Renascida do Inferno (The Lazarus Effect)

3/09/2015 01:13:00 AM |

Se existe um gênero que já vimos milhares de possibilidades de fugir dos clichés é o de terror, pois para assustar o público existe quase que uma fórmula, milagrosa por um lado que vai fazer com que o público pule, e altamente lastimada pelos críticos que irão atacar o diretor falando que não sabe fazer filme e por aí vai. Pois bem, "Renascida do Inferno" foi driblando tanto a fórmula para não cair na mesmice que quase nos foi entregue um suspense e não um terror, que se não fosse por certas cenas mais tensas da metade final, o resultado seria bem fraco, mas de certa forma com uma boa história e possibilidade de continuação, o que acabamos vendo foi um bom filme que não assusta as pessoas desprevenidas, mas deixa uma boa tensão no ar com tudo que pode rolar mais pra frente.

O filme nos mostra que um grupo de cientistas está fazendo uma pesquisa sobre o cérebro humano, buscando uma fórmula capaz de reanimar animais que acabam de morrer. Durante um dos experimentos, a pesquisadora Zoe sofre uma descarga elétrica e morre dentro do laboratório. Desesperados para trazê-la de volta à vida, eles aplicam o medicamento experimental na colega, fazendo com que ela acorde. Apesar de estar viva, Zoe manifesta um comportamento estranho, como se estivesse possuída por forças malignas. Enquanto tentam se proteger do perigo, eles também devem impedir que a amiga fuja do laboratório e mate as pessoas ao redor.

É engraçado que reclamamos quando algum filme de terror nos é apresentado sem história alguma, apenas sustos e mortes, mas também reclamamos muito quando nos é entregue apenas história, esquecendo dos sustos, será que os roteiristas não sabem equilibrar? Mas a verdade é mais fácil de imaginar, pois como o filme teve toda uma nuance de apresentação dos personagens, é provável que já fizeram esse com expectativa de uma boa renda para engatar o segundo, afinal com o final entregue se não houver um segundo vai ficar muito feio. E dessa forma Luke Dawson e Jeremy Slater entregaram para o documentarista David Gelb estrear no mundo da ficção algo com muita história, explicando bem o que é o Projeto Lazarus, o que o efeito buscaria, e de certa forma mexer um pouco com as crenças dos personagens, para que ele conseguisse assustar criando alguns momentos de tensão, mas para quem já viu uma tonelada de filmes de terror, nem precisa apagar a luz que já sabemos que vai aparecer alguém do nada, aí o velho cliché volta para que o filme finalize e deixe apenas no ar uma possível continuação.

Sobre a atuação podemos dizer que dentro de algo simples todos saíram com um resultado positivo, pois trabalharam com o medo, a curiosidade e a ganância na mesma proporção correta que a trama pedia, e isso é interessante de ver. Olivia Wilde após fazer muitos filmes de ação, até que trabalhou bem seus olhares mais medonhos após sua ressurreição e com isso mostrar uma boa mistura de como assustar apenas com olhares ao invés de pular demais, esperaremos um segundo filme aonde ela vai matar o país inteiro. Em contraponto Sarah Bolger gritou, assustou e fez tudo que uma pessoa faria ao entrar numa situação dessa com sua Eva, ou melhor quase tudo, eu correria na primeira apagada de luz, mas ela está sendo paga para isso, então fez bem o seu papel.  Mark Duplass foi o mais tradicional com seu Frank, de forma que em alguns momentos até tentamos torcer por ele, mas logo em seguida a vontade que dá é que o espírito o arremesse da janela do prédio, e isso é bacana de ver que um ator consegue tais fatos, afinal a característica principal do personagem era a arrogância, e isso ele fez muito bem. Evan Petters até teve bons momentos com seu Clay, mas não conseguiu chamar atenção mesmo na sua cena sozinho com o cachorro, poderia ter feito olhares mais apavorados e tudo mais, pois nem o maior machão do mundo iria ficar calmo com o que estava rolando, e isso atrapalhou um pouco sua evolução. E para fechar Donald Glover fez um Niko interessante que logo na sua segunda cena já sabíamos o que ia acontecer mais pra frente com seu personagem, mas foi uma cena tão rápida e estranha que se fossem mais espertos trabalhariam ela bem ambientada e agradaria muito mais, quem sabe no 2.

Visualmente como o longa se passa somente em dois lugares, tiveram de ser criativos em relação aos espaços, e no laboratório tiveram diversas sub-salas que deu pra trabalhar os ambientes e colocar mais coisas incomuns, claro que a abertura apresentando o funcionamento do projeto foi bem demonstrada e envolvente, tivemos diversas cenas aonde os objetos até poderiam envolver mais e assustar com algum movimento estranho, mas optaram aí para o envolvimento explícito e explicativo, então não foi algo tão difícil para a equipe de arte trabalhar. Fotógrafos de filme de terror geralmente sofrem devido o diretor querer quase nada de luz e trabalhar somente com sombras, mas aqui como temos a maioria das cenas no claro somente tendo uma ou outra piscada de luz, o acerto foi mais envolvente com luz fria para dar um pequeno contraste no laboratório e nas cenas do sonho encaixar o tom alaranjado também foi algo bem simples, porém eficiente.

Enfim, não posso dizer que é um longa perfeito somente por um único motivo, o que eu sempre digo que um filme deve ser feito para ser único, se vier continuações é algo que não tem de ser previsto, então por esse motivo, o filme acabou sendo falho na concepção, tendo apenas um início longo e um miolo curto, com um final bem razoável, e dessa forma, os que adoram terror vão sentir falta de sustos, e os que curtem um suspense vão se cansar com a história alongada demais. No geral o que é passado é interessante, mas repito, falhou em não deixar ninguém com medo. Bem é isso pessoal, quem gostar desse estilo específico de filme, o terror/suspense com muita história e poucos sustos, pode ser que goste do que verá, mas o restante no máximo vai ficar tenso e não irá aproveitar o máximo que a história poderia passar, ficarei aguardando o 2 para ver se aí o bicho pega mesmo. Não digo que irei encerrar a semana cinematográfica por aqui, pois na terça temos a Mostra Golpe Sulamericano no Sesc, e irei conferir, então abraços e até lá pessoal.


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Para Sempre Alice (Still Alice)

3/08/2015 02:47:00 PM |

O que posso falar de cara de "Para Sempre Alice" é que é um dos filmes mais corretos que já vi, simples, determinado no que gostaria de passar sobre a doença, mas nada que faça você falar: "nossa que filme interessante!", e isso é uma falha em filmes que envolvam doenças, já que geralmente conseguem comover o público com a ideologia passada, e aqui tirando duas cenas que a protagonista mostra o motivo de ter ganho o Oscar, o restante é apenas ok. Não posso dizer que o filme não é bonito, pois tem um charme diante da situação passada, mas a falta de emoção deixou tudo com uma cara simples demais.

O filme nos apresenta a renomada linguista Alice Howland, uma mulher bem casada e mãe de três filhos, que aos cinquenta anos começa a esquecer as palavras e logo descobre sofrer de Alzheimer. Para enfrentar o problema, a família de Alice terá de reafirmar os seus laços de ternura, em especial a filha Lydia, com quem sempre teve uma relação complicada.

Como a protagonista diz num discurso de um congresso da doença, o Alzheimer é uma doença terrível que faz com que pessoas que possuem uma vida normal passe a esquecer das coisas mais simples que ocorre à sua volta, e nesse momento é onde posso dizer que o Oscar dela foi ganho, claro que há outros momentos bons, mas ali é que o público toma a noção exata do que os roteiristas e diretores quiseram passar. Os diretores Richard Glatzer e Wash Westmond não são tão conhecidos, mas já fizeram outros filmes juntos e isso dá o direito de uma conexão bem feita, mas sempre disse que fazer um filme em mais do que duas mãos é algo complicadíssimo, e é fácil notar divergências artísticas em mais do que uma cena, e como isso não é mostrado no começo (o fato de ser dois diretores), fiquei imaginando que o longa pudesse ter sido gravado em duas épocas diferentes, mas agora após ver os créditos do filme, ficou claro esse pequeno defeito que muitos nem notarão, mas se você prestar atenção verá que alguns momentos não são uniformes. Além disso, pra mim o pecado maior do longa foi não ir a fundo no drama familiar ou na doença, deixando no ar as duas coisas sem dar intenção dramática em nenhum dos dois fatores, e dessa forma falhar em não emocionar o público que está vendo, até mesmo quem possui pessoas com a doença na família e sabe o quão duro é o que a pessoa passa. Mas tenho certeza que essas falhas não estão presentes no livro em que foi baseado de Lisa Genova, então talvez seja melhor para quem quiser algo mais emotivo ler o livro do que ver o filme.

Sobre a atuação, Julianne Moore já merecia o Oscar faz tempo por diversos outros filmes, mas aqui o que fez foi apenas uma atuação correta, tendo mostrado realmente valer o prêmio somente na hora do discurso no congresso da doença e na cena do banheiro na casa de praia, além claro das expressões na últimas cenas do filme, mas nada que falássemos que foi surpreendente, e sabendo do potencial que a atriz tem, o que consigo ver e culpar é o erro na direção de atores. Kristen Stewart já havia dito que vem crescendo muito no quesito expressivo, inclusive ganhando o Cesar nesse ano com "Acima das Nuvens", ou seja, pra quem falou que ela nunca daria certo pode ir queimando a língua que a garota vem mostrando serviço, e aqui sua Lydia é uma personagem interessante com várias facetas e que poderia ser até mais explorado. Alec Baldwin é um ator que consegue fazer qualquer personagem singelo e bem encaixado, seus momentos mais romantizados com a protagonista são bem bonitos e nos envolve, também cairia bem um melhor encaixe dele na trama. Hunter Parrish deve ter feito a escritora do livro querer se matar, pois o personagem do filho Tom, vira praticamente um enfeite na trama, sendo quase dispensável, e tenho certeza absoluta que isso não era para acontecer, o ator fez algumas caras de paisagem emotiva e só nas poucas cenas que aparece. E Kate Bosworth até tem bons momentos com sua Anna, mas não chega a chamar atenção nas cenas que deveria, então também soa falsa demais, claro que a cena do anúncio da doença é sua melhor.

A concepção artística da trama foi bem feita, com elementos sutis bem colocados para detalhar e servir de teste para a protagonista exercitar sua mente, e as locações foram certeiras nesse sentido ao mostrar que a família era de certa forma rica, mas mesmo assim, tirando o celular, que hoje podemos colocar como um grande responsável em ajudar pessoas que possuem a doença, não colocou mais nada em evidência que com certeza poderia ajudar e isso acaba sendo também uma falha do filme. A equipe de fotografia usou em demasia a imagem desfocada no início para representar o desaparecimento da memória da personagem, e acabou até ficando de maneira simbólica bem representado, e com usando nas demais cenas cores mais pastéis, o resultado do filme é bem calmo, o que talvez não aconteceria na vida real.

