um orçamento risível de 2 milhões de dólares canadenses, o máximo que chegou perto foi algumas fumacinhas saindo das salas, se aproximando um pouco de "Apollo 18", mas nem assim conseguiu ser uma réplica de nada, tendo um roteiro simples, cheio de elementos que exigiriam efeitos especiais, mas que soam capengas e além disso tentaram surrupiar os espectadores para que pagassem por um 3D inexistente, ou seja, uma legítima farsa xingling de má qualidade.

O filme nos mostra que quando uma chuva de meteoros atinge uma espaçonave, quatro astronautas perdem contato com as bases na Terra e ficam presos no espaço. Além deste grande problema, eles percebem que eventos sobrenaturais esperam por eles no universo.

Inicialmente o contexto da história até nos prende a atenção, mas com o desenrolar vai ficando tudo tão cheio de regrinhas, o "vilão" passa a resolver tudo sem propósito algum, os efeitos não colaboram com nada que começa a ser algo mais irritante do que angustiante, pelo fato de ser um suspense. Não que você não irá ficar tenso com a situação toda, mas começa a ficar tudo tão sem motivo de acontecer que parecem aqueles filmes feitos por mais de uma pessoa, que uma começou e a outra terminou sem ao menos ver o que o outro fez. Tudo bem que o diretor Roger Christian ficou 9 anos parados, mas vir com uma ficção futurista que envia uma expedição pra Lua, tendo seus protagonistas infectados por algo extraterrestre que exigiria no mínimo efeitos bem feitos com baixo orçamento, foi apelar demais para a consideração do espectador. E ainda assim, que relevássemos algumas questões sabendo do orçamento, nada justifica o excesso de comparações que dá para fazer com diversos filmes espaciais, ou seja, melhor esquecer o filme.

Já que não temos dinheiro, então vamos arrumar atores desconhecidos e quem sabe algum figurão que chame público e aceite receber menos, mas há muitos anos atrás, Christian Slater até poderia ser chamariz para alguns filmes, porém atualmente mostrou mais arrogância no filme do que chamando público, não dando deixas em alguns diálogos, e muito menos atuando com uma pegada interessante, além disso nas cenas suas que mostram até uma boa atuação, ele está afoito para a próxima cena, se perdendo um pouco da ideia original. Amy Matysio só sabe gritar, e suas cenas de dor não convencem ninguém de que precisa ajuda, além da cena que desencadeia a infestação ser quase uma novela mexicana daquelas que aparecem a legenda embaixo falando: "Olha ela se cortou e tudo vai acontecer, ok pessoal", logo mais pro fim quando resolve parar de gritar e vira amiguinha da tripulação se perde na atuação pra qual lado olhar, então é dispensável total sua interpretação, servindo apenas para a procriação do alienígena. Michael Therriault é o único que salva, já que também teve de trabalhar dobrado fazendo dois personagens, e suas cenas são tensas e com a maquiagem gosmenta ainda ficou mais bacana, no início aparenta ser o ator mais fraco do elo, mas conforme vai crescendo seu personagem, mais intenso ele fica. Brendan Fehr até tenta ter alguns diálogos mais técnicos e momentos mais corridos tentando resolver tudo, mas falha pelo excesso, então o único momento legal de ver sua atuação é no momento em que sai da base.

O visual da base é bem montado, fazendo com que o trabalho da direção de arte parecesse minucioso, mas se formos a fundo procurando algum elemento mais valorizável vamos acabar ficando decepcionados com o que é mostrado, tendo apenas alguns elementos cênicos para realçar o cenário em cada cena e mais nada ao redor que dê alguma relevância para a trama. A fotografia usou tons escuros demais e com isso algumas cenas ficam realmente dificílimas de ver com o óculos 3D, mas pelo menos ajuda a construir a tensão que a trama necessitaria para deixar os espectadores. Falando no 3D, só serve para ajudar a escurecer mais o filme, pois não tem nem profundidade, muito menos algo que salte da tela para que assuste o público, então serviu apenas para tirar dinheiro do público que foi ver com a "tecnologia".

Enfim, não recomendo o filme para ser assistido no cinema, mesmo porque quem for de Ribeirão nem vai ter a chance já que já saiu de cartaz, nem pra locação serve, então aguarde passar na TV e assista se não tiver nada melhor para ver essa cópia de diversos filmes, porém sem dinheiro. Valeu apenas o esforço do diretor em voltar a gravar algo e conseguir algum dinheiro para tentar relembrar seus bons tempos como diretor de arte, e só. Fico por aqui hoje, pedindo desculpas por ter demorado tanto para subir esse texto, mas não me vinham palavras para falar dele, pois achei mais ou menos, mas na verdade é bem fraco. Amanhã já estaremos de volta com mais estreias, então abraços e até breve.



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A Religiosa

12/02/2013 12:35:00 AM |

Alguns dramas que têm aparecido ultimamente devem ter passado bem longe do Vaticano, pois arrumariam uma confusão tremenda por lá. Mais um caso desse estilo é o filme "A Religiosa", que está cheio de cenas polêmicas sobre os maus tratos que algumas freiras mais rebeldes que tentavam desistir de sua vocação no século 17 sofriam, morando em celas, tendo de sofrer torturas diárias, além de muitas outras coisas. E além disso, mostrando algumas coisas meio contraditórias com o que todos imaginavam acontecer dentro dessas fortalezas que eram os conventos. É um filme forte, mas também muito bem acalmado pelo semblante tênue e a boa interpretação da protagonista que domina a cena com um fervor rico de dramaticidade que poucas atrizes conseguem atingir.

O filme nos mostra que no século XVII, a jovem Suzanne sonha em ter uma vida livre, mas seus pais têm outros planos para ela: colocá-la em um convento. Embora resista aos planos, Suzanne é forçada a seguir a preparação para a vida religiosa, entre madres superiores tirânicas, e outras carinhosas em excesso... Aos poucos, a jovem começa a preparar seu plano de fuga.

O diretor foi preciso em escolher tudo de forma bem característica que até espanta a monstruosidade dos conventos, castelos e tudo mais que é colocado em cena, mas o mais chocante são os tratamentos sofridos pela garota ao pedir o cancelamento dos seus votos, chega a ser tão triste que ficamos pensando se a Igreja fazia isso com quem é de dentro deles, o que eram capazes de fazer com quem era contra? E não bastando isso, o diretor se revela mais polêmico ainda ao mudar a protagonista de convento e vir com algo que com certeza faria qualquer grande de lá de dentro incinerar o diretor junto com os rolos do filme. E isso é fenomenal de se ver numa película dramática, pois mostra que o cinema não possui limites para discutir tudo que for possível. A única queixa é que alguns momentos são exageradamente pausados e cansam um pouco, podendo ter um ritmo melhor em algumas cenas, mas estamos focados em algo do século 17 então esse era o ritmo certo para passar a ideia.

A protagonista Pauline Etienne é perfeita para o personagem, dando uma doçura para a câmera tão bela que impressiona e quando a coisa aperta pro seu lado usa uma dramaticidade colocando todos seus trejeitos para algo impressionante de ver na tela, espero ver mais trabalhos dela em breve. Louise Bourgoin faz uma madre tão severa que chega a espantar qualquer mulher que sonhe em ser freira, se é que existe ainda alguém que sonhe com isso, e mentalmente muitas pessoas irão mandar um palavrão nas suas últimas cenas. Isabelle Huppert é amorosa demais e acaba ficando estranho suas primeiras cenas, claro que depois iremos entender melhor, e sua interpretação desesperadora em algumas cenas é perfeita. As demais apenas ligam as cenas, então nem vale muito destacar ninguém.

O visual da trama já falei no início e está impecável, com locações perfeitas, elementos cênicos na medida sem ser exagerado de coisas saltando nos ambientes e isso deixou o filme condizente sem ser pesado, afinal estamos falando de uma produção francesa e não de uma americana que lotaria os conventos de cruzes, velas exageradas e tudo mais. A fotografia ficou bem pesada com a quantidade de cenas escuras iluminadas apenas por poucas velas, e isso deu um tom maravilhoso pra trama que junto dos véus e das peles bem brancas das protagonistas acabou ficando muito bacana de ver.

Enfim, é um filme leve, interessante de assistir, mas lotado de coisas polêmicas sobre como a religião e as famílias agiam num passado distante, ou será que hoje ainda podemos ver coisas desse estilo? Fica a dica para reflexão após a sessão, pois com certeza recomendo ele, principalmente para quem gosta de filmes mais calmos sem muita agitação. E para quem for de Ribeirão Preto, o filme está em cartaz no Cine Belas Artes às 19hs até quarta-feira, então aproveitem. Fico por aqui agora, mas nessa semana ainda tenho mais um para conferir, então abraços e até breve pessoal.


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Cães Errantes

12/01/2013 10:22:00 PM |

Infelizmente hoje vou ser sucinto com o último filme da Itinerância da 37ª Mostra Internacional de São Paulo, "Cães Errantes" que causou a maior polêmica na sessão, onde o público que lotava a sala praticamente vaiou o filme que foi vencedor do Festival de Veneza desse ano pelo júri. O longa embora traga alguns sentimentos à tona frente às expressões dos protagonistas, é cansativo, sem demonstrar praticamente nada e ainda por cima tem planos estáticos de mais de 10 minutos, onde os protagonistas ficam imóveis apenas apreciando uma parede. O longa é extremamente cansativo e irritante ao ponto de muitas pessoas saírem durante a exibição, e os que sobreviveram aos 138 minutos de duração com pouco mais de 15 cenas, ao final saíram da sala revoltadíssimos com o que viram.

