A Travessia (La Traversée) (The Crossing)

12/05/2021 05:48:00 PM |

Tem animações que são lançadas e entregam situações tão fortes e tristes que acabamos ficando mais deprimidos do que animados realmente como o gênero proporia em sua origem, mas diria que foi uma forma até que bem escolhida para retratar a história de Kyona e seu irmão em "A Travessia", que provavelmente deva ser a história da vida da diretora em uma representação gráfica bem diferente e interessante de ser conferida, que nos pega pela essência trabalhada, e claro que envolve bem pela técnica empregada de aquarela, sendo bem intrigante e trabalhoso, mas que passa a dura mensagem de uma forma ainda mais intensa e cheia de nuances. Ou seja, muitos que forem conferir esperando algo bonitinho por ser uma animação irão se decepcionar, mas quem entrar no clima pelo estilo de filme de festival vai se envolver e gostar bastante.

A sinopse nos conta que uma aldeia saqueada, uma família em fuga e duas crianças perdidas nos caminhos do exílio… Kyona e Adriel tentam escapar daqueles que os perseguem para chegar a um país com um regime mais brando. Durante uma jornada que os levará da infância à adolescência, eles passarão por muitas provações envoltas em um misto de fantasia e realidade para chegar ao seu destino.

Diria que a diretora e roteirista Florence Miailhe soube conduzir com personalidade sua trama, passando toda a síntese dos personagens, todo o envolvimento bem clássico de famílias em fuga de países com regimes totalitários, e que usando de artifícios bem alocados conseguiu representar seus sentimentos com cores fortes e movimentações impactantes na mesma dinâmica do roteiro, que vai nos situando e entregando toda a dureza que os protagonistas passaram, sendo algo bem trabalhado e preparado para dizer em pouco tempo muito sofrimento em sensações.

Sobre os personagens, o foco fica bem mais em cima de Kyona e seus desenhos, retratando cada um que passou em sua vida no seu caderno, e a jovem tem força, tem estilo, e principalmente tem força de vontade para seguir seu caminho mesmo com todos os perrengues que passa. Já os demais personagens incluindo o irmão são apenas conexões e passagens bem encaixadas na vida dela, cada um passando sua mensagem de perigo, de conhecimento, amor e tudo mais que o longa trabalha, ao ponto que funciona quase como algo maior, mas todos tendo suas devidas importâncias e gracejos que o longa precisava.

Visualmente não é um filme muito limpo de ideias, afinal a aquarela não permite tanta abertura para traços e tudo mais, mas souberam criar boas texturas expressivas para representar os devidos momentos, trabalharam com tons bem diferentes para cada situação seja ela mais feliz ou dura, e com muita simbologia conseguiram passar bem a mensagem completa da trama, ao ponto que tudo tem seu charme e funcionalidade, agradando de certa forma por completo, além de mostrar muita técnica e qualidade, afinal para se fazer algo do estilo levou muito tempo e vontade para tantos desenhos.

Enfim, é uma animação bonita tecnicamente, porém triste demais pela essência toda passada, ao ponto que no fim acabamos não sabendo direito o que sentir com ela, e assim até recomendo pelo estilo, mas com a ressalva de não ser algo para crianças. Bem é isso meus amigos, vou agora para o último filme do Varilux, então abraços e até logo mais.
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Mentes Extraordinárias (Presque) (Beautiful Minds)

12/05/2021 02:17:00 AM |

O mais bacana de ver vários filmes no mesmo dia é que você quase morre do coração em um longa tenso e no outro vai ouvir falar da morte através de um filme levíssimo com uma nuance cheia de reflexões ditas por um jovem deficiente que acaba nos entregando tanta sutileza e envolvimento que saímos da sessão quase que flutuando com tudo, pois "Mentes Extraordinárias" acaba sendo daqueles filmes que tudo passa a ter uma mensagem, tudo é um símbolo, e que mesmo citando grandes pensadores e filósofos, o jovem que é quase uma biblioteca ambulante consegue nos envolver e mostrar uma atuação linda e perfeita de essência, não nos fazendo chorar, mas sim sorrir e refletir sobre tudo o que o pensador ali quis nos passar, afinal o jovem tem estilo, personalidade e praticamente fez o filme ser só dele, já que acompanhado do diretor, a sensação foi de uma união mutua bem trabalhada e envolvente.

A sinopse nos conta que dois homens que a princípio possuem trajetórias de vida e características muito distintas, embarcam em um carro funerário com destino ao sul da França. Durante a jornada, os dois se conhecem melhor e acabam descobrindo que por mais improvável que seja, eles possuem pontos importantes em comum.

O diretor, roteirista e protagonista Bernard Campan soube fazer uma trama tão leve e gostosa de conferir que mesmo tendo o tema a morte e a vida, já que o protagonista é um agente funerário, a conexão entre os personagens acontece após um acidente, e toda a desenvoltura se dá pela temática em si de frases sobre o fato, acabamos entrando no clima completo e todo o sentimento é muito bem passado, ao ponto que tudo tem uma boa conexão, toda a síntese nos pega com clareza e a doçura do jovem é tão marcante que tudo acaba sendo agradável demais, sendo quase um presente do diretor para o jovem e para o público, afinal tudo é muito bem interpretado, e a essência visual embarca a todos no carro funerário e curtiríamos até uma viagem mais longa com os dois conversando, papeando e se conhecendo mais. 

Sobre as atuações, o diretor Bernard Campan conseguiu segurar bem os atos de seu Louis, sendo o protagonista por interação, mas não deixando ficar em segundo plano, e claro sempre elevando seu parceiro de cena para que ele pudesse ir mais além, e junto disso fazendo bons trejeitos e demonstrando a frieza clássica da profissão, afinal ali não necessita agradar tanto seus clientes. Agora já o filósofo Alexandre Jollien trabalhou com seu Igor da melhor forma possível, demonstrando um pouco de tudo que sempre estudou em seus livros, e mostrando toda a personificação de seu eu lírico, ao ponto que de cara pensamos que ele se doou mais por ser especial, mas foi especial por se entregar, e assim vemos todas suas nuances e claro seus pensamentos, ao ponto de que mesmo quem não curtir tanta filosofia acabará envolvido com tudo o que faz em cena. Os demais foram realmente apenas conexões para fluir bem os personagens, desde a garota que dão carona até a prostituta que faz bem seu serviço para com o jovem, mas tudo sempre de forma sutil e bem colocada para que o filme não saísse do eixo.

Visualmente como o longa tem esse ar filosófico misturado com road-movie, conhecemos um pouco mais do serviço de agente funerário, vemos um pouco mais de caixões, de preparações dos corpos, vemos as vontades de alguns familiares e suas emoções para os atos finais, e do outro lado vemos o jovem fazendo seu exercício com seu triciclo, a entrega de alimentos orgânicos para seus clientes de uma forma bem levar a vida a vontade, temos ainda os atos na casa do protagonista junto de sua mãe, mas os bons momentos ficaram na estrada com os personagens dialogando, passando por festas de despedidas sejam elas de solteira ou de vida, todo o ato simbólico do amor, e muita representatividade em cima de tudo para que o longa se desenvolvesse, ao ponto que mesmo não sendo extremamente forte de ambientes, o resultado entrega muito.

Enfim, é um filme simples se olharmos a fundo, mas tudo é tão bem colocado, o texto é tão bem arquitetado para o protagonista se expressar bem, e o desenvolvimento flui quase como uma pluma realmente, que mesmo trabalhando um tema pesado, o resultado é leve, e assim sendo vale bastante a recomendação para todos. Bem é isso meus amigos, está acabando os filmes do Varilux para mim, só sobrando os dois de amanhã, mas ainda tenho muitos filmes para ver, então abraços e até logo mais.


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Caixa Preta (Boîte Noire) (Black Box)

12/04/2021 09:29:00 PM |

Já vi tantos filmes investigativos que na maioria acabo nem entrando tanto no clima para tentar descobrir antes do final tudo o que aconteceu, porém hoje com "Caixa Preta" não consegui pegar absolutamente nada antes do final, ficando tão desesperado quanto o protagonista para tirar as devidas conclusões do caso que estava envolvido, e meus amigos, que filmaço foi esse, pois estou inteiro arrepiado com toda a situação entregue, com a forma de desenvolvimento, com as atuações, e principalmente com toda a história que criaram, sendo daqueles filmes que você está esperando algo, de repente sua ideia muda por completo, depois já está em outra ideia completamente diferente, mas em momento algum você acha que o protagonista está errado em sua obsessão, e no final das contas a bomba era incrível mesmo. Olha difícil pensar em algo que não seja descrever o filme como a perfeição completa, e se antes de começar o Varilux já tinha colocado ele como um dos melhores, hoje depois de conferir ele posso o colocar como um dos melhores do ano!

A história nos mostra uma intensa investigação para descobrir as causas do acidente do voo Dubai-Paris começa e fica sob a responsabilidade de Mathieu Vasseur encontrar as pistas deste desastre aéreo sem precedentes. Teria sido um erro do piloto? Falha técnica? Ato terrorista? A análise minuciosa das caixas pretas fará com que Mathieu conduza secretamente a sua própria investigação, mas ele ainda não sabe até onde vai a sua busca pela verdade.