Enfim, esperava realmente mais do longa, que fosse mais comovente e emocionasse mais, pois na dúvida de mostrar o drama familiar de apoiar ou não, e o que é a doença, o longa acabou curto demais e não passou nenhuma das duas coisas, ficando completamente em cima do muro, como disse no início talvez ler o livro em que foi baseado seja mais agradável e envolvente, o que é uma pena, pois o filme tinha nas mãos algo que daria para trabalhar muito mais e ser extremamente interessante. Vale apenas para ver algumas cenas fortes da protagonista, que acabaram lhe consagrando prêmios de diversas associações, mas de resto vai ser um filme bonito de uma história triste familiar que foi mal contada. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas ainda falta conferir o último longa da semana, então abraços e até breve.


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Kingsman - Serviço Secreto

3/07/2015 02:52:00 PM |

Olha alguém pode falar para Matthew Vaughn dirigir a próxima produção do Michael Bay? Até hoje, o cara tem apenas cinco filmes no currículo e nenhum sequer é abaixo de ótimo, então é capaz dele conseguir fazer um milagre histórico no cinema, já que Bay tem verba pra queimar e o Vaughn não erra jamais em nada. Digo isso, pois fui ao cinema conferir "'Kingsman - Serviço Secreto", apenas achando que seria um filme comum, já que o trailer não havia me convencido muito, e como não sou nenhum aficionado por quadrinhos esperava no máximo uma boa história misturando espionagem com gags cômicas, e cá estava esse Coelho que vos digita após 129 minutos aplaudindo escondido o que acabava de ver, para não pagar mico na sala do cinema. Não tem como descrever o quão sensacional é o filme, temos boas sacadas, excelentes referências, trilha sonora impecável, efeitos engraçadíssimos casando bem com a cena, e principalmente, uma história completamente eficiente, convincente e bacana de ser vista diversas vezes, de forma que tenho certeza absoluta que se eu for novamente ver o filme irei me divertir exatamente da mesma maneira que vi na primeira vez, e isso é algo que poucos filmes conseguem o feitio. Então se você tinha sequer qualquer dúvida de ir ao cinema conferir o filme, vista seu terno e já pra sala do cinema assistir esse que pegou o posto de melhor filme até agora do ano, claro que na opinião desse Coelho maluco, mas garanto que você irá gostar.

O filme nos mostra que Eggsy é um jovem com problemas de disciplina que parece perto de se tornar um criminoso. Determinado dia, ele entra em contato com Harry, que lhe apresenta à agência de espionagem Kingsman. O jovem se une a um time de recrutas em busca de uma vaga na agência. Ao mesmo tempo, Harry tenta impedir a ascensão do vilão Valentine.

Não tem como não se empolgar ao falar de tudo que o filme nos passa, pois a adaptação que Matthew Vaugh fez junto de Jane Goldman ao criar um roteiro embasado na HQ de Mark Millar e Dave Gibbons, fizeram com que tudo que estava desenhado nas páginas dos quadrinhos virasse algo épico tanto visualmente quanto dentro do contexto de referências e diálogos, e isso é muito bacana de assistir numa telona de cinema, a cada cena que passava o resultado que o diretor nos entregava era tão incrível e cheio de ação que a euforia só ia aumentando para tudo o que os personagens se envolviam, ou seja, um misto do que já fez bem nos seus filmes anteriores "X-Men: Primeira Classe" e "Kick-Ass", e em diversos momentos do filme seja pela trilha ambientada ou ângulos escolhidos, acabamos nos remetendo muito à esses filmes, o que é bacana por sabermos a linhagem que o diretor escolheu, ainda bem que foram bons filmes para seguir a linha, mas como disse no começo ele ainda não errou a mão nenhuma vez, então sempre vai nos entregar algo perfeito. A história em si é algo muito bem trabalhado, afinal é difícil uma HQ que não tenha toda a desenvoltura de vilões, heróis e tudo mais, então o longa se desenvolveu completamente em cima da linhagem tradicional e com personagens marcantes acabamos nos divertindo com tudo, desde o vilão que quer acabar com o mundo mas não pode ver uma gota de sangue até o herói que tem moldes sacanas, e aliado à forma escolhida para acabar com a superpopulação a arma usada foi algo muito genial. O único problema talvez do filme, mas que não chega a incomodar muito é a duração do filme, que com 130 minutos, mesmo com um ritmo frenético, em alguns momentos acabamos cansando, principalmente no início de apresentações, mas com o decorrer vão dando mais gás no ritmo e tudo se encaixa ficando perfeito, de forma a termos uma das cenas de luta mais épicas do momento culminando na cena da igreja, garanto que muitos outros atores que já fizeram boas cenas de luta ficaram com uma pontinha de inveja de Colin Firth.

E o sincronismo perfeito coube também na direção de atores que está perfeita, transformando os atores praticamente nos personagens da melhor maneira possível, encaixando trejeitos e personalidades únicas, não dá para falar em momento algum que o papel caberia para outro ator senão os próprios que fizeram, ou seja, um encaixe único. Já que citei Colin Firth, vamos continuar falando dele, que deu uma sobriedade interessante para seu Harry, e teve de suar bastante para todas as cenas de ação que seu personagem se envolve, e segundo foi passado fez 80% das cenas de luta sem necessitar de dublê, o que mostra a garra que entregou para o personagem e tudo encaixou muito bem com a personalidade proposta. Taron Egerton ganhou o  papel de Eggsy após passar no teste com outros 60 atores e podemos dizer que sua estreia em um longa-metragem foi muito bem encaixada, pois o rapaz soube se encaixar com muita dinâmica no personagem para não ficar apenas um herói tradicional, muito menos um espião comum, e isso era exatamente o que com certeza procuravam no ator que iria fazer o papel, alguns trejeitos seus são pouco forçados, e deve melhorar com a experiência, mas suas cenas finais são incríveis, e se fizerem realmente a continuação do longa, ele deve detonar. Agora gostaria de saber as inspirações de Samuel L. Jackson para criar seu Valentine, que com a língua presa fica até difícil entender o que fala, mas com nuances perfeitas de uma vilania completamente diferente, nos envolve de uma forma que mesmo torcendo para que sua morte seja feita com estilo, ele ainda puxa um carisma que poucos vilões nos remeteram, muito boa atuação desse que é um dos grandes atores do cinema. Sofia Boutella nem chama tanta atenção pela forma de interpretação dos textos de sua Gazelle, mas sim pela coreografia das lutas com sua perna de faca afiadíssima, e se ela não usou dublê para fazer tudo que fez, já podemos dizer que é uma lutadora de exímia perfeição. Mark Strong deu a seu Merlin uma personalidade característica e envolvente tanto no treinamento dos candidatos ao cargo de espião, quanto nas cenas finais, sendo sempre sarcástico e dinâmico, o que agrada bastante e mostra que o ator deve voltar numa continuação bem encaixado. Michael Caine é aquele ator clássico, e não teria escolha mais eficiente para o Arthur, chefe da agência de espionagem, senão ele, pois com toda a classe possível, fez suas cenas de maneira inteligente e culta, trabalhando cada ato consistentemente e com precisão, o que ficou muito bem encaixado. Sophie Cookson até fez bem o papel de Roxy, mas como nesse filme ela ainda é meio que secundária na trama, não pode desenvolver tanto o personagem, acredito que caso exista a continuação entre em destaque seu personagem junto de Eggsy, mas para uma estreia no cinema fez um bom trabalho. Os personagens secundários são muitos e passaria muito tempo falando de cada um, então prefiro destacar apenas Hanna Alström com sua princesa Tilde, não apenas pelo seu momento forte junto dos vilões, mas pelo fechamento completamente divertido junto do protagonista.

Com um visual impecável e cheio de detalhes, tivemos uma quantidade impressionante de elementos cênicos para dar contexto na trama e serem usados pelos protagonistas, e isso deu um tom preciso e incrível para a trama, tanto as cenas envolvendo os testes para ingressar na agência quanto as cenas de lutas foram compostas minuciosamente para agradar e dar todas as características que um bom filme de espionagem deve ter, ou seja, um luxo completo. A equipe de fotografia também trabalhou como se fosse uma orquestra com detalhamento de cada cena com uma iluminação diferenciada e planos com ângulos nunca repetidos, o que auxiliou tanto no quesito de dar um certo suspense para alguns atos, como para ganhar o ritmo exato no decorrer do filme. Outro elemento que tem de ser levado muito em consideração são os efeitos especiais, que foram de primeiríssima linha, dando charme e coerência para cada uma das cenas divertindo demais quando preciso, com destaque claro para a cena das explosões no QG do vilão e pelo mundo afora que junto da trilha colocada fez tudo ficar maravilhosamente divertido, e na cena da igreja a luta então ficou marcada como algo totalmente cheio de efeitos rítmicos e coreografados de uma maneira que poucas vezes vimos no cinema.

Não dá para falar da trilha sonora com músicas de altíssimo nível e agradando demais, sem deixar o link para elas, então aqui está neste site, façam bom proveito, pois a escolha foi feita na medida para envolver, dar ritmo, coreografar e tudo mais, e principalmente como disse no início, podendo ser visto muitas vezes sem cansar.

Enfim, é um filme perfeitíssimo que agrada demais em tudo, não tem maneira de sair da sessão sem ser empolgado, e se empolgar a cada vez que falar do filme, hoje mesmo terminando de escrever sobre ele, estou a mil, já indiquei ele pro barbeiro, pra diversos amigos, e aqui deixo mais do que uma recomendação para vocês que acompanham meus textos no site, digo que é quase uma obrigação ir assistir a esse longa e vibrar a cada ato mostrado. Já fico com muita torcida para que façam uma continuação desenvolvendo ainda mais os protagonistas, pois se fizerem só metade do que já foi apresentado aqui, é certeza de que teremos algo muito bom. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas ainda faltam dois longas para conferir nos cinemas nesse final de semana, então abraços e até breve.


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Simplesmente Acontece (Love, Rosie)

3/06/2015 01:48:00 AM |

O fato de que a maioria dos romances conseguimos prever com certa antecedência tudo que irá ocorrer não é justificativa para que nos entreguem o trivial arroz com feijão sem nenhum tempero para que ao menos ficássemos envolvidos, ou que pelo menos desse pra ouvir as garotas presentes na sala soltarem o tradicional ownnn. Falo isso, pois a ideologia da trama de "Simplesmente Acontece" teria tudo para envolver e deslanchar com as reviravoltas que o nome nacional já dá a entender, afinal o nome original é "Love, Rosie" que durante o filme é possível entender também bem sutilmente, acredito que no livro faça mais jus, mas até aí tudo bem. Logo de cara já é possível entender tudo o que vai acontecer, sem surpresa alguma, mesmo o filme começando praticamente do meio, voltando ao início, acelerando mais pra frente e tudo mais, não temos grandes surpresas que já não tenham aparecido no trailer, ou até mesmo sem ver nada, já dá para matar o final do romance morno que nos é apresentado, o que é uma pena, pois com apenas um final diferenciado agradaria muito mais, mas como é baseado em um livro, não dá para inventar muita moda, então coma algum açúcar antes da sessão e vá pois nem para adoçar a vida ele vai servir.

