Netflix - Riverdance: Uma Aventura Dançante (Riverdance - The Animated Adventure)

1/17/2022 12:54:00 AM |

Não sei se na Irlanda o pessoal gosta tanto de sapateado (ou dança irlandesa como definem no filme), mas olha, na animação deles que estreou na Netflix, "Riverdance - Uma Aventura Dançante", até os sapos, os alces, ovelhas e tudo mais que se pensar dança quando está feliz ou triste, numa festa ou num velório, e isso até soa engraçado (para não dizer maluco), se não fosse toda a simbologia que a trama tenta passar de fluir como um rio e não deixar que esse rumo de sua vida seque. Ou seja, é uma animação bonitinha, bem doida de estilo, mas que tem muitas mensagens em segundo plano, tem muito envolvimento e magia, e principalmente tem estilo próprio, pois não me lembro de nenhuma outra que tenha trabalhado dessa forma com tanta dança, sendo bacana de ver, mas que talvez não pegue a todos que forem conferir.

A sinopse nos conta que um garoto irlandês chamado Keegan e uma garota espanhola chamada Moya viajam para o mundo mítico dos Megaloceros Giganteus, que os ensinam a apreciar Riverdance como uma celebração da vida.

Como é uma trama baseada um musical de grande sucesso, aonde praticamente toda a história é contada apenas no sapateado, foram criativos no desenvolvimento da história completa, mostrando que os diretores Dave Rosenbaum e Eamonn Butler após trabalharem em vários longas grandiosos de Hollywood resolveram estrear na função principal criando algo bem impactante pelo simbolismo passado, pela valorização de uma cultura diferente que é a dança irlandesa de sapateado, e brincando com isso com toda a ideia do fluxo de um rio, da criação de vida diária nesse lugar, usando para isso animais, magia e tudo mais. Ou seja, é um filme que de certa forma é necessário refletir muito para compreender toda a desenvoltura e não ficar apenas viajando nos bichos dançando, mas que de certa forma poderiam ter trabalhado um pouco mais para que tudo tivesse um cerne mais fácil e colorido para pegar a todos.

Sobre os personagens, tanto o garotinho quanto a garotinha são meio insossos na trama, não chamando muita responsabilidade, nem emocionando o tanto que deveriam, mas os alces são bem divertidos, tem todo um estilo bem trabalhado desde o grandalhão quanto os mais bobinhos, e conseguem segurar bem a trama, além da graciosidade dos sapinhos, ou seja, é uma trama infantil, mas os personagens não foram tão colocados para as crianças, e mesmo tendo doses bem bobinhas, cada um tem sua síntese, desde a representação do avô, da ideia da quebra do fluxo da vida recaindo a escuridão, do aprender novas coisas, e por aí vai. Já quanto dos secundários da cidade, um exagero em cima do outro desde a dona da loja de música, da loja de doces, dos rapazes esportistas, e por aí vai, sendo apenas colocados em cena para ter algum tempo extra.

Visualmente o longa é bem colorido, sem exageros nas texturas, ou seja, parecendo realmente um desenho não querendo ser realista como algumas animações andam entregando, e cheio de personagens bobinhos para tentar chamar a atenção da criançada, ou seja, um ambiente mágico aonde os personagens vivem, trabalhando conceitos de vida e morte, mas tudo bem subjetivo, com elementos cênicos marcantes para dar as devidas nuances de crescimento/aprendizagem, e assim o resultado até é bem simbólico, trabalhando inclusive a festa tradicional irlandesa de São Patrício.

Enfim, é um bom filme, nada impressionante, que funciona no que se propõe que é transferir o musical que é apenas de sapateado para algo com um pouco mais de vida, mas com muito sapateado também, e tendo claro as devidas simbologias, acaba resultando em algo bonitinho de se envolver até. Ou seja, recomendo com as devidas ressalvas para um bom passatempo ou para quem quiser rir e ver as ideias malucas de bichos sapateando. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - As Fotos Vazadas (Penyalin Cahaya) (Photocopier)

1/16/2022 06:38:00 PM |

Já disse algumas vezes que a maior vantagem do streaming é ver filmes que de países que só veríamos aparecer aqui em festivais, isso se fossem bem premiados, senão a chance era praticamente nula, e a ideia completa do filme indonésio da Netflix, "As Fotos Vazadas", é daquelas que se podem discutir em qualquer meio que alguém irá contar algum caso que viu, ouviu ou passou, pois abusos ocorrem em todos os vértices possíveis, sejam eles em faculdades, em serviços, e até mesmo no ambiente familiar, e a velha linha de quem tem mais dinheiro/poder ganha é algo que quase sempre acontece, estourando quase sempre a linha no lado mais fraco. E usando um ar investigativo até que bem marcado, a trama mostra uma garota de um curso de computação, ou seja, alguém que sabe o lugar certo de caçar as fontes, que ao perder sua bolsa por aparecer fotos suas alcoolizada no processo de regulamentação da bolsa, vai caçar quem pode ter feito isso com ela, e mesmo não sendo um filme chamativo, com nuances mais marcantes, toda a desenvoltura acaba válida pela mensagem e pelo bom fechamento encontrado, mostrando que ir até o fim é algo duro, mas que tem valor.

A sinopse nos conta que Sur é uma bolsista em uma prestigiada universidade, mas depois de ir à uma festa e tirarem uma selfie sua bêbada e colocarem nas redes sociais, circulando todos da faculdade, Sur perde sua bolsa de estudos ao ser acusada de trazer desgraça ao seu corpo docente e portanto não podendo mais estudar na instituição. No entanto, Sur não se lembra dos eventos da noite, pois desmaia ao participar de uma festa da faculdade. Então, determinada a falar sobre o que aconteceu com ela, investigando a verdade por trás do que aconteceu naquela noite. Sur procura a ajuda de seu amigo de infância, Amin, que também trabalha e mora no campus como fotocopiadora, para descobrir o que realmente aconteceu naquela noite e trazer justiça a si mesma e achar o culpado. Mas suas preocupações vão muito além disso. À medida que ela se aprofunda no que aconteceu, ela percebe que há mais do que pensava inicialmente. Será que ela verá a luz no fim do túnel?

Diria que o diretor e roteirista Wregas Bhanuteja foi ousado em cima do tema, mas não quis usar tanto o conceito sexual do abuso em si, deixando bem no ar tudo se tinha rolado ou não algo a mais, seja antes ou durante todo o processo investigativo, tanto que em momento algum a garota é questionada disso, e mesmo nos vídeos depois achados apenas vemos fotos em poses sem ir diretamente em algo ainda mais polêmico, e isso embora seja um "alívio" para sua trama, o resultado seguiu ainda bem formatado, com a intensidade certeira para cada ato, e mesmo não tendo grandiosas atuações, toda a acusação, toda a moral e todo o tema acabam sendo bem pontuados e usados na medida certa pelo diretor, que mostrou ainda que com simplicidade se faz um filme tenso bem aberto para discussões.

Já falei que as atuações não foram tão chamativas quanto poderiam, ficando tudo muito subjetivo nas cenas, e com atores fazendo trejeitos meio que estranhos para cada ato, tendo claro um leve destaque para a protagonista Shenina Cinnamon com sua Sur misteriosa e confusa, alguns atos explosivos de Jerome Kurnia com seu Tariq, todo o envolvimento bem trabalhado por Chicco Kurniawan com seu Amin, e claro pela calma e centralidade que Giulio Parengkuan deu para seu Rama, além de alguns atos soltos bem trabalhados de Dea Panendra com sua Anggu e Lutesha dando vida para a jovem fotógrafa problemática Farah, mas como disse nenhuma grande expressividade que irei lembrar de qualquer um desses atores daqui alguns meses.

Visualmente a trama tem nuances interessantes, mostrando alguns ambientes da faculdade (aliás aula mesmo só uma rápida), alguns comitês e reuniões meio que em tendas (ficou um pouco estranho para falar a verdade, mas como não conheço a cultura vou relevar isso), uma central de fotocópias meio precária, mas aonde passa praticamente todo mundo (o que é comum em faculdades), uma apresentação teatral bem imponente, e uma festa meio que maluca, mas no meio de pessoas de teatro tudo é esperado, e o resultado da equipe de arte foi simples, porém efetivo para representar bem as coisas no país, além de muita fumaça da dengue passando em tudo quanto é canto, ou seja, foram bem, mas poderiam ser ainda mais simbólicos com o fechamento no miolo, que aí o ar crítico chamaria mais atenção.

Enfim, é um filme com um tema fortíssimo e que vale muito a discussão, porém desenvolvido de uma forma não tão expressiva quanto poderia, ao ponto que chama atenção em vários atos, mas em muitos fica mais confuso do que bem trabalhado, e assim o resultado final não impacta o quanto poderia. Diria que é inteligente e intenso, mas faltou um pouco mais de preparo para ser explosivo, porém ainda recomendo ele com muita certeza para todos, para grupos de discussão de abusos, e até mesmo para faculdades, pois é sempre bom prevenir do que arrumar depois, e assim faz valer a conferida. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Pânico (Scream)

1/16/2022 01:47:00 AM |

É até engraçado parar para pensar em datas, pois o primeiro "Pânico" foi lançado há 26 anos atrás, e o último filme "Pânico 4" foi lançado já fazem 11 anos, ou seja, estamos realmente ficando velhos, e tanto que não tem nenhum texto dos antecessores do longa de hoje aqui no site, mas vi todos, e curti demais tanto os longas de terror, quanto as paródias geradas (e pasmem, as paródias tem até mais filme que o original, agora igualado!), e uma coisa que fiquei bem intrigado quando começou as campanhas de marketing do longa atual é que não usaram o numeral 5, ou seja, fui esperando talvez um recomeço, um reboot da franquia, mas não a ideia é uma continuação direta do quarto filme, porém agora mais voltado realmente para os fãs, com coisas que muitos desejavam ver, de voltar personagens clássicos, dar toda a ideia do motivo de um reboot, e até usar sacadas explicativas para isso (a cena da reunião entre os possíveis suspeitos foi algo genial com a moça explicando a ideologia de um reboot e de uma sequência). Ou seja, posso dizer facilmente que esse é um filme para os fãs do gênero terror slasher, para os fãs da franquia, mas mais do que isso, um longa feito por fãs para os fãs, pois é um dos mais violentos (se não for o mais), tem toda a pegada clássica, tem personagens clássicos, e principalmente brinca com toda a ideia original, sendo um longa inteligente e bem desenvolvido que acaba agradando e divertindo demais quem gosta do estilo, funcionando bem, e envolvendo bastante, mas que certamente poderia assustar e causar um pouco mais de tensão, pois tudo acontece, e nada fica subjetivo, o que é um pouco ruim de acontecer.

