O Imperador (Outcast)

2/14/2015 12:01:00 PM |

Hoje com a globalização, falar inglês é algo que é completamente normal em diversos países, mas na Idade Média, nem em sonho os orientais pensariam o que era essa língua, então qual o motivo para fazer um longa que se passa praticamente todo lá do outro lado do planeta, onde chineses falam inglês como se fosse a língua mãe? Além disso, sabemos que mudanças de nome no título são comuns, mas originalmente batizado de "Outcast", que ao pé da letra significa exilado, sem terras, pária, entre outras coisas, virar "O Imperador", e com isso não apenas mudar o sentido do filme, já que teoricamente com o nome original temos uma visão completa da história dos protagonistas, quanto a querer que os personagens secundários chamem atenção, o que não envolve de maneira alguma. Citei apenas esses dois problemas para começar a falar do longa, mas são tantos erros e falhas que fica difícil querer falar algo sobre ele.

O filme nos mostra que quando o herdeiro do trono imperial torna-se alvo de assassinato por seu irmão mais velho, a única esperança é buscar proteção junto a sua irmã e o cavaleiro desacreditado Jacob, que deverá superar seus próprios demônios e conseguir ajuda do lendário guerreiro Gallain, conhecido como Fantasma Branco.

A história em si já é uma bagunça imensa como comecei a falar no primeiro parágrafo, já que não apenas a língua falada é errada, como misturar a época das Cruzadas com Imperialismo chinês é algo que nem o historiador mais maluco sonhou algum dia na vida, e isso já faz o longa virar uma bagunça só, pois as cenas de Cruzada no começo até que quem conhecer um pouco de história irá conectar a trama, mas quem nem lembrar de ter visto algo na escola, vai falar que rolo é esse que pessoas estão matando por um Deus, lutando numa guerra já sem nada contado antes, daí nosso querido ator que possui uma expressão única e agora está com uma cabeleira mais estranha possível, briga com um rapazote e some, do nada estamos no Japão, com outra história sendo contada de um pai querendo passar a herança do título para o caçula, ao contrário do que seria comum na época que ficaria com o primogênito, em seguida na fuga junta-se as duas histórias e na sequência já entra nosso tradicional ator devedor de impostos com um visual que é melhor nem comentar, e a bagunça fica completa. Se você conseguiu montar alguma coisa coesa com tudo que lhe contei da história, parabéns, você está livre de gastar seu tempo indo no cinema ver o filme, caso contrário, ainda vamos lá, o filme é repleto de cenas de luta e ação, até aí ok, já que é a estreia de um dublê na direção, pois Nick Powell depois de 114 filmes pulando e lutando resolveu que era a vez de dirigir os atores, e aí a bagunça ficou completa, pois os capangas do vilão já estão cortando a cabeça do mocinho, mas isso não pode, então vamos lutar não é mesmo, pois tudo fica mais lindo, e com coreografias malucas, o final do filme é algo tão fora de si, que não tem como completar a bagunça do roteiro, e planos estranhos são vistos a todo momento, ou seja, infelizmente não deu liga sua empreitada caro Nick!

Já que basicamente o longa vai ser chamado, mais um de Nicolas Cage, afinal nossa querido ator faz praticamente mais filmes do que tomamos água, aqui o que podemos dizer rapidamente é que ele é quase um coadjuvante de luxo, pois chamará os seus fiéis adoradores, mas aparece bem pouco, tendo até algum certo sentido sua atuação, mas beira o ridículo a maioria de suas cenas com a cabeleira que lhe foi colocada, e seu defeito maior nem foi a falta de expressão, afinal já sabemos que ele é assim, mas além do cabelo muito cômico, ainda possui mais uma característica visual que não tem como não rir, ou seja, ainda bem que apareceu pouco, senão de filme de ação viraria uma comédia escrachada. Então vamos falar do protagonista, ou ao menos quem era pra ser, que é Hayden Christensen, que ficou famoso como Anakin Skywalker em Star Wars, mas não conseguiu mais tantos papéis depois disso, e o que faz aqui mostra bem o porquê, já que sua pinta de galã é fraca, e sua empolgação frente a lutas exagerada demais, misturando ataques histéricos de espada com falhas para onde olhar ao mesmo tempo, e isso poderia até ser corrigido, já que temos um dublê dirigindo, que sabe como é lutas de espadas muito bem, mas não, o pobre que já lutou com sabre, com lâminas de aço ficou ruim demais e não deu conta do recado. Quem acabou chamando atenção então foram o trio chinês Andy On que como vilão até faz algumas caras malvadas, mas nada que empolgue, talvez chamando mais para si algumas lutas interessantes, Yfei Liu como Lian, que até ganhou romance com o protagonista e assim ter cenas mais chamativas, e Bill Su Jiahang fazendo o herdeiro Zhao que tenta aparecer mas não consegue por ser novato demais e não ter algo chamativo que nos envolva ou seja carismático.

Um ponto razoável ficou a cargo da direção de arte, que ao menos esboça uma tentativa de salvar o filme, já que produções orientais costumam prezar por visuais interessantes, mas algumas cidadelas até conseguem ser bem feitas, mesmo pegando fogo e sendo destruídas pelos vilões, mas poderiam ter mais detalhes já que o longa custou 25 milhões de dólares, e isso não parece bem empregado em quase nada, até mesmo nas cavernas poderiam ter mais detalhamento, e isso ficou somente nas armas que ao menos parecem bem trabalhadas. A fotografia optou por um tom puxado para o marrom e isso cansa o filme, não dando nem envolvimento com a trama, nem ritmo para que as lutas impactasse o público, então o resultado acaba bem monótono.

Enfim, mais um longa que Cage faz apenas para receber sua cota de dívida do imposto devido em que seu nome serve apenas de chamariz para seu público cativo, pois o filme é daqueles que não compensa ver nem em casa, ou seja, não recomendo ele de forma alguma, devido a ser cheio de falhas, e ter um dos roteiros mais malucos possíveis da história do cinema. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, ainda faltam uma estreia da semana e uma pré da próxima para conferir, vamos ver como será o final de semana carnavalesco para tentar ter algum filme que salve, pois está feia essa semana. Então abraços e até breve meus amigos.

PS: Estou dando dois coelhos pelo esforço dos atores chineses que tiveram de falar em inglês com sotaque forte e ainda assim saíram bem, e pela tentativa da direção de arte em fazer algo bonito, mas a vontade de dar uma nota menor foi forte.


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A Casa Dos Mortos (Demonic)

2/12/2015 10:24:00 PM |

A maioria que me conhece sabe que sou fã do que James Wan bota a mão, mas acho que ele precisa começar a procurar novas feiras de roteiro para escolher melhor as produções que bota seu rico dinheirinho que ganhou com "Jogos Mortais", "Sobrenatural" e "Invocação do Mal". Claro que nesses que citei ele pôs além do dinheiro a mão na câmera também, enquanto aqui em "A Casa Dos Mortos" apenas escreveu essa cópia e botou fogo em 3 milhões que estava embaixo do colchão dele, dando para algum amigo dirigir, já que estava envolvido com "Velozes e Furiosos 7". Digo isso, pois o longa é um compilado praticamente de tudo, mas tudo mesmo, que já vimos em outros filmes de terror, não tem sequer uma cena que você olhe e fale: "Nossa, isso é novidade", muito pelo contrário, a todo momento vira quase um jogo de "Em que filme teve essa cena mesmo?". Poxa, terror foi feito para assustar, certo? Então vamos pesquisar, trabalhar ideias novas, que a mesma forma de bolo, as vezes vem com um recheio inovador que agrada também, mas comer sempre o sabor, uma hora enjoa.

O filme nos mostra que cinco amigos decidem sair à caça de fantasmas em uma casa abandonada, mas acabam sendo brutalmente assassinados. O único sobrevivente é interrogado, e diz que o local está possuído por demônios e serve como um portal para o inferno. Um policial e uma psicóloga não acreditam nessa história e passam a investigar o caso.

Quando vi o trailer do longa há algumas semanas, parecia ser algo interessante, e logo que fiquei sabendo que o roteiro era de Wan, acabei mais empolgado ainda com o que poderia ser um filme de terror para realmente sair arrepiado da sessão, mas não tem jeito, enquanto um dos mestres do terror não acabar de ganhar dinheiro com a franquia de carros velozes, a chance dele acertar a mão em algo macabro está praticamente impossível. Até aí vai, já que roteiro de terror, geralmente sai uma base e na hora do diretor montar consegue fazer milagres místicos e assustar o público, mas não me pegam e dão para o diretor praticamente estreante Will Canon, já que o seu "Brotherhood" nem apareceu por aqui, e o que ele faz, usa todas suas referências não como base, mas como cópia, daí vemos a casa assombrada por espíritos, pernas e pessoas que aparecem do nada, e pasmem até bichos saindo da garganta dos personagens, além de muita câmera espalhada que não gravou praticamente nada, e ainda me vem com a piada mortal de que congelando o HD recuperaram algumas filmagens (Sensacional!). Ou seja, se faltou genialidade nas tomadas, ao menos capricharam nas maquiagens e nos atores, não é o que você pensaria? Infelizmente também não, por usar muito da técnica de aparição repentina para assustar, é notável que a maquiagem foi falha e cheia de problemas, com sangue falso, mais falso ainda, e atores que não nos motivam a nada. Ou seja, fria completa que o jovem se enfiou, e que agora vai ser meio difícil de achar outro maluco para dar um roteiro de graça nas suas mãos.

Já que falei um pouco dos atores, a salvação razoável é de Maria Bello que sabe ser cética e acreditar mesmo nas histórias que lhe contam, fazendo espanto sempre e com boas expressões faz de sua psicóloga Klein, alguém que vemos talvez uma tentativa de salvar o filme, mas sua cena inicial do encontro quase jogou tudo a perder com um desdém falso que chegou a doer. Frank Grillo também tem bons momentos como o detetive Lewis, mas ao forçar para parecer o policial machão e forte que quer fazer tudo sozinho sendo imponente, acabou um pouco risível nas cenas mais impactantes, se fosse com mais calma ao pote, agradaria e ainda seria satisfatório no papel. Dos demais, quase todos fazem caras e bocas, tentando ser convincentes na sua forma de caça fantasmas, mas apenas o protagonista Dustin Milligan consegue ter alguma expressão para mostrar, nas suas cenas finais principalmente, aonde mostra que seu John não era a flor que se cheirava desde o princípio, e como a edição se atrapalhou também com isso, temos quase que uma cena sequencial que acaba ocorrendo antes, ou seja, uma bagunça também na edição, e na cena do mercadinho Scott Mechlowicz beira o engraçado com seu Bryan chutando tudo e gritando, fraco demais.