O filme nos mostra que os jovens britânicos Rosie e Alex são amigos inseparáveis desde a infância, experimentando juntos as dificuldades amorosas, familiares e escolares. Embora exista uma atração entre eles, os dois mantêm a amizade acima de tudo. Um dia, Alex decide aceitar um convite para estudar medicina em Harvard, nos Estados Unidos. A distância entre eles faz com que nasçam os primeiros segredos, enquanto cada um encontra outros namorados e namoradas. Mas o destino continua atraindo Rosie e Alex um ao outro.

Os diversos obstáculos criados dentro do roteiro para que o casal não fique junto até são interessantes e não soaram forçados, mas a dinâmica do filme é ruim e um pouco bagunçada já que no total se passam 12 anos entre o filme todo, o que aparentemente mais foi diferenciado do livro que originou a história, onde se passam 45 anos e aí não conseguiríamos sobreviver ao filme de tão enroscado que ficaria, mas na trama que Juliette Towhidi adaptou da escritora Cecelia Ahern, que fez "P.S. Eu Te Amo", porém diferente do romance totalmente emotivo do de P.S., aqui a situação ficou fraca, embora tente diversas vezes causar emoção, mas sempre acaba fraquejando. O diretor Christian Ditter estreia no comando de um filme não falado em alemão, mas seguiu a cartilha do cinema alemão com afinco, pois ao invés de atiçar a curiosidade do público que gosta de um romance marcado, ele faz com que tudo seja mostrado logo de cara, e isso tira um pouco da magia que o filme poderia ter. Além disso, por não ser tão alongado, muitas das situações acontecem sem explicações convincentes, e isso também incomoda bastante. Enfim, ao tentar reduzir a história de 45 anos para 12, acabaram mais perdidos que tudo na concepção do roteiro, e a direção não foi experiente o suficiente para conseguir corrigir isso.

Quanto da atuação, o que podemos falar com muita certeza é que a química de Lily Collins e Sam Claflin acontece, tanto que não dá para mentir o sentimento de ambos durante o longa inteiro, mas poderiam ser mais sentimentos ocultos para realçar a paixão de um pelo outro, e isso soou um pouco falso. Um fator interessante foi a quantidade de mudanças visuais que os protagonistas sofreram para dar o teor dos 12 anos, com muitas mudanças de cabelo, maquiagens e tudo mais ajudaram na composição, e isso ficou bem legal, acabando influenciando bem no modo de interpretar também em cada uma das épocas. Lily trabalhou de certa maneira com um humor meio falso até em algumas cenas, não aparentando realmente o que sua Rosie estava sentindo, e isso pesou bem no reflexo do filme, talvez precisasse de um empurrão maior da direção que acabou não existindo e isso prejudicou e muito o filme. E Sam é um ator interessante, que até teve bons momentos, mas como suas cenas são picadas, ele transpareceu bastante cansaço por não ter um ritmo contínuo de interpretação, e isso é fatal para desenvolver o personagem, acabando com o que seu Alex ficasse falso demais em relação a diversos sentimentos. Agora interessante mesmo foi Jaime Winstone que fez de sua Ruby uma personagem totalmente fora dos planos, claro que digo isso sem ler o livro, mas o que inicialmente parecia que seria apenas uma conversinha boba, acabou se tornando uma amizade incrível e cheia de nuances com uma interpretação muito bem feita. Dos demais, todos fizeram algo certo frente às câmeras, mas sempre soaram caricatos e clichês demais, Christian Cooke faz o macho alfa que nos momentos mais precisos some, Tamsin Egerton faz a namorada que só quer crescer na vida e não faz nada fora dos padrões, Suki Waterhouse faz a garota bonita que se dá bem na vida, mas não tem expressão alguma, ou seja, tudo muito arrumadinho e chato de ver. Lily Laight e Rosa Moloy fazem bem Katie com 12 e 5 anos respectivamente, sendo fofinhas e mostrando já trabalho logo no início de suas carreiras, quem sabe quando tiverem mais textos podem destacar mais.

Visualmente tivemos locações bem harmoniosas que foram bem trabalhadas para aconchegar e não deixar a trama sem estilo, claro que poderiam ter trabalhado com situações menos falsas, afinal tudo rodeia sempre o tradicional, as casas uma do lado da outra quase semelhantes, com objetos colocados todos detalhadamente pontuados para aparecer certinho na câmera, nos apartamentos tudo milimetricamente calculado, e até mesmo no hotel do final, temos os detalhes sempre arrumados para que o quadro da câmera se encaixe minuciosamente mostrando tudo e os atores, de maneira que nada ali parece estar acontecendo de forma natural, e isso é ruim, mesmo que a equipe quisesse mostrar um serviço bem feito, há diversas maneiras de demonstrar isso, mas tudo nos mínimos detalhes acaba parecendo mais errado do que correto. A fotografia ao menos compensou o erro da arte, temos alguns ângulos de câmera bem escolhidos para que a iluminação destacasse as faces amorosas dos protagonistas, tendo contraluz na medida correta para dar o beijo e isso é bonito de ver quando acertam a mão.

Com boas canções escolhidas para a trama, viajamos ao começo da carreira de Beyoncé e tocou até Rouge numa festa, num trabalho perfeito de escolhas para representar cada ano que a trama se passa, e isso é um acerto bem pontuado pela equipe musical do filme. E além disso todas colocadas em momentos aonde aliasse a questão sonora com o ritmo da trama, pois confesso que se não tivessem deslanchado musicalmente, o filme seria ainda mais tedioso.

Enfim, é um filme que nem quem tiver muito apaixonado ou com uma ressaca amorosa querendo afogar vai conseguir gostar do que é mostrado, de modo que faltou tudo na trama para se tornar envolvente e gostosa de acompanhar. Recomendo ele somente se você não tiver mais nenhum outro longa para conferir e gostar demais do estilo romântico aonde tudo é certinho demais e você já saiba o que vai acontecer a cada momento. Bem é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas ainda faltam mais alguns longas para conferir nesse final de semana, então abraços e até breve.

PS: A nota poderia ser até menor, mas como os protagonistas tiveram bons momentos com a composição nos vários anos da trama, e as músicas agradaram bastante, fico no meio termo com uma nota morna igual o filme.


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Golpe Duplo (Focus)

3/05/2015 01:54:00 AM |

É bacana quando um filme não nos compra pelo trailer e ao ser apresentado nos divertimos tanto com a história passada que o resultado chega a ser impressionante, e mesmo contendo diversas cenas que acabam sendo até lentas e enroladas, "Golpe Duplo" consegue nos envolver e surpreender a cada reviravolta no roteiro, de forma que a cada momento já não sabemos qual é a verdade de cada situação. Ou seja, embora o longa seja uma comédia, conseguiram trabalhar tão bem o conteúdo que acabamos ficando presos na história tentando desvendar aonde entra o novo golpe, e ao ser explicado, ficamos mais revoltados ainda de um golpe estar dentro do outro, o que é muito bom mesmo. Claro que nenhuma comédia sobrevive sem alguns clichês tradicionais, mas são meros pontos dentro da trama toda que nem chegam a incomodar, então prepare-se para a próxima semana, que esse com certeza é um filme que vale a pena conferir e vou falar mais dele abaixo.

A história nos mostra que Nicky é um experiente mestre trapaceiro que se envolve romanticamente com a golpista novata Jess. Enquanto ele ensina a ela os truques do negócio, Jess acaba se aproximando demais e ele termina a relação abruptamente. Três anos mais tarde, essa antiga paixão - agora uma talentosa femme fatale - aparece em Buenos Aires no meio das altas apostas de um circuito de corrida de carros. Durante o esquema mais recente e perigoso de Nicky, ela promove uma reviravolta em seus planos, deixando o calejado vigarista fora de seu jogo.

O trabalho feito pela equipe de montagem em cima do roteiro é algo tão interessante de acompanhar, que mesmo sendo algo linear, voltando em alguns momentos para explicar a maioria dos golpes, consegue ser bem inteligente, e isso é algo raro nas comédias atuais, de forma que os diretores e roteiristas, Glenn Ficarra e John Requa, foram precisos na condução do filme para que ele não cansasse. Digo isso de cansar pelo fato de que em diversas cenas temos alguns pontos calmos em que podemos respirar, afinal se o longa fosse todo como foram as cenas iniciais era capaz de na metade do longa estarmos pedindo um respiro, e assim com essas pequenas pausas dramáticas, conseguimos raciocinar e desenvolver para onde cada golpe está indo. Como os diretores iniciaram suas carreiras com um filme também sobre golpes, "O Golpista do Ano", podemos dizer que já estão aptos no estilo, mas ainda foram mais espertos também ao contratar um ladrão verdadeiro, Apollo Robbins, para coreografar as cenas de roubo, o que deu ainda mais veracidade para a trama, não que sem ele não conseguiriam, mas é tão impactante as cenas de furtos, que a vontade que dá é de bater a mão no bolso para ver se nossa carteira ainda está lá.

Outro fator muito bem desenvolvido foi na direção de atores, pois todos na produção já tiveram seus altos e baixos, fazendo filmes extremamente ruins, outros brilhantes, mas aqui encontraram um eixo bem pautado para que não houvessem erros, e isso ficou muito bom de acompanhar. Will Smith conseguiu divertir, ter dinâmica e ainda assim interpretar muito bem seus diálogos, o que raramente acontece tudo junto, pois ou corre, ou atua ou incorpora na maioria dos seus filmes, e aqui o seu Nicky precisou de todas as características para ser envolvente e acertado, e dessa forma mostrou que o velho Will pode estar voltando a forma antiga que gostamos de ver. Margot Robbie, além de linda, colocou carisma em cima de sua atuação e fez de sua Jess, uma personagem que em diversos momentos parece singela, mas não abre o olho pra ver o que pode fazer com você, trabalhou bem na medida do possível, e a cada cena parecia melhorar mais ainda. Rodrigo Santoro é o ator brasileiro que mais faz filmes lá fora na atualidade, e isso prova que ele tem talento, afinal a maioria dos papéis são oferecidos para quem tem as características necessárias para o papel e passam por testes na maioria das vezes, e o seu Rafael Garriga embora não seja um personagem tão presente na trama consegue ter boas nuances e agradar na forma mostrada, talvez se quisessem um latino mais impactante no papel a opção seria outra, mas ele fez bem também e entregou uma boa atuação. Gerald McRaney inicialmente parecia ser apenas mais um personagem bobo, mas com o andar da trama, a sua atuação vai ficando mais intensificada e o seu Owens acaba tendo uma participação bem significativa e interessante, o que agrada bem tanto pelo que o ator fez, quanto pelo personagem, ou seja, um trabalho bem colocado, pois poderia entregar o jogo logo de cara se errassem em alguma vírgula. E outro que mandou muito bem na atuação é Adrian Martinez que deu a seu Farhat, um ar cômico maravilhoso e extremamente divertido, o ator sempre faz papéis pequenos, mas bem colocados, e aqui foi de uma valia incrível. E outro que vale destacar mesmo com sua cena sendo bem pequena, mas extremamente bem feita é BD Wong com seu Liyuan, não tem como não cair o queixo após a explicação de sua cena, e o ator ajudou muito para que tudo resultasse bem na forma de atuar.