O longa mostra uma mulher voltando para sua cidade natal e tentando descobrir quem está cometendo os atuais crimes cruéis, vinte e cinco anos depois que uma série de assassinatos brutais chocou a pacata cidade de Woodsboro, na Califórnia. Agora um novo assassino veste a máscara do Ghostface e começa a mirar em um grupo de adolescentes, o que será capaz de ressuscitar segredos do passado mortal da cidade, além de reacender traumas nos sobreviventes, que, novamente, precisaram enfrentar essa ameaça obscura e violenta.

Os diretores Tyler Gillett e Matt Bettinelli já fizeram vários longas de terror juntos, e suas principais características são de colocar muito sangue e violência em primeiro plano, deixando tudo acontecer da forma mais plena e direta possível para impactar realmente, e aqui mostraram conhecer demais a franquia, pois são tantos detalhes bem marcantes aparecendo, tendo toda a forma de matar, a velocidade do Ghostface, as sacadas de não revelar logo o vilão, as diversas sacadas cômicas precisas para impactar e aliviar a tensão, ao ponto que como começaram a dirigir longas só depois do último filme, com toda certeza se inspiraram no que viram durante a juventude para virar diretores do estilo, e aqui puderam pegar tudo que aprenderam nesses anos para revisitar a franquia e dar uma boa pegada clássica, mas inovando com ideias e dinâmicas para que o filme agradasse principalmente o público-alvo, pois até vi algumas pessoas saindo no meio da sessão, mas é notável na cara a idade e estilo de terror que a galera ali gosta, e assim como a garotinha do filme, alguns preferem mais longas como "Babadok", "Hereditário", "Corrente do Mal", enquanto outros preferem mais as facadas sanguinárias de Ghostface, e aqui o filme diz isso em alto e bom som, funcionando demais.

Sobre as atuações, o grupo adolescente foi meio sem graça e bobinho demais, do tipo que se eu fosse o Ghostface já fazia picadinho deles logo na primeira cena para não ficarem fazendo trejeitos jogados, mas aí acabaria com o filme, então seguindo a linha, Melissa Barrera e Jenna Ortega até trabalharam alguns trejeitos, fizeram estilos bem colocados, mas nem a primeira com sua Sam, nem a segunda com sua Tara pareceram realmente com medo e/ou desespero fronte ao perigo, e esse é o maior defeito de um filme de terror, pois as pessoas precisam parecer desesperadas com a morte iminente, e aqui elas tipo "vou ali, pode ser que leve umas facadas, mas ok, vamos lá", e isso pesou um pouco, e sabemos bem do potencial de ambas por tudo o que já fizeram em suas carreiras até agora, ou seja, poderiam ter ido além. Jack Quaid até trabalhou bem o famoso namorado apaixonado e bobo que sempre está em todas as cenas, mas forçou demais os trejeitos clichês do gênero, ao ponto que em alguns momentos seus acaba cansando, mas suas cenas finais até que ficaram interessantes, pois o jovem de uma maneira explosiva ficou bem trabalhado, e talvez um pouco mais disso no miolo melhorasse bem. Quanto dos mais velhos foi muito bacana conseguir praticamente todos os atores dos longas anteriores, desde Neve Campbell com sua Sidney, Courtney Cox com sua Gale, David Arquete com seu Dewey, e até Marley Shelton com sua Judy conseguiram chamar muita atenção e ter desenvolturas bem colocadas nas cenas que foram usados, ou seja, os velhinhos ainda tem boa pegada para a ação completa.

Visualmente o longa tem uma boa pegada, mostrando que praticamente nada mudou na cidade de Woodsboro em 11 anos, com as tradicionais casas, com os encontros em praças, as devidas festas (aliás uma festa em homenagem a alguém que acabou de morrer????), o hospital bem tradicional, mas tudo bem colocado dentro de um consenso, com o Ghostface sendo bem veloz, usando colete a prova de balas agora (algo bem interessante que não lembro de ter nos demais), e claro muito sangue e muitas facadas, fazendo com que o filme ficasse até um pouco pesado, mas para nós que gostamos disso a equipe de arte mostrou que conhecia bem a franquia completa e deu o luxo em todas as cenas.

Enfim, volto a frisar que é um filme feito para os fãs da saga, então se você nunca viu nenhum dos filmes é melhor dar uma revisitada neles, pois não é que você vá ficar perdido, pois a ideia é fácil e dá para entender completamente tudo o que ocorre, mas só quem for um amante do estilo vai se conectar com os detalhes, vai se envolver com todas as situações, e o resultado acabará chamando mais atenção, e sendo assim fica a recomendação para esse que vai figurar bem próximo ao original como os melhores da franquia. Bem é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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AppleTV+ - A Tragédia de Macbeth (The Tragedy Of Macbeth)

1/15/2022 04:13:00 PM |

Já vi tantas adaptações da obra "Macbeth" de Shakespeare que por vezes acho que o escritor só tem duas ou três obras, mas a verdade é que o conflituoso texto de quedas de tronos é imponente demais e dá para se criar tantas vertentes quanto for que nenhuma ficará parecida com a outra, e agora no longa da AppleTV+, "A Tragédia de Macbeth", vemos algo tão imponente para uma obra cinematográfica quanto forte para o estilo teatralizado que o diretor optou por entregar, parecendo ser quase uma peça de 105 minutos com imensas cenografias (no estilo que rola "A Paixão de Cristo" em diversas cidades), pois filmado em preto e branco e com um recorte diferenciado do usual, tudo ficou denso, tudo ficou cheio de situações e nuances, quase se vertendo para o lado do terror, mas ainda assim tendo todos os diálogos fortes (e difíceis) da obra, toda a intensidade cênica que é muito bem apresentada pelos protagonistas, e o resultado é uma trama interessantíssima que envolve bem, mas que muitos acharão um pouco cansativo demais.

O longa segue a história do lorde Macbeth ao voltar de uma guerra. No meio do caminho, três bruxas o abordam e falam sobre sua visão de que ele será o próximo rei da Escócia. Ao contar a notícia para sua esposa, eles planejam o assassinato do rei atual do país e assim garantir o reinado de Macbeth.

Sempre vimos um filme dos irmãos Coen, mas hoje tanto a direção quanto o roteiro ficou a cargo apenas de Joel Coen, que soube pegar a obra já fortíssima de Shakespeare e recriar sua versão trágica, usando todo um artifício cênico próprio, desenvolturas marcantes para dar o ambiente e a força expressiva para os atores, e falando em ambiente tudo é altíssimo, para dar visão de grandeza para o protagonista, mas também a pequenez de seus atos malucos, ou seja, o diretor quis fazer algo completamente diferente, sem que perdesse todas as desenvolturas da obra, ao ponto que vamos acompanhando tudo, vamos ficando intrigados com tudo, mas como já conhecemos toda a obra, vamos apenas vendo como essa versão entrega cada ato bem colocado, mostrando que o diretor facilmente acertaria bem em longas de terror, mas que ao optar mais por dramas consegue deixar o tom num nível marcante, e aqui acerta bem isso também.

Sobre as atuações, acho que veremos os nomes dos protagonistas em algumas premiações, pois estão incríveis, fazendo trejeitos bem fortes e marcantes como sabemos que são capazes. Denzel Washington sempre faz dramatizações impactantes, e aqui seu Macbeth é preciso de olhares, incorpora uma loucura completa muito bem entregue, e principalmente faz nuances clássicas bem misturadas com inovações de trejeitos, o que mostra algo muito chamativo para o papel, e claro mostrando que ainda é um dos grandes nomes da atuação mundial. Frances McDormand já tem uma coleção imensa de prêmios e não duvidaria dela levar mais um pelo que faz com sua Lady Macbeth, não tanto pelo seu início calmo, porém forte, mas sua entrega nos atos finais é tamanha ao ponto de até assustar com suas feições, sendo precisa e muito marcante. Ainda tivemos muitos outros bons atores aparecendo, como Bertie Carvel com seu Banquo cheio de força, ou Corey Hawkins com seu Macduff marcante, ou até mesmo Alex Hassell com seu Ross presente em todos os lugares, mas sem dúvida o grande chamariz fica para Kathryn Hunter como as três bruxas e um velho homem da estrada, pois ela se entorta completamente, faz trejeitos assustadores e impactantes com sua voz e olhares tão densos que chega a arrepiar, dando literalmente um show apenas em poucas cenas.