O filme nos apresenta um pai e seus dois filhos que vagueiam como marginais em Taipei. Eles andam pelos rios e matas da periferia e pelas chuvosas ruas da cidade. De dia, o pai tenta ganhar algum dinheiro como outdoor humano de apartamentos de luxo, enquanto seus filhos buscam amostras grátis de comida em supermercados e shoppings. Toda noite, a família se abriga num prédio abandonado. O pai está estranhamente fascinado pelo mural que enfeita a parede da casa improvisada. No seu aniversário, a família recebe a companhia de uma mulher. Será que ela pode ser a chave para desenterrar emoções do passado?

O simbolismo do nome é completamente entendível pelas ações dos protagonistas, como sofrem, sobrevivem, etc. reagindo da mesma forma que cães de rua mesmo, porém o diretor Tsai Ming Liang que é tão cultuado por seus filmes estranhos mesmo, dessa vez exagerou nos planos longuíssimos estáticos, tanto que a mesma mensagem com toda certeza seria passada em tranquilos 80 minutos, onde mesmo não ficando genial, ainda agradaria mais o público que fosse conferir, o que diferentemente aconteceu aonde estava, onde as pessoas passaram a rir quando após quase ser uma estátua humana por 10 minutos o protagonista se movia lateralmente ou piscava, e isso me desculpem os que idolatram o estilo, não é cinema, afinal como já disse centenas de vezes, filme tem de ser feito para ser visto pelo público ter reações que desejam ter, afinal estão pagando, e caro, por aquilo, então alguém passar quase duas horas e meia olhando a pessoa ficar parada frente a uma parede não é arte nem aqui muito menos em Taiwan.

Os atores acredito que tenham sofrido demais para fazer as cenas, pois a mulher praticamente nem pisca nas cenas estáticas, o homem respira ofegante apenas, e as crianças são tratadas com desprezo na maior parte das cenas, então é lastimável ver tudo que fazem em cena. Daria destaque apenas para a cena que o pai da família Shiang-chyi Chen destroça o repolho, pois ali demonstrou uma raiva interpretativa digna de muitos bons atores, mas tirando essa, o restante não dá para aproveitar nada.

As locações são todas bem dramáticas, mas com uma iluminação de péssimo gosto num lugar que só chove, fica difícil observar tudo ao redor, mesmo que o diretor apele quase 90% dos planos com a lente aberta no máximo, tudo fica distante demais, e os elementos cênicos praticamente não são incorporados necessariamente para a história.

Enfim, prefiro não falar muito, pois realmente detestei o que vi, e não apenas eu, como praticamente todas as quase 100 pessoas ou mais que estavam na sala e saíram reclamando muito entre eles. Não recomendo o filme nem para o meu pior inimigo, pois seria tortura demais obrigar alguém a ver esse filme. Só não darei nota 0 porque não tenho arquivo feito, mas valeria, então vou dizer que pelo menos a boa interpretação da cena do repolho vai valer o 1 coelhinho. Fico por aqui agora, mas assisti mais um filme nessa noite e já irei colocar aqui minha opinião, então abraços e até daqui a pouco.


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Vovô sem Vergonha

12/01/2013 02:49:00 PM |

Ontem a tarde me questionaram se iria ver "Vovô sem Vergonha", já deixando implícito que não gostavam do estilo apenas de brincadeiras escatológicas e tudo mais que o pessoal do Jackass aprontavam. Respondi que veria, afinal vejo tudo mesmo, até as porcarias e também falei que o último filme tinha sido apenas bobeiras gratuitas, mas que havia curtido o trailer desse. Pois bem, após assistir na última sessão de ontem mesmo, posso garantir que é um dos filmes, sim esse posso considerar como filme já que possui um roteiro a ser seguido com começo, meio e fim, mais engraçados que já vi, onde a público que lotou uma sessão da meia noite (fazia muito tempo que não via essas sessões lotadas, e quase comi a tela já que fui achando que não daria ninguém) praticamente saiu mijada de tanto rir. Ou seja, mais uma vez meu preconceito foi pro lixo.

O filme nos mostra que Irving Zisman é um idoso de 86 anos que está em uma jornada atravessando os Estados Unidos com uma companhia improvável, seu neto de 8 anos chamado Billy. Eles irão levar o público para uma viagem de estrada insana, filmada através de câmeras escondidas. Ao longo da viagem Irving irá apresentar o jovem Billy a pessoas, lugares e situações que darão um novo sentido ao termo educar uma criança. A dupla irá se encontrar com strippers masculinos, crianças insatisfeitas competindo em um concurso de beleza (e suas mães igualmente insatisfeitas), funcionários de uma casa funerária, gerentes de bar de motoqueiros, além de diversas pessoas que não suspeitam de nada do que está acontecendo. Pessoas reais em situações irreais, criando uma comédia divertida e polêmica.

Ao ler a sinopse fica mais difícil ainda de acreditar que o longa teria uma pequena história de pano de fundo para ser cumprida, e que mesmo inserindo coisas mais imprevisíveis possíveis no meio deixaria ele bem divertido a ponto de podermos classificar ele realmente como uma comédia, e não como um show de horrores que foi o filme anterior em 3D ainda por cima. Claro que não iriam deixar 100% de fora cenas escatológicas de mostras de membros, vômitos, peidos e outras coisas tradicionais da equipe, mas por irem sendo feitas de forma não tão exagerada, acaba que ficaram menos forçadas e se encaixam de maneira interessante para a trama. A grande sacada do diretor Jeff Tremaine e claro de toda a equipe Jackass foi no meio das pessoas reais, colocar alguém da equipe para auxiliar os conflitos e assim fazer com que pegasse fogo mais facilmente para as câmeras escondidas, e assim os protagonistas deixaram rolar solta sua interpretação na medida do improvável ficar mais divertida impossível.

Já que comecei a falar dos atores, vamos ao grande aplauso para Jackson Nicoll que garoto perfeito, fofo e o melhor de tudo sacana no último para fazer todas as pessoas reais caírem como patos nas suas artes junto com seu avô, mostrando que tem tino tão bom para comédia quanto para interpretação mais dramática onde seus trejeitos interpretativos já demonstram serem ótimos, darei grande destaque para a cena do concurso de beleza pela sacanagem e as cenas onde pede um novo pai para sua dramaticidade. Johnny Knoxville está irreconhecível com a maquiagem, mas seu humor está impagável como sempre, fazendo coisas que ninguém consegue imaginar que alguém em sã consciência faria aquilo, e com isso o ator demonstra um domínio ímpar para pegadinhas que Ivo Holanda ficaria com muita inveja de não ter um filme seu. Os demais apenas se encaixam na trama, misturados com pessoas reais, então nem vale comentar praticamente nada, dando destaque apenas para o nervosismo do dono do pinguim que se é no Brasil teria espancado o ator.

As locações escolhidas ao longo do "road-movie" ficaram bem colocadas e com certeza deram muito trabalho para que a equipe montasse as câmeras escondidas da melhor forma de surpreender as pessoas que acabam participando do filme. Vale ressaltar que por esse motivo também, nem sempre terá uma iluminação correta para a cena, mas na devida proporção, os ângulos escolhidos para ir ao ar na maioria das vezes acaba sendo satisfatório e agradando bem.

Enfim, é um filme extremamente divertido, e embora tenha algumas cenas chulas, levei meus pais e ambos se divertiram demais, tanto que já pensam até em ir rever para rir mais ainda. Ou seja, não tem como não recomendar ele para todos, deixando ressaltado que haverá cenas escatológicas na exibição. Portanto se você gosta de ver as pegadinhas que surgem nos programas de TV e na internet, e quer ver um filme com essa proposta de forma bem engraçada, esse é sua escolha. Fico por aqui, mas hoje ainda irei conferir o último filme da Mostra Internacional de Cinema, então volto mais tarde para comentar o que achei dele. Abraços e até mais tarde pessoal.

PS: se fosse por meus pais a nota com certeza seria 10 coelhos, mas como analisei um pouco da técnica e também pelas talvez não necessárias cenas de escatologia, tirei 1 coelho da nota final.


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Um Time Show de Bola em 3D

11/30/2013 07:26:00 PM |

Com certeza você já assistiu algum desses filmes motivacionais esportivos que viviam passando na TV sempre pela tarde, onde algo ou alguém atrapalhava os protagonistas de conseguirem atingir uma meta, e depois saiam todos felizes com algum resultado emotivo. Pois bem, utilizando dessa ideologia o diretor argentino Juan José Campanella nos traz agora uma versão animada desse estilo de superação com o filme "Um Time Show de Bola". E é divertido ver a forma de composição que adotou tanto para os personagens "humanos" quanto para os bonecos de pebolim que criam vida da mesma forma que todo conto de fadas, através de uma gota de lágrima, e essa estrutura pode divertir bem os adultos que eram acostumados a jogar em bares o famoso jogo de futebol de mesa, mas pra garotada da atualidade talvez seja apenas mais um conto de fadas assim como o pai passa sua história para o filho que não sai do tablet no filme.

O filme nos mostra que desde garoto Amadeo é aficcionado por totó, tendo construído seus próprios jogadores e com eles ensaiado as mais diversas jogadas. Um dia ele é desafiado por Ezequiel, um arrogante garoto que vive se gabando por ser um exímio jogador de futebol de verdade. Mas a partida épica de totó entre os dois não foi vencida por ele. Anos mais tarde, ele retorna rico e com seu dinheiro quer transformar a cidade natal em um espécie de parque temático. Agora, para salvar a cidade, Amadeo terá que aceitar o desafio proposto pelo vilão: enfrentá-lo numa partida de futebol de verdade. É quando algo mágico acontece e os bonecos da mesa de jogo ganham vida para ajudar o seu companheiro de grandes jogadas.