A produção do filme foi muito bem desenvolvida com cenários escolhidos na medida para que cada golpe tivesse luxo cenográfico e os atores apenas desenvolvessem as cenas, e dessa maneira, a equipe artística teve um trabalho monstruoso para que cada locação ficasse ambientada de maneira luxuosa, e lotada de elementos cênicos para que cada um manuseasse e nos surpreendesse com cada ato, ou seja, um filme bem rico em detalhes que são usados felizmente para tudo. A fotografia também trabalhou com cores leves e claras para dar nuance e desenvoltura para os atores, e isso é legal de acompanhar, pois nas cenas aonde os tons escuros dominaram é justamente as que mais cansam ou se estendem para o respiro que falei no início.

Enfim, um filme muito bem feito que até possui alguns defeitos, mas que no geral agrada bem mais do que incomoda. Além claro de como já falei surpreender demais com as reviravoltas na trama por conta dos golpes, ou seja, dá para quebrar a cabeça muitas vezes. É engraçado que não vi nem no começo nem no final legendarem o nome da trama para "Golpe Duplo", aparecendo apenas "Focus" que é o nome original e revela bem menos do que o nacional, aí quem sabe pode ser que tenham se arrependido do nome, mas ninguém saberá realmente isso. Recomendo com certeza conferir o filme assim que for lançado na semana que vem, 12/03, pois é divertido e bem interessante. E claro que deixo aqui o agradecimento especial ao pessoal do Shopping Iguatemi Ribeirão Preto por conseguir mais essa pré-estreia para convidados, que com a sala lotada, foi notável que todos gostaram do que viram, então o resultado é provável que agrade o público ao estrear. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas ainda tenho os longas que estrearam nessa semana para conferir, então abraços e até breve com novos posts.


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Superpai

3/02/2015 11:14:00 PM |

Todos já assistiram algum filme que algo dá errado, e ao tentar arrumar, as coisas só vão piorando. Já teve filme americano, francês, argentino e até outros brasileiros que tentaram copiar o filão que deu certo de "Se Beber Não Case", mas saber copiar é uma dádiva que nem todos possuem, e o gênero cômico se errar a mão pode se virar completamente contra os realizadores e o resultado não agradar como poderia. E isso é o que ocorre com "Superpai", pois a ideologia foi bem feita, o roteiro tentou usar piadas sujas e algumas escatologias, tem o lado bonitinho também do lance familiar, mas acabaram se perdendo em algum momento, que pode ser desde o roteiro até a montagem, e o que era pra ser completamente besteirento e agradar um estilo particular de público, acabou ficando bem morno para agradar a todos, e aí acabou não agradando a quase ninguém. Não digo que o filme foi um fiasco completo por conseguir divertir em diversos momentos, mas faltou a pegada inicial que aparentava ter logo de cara, na criação dos personagens e nas suas ideologias, que com muita certeza teria uma classificação indicativa de no mínimo 16 anos para não falar em 18, e ficar com 14 anos moderada, e assim aliviar a pressão que acabou faltando.

O filme nos mostra que Diogo é um adolescente tardio, que reluta em sucumbir à vida adulta. Casado com Mariana, ele vê a chance de resgatar a popularidade dos tempos de escola quando a turma resolve se reencontrar em uma grande festa para marcar os 20 anos de formatura. Acontece que no dia D, a sogra sofre um acidente que tira a esposa dele de casa, e Diogo terá que cuidar do filho pequeno. Para não perder a comemoração – e a chance de “pegar” uma antiga paixão do colégio – ele resolve deixar o filho em uma creche noturna. Na hora de pegar o menino de volta, porém, ele acaba levando uma criança coreana por engano. E Diogo vai viver altas confusões ao longo de uma noite ao lado dos amigos César, Nando e Júlia para recuperar o filho. E o prestígio.

O roteiro do filme até mostra que Pedro Amorim pode num futuro acertar a mão no estilo comédia forçada que muitos gostam e que faz rir, mas primeiramente ele precisa fazer fama e criar colhões suficientes para enfrentar os produtores que adoram censurar e querem dinheiro colocando um filme com classificação abaixo do que deveria. Digo isso facilmente, pois a sensação de impotência é gigantesca ao final do filme, claro que a ideologia é bacana já que o nome é "Superpai" e dar um fechamento condizente com isso é correto, mas temos todo um miolo antes para que o público role de rir das situações, temos personagens com formatos totalmente incoerentes e cheios de sacanagem para desenvolver, daí deixar isso de lado para ficar politicamente correto, foi a falha mais brochante que o longa poderia ter. Repito que temos diversas cenas engraçadas que sobraram durante o filme, mas que a capacidade do diretor era algo bem maior do que foi entregue isso eu tenho certeza absoluta, e quem sabe ainda um dia consiga ler a primeira versão do roteiro que tenho mais absoluta certeza que seria um filme pra pessoa mais suja do planeta se arrepiar. Mas já que o que nos foi apresentado foi esse filme que com certeza pode passar na TV aberta em horários diversos, o que posso falar é que o trabalho de escolha dos planos é um ponto totalmente a favor do filme, já que o diretor já havia nos mostrado em seu filme anterior que não gosta de câmera parada, aqui temos ângulos sendo ainda mais ágeis para dar o ritmo na trama e envolver as piadas fracas, e assim, tentar agradar um pouco mais do que o leve sorriso nas cenas mais normais.

Sobre o elenco não tem jeito, Danton Mello é fraco, isso é um ponto que ele se esforça para ser cômico e raramente consegue, já errou em diversos filmes sempre da mesma forma, e já está na hora de algum diretor ver que ele não tem rosto engraçado, não tem tom risível nas piadas e sempre força seu estilo humorístico para que o público ao menos ria de piedade dele, quem sabe fazendo algo policial ou dramático tenha mais sucesso, mas aqui mesmo quase se matando pulando e rolando, ainda foi fraco, não estou dizendo que ele não se esforça, muito pelo contrário, tentou de diversas formas, mas não envolve. Agora a grande vítima do corte do pudor no roteiro tenho certeza absoluta que foi Dani Calabresa, pois sua Júlia devia ter algumas das piadas mais quentes e sujas que fariam a equipe nem conseguir gravar direito, é nato isso em diversos momentos do filme, e ela tentou até se segurar, além disso, também é responsável pelo maior erro de continuidade claro do cinema nacional, e pode até ser devido aos cortes, que numa cena está toda lambrecada de batom junto do personagem de Tabet e na seguinte está tão arrumada quanto saiu da festa, mas tirando esses defeitos, até que soube atuar razoavelmente bem, ainda prefiro ela como apresentadora da MTV, mas vai ficar boa em breve com tantos projetos. O personagem de Thogun Teixeira, Nando, provavelmente conteria as piadas homofóbicas que o produtor do longa estaria até agora tentando explicar para o conselho de ética, e tirando uma cena fraquíssima, é demonstrado sua sexualidade, do restante nem o ator se esforça para fazer o tipo, nem a trama mostra algo que o faça sair do armário, ou seja, ficou algo tão neutro que não agrada nem desagrada ninguém, quase nulo. Até hoje só conhecia Antonio Tabet de alguns vídeos do "Porta dos Fundos", e o que lá o fazia um cara engraçado, aqui ficou totalmente piegas e sem envolvimento, algumas cenas suas são divertidas, mas o ator pareceu perdido quanto ao texto maior do que apenas as esquetes para a internet, e assim seu Cezar ficou fraco também. Monica Iozzi já havia dito que sairia do CQC para ser atriz, e isso vem se consolidando bastante já que está fazendo diversas novelas, filmes, esquetes e tudo mais, e de todos aqui foi a que menos deu falhas, claro que se usasse seu tom humorística agradaria mais, mas nas poucas cenas que está do filme, fez com que sua Mariana fosse divertida e interessante de acompanhar. O destaque com certeza de caras e bocas do filme fica claro para o garotinho Erik Min Soo Chung que com seu Jaspion cheio de fofura, com certeza divertiu demais a equipe de filmagem, e agrada no que faz em cena, poderia ser mais explorado no filme que agradaria mais ainda.

Sobre o visual, embora a maior parte das cenas se desenvolvam dentro de um carro, nas paradas souberam colocar bem os elementos cênicos para dar conteúdo e representar os locais sem precisar ficar falando, aqui é tal lugar, aqui é outro lugar, e isso é algo que já venho falando de outros filmes nacionais que os diretores de arte tem trabalhado bem e gastando boa parte do orçamento para agradar. Talvez uma ou outra cena merecesse algo a mais, mas no geral agrada bem, o destaque falho fica para a festa de confraternização que num primeiro momento estava sem figurantes e na cena mais para o fim já está lotada de pessoas, claro que o ambiente foi reduzido, mas aparentou ser uma falha. A fotografia do longa também não se desenvolveu demais, sendo apenas correta, o que poderia ser abusado mais com tons diferenciados para cada estilo de cena, e embora correto por termos muitas cenas dentro do carro, faltou saber mostrar que numa rua, a iluminação oscila, e com todo momento todos bem iluminados, ficou claro que estavam dentro de estúdios em boa parte do tempo.

Enfim, é um longa divertido no geral, mas que poderia ser algo muito, mas muito melhor mesmo sem que tivessem censurado tudo. Quem gosta de algo leve para rir, talvez até goste mesmo com algumas escatologias, mas quem desejar uma comédia que vai fazer você chorar de tanto rir, essa não é a que irá fazer isso. No geral como cumpriu com o dever de divertir até vale o ingresso, mas está longe de ser algo fantástico, então só vá se você realmente gostar de comédias inusitadas e procure não caçar as falhas, pois está muito fácil. E não falei de Rafinha Bastos e Danilo Gentili por um único motivo, ambos apenas aparecem de enfeite no filme, antes que alguém pergunte, o papel de Bastos até poderia ter muita história pra contar, mas foi quase algo nulo. Bem é isso pessoal, fico por aqui encerrando a semana cinematográfica com esse filme, então abraços e até breve.


