Netflix - O Mesmo Sangue (La Misma Sangre) (The Same Blood)

7/07/2019 01:51:00 AM |

Todos sabemos bem o quanto os argentinos dão show em dramas e suspenses, conseguindo encontrar sempre vértices bem trabalhados, minúcias pontuadas para que cada ato cause sensações, e tudo mais, porém o longa da Netflix, "O Mesmo Sangue", segue de uma forma tão novelesca, com caras, bocas e exageros pontuais tão marcados que acabamos quase que brincando de adivinhações num primeiro momento, mas que logo em seguida tudo é mostrado pelo outro lado e apaga um pouco o brilho da trama. Diria que se tivessem feito algo mais investigativo por parte do genro, impondo as dúvidas dele com especulações sem entregar para o público tudo logo no segundo ato, o resultado seria incrível, mas ao virar novela com direito a revanche amorosa entre primos, o desastre final chegou ao ponto máximo de decadência. Ou seja, é um filme que quem gosta de uma novela até vai curtir a ideia, mas quem for esperando um bom suspense dramático sairá bem desapontado.

A trama em si é bem simples e nos mostra que a família de Carla será colocada em teste quando sua mãe aparecer morta após o que parece ser um acidente doméstico. Santiago, o marido de Carla suspeita que seu sogro, Elias, tenha sido responsável por sua morte.

A ideia em si é bem funcional, tem um propósito, mas o diretor Miguel Cohan quis entregar algo muito amplo, fazendo quase que um filme visto de três lados, e isso não é algo que funciona bem quando uma história não tem a pegada para isso, pois aqui o formato é simples, então ele teria de ter colocado tudo no ar, sem entregar de cara os problemas, pois mesmo mostrando que a morte em si foi acidental (com algum agravante extra), o caminho poderia ter sido menos formatado e agradaria bem mais, além de que querer mostrar que o sangue do pai transmitiu a mesma forma agressiva para o filho, e fechar o filme quase da mesma forma que começou foi algo bem bobo demais, ou seja, a trama possui tantas falhas, que mesmo procurando algo bom para nos envolver, acabamos não saindo tão felizes com toda a tensão criada no miolo, e confesso que com poucas (bem poucas mesmo), teríamos um daqueles filmes de ficar quase sem respirar, mas da forma como foi feito, vemos quase igual aquelas tiazinhas noveleiras que já vão falando o que vai acontecer em cada cena, e acontece.

É engraçado que assim como os brasileiros, os atores argentinos são muito expressivos, entregando sempre caras e bocas bem marcadas, momentos dramáticos cheios de força, e aqui todos se entregaram bem para seus personagens, de modo que certamente poderíamos ter visto um filme incrível, mas, a história não ajuda muito, e dessa forma, Diego Velázquez acaba tendo seu Santiago como aqueles que ficam parecendo loucos na trama, sem muito o que entregar, e fazendo o que pode. Oscar Martínez nos entrega um Elias que parece estar sempre de mal-humor e que mesmo que não fosse mostrado seus momentos problemáticos, desconfiaríamos muito de tudo o que faz, da mesma forma que Santiago, pois tem cara suspeita, e o ator fez até que bem seus atos mais impactantes. Por incrível que pareça, tivemos uma trama argentina que as mulheres ficaram bem fracas em segundo plano quase que ocultas, e tanto Dolores Fonzi com sua Carla, quanto Paulina García com sua Adriana fizeram bem seus papeis, mas sem muito para impactar, o que acaba ficando estranho na trama, pelos exageros, e quando tentaram aparecer, soaram fracas, ou seja, qualquer atriz menor que fosse escalada, faria o papel da mesma forma, enquanto duas grandes atrizes do país foram usadas de enfeite.

Visualmente o longa até tem alguns elementos bem colocados, mas a maioria é usada de forma jogada, como o moinho da fazenda, o colar que entrega muitos elementos misteriosos, a boleira imensa numa casa rica, entre outros, e isso ajudaria bem a dar o suspense necessário para o filme, mas optaram por entregar tudo, e isso não é algo funcional, ou seja, o filme cria perspectivas, mas não chega a lugar algum.

Enfim, é um filme que só quem for realmente muito fã de novelas vai gostar, pois não se encaixa em elos dramáticos, muito menos num suspense convincente de ficarmos esperando algo acontecer, e dessa forma, o resultado acaba soando fraco demais como filme. Sendo assim, não recomendo, mas também não digo que é a pior bomba possível, de modo que diria que tem uma história intrigante que valeria ser melhor explorada. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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