O diretor soube fazer um longa com ritmo tradicional dos jogos de futebol, com um começo calmo para reconhecimento dos times, no caso os personagens, um pequeno intervalo onde todos fazem um pequeno descanso, e como o time está perdendo volta para um segundo tempo frenético e cheio de ginga onde tudo se desenrola e é colocado a questão moral da amizade, afinal animação sem questão moral não é animação. Mas como disse, infelizmente hoje o mundo infantil está preso a computação e as TVs, então dificilmente o longa irá empolgar os pequeninos, principalmente as garotinhas, já que o gosto por futebol é mais masculino, então o longa acaba valendo mais para os pais que forem ao cinema se divertir com as jogadas malucas iniciais do garoto do que para a criançada, apesar que usando da minha técnica de ver se os pequenos ficam comportados durante a exibição, hoje os que estavam na sala nem se moveram durante todo o filme, então pode ser que eu me engane e quem sabe pebolim volte a moda no Brasil devido à um argentino, seria a ironia master para nosso futebol.

Os personagens estão bem modelados e são bem carismáticos, principalmente o trio principal de bonequinhos que com toda sua maluquice divertem na medida certa, as cenas no lixão e no parque de diversões são hilárias. Os protagonistas humanos são bem interessantes também, conseguindo colocar um vilão que chega a dar nervoso com toda sua pompa de jogador famoso, um personagem magrinho demais que se formos ver não daria certo no futebol nunca, mas que até torcemos por ele, e a tradicional mocinha, afinal tem de haver um romance né. O elenco de apoio é cheio de personagens bem caricatos que no começo você acaba nem dando nada para eles, mas no final acabam ficando bem bacanas.

Também tiveram muita preocupação com a cenografia, e com isso temos um filme impecável nesse quesito, trabalhando desde a pequena cidade, passando pelas diversões, pela mesa de pebolim bem montada, pelo campo de futebol futurista, pela mega mansão de ídolo do futebol a qual com certeza foi inspirada na nova mansão que Messi encomendou e até mesmo nas obras de arte do jogador famoso. E com isso tudo parece ter vida própria e ficou muito bonito de ver, mostrando que o trabalho de arte foi bem pesquisado e montado com carinho. O 3D não é nada extremamente fantástico, tendo boas situações de elementos saindo da tela, uma profundidade de campo bem inteligente dando camadas para o filme e tornando os personagens pegáveis em alguns momentos, faltando apenas um pouco mais de textura para os protagonistas, mas a grama ficou bem interessante nesse quesito.

Enfim, é um filme bem feito e divertido, que ficou um pouco no meio do caminho, pois agradará os pais que jogaram pebolim e conhecem mais de futebol, mas também trabalhou com uma linguagem um pouco infantil então pode ser que afaste alguns. No geral gostei do que vi e recomendo pra quem goste de animações sem se preocupar muito com um roteiro forte para adultos e também não tão bobo para crianças. Fico por aqui, mas nessa semana ainda temos muitos filmes para conferir e deixar a opinião aqui no blog. Então abraços e até breve pessoal.


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Crô - O Filme

11/30/2013 01:23:00 AM |

Que o Brasil anda produzindo uma quantidade enorme de comédias já que é o que andou dando mais público ultimamente, já ficou mais que evidente. Porém nem sempre pegar um personagem que foi um ícone em  uma novela funciona bem, para relembrar basta sintonizar o fiasco de risos que foi "Giovanni Improta" nesse ano mesmo. O que acontece com "Crô - O Filme", é algo bem semelhante, onde se ri bem pouco, mas que felizmente não possui somente o protagonista engraçado, tanto que um dos coadjuvantes rouba bem mais a cena e é responsável pelos momentos mais divertidos da trama, transformando Alexandre Nero no salvador da pátria, ou melhor do filme.

O filme nos mostra que após herdar a fortuna de Tereza Cristina, Crodoalvo Valério, mais conhecido como "Crô", está cansado da vida de milionário. Decidido a encontrar uma nova musa a quem possa dedicar sua vida, ele inicia uma busca pessoal que faz com que entreviste diversas peruas. Seu objetivo é encontrar aquela que seja melhor qualificada para que ele próprio possa servir como mordomo, assim como fez com sua antiga patroa. Entretanto, após muito avaliar, acaba percebendo que sua musa ideal é justamente aquela que jamais havia imaginado.

Bom, quem não assistiu a novela "Fina Estampa" não deve nem sonhar do que se trata tudo isso, e mesmo que falem que o longa pode ser visto sem que tenha assistido um capítulo da novela, garanto que a história não é bem assim, e talvez fiquem um pouco perdido demais com a quantidade de referências que o próprio autor da novela e agora roteirista do filme Aguinaldo Silva colocou. Claro que pra quem assistiu, a diversão até é um pouco melhor, mas quem desconhece o personagem e até mesmo tudo que ocorreu para que ele tenha chego aonde começa o filme, fica parecendo um fato isolado do mundo e de difícil entendimento. Porém a grande sacada do autor foi colocar um personagem, também da novela, como ponto forte da trama no caso o Zóiudo Alexandre Nero que consegue as melhores sacadas com seu personagem sempre junto do protagonista nas situações mais inusitadas. Agora que Bruno Barreto desceu de nível monstruosamente isso é fato total, pois depois do magnífico "Flores Raras" vir pra uma comédia fraca, foi só um modo de arrecadar dinheiro pro próximo filme, pelo menos espero, pois o diretor que é conhecido pelo filme que ficou mais tempo sendo a maior bilheteria nacional, "Dona Flor e Seus Dois Maridos", vir fazer comédia desse estilo, não têm outra justificativa. Outro problema do roteiro é que o diretor não consegue se situar entre os pontos propostos, ficando falho tanto na acusação de trabalho escravo em confecções, na comédia da escolha de uma nova musa, ou nas gags homossexuais.

O melhor do filme sem dúvida alguma, mesmo que alguns personagens sejam estranhos, é as atuações que conseguem seguir uma linha boa e agradar, principalmente quem já conheça os personagens da novela. Marcelo Serrado volta afiado como Crô, e faz bons trejeitos, mas também deixando quem é contra a forma exagerada que impõe bem irritado, tanto que mesmo alguns não indo ver o filme já reclamaram da sua postura, mas que fica engraçado ver ele dessa forma fica. Alexandre Nero era um mero coadjuvante fraco na novela, que passou a ter um pouco de sucesso mais ao final da trama, porém aqui ele assume de tal forma a base para o filme que diverte sempre tentando esquivar de ser considerado namorado, mesmo que imaginário, do protagonista. Milhem Cortaz é responsável por vários dos melhores papéis do cinema nacional atual, e aqui faz algo que de longe é seu pior trabalho, andando aos solavancos e sem nenhuma perspectiva que agrade o espectador, muito menos que seja lembrado pelo personagem. Carolina Ferraz tenta querer parecer malvada, mas o máximo que consegue é ser uma personagem de novela mexicana forçada que não sabe que tipo de atitude ter. Urzula Canaviri tem seu primeiro trabalho de forma interessante, mas poderia não ter tantas caras e bocas em algumas cenas, que quase consegue uma contratação pra "Turma do Didi" se ainda existisse, com o que faz em alguns momentos. Dos demais personagens e participações, e olha que não são poucas, fica difícil eleger algum destaque, mas como Kátia Moraes pelo menos tenta, dá para rir do congela e descongela nas cenas iniciais com suas caras, e além disso é finalmente mostrado de quem é o pé final da novela.

A equipe de arte caprichou pelo menos nas duas locações principais, sim apenas duas, pois o restante são meras esquetes rápidas iniciais que nem dá para ver algum grande trabalho de preparação, mesmo sabendo que essas cenas minúsculas que costumam dar mais trabalhos para a equipe de arte. E essas duas são tão bem montadas para que o filme ficasse com glamour ao menos, que a casa de Crô é toda cheia de referências egípcias e muito bem decorada para mostrar citações à tudo que o personagem sempre falava na novela, e a fábrica parece saída de outra novela "América", onde imigrantes ilegais trabalhavam em lugares sujos como escravos, mas ainda assim temos muitos elementos visuais interessantes que servem como uma pequena crítica social.

Enfim, poderia falar muito mal do filme, afinal levei minha mãe para ver que adora uma novela e ri de qualquer coisa, e só a vi gargalhar em poucos momentos, e isso é um índice na minha opinião bem ruim. Mas como o filme é rápido e possui momentos interessantes bem feitos, até que dá para assistir. Como a novela era muito assistida, vai lotar com certeza, e se duvidar devem aparecer com "Crô 2", quem sabe melhorando algo. Fico agradecido por ter visto na pré-estreia junto do pessoal da Rádio Difusora FM 91.3Mhz de Ribeirão que pelo menos numa sala cheia, você acaba rindo mais dá risada de outras pessoas, e assim, o que poderia ser lastimável assistindo numa sexta sozinho em horário ruim como costumo fazer, acabou sendo agradável ao menos. Devido à correria da Black Friday, acabei demorando pra terminar o texto e postá-lo aqui no blog, mas ainda nessa semana teremos muitos outros filmes e consequentemente novos posts por aqui, então abraços e até breve pessoal.


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Centro Histórico

11/27/2013 12:14:00 AM |

Se existe uma coisa que tenho pavor é curtas feitos sob encomenda para homenagear algo. E isso fica pior ainda quando os autores resolvem querer enfeitar o doce para não levar a lugar algum. Pois bem, "Centro Histórico" foi feito para celebrar a cidade de Guimarães, e embora em Portugal tenha sido super aplaudido pela população, como não estudamos nada da História dessa cidade e nos filmes não conseguem passar praticamente nada que realmente nos motive a estar vendo aquilo, não tem como assimilar, muito menos gostar de nada do que é mostrado, tendo uma esquete dramática que mostra que os pequenos comerciantes da cidade estão velhos demais para conseguir sobreviver numa cidade nova, uma ficção absurda sobre pactos de guerra, um documentário sobre uma fábrica que durou vários anos e a memória que as pessoas passaram sua vida ali possuem, e pra fechar com chave de ferrugem um passeio turístico mostrando estátuas da cidade.