Visualmente como já disse o longa parece uma obra teatral com diversos cenários imensos e bem altos, sendo bem representativo na amplitude dos castelos, da floresta, do acampamento do exército e das grandes casas, mas tudo bem clean, sem grandes detalhes de objetos cênicos, o que acaba sendo até estranho para uma obra dessa proporção, e talvez tenha sido uma ideia meio que ruim de acontecer, mas como todo os figurinos, armas e tudo mais chama muita atenção, o resultado sobrepõe esse erro, e que acabou sendo bem funcional filmar em preto e branco, com muita fumaça cênica para todo lado, criando ambientes próprios e intensos, e que no formato mais quadrado que acabou sendo exibido ainda chama mais atenção, ou seja, a equipe de arte trabalhou muito mais com a equipe de fotografia para criar as devidas sombras e luzes para marcar a trama, e isso acabou funcionando bem.

Enfim, é um filme bem intenso e marcante, que tem uma pegada densa e funcional dentro do texto proposto, mas que muitos não irão curtir completamente, e outros que já conhecem bem a história acabarão apenas vendo para conhecer essa nuance nova e diferente, já que muito pouca coisa foi mudada, e assim sendo vale pelo resultado completo. Ou seja, indico o longa para quem curte um estilo mais artístico do que um filme chamativo e cheio de ações, mas quem sabe algum dia não vira um clássico cult. Bem é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Hotel Transilvânia 4: Transformonstrão (Hotel Transylvania: Transformania)

1/15/2022 01:28:00 AM |

Quando foi anunciado que o filme "Hotel Transilvânia - Transformonstrão" não iria mais sair nos cinemas, o Halloween acabou ficando bem morto, pois já era um clássico consolidado da data, já tinham passado milhares de trailers, e todo mundo já estava esperando para ver, mas eis que optaram por vender para a Amazon Prime Video, e agora lançado pelo streaming no mundo todo conseguimos conferir o quarto longa da franquia animada de sucesso que teve os dois primeiros filmes geniais, sendo daqueles que todo mundo se apaixonou pelos personagens, com sacadas incríveis, e um terceiro mais mediano, porém ainda bem bom de ver, e agora diria que esse está melhor que o terceiro, mas ainda bem longe do que os dois primeiros fizeram, pois temos uma história bacana, mas sem muito desenvolvimento dos personagens, e menos ainda de um mote chamativo de lição para passar, mas o colorido e as piadas acabam sendo gostosos de curtir e toda a desenvoltura acaba sendo um bom passatempo, e assim o resultado pelo menos funciona bem do começo ao fim. Ou seja, não é uma animação brilhante, mas como é curtinha passa voando e diverte, fazendo com que seja algo que as famílias vejam juntas e se entretenham. 

A animação nos conta Van Helsing criou uma invenção que transforma humanos em monstros e vice versa. Querendo virar um monstro para agradar Drac e os monstros do hotel, Johnny decide ser a primeira pessoa humana a se transformar. Mas quando a invenção atinge os demais da turma do Drac, tudo vira uma confusão imensa com todos virando humanos e perdendo seus poderes. Agora, Drac com seus amigos e Johnny tem que correr contra o tempo para rodar o mundo e encontrar a cura para transformar todos em suas formas normais antes que seja tarde demais e fiquem humanos para sempre, além de evitar que eles percam suas cabeças com suas formas alternativas. Mas antes disso, Drac humano terá que contar com outros humanos para que eles os ajudem, e, no fim das contas, ele vai perceber que ser humano também não é nada fácil.

Basicamente um grande defeito de muitas animações é entregar um projeto consolidado para novos diretores, pois mesmo que tenham ido bem em diversas funções de outros longas, um projeto tem de ser seguido a risca, e aqui Derek Drymon e Jennifer Kluska pegaram a trama original de Genndy Tartakovsky e saíram criando novas vertentes, novas ideias e tudo mais que pudesse dar nuances diferenciadas, e nós ficamos do mesmo jeito que o Drac fica quando Johnny conta sua ideia de mudanças no hotel, ou seja, bem desapontados com as loucuras completas, de forma que até Adam Sandler que originalmente deu voz para o protagonista nos três filmes anteriores resolveu pular fora do barco. Ou seja, quando alguém que já é conhecido no papel foge, significa problemas na ideia, situações que não vão funcionar e tudo mais, e aqui embora seja um filme divertido de conteúdo, acabamos não rindo igual doidos, não nos emocionamos com nenhuma situação, e nem vamos lembrar muito da ideia toda daqui algum tempo, bem diferente do curtinha do cachorro que os mesmos diretores fizeram, ou seja, poderiam ter segurado essa base e ido além, não inventar tanto, pois o resultado ficou bom, mas deslocado demais.

Como já sabia da não-presença de Adam Sandler, comecei vendo o filme legendado e não curti a voz do novo dublador, parecendo não ser o Drac, então voltei e recomecei o filme dublado com as vozes que já conhecia de outras vezes, e aparentemente ainda é Alexandre Moreno que dá a voz ao protagonista (mesmo não mostrando no final os nomes), e ficou muito melhor, pois já é um personagem que sabemos o tom e sua voz é engraçada por natureza, dito isso, os personagens ficaram bem engraçados como humanos, e toda a saga da busca da pedra pela América do Sul, cruzando florestas e rios (povo  gringo acha que aqui só tem isso!) consegue soar interessante com Johnny como um gigante lagartão, ainda tivemos uma boa presença de Mavis a vampirinha, e alguns atos meio estranhos da namorada de Drac em cena, pois ela não ficou nem como terminou nem como começou o terceiro filme, ficando algo no meio do caminho que é estranho de ver por seus objetos de caçadora de monstros, mas com carinha fofa, ou seja, poderiam ter brincado mais com todos. Destaque para Frank como humano galã, que ficou muito mala de acompanhar, mas isso divertiu demais.

Já falei um pouco do visual junto dos personagens, mas volto a frisar que brincaram bem com a floresta tropical, todos com um portunhol cantante no ônibus, e antes disso uma festança bem marcante no hotel, tendo as devidas nuances dos personagens, boas sombras e personalidades (não brincaram tanto com texturas como a maioria das animações anda fazendo), mas tivemos muitos objetos cênicos sendo usados tanto pelos personagens na nave, como nos protagonistas andando na selva, mostrando muitas características divertidas bem colocadas para funcionar por completo na trama.

Enfim, costumo falar que o grande teste de uma animação é ver na sessão se a garotada fica presa, mas aqui como o filme foi direto para o streaming vou colocar que acredito que a ideia até prenda bastante pela diversidade de cores, pelo carisma dos personagens, e até por ser uma história rápida e engraçadinha, mas que de uma forma mais ampla não vai pegar tanto os adultos, e isso é algo que era muito gostoso de encaixar e ser visto nos demais filmes da franquia. Ou seja, volto afirmar que o passatempo é bem válido e agrada, mas certamente poderiam ter seguido mais a base, e assim agradado bem mais. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Juntos e Enrolados

1/14/2022 01:13:00 AM |

Se tem um gênero que domina o cinema nacional é a comédia, e a principal exigência é só fazer rir que está valendo, independente se para isso forcem a barra ou acabem colocando coisas desnecessárias, mas segurando o humor do começo ao fim o resultado acaba agradando. E felizmente o lançamento da semana "Juntos e Enrolados" traz momentos bem divertidos, tem sacadas bem colocadas, e os protagonistas conseguem segurar bem a onda do começo ao fim com situações bem bizarras, ou seja, fizeram bem o dever de casa para o estilo cômico e acabaram entregando algo que faz o público rir em muitos momentos, porém tinha material para conseguir ainda mais momentos icônicos e pisaram no freio, pois é notável que muitos atos daria para causar mais com situações mais fortes e acabaram optando por algo mais leve. Ou seja, é um bom filme que quem gosta das comédias nacionais mais bobinhas vai curtir e rir, mas passa longe de ser algo memorável.

O longa nos conta que após dois anos de união e muito planejamento financeiro, Júlio e Daiana finalmente alcançam o sonho de realizar a tão esperada festa de casamento, para assim, finalmente se casarem na igreja como manda o figurino. Tudo parece estar indo bem, até que o noivo recebe uma mensagem em seu celular antes da cerimônia começar. Uma confusão generalizada acontece logo antes do tão esperado momento do "Sim", e todos os planos parecem ir por água a baixo. O casamento pode até ser cancelado, mas a festa precisa continuar, e nessa comédia, o casal e todos os convidados vão dar, cada um com seu jeito, uma maneira de lidar com a situação - e tentar não deixar tudo sair do controle.

Senti que havia um certo problema de indecisão de rumo no meio do filme, parecendo que quando poderia ir além, e explodir para algo mais digamos sujo e pesado, seguravam a ideia e mudavam de rumo, e isso ficou claro ao pesquisar a filmografia dos dois diretores Eduardo Vaisman e Rodrigo Van De Put, pois Eduardo tem um tom mais família, uma síntese mais calma, enquanto Rodrigo já foi xingado de todos os nomes possíveis pelas famílias com seus longas do Porta Dos Fundos, ou seja, fica bem claro que o longa tem essa dualidade na formatação, e particularmente acredito que deveriam ter puxado mais para o lado de Rodrigo, pois a ideia de uma festa de divórcio, todo o conflito de bagunça dentro de um clube, e toda a rebelião em cima cairia melhor algo de mais impacto, e não algo tão romantizado e seguro, mas isso é uma opinião própria para que o filme tivesse um outro tom talvez até mais engraçado, já que forçaram a barra em alguns atos, então explodir geral resultaria em algo mais chamativo, o que não mudaria tanto a trama em si, mas como é uma ideia apenas, digo que o que foi feito foi bacana, e até agrada, mas deixaram leve demais algo que sabemos que não seria tão comum  e levinho pelo estilo dos personagens.

