Netflix - Klaus

11/17/2019 01:40:00 AM |

Muitos reclamavam que as animações atuais só brincavam com texturas, com computações gráficas gigantescas para dar formato aos personagens, mas que esqueciam de trabalhar histórias emocionantes para envolver o público, e pois bem, eis que a Netflix escutou vossas reclamações, e encomendou um filme usando técnicas tradicionais, mas que foi tão bem feito, com tanta emoção e sentimento, que passa uma verdade tão incrível, que nem ligamos para técnica, mas sim pela ótima desenvoltura que "Klaus" consegue nos passar, brincando praticamente com sombras, trabalhando envolvimentos e mensagens bem colocadas, e que nos remete à verdadeira essência do Natal, numa brincadeira cênica maravilhosa para crianças e adultos. Ou seja, o longa está na lista dos possíveis indicados ao Oscar de Melhor Animação, e não duvido de figurar os 5 indicados, pois é muito gostoso de conferir, possui uma história muito graciosa sobre como começou o Natal com as cartinhas, e o acerto ficou impecável em todos os quesitos, portanto vá conferir, e depois volte aqui para ler o restante.

O longa nos conta que em Smeerensburg, remota ilha localizada acima do Círculo Ártico, Jesper é um estudante da Academia Postal que enfrenta um sério problema: os habitantes da cidade brigam o tempo todo, sem demonstrar o menor interesse por cartas. Prestes a desistir da profissão, ele encontra apoio na professora Alva e no misterioso carpinteiro Klaus, que vive sozinho em sua casa repleta de brinquedos feitos a mão.

Basicamente é a estreia do espanhol Sergio Pablos na função de diretor, mas como roteirista ele só nos entregou o primeiro "Meu Malvado Favorito" e nesse ano mesmo o divertido "PéPequeno", ou seja, sabe muito como agradar as crianças com bons personagens carismáticos, tem atitude suficiente de criação, e aqui apenas brincou com tudo o que já fez criando um personagem que conhecemos bem, mas mostrando sua história inicial juntamente de outros ótimos personagens, ou seja, um filme com uma pegada incrível, cheio de boas mensagens, e que o diretor conseguiu trabalhar na essência, sem ficar exagerando em enfeites, mas sim priorizando o que um bom filme deve ter que é história e personagens, fazendo com que a trama tivesse um sentido de ser entregue, não apenas jogando ela na programação, e dessa forma diria que certamente o longa será visto muitas vezes na época do Natal, que as crianças irão rir muito dos personagens, e que os adultos certamente irão se emocionar com o que é passado, pois o filme funciona, e só isso já faz valer a conferida, então parabéns para todos os envolvidos, pois conseguiram encontrar a magia do Natal novamente em um longa.

Como meu Netflix está para passar tudo legendado, vi o longa com as vozes originais de Jason Schwartzman, J.K. Simmons e Rashida Jones, que deram um show, mas pelo trailer abaixo dá para ver que Rodrigo Santoro, Daniel Boa Ventura e Fernanda Vasconcelos foram muito bem nos personagens Jesper, Klaus e Alva respectivamente, ou seja, as vozes apenas deram personalidades para o carisma que o diretor criou em seus personagens bem divertidos e interessantes de acompanhar. Primeiro o carteiro simpático que não é bem um carteiro, mas filho do chefe que só tinha regalias e cai no meio de um lugar que nem cartas enviam como castigo, e que cheio de bom papo consegue mudar tudo na cidade. Depois temos o lenhador/carpinteiro cheio de segredos que com muita força e imponência bota medo em todos, mas que tem um coração fantástico de alegria. E por fim, o grande charme de uma professora, que não consegue sobreviver ensinando (será que usaram como base os professores brasileiros para criar a personagem?), mas que mostra que aprender é algo muito importante em nossas vidas, ou seja, também entrega uma boa lição na tela. E claro que no meio ainda temos muitos outros bons personagens, com os diversos Ellingboe contra os Krum se matando nas ruas, e com muito simbolismo nos atos, mas principalmente o grande chamariz recai na pequenina finlandesa Margu que dá show sem falar nada na língua dos protagonistas, e com muito charme e encanto no olhar consegue nos envolver, e claro mostrar algo muito bom depois.

Visualmente o desenho 2D é algo que não é mais tanto valorizado pelo grande público, mas souberam trabalhar tanto com sombras, colocando detalhes charmosos, muitos movimentos, e principalmente brincando com os elementos cênicos, com a formatação da história, com cores escuras contrapondo bem as claras, de tal forma que acabamos tendo um clima tão gostoso de ver, que em alguns atos até chegamos a ver formas tridimensionais, o que nem existe no filme, e o resultado é ímpar no conceito artístico, valendo reparar em cada traço desenhado, em cada detalhe que pensaram para compor os ambientes que o filme passa, com uma cidadezinha inteira destruída que vai se reconstruindo, com personagens usando todo tipo de arma para brigar, com um lenhador criando casas de passarinho e brinquedos com um machadão, com um carteiro desengonçado, com uma professora que vende peixes, ou seja, tudo é completamente pensado e funcional na trama além de muito bem desenhado.

O filme também conta com músicas bem gostosas, trabalhando bem o ritmo e envolvendo com uma sonoridade incrível, mas principalmente a música tema chama muita atenção, e o clipe de "Invisible" de Zara Larsson com cenas do filme ficou melhor ainda, então confira nesse link que vale muito a pena.

Enfim, se o longa realmente acabar entrando no grupo dos indicados ao Oscar de Animação certamente ficarei na dúvida de qual apostar, pois realmente foi muito gostoso conferir tudo o que o longa passa, e recomendo demais para todos, independente da idade, pois irá funcionar como algo divertido e com bons personagens para os pequenos, e com ótimas mensagens emocionantes para os adultos, ou seja, perfeito. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até lá.

PS: posso me arrepender da nota depois, mas me emocionei e gostei demais do que vi, então vamos dar nota máxima.

Leia Mais

Cézanne e Eu (Cézanne et Moi)

11/16/2019 06:26:00 PM |

Chega a ser até engraçado que ultimamente estão lançando vários filmes sobre as vidas de pintores famosos, mostrando suas brigas pessoais, suas essências e inspirações para suas obras, e principalmente seus floreios mentais, de modo que acabamos quase que entrando no seu próprio mundinho da forma que os diretores acabam criando para retratar a época, e uma das coisas que mais tem sido bacana de ver é que nesses longas estão priorizando muito o conceito visual para retratar o estilo de pintura que cada pintor usava, fazendo dos longas quase uma tela viva, e dessa forma "Cézanne e Eu" retrata a trama quase como uma natureza morta, aonde tudo tem pouca vida, quase sem movimento algum, e com ambientes verdes bem marcados, ou seja, uma valorização belíssima do ambiente, que aliado a boa escrita de Émile Zola acabamos tendo uma narrativa bem trabalhada também. Porém, como a arte de Cézanne usa desse artifício de pouquíssimo movimento, o filme acabou ficando lento demais, de forma que acabamos cansando com a formatação entregue, e assim sendo os 114 minutos de duração do longa parecem ser horas a fio que não acabam nunca (me vi olhando no relógio 2 vezes!), e o resultado embora seja bonito de ver, forte pelas palavras duras que ouvimos de um amigo falando sobre o outro, acaba não sendo gostoso de acompanhar.

O longa nos conta a história de amizade e rivalidade entre o pintor Paul Cézanne e o escritor Émile Zola. Paul é rico. Emile é pobre. Mas dessa união irá surgir uma amizade que resiste ao tempo e às diferenças sociais. Os amigos, que se conheceram no colégio Saint Joseph, aprenderam desde crianças a compartilharem tudo um com o outro. Mas, na busca por realizar seus sonhos, os dois vão aprender a enfrentar os desafios da vida e, principalmente, sobre o valor da verdadeira amizade.

A melhor definição para o longa é dizer que ele é algo fora da curva, sendo exageradamente artístico, pois o trabalho que a diretora Danièle Thompson fez foi deveras uma grande homenagem, que quase pinta a tela do cinema com as atitudes e sínteses da vida de ambos os personagens, ora pela visão da escrita de Émile sobre como foi sua amizade, suas brigas, suas mulheres, sua vivência, ora pela essência criativa de Cézanne, pintando sua jornada em telas bem moldadas, ou seja, ela fez muito visualmente, trabalhou bem as formas, mas não foi criativa suficiente para que seu filme tivesse atitude, ou seja, vemos um filme bonito, bem feito, aonde vemos suas virtudes de enquadramentos, mas sem muita dinâmica, sem criar nenhum elo de quebra, sem implantar um clímax que fosse, ou ao menos uma reviravolta, deixando apenas que a maneira explosiva do personagem fronte a calma do outro fosse suficiente para manter a linha crítica do filme, e isso não funcionou infelizmente, deixando sua direção fria demais para agradar.

Quanto das atuações, sabemos do potencial imenso de Guillaume Canet, que aqui como Cézanne aparece completamente irreconhecível, e ele soube dominar a personalidade do pintor, trabalhar bem os olhares, e criar ensejos bem colocados em cada uma das cenas, mas sem florear muito, nem chamar a atenção como deveria, de forma que o vemos como um personagem seco bem feito, e nada mais. Já do outro lado tivemos Guillaume Gallienne, que ficou levemente formal demais com seu Émile, criando um estilo mais clássico e sem chamar atenção diferenciando demais do que costuma fazer em seus filmes, de modo que vemos ele apático e sem atitude, principalmente nas cenas em que está mais velho, o que não é muito legal de ver. Quanto aos demais personagens, o filme tem muitos atores e atrizes passeando pela tela, servindo de base para as pinturas e ou textos dos protagonistas, mas tirando Alice Pol que foi Gabriele para Cézanne e Alexandrine para Zola, que chamou um pouco para si com esse conflito, o resultado dos demais não vai muito além, e isso é algo que poderia ter chamado mais na trama.

Agora volto a frisar o grande feitio da trama ficou a cargo do visual, mostrando um trabalho preciso da direção de arte, trabalhando em locações belíssimas para retratar as possíveis inspirações do pintor para criar suas telas, vemos uma recriação de época maravilhosa através de figurinos e de ambientes, e principalmente vemos a essência criativa da época com vários nomes que tanto ouvimos fala em História da Arte, afinal Manet, Monet, Cézanne, entre outros foram todos contemporâneos vivendo na boêmia da França da época, que acabamos quase que viajando ao passado de tão bem montado que os ambientes foram, ou seja, um acerto incrível de ver.