Este longa-metragem coletivo celebra a cidade de Guimarães, no norte de Portugal. Que histórias tem para nos contar a cidade que viu nascer o Reino de Portugal? A resposta a esta pergunta nos é sugerida através de segmentos de quatro renomados realizadores: Aki Kaurismaki com o curta "O Tasqueiro", Pedro Costa com "O Lamento da Vida Jovem", Victor Erice com "Vidros Partidos" e Manoel de Oliveira com "O Conquistador Conquistado".

Não tenho nem muito do que falar, já que disse praticamente tudo que se passa nos 4 curtas no parágrafo inicial, e infelizmente não posso dizer nada de bom sobre praticamente nenhum, mas vamos tentar passar ao menos o que eles passaram pra mim, já que não posso analisar eles exatamente por não conhecer nada da História da cidade. "O Tasqueiro" chega a ser até razoavelmente bem produzido e consegue agradar pela ideia de que os pequenos comerciantes estão sofrendo para manter seus estabelecimentos abertos na cidade, com chegada de grandes empreendedores, e fica nítido que sua clientela não vai mudar, muito menos com suas tentativas ruins de mudanças, além de ser semi-mudo, o curta cansa pela deprimência que passa para o público. Em "O Lamento da Vida Jovem" é visto que jovens acabam fazendo pactos para conseguir benefícios nas guerras da vida, e quando são afrontados pela cobrança até brigam, mas temem não conseguir resolver frente à morte, os exorcismos que a ficção tenta passar é estranha e chega a beirar um purgatório o qual ninguém gostaria de passar, pois além de extremamente parado, a forma como tudo desenrola é entediante e desgastante. O melhor dos quatro curtas sem dúvida é o documentário "Vidros Partidos", que por uma visão de ex-empregados, um músico que não precisou trabalhar na fábrica e um ator que interpretou o filho do dono da fábrica conseguem eximir seus sentimentos e lembranças de como era o trabalho e a satisfação dos empregados de uma das grandes fábricas que durou muito tempo e deu emprego para praticamente todos da cidade, porém necessita de cortes melhores para que não ficasse monótono demais na duração exagerada. E pra finalizar o longa quis dar o tempo para ser inscrito como longa, e chamou o diretor mais velho em atividade no cinema para fazer um city tour pela cidade e gravar mostrando a ironia de um guia turístico ao mostrar que o que importa na cidade ainda são as estátuas em "O Conquistador Conquistado.

Pronto pessoal, não posso dizer mais nada do filme, que iria recair como ironia se falar qualquer coisa boa sobre ele, tão quanto o último curta. Recomendo somente para algum professor de História que queira incluir no seu pacote falar sobre a cidade de Guimarães, do restante fiquei com dó até de quem pagou na Mostra para assistir esse filme, pois pelo contrário, deveriam ser pagos para assistir e criticar para os diretores, para que eles fizessem algo melhor e só depois lançasse isso em qualquer lugar. Fico por aqui hoje, mas amanhã estarei de volta com uma pré-estreia da Difusora FM de um dos grandes lançamentos da próxima sexta, então abraços e até breve pessoal.

PS: Iria dar um jeito de dar nota 0, mas como o documentário achei interessante ao menos faltando apenas uma edição melhor, ficaremos com nota 2.


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Marina

11/27/2013 12:12:00 AM |

E mais uma vez uma vez sou gratamente surpreendido por ir assistir um filme sem saber do que ele se trata. Como disse algumas vezes aqui, prefiro chegar numa sessão completamente sem embasamento dele e as vezes sair feliz, do que chegar já com algum pré-conceito do que pode realmente atingir um longa. E com "Marina", apenas tinha lido uma pequena sinopse e visto o pôster, onde já havia apenas induzido se tratar de algo polêmico, mas o que me esperava muito pelo contrário, era um filme sutil, gostoso de ver, onde a história embora não seja muito conhecida, pelo menos por mim, já é de praxe, um pai que se revolta com a escolha do filho virar artista, querendo um emprego decente para ele, e esse contra sua vontade e contra todos que possam atrapalhar, vai lá e consegue fazer do seu sonho, seu ganha pão. Claro que muitos ao lerem esse pequeno parágrafo já irá dizer que viu milhares de outros filmes iguais, mas posso dizer que cada um consegue ter sua beleza e seu primor, e com esse filme ítalo-belga não é diferente por caracterizar um jovem num país onde não domina a língua, todos são contra estrangeiros, e além disso sofre todo tipo de discriminação inclusive pelo próprio pai numa época difícil na Europa.

O filme nos situa na Itália em 1948, onde o jovem Rocco cresce na Calábria, até que um dia seu pai Salvatore decide ir para a Bélgica, onde luta para ganhar dinheiro trabalhando numa mina de carvão. Logo, ele manda buscar a família. Do dia para a noite, Rocco vira um imigrante e tem que lidar com a nova situação. Rocco quer ser como os outros jovens, quer tornar-se alguém e ter um propósito na vida. Contra a vontade de seu pai, ele encontra um escape na música e no amor. Baseado nas memórias de infância do cantor ítalo-belga Rocco Granata.

É interessante ver a forma ritmada gostosa que o diretor Stun Coninx conseguiu imprimir num filme que poderia ser mil vezes mais dramatizado, e com essa levada parece que tudo é mais fácil de acontecer para o garoto, mas no decorrer do filme, vemos que não é bem assim que tudo acontece, pois tudo é bem difícil de dar certo e quando parece que vai dar rumo, alguma coisa ruim acontece e atrapalha tudo novamente. Além disso, o diretor que já conseguiu uma indicação ao Oscar de Filme Estrangeiro em 92, faz um paralelo que é bem bacana de ver em filmes, de acreditar num sonho e não desistir dele jamais, isso é raro ver em filmes dramáticos, e muito menos em Mostras de Cinema, que preferem manter um apelo mais forte nas temáticas, e com isso acabam entrando em vertentes nem sempre gostosas para que o público em geral assista. Com esse filme, acredito certamente que entrando em circuito comercial, teriam muitas pessoas que gostariam de vê-lo, principalmente quem viveu nos anos 60-70 que deve ter sido embalado pelas músicas que o cantor acabou ficando famoso. Outro ponto certeiro, foi o de não abusar tanto de closes, optando mais por planos médios e tomadas abertas, onde o ator com todo seu jeito italiano de ser que conhecemos bem, pode se expressar bem com as mãos e com o corpo todo, dando uma graça a mais para o filme.

Os jovens atores conseguiram manter bem o filme, pois como a interpretação forte recai quase sempre pro protagonista, seja na sua fase infantil ou depois quando jovem, sempre é sua ligação com o pai que faz os vértices da trama fluírem, e nesse quesito não somos decepcionados em nenhum momento. Na fase infantil, somos surpreendidos novamente com um novato frente às câmeras, Cristiaan Campagna começa bem no filme e mostra dinamismo para conseguir adequar tudo que o diretor quer que mostre, e faz bem, com caras de sofrimento, alegria e até mesmo nervosismo que o qual não demonstra em momento algum parecer nervoso de estar fazendo tudo que faz. Na fase adolescente, Matteo Simoni mostra sentimento forte e raça em desafiar tudo e todos, tenho a leve impressão de já ter visto ele em algum outro filme, mas não consegui achar nada pela sua filmografia, mas isso não vem ao caso, aqui ele faz bem na maioria das cenas, tirando certos momentos que força demais seu semblante parecendo estar um pouco irritado com o que está fazendo, pode ter sido algum problema interno que deixou transparecer frente às câmeras, mas que felizmente não atrapalha as demais cenas que faz bem demais. Luigi Lo Cascio coloca toda a postura para trás e não deixa brechas para nada de um pai bonzinho que aparenta ser no começo, claro que todo o sofrimento de trabalhar numa mina leva a isso, e o ator soube passar bem essa inversão de valores ao sair da Itália e ir para a Bélgica, e o experiente ator soube agradar mesmo sendo severo com o protagonista em alguns momentos. Donatella Finocchiaro faz o papel que toda mãe cai em filmes desse estilo, ocultando segredos para ajudar o filho e sendo doce quando precisa, e misteriosa para o pai quando precisa também, poderia ter feito uma cara um pouco menos sofrida, que chegamos a ter piedade dela em alguns momentos e tenho certeza de que não era isso que o diretor queria passar. Evelien Bosmans faz bem seu papel, mas acabou ficando um pouco opaca demais para ser alguém pela qual o protagonista deseje compor algo e deseje muito mais por ela, tudo que faz não dá a química necessária para chamar atenção pra si.

O visual do filme agrada no modo intimista que souberam demonstrar, mas embora mostrem que a família sempre foi discriminada por ser estrangeira e com isso mostra que são pobres num país teoricamente rico, ficou com uma sensação estranha de que o diretor tentou impor uma crítica social no meio do filme, mas acabou não ficando evidente. Ficou querendo ser chocante, mas colocando apenas panos mornos na tela. Em quesito de elementos cênicos souberam trabalhar bem para mostrar tanto a pobreza da família quanto das locações por onde passam, opondo com o restante da cidade, e isso ficou bem interessante de ver. A fotografia é um pouco suja, já que quiseram passar uma tendência de época, mas poderiam ter trabalhado mais com cores claras em algumas cenas que ficaram calmas demais e poderiam atingir outras vertentes se fossem mais dramatizadas.

