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Uma Vida de Esperança (Ordinary Angels)

6/14/2024 12:52:00 AM |

Quem assiste muitos filmes consegue enxergar de longe o estilo da maioria das tramas, e antes mesmo de estrear, e sequer tendo visto um trailer do longa "Uma Vida de Esperança", eu já tinha apostado que seria daquelas tramas aonde ou você chora ou você se irrita com o que é mostrado na tela, pois o filme tem toda a onda tradicional de muitos que já vimos na Sessão da Tarde, tendo toda uma pegada clássica em cima de uma garotinha com uma doença, um pai completamente endividado com o tratamento da esposa que morreu, e agora sofrendo para pagar o tratamento paliativo até que ela consiga um transplante segue bem turrão com a ajuda de uma mulher que encontra como suprimento ao vício, se viciar em conseguir donativos para que a família da garotinha sobreviva ao caos financeiro, e claro à doença. Ou seja, o famoso filme aonde vários desconhecidos se juntam para ajudar alguém que não conheciam, mas que se juntos podem salvar alguém vão lá e fazem, que consegue emocionar quem tiver um coração um pouquinho mole, e que dessa vez não lavei a sessão, mas ainda assim foi bem emocionante ver os atos finais, principalmente depois de vermos algumas cenas reais do caso de 1993, que claro foram adaptadas para dar mais ênfase dramática.

O longa acompanha Sharon Steves, uma esforçada e determinada cabelereira que precisa diariamente lidar com seu vício em álcool. Para isso, ela encontra um novo senso de propósito quando se depara com a história de Ed Schmitt, um viúvo que trabalha duro para cuidar de suas duas filhas, sendo que a mais nova enfrenta uma grave doença. Determinada a ajudar a família Schmitt, Sharon move montanhas e também toda a comunidade da pequena cidade de Kentucky para conseguir um tratamento adequado para a criança, revelando uma inspiradora história de fé, milagres cotidianos e anjos comuns.

Quando falei das duas obras que assisti do diretor Jon Gunn já havia cantado a bola que quando acertasse a mão em fazer longas que tivesse a pegada religiosa, mas sem ser efetivamente um longa feito somente para religiosos iria decolar fácil trabalhando os motes de caridade, de ajuda ao próximo, de fé e tudo mais, e seria muita pretensão que ele teria lido meu texto, mas facilmente outros amigos próximos devem ter lhe orientado quanto a isso, tanto que aqui vemos a citação da igreja que frequentam só mesmo nos atos finais, e por um motivo justo que poderia ser qualquer uma, e assim sua trama ficou muito mais comercial, muito mais envolvente, e principalmente funcionando para que qualquer um que gostasse de um drama emocional envolvendo doenças se encontrasse dentro da entrega da trama, pois funciona bem, agrada, e tem pegada, que mesmo sabendo que a condução toda foi feita para que muitos chorassem com a situação, o resultado na tela não cansa, e assim sendo mostra uma boa evolução do estilo.

Quando vi que Hilary Swank faria a protagonista fiquei com um leve receio, afinal ela anda oscilando muito, não entregando mais atuações grandiosas como fez no passado, mas seus trejeitos combinaram demais com a personalidade de Sharon Steves, aliás quando vemos as fotos da verdadeira no final, é notável que a escolha foi perfeita, e ela soube trabalhar bem uma mulher persuasiva, com claros problemas de se viciar muito facilmente, e que mesmo fugindo da bebida acaba se viciando em ajudar, e mesmo isso sendo melhor, o excesso acabou pesando. Alan Ritchson trouxe um Ed Schimitt truculento, fechado, mas que se vê necessitado de ajuda aceitando até o limite máximo do excesso da protagonista, conseguindo passar um ar simpático e interessante de ver. As garotinhas Emily Mitchell com sua Michelle e Skywalker Hughes com sua Ashley foram bem doces e cheias de carisma, conseguindo comover fácil quem entrar na onda delas. Ainda tivemos bons atos com Nancy Travis com sua Barbara e Tamala Jones com sua Rose, mas sem grandes cenas para se destacarem, claro tirando os atos finais aonde todo mundo ajudou de alguma forma e entregou tudo.