Se o filme anterior do diretor e roteirista Yann Gozlan foi o fraquíssimo "Asfalto de Sangue", ele agora se redimiu completamente com o que entregou agora, pois temos um filme investigativo de primeiríssima linha, contando com diversas reviravoltas, toda uma proposta bem interessante cheia de desenvolturas incríveis, e principalmente mantendo o mistério completo até a última cena fez com que o filme causasse sentimentos que nem em sonho pensaria de ver em um filme. Ou seja, é daquelas tramas tão bem feitas e dirigidas que a vontade no final é aplaudir sem parar tudo o que fizeram, pois é perfeito do começo ao fim, fazendo com que não desgrudassemos o olhar um segundo sequer da tela.

Sobre as atuações, Pierre Niney é daqueles atores que odiamos em alguns filmes e amamos em outros, e aqui com seu Mathieu Vasseur ficamos no meio de tudo isso sem saber o que fazer com sua loucura, com sua teimosia e tudo mais, fazendo um papel tão imponente e cheio de personalidade que impressiona e impacta demais, sendo perfeito nas nuances, nos olhares e em toda a dinâmica que o personagem precisava ter, ou seja, detonou por completo. Lou de Laâge também foi perfeita com sua Noémie Vasseur, trabalhando em contraponto do protagonista, fazendo sínteses fortes em estar do outro lado, e principalmente criando muita intensidade nós diálogos com cada um, chamando a atenção, mas não ofuscando o personagem principal como deve ser. Quanto aos demais, cada um teve sua devida participação bem colocada, mas foram apenas bons encaixes já que o filme foca bem mais no protagonista, o que é bom demais, e assim sendo tanto André Dussollier com seu Philippe Rénier, Olivier Rabourdin com seu Victor Pollock e até mesmo Sébastien Ponderoux com seu Xavier acabaram sendo importantes para a dinâmica, mas não foram além do que precisava para funcionar o filme.

No conceito visual o longa trabalhou bem tanto as cenas no avião, quanto nas salas de investigação da BEA, e ainda mais na casa de Polock com vários equipamentos incríveis e tudo mais sendo muito bem representado e mostrado para o público entrar no clima e ir montando todo o quebra cabeça. Além disso a equipe de som foi incrível em trabalhar todos os sons e dinâmicas junto de cada elemento da trama, fazendo com que o público ficasse tenso e se envolvesse acusando cada personagem e cada síntese apresentada, ao ponto que acabamos querendo ver tudo, cada detalhe, cada barulho e tudo mais para investigar junto e acertar no eixo da acusação.

Enfim, é um tremendo filmaço daqueles que vamos sempre lembrar e indicar para todo mundo, pois merece demais!!! Diria que estou até com medo da minha próxima sessão do Varilux, pois vai ser difícil algum filme chegar próximo do que vi agora, mas é isso pessoal, indico demais o longa para todos, e vou agora para mais uma sessão, então abraços e até logo mais.

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Resident Evil - Bem-Vindo à Raccoon City (Resident Evil - Welcome tô Raccoon City)

12/04/2021 06:22:00 PM |

Confesso que estava bem receoso quanto ao novo filme "Resident Evil - Bem-Vindo à Raccoon City", pois já tivemos tantos outros que um recomeço agora seria até bem estranho, ainda mais com todo esse lance de vírus que estamos vivendo, mas como joguei muito na adolescência e curtia demais os sustos que o jogo dava, sempre é bom reviver a época boa que não precisava pagar boletos!! Então eis que fui conferir sem esperar muita coisa, ou melhor, esperava ver coisas que me remetesse aos primeiros jogos, e foi exatamente isso que vi na tela, me deixando bem feliz com o resultado dos personagens, dos monstros/zumbis, e claro de todo o visual misterioso/abandonado da cidade, e nesse quesito capricharam bastante em elementos cênicos, criaram uma certa tensão e trabalharam algo bem rápido e interativo, ao ponto que vemos toda a intensidade dos atos, porém ficou faltando muita coisa para funcionar como um filme realmente, tipo falar um pouco mais da Umbrella, falar o que faziam realmente na farmacêutica, e criará as situações, afinal os personagens da cidade pareciam apenas estar ali e pronto, tudo acaba ocorrendo e seja feliz, exatamente como eram os jogos antigamente que não tinham tanta história como acontece atualmente. Ou seja, é uma jogada bem trabalhada de quase duas horas, mas que poderiam ter melhorado muitas coisas para ser uma obra completa, e que sendo um recomeço de tudo, veremos no que vai dar daqui para frente.

O filme nos conta que quando a próspera empresa farmacêutica Umbrella atuava em Raccoon City tudo ia bem, mas agora que foi embora deixou nada mais do que uma cidade fantasma. O êxodo da empresa deixou a cidade cheia de perigos ainda a serem descobertos. Mas quando o mal é liberado, a população local é ameaçada e apenas um grupo de sobreviventes sobraram para descobrir o mal que se esconde na cidade e na antiga Umbrella para sobreviver a noite.

Diria que o diretor e roteirista Johannes Roberts trabalhou bem na forma de retratar o jogo para a telona, pois com sua experiência em filmes de terror soube conduzir uma trama cheia de tensão e momentos fortes que são bem clássicos do jogo, trabalhando o clima, o ambiente e toda a estética em si, porém ele esqueceu duas coisas principais, a de contar um pouco mais de história e agradar aos fãs novos da franquia que jogam jogos muito mais trabalhados que necessitam de uma intensidade mais forte. Ou seja, a galera que jogou nos anos 90/2000 vai curtir bem a essência do longa, mas a galera da nova franquia vai só ver defeitos, e isso é ruim para um filme, e sendo assim digo que faltou explosão para a trama, pois o pessoal até verá bem os elementos que desejavam na tela, mas não irão ver um filme de terror e tensão mesmo de grandiosas qualidades que esperavam para a franquia RE.

Sobre as atuações, diria que o novo elenco soube encontrar boas emoções para representarem Claire, Leon e companhia na tela, ao ponto que muitos gostam desses personagens do jogo, enquanto muitos preferem outros, mas seus trejeitos foram bem colocados ao menos. Kaya Scodelario trabalhou sua Claire com uma pegada até que forte e rebelde, mostrando atitude e desenvoltura para o papel, ao ponto que toda a síntese da personagem é mostrada no orfanato, sua fuga e tudo mais, mas poderiam ter dado mais cenas para ela, para que não ficasse tão subjetiva na maior parte do tempo. O mesmo acabou acontecendo com Robbie Amell com seu Chris, tanto que no miolo já estamos até confundido ele com outro personagem que tem mais importância na tela, ou seja, ele não se entrega e nem quase aparece, o que é ruim. E falando do outro personagem, Tom Hopper foi bem imponente com seu Wesker e jogou muito com estilo, fez as clássicas jogadas usando o pad, e fez toda a pinta de durão que o papel pedia, mas também podia ter ido além. Quanto do Leon vivido por Avan Jogia, deram um ar muito jogado, de filhinho de papai que só está na polícia por indicação e não sabe fazer nada direito, ao ponto que não vemos alguém pronto para atacar os zumbis, e isso acabou ficando meio estranho de ver. Quanto aos demais, vale falar de Hannah Jonh-Kamen com uma Jill bem imponente, que parte para cima de tudo, e Neal McDonough com seu Birkin nem tanto pelas cenas do médico em si, mas sim pelo que vira no final.

Como disse o filme em si vale pelo visual e pelos elementos clássicos do jogo que foram trabalhados e bem representados no longa, ao ponto que tudo vale ser notado para lembrar da época que jogávamos bastante o game, porém poderiam ter caprichado um pouco mais nos efeitos especiais para que o filme causasse mais tensão, tivesse melhores explosões e até parecesse algo mais dos anos atuais de qualidade técnica, pois usaram tantas texturas antigas que ficou parecendo um filme feito nos anos 90, e não era essa a proposta.

Enfim, não é um filme memorável que vamos lembrar pelas técnicas cinematográficas da melhor qualidade, ou por uma representação perfeita do jogo, e por esse motivo os críticos estão massacrando o longa mundo afora, mas quem entrar de cabeça na trama, lembrar de como era o jogo na época, e vivenciar cada um dos elementos bem representados no filme vai acabar curtindo bastante, e assim sendo eu acabo até recomendando ele. Bem é isso meus amigos, eu fico por aqui agora, mas hoje ainda volto com mais dois longas, então abraços e até logo mais.

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Ilusões Perdidas (Illusions Perdues) (Lost Illusions)

12/04/2021 02:05:00 AM |

Vou falar que era uma prática antiga, mas sabemos bem que ainda existem muitos jornais e críticos por aí que cobram por críticas favoráveis ou contra um assunto, uma pessoa, livro, filme, espetáculo e tudo mais que se possa opinar, mas até onde você aceitaria mudar sua opinião de algo que gostou e que segue sua ideologia literária por exemplo para falar mal por dinheiro? Quanto você cobraria e aceitaria mudar o seu mundo ideal por ilusões criadas de uma vida que não é a sua, mas que pareceria um pavão disposto a desfilar em eventos e tudo mais para apenas aparecer ou conseguir um título? Se você conhece alguns assim, com certeza verá muito do mundo ácido da adaptação de um clássico de Balzac nas telonas em "Ilusões Perdidas", que tem todo um envolvimento preciso, ótimas atuações, uma história cheia de desenvoltura, e principalmente muita ascensão e decadência em toda a duração do longa, sendo daqueles filmes que quem entrar no clima irá vivenciar muito, mas quem não pegar a linha deixada acabará se cansando nos 150 minutos de duração do longa, e a única coisa que me incomodou demais é algo que sempre reclamo de exagerarem em narrações, mas ao final tudo é explicado o motivo da narração, e foi funcional ao menos.