Outro ponto que poderia ser melhorado, mesmo que colocando apenas as duas músicas mais famosas do cantor na adolescência, poderiam ter colocado outras canções mesmo que de pano de fundo, pois posso falar que já sei cantar de cor e salteado as duas canções repetidas a todo momento, e embora elas deem o ritmo que gostei no filme, ficou um pouco massante ouvir só elas.

Enfim, é um filme doce e agradável de assistir, nada que fosse surpreendente demais tecnicamente, mas que me surpreendeu por ser algo que nunca esperaria ver numa Mostra, e com isso vejo que finalmente estão pensando em colocar um público mais abrangente para assistir os filmes que desejam passar nesses locais também. É isso pessoal, recomendo sim o longa, principalmente para quem tem um sonho e a família não apoia, para que não desista jamais. Fico por aqui hoje, mas amanhã volto com o penúltimo longa da Itinerância da 37ª Mostra Internacional de São Paulo. Então abraços e até amanhã pessoal.


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Vazio Coração

11/26/2013 12:44:00 AM |

Nunca imaginei que fosse assistir um filme onde um ator que não é músico acabasse cantando bem e o filme não fosse um musical. Pois bem, hoje conheci o nacional "Vazio Coração", uma belo drama familiar bem orquestrado, onde o diretor e roteirista Alberto Araújo soube compor poesias bem ritmadas que na voz de um ótimo ator caíram agradavelmente e com uma história bacana acabou ficando um filme interessantíssimo de ver, algo simples, com uma mensagem bonita, onde souberam escolher uma locação bela e juntar tudo com uma melodia harmoniosa onde conseguiram fechar com sucesso mais um belo exemplar nacional que foge de trejeitos novelescos para um drama familiar bem pautado e dirigido com segurança mesmo que com alguns pequenos deslizes.

O filme nos apresenta Hugo Kari, um cantor de renome nacional que faz uma pausa em sua agenda para se encontrar com o pai, o Embaixador Mário Menezes, no Grande Hotel Termas de Araxá, onde a família passava férias no tempo em que Hugo era criança. Ali, naquele cenário de boas recordações para ambos, filho e pai tentam colar os cacos de uma relação quebrada por desencontros de sonhos, ideais e por uma tragédia que os marcou para sempre.

O diretor mostrou que poderia transformar um roteiro simples e que muitos até fariam facilmente num curta-metragem, e concebeu um longa que não precisaria dizer quase nada, somente falado pelas canções, que felizmente caíram bem na voz do ator Murilo Rosa, pois poderia virar uma tragédia se dublassem já que o longa pertence às canções, ao contrário do que costuma acontecer em outros filmes que as canções pertencem ao filme. Com isso, as boas composições do roteirista deram um tom, para que junto da história familiar, até um pouco piegas e novelesca em alguns momentos, fluíssem e acabasse determinando como resultado um filme agradável de ver e que não cansa. Poderia apenas não ter usado tanto recursos de câmera exagerados onde a cada plano muda de um lado para o outro que soaria mais natural, mas isso é um mero detalhe que quem não conhecer tanto de técnica até passará tranquilamente.

É engraçado falar das atuações, pois jamais achei que Murilo Rosa poderia se dar bem cantando, pois sempre assumiu posturas mais lineares que não davam oportunidade de se soltar mais, e aqui ele simplesmente chama o filme todo para si e consegue manter com consistência o personagem e principalmente a voz para não ter gafes tão ruins, claro que não é 100% perfeito, mas agrada bastante na maior parte. Ao contrário de Murilo, Othon Bastos ficou muito dependente da direção e acabou um pouco travado demais, parecendo estar desconfortável com algo, suas cenas chegam a dar pavor da dureza que impõe pro seu personagem, que embora seja um figurão respeitado, não ficaria tão estático nas cenas. Bete Mendes e Lima Duarte agem como avós tradicionais, que mesmo o neto sendo famoso saem abraçando e mimando demais, porém Lima exagerou do ar novelesco em muitas cenas e acabou deslizando um pouco, acabando até forçado demais. Larissa Maciel poderia ter dinamizado mais seu personagem, além de ficar evidente seu desfecho, esperaria um pouco mais além da beleza dela para ser usada. Os demais é preferível considerar mais como participação do que atuando, então não acrescentam muito no desfecho. Embora esteja reclamando de algumas atuações, um fator é inegável que todos deram muita ênfase nos diálogos dos personagens, então nesse quesito é interessante ver o que é mostrado, porém talvez necessitasse um pouco mais de ação do diretor na hora de exigir dos atores uma interpretação um pouco melhor.

Agora, que locação impressionante foi o Hotel da Rede Tauá, Grande Hotel Termas de Araxá, além de uma estrutura magnífica de visual, ainda possui umas ruínas que deram um ar de suspense no início do filme e poderiam até ter sido mais usado caso a vergência do filme não fosse para outros ares, espero ver mais filmes rodados ali, pois que lugar lindo. E com isso, a equipe de arte teve trabalho apenas de criar os shows do cantor, pois a cenografia já veio pronta com as locações escolhidas, então um serviço bem fácil pelo menos na maioria das cenas. Agora quanto aos shows e organizar a tietagem toda dos fãs, isso com muita certeza foi um problema bem grande que souberam administrar bem também. A fotografia toda trabalhada com luzes naturais, e claro muito verde da locação deu um ar muito bonito para a câmera e merecia até mais cenas abertas do que já teve, mas aí sairia do drama familiar focado, então o acerto foi bem feito, tirando como disse no início, o exagero de planos e contra-planos.

A trilha sonora nem tenho do que falar, afinal todas músicas inéditas compostas pelo diretor e interpretadas pelo ator Murilo Rosa sairão em breve como CD da Som Livre, e estão todas muitíssimo bem incorporadas na trama, e tirando alguns pequenos pontos que não encaixaram bem a poesia da letra com a harmonia da música, tudo soa bem gostoso de ouvir.

Enfim, é um filme bem interessante que vale a pena ser conferido sem preconceitos, pois o trailer não é dos melhores chamarizes para um filme nacional que vá agradar ao público em geral, mas ao conferir a visão é completamente diferente e agrada bastante, emocionando em alguns momentos e caindo bem no geral. Serve como alternativa dos tradicionais filmes novelescos nacionais que estamos acostumados a ver, e principalmente para ver uma trilha bem encaixada sem ser um musical. Fico por aqui hoje, mas ainda temos mais filmes para conferir nessa semana, então abraços e até breve com mais posts.


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Meteora

11/24/2013 12:19:00 AM |

Houve uma época que filmes que confrontavam o pecado frente à religião era uma moda, e tínhamos quase um por mês pelo menos, mas deram uma boa parada ao ver que o público já não aguentava mais a mesmice de sempre, até virem com algo bem chocante e parar. Pois bem, hoje vi que na Grécia aparentemente continuam com essa febre ao aparecer por aqui "Meteora", que tenta através de simbolismos e de momentos misturados com uma animação 2D bem bacana e um casal bem monótono mostrar que o sexo é um pecado que pode acabar com a humanidade, pelo menos através de pensamentos entre monges, mas ao adquirirem o prazer conseguem ilustrar que não era bem isso.

O filme nos mostra que nas planícies aquecidas da Grécia central, monastérios ortodoxos elevam-se acima de pilares de arenito, suspensos entre o céu e a terra. O jovem monge Theodoros e a freira Urania dedicaram suas vidas aos estritos rituais e costumes de sua comunidade. Um afeto que cresce entre eles coloca suas vidas monásticas em risco. Divididos entre a devoção espiritual e o desejo humano, eles devem decidir que caminho devem seguir.

O roteiro poderia ter sido mais trabalhado para que não ficasse somente preso à querer mostrar a rotina da cultura dos protagonistas, pois embora saibamos que em monastérios as pessoas somente rezam e possuem raros contatos com as pessoas de fora, isso começa a ficar tão vagaroso durante a exibição que o espectador começa a pensar pra onde será que o filme nos levará, e conforme vai misturando a rotina dos protagonistas com animações de suas mentes, começam a nos dar parâmetros do que imaginar, e vamos vendo o que o diretor quis passar sobre o pecado. Talvez se fosse feito apenas em desenhos, pois estão muito bem feitos e são interessantes de observar ao contrário dos personagens de carne e osso, poderia ser usado para disseminar em igrejas que o pecado as vezes tem salvação, as vezes não, mas precisaria também impor um ritmo melhor senão qualquer um que visse dormiria na sala. Porém o diretor Spiros Stathoulopoulos optou pela vertente mais difícil que é tentar alcançar carisma com os personagens para que o público talvez sentisse dó deles e gostasse mais do que veria, mas não foi feliz com o que fez.

Os protagonistas Tamila Koulieva-Karantinaki e Theo Alexander até conseguem ter boas expressões nos seus momentos mais íntimos, mas falta cadência para que saiam do seu papel que devem ter sido bem treinados para incorporar os rituais, e com isso fica realmente estranho ver o que querem passar nos seus sentimentos. Os demais aparecem somente para incorporar cena, e as vezes soltar um ou outro murmúrio, então nem convém falar de atuação.

O visual escolhido é muito bonito e com toda certeza devem ser monastérios reais, pois criar tudo aquilo seria de uma dificuldade imensa, e com isso, toda simbologia dos elementos cênicos usados para retratar a cultura é de uma beleza ímpar, mas somente um picnic ao ar livre não seria motivo para cativar toda a sensualidade dos dois, então precisaria de mais elementos para forçar o espectador a acreditar no romance. A fotografia trabalhou bem para colocar enquadrado o cenário escolhido e usar o máximo de luz natural para dar ambientalização, e nas cenas internas usou e abusou de iluminação de velas, dando um ar bem religioso e interessante.

