Doutor Estranho No Multiverso da Loucura (Doctor Strange in the Multiverse of Madness)

5/05/2022 01:43:00 AM |

Passado o medo de não entender nada de "Doutor Estranho no Multiverso da Loucura", afinal só com os trailers já dava para notar o tanto de referência às séries da Disney+ (e como muitos sabem sou contrário à esse estilo de dependência), fui conferir o longa e fiquei bem feliz com o resultado, pois deu para entender tranquilo a maior parte do longa, necessitando saber apenas o que a maioria dos spoilers das séries que foram colocados na internet, então agora posso falar que é um dos filmes mais doidos que já vi, afinal é uma mistura gigantesca de longas de terror bem intensos, com poderes de super-heróis e uma clara busca por dominar feitiços para viajar por universos paralelos. Ou seja, é mais um tremendo filmaço que a Marvel nos presenteia, entregando algo interessante, cheio de momentos de boas lutas, não enrolando com atos desnecessários, e principalmente conectando todos seus filmes e elementos, além claro de muito fan-service com diversas coisas que o pessoal desejava ver na telona, e tudo isso inserido em um filme de terror diferenciado de tudo. 

O longa nos conta que após derrotar Dormammu e enfrentar Thanos nos eventos de "Vingadores: Ultimato", o Mago Supremo, Stephen Strange, e seu parceiro Wong, continuam suas pesquisas sobre a Joia do Tempo. Mas um velho amigo que virou inimigo coloca um ponto final nos seus planos e faz com que Strange desencadeie um mal indescritível, o obrigando a enfrentar uma nova e poderosa ameaça. 

Fazia praticamente 10 anos que Sam Raimi não dirigia um longa, e aqui o que pediu para Kevin Feige foi muito bem atendido, afinal ele desejava algo completamente diferente dos tradicionais longas de super-heróis, que tivesse uma pegada muito mais de terror, de tensão e de envolvimento com os personagens, não apenas algo jogado para emocionar os fãs, e lhe foi permitido fazer isso, afinal o roteiro de Michael Waldron tinha essa pegada, aliás esse é o primeiro roteiro de longas do escritor, que antes apenas foi muito elogiado pelo que fez na série "Loki" do Disney+, o que lhe gabaritou para entrar de cabeça aqui no filme. E voltando para Raimi, o que ele fez foi algo ousado até demais, afinal estamos acostumados com filmes mais cômicos na Marvel, e aqui seu longa é escuro, denso, cheio de propostas fortíssimas de feitiços e contando inclusive com mortes horripilantes, defuntos ganhando vida, personagens não muito bonitinhos, e o melhor, que isso funcionou até mesmo nas alegorias levemente engraçadas colocadas no interior do texto. Ou seja, é a base do terror moderno, que você assusta, mas também ri, que fica tenso, mas se emociona, e assim a parceria foi funcional e claro serviu para inserir muitos vértices que a Marvel desejava colocar para mostrar que comprou realmente tudo da Fox, então é só aguardar que logo mais surgem mais coisas boas nas telonas, e quem sabe com Raimi brincando novamente.

Sobre as atuações, em certo momento você até chega a se perguntar se é um filme do Doutor Estranho ou da Wanda/Feiticeira Escarlate, pois se cronometrar os tempos de tela e a valorização das cenas é capaz que a protagonista da trama seja a vilã, e isso não é algo ruim, afinal Elisabeth Olsen é uma tremenda atriz e se sai incrivelmente bem em todos os momentos que lhe foram exigidos trejeitos, diálogos, intensidades corporais e tudo mais, sendo perfeita em tudo e assustando demais com a força que entrega em cena, que muitos já até tinham visto na série solo dela, mas quem conferir agora na telona irá se espantar com suas dinâmicas tanto da atriz quanto da personagem, o que mostra um grande acerto bem questionado no passado com a escalação dela, que agora mostra muito serviço. Mas claro o título é dele, e Benedict Cumberbatch é sempre metódico e perfeccionista no nível máximo com todos os personagens que lhe são entregues, e aqui seu Stephen é centrado e seu Estranho é preciso e imponente, numa composição cheia de maquiagens para os diversos papeis que faz em cada universo, e conseguindo dominar cada ambiente para que tudo funcionasse bem acabou dando show na tela. Tivemos a inserção da jovem Xochitl Gomez com sua America Chavez, e felizmente a garota tem personalidade, entregou atos bem encaixados, foi dominante em cena mesmo estando ao lado de um grandioso ator, e cheia de gracejos, trejeitos simples, porém efetivos acaba agradando bastante, e agora é ver o que vão lhe dar mais para frente na companhia. Benedict Wong foi muito bem em cena também com seu Wong, sendo utilizado em algumas cenas-chaves com precisão e domínio do ambiente, não se impondo tanto quanto poderia, mas sendo amplo no que precisava fazer e agradar. Outra que veio com tudo no longa é Rachel McAdams, que se no primeiro filme do Estranho foi usada de forma bem básica, aqui deu a letra perfeitamente para sua Dra. Christine, que num primeiro momento até pensamos que novamente seria apenas um enfeite, mas assim que mudam de universo, ela passa a ser importantíssima para tudo. Ainda tivemos outras boas participações, mas como a maioria é spoiler, então é melhor deixar que cada um confira na telona e vibre com elas, o que adianto é que são muitos dos que queriam que aparecessem, tirando claro alguns certos exageros.

Visualmente o longa é a base do título: uma loucura completa, tendo cenários intensos em diversos universos (inclusive nos quadrinhos), muitos ares escuros para dar o tom de terror, uma Nova York completamente diferente, o templo tibetano cheio de aprendizes de mago com suas devidas forças nas mãos, cenas numa montanha bem fria e com um ambiente recheado de referências e magias, a clássica casa de Wanda da série bem modelada, uma prisão/laboratório importantíssimo em outro universo com toda uma equipe chamativa e muita segurança, lutas e coisas quebrando/explodindo por todos os lados, um outro universo completamente devastado e com um casarão assombrado bem marcante, e claro tudo recheado de elementos cênicos precisos para cada ato ser importante e funcional, ou seja, um filme com cores fortes e bons desenhos de ambientes, e que acaba chamando detalhes para irem ainda mais longe nas próximas produções da companhia. Detalhe, não conferi o longa ainda em 3D, pelo horário legendado não ser a melhor opção com a tecnologia, mas irei ver em breve dessa forma, pois é notável a quantidade de elementos que giram, que saem e que são usados aos montes, então voltarei nos comentários do texto assim que conferir, e acredito que irei recomendar o uso dos óculos.

Enfim, é um longa praticamente perfeito, que agrada bastante, que é completamente diferente de tudo o que já fizeram na Marvel, e que muitos vão amar e outros vão odiar, mas que chama atenção do começo ao fim, que quem for fã viciado nas séries vai enxergar ainda mais coisas do que apenas quem for comum como eu que apenas gosta dos longas da companhia, mas que felizmente pode ser visto sabendo bem pouco de tudo, e isso como costumo falar é a exigência máxima de um bom longa que é não depender de outros fatos/filmes/livros/HQs. Então podem pegar sua pipoca e conferir tranquilamente pois vai valer a pena, e eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: é um tremendo filmaço, mas não dei a nota máxima por precisar de muita coisa para um entendimento/aproveitamento completo do que é mostrado na tela, e isso já falei inúmeras vezes que é falhar com a experiência de alguém que quer apenas ver um filme e não uma série de mil conexões.


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