Entre Rosas (La Fine Fleur) (The Rose Maker)

6/26/2022 08:06:00 PM |

Posso dizer com toda certeza que meu conhecimento sobre flores é quase nulo, lembrando bem pouco das formas de polinização e mistura de genes da época da escola, mas hoje com o filme "Entre Rosas" também posso dizer que conheci muito mais desse meio de produção com técnicas e muita desenvoltura para criar flores premiadas, com perfumes e cores exóticas e tudo mais, mas não apenas isso que o longa nos entrega, mas sim também toda uma nova chance para detentos em fim de pena que estão tentando se ressocializar e geralmente conseguem empregos em cultivos, e também os que se destacam ali podendo ir mais além. Ou seja, é um filme doce, leve e que entrega bons momentos, que certamente poderiam até ter trabalhado algumas reviravoltas mais expressivas, mas não era essa a proposta, e do jeito que foi feito acabou sendo bem agradável também.

O longa nos mostra que Eve Vernet foi a maior criadora de rosas. Hoje, está à beira da falência, prestes a ser comprada por um poderoso concorrente. Véra, sua fiel secretária, acha que encontrou uma solução ao contratar três presidiários que tentam se reinserir na sociedade, mas que não tem nenhum conhecimento de jardinagem. Enquanto quase tudo os separa, eles embarcam juntos em uma aventura singular para salvar a pequena fazenda.

Diria que o diretor Pierre Pinaud, que fez o longa em homenagem à sua mãe, que também foi uma cultivadores de rosas, soube utilizar muito bem o roteiro de Fadette Drouard, pois como disse no começo poderia ter muito mais ousadia e imponência em algumas cenas, mas a proposta era ser exatamente como a leveza de uma flor e entregar uma síntese gostosa e envolvente sobre técnicas de misturas, de conhecer mais os dons, e até de aprender algo que você nunca vivenciou, deixando para trás o passado, e assim vemos um longa doce de sentimentos, mas também com notas amargas para algumas atitudes, e assim posso dizer que o resultado funciona, e na simplicidade acaba sendo daqueles que lembraremos quando alguém falar que já viu algum filme sobre flores.

Sobre as atuações, Catherine Frot soube dosar bem as atitudes de sua Eve, claro que fazendo também algumas coisas meio que erradas que não deveriam mostrar sendo feitas com detentos em condicional, mas seus olhares e envolvimentos com os demais sobrepõem tudo, e acabamos bem conectados com ela ao ponto de torcer para que tudo dê certo no final. Manuel Foulgoc foi muito preciso de atitudes com seu Fred, ao ponto que o jovem num primeiro momento parecia ser mais explosivo, porém soube dosar bem olhares e sentimentos para que ao final se conectasse tanto ao público quanto com a protagonista, e assim deu show também. Embora Fatsah Bouyahmed parecesse desesperado com seu Samir, o resultado completo de seu envolvimento no final acaba sendo bem feito, ao ponto de não decolar em cena, mas terminar bem o que fez. Olivia Côte entregou uma Véra como a tradicional funcionária que fica até o último momento na empresa, que é doce e opina bastante com a dona, e que transmite bem seus sentimentos para o filme, não sendo um grande destaque, mas agradando bem também. Marie Petiot foi muito engraçada com sua Nadège emotiva demais, ao ponto que o papel dela é dar as devidas quebras, mas agrada e faz bem o que precisava. Esperava que Vincent Dedienne fosse mais vilanesco com seu Lamarzelle pelo que aparentou no trailer, mas foi apenas um concorrente com jeito de filhinho de papai que tanto vemos administrando empresas por aí, e o ator foi bem no que fez nesse sentido.

Visualmente o longa é bem bonito pelas várias plantações de flores, as diversas estufas, todo o figurino tradicional de pessoas da lida no campo, além de vermos as pequenas empresas, e as gigantes com toda sua segurança, vermos como são os berçários de flores e até mesmo algumas competições de flores, aprendendo como é julgado tudo, ou seja, a equipe de arte trabalhou bem para ser bem representativa.

Enfim, é um longa que passa longe de ser daqueles memoráveis, mas que funciona muito bem dentro da proposta e acaba sendo um bom alívio para quem quiser uma trama mais relaxante e gostosa de ver sobre o tema. E assim deixo minha recomendação, e fico por aqui agora, voltando mais tarde com mais textos, então abraços e até breve.


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O Próximo Passo (En Corps) (Rise)

6/26/2022 01:29:00 AM |

Quando vi que o filme "O Próximo Passo" foi o terceiro filme mais visto na França superando grandes produções e tinha um conteúdo voltado para a dança fiquei imaginando apenas peças sendo exibidas, ou algo do tipo, mas a síntese do longa é algo que vai muito além do que apenas dança, tendo toda a dramaticidade em cima do se conectar com o corpo e fazer o que mais gosta, além de claro provar aos pais que o dinheiro e o tempo investido em uma pessoa valeram a pena. Ou seja, é daqueles filmes com conteúdo, com visual, com muita preparação corporal, e que felizmente trabalhou de uma forma leve e gostosa todos os problemas da protagonista, tem uma encenação brilhante de danças de vários tipos, e envolve do começo ao fim. O único adendo que colocaria é que o diretor se alongou um pouco demais, pois o filme tem 117 minutos e parece bem maior, ao ponto que daria para ser mais direto em vários atos.

A sinopse nos conta que Elise é uma jovem e promissora bailarina clássica que se machuca em uma apresentação após flagrar a traição do namorado. Apesar dos especialistas dizerem que ela não conseguirá mais dançar, Elise vai lutar para se recuperar, buscando novos rumos no mundo da dança contemporânea.

Acredito que o diretor e roteirista Cédrik Klapisch foi muito amplo na ideia entregue aqui, pois muitos diretores seguiriam talvez o roteiro por um caminho mais seguro somente de apresentações de dança, ou então trabalharia bem mais a parte dramática com atores e deixaria a dança em segundo plano, e ele não, quis igualar bem todo o processo trabalhando com três tipos bem abertos, o de atores como o pai da garota, o fisioterapeuta e a dona do hotel, os dançarinos e coreógrafos verdadeiros fazendo seu trabalho corporal incrível, e a protagonista que embora seja uma bailarina real também se entregou bem aos trejeitos necessários e conseguiu soar cativante. Ou seja, abrindo o leque ele conseguiu um público bem grandioso, o que leva o título de grande bilheteria na França, e soube passar a mensagem bem colocada de auto-ajuda/conhecimento que é sempre uma boa lição para ser jogada para o público, resultando em algo leve e bem gostoso de ver, e que emociona pela sensação completa.

Sobre as atuações, mesmo Marion Barbeau não sendo uma atriz de fato, toda bailarina precisa ser muito expressiva para passar a mensagem de uma coreografia somente usando o corpo, e ela fez isso magistralmente nas cenas que pôs o corpo para jogo, porém soube usar bem os diálogos e olhares nas cenas mais dramáticas de sua Elise, ao ponto que convenceu bem e foi emotiva suficiente ao passar seus problemas e dores, que não sabemos bem se o diretor usou um pouco de sua história, mas atualmente não é mais bailarina clássica tendo ido para a contemporânea ao montar uma companhia com o marido, então talvez tenha sido uma inspiração para o diretor criar a trama. Hofesh Shechter, que é coreógrafo real conceituadíssimo fez a si mesmo em cena, e trabalhou alguns sorrisos e trejeitos, mas como bem sabemos esse pessoal é melhor atrás das cortinas, então pareceu nervoso nos atos que fez. Denis Podalydès fez um belo trabalho como Henry, o pai da protagonista, e desenvolveu cenas com muito envolvimento e chamando o estilo de pai que cuidou boa parte da criação das filhas, levou para as aulas de dança e tudo mais, e claro muito protetor desejando algo a mais para a filha do que apenas dançar, vemos ele com trejeitos fortes e uma emoção fora do normal. Também tivemos bons atos e mensagens através de Muriel Robin com sua Josiane, uma dona de um hotel cultural bem interessante, e ela cheia de olhares fez seus momentos serem chamativos e gostosos. E claro tivemos François Civil, irreconhecível, principalmente pelos filmes fortes que entregou ultimamente, e aqui com seu Yann, um fisioterapeuta emotivo e apaixonado pela protagonista fez cenas caricatas bem divertidas e uma entrega precisa. Pio Marmaï também entregou cenas bem gostosas com seu Loïc, um cozinheiro cheio de traquejos em uma entrega bem ampla e divertida junto da namorada Sabrina vivida por Souheila Yacoub, muito bem encaixada também. Quanto aos dançarinos é claro que o destaque fica para Mehdi Baki e Robinson Cassarino pela desenvoltura mais conectada com a protagonista, mas todos foram muito bem em cena.

Visualmente o longa é bem bonito, com uma apresentação incrível inicial de uma peça de balé clássico com a protagonista dando show em um ambiente todo preparado, algumas consultas médicas e de fisioterapia, depois já vamos para um food-truck indo para um hotel cultural aonde vemos diversas apresentações de músicos, dançarinos e cantores, toda a beleza gastronômica, vemos belos encerramentos do dia próximo do mar, com uma meia luz incrível, e ao voltar para Paris temos uma apresentação visceral maravilhosa de dança contemporânea com muita imponência, músicos e tudo mais para impactar a todos, e vermos claro a emoção da plateia.

Enfim, é um excelente filme que se arrastou um pouco, pois dava para ficar em torno de 100 minutos ou menos, mas que é tão envolvente e gostoso de ver que acaba valendo todo o tempo na sala do cinema, então recomendo ele com toda certeza para todos, e principalmente para os amigos da dança, então fica a dica, e eu fico por aqui hoje, mas amanhã volto com muitos outros textos.