Enfim, temos um filme muito belo de visual e de essência, que conseguiu trabalhar tudo dentro de uma obra só, mostrando rivalidade, amizade, traições, ensejos artísticos, mas que falhou no principal que era criar um filme realmente trabalhado nas dinâmicas e nas coerências da época, e que sem um ritmo propriamente dito quem não for esperando algo extremamente lento e sem conflitos acabará cansando demais no miolo e sairá da sessão sem ter gostado do que viu. Não diria que é um filme perdido, pois conhecer personagens, obras, e vidas sempre é bem válido, mas poderiam ter trabalhado um pouco mais a dinâmica para que o resultado fosse melhor. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

Invasão ao Serviço Secreto (Angel Has Fallen)

11/16/2019 03:03:00 AM |

Alguns filmes possuem essências tão marcadas que geralmente nem precisamos esperar ver o nome na TV que já sabemos qual é, e a franquia que vimos primeira mente como "Invasão a Casa Branca" em 2013, depois com "Invasão a Londres" em 2016, e agora completando a passagem de três anos também temos a estreia meio que tardia de "Invasão ao Serviço Secreto", que estava previsto de estrear no meio do ano, e apareceu só agora, mas com a mesma essência, as correrias tradicionais do agente Banning para salvar o presidente Morgan Freeman, que todo mundo faria de tudo para salvar, afinal é o Morgan Freeman independente de qual papel esteja fazendo, e só isso já vale salvar ele. Diria que o filme é bacana de conferir, passa um bom tempo, tem as tradicionais boas cenas de ação, com coisas explodindo, prédios sendo destruídos, muitas pessoas morrendo com tiros para todo lado (mas claro que os protagonistas são ninjas e nada os atinge praticamente!), e com isso o entretenimento é garantido do começo ao fim, com boas sacadas e envolvimentos, porém diferente dos primeiros filmes que demorávamos para saber os vilões reais, aqui o jogo acontece rápido demais, e vemos o protagonista correndo para tentar pegar eles, e assim sendo não foram tão criativos dessa vez, porém ainda assim agrada, e vamos esperar que encerrem aqui, afinal 9 anos já deu de Morgan como presidente, e praticamente ele não aguenta um novo atentado contra sua pessoa.

A sinopse nos conta que após uma tentativa de assassinato ao presidente dos Estados Unidos, o agente do Serviço Secreto, Mike Banning, é injustamente acusado e levado sob custódia. Determinado a provar sua inocência, ele se torna um alvo do FBI à medida em que tenta encontrar o verdadeiro culpado. Ele vai precisar de toda a ajuda possível para proteger sua família e salvar seu país de um ataque sem precedentes.

Basicamente esse estilo de filme cheio de pulos, tiros e explosões tem sido fácil de identificar os diretores, pois geralmente são ex-dublês que sabem bem como funcionam os posicionamentos, e entregam longas ágeis e bem desenvolvidos nesse quesito, e Ric Roman Waugh seguiu bem essa linhagem até 2001 quando mudou de área e tem feito filmes desse porte, porém seu estilo nem é o mais engraçado de olharmos nesse novo filme, mas sim o fato de que nas três produções tivemos três diretores diferentes, com propostas bem diferentes, e com roteiristas também bem diferentes que apenas usaram a ideia de personagem criada lá em 2013 e seguiram fazendo novas situações e envolvimentos, ou seja, os produtores não conseguiram convencer nenhum dos dois diretores anteriores a voltar para o comando e seguir com a franquia, e sendo assim o resultado é completamente notável, pois se no primeiro filme Antoine Fuqua foi incrível e criou algo muito bem feito, no segundo o nível já caiu e ficou exagerado demais para situações mostradas, e agora esse novo quis tentar voltar às origens, mas ficou bem mais próximo do segundo que de algo inovador, tendo vários momentos em que cansamos com tudo o que ocorre, e ao entregar facilmente quem é o vilão, ficamos apenas numa correria simples demais de atitudes, o que não agrada realmente como poderia. Ou seja, fizeram o básico apenas para tentar fechar a franquia, mas ao menos tentaram inovar um pouco e os erros foram moderados.

Sobre as atuações, diria que Gerar Butler vai ser logo mais daqueles atores que veremos em franquias tão extensas e casuais de tiro que vamos nos enjoar dele, pois já não entrega mais tantas características marcantes para seus personagens, e seu Mike Banning é exatamente estiloso e moldado de estruturas, sem grandes expressões, apenas sentindo dores e fazendo trejeitos casuais, sem muitas mudanças de humor, e sem grandes exageros também, ou seja, o protagonista se acostumou com o personagem, e dificilmente conseguirá se desprender dele, de modo que ou é melhor mudar para algo bem diferente logo, ou a chance dele só ser chamado para esse tipo de papel daqui pra frente é bem alta. Morgan Freeman está em plena atividade com seus 82 anos, mas já não entrega mais tanta personalidade como antigamente, e apenas faz seus casuais olhares e bons trejeitos, mas ainda assim continuaremos empolgados com o que faz, e aqui seu Presidente Trumbull aparece pouco, e consegue ser direto ainda nos trejeitos e diálogos bem marcados, ou seja, sempre cairá bem em qualquer papel, mas já precisa maneirar. Danny Huston entrega para seu Wade personalidade e dinâmica, de modo que não chegamos a ficar com muita raiva dele, mas também não chega a ter um carisma para notarmos algo a mais, de modo que foi tradicional com bons atos, e nada mais. O mesmo podemos dizer de Tim Blake Nelson como vice-presidente Kirby, que teve olhares fortes em algumas cenas, mas foi frouxo demais em outras. Nick Nolte entregou um Clay imponente e no mesmo nível do filho Banning, explodindo tudo em sua frente, partindo para a ação e se saindo muito bem nos atos, o que acaba agradando mesmo que apareça pouco. Quanto aos demais, diria que as duas mulheres fortes da produção Jada Pink Smith como a investigadora do FBI Helen e Pipper Perabo como Leah foram coerentes em seus atos, mas como apareceram em bem poucas cenas não tiveram tempo de serem exploradas, e resultaram em algo simples demais de ver, mas ao menos foram melhores que muitos outros que só participaram como Lance Reddick que apareceu em quase todas as cenas com seu Gentry, mas era quase um adorno cênico sem nada a fazer.

Quanto ao visual da produção, agora voltando para os EUA, depois de explodir Londres inteira, brincaram com cenas em meio a florestas, e dentro de um hospital e um grande centro empresarial, mas com poucos detalhamentos, e muitos tiros e explosões, de modo que o começo no centro de treinamento é mais empolgante de ver do que todo o restante do filme, ao menos no conceito artístico que foi bem simplório de elementos. Ou seja, a equipe de arte aqui não quis fazer nada muito rebuscado, economizando bastante na produção, de modo que o filme tem um certo gasto de efeitos, mas brincou pouco com tudo o que podia, tendo as melhores nuances na cena dos drones, que tanto vimos nos trailers, e na explosão do hospital, que ficou bem interessante de ver, mas nada que realmente impressione.

Enfim, é um filme que serve de passatempo, mas que foi inferior aos dois anteriores, de modo que volto a frisar que parem com a franquia, pois a chance de no próximo desandar de vez está bem alta, a não ser que mudem completa o fluxo e a forma de condução, e talvez voltarem com o diretor do primeiro filme, pois aí sim o resultado pode voltar a chamar a atenção. Porém não digo que a bomba foi tão grande, pois como disse tem boas cenas de ação, e o resultado acaba soando bem colocado, e sendo assim quem for conferir não sairá tão desapontado da sala, ou seja, apenas não recomendo com grande afinco, mas também não o expurgo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto logo mais com mais textos, então abraços e até breve.

Leia Mais

Ford vs. Ferrari (Ford v. Ferrari)

11/15/2019 09:03:00 PM |

Sabe aqueles filmes que você fica quase sem ar pela empolgação que a trama acaba causando? "Ford vs Ferrari" pode se orgulhar facilmente de ser um desses exemplares, pois trabalhando com um tema forte que é a competição automobilística, e desenvolvendo muito cada um dos protagonistas de modo a fazer com que nos envolvêssemos com cada ato da trama, o que acaba acontecendo é vermos um filme de atitudes desenfreadas, aonde a cada cueca esperamos o pior, mas que também torcemos para que consigam demonstrar com bons momentos a essência de uma corrida real, do desenvolvimento de um carro, e tudo mais que foram as altas e competitivas corridas do passado, ou seja, um filme recheado de emoções, com atuações incríveis por parte dos protagonistas da história, e que por saberem como entregar o estilo dramático, farão com que o longa desponte também entre os candidatos das premiações desse ano, e sendo já competitivos no filme, lá já entram correndo com muitas chances, pois liberam não forçar nem para o lado comercial demais, nem para o artístico cansativo, tendo nuances boas para todos os gostos.

O filme nos conta que durante a década de 1960, a Ford resolve entrar no ramo das corridas automobilísticas de forma que a empresa ganhe o prestígio e o glamour da concorrente Ferrari, campeoníssima em várias corridas. Para tanto, contrata o ex-piloto Carroll Shelby para chefiar a empreitada. Por mais que tenha carta branca para montar sua equipe, incluindo o piloto e engenheiro Ken Miles, Shelby enfrenta problemas com a diretoria da Ford, especialmente pela mentalidade mais voltada para os negócios e a imagem da empresa do que propriamente em relação ao aspecto esportivo.