A sinopse nos conta que Lucien é um jovem poeta desconhecido da França do século XIX. Ele tem grandes esperanças e quer escolher seu destino. Ele larga a gráfica de sua província natal para tentar a sorte em Paris, nos braços de sua protetora. Logo deixado por conta própria na fabulosa vila, o jovem rapaz vai descobrir os bastidores de um mundo condenado à lei do lucro e das falsidades. Uma comédia humana na qual tudo se compra e se vende, da literatura à imprensa, da política aos sentimentos, das reputações às almas. Ele vai amar, sofrer, e sobreviver às suas ilusões.

O diretor e roteirista Xavier Giannoli já vem há um bom tempo entregando cada ano boas produções fortes e cheias de desenvolturas próprias, e que geralmente chegam por aqui no Varilux, e aqui ele criou um longa de época bem marcante, todo requintado em figurinos e intensos diálogos bem ácidos e imponentes, cheios de cenas fortes e engraçadas pela situação em si, e que bem sabemos que o mundo do jornalismo sempre teve bem essa ideologia do pagou falamos bem, tanto que vemos na TV hoje os merchans no meio dos jornais com alguns produtos que certamente quem ta falando ali nem gosta, vemos alguns livros sendo mostrados como bons sem que quem esteja falando nem tenha lido uma linha dele, e por aí vai, além claro de mostrar que a vida de aparências e títulos é algo que quem acaba entrando geralmente se lasca bastante, pois é um puxão de tapete maior que o outro, e você pode se arrepender de algumas escolhas. Ou seja, o diretor brinca com duas frentes que poderiam até não serem usadas em conjunto, mas que funcionam bem e impactam na medida certa do começo ao fim, e que se desenvolve com tanta desenvoltura que vai chamar muita atenção de quem for conferir o longa.

Quanto das atuações Benjamin Voisin entregou um Lucien perfeito, cheio de trejeitos marcantes, estando muito bem preparado para a mudança de personificação do jovem poeta provinciano para um jornalista imponente e até mesmo para os atos mais nobres junto da monarquia, e que entregando toda uma desenvoltura clássica, mas cheia de entremeios bem colocados consegue chamar a atenção completa do filme para si. Não menos importante, Vincent Lacoste trabalhou seu Lousteau com dinâmicas fortes, mostrando a classe e toda a inveja num ponto máximo, brincando muito com as nuances críticas e satíricas, usando e ousando de personalidade para marcar seu território, e por muitas vezes chega a aparecer até mais que o protagonista em alguns atos, o que foi bem arriscado, mas acertado ao menos. Xavier Dolan também foi muito bem com seu Nathan, e mesmo aparecendo pouco, mostrou os ares de um bom escritor, e sendo também o narrador do longa criou boas dinâmicas enfáticas e deu ares nobres para seu personagem. Salomé Dewaels entregou uma Coralie bem sensual, cheia de bons atos, e mostrou com muito impacto todo o ar das atrizes de peças simples e cômicas que vão para o teatro clássico e acabam sofrendo o preconceito, e a atriz saiu muito bem em tudo o que passou, mostrando a que veio. Já Cécile de France fez uma Louise muito fechada, com um estilo nobre, mas sem se entregar aos atos, parecendo nem o papel ir além nem a atriz, o que ficou um pouco estranho. Quanto aos demais, vale alguns destaques para Gérard Depardieu com seu Dauriat mostrando os primeiros editores marqueteiros cheios de personalidades, Jeanne Balibar com sua Marquesa de Espard toda requintada e pronta para dar o bote em quem cruzar seu caminho sem ser da nobreza, e principalmente Jean-François Stévenin com seu Singali sendo um dos primeiros agitador de plateias, mas muito bem comprado por quem pagar mais leva, e funcionando de uma maneira tão engraçada e bem colocada que mesmo sendo um personagem bem secundário foi bem demais e chamou atenção.

Visualmente o longa é cheio de requinte, trabalhando toda uma nuance de época com figurinos clássicos, toda a desenvoltura dos teatros, dos bordeis ao céu aberto, do início dos jornais em grandes quantidades cheios de propagandas e textos críticos, das vendas de tudo o que se possa pensar, e que brincando com as situações de riqueza e pobreza espiritual e monetária tudo ainda se desenvolve de uma forma tão interessante e intrigante que funciona demais, ou seja, a equipe de arte foi minuciosa em tantos detalhes, trabalhou tudo com uma riqueza cênica de nível máximo que acaba sendo daqueles que vamos nos lembrar quando falarem em filmes de época em Paris, pois a base do jornalismo marqueteiro foi desenhado da forma mostrada aqui.

Enfim, é um tremendo filmaço de época, que conta com um texto incrível, uma direção primorosa, todo uma produção visual bem marcante, ótimas atuações, e sendo assim só não é melhor por ser longo demais, e assim mesmo tendo um bom ritmo acaba cansando um pouco, mas de resto é daqueles que vou lembrar sempre que me perguntarem de um bom exemplar do estilo, pois vale muito a conferida para rir e conhecer um pouco mais do que rola com muitos críticos mundo afora que falam bem de um filme, livro, personalidade, e quando vamos conhecer ou ver ou ler mesmo vemos que não era bem tudo aquilo, sendo claro de um jornalismo comprado que desde aquela época faz muito sucesso. E estou falando por mim de uma recomendação, afinal até hoje ninguém veio comprar esse Coelho que vos escreve, então digo que vale a pena mesmo, e fico por aqui hoje, então abraços e até logo mais pessoal.


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Madrugada em Paris (Médecin de Nuit) (The Night Doctor)

12/03/2021 04:44:00 PM |

Se envolver com coisas erradas sempre dá problemas, e quando você tem de pensar nelas enquanto resolve outros problemas o conflito na mente sempre dá um bug imenso na cabeça, e sair ileso é quase impossível. Comecei o texto de "Madrugada em Paris" dessa forma pois é bem essa essência que a trama passa ao mostrar um médico noturno que ajuda pacientes angustiados em bairros ruins e também os viciados, mas nesse entremeio faz receitas falsas para seu primo farmacêutico num esquema ilegal e altamente perigoso e também se envolve com uma amante (no caso a noiva do primo), e nessa bagunça toda tem ainda a briga com a esposa, os envolvidos do crime que estão sempre cobrando, e assim a cabeça dele pira nessa loucura toda. Diria que é um filme bem intenso com uma proposta bem definida para mostrar os riscos de se envolver em coisas erradas, que tem toda a dinâmica bem marcada, mas que parece até bem maior do que é, sendo forte na medida e com um estilo bem preciso, porém poderia trabalhar um pouco mais a vida do personagem e não apenas uma noite completa.

O longa nos mostra que Mikaël é um médico noturno. Ele cuida de pacientes de bairros vulneráveis, mas também daqueles que ninguém quer ver: os viciados. Dividido entre a mulher e a amante e arrastado pelo primo farmacêutico para um perigoso esquema de receitas falsas, sua vida se torna um caos. Mikaël não tem escolha: esta noite, ele deve decidir seu destino.

Diria que a pesquisa do diretor e roteirista Elie Wajeman foi bem precisa, pois certamente já conheceu alguém ou vivenciou todo esse conflito interno de venda de receitas e atendimentos conflituosos com alguém para transparecer toda essa ideia em sua trama, pois seria impossível imaginar toda essa essência, todo esse sentimento de culpa e de responsabilidades para com tudo, e assim sendo foi muito preciso em toda a força de seu filme, resultando em algo impositivo, bem direto e cheio de dinâmicas bem marcadas, ao ponto que passamos a acreditar não ser apenas uma prática comum, como também algo que marcou a vida de alguém, e sendo assim o resultado nos mostra além de uma acusação, um pedido de ajuda, para que sentíssemos na pele todo o desespero do protagonista e como sua vida acabou influenciada, mesmo sendo algo dentro da família. Ou seja, é um filme fortíssimo, bem trabalhado pelo protagonista, e que tem uma direção bem precisa, mas que volto a frisar, que talvez abrindo o espaço de tempo o resultado fosse ainda maior, pois apenas uma noite imponente e impaciente acaba saindo de rumo, enquanto todo o contexto ficaria marcado.

Já que comecei a falar das atuações, diria que o foco todo ficou em cima de Vincent Macaigne com seu Mikaël, pois o ator deu seu máximo em trejeitos fortes, foi direto em diversos tipos de situações, desde o passeio com as filhas dançando no carro, passando por uma discussão com a esposa em casa, vários atendimentos de pacientes, uma inspeção da vigilância médica, uma transada no carro, uma festa, um jantar na madrugada com ex-colegas de escola, várias receitas falsas emitidas, uma overdose, e mais claro o final que tudo poderia resultar, ao ponto que para cada momento ele fez muito bem suas dinâmicas, ou seja, foi perfeito em cena. Já quanto aos demais tivemos Pio Marmaï com seu Dimitri todo enrolado, Sara Giraudeau com sua Sofia na dúvida de se casa com um primo ou foge com o outro, Sarah Le Picard com sua Sacha preocupada, mas também brava com o marido, e Lou Lampros com sua Nadège já completamente maluca com a quantidade de drogas no corpo, ou seja, todas as nuances possíveis para a noite completa do protagonista, aonde cada um entregou seu melhor, e o resultado fluiu bem para todos e suas representatividades.