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Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo (Everything Everywere All at Once)

6/25/2022 05:52:00 PM |

Quando falaram por aí que o longa "Tudo Em Todo O Lugar Ao Mesmo Tempo" estava sendo considerado o melhor filme do ano pela maioria dos críticos, confesso que fiquei com os dois pés atrás, pois geralmente quando isso ocorre vem filmes sem pé nem cabeça algum, daqueles que conferimos tudo e saímos da sala sem entender bulhufas do que foi dito. E sim, o filme é desses completamente malucos, com pessoas tendo dedos em formato de salsichas, querendo pular em plugues gigantes, e até mesmo tendo pedras conversando no meio de uma montanha, porém a essência final é tão marcante e bela que tudo faz um sentido imenso e incrível de acompanhar, sendo insano por todas as possibilidades, porém com uma visceralidade tão perfeita e cheia de conexões que sai da sala não com dor de cabeça de tanta maluquice, mas extremamente feliz de ver um filme que é alongado, mas é brilhante, cheio de ótimas nuances, e que certamente irei torcer nas premiações, pois foram geniais em tudo o que nós entregaram.

No longa acompanhamos uma imigrante chinesa que parte rumo a uma aventura onde, sozinha, precisará salvar o mundo, explorando outros universos e outras vidas que poderia ter vivido. Contudo, as coisas se complicam quando ela fica presa nessa infinidade de possibilidades sem conseguir retornar para casa.

Sinceramente não sei aonde os diretores e roteiristas Dan Kwan e Daniel Scheinert estavam com a cabeça para criar algo desse tamanho e estilo, pois são tantas coisas malucas, são tantas situações, são tantas filmagens de cenas, figurinos, locações e ideias diferentes que não duvido da produção ter demorado meses para ser filmado e muitos meses mais para que o editor conseguisse entender o que fazer com tanto material, já que se olharmos tudo de forma separada nada se encaixa, nenhum momento dá liga para o outro, e até mesmo parecem querer forçar a mente do público com um ideal plausível em um mundo maravilhoso, mas o que vamos a fundo é o enxergar as coisas como o outro vê, e que por mais idiota e bizarro alguma coisa tem sentido para a outra. Ou seja, é daqueles trabalhos tão imponentes, tão cheio de virtudes, que podemos colocar os diretores num patamar que nem em sonho outro doido conseguiria imaginar, pois tenho a certeza de se ver o filme novamente várias e várias vezes enxergarei algo a mais, porém finalizando da mesma forma maravilhosa que os diretores e roteiristas desejaram quando desenharam o filme na cabeça maluca deles, e sendo assim o valor da trama só aumenta conforme vou pensando em tudo ao mesmo tempo, só que aqui na cadeira escrevendo.

Já vi muitos bons trabalhos de Michelle Yeoh, mas o que ela fez aqui com a sua Evelyn é algo que transparece todas as possibilidades de uma brilhante atuação, e confesso que gostaria de ver sua reação ao acabar de ler todo o roteiro, ou melhor na metade do roteiro sem entender nada do que aconteceria, pois precisou fazer trejeitos de dúvida, imposições de luta, e até emoções que não daria para imaginar sem uma direção precisa e eficiente, e ela encarou perfeitamente entregando tudo e muito mais, sendo sem dúvida sua melhor interpretação feita até hoje. Jamie Lee Curtis também entrou completamente no clima do longa com sua Deirdre, fazendo cenas completamente bizarras, mas com uma desenvoltura tão precisa e bem encaixada que vibramos em seus atos junto da protagonista, sendo uma relação de ódio tão bem encontrada que parece já ter feito isso várias e várias vezes, ou seja, se entregou demais e foi muito bem. Stephanie Hsu inicialmente e em muitas cenas faz parecer sua Joy meio irritante e sem nexo, mas melhora demais conforme o longa vai indo para o final e seu resultado passa a chamar muita atenção pelo que faz. Ke Huy Quan foi incrível do começo ao fim com seu Waymond, ao ponto dele parecer tão desconexo, mas também tão preciso em suas cenas que vemos olhares, traquejos e desenvoltura tão brilhantes que acabamos até torcendo para o jeitão bobo do Waymond da primeira dimensão, mesmo o Alpha sendo muito mais foda, e isso é algo do estilo do ator que acaba sendo muito agradável de ver. E por fim, até mesmo James Hong conseguiu com seu Gong Gong ser um personagem chamativo, cheio de personalidade e loucura, mas com bons olhares, e isso acaba chamando muita atenção. Quanto aos demais, todos foram bem figurantes, mas imprescindíveis nós conflitos, nas lutas e em todas as interações, ao ponto que chega a ser muito divertido observar cada um e vibrar com as cenas deles com a protagonista, ou seja, um elenco de figurantes tão bom que valem o que fazem em cena.

Visualmente daria para escrever um livro só de elemento e cenários do filme, e torço para que um dia alguém faça isso, pois cada dimensão é incrível, cada elemento bizarro se faz tão preciso, e cada olhar no ambiente em que os personagens estão inseridos são tão bem entregues que ficamos impressionados do começo ao fim com nojeiras, com objetos sexuais, com bizarrices, com pedras, com lutas, com o cinema por trás do cinema, com tudo podendo ser usado como arma, ao ponto que nem faço ideia do tamanho da equipe de arte, pois esse sem dúvida foi um daqueles filmes que ao entregar o roteiro para o diretor de arte a resposta foi de quantos milhões teria para poder utilizar, pois é uma das produções mais gigantescas sem ser de super-heróis que já vi em minha vida, e não com coisas inúteis, mas sim com tudo muito necessário e incrível de ser visto na tela.

Enfim, poderia reclamar do tamanho, da desnecessidade de dividir em capítulos, de ter elementos absurdos de nível máximo, mas só consigo pensar em quão incrível tudo foi utilizado, em como o fechamento representa algo muito maior, e como é brilhante toda a essência passada, de tal forma que só posso recomendar o filme para todos, pedindo principalmente que abram suas mentes e encontrem no final a essência que os diretores desejavam passar, pois aí a complexidade do longa vai fechar por completo e o resultado visto para você será tão sensacional que valerá demais o ingresso pago. E é isso meus amigos, eu fico por aqui agora, já que irei ver mais um filme hoje, mas vai ser difícil superar a emoção que senti vendo esse longa, então abraços e até logo mais.


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O Destino de Haffmann (Adieu Monsieur Haffmann) (Farewell Mr. Haffmann)

6/25/2022 02:02:00 AM |

Acho que já até me acostumei tanto a ver filmes envolvendo a 2ª Guerra Mundial, com a invasão alemã pelas cidades da Europa, a caça aos judeus, a destruição de bens e tudo mais da época que praticamente quando vejo algum longa novo já sinto emoções vindo em todas as direções com tudo o que vai ser praticado, e basicamente sempre vemos tudo da mesma forma, com pouquíssimas diversidades de estilo, então o que poderia ser diferente com o longa "O Destino de Haffmann"? E a resposta é praticamente tudo, pois é um ponto que não trabalharam tanto ainda, como as vendas de fachada, para tentar salvar parte do patrimônio, e o que acaba sendo entregue aqui além dessa passagem da joalheria de dono judeu para um funcionário além de ser algo bem interessante também entra na famosa frase de se quer conhecer uma pessoa lhe dê poder e dinheiro, pois o artesão simples, que desejava ser pai, com a esposa passadeira mudou da água para o vinho ao começar a vender joias para os soldados alemães da cidade, e mais do que isso, temos ainda situações completamente intensas no lado familiar com a proposta que o homem faz para sua esposa, pela forma que trata o ex-patrão escondido no porão, e quando achávamos que acabaria o filme de uma forma, somos surpreendidos com algo completamente inesperado. Ou seja, é daqueles filmes que não desapontam em nada, que tem uma história muito boa e que ainda por cima surpreende no final, o que costumo chamar de pacote completo.

A sinopse nos situa em Paris, 1941. François Mercier é um homem comum que sonha em começar uma família com a mulher que ama, Blanche. Ele trabalha para um talentoso joalheiro, o Sr. Haffmann. Mas frente à ocupação alemã, os dois homens não terão outra escolha senão concluir um acordo cujas consequências perturbarão seus destinos.

Diria que o diretor e roteirista Fred Cavayé adaptou brilhantemente a peça de Jean-Philippe Daguerre, e o mais interessante é que a formatação lembra bem os ares de uma peça, pois temos a casa, a joalheria e o porão todos juntos, tendo algumas cenas soltas fora dali que provavelmente foram criadas para dar algum extra para o longa, enquanto todo o restante funciona muito bem ali, e ele soube trabalhar todas as dinâmicas de uma forma sutil e ao mesmo tempo duríssima de sentir na pele tudo o que o ex-patrão passa a sofrer com o ex-empregado e agora patrão, entregando tudo com envolvimento, com verdade e olhares, e fazendo com que os protagonistas se interagissem com muita facilidade. Ou seja, mesmo tendo uma formatação teatral, foram amplos nas dinâmicas, ao ponto que vemos o fluxo, sentimos toda a simbologia cênica, e o resultado funciona demais, sendo emotivo, sendo sofrido e principalmente passando toda a verdade que ocorreu nesse período difícil para todos os judeus na Europa, e aqui não falharam em deixar nada caricato, mas sim algo forte e bem trabalhado.