O diretor James Mangold que nos entregou o excelente "Logan", volta com tudo para mostrar seu estilo de ação, de modo que aqui ele brincou muito com câmeras dentro dos carros, fazendo rasantes pelo lado do fora, e principalmente ousando em mostrar as perfeitas expressões dos protagonistas, fazendo com que sentíssemos cada um dos momentos que eles estavam vivendo dentro da história, não recaindo para clichês abertos demais, nem montando uma história que não fosse crível o suficiente nas atitudes, ou seja, ele pegou um roteiro muito bom, e recheou a trama de atitudes ousadas, propondo para o público que pilotasse os carros e a equipe em cada um dos momentos. E dessa forma bem criativa, as nuances dentro da história foram ocorrendo, mostrando paixão entre a família, paixão pelas corridas, uma amizade forte e maluca, além claro do modo empreendedor cheio de burocracias que uma empresa grande pode funcionar, ou seja, um filme incrível, feito de forma dinâmica e que agrada demais pelo diretor saber como mostrar os momentos chaves, não deixando de lado nada que fosse mais singelo possível, para que tudo representasse algo a mais.

Sobre as interpretações é fácil ver o motivo de Christian Bale ser um dos maiores nomes da atualidade, pois seu Ken Miles é daqueles que ficamos bravos pelas atitudes que faz, mas que seu carisma é tão emblemático que nos vemos torcendo para ele, ou seja, com olhares precisos, trejeitos fortes, atitudes malucas, e muita determinação ele acaba nos envolvendo de tal dos que só temos que o aplaudir no final tamanha a perfeição que fez tudo. Da mesma forma temos um Matt Damon cheio de nuances com seu Carroll Shelby, entregando muita personalidade, muita imponência de estilo, e fazendo com muito domínio seus atos para chamar a responsabilidade para si, ou seja, deu show também. Jon Bernthal entregou um marqueteiro de muita classe com seu Lee, brincando com olhares, e funcionando dentro do que se propôs, não saindo muito da caixinha, mas agradando na medida. Caitriona Balfe e Noah Jupe entregaram com muito carisma seus Mollie e Peter, fazendo com muito carinho e emoção seus atos familiares junto do protagonista, e sem dúvida alguma o jovem garoto ainda foi além brincando com estilo nós carrões. Josh Lucas foi o famoso personagem que odiamos em todos os filmes com seu Leo Beebe, de modo que com uma personalidade forte, e uma preparação na medida para incomodar, o ator foi certeiro nós atos, criando situações de raiva e acertos precisos que seu personagem pedia. Ray McKinnon trabalhou seu Phil com envolvimento, sabendo entrar em cena com classe, e principalmente sabendo aparecer sem roubar a cena, ou seja, encaixou demais nos atos. E para finalizar temos de falar claro de Tracy Letts e Remo Girone como os dois empresários monstruosos Henry Ford II e Enzo Ferrari, que mesmo aparecendo pouco souberam dosar estilos e demonstrar personalidade para seus papéis fortes, que até poderiam ter ido além, mas como o filme não era sobre eles, foram mais contidos. Ou seja, um elenco incrível de expressões, que dominaram a cena sem roubar o protagonismo dos personagens principais, e que certamente nos lembraremos do que fizeram no longa.

No conceito artístico a equipe de arte mostrou que não estava para brincadeira, caprichando em detalhes de época nas cenas vistas pela TV ou pelo rádio, mostrando bons figurinos, mas principalmente mostrando o feitio de grandes carros de corrida, ótimas cenas de teste em pistas, e uma recriação perfeita das corridas com o ambiente dos boxes, das tribunas, da imprensa desesperada para passar suas emoções, e tudo muito grandioso, num acerto preciso e cheio de detalhes, ou seja, um filme feito na medida, com muita classe nós elementos escolhidos, e que não desaponta em momento algum cenograficamente. Além disso, a equipe de fotografia foi tão singela nós tons, sabendo encontrar as nuances mais corretas para dar ao mesmo tempo tensão e emoção, que capricharam até nos ambientes mais escuros e fechados, como dentro dos carros, para que víssemos o suor, as lágrimas, os envolvimentos mínimos dos personagens, numa captação magistral.

O filme também foi muito forte no conceito sonoro, tendo não só boas canções e trilhas orquestradas que deram um ritmo frenético para a trama, mas também foi trabalhado tão bem os ruídos de peças batendo, parafusos caindo, frenagens, roncar dos motores, explosões, e tudo mais que pudesse dar detalhes incríveis e proporcionassem mais sentimento de estar ao lado dos protagonistas, ou seja, uma perfeição auditiva de primeira linha, que claro deixo aqui o link para todos curtirem as boas canções.

Enfim, um filme feito na medida parar recriar algo forte, que souberam dominar o público tanto pela história quanto pelos quesitos técnicos, que acabamos nos envolvendo com cada ato desde a primeira cena já bem imponente, até às últimas fortes e emocionantes, ou seja, uma precisão cirúrgica por parte do elenco e claro do diretor, que certamente serão lembrados nas premiações, e que dessa forma nem tenho como não recomendar o filme para todos, pois vale cada minuto na sala do cinema. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: embora a cena final seja bem bonita e emocionante, eu terminaria o filme na cena anterior que é bem forte, e assim o impacto seria maior, e principalmente por esse motivo, e mais alguns leves detalhes estou tirando 1 coelho da perfeição que o filme é.

Leia Mais

As Panteras (Charlie Angels)

11/15/2019 02:30:00 AM |

Diria que sempre é bem interessante ver reboots, particularmente gosto bastante de ver reinvenções de filmes para tentar dar uma cara nova, e as vezes até ficar melhor que o original (claro que existem monstros sagrados que não se deve mexer, mas não vamos entrar em briga nesse momento, pois aqui não é o caso!), e ultimamente o pessoal tem brincado com essas possibilidades de reiniciar franquias usando como base alguns personagens antigos para meio que passar o bastão, e geralmente tem funcionado bem. Porém digo que aqui no novo "As Panteras" poderiam ter trabalhado um pouco mais nos diálogos e no carisma de alguns personagens para que a história funcionasse melhor, de modo que vemos um filme acontecer meio que correndo e jogando para tantos lados, com tantas reviravoltas e sacadas, que em determinado momento já nem sabemos para quem torcemos, fora o final que colocaram meio que vamos resolver assim e está certo acreditem e ponto final. Ou seja, não posso dizer que é um filme ruim, muito pelo contrário, tem boas cenas de ação, atrizes com ritmo bem colocado de atuações, mas parece que faltou um pouco de tudo para funcionar, de modo que sabe quando você come algo estranho que não consegue definir o que está faltando, e acaba falando que falta sal, daí você põe sal, daí acha que falta limão, vai e põe limão, daí falta pimenta, põe pimenta, no fim você já pôs de tudo e ainda parece que falta algo, essa é a definição do que ocorreu aqui, uma grande mistura que não atinge lado algum completamente.

O longa nos conta que Sabina Wilson e Jane Kano são duas Panteras que precisam deixar as diferenças de lado quando embarcam em uma aventura internacional junto à nova Bosley e com a cientista Elena Houghlin. Elas precisam impedir que um novo programa de energia se torne uma ameaça para a humanidade e descobrir quem está por trás de um plano tão maligno.

Quem me acompanha faz tempo já me viu escrever essa frase diversas vezes: "se você é um ator e vai dirigir um filme, faça apenas isso, atuar e dirigir nunca funciona!". Pode ser que isso role em algum filme, mas são raríssimos casos, e aqui possivelmente seja um dos problemas que Elizabeth Banks tenha sofrido em sua trama, pois ela já mostrou potencial de direção com "Escolha Perfeita 2", e é uma atriz bem bacana, mas querer ainda entrar no roteiro, e tudo mais, não rolou, e como disse no começo, ela misturou tantos estilos em seu filme que ficamos perdidos em alguns atos, e cansados em outros, de modo que sua câmera de ação é bem boa, ela soube ditar um ritmo coerente, trabalhou boas dinâmicas de todas as atrizes, e principalmente fez a trama entregar algo novo dentro de um conceito que já conhecíamos através de outros filmes e séries, mas o que ela não soube principalmente foi misturar os problemas e criar um desfecho mais coerente e interessante, parecendo que tinha de colocar aquilo lá de qualquer maneira, e essa falha pesou um pouco para não ser algo tão empolgante. E a partir dessa bagunça, dizer que vão continuar em cima desse novo molde é algo que até se perguntarem para a diretora, ela não saberá responder, pois não tem como acreditar em um futuro com o que foi mostrado.

Sobre as atuações, chega a ser até engraçado ver Kristen Stewart completamente diferente de tudo que já fez tanto de filmes ruins quanto bons, parecendo estar completamente livre para fazer o que desejar, dando um ar bem jovial (para não falar rebelde, maluco) para sua Sabina, de modo que consegue agradar com boas sacadas e dar um carisma bem bacana para a personagem, funcionando bastante. Ella Balinska trabalhou sua Jane de uma maneira bem imponente, de modo que com sua força e estilo de luta (sim, a jovem tem diploma de combate!) conseguiu encontrar dinâmica e mostrar muita técnica, o que fez dela quase uma lutadora nata na trama, e saindo batendo até na sombra de uma forma bem bacana, o que fez de sua Jane algo diferenciado na trama. Falando agora da atriz Elizabeth Banks, ela se controlou muito nos atos de sua Bosley (afinal como disse dirigir e atuar é algo que não funciona!), de modo que vemos cenas bem colocadas, mas nada que chamasse tanta atenção, e isso é ruim, pois a personagem poderia ter ido muito além, embora funcione de argumento de dúvida. Agora definitivamente Naomi Scott é uma atriz para filmes mais calmos como já vimos nesse ano mesmo em "Aladdin", pois lá ela colocou atitude na personalidade e carisma nos trejeitos, enquanto aqui precisou inverter e sair correndo e fazendo atos de impacto para sua Elena, de modo que parecia estar sem ar de tanto correr, e isso é estranho de ver, mesmo que tenha sido divertido pela personagem em si. Quanto dos homens do filme, diria que todos foram estranhos de ver, desde Patrick Stewart como um Bosley aposentado e meio que sem expressões, passando pelo queridinho da Netflix, Noah Centíneo como um personagem levemente jogado na trama com seu Langston, indo depois para Luis Gerardo Méndez com seu Santo cheio de graciosidades, até chegarmos nos imponentes Jonathan Tuker com o lutador assassino Hodak que praticamente não falou nada fazendo apenas muitas caras, bocas e socos, e finalizando com Sam Claflin como um Brock riquíssimo, ingênuo e bobo demais, ou seja, poderiam ter explorado um pouco mais cada um para o filme não ficar só nas dependências das garotas, além de outros que foram praticamente enfeites sem nada além.