A casa em si foi bem decorada para tentar causar uma impressão ruim, afinal todo terror tem que ter essa impressão na mobília e na decoração ao menos, de modo que tudo possa ser olhado com certo temor de cair ou assustar, mas não foi suficiente, pois economizaram demais, ficando algo que parece datado, com uma casa completamente fechada, e de repente temos um extintor praticamente novinho em folha, microfone ultra tecnológico que ouve tudo, ouvindo os batimentos até do bebê na barriga da moça, e na cena que mais necessita ouvir qualquer coisa, cadê ele? Essas falhas de continuísmo são inaceitáveis em produções pequena, em filmes de ação é difícil refazer uma tomada, mas em longas sem explosões e afins, só voltar e gravar que tudo se resolve, e cenografia em terror é tudo. No quesito fotografia, como o lance do filme é pegar você desprevenido, usaram bem o tom da câmera de captação no escuro, e funcionou já que temos quase tudo muito escuro, de onde aparece um ou outro personagem do nada para que o público pule na poltrona, e isso ao menos está bem feito, o que não é mais do que a obrigação dentro do estilo.

Enfim, é um filme que mesmo quem for extremamente fã do gênero pode pular completamente de ver nos cinemas, pois é uma falha atrás de outra, além de praticamente tudo você já ter visto em outro filme. Aqueles que curtem tomar um ou outro susto, podem até não digo gostar, mas assustar com algumas cenas, mas não vai ser esse filme com certeza que lhe tirará o sono. Ou seja, pode ir dormir tranquilamente e economizar de ver essa bomba que nos enganou completamente no trailer cheio de suspense, mas que falha monstruosamente em tudo. Fico por aqui hoje, mas ainda tenho outros longas para conferir nesse final de semana carnavalesco, e já começo a rezar para que algum preste, o que estou achando bem difícil. Deixo aqui meus abraços e até amanhã pessoal.


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50 Tons de Cinza

2/12/2015 03:18:00 AM |

Eis que o polêmico filme, mas que milhares de fãs ao redor do mundo queriam ver, estreou e embora tenha uma história bem fraca, afinal se já botassem tudo agora como conseguiriam vender os demais filme já que são 3 livros, a produção foi tão bem caprichada que é possível se divertir e curtir as quase duas horas que chegam por aqui de "50 Tons de Cinza" (lá fora são 125 minutos, e aqui ficou com menos de 120 já com trailers, ou seja morreu no mínimo uns 10 minutos, e vou falar mais disso abaixo). Claro que longe de ser algo fantástico, aonde conseguimos ter nuances e perspectivas dentro de uma história, o filme foi feito para agradar a mente de diversas mulheres que apenas imaginavam as cenas do livro, e essas fantasias como acabam sempre sendo grandes demais em livros cheios de detalhes, não vai ter outro jeito, senão muita reclamação de que não apareceu tudo, pois como disse não temos nem 2 horas de projeção mesmo de filme, e para tudo necessitaria ser uma série de vários capítulos, então meninas relevem que o que vai passar é o máximo que conseguiram pra censura cair nos 16 anos e passar ao menos a ideia. Ou seja, é algo morninho que até conseguimos assistir sem reclamar muito, devido a ser uma boa produção, mas quem não leu o livro vai ter uma grande certeza, um filme que começa do nada, é apresentado mais ou menos os personagens, tem uma rápida e fraca química, e pronto fica para daqui algum tempo desenrolar, simples assim, sem história grande nem nada, e que vai fazer milhões de bilheteria. Quem não for fã dos livros pode até ir ver por curiosidade, mas vai sair falando: "É só isso mesmo?", e talvez volte ou não para um segundo filme, e já quem for fã, mal vai poder esperar pelo próximo, afinal já sabe de cor e salteado tudo que ocorrerá e quer ver se o que pensou, será feito da maneira correta ao menos.

O filme tenta nos mostrar que a estudante de literatura Anastasia Steele conhece o empresário Christian Grey em função de uma reportagem para o jornal da faculdade. De imediato, a jovem sente uma forte atração por ele e os dois começam uma relação complexa e intensa na qual Anastasia não só descobre seus desejos mais íntimos, como também os segredos mais obscuros que Grey tenta esconder.

Escrevi na sinopse a palavra "tenta" por um motivo maior, já que como minha irmã já havia me contado basicamente como era esse livro e algumas amigas falaram o que vem nos próximos, não fui 100% sem base assistir, mas não sei se pelo excesso de cortes que foram feitos para que o longa ficasse comercialmente rentável (quanto menor o tempo, mais sessões podem ser colocadas ao longo do dia, que por consequência dá para fazer maior bilheteria), e para poder diminuir a censura inicial de 18 anos, o filme simplesmente passa despercebido diversos fatores, tudo não acaba sendo subentendido apenas e não forma uma história cinematograficamente entendível, parecendo muitas vezes até absurdo demais o que ocorre. Apenas para citar dois fatos, sei que isso consta no livro, mas ainda assim é absurdo demais, uma mulher 0 km, ver um quarto ornamentado daquele e não fugir é algo improvável, e outro fator na boate o cara liga e praticamente não dá tempo nem da moça sair do banheiro, o rapaz já está lá!! Dessa forma prefiro não culpar a direção de Sam Taylor-Johnson, que antes apenas fez o razoável filme do John Lennon "O Garoto de Liverpool", pois ela foi correta em diversos sentidos, não criando nada pejorativo demais, muito pelo contrário, mantendo até uma classe na produção do filme, e sim os produtores e distribuidores que quiseram ganhar mais dinheiro do que já seria ganho, e picotaram sua obra final. E o mais feio é que está notável esses cortes, não ficando algo fluido na transição de uma cena para outra, sendo algo abrupto e que não condiz em momento algum com a história que estão tentando passar, então quem sabe no DVD uma versão sem cortes, que deva ter ao menos uns 30-40 minutos a mais, nos mostre se a diretora foi realmente bem ou não.

Sobre as atuações, repito é uma adaptação literária livre, então moçoilas do meu Brasil, não necessariamente as características físicas descritas no livro de cada personagem será vista na tela, e isso vai ser a maior reclamação com certeza (já vim do cinema até em casa ouvindo sem parar fulano não é assim, ciclana é mais bonito, beltrano ficou horrível), então vá ver como se fosse um filme e esqueça o que leu, ok? Dito isso, realmente fiquei com dó de Jamie Dornan, pois o jovem não é ator, e sim um modelo de comerciais, que após diversas desistências de contratações de atores mesmo que recusaram o papel de Christian Grey, acabou sobrando para ele, afinal precisavam fazer o filme já que datas estavam estourando no estúdio, e o pobre não tem química artística nenhuma, não sabe dar impressão na voz nos diálogos, não tem trejeitos corporais que mostrem o que está interpretando, ou seja, fez seu máximo para que com seu corpo, as moças esquecessem o que estavam vendo e ouvindo, e passasse batido, mas quem analisar só um pouquinho, ou for uma segunda vez no cinema, vai rir do que o jovem faz, quem sabe algum dia cresça e com muitos cursos vire um ator, mas por enquanto ficou parecendo Robert Pattinson quando fez o primeiro "Crepúsculo", mais perdido que tudo, valeu o esforço ao menos. E Dakota Johnson fez bem seu papel, mas é magra demais, e qualquer um que já tenha visto algum vídeo de como é a coisa realmente, sabe que não sobraria metade dela após uma sessão, mas já que foi escolhida para o papel, ao menos deu um bom tom para a insossa Anastasia e conseguiu boas expressões, mas já fez coisas bem melhores no cinema e poderia ter se esforçado tanto quanto o jovem aprendiz que está em cena com ela. Dos demais, nesse primeiro filme a maioria tem participações bem rápidas, não chamando atenção em quase nada, e isso é ruim, pois o filme ficou totalmente dependente das atuações dos protagonistas, e como disse não foi das melhores coisas possíveis de se ver no cinema, então talvez se tivessem caprichado mais nas cenas junto de Eloise Mumford com sua Kate, ou junto de Jennifer Ehle que faz Carla a mãe da protagonista, teríamos um filme mais desenvolvido e interessante.

Quanto do visual da trama, aí é que entra o grande feito do filme, pois temos uma produção minuciosa, com cenas bem detalhadas e cenografia feita na medida para que tudo fosse bem mostrado. Claro que não temos nada exageradamente explícito, mas os elementos cênicos estão por ali, servindo e sendo praticamente explicados para que servem, além de mansões e empresas muito bem chamativas e interessantes de se ver, helicóptero bacaninha e até um planador chamam a atenção para o que a equipe de arte criou para ser mostrado, e isso funciona bem, pois ao adaptar um livro, geralmente temos muitos detalhes para criar, e o esforço da arte em fazer parecer o máximo com o que o público imaginou, já é um ponto mais do que positivo. A fotografia trabalhou com poucas nuances de "tons de cinza" realmente e isso poderia ter sido explorado de uma forma que embora diferenciasse do livro, daria uma cara particular para a trama e ficaria algo muito mais interessante, mas no geral os meio tons e o vermelho conseguiu ser algo bem feito.

Outro ponto que merece extrema atenção foi a trilha sonora que só contou com músicas excelentes, que deram ritmo, teor e agrada demais na composição do filme, e como é de praxe ficarem me perguntando qual música tocou em cada momento, fica aqui já o link para quem quiser ver todas liberadas.

Enfim, como história repito que é algo bem fraco, e deva decepcionar bastante quem gosta de algo que tenha desenvoltura como cinema, mas funciona como entretenimento para o grande público, e principalmente para as fãs do livro, ou seja, é o que sempre falo que devemos entregar aquilo que o público alvo deseja, então dessa forma a produção fez um bom trabalho e o resultado embora não seja o melhor que já vi, é satisfatório. E embora lotado de defeitos técnicos devido os cortes, não tem como não rir das situações e cenas mostradas, afinal já comentei uma vez com um amigo que o sadomasoquismo é um problema de cabeça, e quem gosta geralmente é louco, então muitos vão reclamar, outros elogiar, mas o fato que o filme vai ganhar muito dinheiro, virão os outros dois filmes e levarão outro mundo de dinheiro, mas depois todos vão esquecer da existência deles, assim como outros já aconteceram no mundo do cinema. Bem é isso, também garanto que não é meu melhor texto, afinal durante a semana escrever de madrugada não é nada satisfatório, mas como muitos querem saber minha opinião, aqui está ela completa, talvez mude de ideia mais pra frente e volto colocando nos comentários. Hoje a noite tem mais filme, então abraços e até mais pessoal.


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O Destino de Júpiter em 3D

2/08/2015 10:54:00 PM |

Se existe uma coisa que me deixa sempre com os dois pés atrás em relação à um filme é mudança exagerada na data de lançamento, pois isso significa geralmente que o longa vai voltar pra edição para colocar algum efeito ou corrigir possíveis erros, dando margem para que algo fique desconexo e se estrague no conteúdo geral, e lembro que vi o primeiro trailer de "O Destino de Júpiter" no começo de 2014, e passou um ano inteiro e nada de lançarem, fui pesquisar e incrivelmente nos EUA foi lançado também agora junto com o Brasil na última quinta-feira, ou seja, o problema foi dos bons. Mas claro que fui conferir, mesmo com medo em uma sala onde pudesse ver toda a tecnologia maluca do primeiro filme dos irmãos Wachowski filmado em 3D com câmeras Imax, e o que posso dizer logo de cara é que é um dos filmes mais lotados de efeitos que sequer podia imaginar, de extrema diversão com muita ação, numa mistura envolvente e cheia de coisas e ideias malucas, do tipo que com certeza os mais encanados irão ficar com mais medo ainda de extra-terrestres. Ou seja, se você gosta de filme para ficar pensando e refletindo, esse não é o seu lugar, agora se curte um filme pipoca cheio de efeitos com uma história bem maluca, compre seu combo e sente numa boa poltrona que a diversão é cortesia no meio de tantos efeitos especiais.