Sobre as atuações, Daniel Auteuil entregou um Joseph Haffmann bem emocional, com olhares simples e bem dispostos para o que iria fazer, e vemos todo o envolvimento dele, disposto a ficar ali de boa se não fosse feito de trouxa, pois ele sabia o que estava acontecendo com os judeus pelos jornais que roubava das bicicletas, e vemos o ator muito doce de atitudes, sem trejeitos fortes, claro e envolvente que acabamos ficando do seu lado. Gilles Lellouche no segundo filme da noite, já que o vimos como um advogado agora pouco em "Golias", aqui já foi completamente oposto com seu François Mercier, tendo inicialmente um ar de bom moço, de pessoa simples que precisa do emprego, mas como disse no começo, o poder muda a pessoa, e ele fica impossível, vai tomando olhares da bebedeira, vai ficando rude com o novo empregado/ex-patrão, e até mesmo com a esposa toma atitudes intensas, e o ator deu um show de expressões, dominando muito bem todo o ambiente, no melhor estilo teatral possível, o que acaba agradando bem. Sara Giraudeau trabalhou sua Blanche Mercier com serenidade, passando emoção nos atos envolvendo seja o marido ou o pobre senhor que está no seu porão, e se entrega com muita densidade nos trejeitos que precisavam dela, mantendo o ar de desespero com a mudança de estilo do marido, sem saber o que fazer realmente, e foi muito bem em todas as atitudes. Nikolai Kinski fez de seu Comandante Jünger o tradicional soldado alemão de posses, que já tinha uma boa vida, mas pegando tudo dos judeus foi só melhorando, vivendo na boemia, tendo todas as mulheres possíveis, e claro fazendo negociações com o joalheiro, sempre com um ar de superioridade, e fazendo bem o que era preciso.

Visualmente todo o ambiente foi montado meio como na peça, com a casa simples no andar superior, porém bem detalhada de objetos cênicos para mostrar a "riqueza" da família judia, a joalheria no plano térreo com ferramentas tradicionais e simples, uma pequena vitrine e várias joias espalhadas, as embalagens inicialmente como Haffmann vermelhinhas depois viraram Mercier verdinhas, e embaixo um porão aonde o protagonista passa a morar e trabalhar fazendo as joias para o rapaz, uma lavanderia bem imponente, uma delegacia nazista, tendo uma loja de penhores que nem chegamos a entrar, vendo apenas pelo lado de fora as negociações, e uma prisão para os atos finais, e o mais bacana de ver é a rua numa colina, aonde só vemos algumas lojas laterais que vão sendo fechadas durante a tomada nazista, e para frente dali não sabemos da existência de nada, ou seja, tudo bem representativo, inclusive as festas regadas a champanhe para os soldados e as mulheres da vida.

Enfim, é um filme bem emocional, muito bem desenvolvido, com um ar interessantíssimo bem apropriado na história toda, e que consegue segurar o público do começo ao fim com uma ótima reviravolta no final, totalmente inesperada, sendo daqueles filmes que podemos colocar na lembrança pelo diferencial todo, e que acaba sendo funcional para recomendarmos a todos. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Golias (Goliath)

6/24/2022 08:39:00 PM |

Falar sobre os conflitos envolvendo as brigas políticas, econômicas, envolvendo saúde e pesticidas, as produções de alimentos e tudo mais sempre é algo bem complexo, pois envolve muito mais ciência, muito mais persuasões e dinâmicas entre advogados, lobistas de empresas, políticos e claro a população, e cada filme que nos é entregue sobre o assunto vem com força máxima para tentarmos absorver e entender as brigas. O que posso falar de cara sobre "Golias" é que foi um dos mais fortes trabalhados em várias vertentes, que conseguiu causar bastante emoção na entrega dos protagonistas, mas que principalmente abre um leque muito maior para tudo. Ou seja, é daqueles filmes que muito é dito, muito é mostrado, que vemos muitos ensejos e dinâmicas próximas do realismo, mas que apenas temos de ver, e lamentar, pois, uma voz é pequena perto de tudo o que brigam, mas várias vozes juntas já fazem um bom barulho.

A sinopse nos apresenta France, professora de esportes durante o dia, trabalhadora à noite, é uma ativista contra o uso de pesticidas. Patrick, um obscuro e solitário advogado parisiense, é especialista em direito ambiental. Mathias, lobista brilhante e apressado, defende os interesses de um gigante agroquímico. Seguindo o ato radical de uma pessoa anônima, esses três destinos, que nunca deveriam ter se cruzado, se acotovelam, colidem e se inflamam.

Diria que diretor e roteirista Frédéric Tellier ("Através do Fogo") trabalhou bem todo o conteúdo de uma pesquisa quase que gigante para que seu filme fosse quase um documentário expressivo das brigas entre as grandes companhias de pesticidas e os advogados de pessoas que sofreram com o câncer ou algum dano causado por eles, ao ponto que vemos boas dinâmicas bem expressivas, bons traquejos, e muita organização ao redor de disputas, conversas de bastidores com políticos, grupos radicais tentando ir de formas mais amplas brigar, vemos tudo e mais um pouco do que conseguiram encaixar, porém é um filme que cansa um pouco pelo tamanho, que força mais do que expressa e assim sendo muitos podem nem se emocionar tanto pelo que nós é entregue pelo diretor, e sim ficarmos putos com tudo, já que a força é necessária, e assim o resultado funciona ao menos.

Sobre as atuações, Gilles Lellouche foi muito preciso com seu Patrick, sendo daqueles advogados que tem boas palavras, que brigam por tudo, e muitas vezes não atingem o que desejavam, e o ator que tem uma expressão um pouco triste conseguiu ser marcante em suas cenas ao ponto de nós convencer de seus ideais, e isso mostrou um bom preparo e conhecimento do que estava rolando para ficar convincente e assim foi um bom acerto. Pierre Niney é sem dúvida um dos melhores atores franceses da atualidade, e aqui o seu Mathias é daqueles lobistas que pegamos raiva, que tem frases e palavras para tudo, que está preparadíssimo para a briga e faz olhares cruéis e precisos com uma força tão única que impressiona demais, e assim sendo acredito que até ele após as gravações sentiu o peso do seu papel, pois ele foi incrível no que fez, mesmo sendo algo ruim de ver. Emmanuelle Bercot teve alguns atos marcantes, mas seu papel é mais amplo e emocional, não fazendo com que ela se destacasse tanto com sua France, valendo claro o ensejo visual de seu emagrecimento para a cena final, e assim ela foi uma representação bem marcante e funcional dentro das vozes que tentam ir além. Quanto os demais, e temos vários demais, apareceram, fizeram seus ensejos, trabalharam as dinâmicas com os protagonistas, mas não puderam ir muito além, então vale apenas falar que o diretor soube usar muito bem todos ao coadjuvantes e figurantes para somar e envolver o público com uma minúcia quase realista de falarmos que ele esteve gravando em todas as manifestações, todas as reuniões e afins, poia ficou documental total.

Quanto do visual, vemos muitas reuniões em salas enormes, em plenários, em grupos, mostrando a frente da empresa de pesticidas, vemos votações, julgamentos pequenos, julgamentos grandes, muitas reportagens, e até um envolvimento da família para mostrar a vida deles tentando sobreviver, mas como disse o longa é quase algo que o diretor foi filmar todas as situações para algo quase documental, e assim sendo valeu demais o trabalho da equipe de arte.

Enfim é um tremendo filmaço sobre o tema que vale a conferida, vale a briga e vale entender mais sobre a vida sem pesticidas, para que as futuras gerações quem sabe vivam melhor, sem câncer, sem tantos agrotóxicos, e assim sendo o filme é amplo de ideias e preciso de demonstrações, sendo forte e incrível que tenho de recomendar demais para todos. E é isso meus amigos, vou para mais uma sessão do Varilux, então abraços e até logo mais.


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O Segredo de Madeleine Collins (Madeleine Collins)

6/24/2022 02:15:00 AM |

Sabemos que muitas pessoas mentem tanto que acabam perdidas no meio do que falam, ao ponto de em certos pontos já nem saberem mais o que estão falando, quem são, ou o que era verdade antes da bola de neve gigante que se torna a vida dela, e se manter uma família já é algo complicadíssimo com várias relacionamentos e situações, então imaginar ter duas famílias, dois empregos, filhos em ambos os casamentos, ficar indo de uma casa para a outra, mudar compromissos de acordo com o que é necessário para agradar um mais que o outro é a base completa da insanidade. E o longa "O Segredo de Madeleine Collins" nos entrega toda essa loucura conflitiva de um modo tão impactante que a cada saída da protagonista indo para outro país (tudo bem que da França para a Suíça é um pulinho de trem) chegando na outra casa, indo para novas festas da família já vamos surtando, então imaginem só a ideia quando chegamos nos atos finais e descobrimos muito mais sobre as relações existentes ali, já que os maridos sempre falam um do outro, mas não entendemos direito como é o rolo completo, mas isso é bem marcado, não diretamente, e acaba sendo bem forte. Ou seja, é daqueles que nos impressionamos com tudo, e que sendo bem francês entrega tudo de uma forma bem subjetiva, então não espere como em um longa americano ver tudo explicadinho com flashbacks e tudo mais, que não vai rolar, e isso é o que torna o filme incrível.

A sinopse nos conta que Judith leva uma vida dupla entre a Suíça e a França, com dois amantes e filhos diferentes. Por um lado Abdel, com quem cria uma menina, por outro Melvil, com quem tem dois meninos mais velhos. Pouco a pouco, esse frágil equilíbrio de mentiras, segredos e idas e vindas começa a se despedaçar.