No conceito cênico, a produção devia estar com o cartão estourado de milhas, pois a trama se passa em tantas cidades que se realmente gravaram as menores cenas em cada uma das locações foram extremamente corajosos, pois tem cenas em algumas cidades que não duram nem 3 minutos, ou seja, é um foco e já era, e mesmo passando por tantos lugares, o filme tem densidade cênica praticamente só em Istambul com a negociação numa pedreira, ou seja, poderia ser em qualquer cidade do planeta, e numa festa em uma mansão, ou seja, também caberia perfeitamente em qualquer lugar, mas ao menos tivemos bons figurinos, muitas cenas com carros correndo, e bons tiros, dando um certo luxo bem feito para a produção, mostrando que a equipe de arte viu os filmes anteriores e soube manter o estilo.

Agora sem dúvida um ponto altíssimo da trama ficou a cargo de ótimas canções, e de uma trilha orquestrada de primeira linha, que manteve o ritmo forte do começo ao fim, brincando com cada envolvimento e com cada situação, fazendo com que o público ficasse no clima, ou seja, vale dar uma conferida nas canções depois de ver o filme, e aqui deixo o link para isso.

Enfim, é um filme que passa bem longe de ser ruim, mas também não chega nem perto de ser algo que vamos lembrar daqui algum tempo, funcionando como um bom reboot deve ser, mas sem angariar louros para ter sequências, e sendo assim vale a conferida pela dinâmica apresentada numa tarde tranquila deitado no sofá, e nada mais. E eu fico por aqui também, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até amanhã.

Leia Mais

Netflix - O Homem Sem Gravidade (L'uomo Senza Gravitá) (The Man Without Gravity)

11/12/2019 10:34:00 PM |

Sinceramente não sei o que me atraiu para conferir hoje na Netflix um longa denominado "O Homem Sem Gravidade", pois não tinha uma sinopse intrigante, o pôster não era nada cativante, mas falei em minha mente: "faz tempo que não vejo um filme italiano, vamos ver no que dá!", e cá fui ver o filme, que até é relativamente curto com 107 minutos, mas conforme foi passando o tempo lembrei o motivo que reclamei quase todas as vezes que vi dramas italianos, pois possuem um tema interessante, mas ao desenvolver a história acabam se perdendo e entregando algo meio que sem muito nexo. E aqui infelizmente não foi diferente, pois temos quase 40 minutos do personagem como criança, sem muito desenvolvimento mostrando os perrengues da família em não deixar ele aparecer para as demais crianças, que até funcionam como uma apresentação bem trabalhada com rigores familiares, depois vamos para mais uns 30 minutos com o jovem já crescido como uma aberração circense usada por um empresário, mas que nada chega a fluir, para aí termos os últimos 37 minutos que poderiam fluir algo sobre o relacionamento dele, ou até mesmo algum tipo de reviravolta explicativa de sua doença, ou qualquer outra coisa melhor, mas não terminam com algo mais bobo e fraco possível. Ou seja, se a trama já vinha desandando no miolo, ao final conseguiu jogar tudo para os ares e não cativar como merecia, pois sim até tem a emoção romantizada e tudo mais, mas não atinge nenhum ápice, nenhuma explicação funcional, nada que fizesse por valer a trama, e assim, quem sabe algum dia a história caia nas mãos de algum americano ou inglês mais esperto e faça algo muito melhor, pois é uma trama que dá para ir além.

A sinopse é tão simples quanto o filme, e nos conta que uma criança que desafia a força da gravidade, e é criada isoladamente, torna-se um homem extraordinário e uma celebridade internacional, mas gostaria apenas de uma vida normal.

Em parte temos a explicação do filme não ir muito além, pois esse é o primeiro longa de ficção do diretor Marco Bonfanti após vários documentários, então fica claro que ele não soube ir muito além do desenrolar que seu filme necessitava, pois funcionaria muito bem se descobríssemos de onde veio "seu poder", se junto com sua paixão saíssem em busca de respostas, se fosse sim mais abusado talvez pelo empresário, mas não tudo soa vago de situações, apenas mostrando ele como uma aberração que foi escondida pela família, que não teve a infância nem a juventude como desejava, e que ao virar um anônimo completo reencontra o amor de uma forma inusitada, ou seja, daria para contar a história rapidamente em um curta de 20 minutos, o que também foi algo que o diretor fez muito antes de cair para um longa, ou seja, a famosa frase de encheu linguiça com algo que poderia ter ido muito além. Ou seja, não digo que seja um filme chato, que não convença da proposta, mas que por não ir além fica morno demais para agradar, e como costumo dizer, isso numa plataforma que você pode mudar de filme a hora que desejar é um prato cheio para o público não terminar de ver seu filme, ou seja, poderiam ter ido muito além.

Sobre as atuações, o filme possui um momento bem gracioso com as duas crianças no começo vividas por Pietro Pescara e Jennifer Brokshi, aonde os olhares e sentidos fazem belas harmonias, e até tendo bons momentos com a mãe e a avó vividas por Michela Cescon e Elena Cotta, porém no segundo ato, Michela já não entrega mais tantos olhares, e fica bem segundo plano, com aí entrando o protagonismo de Elio Germano como Oscar já adulto, e ele soube dominar bem os momentos, fazer bons trejeitos levemente apáticos e desanimados em relação ao que estava vivendo com seu agente David, vivido por Vincent Scarito, que também deu muita vivência para o seu personagem, e ao chegarmos no terceiro ato, a trama já estava levemente desconexa, mas parecia ter um rumo melhor com o novo visual do personagem, seus ensejos graciosos já com outro apelido, mas o ator não deslanchou, de modo que ao vermos Silvia D'Amico já temos a certeza do ato que iria desenrolar, e a atriz até trouxe algo mais trabalhado para a trama, porém o resultado desanda novamente, e assim sendo, não posso dizer que nenhum ator conseguiu chamar a responsabilidade cênica ou surpreender com algo na tela.

No conceito visual a trama foi singela, com a casa simples da família bem trabalhada para mostrar as facetas que a mãe e a avó arrumaram para o garotinho não se machucar ou voar demais pelas ruas, depois no segundo ato temos os shows com amarras e tudo mais que pudesse representar o uso do personagem como uma aberração, e já no terceiro ato vemos o uso de pequenos hotéis na Itália para a prostituição, com símbolos próprios bem moldados para que tudo fosse bem feito sem apelações, ou seja, nada que chamasse muita atenção sem ser claro os cabos para fazer o protagonista voar, aliás em determinada cena vemos o jovem usar um tipo de cadeirinha que ficou meio falso com a roupa, de modo que não se preocuparam muito, afinal é um longa de baixo orçamento, e isso é bem sentido no geral do filme.

Enfim, a ideia geral da trama é boa, seu desenvolvimento não foi muito além, mas também não é uma bomba imensa, de modo que dá para curtir alguns momentos sem muita reclamação, porém o fechamento desanda de tal forma que desanima demais, e assim sendo, certamente diria que tem muita coisa melhor na Netflix para conferir. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

Netflix - O Rei (The King)

11/12/2019 01:19:00 AM |

O longa "O Rei" que a Netflix colocou em seu catálogo de produções originais é nada mais que um clássico filme de batalha épica que entrega uma história bem densa, atuações impecáveis, que possui estilo, figurinos fortes, e que certamente mereceria passar nos cinemas ao invés de ser lançado diretamente no streaming, porém seu ritmo lento certamente deve ter pesado para os produtores venderem ele mais facilmente para as exibidoras, e o resultado está aí, Netflix comprou os direitos, e certamente deve jogar o filme em diversas premiações, afinal a trama é muito boa, e a densidade histórica é na medida certa que um longa do estilo deve ter, de modo que mesmo não conhecendo muito da história dessa época, vemos bons momentos, situações fortes bem encenadas, e principalmente o tradicional jogo de interesses que esses filmes sempre nos mostram, trabalhando com minúcias técnicas, e envolvendo com toda a tensão proposta. Ou seja, um filme com todas as características clássicas que o gênero pede, que funciona dentro do que desejavam entregar, e que se tivessem conseguido criar um ritmo com uma cadência melhor certamente seria daqueles longas que iríamos vibrar muito, e já poderia abrir as prateleiras para muitos prêmios, pois seria perfeito.

A sinopse nos conta que descontente com a realeza, o príncipe herdeiro Hal decide viver entre os plebeus. Mas, com a morte de seu pai tirano e coroado Rei Henrique V da Inglaterra, ele é forçado a retornar para o mundo que havia deixado para trás. Agora, o jovem rei precisará lidar com as pressões políticas e o legado de guerra deixado por seu pai ao mesmo tempo em que enfrenta suas próprias questões emocionais, como a relação com seu amigo e mentor, o cavaleiro alcoólatra John Falstaff.

É interessante ver tanto o trabalho de pesquisa de Joel Edgerton para escrever o texto bem criativo, com muitas nuances reais do período (pelo pouco que pesquisei sobre os personagens reais), como a desenvoltura que o diretor David Michôd encontrou para que seu filme ficasse bem trabalhado com muitas virtudes, encontrasse nas formas da estrutura toda a temática medieval, e ainda brincasse bastante com o tema de intrigas na monarquia, as famosas sucessões, e ainda ousasse mais nas rixas entre os príncipes, pois geralmente vemos a estrutura mais em cima dos reis batalhando, mas como bem sabemos a maioria já era bem velho e não iam muito para os campos de batalha, e aqui a trama mostrou bem isso, com os generais, a igreja e até mesmo os conselhos opinando bem na cabeça dos jovens reis/príncipes para que as intrigas funcionassem e criassem batalhas. Ou seja, a dupla Edgerton/Michôd foi bem coesa na estrutura que desenvolveram, de modo que o filme em si é uma grandiosa produção digna de telas bem grandes, com uma história bem pautada, atuações fortes, e batalhas bem imponentes, só pecando um pouco em ritmo, aliás se olharmos a filmografia de ambos veremos filmes que pecam sempre nesse quesito, ou seja, é uma falha costumeira deles, e sendo assim, para quem não for muito acostumado com o estilo é capaz de cansar antes da metade dos longos 140 minutos de duração da trama, e nem chegar ao final, o que é ruim de acontecer em um filme, mas como foi lançado direto para streaming, essa possibilidade existe demais, ou seja, poderiam ter melhorado mais a dinâmica de algumas cenas (pois não vejo quase nenhuma que desse para ser eliminada!) para que o filme empolgasse mais nas batalhas, e assim o resultado pegasse mais a fundo.