Sobre as atuações, Cacau Protásio vem se destacando cada vez mais no cinema nacional, estando presente na maioria das comédias atuais, e sempre entregando muito estilo e boas sacadas com suas personagens, de forma que aqui sua Daiana tem força e boas dinâmicas, dando as deixas para que o humor se expandisse, mas sempre segura de não forçar a barra, dando nuances de barraqueira, mas não se jogando completamente, e assim esse seu meio termo ficou bem colocado, mas poderia ter ido além. Já Rafael Portugal sabe ser irônico e ao mesmo tempo palhaço com o que faz em cena com seu Júlio, pois ele provoca e dá as deixas características que já vimos em muitos trabalhos seus, mas não se deixa repetir, o que é legal de ver, parecendo até estar criando esquetes separadas, mas sempre com muita conexão que acaba agradando. Ainda tivemos Evelyn Castro sempre ácida em seu estilo de humor, botando tudo para cima com sua Suzie, brincando bem com a famosa mistura remédio e bebida, e acredito que poderia ter surtado um pouco mais em cena, que acabaria divertindo mais, e Fábio de Luca trabalhando o melhor amigo do noivo numa pegada meio que forçada para estereótipos, mas sem chamar tanta atenção, deixando isso para Leandro Ramos com seu Mestre Shaun, que poderiam ter usado muito mais suas loucuras espirituais, que funcionaria bem para a trama. Ainda tivemos várias outras participações, mas muitos acabaram apenas jogados em cena, outros forçando um pouco para tentar aparecer como os pais dos noivos, e assim não indo muito além.

Visualmente o longa foi bacana por mostrar desde quando os personagens se conheceram na piscina, passando toda a sacada da forma que foram guardando suas economias por dois anos como muitos casais fazem para ter seu famoso casamento, e claro toda a bagunça de uma boa festa, usando sacadas de penetras, de jogos casuais e claro muita dança e bebida, sendo representativo sem trabalhar grandes gastos, o que certamente fez o longa ser mais enxuto de orçamento, mas como tudo foi bem simbólico das tradicionais festas simples de casamentos, tudo acabou bem encaixado, e claro apelativo também, afinal é o estilo da comédia.

Enfim, é um filme que facilmente poderia ter ido muito além, mas que faz o básico de conseguir com que o público risse na sessão (aliás um casal atrás de mim parecia estar vendo outro filme ou estavam com algo a mais no corpo pelo tanto que riram), e assim faz valer a pena para quem gosta do estilo cômico mais bobo, e até dá para recomendar por toda a desenvoltura entregue, porém confesso que fui esperando um pouco mais, e não aconteceu. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto logo mais com outros textos, então abraços e até breve.


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Telecine Play - Pipeline: O Grande Roubo (파이프라인)

1/13/2022 12:57:00 AM |

Preciso parar de acreditar nas classificações que as plataformas de streaming colocam nos seus filmes, pois como muitos sabem não costumo ver trailers antes de conferir, me interessando a sinopse e a classificação, mando o play sem dó, e hoje caí num golpe gigantesco que no começo achei que fosse apenas algo introdutório quando na legenda apareceu "general bosta", mas relevei e fui até o fim do longa "Pipeline - O Grande Roubo", que entrou em cartaz no Telecine Play, e olha não passa nem perto de uma ação policial como a trama está classificada, mas sim numa comédia pastelão sul-coreana que abusam bem para fazer rir com situações que até trabalham algo do estilo de roubos e tal, mas é lastimável a maioria das cenas, sendo daqueles que na metade você já está com raiva das coisas bobas que colocaram para algo, sendo bem bobo demais e não dando para indicar de forma alguma.

A sinopse nos conta que um grupo de seis funcionários de uma refinaria arma um plano ousado: roubar o petróleo que passa pelos canos subterrâneos que cortam a Coreia do Sul. Os riscos são altos, e alguns imprevistos deixam tudo ainda mais perigoso.

Confesso que já vi muitos bons filmes sul-coreanos, mas aqui o diretor Ha Yoo quis forçar a barra demais em efeitos do óleo passeando pelas tubulações, em algumas interações, e esqueceu qual era sua história realmente para trabalhar, usando de piadinhas e situações bobas demais em um filme que teoricamente deveria ser de ação e mais desenvolturas. Ou seja, não é um filme com uma ideia ruim, pois mostra o roubo de petróleo, o motivo que alguns fazem isso, e até mesmo a formação de gangues especializadas no crime, e claro um grande mote maior por parte do contratante, mas o diretor ao invés de causar um ar dramático, mais propício para uma ação desse estilo, optou pela comédia escrachada, e isso desandou demais tudo ao ponto de nem empolgar com a trama, nem fazer rir como poderia, ficando bem no meio do caminho, e isso não é nada bom de acontecer.

Quanto das atuações, não vou entrar muito em detalhes primeiramente por não ter grandes destaques de nenhum personagem, e segundo pelos créditos subir com letrinhas que ainda não sei ler (quem sabe um dia), mas vou dar destaque claro para o protagonista que traduziram como Brocador, que se não estou errado foi vivido por Lee Soo-hyuk que tenta trabalhar alguns trejeitos e tendo um jeitão mais despojado se sai bem, e para o "vilão" ou como chamaram de patrocinador que também olhando pela foto parece ser Seo In-Guk que trabalhou as nuances clássicas de personagens trapaceiros e chega até irritar tudo o que faz em cena, ou seja, um acerto para o papel ao menos, já os demais é melhor nem falar muito, senão desanda.

Visualmente a trama até tem alguns atos interessantes, principalmente por se passar mais dentro de túneis, e com isso a equipe foi bem preparada para mostrar fiações, muita terra e até alguns elementos extras como câmeras e aparatos prontos para roubar (embora tenha um exagero que não dá para crer que fosse apenas dessa forma), mas tirando certos momentos que soaram falsos, o estilo das situações até que mostrou um trabalho da equipe de arte bem feito, o que chama atenção pelo menos.

Enfim, não me alonguei muito, pois é o típico filme que engana muita gente que dá o play sem ver o trailer, já que lá dá para perceber o tom mais cômico das coisas, mas mesmo assim não é daqueles que você irá rir sem parar, ficando tudo no meio do caminho. Ou seja, não consigo recomendar ele para ninguém, pois daria para fazer algo mais sério usando a mesma base, ou então algo totalmente cômico para ir para outro rumo, e como já disse outras vezes, o meio do caminho é a pior forma de se fazer um filme. E é isso galera, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - A Origem do Mundo (L'Origine du Monde) (Dear Mother)

1/12/2022 12:22:00 AM |

Confesso que nem sei por onde começar a falar do filme francês da Netflix, "A Origem do Mundo", o qual tantos sites colocaram como um dos grandes nomes do ano, que chamaria atenção e tudo mais, e realmente chama, pois é negativamente péssimo, sendo daquelas tramas que até tem alguns atos engraçados, mas é tão absurdo, tão sem base alguma, que ao final ficamos nos perguntando o que realmente vimos, pois nem usando do escracho para funcionar como algo divertido conseguiram, ou seja, é daqueles que seu play será melhor dado em qualquer outra coisa do streaming, e olha que tem muita coisa ruim perdida por lá, mas igual a esse difícil.

O longa nos conta que Jean-Louis percebe, ao voltar para casa, que seu coração parou. Não há mais uma batida no peito, nenhum pulso, nada. No entanto, ele está ciente, fala e se move. Jean ainda está vivo? Ele já está morto? Nem seu amigo veterinário Michel, nem sua esposa Valérie encontram uma explicação para esse fenômeno estranho. Enquanto Jean-Louis entra em pânico, Valérie procura Margaux, um guru muito conectado às forças ocultas, visando resolver esse problema.

Em sua estreia como diretor, o ator Laurent Lafitte, até que foi criativo na ideia que desejava passar, mas quis ir por um caminho que é muito difícil de acertar que é a comédia de escracho, aonde se necessita exagerar em tudo e forçar a barra ao máximo para que o público se divirta, e se isso já é arriscado, ele ainda jogou para um cunho sexual, ou seja, algo que raramente dá certo em comédias de grandes diretores, quanto mais de alguém que está começando na carreira, e sendo assim o filme até consegue ter alguns atos engraçados, mas tem tantos ruins, vexatórios e abusivos que desanda demais, sendo daqueles que quem estiver assistindo irá torcer para que ninguém mais entre na sala, ou então a chance da pessoa ficar envergonhada é maior que o resultado geral do longa. Ou seja, é um filme que falhou tanto que no final acabamos pensando: qual era a história mesmo?

Sobre as atuações, o próprio diretor Laurent Lafitte até consegue sobressair um pouco mais fazendo o que já sabe, e seu Jean-Louis até tem alguns trejeitos interessantes, consegue passar alguns semblantes de preocupado com seu coração, mas na maior parte do tempo parece estar no automático de querer ver a cena ao redor, e isso é a maior falha que um diretor que é protagonista comete, ou seja, falhou nos dois lados. Karin Viard até tentou ser mais explosiva com sua Valérie, trabalhando expressões e dinâmicas, mas seus atos não chegam a chamar atenção, e com isso fala demais e impacta de menos. Vincent Macaigne ainda deve estar se perguntando se o cachê que recebeu pelo papel de Michel valeu pelo que precisou fazer em cena, pois chega a ser mais do que bizarro, e sim desolador, pois o ator não teve que atuar, mas sim fazer absurdos cênicos tão jogados que assusta até. Fiquei com dó de Hélène Vincent com seus quase 80 anos tendo de fazer uma produção desse tipo, aonde a atriz até trabalhou algumas nuances de sua Brigitte, foi bem concisa nos seus atos, mas não deu para salvar. E por fim Nicole Garcia faz a guru Margaux, que é daquelas que consegue influenciar qualquer pessoa, e foi a menos ruim da trama, pois seus trejeitos convenceram, seus atos foram bem marcados, e a atriz soube ser direta em cena, o que é algo bem difícil com tudo o que rola aqui.