Enfim, demorou mas apareceu o primeiro filme chato da Itinerância da 37ª Mostra Internacional de São Paulo, afinal filmes de mostra por colocar um pouco de tudo, acaba pegando algumas coisas estranhas, e já estava estranhando chegar ao final de diversos filmes e sempre falar que todos eram ótimos. Não recomendo esse para ninguém que espere ver um filme com nuances técnicas, somente para quem quiser estudar um pouco sobre a cultura dos monastérios e o pecado sendo implantado. Fico por aqui hoje, mas essa semana ainda teremos vários outros filmes para assistir e compartilhar aqui com vocês, então abraços e até breve pessoal.


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Santo Marcos - Goleiro de Placa

11/23/2013 06:18:00 PM |

É engraçado ir ao cinema ver documentários de personalidades vivas, pois geralmente as homenagens e pesquisas começam a surgir quando essa pessoa parte da nossa Terra, mas hoje Ribeirão Preto foi uma das cidades escolhidas para receber a cópia do filme "Santo Marcos - Goleiro de Placa" por possuir um grande número de palmeirenses dentre a população, pelo menos esse foi o quesito divulgado pela distribuidora para escolher suas 8 cópias. Mas o grande charme da produção está em ver como um goleiro pode se tornar um mito tão grande que mesmo pessoas de outros times, o qual ele nunca defendeu a camisa, passam a gostar e com isso acredito que as salas não estarão repletas somente de palmeirenses, mas sim de pessoas que torceram sempre para que esse grande homem se desse bem na vida desde sua saída de Oriente-SP para ser aclamado pelo mundo.

O documentário tenta nos mostrar o que faz uma pessoa, um atleta, um jogador de futebol, um goleiro, virar Santo? Depoimentos marcantes apresentam o "Santo" dentro e fora dos gramados. Ronaldo, Romário, Neymar, Cafu, Edmundo, Evair, Ademir da Guia, Luiz Felipe Scolari, Vanderley Luxemburgo, Rogério Ceni, Vampeta, Marcelinho Carioca e muitos outros depõem contando as histórias desse mito.

O que gosto de observar em documentários é a forma que o diretor soube trabalhar bem com a pesquisa, pois já vi diversos filmes que procuram idolatrar uma pessoa, mas não buscam desde onde ele começou, pula algumas partes, não mostra que a pessoa teve problemas ruins na carreira. E aqui, Thiago Di Fiore, Fábio Di Fiore e Adolfo Rosenthal levantaram números, foram atrás de depoimentos e imagens contundentes e tudo mais sem quase nem precisar dos depoimentos originais da pessoa, pois era um grande medo meu, já que como a pessoa está viva, poderia ficar falando como foi isso, como foi aquilo, e acabaria quase sendo um quadro de homenagens do Faustão, o que o longa passa bem longe.

E com os depoimentos de palmeirenses e até mesmo rivais em campo, fica claro o que o longa quer mostrar dito na sinopse, de como seus milagres frente a chutes impossíveis de pegar, o goleiro acabou se tornando um santo para sua torcida, e com isso acabou chegando à seleção nacional onde acabou sendo idolatrado por todos. E principalmente, mostrando que sua humildade e caráter presentes durante toda sua trajetória, fez com que todos os que depõem no filme não sejam torcedores de um time, mas sim devotos de tudo que mostrou e pode ainda mostrar mesmo estando fora dos campos.

Fui numa sessão de horário ruim, então havia poucas pessoas na sala, mas é notável ver pessoas chorando emocionadas com o que viam, outros aplaudiam fora do momento, riam, e isso será notório em todas as sessões assim como foi quando vi o documentário do time do Bahia, então recomendo com certeza para todos que tiverem oportunidade de onde estiver passando que assista, pois poderá conhecer um pouco mais desse mito que ajudou e muito nossa seleção à ser campeã em 2002 e que em sua aposentadoria teve direito à até uma procissão de santificação em sua homenagem, e agora conta com um filme para mostrar toda sua trajetória desde quando foi comprado por 12 pares de chuteiras até o final da sua carreira como jogador. Fico por aqui hoje, mas amanhã temos mais uma sessão da Itinerância da Mostra para conferir, e durante a semana muitos outros filmes estarão por aqui, então abraços e até breve pessoal.

PS: O Marcão em si vale nota 10, mas poderiam ter economizado em algumas músicas banais que deixaram alguns momentos exageradamente cômicos tirando um pouco do foco do profissionalismo, então reduzi a nota por isso.


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Última Viagem a Vegas

11/23/2013 05:19:00 PM |

Acho engraçado ver as expectativas que alguns grupos criam em cima de alguns filmes, quando me disseram que "Última Viagem a Vegas" seria um "Se Beber Não Case" da terceira idade, achei um pouco exagerado pois cria uma expectativa de coisas insanas acontecendo com velhinhos, então apague essa impressão da cabeça e pense apenas na seguinte situação: uma bonita renovação de amizade após muitos anos separados, onde os amigos passam a fazer tudo que gostariam mesmo aos seus 60 e poucos anos. O filme é doce, descontraído, bonito de se ver, e até divertido sem ser exageradamente engraçado como esperaria se fosse o tanto que falaram, mas agrada bastante pela química boa que existe entre os quatro aclamados atores.

O filme nos apresenta Billy, Paddy, Archie e Sam, amigos desde a infância. Billy, o solteirão compromissado do grupo, finalmente pede em casamento sua namorada de trinta e poucos anos e os quatro vão a Las Vegas com planos de parar de agir como velhos e reviver seus dias de glória. No entanto, ao chegar, os quatro rapidamente percebem que as décadas tem transformado a Cidade do Pecado e testado suas amizades de várias formas que nunca imaginaram. O Rat Pack pode ter reinado no Sands e o Cirque du Soleil talvez agora comande a Strip, mas são esses quatro que agora mandam em Vegas.

O que acontece quando um roteirista de muitos filmes infantis encontra com um diretor de filmes fantasiosos e resolvem fazer um longa sobre a terceira idade, essa pode ser uma boa definição do que esperar ver na tela, pois o que Dan Fogelman escreveu é praticamente literal, não existindo nenhuma abertura para vertentes, assim como em animações, e tirando um ou outro momento que possa até surpreender o espectador, o restante é tudo bem premeditado, porém bonito de ver, emocionando tanto como nas animações. Para tentar compensar o roteiro, o diretor Jon Turteltaub fantasia e põe alguns momentos originais no meio da trama que dão um pequeno gás, mas não consegue fazer com que os figurões já oscarizados saiam da sua praia segura e façam besteiras que queimaria fácil seu filme. Mas tirando o roteiro raro, os atores são muito bem dirigidos e por se conhecerem há muito tempo, eles trabalharam com uma interação que o diretor não necessitou esforços, claro para fazer coisas normais, e conseguiu orquestrar um filme agradável de assistir e descontrair numa Sessão da Tarde.

Imagino que tirando as grandes exigências que fazem, trabalhar com grandes estrelas como é o elenco desse filme deve ser moleza para o diretor, pois são 297 trabalhos feitos e 7 Oscars se somarmos apenas os 5 protagonistas, e todos são conhecidos de longa data, então tudo que fazem é com a maior naturalidade possível e mesmo criando novos personagens, todos já sabemos como cada um é, e isso que é o bacana de ver. Michael Douglas não é o mais novo do grupo na realidade, mas com 69 anos reais ainda é o que deve chamar mais atenção das mulheres por ter um ar mais galanteador, sendo assim ficou bem cabível o papel de conquistador, e ele o faz com muita precisão e até um pouco de canalhice, o que durante a história acabamos sabendo um pouco mais e ligando os pontinhos da rixa dele com De Niro. De Niro é apenas um ano mais velho que Douglas, mas está um pouco mais acabado, e está tão calejado dos mesmos papéis que fica difícil enxergar qualquer personagem diferente que queira fazer, então agrada sendo bem turrão. Kevin Kline é o mais novo na vida real do grupo, com apenas 66 anos, mas assim como outros na sessão, é notável um dos que envelheceu rapidamente, estando quase irreconhecível de muitos outros papéis, porém embora seja o que fez mais filmes de dramas, é o mais animado em cena com seu personagem, só poderia ser um pouco menos repetitivo, mas acredito que isso estava preso no roteiro. Agora Morgan Freeman é unânime o melhor de qualquer filme que entre mesmo que seja para fazer uma ponta mínima, sua cena fugindo de casa é de fazer chorar de tanto rir, dentre tantas outras que o nosso ídolo de 76 anos, que deve ter ficado muito feliz ao ser colocado com idade na casa dos 60 no filme, faz para deixar o ar cômico do filme nas alturas. Mary Steenburgen é tão fofa com seu personagem que mesmo na sua cena de mais impacto, ainda continua sendo singela e agradável com seus também não aparentáveis 60 anos. Dos demais personagens vale ressaltar algumas cenas de Jerry Ferrara que exagera um pouco em determinados momentos, e Roger Bart que consegue agradar tanto com bons diálogos quanto ao representar duas personalidades distintas com maquiagem. Vale ressaltar também a aparição maluca do cantor e líder do LMFAO, Redfoo, que pra variar fez todas suas bizarrices em 2 minutos cortados de filme.

O visual de Las Vegas está tão batido, que se algum dia eu viajar pra lá, saberei me localizar facilmente, mas o interessante que a equipe de arte fez, foi ficar praticamente dentro somente de um hotel, fazendo tudo por lá, e tendo apenas algumas cenas fora para complementar, e isso não agrada muito em valor artístico, mas facilita bem o custo da produção que com certeza ficou todo na contratação do elenco. Mas a falta de muitos elementos cênicos nas cenas dos velhos é compensada na abertura com os jovens atores que agradam bem rapidamente com o que fazem, tendo trabalhado com uma produção minuciosa de elementos para uma pequena cena. A fotografia utilizou de uma paleta bem variada de cores para dar mais alegria ao clima bucólico que o filme poderia ficar se fosse mais calmo, e não erra em trabalhar sempre enaltecendo os protagonistas com uma iluminação diferenciada do restante do ambiente.