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Relatos Selvagens

3/01/2015 01:08:00 AM |

Sei que você que está lendo esse meu texto já passou por algum momento que desejou matar algum atendente de órgão público, ou desses telefonistas chatos, ou o patrão/chefe insistente, ou até mesmo algum conhecido por algo que lhe deixasse completamente irado, e isso é normal da personalidade humana, mas ao sair do pensamento para a prática, aí a coisa já fica um pouco mais complicada. Pois bem, em "Relatos Selvagens", os melhores atores argentinos nos presenteiam com as situações mais desesperadoras pelas quais passaram, colocando sua raiva para fora, mas com muito motivo, e em 6 curtas maravilhosos e completamente divertidos acabamos rindo das situações que com muita certeza desejaríamos fazer o mesmo que eles, ou seja, nos vemos com os protagonistas, e isso que é bacana. E com uma direção precisa, novamente o cinema argentino nos mostra que não basta fazer comédias, tem de saber aonde vai a bobagem e aonde cabe a loucura, ou seja, mais um longa deles que foi indicado ao Oscar e diversas outras premiações, enquanto ficamos dentro do patamar novelesco bobinho e simplório.

O filme conta uma história de tragédia, amor, decepção, passado e violência, que espreitam a superfície do cotidiano. Vulneráveis às mudanças inesperadas da realidade, os personagens são levados para o abismo e para o prazer de perder o controle, atravessando a pequena linha que divide a civilização da barbárie.

Falar de cada história individualmente é quase que dar spoilers gratuitos, pois o que leva a nos divertir é conhecer cada situação limitante no momento exato em que é apresentada, e isso foi feito de uma maneira tão peculiar pelo diretor e roteirista Damián Szifrón que não temos como achar defeitos no contexto de cada um dos trechos, mas sim nos imaginar naquela situação como resolveríamos da forma civilizada, e num momento mais explosivo. O que posso adiantar apenas são meus trechos preferidos, que com certeza é em primeiro lugar o episódio do engenheiro interpretado por Ricardo Darín, em seguida a história de abertura do avião, logo bem próximo a história do jovem no automóvel, e fechando com chave de ouro, a confusão no casamento. Não que as duas outras histórias sejam ruins, mas são as que menos me envolveu, embora a do restaurante muitos sonhem em um dia fazer aquilo. A classe que o diretor trabalhou para compor cada história é algo que não consigo imaginar, pois mesmo tendo nossos momentos de raiva explosiva, tudo foi tão bem elaborado que se acontecesse na minha frente hoje, iria rir só de pensar no que vi no filme, já imaginando não ser real, mas repito, pode acontecer tranquilamente com qualquer um, e diante da forma clássica da filmagem argentina, que sempre mistura drama e suspense nas suas comédias, o resultado do trabalho ficou digno dos prêmios e indicações que tem levado, e se antes não conhecia esse diretor, agora posso com certeza colocar o nome dele em algum lugar para que seu próximo filme veja correndo.

Sobre as atuações é algo até difícil de falar, pois temos tantos atores bons fazendo personagens brilhantes que daria uma tese completa analisar cada um deles, e digo mais, conhecendo o cinema americano, não duvido que logo mais comprem os direitos da produção para fazer uma versão americana com um elenco monstruoso também por lá. Mas vamos lá falar ao menos dos destaques, e claro não poderia começar falando de outro senão Ricardo Darín, que é um dos atores argentinos mais conhecidos fora da Argentina, e aqui trabalhou de forma tão bem colocada que não temos como não lembrar de seu Roberto em "Um Conto Chinês", pois seu Simón aqui novamente é levado ao limite por uma situação cotidiana que realmente irrita a todos, e ele sabe segurar seu lado mais forte para o momento exato da trama, e isso é excelente de ver em todos os filmes que faz. Leonardo Sbaraglia trabalhou muito bem encaixando seu Diego com uma história bem maluca de briga de estrada, mas soube demonstrar diversas nuances expressivas em cada momento da sua história, e isso é bem bacana de ver. Agora o grande destaque feminino ficou por conta de Erica Rivas, que fez de sua Romi, uma mulher completamente insana ao surtar com o que ocorre em seu episódio, a mulher trabalhou trejeitos, fez diálogos impactantes e brilhou totalmente de forma a fechar o filme com chave de ouro, um luxo que poucos diretores conseguem ter em suas mãos. No episódio de abertura do avião, por ser bem curto e com muitos atores não dá para destacar ninguém, mas a simples colocação da temática já foi algo genial e vale a pena pelo contexto que todos trabalharam bem.

Visualmente temos um filme muito interessante, pois ao trabalharmos pequenos trechos, não ficamos presos em nenhum cenário particular, e isso com toda certeza foi de um trabalho monstruoso para a equipe artística, mas que resultou em algo que merece muitos aplausos, pois cada um dos episódios possui sua própria característica cênica, seus próprios elementos para brilhar tanto a atuação dos protagonistas, quanto mostrar realmente o momento correto, e isso já é difícil de acertar num único filme, quanto mais em seis conjuntos, ou seja, perfeição novamente que merece ser reparada detalhadamente. Sobre a fotografia, posso repetir tudo que disse da equipe de arte, mas ainda dá para frisar que com tons quentes usaram sabiamente cada momento chave com cores a beira da explosão, mas claro que sem errar, e isso para alguns pode até chocar, já que alguns não são muito fãs de tensão explosiva, mas os fãs de filmes de Almodovar e Tarantino podem se preparar para sair do cinema em êxtase com o que lhe será presenteado a cada trecho.

A trilha sonora de Gustavo Santaolalla é outro ponto da trama que nos deixa no ritmo forte que quiseram nos impor, tanto que o filme parece curtíssimo, mas tem mais de duas horas, e abusando de acordes que nos remetem ao rock tradicional e até marcações clássicas do tango de impacto, o compositor dá a amarração perfeita para que o filme envolva muito e agrade demais a cada ponto preciso dos episódios.

Enfim, é um filme que se você não viu por ter estreado em poucos lugares, já marque em qualquer lugar para alugar, ver online ou de qualquer forma obrigatoriamente, pois é algo genial e muito bem feito. Garantia de muitas risadas e percepções artísticas de uma maneira que quem ainda não for fã dos longas argentinos, com certeza vai sair buscando muito mais após conferir o filme. Recomendar ele é uma palavra muito pequena perto da grandiosidade do filme, e já estou bem curioso para ver o filme que acabou levando o Oscar de Melhor Estrangeiro, pois ganhar desse espetáculo é algo que tem de ser muito bom. Infelizmente o longa ainda não estreou em Ribeirão Preto, e torço que apareça logo para que mais amigos possam conferir, como vim para Rio Preto passear e visitar a família, aproveitei que o longa estava em cartaz por aqui para ver em boa película num dos cinemas da cidade, que ainda não se digitalizou, e acho que esse é o principal motivo de ainda não ter passado por Ribeirão já que a estreia oficial foi em Outubro de 2014 no Brasil. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda falta uma das estreias da semana para conferir, então abraços e até breve.


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A Teoria de Tudo

2/28/2015 02:15:00 AM |

É tão comum fazerem biografias de pessoas que já morreram, que quando vemos uma história real nos cinemas, a primeira pergunta que ouvimos na sessão de cinema é: "ele morreu quando?", logo em seguida vem "não tem como uma pessoa viver assim!", e daí você sai da sessão de "A Teoria de Tudo" pensando como você pode reclamar tanto da sua vida se você não tem nem metade do perrengue que esse gênio da física passou. Porém passado o momento de desespero da sua baixa-estima, o que vem na nossa mente tirando a espetacular atuação do protagonista é que o filme foi falho ao mostrar a vida dele por um único e grandioso problema, o filme é baseado no livro da esposa, e embora tenha cuidado muito bem do marido, tendo sofrido demais, se passar como coitadinha acabou soando forçado em diversos momentos. Sabemos o quão duro é a vida que deixou de lado para cuidar dele, mas não necessitava algumas cenas que mostraram o teor sofrível e desgastante, e isso não só pode, como acabou custando diversos prêmios em festivais, o que é uma pena, já que se a história fosse algo mais enobrecedor da sua parte teria uma vivência bem melhor e mais bonita.

A cinebiografia conta a história do físico Stephen Hawking. A trama explora a sua vida como estudante da Universidade de Cambridge, onde conheceu sua futura esposa, Jane. Foi nessa fase em que ele começou a ter os primeiros sintomas da esclerose lateral amiotrófica (ELA), que lhe tirou os movimentos do corpo e a fala.

O fato de ser uma biografia já limita bem o trabalho de um roteirista, afinal ele não pode ser ousado o suficiente para inventar muita coisa, ainda mais pelo fato das pessoas estarem vivas, mas Anthony McCarten poderia ter trabalhado de uma forma menos forçada na composição de Jane Hawking, pois tirando as mulheres que já sofreram com alguma doença dos maridos, as demais pessoas não conseguirão normalmente assimilar ela como uma coitada frente à uma pessoa deficiente, claro que é nato que a pessoa sofreu, mas querer elucidar demais isso é um erro gravíssimo frente à tudo que mostram acontecendo no filme. Porém esse é o único defeito de um filme feito com comicidade e emoção, aonde o diretor James Marsh soube cuidadosamente amarrar as atuações magníficas num contexto maior e mais simbólico, claro que talvez um filme sobre as teorias mesmo de Hawking seria algo monstruoso e que poucos entenderiam, mas conhecer um pouco da sofrida vida do personagem já foi feito de forma bem trabalhada com técnica segura e movimentos tão suaves que geram uma sutileza nata de um espectador bem presente nos momentos, no caso, a esposa.