A sinopse nos mostra que Júpiter Jones nasceu sob um céu noturno, com sinais de que estava destinada a algo maior. Ela sonha com as estrelas, mas acorda para a fria realidade do seu trabalho de limpar banheiros e uma sequência infindável de infortúnios. Somente quando Caine, um ex-caçador militar geneticamente modificado, chega à Terra, é que Júpiter começa a vislumbrar o destino reservado a ela desde o início - sua assinatura genética a marca como a próxima na fila para uma herança extraordinária que poderia alterar o equilíbrio do cosmos.

O interessante dentro desses roteiros de ficção científica é a tentativa de explicar diversos fatos que as vezes ficamos na dúvida sobre aliens e tudo mais e os roteiristas parecem que acham explicações favoráveis pra tudo, é divertido ver marcas nas plantações, pedaços sendo destruídos do nada e tudo em seguida tem uma explicação lógica "consistente", não reclamo disso, pois como disse temos de ver esse estilo de filme sem querer ter lógica real nenhuma, pois senão a chance de decepção é muito alta. Então, olhando dessa forma, o resultado que os Wachowski nos entrega é algo muito bacana de acompanhar, e mesmo tendo todos os tipos de absurdo possível exibido, se visto como algo completamente fora do plano real, tudo faz jus e se conecta de maneira adequada, e principalmente serve para que o público se divirta com a alta quantidade de ação, já que são raros os momentos que paramos para tomar um fôlego sem algo explodindo, ou pessoas correndo. Claro que se entrarmos a fundo, analisando ponto a ponto, iremos ver alguns detalhes que mesmo no mundo do absurdo são erros, que acabam sendo explicados como falei devido a ficarem mexendo em algo que já estava pronto, e assim ficam alguns furos na história, mas nada que uma explosãozinha não resolva e acabe passando batido. Outro ponto que gosto muito da direção dos dois irmãos, é que são raras as cenas que colocam a câmera parada e deixam o assunto fluir por ali, tendo movimentação em 99% dos planos para que o filme crie uma dinâmica própria e envolvente, funcionando sempre com muita ação, e isso é bem bacana, pois se seus filmes são completamente malucos, por que não dar velocidade para que não dê tempo do público ficar pensando nos erros?

Em filmes de muita ação, geralmente as atuações acabam sendo fajutas e cheias de falhas, afinal em 90% das cenas o ator não está vendo nada daquilo que está na cena, olhando para fundos azuis e tendo de imaginar o que o diretor está lhe dizendo que está rolando ali, então temos de relevar isso também na análise. E se Mila Kunis sofreu bastante em "Oz: Mágico e Poderoso" com toda essa tecnologia, dessa vez podemos dizer que já estava bem tranquila e sabendo bem para onde olhar e ter toda a dinâmica em cena que sua personagem Júpiter pedia, claro que ainda suas habilidades de corpo são bem melhores que as expressivas, mas a jovem conseguiu trabalhar bem e fazer caras de espanto e susto bem encaixadas com o momento de suas cenas, nas mais sérias ainda falha bastante, mas com o tempo vai corrigir isso com certeza; Falando em habilidades corporais, já virou praxe dos filmes que tenha muita ação para chamar as namoradas/esposas dos homens, que geralmente são quem gosta desse estilo, colocam algum ser musculoso que vai ficar 90% do filme sem camisa para que elas não fiquem reclamando de ter de ir conferir o filme, e o nome da vez é praticamente o mesmo de vários outros filmes, Channing Tatum, que com uma cara estranha de mau na maioria das cenas de seu Caine acabou não transparecendo suas habilidades expressivas, ficando estranha a feição, não combinando muito com sua atuação geral, claro que no nível de ação ele fez muito bem, afinal está acostumado com o estilo, mas poderiam ter trabalhado mais o lado interpretativo dele que agradaria bem mais. Eddie Radmayne que é o provável ganhador de todos os prêmios do ano por sua atuação em "A Teoria de Tudo", aqui ficou também estranho demais, já que seu personagem Ballem tem uma voz estranha e trejeitos mais estranhos ainda, claro que muitos vão falar que no premiado filme ele também tem voz robótica, mas aqui ficou artificial demais e não demonstra um motivo específico para isso, além de ficar muito fora suas expressões com as ações. Sean Bean entrou bem com seu personagem Stinger, mas talvez precisasse de um novo filme que explicasse o envolvimento dele com o protagonista para que suas cenas não fossem tão confusas, mas o que fez no quesito expressivo foi bem colocado em cena e mostrou que o ator ainda tem estilo. Douglas Booth e Tuppence Middleton foram os mais ousados, trabalhando seus personagens Titus e Kalique não apenas dentro dos figurinos enfeitados, mas botaram o corpo pra jogo aparecendo nus em algumas cenas banhando-se, mas o que vale falar é que seus trejeitos sempre com ar de superioridade foram ao mesmo tempo cabíveis dentro dos personagens mas bem engraçados. O longa possui diversos outros personagens chamativos que até possuem desenvolvimento de cena, mas como tudo gira em cima dos protagonistas, fica meio complicado ficar falando de cada um individualmente, o que posso dizer com certeza é que no geral agradam dentro de suas ações, mas nada que vá surpreender.

Como estamos falando de um longa, onde 90% ou mais da cenografia foi feita digitalmente, tudo é muito bonito e cheio de nuances coloridas, com diversos objetos aparecendo nos momentos mais inusitados, bichões com cara de lagarto e asas falando com os protagonistas, ETs simples como conhecemos correndo feito maluco nas plantações e roupas de couro preto para dar um charme no figurino simples, e quando vai pras cenas de mais classe, aí temos figurinos maravilhosos e chamativos, ou seja, tudo bem trabalhado para agradar visualmente, mas como sabemos que tudo é falso, nos momentos de maior ação aonde a destruição rola solta, tivemos alguns probleminhas que aparecem e quem tiver um olho clínico vai ver pedaços de prédios caindo e sumindo do nada, objetos desaparecendo e por aí vai, mas repito, como é um longa totalmente pipoca, aonde se ficar olhando pra erros só vai ver isso, é melhor curtir e deixar passar. Os detalhes hi-tech são bem trabalhados e faz com que fiquemos ainda com mais vontade de botas voadoras, injeções que curam cortes em segundos e por aí vai no que é apresentado de tecnologia alienígena que vive na Terra. A fotografia trabalhou com uma paleta de cores gigantesca, praticamente uma para cada planeta aonde os protagonistas passam, mas sem dúvida o laranja avermelhado das cenas finais são um espetáculo a parte que agrada bastante.

Sobre o 3D, temos uma imersão bem interessante, aonde as camadas conseguem ser bem notáveis nas cenas aonde a tecnologia foi a fundo, com personagens, cenografia e objetos praticamente sendo colocados de forma certinha para que o público note onde foi colocado, isso se deve a ser o primeiro trabalho dos diretores usando a tecnologia e devem melhorar nos próximos com certeza. E como tem muita coisa sendo explodida e quebrada, para quem gosta de coisas voando na direção dos olhos, o longa faz a diversão ser ainda maior, ou seja, quem reclamar de não ver 3D no filme é melhor procurar um oftalmologista. O destaque fica sempre para as cenas que tem explosões que quebram coisas em diversos pedacinhos, pois é agoniante ver eles vindo de todo lado.

Contando com uma trilha sonora bem envolvente e cheia de batidas cadenciadas, o ritmo acelerado do filme é ainda mais agitado, tendo poucos momentos sem contar com algo tocando de fundo. E além disso, souberam fazer uma mixagem inteligente, aonde os sons das armas combinou perfeitamente com tamanho, junto com barulhos criados para cada objeto trabalhando com os personagens para não ficar muito falso, já que a maioria das coisas não existe, e no momento de vácuo foi por bem pouco que não deixaram realmente como deve ser sem som algum, mas erros estão aí para acertarem na próxima vez.

Bem é isso pessoal, gostei demais do que vi, e recomendo para todos que gostem de um filme aonde não é necessário pensar em nada, apenas se divertir com muita ação, o que geralmente é a proposta dos Wachowski, claro que seu filme inicial "Matrix" ganhou fama, por entregar algo mais pensante na época, mas agora como a onda é ganhar dinheiro, e eles entraram nessa, a proposta do longa é somente agradar quem gosta de uma boa ação. Como disse no início, se esse faz seu estilo, vá na maior sala e desfrute de toda tecnologia possível, com o som da sala na potência máxima e saia bem feliz com o que vai ver e ouvir, agora se você não curte passe longe que a garantia de reclamar de tudo é altíssima. Bem é isso, encerro a semana cinematográfica por aqui já sabendo que semana que vem promete ser uma de poucas estreias, já que vem um filme que deve ocupar salas demais, então o jeito vai ser se contentar com um Carnaval meio fraco de filmes, quem sabe algum bom programador das salas nos satisfaça mandando alguns atrasados, mas isso só saberemos na terça, então até lá vamos ficar apenas na torcida. Deixo meus abraços aqui com vocês, desejando uma boa noite e uma boa semana, e até quinta pessoal.


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Um Santo Vizinho

2/08/2015 03:06:00 PM |

Certos filmes conseguem nos comover além do que imaginamos quando vamos ao cinema conferir suas exibições, e digo isso não por uma ou duas vezes, pois geralmente vou ao cinema preparado para o que o trailer ou a sinopse já deixou no ar, e na maioria das vezes o resultado é o esperado, saindo algumas vezes pela tangente e envolvendo mais ou menos conforme o prometido, porém existem filmes que vemos classificados como comédia, assistimos o trailer e parece algo bem bobinho, e depois quando vamos vê-lo acaba sendo algo tão bom, que ao terminar você vê o tamanho da lição de moral que um garotinho lhe deu, fazendo uma pequena e singela apresentação que por bem pouco não faz todo mundo lavar o cinema inteiro e passar vergonha em público. Pois bem, esse foi "Um Santo Vizinho", que une situações politicamente incorretas, senso de humor intrigante e muita emoção nas cenas finais, de forma que digo sem pestanejar que se Hollywood fizesse mais comédias dramáticas desse estilo, muitos críticos não diriam que a Europa está à frente no quesito saber trabalhar textos e personagens.