Enfim, é um filme interessante, com ótimas atuações, e uma mensagem bem bacana de amizade para toda a vida, e deve ser chavão em diversos horários da tarde na TV, no cinema a distribuidora foi esperta em semi lançar ele com 2 semanas de antecedência em premieres pagas para ir testando realmente a quantidade de cópias que deve soltar na estreia dia 06/12, e com isso aproveitar que a maioria já assistiu os grandes blockbusters que ainda perduram nas salas, e a falta de outros filmes de maior apreciação. Recomendo ele mais como uma diversão amena, não passando nem perto da grande divulgação que andam falando sobre ele. Fico por aqui nesse texto, mas nessa semana teremos muitos filmes para conferir e compartilhar a opinião aqui com vocês, então abraços e até breve pessoal.


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Sobrenatural - Capítulo 2

11/22/2013 09:15:00 PM |

Se existe um gênero no cinema que anda crescendo muito é o de filmes de terror que envolvam espíritos, e ou são excelentes ou acabam ficando extremamente sem nexo, apenas assustando as pessoas sem propósito algum, e acabam sendo esquecidos tão logo o susto passe, ou em outros casos, fazem com que as pessoas mais deem risadas do que fiquem com medo de algo. Pois bem, que eu sou um fã nato dos últimos filmes do diretor James Wan já é um fato consumado, e ele conseguiu um feito raro, principalmente no gênero, que é fazer uma sequência melhor e mais consistente que a versão original, transformando "Sobrenatural - Capítulo 2" num filme interessante por colocar pingo nos is em tudo que ocorre desde a primeira cena, mas também conseguindo assustar com aparições repentinas quem estiver meio tenso procurando algo na cena. Porém temos um problema, quem não tiver assistido o primeiro filme talvez irá ficar meio deslocado com muito do que ocorre, talvez até saindo do cinema irritado com o que verá, pois ficaram coisas em aberto no 1 que aqui foram fechadas, mas quem não souber não existem links claros do que ocorreu, como em outros filmes do gênero fazem.

O filme que é sequência de Sobrenatural (2010), nos mostra que a família Lambert, formada por Josh, Renai e Dalton, voltam a lidar com uma série de assombrações e lutam para descobrir um segredo aterrorizante que os deixou perigosamente conectados com o mundo dos espíritos no primeiro filme, e agora vem mostrar como ficou o destino da família em relação ao final do primeiro filme.

Um fator marcante que o diretor consegue passar é a forma de construção da história, pois ao mesmo tempo que os personagens vão ganhando seus trejeitos, nós meros espectadores vamos entrando no clima junto com o que nos é apresentado, não dando sustos gratuitamente, muito menos abusando de computação gráfica para impressionar. E isso faz dele um dos melhores diretores da atualidade no gênero, porém poderia ter feito a história de forma paralela para adquirir novos espectadores e não apenas agradar aqueles que já conheciam a história original. Mas tirando esse pequeno defeito, a trama que consegue nos contar, finaliza completamente a investigação que ficou aberta em 2010, e agora após o total sucesso que foi nos EUA com certeza o novo caso que é aberto no final em breve deve gerar um capítulo 3, livre da família Lambert e agradará mais ainda. O diretor aproveita sua mão boa para captar momentos tensos com os protagonistas e firma cada vez mais a expressão dos protagonistas numa câmera sem muitos movimentos bruscos e com isso acaba agradando muito quem já for fã dele. Além disso, acaba deixando ainda mais interessante a história por focar em possibilidades verossímeis para quem acredita no que é mostrado, mesmo não necessitando em momento algum dizer que é uma história baseada em fatos reais, muito pelo contrário, vindo das mentes dele e de Leigh Whannell, que lhe ajuda nas histórias mais assombrosas desde "Jogos Mortais". Apenas para explicitar números, o capítulo original custou U$1,5 milhão e rendeu U$94 milhões, enquanto esse custou U$5 milhões e até o presente momento, antes mesmo de estrear no principal país fã do gênero, o Japão, já arrecadou U$85 milhões, então novamente se pagou e sobrou muito.

O elenco por já conhecer a trama, não ficou tão aterrorizado como no original, e isso acabou pecando um pouco nos trejeitos, pois agora parecem mais nervosos do que assustados. Patrick Wilson poderia ter conduzido melhor seus momentos de nervosismo, pois a forma violenta que age, acaba ficando um pouco exagerada na tela, mas ao mesmo tempo, seus momentos no Além, mesmo que por pouco tempo, acaba concluindo a história muito bem, e acredito que se o diretor tivesse optado mais nesse sentido agradaria mais ainda. Se no primeiro Patrick, mesmo não dando tanto conta do recado, conseguiu chamar atenção, aqui a vez foi de Rose Byrne que nos seus momentos de maior tensão dá a cara a tapa, literalmente, para sofrer e muito com os espíritos do mal, e seus trejeitos auxiliam demais a tensão que o diretor quer passar nas primeiras cenas. O garoto Ty Simpkins, diferente de muitos amiguinhos seus que só fazem filmes de terror, anda conseguindo oscilar filmes de ação no meio de seu currículo para não ficar tão traumatizado na vida adulta, pois seu envolvimento nas cenas tensas do primeiro filme, voltam a ficar bem fortes em alguns momentos do novo filme e daria para deixar alguém com uma cabeça aberta, geralmente todos atores possuem, com problemas futuros. Barbara Hershey poderia ter dado mais pelo filme, não demonstrando nenhuma tensão nem nos momentos mais fortes que participa, por exemplo no hospital, e isso acaba atrapalhando um pouco já que ela fica a maior parte do filme enquadrada junto com os demais. Lin Shaye é interessante em diversos momentos por saber fazer trejeitos agradáveis e funcionais para a trama, e mesmo estando morta acaba auxiliando tudo na investigação, agora é esperar se vai assinar os próximos, pois aparenta que deva ser a protagonista nas demais continuações. Steve Coulter não agrada tanto como um comunicador de espíritos e sua interpretação mostra quase um jogador de "Jumanji" que não está acreditando nem um pingo do que está fazendo. Claro que assim como em quase todos os filmes de Wan, o roteirista Leigh Whannell atua, e poderia ter feito algo menos cômico, pois se a intenção era quebrar a tensão, ele junto de Angus Sampson conseguem e até atrapalham em diversos momentos. Dos espíritos valem destacar os dois protagonistas, Danielle Bisuti e Tom Fitzpatrick que conseguem ser bem macabros na medida certa.

Outro grande fator sempre bem presente nos longas de Wan é a direção de arte bem pautada nos anos 80, que ficam na medida certa para assustar, ainda bem que era pequeno demais e não me lembro tanto de coisas assustadoras dessa época, mas não iria morar nunca numa casa como a que os protagonistas vão, saindo de uma tensa, para uma 10x pior. E a equipe de arte trabalhou tão bem para colocar todos elementos assustadores condizentes sem que ficassem pesados ou fora de contexto que agrada muito tudo que aparece na trama, fazendo o longa ficar mais tenso ainda. A equipe de fotografia poderia apenas ter tonalizado mais para o preto do que para o marrom, que intensificaria mais ainda as cenas tensas, mas nos momentos que retoma o além mixando vermelho com preto esfumaçado ficou muito bom de observar o que quer passar.

A trilha de Joseph Bishara já está sendo quase padrão em todos os filmes de terror, e ele sabe muito bem pontuar a tensão, indo aumentando gradativamente os momentos que devem ficar mais tensos com o ponto culminante de susto, e isso agrada bem, pois não ficamos tendo apenas sustos gratuitos como ocorria em diversos filmes.

Enfim, é um bom filme, longe de ser excelente, mas que agrada bastante por finalizar a história começada em 2010, quase sendo como um jogo de futebol, onde os jogadores trocaram de lado ganhando o jogo, mas continuam no campo jogando bem para ganhar ele. Recomendo quem for assistir, e principalmente gostar do gênero, que assista o primeiro se não tiver assistido ou não lembrar bem dos detalhes, pois fará falta. E para quem não for fã de filmes de espíritos, passe bem longe da sessão, pois a chance de reclamar de tudo que vê é altíssima. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas daqui a pouco irei conferir uma pré-estreia, então abraços e até daqui a pouco.


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A Montanha Matterhorn

11/18/2013 01:11:00 AM |

É estranho um filme que tem um miolo todo metódico, pra não dizer chato, que você já está pronto para aniquilar no seu texto, e ele vir com um final tão perfeito que até passa a gostar mais de tudo que foi mostrado. Pois bem, aconteceu exatamente isso ao assistir "A Montanha Matterhorn", o primeiro longa holandês que eu lembro de ter assistido. Já havia visto outros longas que mostra toda essa paranoia com horários, de fazer tudo certinho, dominar o outro de certa forma, mas nunca algo que ficasse 100% preso nisso, e quando o estranho entra na vida da pessoa organizadinha, assim como já está na sinopse, já se imagina que haverá uma quebra de paradigmas, mas não, ele tenta colocar a pessoa no mesmo eixo estranho. Porém quando ocorre o clímax e vem o grande choque, o longa toma uma vertente tão interessante que praticamente tudo de ruim, quase é apagado das nossas mentes e ficamos apenas com a música emblemática final e toda a simbologia que representa, mesmo para quem pegar a ideia antes do final mesmo, e isso é magnífico, pena que demora demais para decolar.

O filme nos mostra que Fred tem 54 anos e mora sozinho. Ele anda pela cidade de ônibus, frequenta a igreja e janta vagem com carne e batatas todo dia às 6 horas em ponto. Um dia, Theo entra na vida de Fred e transforma sua rotina. Influenciado pelo estranho, Fred começa a se desprender e passa a explorar um mundo maior.