Sobre as atuações, é fato que Timothée Chalamet possui um estilo forte de atuação e sabe chamar a responsabilidade cênica para si na maioria dos papéis que faz, de modo que seu Hal é imponente, consegue dominar cada ato, e principalmente movimenta a história com suas dúvidas e olhares meio que fora de eixo, mas se eu fosse seu diretor por um dia, colocaria um aparelho de choque nele, pois em todos os filmes que faz parece estar com sono, sem ritmo, e isso é algo que se ele melhorasse só um pouco já seria incrível de ver, ou seja, ele vai melhorar ainda muito, mas já tem potencial demais, e aqui ele mostrou que como grande protagonista de um filme de grandes proporções ele sabe dominar e chamar a atenção para si, ou seja, vai explodir ainda mais. Sean Harris conseguiu ficar tão diferente no longa com seu William que ficamos até espantados ao vê-lo velho e meio que de lado como um conselheiro imponente e cheio de indagações, de modo que agrada bastante com o que faz, e facilmente intriga o público, mostrando uma boa faceta de desvios de trejeitos, o que agrada bastante até o final da trama. O próprio roteirista Joel Edgerton conseguiu entregar uma personalidade bem gostosa de ver com seu John, brincando bastante em cena com trejeitos levemente engraçados, mas muito bem pontuados dentro da personalidade que o filme pedia, ou seja, chama a atenção. Robert Pattinson ficou levemente caricato com seu Delfin, de forma que seus trejeitos soaram meio estranhos de ver, mas com muita imponência chama a responsabilidade para suas cenas e desenvolve bons momentos na trama. Quanto aos demais, diria que chega a ser difícil destacar poucos personagens, pois todos os atores saíram muito bem em suas cenas, encaixando bons elos com os protagonistas, chamando a atenção sem desviar o foco, e principalmente conseguindo entregar seus personagens com algo uma história rápida bem passada, de modo que vemos um Ben Mendelsohn marcante como Henrique IV, vemos Lily Rose-Depp marcante mesmo aparecendo pouco com sua Catarina, temos no começo Dean-Charles Chapman e Tom Glynn-Carney como dois jovens de muita força e personalidade vivendo os príncipes Thomas e Hotspur, ou seja, um elenco muito bem coeso para uma trama forte.

Filmes de época medieval sempre entregam figurinos e cenários incríveis, de modo que sempre ficamos nos perguntando onde foram filmados, como conseguiram tantos apetrechos, e o brilho no nosso olhar só flutua na tela com tantas coisas para serem olhadas, tantos detalhes nas roupas, nas armas e armaduras, nas máquinas de guerra, cavalos, castelos, e tudo mais que certamente faz a equipe de arte remover cada fio de cabelo pensando aonde mais pode explorar para que o filme fique incrível, e aqui sem tirar nem pôr, temos detalhes por todos os lados, que juntamente com uma fotografia densa bem puxada para o cinza, brincando muito com o barro nas cenas finais, e entregando ambientes precisos juntamente com uma iluminação forte, aonde mesmo nas cenas mais escuras conseguiram abrilhantar, o resultado é um só, um show cenográfico da melhor estirpe possível.

Enfim, é um filme incrível, cheio de nuances, com uma pegada épica de primeira linha, que conta também com uma trilha sonora orquestrada imponente e deliciosa de acompanhar, que volto a frisar, só não é melhor pela lentidão cênica que a trama nos é apresentada, faltando um ritmo melhor para fazer com que o público se envolvesse sem precisar dormir (pois conheço muitos que irão dormir assistindo, outros vão mudar de filme, e alguns vão parar e ver em pequenos pedaços para tentar conseguir ver inteiro, afinal a Netflix dá essa possibilidade), ou seja, é uma trama precisa de detalhes, que mistura bem a ficção com o realismo que foi a época, e que certamente chamará a atenção em algumas premiações, afinal tem estilo para isso. Sendo assim, recomendo o longa para todos, e fico por aqui hoje, afinal esse foi bem longo, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até lá.

Leia Mais

Link Perdido (Missing Link)

11/10/2019 11:38:00 PM |

Confesso que sou um grande admirador de animações que usam a técnica de stop-motion (ou as famosas massinhas como muitos preferem chamar!), pois é tanto trabalho para que um filme saia do roteiro e vire o que vemos na telona, que temos de apreciar com tanto gosto tudo, mesmo que não seja a trama mais empolgante do mundo. E claro que sabemos que uma das maiores empresas do estilo é a Laika, que sempre entrega filmes com temas bem diversificados, que brincam com a essência geral, e procuram entregar lições morais bem pautadas em seus filmes, ou seja, ver o longa "Link Perdido" é ir muito além da simples história de um aventureiro em busca de encontrar seu monstro para destaque nas capas de jornais, mas sim uma aventura por tantos belos cenários, que construídos um a um, vai nos passando a certeza de que uma equipe imensa soube tirar expressões felizes dos personagens, brincando com uma ideia muito maior e árdua, ou seja, um filme simples de ideia, mas que envolve e soa gracioso pelas boas sacadas, e mesmo não sendo algo incrível de acompanhar, agrada pelo feitio em si.

O longa nos conta que Sir Lionel Frost se considera o melhor investigador de mitos e monstros do mundo. O problema é que nenhum dos seus colegas o leva a sério. Sua última chance para ganhar seu respeito é provar a existência de um ancestral primitivo do homem, conhecido como o link perdido.

Após ter feito um terror em formato de animação em sua estreia ("Paranorman"), o diretor Chris Butler agora vem com uma aventura levemente pautada em nuances mais duras, com algumas severas críticas no miolo, mas nada que seja assustador para as crianças que forem conferir, e claro que ainda usando da técnica de stop-motion, ele soube brincar com os elementos disponíveis, criando vários tipos de movimentos que dificilmente veríamos na técnica, e ousando bastante na história, para que tivéssemos uma trama cheia de momentos descontraídos, e bem ricos de ambientes, afinal uma animação tem de prezar por estilo e classe além de uma boa história, e aqui optou pelo ambiente em si, pelos personagens mais imponentes, e deixou de lado a criatividade e o carisma, de modo que se pararmos para analisar, nesses dois últimos anos já tivemos duas outras histórias sobre o pé grande ("PéPequeno" e "Abominável"), ou seja, está na moda criar em cima desses bichões que tanto intrigam o imaginário humano, e dessa forma o que vemos aqui é algo mais próprio de um Sherlock Holmes, que pode vir a ter continuações investigativas bem bacanas com o personagem grandalhão e o misterioso investigador de mitos. Ou seja, ele meio que fez uma história simples e bem desenhada, que pode ser a abertura de uma franquia, mas que por ser estranho demais, aparentemente não pegou, já que ao menos por aqui a sala estava levemente vazia de espectadores, veremos mais pra frente o que vai rolar.

Sobre os personagens e a dublagem, conseguiram colocar boas piadas interessantes no miolo, fazendo com que tanto Lionel Frost quanto Link fossem bem bacanas e interessantes de acompanhar durante a aventura toda, exageraram um pouco nos trejeitos do bichão falando meio com um estilo meio bobo, mas que por ser dublado por Zach Galifianakis no original também não deve ser algo tão comum, então foram bem, e Frost teve uma boa imponência de voz também na versão nacional, criando um carisma meio bruto, o que é bacana de ver. Adelina, a personagem feminina da trama tem ares fortes, e não entrega a mocinha casual de uma animação, o que é bem bacana de ver para dar o ar tradicional de mulher indefesa, e seu estilo mesmo rebuscado acaba agradando bastante. Não diria que os vilões sejam exagerados, mas foram fortes de ações, e isso fez com que o filme ficasse levemente tenso, mas ao menos não assustará tanto os pequeninos, mesmo que o rumo da história seja meio que mudado próximo ao final com uma escolha levemente tensa.

E claro que falando em texturas, por estarmos falando de massinhas, não vamos ver nada surpreendente, mas souberam desenhar cenários bem amplos, personagens com leveza nos movimentos, e cores bem colocadas embora de forma estranha, pois ainda não me senti a vontade com os narizes dos personagens parecendo meio que fora de linhas, mas acredito que tenha sido proposital por algum motivo não explicado na trama, ou seja, é um filme bem feito no conceito visual, com muitos desenvolvimentos de ação, bons personagens figurativos, e uma cadeia de situações bem proposital que deve ter dado um trabalho imenso para todos os frames, e quem conferir o trabalho da empresa Laika no youtube verá o imenso trabalho que dá para fazer pouquíssimas cenas, ou seja, um filme que envolve sem ser muito elaborado.

Enfim, não posso dizer que esperava muito do filme, pois estaria mentindo, afinal fui conferir ele já imaginando algo simples de essência, mas bem elaborado, e foi exatamente o que me foi entregue, então apenas recomendo ele para quem gosta do estilo stop-motion para se agradar com a técnica, afinal o filme não convence como uma animação familiar divertida, nem como algo mais pesado para adultos como foi o longa anterior do diretor, e sendo assim, o resultado agrada, mas não atinge nada que vá muito além de uma conferida apenas. Bem é isso pessoal, encerro aqui as estreias do cinema dessa semana, mas volto em breve com textos do streaming, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

Bate Coração

11/10/2019 05:39:00 PM |

É engraçado vermos como somos preconceituosos por natureza, pois ao ver o trailer de "Bate Coração" já pré-induzi que veria uma tremenda bomba no cinema, e felizmente o resultado surpreende por conseguir trabalhar um elo maior envolvendo doação de órgãos, quebra de paradigmas, e principalmente por ser um filme colorido e leve de acompanhar, que mesmo tendo certos exageros souberam dosar o estilo e fugir bem de clichês moldados, de forma que agrada de uma forma simples e bem feita dentro do que se propuseram a entregar.