Diria que o diretor e roteirista Antoine Barraud foi preciso no que necessitava dele no roteiro e na montagem, pois todo o restante coube exclusivamente à atriz Virginie Efira, que conseguiu passar a exaustão das suas mentiras na face a tal ponto de sentirmos ela desesperada com o que fazer, e isso não é nenhum diretor que consegue exigir que seja feito, mas sim uma vontade extra do ator de encontrar o personagem no maior amadurecer seu, e ele apenas conseguiu ser criativo na desenvoltura mista de estar na França, estar na Suíça, não saber mais qual é o seu nome, aonde usou, para quem falou tal coisa, o que é estar apaixonada realmente ou não por alguém, e nessa quebra de tempos ele foi amplo demais, ao ponto que o filme poderia durar horas que o público estaria preso esperando mais loucuras por parte da protagonista, mas não, ele opta por fechar no melhor momento, sem precisar voltar na cena inicial fortíssima, que nem posso dizer que ocorre exatamente ali minutos depois, mas que encaixa muito bem tudo, e o resultado geral é de muita expressão e impacto.

Sobre as atuações, Virginie Efira já pode ser considerada a maluca de 2021, pois fez três filmes com personagens com problemas de mentiras, loucuras e insanidades mil com "Benedetta", "Esperando Bojangles" e agora com sua Judith, ou seja, sendo perfeita em todos os papeis, entregando o máximo de expressividade possível, e principalmente chamando a responsabilidade dos longas para si, ao ponto que em certos atos, como já disse acima, vemos em seu rosto o desespero por nem saber mais quem ela é, o que quer fazer, explodindo realmente num surto máximo e assustador com muita personalidade e imponência, ou seja, deu show. É até complicado falar de qualquer outro em cena, pois o filme parece de Virginie e vários figurantes em cena, mas Quim Gutiérrez entregou boas cenas com seu Abdel, se impondo em alguns atos para tentar enfrentar a protagonista, e conseguiu nuances boas também, ao ponto que se fez valer. Na sala do cinema foi um consenso ouvir todas as pessoas com dó da garotinha Loïse Benguerel com sua Ninon, pois a jovem fica literalmente perdida no meio do conflito, mas fez boas expressões e agradou bastante. Da outra família (ou melhor da verdadeira) diria que ninguém se jogou realmente em cena, de forma que Bruno Salomone ficou com um Melvil meio frouxo demais, só pensando na carreira e quase esquecendo que tem esposa, os filhos vivem a passeio, mas Thomas Gioria ainda trabalhou um pouco mais de uma dúvida e imposição com seu Joris, mas nada que fosse muito além. 

Visualmente o longa até é bem simples se formos ver, tendo o lado mais luxuoso da família da França, com concertos em teatros chiques, com roupas mais requintadas, indo escolher casas imponentes e festas mais cheias de pessoas de luxo, enquanto no lado da Suíça, já temos uma casa simples, meio bagunçada, um trabalho de intérprete numa agência sem grandes chamarizes, mas se formos parar para analisar, a trama não tem muitos elementos cênicos chamativos, tirando os documentos falsos da protagonista, que quando é revelado quem é faz toda a diferença e a montagem explode, senão sem isso o filme ficaria frouxo, ou seja, a equipe de arte nem foi muito usada se formos olhar a fundo.

Enfim, é um longa inteligente, bem trabalhado e montado, que faz o público ficar pensando demais em tudo o que está sendo entregue, de forma que temos muita representação de envolvimento, e o resultado final é o clássico dos longas franceses, não precisando explicar nada para que você entenda tudo, e isso é brilhante de ver. Então sem dúvida alguma recomendo demais o longa, que terá mais uma exibição no Varilux aqui em Ribeirão no próximo dia 04, então quem não viu fica a indicação, e quem não puder, vamos torcer para em breve aparecer em algum streaming, pois acho difícil vir para os cinemas comercialmente, assim como a maioria dos longas do Festival. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Querida Léa (Chère Léa) (The Love Letter)

6/23/2022 08:03:00 PM |

O que é mais difícil, filosofar em um bar ou escrever uma carta de despedida para um amor inacabado? Certamente esse deve ter sido um dos questionamentos que o diretor teve para escrever "Querida Léa", pois vemos durante toda a exibição o conflitivo dia de um homem que saiu de uma bebedeira, foi até a casa da amada, pegou suas coisas e passou o dia entre saídas e voltas de um bar tentando escrever algo que suprimisse seus sentimentos e dissesse o que ele realmente sentia, como era acabar e tudo mais, com convicção e opinião de um (ou mais) leitores do bar de sua obra, esperando uma continuação ou um desfecho satisfatório assim como o público de uma série espera pelo capítulo 2 de algo. Ou seja, o dia do rapaz foi tenebroso, mas ver isso acontecendo se torna bem cômico, e quem gostar desse estilo certamente irá se conectar com a trama.

A sinopse nos conta que depois de uma noite de bebedeira, Jonas decide visitar sua ex-namorada Léa, por quem ainda é apaixonado. Contudo, ele é rejeitado. Atormentado, Jonas vai ao café do outro lado da rua para escrever-lhe uma última carta de amor, perturbando assim o seu dia de trabalho e despertando a curiosidade do dono do café.

Diria que o diretor e roteirista Jérôme Bonnell soube trabalhar com o público da mesma forma que um escritor de livros em série faz com seus leitores, desenvolvendo toda uma síntese maior, criando uma curiosidade entremeada tanto no público quanto no dono do bar que já pode ler, se ele vai entregar a carta para a amada, se eles vão voltar, se ela vai chorar, e tudo em cima disso com suas devidas fluências. E esse estilo escolhido é bem válido, pois segura ao mesmo tempo o ar romântico, o drama, e até mesmo a própria comicidade leve que é entregue com primor. Ou seja, é daqueles filmes que aparentam ser simples, mas que com todo o gracejo consegue ser doce e envolvente da mesma forma, o que é brilhante e também bem amplo.

Sobre as atuações Grégory Montel conseguiu com seu Jonas ser bem dinâmico e criativo de trejeitos com toda a desenvoltura mostrada, indo de um ar embriagado pela festa, passando por uma conversa aberta seguida de uma transa rápida, e em seguida todo o dia tortuoso no bar, na estação de trens, na rua, ouvindo, vendo, sentindo, conversando e escrevendo, com olhares e gestuais máximos que levam a exaustão, sendo preciso e bem correto do começo ao fim. Grégory Gadebois faz de seu Mathieu o nosso papel de ouvinte e leitor, opinando sem ser escutado, refletindo e entregando olhares fortes e diretos para o apaixonado maluco na sua frente, e com isso acerta demais, como sempre faz e encaixa todo o ar possível na reflexão certa e bem dramática. Anaïs Demoustier fez de sua Léa aquela mulher que está em dúvida de tudo, não chamando a atenção como deveria, refletindo o ar aberto, e assim agradando conforme vai fluindo, mas também poderia ser mais direta, o que agradaria um pouco a mais. Quanto aos demais, diria que todos foram apenas conexões para o dia do protagonista, sem ir muito além, nem chegando onde poderiam.

Quanto do visual, temos basicamente o apartamento da protagonista e o bar, ambos bem detalhados, e com muita abertura para as nuances do filme, com a compra dos papéis para a carta e assim vai rolando, não sendo nada como um ambiente gigante, mas com todos os elementos sendo usados na medida.

Enfim, é um bom longa, que muitos podem amar e outros odiar, mas que faz refletir e entrega um bom ensejo do começo ao fim, que podemos envolver e refletir sobre a vida e sobre os livros como são escritos para prender as pessoas. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas vamos lá para mais uma sessão do Varilux, então abraços e até logo mais.


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Veja Por Mim (Mira Por Mí) (See For Me)

6/23/2022 04:26:00 PM |

Confesso que se não tivesse lido antes que a protagonista é realmente cega, eu não acreditaria em metade das coisas que ocorrem no longa "Veja Por Mim", pois é quase um absurdo em cima do outro do começo ao fim, mas como soube dessa informação antes, posso dizer que o resultado do longa é extremamente empolgante e completamente insano por dois fatores, primeiro que pessoa maluca deixaria a mansão para ser cuidada por uma cega (ok, era apenas para alimentar o gato, mas ainda assim é uma loucura!), e segundo toda a loucura completa de uma jovem cega conseguir lutar contra quatro homens bem maiores que ela (embora bobos pelo que fazem) com uma facilidade incrível, apenas guiada por outra pessoa atrás de um aplicativo. Mas é uma ficção, então vamos relevar em primeira instância, e em segunda vamos dar o crédito para o quão bom parece esse aplicativo que existe mesmo e que você cego pode usar ele, e você que não tem muito o que fazer e quer ajudar alguém pode se cadastrar para auxiliar pessoas cegas a fazerem coisas comuns (só não vá ajudar alguém a fazer coisas erradas, ok?). Ou seja, o longa funciona como um bom entretenimento, que muitos vão achar meio exagerado, mas que deu certo, e também como propaganda para o aplicativo, pois acredito que muitos irão baixar para tentar ajudar alguém (aliás o aplicativo chama "Be My Eyes"), então o propósito acabou indo até além. 

A sinopse nos conta que Sophie, uma jovem cega cuidando de uma mansão isolada, se encontra diante de uma invasão doméstica por bandidos procurando um cofre secreto. Sua única forma de defesa é um aplicativo chamado Veja por Mim. O aplicativo a conecta com um voluntário do outro lado do país para ajudá-la a sobreviver. Sophie se conecta com a Kelly, uma veterana do exército que passa seus dias jogando jogos de tiro. Sophie é obrigada a aprender que, se ela quiser sobreviver à noite, ela precisará de toda ajuda que puder ter.