Visualmente o longa até tem alguns passeios em ruas, restaurantes e academias, mas o foco é na casa do protagonista, de sua mãe e num consultório pequeno, mas bem estranho pelas pinturas e estátuas de fundo que parecem vivas, mas a base toda na casa do protagonista é simples, tendo vários elementos cênicos para mostrar o estilo de vida deles, além de uma cena do passado mostrando a casa da ex-namorada riquíssima com uma cena pra lá de bizarra, ou seja, a equipe de arte montou bem os ambientes, mas em nada ajudaram a compor toda a loucura do filme.

Enfim, é um filme que confesso que esperava não ser algo surpreendente, mas que no meio estava pensando em como não poderia piorar e piorou, ou seja, não tenho como recomendar de forma alguma, muito pelo contrário recomendo não assistir, e assim eu fico por aqui hoje, pois até desanimei com tudo, então abraços e até amanhã.

PS: Alguns vão falar, como você odiou o filme e ainda deu nota 2, a resposta é que ri de alguns absurdos da trama, e assim alguns atos até salvaria se não fosse todo o restante.


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Amazon Prime Video - Um Lindo Dia Na Vizinhança (A Beautiful Day in the Neighborhood)

1/11/2022 12:57:00 AM |

No começo do ano retrasado com as indicações do Oscar, um filme que chamou muita atenção de várias pessoas, mas para variar acabou não vindo para o interior foi "Um Lindo Dia Na Vizinhança", que agora foi lançado no catálogo da Amazon Prime Video, e eis que fui conferir após um lindo dia de nervosos para tentar acalmar os ânimos, e posso dizer que teve ao menos essa serventia, pois é um filme bem lento e exageradamente calmo, que mostra uma pessoa que assim como o protagonista diz é quase um santo, e isso é bom de ver por um lado, mas irrita também por outro, pois você acaba querendo ir além daquilo, e o filme não vai. Ou seja, é um bom filme, tem um estilo interessante e bem colocado, que agrada e mostra uma desenvoltura incrível de ambos os protagonistas numa história bonita de se ver, mas talvez um pouco mais da história de Rogers cairia bem para algo maior, não apenas como foi o início da amizade dele com o jornalista, pois acabou ficando pequeno pro tamanho do personagem.

O longa nos mostra que Fred Rogers foi o criador do Mister Rogers' Neighborhood, um programa infantil de TV muito popular na década de 1960, nos Estados Unidos. Em 1998, Tom Junod, até então um cínico jornalista investigativo, aceitou escrever o perfil de Rogers para a revista Esquire. Durante as entrevistas para a matéria, Junod mudou não só sua visão em relação ao seu entrevistado como também sua visão de mundo, iniciando uma inspiradora amizade com o apresentador.

Diria que a diretora Marielle Heller usou bem a base do texto de Tom Junod para criar toda a essência de sua trama, ao ponto que não quis ir além dele para nenhuma vertente e com isso seu filme ficou um pouco amarrada na dinâmica entre criar um santo e trabalhar a conversão de um jornalista cínico, mas como não colocou muitas amplificações e nem mostrou muito quem era Rogers, acabamos conhecendo um pouco mais do personagem e da pessoa dele ali, e vemos que essa serenidade pode até parecer forçada, mas foi envolvente e bem colocada. Ou seja, é daquelas direções que precisariam ser mais explosivas em alguns momentos, para dar vida aos personagens reais e criar alguns pontos de virada interessantes para chamar mais atenção, mas de certa forma o que ela desejava passar que é a serenidade do protagonista, e a volta do jornalista para sua família acabou sendo bem feita e agradável de ver, mostrando um trabalho ao menos funcional.

Sobre as atuações, a indicação de Tom Hanks foi mais do que merecida, pois seu Fred Rogers está perfeito, com um ar tão sereno, trabalhando o tom da voz calma, criando olhares e trejeitos tão perfeitos, que fica parecendo até que o ator está fora do ar, e somente o personagem está vivo, e isso é algo incrível de ver, pois funciona demais e mostra toda a sua capacidade interpretativa. Matthew Rhys também caiu muito bem na personalidade de seu Lloyd, pois foi a personificação de Tom Junod, ou seja, do roteirista da trama, e o ator fez olhares bem marcantes, simples e emotivos, que acabam envolvendo bem de certa forma, mas que facilmente também poderia ter ido além. Ainda tivemos bons momentos de Chris Cooper como Jerry (pai de Lloyd) que faz um personagem inicialmente explosivo, mas já em seu leito de morte ficou meio bobão demais, ao ponto que poderia ter dado um pouco mais de vida ali, chamando um pouco mais o tom para si, mas indo bem também, e Susan Kelechi Watson teve algumas cenas interessantes de sua Andrea, não chamando tanta atenção, mas envolvendo bem o protagonista e agradando no que fez.

Visualmente o longa tem muita classe, pois não sei se conseguiram ir filmar nos estúdios verdadeiros com toda a cenografia já que o programa acabou em 2001, pois é muito detalhado a cidadezinha, toda a desenvoltura do personagem com seus fantoches, todo o ambiente ali marcado em símbolos, e claro o protagonista vivenciando o cenário, além claro do jovem jornalista indo na casa do pai morar em seus últimos dias, ver tudo acontecer na sua mudança seja ela nos estúdios ou na casa, e o sentimento que conseguiram passar em cada local, envolvendo bem e mostrando a alimentação vegana do protagonista, seus hábitos e tudo mais, ou seja, uma pesquisa grandiosa e minuciosa muito bem feita.

Enfim, é um filme que cansa pelo ritmo lento do desenvolvimento e também pela suavidade e calma do protagonista, então não confiram ele cansados, pois a chance de dormir é alta, mas vivencie cada momento, reflita a ideologia do personagem e curta a trama, pois foi muito bem feita e tem estilo, sendo uma trama gostosa de ver, mas que poderia ir muito além do episódio em si para retratar mais do personagem, contando mais de sua vida. Então fica a dica e eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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AppleTV+ - O Canto do Cisne (Swan Song)

1/10/2022 12:47:00 AM |

Quando enxerguei completamente a base do filme da AppleTV+, "O Canto do Cisne", fiquei pensando o que faria se existisse realmente essa tecnologia toda para criar outra pessoa exatamente igual a mim, passar todas as minhas memórias e virtudes, e antes da minha doença me matar, esse novo eu assumir o lugar para familiares, amigos e tudo mais novinho em folha, pronto para viver muitos anos sem ele nem ninguém saber que é um "clone". E o que veio na mente é exatamente os mesmos dilemas que o protagonista se vê pensando em vários atos, sobre atitudes que o novo eu vai fazer/ter quando se pegar em algum dilema problemático, como essa pessoa irá ter o carinho com alguém, o que vai rolar assim que eu não puder mais assistir através das lentes especiais o que está acontecendo lá. Ou seja, o filme se formos analisar sua base é bem simples, claro tirando os diversos efeitos especiais para carros, computadores e tudo mais de tecnológico e futurístico, mas é tão polêmico em questão da temática em si, que daria para discutir por horas e horas cada detalhe, cada intenção da trama, e ainda assim muitos sairiam da discussão com dúvidas existenciais, sendo assim um filme extremamente complexo, que foi bem no que quis mostrar, mas que daria tema para muitos outros filmes e discussões, sendo incrível nesse sentido.

Ambientado em um futuro próximo, o longa é uma jornada poderosa e emocionante contada sob o ponto de vista de Cameron, um marido e pai amoroso que, após ser diagnosticado com uma doença terminal, recebe uma solução da sua médica para proteger a família do luto. Enquanto decide se deve alterar o destino da família, ele aprende mais sobre a vida e o amor do que jamais imaginou, explorando os nossos limites e o quanto estamos dispostos a nos sacrificarmos para garantir uma vida mais feliz para as pessoas amadas.

Hoje foi dia de conferir filmes de diretores estreantes, e aqui Benjamin Cleary, que já ganhou um Oscar de Melhor Curta-Metragem em 2015, demonstrou muita segurança em trabalhar um tema pesadíssimo, aliás o roteiro sendo seu também ele conseguiu criar uma intensidade dramática tão bem colocada que poucos atores certamente fariam o estilo de questionamentos e expressividades numa disposição bem trabalhada para convencer o que ele desejava mostrar, pois poderia soar artificial, poderia ser cansativo, mas não, o filme segue o fluxo bem colocado, usa do arquétipo fácil de um único diferencial para que o público não se perca com quem é quem em cena, e mais do que isso sugere o envolvimento afetivo de uma forma que poucos costumam usar, mostrando que o diretor quis realmente cutucar a ferida para que haja futuras discussões sobre o tema usando o seu longa, e isso é um luxo que poucos filmes conseguem, e aqui certamente acontecerá.