O longa nos conta que Sandro é um homem conquistador e preconceituoso, acostumado a uma vida de luxo. Quando sofre um ataque cardíaco, precisa urgentemente de um coração novo, e recebe o transplante da travesti Isadora, recém-falecida devido a um acidente. Enquanto se recupera e tenta conquistar a médica que realizou a cirurgia, Sandro precisa repensar o seu preconceito.

O diretor e roteirista Glauber Filho que conhecemos bem pelos filmes espíritas "As Mães de Chico Xavier" e "Bezerra de Menezes", não fugiu de suas origens e aqui entregou uma trama tendo o mesmo propósito, porém de uma maneira mais divertida e bem colocada, aonde pode trabalhar mais vértices, e modo que seu filme acaba tendo um tom bacana ao mostrar que a vida não acaba ao irmos para o caixão, e que podemos fazer algo a mais com nosso corpo físico doando órgãos. Ou seja, ele conseguiu aliar b seu estilo, trabalhando a proposta com cores, com classe, sem precisar apelar para efeitos de luz, e que brincando com cada elo da trama pudesse mostrar simplicidade de atos com uma câmera simples e bem trabalhada, ou seja, seu filme não tem uma robustez em cima de nenhum dos temas, mas também não falha com nenhum deles, de modo que emociona nós atos que precisa, e diverte sem forçar a barra em outros. Claro que alguns personagens soaram bobos e desnecessários, alguns diálogos ficaram exagerados e jogados, mas o resultado final acaba funcionando, e isso é o que importa.

E já que comecei a falar dos personagens, posso dizer que a forma doce e bem colocada que Aramis Trindade encontrou para fazer sua Isadora de uma maneira coerente e honesta, sem apelações drags (que até poderiam ter sido usadas), foi tão bem que não tem como não ficar feliz em ver o que faz em cena, e dessa forma o acerto foi muito bem feito. Embora exagere de trejeitos, André Bankoff também soube dar para seu Sandro um estilo mulherengo, algumas forçadas de barra, mas que com olhares soube trazer o personagem para si e agradar com o final que era esperado, ou seja, não decepcionou. Germana Guilheme também foi bem doce com sua Vera, exagerando um pouco demais na emoção, mas sendo agradável na maioria dos atos. Daniel Dias apareceu pouco com seu Otto/Olegario, mas foi bem didático dentro do tema. E dentre os demais vale apenas um leve destaque para Breno Leonne com seu Davi bem singelo e para o exagerado amigo mulherengo Igor vivido por Paulo Verlings, pois os demais apenas exageraram em estilos e por pouco não desandaram a trama.

No conceito visual a trama não chama quase atenção alguma, vivendo com poucos ambientes chamativos, tendo um hospital sem muitos detalhes (que ao menos tem cenas de transplantes sendo mostradas), um apartamento bem bagunçado, uma agência de publicidade bem montada, e um salão de cabeleireiro simples, além de uma boate simples no final, mas nada de muito além.

Enfim, um filme simples e bem feito, que agrada por não exagerar, além de passar boas mensagens, de modo que agrada ao surpreender sem forçar a barra. Ou seja, podem tirar os preconceitos da mente e ir conferir nos cinemas, pois vai agradar. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos.

Leia Mais

Cadê Você, Bernadette? (Where'd You Go, Bernadette?)

11/10/2019 01:34:00 AM |

Atualmente vemos muito isso de grandes gênios em determinada área pararem de fazer o que fazem bem por diversos motivos, e entrarem em depressão, mudarem a forma de viver, se estressar facilmente, e geralmente se isolarem do mundo comum, de forma que vivem reclusos em suas conchas e geralmente acabam tendo diversos outros problemas, mas como seria retratar isso? A ideia base que acabamos entendendo em "Cadê Você, Bernadette?" é mais ou menos essa, que muitos até enxergarão de outra maneira, e por isso talvez o filme não empolgue tantas pessoas, mas quem captar essa ideia, rir de tudo o que ocorre, e até se enxergar dentro do mundinho de Bernadette, certamente irá se apaixonar pelo trabalho que o diretor Richard Linklater e a atriz Cate Blanchett nos entregaram nessa obra incrível e gostosa de conferir, vivenciando muito desse mundo atual que muitos se isolam da vida social, que só de pensar em estar junto com mais do que 3 pessoas já bate um desespero, e claro que com muitas loucuras, conseguiram trabalhar o filme de uma maneira icônica, bem colocada, e cheia de ótimas sacadas. Ou seja, um filme simples, porém muito bem executado, com uma mensagem de fundo bem cheia de estilo, que vai agradar alguns muitos, e outros que não se enxergarem ali talvez irão odiar, e assim sendo o resultado fica bem longe de um filme mais amplo, mas que funciona ao menos de uma forma diferente.

O longa nos faz a seguinte indagação: Quem nunca sentiu vontade ligar o modo avião e sumir do mapa? Quando a vida de Bernadette começou a parecer sem rumo, ela resolveu fugir da sua zona de conforto e desaparecer misteriosamente, deixando tudo para trás. Agora Bee, sua filha, precisará juntar todas as pistas para descobrir onde foi parar essa mulher que imaginava conhecer tão bem, mas que se transformou em um verdadeiro ponto de interrogação.

O estilo do diretor Richard Linklater é daqueles que ficamos pensando no que ele pode surpreender fazendo algo completamente maluco, de forma que sempre seus temas envolvem polêmicas estranhas, mas sempre sem abusar, e assim seus filmes acabam sempre floreados de uma maneira gostosa de conferir, e aqui com um roteiro bem trabalhado em cima de um livro que fez muito sucesso, foi como brincar com o tema, trabalhando vértices mais dinâmicos com as loucuras da protagonista, ousando colocar alguns videos fora do eixo no miolo, e sabendo encontrar a polêmica para emocionar nos atos certos, ou seja, o diretor não quis fazer um filme icônico, mas sim trabalhar o tema apontando levemente o dedo para as feridas, e deixando que o andamento fosse resultando no que desejava ver, e acabou dando certo, pois muitos irão se enxergar em Bernadette, mas outros apenas a verão como uma doida sem noção que o diretor não sabia o que fazer com ela, e dificilmente você verá outro tipo de opinião sobre o longa sem ser essas duas pontas.

Sobre as atuações é fácil se apegar ao papel de Cate Blanchett, pois inicialmente achamos meio estranho suas ideias, fobias e estilos, depois quando ela vê a história de sua Bernadette sendo contada em vídeo já ficamos levemente intrigados, para somente entendê-la completamente quando sua filha termina de ver o vídeo, e também vemos sua reunião com o grande amigo, de forma que a personagem vai sendo construída em nossa cabeça durante todo o filme, e só ao final conseguimos expressar toda nossa emoção em ver seus trejeitos bem conectados, ou seja, a atriz foi muito incrível no papel, conseguindo expressar sentimentos fortes de uma maneira maluca que ficasse coesa com o fechamento, mas sem deixar se afetar se estava estranho demais no começo, e isso são poucos os que conseguem. Emma Nelson entrega uma Bee gostosinha de ouvir, com um tom bem colocado, mas exageraram um pouco demais em suas narrações, de modo que seria melhor ver a jovem fazendo suas atitudes, ou talvez escrevendo um diário ou algo parecido para retratar a ideia toda, do que apenas usarem sua voz para contar tudo, o que ficou um pouco cansativo, mas felizmente o restante se sobrepôs, e salva. Não consigo me acostumar com as expressões de Billy Crudup, de modo que parece sempre um vilão, ou um personagem que vai ferrar com toda a história ou mais, e aqui seu Elgie é meio forçado, parecendo ser um grande membro da Microsoft, depois um alguém meio perdido de atitudes, e por fim alguém meio carinhoso, e isso fazendo as mesmas caras sempre, ou seja, poderia ter sido melhor. Quanto os demais, diria que só vale destacar mesmo as tradicionais brigas de vizinhos, que aqui ficou muito bem feito por Kristen Wiig com sua Audrey, mas que nada mostra muita interpretação, só valendo a personagem mesmo, Zoe Chao fazendo a tradicional assistente que mais atrapalha do que ajuda a família, e Laurence Fishburne com seu Paul apenas servindo de psicólogo e amigo na hora mais precisa, mas sem muito o que apresentar, ou seja, um elenco de apoio famoso demais que nem necessitaria, mas foram usados ao menos.

É até engraçado ficar pensando no visual da trama se temos uma famosa arquiteta em cena, pois ficamos esperando ver ambientes revolucionários e tudo mais, mas não, vemos o que a depressão faz com uma pessoa, com uma casa caindo aos pedaços (e olha que o protagonista é um dos diretores da Microsoft - ficou meio sem nexo!!), com amoreiras invadindo a casa, goteiras para todos os lados, e muita coisa estranha no primeiro ato, daí o segundo já somos surpreendidos com o lance da Manjula bizarra, com as apresentações bonitinhas, a sujeira cênica, e todo o conhecimento em cima de quem foi a protagonista com ambientes mais propícios para a trama, e ao entrarmos no terceiro ato temos a beleza da Antártica com seus brancos de paz, seus cruzeiros malucos, e claro o bom fechamento com tudo sendo bem colocado para termos os créditos bem feitinhos, ou seja, a equipe de arte foi tão maluca quanto a protagonista, e o resultado diverte ao menos.

Enfim, é um filme bem interessante, com uma proposta ousada de estilo, que como disse no começo, alguns irão amar por se conectarem bem à protagonista, e outros irão odiar pela bagunça que o filme entrega, mas que de uma forma bem gostosa, o resultado geral acaba impressionando pela formatação que o diretor quis, pois não segue o tradicional, e ainda lança problemas no miolo, o que faz dele um filme diferenciado. Talvez em um formato linear e casual o filme impactasse mais a todos, mas da forma que foi feito é aberto demais à discussões e envolvimentos, e com isso, se preparem para ver muitas críticas mistas, mas como me conectei demais em Bernadette, e me vejo um pouco com sua ideologia de vida, adorei o longa e recomendo ele. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

Parasita (기생충) (Gisaengchung) (Parasite)

11/09/2019 02:33:00 AM |

Sabe aqueles filmes que seu queixo não para de cair de tanta sacada em cima de sacada, aonde você acha que tudo pode ficar muito louco e dar errado, e consegue ficar tudo ainda pior do que você imaginava, numa loucura completa que surpreende, faz você torcer por alguém e que ao mesmo tempo pira nas reviravoltas inimagináveis? Pois bem, a partir de hoje o filme que fizer tudo isso você pode chamar de "Parasita", pois essa certamente é a melhor definição para esse filme sul-coreano incrível, que não tem como não se surpreender a cada ato, fazendo dele não só candidato a diversos prêmios de filme internacional/estrangeiro, mas em muitas categorias possíveis, pois é daqueles filmes que funcionam bem comercialmente, tem estilo artístico e passa mensagens fortes para todos os lados, sendo completo de essência, forte de atuações, com um roteiro preciso e bem trabalhado para que as reviravoltas não criem furos, sendo um acerto em cima do outro, e de uma forma tão engraçada, que você passa a conversar com os personagens, ou seja, nos vemos reclamando com os doidos para conseguirem se safar, e isso é genial.