O filme nos mostra que Maggie e seu filho adotado de 12 anos, Oliver, se mudam para a casa ao lado da do veterano de guerra Vincent. Quando Oliver fica trancado para fora de casa um dia, Vincent o deixa ficar em sua casa até que sua mãe volte. Como Vincent tem contas até o teto para pagar e está desesperado por dinheiro, ele diz a Maggie que ficará como babá de Oliver todos os dias após a escola. Vincent então introduz Oliver em seu estilo de vida – que inclui jogos de azar, bebidas e seu relacionamento com uma prostituta russa.

Após escrever, dirigir e produzir diversos curtas, eis que Theodore Melfi resolve ir para o lado mais chamativo de Hollywood e escreve e dirige seu primeiro longa, e muitos podem ficar meio receosos quanto a isso, pois marinheiro de primeira viagem completa costuma ter algumas falhas, mas se olharmos mais a fundo quem está produzindo é nada menos que o Weinsten Group, e esses geralmente pegam somente bons roteiros novos, além claro de alguns blockbusters. E dessa forma o misto entre religiões, doenças e lições de vida acaba resultando em um texto simples, porém belíssimo, funcionando facilmente em qualquer horário que for exibido, mas claro que alguns vão julgar ser sessão da tarde demais pelos clichês tradicionais para emocionar e comover o público, mas longe disso, o filme consegue manter sua essência interessante desde as primeiras cenas, pois o diretor conseguiu trabalhar com um bom ator que soube viver o personagem e junto de uma criança sensacional, foi só escolher os melhores ângulos para que o resultado fosse preciso  e envolvente.

Já que comecei a falar dos atores, antes de falar do veterano, tenho de falar de Jaeden Lieberher que fez sua estreia tão bem feita, que já filmou nesse meio tempo que demora para estrear algo aqui no Brasil, mais 4 filmes, e o garoto merece muito, pois soube ser doce e inteligente na medida para o que o personagem principal precisava, além claro de expressões minuciosas para cada gesto ou situação, dando um show de personalidade e interpretação, que muitos atores da velha guarda sequer fizeram em um único filme. Bill Murray já é um ator que sabemos que tem facetas interessantes para mostrar e quando se empenha cai muito bem no papel, seu Vincent é bacana nos momentos beberrão, mas após o ponto de virada final, é surpreendentemente bom demais, de forma que ficou até errôneo não ser indicado ao Oscar, mas ao menos foi no Globo de Ouro. Naomi Watts é daquelas atrizes que gosta de variedade de papéis, e fazendo a prostituta russa Daka conseguiu trabalhar de forma engraçada que a personagem pedia e de certa forma agrada, mas já vi ela fazendo expressões bem melhores no cinema e poderia ter dado um gás a mais. Melissa McCarthy não fazendo a abobada é 10x melhor do que seus papéis bobos que costuma aparecer, mas como sua Maggie aparece bem pouco, já que trabalha demais, não foi possível destruir emocionalmente, porém na cena que conta aos padres seus problemas, mostrou segurança dramática e precisão nas expressões como ninguém. Dos demais vale destacar os textos interpretados muito bem por Chris O'Dowd que faz um padre professor muito bem encaixado com os temas atuais e agrada demais, e o jovem Dario Barosso que começou meio forçado, mas foi se soltando no decorrer da trama com seu Robert Ocinski que no final já estamos contentes com o que está fazendo.

A cenografia soube desenvolver bem o lado bagunçado do protagonista e isso funcionou demais para dar significado à vida dele que vamos saber somente mais ao final do longa. E não economizaram em nada de objetos cênicos desde o carrão antigo, mas que mantém toda uma pompa até o "sushi" de sardinha caindo perfeitamente nas cenas da casa, no asilo de idosos, hospital e até mesmo na escola, prevaleceram o bom gosto para dar a classe correta que cada ambiente pedia sem exagerar e sem atrapalhar o filme. Com uma fotografia baseada em pouca luminosidade, as cenas ganharam um tom mais emotivo sempre, e isso foi bacana para não termos uma comédia escrachada, mas sim algo gostoso de acompanhar e rir nos momentos certos.

Com uma musicalidade completamente simbólica e envolvente, as trilhas sonoras foram escolhidas na medida certa como se fosse sempre o que o protagonista gosta de ouvir, quem tiver oportunidade depois de ter ela em casa, com certeza são músicas gostosas de ouvir e que agradam com bom gosto. Além de auxiliar bastante no ritmo do filme sempre entrando nos momentos exatos.

Enfim, é um filme que me agradou demais e só tenho coisas boas para falar dele, talvez se tirasse um ou dois clichês de algumas cenas seria perfeito, mas mesmo com eles ainda emociona muito e deve agradar a todos que forem assistir sozinhos ou acompanhado da família toda, pois como disse, temos boas lições de moral que servem tanto para adultos quanto para os pequenos. O filme estreia mesmo só daqui 2 semanas, mas ainda está em pré em diversos locais, ficando como dica para quem gosta de ver antes dos amigos. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas ainda hoje confiro a última estreia do interior, e volto em breve para postar o que achei para vocês, então abraços e até lá.

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Corações de Ferro

2/07/2015 08:55:00 PM |

O que um filme de guerra precisa para ser bom? Muitos tiros, explosões e que os protagonistas aprendam que estar ali é algo que certamente vai sujar suas mãos. Simples assim, adicione tensão e muitos elementos cenográficos para que o resultado fique ainda mais satisfatório e fim, excelente filme e todos contentes. Aí o nome original "Fury" vira "Corações de Ferro", e você olha pro pôster e vê Brad Pitt cabisbaixo, até ele decepcionado com o que está lendo, e fica pensando por que alguém colocaria um nome desse num filme de guerra? E a resposta meus amigos, digo que é o grande problema do filme, o excesso de querer mostrar que as pessoas que estão ali explodindo e matando outros humanos também são humanos, que têm coração e podem ajudar um ao outro. Mas se tirarmos isso e adicionando o grande desfecho da história, o resultado até que é bem satisfatório.

O filme nos situa em Abril de 1945, mostrando que enquanto os Aliados fazem sua incursão final na guerra pela Europa, um sargento do exército endurecido pela guerra chamado Wardaddy é responsável pelo comando de um tanque Sherman e uma equipe com cinco homens em uma missão mortal atrás das linhas inimigas. Em menor número, com pouco armamento, e lidando com um soldado novato em seu esquadrão, Wardaddy e seus homens encaram inúmeras adversidades em suas tentativas heroicas de atacar o coração da Alemanha nazista.

Como falei no começo, roteiros de guerra geralmente são simples, a não ser que queiram levar para algum estilo de suspense, ou algo mais dramatizado, mas na sua base é atirar, matar e ter alguma outra história no meio do caminho para que não fique totalmente chato. Aí é que entra o tempero da história, que é onde o diretor e roteirista costuma acertar na quantidade exata de sal, ou ferrar demais derrubando açúcar, e tentando humanizar algo que não é tão doce assim. David Ayer sabe fazer bons filmes de ação, e conseguiu imprimir seu estilo numa guerra, com cenas ágeis e tudo mais, mas faltou pra ele algum objetivo mais forte para expressar o assunto, mesmo que nos momentos mais doces junto das moças, ou até mesmo em alguns diálogos dos protagonistas, ficamos pensando por algum tempo se estamos ainda vendo o mesmo filme, ou se entrou alguma propaganda no meio do caminho, e assim um filme que poderia ter sido excelente tem boa técnica, bom visual, excelente cenografia, mas acabou pecando por se perder no estilo daqueles garotos que entram num campo de paintball atirando pra todo lado, mas sem um rumo definido para chegar a algum lugar.

Sobre as atuações, o grupo de protagonistas é de nível altíssimo, com velhos nomes fortes e alguns novos que estão decolando com suas atuações. Brad Pitt é um dos atores que mais sabe se expressar de formas diferentes em Hollywood, consegue fazer cara de bonzinho, de sacana, de vigarista e incrivelmente consegue misturar todas as expressões para fazer um sargento que por estar em guerra há muito tempo já mistura todas as faces numa só, sendo rancoroso na medida, raivoso com muita força e humano também, e seu nome não é pra menos Wardaddy, ou se traduzirmos por aqui papai da guerra, o que ele acaba sendo para a "família" que tem ali dentro de seu tanque, fez bem no geral o que o papel pedia, mas gostaria de algo mais forte seu em outros momentos da trama. Já disse isso uma vez, e repito Logan Lerman vai ser daqueles atores que ainda veremos ganhar muitos prêmios, o jovem ator de 23 anos começou meio bobinho, com todo mundo reclamando de seus papéis, e ultimamente vem numa vertente pegando papéis tão bem colocados, e trabalhando muito nas expressões para agradar, que em breve vai dar o tiro certeiro para decolar de vez, aguardem e me falem depois se não acertei, pois aqui o seu Norman é o ponto para dar coração ao filme, e seu jeito dócil caiu muito bem na trama, fazendo uma interpretação correta para o que o papel pedia, sendo forte quando precisou, mas infelizmente como disse acima essa doçura foi demais para uma trama, ou o filme focaria só nisso, ou seria de guerra, aí talvez o tiro acabou acertando mais uma vez um papel seu. Shia LaBeouf é outro ator depois que abandonou os robozões de "Transformers", já fez filme semi-pornô, já virou gângster e aqui confesso que fiquei procurando ele, pois sabia que estava no filme, mas está tão diferente que não dá para saber que é ele fazendo o personagem Boyd "Bíblia", e olha que é um dos melhores que estão em cena, o jovem parece finalmente ter acertado o rumo e vamos aguardar o que mais vem por aí seu, para que continuemos falando bem, já que não temos como falar mal de forma alguma agora que demonstrou personalidade e força tanto na ação quanto nos diálogos no filme. Jon Bernthal é o maluco Graddy que tem ações ríspidas no filme, mas funciona para o personagem, talvez se o filme fosse voltado mais para os seus atos que nos demais, a trama seria mais empolgante e acertaria mais, mas como ficou sendo apenas o ponto de quebra nas cenas, foi suficiente e não tão chamativo. Michael Peña sempre chama atenção, e com o diretor já conhecendo ele de seu filme anterior, não ficaria de fora de sua grande produção, e aqui com seu personagem Gordo, juntamente de seu sotaque mexicano, todos os momentos que está falando algo acabam chamando atenção e marcando, então é bacana o que faz, mas precisa ganhar em breve algum papel diferente do latino mexicano, pois já está marcando sua carreira. Dos demais não temos muito o que destacar, já que a maioria ou morre ou é nazista e não tem destaque frente a um filme americano, ou seja, temos os protagonistas e quem aparecer para falar algo apenas.

Agora se existe um estilo de filme que sabe o que é ter nível é o de guerras, pois haja objeto cênico para preencher bem o interior de um tanque, e ainda assim ficar algo clássico. Além disso, diversas armas, tanques, aviões, casas para serem derrubadas, figurinos enlameados e ainda assim com muita pompa, ou seja, um deslumbre técnico que é até engraçado não ser lembrado nas premiações, ao menos nesse quesito, mas o que posso dizer é que não ficou atrás de nenhum outro longa de guerra, fazendo com que a equipe artística tivesse trabalhado com minúcias perfeitas. A fotografia foi bem pensada e trabalhando bem nas cenas noturnas com luzes dos disparos funcionando em meio a toda a fumaça deu um charme a mais para as explosões, o que ficou interessante de ver.