O interessante do longa é explorar as mudanças de vértices que o protagonista toma, principalmente ao ir conhecendo mais sobre o estranho que ele dá abrigo, pois começa inserindo ele no seu meio, e quando vê já está mais no dele que no seu. E isso torna a experiência em alguns momentos bem estranha de assistir. Porém a genialidade que o diretor teve em colocar um final completamente anverso ao que se espera, foi incrível. Poderia claro ter dado um ritmo um pouco menos monótono durante a execução, mas se formos observar pelo final, talvez não tivesse o mesmo impacto. Além disso, por conseguir montar uma ideia completa do ambiente, a narrativa consegue ilustrar tudo e mais um pouco da vila, dos personagens e tudo mais, criando em apenas 96 minutos algo que alguns necessitariam de no mínimo 120 minutos, e isso é bem inteligente de se observar.

Garanto que nunca imaginei ver atuações tão metódicas, e isso é tão estranho que fiquei curioso para ver mais filmes dos atores, para saber se é o estilo deles de atuar ou do próprio diretor de dirigir ou se é algum estilo próprio do país. Mas isso só saberei assim que conferir outros, o que acho bem difícil de conseguir, mas tentarei. Ton Kas começa tão na defensiva que passa uma imagem fechada e de difícil acesso tanto ao seu personagem quanto a sua interpretação, e isso é ruim, pois poderia dar tudo errado, mas como ele consegue tomar as rédeas facilmente na segunda metade do filme, mostra um teor tão agradável de ver que impressiona. Já vi atores fazerem muitos filmes com poucos diálogos, mas o que René van 't Hof fez hoje é de outro planeta, o ator passa por tudo apenas usando seu gestual e pouquíssimas palavras e o melhor é que consegue convencer a todos de seu problema além de ser o tino divertido da história. Porgy Franssen agrada nos momentos em que tenta se destacar como membro chefe da igreja da vila, e no momento que é revelado seu segredo com os acontecimentos do protagonista, fica uma tensão muito forte na interpretação que ao mesmo tempo que dá um choque no espectador, acaba confundindo um pouco mais tudo. Todos os demais fazem bem seus papéis, mas o destaque mesmo é para a forma interpretativa da canção final com Alex Klaasen que resume tudo o que se possa pensar num momento único de interpretação e sentimentos.

A vila criada ou escolhida para ser parte principal do cenário do filme é algo que em hipótese alguma possa parecer real, pois são várias casinhas, com moradores todos de cultura extremista cristã, onde a religião domina todas as forças possíveis, e isso além de caracterizar demais o filme, mostra toda a veracidade que a equipe de arte tenta passar ao ilustrar ela, e mais do que isso ainda colocar como parte da história o contexto passado. Além disso, toda a influência dos animais como parte da história dá um charme a mais para a trama. A única coisa que ficou mais estranho do que o normal, se é que dava para ficar mais estranho, são as festas "animadas" pelo protagonista cantando e o seu parceiro imitando os animais, sinceramente se eu visse isso numa festa acho que ficaria mais com medo do que animado, mas tudo bem é a proposta do filme, então ficou interessante ao menos. O longa também é riquíssimo em elementos cênicos que remetem sempre à algo na história, acabando por fazer parte do contexto, como o relógio, a forma de comer a bolacha, entre outros. A fotografia aproveitou muito do clima da região para as cenas externas, valorizando bem a luz natural e nos momentos que necessitou luz, como nas internas ou na cena de chuva, optou por usar um contraluz bem leve para apenas chamar a atenção para o ponto que necessita.

Enfim, ao mesmo tempo que o filme é estranho, ele possui seu charme, poderia ser feito de forma a chegar no mesmo resultado brilhante do final sem precisar do exagerado começo e miolo monótono, mas como disse, pode ser que seja algo do estilo de filmes do país, mas com certeza faria esse Coelho mais feliz com o que viu. Vale a pena ver mais como uma ideologia cultural, e para mostrar que sempre é possível quebrar paradigmas e preconceitos se levarmos em conta o bom senso, então só por passar essa mensagem, já valeu o filme. Encerro aqui essa semana cinematográfica bem curta, torcendo para que venham muito mais filmes na semana que vem, então abraços e até sexta.


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Blue Jasmine

11/17/2013 01:34:00 AM |

Existem algumas perguntas em minha mente as quais não gostaria de responder, uma delas é até que ponto vale idolatrar um diretor mesmo que ele não faça um filme genial sempre? Pois bem, sabemos que Woody Allen apresenta praticamente um novo filme dirigido por ele por ano desde quando começou a dirigir em 66, falhando apenas em 67, 68, 70, 74, 76 e 81, então não podemos esperar que todos sejam grandes obras de arte, claro que o que vemos em "Blue Jasmine" é seu tradicional texto recheado de bons diálogos, onde os protagonistas mostram toda sua capacidade de atuar, mas está muito longe das grandes obras que já fez, sendo algo bem mediano para dizer a verdade.

O filme nos mostra que Jasmine vive na alta sociedade em Nova York. Sua vida muda completamente quando ela separa-se do marido e perde todo seu dinheiro. Com isto ela é obrigada a ir morar com sua modesta irmã em São Francisco. Agora, distante de seu luxuoso universo, Jasmine precisará reorganizar toda sua vida.

A forma desconstruída do roteiro, indo e voltando com a loucura que a protagonista tem em sua mente ao juntar os fragmentos de tudo que ocorreu ao ouvir algo à respeito do momento é bem interessante, e agrada por não termos um filme retinho. Mas faltou definir pra que lado o diretor resolveria atacar, ficando bem no meio termo entre drama e comédia, não cumprindo nenhuma das duas metades. Não vou falar que não existem momentos cômicos, mas é um humor tão simplório que fica difícil ficar feliz. Além disso, o diretor optou por querer mostrar que muitos vivem de aparências em algumas cenas, e com isso chega a ser até uma dura crítica a sociedade atual que é fã de seus filmes, então é quase raro não enxergar o incômodo que causa em alguns espectadores, ou seja, atingindo o que gostaria. E embora tenha um ritmo até acelerado, acaba cansando pelo fator da indefinição, pois parece perdido em meio a tantos tiros no escuro.

Agora se tem uma coisa que não podemos reclamar nunca dos textos de Woody Allen é o favorecimento que dá para que seus atores se destaquem, e a prova disso está na desconcertante Cate Blanchet que em certos momentos parece ter sofrido uma abdução extraterrestre, onde sua loucura parece quase explodir e solta textos imensos rumo ao vento pelo olhar perdido que está, e isso não é ruim de forma alguma, pois mostra a ótima interpretação que faz da loucura o seu próprio personagem, diga-se de passagem preferiria que ela ficasse off assim o filme inteiro que seria muito mais rico. Sally Hawkins está perfeita ao mostrar um personagem que ao mesmo tempo é desesperador por só arrumar perdedores como diz a irmã, e feliz por mostrar que gosta de ser desse jeito, não precisando de um status para que sua vida seja agradável, então seus trejeitos oscilam muito nos dois momentos em que passa, sempre procurando manter uma felicidade estampada no rosto. Alec Baldwin participa apenas desses momentos de flashback e geralmente faz sua tradicional interpretação de empresário rico e galanteador que estamos acostumados a ver em milhões de filmes, então não agrega valor quase nenhum à trama. Os maridos de Sally, Bobby Cannavale e Andrew Dice Clay agradam tanto pela canastrice que passam ao serem exóticos demais, quanto pelas boas atuações que fazem nos devidos momentos, claro que Bobby tem mais participação e com isso até mesmo um choro mais falso impossível consegue agradar. Os demais atores até fazem bem seus personagens, mas todos acabam sempre sendo caricatos ao estarem presentes apenas para dar a deixa para as protagonistas, destacando apenas a investida maluca de Michael Stuhlbarg e a forma calma que Peter Sarsgaard faz nos seus momentos.

O visual de São Francisco não é dos mais charmosos que Woody Allen já filmou, mas tem o seu carisma pessoal ao retratar bem tanto as áreas e pessoas mais estranhas do lado pobre, quanto a riqueza que alguns podem ter, além de mostrar a Nova York dos riquíssimos para dar o oposto completo das vidas que a protagonista passa durante sua trajetória. O mais interessante é ver que as realidades mostradas acabam acontecendo de certa forma costumeira de se ver, por exemplo aprender computação quando mais velho, ir a trabalhos menores mesmo depois de ser muito rico em alguma época e até aprender a conviver com pessoas que não estava acostumada, e isso o diretor utiliza muito dos elementos cênicos proporcionados pela equipe de arte, o que acaba agradando bem. Podemos dizer que nesse filme Woody nem deu trabalho para a equipe de fotografia, pois usando praticamente só a luz natural do ambiente não relevou nada para dar alguma grandiosidade ou para chamar atenção para algo, mas mesmo assim temos bons ambientes que foram retratados em sua maioria em planos abertos e assim valorizaram o que era mostrado pelo menos.

Enfim, é um bom filme, mas não chega nem perto dos últimos excelentes filmes que Woody fez. Fui sedento demais ao pote esperando que surgisse um novo "Meia Noite em Paris" e vi algo mais próximo de "Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos" que não é genial, mas é bonitinho pelo menos. Recomendo à todos que forem assistir, que não assistam o longa cansados, pois a chance de dormir é alta, ainda mais se for em uma sala mais confortável. Agora é aguardar se o filme de 2014 dele voltará a ser algo que valha a pena ou se começou mesmo a decair na qualidade. Fico por aqui, mas ainda nesse domingo confiro mais um longa da Itinerância da Mostra, então abraços e até mais tarde.


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