Diria que o diretor Randall Okita foi muito amplo em conhecer completamente o ambiente de filmagem, e conseguir trabalhar perfeitamente o roteiro de Adam Yorke e Tommy Gushue, que provavelmente foram muito detalhistas para representar cada ambiente e cada movimento, afinal foi necessário um bom trabalho de câmeras e mais ainda um trabalho preciso de movimentação, já que tudo tinha de ser descrito com máxima sintonia de passos e de detalhes para a atriz cega, e assim todo o ambiente foi bem amplificado e monitorado com minúcias para envolver e chamar muita atenção na cena em questão. Ou seja, foi um trabalho bem feito, que mesmo sendo algo absurdo de imaginar tudo acabou resultando em um longa interessante e muito bem feito, que acaba valendo a conferida, claro relevando muita coisa, mas curtindo a ideia toda entregue.

Sobre as atuações, tenho de parabenizar o trabalho de Skyler Davenport, que realmente é cega, e fez de sua Sophie uma personagem muito mais interessante do que aparentava, pois basicamente é mostrado de cara que ela só pega esses trabalhos para tentar roubar alguma coisa que consiga vender no mercado depois e ganhar muito mais dinheiro do que o dia de cuidado da casa, e a atriz não se preocupou muito com ares estranhos, sendo convincente nas atitudes, e em muitos atos parecendo enxergar realmente o que estava acontecendo, ao ponto que todas suas dinâmicas foram muito precisas e inteligentes, agradando bem, e mostrando que tem futuro com atuação caso deseje parar com dublagens de jogos de videogame, pois tem um currículo bem grandioso com esse estilo de projeto. Jessica Parker Kennedy também foi muito bem com sua Kelly, trabalhando uma precisão quase que cirúrgica de olhares e direções, que não sei se fizeram com ela realmente o trabalho de estar orientando a atriz cega, mas se fez foi algo muito marcante, e suas expressões agradaram também bastante. Quanto dos ladrões, Pascal Langdale foi daqueles bobos que seguem alguém e não vai rápido para o que quer, falhando nesse conceito e nem indo muito longe com o papel de seu Ernie, George Tchortov já fez o famoso brucutu que sai batendo antes de falar qualquer coisa com seu Otis, e acabou falhando em precisão, mas deu algum trabalho ao menos, já Joe Pingue fez o famoso bobão que está ali por ser inteligente em arrombamentos, mas que falha por ser burro e não acreditar na protagonista, mas foi o que mais desenvolveu alguns semblantes expressivos com seu Dave pelo menos, e para finalizar Kim Coates fez seu Rico quase como um negociador, trabalhando alguns trejeitos forçados, e tentou ir além, mas não conseguiu muito. Quanto aos demais, praticamente todos apenas apareceram rapidamente como o amigo Cam, a mãe da protagonista ultra preocupada, a dona da casa forçada, então vale apenas dar um leve destaque para a policial vivida por Emily Piggford, que fez alguns atos bem clássicos de tentar falar baixinho, olhar meio desconfiado, mas funcionou ao menos para o papel.

Visualmente o longa foi bem trabalhado pelo menos, com uma mansão gigantesca no meio das montanhas, com uma floresta básica ao redor, muita neve, e com muitos detalhes como um cofre imenso escondido atrás de um quadro (que a dona da casa nem sabia da existência - foi casada e nunca tentou limpar, dá nisso!), muito dinheiro escondido lá, vários vasos e copos no meio do caminho para atrapalhar e cair, plantas espalhadas para também dar trabalho, e muitos cômodos para se esconder, com interligações entre eles para dar aquele clima interessante, ou seja, a escolha do ambiente foi muito boa, e acredito que deva ser do diretor ou algum conhecido dele para poder conhecer um lugar tão bom de filmagem. Além disso o telefone foi crucial para o aplicativo, então podemos dizer que foi o melhor elemento cênico do longa.

Enfim, é um filme que podemos dizer exagerado, que daria para reclamar de tudo, mas que ao mesmo tempo é muito interessante e bacana de ver, que tem falhas aos montes se formos colocar reparo em tudo, mas que ainda assim funciona e vale a recomendação, então fica a dica. E é isso meus amigos, volto logo mais com mais textos, afinal hoje começou o Festival Varilux de Cinema Francês, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Seberg Contra Todos (Seberg)

6/22/2022 10:34:00 PM |

Quando vemos os filmes biográficos e os mais ficcionais baseados em alguns casos, e também lemos vários artigos antigos vemos o quanto os governos faziam notícias falsas provocativas e muitas insinuações para artistas e pessoas públicas que apoiavam grupos políticos sejam de negros ou de diversas causas, que muitas vezes causavam suicídios, separações, depressões e tudo mais, e tudo de forma mais ilícita possível para que as coisas ficassem realmente tensas e tristes para as pessoas, e um bom exemplar que chegou agora na Netflix, mas esteve antes para locação já há algum tempo é "Seberg Contra Todos" que mostra com muita imposição como foi toda a ação do FBI em cima da atriz Jean Seberg quando ela se envolveu com os Panteras Negras nos anos 60 com doações e influencias, e que fizeram ela abortar uma bebê e anos depois com muita depressão sumir e aparecer morta. Ou seja, é um filme que tem certas falhas e abusos, mas mostra bem isso que aconteceu e até acontece atualmente, e que com boas atuações consegue envolver e ser bem representativo.

O longa nos situa em Paris, 1968. A atriz Jean Seberg está no auge de sua popularidade, graças ao sucesso de vários filmes rodados na França. Ao chegar aos Estados Unidos ela logo se envolve com o ativista de direitos civis Hakim Jamal, que conheceu ainda durante o voo. Jean logo se posiciona a favor dos Panteras Negras e passa a ser uma das financiadoras do movimento, ao mesmo tempo em que mantém um caso com Hakim. Tal situação é acompanhada de perto pelo FBI, que mantinha um programa de vigilância para romper e expor os Panteras Negras. Dentre os agentes designados para espioná-la está Jack Solomon, que começa a se rebelar quando o FBI inicia um plano de difamação contra a atriz.

Diria que o diretor Benedict Andrews trabalhou o texto de uma forma bem segura para criar as dinâmicas, fazer toda a representação ser imposta na tela, e ainda conseguir que seu filme fosse fluido, pois são tantas dinâmicas, são tantos momentos e envolvimentos que facilmente a trama se quebraria e acabaria resultando em algo semi-novelesco, para não dizer uma série em específico, e isso é algo brilhante quando conseguem se doar. Ou seja, em momento algum ficamos querendo saber mais da história da atriz (embora muitos a conheçam pelo clássico francês "Acossado"), não ficamos desejando entrar completamente na vida do agente, embora tenham tentado isso por duas vezes, e nem ficamos esperando algo a mais dos Panteras, sendo uma trama para mostrar o envolvimento da atriz com eles, como foi feita a espionagem ilícita, e principalmente como isso desencadeou uma depressão e desespero na atriz por qualquer barulho achar que está sendo grampeada e tudo mais, e isso foi entregue com primor, mesmo que faltasse aquele algo a mais para a perfeição, mas facilmente daria para ter ficado daqueles filmes intragáveis, e não ocorreu.

Sobre as atuações, sem dúvida alguma é a melhor atuação de Kristen Stewart anos-luz a frente do que fez em "Spencer", pois lá embora tenha toda uma seriedade e densidade de personagem, acabou por vezes sendo a Kristen e não a Diana, tanto que falei na crítica que em muitos atos não vi a princesa como a conhecíamos, já aqui, por não termos a mesma conexão com a mulher Jean, só tendo visto seus filmes, enxergamos a atriz se jogar, suas dinâmicas acontecerem, e trejeitos tão fortes que acabam impactando incrivelmente. Jack O'Connell também se entregou por completo durante todo o filme, fazendo imposições e trejeitos bem conflitivos para que seu Solomon fosse um dos melhores técnicos de grampeamento de escutas, mas que ao ver a crueldade e o jeito que os demais do FBI tratavam tudo passou a ir para o outro lado, e isso é bem marcado em suas expressões e atos. Anthony Mackie e Zazie Beetz entregaram bastante personalidade para seu Hakim e Dorothy Jamal, ao ponto que Makie ainda teve alguns envolvimentos emotivos com a protagonista e Beetz já foi logo para o encontrão como uma boa mulher deve fazer com quem vem mexer com seu marido, e assim ambos foram marcantes e bem colocados. Vince Vaughn fez de seu Carl um daqueles personagens que pelo que faz no serviço já é motivo para se irritar, mas mostrado o que faz em casa então é sinônimo de nem passar perto, ou seja, foi muito bem em cena, e se o verdadeiro Carl foi daquele jeito, que tenham pena da alma da família do cara. Ainda tivemos Yvan Attal fazendo o marido da atriz Romain Gary e Stephen Root como Walt Breckman o agente da atriz, mas ambos fizeram mais participações de encaixe do que chamaram realmente a atuação para si, e assim sendo não valem grandes destaques.

Visualmente o longa foi rico no contexto da mansão da protagonista nos EUA, mostrando restaurantes e teatros bem imponentes nos atos finais, trabalhando alguns apartamentos e claro mostrando um pouco da escola infantil que os Panteras mantinham, a casa simples do protagonista, algumas reuniões, mas o grande chamariz mesmo fica por conta de todo material incrível de escuta que já tinham nos anos 60, mostrando que se ali já pegavam detalhes, imagina hoje com tudo conectado então. Além disso também tivemos figurinos incríveis que deram o charme para a protagonista e para todos serem bem retratados.

Enfim, não é um longa perfeito, mas tem ótimos momentos e uma retratação bem épica de um caso complexo dos anos 60/70 que valem como reflexão, então fica sendo uma boa dica para quem não viu na época que foi lançado nos cinemas. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com muito mais textos, então abraços e até logo mais.