Falar da atuação do ganhador de praticamente todos os prêmios do ano é algo que não dá para explicar de tão boa que é, pois Eddie Redmayne, sem dúvida alguma pode escolher o projeto que desejar, e mesmo fazendo algo muito ruim, ainda vão lembrar de quão boa foi sua interpretação de Stephen Hawking que vão relevar, foi literalmente uma incorporação de personagem, com trejeitos mínimos perceptíveis frente à câmera, singularidades que se uma pessoa pegar o filme despercebida na TV vai achar que o jovem realmente tem todos aqueles problemas, literalmente chegamos a querer ajudar o personagem e por consequência o ator à fazer suas coisas, não dá para falar que foi perfeito, pois essa palavra ainda é abaixo do que o jovem fez. Felicity Jones foi infeliz no papel de Jane somente pelo fato que já frisei acima, de tentarem mostrar a protagonista como uma coitada e não como alguém batalhador que esteve sempre ao lado do marido nos momentos difíceis, pois a jovem fez uma interpretação até que considerável, e acabou sendo indicada à diversos prêmios, mas a culpa dos erros é do roteiro e não dela, e assim sendo alguns momentos soaram até falsos frente ao que mostra contradizendo o que falava, ou seja, talvez a direção pudesse ter mudado alguns detalhes que a jovem daria um show também, mas não ocorreu, então está levando algumas pedradas. Charlie Cox deu um ar meio estranho para o seu Jonathan, é contado em certo momento seus problemas, mas é outro que acabou soando como coitado na história e ficou falso em alguns momentos do filme, faltou um pouco mais de olhares para convencer, pois mesmo nos momentos emotivos e bonitos que está junto dos protagonistas, seu olhar triste chega a beirar piedade, e isso não é legal frente à um personagem. Algumas cenas de Simon McBurney como Frank mostram o quanto alguns professores são grandes mestres e esforçam a mente dos discípulos para um bem maior, mas como esses momentos não foram tão explorados, ele apenas soou mais como um amigo particular do que como o grande mestre por trás da mente brilhante do personagem principal, e isso também pode ser considerado uma falha, já que o ator é muito bom e merecia algo de maior destaque. E para finalizar, já que daria para falar de muitos outros personagens que foram importantes e não ganharam o devido destaque, vale a pena falar de Maxine Peake como Elaine, pois logo de cara a atriz pegou algo e fez toda uma vitalidade impactante que deveria ser mostrada na protagonista, e talvez isso até esteja no livro como algo que Jane gostaria de se enxergar e pôs na personagem como motivo para sua separação, ainda mantendo o lado de vítima, e a atriz fez tudo tão bem colocado que mesmo entrando somente no fechamento do filme, acabou agradando bastante.

Sobre o visual da trama, conseguiram montar uma cenografia clássica dentro de uma proposta não muito conservadora, e isso é bacana de ver, pois é o que costuma acontecer em demasia nos filmes britânicos, e raramente eles erram nesse conceito agradando tanto na quantidade de elementos cênicos para que cada cena tenha a simetria correta, os detalhes sem exagero, tudo ficando em uma pontuação clara e minuciosa de forma artística e soa bonito, mas faltou a ousadia que agradaria e chamaria atenção, por exemplo o que foi mostrado nas várias cenas de escadaria, tanto com os amigos quanto a com o bebê, que foram muito bem colocadas, e agradaram bem mais que as outras mais rebuscadas. Quanto da fotografia, o cinema britânico adora os contra-planos com luz estourando frente aos tons marrons em primeiro plano, é algo clássico que funciona de certa forma para dar personalidade aos seus filmes, mas não dá brilho nem para que os atores sobressaiam nem que o filme ganhe vida própria, talvez algo mais puxado para o pastel com destaque frontal daria uma vida maior e chamaria destaque não apenas para a boa atuação do protagonista.

Quanto da trilha sonora de Jóhann Jóhannsson é um espetáculo fora de série, com nuances puxadas para cada momento ser envolvente e interessante, ganhando charme e agradando demais, quando deram o prêmio para "Grande Hotel Budapeste" podemos dizer que a academia gostou mais do formato cômico do que algo mais sério e envolvente, que nos foi entregue aqui.

Enfim, um filme muito bem feito e que nos envolve ao mostrar toda essa vida de luta que segundo os médicos não duraria no máximo 2 anos, e já passados mais de 50 demonstram uma garra e determinação tamanha, tanto da pessoa Hawking como de todos ao seu redor, e souberam mostrar bem isso, tirando o pequeno defeito que falei que seria melhor ocultado da trama. Demorou quase um mês para chegar ao interior, mas fiquei muito feliz que numa sessão às 22 horas a sala estava lotada, significando que felizmente a grande maioria acabou não baixando o longa e foi conferir agora nos cinemas, apenas digo para todos que corram, pois como são poucas cópias, não deve ficar muito na cidade, mesmo dando público. Bem é isso pessoal, recomendo muito o longa para quem gosta de dramas clássicos, mas com uma pegada bem leve de comicidade que vai agradar com certeza de alguma forma tanto pela biografia quanto pelo trabalho feito, fico por aqui agora, mas ainda hoje irei conferir outro bem atrasado que não apareceu ainda em Ribeirão Preto, mas como estarei em São José do Rio Preto, vou conferir por lá, abraços e até mais tarde.


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Tinker Bell e a Lenda do Monstro da Terra do Nunca

2/27/2015 09:43:00 PM |

Quando digo que assisto tudo, alguns amigos ainda frisam o "mas tudo mesmo?". A resposta sempre é a mesma, afinal porquê distinguir um filme de outro? Temos de analisar, e claro alimentar o vício cinematográfico com todas as histórias possíveis que nos for entregue. E aqui, o segredo de uma boa animação da Disney é mantido e adicionado o teor da saga das fadinhas, colocando alguns personagens carismáticos, um ponto de conexão para a história que leva o título, músicas agradáveis e pronto, temos um filme gostoso de acompanhar, curto, afinal a saga foi criada originalmente para passar repetidas vezes na TV, mas sempre com um mote bem feito e interessante. Mas aí vem a pergunta, o que "Tinkerbell e A Lenda do Monstro da Terra do Nunca" se diferencia dos demais? A resposta vem em alto e bom som: TEXTURAS!!! Sério pessoal, se você já achava o Sullivan de "Monstros S.A." algo perfeito, o que fizeram com esse monstro do filme foi algo que tenho certeza que os executivos da Disney nunca se imaginaram capaz, e isso faz com que o filme mesmo contendo uma história simples, porém muito bem feita, seja ainda melhor para quem for fã de animações e for levar alguma criança para conferir (afinal não podemos assumir que vamos sozinhos ver Tinkerbell não é mesmo, no meu caso levei minha irmã que é fã das fadinhas!!!).

A história nos mostra que divertida e talentosa, Fawn é uma das fadas dos animais que acredita que não se deve julgar um livro pela capa, ou os animais por suas presas. Um dia, ela acaba se tornando amiga de uma criatura enorme e misteriosa conhecida como o Monstro da Terra do Nunca, e tenta convencer Tinker Bell e seus amigos de que o bicho não é o que eles pensam.

Embora vamos descobrir, de forma simbólica, a história real do bichão, o longa inteiro dá para ligar os pontinhos facilmente e entender tudo que é mostrado, afinal foi feito para crianças e não poderiam forçar tanto a barra. E dessa forma acertada, o roteiro simples e bem elaborado consegue convencer nos envolvendo com uma história bonita, que acaba sendo criada pela amizade da fadinha com o bichão e todo o desenrolar da trama. O diretor e roteirista Steve Loter, entra para dirigir seu primeiro filme da saga que já computa 6 filmes, e foi sábio ao trabalhar com foco em menos personagens do que a trama anterior, tanto que Tinker acaba quase não sendo importante para esse longa, e isso não é ruim, afinal não é porque o longa leva seu nome que a fadinha verde necessita estar aparecendo sempre, mas isso com certeza foi um risco que ao escolher muitos no estúdio devem ter lhe chamado de maluco, porém como a fadinha Fawn é carismática suficiente e a protetora Nyx também trabalhou de forma crível, tudo ficou bem feito e com o bichão em cena ninguém tem nem como tirar os olhos dele.

Volto a falar que não conseguimos tirar os olhos do bichão por vários motivos, e o principal é sua textura de pelos incrível e que mesmo sendo uma animação computadorizada, com auxílio da tecnologia 3D posso dizer crivelmente que quase conseguimos sentir o tão macio que é, parecendo quase um daqueles ursos de pelúcia bem fofos, e dessa forma posso dizer que finalmente atingiram o patamar que precisavam para mostrar pelos em um filme. Claro que o protagonista chamado de Ranzinza não é só texturas, e o carisma da sua personalidade é algo que faz com que todos se divirtam e emocionem, de maneira que a proposta do filme funcione bem. A fadinha meio amalucada Fawn também possui um carisma bem bacana, e cantando as suas canções saiu bem colocada, agradando nas situações que acaba se envolvendo e foi desenhada com formas muito bem trabalhadas, assim como as demais fadas, todas tento cabelo bem ornado e que repito mais uma vez, mostrou que a técnica de animação escolhida dessa vez foi algo que podemos esperar no próximo filme da Disney um primor monstruoso. Outro personagem que chamou atenção foi a fada protetora Nyx que demonstrou muita coragem para os pequeninos e chega a ser até rude demais em alguns momentos, mas se os pais souberem explicar o desfecho para as crianças, servirá de um ótimo exemplo. As dublagens foram feitas com vozes bem gostosas e suaves, dando um tom para os personagens bem interessante, que acaba funcionando na medida.

Sobre o quesito artístico, dessa vez não temos diversos locais para serem explorados, afinal ficamos reclusos quase que integralmente na floresta aonde o bichão vive, mas com muitas árvores e pedras, temos algo bacana e bem colorido para que os personagens desenvolvam suas ações e junto com eles pudéssemos ir conhecendo cada um e o motivo completo da história para aonde vai terminar. E claro que o pessoal da fotografia digital fez um colorido bem vivo para realçar seu trabalho e chamar atenção nos pontos que eram chaves da trama, um luxo total, que ainda vamos ver muito nos próximos episódios da saga. Sobre o 3D, posso dizer que funciona na maior parte do filme, já que muitas cenas são com os personagens voando, mas a tecnologia funcionou mais como uma conexão para que o visual ficasse super realista, isso não tenho dúvida alguma.

As canções dessa vez foram mais tristes, mas isso não atrapalhou em nada o desenvolvimento da trama, muito pelo contrário, servem para auxiliar na emoção que querem passar para os espectadores, e como todo filme Disney que se preze, funcionam e são bem bonitas.

Enfim, mais uma vez acertaram na saga fazendo algo muito bonito e que vale a pena ser visto e compartilhado com a garotada. A saga só vem crescendo, e para todos assim como eu que achava que logo colocariam ela encontrando Peter Pan e encerrando a história, podemos com certeza tirar o cavalinho da chuva, pois devem arrumar ainda muitas outras histórias no meio do caminho para desenvolver e agradar os pequeninos que anseiam mais filmes. Bem é isso pessoal, recomendo ele com certeza, talvez alongaria um pouco mais para contar mais a história de outras fadinhas, mas como disse, ainda deve vir muitos outros filmes, então, como produtores querem dinheiro, filmes de 78 minutos é o que vão nos entregar. Fico por aqui agora, mas ainda irei conferir mais um longa hoje, então volto mais tarde com minha opinião sobre ele. Abraços e até lá.