Visualmente o que posso falar que ô cidadezinha sofrida essa do longa, primeiro um mega furacão destruindo quase todas as casas, depois nevascas gigantescas, de modo que vemos bem a vida simples da família em sua casa que não deseja vender de forma alguma, alguns atos em bares com a protagonista, e todo o seu trabalho de ir em bancos, hospitais, cortar muitos cabelos e tudo mais para conseguir doações para a família de um cara que não era nada seu, mas que acabou virando um grande amigo por toda a vida, e a equipe de arte detalhou bem o ano de 93, sem celulares e de difícil comunicação aonde a emissora da cidade foi muito utilizada para ajudar no ato final. Ou seja, um trabalho até que bem executado, que mesmo na simplicidade dos atos foi bem além.

Enfim, é daqueles longas que facilmente você assistiria numa Sessão da Tarde quando estivesse passando na TV, que tem claro um mote emocional mostrando muito de como o sistema de saúde dos EUA é caríssimo, todas as dificuldades das pessoas que precisam de transplantes, e que consegue cativar o público a promover o bem, independente a quem, e assim sendo vale a indicação para todos conferirem. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Você Acredita?

9/12/2015 07:05:00 PM |

Já disse uma vez que assim como o filão de longas espíritas, se existe um outro nicho que sempre vai levar público para as salas de cinema é o cristão, pois mesmo que seja feito por essa ou aquela igreja, os produtores são sempre espertos em não acusar nenhuma crença, deixando o ponto único na trama como Deus e Jesus, que é universal para praticamente todas, e assim sendo, os filmes andam conseguindo comover muita gente em suas exibições, e claro dando lucro, que é o que todos almejam. Após o resultado bem expressivo de "Deus Não Está Morto", os produtores já embarcaram numa nova produção maior e mais bem trabalhada que usando dos mesmos moldes de pessoas que não acreditam em Deus, e acabam tendo algum problema grave e com a fé passam a crer. Esse pode ser bem um resumo de "Você Acredita?", mas o longa vai além disso, ao trabalhar a dinâmica dos personagens, as expressões de um elenco bem interessante, e até mesmo sendo simples a cenografia geral da trama agrada bastante também, dando um ar de grandeza para toda a dramaticidade envolvida no longa, que claro que muitos que não forem religiosos irão reclamar do que verão, afinal ainda é algo 100% voltado para a religiosidade, mas se olharmos a fundo, todo o cuidado que andam tendo já é um passo bem grande dessa nova indústria que está se formando, e certamente vai ainda entregar grandes filmes.

A sinopse do longa é bem simples, e nos mostra que doze pessoas, seguindo caminhos diferentes, têm suas vidas interceptadas de forma inesperada. Cada uma delas está prestes a descobrir o poder que há na cruz de Cristo, ainda que muitos deles não acreditem nisso. Uma crença verdadeira sempre requer ação e nessa trajetória, todos serão impactados de maneira que só Deus pode orquestrar.

O diretor Jon Gunn trabalhou bem o roteiro de Chuck Konzelman e Cary Solomon, ambos responsáveis pelo roteiro de "Deus Não Está Morto", de modo a colocar vivência nas situações, pois logo na narração inicial, mesmo quem não leu a sinopse já irá saber que todos (ou a maioria) irão se encontrar em determinado momento da trama para provar sua fé, e usando do carisma de cada ator, junto de suas boas expressões, e de planos até ousados, saindo do tradicional foco e desfoque que vimos em muitos longas religiosos, ele conseguiu encontrar um ritmo próprio e até criou uma cena bem trabalhada que certamente custou um bom dinheiro para ser feita. Não que isso dê algum grande crédito para o estilo novelesco de muitos personagens com histórias que o roteiro acabou criando, mas de uma maneira mais condizente, o diretor soube priorizar, ao menos na montagem, os que certamente criariam um maior carisma com o público, e sendo assim, o acerto foi bem bacana de ver.