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AppleTV+ - Cha Cha Real Smooth

6/21/2022 07:01:00 PM |

Se tem um gênero que sempre me dá muito medo de conferir é o tal do romance dramático, ou dromance como muitos costumam chamar, principalmente proveniente dos EUA, afinal lá sempre colocam histórias mais bobinhas sem muito o que pensar, e entopem de clichês do gênero, mas no longa que estreou essa semana na AppleTV+, "Cha Cha Real Smooth", conseguiram trabalhar bem tanto o ar romântico bem colocado de um jovem, quanto o carisma dele de ser divertido, de fazer a diversão funcionar, além de pautar a base autista com um carinho bem leve e marcado sem precisar fazer grandes apelações. Ou seja, o jovem diretor e protagonista foi tão sábio nas escolhas que acabamos nos envolvendo bastante, torcendo pela relação e pelo emprego do jovem, e o resultado final por incrível que pareça é bem diferente do que se espera de um romance, sendo bem trabalhado e emocional para todos, com um único adendo que poderiam ter colocado um pouco mais de dramaticidade em tudo, mas aí seria exigir demais.

A sinopse nos conta que Andrew acabou de se formar da faculdade. Ingressando na vida adulta, ele percebe que o curso que escolheu estudar e se formar não é exatamente o que queria no final e agora está de volta a estaca zero. O jovem acaba voltando para a casa de seus pais em New Jersey, sem emprego ou perspectiva de vida. Mas o que Andrew acabou aprendendo na faculdade - e muito bem - foram festas e bebidas. Tendo uma epifania, Andrew começa a fazer festas para outras pessoas, fazendo bar mitzvahs para os amigos de seu irmão mais novo. Uma dessas festas o leva a conhecer Domino, uma mãe com uma filha autista. Essa amizade transformadora acaba apresentando a Andrew novas possibilidades, para sua própria vida e além.

Não conhecia os trabalhos de Cooper Raiff nem como ator, muito menos como diretor, mas achei ele tão gracioso nas duas funções que acredito muito que tenha um ótimo futuro com produções desse estilo se não cair nas repetições, e quem sabe até arriscar mais no lado dramático, pois mostrou segurança de desenvoltura e soube brincar com os atos, brincar com os diversos personagens, ser doce e carinhoso nas relações amorosas e ainda deu seu toque pessoal para um final que não ficou nem como muitos iriam imaginar, nem com uma tragédia clássica como outros acabariam colocando, e assim o fluxo do filme seguiu quase por igual tendo vários pequenos clímax e sendo leve e gostoso de assistir, ao ponto de nem vermos o tempo passar, e o resultado funcionar para todos, até mesmo os menos românticos. Ou seja, é daquelas tramas que vamos lembrar pela essência e pela execução, e que facilmente daria para ir além se ele quisesse pesar ainda um pouco mais o arco dramático, para aí sim ficar completo, mas aí eu já estaria querendo perfeição demais.

Agora falando do ator Cooper Raiff, diria que seu Andrew é o famoso irmão gente boa, o animador de festa ideal e aquele par romântico certeiro que é até errado o tão carinhoso que é, ao ponto que deixa todas as mulheres da festa malucas por ele, e isso o jovem quis para si, afinal como é o diretor não deu o direito de nenhum outro ator pegar o personagem para si, e fez bem, pois ele tem uma jovialidade bem encaixada, uma dinâmica precisa e trejeitos certeiros para o papel, que encantam e agradam, sem pesar e nem forçar nada, o que é um grandioso acerto. Não sei quantos anos quiseram dar para o personagem de Dakota Johnson, mas a atriz entregou uma Domino tão madura que apagou completamente todos os seus papeis juvenis anteriores da nossa mente, já cabendo completamente em papeis de mulherões, de mães e com um propósito tão bem encaixado que fez a personagem ir além, o que é algo muito imprevisível, afinal sabemos o quão inexpressiva ela era, ou seja, mudou totalmente da água para o vinho, e não sei se foi a direção ou seu parceiro aqui ser muito jovem, mas ficou muito bem trabalhada. Outro que foi bem encaixado na trama foi Evan Assante como o irmão mais jovem do protagonista, entregando um carinho incrível de super-herói quase pelo irmão, aprendendo dicas e transmitindo muita sinceridade em seus atos, da mesma forma que Vanessa Burghardt (que realmente é autista e faz sua estreia como atriz) passou um envolvimento gostoso e bem encaixado, disposta a se conectar perfeitamente com o protagonista e se doando com muito ensejo no papel sem que ficasse forçada ou deslocada de um modo geral. E ainda tivemos boas participações de Leslie Mann como a mãe do protagonista, Brad Garrett como o padrasto e Raúl Castillo como o noivo da protagonista, todos tendo poucas cenas, mas sendo bem encaixados no que precisavam fazer, ou seja, funcionais.

Visualmente a trama também é bem interessante, com muitas festas, tendo cada bar mitzvah sua diferenciação e peculiaridade, mas todas bem animadas pelo protagonista na pista de dança, tivemos todo o ambiente mutável do jovem deslocado na casa da mãe após voltar da faculdade, tendo de ficar no chão do quarto do irmão mais novo, e também toda a casa da protagonista bem desenvolvida para a jovem autista, com seus elementos favoritos, seus jogos, seu jeito de dormir e tudo com tons bem marcantes para dar os devidos destaques a cada momento, ou seja, é o famoso simples que funciona.

Enfim, não diria que seja um longa perfeito, mas tem uma síntese gostosa, um bom envolvimento e toda uma dinâmica bem precisa que acaba agradando bastante, então já se faz valer, e como disse fui ver com um ceticismo máximo esperando diversos clichês do gênero, o que acaba não acontecendo, e assim o resultado ficou muito gracioso e valendo a indicação, então fica a dica e eu fico por aqui, voltando em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Esperando Bojangles (En Attendant Bojangles) (Waiting Bojangles)

6/21/2022 02:31:00 AM |

Costumo dizer que muitos vivem uma vida completamente certinha e sem graça, que por vezes pode levar a algum lugar grandioso, mas existem aqueles que surtam logo no começo da vida e conseguem manter essa loucura tão longe, que podemos dizer até que viveram algo a mais nessa insanidade toda, e por vezes algum diretor mais maluco consegue traduzir exatamente o que é essa sensação, e aqui no longa que abriu o Festival Varilux de Cinema Francês desse ano (e que também dá a imagem de cartaz do material do Festival), "Esperando Bojangles", vemos quase uma ode de vida louca por completo, sem ter um emprego que renda muito dinheiro, sem pagar nada, sem abrir correspondências, tendo um pássaro raro em casa e ainda dando festas regadas a champanhe quase todas as noites para diversos convidados, e você imagina o garotinho contando isso para seus amigos na escola, é certeza de ser chamado de mentiroso. E com essa premissa vemos muita loucura na vida dos protagonistas, muitas interações quase de surto completo desde o começo com mentiras e insanidades rolando sem parar, mas também tivemos o lado ruim disso tudo no segundo ato, aonde a mente pifa, e aí é que entra a grande sacada dos franceses que sabem fazer muito bem uma dramédia entregando tanto atos cômicos de nível máximo, mas também dominam o lado de uma recaída fortíssima dramática quase obscura também de nível maior, aonde muitos podem até achar bem estranho tudo, mas se pararam para ouvir a canção tema tocada diversas vezes e a explicação do pai para o garotinho do que significava a canção irá entender o sentimento passado, e assim se envolver com o que é entregue, que é muito bom, mas que não chega nem perto do primeiro filme do diretor "A Datilógrafa", que foi brilhante.

A sinopse nos conta que Camille e Georges dançam todas as noites ao som de sua música favorita, Mr Bojangles. Em sua casa, só há espaço para diversão, fantasia e amigos. Até que um dia Camille, uma mulher hipnotizante e imprevisível, desce mais fundo em sua própria mente, e Georges e seu filho Gary precisam mantê-la segura.

Diria que o diretor Régis Roinsard entrou na mesma loucura que entregou para os personagens do livro de Olivier Bourdeaut, pois mesmo a síntese tendo situações insanas, a base em si poderia ter sido melhor controlada, não oscilando tanto de uma alegria generalizada para uma depressão monstruosa, ainda mais com o final escolhido, pois daria para ter um meio do caminho em tudo, mas a dinâmica pediu esse formato e toda a nuance foi muito criativa, desde as festas regadas a bebida e dança, passando pela forma alucinada de ensinar o filho, até mesmo a ideia bater no ponto máximo de destruir o que está incomodando, no caso as contas (fico pensando se todos os endividados virem esse filme e resolverem fazer igual!!!), ao ponto que mesmo que a ideia de Roinsard e Bourdeaut seja bizarra, vemos um fundo de poesia em cima de tudo, afinal a frase viver sem pensar é algo muito comum de se dizer, mas praticamente ninguém entra nessa ode tão louca, e aqui a loucura tem seu peso, que é explosivo e gostoso no começo, mas quando cobra a viagem bate forte, e assim sendo ele entregou tudo com a maior dramaticidade possível. Ou seja, muitos vão achar o filme completamente absurdo e sem nexo algum, mas a beleza dele é justamente essa ideologia louca, e o diretor pede passagem para que você entre nesse clima e fique louco pelo menos por 124 minutos na noite.