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Sem Direito a Resgate (Life of Crime)

2/27/2015 12:46:00 AM |

Quando observamos um estilo diferente de filme, às vezes ficamos contentes com o que é mostrado, outras vezes ficamos apenas pensando no que o roteirista ou diretor queriam nos passar. Sabemos que no passado, os filmes de sequestro com ideologias monetárias eram bem planejados e tinham todo o cuidado peculiar com figurinos e armações, mas na maioria das vezes os planos eram completamente sem nexo algum, e isso acabava de certa forma engraçado e acabava entretendo o espectador, daí algum grande fã desse estilo imagina que se fizer algo desse estilo nos anos atuais talvez vá ganhar destaque e agradar também, mas devemos sempre lembrar que por trás de uma ideologia simples, existiam excelentes roteiristas no passado, e se um filme desse estilo não for bem arquitetado, a chance dele se tornar completamente chato é altíssima, e infelizmente isso foi o que acabou acontecendo com "Sem Direito a Resgate", que até tem um desfecho bem bacana, mas para chegar até ele, seus 98 minutos parecem intermináveis.

O filme nos mostra que Mickey Dawson é sequestrada e seu rico marido, que está com a amante se recusa a pagar o resgate exigido pelos criminosos. Com isso, os sequestradores terão que se planejar para encontrar outra forma de receber o dinheiro desejado.

O grande problema do filme é sua semelhança com diversos outros filmes, porém sem o brilhantismo que outras produções tiveram, e mesmo o roteirista Elmord Leonard conseguindo desenvolver bem o romance no qual foi adaptado, o longa tem diversos problemas de ritmo que o diretor Daniel Schechter não soube resolver, tanto que não é de se assustar se for pesquisar sobre o longa e ver que assim como muitas produções brasileiras, o filme foi lançado para festivais em 2013, saindo em circuito comercial somente no final do ano passado, ou seja, não conseguiram enxergar potencial nele, aqui não sei como será no final de semana, mas na sala aonde fui assistir só tinha eu. Outro problema do filme, além da falta de potencial, é a dinâmica entre os protagonistas, parece que todos estão atuando sozinhos, como se tivessem debatendo seus textos apenas com o diretor, não interagindo entre eles, e essa desconexão é algo que pode parecer absurda de ver num filme, mas ela acabou deixando um trabalho certamente monstruoso para a equipe de edição que tentou ao máximo amarrar as pontas, mas se vê furos à cada virada de câmera.

Sobre as atuações, como acabei de falar é até difícil ver alguma tentativa dos atores em se destacar para chamar ao menos atenção, todos parecem em alguns momentos até estar fazendo seus papéis, mas não de forma que seja considerada interpretativa. Jennifer Aniston, que também jogou um pouco de dinheiro na trama como produtora executiva, faz de sua Mickey uma daquelas mulheres que qualquer um que sequestrar vai saber que não vai ganhar nem R$100,00 quanto menos U$1 milhão, já sendo o desânimo em pessoa, e isso acaba não envolvendo nada na trama, faltou a pessoa se debater, querer algo a mais, mas não entrou nem estado de choque para falarmos que estava desesperada com o que lhe podia ocorrer, ou seja, podemos considerar esse como sendo um dos seus piores papéis. John Hawkes parece ter uma motivação tremenda em conseguir seus objetivos como Louis, claro que sua aproximação com a vítima é evidente e aconteceria normalmente da forma que foi, mas em momento algum vemos algo mais trabalhado, parece que necessitávamos da história anterior ao início do filme para engatar a trama, ou que ele demonstrasse mais sua vida de crime. Yasiin Bey foi quem mais tentou pelo menos ser expressivo com seu Ordell, mas como diz o ditado, uma andorinha só não faz verão, e suas expressões, trejeitos e tudo mais pareciam dar um gás na trama, mas já saia do seu momento e falhava tudo. Isla Fisher é um mulherão, isso não temos como negar, e teve até que uns diálogos bem trabalhados, mas só, faltou ser a amante fatal, ou será que pensam em fazer um segundo filme, espero que não, mas ao menos sua Melanie agradaria mais como vítima. Tim Robbins trabalhou bem, o marido beberrão Frank no começo, mas com o "desaparecimento" do personagem dentro da trama, seus momentos subsequentes só foram feitos de caronas sem motivos. O personagem Richard de Mark Boone Junior chega em alguns momentos ser assustador, e é um dos poucos que daria para desenvolver uma tremenda história, mas só serviu de guarda mesmo, já que a história era outra aqui. E para fechar o desastre Will Forte tentou ser cômico com seu Marshall, mas não temos nada na história que acabe servindo seus atos engraçados, claro que como a história era algo mais longo, talvez tivessem momentos bem interessantes com ele, mas ficou fajuta sua atuação e seu personagem.

O visual da trama foi todo trabalhado para se passar bem nos anos determinados, mas em diversos momentos, acabamos ficando perdidos se ali é um trabalho artístico mesmo com os elementos cênicos característicos, ou se o exagero na coloração avermelhada apenas está nos enganando, principalmente por a maior parte das cenas se passar sempre dentro dos ambientes, até mesmo o clube de tênis não temos nada fora para contextualizar. Claro que não vemos erros técnicos com esse quesito, mas poderiam ter trabalhado mais para que o recheio do bolo agradasse e chamasse atenção já que a cobertura dos atores não agradou tanto mesmo sendo grandioso. O destaque artístico ficou para os equipamentos nazistas que o personagem Richard coleciona, e isso como disse poderia ser uma história paralela excelente. A fotografia forçou nuances como disse, pois temos iluminação sempre suja ou avermelhada, e isso funciona para dar o tom de época, mas com em diversos momentos, a edição trabalhou de forma a maquiar erros nessa situação, e isso ficou falso demais.

Enfim, um filme cansativo que não conseguiu passar nem a essência que foi idealizado, muito menos uma nova história envolvente para que o público consiga tirar suas próprias conclusões dela. Não tem como recomendar o filme para ninguém, mas quem não tiver o que assistir ao menos vá para que a distribuidora que é das pequenas e não decepcionou nenhuma vez mandando sempre seus filmes para o interior na data exata da estreia continue assim. Fico por aqui agora, mas ainda temos muitos filmes que vieram para o interior nessa semana para comentar, então abraços e até breve.


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Annie

2/18/2015 01:26:00 AM |

Muitos reclamam de refilmagens, mas tirando os clássicos que passaram antes de 1982, não lembro de ter assistido a certos filmes, então para pessoas que não ficam revirando as locadoras e arquivos digitais, como é o meu caso, posso dizer que certos filmes soam até como novidade até que se descubra algo. Sendo assim, vou analisar "Annie" somente pelo que foi passado nesse filme atual, e o que posso dizer de antemão é que a história é bem bacana e divertida, só fico bravo por não poder analisar as interpretações de acordo com as expressões, pois a Sony/Columbia que distribui o filme no Brasil, optou por ter somente cópias dubladas na maioria do país, e assim fomos obrigados a ver os atores dublando canções que nada se conectam com a expressão dos atores, e ainda traduzidas na maior parte ao pé da letra, ficaram sem rima, sem emoção e até estranhas demais. Espero que algum dia eu possa conferir a versão legendada para voltar aqui e melhorar a nota do filme, pois do contrário, já adianto que vai ser difícil alguém se empolgar com o que verá na tela.

O filme nos mostra que Annie é uma órfã que mora em um abrigo gerenciado pela megera Sra. Hannigan. A vida da menina muda quando Will Stacks, candidato à prefeitura de Nova York, a salva de um atropelamento. Ele vê essa situação com forma de conquistar eleitores e por isso convida Annie para passar alguns dias em sua mansão. O que ele não contava era com o instinto paternal que lhe desperta.

A história em si é algo ao mesmo tempo bonitinho e familiar, pois ao mostrar a garotinha órfã em busca de uma vida melhor, sempre feliz consegue dar lições de coisas simples para a garotada que vai assistir, e também acaba sendo simples demais para que o formato musical fosse trabalhado dentro da trama, e isso acaba sendo um pouco forçado demais dentro do contexto. Claro que diferentemente de "Caminhos da Floresta", último musical que nos foi mostrado nos cinemas, aqui algumas das situações são até bem trabalhadas musicalmente, e ganham vida no rosto expressivo da garotinha protagonista, mas outros momentos acabam beirando o ridículo, ao exemplo as de Cameron. O diretor Will Gluck tem habilidades suficientes para transformar personagens secos em carismáticos, e isso já tínhamos visto bem em "Amizade Colorida", e aqui não foi diferente com os papéis de Foxx e Byrne, mas talvez poderia ter colocado mais doçura em alguns momentos e em outros mais seriedade, pois os momentos bonitos em algumas cenas ficaram secos demais pela cantoria, e alguns momentos mais sérios ficaram bobinhos quando não foi acertado o ângulo e entrou com a cantoria também. Claro que novamente posso dizer que estou dando minha avaliação com base no que vi dublado, então muito do sentimento das canções podem ter sido perdidas com o que adaptaram, assim sendo é melhor que apenas fale que o filme foi correto, mas poderia ser muito melhor.

Sobre a atuação, já tinha dito em sua estreia nas telonas que Quvenzhané Wallis é o carisma em forma de pessoa, e agora já grandinha está ficando ainda mais carismática, e toda trabalhada no seu jeito de atuar, (ainda estou com muita raiva por não ter visto ela cantar realmente, já que a voz é outra até nas canções), mas acredito que fez muito bem o que lhe foi solicitado para sua Annie, pois expressivamente aparentou os sentimentos das canções de uma forma bem bacana, e nos momentos menos cantantes fez bem seus trejeitos. Jamie Foxx é daqueles atores ecléticos que pegam papéis de todos os estilos para dizer que são realmente bons em tudo, e aqui como candidato a prefeito foi meio estranho, porém como rico empresário soube ter classe e trabalhou bem nas expressões que seu Stacks lhe pedia, porém a dublagem colocou a voz de Eddie Murph nos filmes antigos e beirou o ridículo em sua voz, ou seja, não dá para se concentrar no que era falado pelo ator. Cameron Diaz precisa urgentemente voltar a fazer papéis ou cômicos total, ou tentar virar um lado dramático mais forte, pois esse meio termo que anda fazendo só está servindo para colecionar indicações ao Framboesas de Ouro, beirando o ridículo na maioria das cenas que faz, aqui seu papel de Srta. Hannigan além de bobo, foi mal atuado independente da dublagem. Rose Byrne caiu muito bem no estilo que o papel de Grace pedia, e é envolvente no estilo de atuar e graciosa nos movimentos de dança, dando uma nuance que com certeza o personagem nem exigia, mas fez bem para agradar e chamar a atenção para si, uma das poucas boas coisas do filme são seus momentos. Bobby Cannavale trabalhou bem dentro do que o personagem Guy pedia, mas é um papel tão abobado, que nem seus momentos mais malvados conseguiram transparecer, e dessa forma acabou ficando estranho realmente suas intenções dramáticas e expressivas, também acredito que o problema ficou na sua canção dublada, mas podia ter trabalhado também mais as expressões que transpareceria. Os personagens Nash de Adewale Akinnuoye-Agbaje e Sra. Kovacevic de Stephanie Kurtzuba são apenas coadjuvantes dentro da história, mas conseguem ter momentos bem colocados que acabam dando um certo envolvimento e agradando, claro que a piada pronta foi o sotaque russo criado pela dubladora de Kurtzuba, mas como já falei demais da péssima dublagem, então nem conta mais.