Falar de cada personagem e o que cada ator fez aqui, daria um texto grande demais, e por isso, vou fazer assim como o diretor, priorizando os que chamaram mais atenção. Para começar Ted McGinley até entrega uma boa personalidade para o pastor Matthew, mas seu jeito calmo frente à algumas das situações incomoda demais, e mesmo os mais fiéis certamente irão pensar da mesma forma nas duas cenas envolvendo o dinheiro, e na parte final, pois são dois momentos fortes e que qualquer um se desesperaria, ficando falso demais sua expressão. Mira Sorvino, ao contrário de McGinley já foi cética e desconfiada demais em todas as situações, claro que mães são extremamente preocupadas com ajuda de estranhos para com seus filhos, mas cada um que oferecia algo para ela, parecia que os olhos de sua Samantha iriam sair da face, e sabemos que a atriz é melhor do que o que fez no filme, claro que sua filhinha no longa, Makenzie Moss, chamou muito mais a atenção pela ótima dinâmica com os demais personagens, mas cabia a ela também agradar mais. Brian Bosworth trabalhou de maneira interessante seu Joe, mas mesmo nem o mais religioso do planeta iria acreditar em sua cena final, claro que é bonito e tudo mais, mas não rola, felizmente o ator durante todo o filme saiu muito bem nas expressões, senão seria motivo de piada facilmente. Sean Astin, que mais conhecemos como o gordinho Sam de "O Senhor dos Anéis", aqui faz um médico meio estranho e cético demais de qualquer fé, claro que isso para o filme é algo ruim, mas seu estilo arrogante poderia ser menos jogado na trama que agradaria mais. E fechando a lista tenho de falar de Liam Matthews, não tanto pelo seu personagem Bobby que até agrada bastante na forma de fazer as coisas, mas sim por ter colocado quase que no currículo a profissão de ator de filmes cristãos, já que esse é seu sétimo longa religioso, e claro que ele não faz mal senão já teriam queimado ele.

Diferente de outros longas religiosos que colocam efeitos demais nas cenas, a equipe aqui optou por fazer algo mais simples cenograficamente, acertando a mão assim como fizeram no longa anterior, ou seja, trabalhando com detalhes bem emblemáticos nos elementos cênicos, como as pequenas cruzes, ou trabalhando com casas menos robustas de enfeites e até mesmo na cena mais emblemática, foram impactantes com os acontecimentos e procuraram não ousar muito, claro que ficou bem feito nos efeitos especiais usados, mas nada que chamasse a atenção somente para aquilo. O trabalho do diretor de fotografia, infelizmente foi o que mais falhou, por termos muitas cenas noturnas, as luzes sempre estavam fora de foco, e os personagens nos planos e contra-planos estavam iluminados de forma diferente, o que caracteriza um erro que vemos muito em novelas, mas não atrapalhou tanto o longa por não ter tantos efeitos em jogo, pois senão seria um desastre completo.

No quesito musical, tivemos boas canções inseridas para dar contexto ao filme, e não abusaram tanto da temática para colocar coros e afins, muito menos o famoso pianinho que tanto me incomoda nos longas espíritas. Mas poderiam ter colocado mais ritmo na trama, inserindo mais trilhas nas cenas principais, pois o filme de 120 minutos, certamente parece ter uma duração bem maior, o que não é legal. Um ponto positivo ficou para o clipe da canção de fechamento, que na versão nacional é cantada por Leonardo Gonçalves, e conseguiram encaixar bem o cantor em locações parecidas com o do filme, mesclando com cenas do longa e agrada bastante logo após os primeiros créditos.