Sobre as atuações, chega a ser incrível ver a força expressiva que Mahershala Ali entrega tanto para seu Cameron quanto para seu Jack, e as cenas em que ambos estão juntos chega a ser impressionante de trejeitos bem colocados para ser a mesma pessoa no mesmo corpo apenas mudando a roupa ali, e cada detalhe é minucioso, assustador e impactante, fazendo com que o ator se mostrasse solto, mas também preocupado e dinâmico, ou seja, um acerto iminente do começo ao fim. Glenn Close como sempre foi bem enfática com sua Dra. Jo, trabalhando com um ar de convencimento gigantesco, criando a certeza nos diálogos e sendo serena de trejeitos ao ponto de qualquer um confiar nela, e isso é algo muito arriscado, porém a atriz foi efetiva e agradou bastante com o que fez em cena. Outra atriz que vem se destacando demais em diversos filmes e aqui entregou uma expressividade bem marcante foi Awkwafina com sua Kate já em processo de morte, e sua cópia vendendo uma casa em condomínio para o protagonista, mas fazendo boas sacadas em trejeitos e diálogos, sendo marcante e trabalhando tão bem na mistura drama e comédia que chama muita atenção em cena. Ainda tivemos claro Naomie Harris bem colocada com sua Poppy, criando momentos românticos e também sacadas gostosas de ver no relacionamento com o protagonista, ao ponto de tudo ter uma desenvoltura bem dosada e agradável de ver, sem soar melosa nem exagerada, o que é o certo para o papel. Os demais participaram apenas, tendo alguns integrantes da clínica quase como fantasmas em cena, o cunhado e irmão gêmeo da esposa do protagonista dando algumas nuances maiores, e claro o garotinho Dax Rey saindo bem em cena com seu Cory.

No conceito visual, a clínica ficar num lugar completamente isolado do mundo, no meio de uma grandiosa floresta, mas com tudo bem tecnológico, portas que se abrem sozinhas, aparelhos sem fios nenhum, computadores no ar e tudo mais chamando bem atenção em contraponto com o cigarro da jovem que está nas suas últimas sendo bem enrolado e prático das antigas, ainda tivemos a casa do protagonista cheia de detalhes, também bem tecnológica, mas claro o cachorro não reconhecendo o dono (afinal os bichinhos enxergam nossas almas, já diziam alguns poetas), ainda tivemos todo o lance do trem com robôs sabendo os gostos pessoais de cada passageiro e já cobrando automaticamente, os carros autônomos e claro as devidas lentes filmadoras, ou seja, sendo um filme da Apple é capaz que metade dessa tecnologia já esteja pronta para ser lançada, mas a equipe de arte foi bem futurista e interessante nas nuances cênicas.

Enfim, é um filme que talvez pudesse surpreender mais em alguns atos, ter algumas nuances mais revoltantes e complexas, mas como disse a ideia talvez seja mais a discussão de certo, errado ou o que fazer tendo essa possibilidade, e claro que sendo o primeiro filme do diretor ele não quis ousar tanto, sendo assim o impacto é bem bom e vale bastante a conferida e as discussões que vão gerar, sendo uma boa dica para grupos de estudos. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.



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Telecine Play - Pig - A Vingança (Pig)

1/09/2022 06:51:00 PM |

Confesso que ao ver o pôster e a sinopse de "Pig - A Vingança" já imaginei Nicolas Cage descendo a porrada em todo mundo que tenha pensado em passar a mão em sua porquinha de estimação, mas usando daquele ditado que a vingança é um prato que se come frio, aqui temos uma ode pelo mundo dos bastidores dos restaurantes chiques, as origens de seus produtos, negociações e até coisas ilegais que os funcionários fazem nesse meio, ao menos na ideia do roteirista da trama, e com isso o filme que estreou essa semana no streaming do Telecine Play vai deixar muitos espectadores decepcionados com o que verão pelo nome, e outros que sequer pensariam em ver um filme desse estilo bem felizes, pois é uma trama cheia de nuances, uma boa atuação de Cage, e uma síntese que dá para pensar muito em como a vida tem rumos e formas de pensar diferentes. Ou seja, é um filme bem amplo e interessante de conferir, mas vá sabendo que não vai ter tanta pancadaria (tem umas no miolo), pois a chance de gostar dele é maior esperando algo mais calmo.

O longa nos mostra que um homem solitário vive na região selvagem do Oregon, caçando e tendo como única companhia, sua amada porca de estimação. Todavia, quando ela é misteriosamente sequestrada, ele precisa realizar um resgate ao seu passado, enfrentando fantasmas internos e pessoas que ele buscava evitar. Para reencontrar a amiga, o homem entrará em uma jornada que pode ser emocionalmente desgastante e especialmente violenta.

Em seu primeiro longa metragem, o diretor e roteirista Michael Sarnoski, foi ousado e bem direto no que desejava passar, criando uma trama intimista, com uma pegada simples, porém com nuances bem colocadas para ser representativo tanto no ar clássico dos restaurantes, mas também para mostrar a vontade do protagonista, suas imposições e toda a situação que envolvia a busca pela sua porquinha, o ar de não querer voltar ao passado, de não querer se revelar quem foi um dia, e tudo mais. Ou seja, o diretor trabalhou o tema e o abriu para um estilo de vingança mais clássica com a cena no final, não saindo matando, atirando nem nada, tanto que quem for conferir esperando isso vai até se assustar dele não sair de casa levando nem um facão que fosse, e assim sua saga deliciosa vai sendo construída, e cada momento da trama tem seus dois lados, tanto da culinária clássica, como da violência embutida de uma forma diferente.

Sobre as atuações é até engraçado dar play em um filme de Nicolas Cage, pois o ator protagoniza tantos filmes ruins que chega a dar medo do que vamos ver em cena, mas aqui ele entregou um Rob forte, cheio de trejeitos de idade bem marcados, e cadenciando todo o envolvimento do personagem pelo que busca, revivendo locais aonde desejou nem passar perto, e toda a síntese bem colocada em cada ato para soar marcante e ímpar, o resultado é algo bem personificado e que agrada em cheio quem gosta de filmes mais densos, pois não diria que foi o seu melhor papel da carreira, afinal ela é bem longa, mas comparado com tudo o que vem fazendo nos últimos anos, deu show em cena, mostrando que está ainda bem na ativa. Alex Wolff entregou bons momentos com seu Amir, servindo quase como um motorista para o protagonista, mas trabalhando algumas situações de amizade interessantes ao ponto do ator conseguir algum certo destaque, mas poderiam ter trabalhado um pouco mais seus atos para aparecer um pouco mais. Quanto aos demais, a maioria só apareceu para alguma conexão, não tendo grandes chamarizes cênicos, valendo apenas destacar Adam Arkin pelas cenas finais com seu Darius, mas nada que fosse muito além, e claro também a cara de chão que David Knell fica após a lição que o protagonista dá em seu chef Finway.

Visualmente o longa é um pouco escuro demais, mas é mais pela ideologia de mostrar o lado mais negro da culinária de luxo, e com isso tivemos todo o ar de isolamento do protagonista em sua cabana no meio da floresta, mas que no final vemos todo o requinte de objetos que tem por lá, vemos um "clube da luta" de cozinheiros recluso numa parte isolada e que ninguém conhece da cidade, vemos empresas de comidas caras, restaurantes chiques com comidas que nem matam a fome e tudo mais, ou seja, a equipe de arte trabalhou bem o conceito que o diretor desejava mostrar, e foi bem clara em todas as situações junto com a maquiagem destruída do protagonista.

Enfim, é um filme que não é perfeito, mas que surpreende bem e chama bastante atenção pela proposta completa, mas que muitos irão se decepcionar por não ser algo mais violento como um filme de vingança costumeiramente entrega, sendo algo mais clássico e interessante de ver, que vale a indicação para quem curte esse mundo mais requintado e precisa aprender a viver mais. Bem é isso meus amigos, eu fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Telecine Play - A Filha do Rei (The King's Daughter)

1/09/2022 01:43:00 AM |

Alguns filmes surgem nos streamings de uma maneira tão do nada que chega até a assustar, pois fui pesquisar sinopse, personagens e alguns dados para falar do filme "A Filha do Rei", que chegou no Telecine Play, e o filme nem foi lançado direito ainda mundo afora, ou seja, é realmente uma première como o streaming divulga na abertura do longa. Dito isso, o filme é até bonito, tem uma pegada misturando romance com aventura, mantendo claro o tom de época e até criando bons momentos que digamos poderiam ser reais, já que sabemos pela História que o rei Luis XIV se achava praticamente um Deus e desejava muito a eternidade, então toda essa criatividade que o longa faz de buscar meios para isso, colocar toda as jogadas em cima do dinheiro de herdeiros e tudo mais, ou seja, é um filme com uma pegada bacana de reinados, com um tom fantasioso envolvendo seres míticos, e claro jogando o romance no segundo plano, que fará com que muitos curtam a ideia, e outros odeiem completamente, mas que o elenco ainda dá uma salvada em tudo.

A sinopse nos conta que em busca de imortalidade, o rei Luís XIV rouba a força vital de uma sereia, mas tudo se complica quando sua filha ilegítima forma laços com a criatura mágica.

Já vi tanto filme diferente do diretor Sean McNamara que nem sei se posso falar que ele tem um estilo próprio, pois já fez filmes com animais, filmes natalinos, filmes de aliens, romances, animações e tudo mais, mostrando que não tem tempo ruim, chamou pra algo, ele está disposto a gravar, e isso ao mesmo tempo que muitos podem achar ruim, acaba sendo bom, pois vemos situações diferentes sendo bem encaixadas nas propostas, e aqui ele fez bem isso, pois usou a fantasia da sereia, colocou a tentativa de imortalidade de um rei egoísta, as diversas brigas entre religião (alma) e ciência (corpo/doenças), e claro que sobrou espaço até para colocar pitadas de romances, navegações, e tudo mais, mostrando que o diretor estava disposto a brincar com tudo o que tivesse a sua disposição, e usando bem a base do roteiro, acabou sendo criativo com cores, situações e impactando bastante com o luxo claro do mundinho fechado que era o palácio de Versalhes. Ou seja, o trabalho do diretor na trama é bem visto, ele não cria barrigas na trama, sendo 90 minutos direto de história, o que acaba sendo bem funcional, mesmo sendo bem fantasioso.