Enfim, é um bom filme que agrada pelo teor proposto, mas se tivessem trabalhado melhor o rumo da história, escolhendo qual lado tomar, ou o totalmente doce dentro da guerra, ou atacar mesmo tudo e todos de uma forma mais dura, teríamos algo para ser lembrado por muitos anos, mas da forma que foi agrada bastante, mas ficou devendo para talvez ser esquecido em breve. Bem é isso pessoal, ao menos temos uma dica interessante para quem gosta do estilo, já que por ser difícil de acertar a mão, poucos costumam fazer, então fica de recomendação para todos, mas principalmente para quem gosta do estilo. Fico por aqui agora, mas ainda tenho uma estreia e uma pré para conferir nesse fim de semana, então abraços e até breve.


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Bob Esponja: Um Herói Fora da Água 3D

2/07/2015 11:12:00 AM |

Um dos desenhos mais assistido atualmente na TV é Bob Esponja, disso não tinha dúvida alguma, mas acabei assustando hoje ao chegar na sessão de "Bob Esponja: Um Herói Fora da Água" próxima as 19 horas e de repente de apenas 2 pessoas que estavam na sala, vi ela ficar quase lotada, e o mais incrível, não apenas crianças acompanhadas de pais, mas muitos jovens e adultos, que até pareciam estar curtindo mais do que as crianças. E já que o desenho tem seu próprio estilo de humor, até diria que meio nonsense, mas que diverte bastante, poderiam ter caprichado mais no filme, que embora até tenha uma ideologia própria para as telonas, acabou sendo um episódio meio que alongado do que passa na TV, já que são bem poucas as cenas em live-action, acredito que talvez não tenha dado tão certo como imaginavam, e o desenrolar da trama ficou mais infantil do que qualquer criança imaginaria.

O filme nos mostra que incomodado com o sucesso do Siri Cascudo, a lanchonete do Sr. Sirigueijo que tem a exclusividade na produção do hambúrguer de siri, Plankton, o dono da lanchonete Balde de Lixo, resolve traçar uma verdadeira estratégia de guerra para roubar a fórmula da iguaria, que é a base da alimentação da população da Fenda do Biquíni. Mas alguma coisa sai errado e a fórmula desaparece, deixando a uma vez pacata comunidade à beira do apocalipse. Agora, Bob Esponja, o funcionário padrão do Siri Cascudo, vai ter que unir forças com o ambicioso Plankton em uma viagem no tempo e no espaço para tentar recuperar a receita, contando com a ajuda da leal estrela-do-mar Patrick, do sarcástico Lula Molusco, da esquilo cientista Sandy e também o mercenário Sr. Sirigueijo. Outro interessado na fórmula é o malvado pirata Barba Burguer, que os heróis terão de enfrentar em uma batalha fora da água.

Um dos maiores problemas do longa foi o excesso de divulgação, pois podemos dizer que 70% do que tem no filme foi mostrado nos diversos trailers e comerciais do filme, outros 20% são coisas que já conhecíamos do desenho original, e sobrou míseros 10% de novidade, e isso num longa de 93 minutos é no máximo 10 minutos de novidade. Não digo que não é um filme legal e divertido de acompanhar, só não conseguiu atingir tudo que prometeu, a começar pelo título: "Fora da Água", sei que a crise hídrica atinge muito nosso país, mas o desenho saiu do 2D tradicional da televisão para uma excelente modelagem 3D por quase nada, e isso chega a ser broxante, pois ficou muito bacana os personagens como heróis, e até mesmo quando estavam pequeninos já era algo legal de ver, mas aí lutam com o vilão, e pronto acabou o filme, tipo, fiquei até o último crédito crente que teria alguma deixa, ou falar ano que vem tem mais, mas não, o filme se perdeu completamente no roteiro, misturando a ideia de uma máquina do tempo, e não saiu do lugar, o que é uma pena, pois tinha tudo para ser algo interessantíssimo já que como um dos desenhos mais vistos, acabar virando uma franquia nas telonas não seria nada mal. Porém mesmo com esses problemas, repito, é bem divertido as situações que acontecem, e deve lotar as sessões já que sem opções para os pais levar a garotada, a escolha da data caiu como uma luva na programação.

Já que falei um pouco sobre a modelagem, é interessante observar os personagens dentro do desenho 2D tradicional que todos já conhecem pela TV, com sua personalidade ao sair da água e virar bonecos mais caricatos, e em seguida virarem super-heróis, um fator bem interessante que a equipe fez foi de manter suas tradições e assim agradar tanto os adultos que riram horrores com tudo que os personagens passam a fazer, quanto os pequeninos que continuaram conhecendo seus personagens favoritos, só que agora com músculos e poderes. Dessa forma a ação tridimensional é muito bem feita, digo isso no quesito modelagem, pois viraram bonecos "pegáveis" com texturas e tudo mais, que aliado à dublagem característica que já estamos acostumados a ouvir na TV, ficou perfeito, mas repito, como isso ocorreu tão pouco, acabou sendo broxante demais, já que esperávamos realmente uma aventura fora da Tenda do Biquíni. Sobre a atuação de Antonio Banderas diria que sem dúvida alguma ele é um dos atores que mais tem tino para trabalhar com animações, e seu gestual é muito bem feito sempre, claro que não colocaram uma dublagem tradicional para ele junto com os demais dubladores do desenho, e isso deu um tom que quem já conhece sua voz original e a dublada pode até ficar na dúvida se é mesmo o ator, afinal está com um visual bem excêntrico e diferente de ser reconhecido, mas o seu trabalho é bem visto e o que faz valeu os minutos em tela.

Outro fator que vale ser frisado, o 3D do filme é apenas no quesito modelagem, ou seja, mesmo nas cenas aonde poderiam ter coisas voando, como nas bolas de canhão, e nas bolhas de sabão, a equipe esqueceu de mostrar para quem pagou mais caro, o motivo de estar usando um óculos preto, e assim sendo, não tem razões alguma em pagar mais caro, então quem quiser economizar pode ver 2D tranquilamente que não irá perder nada.

Com as cores características também, o filme se mantém num tom alegre e caricato para chamar a atenção da criançada, e mesmo nos momentos de rebelião, o tom só é puxado um pouco para o vermelho, mas ainda assim mantém em realce todas as cores tradicionais da trama, sempre jogando o amarelo do protagonista num nível acima para marcar. Outra coisa que decepcionou um pouco é que acostumamos com o que é bom, e a maioria das animações têm vindo para nosso país com escritos na nossa língua para que os pequenos leiam, e dê um charme a mais, e aqui tudo veio igualzinho para todo o mundo, tendo que uma voz vir falar ao aparecer algo escrito, poderiam ter caprichado mais nesse quesito também.

Enfim, é um longa que dá para dar boas risadas com tudo que é mostrado, algumas pessoas na sessão riram até demais, parecendo estar vendo algum outro tipo de filme ou estar sob efeito de algo estranho, mas está longe de ser uma animação que mereça ser lembrada daqui há algumas semanas, pelo resultado em geral. Recomendo apenas para levar as crianças que já assistem na TV para um episódio mais alongado, mas como disse, pode economizar tranquilamente com uma sessão 2D que não vai fazer a mínima diferença. Bem é isso pessoal, volto em breve com mais posts por aqui, afinal ainda tem estreias para conferir, então abraços e até breve.


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Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)

2/06/2015 01:36:00 AM |

Vamos lá ao seguinte mantra: "O filme é louco, eu sou louco, o personagem é louco, ou todo mundo ficou louco?". Só posso iniciar o meu texto sobre "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)" dessa maneira, pois ao sair, ou melhor parar na escada antes de sair devido ainda estar com mil conflitos na cabeça, só conseguia pensar em qual nível de maluquice ficou o diretor e roteirista mexicano Alejandro Iñárritu para fazer diversas críticas, colocar um filme-sequência (já que não dá para falar apenas em plano sequência, com algo que praticamente não teve mudança de plano) e ainda por cima ter uma história tão boa e absurda num único lugar! Sinceramente não sei nem o que escrever sobre o filme, pois com certeza cada um que assistir, e até eu mesmo se rever, vai ter uma opinião nova sobre cada ato, cada um vai olhar por um ângulo e imaginar algo diferente, outros vão odiar de cara, e ainda vão ter aqueles que vão jurar que a sua opinião é a certa e única sobre a ideologia do filme. Mas prefiro dizer, assistam e curtam essa loucura, as vezes é bom ser maluco.

O filme nos mostra que no passado, Riggan Thomson fez muito sucesso interpretando o Birdman, um super-herói que se tornou um ícone cultural. Entretanto, desde que se recusou a estrelar o quarto filme com o personagem sua carreira começou a decair. Em busca da fama perdida e também do reconhecimento como ator, ele decide dirigir, roteirizar e estrelar a adaptação de um texto consagrado para a Broadway. Entretanto, em meio aos ensaios com o elenco formado por Mike Shiner, Lesley e Laura, Riggan precisa lidar com seu agente Brandon e ainda uma estranha voz que insiste em permanecer em sua mente.

Ao criticar a forma que a indústria do cinema e dos musicais da Broadway trabalha, o diretor foi bem ousado e assumiu o risco, já que muitos lá dentro poderiam ficar bravos e tudo mais, mas como um amigo costuma dizer, o povo do cinema não se leva a sério, vejam "Mercenários" onde eles acabam zoando os papéis que acabaram ficando ricos, e dessa forma a comicidade fica completamente evidente para quem já trabalhou dentro de um filme, ou apenas leu um pouco e sabe que atores/atrizes têm chiliques, atores/atrizes já saíram com Deus e o mundo, atores/atrizes desistem do nada ou seja, em resumo atores/atrizes são malucos e junto disso entram agentes/produtores que querem dinheiro e mais dinheiro, familiares de artistas que acabam se infiltrando no meio de uma produção, e por aí vai, ou seja, o roteirista pegou tudo isso que já vivenciou e criou uma história crítica em cima, de forma a não apenas ficar com isso, mas como disse no início, muitos poderão ver o longa de outras formas, principalmente devido à cena final que dá ao menos umas 3 possibilidades de pensar o que estava acontecendo e aconteceu ali, (confesso que uma das que pensei é excelente, mas estragaria toda a loucura envolvida contar aqui, quem quiser mande e-mail pelo fale com o Coelho aqui do lado que respondo e trocamos figurinha depois). Junto disso, o diretor tem a insanidade piorada no nível máximo e resolve fazer o longa inteiro em plano-sequência, como se fosse alguém buscando pelas informações e tudo que ocorre nos bastidores da vida do protagonista e pessoas envolvidas com ele, jamais um filme nesse estilo, contendo cenas de ação, discussões mil, cenários diversos e tudo mais, algum louco entraria na pré-produção do filme e falaria, vou filmar em plano sequência, confesso que qualquer produtor mais bom da cabeça daria um tiro certeiro nele ou mandaria para um hospício, mas ficou tão bom o resultado final, que mesmo ofegante pelos textos ditos tão rápidos quanto em uma peça teatral mesmo, fazendo com que qualquer um que tenha escrito fluente em inglês no currículo passasse o corretivo para avançado quiçá médio, não temos como não gostar do que vemos, claro que é notável alguns cortes para respiro de câmera e tudo mais, mas ainda sim, a boa edição fez com que o filme ficasse quase que um plano só. Com essas loucuras todas, o diretor garantiu nada menos que três indicações: filme, roteiro e direção, ou seja, vai aparecer bastante na tela da TV.