Enfim, ainda não é o melhor longa dramático religioso que já vi, mas volto a repetir, o pessoal anda numa boa levada e em breve vão acertar a mão de maneira que não só os fiéis das igrejas vão se emocionar com o resultado e quem sabe até puxar alguns prêmios por fora. Por enquanto, devido o excesso de pequenas falhas, recomendo ele mais para os religiosos que não vão notar tanto esses errinhos, do que para os cinéfilos que gostam de ver tudo o que aparece, pois esses certamente vão reclamar de tudo. Mas como disse, é um filme gostoso e bem feito, então quem for e não ligar para esses detalhes que citei acima, é capaz que curta a sessão. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, encerrando já a semana cinematográfica com esse longa que até veio na data certa semana passada, mas junto com tantos filmes, acabei deixando para encerrar essa nova, então abraços e até quinta que vem com mais estreias.


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Em Defesa de Cristo (The Case For Christ)

9/17/2017 02:52:00 AM |

Teve uma grande onda de filmes religiosos nos últimos anos, mas haviam dado uma parada, e eis que parece que devem voltar com corda toda pelos próximos meses, e para começar bem nada melhor do que mostrar a história biográfica de um jornalista criminal ateu que nos anos 80 resolveu investigar a ressurreição de Cristo, e com isso acabou escrevendo o livro que hoje é usado como base (além da bíblia) para diversas religiões cristãs, esse livro foi chamado "Em Defesa De Cristo", e assim como o nome do longa acabou bem desenvolvido, mas alongado e até um pouco forçado demais como acabam ocorrendo nos longas desse estilo, e embora seja feito para um público bem específico consegue agradar e funcionar como cinema de época com bons figurinos, formatado de maneira interessante e trabalhando bem a tese tanto do livro quanto do longa biográfico para agradar. Não posso dizer que foi o melhor exemplar do estilo, pois faltou o ato de arrepiar como já ocorreu em outras produções do gênero, mas funciona, e é isso o que importa quando vamos conferir uma produção na telona.

A sinopse do filme nos conta que Lee Strobel é um jornalista durão que está exatamente onde queria na sua carreira: no topo. Após ganhar um prêmio por um relatório investigativo, ele foi promovido no Chicago Tribune. Em casa, a situação é diferente. Leslie, sua esposa, começou a ter fé em Cristo, indo contra suas crenças, já que é um ateu declarado. Para salvar seu casamento, Lee utiliza sua experiência jornalística e legal para iniciar uma busca a fim de contestar as reivindicações do Cristianismo. Perseguindo a maior história da sua carreira, ele se defronta com resultados inesperados que podem mudar o que ele acreditar ser a verdade.

É interessante de ver essas obras religiosas, pois geralmente já vamos com a cabeça formada do que iremos ver, e geralmente conseguem surpreender (seja para bem ou para mal), e aqui o diretor Jon Gunn nos entrega praticamente da mesma forma que fez em "Você Acredita?" uma obra moldada para que seja agradável de acompanhar a conversão de alguém cético, e com isso colocar suas ideias no plano maior. Claro que aqui ele uniu algo que pouco estamos acostumados a ver em longas do gênero, que é o estilo de época, pois geralmente trabalham com situações mais atuais e com bandas atuais para ganhar um resultado mais expressivo, porém para retratar uma biografia a ousadia foi boa, embora tenham exagerado talvez com parcerias (não aguentava mais ver Chicago Tribune na tela, foi no mínimo umas 5x!!) e com leituras dos mesmos trechos da bíblia, mas souberam ao menos incorporar bem para que o filme fluísse agradável e contasse uma história bonita. Talvez um pouco menos de exageros entregaria um longa mais enxuto e interessante.