Visualmente a pegada da equipe de arte foi bem intensa também, trabalhando com cores fortes e desenvolvendo tantos atos quanto o diretor necessitasse, e como já falei fica muito tempo dentro de seu carro indo de um atendimento para o outro, com um único figurino, mas passando desde bares, boates, hospitais, várias casas de pacientes de todo tipo, indo em lugares tensos e outros mais claros, e ainda tendo montado uma farmácia bem completa e a casa do protagonista, ou seja, tudo muito representativo tanto para a intensidade das cenas, quanto para o ar criminal que fica presente do começo ao fim, sendo algo forte e com contexto bem colocado, agradando e causando também.

Enfim, diria que é um filme que tem estilo principalmente, que diz sua mensagem na lata, não deixando nada nas entrelinhas, e que souberam ser marcantes. Claro que é um gosto pessoal que víssemos mais de tudo para que o filme fosse além, afinal julgamos apenas o que nos foi mostrado nessas horas da vida do personagem, mas o resultado é tão certeiro que acaba valendo a representatividade completa, sendo uma boa dica para todos. Bem é isso pessoal, eu fico por aqui agora, mas hoje ainda vejo mais um longa do Festival Varilux, então abraços e até logo mais.


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King Richard - Criando Campeãs (King Richard)

12/03/2021 01:08:00 AM |

O mais bacana de filmes esportivos é que no miolo você já vai estar torcendo pelos personagens, bravo com algumas atitudes, e principalmente irá se emocionar com atos importantes, e se isso ocorre quase sempre com ficções criadas em cima de um tema, imagine então com uma história real aonde a equipe quase não precisou muito já que Richard Williams filmava praticamente tudo o que fazia com as filhas de seu segundo casamento (aliás é bom frisar isso, pois a filha do primeiro casamento está tentando queimar o filme ao máximo que pode, mas não assistiu direito, pois uma das cenas a paulada que o protagonista leva é justamente pelo que fez no passado!). Dito isso, "King Richard - Criando Campeãs" acaba sendo uma trama intensa, bem marcante de situações, que mostra sim um pai que foi bem imponente na criação das duas filhas que desejava ver como grandes campeãs do tênis mundial, e que antes mesmo do nascimento delas planejou cada detalhe em 85 páginas mesmo que para isso precisasse forçá-las ao máximo em treinos, e embora isso seja uma loucura completa, aconteceu e o resultado funciona muito bem na tela, pois tanto os atores se esforçaram ao máximo para retratar tudo de uma forma comovente (treinando jogar como as garotas, fazendo trejeitos bem copiados dos vídeos verdadeiros, etc.) quanto o diretor soube escolher os momentos mais fortes para marcar tudo, e assim pode ir além com algo bem trabalhado e cheio de nuances emocionantes de ver na telona.

O longa é um filme biográfico inspirado em Richard Williams, pai das famosas tenistas Serena Williams e Venus Williams. Destinado a fazer de suas filhas futuras campeãs de tênis, Richard usa métodos próprios e nada convencionais, seguindo sua visão clara que construiu para as filhas Serena e Venus. Determinado, o pai das garotas vai fazer de tudo para fazer com que elas saiam das ruas de Compton para as quadras do mundo todo.

Não conhecia os trabalhos nem do diretor Reinaldo Marcus Green, nem do roteirista Zach Baylin, mas se suas obras anteriores forem tão marcantes quanto o que conseguiram entregar aqui, posso dizer que já quero ver bem mais deles, pois souberam criar um ambiente familiar por trás de uma família focada somente em uma coisa, sair do gueto e explodir dentro do mundo do tênis com as duas melhores do mundo, e sabemos bem que elas viraram realmente isso, então é bacana ver o começo da carreira não tanto pelo foco delas, mas sim de seu treinador e pai que ensinou tudo no começo e que sempre focado no seu plano conseguiu encarar agentes e técnicos bem famosos antes de jogar a filha para os leões, ou melhor, como vemos no filme, proteger sempre ela dos leões até estar completamente pronta para ser profissional. Ou seja, é daqueles filmes cheios de nuances, com muita vibração, muita imposição, contando com dinâmicas bem intensas de jogos marcantes, e que principalmente passa bem a síntese da família, da ideologia de ter um plano em mente e seguir ele a qualquer custo (mesmo que te achem um maluco por isso), e que funciona demais no âmbito escolhido, pois facilmente o longa poderia desandar, poderia ter outros vértices como a filha do outro casamento desejava, mas que optaram por mostrar como o protagonista criou campeãs, e como ele foi o influenciador principal para elas, pois não é um filme das Williams que conhecemos, mas sim do que não conhecíamos propriamente delas, e assim a trama funciona demais.

Sobre as atuações, não digo que Will Smith possa ganhar as premiações desse ano como Melhor Ator, afinal a temporada dos "premiáveis" está apenas começando, mas que será indicado isso não tenho quase dúvida alguma, pois seu Richard está perfeito, cheio de trejeitos marcantes, pontuando bem no tom de voz, a caracterização ficou leve e bem trabalhada, e quando vemos o original até vemos certas semelhanças no jeito de andar e fazer as coisas, e que claro ainda transmitiu muita emoção e envolvimento em diversos atos com a personalidade que criou, ou seja, foi muito bem, chamou a responsabilidade cênica para si, e como disse fez com que o filme mesmo sendo sobre alguém que conhecíamos de certa forma, fosse visto com olhares completamente diferentes e funcionais, e assim deu o nome ao longa. Outro nome bem forte pelo que fez em cena foi de Aunjanue Ellis, pois a atriz incorporou com muita força todo o treino da filha Serena quando apenas Venus consegue um treinador, e com muita disposição foi marcante nos atos de sua Oracene, ao ponto que vemos uma mulher forte disposta a ser a base da família, e que no seu ato de discussão com o marido já na Flórida foi tão direta e forte que ali merecia uma salva de palmas, além de antes ser bem forte também com a vizinha, ou seja, a atriz pegou uma personalidade para si e não largou de forma alguma, sendo incrível do começo ao fim também. As garotas Saniyya Sidney e Demi Singleton, com suas Venus e Serena respectivamente, foram tão bem colocadas, treinaram muito para jogar tênis em cena com Saniyya inclusive sendo canhota mas tendo de aprender a fazer tudo com a mão direita pois Venus é destra, fizeram trejeitos bem colocados tanto para manter a jovialidade num primeiro momento e depois a adolescência bem trabalhada mudando apenas os penteados, e nos atos mais densos foram perfeitas nos diálogos com os adultos, sendo bem marcantes mesmo ao ponto de querermos até mais delas. Agora sem dúvida boas caracterizações foram dadas para Jon Bernthal que sempre faz trejeitos fechados, rudes e intensos, para que ficasse como um treinador boa pinta cheio de carisma e desenvoltura como foi Rick Macci, e Tony Goldwin também sendo bem imponente como Paul Cohen e seu estilo de treinos marcados e com estilo, ao ponto que ambos dosaram bem trejeitos para não ficarem caricatos, e assim ficaram bem em segundo plano nos atos da trama. Quanto as demais garotas diria que todas se divertiram demais em cena, e foram muito bem colocadas para as representações que precisavam fazer.

Visualmente o longa é bem marcado pela época, foi bem representativo pela quadra de rua no gueto de Compton, mostrou bem as dinâmicas de treinamentos, a casa simples da família, e claro as diversas buscas do pai por treinadores para as filhas, indo à grandes lendas do esporte, também tivemos atos mais intensos com os traficantes do bairro, e até uma cena bem forte de se pensar como mudaria toda a ideia do longa com isso,  tivemos vários jogos juvenis nesse entremeio com a equipe de arte sendo bem precisa de mostrar os egos de pais nos jogos, e depois vamos para a Flórida com toda a nuance do super clube de tênis de Rick Macci com quadras lindas, restaurante, carrinhos de golfe e tudo mais, mostrando a vida nova da família numa casa mais chique, os diversos atos com agentes esportivos, até chegarmos claro nos jogos profissionais aonde já vemos a garota com os famosos dreads no cabelo que tanto ficou marcada. Ou seja, a equipe de arte pesquisou muito bem tudo com os vídeos originais e conseguiu criar uma trama bem gostosa e representativa, que funcionou bem demais.

O longa ainda contou no fechamento com a música original de Beyoncé, "Be Alive", que devem tentar emplacar nas premiações, mas que apenas foi usada para fechar o filme mostrando os momentos reais documentados por Richard.