Sobre a atuação não é a toa que o elenco ganhou o SAG e está sendo indicado à todos os prêmios, pois todos estão muito bem, e atuar com plano-sequência é algo surreal aonde o ator não pode errar, tem de ter seu texto na ponta da língua como se fosse em uma peça de teatro, e dessa forma a genialidade dos escolhidos para a trama se mostrou mais do que perfeita. Michael Keaton, que não chegou a perder toda a glória após seu Batman no passado, vindo fazendo alguns filmes interessantes de lá pra cá, caiu como uma autocrítica no personagem principal da trama, e o ator se doou de uma forma incrível para o personagem, aonde vemos seu estilo de atuar, sua forma de expressões excelentes e assim não teria outra maneira senão estar sendo indicado para tudo, pois fez muito bem em cena, mostrando o que sabe e pode fazer, quem sabe agora ganhe mais bons papéis novamente. Edward Norton faz de seu Mike aquele ator que qualquer diretor repudia por se achar o centro do Universo, mas que a crítica adora, então tem que ser colocado para que a peça ou filme tenha lucro, e estamos cansados de ver filmes péssimos aonde tem um ator nobre só para chamar os fãs, e ele faz o personagem com uma classe total de ironia, colocando chiliques e tudo mais que tem direito, ou seja, excelente em cena e garantiu ao menos sua indicação aos prêmios. Emma Stone como a filha problemática Sam, é um misto de emoções com a jovem trabalhando bem nos diálogos tanto nas cenas com Keaton quanto mais ainda nas junto de Norton, e com nuances bem interessantes de expressões ficamos bem intrigados com o que faz, e assim também levou seu nome para as indicações dos prêmios de atriz coadjuvante. Ver Zach Galifianakis sem todo aquele teor cômico bobo é estranho, mas mostra que o ator se encontra mais maduro e pode despontar também com expressões não tão clichês, e dessa forma saiu até que bem como o agente/produtor Jake, sua melhor cena sem dúvida alguma é a do conselho após o chilique do protagonista. Além desses que são os pontos chave, temos muitos atores aparecendo e fazendo bem em cena, por exemplo as moças Naomi Watts e Andrea Riseborough com suas Lesley e Laura respectivamente tendo personalidades completamente vulneráveis sendo misturadas com tudo que já fizeram em outros filmes e claro aqui em questão. Agora uma das cenas mais duras e reais de ver é a do protagonista junto da crítica interpretada por Lindsay Duncan, pois conheço diversos "críticos" por aí que nem assistem ao filme ou peça e já subjugam fazendo suas análises baseados em nada, e essa posso dizer que o diretor ganhou muitos votos do pessoal da casa para ele.

Sobre a cenografia, todos poderão finalmente ver como é maluco os labirintos de um teatro, de onde os atores surgem, saem e reaparecem em cena, passando por camarins, bastidores e tudo mais, ou seja, a equipe de arte usou a favor tudo que tinham em mãos para agradar, quebrar e encenar nas cenas do teatro, ficando literalmente simples e luxuoso na mesma proporção, o que é muito bom de ser visto, e para completar nas cenas que sai do teatro, a loucura é solta com as ruas da Broadway lotadas com seus espetáculos, placas de peças famosas de fundo e as ruas tradicionais de Nova York, fazendo alusão à diversos outros filmes, num trabalho minucioso e bem feito pela equipe artística. E falando em artista eis que entra o diretor de fotografia Emmanuel Lubezki, completamente maluco ao aceitar a proposta de ir andando com uma câmera seguindo os protagonistas e juntamente de sua equipe mantendo iluminação e paletas tudo ornando perfeitamente, ou seja, esse não só mereceu a indicação de Melhor Fotografia, como trabalhou em um nível que fazia muito tempo que não aparecia ninguém corajoso suficiente para fazer isso, se vai levar o prêmio já é outra história, afinal como ganhou ano passado com "Gravidade" fica meio difícil repetir, mas mandou muito bem no que fez.

As duas demais indicações do filme estão no quesito Edição de Som e Mixagem de Som, e mesmo caindo bem a bateria com todos os passos e sons do filme, me irritou demais e até cansou praticamente as mesmas batidas o filme inteiro, claro que se você ficar até o final dos créditos vai ver que o rapaz tocou umas 20 músicas diferentes, cada uma com seu nome e firula mais, mas convenhamos, já vimos coisa melhor por aí.

Enfim, é um filme diferenciado, que como disse pode agradar muito ou fazer você xingar demais pensando que loucura foi essa toda que viu durante quase 2 horas. Com 9 indicações ao Oscar a certeza que vai levar algum é alta, mas que vamos lembrar para sempre dessa maluquice toda já não garanto, afinal cada vez que ver é capaz de pensarmos e enxergarmos ele com outros olhos, assim o esquecimento é mais fácil, então fica difícil memorizar. Recomendo ele para todos que gostam de coisas malucas, afinal a chance de quem gostar de coisas 100% certinhas ficar irritado só com a câmera totalmente em movimento do início ao fim, é altíssima, mas vale com certeza ao menos a experiência de ver algo tão crítico funcionar bem dentro de algo voltado para o entretenimento, o que geralmente acabam estragando. Então fica a dica de sessão e mais que isso, corram, pois como tem poucas cópias no mercado por estar na mão do braço menor da Fox, a chance de que o filme saia de cartaz com 1 ou 2 semanas é bem alta. Fico por aqui agora, mas temos ainda muito o que conferir nesse fim de semana, então abraços e até breve pessoal.

PS: Só não estou dando nota máxima para o filme, por ficar na dúvida se gostei tanto assim mesmo dele, ou apenas fiquei maluco com o que vi e depois vou esquecer de tudo.


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Livre

2/03/2015 01:11:00 AM |

Assim como temos alguns filmes que nos levam a refletir sobre algo, existem muitos filmes sobre a reflexão dos personagens protagonistas. Alguns acabam sendo simples demais, e outros afloram ideologias que saímos da sessão pensando qual o rumo que realmente desejamos tomar em nossas vidas. Com "Livre", ao mesmo tempo que vemos a luta dura da personagem em seguir caminhando quando todo o peso não apenas da mala lhe sobrecarrega, mas tudo que já sofreu em sua mente, e esse é o mais pesado fardo sem dúvida alguma, também embarcamos junto nessa aventura por um caminho cheio de dificuldades, e assim, temos noções de coisas interessantes que um filme pode atingir e agradar como poucos já fizeram.

O filme nos mostra que depois da morte de sua mãe, Cheryl Strayed se afasta da família, passa usar heroína e seu casamento desmorona. Quatro anos depois, aos 26 anos, ela toma a decisão mais impulsiva de sua vida: caminhar mais de 1500 quilômetros pela costa do oceano Pacífico em busca de autoconhecimento.

Como o roteiro é baseado no livro que a personagem escreveu após fazer a trilha contando suas passagens, não temos nada que seja muito fora de algo realístico, e isso foi interessante da parte do roteirista Nick Hornby, pois ele como escritor de livros de ficção, poderia facilmente adaptar livremente o longa e deixar com uma cara mais comercial, pois um aspecto que com certeza quem não for acostumado com road-movies introspectivos vai reclamar é do ritmo da trama, e dessa vez não podemos culpar nem a trilha sonora, muito menos o diretor, já que a sintetização do filme necessita desse ritmo mais calmo mixando os momentos que a personagem quer se livrar juntamente com a experiência que vai ganhando com os obstáculos e as pessoas que vai conhecendo no caminho. E se existe algum diretor bom para trabalhar esse diálogo personagem/protagonista/filme/espectador é Jean-Marc Valeé que fez o excelente "Clube de Compra Dallas" no ano passado e agora soube colocar uma atriz que só vinha fazendo comedinhas e romances no eixo novamente para tentar a voltar ser a garota que ganhou o Oscar e diversos prêmios em 2005, não por menos agora está novamente indicada à quase todos os prêmios pela atuação. O que ele trabalhou nela foi algo interessante de se ver diretores fazendo ultimamente, que é não apenas comandar a câmera, mas deixar o ator quase maluco, no caso aqui cabe algumas curiosidades, como a proibição de espelhos para a protagonista, colocar uma mala realmente pesada para o caminhar ser coerente, entre outros detalhes que são notáveis no decorrer do filme, claro que sabemos que a atriz não andou realmente os 1500 quilômetros, mas ao menos sofreu um pouquinho, mesmo sendo produtora do filme.

Temos diversos atores que passam pelo caminho da protagonista, mas acabam sendo apenas momentos isolados para determinar o desenvolvimento da personagem, portanto vale somente falarmos de Reese Witherspoon que em momento algum nos lembra qualquer personagem bobinho que fez nos últimos anos, parecendo que amadureceu do nada surgindo como uma nova pessoa, conseguindo se soltar plenamente frente às câmeras e desenvolvendo todo um simbolismo, claro que ela não foi boba de escolher o personagem sem saber de tudo, tanto que recusou diversos outros grandes filmes para desenvolver a protagonista e fazer o filme com toda a pompa necessária, e isso já lhe valeu novamente a indicação à todos os prêmios de atuação que tanto desejava, se vai ganhar já é outra história, afinal esse ano a categoria está bem dura, mas ao menos mostrou que se algum diretor tiver algo intimista, ela está disposta a sair dos romances levinhos. Além dela, Laura Dern também fez belas cenas como a mãe da protagonista e em diversos momentos consegue comover o espectador com seu jeito e claro com o desenrolar da trama acabamos sabendo mais detalhes da personagem, o que ainda dá um tom maior para a saga da jovem, de forma que junto de Reese também conseguiu sua indicação ao Oscar.

Como é uma trilha que realmente existe, assim como Santiago de Compostela, o PCT (Pacific Crest Tale) é composto por lugares incríveis visualmente, e isso a direção de arte fez questão de escolher os melhores pontos para parar e fazer as cenas mais alongadas, e assim abrilhantar ainda mais o filme, e como a bolsa da jovem está cheia de itens, os objetos cênicos passam a ter diversas importâncias no delongar da história, como disse no início apenas um deles, de deixar o peso mental e estrutural, e além disso, as cenas envolvendo os machucados são bem fortes e chegam até a chocar em alguns momentos, a primeira já é um belo início para mostrar a que veio o filme, ou seja, passou dali, pode crer que aguenta tudo. A fotografia ficou bem trabalhada por adequar os diversos momentos climáticos dentro das cores e gamas de paletas para representar bem a chuva de emoções, a noite assustadora, o sol escaldante, o frio das ideias e claro a vida alegre de uma paisagem, de maneira que podemos somente num único filme estudar tudo e mais um pouco das formas de escolher ângulos e tons para representar cada situação.