Sobre as atuações, o quarteto principal foi muito bem em cena, dando todas as nuances necessárias para segurar a trama sem cansar, e ainda surpreender no meio de tanta loucura, e claro que tenho de começar pelo garotinho Solan Machado Graner que brilhou com seu Gary, entregando doçura e sensibilidade com cada ato seu, sabendo exatamente aonde comover e aonde surpreender, e segurando um papel dificílimo de não soar estranho, ou seja, é daqueles que vamos ficar de olho, pois facilmente pode decolar muito na carreira depois. Romain Duris é incrível no que faz, e já tinha dito sobre o show que deu em "Eiffel", e olhando toda sua filmografia ele só tem grandiosos acertos, e aqui com seu Georges deu um show de mentiras na abertura, se jogou completamente nas danças com a protagonista, e fez trejeitos marcantes em diversos atos, ao ponto que toda sua desenvoltura é marcante, só pontuaria negativamente pelo final, mas nem é pelo ator, mas sim pelo roteiro, pois esperava um algo a mais dele, e não apenas um fim básico. Virginie Efira é assustadora com sua Camille, ao ponto que de super feliz muda completamente para super deprimida, de repente está com uma personificação já na sequência está entregando outra, ou seja, uma base completamente maluca e muito perfeita de ver, que certamente deu trabalho para incorporar na totalidade do papel, e o acerto surpreende. E por fim ainda tivemos alguns atos filosóficos bem encaixados de Grégory Gadebois com seu Charles, que por vezes se entrega como senador, por vezes está apenas nas festas atrás de uma mulher chamada Caipiroska, mas carrega para si a responsabilidade de ser o elo coerente na família de malucos, e assim vemos ele sempre seguro do que entregar e chama a atenção para si.

Visualmente o longa é uma festa ambulante atrás da outra, desde o começo com várias bebidas em diversos ambientes mentirosos por parte do protagonista, passeando por um coquetel, depois vamos para uma fuga de carro e um casamento maluco pelos protagonistas, um reencontro ousado e um parto descrito da melhor forma possível para a época, e na sequência já temos uma rápida cena na escola que é revisitada depois sem muito ganho, as diversas festas na casa dos protagonistas, com o pássaro como pet bem excêntrico, e por fim vamos para um castelo na Espanha bem moldado de detalhes com claro uma festa espanhola regada a dança no melhor estilo videoclipe de filmes de Bollywood, ou seja, a equipe de arte trabalhou tanto para segurar o ar de época como para fazer todas as loucuras funcionarem em cena.

Enfim, é um filme completamente diferente de tudo o que certamente a maioria já viu, que oscila demais de humor, passando da felicidade insana para a depressão mortífera, e assim quem não gosta de coisas tão bagunçadas deve pular ele, mas sem dúvida é algo que vale pelo ar de viver em festa, mas tendo uma base lúcida de fundo para não pirar de vez. E é isso pessoal, esse foi apenas o primeiro filme do Festival Varilux de Cinema Francês desse ano, mas ainda voltarei com muitos outros textos dele nos próximos dias, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - 438 Dias (438 Dagar) (438 Days)

6/20/2022 05:37:00 PM |

Quando discutimos o fator de liberdade de expressão muito se fala em furar leis, inventar coisas e tudo mais, mas o que muitos esquecem é que existem jornalistas sérios que tentam por vários meios documentar coisas ruins que acontecem mundo afora e muitos esquecem da existência só por não estar na mídia maior, e o longa sueco "438 Dias" mostra bem toda essa essência de uma dupla de jornalistas que entrou de forma ilegal na Etiópia para tentar mostrar a infiltração de uma petroleira no país e tudo o que o governo e os militares estavam fazendo de forma oculta fechando jornais e tudo mais, só que foram capturados e ficaram presos em uma das maiores prisões do país por mais de um ano até conseguirem sua soltura de uma forma praticamente na sorte de alguém da milícia pedir segurança e entregar um vídeo comprometedor. Ou seja, é daqueles filmes que já vamos conferir sabendo que sobreviveram, senão não estariam mostrando tudo dessa forma, mas que mostra bem mais do que apenas a liberdade de expressão sendo jogada no lixo, e claro o que os governantes fazem para calar a imprensa muitas vezes, editando vídeos, fazendo os culpados pedir perdão e se declararem terroristas para tentar ser soltos, e tudo mais, sendo forte e bem impactante, mas certamente daria para ir ainda mais além.

Na véspera de 28 de junho de 2011, os jornalistas suecos Martin Schibbye e Johan Persson colocaram tudo em risco ao cruzar ilegalmente a fronteira da Somália para a Etiópia. Após meses de pesquisa, planejamento e tentativas fracassadas, eles finalmente estavam a caminho de relatar como a implacável caça ao petróleo afetou a população da região isolada e conflitiva de Ogaden. Cinco dias depois, jaziam feridos na areia do deserto, baleados e capturados pelo exército etíope. Mas quando sua reportagem inicial morreu, outra história começou. Uma história sobre ilegalidade, propaganda e política global. Após um julgamento kafkiano, eles foram condenados a onze anos de prisão por terrorismo. E eles estavam longe de estar sozinhos. Seus companheiros de cela eram jornalistas, escritores e políticos perseguidos por não se curvarem à ditadura. Sua reportagem sobre petróleo foi transformada em uma história sobre tinta, e suas vidas diárias se transformaram em uma luta pela sobrevivência dentro da notória prisão Kality em Addis Abeba. Expostos a doenças mortais, espancamentos diários e repressão feroz - privados de seus cadarços e de sua liberdade de expressão - eles lutaram para preservar o mais valioso de tudo: a liberdade de determinar quem você é e no que acredita. Esta é a história deles de 438 dias de inferno.

Diria que o diretor Jesper Ganslandt soube dosar bem a história do livro dos protagonistas, pois a trama embora fosse direta de ações duras e fortes entregou algo até bem calmo demais dentro do inferno que era a prisão detalhada em alguns materiais, ao ponto que só vemos suas idas para conversar com o embaixador e seu assistente, e algumas doenças e situações acontecendo na prisão, e em mais de um ano lá certamente eles viram muitas coisas ruins, sofreram muito e passaram por poucas e boas, mas como o foco era outro e sim trabalhar o ato deles pedindo perdão, o ato da política silenciosa e tudo que não queimasse tanto o governo etíope e as negociações entre Suécia e outros países, optaram por algo mais brando, e assim sendo mesmo o filme sendo bom de denúncias, ficou parecendo faltar algo a mais, algo que fizesse o público se desesperar pelos personagens principais, algo que emocionasse mais a fundo e talvez fizesse o povo saber que a liberdade de expressão tem um preço bem caro e que eles pagaram muito por isso. Ou seja, é um bom filme, o diretor foi direto ao ponto, mas certamente faltou aquele ponto de virada ficcional, ou melhor semi-documental, que impactaria e faria muitos se desesperarem ao ver o longa, e isso não ocorreu, mas também não falhou tanto pela falta disso.

Quanto das atuações, a base toda é em cima de Gustaf Skarsgård com seu Martin e Matias Varela com  seu Johan, entregando trejeitos marcantes, com alguns atos desesperados, outros mais concisos, mas sempre fazendo trejeitos dispostos a tudo, de entrar no meio do mato, de correr, de se envolver com os locais, coisas bem tradicionais que a maioria dos jornalistas de campo costumam fazer, que é trocar figurinhas com os locais para saber mais da vida, saber mais de como andam as coisas, e os dois atores trabalharam essas interações com bons olhares e chamativos, ao ponto de criarmos um certo carisma por eles, com Varela sempre mais desesperado com tudo, demonstrando até uma falta de palavras para descrever seus atos, enquanto Gustaf já foi mais eloquente e dinâmico, como um bom jornalista deve ser. Quanto aos demais, vale o destaque para Faysal Ahmed com seu Adbullahi pelos olhares marcantes e sínteses de estar fazendo o certo no meio do conflito todo, e Josefin Neldén como esposa do protagonista pelo ar de dúvida meio sem entender, mas também aflita com tudo.

Visualmente o longa entregou ares bem intensos nas cenas das prisões, com a primeira sendo básica demais, praticamente um cômodo sem nada, aonde foram jogados e quase que abandonados no melhor estilo da palavra, e na segunda parecendo quase uma feira com pessoas vendendo coisas, outros treinando, conversando, apanhando, todos dormindo aglomerados sem colchões, ratos passeando em cima deles e tudo mais, mas também vale o destaque dos atos no meio do mato aonde a ferida no braço do protagonista já estava feia quase com osso aparecendo e todas as dinâmicas dos militares tentando botar pressão nos jovens, ou seja, um trabalho de concepção bem montado e chamativo que faz valer o ato por completo.

Enfim, é um bom filme, que até poderia ir mais além como já disse para impactar mais, mas é bem feito e retrata bem um pouco do que viveram os dois jornalistas, e assim vale a conferida como registro histórico. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Frangoelho e o Hamster das Trevas (Hopper et le Hamster des Ténèbres) (Chickenhare and the Hamster of Darkness)

6/20/2022 01:11:00 AM |

O que mais me diverte nas animações belgas é a criatividade do pessoal por lá, pois entregam coisas tão malucas que dá até medo de apertar o play, mas sempre colocam texturas interessantes, aventuras recheadas de detalhes e personagens carismáticos dentro do pacote todo, ao ponto que acabamos nos conectando demais com tudo e se divertindo com a proposta quase todas as vezes. E com o lançamento da semana passada da Netflix não foi diferente, pois "Frangoelho e o Hamster das Trevas" entrega uma base simples porém bem interativa ao apresentar um bebê misto de frango com coelho que é encontrado por um aventureiro, que o leva para criar e que quando cresce deseja ser um caçador de relíquias como era o pai no passado no melhor estilo dos longas de "Indiana Jones", com várias armadilhas, lendas e segredos, tendo inclusive todo o treinamento para isso no país deles. Ou seja, é um filme interessante já que envolve uma caça ao tesouro, uma junção de amigos inusitados, um tio/vilão maléfico e sem escrúpulos, e que agora que já foi bem introduzido certamente pode vir a ter novas aventuras, já que carisma os personagens tem, e aí é só inventar muito mais para conduzir a franquia, afinal é bem bacaninha tudo.