O longa nos mostra que toda a família de Ki-taek está desempregada, vivendo num porão sujo e apertado. Uma obra do acaso faz com que o filho adolescente da família comece a dar aulas de inglês à garota de uma família rica. Fascinados com a vida luxuosa destas pessoas, pai, mãe, filho e filha bolam um plano para se infiltrarem também na família burguesa, um a um. No entanto, os segredos e mentiras necessários à ascensão social custarão caro a todos.

É muito interessante ver o estilo do diretor Joon-ho Bong, pois sempre consegue pegar histórias contundentes e transformar elas em filmes ainda mais envolventes para que ninguém procure furos, mas sim se divirta e entre em diversas contradições com o certo e o errado, fazendo com que cada momento em seus filmes sejam únicos, que cada envolvimento fique maior e tudo mais role num clima incrivelmente forte para mudanças, foi assim com o excelente "Expresso do Amanhã", que raspou a trave de eu dar uma nota máxima, e aqui ele foi muito além, não brincando tanto com a ficção que fez sucesso em seus últimos filmes, mas indo para o lado mais cru da sociedade, daqueles que não tem medo de um golpe bem dado para se dar bem, criticando as hierarquias, as diversas classes sociais, e trabalhando com muita simbologia para que cada ato fosse incrementando o próximo, num ritmo tão bem moldado que  chega a parecer que estamos vendo até mais do que um filme só na telona, e o melhor, sem cansar nada, divertindo, sendo criativo, trabalhando a tensão, e principalmente, sendo violento na medida certa para realçar que o mundo não é um mar de rosas, ou seja, perfeito na história, perfeito na direção, perfeito em tudo.

É engraçado ver como aqui os atores também tiveram uma precisão incrível de desenvoltura, parecendo estarem soltos para criação, trabalhando expressividades bem caricatas e precisas, de modo que se encaixaram perfeitamente em cada ato, fazendo com que o filme tivesse um volume maior. E dessa forma Kang-ho Song entrega para o seu Ki-taek algo duro de ver sua liberdade jogada para diversos lados, e ouvir certos atos chegaram duros demais para ele, de forma que vemos em seus olhares a mudança nítida de amor para desconfiança, para em seguida se tornar um ódio bem trabalhado, ou seja, ele consegue acertar oscilando, algo que é raríssimo de ver. Já Woo-sik Choi deu para seu Ki-woo (ou Kevin) um ar de enganador tão perfeito que ficamos extremamente intrigados como irá fazer seu plano andar, e ele faz com uma astúcia única de estilo, trejeitos e muitas boas sacadas, que junto de So-dam Park com sua Ki-jung (ou Jéssica) com um brilhantismo irônico e cínico nos olhares, o resultado da dupla foi muito bem sacado, e o resultado incrível de ver. Hye-jin Jang trabalhou sua Chung-sook bem centrada, cheia de estilos, e realmente se compararmos as cenas, no momento em que Jeong-eun Lee se coloca como sua irmã, mais pela classe social do que realmente algo consanguíneo, vemos muitas semelhanças de estilos de interpretação, o que é bem bacana de ver. Pelo lado da família Park, o bacana de ver é o ar de rico de todos, que chega a ser algo que vemos em qualquer país, e aqui na trama foi algo bem nítido de ver a forma esnobe que mesmo eles transparecendo simpatia, mantinham dentro de si, e todos os atores entregaram isso com muita sabedoria, desde Sun-kyun Lee como o pai, passando pelos dois filhos meio estranhos vividos por Joi-so Jung e Hyun-jun Jung, até chegar na caricata e madame ao extremo Yeo-jeong Jo. E para finalizar, sem dar spoiler, a loucura de Seo-joon Park com seu Min ao final é algo inesperado de ver, mas loucamente bizarro e incrível, ou seja, o ator deu show.

Agora no conceito cênico sei que muitos irão amar a arquitetura da casa dos ricos, outros irão se envolver com o porão da família pobre, alguns irão se surpreender com o bunker, mas sem dúvida alguma todos irão se emocionar com a cena da chuva no bairro pobre, que muitos vão falar como gravaram isso, esperaram chover uma tremenda tempestade para conseguir o resultado? E a resposta é não, construíram praticamente um bairro inteiro, com escadarias cenográficas, diversas estruturas e casas próximas, para o resultado ficar incrivelmente perfeito, ou seja, algo que merece e muito ser mencionado em todas as premiações de arte também, pois o filme tem elementos cênicos perfeitos, e ambientes tão bem montados que chega a ser difícil não se imaginar no meio de todo o conflito dramático da trama. E além disso souberam trabalhar tons para cada momento, com muitas cores para os atos coloridos, tons sujos para representar o ar da favela ou dos mais simples, cores brilhantes para os ricos, e densidades escuras para os atos mais tensos, inclusive indo para algo bem amarelado estranho para os atos de conflito, o que é algo bem incomum, mas que funcionou muito, ou seja, um estudo de cena completo.

Enfim, é um filmaço que muitos vão colocar ele como sendo apenas artístico por estar estourando em festivais mundo afora, pelos críticos terem se apaixonado por tudo que a trama permeia, mas ele é incrivelmente comercial, funcionando para divertir, para entregar motes morais, e principalmente serve também para muitas discussões, ou seja, é perfeito e certamente quem for conferir irá gostar muito do resultado final, valendo a recomendação para todos. Ou seja, se em sua cidade estiver passando o longa vá conferir rapidamente, pois pode ser que saia de cartaz muito rápido também, afinal um filme sul-coreano ser mantido por muitas semanas no interior é algo que nem com muito milagre dá para acreditar. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

Doutor Sono (Doctor Sleep)

11/08/2019 01:29:00 AM |

Um filme tenso de ideias e sentimentos! Essa pode ser a melhor definição para "Doutor Sono" que ao manter a mesma essência como continuação do clássico dos anos 80, "O Iluminado", também entrega uma proposta bem nova em relação à luz, vapor, brilho ou outros nomes que podemos dar para os protagonistas, e aqui usando bem mais dessa formatação com os devoradores de iluminados buscando pela fonte dos poderes dos jovens, que com muita tensão conseguem nos aterrorizar também pelos atos fortes, pelas mortes bem mostradas, e principalmente pela conexão e forma de fuga tão bem colocada, posso dizer que senti muito mais medo vendo essa trama do que o clássico original, e que aqui sim podemos ver o estilo Stephen King com muita precisão, fazendo com que o envolvimento surpreenda demais. Ou seja, um filme de terror/suspense de primeira linha, que trabalha cada ato com princípios bem densos, e que faz com que a junção dos elementos do filme antigo, com a nova proposta do dom com algo a mais, fizesse tudo funcionar com um primor incrível que muitos irão pensar demais na formatação entregue, e talvez até torcer por mais uma continuação.

Ainda extremamente marcado pelo trauma que sofreu quando criança no Hotel Overlook, Dan Torrance lutou para encontrar o mínimo de paz. Essa paz é destruída quando ele encontra Abra, uma adolescente corajosa com um dom extra-sensorial, conhecido como Brilho. Ao reconhecer instintivamente que Dan compartilha seu poder, Abra o procura, desesperada para que ele a ajude contra a impiedosa Rose Cartola e seus seguidores do grupo Verdadeiro Nó, que se alimentam do Brilho de inocentes visando a imortalidade. Ao formarem uma improvável aliança, Dan e Abra se envolvem em uma brutal batalha de vida ou morte com Rose. A inocência de Abra e a maneira destemida que ela abraça seu Brilho fazem com que Dan use seus próprios poderes como nunca, enquanto enfrenta seus medos e desperta os fantasmas do passado.

É muito interessante observarmos no trabalho do diretor e roteirista Mike Flanagan que ele não quis deixar a trama subjetiva demais como foi o filme original, pois em "O Iluminado" tudo acontecia ao redor do garotinho, mas praticamente seu brilho não era tão colocado em pauta, e basicamente o problema estava no hotel, e tínhamos de ficar pensando e elaborando teorias aos milhares para cada ato, enquanto aqui Flanagan pegou o livro de Stephen King e abriu em síntese cada momento, explicando ato a ato, e principalmente dando a sua opinião sobre cada movimento, fazendo com que os personagens tivessem importância, o brilho tivesse importância, e principalmente que o terror ficasse marcado nos atos, que assustássemos com movimentos bruscos, com os sons fortes e trilhas que vimos no original, com cenas clássicas para serem lembradas e executadas, mas que nada ficasse em aberto (ou melhor, o que ficasse em aberto poderia até se verter num terceiro filme, caso queiram!), e dessa forma acabamos ficando tensos de verdade com tudo e com a mente bem aberta para as diversas possibilidades, o que foi um acerto imenso de conferir e ver seu trabalho.