Sobre as atuações, o longa contou com um elenco bem encaixado, tendo Pierce Brosnan com uma cabeleira imensa para seu Luís XIV fazendo trejeitos bem clássicos da realeza, incorporando momentos marcantes e até sendo ríspido na medida certa, o que acaba agradando mesmo sendo um papel digamos "ruim" pelo que deseja. Kaya Scodelario veio tão diferente de personalidade e estilo para sua Marie-Josephe que nem pareceu aquela garota que fez tantos filmes de ação, pois deu estilo e envolvimento para a personagem, soou emotiva e bem colocada, e acabou indo muito bem em todas as cenas, até mesmo debaixo d'água (que ficou um pouco forçado, pois nem fechar a boca fechou para manter o ar lá embaixo) aonde soou ainda mais bela. William Hurt entregou um padre La Chaise bem encontrado, quase sendo um ministro direto do reino, acompanhando o rei em tudo o que faz, e trabalhando bons trejeitos singelos e bem colocados acabou chamando atenção em suas cenas. Benjamin Walker trabalhou seu Yves com um ar galanteador que acabou chamando bastante atenção, e criando as nuances com maiores ações puxa o olhar do público para seus momentos, o que é interessante, afinal não deveria estar como protagonista, mas como todo bom par romântico acaba aparecendo mais do que deve. Ainda tivemos boas cenas com a sereia vivida por Bingbing Fan, cheia de desenvolturas ágeis e bem marcantes de olhares, e a dama de companhia da protagonista vivida por Crystal Clarke foi bem carismática e empolgada ao ponto de agradar bastante em cena.

Visualmente o longa tem uma cenografia bem bonita com o palácio de Versalhes ao fundo, suas diversas fontes incríveis, pessoas com figurinos de época passeando para lá e para cá (as pessoas apenas passeavam?), todo o requinte da monarquia com seus grandiosos jantares e bailes, mas as principais cenas mais bonitas ficou no "aquário" que o rei montou para armazenar sua sereia, aonde um lugar aparentemente simples ficou gigantesco quando entram em mergulhos, ou seja, ficou meio irreal, porém bem interessante cenicamente, além disso tivemos cenas em alto mar na captura da sereia, e depois nas cenas finais ainda uma deslumbrante Atlântida que nem é usada a fundo no filme, mas ficou tão bonita que valeria uma continuação ali do filme. Ou seja, a equipe de arte teve um trabalho até que bem pesado para retratar o roteiro inteiro em cena, pois são tantos elementos visuais, tantas locações cênicas importantes e bem feitas, que até valeria uma certa menção nas premiações, mas dificilmente ocorrerá.

Enfim, é uma trama simples, bacana e até que bem feita, que até tem certos defeitos, mas que dentro de um passatempo completo acaba valendo o tempo dispendido conferindo a trama, que alguns até podem gostar mais, outros podem reclamar bem mais, mas que no fim das contas sendo bem rápido e sem enrolações acaba agradando bastante e vale a indicação. Sendo assim, fica a dica e eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Mãe x Androides (Mother/Android)

1/08/2022 06:23:00 PM |

Muitas vezes ouvi a expressão "é bom, mas é mais um filme da Netflix com final ruim", e essa produção que originalmente é da Hulu, mas que por aqui saiu pela Netflix, "Mãe x Androides", possui bem essa característica, pois tem toda uma intensidade bem trabalhada, todo um envolvimento marcante por parte da história e das interpretações, criamos toda a conexão com a jovem grávida tentando sobreviver e salvar o namorado, mas quando chega nos atos finais bem corridos e malucos, praticamente esqueceram completamente a noção cênica, afinal acontecem coisas tremendamente absurdas como a pessoa que acabou de chegar na cidade sabendo exatamente aonde tem de apertar um botão, depois uma despedida bem emocionante, mas que ninguém faria normalmente, e por aí vai. Ou seja, gosto muito da atriz, gostei da proposta toda, mas não dá para passar batido nas falhas gravíssimas que acabaram jogando, tanto que um minuto antes da bagunça rolar por completo, você se dá aquela sacada e fala: "nossa, que reviravolta boa e interessante", mas dá mais um minuto e pronto desaba toda e qualquer noção de convencimento, e seja feliz para finalizar, ao ponto que não chega a ser um filme ruim, mas que lambuzaram demais para conseguir colocar a ideia insana de fechamento.

O longa nos mostra que Georgia e seu namorado Sam embarcam em uma jornada arriscada para escapar de seu país, que está preso em uma guerra contra inteligência artificial. Dias antes de seu filho nascer, o casal tem que ultrapassar um território sem lei, mas governada pelas IA, e chegar à um lugar seguro.

Diria que o diretor e roteirista Mattson Tomlin até teve a melhor das intenções na sua criação, pois é um filme apocalíptico bem interessante, aonde os robôs que eram para servir as pessoas passaram a se rebelar contra as pessoas, e no meio do caos a jovem que está grávida sonha em chegar a uma das cidades fortificadas e de lá ir para a Coréia aonde estão indo mulheres e bebês em segurança, até aí ideia linda, enfrentar os desafios de uma floresta abandonada, passar pela resistência de robôs, ser ajudada por um técnico de computação e tudo mais, mas isso ocorre demais com diretores estreantes em longas após vários curtas, pois começa a engrossar o miolo, colocar situações inusitadas, falar de coisas imponentes, mas a hora que vê já deu o tempo de tela e precisa acelerar tudo, esquecendo que não explicou nem metade das coisas finais, e assim o resultado final até poderia comover mais, ou ter mais desespero, mas é morno e falho, e isso acaba desanimando demais, e mostra um despreparo do diretor para com o tema.
 
Quanto das atuações, sempre gostei demais da forma que Chloë Grace Moretz personifica seus papeis, e aqui sua Georgia tem um bom tom, entrega dinâmicas características de mudanças de humor materno durante a gestação, e desenvolve bem seus atos (claro até a fatídica cena na cadeira de rodas no final), e assim mostra que entrou bem no clima tenso do longa e consegue segurar o filme para si, porém poderia ter ido além, poderia ter questionado o diretor para uma mudança no final, e tudo mais, mas nem sempre os atores tem esse direito, principalmente os mais novos, então fez bem o que foi pedido para ela ao menos. Algee Smith já ficou muito em segundo plano, afinal o longa foca mais no ar materno, mas o jovem deu bons atos para seu Sam, criou algumas boas dinâmicas e com isso se encaixou bem no que o filme propunha. Quanto dos demais, vale falar apenas de Raúl Castillo com seu Arthur, pois ele trabalhou bem suas nuances, foi fundo no processo emocional da trama, e conseguiu nos convencer bem com suas cenas, só diria que seu ato final foi meio falso, afinal até antes não funcionava bem isso, mas depois passou a funcionar, ou seja, tivemos alguns furos com seus furos também.

Visualmente o longa embora tenha muitas cenas com efeitos especiais, ficou mais simples com cenas dentro de florestas, uma casa abandonada, mas cheia de elementos usáveis, e até mesmo ao chegarem em Boston não quiseram ousar muito da cidade, tendo tudo se passando dentro de uma ala do hospital bem simples, e depois no porto com uma cena sem grandes alardes e a cidade ao fundo com vários focos de fogo, ou seja, o orçamento foi apertado, e gastaram um bom tanto com maquiagens para os androides, ao ponto que nem seus atos ficaram marcantes já que lembraram mais zumbis sem o ar cadavérico do que realmente robôs.
 
Enfim, é um filme de 110 minutos que tem 90 deles bem interessantes e bem trabalhados com leves falhas, e 20 que viraram um completo desastre, sendo assim uma recomendação extremamente arriscada para quem não gosta de finais ruins, então fica a dica para dar o play por sua conta e risco. Bem é isso meus amigos, eu fico por aqui agora, mas hoje ainda vejo mais um filme para passar o tempo, então abraços e até logo mais.

 

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Amazon Prime Video - Bar Doce Lar (The Tender Bar)

1/08/2022 01:53:00 AM |

Existem dois tipos de filmes de festivais, aqueles que você vê uma única vez e não quer nem pensar em como vai escrever sobre ele, e aqueles que você acaba entrando no clima gostoso que é proposto na trama e se sente tão feliz com o filme que mesmo não sendo uma história memorável e surpreendente acaba feliz demais com o resultado. E felizmente o longa da Amazon Prime Video, "Bar Doce Lar", se encaixa perfeitamente nesse último tipo, pois tudo é simples, a essência familiar é conturbada, o garotinho sem pai vive praticamente toda sua vida no bar do tio, mas dali leva boas lições e consegue ser singelo e bem marcante em sua história. Ou seja, acabamos vendo um filme bem amplo e envolvente, aonde não temos grandes reviravoltas, nem situações que nos emocionem, mas sim atitudes bem colocadas, morais bem determinadas, e principalmente boas atuações dentro de um contexto de memórias muito bem trabalhadas, mostrando que o livro foi escrito em cima de uma vida bem repleta, e o filme reescreveu essa história.

O longa conta a história de J.R., um menino órfão que cresceu à luz de um bar onde o barman, seu tio Charlie, é o mais nítido e colorido de uma variedade de figuras paternas peculiares e demonstrativas. Enquanto a mãe determinada do menino luta para dar ao filho oportunidades negadas a ela - e deixar a casa dilapidada de seu pai ultrajante, embora relutantemente favorável - JR começa a corajosamente, se não sempre graciosamente, perseguir seu romântico e sonhos profissionais - com um pé persistentemente colocado no bar do tio Charlie.