Enfim, é um tremendo filmaço que transmite muita emoção do começo ao fim, que quem gosta de longas do estilo irá curtir demais, mas que quem não gosta vai achar erro até na cor da bola, pois é um filme de contrapontos e situações que só quem entrar no clima esportivo vai gostar do que verá. E sendo assim fica a dica para todos que gostam de tênis, e filmes esportivos irem conhecer um pouco mais de como foi a formação inicial das grandes campeãs do esporte, pois vale a pena mesmo. E é isso, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Uma Pequena Lição de Amor (Petite Leçon d'Amour) (A Little Lesson of Love)

12/02/2021 12:46:00 AM |

Alguns filmes do Festival Varilux de Cinema Francês são tão inéditos que nem na França direito rolaram, e assim nem um bom pôster e um bom trailer temos para ilustrar o texto, e esse é o caso de "Uma Pequena Lição de Amor", que apenas passou em um Festival lá na França e estreará por lá comercialmente no final de Dezembro, ou seja, quando falo que dificilmente você dificilmente verá por aqui novamente um longa do Varilux estou falando bem sério! Dito isso, a comédia romântica é bem levinha, gostosa pela essência em si, passa algumas dinâmicas exageradas e simples, mas tudo com colocações tão bem trabalhadas que acabamos nos envolvendo bastante com o casal protagonista em sua busca por uma garota que ameaçou se matar numa prova que a protagonista acha abandonada num café, e que junto de mensagens bem colocadas entre as desventuras de uma noite de buscas, o resultado até acaba sendo interessante e bem trabalhado. Claro que muitos vão achar forçado tudo o que a garota faz, o tanto que o protagonista bebe, e toda a loucura completa, mas é o estilo do longa, e ele funciona.

A sinopse nos conta Julie é uma jovem que leva cães para passear em Paris nas horas vagas. Enquanto caminhava, ela se refugia em um café para escapar de uma tempestade. No café, ela encontra uma pasta esquecida com um teste de matemática e uma carta de amor perturbadora escrita por uma estudante do ensino médio para seu professor. Julie embarca freneticamente em uma investigação. Ela tem pouco tempo para prevenir o pior, pois a adolescente parece preparada para tudo.

Diria que a diretora e roteirista Ève Deboise foi bem criativa na desenvoltura de seu filme, pois sabiamente deu ritmo para algo que casualmente poderia ocorrer, de alguém entrar em sua vida com uma imposição tão forte que você acaba nem conseguindo se desvencilhar, e vai seguindo o dia com situações corriqueiras, erros e acertos, sumiços e aparições, festas, mordidas de cachorro, curativos, mais e mais conversas, bebidas que vão e que vem, e que no final a intimidade já está até mais do que conectada, e que claro como todo bom filme romântico já virou um casal, e assim mais um dia está ganho. Ou seja, a premissa da trama é bem simples, acaba sendo quase um road-movie com o tanto de lugares que os protagonistas rodam por bairros e subúrbios de Paris, e que você acaba entrando no clima, pois não é cansativo, tem uma boa pegada, e mesmo tendo leves exageros o que vemos na tela transmite uma sinceridade gostosa que dá para entrar completamente na ideia, e assim sendo acredito que a diretora tem um bom futuro no estilo.

Sobre as atuações, Laetitia Dosch foi muito dinâmica com sua Julie, ao ponto que seus atos são tão diretos e expressivos que quando nos vemos estamos igual ao protagonista indo com ela para onde desejar, entregando chaves e tudo mais, pois é daquelas que vai falando, vai se entregando junto e tem uma persuasão tão impressionante que tudo passa a funcionar ao seu redor, ou seja, foi perfeita no papel e agradou demais. Pierre Deladonchamps costuma fazer mais filmes sérios, aonde entrega personalidades mais secas e sempre com ares bem marcantes, e aqui com seu Mathieu foi bem mais solto e cheio de nuances, entregando alguém que já está tão desacreditado com tudo, que entra facilmente na onda da sua parceira de cena e sai fazendo as maiores loucuras possíveis para tentar encontrar a garota do recado, e trabalhando bem as desenvolturas da trama, acaba parecendo até que nem está atuando mais lá para a metade do longa, mas sim deixando rolar, bebendo uns goles das bebidas, se soltando mais ainda, e deixando fluir, o que acaba sendo legal de ver, pois sua personalidade acaba chamando até mais atenção do que aparentava inicialmente, e assim acertando bem. Quanto aos demais, a maioria apenas se conectou com eles na festa, e rapidamente nas farmácias, mas nada que vá muito além.

No conceito visual o longa foi bacana por andar por muitos bairros e locais que pouco vemos nos filmes franceses, como subúrbios cheios de prédios comuns, em outro bairro as famosas casinhas todas iguais lembrando muito os condomínios, e claro ainda vemos um pouco da profissão da protagonista de cuidar de animais, invadindo as casas aonde cuida dos bichinhos, vemos todas as nuances dentro do carro, a bagunça de ambos os protagonistas com os seus bens e bolsas, e claro as ambientações por onde passam, desde uma festa de máscaras completamente maluca dos alunos, até claro a aula em um colégio, e assim mesmo tudo sendo bem simples, o resultado acaba sendo funcional.

Enfim, é um filme bem simples e bem gostoso, como toda boa comédia romântica deve ser, ao ponto que talvez até reclamaria do romance demorar demais para acontecer, mas toda a essência da trama é tão funcional para um dia apenas de buscas e desenvolturas que o resultado acaba sendo bacana de ver. Sendo assim recomendo para todos verem no Varilux nas cidades que está rolando, pois acho que o filme deva demorar a surgir pelas salas dos cinemas e/ou streamings, mas quem sabe. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, pois ainda faltam alguns longas do Festival para conferir, e nessa semana também vieram muitas estreias nos cinemas, então abraços e até logo mais. 




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Nosso Planeta, Nosso Legado (Legacy, Notre Héritage)

11/30/2021 10:46:00 PM |

Pode até ser um pouco de implicância minha, mas documentário sem mais que uma opinião acaba virando programa da National Geographic ou Discovery Channel, com várias imagens e apenas uma narração interminável que não dá nem tempo para muita reflexão, e assim acaba cansando mais do que envolvendo. Não digo que o tema e toda a profundidade do assunto tratado em "Nosso Planeta, Nosso Legado" seja algo ruim de ver, muito pelo contrário, pois o diretor foi bem incisivo nas suas ideias, porém vale mais como um exemplar para ser visto em uma aula de cursinho do que como um exemplar nos cinemas, pois é basicamente ver tudo desde a criação da Terra até a pandemia atual, tudo o que o homem fez para transformar os diversos tipos energia que nos foi dado até hoje. Ou seja, é um documentário que pode impactar muitos pelo tema forte, e pela intensidade de tudo, que pode gerar reflexões e até mudar o hábito de alguns, mas como um entretenimento geral não agrada muito por ser algo de uma única e direta opinião: a do diretor.

O fotógrafo e diretor Yann Arthus-Bertrand faz um documentário pessoal, contando a história da natureza e do homem, a partir das próprias experiências. Priorizando o debate acerca dos danos ecológicos causados pelo ser humano, o filme apresenta soluções de reconciliação com a natureza e caminhos possíveis para um futuro menos devastado, que pode ser possível a depender de nossas escolhas enquanto sociedade.

Até poderia montar uma reflexão maior sobre o que o Yann Arthus-Bertrand analisou em seu filme, sobre as técnicas que é notável os diversos voos com drones, já que vemos nas imagens pessoas sempre olhando para cima, e claro valorizar muito todas as belíssimas imagens que arrumou para exemplificar sua ideia narrativa, mas estaria exagerando na reflexão, pois como costumo dizer um documentário é algo real bem exemplificado por alguém, pegando uma ou várias ideias, e trabalhando a montagem para que sua visão seja colocada na tela, e ele conseguiu fazer isso de uma forma até bem impositiva, agora se vai alcançar realmente as pessoas que precisam aprender mais a não destruir o planeta já é outra história.

Ou seja, é um filme que recomendaria para professores de Geografia e Biologia usarem quando for fazer algum tipo de aula multidisciplinar, mas que para ver apenas como um filme não encaixaria nos planos de ninguém. Sendo assim, fica a dica para todos, e eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos do Festival Varilux de Cinema Francês, então abraços e até logo mais.


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Tralala (Tralala)

11/30/2021 12:42:00 AM |

Quando vi a ideia do filme francês "Tralala" já tive a leve percepção de que poderia ser daqueles bizarros, aonde nada leva a lugar algum, mas quando dei o play no trailer e vi que era um musical confesso que fiquei curioso se ao menos as canções seriam bem conectadas com a trama, não precisando tanto de envolvimentos de personagens e tudo mais, mas não, tudo é cantado sem rima praticamente, tudo é estranho, e as situações todas são tão bizarras de acontecer que nada acaba sendo crível, ao ponto que até entendemos bem toda a síntese da trama sem precisar recorrer à sinopse e algo a mais, mas acaba daqueles filmes tão estranhos que acabamos rindo de desespero com o que ocorre durante a exibição, e já na metade eu já estava com a mão na cabeça não acreditando no que estava vendo. Ou seja, se você gosta da famosa comédia do absurdo e também de musicais, pode até ir conferir, mas do contrário o Varilux e os cinemas têm opções melhores passando.