Vou fazer uma análise breve dos protagonistas pelos atos em si, não pelas expressividades da voz, afinal como costumo dizer, devem achar que o pessoal religioso não sabe ler nada além da bíblia, pois todos os filmes religiosos só vêm com opção dublada. E sendo assim, outro grande problema da produção que quase pôs tudo a perder foram as interpretações amplas demais dos protagonistas, que não pareciam estar no mesmo filme, de modo que Mike Vogel até trabalhou bem seu Lee, mas em diversos momentos parecia desgovernado com olhares vagando por toda a cena ao invés de apenas para uma câmera, e diversas vezes o ator fluiu pouco para que seu momento entregasse algo a mais, segurando até o ritmo da trama, mas ao final quando já acostumamos com seus trejeitos, o resultado até  foi satisfatório. Erika Chistensen ficou forçada demais para com sua Leslie, não colocando expressão nos seus momentos e parecendo sempre executando apenas o que lhe era pedido, de modo que chega a dar pena de diversos momentos seus. L. Scott Caldwell apareceu pouco com sua Alfie, mas trabalhou bem os olhares e comoveu com os depoimentos de sua fé, e isso agrada nesse estilo de filme. Quanto aos demais, a maioria se saiu bem dentro dos argumentos para que o protagonista juntasse todas as suas provas.

No conceito visual a trama mostrou um bom preparo da equipe de arte, tanto para arrumar boas locações que representasse o estilo dos anos 80 (e se já é difícil em um filme normal, imagina para um longa com temática religiosa!!), colocar carros típicos muito bem escolhidos, figurinos e cabelos condizentes com a época e claro trabalhar com muitos elementos cênicos, afinal como um longa investigativo tudo teve de servir como provas, ou seja, um trabalho minucioso bem feito que acaba agradando bem, mas volto a frisar, não era necessário aparecer tanto a fachada do jornal! A fotografia não quis ousar, e como todo bom filme de época colocou um tom amarelado e foi feliz com isso, não utilizando quase nenhum contraste, mas dosando bem os momentos mais densos.

Enfim, é um filme bem feito que passa a sua mensagem, mas poderia ter feito o público se arrepiar mais com a ideia toda, e sendo assim não irá converter ninguém a nenhuma religião, portanto podendo ser assistido sem medo por todos, claro que como é de praxe nesse estilo, muita coisa acaba soando forçada para algum lado, e isso pode incomodar muita gente que entrar na sessão sem saber do que se trata (acho difícil, mas sempre ocorre!), e para quem gosta ao final do longa tem o clipe da música tema do filme cantada por Aline Barros, usando inclusive carros e cenários do longa. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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Invencível (The Unbreakable Boy)

5/13/2025 01:42:00 AM |

Costumeiramente quando vou ao cinema achando que sei o que vou ver em filmes dramáticos, geralmente sou pego por alguns traquejos que invertem e me pegam pela emoção. Claro que isso não ocorre sempre, pois muitas vezes alguns filmes entregam algo tão básico que não tem como ir para outros rumos, e felizmente não foi assim com o longa "Invencível", pois trabalhando de uma forma sensível e gostosa de ver (talvez um pouco irritante pelo tanto que o garoto fala, mas sabemos que alguns níveis de autismo são dessa forma) conseguiram brincar com o estilo, entregar dinâmicas bem colocadas na tela, e principalmente não forçar a emoção do público, pois muitas vezes ficam colocando o famoso pianinho de fundo, trabalhando a doença quase como um murro para fazer o público desabar, e aqui vemos o acontecer naturalmente, aonde nos vemos por vezes como os pais do garoto, e por outrora também como se fôssemos os garotos vendo seus pais brigarem e/ou com problemas que nem ele consegue entender. Ou seja, é um filme fácil de se conectar, que funciona e agrada sem precisar apelar, e isso é raro em tramas envolvendo doenças.