/Um bom road-movie é composto de ótimas trilhas, sempre, e aqui não seria diferente, onde surgem canções indies e totalmente compatíveis com cada situação que envolve o momento em que a personagem está inserida, claro que o destaque fica por conta de Simon & Garfunkel que tocam a todo momento e fica em nossa cabeça após a sessão, mas vale após assistir, dar uma conferida na trilha completa que está muito boa.

Enfim, um trabalho perfeito que só não foi melhor por um único detalhe, ficou real demais, e isso num filme mesmo que envolva momentos de sofrimento e boas atuações acaba sendo uma falha, já que faltou explorar o detalhe intimista que só a ficção caberia dizer, e ficarmos falando impossível a pessoa passar por isso, e esse detalhe custou ao diretor e ao filme não conseguir ser indicado em outras categorias, deixando apenas para as damas a sorte de tentar algum prêmio, o que não deixa de ser algo bom, mas se tivessem apelado, mesmo que em um mísero detalhe, talvez ela rolar um barranco ou coisa do tipo, com certeza todos estariam falando que era o melhor filme do ano. Ainda assim, claro que recomendo o longa para todos, tanto para verem a história real da personagem, quanto para pensar em suas vidas, e claro, os mais malucos pensarem em fazer a trilha de 1500 km a pé daqui a algum tempo, apenas não contém comigo para isso. Bem dessa forma, encerro a semana cinematográfica já aguardando por uma nova que promete ser bem recheada e inicia na próxima quinta, então abraços e até lá pessoal.


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A Entrevista

2/01/2015 10:36:00 PM |

Claro que o filme mais polêmico do ano passado iria passar nos cinemas! Alguém tinha essa dúvida ainda? Agora se foi ou não uma jogada de marketing bem atrapalhada não temos como falar, mas o resultado que "A Entrevista" causa em quem gosta de comédias escrachadas cheias de piadas sujas e escatologias soltas é de causar crise de risadas e mais ainda pensar se algum chefe de estado realmente se sentiu ofendido com as piadas ser condenado por burrice, pois mesmo que a ficção fale mal do seu país através de zombarias, quantas vezes já não atacaram outros lugares? Ou seja, quem quiser rir bastante de um besteirol, esse é o filme que deve ser visto com certeza.

O filme nos mostra que cansados de fazerem entrevistas apenas com celebridades, um famoso apresentador de um popular programa de televisão e seu produtor decidem buscar uma linha mais série de jornalismo. Eles conseguem marcar uma entrevista com o ditador Kim Jong-un, da Coreia do Norte. Sabendo disso, a CIA decidem convocar os dois sujeitos para um plano para assassinar o ditador. A coisa só complica um pouco quando o apresentador começa a se identificar com os dramas vividos pelo governante.

A história embora tenha diversos percalços no meio que não são tão bem feitos, principalmente nas cenas finais aonde partiram pra dedos cortados e sangue voando inutilmente, consegue ser bem pensada e divertida a ponto de fazer rir pela situação, algo que Seth Rogen não conseguia fazer a muito tempo em seus filmes, onde sempre era necessário quase que desenhar a piada para que o público risse, o que aqui felizmente ocorreu com uma quantidade menor de casos. Claro que em alguns momentos ficamos falando: "ele não tá fazendo isso", mas na sequência encaixa algo tão bem com o que faz, que o jeito é rir, e se a proposta que ele queria era de fazer algo engraçado, finalmente saiu do papel um acerto, já que o anterior "É o Fim" foi ridículo, ao ponto de não ter graça em quase nada. Sua direção junto do parceiro Evan Goldberg foi acertada em diversos pontos, pois soube segurar as piadas certas nos momentos certos, trabalhando com a câmera e com o texto simultâneos, não deixando que um exagerasse ou devorasse o outro, e assim o filme passa tão rápido que nem parece ter quase duas horas.

No quesito atuação Seth Rogen e James Franco já devem quase ter casado, lembrando um pouco a dupla Sandler e Schneider que estavam sempre juntos em filmes e na vida real, mas como disse pra um amigo, a parceria depois de certo tempo ou atrapalha ou começa a funcionar muito bem, e aqui com brincadeiras envolvendo duplas famosas do cinema numa das cenas iniciais, mostrou que ambos estão muito bem conectados e vão nos divertir mais vezes com esse estilo de filme, o jeito agora é aguardar qual vai ser a próxima polêmica que vão se enfiar. Franco é o tipo de ator que topa qualquer roteiro, e daqui a pouco vai estar pior que o Nicolas Cage aparecendo até em filme de churrasco de aniversário de família, mas ao menos consegue fazer boas caretas e se encaixar nas situações que o filme pede, seu apresentador é completamente caricato e com certeza muitos apresentadores se enfureceram por ele copiar a maioria deles, mas se é assim mesmo, qual o problema, acaba sendo um acerto pra ele. Rogen atuando, dessa vez acredito que teria sido melhor ficar apenas atrás das câmeras como roteirista e diretor, pois não conseguiu dar sua cara para o personagem, faltou uma dinâmica melhor e expressões melhores para um produtor, e assim acaba decepcionando um pouco, embora sua cena após o tigre foi embora completamente pejorativa, uma das mais divertidas. Se eu fosse Randall Park, aí sim ficaria preocupado com a reputação, já que sua fisionomia ficou muito semelhante com o líder coreano, e ao trabalhar expressões e sacanagens em cima do personagem ficou divertido, mas completamente abusivo para um chefe de estado, mas se a ideia era divertir, acertou bem. Diana Bang fez uma marqueteira do governo coreano, meio bobinha demais, em alguns momentos achei que fosse chamar mais atenção, mas apenas funcionou como encaixe para as piadas. Os demais apenas são coadjuvantes, alguns com mais de uma fala, mas nada que chamasse muita atenção, somente Lizzy Caplan tem alguns momentos acertados como uma agente da CIA, principalmente na cena do tigre, mas que depois acaba quase evaporando.

No quesito visual, dessa vez gastaram bem para construir, ou ao menos computadorizar, misseis, foguetes e outros apetrechos da Coréia do Norte, além de conseguir um tanque e muitas coisas para serem destruídas, então ao menos nesse quesito souberam aproveitar bem com cenografia e elementos para serem usados tanto como um fundo rico quanto servir de base para as piadas, ou seja, um bom trabalho da direção de arte. A equipe de fotografia também trabalhou bem dando nuances mesmo nas menores salas, para que os personagens sempre estivessem num plano hábil e correto para chamar atenção e fazer sua cena de forma interessante e divertida, o que agradou bastante, sem apelar para cores chamativas e efeitos fora demais da realidade.

Outro ponto bem acertado foram as trilhas sonoras escolhidas, que encaixaram bem demais nos momentos que foram colocados, inclusive com versões diferentes das originais para dar o charme na cena que aparecem. Os destaques claro vão para "Fireworks" da Katy Perry em duas versões e "Wind of Change" do Scorpions.

Enfim, tinha tanta certeza que iria odiar o filme, que fui ao cinema preparadíssimo para voltar com 20 pedras na mão falando mal dele, pois não é o estilo de comédia que gosto de ver, mas não ria tanto de um besteirol assim desde acho que os filmes do Leslie Nielsen, então felizmente funcionou para descontrair no Domingo, e com certeza recomendo ele para quem gosta do estilo piadas sujas sendo bem encaixadas na história. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda falta um longa que estreou por aqui nessa semana para conferir, então volto a postar assim que conferir ele. Então abraços e até mais galera.


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A Mulher de Preto 2 - Anjo da Morte

2/01/2015 02:47:00 PM |

Alguns filmes que vem como continuação nos deixam tão confusos que dificilmente conseguimos entender se realmente é uma continuação, um reinício de franquia ou um prequel (quando nos mostram algo que aconteceu antes do filme original). Digo isso de "A Mulher de Preto 2 - Anjo da Morte", pois mudou o elenco inteiro, mudou direção, mas manteve a base inteira da história, a casa e claro o fantasma, e como não falaram nada sobre essa dúvida, é mais fácil interpretar da forma que desejar e assistir o filme como algo único que agrada por ficar mais tenso devido ao tema embasado agora nas loucuras de guerra juntamente com problemas familiares, justificando melhor até casos de ver coisas, o que não é o caso aqui, mas se justificaria melhor, porém ocorreu um dos defeitos mais significativos do gênero, que é o exagero da falta de iluminação para tentar pegar o público desprevenido, e isso faz com que tenhamos de forçar demais nossa vista para conseguir ver qualquer coisa que seja na maioria das cenas, e de certa forma isso ao meu ver é muito ruim para uma produção.

O filme nos mostra que durante a Segunda Guerra Mundial, um bombardeio destrói a cidade de Londres, forçando diversas crianças a buscarem abrigo em cidades menores da Inglaterra. Edward é uma destas crianças traumatizadas, que acaba de perder os pais e não pronuncia uma palavra sequer. Ele é acolhido pela governanta Jean e pela professora Eve na Mansão do Pântano. O abrigo está caindo aos pedaços, mas serve como refúgio ao pequeno grupo. Aos poucos, no entanto, uma série de acontecimentos assustadores passam a afetar os novos hóspedes.

Com uma história mais convincente que o primeiro longa, e uma primeira metade lotada de informações interessantes sobre o desenrolar da trama, nem parecia tanto que o diretor queria assustar o público com a falta de iluminação, e dessa forma o que o diretor praticamente estreante Tom Harper nos entrega é um roteiro bem desenvolvido e cheio de possibilidades para ter mais continuações ou montagens possíveis em cima da história, mas por ser baseado no livro de Martin Waytes, talvez precisem abusar mais da criatividade num próximo. Outro ponto satisfatório da direção de Harper, é que ele não trabalhou com tantos sustos desnecessários, claro que isso está presente na trama, mas ele soube dosar bem o drama psicológico com as cenas mais escuras, para que na hora dos pulos desprevenidos, tivessem motivos interessantes e bem colocados. O único erro que insisto que é falha de três pessoas é o excesso de escuridão, que tanto o diretor errou em não cobrar mais da equipe de fotografia, quanto na edição poderiam clarear mais as cenas, já que com certeza não foi filmado 100% com as luzes apagadas, e aí erraram ao colocar filtros escuros demais para dar tensão e acabou não funcionando do jeito que desejavam.