A sinopse nos apresenta Tralala, 40 anos, um cantor das ruas de Paris, que encontra uma jovem que lhe deixa uma única mensagem antes de desaparecer: “Acima de tudo, não seja você mesmo”. Teria Tralala sonhado? Ele deixa a capital e acaba encontrando em Lourdes a mulher pela qual já estava apaixonado, mas que não se lembra dele. Porém, uma emocionada mulher de 60 anos acredita que Tralala é seu próprio filho, Pat, desaparecido 20 anos antes nos Estados Unidos. Tralala decide assumir o papel. Ele vai descobrir para si uma nova família e encontrar a vocação que não sabia que tinha.

Diria que a ideia dos diretores e roteiristas Arnaud Larrieu e Jean-Marie Larrieu até foi algo interessante, pois a história não é de todo ruim, é bem maluca, mas funcional, porém transformar ela em musical foi algo fora de base completa, ao ponto que os protagonistas devem ter sentido até uma certa vergonha depois de se verem fazendo os atos com dancinhas bobas. Ou seja, é daqueles roteiros aonde conseguimos enxergar bem a ideia que queriam mostrar de uma pessoa que vê a oportunidade de ser outra, e acaba conseguindo enganar bem, mas que quando vê que tudo pode desmoronar opta por não ir além nas mentiras, e daria uma trama bacana, sem necessidade de toda a cantoria, mas quem nunca sonhou em dirigir um musical, então fizeram, e o resultado foi bem ruim de ver.

Sobre as atuações, vale claro pontuar a entrega completa de Mathieu Amalric com seu Tralala/Pat Rivière, pois mesmo soando estranho toda a cantoria como já falei anteriormente, o ator se jogou bem, fez boas entonações e fez de seu personagem algo marcante de ver na tela, que funciona, embora tenha sofrido bastante para dar rima nas canções. Não conheço muitos trabalhos de Bertrand Belin, mas seu Seb foi tão bem nas canções, que sua entrega foi marcante como cantor, já o personagem é meio estranho também de ver. Já Josiane Balasco com sua Lili Rivière ficou extremamente exagerada, ao ponto que chega a incomodar seus atos cantando/dançando. Mélanie Thierry fez uma Jeannie bem sensual e cheia de trejeitos marcantes, ao ponto que pareceu estar bem leve e disposta a tudo na trama, e assim sua personagem chega a brilhar em cena. Maïween entregou uma Barbara meio seca demais, direta nos atos e não pareceu estar conectada com a trama, o que é ruim de ver. Galatea Bellugi trabalhou sua Virginie de uma maneira meio misteriosa, e cheia de nuances para com a personagem, ficando interessante pela proposta em si, mas poderia ser menos estranha. E por fim Denis Lavant ficou apenas pulando e fazendo coisas malucas com seu Climby, ao ponto de que nem sabemos bem o que seu personagem é, mas apareceu até mais que muitos outros em cena.

Visualmente o longa é bem bacana, pois trabalha inicialmente nas ruas de Paris, mostrando pontos não muito marcantes, mas simbólicos para músicos de rua e sua desenvoltura, mas depois que vai para Lourdes e toda a marcação religiosa da cidade, toda a desenvoltura passa por lojas de souvenires, por hotéis chiques e abandonados, um restaurante na beira de um rio bem bonito e imponente e até uma discoteca com imagem da santa (ficou meio estranho também de ver), além de bares e tudo mais, com bons simbolismos e desenvolvimentos para as canções e danças, mas algo que vai chamar muita atenção de quem for conferir é que o longa foi rodado já em plena pandemia, então a maioria dos figurantes e até atores atuam com máscaras faciais em diversos atos, e isso é algo que ainda não tinha ficado tão em evidência tirando as novelas, ou seja, chega a dar um certo baque, mas não atrapalhou em nada.

Enfim, é um filme exagerado demais que não conseguiu me conquistar, nem quem estava na sessão, então não posso dizer que recomendo ele de forma alguma, e compartilho já aqui as canções para quem quiser ouvir, mesmo sem ver o filme, o que deve ser ainda mais estranho. Sendo assim, vamos para o próximo filme do Varilux que com certeza vai ser melhor, então abraços e até logo mais.


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Enquanto Vivo (De Son Vivant) (Peaceful)

11/29/2021 12:31:00 AM |

Tem filmes que parecem tão simples pela ideia, mas acertam tão em cheio no público que o resultado acaba sendo quase um mar de tanta emoção, e para fazer isso atualmente tem quase que um mote fácil de encarar que é o maldito câncer, mas se o diretor não souber aonde atingir, o filme acaba soando frouxo demais. Porém felizmente isso não aconteceu com o longa "Enquanto Vivo", pois souberam tão bem dosar o sentido de presença na vida da pessoa com a ligação de presença de palco, juntamente com o envolvimento toda da perda de alguém querido que chega a ser difícil ver alguém que não tenha ao menos engasgado com algumas lágrimas na projeção do longa, afinal além de um filme belíssimo e cheio de sentimento, o resultado acaba funcionando de uma maneira tão forte e bem desenvolvido que tudo flui, tudo impacta, e principalmente tudo emociona, sendo ao menos na minha opinião, o melhor filme do Festival Varilux de Cinema Francês 2021 até agora, e que com toda certeza recomendarei com muita força para todos.

A sinopse nos conta que um homem é condenado cedo demais por uma doença. O sofrimento de uma mãe diante do inaceitável. A dedicação de um médico e de uma enfermeira para acompanhá-los num caminho impossível. Ao longo das quatro estações de um ano eles terão que lidar com a doença, domesticá-la, e compreender o que significa morrer enquanto vive.

A diretora e roteirista Emmanuelle Bercot não apenas conseguiu captar toda a essência que necessitava para que seu filme comovesse, como também foi aberta a entregas de personalidade dos atores, pois é notável ver que é daquelas tramas aonde o protagonista faz seus atos acontecerem e funciona bem dentro de quase um exercício do que é atuar, do que é viver, e como se conectar com a vida e com as pessoas ao seu redor, o que é também uma grandiosa função do ator, e claro que isso viria de uma ótima atriz, afinal Bercot também continua mais atuando do que dirigindo, e sabe como ninguém como transformar uma estrutura narrativa em algo bonito e envolvente. Ou seja, vemos um filme aonde a doença é o tema que derruba, mas sem todo o envolvimento familiar, o passar a lição de como sentir, e toda a dinâmica de abertura bem colocada acaba fluindo como as lágrimas na cara de todos da sessão, pois se a pessoa não se emocionar com pelo menos uns dois atos da trama pode dizer que o coração é ultra gelado, e assim sendo podemos dizer que a diretora encontrou o estilo que faltava para ser marcante na carreira por trás das câmeras, e se investir nesse formato vai muito longe.

Quanto das atuações, Benoît Magimel literalmente deu um show de personalidade com seu Benjamin, trabalhando desde o envolvimento clássico de um professor de atores que tenta passar todo o sentimento de perda para seus alunos, até todo o sofrimento com sua doença acamado, sentindo tudo e passando com olhares e trejeitos perfeitos cada momento seu, ao ponto de estarmos tão conectados com tudo que a vontade é aplaudir ele ao final, mas é mais fácil secar as lágrimas. Catherine Deneuve também foi muito precisa com sua Crystal, passando toda a essência de uma mãe superprotetora, e acompanhando todos os momentos de dor de seu filho, passando a interpretação com um luxo tão preciso que chama atenção demais, e dominando claro suas cenas com muita personificação. Gabriel A. Sara foi incrível com seu Dr. Eddé, sendo daqueles médicos que dá vontade de abraçar por toda a desenvoltura, todo o carinho para com os pacientes, e principalmente pelo envolvimento que passa, e sabemos bem que existem vários assim nos hospitais do câncer, e o ator soube entregar uma homenagem lindíssima para todos. Cécile de France trabalhou sua Eugénie com muita sinceridade nos atos, demonstrou seus sentimentos, e principalmente não quis mentir para o protagonista, dando para ele algumas felicidades e envolvimentos, indo até além do possível em alguns momentos o que deve revoltar um pouco algumas enfermeiras que forem conferir o longa, mas no modo ficcional foi bem no que fez. Quanto aos demais, diria que Lou Lampros trabalhou sua Lolla como o protagonista diz de paixão de aluna por professor, mas emocionou bem na sua atuação dentro da atuação, o que foi bacana de ver, já Oscar Morgan acabou sendo mais revoltante com as cenas de seu Léandre por não ir logo falar com o pai, mas isso não é do ator, e ao menos fez bem no final cantando de forma bem emocionante.

Visualmente a trama praticamente se concentra no hospital com cenas bem marcantes de transfusões, de quimioterapia e claro muitas com o protagonista deitado apenas na cama, e também num teatro aonde o protagonista ensaia seus alunos para passarem num concurso de um conservatório, e nesse entremeio temos todo o desenvolvimento de ambos os momentos para passar o símbolo principal de presença, tendo toda a discussão entre médicos e enfermeiras nos começos das estações, com música motivacional no fechamento de cada sessão e toda a representatividade de cada época nas sensações do protagonista, e assim mesmo não sendo algo muito desenvolvido, tudo é bem encaixado e chama a atenção do público para a intensidade dos atos bem dialogados, ou seja, tudo funciona bem e emociona mais ainda.