Sobre as atuações, tenho que primeiramente falar dos protagonistas que foram muito bem em cena, começando claro pela ótima Kyliegh Curran com sua Abra cheia de olhares, com imponência nas atitudes e diálogos, de modo que não conhecia a jovem e posso dizer que tem futuro, pois conseguiu segurar um papel de destaque com uma boa postura. Ewan McGregor é daqueles atores que sabem fazer bem certos tipos de personagens, e aqui seu Dan oscila muito no papel, com cenas mais fortes bem executadas, e outras mais calmas que ele deixa a desejar um pouco, mas diria que ele caiu bem para a personalidade mais densa que o papel pedia, e sendo assim não desapontou. Agora quem também chamou muita atenção foi Rebecca Ferguson com sua incrível Rose (que deve ressuscitar a moda de lentes diferentes!) que impressiona pela precisão nos diálogos, sendo direta ao ponto, e criando cada olhar forte para os demais que chegamos a ficar com medo dela aparecer no cinema ou enquanto estivermos dormindo, ou seja, dá pra ter pesadelos com os personagens do filme bem facilmente. Quanto aos demais personagens, temos dois lados muito bem colocados, primeiro os novos personagens que agradaram muito, vividos por Cliff Curtis com seu Billy incrivelmente amigável, Zahn McClarnon com seu Corvo cheio de olhares voados, Emily Alyn Lind com sua Cascavel Andi e Carel Struycken com um bom Vovô Flick, de forma que agradam em suas cenas sejam elas bem feitas pelos atores ou pelas computações que lhe envolveram, mas por outro lado, ver os personagens antigos vividos por novos atores foi algo risível para não falar coisa pior, com Alex Essoe tentando fazer uma Wendy que no primeiro filme ficamos com toda vontade de dar uma machadada na cabeça de tantas caras e bocas que Shelley Duvall fez, e aqui ficou simples e inexpressiva, depois um garotinho completamente diferente vivido aqui por Roger Dale Floyd para parecer com o Danny original de maneira bem falsa, porém felizmente Carl Lumbly honrou Scatman Crothers, fazendo um Halloran muito semelhante, e interessantíssimo, ou seja, tivemos um elenco bagunçado de expressões e personagens.

No conceito visual, souberam acertar muito bem o tom das cenas, com locações escuras bem encontradas desde o apartamento do protagonista, passando pelo quarto da garotinha, até chegar no excelente acampamento dos vilões, que cheios de personalidade ainda passearam por cinemas, por trailers, campos e muito mais para compor cara momento de tensão, lembrando muitos filmes de assassinatos, e o melhor, fazendo cada morte ser mais tensa que a outra, trabalhando cenografia e computação na medida para que tudo fosse bem forte, com cortes imponentes, muito sangue em momentos corretíssimos, e um acerto incrível de ver, ou seja, tudo bem detalhado, luzes acendendo perfeitamente numa sincronia entre iluminação e som no hotel, e claro um jogo completo entre filme antigo e novo nas cenas exatas para que tudo ficasse perfeito. Disse que tivemos muitas locações escuras, porém a equipe de fotografia usou e muito de luzes falsas para que o filme fosse muito bem visto em qualquer sala, não tendo sequer uma cena tradicional de pegar desprevenido o público por ter escuridão demais, muito pelo contrário, pulamos da poltrona em cenas bem claras, e isso é fantástico.

O longa contou com diversas canções clássicas do filme original, trabalhou muito bem a sonoridade de tensão para envolver na trama, e principalmente brincou demais com ruídos, algo que andava faltando muto nos filmes de terror da atualidade, ou seja, um brilhantismo técnico perfeito.

Enfim, é um filme incrível que vale demais a conferida, que me envolveu demais, me emocionou em diversos atos por lembrar o original e me conectar com cada momento, e que claro recomendo muito que todos vejam primeiro "O Iluminado" para lembrar de muitos detalhes, e depois vá ao cinema, apesar de ser possível ver sem ter visto (mas muitas coisas acabarão ficando confusas e sem nexo!), e digo que os 152 minutos passam num piscar de olhos que nem sentimos, de tal forma que é algo muito bom de ver mesmo, e recomendo para todos, mesmo com algumas leves falhas, ou seja, perfeitamente na medida, que até falo para arrumar confusão mesmo, que gostei mais desse do que do clássico, mas que certamente muitos irão ir contra e odiar o filme por qualquer detalhe banal. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

Netflix - American Son

11/06/2019 01:05:00 AM |

Quer ver uma peça de primeira linha transformada em filme, mas ainda mantendo a essência do teatro? Coloque agora na Netflix e confira "American Son", que de uma maneira incrível passa todo o sentimento de racismo interior, de medo de tudo o que já aconteceu no passado e que ainda é um pesadelo na mente e na vida de pessoas negras, de aflição por não saber o que pode ter acontecido com o filho, e muito mais que brilhantemente interpretado por um elenco muito bem colocado (que são inclusive os mesmos 4 atores que vivenciaram a peça no teatro!), dirigido pelo mesmo diretor, e que apenas arrumaram dois ambientes simples para passar através de muitos diálogos e interpretações fortes um texto impactante, cheio de reviravoltas e nuances imponentes que se aliviam rapidamente, para logo em seguida já voltar a explodir, até chegarmos aos três pontos de impacto, aonde o filme choca e que na peça certamente são os pontos aonde o queixo da plateia desabava. Ou seja, um filme ímpar que fará você se sentir vendo uma peça incrível, e que vale muito a conferida.

O longa nos conta que são três da manhã de uma noite de chuva no sul da Flórida, e uma mãe caminha ansiosa em uma sala de espera da delegacia enquanto tenta entender o que pode ter acontecido com seu filho desaparecido. Ali, acaba passando por uma série de situações: perguntas irritantes e sem resposta, que revelam um sistema cheio de preconceitos subjacentes, diferentes perspectivas, e uma dinâmica conjugal tensa com o ex-marido (Steven Pasquale).

O longa que é baseado na peça de sucesso da Broadway, também dirigida por Kenny Leon, consegue nos entregar uma sensível dinâmica envolvendo racismo e muitas tensões familiares, de forma a praticamente embarcarmos completamente nas falas dos protagonistas mesmo que não façamos parte do grupo em que a trama é inserida, pois sim é um filme aonde o público negro se sentirá incomodado, ouvirá seus medos serem ditos em alto e bom som, e principalmente acabará se emocionando com cada momento, mas longe de ser um filme só para esse grupo, o longa consegue fazer com que sentíssemos isso também através de indignação por precisarem sentir isso, ou seja, um filme duro, marcante e que nos faz sentir diversas coisas em nossa mente, o que faz dele a perfeição em forma visual. Diria até mais, que o filme passa tanta verdade cênica que não podemos considerar ele uma obra de ficção seja de cinema ou de teatro, mas quase um documentário vivido na pele de uma família real dentro de uma delegacia, que de forma imponente ouve muitas coisas que não deveria ali, e essa transformação é completamente mérito do diretor que conseguiu entregar isso junto dos protagonistas.

E claro falando dos protagonistas, afinal volto a frisar que estamos vendo uma peça formatada para a TV, então o que vai chamar atenção são as atuações, e aqui vemos Kerry Washington incrivelmente perfeita, com dinâmicas nos olhares, com trejeitos duros e emocionados ao mesmo tempo, que não tem como não se conectar com sua Kendra, não tem como não se revoltar como ela fica com cada momento, e dessa forma a atriz mereceu todas as palmas possíveis que ouviu no teatro, e aqui as que não verá, mas espero que sinta a cada visualização de cada ato seu, pois a artista simplesmente destruiu em cena. Da mesma forma Steven Pasqualse soube praticamente brincar no cenário com seu Scott, andando por todo o ambiente, entregando olhares diretos ao ponto, e principalmente sabendo usar muito a ironia ao seu favor, de modo que muitas vezes ficamos bravos com seus atos, e ele sabe que está fazendo isso de uma maneira perfeita, pois vemos em seus trejeitos a força de puxar isso para ele, e faz brilhantemente. Jeremy Jordan faz o tradicional policial novato que deveria ficar calado para não falar as besteiras que saem da boca antes de pensar, e ele faz isso muito bem, com olhares jogados, com trejeitos juvenis, e que dessa forma acaba agradando mesmo que erroneamente com seu Paul Larkin, e certamente muitos outros atores acertariam esse tino dele, mas ele fez bem ao menos. Eugene Lee aparece somente nos últimos atos com seu John Stokes, mas com a experiência que tem faz brilhantemente duas grandiosas cenas diretas ao ponto e uma de fechamento que praticamente só lê, e sua imposição cênica agrada bastante, mas como é pouco usado, ficamos com um gostinho de que ele poderia ter feito algo a mais.

No conceito cênico temos praticamente só uma sala com algumas cadeiras e sofás, uma caixa de rosquinhas, umas caixas em cima de uma bancada, dois bebedouros que são ponto forte de discussão temática, e claro figurinos bem trabalhados para mostrar os diversos contrapontos, além de uma tremenda tempestade caindo lá fora que vemos pelas janelas inteiras de vidro, que serve poeticamente para mostrar a tensão cênica do ambiente, ou seja, a equipe de arte praticamente não gastou nada, nem tempo para montar o ambiente, praticamente transpondo a peça para um estúdio, e filmaram algumas cenas espalhadas para mostrar o encontro dos protagonistas antes de casar, algumas cenas da protagonista demonstrando sua insônia noturna, e claro o incidente mostrado apenas como uma referência cênica fora da delegacia, ou seja, tudo bem simples, mas muito bem feito. A luz cênica foi mantida do começo ao fim, num tom de média densidade quase puxando para algo mais escuro, para claro manter a tensão do ambiente, e dessa forma nem precisaram tanto brincar com sombras, pois o filme se complementa com os poucos movimentos de câmera e dos personagens, que mesmo agitados não bagunçaram tanto os enquadramentos.

Enfim, é um filme incrível, que vale demais a conferida, e que certamente a Netflix foi tremendamente esperta em comprar os direitos da montagem para a TV (e acho que é um tremendo nicho para investirem: o de comprar peças marcantes da Broadway para virar filmes de poucos cenários e de muito envolvimento!). Ou seja, recomendo muito o filme, que mesmo tendo alguns atos que poderiam ser melhores, como no caso dos dois policiais, e/ou amplificar mais as cenas externas para dar um peso de filme a mais na trama (o que não atrapalha em nada!), consegue soar perfeito e incrivelmente atual para todos, pois poderiam ser negros, homossexuais, ou qualquer tipo que sofre muita discriminação hoje. Bem é isso, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: fiquei muito em cima de dar uma nota 10, mas como pensei em poder ser um pouco mais filme e menos peça, resolvi remover um coelhinho.

Leia Mais