Visualmente, tiveram um capricho ímpar na concepção dos ambientes, pois tanto o lado pobre aonde a jovem mora com a megera quanto o lado rico do apartamento e das empresas de Stacks foram montados de forma muito bem trabalhada e cheia de objetos cênicos para representar cada nuance. Claro que destacando muito mais o apartamento todo tecnológico que agrada demais em todos os momentos que são passados ali, então isso mostra todo um capricho que a produção teve com esse quesito. A fotografia trabalhou bem os momentos para diferenciar bem os momentos mais felizes dos tristes, e isso agrada em um filme, só poderiam ter usado algumas técnicas menos forçadas nos voos de helicóptero, pois acabou ficando na dúvida de se foi realmente filmado em ar ou usando chroma-key.

Já que estamos falando de um filme musical, as canções mesmo dubladas ficaram no estilo de grudar na cabeça das pessoas e fazer com que as crianças saíssem dançando do cinema, e isso é o único ponto positivo da dublagem, mas ao transformar músicas que foram bem compostas por compositores renomados em versões nem tão bem pontuadas, tirando rimas para adaptar o contexto da situação foi um crime quase que inadmissível. No geral a musicalidade envolve, mas confesso novamente que desejo muito ver o filme legendado para aproveitar melhor as canções e o longa por tabela.

Enfim, como disse é um longa bonitinho que passa mensagens bacanas para a família, mas como nunca recomendo dublagem para filmes sem ser animações, não tenho como falar que todos saiam de suas casas e vá ao cinema conferir este aqui, pois tudo ficou muito estranho. Talvez algumas crianças se divirtam com o conteúdo mostrado, mas tirando uma ou outra música que faz com que eles dancem, o restante da sessão fez com que os pequenos apenas ficassem quietos, o que também marco como ponto positivo para um filme infantil. Bem é isso pessoal, acabei indo ver ele hoje devido os horários ruins da próxima semana, e dessa forma encerro não apenas essa semana cinematográfica, como também a próxima, já que assisti também os que virão na próxima quinta nas pré-estreias que tiveram, ficando somente alguns do Belas Artes que tentarei ver e comentar aqui, então abraços e até o próximo filme meus amigos.

PS: Repito que a nota está sendo baixa assim devido a dublagem péssima, talvez ao ver o longa legendado de alguma forma, volte aqui e mude ela, mas do jeito que veio para os cinemas da maioria das cidades apenas dublado, o filme acaba bem mediano.


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Sniper Americano ("American Sniper")

2/17/2015 03:20:00 AM |

Todos sabemos que em filmes de guerra a forma heroica e patriota dos moradores dos EUA praticamente saem do nível máximo rumo ao infinito, e isso é um fator marcante que muitas vezes chega até incomodar, mas fazer o que é o jeito deles de vivenciar suas guerras, e os filmes nada mais são do que reflexos do que os roteiristas veem. E sendo "Sniper Americano", um longa baseado numa história real, não tinha como isso não ser impregnado na trama, então quem não gosta desse estilo ou releva ou não conseguirá ver o que o longa tem a mostrar. Porém o que o diretor Clint Eastwood nos entrega é tão impactante e bem feito que mesmo quem é totalmente contra a violência acaba entrando no clima e se envolvendo com o que é passado, de forma que a saída da sessão é assustadora de tão silenciosa que o público sai, e mesmo contendo alguns defeitos que não são admitidos nem em filmes amadores, o resultado geral do longa é algo tão bom que é garantido que sem eles seria facilmente um dos melhores filmes do ano.

O filme nos mostra que Chris Kyle é um atirador de elite das forças especiais da marinha dos Estados Unidos que, em dez anos (1999-2009) se tornou uma lenda, tendo assassinado mais de 150 pessoas durante o tempo em que serviu no Iraque. Kyle recebeu diversas condecorações por sua atuação. Sua única missão era proteger seus companheiros.

Muito foi dito sobre o roteiro ter sido adaptado com minúcias por Jason Hall, e isso é algo sempre bom para se pontuar, tanto que o filme foi indicado ao Oscar de Roteiro Adaptado pelas belas nuances que a história acabou tornando, mas o envolvimento que Clint conseguiu passar, fez com que o longa tivesse vida própria de tal forma que em momento algum pensamos ser uma história adaptada, mas sim algo completamente criado por alguém que conheceu pessoas que viveram na guerra do Iraque e fantasiou diversas situações, mas quando nos é entregue o final, aonde somente ali é revelado que aquilo realmente aconteceu, o impacto é ainda maior e acaba dando uma visão mais interessante do que já havia acontecido, e isso é excelente, pois o ele funciona muito bem como um filme de guerra, aonde quem está acostumado com jogos de tiro vai se sentir praticamente em casa, e aliado à tudo que o diretor já conhece de dramas familiares, esse envolvimento do protagonista com sua esposa ganha formas e dimensões bem trabalhadas. Aí é que entra um dos erros mais inadmissíveis dos últimos anos do cinema mundial, que é o bebê que todos já vinham falando há tempos, e se os demais filmes que concorrem a melhor filme estivessem todos no mesmo patamar, o que não é o caso já que temos alguns despontando como favoritos, com certeza o longa perderia facilmente o prêmio por isso, já que onde se viu um longa com milhões de orçamento não arrumar um bebê verdadeiro para uma cena simples, mas intensa? Ou corta a cena do filme na edição, o que seria uma medida correta e não atrapalharia tanto o rumo da história, ou na gravação iria até um hospital qualquer próximo ao set e alugava qualquer bebê que estivesse ali facilmente, já que segundo a desculpa do diretor foi a de que o bebê contratado estava doente no dia. E mesmo quem não souber que ali está em cena um boneco por ter lido em algum site, vai notar, pois o nível de falsidade foi tamanho, que nem o ator soube como segurar aquele objeto cênico que acabou virando um bebê. E já que disse que isso seria facilmente resolvido com um corte, entra a outra indicação do longa, que é como Melhor Edição, e só ganharam essa nomeação por serem espertos suficiente em diversas cenas, nos momentos que caberia um alongamento de cena, reverter para algo rápido e preciso já fora da guerra, o que as vezes pode soar estranho, mas que deu um tom próprio ao filme, mas que poderia ser melhorado em diversos momentos.

Sobre a atuação, Bradley Cooper já pode entrar para o seleto grupo de atores espertos de Hollywood, que ao conhecer um bom roteiro, vai lá compra os direitos dele de produção, e se coloca como protagonista, pois o papel principal de Chris caberia para diversos atores, mas ele fez questão de engordar 18 quilos e transformando o personagem facilmente em um dos seus melhores papéis, com trejeitos bem encaixados, frieza controlada na medida e precisão nos olhares, que lhe garantiu mais uma indicação à Melhor Ator no Oscar, que não deve ganhar somente por os demais estarem um nível acima nesse ano, senão esse ano a chance de sua quarta indicação virar prêmio era altíssima. Sienna Miller trabalhou de forma interessante para o papel de Taya, pois ao mesmo tempo que poderia virar algo exagerado suas lamentações, a atriz trabalhou a expressão de uma maneira tão correta que acabamos nos envolvendo com ela, emocionando nos seus momentos difíceis e quase sabendo o que cada olhar pode nos dizer, bem como sua última cena ficou plausível para qualquer entendedor que mesmo vindo o texto na sequência não deixa sequer dúvidas no ar. Dos demais, temos muitos soldados que conseguem ter bons momentos junto do protagonista, mas ficar citando um a um daria um texto imenso aqui, então vou apenas destacar o que teve a cena mais dura e forte que foi Jake McDorman com seu Biggles, aonde caiu com tanta expressão nas suas cenas dentro do hospital que mostrou serviço para trabalhar em muitos outros filmes sem ninguém nem pensar duas vezes. E do lado oposto o destaque claro ficou para Sammy Sheik que deu expressão forte e bem pontuada para o seu Mustafa que tão lendário quanto o protagonista funcionou bem para tudo que é colocado no filme, e isso funcionou bem principalmente por o ator trabalhar com dinâmica nas cenas mais rápidas.

No contexto visual, o filme trabalhou bem na cenografia para recriar tanto as cenas no Iraque, com as casinhas tradicionais, já semidestruídas pela guerra, e colocou os elementos cênicos, armas e figurino dentro de um patamar mais dentro de uma realidade simples, já que mesmo sendo um filme grandioso, contou com um orçamento bem limitado de 58 milhões, o que acabou sendo um dos motivos para que Spielberg que originalmente dirigiria o filme saísse de cena. Não podemos dizer que o filme nesse sentido foi primoroso, mas trabalhou bem dentro que lhe era permitido, e isso caiu bem na trama, funcionando como uma guerra deve ser, personagens atirando e morrendo, sem muito enfeite. E quanto a fotografia temos cores bem colocadas para representar cada ato de guerra, o que é maravilhoso de ver, de forma que na cena da tempestade de areia nossos olhos chegam a doer do tom marrom escolhido para sujar realmente a filmagem.

Agora um dos pontos que apostaria facilmente no filme é nas indicações de Edição de Som e Mixagem de Som, pois nos vemos em diversos momentos olhando para os lados e para trás com a forma dimensional que conseguiram montar o filme, os tiros parecem vir a cada momento de um novo ângulo, assim como o choro do bebê e até mesmo os ventos possuem texturas e agradam demais, da mesma forma que o silêncio tem uma importância precisa e bem colocada.

Enfim, o longa possui defeitos que faz o público reclamar com motivos reais, mas é notável também que o filme funciona bem para quem gosta de um longa de guerra e assim acaba envolvendo de maneira adequada e bem colocada. Além de que como já havia dito antes do filme para meus amigos que me acompanharam na sessão, nunca fui muito fã do Bradley, e confesso que aqui ele me convenceu e fez do filme algo bem interessante sob o comando do mestre Clint. Ou seja, recomendo que todos assistam o longa, reclamem muito dos erros, mas dou a garantia que a maioria irá se envolver com o que será apresentado. Fico por aqui faltando apenas um longa para conferir, mas como na próxima semana só estreará os dois longas que já vi na pré-estreia, vou acabar deixando ele para não ficar tão triste. Então abraços e até breve pessoal.



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