Enfim é daqueles longas que parecia inicialmente ser bem básico e direto, mas que abrange tanto envolvimento e emoção que não tem como não ficar na mente cada detalhe mostrado, e como já disse antes vá preparado com um lencinho, pois vai precisar, afinal é um longa bem bonito, inteligente e que funciona demais, valendo demais a recomendação para todos. Bem é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos do Varilux, então abraços e até logo mais.


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Encanto em 3D

11/28/2021 05:26:00 PM |

Usando da síntese do nome do filme "Encanto" é literalmente um encanto, cheio de cores, músicas, danças e toda uma simbologia em cima da emoção e dos pilares familiares que podem ruir quando não seguem o fluxo que foi preparado no passado, e assim a trama da Disney que costuma trabalhar temas mais doces começa a entrar no famoso mundo da Pixar que dá mais tensões para tudo. Ou seja, é um filme bem bonito, com uma história de encontrar sua função ou dom dentro da família, que flui com muito sentimento passado pelas ótimas canções de Lin-Manuel Miranda, que foram brilhantemente adaptadas para o português, e que acabam envolvendo do começo ao fim numa trama até que bem rápida, dinâmica e gostosa de ver, aonde cada personagem passa sua essência e a protagonista vai costurando e conectando todos para que deem o seu melhor, e assim ele flui e diverte a todos.

O longa conta a história de uma família extraordinária, os Madrigais, que vivem escondidos nas montanhas da Colômbia, numa casa mágica, numa cidade vibrante, em um lugar maravilhoso, encantado chamado Encanto. A magia do Encanto abençoou cada criança da família com um dom único de super força para curar... cada criança, exceto uma, Mirabel. Mas quando ela descobrir que a magia que cerca o Encanto está em perigo, Mirabel decide que ela, a única Madrigal comum, pode ser sua excepcional família.

Os diretores e roteiristas Jared Bush e Byron Howard que fizeram o ótimo "Zootopia" voltaram a trabalhar aqui com uma essência aberta e cheia de vida, aonde a história tenta nos mostrar que não temos que nos comparar a ninguém, mas sim sermos nós mesmos dentro do que sabemos fazer e encaixar isso num mundo maior, e que claro servirá para algo mesmo que não víssemos num primeiro momento, e se lá em 2016 com a tecnologia da época os diretores já nos surpreenderam com muitas cores e texturas, agora então, cada detalhe tem um toque, a saia da protagonista parece ser realmente de pano que roda a cada giro seu nas danças, vemos os pelos dos animais, vemos todo o ambiente bem preparado no meio da selva colombiana, e tudo sendo tão bonito e direto de ideologias que o resultado final ainda vem com um toque mais emocionante por parte da vila toda que não tem como não dar aquela escorrida de lágrima, e assim sair da sessão muito feliz com o que viu.

Sobre os personagens, cada um tem seu dom desde força, beleza com flores, cura, transformação de pessoas, ver o futuro e por aí vai, mas uma coisa é nítida em todos, o carisma, pois como o tema é um pouco pesado para as crianças, e é um longa da Disney, optaram por trabalhar o envolvimento nos gracejos deles, nas cores e até nos personagens secundários vividos pelas crianças da vila e os animais do garotinho Antônio, mas sem dúvida alguma toda a essência da trama ficou a cargo da protagonista Mirabel, que na versão nacional é dublada por Mari Evangelista com um tom de voz bem gostoso e empolgante de sentir e acompanhar, transformando a garota em alguém cheia de sonhos e disposta a tudo para fazer sua parte dentro da família. Ainda tivemos muita cantoria com as demais irmãs dela Luísa dublada por Lara Suleiman e Isabela que Larissa Cardoso deu o tom, além de Jeniffer Nascimento que entrega o tom para Dolores e no final ainda tivemos a canção tema de Felipe Araújo que faz o galã Mariano na trama, mas que nem foi tão usado, mas sua canção ficou bem encaixada.

Visualmente o longa é incrível, com uma casa totalmente viva, cheia de detalhes em movimento como portas, ladrilhos, janelas e tudo mais, quartos imponentíssimos com o poder de cada um desde o do garotinho que é uma selva imensa, da garota das flores cheias de espécies conforme vai cantando e do rapaz da previsão do futuro toda a simbologia do tempo e obstáculos para o futuro, que aliado a personagens bem desenhados e cheios de detalhes ainda deram o tom para a trama, que como já disse é impecável em tudo. Quanto do 3D, temos bons momentos nas cenas das borboletas no final, da vela na história dela, e no ato com o garotinho correndo pela floresta em seu quarto que são bem bonitos e cheios de profundidade, mas certamente poderiam ter ido além. 

Assim como os bons clássicos da Disney, o longa é cheio de boas canções bem envolventes que ditam tanto o ritmo quanto a essência da trama, e assim vale deixar aqui o link das canções para curtirem depois, inclusive com todas as cantadas em português, ou seja, dá para sentir mesmo antes de ir conferir, mas que na trama fazem muito mais sentido, então vá antes ao cinema.

Enfim, é um filme bem bonito e colorido, cheio de gracejos e reflexões familiares, passando bem a mensagem de pilares que podem ruir, mas que com a ajuda de todos podem ser reconstruídos, e assim vale o envolvimento e a recomendação da conferida. Além do longa, como todos da companhia, antes tem um belo curtinha pesadíssimo sobre aprender na dor feito por um tipo de guaxinim (acho) chamado "Longe da Árvore" que vale pensar bastante com ele, então não entre muito em cima da sessão para curtir ele também. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas já vou para mais uma sessão do Varilux, então abraços e até logo mais.


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Adeus, Idiotas (Adieu Les Cons) (Bye Bye Morons)

11/28/2021 02:04:00 AM |

Se tem uma coisa que os franceses sabem fazer muito bem no cinema é a tal da comédia dramática, pois fazem os dois gêneros caminhar na dosagem certa entre as estruturas, caminhando a emoção com a segurança clássica e divertindo com sutilezas bem encaixas sem precisar apelar exageradamente. E com a trama de "Adeus, Idiotas" temos algo que vai ainda mais além para simbolizar o fim da vida seja morrendo ou fazendo o bem, afinal quando já se desistiu de tudo as situações podem soar desesperadoras, mas bem funcionais, e o filme brinca com essa ideia, usa de bons artifícios para uma busca do passado, mas principalmente ousa em mostrar que não é necessário ser bizarro para fazer rir, e que com boas sacadas também é possível emocionar. Diria que a trama usa boas dinâmicas no uso da memória afetiva, trabalha bem a personalidade dos protagonistas, e acaba fazendo com que o filme seja leve, mesmo tendo tiroteio, batidas e vários acontecimentos de miolo, que souberam usar ao favor da trama, e assim todos conseguem entrar bem no clima dela com precisão.

A sinopse nos conta que quando a cabeleireira Suze Trappet, de 43 anos, descobre que está gravemente doente, ela decide procurar uma criança que foi forçada a abandonar quando tinha apenas 15 anos. Em sua louca jornada burocrática, ela cruza com JB, de 50 anos - velho no meio de um esgotamento psicológico, e o Sr. Blin, um arquivista cego com tendência a exagerar no entusiasmo. O improvável trio partiu em uma jornada hilariante e pungente pela cidade em busca do filho há muito perdido de Suze.

O diretor e roteirista Albert Dupontel que fez os excelentes "Uma Juíza Sem Juízo" e "Nos Vemos No Paraíso" trouxe aqui algo que já vimos bem em seus outros filmes que é usar de sutilezas para encantar o público, e ir brincando com o tema sem precisar soar sério, pois o filme tinha tudo para ser pesadíssimo logo de cara mostrando uma doença na vida da protagonista, um caso de desvalorização no emprego, e claro as consequências diretas disso, mas que logo em seguida consegue ir desenvolvendo tudo para que os motes funcionem, e envolvam completamente o público. Claro que na minha visão não foi o melhor filme francês do ano, pois mesmo sendo bem bacana poderia ter alguns momentos menos bobos, mas acabou sendo indicado a 12 Cesar (Oscar Francês) e ganhou 6 (Melhor Filme, Melhor Roteiro, Melhor Direção, Melhor Fotografia, Melhor Produção, Melhor Ator Coadjuvante), e assim sendo para eles o longa foi o melhor do ano.

Sobre as atuações, Virginie Efira fez com que sua Suze fosse simples, porém cheia de carisma, trabalhando quase que de uma forma desesperadora para seus objetivos, e entregando assim olhares bem marcados, situações bem sucedidas, e principalmente mostrando a doença de sua personagem sem soar apelativa para o tema, que conforme vai indo além no filme vamos entendendo seus atos e agradando com o que vamos vendo, não sendo algo que vamos lembrar dela efetivamente, mas que tem muito estilo e agradou bem. Agora falando do diretor como ator, Albert Dupontel com seu JB ou melhor Cuchas deu boas nuances para os técnicos de informática que até tem ares românticos, mas são exageradamente tímidos, e acabam não se entregando facilmente, e ele foi bem encaixado, fez suas situações serem engraçadas e trabalhou bem, coisa rara de se ver em um diretor de comédias atuando. Nicolas Marié levou prêmio com seu Serge Blin, mas diria ser apenas pela cena do carro aonde vai descrevendo a cidade com suas lembranças antes de ser cego, e pela loucura que faz ao pensar na polícia dirigindo o carro, pois é um personagem que não acrescenta muito para o tema do filme, mas soube segurar bem seus momentos e envolver, e isso conta muito nas premiações por lá. Jackie Berroyer foi bem simbólico com seu Dr. Lint, pois ao dar as nuances de letras horríveis de médicos, e fazer todos se emocionarem com seu Alzheimer sendo ofuscado pelas lembranças acabou envolvendo bastante e marcando em seus atos, o que é algo bem bom de ver em um personagem bem secundário. Quanto aos demais, tivemos ainda atos bonitos de Bastien Ughetto e Marilou Aussiloux no elevador final, e tenho de pontuar os bons trejeitos de Joséphine Hélin como a protagonista na versão adolescente, pois foi bem demais em alguns atos.