George Clooney já provou ser um bom diretor, e aqui ele pegou a história de memórias de J.R. Moehringer e brincou com as possibilidades, entregou dinâmicas favoráveis e foi muito certeiro na escolha do elenco, pois facilmente o longa poderia ser visto por diversas óticas diferentes, e aqui o envolvimento que cada um soube passar para seu papel, todos os momentos claros e apaixonantes tanto do garotinho quanto do adulto vividos com muita direção e com modos claros bem aprendidos do tio, se contrapondo completamente ao estilo do pai, mostrando que um bar pode ser também um lugar de aprendizado. Ou seja, conseguimos entrar exatamente na ideia de vida que o jovem teve durante toda sua infância e juventude, suas propostas de emprego e de vida bem colocados em pauta, e principalmente sua serenidade para que mesmo nos momentos mais tensos não explodisse, mas sim vivesse e aprendesse com lições bem marcadas, mostrando que mesmo uma história simples se bem executada consegue convencer, e assim sendo não temos uma explosão de direção, mas sim algo que funciona e envolve, e assim faz valer os momentos propostos.

Sobre as atuações, sem dúvida o destaque é todo para o garotinho Daniel Ranieri que em sua estreia deu todo um carisma bem preciso para o papel de JR, e fazendo dinâmicas bem encaixadas com os grandes atores nas suas cenas conseguiu chamar muita atenção, ou seja, se trabalharem bem ele tem grandes chances num futuro com papeis ainda mais imponentes, uma grande cena foi a do sonho conversando com sua versão adulta, mas em todas as demais se entregou com perfeição. E já que falei da versão adulta de JR, Tye Sheridan vem se mostrando cada vez melhor nos papeis que faz, ao ponto que aqui ele demonstrou carisma e doçura na forma de interpretar, demonstrando muito estilo e não forçando a barra em seus atos com mais pegada, agradando bastante em tudo. Claro que outro grande nome chama muita atenção na trama, e isso ficou a cargo de Ben Affleck com seu Charlie, passando boas mensagens, entregando bons trejeitos, e principalmente sendo sutil nas cenas mais importantes, fazendo mais do que uma representação paterna para o jovem ator, mas sim aquela voz masculina cheia de ensinamentos para que a vida do garoto fosse além, e ainda conseguiram trabalhar muito bem a maquiagem para que o ator tivesse dois momentos bem diferentes em cena, o que foi bem bacana de ver. Lily Rabe deu boas nuances também para a mãe do garoto, demonstrando claro todas suas inseguranças e vontades em cena, e assim se entregando bastante também com os problemas que sofreu, agradando muito no estilo, e principalmente na intensidade cênica, o que acabou chamando muita atenção também. Quanto aos demais, ainda tivemos um avô bem trabalhado pelo sempre bom Christopher Lloyd, o companheiro de quarto do garoto na faculdade Wes muito bem feito também por Rhenzy Feliz, um pai completamente insano de estilo muito bem encaixado com personalidade por Max Martini, e até um ar sensual bem marcado pela garota Sidney vivida por Briana Middleton, entre muitos outros que apareceram menos, mas se saíram bem marcantes como todos os amigos do bar e o padre do trem.

Visualmente o longa foi muito bem composto pela casa bagunçada de pessoas, mas muito representativa em detalhes que certamente o roteirista desenhou completamente para a equipe de arte entregar perfeita, temos da mesma forma um bar clássico com muitos livros e cheio de nuances, e até os atos na faculdade foram bem marcantes mesmo que poucos, mostrando mais o dormitório dos garotos e claro as cenas na cama com a jovem, ainda tivemos alguns bons atos dentro de uma redação completamente maluca de jornal, e alguns passeios memoráveis do jovem para um boliche e para a praia, sempre bem representativos pela figura do tio, dos amigos, e claro do carro que fecha com chave de ouro.

Enfim, é um filme simples de dinâmicas, porém bem envolvente e interessante, que quem ama longas mais dramáticos, com toda a pompa de festivais vai acabar entrando no clima e vivenciando cada momento do filme, mas muitos vão achar cansativo e sem graça, então a recomendação que dou é entrar no clima e na cabeça do garotinho para tentar entender seu mundo e tudo o que ele acaba aprendendo, que aí é certeza de ficar bem feliz com o resultado completo, e sendo assim fica a boa dica no streaming. E é isso meus amigos, eu fico por aqui agora, mas nesse fim de semana tenho muitos longas nos streamings para conferir, então abraços e até logo mais com mais textos.



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King's Man - A Origem (The King's Man)

1/07/2022 01:44:00 AM |

Já disse uma outra vez e volto a repetir franquias precisam ir sempre para frente, pois fazer prequels acabam não trazendo a mesma empolgação, as mesmas conexões e todo o envolvimento clássico que já estamos acostumados a ver, e não digo que acabam virando filmes ruins, muito pelo contrário, alguns são tão bons que fazem até uma espécie de reinício de tudo, mas é algo estranho. Dito isso, o longa "King's Man - A Origem" é bem bacana dentro da proposta de mostrar como a agência secreta foi fundada, tem uma boa pegada com tiranos do passado que já ouvimos falar nos livros de História, mas claro aqui com situações bem diferentes, e que assim como os demais longas é recheado de pancadaria e cenas violentas bem trabalhadas, porém o ritmo demora um pouco para engrenar, o que pode fazer com que algumas pessoas se cansem, mas depois que entra no clima tudo é bem bacana e temos até surpresas. Ou seja, é mais um bom filme da franquia, que tem uma cena no meio dos créditos para dar o norte de uma possível continuação ainda antes do primeiro filme da saga, e que quem curtiu os outros vai gostar do que verá, mas certamente poderiam ter ido bem além para empolgar mais.

O longa apresenta as raízes da primeira agência de inteligência britânica independente, quando um grupo formado pelos piores tiranos e criminosos mais cruéis de todos os tempos planeja uma ameaça capaz de roubar milhões e matar inocentes. Nesse contexto, um homem se vê obrigado a correr contra o tempo na tentativa de detê-los e salvar o futuro da humanidade.

É até engraçado que lá no finzinho de 2019 quando começou a surgir os primeiros trailers do longa fiquei bem empolgado com o que seria entregue em fevereiro do ano seguinte, mas aí veio a pandemia e vários adiamentos que confesso que hoje fui conferir sem nenhuma expectativa para o que o diretor e roteirista Matthew Vaughn iria me entregar, e isso talvez até tenha sido bom para que eu gostasse até mais do que a maioria dos meus amigos críticos, afinal o longa tem sido massacrado na internet, mas claro que todos esperavam que sendo seu terceiro filme da saga, ele criasse cenas icônicas como ocorreu nos outros, e amarrasse mais as tramas, o que acabou não ocorrendo, mas ainda assim ele soube ser criativo com os vilões, deu uma desenvoltura forte para o protagonista, e até nos irritou um pouco com o filho do protagonista e sua sina de querer defender a pátria na guerra, e sendo assim o filme tem conteúdo, tem ação e tem o devido impacto, que até poderia ser mais amplo, mas agrada bem também.

Sobre as atuações Ralph Fiennes deu um tom totalmente britânico para seu duque Oxford, e com ações bem imponentes, boas lutas, e um traquejo bem metódico conseguiu chamar muita atenção para seu papel, agradando pela ousadia, mas também pela serenidade em todos seus atos, o que acaba até chamando bem a atenção. Mas sem dúvida quem teve as melhores desenvolturas foi Gemma Artenton com sua Polly destemida e impactante, se jogando nos diálogos e nas cenas mais fechadas, acertando em cheio ao ponto que até poderia ter sido mais usada. O mesmo digo para o papel de Djimon Hounson com seu Shola, pois o ator lutou muito, foi impactante em diversas cenas fortes, mas sempre ficando meio que de lado na maioria das cenas, ou seja, fez bem o que podia, mas não o usaram como deveria. Harris Dickinson chega a ser irritante com seu Conrad, pois a todo momento querendo ir lutar na guerra para defender a pátria, chega lá e começa a ver que não era bem o que pensava, mas fez bons atos, só sendo simples demais. Agora quem lutou muito em cena (provavelmente um dublê) foi Rhys Irfan com seu Rasputin, pois que cena de luta foi aquela entregue na mesa, cheia de enquadramentos e desenvolturas, além de um papel bem denso e marcante que acaba chamando até mais atenção do que deveria, e assim o seu resultado poderia ter ido até além em um filme mais seu, mas não foi o caso. Quanto aos demais, tivemos boas cenas com Charles Dance como Kitchener, Daniel Brühl com seu Erik misterioso, que até deve voltar numa continuação, e até mesmo Matthew Goode deu boas nuances para seu Morton, mas sem grandes explosões realmente para as atuações.

Visualmente o filme tem uma boa entrega, com boas cenas de ação, toda uma cenografia rural no esconderijo do grande vilão, vários atos com cenas rápidas e impactantes de lutas, um castelo bem imponente, toda a montagem da guerra com tiros, front e tudo mais, ao ponto que mostrou um desenvolvimento até que grandioso da equipe de arte, mas tudo é meio que jogado sem uma síntese mais própria, que mesmo tendo de pano de fundo o esquema da rede de empregados de grandes líderes, o resultado acaba não indo muito além, porém para quem não ligar muito para história, o resultado impacta ao menos.

Enfim, é um filme bacana, que vindo de dois ótimos filmes da franquia acabou ficando abaixo, mas que quem for conferir sem grandes expectativas até vai curtir a entrega proposta, sendo assim vale a recomendação com algumas ressalvas como já falei no texto. Bem é isso meus amigos, fico por aqui hoje, e nos cinemas já encerrei a semana, mas volto ainda com muitas estreias dos streamings, então abraços e até logo mais.


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