A sinopse nos conta que o jovem Frangoelho é o filho adotivo do Rei Arthur, um famoso coelho aventureiro. Metade frango e metade coelho, o jovem herói é obcecado por aventura, mas sua falta de jeito costuma pregar peças nele. Quando Lapin, irmão do Rei Arthur, escapa da prisão para encontrar o Cetro do Hamster das Trevas e derrubar seu irmão, Frangoelho decide ir atrás dele. Com a ajuda de seu fiel servo Archie, uma tartaruga sarcástica, e Meg, uma especialista em artes marciais, ele embarca em uma aventura épica.

O diretor Ben Stassen fez a animação com o melhor 3D que já vi até hoje chamado "As Aventuras de Sammy", e desde então tem entregue grandes produções bem simples de história, mas com desenvolvimentos bem encaixados, personagens marcantes e muita interação para os pequeninos, ao ponto que praticamente todo ano entrega algo novo e que mesmo sendo bem maluco nas ideias não desaponta de modo geral, e aqui sua base foi bem elaborada, teve dinâmicas interessantíssimas com muita aventura, toda uma formatação pronta para agradar tanto os pequenos quanto os mais grandinhos, e assim resultando em um filme bacana de ver que embora possa parecer totalmente maluco tem características e clichês bem tradicionais de vários outros filmes que já vimos, e assim sendo entramos num clima de aventura bacana com ele, torcemos pelo protagonista, rimos dos coadjuvantes e até torcemos para que o vilão apanhe logo, pois é maluco e maldoso como deve ser. Ou seja, diria até que o filme faria sucesso nos cinemas com um 3D bem trabalhado, mas como esse estilo vem sumindo, o streaming foi a melhor opção para não ter prejuízo com um personagem bem diferente dos padrões visuais.

Quanto dos personagens, o jovem Frangoelho é bem astuto, cheio de desenvolturas e consegue cativar a todos com suas cenas, ao ponto que mesmo sendo um jovem com um ar de inferioridade por não pertencer a nenhum grupo acaba se empolgando bastante na missão e por conhecer muito tudo acaba indo muito bem no que faz, claro que não é um personagem bonitinho, já que é uma mistura estranha, mas como aqui as texturas não são o ponto forte, o resultado agrada bem. Diria que eu me enxergaria bem no papel da tartaruga Archie, que ajuda o protagonista em tudo, tem sacadas e ideias diretas independente de magoar os demais, mas que está disposto a ajudar também sempre, e seu ar de parceria deve fazer mais pessoas a se conectar com ele. A gambá Meg é cheia de expressividade, joga tudo para todos os lados, luta bem, está disposta a ir além e conseguir estar no grupo é sua própria missão, só achei meio exagerado o lance do gás, mas sabemos que ocorrem coisas desse tipo, só não precisaria ser tão forçado. O vilão Lapin tem um estilo interessante, com ares bem fortes de vilania e não desaponta nas maldades, sendo daqueles que acabamos ficando bravos com tudo o que faz contra o protagonista e assim sendo foi bem criado. Ainda tivemos vários personagens secundários que seguem o vilão, mas sem dúvida o destaque é para a tribo dos porquinhos que vão se encaixando e virando colunas e paredes, no melhor estilo do jogo tetris, e foram bem impactantes no conceito completo.

Visualmente o longa é bem recheado de detalhes, e mesmo não tendo texturas como algo chamativo, tem toda a paisagem da selva com os porcos, do deserto com escorpiões em forma de flor, as areias movediças, toda a ilha bem montada com uma arena de provas incrivelmente bem pensada nos desafios de uma aventura (que no final os hamsterzinhos malucos ainda dão uma incrementada nos perigos), e toda a montanha recheada de desafios, ou seja, tudo muito bem pensado, com enigmas interessantes, e muita desenvoltura de cores e formatos para chamar a atenção, mostrando que o design do projeto foi muito bem pensado pela equipe, e que aparentemente daria para funcionar com 3D, pois temos elementos de profundidade e muita coisa sendo atirada nos protagonistas, ou seja, quem gosta do estilo pode ser que compre lá fora mídia com a tecnologia.

Enfim, é uma animação que talvez muitos até pulem quando virem ela na Netflix, mas que tem uma boa essência, é divertida e vai agradar a todos, desde os menorzinhos até os mais velhos, não vindo com grandes conteúdos morais, mas deixando claro a lição de valorizar o que você tem de bom, então fica a dica para a conferida, e eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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HBO Max - Ecos de um Crime (Ecos de un Crimen) (Echoes of a Crime)

6/19/2022 05:40:00 PM |

Quem lê meus textos sabe o quanto admiro o cinema argentino, mas ao mesmo tempo que entregam filmes excelentes, também entregam umas bombas sem nexo algum que ficamos esperando um algo a mais e não nos é entregue absolutamente nada, e tinha pulado esse filme "Ecos de um Crime" quando lançou em Março na HBO Max, mas como o protagonista também foi protagonista do longa que vi essa semana na Netflix resolvi dar o play, e olha que já vi muitos filmes confusos e sem nada para envolver, mas o que fizeram aqui beira o absurdo, numa trama que assistimos inteira e ficamos perguntando no final, o que foi real, ou o que passou como delírio da mente do escritor? E a resposta que nos é entregue é nenhuma, pois o longa termina da mesma forma que começou, ou seja, vemos umas cinco vertentes de um crime, uma mais maluca que a outra, mas pela ideologia passada com o final, nada aconteceu, sendo apenas algo da mente dele, e isso é muito, mas muito ruim mesmo, ao ponto que acabou e fiquei com raiva, que é o único sentimento para ele.

O longa nos conta que um escritor de suspense best-seller, sai de férias com sua família para uma cabana na floresta. Na primeira noite, durante uma forte tempestade, a energia cai e uma mulher aparece pedindo socorro desesperadamente: seu marido matou seu filho e agora ele está atrás dela. A partir desse momento, o perigo e o engano são uma ameaça constante e para Julián começa uma noite infernal até que ele descubra a verdade.

Sinceramente não consegui definir aonde o diretor Cristian Bernard desejava chegar com seu filme, pois num primeiro momento o ar de suspense até é bem funcional, tem uma pegada interessante e inteligente, parecendo ser um misto da mente maluca do escritor protagonista com uma vivência de sua família numa casa de férias, aonde talvez ele veria coisas e escreveria o novo exemplar de sua saga de livros, mas aí começam os famosos ecos que trazem no título da trama, e vamos vendo diversos exemplares de um crime maluco, de várias dúvidas pessoais dele, e cada hora uma síntese mais doida da mesma cena ocorre, isso tudo ao que parece pelo fechar da trama em um sonho na viagem (sim, já estou dando spoiler!), ou seja, somos feitos praticamente de trouxa durante 84 minutos de uma repetição da cena imaginada de diversas formas e com personagens fazendo cada hora algo diferente, para algo que nem aconteceu realmente, e isso acaba sendo chato pelo fechamento, mas que quem não ligar e gostar de várias ideias possíveis para um crime, até vai achar interessante o que o diretor fez.

Sobre as atuações, Diego Peretti trabalhou seu Julián com um ar imponente, cheio de desenvoltura, parecendo em alguns momentos estar completamente lúcido como um herói indo para cima do problema e resolvendo, já em outros atos parecendo sutil demais sem grandes anseios, e isso ficou estranho de ver, já que o ator costuma ter uma boa entrega, e assim sendo ficou devendo um pouco. Quanto das mulheres da trama, tanto Julieta Cardinali com sua Valeria quase que inútil em cena, quanto Carla Quevedo com uma Ana espantada, cheia de trejeitos estranhos, mas sem ir para lugar algum, apenas apareceram em cena, ficando bem abaixo até da expressividade da garotinha vivida por Florência González, ou seja, foram meros enfeites cênicos, que só não foram piores que Carola Reyna com uma Mercedez falante demais que até aparece em um dos sonho como uma médica meio maluca, e Gerardo Chendo que surge numa ligação apenas com seu Marcos, mas nada que fizessem ser relevantes. Ou seja, quem apenas se destacou foi o protagonista, e posso pontuar que Diego Cremonesi fez trejeitos bem cheios de ódio como um assassino vigoroso e maluco que chega de carro todas as vezes e faz coisas bem doidas com a família do protagonista cada vez de uma forma diferente.

Visualmente a trama até tem uma casa bem ornamentada, no meio de uma floresta, que inicialmente até tem uma fotografia interessante, com o chão de folhas vermelhas, um lago de fundo, muitas lenhas com um machado bem em foco que fica claro que será usado para algo, um jantar que logo vira sob luz de velas com a energia acabando, uma chuva tremenda do lado de fora, até aí vai tudo bem, mas depois o protagonista anda no meio da floresta a noite com uma iluminação azulada meio nada a ver já que está um temporal e não há qualquer iluminação de lua ou lanterna, temos um carro imponente preto bem clássico de assassinos mas que só serve para fazer barulho, ou seja, a equipe foi gasta para praticamente nada, além de usarem um sangue melado que forma coágulos espalhados pelo chão de uma forma ainda mais bizarra.

Enfim, é o típico filme que recomendo fugir demais, pois o discernimento é praticamente nulo do começo ao fim, e o resultado final é ainda pior, ou seja, vamos para outro filme que é melhor, e assim deixo a recomendação de nem pensar em dar play nele. Bem é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas vou tentar ver outro para salvar o dia, pois esse não valeu o tempo gasto.


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