Visualmente o longa é cheio de bons atos, muitas câmeras passeando por cenários grandiosos como a sala de atendimento da saúde cheia de personagens, depois o escritório imenso do filho da protagonista também com muitos figurantes correndo (arrisco dizer que usaram até os mesmos nas duas cenas), todo um hospital cheio de personalidade no andar do médico principal, a casa dele cheio de memórias afetivas, e claro a sala do protagonista sendo detonada com o rifle, a sala do arquivo de um cego, além da simbologia da protagonista "matando" seus vilões no começo, ou seja, a equipe de arte teve grandiosidade nos elementos e foi usando cada ato para servir o espectador, ao ponto que tudo se encaixa, tudo é bem marcante e funciona com muitas cores e detalhes, que não vai muito longe, mas é seguro para o tema.

Enfim, é um filme muito gostoso de conferir, que tem atitude por parte dos protagonistas e uma direção segura do que desejava passar com o roteiro, sendo daqueles que podemos ver mais vezes tranquilamente, e que agradará bastante quem gosta do estilo mesmo tendo alguns defeitinhos leves. E é isso meus amigos, recomendo ele com certeza, e fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Um Intruso No Porão (L'homme de la Cave) (The Man In Basement)

11/27/2021 08:48:00 PM |

É interessante observar os rumos que uma trama acaba tomando e toda a reflexão que conseguimos extrair da ideia toda, mesmo em um filme com tantas ideias como "Um Intruso No Porão" que acaba entrando no conflito antisemita e casos negacionistas, mas basicamente a intensidade do conflito acaba mostrando que enquanto a ideia toda é jogada para cima das pessoas, quem acaba saindo como errado é quem perde a cabeça primeiro, e é bem isso que essas pessoas acabam tentando conflitar. Diria que o filme é pesado, mas acaba trabalhando bem toda a ideia e o resultado impacta bem e flui melhor ainda, sendo simples, porém efetivo.

A sinopse nos conta que em Paris, Simon e Helen decidem vender um porão no imóvel onde vivem. Um homem com um passado conturbado o compra e instala-se lá sem aviso prévio. Pouco a pouco, a sua presença vai mudar a vida do casal.

O diretor e roteirista Philippe Le Guay conseguiu envolver bem a ideia original a um ponto tão forte que acabamos entrando de cabeça no tema, passamos a pensar nas possibilidades do protagonista conseguir se livrar do incômodo, mas mais do que isso o filme acaba sendo dirigido completamente para o rumo da invasão de ideias, do impacto que um tema pode destruir uma família, de uma pessoa perder a cabeça e tudo mais, de forma que o diretor planta bem essa semente de pessoas que invadem não o seu espaço, mas sim sua vida, seu modo de ser, e que acabamos caindo em suas mãos pelas ideias plantadas de ódio que acabam crescendo bastante. Ou seja, é um filme que aparentemente parecia singelo, mas que tem uma explosão no interior tão grande que tudo acaba fechando com uma tensão máxima, e isso mostra o potencial do diretor, mesmo que o filme não vá diretamente ao ponto.

Sobre as atuações, Jérémie Renier foi bem direto com seu Simon, trabalhando intensamente os trejeitos e dinâmicas, mas principalmente tendo a explosão de ideias entrando na sua cabeça como um pai de família tendo de defender seu espaço e suas ideias, e o ator segurou bem os ares que o filme precisava, agradando bem em tudo. Bérénice Bejo ficou meio em segundo plano com sua Helene, mas passou a questionar ideias e a atriz soube passar bem os ares de interrogação, criou bem trejeitos de medo e desespero, e claro explodiu antes que marido, sendo bem intensa na formatação de sua personagem. Agora sem dúvida alguma a serenidade de François Cluzet com seu Jacques foi o ponto mais marcante da trama, pois seu personagem é exatamente a foto desses que jogam o fogo no celeiro e veem tudo explodir, e o ator foi preciso de intensidade e marcante em todos os diálogos e trejeitos, agradando bastante em tudo, e fazendo com que ficássemos com raiva dele. Quanto aos demais, vale uma rápida menção para o irmão do protagonista vivido por Jonathan Zaccaï pela sua disposição em querer ir para a briga, mas principalmente para a garota Victoria Eber por enfrentar todos os problemas e ser bem direta nos atos de sua Justine.

Visualmente o longa trabalha bem elementos do judaísmo, e faz até a dinâmica inversa do processo de se esconder em porões, com toda uma desenvoltura própria bem alocada, tendo toda a menção e representação de uma câmara de gás, todo o ato de lutas, e até colocando em síntese as vidas de cada personagem, nos devidos ambientes.

Enfim, é um longa bem intenso e interessante que permeia bem as ideias em nossas mentes, serve para uma reflexão bem simbólica sobre os temas, e que consegue ser marcante. Diria que o filme poderia ter ido mais além, mas foi bem funcional na ideia completa e impacta bem, valendo a recomendação. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas ainda tenho mais um hoje do Festival Varilux de Cinema Francês, então abraços e até logo mais.


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Paris, 13° Distrito (Les Olympiades) (Paris, 13th District)

11/27/2021 06:18:00 PM |

É interessante ver algumas propostas de filmes que não vão muito além do que se propõem, pois acabamos vendo tudo florescer na tela e nada acontecer demais, quase como uma análise mais íntima da vida de algumas pessoas e suas relações. E com essa proposta o longa "Paris, 13° Distrito" acaba sendo bem trabalhado, bem entregue por parte dos protagonistas, e até intrigante dentro de todo contexto, porém não empolga e nem chega a ser expressivo dentro de algo a mais, sendo até um bom filme, mas sem desenvolturas que chamem o público para lembrar dele, e assim fica sendo até simples demais. Diria que faltou algo mais impactante para ir além e marcar, mas que dá para conhecer mais sobre o relacionar em si com a proposta toda.

A sinopse nos conta que Émilie conhece Camille que se sente atraído por Nora, mas namora com Amber. Três meninas e um menino - Eles são amigos, às vezes amantes e, frequentemente, os dois. A história se desenvolve sob as nuances do amor moderno, e dos laços de amizade entre os jovens.

O diretor e roteirista Jacques Audiard até trabalhou bem a dinâmica entre os personagens, criou as interações, e até quis brincar com a fotografia pela estrutura de preto e branco ser algo mais vazio, de pessoas que não vão muito além de sexo ou amor de atração, e assim sendo tudo parece aberto demais nos traquejos que acaba colocando em sua trama. Claro que o funcionamento até da bons atos, vemos um pouco de todo tipo de sentimentos, mas fica parecendo faltar algo a todo momento, o que não é legal de acreditar, e assim o filme falha um pouco.

Quanto das atuações, diria que fez bem termos quatro estilos bem diferentes de personagens, mas talvez algum ato mais conflitivo chamasse mais atenção. E assim sendo é bacana ver todos se entregando ao máximo com Lucie Zhang dando para sua Émilie uma garota ousada, determinada, porém também apaixonada pelo protagonista, vivendo seus encontros ao máximo pelo tesão que causa nela, e assim fez bem solta suas cenas. Makita Samba deu para seu Camille toda a estrutura de alguém que quer viver e acontecer, sem fluir muito nem se amarrar, e o ator consegue ser bem dimensionado de trejeitos, de sensações e acaba fazendo boas interações com todos, o que é bem colocado no filme. Noémie Merlant já pontuou sua Nora como uma mulher que foi usada e abusada por muito tempo, e agora tem problemas com qualquer relação em si, e sabiamente passa emoção e envolvimento nas relações virtuais emotivas, caindo bem em sínteses e chamando até um pouco a atenção. E por último Jehnny Bett caiu em sua Amber como uma mulher que está na rede virtual para satisfazer os demais, mas que também tem sentimentos e com boas nuances nas conversas consegue chamar a atenção.

Visualmente o longa não vai também muito além, sendo simbólico pelo bairro em si, pelo ambiente que vivem cada um, mostrando claro os quartos de cada um, os corpos em relação, e até mostrando seus empregos em restaurantes, imobiliárias, e na internet, mas nada muito representativo para colocar em chamariz. Quanto da fotografia em preto e branco diria que foi apenas uma graça do diretor, pois não era necessária.

Enfim, não chega a ser um filme ruim, só não vai muito além, e com isso o resultado não impacta tanto quanto poderia. Diria que serve para conhecer diversos tipos de relacionamentos modernos, mas nada demais. Bem é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas vou para mais uma sessão do Festival Varilux de Cinema Francês, então abraços e até logo mais.


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