No quesito atuação, novamente eu entro no assunto de até que ponto crianças não ficam traumatizadas após fazer filmes de terror? Dá desespero só de pensar em alguns filmes do gênero com crianças morrendo de formas estranhas e assustadoras, isso num futuro com certeza vai influenciar. Dito isso, as caras de assombro que Oaklee Pendergast faz é algo muito forte e junto o fato de não dizer praticamente nada durante o filme todo é mais tenso ainda, ou seja, o garotinho fez muito bem seu papel de Edward e se não virar um maluco pode ainda fazer mais bons filmes do gênero, já que também saiu muito bem no seu filme anterior "O Impossível". Phoebe Fox trabalhou bem a ingenuidade da personagem Eve, misturando os problemas que lhe foram atribuídos com expressões bem trabalhadas, e isso fica interessante de ver na tela, mas poderia se assustar melhor em algumas cenas, pois a convicção acabou exagerada demais, e acredito que isso não era o que queriam passar para ela, sendo mais dócil e assustada que crente de que tudo é verdadeiro. Pelo contrário Helen McCrory mesmo aparecendo pouco, conseguiu mostrar a dureza de sua Jean, que é explicada numa cena curta e impõe sua rigidez logo de cara, o que acaba sendo didático até demais, mas funcionou ao menos para não deixar a atriz como alguém estranho dentro da trama, não acreditando em nada, mas também quando assusta, exagera demais na forma expressiva, e isso poderia ter sido dosado. Jeremy Irvine até foi lhe entregue um papel bacaninha, com história para ser contada e tudo mais, mas seu Harry serviu mais como um galã clichê para salvar a mocinha do que para mostrar a expressividade do rapaz, e isso é um defeito muito grande que poderia até ser repelido. As demais crianças e adultos que aparecem fazem o tradicional, aparecendo em sustos e sendo crianças bonitinhas quando precisam, e assustadoras também quando é necessário, mas o destaque do elenco figurativo vai para Ned Dennehy que como um velho cego acaba assustando bastante, e o negativo dessa vez cai para a mulher do título que teve uma participação bem sem graça, já que no outro filme tinha ela mais vezes e participando das ações, aqui são mais os vultos.

No conceito visual tivemos muitos elementos aparecendo para dar a cenografia algo tenso e assustador, mas que foram quase nada usados para o filme, tirando um ou outro que sempre surgia na mão do garotinho, e olha que se formos a fundo vamos ver que tinha toneladas de objetos no cenário para servir para a trama, mas preferiram usar apenas de adorno cenográfico. E falando em cenografia, a vila ficou muito bem desenhada e Londres destruída vista de cima foi algo que empregaram com uma classe como ninguém jamais viu, claro que ao mostrar a cena das pessoas saindo do bunker já está batida demais em uns 10 filmes iguaizinhos, então está na hora de pensar algo melhor. No quesito fotográfico todos já sabem da minha reclamação desde o primeiro parágrafo, que é a falta de luz, pois poderiam usar tranquilamente o tom preto puxando para a escuridão total, mas vamos iluminar melhor para termos contraluzes interessantes e desenvolver sombras melhores.

Enfim, embora tenha gostado mais da história desse que do primeiro, é fato que esse assusta menos e tem mais defeitos, então quem curtir uma boa história por trás da trama vai ficar bem feliz, enquanto quem desejar pular mais de susto com um filme de terror, vai achar o longa fraco. Portanto essa é a dica para decidir se confere ou não o longa no cinema, se curtir sustos, não vai ser um longa que vai ficar tão feliz com o que verá, mas se gostar de história onde tem trabalho psicológico a chance de curtir é boa. Bem é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas ainda faltam 2 filmes para conferir nessa semana, então volto mais tarde com um novo post. Abraços e até breve.

PS: Ao chegar em casa estava com a nota 8 na cabeça para o filme, mas fui achando tantos defeitos conforme fui escrevendo que foi sendo rebaixada a nota até chegar no 6.


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The Metropolitan Opera: Os Contos de Hoffmann

1/31/2015 10:13:00 PM |

Passados mais de 2 anos, cá fui eu novamente conferir uma ópera ao vivo no UCI Cinemas, e assim como me deslumbrei com "Aída", o resultado aqui com "Os Contos de Hoffmann" não foi diferente. Claro que as canções dessa produção não são tão conhecidas como foi naquela época, mas ainda assim, ver os tenores mandando ver em francês com uma super produção cênica de figurinos coloridos e bem contextualizados foi de um agrado só, e como disse da outra vez, por conhecer o quão duro é produzir um cenário, ver eles montando tudo do próximo ato tão rapidamente entre um intervalo de 20-30 minutos com as entrevistas, é algo que não tem preço e agrada demais.

A sinopse completa da ópera é essa:
Prólogo: Taverna de Luther em uma cidade alemã. O poeta Hoffmann está apaixonado por Stella, a cantora da ópera. Lindorf, um rico conselheiro que também a ama, interceptou um bilhete que ela escreveu para Hoffmann. Lindorf está confiante de que irá consegui-la só para si. Entrando com um grupo de estudantes Hoffmann canta uma balada sobre um anão desfigurado, chamado Kleinzach. Durante a música, sua mente traz vagas lembranças de uma linda mulher. Quando Hoffmann passa a enxergar Lindorf como seu rival, os dois homens trocam insultos. A Musa de Hoffmann, que assumiu a aparência de seu amigo Nicklausse, os interrompe, mas o encontro deixa o poeta com a sensação de que um desastre se aproximava. Ele começa a contar as histórias de seus três últimos amores...
Ato I: O excêntrico inventor Spalanzani criou uma boneca mecânica chamada Olympia. Hoffmann, que acha que ela é filha de Spalanzani, se apaixonou por ela. Coppélius, o ex-sócio de Spalanzani, vende a Hoffmann um par de óculos mágicos, através dos quais ele consegue enxergar Olympia como um ser humano. Quando Coppélius exige sua parte nos lucros que os dois inventores esperavam obter com a boneca, Spalanzani o entrega um cheque sem valor. Convidados chegam, e Olympia cativa a multidão com uma deslumbrante apresentação de uma ária, a qual é interrompida diversas vezes para que o mecanismo da boneca seja recarregado. Inconsciente disso, ao assistí-la através de seus óculos, Hoffmann fica encantado. Ele declara seu amor e os dois dançam. Olympia rodopia cada vez mais rápido conforme seu mecanismo gira fora de controle. No meio do tumulto, os óculos de Hoffmann são quebrados. Coppélius, ao descobrir que o cheque não tinha valor, retorna furioso. Ele agarra Olympia e a despedaça enquanto os convidados zombam de Hoffmann por ter se apaixonado por uma máquina.
Ato II: Antonia canta uma triste melodia de amor, repleta de memórias de sua já falecida mãe, uma famosa cantora. Seu pai, Crespel, a levou embora na esperança de terminar seu relacionamento com Hoffmann, e implora para que ela pare de cantar: ela herdou o coração fraco de sua mãe, e o esforço poderia colocar sua vida em risco. Hoffmann chega e Antonia se junta a ele, cantando, até que ela quase desmaia. Crespel volta, alarmado com a chegada do charlatão Dr. Miracle, que cuidou da esposa de Crespel no dia de sua morte. O médico afirma que ele pode curar Antonia, mas Cresppel o acusa de ter matado sua esposa, e o põe para fora. Hoffmann, ao ouvir a conversa, pede para que Antonia pare de cantar, e ela aceita, ainda que relutante. No momento em que ele vai embora, Miracle reaparece, incitando Antonia a cantar. Ele invoca a voz de sua mãe, que afirma querer que a filha reviva a glória de sua própria fama. Antonia não consegue resistir. Sua cantoria, acompanhada pelo violino que Miracle toca freneticamente, fica cada vez mais intensa, até que ela desaba. Miracle, friamente, a declara morta.
Ato III: A cortesã veneziana Giulietta junta-se a Nicklausse em uma barcarola. Em meio a uma festa, Hoffmann zombeteiramente exalta os prazeres da carne. Quando Giulietta o apresenta ao seu amante atual, Schlémil, Nicklausse alerta o poeta quanto aos encantos da cortesã. Hoffmann nega possuir qualquer interesse nela. Tendo escutado, o sinistro Dapertutto exibe um diamante grande, com o qual ele irá subornar Giulietta para roubar o reflexo de Hoffmann para ele - assim como ela roubou a sombra de Schlémil. Quando Hoffmann está prestes a partir, Giulietta o seduz até que ele confesse seu amor por ela. Schlémil retorna e acusa Giulietta de tê-lo trocado por Hoffmann, que percebe, horrorizado, que perdeu seu reflexo. Schlémil desafia Hoffmann a um duelo, e é morto. Hoffmann pega, do corpo de seu rival morto, a chave para o quarto de Giulietta, mas encontra o cômodo vazio. Ao retornar, ele a vê deixando o palácio nos braços do anão Pitichinaccio.
Epílogo: Ao terminar de contar suas histórias, tudo o que Hoffmann quer é esquecê-las. Nicklausse declara que cada história descreve uma característica diferente de uma mulher: Stella. Chegando à taverna após sua apresentação, a cantora encontra Hoffmann bêbado e vai embora com Lindorf. Nicklausse resume a aparência dela chamando-a de Musa, e diz ao poeta que ele deve encontrar consolo em sua capacidade criativa.

Com a história em mente já dá para ver que é algo bem trabalhado, que cantado em francês tem um âmbito ainda mais expressivo e interessante nas vozes de Vittorio Grigolo com Hoffmann, Kate Lindsey como A Musa, Erin Morley fazendo Olympia, Hibla Gerzmava dando sua voz para Antonia e Stella, Christine Rice fazendo Giulietta, e Thomas Hampson sendo Lindorf e outros três vilões.

O primeiro ato junto com o prólogo é a parte mais bacana da ópera, nos divertindo e agradando bastante com muitos figurantes cantando também junto. O segundo ato é o mais lento e chega até cansar um pouco, mas ainda assim é bem belo pela tonalidade da iluminação. Enquanto o luxo domina no terceiro ato que ao voltar diretamente sem intervalo para a taverna dá um show de sincronismo e acaba envolvendo magicamente todos os espectadores da plateia.

Com uma cenografia cheia de detalhes, a equipe técnica fez milagres e encheu nossos olhos com panos subindo, fundos infinitos e muita iluminação diferenciada o que dá um tom perfeito para o que o diretor preparou. Assim sendo, repito, ver num cinema todo esse aparato, e ainda por cima poder conferir as montagens cênicas entre um ato e outro é de uma grandeza ímpar e vale muito a pena.

A orquestra regida por Yves Abel trabalhou com uma partitura interessantíssima e cheia de nuances para dar a tonalidade dos tenores, e assim nos envolver do início ao fim.

Bem é isso pessoal, mais uma vez agradeço aos amigos do UCI Ribeirão, principalmente o projecionista Geraldo, pelo convite para conferir esse espetáculo e com toda certeza recomendo que vejam as demais dessa temporada, ou aguardem o próximo ano, já que infelizmente essas óperas acabam passando apenas uma vez nos cinemas UCI, mas a cada 15-20 dias tem uma nova, então não deixem de ir. Fico por aqui agora, mas ainda pretendo conferir mais um longa hoje que amanhã falo o que achei, então abraços e até breve.

Não consegui puxar o trailer para cá, mas pode ser visto aqui: http://www.metopera.org/video/2014-15/la-boheme/watch/les-contes-dhoffmann-trailer/3993366369001



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