O longa conta a história de Austin, uma criança que tem autismo e uma doença rara que deixa seus ossos quebradiços. Apesar dos obstáculos na vida, Austin tem uma visão de mundo alegre, engraçada e afirmativa que transforma e une todos ao seu redor - especialmente seu pai, Scott, que passa a vê-lo como o triunfo de um espírito indestrutível, mesmo nos momentos mais difíceis. Baseado numa história real, acompanhamos as batalhas individuais de cada familiar e a de Austin para se enturmar na escola. Preocupados como futuro dele, seus pais Scott e Teresa se desdobram para dar o melhor e a vida mais normal possível para Austin. É assim que, de frente para uma alegria inesgotável e uma coragem sem medidas, Scott e Austin enfrentarão um dia de cada vez como a família unida que sempre foram.

O mais bacana de tudo é que o diretor e roteirista Jon Gunn tem muita experiência em filmes baseados em histórias reais, e com envolvimentos religiosos encaixados na trama, de modo que seu filme num primeiro momento você chega a pensar que verá mais do mesmo na tela, mas ele sabendo brincar com a interação entre os personagens, os devidos momentos emocionais, e principalmente as dinâmicas para que o filme tivesse um encaixe emocional sem soar pesado na tela, fez com que o filme fluísse fácil e tivesse uma entrega coerente do estilo, representando tanto as doenças, o espectro, a adaptação das crianças, e claro a família como ente maior. Ou seja, o diretor conseguiu mostrar sua mão presente em todas as cenas, e deixando que os atores se soltassem ao máximo, o resultado veio perfeito na tela.

Quanto das atuações, estava bem receoso com o que Zachary Levi iria entregar na tela, pois ele tem um tino cômico muito forçado que já estamos acostumados, e que anda soando cansativo na tela, e no seu último filme que aparentou uma transição para o lado mais dramático, ainda brincou demais, porém aqui seu Scott não teve essa abertura para a comicidade, e ele se jogou como nunca na tela, sabendo dosar trejeitos mais fechados com alguns emocionais, e assim agradando do começo ao fim, ou seja, deem mais papeis dramáticos para o ator, pois ele tem o estilo e consegue fazer o que precisa. O jovem Jacob Laval colocou tanta personalidade no seu Austin, falando tanto que deixa o espectador até tonto como seus pais, e assim sendo foi um grande acerto para o que o papel pedia, de modo que segurou o filme com facetas expressivas tão boas que faz o filme desenrolar como se o diretor nem precisasse falar nada para ele, ou seja, deu show na tela. Meghann Fahy fez sua Teresa com uma facilidade em trejeitos, desde cansada até feliz, sabendo dosar seus traquejos com boa desenvoltura e chamando para si quando precisou, o que agrada demais de ver. Quanto aos demais, tivemos muitos outros bons papeis secundários, mas sem dúvida alguma não tem como não dar todo o destaque para Drew Powell como Joe, um estilo de alter-ego do protagonista, tanto pelo personagem em si quanto pelos ótimos trejeitos que o ator trabalhou, ou seja, deu show também.

Visualmente a trama teve alguns atos na escola dos garotos, mostrando a dificuldade de alguns professores e alunos em trabalhar com jovens portadores do espectro, vemos toda a trabalheira monstruosa da família na casa para que desde bebê não se matasse quebrando seus vários ossos, com um apartamento simples, passando para uma casa mais bonita, e depois para algo mais rústico, tivemos algumas reuniões de pessoas alcóolatras, algumas cenas em uma igreja, alguns atos em bares e festas, e claro o acampamento bem construído para atos tradicionais, ou seja, tudo simples e bem colocado na tela, para que não ficasse nada fora do eixo.

Enfim, é um filme que fui esperando ver algo que já vi tantas outras vezes, mas acabei me conectando demais, tanto com os personagens, quanto com as atuações, e assim sendo o resultado final acabou me agradando demais e valendo a indicação, mesmo tendo um ou outro ato que force a barra, mas vale a dica, e também ver os verdadeiros no final. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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